29/08/2008 - 09:41h Um dos pilares do capitalismo brasileiro

Olavo Setubal

http://www.mre.gov.br/portugues/ministerio/estrutura/galeria_ministros/olavo_egydio_setubal.jpg

Rubens Barbosa * - O Estado de São Paulo

Foi na transição do período autoritário para a democracia que conheci Olavo Setubal. Indicado por Tancredo Neves, em 1985, para o Ministério das Relações Exteriores, fui convidado para chefiar seu gabinete, o primeiro diplomata chamado por ele para integrar sua equipe. Naquele primeiro governo civil depois de tantos anos, ele teria preferido ser ministro da Fazenda, mas acabou no Itamaraty, sem jamais, como ele mesmo dizia, ter passado em frente à porta do Ministério.

A proximidade no dia a dia me privilegiou acompanhar de perto o homem público que, como prefeito de São Paulo e depois como ministro das Relações Exteriores, marcou presença na política brasileira, além de criar e consolidar uma das maiores instituições financeiras nacionais que é o Grupo Itaú.

A gestão Olavo Setubal no Itamaraty foi curta, de menos de um ano, e lamentavelmente interrompida pela aventura, logo abortada, de disputar o governo do Estado de São Paulo em 1986. Dias depois de deixar o Ministério, num domingo, o dia da convenção, chamou-me por telefone de São Paulo para contar que acabava de retirar sua candidatura. Disse-lhe, com a lealdade e a franqueza que caracterizava nosso relacionamento, que não me surpreendia pois o partido me parecia mais interessado no apoio financeiro que poderia representar do que na sua candidatura. Perdia São Paulo um eventual grande governador e o Itamaraty o grande ministro que já estava sendo.

Lembro quando, em seu primeiro dia como ministro, recebeu o ex-perseguido político Miguel Arraes que vinha da Argélia para pedir o apoio do Itamaraty para o Sarauí, um movimento revolucionário que lutava pela independência do Marrocos. Doutor Olavo ouviu-o longamente e depois que Arraes saiu, perplexo, indagou de seus principais assessores: “Que movimento é esse ? Em São Paulo, nunca ninguém ouviu falar de Sarauí”.

Mesmo após sua saída do Itamaraty, ao longo de minha carreira, continuei a manter estreito e estimulante contato com dr. Olavo, como carinhosamente o chamávamos. Tínhamos longas conversas e o assunto era sempre Itamaraty, política nacional e internacional. “E o nosso Itamaraty como anda?”, era pergunta sua habitual.

Sempre muito bem informado, dr. Olavo era um arguto analista da cena política e econômica brasileira. É verdade que de seu ponto de vista, ou seja, o de um moderno banqueiro nacional.

Certa vez, disse-me ter cometido em sua carreira de homem público, dois grandes erros: o primeiro foi não ter aceitado o convite do MDB para candidatar-se ao Senado em 1974 quando cedeu a vaga a Severo Gomes, e o outro, o de não ter permanecido no Itamaraty.

Apesar da curta passagem pelo Ministério das Relações Exteriores, Olavo Setubal deixou sua marca ao promover a aproximação com a Argentina e, com isso, dar início ao processo de integração do Cone Sul, e também quando, solitariamente, decidiu pela adesão do Brasil ao Grupo de Contadora, formado para apoiar a Nicarágua, em uma região que estava, naquele momento, longe das prioridades do Itamaraty. Essas duas decisões tomadas por Setubal, com reservas de boa parte da burocracia itamaratiana, representou uma renovação e uma guinada nas prioridades da Chancelaria em relação à América do Sul. A chamada “diplomacia de resultados”, inspirada por sua trajetória de empresário e por sua sensibilidade de político, teria certamente introduzido novas e modernas práticas de gestão na Casa assim como, creio eu, teria mudado muitas das percepções tradicionais da atuação diplomática.

Acredito também que, se tivesse permanecido como ministro do Exterior até o fim do governo Sarney, e com o respaldo de uma administração brilhante no Itamaraty, poderia ter sido reservado ao político Olavo Setubal, um papel de relevo no tabuleiro da sucessão presidencial.

Da convivência assídua e próxima com dr. Olavo ficaram-me lições profissionais importantes que procurei levar para as posições de chefia que ocupei pelos 20 anos subseqüentes: coerência nas opiniões, visão clara das prioridades, realismo nas decisões e foco em resultados.

Olavo Setubal tinha uma clara percepção em relação ao futuro do Brasil. Confiava nos avanços da democracia e da economia. Realista, dizia que PIB é poder, indicando que de nada adianta arroubos na política externa sem uma base econômica sólida. O Brasil só teria uma posição importante no concerto das nações na medida em que o PIB crescesse, a economia se estabilizasse e a moeda se fortalecesse.

Nos últimos anos, deixando a presidência do Itaú para Roberto Setubal, mas permanecendo à frente do Conselho da holding Itaúsa, concentrou-se na estratégia do grupo financeiro e industrial. Soube educar os filhos e prepará-los para uma sucessão tranqüila na direção da instituição.

Tornou-se um grande colecionador de objetos de arte, o que ajudou a transformar o Itaú em um diversificado e importante acervo de objetos, esculturas e pinturas.

Viúvo de Tide, mãe de seus sete filhos e, mais tarde, ao lado de sua segunda mulher, a extraordinária Dayse, pôde dedicar-se a fazer o que o trabalho e sua dedicação ao Itaú antes não permitiam: viajar, sobretudo para a Europa, onde merecidamente aproveitava da boa mesa e do bom vinho. Nos últimos dois ou três anos, apesar de debilitado e com crescente dificuldade de locomoção, continuou interessado pela vida, pelas artes e pelo Brasil, que acaba de perder um de seus filhos mais ilustres, exemplo de cidadão e um dos pilares do moderno capitalismo brasileiro.

*Rubens Barbosa foi chefe de Gabinete do ministro Olavo Setubal

11/04/2008 - 18:53h Assinatura a revista “Interesse Nacional”

Vários leitores deste blog solicitaram informações sobre assinatura da revista. Na próxima semana um site estará a disposição dos interessados.

INTERESSE

NACIONAL

Av. Brigadeiro Faria Lima, 2055 – 9º andar

01452-001 São Paulo, SP – Brasil

Tel.: (11) 3039-6330 • Fax: (11) 3039-6334

editorial@interessenacional.com

Receba a revista Interesse Nacional durante um ano (publicação trimestral: 4 números) pelo valor de R$ 100,00, preenchendo e enviando este cupom juntamente com

• Cheque nominal à: Associação Interesse Nacional

• Comprovante do depósito no banco Itaú S.A., conta corrente 71968-5, agência 0445

Nome _____________________________________

Endereço ___________________________________

Bairro _______________________ CEP ____________________ Tel. ____

Cidade _________________________________________ Estado________

E-mail _________________________________________ Data _________

_________________________________________________________

INTERESSE

NACIONAL

Please mail, e-mail or fax your from to:

Av. Brigadeiro Faria Lima, 2055 – 9º andar

01452-001 São Paulo, SP – Brasil

Tel.: (11) 3039-6330 • Fax: (11) 3039-6334

editorial@interessenacional.com

07/04/2008 - 14:43h Interesse Nacional, uma nova revista de debates

Chega ao mercado editorial brasileiro, em fins de março, uma publicação inédita com textos de economistas, diplomatas, sociólogos, políticos, jornalistas e especialistas em temas como meio ambiente, economia, política social, política industrial e inovação, educação, segurança pública, tráfico de drogas e de armas, cultura da transgressão e política externa.

A revista Interesse Nacional, que tem em seu conselho editorial 25 membros, circulará no dia 8 de abril e será lançada em São Paulo, no dia 16 de abril, num seminário sobre a Globalização e o Interesse Nacional do Brasil: uma agenda para o futuro, no Instituto Norberto Bobbio. A revista também será apresentada em Belo Horizonte, no dia 8 de maio, com debate no Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais e Brasilia, no dia 14 de maio.

Interesse Nacional, com periodicidade trimestral (quatro números ao ano), defende uma orientação editorial diversificada, como convém a um país complexo e multifacetado como o Brasil. Seu objetivo é o de acolher as múltiplas visões que possuem sobre os destinos do País os diferentes grupos sociais e os vários interesses regionais. Em lugar de se bater pela convergência de opiniões, ela pretende, justamente, promover um grande debate de idéias, de propostas, de soluções aos problemas brasileiros, acima de posições partidárias ou ideológicas. Seu único compromisso, como confirmado pela escolha do nome, é com os interesses nacionais do Brasil, múltiplos como convém a uma sociedade democrática, inserida de formas diversas no cenário internacional.”

A revista vem para ocupar um espaço ainda não preenchido no mercado editorial brasileiro, pois se trata de uma publicação que fica entre o jornalismo e o texto acadêmico, uma mistura que facilita o aprofundamento dos temas sem a necessidade de apresentá-los como uma tese acabada. De tal forma, que o leitor possa entender, em relação a cada uma das questões em pauta, o que está em jogo e quais as posições mais relevantes sobre o que fazer e como fazer para beneficiar o País numa perspectiva de longo prazo.

Seu único compromisso é com o debate qualificado de idéias e com a relevância das questões levantadas, na intersecção crescente entre os assuntos domésticos e internacionais, terá uma tiragem de dois mil exemplares e será vendida em livrarias (Cultura, Vila, Siciliano, La Selva) e por meio de assinaturas.

A revista pretende atingir os meios político, acadêmico, empresarial e a mídia.

No Brasil, a idéia de se discutir os principais assuntos políticos e econômicos, do ponto de vista dos interesses nacionais, ainda não se firmou com a força necessária. Em países mais ativos na definição de estratégias de inserção no mundo global, a noção de interesse nacional permeia os embates parlamentares, as disputas eleitorais, o debate público em geral.

O primeiro número de Interesse Nacional trará oito artigos:

1e 2) “O que é o interesse nacional do Brasil hoje?” – textos de Luiz Gonzaga Belluzzo e Gustavo Franco.
3 e 4) “A política externa do Brasil na América do Sul e o ingresso da Venezuela no Mercosul” – textos de Marco Aurélio Garcia e Rubens Barbosa.
5) “A posição brasileira no pós-Kyoto” – Embaixador Everton Vargas.
6) “TV Pública ou TV Estatal?” – Eugênio Bucci.
7) “Capital estrangeiro no ensino superior: ameaça ou oportunidade?” – Cláudio Moura Castro.
8) “Judiciário: a reforma possível e relevante” – Joaquim Falcão.

São membros do Conselho Editorial:
André Singer, Berta Becker, Carlos Eduardo Lins da Silva, Cláudio Lembo, Cláudio Moura Castro, Daniel Feffer, Demétrio Magnoli, Eduardo Giannetti da Fonseca, Eliézer Rizzo de Oliveira, Eugênio Bucci, Fernão Bracher, Gabriel Cohn, Glauco Arbix, João Geraldo Piquet Carneiro, Joaquim Falcão, José Luis Fiori, Leda Paulani, Luiz Carlos Bresser Pereira, Raymundo Magliano, Renato Janine Ribeiro, Ricardo Carneiro, Ricardo Santiago, Roberto Pompeu de Toledo, Rubens Barbosa e Sérgio Fausto.

Os jornalistas interessados em obter mais informações sobre a revista podem escrever para leonardo@rbarbosaconsult.com.br ou ligar para 3039-6332.

Rubens Barbosa,
Editor-responsável

08/10/2007 - 17:03h EUA é que têm de destravar Doha, diz ex-embaixador Rubens Barbosa

Daniel Bramatti

Wilson Dias/Agência Brasil

O presidente Lula cobrou mais atenção à rodada Doha no Fórum Econômico Mundial

Criticados por não cortar seus subsídios agrícolas, os Estados Unidos procuram sair da defensiva nas negociações da chamada rodada Doha. Susan Schwab, representante dos EUA na Organização Mundial de Comércio, publicou na semana passada um artigo no jornal “Financial Times” no qual cobra dos países emergentes um “sim” ou “não” - simples assim - à proposta norte-americana de limitar aos subsídios para algo entre US$ 13 bilhões e US$ 16 bilhões por ano.

Foi o que bastou para que o influente “Wall Street Journal” publicasse um editorial intitulado “Doha or Die” (Doha ou morra), com novas cobranças para que os países em desenvolvimento aceitem abrir seus mercados industriais e de serviços.

Para Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, a movimentação faz parte de um jogo de cena diplomático para culpar os países emergentes pelo eventual fracasso das negociações de liberalização do comércio mundial, que já se arrastam há seis anos. “Eles não querem reduzir os subsídios, a verdade é essa”, afirmou.

Leia a seguir trechos da entrevista do ex-embaixador a Terra Magazine:

Como o senhor analisa a atitude dos Estados Unidos de cobrar uma posição dos emergentes para destravar as negociações da Rodada Doha?
Nós é que temos de cobrar uma reação deles. A gente fica aqui no Brasil sempre reagindo às coisas que esse pessoal fala. Eles é que estão devendo uma posição. A rodada de Doha foi lançada com o objetivo de colocar a agricultura no centro das negociações. É uma rodada que se propunha a lançar uma agenda para o desenvolvimento, com o aumento do comércio na área agrícola e um tratamento diferenciado para os países em desenvolvimento. Agora a coisa se inverteu. Os Estados Unidos não têm condições de negociar esse acordo porque o Congresso norte-americano não dá autorização. Então ficam os países desenvolvidos cobrando coisas de nós sem dizer o que eles vão fazer na parte de subsídios e redução tarifária.

Enquanto a Susan Schwab cobra dos países em desenvolvimento uma posição na abertura do mercado de bens industriais, o Congresso dos EUA aprova uma nova legislação ampliando os subsídios agrícolas. Então fica difícil.

O senhor acha que é a preparação de um cenário para culpar os países agrícolas pelo eventual fracasso das negociações?
Claro, é parte da estratégia. Eles vão para os jornais e dizem que estão esperando um sim ou não dos emergentes. E eles, quando vão dizer sim ou não?

Terra Magazine