18/10/2009 - 11:00h Outro Bric na parede?

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NOURIEL ROUBINI PARA A FOLHA, EM NOVA YORK

A sabedoria dominante raramente sobrevive a um bom teste de desgaste, e poucos testes causaram tanto desgaste como o sofrido pela economia mundial nos últimos 24 meses. Uma temporada de saudável reavaliação parece ter começado, e está lançando nova luz sobre conceitos que prevaleciam na época do boom, como o valor dos mercados opacos, o status intocável dos consumidores norte-americanos e a sabedoria da desregulamentação.

Uma das ideias dominantes na era da bolha, que escapou relativamente incólume, porém, é a suposição de que os chamados países Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) ditarão cada vez mais os rumos da economia nos próximos anos.
O conceito de Brics, cunhado em um relatório do Goldman Sachs em 2003, não é de todo ruim: já que está 75% correto, apresenta resultados muito melhores do que a maioria dos prognósticos econômicos da era.

No entanto, a crise econômica que começou em 2008 expôs um dos quatro países como impostor. Se compararmos diretamente as estatísticas vitais das economias dos Brics, fica dolorosamente evidente que, nas palavras de uma velha brincadeira de “Vila Sésamo”, “uma dessas coisas é diferente das outras”.

A debilidade da economia da Rússia, e dos bancos e empresas altamente endividados do país, em particular, ainda que mascarada nos últimos anos pelos lucros extraordinários propiciados pela alta nos preços do petróleo e do gás natural, foi exposta de maneira gritante quando a economia mundial despencou. Sobrecarregada com uma infraestrutura envelhecida, a Rússia se desqualifica ainda mais devido a políticas disfuncionais e revanchistas e a uma tendência demográfica que aponta para declínio populacional quase terminal.

Até mesmo com a modesta recuperação que os preços das commodities apresentaram nos últimos seis meses, o setor de energia da Rússia vem enfrentando quedas de produção nos últimos anos, em parte devido ao medo dos investidores estrangeiros quanto a uma possível expropriação.

O fundo soberano de investimento da Rússia, que tem parte importante na sustentação de um modelo econômico que volta a ser cada vez mais centralizado, está esgotando seus recursos rapidamente. Caso as tendências negativas se mantenham, o fundo de reserva russo pode se exaurir.

A queda russa, enquanto isso, resultou em uma espécie de brincadeira de salão entre acadêmicos, especialistas em política externa e investidores bem informados, com o objetivo de substituir o país no clube das grandes economias de mercado emergente. Diversos acrônimos foram sugeridos, do elegante Bricet, que acrescentaria a Europa Oriental e a Turquia, a Bricket, envolvendo o grupo anterior e mais a Coreia do Sul; os mais exagerados falam até mesmo em Brimc, com a adição do México à mistura.

Em todas essas revisões, a Rússia sobrevive, a despeito de o seu destino econômico estar traçado. Embora a Rússia mantenha o maior arsenal mundial de armas nucleares (ainda que um tanto envelhecidas), bem como o seu assento permanente (e, portanto, poder de veto) no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, o país se encaixaria melhor em uma lista de nações doentes do que na lista dos Brics.

Do ponto de vista de potencial e fundamentos econômicos puros, há argumentos muito mais fortes em favor da inclusão da Coreia do Sul, uma potência econômica sofisticada para a qual o principal risco continua a ser o regime de seu gêmeo maligno ao norte, cujo colapso poderia inundar o país de refugiados famintos.

O mesmo se aplica à Turquia, que ostenta um setor bancário robusto, um mercado interno próspero, importância crescente na política do Oriente Médio e de energia, integração à Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), candidatura à União Europeia e vínculos com os Estados que lhe são aparentados etnicamente no centro da Ásia.

O caso mais convincente talvez seja o da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, que conta com uma classe média em rápida expansão, política democrática relativamente estável e uma economia que se destacou na Ásia a despeito da recessão mundial.

Da perspectiva dos Estados Unidos, a Indonésia representa alternativa atraente à Rússia, que até recentemente vinha disputando com a Venezuela a liderança da torcida pelo declínio norte-americano.

A Indonésia, além disso, demonstrou poder de resistência não apenas econômico como nacional. A despeito de sua composição étnica diversificada e de seu território composto por uma profusão de ilhas, o país conseguiu deixar rapidamente para trás a ditadura militar e se recuperou dos inúmeros desafios e revezes sofridos, entre os quais a crise financeira asiática de 1997, o tsunami de 2004, a emergência do radicalismo islâmico e suas inquietações internas. Embora a renda per capita indonésia continue baixa, o que importa é o potencial econômico, e quanto a isso o país brilha.

A Indonésia depende menos das exportações que seus pares asiáticos (e muito menos que a Rússia), e seus mercados de ativos (madeira, óleo de palma e carvão, em particular) atraíram forte investimento estrangeiro.

O governo, em Jacarta, enquanto isso, tomou medidas fortes de combate à corrupção e agiu para remediar os problemas estruturais. Até mesmo as tendências demográficas favorecem a Indonésia, que com seus 230 milhões de habitantes já é o quarto mais populoso país do mundo -e “uma Alemanha” (80 milhões de habitantes) mais populoso que a Rússia.

Mas as ideias da moda custam a morrer, e a Rússia agiu de maneira a cimentar o atual conceito dos Brics em forma de realidade irreversível.

A ossificação dos Brics como instituição mundial deu um dramático salto em junho, quando os líderes dos quatro países se reuniram (na Rússia, é claro), para a primeira “conferência de cúpula dos Brics”.

O encontro resultou em uma notável tirada antiamericana, já que cada um dos membros declarou seu desejo de remover o dólar de seu papel como moeda mundial de reserva.

Alguns meses antes, os quatro decidiram emitir um comunicado conjunto, antes da reunião de abril do grupo dos 20 (G20), no qual anunciavam sua determinação coletiva de mudar as regras do sistema econômico mundial.

No setor privado, proliferaram os fundos de índices Bric, ainda que o Goldman Sachs tenha procurado proteção para sua aposta nos Brics por meio da formulação de um segundo conceito, o “Next 11″, ou seja, os próximos 11 (N11). O grupo acrescentaria ao debate Bangladesh, Egito, Indonésia, Irã, México, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Coreia do Sul, Turquia e Vietnã. Somados aos quatro países dos Brics, os N11 provavelmente formam um elenco mais lógico e defensável para a “primeira divisão” das economias emergentes.

A Rússia rejeita a ideia de demoção, e funcionários do governo norte-americano parecem ter decidido evitar o debate semântico sobre o tema. Ainda assim, não deveria ser surpresa que a Rússia tenha pressionado com tanto vigor pela conferência dos Brics em Ecaterimburgo e bancado a maior parte do custo. Por que correr o risco de ficar exposta cedo demais?

NOURIEL ROUBINI é presidente da RGE Monitor (www.rgemonitor.com) e professor da Escola Stern de Administração de Empresas, na Universidade de Nova York.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

17/09/2009 - 11:39h Lula teve ‘visão correta’ ao falar que crise era ‘marolinha’, diz ‘Le Monde’

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Segundo jornal, governo foi ‘preciso em estratégia concentrada no apoio do mercado interno’.

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão “bastante correta” ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma “marolinha”, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira.

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real.

“A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais”, afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado “A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics”, o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo – Brasil, Rússia, Índia e China – um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países

“É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna”, diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.

O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços.

Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses. BBC

 

 

 

Le rebond de la croissance mondiale repose sur les BRIC

16/09/2009 – LE MONDE

Le président de la Réserve fédérale américaine (Fed), Ben Bernanke, a célébré à sa manière le premier anniversaire de la faillite de la banque d’affaires Lehman Brothers en annonçant, mardi 15 septembre, que la récession économique était “très probablement terminée” aux Etats-Unis.

Le même jour, confirmant ses propos, le département du commerce américain a fait savoir que les ventes de détail avaient progressé de 2,7 % au mois d’août, leur plus forte hausse depuis janvier 2006. Si c’est le signe que le consommateur américain retrouve un peu d’appétit, les économistes sont aussi d’accord pour dire que la ménagère du Texas ne pourra plus jouer le rôle de moteur de croissance de l’économie mondiale, comme elle l’était depuis deux décennies. Le temps du désendettement et de l’épargne est venu pour les Américains. Ce n’est guère non plus sur la vieille Europe, engluée dans ses problèmes structurels de dettes publiques, de prélèvements obligatoires record et de retard technologique, que l’économie mondiale peut compter pour retrouver son dynamisme passé.

C’est vers les grands pays émergents, les fameux BRIC (Brésil, Russie, Inde, Chine) que l’espoir se porte aujourd’hui – l’espoir que la phase de rattrapage de leur niveau de vie vis-à-vis des pays occidentaux va se poursuivre, voire s’accélérer. Et que leurs modèles de croissance, jusqu’à présent essentiellement basés sur les exportations, qu’il s’agisse de T-shirts ou de matières premières, va progressivement céder la place à un nouveau mode de développement, faisant la part belle à la demande intérieure. Etat des lieux dans les économies des BRIC, un an après le séisme.

Chine. Avec des ventes de voitures en hausse de près de 30 % sur les huit premiers mois de l’année, une reprise soutenue des importations de matières premières et une Bourse en surchauffe, la Chine ne donne pas vraiment l’impression de souffrir de la crise mondiale. Le taux de croissance annuel de 8 % du PIB, l’objectif initial du gouvernement pour 2009, devrait être atteint, a récemment déclaré le Bureau national des statistiques.

La robustesse de la croissance chinoise s’explique par le méga-plan de relance de 4 trillions de yuans (400 milliards d’euros) sur deux ans annoncé fin 2008, source d’une frénésie d’investissement en infrastructures sans pareil dans l’histoire économique mondiale. Dans l’urgence, le gouvernement chinois a ordonné aux banques d’ouvrir toutes grandes les vannes du crédit. Et après un fort ralentissement en juillet, les crédits sont repartis en août.

Cette stratégie de relance aux stéroïdes, qui a permis d’amortir le choc sur l’emploi et d’éviter que n’explose le chaudron social, est aussi porteuse de déséquilibres : une partie de l’argent des banques s’est visiblement dirigée vers la spéculation (bourse, immobilier et matières premières), tandis que de futures mauvaises créances s’accumulent. Le modèle économique chinois, ont dénoncé plusieurs économistes chinois réunis vendredi 12 et samedi 13 septembre, au Davos chinois, à Dalian, penche un peu plus du mauvais côté, celui de l’investissement au détriment de la consommation.

Inde. Malgré la crise mondiale survenue il y a un an, la croissance indienne s’est poursuivie à un rythme soutenu. Elle a atteint 6,7 % sur l’année fiscale qui se termine au 31 mars 2009, et devrait descendre aux alentours de 6 % lors de l’exercice suivant. La mauvaise mousson de cet été, avec la moitié du pays touchée par la sécheresse, explique ce léger fléchissement. Hormis l’agriculture, tous les secteurs sont épargnés par la crise. La production industrielle a connu en juin sa meilleure performance en un an et demi. Et le secteur des services a maintenu son rythme de croissance de 6,3 % au premier trimestre 2009. L’Inde doit sa bonne performance à la robustesse de sa demande intérieure et à la résistance de son système financier, “peu connecté au reste du monde”, comme le note Rajiv Kumar, directeur du Conseil indien pour la recherche sur les relations économiques internationales (Icrier).

Dans un pays où seuls 15 % de l’économie dépendent des exportations, la demande intérieure a été peu affectée par la récession mondiale, surtout dans les zones rurales, qui constituent la moitié du revenu national. Grâce aux programmes sociaux et à la hausse des investissements publics dans les infrastructures, les campagnes ont, au contraire, vu leurs revenus augmenter. L’Etat en paie le prix fort, avec un déficit budgétaire représentant 6,8 % du PNB. Et l’agence de notation Standard & Poor’s a ramené de “stable” à “négatif” sa notation souveraine sur l’Inde. Le pays reste toutefois une destination attirante pour les investisseurs du monde entier, car il est perçu comme un relais de croissance idéal aux marchés saturés, et touchés par la crise, des pays développés.

Brésil. En prédisant avec ironie il y a un an que “le tsunami” de la crise provoquerait dans son pays une simple “vaguelette”, le président brésilien, Luiz Inacio Lula da Silva, avait vu assez juste : la récession n’aura duré qu’un semestre.

Le produit intérieur brut a augmenté de 1,9 % au deuxième trimestre 2009, après avoir régressé pendant deux trimestres consécutifs : – 3,4 % (octobre-décembre 2008) et – 1 % (janvier-mars 2009).

Selon le ministre de l’économie, Guido Mantega, le géant sud-américain devrait, sur sa lancée, retrouver en 2010 sa vitesse de croisière d’avant la crise, autour de + 4,5 %.

Happé par la récession plus tard que la plupart des pays du monde, le Brésil en sort plus tôt, comme l’attestent deux autres indices : la bourse de Sao Paulo a retrouvé son très haut niveau d’il y a un an et la monnaie, le real, a reconquis toute sa vigueur face au dollar et à l’euro.

La rapide récupération du Brésil témoigne de la justesse de la stratégie adoptée par le gouvernement et axée sur le soutien du marché intérieur. Des réductions d’impôts en faveur de l’automobile et de l’électroménager ont maintenu les ventes dans ces deux secteurs industriels cruciaux.

La banque centrale a aidé les banques en difficulté, puisant dans ses grosses réserves – 200 milliards de dollars – pour irriguer le marché asséché. De grosses entreprises, comme le géant minier Vale, ont pris peur, en gelant leurs investissements, ce que le président Lula leur reproche aujourd’hui. Mais la confiance des consommateurs, elle, n’a guère été ébranlée : “L’économie a survécu grâce aux plus pauvres”, souligne Lula.

Russie. Bien plus touchée par la crise que les autres pays du BRIC (Brésil, Inde, Chine), la Russie connaît un semblant de reprise. Son PIB a augmenté, en glissement mensuel, de 0,4 % en juin et de 0,5 % en juillet.

Le ministre russe des finances, Alexeï Koudrine, se veut optimiste : le pays émergera “complètement” au troisième trimestre 2009. “Sur le long terme et pour de multiples raisons, la Russie restera dotée d’une solide croissance” qui lui permettra de se hisser “au sixième rang de l’économie mondiale”.

Après un essor économique sans précédent ces dix dernières années, la Fédération russe a subi la crise de plein fouet. Son PIB a chuté de 9,8 % au premier trimestre sur un an, et de 10,9 % au deuxième trimestre.

Cet atterrissage brutal s’explique par le modèle russe de croissance, axé sur les exportations de matières premières et le recours massif aux crédits étrangers. La crise a révélé l’échec des autorités à mettre en place des réformes structurelles au moment où l’Etat engrangeait les recettes de la vente du pétrole. Conscientes de ces faiblesses, les autorités russes ont plaidé ces derniers mois en faveur d’une diversification et d’une modernisation des infrastructures.

Ces bonnes résolutions risquent d’être vite oubliées. Le frémissement actuel de l’économie a une seule cause, la remontée des prix du pétrole, passés de 33 dollars en décembre 2008 à 70 dollars ces derniers mois. Quant au recours aux emprunts à l’étranger, il s’est tari, ce qui signe la fin de la consommation effrénée et des projets de développement. “Vingt années de tumultueux changements dans notre pays n’ont pas changé son humiliante dépendance aux matières premières. (…) A de rares exceptions près, nos entreprises ne créent pas les biens et la technologie nécessaires à la population”, a récemment souligné le président, Dmitri Medvedev.

Jean-Pierre Langellier (à Rio), Marie Jégo (à Moscou), Julien Bouissou (à New Delhi), et Brice Pedroletti (à Shanghaï)

24/08/2009 - 09:07h Risco-Brasil fica entre os menores

Dívida externa: Spread brasileiro cai 19,6% e se consolida abaixo do mexicano e do russo

Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo – VALOR

O Brasil teve destaque entre os emergentes no mercado internacional de crédito no período pós-quebra da Lehman Brothers e se consolidou como o de menor prêmio de risco entre os países mais negociados. O risco-Brasil está 19,6% abaixo do que era um dia antes de estourar a fase mais aguda da crise, em 15 de setembro, na comparação com o aumento de 12,9% na média de 14 países do índice CDX.

“A despeito de todos os problemas e desafios, o Brasil é percebido como mais disciplinado e previsível”, diz Octavio de Barros, diretor do Departamento de Economia do Bradesco. “Mesmo o cenário eleitoral do ano que vem, ainda que possa suscitar alguma volatilidade mais adiante, não tira o sono de ninguém, pois o mercado não identifica incentivos a se andar para trás”, diz ele. No seu entender, o risco-Brasil tende a seguir uma trajetória de queda, fechando nos níveis de 100 pontos básicos no final deste ano, na comparação com os 124,915 pontos básicos na sexta-feira do prêmio do swap de crédito (CDS) de vencimento em cinco anos da dívida externa brasileira.

“A performance relativa do risco-Brasil foi excelente durante a crise, superando a dos demais emergentes, o que já esperávamos”, diz Daniel Tenengauzer, diretor-gerente e chefe de estratégia global para juros e moedas do Bank of America Merrill Lynch. “O que é surpreendente é que o risco-Brasil está agora mais baixo inclusive do que o spread do México”, afirma o estrategista.

Enquanto o risco-Brasil está em 124,915 pontos básicos, o spread de crédito do México está em 163,695 pontos básicos, apesar de a dívida externa do governo mexicano ter rating dois degraus acima da dívida do governo brasileiro pela Standard & Poor’s e pela Fitch Ratings e três degraus acima pela Moody’s. De acordo com a Fitch e a S&P, o Brasil tem a nota “BBB” para sua dívida externa, o primeiro degrau do grau de investimento. O México é “BBB+”. Já a Moody’s considera o Brasil ainda investimento especulativo e dá a nota “Ba1″ para o país, na comparação com a classificação “Baa1″ da dívida externa do México. Antes de a crise explodir, no dia 12 de setembro, o prêmio de risco do México era de 134,1 pontos básicos, na comparação com os 155,30 pontos do Brasil. Enquanto o risco-México subiu 22,1% desde então, o risco-Brasil teve queda de 19,6%.

“O Brasil foi um dos primeiros países a sair da recessão e as perspectivas de crescimento para o ano que vem são ainda mais animadoras, dado o ciclo de investimentos nas áreas de petróleo e gás”, diz Octavio de Barros, que prevê crescimento de 2,1% no Produto Interno Bruto no segundo trimestre de 2009 na comparação com o primeiro. No terceiro trimestre, haverá estabilidade e no quarto, novo crescimento de 2%, prevê.

Enquanto isso, o México, que tem uma economia mais dependente das importações dos Estados Unidos e menos diversificada, está em situação mais difícil, diz Ernesto Meyer, coordenador de financiamento para aquisições e operações sindicalizadas para a América Latina do BNP Paribas. O governo mexicano acaba de anunciar uma queda de 1,1% no PIB no segundo trimestre na comparação com o primeiro e um tombo de 10,3% na comparação com 2008, o maior em 25 anos.

A Rússia também tem rating melhor do que o Brasil – um degrau pela S&P e pela Fitch Ratings e três degraus pela Moody’s, mas está com risco-país de 272,72 pontos básicos, mais do que o dobro do brasileiro. O PIB da Rússia também continuou em contração no segundo trimestre -tombo de 10,9% na comparação com o trimestre em 2008, o maior da história – e seu risco-país subiu 62,5% desde a quebra da Lehman Brothers.

A queda maior no prêmio de risco-Brasil na comparação com outros emergentes tem ajudado a derrubar ainda mais os spreads pagos “por uma elite de empresas brasileiras”, pois grande parte da liquidez antes destinada a outros países da América Latina foi direcionada para o Brasil, diz Meyer. Hoje, entre os latino-americanos, o Chile é o único que tem risco de crédito menor do que o do Brasil pelo CDS, de 81,9 pontos percentuais. Mas, apesar disso, segundo Meyer, as grandes empresas brasileiras já pagam menos do que qualquer empresa da região em empréstimos, inclusive as chilenas. A China tem prêmio de risco de 82,25 pontos, mas tem US$ 2,13 trilhões em reservas, contra US$ 213,956 bilhões do Brasil.

10/08/2009 - 11:31h Pesquisa põe Brasil na liderança de otimismo na indústria

da BBC Brasil – FOLHA Online

Mais de duas em cada três empresas da indústria no Brasil estão otimistas com as perspectivas para os negócios nos próximo 12 meses, segundo um levantamento divulgado nesta segunda-feira pela consultoria KPMG.

O nível de otimismo no Brasil foi o maior expressado por empresários nos quatro países emergentes do chamado grupo Bric –Brasil, Rússia, Índia e China– e superou os percentuais observados em outra pesquisa da consultoria com empresas europeias.

Segundo a KPMG, 67,8% das empresas no Brasil expressaram otimismo em relação aos próximos 12 meses, contra 28,3% que esperam um panorama igual ao atual e 2,9% que esperam um panorama pior.

“Com os níveis de atividade indicando um aumento, as indústrias brasileiras estão planejando elevar seus níveis de empregados”, disseram os autores do levantamento.

“As previsões para gastos de capital e pesquisa e desenvolvimento também estão mais altos que na pesquisa feita no início do ano, porque o crescimento sólido nos lucros suporta níveis mais altos de investimento.”

Bric

A pesquisa ouviu 1,8 mil empresas nos quatro países dos Bric. Na Rússia, a expectativa de melhora nos próximos 12 meses ficou em 55,7% contra 6% de piora.

Na China os números foram semelhantes: 55,3% e 8,7%, respectivamente.

Já na Índia os empresários se mostraram mais cautelosos que no resto dos emergentes. Do total, 38,5% têm boas expectativas para os próximos 12 meses, contra 16% que esperam uma piora.

O diretor do braço da KPMG para mercados em crescimento acelerado, Ian Gomes, disse que o crescimento “robusto” dos Bric se baseará na demanda doméstica, o sucesso de medidas de estímulo adotadas pelos governos e sinais de estabilização da economia mundial.

“O crescimento mais rápido deve ser acompanhado por um repique nas pressões inflacionárias, à medida que a demanda por matérias-primas se acentua e as indústrias recuperam alguma capacidade de ditar preços”, afirmou.

Para ele, tais pressões devem ser “moderadas” em relação aos níveis elevados de 2008.

Europa

Em uma pesquisa separada, mas com temática e metodologia idêntica à realizada para os Bric, a KPMG consultou 3,7 mil empresas européias sobre suas expectativas em relação aos próximos 12 meses.

No continente como um todo, o percentual de empresas otimistas superou o das otimistas em 28 pontos. O Reino Unido (diferença de 54 pontos percentuais) e a Itália (49 pontos) lideraram a lista e foram os únicos que superaram a média européia.

Alemanha (diferença de 24 pontos), Áustria (22 pontos) e França (18 pontos) dão seqüência à lista.

Apenas na República Tcheca e na Grécia os empresários pessimistas ainda superam os otimistas.

O diretor da KPMG, Alan Buckle, disse que há muitas razões para um “retorno à confiança no coração industrial da Europa”, mas ressaltou que há razões para cautela.

“Antes de nos deixar ser levados pelos sinais de recuperação, não esqueçamos que ainda estamos firmemente inculcados perto do fundo do ciclo econômico. Apenas o Reino Unido expressa otimismo em relação a mais empregos, e ainda há sinais de redução no investimento”, afirmou.

“O fato de o otimismo estar muito menos em evidência quanto aos prospectos de aumento na renda nos diz que ainda há muito caminho na estrada da recuperação.”

04/06/2009 - 19:47h De Russia com amor

Entre bolcheviques y mafiosos: de Rusia con amor

Ubicada en la Sala de Exposiciones Canal de Isabel II de Madrid, esta tarde se inaugura la exposición My Moscow del artista ruso Sergey Bratkov.

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De la serie My Moscow

La muestra incluye 130 fotografías que recorren una selección de la obra de Bratkov desde 1990 hasta la actualidad. Las obras dejan traslucir la veta crítica y comprometida del artista con la realidad social que vive. Sus imágenes de la vida cotidiana sobrepasan a veces el buen gusto, sin por ello eliminar un cierto tono lírico.

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De la serie Secretaries

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De la serie Kids

Bratkov se enmarca en un periodo histórico muy determinado, el de la caída de la Unión Soviética, es decir, de un orden establecido y de las esperanzas y promesas que se pusieron en el nuevo período que se prometía mejor, más libre y encaminado a potenciar al individuo.

< Tras un período excepcionalmente productivo entre los años 2000 y 2001, donde creó las series Kids o Soldiers, Fighters Without Rules, Secretaries y Army Girls, presentes en la exposición, se centra en los últimos años en fotografías panorámicas en contraste con sus retratos basados en la complicidad entre el fotógrafo y el retratado. La nueva serie My Moscow (2003) que se expone ahora en Madrid se concibe como un documental amplio donde se yuxtaponen fenómenos sociales e históricos.

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De la serie My Moscow

Una mirada fresca a la lejana Moscú que revelan la intriga de un ciudad que se debate entre bolcheviques y mafiosos.

27/04/2009 - 11:18h Bric pressiona Fundo por mais poder de voto

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Bob Davis, The Wall Street Journal, de Washington – VALOR

A pressão do Brasil, Rússia, Índia e China para que o Fundo Monetário Internacional faça sua primeira emissão de títulos tornou-se parte de uma estratégia por parte dos países em desenvolvimento para ganhar mais poder de decisão no FMI.

Esses quatro países declararam-se dispostos a contribuir para quadruplicar os recursos do FMI, que chegariam a US$ 1 trilhão, sobretudo adquirindo títulos. Estes seriam denominados na quase-moeda do FMI, os chamados Direitos Especiais de Saque, com vencimento de cerca de um ano, e seriam vendidos apenas para os bancos centrais. Se os países do Bric conseguirem o que desejam, os títulos também poderão ser vendidos em mercados secundários, para ficarem mais líquidos.

A proposta de compra dos títulos se destina a enviar uma mensagem dupla, disse Eswar Prasad, ex-autoridade do FMI que continua em contato constante com os representantes chineses e indianos. Os países do Bric estão dispostos a contribuir com o FMI, mas “não querem se comprometer a contribuir com mais dinheiro antes de conseguir mais” poder de voto no Fundo, disse Prasad.

Os direitos de voto e a emissão de títulos do FMI são questões que estiveram no alto da pauta das reuniões do órgão, que também discutiu o estado da economia global e o apoio a ser oferecido a países de baixa renda.

Em declaração feita no sábado ao principal comitê consultor do FMI, o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, disse que o FMI “ainda tem que tratar do seu pecado original: o seu déficit de democracia”. O ministro da Fazenda egípcio, Youssef Boutros-Ghali, presidente do conselho desse grupo consultivo, disse ao Wall Street Journal que deseja obter o envolvimento dos líderes nacionais para reformar o sistema de votação do FMI. A cota de cada país nas votações do FMI supostamente reflete, de modo geral, o poder econômico global do país mas, no momento, concede um peso muito maior àqueles que se tornaram poderosos depois da Segunda Guerra Mundial.

Em março de 2008 o FMI anunciou que a participação dos países emergentes aumentaria em apenas 5,4 pontos percentuais. Agora o FMI se comprometeu a reexaminar a questão em 2011; mas os países do Bric acreditam que a necessidade que o Fundo tem de maiores aportes lhes dá mais poder de fogo.

28/11/2008 - 07:48h Our retail therapy is in China, India and Germany

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By Jim O’Neill – Financial Times

Published: November 27 2008 18:59 | Last updated: November 27 2008 18:59

For much of the past three years, as it became evident that the US housing bubble was bursting, I believed that the old adage “the US catches a cold, the world catches pneumonia” would be laid to rest, helped by the emergence of the so-called Brics – Brazil, Russia, India, China.

Until September and the collapse of Lehman Brothers, the US investment bank, this was still a reasonable model for the evolving world. However, since mid-September maybe the real question has – unfortunately – become: “What happens if the US itself has caught pneumonia?”

At the heart of this is the dramatic tightening of US financial conditions that took place from mid-September until recently. For the over-levered US consumer, coming on top of declining housing values, the era of buoyancy is almost definitely over.

At its 2007 peak, US domestic consumption reached as much as 72 per cent of the country’s overall gross domestic product, which is more than 20 per cent of global GDP. Not bad for a population of some 300m people, out of more than 6bn globally. By the end of 2008, consumption will be back below 70 per cent and will probably be on its way down to something around 65 per cent or less in a few years. How can the world cope?

The answer is that unless Chinese, German and Indian shoppers start spending more freely, it will not.

Aggressive infrastructure-based fiscal expansion in the US from the incoming administration will help the country recover and rebuild but, as with the UK, there has to be a chance that any direct stimulus for the indebted US consumer will be saved, not spent. Indeed, it is no bad thing that domestic private savings will be rebuilt. Among other things it means the US will not need to keep gobbling up the world’s savings.

To avoid global pneumonia, what we need is shopping in Berlin, Frankfurt, Beijing, Shanghai, Delhi and Mumbai. Here is how to do it.

China looks like it does not need too much guidance judging by the media focus on its $586bn (€453bn, £380bn) “stimulus” package. China has to regard export strength, especially low-valued exports, as a thing of the past. This will involve some redeployment of people, which in some regions could be quite challenging. But boosting domestic spending, especially for consumption and investment, is vital.

Such spending should feed through to renewed import growth, so China can help offset the end of import growth in the US. Of course, annual retail sales growth as measured by October’s numbers was a strong 22 per cent but, until consumption represents a bigger share of GDP, the government should seek to increase this further. Noises about the potential development of a proper nationwide social security system are encouraging; this is vital to reduce China’s huge savings rate.

As for India, its demographic dividend makes it arguably the most interesting of the Brics in the next decade. According to the United Nations, by 2020, India’s population could grow by as much as the current size of the US. If Indian policymakers can boost infrastructure spending, the escalating urbanisation that will accompany this could unleash massive consumption. Indian policymakers should stop worrying about the May 2009 election and introduce steps now to allow more foreign capital to help the financial sector fulfil these exciting prospects. Among other things it would diminish fears about India’s external financing challenges also.

It is not just India and China that could help. Germany and its policymakers should take a long, hard look in the mirror. At 85m, Germany’s population is equivalent to more than a quarter of that of the US. It needs to make a contribution to world consumption in a similar ratio, relative to that of the US consumer.

Next year is the 20th anniversary of the fall of the Berlin Wall. German consumption has barely budged since then. Why not celebrate by giving its people a surge in consumer spending? Raise real wages and cut value added tax: Germany owes it to itself and the world after such a long period of adjustment to both unification and European monetary union. It certainly needs to, as the export machine is set to struggle.

Who knows, if Germany “gets it” maybe even Japan might then consider change. Then we would know the world really was being turned upside down.

The writer is chief economist at Goldman Sachs

08/11/2008 - 18:01h Um amor proibido

Livro resgata a paixão entre serva e nobre que abalou a Rússia dos czares

Image:Sheremetev.jpgImage:Zhemchugova.jpg

Nicolai e Praskovia

Vivian Oswald – O GLOBO

Correspondente• MOSCOU

Na Rússia imperial, o teatro era a arte dos servos. Entre 1770 e 1820, cerca de dois mil eram obrigados a se dividir entre as atividades domésticas e os palcos, onde incorporavam personagens nobres, ou não, só para divertir os ricos nos 170 teatros que pertenciam à aristocracia.

Estes atores, bailarinos, músicos ou cantores de origem humilde eram treinados pelos melhores profissionais da Europa, para onde alguns eram enviados para estudar as vanguardas. Os teatros se concentravam nas duas principais capitais russas: Moscou e São Petersburgo.

Grandes nomes surgiram neste cenário, como a da cantora lírica Praskovia Kovalevskaia (1768-1803). Descoberta pelo conde Nicolau de Sheremetevo (1751-1809), seu proprietário, a diva da ópera russa chamou a atenção da czarina Catarina, a Grande, e, anos mais tarde, chocou a sociedade ao se tornar a condessa de Sheremetevo.

Tudo isso aconteceu um século antes da Revolução de 1917, que mudaria a cara da Rússia e acabaria com a distinção histórica entre as classes sociais. A reconstituição do romance acaba de ser publicada pelo escritor Douglas Smith no livro “The Pearl”, que saiu nos Estados Unidos e na Inglaterra no final do primeiro semestre, e deve ser lançado na França e Coréia do Sul no ano que vem. O nome do livro, Pérola, é uma alusão ao primeiro nome artístico de Praskovia, Zhemchugova, que vem de zhemchug, pérola, em russo.

‘Tradição não é lei’

Homem mais rico do mundo à época, Nicolau era obcecado pelo teatro e teve um das companhias mais bem-sucedidas do seu tempo. Revelou Praskovia ainda criança.

Deu a ela educação artística e tornou-a uma das maiores artistas de sua época.

Mas não resistiu aos encantos da jovem serva, com quem viveu por 20 anos e teve um filho, Dmitri.

Nos anos 1770, o pai de Nicolau, Pedro, resolveu abrir o seu próprio teatro após uma apresentação que organizou com atores contratados em homenagem a Catarina, a Grande, durante visita da czarina ao palácio de Kuskovo, onde também costumava montar festivais de teatro aos domingos.

Kuskovo, onde viviam, tornou-se um local popular.

O novo projeto de Pedro, que já tinha um coro e uma orquestra de servos, era ambicioso. Italianos foram contratados para ser instrutores dos cantores e alemães, para a orquestra. Jovens servos eram enviados a São Petersburgo para aprender e treinar com os melhores músicos do país. O próprio Nicolau participava das aulas.

Nicolau cresceu com o teatro.

Atuou desde criança com amigos na corte e ficou impregnado pelo teatro de Paris, que conheceu durante a viagem de quase três anos que fez pela Europa. Esteve na Alemanha, na Inglaterra, na França, como qualquer russo educado de sua geração.

O teatro tornou-se uma paixão.

Acabou incumbido pelo pai de dirigir a companhia de Kuskovo. Recrutou mais artistas e mandava vir peças européias importantes para serem apresentadas pela primeira vez na Rússia. Montou cenários compatíveis com a riqueza — que parecia ilimitada — da família.

Contratou arquitetos de renome e construiu novos teatros em suas propriedades.

Quando foi escolhida por Nicolau em meio a um punhado de servos, Praskovia tinha apenas 9 anos. O conde tinha 26. Após identificar o que chamou anos mais tarde de “inclinação para a dança e uma voz superlativa”, Nicolau disse que daquele dia em diante suas tarefas na casa iam mudar. Continuaria cuidando da princesa Dolgorukaya, mas também seria parte da trupe e teria aulas de voz. Ele seria um de seus professores.

Viveram juntos pelo teatro e foi o teatro que os aproximou. Os detalhes sobre o romance perderamse no tempo. Não há muitos registros, principalmente sobre a vida de Praskovia, que não deixou documentos , nem diários. Em “The Pearl”, Smith tenta inferir os detalhes relacionamento com base nas poucas informações disponíveis em arquivos russos e nas visitas que fez aos lugares freqüentados por ambos. Por esta razão, deixa no ar uma série de explicações. Talvez esta tenha sido a maior lacuna e ao mesmo tempo o ponto alto do livro.

Acredita-se que o caso amoroso tenha começado quando a cantora tinha entre 13 e 14 anos.

“Se estes sentimentos entre pessoas tão diferentes hoje parecem banais, na Rússia do século XVIII eram revolucionários”, afirma Smith no livro.

Nicolau custou a reconhecer publicamente o relacionamento com Praskovia e acabou o fazendo para agradar a mulher, que era religiosa ao extremo.

Ele mesmo precisou lutar contra o próprio preconceito que permeou a sua criação e que marcava a Rússia do seu tempo.

Antes de se casar numa igreja discreta, que à época era afastada e hoje está bem no centro de Moscou, ele tentou (e teria conseguido) comprar na Polônia uma origem nobre para a ex-serva. Na carta que enviou ao czar anunciando o casamento, quando Praskovia estava no leito de morte, afirma que a cantora vinha de uma família nobre polonesa, tendo sido criada nas suas propriedades e recebido excelente educação.

Praskovia morreu logo depois de Dmitri nascer e pouco antes de ter seu casamento divulgado à sociedade.

Foi o único filho que tiveram, embora se diga até hoje que a saúde debilitada da cantora se devia a abortos que fizera ao longo de sua vida breve.

Anos mais tarde, em carta deixada para o filho, Nicolau fala de seu amor pela mulher: “Tradição não é lei. Ninguém pode submeter sua mente e vontade à ela, especialmente quando é possível libertarse de erros do passado”.

Ao final do livro, Smith destaca com certa ponta de tristeza que, hoje, os túmulos de Nicolau e Praskovia caíram no esquecimento. Os turistas procuram no cemitério de Moscou Nicolau Rimski-Korsakov, Arthur Rubinstein ou Tchaikóvski, “embora Praskovia, uma das primeiras grandes estrelas da ópera russa, tenha sido quem conseguiu romper a barreira que separa o talento do berço”.

O começo do fim da escravidão

ENTREVISTA DOUGLAS SMITH

MOSCOU. Fascinado há 16 anos pelo escandaloso romance entre Nicolau e Praskovia na Rússia do século XIX, o americano Douglas Smith levou sete anos para poder contá-lo e reconstruir o cenário da época no livro “The Pearl: a true tale of forbidden love in Catherine the Great’s Russia” (“A Pérola: uma verdadeira história de amor proibido na Rússia de Catarina, a Grande”). Em entrevista ao GLOBO, fala da dificuldade de obter informações sobre a ex-serva e condessa, que nada deixou escrito sobre a sua vida.

O GLOBO: De onde surgiu a idéia de escrever sobre Nicolau e Praskovia?

DOUGLAS SMITH: Soube da história em 1992. Estava passando um ano na Rússia para fazer o meu doutorado. Fiz uma visita ao palácio de Kuskovo como turista. Quando vi o lugar e, depois que li sobre Nicolau de Shremetevo e Praskovia, fiquei fascinado.

Nunca tinha ouvido falar nessa história.

Durante muitos anos, fiquei com aquilo na cabeça.

Fui anotando os nomes de livros que precisava ler, histórias sobre o assunto. Só em 2001 passei a me dedicar inteiramente a esse projeto. Levei sete anos para fazer a pesquisa. Não foi fácil. Não só pelo fato de estar na Rússia, mas também porque havia poucos documentos sobre Praskovia. Ela mesma não deixou nada por escrito.

Ao longo do livro fica claro que faltam dados sobre o que se passava pela cabeça de Praskovia. Muitas vezes fica no ar se ela se esteve ou não em certas situações…

SMITH: A dificuldade de obter informações sobre ela me levou a ter que preencher as lacunas. Estive em todos os lugares por onde eles passaram. Estudei a vida no palácio. Tentei captar o cenário da história para ter acesso ao que teria acontecido.

Não dá para saber exatamente o que passava pela cabeça dela, mas dá para entender como foi a sua vida e o que aconteceu. Quando conto a história dos dois para as pessoas, recebo de cara o seguinte comentário: não saiba que você era novelista. E tenho que explicar que é uma história verdadeira, não se trata de ficção.

Os russos gostam de histórias de grandes heróis, de guerras vitoriosas. Qual a importância deste romance no imaginário coletivo?

SMITH: É difícil quantificar a influência desse romance na sociedade russa. Mas posso dizer que o fato de alguém tão nobre na sociedade da época se casar com uma serva era um verdadeiro escândalo. E um desafio para a elite social de reconhecer aquela mulher como igual. Talvez seja um pouco de exagero, mas este foi o começo do fim da servidão. Estava claro que iam começar a pensar o que era a elite e os servos. As pessoas tiveram de reconsiderar os seus próprios padrões.

Acho que a história faz parte dos ideais da Rússia. Os russos adoram falar da sua cultura e têm muito orgulho dela. O conde de Sheremetevo e Praskovia são personagens importantes da cultura.

O próprio Nicolau resistiu muito ao casamento. Ele mesmo tinha seus preconceitos, não?

SMITH: Nicolau lutou contra seus próprios princípios por acreditar nesse amor. Não sabia o que fazer.

Era um produto do meio em que vivia. Mas queria poder dar a Praskovia o que ela mais desejava, que era o casamento.

O amor pelo teatro, sua abertura a todas as novidades vindas do Ocidente e as viagens que fez à Europa teriam mudado a cabeça do conde, ou ainda, o ocidentalizado?

SMITH: Acho que tudo isso teve um papel muito importante na história dele. Houve também todas as histórias que ele encenou nos seus teatros. Temas que lidavam com a beleza e o bizarro, romances de nobres com servos. (Vivian Oswald)

24/10/2007 - 22:28h Marilyn, Stalin & besos brujos: íconos del SotsArt

Civilización & Barbarie Blog de Cristina Civale

Perseguidos desde 1972 hasta la Perestroika, excluidos todavía de los ámbitos oficiales, los artistas rusos que hoy transitan el camino del sots art(base pop +carga conceptual política de la vieja Unión Soviética), exhiben desde esta semana en la Maison Rouge de Paris.

Lo hacen en la muestra que llaman Sots Art: Art Politique en Russia.

La palabra sost art proviente de la combinación de las palabras arte y socialismo e implica el despliegue de una retórica lúdica sobre la propaganda soviética.

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Pioneras de Victor Skersis

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Dios, ayudame a sobrevivir este amor fatal de Dmitri Vrubel

Esta obra fue considerada como una expresión de “arte degenerado” por parte de Vladimir Putin.

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Stalin y Monroe de Leonid Sokov

La exposición, que se puede ver hasta el 20 de enero del próximo año, exhibe la obra de 60 artistas -organizados alrededor del grupo creativo Blue Noses- a través de 160 obras entre fotografías, pinturas e instalaciones.

Sin embargo, dos obras no podrán ser exhibidas dada la prohibición de su exportación presentada por el actual gobierno ruso: se trataría de una fotografía en la que se besan dos policías y de una pintura donde se muestra juntos a Hitler, Mao y Stalin.

Aquí un inquietante bonus track tomado del sitio de los Blue Noses.

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Una época de clemencia

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Serie Danzas políticas

31/05/2007 - 22:16h Un G8 sous tension

Editorial do jornal francês Le Monde

La réunion ministérielle, mercredi 30 mai à Postdam, en préparation du sommet du G8 d’Heiligendamm, du 6 au 8 juin, sous présidence allemande, n’a fait que confirmer les tensions qui parcourent cette enceinte des grandes puissances industrialisées.

Deux dossiers importants font l’objet de graves désaccords : celui de la lutte contre le réchauffement climatique, qui met aux prises les Etats-Unis et la chancelière allemande, Angela Merkel, qui en a fait l’une de ses priorités ; et celui du statut du Kosovo, la province albanophone que les Occidentaux voudraient faire accéder à un statut d’”indépendance surveillée”, sans avoir réussi à emporter l’assentiment de la Russie. Moscou brandit la menace d’un veto au Conseil de sécurité de l’ONU.

Sur le Kosovo, une discussion tendue a opposé, à Potsdam, le ministre russe des affaires étrangères, Serguei Lavrov, et ses homologues américain et européens. Le représentant russe a jugé que les positions étaient “diamétralement opposées”, arguant que toute modification des frontières serait lourde de déstabilisation dans les Balkans, avec des conséquences possibles dans le Caucase.

La Russie a déployé ces derniers mois une rhétorique particulièrement offensive, face aux Etats-Unis, au sujet du bouclier antimissile en Europe, et ses relations avec les Européens se sont détériorées, notamment à l’occasion d’une dispute sur le déplacement d’un monument soviétique en Estonie. En comparaison avec le G8 de Saint-Pétersbourg en 2006, celui de Heiligendamm s’annonce comme une réunion à haute tension. Leia mais aqui