06/06/2008 - 12:04h A Guerra das Rosas
“A Guerra das Duas Rosas foi uma série de longas e intermitentes lutas dinásticas pelo trono da Inglaterra, ocorridas ao longo de trinta anos de batalhas esporádicas (1455 e 1485). (…) Esta série de guerras civis iniciou-se com a disputa da aristocracia pelo controle do Conselho Real, por causa da menoridade de Henrique VI. Havia uma rivalidade entre dois aspirantes ao trono: Edmundo Beaufort (1406-1455), duque de Somerset, da casa de Lancaster, e Ricardo Plantageneta, terceiro duque de York. O primeiro apoiava Henrique IV e a rainha Margarida de Anjou. O segundo pôs em causa o direito ao trono de Henrique VI de Lencastre, um homem pio mas fraco, sujeito a fases de insanidade. Henrique VI, ao assumir o poder em 1442, teve o apoio dos Beaufort e do duque de Suffolk, aliados da casa de York.” (wikipedia).
“Apos quatro anos de casamento, Oliver e Barbara Rose explodem. Frustrados por anos de casamento, se declaram a guerre pelo divorcio, o espolio dos bens e da casa. Nesta guerra todos os golpes são permitidos, como chantagem e violência de todo tipo… no final os dois sucumbem juntos. Filme realizado por Danny DeVito com: Michael Douglas (Oliver Rose), Kathleen Turner (Barbara Rose), Danny DeVito (Gavin D’Amato).”
Tudo indica que a decisão do governador José Serra é ir até o fim na guerra para destruir a candidatura de Geraldo Alckmin.
A determinação de solicitar a desencompatibilização de Ricardo Montoro para poder bater chapa contra Alckmin na convenção é prova disto. Montoro foi o candidato de Serra a presidente da Câmara Municipal quando foi eleito prefeito, derrotado na época pelo vereador Tripoli.
A idéia parece ser a de levar o abaixo assinado contra a candidatura própria do PSDB a convenção tucana, tentar reverter a decisão da executiva municipal em favor da candidatura própria e, se não vingar, propor Montoro como candidato contra Alckmin, para marcar a candidatura Alckmin como representativa de só um pedaço do PSDB.
A réplica dos partidários de Alckmin é a lei da mordaça, no típico estilo stalinista de proibir e punir. Longe de qualquer consulta democrática aos filiados, com voto em urna, debate contraditório e escolha, o aparelho de Alckmin que controla a executiva municipal pratica o rolo compressor. Inquietante concepção da democracia e mal augúrio sobre o futuro convívio no mesmo partido. Quanta modernidade!
Esta postura autoritária vai acompanhada de ataques cada vez mais abertos ao governo Kassab, controlado por uma maioria de tucanos serristas. O próprio Alckmin já se manifestou ácido em relação ao trânsito e a iluminação da cidade e ontem seu braço-direito, o deputado federal Edson Aparecido concordou com Marta Suplicy em taxar a administração Kassab de “medíocre”. (estranho, nenhum jornal reproduziu esta declaração publicada ontem na Folha Online e reproduzida aqui no blog). Os limites desta postura é que dificilmente poderá evitar que a responsabilidade do próprio governo Alckmin seja posta na comparação da campanha eleitoral. Foi ele o governador que menos metrô construiu em São Paulo e que deixo a CPTM e o próprio metrô no abandono. Foi ele que retirou a PM do trânsito na cidade, restabelecido só agora pelo governo Serra.
A violência autoritária dos alckministas se explica também por uma constatação: perceberam que o caso Alstom está sendo instrumentalizado por seus adversários tucanos para associar Alckmin e Alstom. Não por acaso o editorial do Agora começa lembrando que “as investigações começaram na França e na Suíça e abrangem o período de 1995 a 2003″ (mesmo se a própria Folha já mostrou contratos irregulares feitos agora pelo governador Serra). Sabendo que esta associação poderá ser mortal para as pretensões do candidato que posou de udenista roxo contra Lula, os alckministas estão a mil para escapar da carapuça.
A esta altura da leitura você leitor deve estar se perguntando: e eu que tenho a ver com tudo isso?
Se você tiver alguma simpatia pelos tucanos deve estar se perguntando, qual é a divergência política, administrativa, de governo ou ética que justifica esta violenta divisão tucana? É só boquinha como argumentam os alckministas? ou e só ambição pessoal e egoísta como retrucam os serristas?
Pois é, o debate sobre os rumos da cidade, sobre as propostas para resolver os inúmeros problemas do trânsito caótico, da falta de médicos e o abandono das UBS, das filas para atendimento na saúde, do quase nulo investimento em corredores necessários quando se pretende privilegiar o transporte público; da qualidade da merenda escolar e do baixo nível da educação no estado mais rico do pais e dos problemas de moradia ou da violência; tudo é passado para um plano menor e substituído por ataques, bate-boca, ironias e desprezo pela inteligência do eleitor.
Talvez esta verdadeira cortina de fumaça sobre os reais problemas do cidadão tenha por objetivo evitar uma escolha clara, para melhor preservar as ambições pessoais e a boquinha, comum denominador do objetivo da guerra das rosas no tucanato. É que a guerra atual entre eles é decisiva para que ambição pessoal e boquinha possam se alçar ao patamar federal em 2010.
Luis Favre





