09/11/2009 - 09:02h Pobres já gastam 5% mais que ricos

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Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste

Márcia de Chiara – O Estado SP

Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.

Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. “Houve uma reversão”, afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.

Ela atribui a mudança a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.

Embora em maior número, as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de lares que recebem até quatro salários mínimos (R$ 1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias das classes D e E do País. Já as classes A e B somam 4,9 milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).

Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo de 5,7% concedido neste ano. “O salário mínimo pesa muito nas regiões Norte e Nordeste”, diz.

Nas contas dele, a massa real de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro do registrado para essa população que vive no Sudeste do País, que foi de 3,1% nas mesmas bases de comparação.

Além disso, Borges ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), perdeu fôlego este ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003, o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%, prevê.

07/11/2009 - 09:47h Cesta básica pesa menos no orçamento dos pobres

da Folha Online

A fatia do salário mínimo necessária para comprar a cesta básica é uma das menores em mais de uma década, segundo reportagem de Verena Fornetti na Folha deste sábado.

Com isso, o peso dos gastos com alimentação no orçamento das famílias de menor renda tem caído.

Segundo dados do Dieese, a compra da cesta básica toma 44,99% da renda líquida (descontada a parcela da Previdência) do trabalhador que recebe salário mínimo. O resultado é melhor que o do ano passado, quando eram necessários 50,25% do rendimento para fazer essa compra. Em 1995, os produtos básicos comprometiam quase 89% da renda.

O aumento do poder de compra do salário mínimo ocorre em razão dos reajustes acima da inflação nos últimos anos e porque os preços dos alimentos se desaceleraram após dois anos de altas significativas.

O feijão, o arroz e a carne, por exemplo, ficaram mais baratos. O preço do feijão carioquinha caiu 47,39% nos últimos 12 meses, de acordo com o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fundação Getulio Vargas. Ovo, macarrão, óleo de soja, músculo bovino e carne suína também tiveram deflação.

Leia reportagem completa aqui

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Poder de compra maior diversifica gastos

Com deflação em alimentos como arroz, feijão e carne, famílias desembolsam menos em itens básicos e variam consumo

Trabalhadores com salário menor são os que mais transformam renda em consumo, pois poupam menos, diz especialista

VERENA FORNETTI – FOLHA SP

DA REDAÇÃO

A fatia do salário mínimo necessária para comprar a cesta básica é uma das menores em mais de uma década. Com isso, o peso dos gastos com alimentação no orçamento das famílias de menor renda tem caído.
Segundo dados do Dieese, a compra da cesta básica toma 44,99% da renda líquida (descontada a parcela da Previdência) do trabalhador que recebe salário mínimo. O resultado é melhor que o do ano passado, quando eram necessários 50,25% do rendimento para fazer essa compra. Em 1995, os produtos básicos comprometiam quase 89% da renda.
O aumento do poder de compra do salário mínimo ocorre em razão dos reajustes acima da inflação nos últimos anos e porque os preços dos alimentos se desaceleraram após dois anos de altas significativas.
O feijão, o arroz e a carne, por exemplo, ficaram mais baratos. O preço do feijão carioquinha caiu 47,39% nos últimos 12 meses, de acordo com o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fundação Getulio Vargas. Ovo, macarrão, óleo de soja, músculo bovino e carne suína também tiveram deflação.
Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, afirma que os alimentos subiram menos que a inflação neste ano, ao contrário do que aconteceu no ano passado. Como o reajuste do salário mínimo é calculado a partir do PIB e da inflação média na economia, a conta beneficia os mais pobres, que empregam uma parte da renda maior que a dos mais ricos nos gastos com alimentação. Com o poder de compra ampliado, essas famílias podem variar os itens consumidos.
“O salário está maior, e o gasto, menor. As famílias podem, então, gastar com outras coisas, como materiais de construção para reformar a casa e vestuário”, diz Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.
É o caso da dona de casa Lucinéia Macena da Silva Cruz, 39, que controla cada centavo que entra em casa e notou a diferença deste ano em relação a 2008. O marido de Lucinéia ganha pouco mais de um salário mínimo montando materiais de escritório em São Paulo. Moram com quatro filhos -só um trabalha, mas quase não ajuda nas compras da casa.
Mesmo com o orçamento apertado, tem sobrado um pouco mais de dinheiro para incrementar o consumo da família.
No mês passado, depois de quitar as contas e providenciar os produtos para a alimentação, Lucinéia comprou três blusinhas e uma saia. Em outubro, havia comprado um rádio, que parcelou em seis vezes.
“O que eu uso mais em casa é arroz e feijão porque a nossa família é grande. Como estão mais em conta, às vezes eu compro um iogurte para as crianças, uma fruta ou uma bolachinha”, diz ela, que mora em uma casa de dois quartos equipada com micro-ondas, máquina de lavar, tanquinho, fogão, geladeira, TV e um DVD queimado, a ser trocado assim que sobrar dinheiro no fim do mês.

Efeito cascata
O diretor do Dieese destaca que as famílias que ganham menos são as que mais transformam renda em consumo, pois tendem a poupar menos. “Se o rendimento dessas famílias aumentar R$ 1, certamente elas vão gastar R$ 1 a mais. Esse é um mecanismo importante para dinamizar a economia.”
Lúcio ressalta que o salário mínimo tem efeito cascata, pois uma parte expressiva da população ocupada no Norte e no Nordeste recebe salários próximos ao valor mínimo. Benefícios sociais -como o valor base da aposentadoria -também estão atrelados ao piso salarial.
“No fundo, o brasileiro está com mais dinheiro no bolso e isso proporciona tanto bem-estar a curto prazo quanto mantém a economia girando”, diz Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas.

04/11/2009 - 14:51h Na contramão de outros países, salários no Brasil sobem mais

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Assis Moreira, de Genebra – VALOR

O Brasil é um dos poucos países onde os salários têm aumentado mais em termos reais, enquanto declinam na maior parte dos outros países, mesmo com os sinais de recuperação econômica global, avalia a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O crescimento mundial dos salários declinou de 4,3% em 2007 para 1,4% em 2008, em termos reais, com o corte das horas trabalhadas e pode ser ainda pior este ano, segundo estudo da entidade.

Foto Destaque

Já no caso do Brasil, a OIT calcula que o país registrou o maior crescimento real de salários entre oito dos países que fazem parte do G-20, e também fez um dos maiores aumentos no salário mínimo.

O aumento médio foi de 2,8% do salário real em 2008, enquanto o México ficou na lanterna, com queda de 3,5% no mesmo período. O salário mínimo teve o sétimo maior aumento na categoria entre os países examinados, com alta real de 6%.

Segundo a OIT, no primeiro trimestre o ritmo de expansão dos ganhos caiu no país, mas a situação se estagnou no segundo trimestre e se espera alta de salários de novo no segundo semestre.

“O Brasil está num círculo vicioso, as políticas econômica e social dão resultado e isso se reflete nos salários”, disse o economista Patrick Belser. Em entrevista à imprensa, ontem, em Genebra, a OIT colocou de fato o Brasil no centro da discussão, como um dos melhores resultados em meio à crise global.

Comparado com a média de 2008, a alta de salários mensais reais no primeiro trimestre deste ano caiu pela metade em mais de 35 países. Dados sobre o desemprego indicam que a pressão sobre os salários vai aumentar no futuro.

23/10/2009 - 09:53h Desemprego cai e renda aumenta

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25/09/2009 - 15:11h Gasto do pobre em um ano é igual ao do rico em três dias

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Agência Brasil, de Brasília – VALOR

No Brasil, o que um pobre gasta em um ano é o mesmo gasto por um rico – que faz parte de 1% da população – em três dias. A constatação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou ontem uma análise com base nos dados apresentados na semana passada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) relativa ao ano de 2008.

“Apesar de estar registrando desde 2001 queda da desigualdade social num ritmo realmente bom, o Brasil ainda é um monumento à desigualdade. Aqui, uma família considerada pobre leva um ano para gastar o mesmo que o 1% mais rico gasta em apenas três dias”, informa o pesquisador do Ipea, Sergei Soares.

Para medir o índice de desigualdade do país, o Ipea adotou o chamado Índice de Gini, que varia de zero a um. Quanto mais próximo de um for esse índice, menos justa é a distribuição de renda da sociedade. Em 2001, o índice de Gini no Brasil estava em 0,594. Desde então, vem caindo ano a ano, e chegou a 0,544 em 2008.

Sergei explica que mantendo essa tendência recente de redução da desigualdade registrada nos últimos anos, que em média foi de -0,007, “o Brasil levará 20 anos para chegar a um patamar que pode ser considerado justo”. Segundo ele, isso corresponde a um valor de 0,40 no índice de Gini. O pesquisador sugere que o governo “continue fazendo mais do mesmo”, estimulando programas como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo, além de investir em educação e incentivar a formalidade no mercado de trabalho.

“Para acelerar esse processo é necessário que façamos mais do que apenas olhar as coisas positivas que têm sido feitas. O indicado é que o país atue de forma a melhorar o sistema educacional e a reduzir a informalidade”, afirmou. “E, claro, isso envolve também medidas que objetivem também a redução da desigualdade racial e regional do país.”

De 2007 a 2008, a renda do trabalho foi “avassaladoramente” o fator que mais contribuiu para a redução da desigualdade social no Brasil, segundo o estudo do Ipea. “Se a gente escolher o período entre 2001 e 2008, veremos que as transferências promovidas pelo Bolsa Família e pelas aposentadorias vinculadas ao salário mínimo foram muito importantes para essa redução da desigualdade social no Brasil”, explica Soares. “Mas entre 2007 e 2008 isso mudou e, de forma avassaladora, a renda do trabalho passou a ser o principal responsável, correspondendo por cerca de 90% da queda da desigualdade social registrada no período”, completa.

O estudo do Ipea mostrou que o comportamento da renda do trabalho, quando diferente do valor salário mínimo, foi responsável por 75% da queda da desigualdade, enquanto o aumento do salário mínimo responde por uma queda de 16% da desigualdade.

Segundo o pesquisador, essas constatações são muito positivas, “porque depender apenas de transferências de renda para diminuir as desigualdades significaria um custo cada vez maior (para o Estado), do ponto de vista orçamentário”.

Sergei disse acreditar que quando saírem os resultados da Pnad 2009 – que contabilizará mais expressivamente os efeitos da crise no Brasil – , o Bolsa Família e tudo que está indexado ao salário mínimo voltarão a deter mais importância.

“Veremos, daqui a um ano, um efeito possivelmente ainda importante do mercado de trabalho. Mas veremos um efeito ainda mais importante das transferências do que vimos em 2008″, prevê o pesquisador.

22/09/2009 - 08:55h Programas sociais do governo Lula tiram 19 milhões da pobreza

Em 5 anos, 19 milhões saem da pobreza

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Agência Brasil, do Rio – VALOR


Cerca de 31 milhões de brasileiros subiram de classe social entre os anos de 2003 e 2008. Entre eles, 19,4 milhões deixaram a classe E, que traça a linha da pobreza no país, tendo a renda domiciliar inferior a R$ 768,00, e outros 1,5 milhão saíram da classe D (de R$ 768,00 a 1.114,00). Com isso, houve uma queda acumulada de 43% no grupo dos mais pobres nesse período.

Ao mesmo tempo, a classe AB, que representa o grupo com renda domiciliar mais elevada (superior a R$ 4.807,00), ganhou 6 milhões de pessoas. A classe C (renda familiar entre R$ 1.115,00 e 4.807,00), que reúne a maioria da população, recebeu 25,9 milhões de brasileiros nos últimos cinco anos.

A constatação faz parte de um estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com base nos dados de 2008 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), apresentada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o economista da FGV Marcelo Néri, responsável pelo estudo, esse movimento foi puxado principalmente pelas políticas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família, que traz como impacto direto a melhoria na renda do brasileiro pertencente à camada mais baixa. Ele acredita que as transferências de renda no momento atual de crise podem contribuir para a retomada da economia.

“Se eu reajusto o Bolsa Família, a grande beneficiária é a classe E. Se eu aumento o salário mínimo, quem mais ganha é a classe D. Já se faço reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo quem ganha mais é a classe AB”, diz Néri. “Por isso defendo mais reajustes transitórios ao Bolsa Família do que reajustes permanentes ao mínimo e ganhos de pensões acima do mínimo, que não beneficiam nem a classe média brasileira.”

06/07/2009 - 09:27h Poder de compra do mínimo sobe

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Sergio Lamucci, de São Paulo – VALOR

O gordo reajuste do salário mínimo e a queda da inflação levaram neste ano a um novo aumento do poder de compra de quem vive do piso no país. Na média de janeiro a maio, um mínimo equivalia a 1,89 cesta básica, mais que o 1,74 da média de 2008, segundo cálculos da RC Consultores. Essa melhora ajuda a explicar o desempenho razoável do consumo em 2009, sendo um dos fatores por trás da demanda firme por alimentos e bebidas, os principais produtos consumidos por quem recebe o mínimo. Nos quatro primeiros meses do ano, as vendas de super e hipermercados cresceram 6,2% em relação ao mesmo período de 2008, mais que os 4,5% registrados por todo o comércio varejista.

O salário mínimo subiu 12% neste ano, para R$ 465, chegando ao bolso dos beneficiados em março, um mês antes do que em 2008. Para completar, a inflação de alimentos e bebidas está cedendo, num cenário de desaquecimento da atividade econômica e preços de commodities mais baixos do que no primeiro semestre de 2008.

Para 2009, os analistas esperam uma alta bem mais fraca das cotações de produtos alimentícios. No ano passado, elas subiram com força, corroendo parte do poder de compra do mínimo. Segundo os números calculados pelo economista-chefe da RC, Marcel Pereira, o piso salarial do país, que em 2007 comprava o equivalente a 1,93 cesta básica, passou a equivaler ao já citado 1,74 em 2008.

O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, estima que o grupo alimentos e bebidas vai subir 5,2% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, bem abaixo dos 11,1% de 2008. “Essa é uma das principais fontes de alívio para a inflação.” Ele projeta alta de 4,5% para o IPCA em 2009 – no ano passado, o indicador subiu 5,9%.

A economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria Integrada, vê um tombo maior de alimentos e bebidas, apostando que esses produtos vão ter alta de 3,6% neste ano. Para o IPCA “cheio”, ela projeta variação de 4,1%. “No ano passado, houve um choque das cotações de alimentos por causa da alta dos preços internacionais, algo que não está se repetindo neste ano.”

A queda da inflação de alimentos beneficia especialmente a população de baixa renda, que gasta boa parte de seu salário com esses produtos, como nota Pereira. No Índice de Preços ao Consumidor – classe 1 (IPC-c1), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mede a inflação para quem ganha entre 1 e 2,5 mínimos, o peso da alimentação é de 39,62% na cesta de consumo. É um percentual bem superior aos 27,49% do IPC-BR, que analisa a evolução dos preços para quem recebe de 1 a 33 salários mínimos. Nos 12 meses até maio, a inflação de alimentos no IPC-c1 ficou em 4,95%, bem abaixo dos 12,14% registrados em 2008 inteiro.

Pereira diz que houve uma forte recomposição do poder de compra do salário mínimo nos últimos 15 anos. Em 1994, ano da implementação do Plano Real, um mínimo comprava menos de uma cesta básica – 0,88. De lá para cá, o piso salarial subiu 116%, descontada a inflação, afirma ele. “Com o plano, a garantia da estabilidade de preços permitiu uma recuperação de valor, o que teve papel fundamental na melhoria do poder de compra da população de baixa renda.”

No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998, o crescimento real do mínimo foi de 5,5% ao ano, ritmo que caiu para 3,9% no segundo, entre 1999 e 2002. No governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o mínimo passou a crescer a uma velocidade mais expressiva: 5,9% ao ano entre 2003 e 2006 e 5,8% entre 2007 e 2009. Com isso, o salário mínimo compra hoje quase duas cestas básicas, o que permite à população de baixa renda adquirir um número maior de produtos além dos destinados à alimentação.

06/07/2009 - 08:57h Crise reduz luta contra a pobreza no mundo. Não no Brasil

O GLOBO (clique na imagem para ampliar)

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03/06/2009 - 09:08h Governo garante 62% da alta da renda este ano, diz economista

Reajustes do funcionalismo público, do salário mínimo e do Bolsa-Família movimentam R$ 26,5 bi

 

Jacqueline Farid, RIO – O Estado SP

 

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/bolsa_familia/imagens/bolsa_familia.gif

Os aumentos do funcionalismo público, do salário mínimo e dos benefícios do programa Bolsa-Família deverão garantir 62% (R$ 26,5 bilhões) do acréscimo de R$ 42,9 bilhões no total da massa real de rendimentos no Brasil este ano, em relação ao ano passado. Esse reforço vai evitar um desempenho pior do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, segundo estudo do economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.

A situação é bem diversa da verificada no ano passado. Segundo o levantamento da MB, do aumento de R$ 83,5 bilhões na massa real de renda em 2008 ante 2007, somente 17% foram consequência de decisões tomadas pelo governo.

Este ano, dos R$ 26,5 bilhões de aumento da massa real de renda a serem garantidos por decisões do governo, R$ 500 milhões virão do Bolsa-Família, R$ 8,6 bilhões do aumento do salário mínimo e R$ 17,47 bilhões do reajuste do funcionalismo.

Segundo Vale, o aumento de renda impulsionado pelo governo garantirá a expansão de pelo menos 1,2% no consumo das famílias em 2009. Esse item representa 60% do PIB pela demanda, que inclui a Formação Bruta de Capital Fixo e o consumo do governo.

Vale é um dos economistas que preveem variação perto de zero para o PIB este ano. Segundo o último relatório Focus, o PIB em 2009 terá queda de 0,73%. A estimativa do governo é de aumento de 1%.

Os efeitos do consumo das famílias no desempenho da economia este ano serão mais acentuados no segundo semestre, já que “o grosso do aumento” do funcionalismo está programado para junho e o Bolsa-Família vai incorporar 500 mil famílias em agosto e mais 500 mil em outubro. Além disso, o valor do benefício também aumentará.

“Por isso, a MB tem a expectativa de estagnação do PIB e não de quedas muito fortes, pois os estímulos de renda devem dar suporte razoável ao consumo das famílias”, disse Vale. Ele explicou que a estimativa de aumento de 1,2% no consumo familiar é “um piso”, já que foi projetada levando-se em consideração apenas os aumentos do salário mínimo do funcionalismo e do Bolsa-Família.

Ainda de acordo com Vale, o segundo semestre mostrará o início do processo de recuperação da economia, que ocorrerá pelo aumento da demanda doméstica. “A política monetária expansionista já deverá começar a surtir efeitos no começo do semestre que vem e, de outro lado, por pior que seja a qualidade da política fiscal, ela tem potencial de mitigar em parte a queda da demanda, basicamente via aumento das transferências de renda”, afirmou.

CLASSE MÉDIA

Para o economista, no curto prazo está claro o efeito positivo dos acréscimos de renda determinados pelo governo. Mas ele alerta que as consequências podem ser nefastas no médio e longo prazos, já que geram aumento de gastos. “O governo optou pelo caminho mais fácil para estimular o consumo, mas não significa que seja o melhor”, disse. Segundo ele, o melhor caminho seria elevar os investimentos.

Segundo o estudo, os ganhos das classes média e média alta vão cair mais de dez vezes em 2009. “A classe média havia sido o fator crucial de aumento de renda em 2008, mas este ano o aumento de consumo dependerá essencialmente do salário mínimo, do funcionalismo e do Bolsa-Família”, disse Vale.

O estudo da MB estima que o crescimento da massa real de renda será de R$ 10,6 bilhões para a faixa entre dois e três salários mínimos e de R$ 1,4 bilhão para a faixa acima de 20 salários mínimos. Em 2008, a faixa de dois a três mínimos teve acréscimo de R$ 7,2 bilhões e a de mais de 20 salários, de R$ 19,4 bilhões.

“As classes média e média alta, que foram as estrelas do crescimento da massa de renda nos últimos dois anos, passam a crescer menos em 2009.” Segundo Vale, a mudança decorre, basicamente, da crise, já que a população nessa faixa de renda sofreu mais com o aumento do desemprego em 2009.

FRASE

Sérgio Vale
Economista-chefe da MB Associados

“Por isso, a MB tem a expectativa de estagnação do PIB e não de quedas muito fortes, pois os estímulos de renda devem dar suporte razoável ao consumo das famílias.”

20/05/2009 - 09:13h Apesar da crise, cai o número de pobres no País

Estudo do Ipea mostra que 316 mil brasileiros melhoraram de vida desde outubro do ano passado

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Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

O número de pobres caiu no Brasil nos seis primeiros meses da crise financeira global. Segundo Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse desempenho é inédito no Brasil, já que, nas outras grandes crises das últimas décadas, a pobreza subiu muito.

Dados apresentados por Pochmann no 21º Fórum Nacional, no Rio, com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 316 mil brasileiros saíram da pobreza nas principais regiões metropolitanas de outubro de 2008 a março de 2009. A linha de pobreza utilizada foi a de meio salário mínimo de renda familiar per capita.

A apresentação de Pochmann no Fórum somou-se às do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, para compor uma vigorosa defesa da reação do governo Lula à crise. O destaque dessa argumentação foi o aumento dos gastos públicos e a atuação dos bancos públicos para suprir o crédito para as empresas no momento em que as linhas internacionais sumiram e os bancos privados nacionais se retraíram.

“É a primeira vez que se continua a reduzir a pobreza, apesar da crise”, disse o presidente do Ipea. Segundo o estudo, o número de pobres aumentou 6,7 milhões na crise da dívida externa, em 1982 e 1983; 3,9 milhões no pico da hiperinflação e no Plano Collor, em 1989 e 1990; e 1,9 milhão na crise da desvalorização do real, em 1998 e 1989.

“De 80 para cá, esta é a primeira vez que estamos enfrentando a crise com políticas keynesianas”, disse Pochmann, referindo-se às recomendações do célebre economista britânico de se ampliar os gastos públicos para se sair de recessões muito agudas. Ele acrescentou que, nas crises passadas, a política econômica era pró-cíclica, e não anticíclica. As medidas aprofundavam a desaceleração econômica, em vez de tentar amenizá-la: “Aumentavam os juros, reduziam os gastos, reduziam os investimentos, o salário mínimo não crescia”.

Pochmann observou que hoje 35% da população brasileira está protegida por “garantias de renda que não dependem mais do mercado de trabalho”. Ele inclui aí a Previdência Social e os programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família. O aumento real do salário mínimo no período mais agudo da crise, por outro lado, está sustentando o mercado interno”, segundo o presidente do Ipea.

O elogio de Pochmann ao desempenho do governo Lula na turbulência global casou-se perfeitamente com a descrição negativa que o ministro Paulo Bernardo fez da forma como governos passados reagiam a crises. “Em todas as crises no Brasil, a primeira coisa (era que) o governo quebrava, depois pedia ajuda ao FMI e ao Banco Mundial, tinha que normalmente desabotoar o cinto, pelo menos, para não falar outra coisa, para conseguir ajuda, com um monte de condicionalidades, e jogava a conta para os mais pobres, com impostos indiretos.”

Agora, observou Bernardo, “o Brasil está resistindo melhor; o governo não quebrou, não aumentou impostos, não teve de fazer um pacote perverso de cortar gastos que deixassem seus problemas sem solução e os pobres não são aqueles que estão pagando a crise”.

19/05/2009 - 17:46h Número de pobres caiu no Brasil apesar de crise, diz Ipea. “Pela primeira vez na história do país, o pobre não está pagando a conta numa crise”

Portal O Globo – Reuters/Brasil Online

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Apesar da atual crise econômica global, cerca de 316 mil brasileiros saíram da linha da pobreza entre outubro do ano passado e março deste ano, segundo estudo divulgado nesta terça-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo a pesquisa, nesses seis meses, 315.921 brasileiros deixaram a condição de pobreza nas seis maiores regiões metropolitanas do país -São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.

Pelos critérios do Ipea, órgão ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, está abaixo da linha da pobreza quem tem rendimento domiciliar per capita menor que meio salário mínimo.

Segundo o Ipea, a taxa de pobreza nessas seis regiões em março deste ano ficou em 30,7 por cento, 1,7 por cento menor que a registrada em março do ano passado, o que representa uma redução de 670 mil pessoas na condição de pobreza.

“Pela primeira vez na história do país, o pobre não está pagando a conta numa crise”, disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que participou da divulgação do estudo.

Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a redução da pobreza durante a atual crise se deve à adoção de políticas anticíclicas pelo governo. Como exemplos, ele citou a ampliação de programas de transferência de renda e o reajuste neste ano de 12 por cento no salário mínimo, referência para a maior parte dos benefícios concedidos pela Previdência Social.

“De 1980 para cá essa é a primeira vez que estamos enfrentado a crise com políticas keynesianas”, disse Pochmann a jornalistas.

“Nas crises anteriores em vez de se ter políticas anticíclicas, nós aumentávamos os juros, reduzíamos os gastos, reduzíamos os investimentos e o salário mínimo não crescia”, acrescentou ao ressaltar que 35 por cento da população brasileira tem renda garantida independente do mercado de trabalho.

De acordo com o levantamento de outros períodos de crise, o contingente de pobres aumentava substancialmente no país.

Entre 1998 e 1999, por exemplo, o número de pobres avançou no Brasil em 1,9 milhão. De 1982 a 1983 a estimativa do Ipea é que a quantidade de pobres expandiu-se em 7,7 milhões nas seis maiores regiões metropolitanas e, na crise de 1989 e 1990, o número de pobres teve incremento de 3,8 milhões de pessoas.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

11/05/2009 - 09:08h Crise afeta menos a base da pirâmide

Beneficiadas pelo aumento do salário mínimo e do Bolsa Família, classes D e E ajudam a conter retração da economia

 

Paula Pacheco – O Estado SP

 


A crise abateu de formas distintas os brasileiros. Ao que parece, a população de menor poder aquisitivo foi a que menos sofreu. É o que dizem consumidores da base da pirâmide e empresários, segundo uma pesquisa do instituto LatinPanel. Entre os entrevistados, 30% da classe C afirmam que a crise afetou sua situação econômica, 28% se sentem abalados na classe A e 26% nas D e E.

A conclusão do estudo, segundo Ana Fioratti, diretora da LatinPanel, é que as classes D e E podem estar se configurando como a nova classe emergente. Desde 2007 é a faixa de consumidores que mais contribuiu para o crescimento da base de faturamento do varejo. Além disso, é a parte da população com menor comprometimento das finanças com dívidas.

As classes D e E correspondem a 42% da população brasileira e 34% dos consumidores. No Norte e no Nordeste, a participação chega a 61% da população e 52% do consumo. “Elas ganharam poder de compra. Para este ano, com a queda do valor da cesta básica, a previsão é que a tendência de aumento do consumo se mantenha. A conjuntura para esses consumidores é positiva”, avalia Ana.

Presidente do Banco Gerador, voltado às pequenas e médias prefeituras e empresas do Norte e Nordeste, Paulo Dalla Nora acompanha de perto a baixa renda. Convicto das oportunidades, lançou recentemente um cartão de crédito para as sacoleiras que se abastecem da produção têxtil da região de Caruaru (PE). “Quem compra dessas sacoleiras, que vendem calcinha a R$ 1, são as classes D e E, formadas por aposentados, funcionários públicos e beneficiados pelo Bolsa Família”, diz.

Segundo levantamento feito por Dalla Nora, cerca de 40% da renda nas regiões Norte e Nordeste está ligada ao Bolsa Família e ao salário mínimo. No Maranhão e no Piauí, por exemplo, 49% da população é beneficiada pelo Bolsa Família. “São pessoas que não tiveram queda de renda, ao contrário”, ressalta.

Desde 1º de fevereiro, o salário mínimo, reajustado em 6,4%, vale R$ 465. O aumento implica, segundo cálculos de especialistas, uma injeção de R$ 21 bilhões na economia. De acordo com o Ministério da Previdência Social, a alta do valor beneficia 25 milhões de trabalhadores formais e informais. Só entre aposentados e pensionistas, são 17,8 milhões de brasileiros. O reajuste pode elevar em até 0,2% o Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann diz: “Dificilmente outras categorias terão o mesmo volume de benefícios que as classes D e E, que contaram com o aumento do mínimo.”

Waldir Quadros, professor de economia da Unicamp, lembra que o recém-lançado programa habitacional do governo, Minha Casa, Minha Vida, deverá fazer parte da rede de proteção desses trabalhadores, porque tem como objetivo, além de diminuir o déficit de moradia, garantir a geração de emprego para a baixa renda.

BOLSA FAMÍLIA

Segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, “o esforço do governo em gerar proteção aos mais pobres não tem a ver apenas com a necessidade de atender a uma demanda social”. Há a dimensão econômica. Oferecer renda a esta parte da população garante a estabilidade econômica, “com a geração de emprego e a movimentação da economia”. Hoje 11,1 milhões de famílias estão no Bolsa Família.

Em abril, o presidente Lula assinou decreto para reajustar o limite máximo de renda das famílias que recebem o Bolsa Família. A partir de agora, podem se inscrever no programa as famílias com renda mensal per capita de até R$ 137. Antes, o valor teto era de R$ 120. Esta é a faixa classificada como em “situação de pobreza”. Também foi reajustada a faixa daqueles classificados como em situação de “extrema pobreza”, cujo teto passa de R$ 60 para R$ 69.

 

 

”Esta crise é de gente rica”

Paula Pacheco – O Estado SP

Em plena quarta-feira, o comércio de Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, não dá sinal de arrefecimento. Na loja de Antonio Cavalcante, a Toninho Móveis, Eliane Maria de Jesus Correia, pensionista que recebe R$ 600 por mês, compra uma mesa para computador. Dá entrada de R$ 20 e terá pela frente sete prestações de R$ 21.

Cavalcante, dono de três lojas de móveis em Paraisópolis, é todo sorriso. “Aqui a situação é cruel, mas não piorou por causa dessa tal de crise”, explica. Ele financia os clientes e cobra em média 10% de juro ao mês. Ao lado funciona o bar de Amilton da Silva. Alguma queda na venda da cerveja e da cachaça? Nenhuma. “O salário mínimo aumentou. Os aposentados estão ganhando mais e ainda tem o Bolsa Família. Reclamar do quê?”, diz Silva.

Raimundo Araújo, dono de supermercado, oferece marcas como Nestlé, Camil, Elma-Chips e Coca-Cola. E filosofa. “Esta crise é de gente rica. Por aqui as pessoas estão lascadas desde sempre. Nada mudou.”

16/04/2009 - 10:04h Lula quer salário mínimo de R$ 507 à partir do 1° de janeiro

Infografico do jornal AGORA

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Mínimo em 2010 pode ser de R$ 506,44

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA FOLHA SP

Enviado ontem ao Congresso, o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010 estimou as despesas considerando um salário mínimo de exatos R$ 506,44 a partir de 1º de janeiro do próximo ano, com reajuste de 8,9%. O mínimo atual é de R$ 465.

Se esse número se confirmar, o salário mínimo terá aumentado 153,22% desde que Lula assumiu a Presidência -em janeiro de 2003, ao tomar posse, o mínimo valia R$ 200.

Para a definição dos R$ 506,44, foi aplicada a regra seguida desde o ano passado: inflação acumulada mais a variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. No caso, o ganho real do salário seria equivalente aos 5,08% do crescimento econômico de 2008.

O valor provavelmente sofrerá alterações até entrar em vigor. O IBGE costuma revisar os cálculos da variação do PIB, a inflação até o final do ano pode ser maior ou menor do que o previsto e Lula pode tomar a decisão política de conceder reajuste maior -como foi feito no ano eleitoral de 2006.

Embora tenha sido seguida na segunda administração petista, a vinculação entre o reajuste do mínimo e a expansão do PIB não está fixada em lei.

Um projeto nesse sentido foi anunciado em 2007, no lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas tramita até hoje no Congresso Nacional.

31/01/2009 - 09:05h Mínimo de R$ 465 põe R$ 21 bi na economia

Aumento real de 6,39% beneficia 42,1 milhões de trabalhadores

Jacqueline Farid – O Estado SP

O reajuste do salário mínimo para R$ 465, que entra em vigor amanhã, vai injetar R$ 21 bilhões na economia a partir de março, segundo cálculo do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. De acordo com ele, o mínimo já subiu 46,05% no governo Lula e o novo aumento vai ajudar a aquecer o mercado interno, mesmo com a crise.

O aumento real do mínimo será de 6,39%. Segundo Lupi, esse aumento vai beneficiar 42,1 milhões de trabalhadores. “Essa é uma forte fonte de aquecimento da economia do Brasil e do mercado interno”, disse durante entrevista na sede do Ministério do Trabalho no Rio.

Segundo Lupi, o cálculo de quanto será o efeito do aumento do mínimo no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 ainda não está fechado, mas ele estima que estará em torno de 0,1 ponto porcentual a 0,2 ponto porcentual.

O salário mínimo registrou um aumento real de 46,05% desde o início do governo Lula, em janeiro de 2003, até o último reajuste, anunciado ontem, segundo contabilizou Lupi. Os aumentos reais (descontando a inflação), ante ano anterior, foram de 0,53% em 2003, subindo para 2,18% em 2004; 7,19% em 2005; 13,89% em 2006; 4,96% em 2007; 3,78% em 2008 e, por fim, 6,39% em 2009.

O aumento divulgado ontem foi garantido por Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula, já que o Congresso ainda não aprovou o projeto de lei encaminhado pelo governo em 2007 e que define a política para o mínimo até 2023. “Faço um apelo ao Congresso para que aprove logo o projeto”, disse o ministro.

O projeto em tramitação no Legislativo prevê que o mínimo será reajustado pela variação do PIB do ano anterior, somada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses, que foi exatamente a conta usada para o aumento definido para este ano.

SEGURO

Lupi disse que o ministério está estudando a criação de um seguro-emprego. “É um seguro focado no emprego, não no desemprego, que pretende garantir a empregabilidade”, afirmou.

O ministro não quis detalhar a iniciativa com o argumento de que a fase ainda é de estudos, mas adiantou que o seguro-desemprego permanece. Segundo ele, o seguro para o mercado de trabalho não pode focar apenas o desemprego no País.

19/01/2009 - 22:53h CUT: Lula define proposta de salário mínimo em R$ 465

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Presidente recebeu dirigentes sindicais

ISABEL SOBRAL, LEONARDO GOY E TÂNIA MONTEIRO – Agencia Estado

BRASÍLIA – O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique Silva, disse na noite de hoje que, na próxima quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará uma reunião com representantes dos bancos públicos e, possivelmente com algumas instituições privadas, para discutir o nível de juro e dos spreads bancários. Segundo ele, Lula deu a garantia aos sindicalistas de que, apesar do agravamento da crise, está mantido a política de concessão de aumento real ao salário mínimo. “Com isso, o salário mínimo deve chegar este ano a algo em torno de R$ 465″, disse o presidente da CUT. O salário mínimo atualmente é de R$ 415.

O presidente Lula confirmou aos dirigentes sindicais com os quais se reuniu hoje o Executivo está propondo ao Congresso um salário mínimo de R$ 465,00. Segundo participantes do encontro, Lula informou que convocará os governadores para conversar sobre a manutenção da redução do ICMS dos Estados por considerar importante essa medida para aumento do volume do capital de giro das empresas. De acordo com o relato, o presidente se mostrou muito preocupado com as perspectivas para a economia neste primeiro trimestre. Lula disse, por três vezes, que esse período é “muito delicado”.

De acordo com Arthur Henrique, o presidente Lula afirmou a ele e outros sindicalistas, com quem se reuniu nas últimas três horas, que o custo do crédito é a questão mais importante dos efeitos da crise financeira no Brasil. “O presidente Lula se mostrou muito sensível a essa necessidade de se reduzir os juros no Brasil”, afirmou Artur Henrique. Por fim o sindicalista acrescentou que o presidente Lula deverá se reunir no início de fevereiro com prefeitos e governadores para discutir as ações que as administrações regionais poderiam adotar para manter o ritmo crescimento econômico.

04/01/2009 - 11:53h Mercado interno segura a economia

Queda de preços de alimentos e reajuste do salário mínimo vão ajudar a atenuar efeitos da crise internacional

Márcia De Chiara -O Estado SP


O mercado doméstico vai atenuar a desaceleração da economia prevista para este ano. Executivos de indústrias dedicadas ao mercado interno estão bem mais otimistas com 2009 do que os exportadores. Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para medir o humor e as expectativas dos industriais.
De acordo com a sondagem, a confiança nos negócios para os próximos seis meses dos industriais especializados no mercado doméstico reduziu-se de forma moderada em novembro, enquanto a queda na confiança dos empresários dedicados à exportação – e da indústria como um todo – foi bem maior.

CENÁRIO

Segundo a pesquisa, 31% das 137 indústrias voltadas para o mercado interno trabalhavam, em novembro, com cenário melhor para os negócios até maio. Enquanto isso, só 3% das 68 empresas exportadoras estavam otimistas e 22% das 1.112 indústrias como um todo tinham a mesma expectativa.

Entre os empresários especializados no mercado doméstico, os mais otimistas são os fabricantes de cimento, embalagens metálicas, papel e artefatos para uso pessoal, produtos farmacêuticos e confecção e peças interiores do vestuário.

“Há mais indústrias especializadas em mercado doméstico acreditando que a situação será melhor em seis meses do que companhias exportadoras, apesar da desvalorização cambial que, teoricamente, seria um estímulo às vendas externas”, diz o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo.

CAPACIDADE DE PRODUÇÃO

O economista aponta outro indicador, o uso da capacidade de produção das fábricas, para reforçar a tese de que o mercado interno será o fiel da balança em 2009. De acordo com a sondagem, quem exporta pouco usava 83,4% da capacidade de produção das fábricas em novembro – uma taxa de ocupação semelhante à média registrada em meses de novembro dos últimos três anos. Já o grupo de exportadores ocupava 83% da sua capacidade de produção em novembro, um nível bem inferior à média de 88,2% registrada desde 1995.

Especialistas dizem que há uma combinação de fatores para justificar a maior confiança no mercado interno: reajuste do salário mínimo; inflação em queda e as medidas do governo para estimular compras – como o corte nos impostos na venda de veículos. Esses fatores devem sustentar o mercado interno, mesmo que o fantasma do desemprego volte a assombrar os brasileiros em 2009.

É o mercado interno, dizem os especialistas, que deve impedir uma queda maior do crescimento da economia. Em 2008, estima-se que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter crescido cerca de 5,8%. Para 2009, a projeção de mercado fica em torno de 2,5%. Se não fosse pelo forte consumo das famílias e pelos gastos do governo, provavelmente o País não escaparia de um ano de estagnação ou recessão, como se prevê nos países desenvolvidos.

“O mercado doméstico vai sustentar o crescimento da economia, só que em menores proporções em relação aos últimos anos”, afirma o sócio-diretor da RC Consultores, Fabio Silveira. Em 2008, o desempenho do mercado externo foi bom e do interno também. Para 2009, o mercado externo será fraco, em razão da crise mundial, e o interno ganha relevância, apesar de enfraquecido pela redução no nível de emprego, da oferta de crédito e do ritmo de consumo das famílias, explica.

SALÁRIO MÍNIMO

Para o sócio-diretor da LCA Consultores, Fernando Sampaio, o mercado doméstico terá desempenho melhor que o externo. “Entre os segmentos voltados para o mercado interno, o de produtos não duráveis (alimentos e artigos de higiene e limpeza) vai sofrer menos com a desaceleração porque tem demanda mais estável.”

Sampaio diz que a inflação, prevista para cerca de 5% em 2009, não deve corroer o poder de compra dos consumidores. Mais ainda: um terço dos brasileiros terá um reforço de renda acima da inflação porque tem os rendimentos calculados com base no salário mínimo. Pelas suas contas, o salário mínimo deve subir cerca de 12%.

Isso significa que o mínimo vai de R$ 415 a quase R$ 465. O acréscimo de cerca de R$ 50 provavelmente será gasto com alimentação, diz o economista, especialmente com maior consumo de carne de boi e frango.

O sócio da consultoria MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, diz que a redução dos preços dos alimentos, que começou em novembro, e o reajuste do salário mínimo devem contribuir para estimular o consumo, especialmente da população de menor renda.

06/07/2008 - 09:53h ”Economia não vai levar uma cacetada”

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Ministro fala em fim de um ciclo do capitalismo e diz que os países emergentes, sem desequilíbrios fiscais, importam inflação

Ribamar Oliveira – O Estado de São Paulo

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não tem dúvida da existência hoje de uma crise econômica mundial, que começou com a crise imobiliária dos EUA (o chamado subprime) e foi agravada pelo choque de preços das commodities. “Estamos no fim de um ciclo econômico capitalista. Neste momento, é preciso fazer ajustes e preparar um novo ciclo”, disse em entrevista ao Estado.

Nesse cenário, Mantega diz que o desafio dos países emergentes é “combater a inflação sem abortar o crescimento”. Para o ministro, o atual surto inflacionário resulta fundamentalmente do choque de preços das commodities agrícolas, metálicas e do petróleo.

O governo, alerta o ministro, já adotou medidas para desacelerar o crescimento, com o objetivo de evitar que a inflação contamine outros setores da economia, mas não vai derrubar o crescimento. “Não é para dar uma cacetada na economia, mas é para moderar a demanda, moderar o crescimento. Adequá-lo à nova realidade”, disse.

Segundo ele, se as medidas já adotadas não forem suficientes, o governo poderá anunciar outras. “Armamento não nos falta e o usaremos porque ninguém quer a volta da inflação”. Mantega admitiu que a inflação em 2009 também poderá ficar acima do centro da meta, como este ano, se o choque de preços continuar. “Se a gente conseguir não ultrapassar a margem de tolerância em nenhum momento eu me dou por muito satisfeito porque outros países já ultrapassaram”, afirmou.

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) diz que o mundo vive a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra. Alertou para o risco de uma estagflação. Qual é o seu cenário para a economia internacional?

O cenário para os países avançados é de estagflação mesmo (redução do crescimento e aumento da inflação). Nos EUA, a atividade econômica cai e a inflação sobe. A União Européia está com quase 4% de inflação. Ou seja, a inflação é maior do que o crescimento. É um cenário negativo. Mas existe uma nova realidade no mundo, que não havia nos anos de 1970. Agora temos países emergentes, que também estão sofrendo um surto inflacionário, mas mantêm um nível de crescimento. O grande desafio dos países emergentes, que têm dinamismo econômico, é combater a inflação sem abortar o crescimento.

Nos anos de 1970, diante de idêntico choque de petróleo e de outras commodities, boa parte dos países não fez o ajuste necessário. Esse erro do passado pode se repetir?

Acredito que não. A situação fiscal e das contas externas dos países era outra. Nos anos 70 havia um desequilíbrio fiscal na maioria dos países. Todo mundo vivia também com endividamento externo elevado. O Brasil estava acumulando uma dívida externa grande. Hoje, o cenário é distinto. A maioria desses países tem uma situação fiscal equilibrada. Portanto, a inflação não é originária de desequilíbrio fiscal.

Já se pode falar em crise mundial?

É uma crise mundial, não tenho a menor dúvida. Ela começou com a crise financeira do subprime nos EUA e engatou num choque de commodities. Estamos no fim de um ciclo econômico capitalista. Neste momento, é preciso fazer ajustes e preparar um novo ciclo. Na semana passada, o Banco Central Europeu aumentou a taxa de juro e os bancos centrais de vários países também já aumentaram. É que muitos países estão com taxa de juro negativa e não dá para funcionar assim. Certamente eles terão que fazer ajustes monetários e baixar a bola.

A situação brasileira é melhor do que outros países, mas a inflação voltou. É suficiente o que foi feito até agora ou o governo terá que adotar medidas mais fortes?

É difícil responder neste momento. Já tomamos várias medidas fortes. Já estamos praticando um superávit primário maior (a meta passou de 3,8% do Produto Interno Bruto para 4,3%). Em matéria de contas públicas, estamos tendo um desempenho melhor do que no ano passado. Isso significa reduzir a demanda do Estado. Os ajustes que estamos fazendo não são para abortar o crescimento da economia. Não é para dar uma cacetada na economia, mas é para moderar a demanda, moderar o crescimento. Adequá-lo à nova realidade. Isso significa uma ligeira desaceleração da atividade econômica.

Qual é a magnitude dessa desaceleração?

Um crescimento de 4,5% a 5%. A economia brasileira virou o ano passado crescendo 5,4% passando para 6%. Altamente acelerada. Nós tivemos que dar uma desacelerada. Aumentamos o superávit primário, que em geral tem uma eficácia grande, elevamos a taxa de juros, instituímos o compulsório sobre leasing de R$ 40 bilhões e aumentamos o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o crédito a pessoas físicas. O juro de longo prazo já subiu 3 a 5 pontos. O custo do capital já subiu.

Mas as expectativas inflacionárias continuam aumentando.

Existem coisas que não dependem de nós. Se o preço do petróleo sobe, se o preço da carne sobe, se o preço do trigo sobe, aí não tem jeito. Podemos subir a taxa de juros e fazer um superávit primário maior, que não acontece nada. O que nós temos que zelar é para que não haja um contágio. Se adotarmos medidas em excesso, é claro que derrubaremos a economia para além daquilo que é desejável.

O Conselho Monetário Nacional definiu a meta de 4,5% de inflação para 2010, mas a comunicação dessa decisão foi confusa.

O que ficou confuso foram as interpretações. O Bernard Appy (o então secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda) falou o menos possível. Ele disse apenas que a decisão do Conselho Monetário foi a de manter a meta de inflação de 4,5% em 2010.

Ele falou que o governo espera que a inflação convirja para 4,5% no máximo até 2010.

A gente tem que fazer sempre um esforço para fazer a inflação convergir para o centro da meta. Em 2008 não dá para convergir para o centro da meta…

E em 2009?

Então, nesse caso, o Banco Central tem que tomar medidas para impedir que haja um distanciamento do centro da meta. O fato é que nós temos razões para permitir esse distanciamento, que é o choque de commodities. Isso está na literatura da política de metas de inflação. O BC tem que buscar o centro da meta, porém, se houver um choque de oferta, e principalmente se ele for externo, o BC pode usar a margem de tolerância. Foi para isso que a margem foi feita.

O sr. não teme um processo de reindexação da economia? Esse processo não pode começar pelo salário mínimo, que vai passar a ser reajustado pela inflação passada e mais o crescimento do PIB?

Acho que o salário mínimo corre em raia própria e a sociedade está habituada com isso. Não se pode falar em indexação da economia a partir do salário mínimo. É um exagero. Agora, eu temo que haja um contágio da inflação em outros setores. Por isso que eu fiz um alerta de que não devemos ser alarmistas. Não é verdade que o dragão da inflação está de volta, que a indexação está de volta. Se nós todos falarmos dessa maneira, é capaz de voltar.

Mas o próprio governo não começou a indexação ao dar o reajuste para o programa Bolsa Família?

Não. O governo simplesmente corrigiu o benefício dado ao segmento mais pobre da população, aquele que está sendo mais atingido (pela inflação). O segmento mais pobre não está sofrendo uma inflação de 5,5%, que é o IPCA nos últimos doze meses. Ele está sofrendo 8,5%, 10% de inflação. Com uma inflação de alimentos, quem mais sofre é o assalariado de baixa renda porque ele utiliza uma parte expressiva de sua renda para adquirir alimentos.

O sr. não se preocupa de hoje não poder contar com o câmbio, com a valorização do real, para conter essa inflação?

A valorização cambial pode ser necessária em alguns momentos. Mas não é a melhor maneira de combater a inflação porque ela acaba desequilibrando as contas externas.

07/03/2008 - 09:04h Consumo de baixa renda ganha reforço de R$ 30 bi

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Álvaro Sant’Anna, presidente da Le Biscuit, que está expandido sua rede no Nordeste: “Qualquer aumento no salário mínimo vai direto para o varejo. foto Edson Ruiz

Cibelle Bouças – VALOR

A rede de varejo Le Biscuit, de Feira de Santana (BA) projeta expandir suas vendas em 40% neste ano. A empresa possui oito lojas na Bahia e uma em construção em Aracaju (SE). Em 2007, a empresa inaugurou duas lojas e espera implantar outras seis até 2010 no Nordeste. “A região cresce mais que o Brasil e qualquer aumento no salário mínimo vai direto para o varejo. O pessoal não poupa, gasta mesmo”, afirma Álvaro Sant’Anna, presidente da empresa.

A rede, que comercializa produtos de armarinho, utilidades domésticas, brinquedos e papelaria, já havia crescido 43% em 2007, graças ao reajuste do salário mínimo, segundo o executivo. “Grande parcela da população é pobre e, quando ganha mais, esse a mais se reverte em consumo”, afirma Sant’Anna. A Le Biscuit é uma das empresas de varejo voltadas às classes de menor rendimento que se beneficiam das políticas de renda, sobretudo no Nordeste.

Cálculos da consultoria MB Associados apontam para este ano aporte extra de R$ 30,2 bilhões na renda dos que recebem até um salário mínimo por mês (entre trabalhadores e aposentados) e mais o Bolsa Família. No total, a renda desta parcela da população irá a R$ 232 bilhões.

O aumento na renda, de 13,3%, refere-se aos reajustes no salário mínimo (que incluem a Previdência os empregados com carteira assinada) e no programa Bolsa Família. No ano passado, a renda gerada por essas fontes aumentou 12,6% em relação a 2006 e foi R$ 26 bilhões maior, alcançando R$ 204,7 bilhões. “Não esperava que as classes mais baixas teriam uma variação tão boa”, afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. Parte da surpresa vem do reajuste do salário mínimo, fechada neste mês em R$ 415, o que representou um aumento de 9,2%, com ganho de 4,7% acima da inflação. Havia expectativa de um reajuste menos expressivo que o de 2007, quando o salário foi reajustado em 8,76%, para R$ 380, com ganho real também próximo a 5%.

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07/03/2008 - 08:48h Classes populares acumularam ganho de R$ 118 bilhões em cinco anos

Denise Neumann – VALOR

Nos últimos cinco anos, as classes C, D e E acumularam uma renda extra de R$ 118 bilhões para o consumo. Esse valor é superior àquele incorporado, no mesmo período, pelas classes A e B, que ficou em R$ 75 bilhões, segundo cálculos da Data Popular, uma empresa especializada no consumidor de baixa renda. Os cálculos (diferentes dos feitos pela MB Consultores) estão baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) feita pelo Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), explica Renato Meirelles, sócio da agência de publicidade Avenida Brasil e do Data Popular. Por estas estimativas, as classes C, D e E possuem, hoje, uma renda total de R$ 550 bilhões.

Para Meirelles, três pilares têm sustentado o aumento do consumo popular: o aumento da oferta de crédito, o reajuste do salário mínimo acima da inflação e os programas de distribuição de renda, especialmente o Bolsa Família. Desde 1997, o salário mínimo acumulou um aumento de 280%, muito superior aos 147% de alta da inflação, diz Meirelles, acrescentando que no mesmo período os preços de alimentos variaram menos, permitindo um gasto proporcionalmente menor com alimentação. “A renda liberada para o consumo de outros bens ficou maior”, argumenta.

Para Meirelles, os programas de transferência de renda também geram um impacto que vai além do gasto das famílias beneficiárias com comida e outros bens. “Eles ajudam a criar um círculo virtuoso”, diz ele, explicando que o dono da “venda” onde a família se abastece de arroz e feijão passa a vender um volume maior de produtos e muitas vezes acaba empregando mais algum funcionário para dar conta da nova demanda.

Além dos programas de transferência de renda e do mínimo, Meirelles também destaca a importância do crédito para essa parcela da população. Dados coletados pelo Data Popular indicam que as classes C, D e E detém 67% do total de cartões de crédito do país. E a disseminação é grande: na classe C, 59% das pessoas possuem um cartão e na base da pirâmide (classe E), essa proporção já está em 44%.

A pesquisa do Data Popular considera, pra a estimativa da renda, uma parcela da população maior do que a contemplada nos dados da MB Associados, pois ao incluir a classe C, considera famílias com renda média até R$ 3,8 mil.

05/03/2008 - 22:01h 250 dólares!

VALOR

415 ÷ 1,66 = 250. Essa conta mostra um resultado, para dizer o mínimo, surpreendente. De acordo com ela, o novo valor do salário mínimo em vigor no Brasil desde primeiro de março último, que é de 415 reais, convertido pela taxa de câmbio definida na abertura do mercado em 4 de março, de 1,66 reais por dólar, corresponde a exatos 250 dólares. Isso faz com que o Brasil se alinhe, juntamente com o Chile, dentre os países com os mais altos pisos salariais registrados na América Latina da atualidade. Diante de número tão admirável, a pergunta que surge imediatamente é qual o seu verdadeiro significado, isto é, quanto desse valor expressa tão somente uma ilusão monetária, causada pela desvalorização do dólar aqui e mundo afora. A resposta é que, evidentemente, esse fenômeno joga um papel importante, mas está longe de ser a única razão para a disparada em dólar do valor do salário mínimo.

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02/03/2008 - 17:43h Salário mínimo e Cesta básica

O salário mínimo passou a R$ 415. Alguns comparam com o valor em dólar para mostrar o quanto este valor aumentou, mas esta comparação é pouco válida. O dólar caiu muito e o Real esta forte.

A comparação que me parece mais pertinente é a do poder de compra de cesta básica com o salário mínimo. Hoje o valor da cesta básica, segundo o DIEESE é de R$ 214,63 em São Paulo (a mais cara do país).

Veja a tabela da evolução do salário mínimo (SM) em seu poder de compra de cesta básica (CB).

Período FHC

Período Lula

Jan. 1995

Dez. 2002

Dez. 2007

Março 2008

Valor do SM

R$70

R$200

R$380

 

R$415

Número CBs

0,80

1,26

1,77

 

1,93

25/02/2008 - 13:42h Emprego vai aumentar para salário mais alto

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Fila para curso professionalisante no Nordeste

Cibelle Bouças – VALOR

O ano de 2008 se inicia com uma reversão no cenário de empregos no país. Em 2007, a expansão no saldo de postos de trabalho concentrou-se em profissões que pagam até dois salários mínimos por mês, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, compilados pela LCA Consultores.

Neste ano, aposta a consultoria, o mercado será mais generoso com profissionais de faixas salariais mais elevadas. Os dados do Caged de janeiro já sinalizaram o início da mudança. No mês, o saldo de novas vagas ficou em 142,9 mil, 0,49% acima do registrado no mesmo mês de 2007. O volume é o maior já registrado na série histórica do Caged para o mês. No acumulado de 12 meses, o incremento foi de 5,96%, com geração líquida de 1,65 milhões de postos de trabalho – outro recorde.

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30/01/2008 - 12:15h Taxa de desemprego deve seguir em queda


Sergio Lamucci – VALOR

A taxa de desemprego deve continuar em queda em 2008, atingindo 8,5% na média do ano, estimam analistas de consultorias e bancos. Em 2007, a desocupação ficou em 9,3%, a menor média anual desde que houve a mudança na metodologia da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), em março de 2002. A avaliação dominante é que o indicador seguirá em baixa por causa da aposta numa expansão ainda forte da demanda interna em 2008. O movimento não deve pressionar significativamente a inflação, dada a expectativa de aumento da produtividade e de maturação dos investimentos.
Magdalena Gutierrez/Valor

Fábio Romão, da LCA Consultores:a
umento da produtividade e a maturação de investimentos

tornam quadro mais favorável para controle da inflação

Os economistas do Bradesco vêem um quadro de melhora estrutural no mercado de trabalho. A expansão consistente da demanda eleva a confiança dos empresários, que se sentem mais seguros para aumentar o número de empregados. Um dos aspectos mais positivos da evolução recente do emprego é o avanço expressivo da formalização da mão-de-obra no país. “Considerando o setor privado, a expansão de vagas com carteira assinada foi, em média, 5,5% maior em 2007, enquanto o número de postos sem carteira assinada teve queda média de 2,8%”, escrevem os analistas do Bradesco. “A decisão de registrar um trabalhador envolve custos relevantes para as empresas, o que nos faz acreditar que a evolução benigna do emprego em 2007 reflete o clima de maior confiança em relação ao crescimento.” O Bradesco espera que a economia cresça 4,5% em 2008, menos que os 5,3% estimados para 2007, mas ainda assim um ritmo razoável.
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07/01/2008 - 08:30h Renda média familiar no Nordeste cresce 12%

Lavrador Do Sertão Nordestino
Valor

A região Nordeste foi a que apresentou o maior crescimento da renda média familiar entre os anos de 2005 e 2006 no país, atingindo 12%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A renda familiar média na região, que envolve salários e transferência de recursos de governo, subiu de R$ 676,64 reais para R$ 761,16. Já a renda disponível, referente aos valores que ficam efetivamente no bolso dos consumidores, teria aumentado 38% na mesma comparação.
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06/12/2007 - 08:59h A indústria levanta vôo


O desempenho geral da indústria vai surpreendendo até os mais otimistas.

por Celso Ming

Tendo como referência o mês de outubro, o crescimento acumulado do ano é de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%. São números carregados de conseqüência. Mas, antes, vamos às causas.

O próprio IBGE, o organismo encarregado dos levantamentos, identifica como fatores explicativos da boa expansão industrial o avanço do consumo interno (que tem a ver com o salto do crédito), o crescimento do investimento e a força das exportações.

Os últimos levantamentos dão conta de que o consumo geral cresce acima de 6% em relação ao que cresceu no ano passado. Mais provavelmente está hoje próximo dos 10%. A impressionante estocada das vendas de veículos (mais de 31% no ano até novembro) é boa ilustração disso.

O salto do consumo, por sua vez, está relacionado a três fatores: expansão do crédito às pessoas físicas, da ordem de 32,5% neste ano; aumento da renda real da população, puxada pelo reajuste de 8,6% do salário mínimo em abril; crescimento das despesas públicas, superior a 10% ao ano; e valorização do real (queda do dólar), que aumenta o acesso do consumidor às importações.
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