11/09/2009 - 17:05h Track & Field vai para Nova York

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Rede de roupas esportivas terá loja na Madison Avenue

Marianna Aragão, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A marca brasileira de roupas esportivas Track & Field dará o primeiro passo de seu projeto de internacionalização em grande estilo. Em novembro, a empresa abre as portas de sua primeira loja no exterior na sofisticada Madison Avenue – avenida de Nova York famosa por concentrar grandes agências de publicidade e o comércio de luxo da cidade. O plano de expansão da companhia prevê a abertura de quatro lojas nos Estados Unidos nos próximos anos. “Em seis ou oito anos, queremos chegar a uma rede de lojas do tamanho da brasileira”, estima Frederico Wagner, um dos três sócios e fundadores da marca.

Nascida há 20 anos em São Paulo como uma confecção de camisetas, a Track & Field investiu na criação e design de peças para esportistas. Hoje, tem 35 pontos de venda no País. Segundo Wagner, o mercado americano foi escolhido pela identificação com a marca. “É um país onde as pessoa têm uma ligação muito forte com o esporte.”

O investimento na primeira loja foi de US$ 1 milhão. A empresa contratou o arquiteto brasileiro Arthur Casas para desenhar o projeto, que será uma espécie de piloto para a marca. As principais mudanças em relação às unidades brasileiras estão na disposição dos produtos. “Como não há área para estoque das mercadorias, tivemos de bolar uma forma de dispô-las dentro da própria loja”, conta Wagner.

A solução foi criar novas embalagens, feitas em plástico biodegradável, que se encaixam formando uma parede. “Assim, conseguimos aproveitar o espaço de forma mais eficiente e ainda criamos um visual interessante.” Outra inovação será a possibilidade de o cliente devolver as embalagens, em troca de descontos em novas compras. Se o novo modelo funcionar, os empreendedores querem replicá-lo no Brasil.

Há três anos prospectando o mercado dos EUA, a empresa aproveitou a queda dos aluguéis no país, um dos efeitos da crise financeira, para tirar o projeto do papel. De acordo com o empresário, os valores de aluguéis estavam em média 30% menores que antes da turbulência. Além disso, a legislação americana não prevê o pagamento do chamado “ponto”, como no Brasil. Segundo Wagner, “o ponto comercial por metro quadrado em um shopping de alto padrão em São Paulo está mais caro que o aluguel de lá.”

A expectativa é que a unidade da Madison atinja faturamento de US$ 1,8 milhão no primeiro ano de atividade. Se a meta se confirmar, os próximos destinos serão os estados da Califórnia e Flórida – apostas “óbvias”, segundo Wagner, pela forte presença da comunidade latino-americana -, além de outras regiões em Nova York.

16/02/2009 - 08:56h Aumento real do mínimo injeta R$ 21 bi e reduz crise

Aliada à inflação menor, alta real de 6,4% do salário fortalece mercado interno

Setores como alimentos, roupas e fármacos e regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste devem ser mais beneficiados

PEDRO SOARES – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

Reajustado neste mês em 6,4% em termos reais, o novo salário mínimo de R$ 465 injetará diretamente na economia R$ 21 bilhões pelos cálculos do Ministério do Trabalho e será um importante instrumento de política anticíclica nestes tempos de crise, segundo especialistas. Permitirá, dizem, manter algum dinamismo em setores que dependem da expansão da renda, como o de alimentos.

Para Fábio Romão, economista da LCA, o aumento do mínimo, aliado à inflação menor neste ano, vai sustentar o consumo de alimentos e outros bens semi e não-duráveis (como roupas, calçados e produtos de limpeza e de higiene pessoal) e amortecer o impacto da crise tanto na produção como no emprego. O reajuste real também terá mais peso nas regiões onde a penetração do mínimo é maior, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Antes mesmo do aumento total de 12,05% do mínimo, o desempenho dos setores ligados à renda já destoava do resto. De outubro a dezembro, a indústria geral registrou tombo sem precedentes em crises anteriores, de 19,8%. Mas, em alimentos, a queda foi suave -0,7%, a menor dos ramos.

Só registraram expansão bebidas (0,2%), também dependente da renda, e outros veículos automotores (20,1%), por causa da fabricação de aviões encomendados antes da crise, contra queda de 54% na produção de veículos, diz o IBGE.

Isabella Nunes, do IBGE, diz que os ramos ligados à renda já tiveram resultados um pouco melhores nos três últimos meses de 2008 -quando a indústria sentiu, progressivamente, o forte baque da crise.

“A indústria desabou em dezembro, mas a renda ainda sustenta um pouco os não-duráveis.” Em dezembro, a produção da indústria geral caiu 14,5% ante dezembro de 2007 -a maior retração desde 1991. Naquele mês, outro ramo ligado à renda, a indústria farmacêutica, cresceu 11,7%.
Para Nunes, uma eventual estabilidade do mercado de trabalho e o efeito do reajuste do salário mínimo jogarão um papel importante para definir o rumo da economia neste ano.

Já Romão vê o mínimo como um “amortecedor” da crise, mas que não impedirá uma desaceleração do ritmo da atividade. Regionalmente, os Estados do Nordeste já registraram em dezembro resultados “menos ruins”, diz Romão, justamente por causa do maior peso das indústrias de semi e não-duráveis. Tiveram recuos abaixo da média de 14,5% as indústrias de Pernambuco (-6,2%) e Ceará (-3,9%). Goiás registrou expansão -1,1%-, impulsionado pela indústria de alimentos, cujo peso é de 66% no Estado.

“Sentiremos a crise, mas menos que os outros setores. A produção deu pequena desacelerada, mas estamos otimistas. A indústria de alimentos deve crescer 3% no ano, e o aumento real do mínimo ajudará o consumo”, diz Denis Ribeiro, da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação).

Segundo Ciro Mortella, presidente da Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica), o setor ainda não sente o impacto da crise na produção, mas também não deve ficar inume. “Seremos afetados, mas em menor escala.”

Reajuste do mínimo e queda da inflação devem manter rendimento real em alta

DA SUCURSAL DO RIO

O reajuste do salário mínimo e a menor inflação em 2009 -projetada pela LCA em 4,7%, abaixo do IPCA de 5,90% em 2008- devem manter o rendimento real em alta neste ano, segundo Fábio Romão, economista da consultoria. Em dezembro, a renda nas seis maiores regiões metropolitanas do país cresceu 3,6%, menor do que nos meses anteriores. Na média de 2008, subiu 3,4%.
Já o impacto no emprego, diz, será maior na indústria e menos intenso nos serviços, o que deve conferir um desempenho melhor às metrópoles, onde se concentra o setor.
Em dezembro, esse perfil já se delineava. O emprego industrial cresceu 1,5% na região metropolitana de São Paulo, contra uma expansão de 4,5% nos serviços, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE elaborados pela LCA.
“Para a indústria, o pior momento foi o último trimestre do ano passado. O cenário ainda é ruim, mas tende a se recuperar um pouco. Comércio e serviços vão sentir os efeitos da crise com mais defasagem e com menor intensidade”, diz Romão.
Na pesquisa de emprego e salário na indústria do IBGE, o nível de ocupação se sustentou na maior parte dos setores no quarto trimestre de 2008, mesmo naqueles que lideraram a queda de produção. São os casos de metalurgia básica (7%), máquinas e equipamentos (5,8%), material eletroeletrônico e de comunicações (5,8%) e meios de transporte (4,1%). Todos se desaceleram na comparação com setembro. No último trimestre de 2008, se destacou o emprego na indústria extrativa (3,8%), impulsionada pelo setor de petróleo e gás.
Os ramos intensivos em mão-de-obra e que já vinham com desempenho negativo aprofundaram a tendência de queda no nível de emprego. Os piores desempenhos no quarto trimestre ficaram com fumo (8,3%), têxtil (5,8%), vestuário (8,5%), calçados (7,4%) e madeira (11%), segundo o IBGE.
“No acumulado de 2008, os setores que lideraram a produção, como máquinas e equipamentos e veículos, também foram os que mais geraram empregos, especialmente por causa do bom desempenho até setembro”, afirma Isabella Nunes, gerente da pesquisa de indústria do IBGE.
Os principais impactos positivos no emprego vieram em 2008 de máquinas e equipamentos (10,4%), meios de transporte (8,5%), aparelhos eletrônicos e de comunicações (10,6%) e alimentos (2,3%) -todos com expansão acima da média, de 2,1%. (PS)

saiba mais

43 milhões têm ganho ligado ao mínimo

DA REDAÇÃO

Segundo dados do governo, 42,8 milhões de pessoas têm vencimentos atrelados ao salário mínimo. De acordo com a política do governo Lula de valorização do mínimo, o reajuste deste ano incorporou a variação do PIB de 2007 (5,65%) e do INPC de março de 2007 a janeiro de 2008 (6,40%). Fixado em R$ 465, o piso salarial deste ano incorporou reajuste de 12,05%, ou R$ 50 de acréscimo aos R$ 415 válidos em 2008.
Segundo o Ministério do trabalho, o salário mínimo acumula um reajuste acima da inflação de 46% desde 2003.

15/02/2009 - 10:49h ”Será que estamos saindo do poço?”

Economista da FGV vê retomada gradual da indústria e diz que dezembro foi o pior mês neste período recente

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Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

Apesar da crise econômica global ainda dar sinais de virulência, e da má recepção inicial dos mercados ao pacote de US$ 2 trilhões de ajuda ao sistema financeiro do presidente americano Barack Obama, uma tímida luz no fim do túnel parece ter surgido nos últimos dias, no caso brasileiro.

“Os dados me levam a crer que dezembro foi o pior mês da economia brasileira neste período recente, e que em janeiro nós já estamos saindo um pouco do fundo do poço”, diz Vagner Ardeo, vice-diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio.

Ardeo é o principal responsável por indicadores da FGV com os índices de confiança do consumidor e da indústria de transformação, e o Sinalizador da Produção Industrial (SPI), que busca antecipar a produção industrial em São Paulo.

Ele nota que os índices de confiança chegaram perto da estabilização em janeiro, depois de quedas muito acentuadas nos meses anteriores. No caso do SPI, o índice para janeiro foi de avanço de 5,7%, depois de registrar quedas de respectivamente 0,4%, 6% e 13,5% em outubro, novembro e dezembro.

Ardeo observa que o SPI vem prevendo muito bem o resultado efetivo da produção industrial em São Paulo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que caiu 0,8%, 3,5% e 14,9% de outubro a dezembro. Desta forma, o SPI de 5,7% para janeiro é um resultado animador.

O economista ressalva que o aquecimento está muito concentrado no chamado “material de transporte”, que inclui basicamente a indústria automobilística. Outro ponto de interrogação é o impacto da piora do mercado de trabalho no segmento de bens não-duráveis, como alimentos e roupas.

“Em dezembro houve grande perda de postos de trabalho, e isso tende a afetar a confiança do consumidor, embora em janeiro ela tenha ficado relativamente estável”, diz Ardeo.

Na Quest Investimentos, do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros (leia entrevista abaixo), um levantamento mostra que, no último mês, o real e o peso chileno foram as únicas moedas que se valorizaram em relação ao dólar, numa lista de países que inclui Argentina, México, Turquia, Rússia, Coreia do Sul, Hungria e Polônia. Em termos de mercado acionário, o Brasil, com valorização acima de 5%, teve o melhor desempenho, com exceção da China e da Índia, num grupo de 13 países emergentes acompanhados pela Quest.

Joel Bogdanski, economista do Banco Itaú, é mais cauteloso em relação ao momento da economia brasileira: “É bem difícil afirmar com certeza que o fundo do poço tenha sido atingido, porque a crise continua evoluindo lá fora”. Ele acha que o ocorrido em janeiro no setor automobilístico pode ter sido um fenômeno específico, que não necessariamente sinaliza uma tendência para a economia como um todo.

Bogdanski nota que o que mais afetou a economia brasileira, e provocou a parada brusca do fim de 2009, foram as expectativas, ligadas à confiança de consumidores e empresários. E esta, por sua vez, mostrou-se bastante vulnerável à evolução do quadro internacional, centrada nos Estados Unidos e nas economias ricas.

“Houve essa voltadinha no começo do ano, mas não se pode descartar outra onda de abalo lá fora – uma recessão mundial é algo muito sério”, diz.

Bogdanski concorda, porém, com a análise de Mendonça de Barros de que o Brasil vem se destacando como uma economia emergente numa situação relativamente favorável. “Os investidores estão começando a fazer conta e a perceber que o Brasil está melhor”, afirma.

14/12/2008 - 10:00h Crise? Não no comércio popular

O Brás, maior centro de compras da América Latina, é o termômetro das vendas aquecidas antes do Natal

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Paula Pacheco – O Estado SP

A recepção do vendedor é o sinal de como anda o clima no bairro do Brás, no centro de São Paulo, um dos maiores centros de comércio popular da América Latina. Ao avistar algum potencial cliente, o rapaz anuncia, animado: “Chegou ao lugar certo. O patrão mandou baixar o preço”. Mais alguns passos e é possível verificar que o Brás, termômetro nacional do consumo das classes C, D e E, mostra que a crise passou bem longe do bairro.

Quinta-feira, por volta de meio-dia, e o Lojão do Brás, uma das maiores redes da região, mal tinha espaço para mais visitantes. Famílias, amigas, gente de todo tipo, eram acotoveladas e desforravam o desconforto com empurrões. Vale tudo na hora de pegar o produto mais em conta. De tempos em tempos funcionários uniformizados se aproximavam da multidão com fardos sobre a cabeça. Entra em ação o locutor que anuncia a promoção de toalhas. Em segundos os pacotes com as mercadorias são derrubados no chão e se forma uma roda em torno das promoções. É um salve-se-quem-puder. “Crise? Que crise? Aqui não tem nada disso”, diz uma mulher enquanto tenta pegar uma das últimas toalhas.

O rodoviário Elias Alves Ferreira levou ao Brás a mulher Rejane, uma dos sete filhos e o sogro para as compras de Natal. As sacolas estavam cheias de roupa nova para toda a família. A conta foi de R$ 330,13, mas ainda faltavam comprar os sapatos que, pelo cálculo de Ferreira, custariam outros R$ 400. “Meu ano foi ótimo. Consegui fazer mais crediário, pude pela primeira vez comprar um carro novo”, conta, com a carteira na mão recheada de cartões de crédito. Gastador assumido, Elias deixa com a mulher a missão de controlar as finanças de casa. A renda mensal é de cerca de R$ 1,5 mil. Apesar da quantidade de contas parceladas para pagar, Ferreira se diz confiante. “Dá um certo medo de os juros subirem demais, por isso deixei para depois o plano de financiar uma casa própria”, diz.

Leia a continuação do artigo no jornal O Estado de São Paulo

07/12/2008 - 12:02h Crise não abala a confiança na economia

Pesquisa Datafolha mostra que 76% dos brasileiros mantiveram os planos de compra apesar da turbulência mundial

Na opinião de 68%, Brasil não sentirá impacto da crise ou será pouco afetado; para 20% dos entrevistados, país será muito prejudicado

TONI SCIARRETTA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A crise financeira internacional ainda não bateu às portas da população brasileira, que segue confiante na economia e na manutenção do emprego e mantém praticamente intacta a mesma disposição de gastar nos próximos meses. Pesquisa Datafolha mostra que 76% dos brasileiros afirmam não ter desistido de comprar nenhum bem ou produto por causa das incertezas financeiras.
Na pesquisa, apenas 21% declaram ter desistido de algum plano de aquisição por causa da crise -6% deixaram de comprar automóveis; 2%, motocicletas; 3%, eletrodomésticos; 2%, computadores ou produtos de informática; e 2%, imóveis, por exemplo. O Datafolha ouviu 3.486 pessoas, com idade acima de 16 anos, em 180 municípios, entre os dias 25 e 28 de novembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo o Datafolha, 58% acham que o Brasil será pouco afetado pela crise e 10%, que o país não sentirá nenhum impacto. Já 20% vêem que o país será muito prejudicado.
O pessimismo é ligeiramente superior entre as pessoas com maior renda e escolaridade e as que moram no Sudeste. O percentual dos que desistiram de comprar algum item chega a 27% entre os que têm renda familiar mensal de cinco a dez salários mínimos e a 25% entre os que têm curso superior ou que moram na região Sudeste.
Segundo o Datafolha, a confiança do brasileiro em relação à economia permanece parecida com a apurada até agosto, antes da piora nos mercados. Em agosto, 86% afirmavam que pretendiam comprar roupas nos próximos 12 meses -agora a taxa é de 85%. O mesmo se repete com itens de consumo como telefone celular, aparelhos de DVD e máquina de lavar roupas (veja quadro acima).
A piora só aparece entre os que pretendiam comprar móveis e eletrodomésticos -passou de 53% para 48% nessa comparação, variação ainda próxima da margem de erro.
“Mais do que não estar preocupada com a crise, a população demonstra um otimismo impressionante. A população está ignorando a crise e se mantém mais otimista do que antes do noticiário econômico negativo”, disse Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
Na pesquisa, 39% afirmam acreditar que a situação econômica do país vai, inclusive, melhorar -em março, esse percentual era de 34%. Já os que prevêem piora na economia se mantiveram em 20% de março para o final de novembro.
Questionados sobre a perspectiva para a sua própria situação econômica, 60% afirmaram que ela deverá melhorar nos próximos meses -percentual maior do que os 53% de março. Também diminuíram os que estavam pessimistas em relação a sua própria situação financeira, passando de 11% para 8% os que dizem acreditar em uma piora no quadro.
Para Paulino, uma série de fatores ajuda a explicar o cenário róseo visto pelo brasileiro: o fato de a crise não ser localizada no Brasil, a avaliação positiva do governo Lula e na forma como o presidente lida com as incertezas e o otimismo sazonal com a chegada do 13º salário.
“Há um otimismo que, acredito, até ajuda o governo a administrar a crise. O [presidente] Lula tem uma legitimidade e uma força política neste momento que permite que ele possa lidar com a crise de uma forma privilegiada”, disse Paulino.
O otimismo apurado pelo Datafolha destoa do de outros levantamentos, encomendados por associações do setor produtivo e por institutos de pesquisas econômicas, que focaram sua atenção apenas nas capitais. “Essa é a amostra representativa da população adulta, inclui os grandes e os pequenos municípios e todas as faixas sociais. É um retrato mais abrangente, que não é comparável com outras pesquisas”, disse.
Segundo o diretor do Datafolha, o otimismo varia de acordo com a renda e a escolaridade. Entre os mais pobres, a maioria acha que a vida melhorou e que esse cenário deve continuar. Já os de maior renda acreditam que a situação econômica ou permaneceu igual ou piorou e que as perspectivas não são tão favoráveis assim. “Isso tem uma correlação direta com o grau de informação, que são pessoas com mais escolaridade e com mais acesso à informação sobre a crise”, afirmou.

Desemprego
Na pesquisa, 44% acham que o desemprego vai aumentar, taxa semelhante aos 42% da pesquisa de março. Na região Sudeste, o pessimismo é maior: 51% acreditam que possam aumentar as demissões, sendo que na cidade de São Paulo esse contingente chega a 52%.
Entre os entrevistados, 30% dizem acreditar que o desemprego vai diminuir, e 23%, que ficará no mesmo patamar -em março, os que esperavam queda no desemprego eram 24%, e os que viam estabilidade, 30%.
Entre os empregados, a maioria (71%) acredita que não corre risco de demissão, 17% dizem que correm algum risco e apenas 7% vêem um grande risco de perderem o trabalho.
Para Paulino, o otimismo do brasileiro passa pela manutenção do atual nível de emprego e do poder aquisitivo do brasileiro. “A chave aí é o desemprego. Se o governo não conseguir manter os níveis de emprego e o poder aquisitivo, aí acredito que a ficha cairá e que a população começará a perceber o problema. Mas acredito que o lastro de confiança que o governo tem demora para cair. Precisamos de uma crise bem mais forte para fazer com que a população perca a confiança”, disse.

30/11/2008 - 08:44h Saiba ajudar as vítimas de SC

Doações chegam a R$ 3,5 mi; saiba ajudar as vítimas de SC

Doação de água, mantimentos, dinheiro e sangue são algumas das formas de ajudar a população do Estado

da RedaçãoO Estado SP

 


SÃO PAULO - Por conta das enchentes que atingiram o Estado de Santa Catarina, a Defesa Civil catarinense abriu sete contas bancárias para receber doações. Até o início da tarde desta sexta-feira, 28, mais de R$ 3,5 milhões já haviam sido arrecadados em doações. Além disso, podem ser doados outros materiais, alimentos e água. Em São Paulo, o único balanço da Defesa Civil do Estado aponta que empresas doaram 2.760 litros de água às vítimas do Estado de Santa Catarina. Há postos para doação de água, alimentos, roupas e calçados. Em Santa Catarina, a Defesa Civil montou postos de doação de sangue.Veja também:

linkTragédia em Santa Catarina 

linkBlog: envie seu relato sobre as chuvas 

linkBlog Ilha do sem Blumenau 

linkBlog Desabrigados Itajaí 

linkBlog Arca de Noé 

linkVeja galeria de fotos dos estragos em SC  

linkTudo sobre as vítimas das chuvas   

Água potável - Quem quiser doar água potável pode ir a qualquer posto da Polícia Militar ou dos Bombeiros (que funcionam 24 horas) ou ao Depósito do fundo de solidariedade do Jaguaré (que funciona das 9h às 18h na rua Marechal Mario Guedes, 331). O telefone para contato do depósito é 3768 1977. A lista completa dos postos no Estado está no site da PM, no link Unidades PM.

Roupas e utensílios - Para doações de roupas, calçados, cobertores, fraldas, água potável, material de higiene e alimentos não perecíveis, a entrega pode ser feita em dois postos de arrecadação: na Coordenadoria Municipal de Defesa Civil na Rua Afonso Pena, 130, no Bom Retiro, e na Cruz Vermelha Brasileira, na Avenida Moreira Guimarães, 699, na Saúde. As 31 subprefeituras da capital também recebem donativos, em horário comercial.

A partir de desta quinta-feira, 27, as escolas técnicas federais também recebem doações para os desabrigados pelas chuvas em Santa Catarina. Os interessados em oferecer água potável e doar agasalhos, cobertores e alimentos não-perecíveis devem ligar para o telefone 0800 616161. O endereço das escolas técnicas está disponível no site do Ministério da Educação (MEC).

A Campanha Nacional de Solidariedade é promovida pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC. De acordo com o ministério, a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica reúne 214 unidades de ensino em todo o país.

Além de todos esses pontos, as doações de alimentos podem ser feitas também em seis pontos da Defesa Civil, localizados nos municípios de Blumenau, Brusque, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville e Timbó. Até o início da tarde, tinham sido doadas 25 toneladas de macarrão, 6 de biscoito, 50 de margarina e 3 de alimentos diversos, 2 mil roupas íntimas femininas, 5 mil litros de água e 30 mil litros de leite. O órgão também recebeu um caminhão carregado de bolachas e outro, de garrafas de água. A Defesa Civil de Santa Catarina disponibilizou a lista dos locais que servem como postos de recolhimento e distribuição de doações às vítimas.

A CAASP e a OAB-SP também estão recebendo doações em suas sedes. O endereço da CAASP é rua Benjamin Constant, 75, Centro, Capital. E a sede da OAB-SP fica na Praça da Sé, 385, Centro, Capital.

Neste domingo, 30, voluntários do Grupo Solvi estarão no Parque Trianon, na Avenida Paulista, a partira das 10 horas, recebendo doações. Dois caminhões foram destacados para levar os suplementos.

Além disso, empresa Gomes da Costa, firmou uma parceria com a Associação Portuguesa de Desportos em São Paulo para a Arrecadação de doações para a cidade de Itajaí. Quer quiser doar pode procurar os seguintes postos:

Pointer Logística

Rua Campo Vergueiro, 19 – Vila Anastácio

Associação Portuguesa de Desportos

Portão 3 – Rua Comendador Nestor Pereira, 33 – Canindé

Imobiliária LUPA

Av. Guilherme Cotching, 1776 – Vila Maria – 2813-9000

Av. das Cerejeiras, 959 – Jardim Japão – 2201-0122

Big Pães Express

Av. Líder, 1761 – Fone: 2741-1516

Rua Cabo João Monteiro da Rocha, 448

Rua Voluntários da Pátria, 1607

Rede Droga Verde

Av. Gal. Olímpio da Silveira, 15 – Santa Cecília – 3825-8139

Av. Dep. Emílio Carlos, 477 – Limão – 3951-3988

Rua Zilda, 522 – Casa Verde – 3858-8787

Av. Nova Cantareira, 387 – Água Fria – 2976-9500

Av. Joaquina Ramalho, 1170 – Vila Guilherme – 2901-0083

Medicamentos - Aqueles que quiserem doar grandes quantidades de medicamentos podem levar a doação para o almoxarifado Central de Medicamentos que fica na Rua Domingos Pedro Hermes, 15 em Barreiros, São José (Próximo às Lojas de Pneus Continental e Abochar na BR 101).

Para doar pequenas quantidades de medicamentos, a população pode encaminhar as doações para a Secretaria Estadual da Saúde que fica na rua Esteves Junior, 160 no centro. Qualquer dúvida ligar para (48) 3346.0668 ou 3212-1641.

Depósitos - Quem preferir doar dinheiro pode depositar a quantia escolhida em qualquer uma das contas abertas em nome da Defesa Civil. São elas: Banco/SICOOB SC – Agência 1005, Conta Corrente 2008-7;

Caixa Econômica Federal – Agência 1877, operação 006, conta 80.000-8; Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7; Besc – Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0; Bradesco S/A – 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1; Itaú S/A – 341, Agência 0289, Conta Corrente 69971-2; SICREDI – 748, Agência 2603, Conta Corrente 3500-9.

A Defesa Civil alerta sobre mensagens recebidas por e-mail com contas falsas para doações. “O órgão não envia mensagens eletrônicas com pedidos de auxílio. As contas oficiais para depósito são publicadas no site”, informa o departamento, em sua página na internet. Dos mais de R$ 3,5 milhões doados, R$ 800 mil foram dados pelo Banco do Brasil (R$ 500 mil) e pelo Bradesco (R$ 300 mil). O restante é de pessoas físicas e jurídicas.

Doação de sangue – Quanto à doação de sangue no Estado de Santa Catarina, a Secretaria de Saúde informou que o Centro Hemoterápico de Blumenau e a Hemorrede pública de Santa Catariana (HEMOSC) estão preparadas para atender aqueles que quiserem doar sangue e que as unidades doadas nesses centros serão disponibilizadas diretamente para as regiões afetadas pela calamidade.

Os centros atendem das 7h30 às 18h30 nos seguintes endereços:

HEMOSC Florianópolis

Rua: Othon Gama D’eça, 756Centro – Florianópolis Tel. (48) 3251-9711

Hemocentro regional de Chapecó

Rua São Leopoldo, 391 Esq. Nsa. Sra. Desterro – Quadra 1309 Bairro Esplanada – Chapecó – SCCEP – 89811-050 Tel. (49) 3329-0550

Hemocentro Regional de Joaçaba

Av . XV de Novembro , 23Centro – Joaçaba – SCCEP – 89600-000 Tel. (49) 3522-2811

Hemocentro Regional de Lages

Rua Felipe Schmidt, 33S

Organização das doações - A Secretaria Regional de Itajaí, em Santa Catarina, pede ajuda de novos voluntários para a classificação e organização de mantimentos que estão chegando no Parque da Marejada. Até esta sexta-feira, 28, oito caminhões carregados de mantimentos precisavam de voluntários para organização de produtos e doações antes que estes sejam enviados aos abrigos. Os voluntários devem ir até o Parque da Marejada, na Avenida Ministro Victor Konder, ou ligar no telefone da coordenação da SDR Itajaí (47) 3349 8718.

26/11/2008 - 19:08h Santa Catarina pede doação de água potável, médicos voluntários e dinheiro

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 Moradores caminham por rua alagada em Itajaí, em Santa Catarina; a região foi a mais atingida pelas chuvas que mataram 86. A direita, Lula e o governador de SC, Luiz Henrique, sobrevoaram hoje a região do Vale do Itajaí; governo vai destinar R$ 1,6 bilhão

da Folha Online

Atualizado às 16h01.

A Defesa Civil de Santa Catarina pediu doações de água potável, médicos voluntários e dinheiro aos municípios atingidos pelas chuvas. Com acessos interditados, há, no entanto, dificuldade para a entrega dos materiais. Com isso, Defesa Civil Estadual pede para os interessados priorizem as doações em dinheiro nas contas bancárias.

A água poderá ser entregue na Defesa Civil dos municípios, além dos órgãos de segurança do governo estadual, como polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros.

Hospitais do Estado pediram também ajuda de médicos voluntários, como é o caso do Santo Antônio, em Blumenau, que precisa de um oftalmologista. Medicamentos para atender 50 mil pessoas foram enviados pelo Ministério da Saúde.

A Defesa Civil criou duas contas bancárias para receber doações para compra de mantimentos. Os interessados em contribuir podem depositar qualquer quantia nas seguintes contas:

- Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7;
- Besc – Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0;
- Bradesco Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1
Em nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ – 04.426.883/0001-57

O posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Biguaçu, na região da Grande Florianópolis, está recebendo doações de alimentos não-perecíveis para as vítimas da enchente. A mercadoria arrecada será entregue à Defesa Civil Estadual.

Itajaí

O município de Itajaí, um dos mais afetados pelas chuvas, pede material para sutura e curativos para poder atender os feridos.

As doações podem ser entregues na Univali Itajaí –rua Uruguai, 458, em Itajaí. Moradores de outros Estados do país devem encaminhar os materiais para qualquer posto da Defesa Civil.

Carretas com doações às vítimas aguardam em Curitiba a liberação da estrada que dá acesso à cidade de Itajaí. Os caminhões levam roupas e alimentos, doados pela delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR), mas não conseguem chegar à cidade.

Orientação

A Defesa Civil Estadual pede prioridade nas doações em dinheiro. Mesmo que o empresário ou pessoa física queiram fazer doações em espécie, o Estado não conta, neste momento, com estrutura suficiente para atender o transporte desses produtos.

Entretanto, empresas interessadas podem enviar donativos desde que se responsabilizem pelo transporte. Ao menos 50 grandes empresas já fizeram doações. Foram montados centros de distribuição nas principais localidades atendidas.

São Paulo

Em São Paulo, a Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina.

A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da Comdec, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira, na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde. As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial.

O governo de São Paulo anunciou que a partir de hoje irá receber doações de água potável em todos os quartéis do Corpo de Bombeiros e em postos de policiamento da Polícia Militar.

As doações podem ser feitas durante o horário de funcionamento dos quartéis e postos. O transporte das doações será feito pelo Fundo Social de Solidariedade, segundo a Polícia Militar.

19/09/2008 - 11:27h Pnad: Aumenta o acesso a bens de consumo

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Aumenta o acesso a bens de consumo

Itens como computador, telefone, televisão e geladeira estão mais presentes nos domicílios de baixa renda

Jacqueline Farid, O Estado SP

O número de domicílios com acesso a computador e internet deu um novo salto em 2007, ano em que os brasileiros, especialmente os de renda mais baixa, também aumentaram o suprimento doméstico de bens de consumo duráveis. Segundo a Pnad, no ano passado, 20,4% dos domicílios do País, ou 11,4 milhões, tinham acesso à internet – crescimento de 23% em relação ao ano anterior.

Em um número ainda maior de domicílios – 15 milhões, ou 27% do total – havia computador – aumento de 24% em comparação a 2006. Embora ainda seja pequena a parcela da população conectada à rede da informatização, levando-se em conta os últimos sete anos, os indicadores relativos aos serviços de informação na Pnad dispararam.

O porcentual de domicílios com acesso à internet passou de 8,6% em 2001 para 17,1% em 2006 e 20,4% em 2007, acompanhando um aumento forte no acesso ao computador: 12,6% em 2001; 22,4% em 2006, e 27% em 2007.

Os brasileiros também ampliaram ainda mais o acesso à telefonia no ano passado, continuando a expansão na aquisição de aparelhos celulares. O número de domicílios com telefone móvel foi 2,8 milhões a mais do que no ano anterior, quando 27,7% tinham apenas celular.

O porcentual de domicílios que tinham apenas telefone móvel alcançou 17,8 milhões, ou 31,6% do total das residências pesquisadas. No que diz respeito aos domicílios com algum aparelho de telefone, de qualquer tipo, houve acréscimo de 2,7 milhões de 2006 para 2007. Assim, os domicílios com telefone passaram de 74,5% do total para 77%, mas o principal avanço deveu-se, realmente, à ampliação da telefonia móvel.

A Pnad mostra também que a quantidade de domicílios com apenas telefone fixo convencional caiu 11,8% de 2006 para 2007, mas houve acréscimo nos domicílios com os dois tipos de telefone (3,7%).

ACESSO

A posse de bens duráveis, como fogão, televisão e geladeira, aumentou mais para os domicílios de baixa renda entre 2004 e 2007. O porcentual de residências com fogão no País aumentou de 97,5% para 98,1% no período, ou 0,6 ponto porcentual mas, para os domicílios com renda até três salários, a fatia passou de 95,6% para 97,0%, com acréscimo de 1,4 ponto.

No caso do acesso a geladeira, enquanto para todas as rendas o porcentual chegou a 90,8% dos domicílios em 2007 – avanço de 3,4 ponto em comparação a 2004 -, no caso dos domicílios com renda até três salários o porcentual com esse bem de consumo passou de 77,5% para 84,4%, alta de 7,2 ponto.

Situação similar ocorreu com os televisores: de 90,3% para 94,5% (4,2 ponto), no caso do total das rendas e de 83,2% para 90,9%, ou 7,7 ponto. O gerente da coordenação de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, comentou que o aumento do trabalho com carteira assinada e a alta no rendimento levaram a população de renda mais baixa a ter acesso a crédito farto, o que vem impulsionando a economia desde o ano passado. Desse modo, houve maior aquisição de bens de consumo duráveis.

Os dados da Pnad corroboram o aumento, já constatado nas pesquisas que acompanham o movimento do comércio, da demanda por esses bens. Esse segmento liderou um forte crescimento nas vendas varejistas, principalmente de móveis e eletrodomésticos, em 2007, que aumentaram 15,4% em relação ao ano anterior.

A pesquisa mostra que, no que diz respeito aos domicílios com renda acima de 10 salários mínimos, há uma quase universalização no acesso ao fogão (98,0%), televisão (99,7%) e geladeira (99,5%).

Ainda de acordo com os dados da Pnad, o consumo domiciliar aumentou significativamente nos últimos 15 anos. Em 1992, a pesquisa apontava que em 94,8% dos domicílios havia fogão; em 2007, já eram 98,2%. Houve aumento expressivo também nos domicílios com geladeira, de 71,5% em 1992 para 91,4% em 2007. No mesmo período, houve altas ainda na posse de máquina de lavar roupa (24,1% para 40,0%); rádio (84,9% para 88,4%) e televisão (74% para 94,8%). Por outro lado, caiu o porcentual de domicílios com filtro de água (57% em 1992 e 51,4% em 2007).

01/09/2008 - 09:27h Novos negócios da China

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Crescimento de uma classe média com estilo ocidental abre portas para marcas brasileiras

Eliane Oliveira – O Globo

Algoz das indústrias brasileiras de têxteis e calçados, a China pode se transformar num mercado altamente promissor para fabricantes de sapatos, confecções, produtos de higiene, cosméticos, metais e pedras preciosas do Brasil. Mas é preciso fazer um rigoroso dever de casa para aproveitar o enriquecimento dos chineses, a partir da abertura e do aquecimento do consumo no país asiático.

É o que diz um estudo inédito da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) denominado “Oportunidades de negócios para os setores de moda brasileira na China”.

Com uma participação pequena nas importações chinesas, o Brasil não atende hoje a um clube que abrange de milionários — cada vez mais sensíveis à marca e ao produto de luxo — a uma classe média de 300 milhões de consumidores, que também passaram a se interessar por produtos ocidentais que representem o status de quem os usa, principalmente grandes marcas.

“A abertura do mercado e as mudanças econômicas e demográficas provocaram alterações estruturais na China, o que afetou o estilo de vida local, especialmente nas grandes cidades. Os consumidores passam por um processo de ocidentalização, ainda que os padrões sociais e culturais, tipicamente chineses, continuem a definir o comportamento de consumo”, diz a pesquisa.

Para os próximos dez anos, uma ainda grande expansão do consumo é esperada na China, guiada pela combinação do aumento dos salários e do salário-mínimo, maiores lucros e ampliação do investimento governamental em áreas rurais. Estima-se que o número de famílias ganhando mais que US$ 5 mil por ano cresça 24%.

Osklen já está de olho nos chineses

Cerca de 5,8 milhões de famílias chinesas já possuem o estilo ocidental de consumo, com renda superior a US$ 10 mil por ano. Outro dado que chama a atenção é que, apesar das baixas taxas de juros na China, os chineses têm uma das poupanças mais altas do mundo, estimada entre 25% e 30% dos salários.

Os empresários brasileiros já estão se mexendo e usam como estratégia a promoção de seus produtos nos mercados desenvolvidos — Estados Unidos, União Européia e Japão — para depois entrarem nos emergentes. É o que revela Oskar Metsavaht, do Osklen Group: — Estamos semeando investimentos nos grandes centros para, em seguida, conquistarmos a China.

Sem poder concorrer com o luxo europeu e as marcas populares americanas, os fabricantes nacionais usam como trunfo o “jeito de ser do brasileiro”, conforme classificou o estilista Amir Slama, da grife Rosa Chá: — O que nos diferencia é o estilo de vida, o clima de verão. Nossa moda é sofisticada, mas despretensiosa. Chique e, ao mesmo tempo, despojada.

Segundo Metsavaht, a investida já apresenta resultados. Alguns grupos chineses já entraram em contato com a Osklen, que tem lojas em Milão, Roma, Tóquio, Genebra e Lisboa.

— Ainda teremos o mercado chinês.

Estamos investindo em criatividade e no posicionamento de nossas marcas no exterior — afirmou.

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Indústria têxtil ainda vê ameaças à competitividade

Depreciação do yuan e subsídios às exportações são principais obstáculos a produtos brasileiros

O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, concorda com a avaliação do potencial do mercado chinês, mas lamenta que as relações comerciais sejam altamente desequilibradas. Ele citou exemplos de fatores que distorcem os preços no mercado internacional e torna os produtos brasileiros menos competitivos, como a alta depreciação da moeda chinesa, o yuan, frente ao dólar — o que torna as vendas do país asiático mais competitivas — e o aumento dos subsídios do governo da China às exportações, que já está em vigor.

— Hoje, a China é mais ameaça do que oportunidade — disse Pimentel.

Ao mesmo tempo, afirmou o dirigente da Abit, o empresário brasileiro enfrenta o real valorizado e a elevada carga tributária. Mesmo assim, Pimentel enfatizou que existe uma estratégia ofensiva da indústria nacional, com investimentos em roupas de marca, design e estilo.

— O que nos preocupa é o futuro — acrescentou.

Para conseguir entrar no mercado chinês — e aproveitar a ocidentalização dos hábitos de consumo e a incorporação das classes com rendas mais baixas —, são apontadas várias formas: exportação, abertura de escritório de representação comercial, instalação de uma planta de produção, licenciamento, joint venture, entre outras.

No entanto, a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) faz algumas ressalvas que devem ser observadas pelo empresário brasileiro. A primeira delas é que a China se diferencia de outros mercados pela peculiaridade nos tempos de maturação, após a entrada e o início da expansão do negócio. A maturação leva pelo menos cinco anos e só depois vem o retorno. “As empresas bem-sucedidas no mercado local seguiram passos comuns”, diz a pesquisa da agência sobre o consumo chinês.

A compreensão da cultura chinesa e de seu marco regulatório, a análise detalhada dos riscos associados à entrada no mercado, o desenvolvimento de um planejamento flexível e a adaptação ao pragmatismo dos empresários daquele país são algumas das recomendações.

— Há um potencial imenso para o Brasil, não apenas na China, mas também em outros mercados. Afinal, temos apenas 1,4% de participação no mercado mundial. Mas é importante o empresário brasileiro aparecer, participando de desfiles e outros eventos no exterior — disse o diretor de negócios da Apex, Maurício Borges. (E.O)

04/07/2008 - 10:12h Doméstica esperou três gerações para se livrar do fantasma da desnutrição

Célia perdeu 6 irmãos, teve de internar os filhos, mas comemora saúde dos netos

Letícia Lins – O Globo

RECIFE. A lembrança do tempo em que a única refeição do dia era o aruá, um caramujo, ainda é forte para a empregada doméstica Célia Alves Barbosa da Silva, de 38 anos. Dos seus dez irmãos, seis morreram por desnutrição.

Ela lembra que só fazia três refeições diárias quando a mãe arranjava emprego nos engenhos do interior da Paraíba.

Do contrário, a única alternativa era mesmo o aruá, encontrado em riachos e córregos da Zona da Mata e catado pelos cortadores de cana durante o período de entressafra açucareira.

— Quando ela (a mãe) limpava roça ou cortava cana, a coisa melhorava. Mesmo assim, a ração era muito limitada. De manhã era só fubá. No almoço, ela cozinhava tudo junto, feijão e macarrão. Carne, nem pensar.

De noite, era aquele mel preto de engenho com farinha. Mas isso já era considerado um luxo.

Lembro que eu e meu irmão íamos à padaria mendigar pedaços de pão, e eles eram tão duros que doíam se a gente jogasse na cabeça de uma pessoa.

Mas comíamos mesmo assim.

Leite doado para sobreviver a várias internações Aos 7 anos, Célia começou a trabalhar como babá em troca de roupas usadas e pratos de comida. Foi para Recife em busca de um ganho maior, mas, aos 15 anos, teve o primeiro filho e, aos 18, o segundo, uma menina.

Ela conta que as duas crianças eram desnutridas. A menina foi internada diversas vezes, e Célia pensou que, como seus irmãos, eles morreriam por inanição.

Mas a filha sobreviveu às internações, alimentando-se, muitas vezes, com leite doado.

— A gente trabalhava em casa de família, mas era sem carteira assinada nem salário mínimo.

Eu não tinha nem dinheiro para comprar leite.

Com 1 ano, Mariana era tão magra e fraca que nem conseguia ficar em pé .

Analfabeta, ganhando R$ 520 mensais, além de alimentação e recolhimento do INSS sem desconto no seu salário, Célia cria dois netos e os três filhos de uma irmã que tem problemas psicológicos. Seu companheiro é pedreiro e, embora não tenha carteira assinada, nunca lhe falta serviço.

Casal não conseguiu benefício do Bolsa Família O casal tentou a ajuda do programa Bolsa Família, mas não conseguiu. Célia não reclama: acha que suas cinco crianças vivem bem melhor do que seus filhos e do que ela e seus irmãos.

Camila, de 9 anos, Tiago, de 5, Márcio, de 4, Tauana, de 2, e Miguel, de 10 meses são bem nutridos, ao contrário dos pais e dos tios. Célia consegue comprar comida em quantidade.

— Feijão, macarrão e arroz só compro em fardo (dez quilos).

Sempre tem galinha ou carne, e de noite todo mundo tem direito a pão, café com leite.

Compro até iogurte para os meninos — conta Célia, que se beneficia de um programa de distribuição de leite.

Os netos e filhos adotivos nunca precisaram de internação por desnutrição.

Apesar de o período das festas juninas sempre forçar os preços para cima, o bom inverno aumentou a oferta do milho, que ficou barato: — Comemos canjica, pamonha, milho assado. Quando eu era criança, a gente ouvia os fogos pipocarem, mas também É singular na história polítio ronco do estômago

02/06/2008 - 10:19h Indústria têxtil prevê 2º trimestre aquecido

Rafael Günther/Valor
Giuliano Donini, presidente da Marisol: produção 18% maior em maio

Vanessa Jurgenfeld – VALOR

Boa parte das indústrias têxteis de Santa Catarina entrou maio com ritmo forte de produção, acompanhando o desempenho de abril. Embora haja exceções, as encomendas do varejo seguem aquecidas, o que poderá levar a um bom segundo trimestre, superando o mesmo período de 2007.

A Cativa, fabricante da marca Fido Dido, considerou maio um mês positivo. Gilmar Sprung, presidente da empresa, diz que na última semana do mês, 40% da meta de venda da coleção de primavera (2,5 milhões de peças) já estava encomendada pelo varejo (um milhão de peças). “Nesta mesma época, no ano passado, eu tinha só 200 mil peças encomendadas”, diz.

Ele diz que o desempenho é similar ao de abril, o que deve levar a um segundo trimestre forte, acompanhando o ritmo dos primeiros três meses. “Neste ano, o lojista parece mais motivado e está vindo comprar a primavera”. O ritmo de produção ficou estável na comparação de maio contra abril, operando com 100% da capacidade produtiva, diz Sprung. Ele acredita que o faturamento será 20% maior do que maio de 2007.

Situação similar viveu a Rovitex, sediada em Luis Alves. Vitor Luiz Rambo Jr, diretor industrial, diz que a produção de maio ficou estável em relação a abril. O ritmo de encomendas, porém, foi até mais forte do que no mês anterior. A Rovitex recebeu 50% mais encomendas em maio do que em abril, sobretudo pela troca de coleção. Esse volume de pedidos será produzido em breve para entrega entre junho e julho. “O mercado continua fortemente comprador”, diz Rambo.

Para o executivo, em maio as vendas fecharão 20% maiores que em maio de 2007. A expectativa é que o segundo trimestre seja 10% superior ao primeiro e 20% superior ao segundo trimestre de 2007.

Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis do Vale do Itajaí (Sintex), Ulrich Kuhn, a situação é levemente distinta no segundo trimestre em relação ao primeiro. “No segundo trimestre não haverá o o entusiasmo do primeiro. Vai ser mais realista.” Kuhn considera que o crescimento de 20% a 30% nas vendas, observado em janeiro e fevereiro, será mais moderado no segundo trimestre, ficando perto de 5% em relação a igual período do ano passado. “Existe uma acomodação da curva de crescimento. O crescimento voltou ao normal, não é mais aquela loucura do primeiro trimestre.” Segundo Kuhn, entre maio e abril, o ritmo foi de incremento próximo a 5%, assim como entre maio deste ano e maio de 2007.

Na Marisol, o presidente da empresa, Giuliano Donini, diz que a meta de vendas será alcançada, o que deve levar a um segundo trimestre melhor do que igual período de 2007. Ele diz que não sentiu desaceleração de demanda do primeiro trimestre para o segundo trimestre. Segundo dados preliminares de maio, a produção da Marisol foi 18% superior à de abril.

Donini diz que há um ambiente macroeconômico favorável. “Encontramos hoje mais negócios do que nossa capacidade de fornecer. Estamos buscando alternativas de aumento da capacidade”, diz. Em 2007, a Marisol chegou a fechar duas fábricas em Santa Catarina.

A Buettner, por outro lado, sentiu o varejo mais devagar em maio. e tem menos pedidos para a entrega no varejo em junho. O presidente da empresa, João Henrique Marchewsky, faz o seguinte comparativo: em 25 de abril, tinha 50% da carteira de maio vendida. Em 23 de maio, o percentual era menor, de 35% . “O varejo estava esperando lançamentos dos novos produtos, não vejo nenhum motivo macroeconômico que poderia levar a esse recuo”, diz o executivo, que considera a situação sazonal.

Marchewsky diz que o segundo trimestre na Buettner deverá fechar com produção 8% menor do que a do primeiro. Na comparação com o mesmo período de 2007, a queda de produção será um pouco menor: 6%. Esses números sofrem influência do corte de 50% que a empresa fez no início de ano nas exportações, pela falta de rentabilidade. Ela passou a exportar US$ 1 milhão de peças/mês. “Se olharmos só o mercado interno, haverá alta de 10% no faturamento do segundo trimestre”, diz ele.

A Lupo, que crescia 27% no acumulado de janeiro a abril, seguiu em ritmo acelerado em maio, com alta de 29% na produção em relação ao mês anterior, de acordo com Valquírio Ferreira Cabral, diretor comercial. A expectativa para o segundo trimestre é de crescimento de 30% em relação ao primeiro, diz o executivo. “Normalmente a empresa trabalha com uma carteira de pedidos para entrega em até 20 dias. Hoje há pedidos para 70 dias ou mais.”

A chegada do frio, a consolidação da empresa no segmento de roupas íntimas e a antecipação das encomendas para o Dia dos Pais explicam a aceleração. A empresa, que já contratou 570 pessoas neste ano, antecipou a aquisição de 50 dos 100 equipamentos que pretendia comprar em 2009 para expandir a capacidade produtiva.

Segundo Cabral, o aumento nos custos das matérias-primas e a demanda aquecida no mercado interno levaram a empresa a antecipar o repasse de custos, previsto para o segundo semestre. “Ficamos 18 meses sem reajustar preço. A partir de junho vamos repassar 2,8%.” (Colaborou Cibelle Bouças)


Importação, exportação e frio afetam setor de calçados

Cibelle Bouças

O setor de calçados sentiu mais o aumento da concorrência dos importados e a dificuldade de exportar e apresentou em maio sintomas de desaceleração. A empresa A. Grings, de Igrejinha (RS), dona da marca Piccadilly, registrou crescimento de 20% na produção no primeiro trimestre em comparação ao mesmo intervalo de 2007. Para este trimestre, opera com expectativa de queda na produção de 15% a 20% em relação ao primeiro trimestre e estabilidade na comparação com igual período do ano passado, afirma Paulo Grings, diretor-presidente. “Em maio houve redução das encomendas em relação ao que ocorria antes”, diz.

De acordo com Grings, o desempenho da indústria foi positivo até a primeira quinzena de maio, mas a partir daí houve uma queda significativa nas encomendas do mercado interno. “A princípio o varejo alega que fez calor em maio e, como as lojas estavam abastecidas com a coleção de inverno, não conseguiram vender. Com a volta do frio pode haver uma recuperação. Agora dependemos do clima.”

O clima também foi a explicação ouvida por Samir Nakad, presidente da Sameka Modas Ltda., de Birigüi (SP), para a redução das encomendas a partir de abril. “A empresa estava crescendo 5,5% no primeiro trimestre, com a brecada de abril e maio a taxa de crescimento sobre 2007 baixou para 2,5%”, calcula. Desde a semana passada, o empresário concedeu férias coletivas de dez dias aos funcionários.

A Calçados Bibi, de Parobé (RS), manteve a produção estável entre abril e maio em comparação ao primeiro trimestre. “A produção se manteve dentro das expectativas”, afirma Marlin Kohlrausch, diretor presidente da empresa. “O mercado se aquece mesmo no segundo semestre”, diz. Ele observa que o desempenho foi afetado em parte pela concorrência. “O câmbio valorizado continua limitando o potencial competitivo das indústrias no exterior e ampliando a concorrência no mercado interno com importados”, reitera.

21/05/2008 - 10:24h As idéias políticas de um homem da moda

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Tom Ford defende Obama e união civil gay

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Estilista que salvou a Gucci veio a São Paulo para inaugurar loja própria na Daslu

Espaço, que venderá peças da linha masculina assinada por Ford, é a primeira loja do designer ex-Yves Saint-Laurent na América Latina

VIVIAN WHITEMAN
DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

Tom Ford é um homem admirado e invejado no mundo da moda. Salvou a maison Gucci da falência, colocando-a no topo do mercado fashion, e foi diretor de criação da Yves Saint-Laurent. Em 2004, no auge de sua fama, jogou tudo para o alto após desentendimentos com o poderoso conglomerado Pinault-Printemps-Redoute, que havia comprado o grupo Gucci.

Quando muitos declaravam sua aposentadoria precoce, Ford reapareceu em 2005 e criou uma marca com seu nome. Com várias parcerias na manga, lançou linhas de óculos, produtos de beleza e, em 2006, em acordo com o grupo Ermenegildo Zegna, anunciou a chegada da Tom Ford Menswear, que vende roupas masculinas altamente sofisticadas.

Anteontem, Ford esteve em São Paulo para inaugurar uma filial de sua grife masculina na Daslu (a flagship, luxuosíssima, fica em Nova York), a primeira na América Latina.

Bonitão, bem-humorado e charmoso, Ford não aparenta seus 46 anos e arrasta olhares femininos e masculinos por onde passa. Mas avisa logo: é muito bem casado, há 22 anos, com o jornalista Richard Buckley.
O estilista deu entrevista à Folha numa das suítes do hotel Fasano, onde ficou hospedado em São Paulo, e falou de moda, união civil gay e política. Texano como o presidente George W. Bush, ele não quer saber dos republicanos e pretende votar em Barack Obama.

FOLHA – Por causa de seu tipo físico e também de suas criações e campanhas ousadas, você ficou com a fama de ser um homem muito sexy…

FORD - Acho isso divertido, embora não me sinta um cara especialmente sexy. Eu sou muito tranqüilo, engraçado, gosto de dizer bobagens, de relaxar com os meus amigos. Mas percebo que as pessoas que não me conhecem esperam que eu seja um cara esnobe e sexualmente agressivo, com uma atitude muito atirada. Bem, sinto frustrar essa fantasia, mas ela não corresponde à realidade.

FOLHA – Sua vida é mais sossegada do que seus fãs imaginam, então?

FORD - Não diria sossegada, porque trabalho muito, viajo demais e tenho muitos amigos famosos, que dão festas e me convidam para eventos badalados. Mas não tenho uma vida maluca com segredos impublicáveis. Sou bastante comum, na verdade. A maioria das celebridades têm vidas e rotinas muito menos interessantes do que se pensa. Sabe, até a rainha Elizabeth deve cantar pelada no chuveiro, é o tipo de coisa banal que todo mundo faz…

FOLHA – Você está numa relação homossexual estável. O que pensa da legalização do casamento gay?

FORD - Quando me falam em casamento gay, eu sempre digo, vamos esquecer a palavra casamento. Dá a impressão errada, é uma palavra que sugere igreja, religião, e isso é um outro assunto. O que defendo é a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a garantia de que casais gays possam dividir o patrimônio que construíram juntos, como qualquer outro casal. Infelizmente, os EUA estão bem atrasados nessa discussão.

FOLHA – Em quem pretende votar na próxima eleição presidencial?

FORD - Meu voto será certamente do Partido Democrata, mas temo que, com tanta divisão interna, John McCain acabe vencendo. Eu comecei no time da Hillary [Clinton], mas Barack Obama me parece o homem certo para os americanos neste momento. Os EUA estão perdendo o seu lugar de potência econômica, e não vão recuperá-lo. Ninguém quer mais guerras, esse tipo de solução militarizada não nos levará a nada. China, Rússia, Brasil, essas serão as potências econômicas futuras. Porém, os Estados Unidos podem ser a nova potência moral do mundo, um país com um governo disposto a trabalhar com as outras nações e a difundir valores de cooperação, de crescimento humano. Precisamos recuperar a essência dos EUA, que é muito bonita: um país que acolhe estrangeiros e dá chances a homens e mulheres com espírito empreendedor. Eleger Obama passaria uma mensagem positiva e nova para o mundo.

FOLHA – Então você considera o Brasil como um mercado promissor?

FORD - Sim, e não só para a moda. O Brasil vive uma onda de crescimento que ao que tudo indica não vai acabar tão cedo. Com os avanços na economia e as novas reservas de petróleo descobertas recentemente, as expectativas são ótimas.

FOLHA – Por que você escolheu a Daslu para instalar a sua loja?

FORD - É uma loja com público selecionado, que gosta de coisas exclusivas. Esse é o espírito da minha grife: roupas de altíssima qualidade, de corte impecável, para homens que viajam o mundo e prezam a elegância. Mas o principal atrativo da loja é o tipo de serviço que é oferecido. Os clientes são muito mimados e há dezenas de serviços à sua disposição. Poucas lojas no mundo têm esse tipo de atendimento. É o topo do VIP.

29/08/2007 - 13:38h Londres alerta sobre têxteis da China

Associação Brasileira de Químicos e Coloristas Têxties

O Reino Unido elevou o nível de alerta em relação às importações depois de descobrir que roupas de baixa qualidade importadas da China continham altos índices de um produto químico potencialmente perigoso.

As peças de roupas continham formaldeído, uma substância obtida do metanol e usada para proteger os produtos transportados por longas distâncias.

Especialistas afirmam que a exposição a esse tóxico no longo prazo pode acarretar problemas de saúde, desde irritação de pele até certos tipos de câncer. Controles descobriram altos índices de formaldeído, 900 vezes mais que o permitido, em roupas para crianças e adultos vindas da China.