17/08/2012 - 09:28h Emprego volta a crescer acima de 2011

Por Carlos Giffoni, Thiago Resende e Murilo Rodrigues Alves | VALOR

De São Paulo e Brasília

O mercado de trabalho em julho reverteu o movimento de retração no ritmo de criação de vagas que marcou o primeiro semestre deste ano. No acumulado de janeiro a junho, a criação de vagas foi 25,9% menor que no primeiro semestre de 2011. No entanto, em julho, foram criados 1,37% mais empregos que no mesmo mês do ano passado. A indústria de transformação foi um dos maiores responsáveis por esse resultado. No primeiro semestre, o setor gerou cerca de 49% vagas a menos que em igual período de 2011. Em julho, o resultado se inverteu, com a geração de vagas crescendo 4,7% frente a julho do ano passado.

A economia brasileira criou 142.496 vagas formais em julho. No mesmo mês do ano passado, foram gerados 140.563 postos de trabalho. Pela primeira vez no ano, todos os Estados brasileiros contrataram mais do que demitiram no mês. São Paulo liderou o ranking dos Estados, com a criação líquida de 47.837 vagas. O resultado de julho veio acima da média das projeções apurada pelo Valor Data, de 102 mil novas vagas. No acumulado do ano foram gerados 1.232.843 postos de trabalho com carteira assinada. O salário médio de admissão caiu 0,71% em julho deste ano, na comparação com junho. O indicador registrou a média de R$ 1.011,54, frente aos R$ 1.018,77 registrados em junho.

Na avaliação do economista-chefe da corretora Convenção Tullet Prebon, Fernando Montero, o resultado do emprego se soma a outros bons indicadores econômicos, o que pode indicar uma recuperação da atividade. Ele cita as vendas em junho no varejo restrito e ampliado, que apresentaram crescimento de 1,5% e 6,1% na comparação dessazonalizada ante maio, respectivamente, e sua previsão positiva de emplacamento de veículos em agosto. “O emprego formal fica congelado em um cenário econômico ruim, porque é caro contratar e demitir no Brasil. Esses números podem indicar uma retomada no ânimo”, diz.

Caio Machado, economista da LCA Consultores, destaca o desempenho do setor de material de transportes dentro da indústria de transformação, onde houve um aumento no número de admissões na passagem de junho para julho (de 13.038 para 15.020) e uma redução no número de demissões (de 14.102 para 13.355). Com isso, o saldo do setor, que tinha sido negativo em 1.064 vagas em julho, tornou-se positivo em 1.665 vagas em julho. “Esse avanço, que também foi visto em outros setores industriais, pode ser reflexo das medidas de incentivo do governo. E isso pode ser um indicativo da produção industrial em julho”, avalia.

Os setores de calçados e têxtil, contemplados pela desoneração da folha de pagamento contrataram, respectivamente, 16% e 604% mais em julho deste ano do que em igual período de 2011. No caso de setor têxtil, foram 334 vagas novas abertas naquele mês de 2011 para um saldo positivo de 2.354 em igual período deste ano.

O resultado do emprego formal na construção civil em julho surpreendeu positivamente, diz Machado, da LCA. No Caged, a construção civil apresentou contratação líquida de 25.433 empregados no mês. A previsão da LCA estava em 9,8 mil vagas a mais no setor.

Contudo, a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Marzola Zara, vê essa forte criação de vagas em julho como um movimento pontual. “Ainda é cedo para dizer que o resultado muda a tendência de enfraquecimento do mercado de trabalho. Pode ser que alguns setores tenham adiado as demissões, mas esse não é um movimento com fôlego devido à atividade fraca”, avalia. Thais lembra que os benefícios tributários cedidos a alguns setores da indústria têm validade. “Não acredito que os empresários estejam contratando mais por conta dessas medidas.”

Para agosto, Rodolfo Torelly, diretor do departamento de Emprego e Salário do MTE, acredita num aumento ainda maior na geração de empregos. “Nossa expectativa é boa. No mês, há aumento de contratações no comércio, a indústria de transformação começa a se preparar para o Natal e, no setor de ensino, há novas contratações de professores para o início do segundo semestre letivo”, explica.

07/08/2012 - 08:23h Nas montadoras do ABC, acordo de 2011 garante ganho real este ano

Por Carlos Giffoni | VALOR

De São Paulo

Os metalúrgicos do ABC que trabalham nas montadoras de automóveis garantiram ganho real de 2,39% em 2012, segundo o acordo válido por dois anos que foi fechado na campanha salarial do ano passado. Dessa forma, a categoria está protegida de eventuais efeitos do arrefecimento no setor automotivo sobre a negociação salarial mais influente do país.

Cerca de 36 mil trabalhadores já têm esse índice garantido, de acordo com o sindicato da categoria – cuja base no ABC ultrapassa 105 mil pessoas. Com data-base em 1º de setembro, o sindicato está em negociação para que os demais grupos patronais, como de autopeças, fundição e estamparia, também conquistem o mesmo índice de aumento real.

Tradicionalmente, os acordos fechados entre os metalúrgicos nas montadoras são seguidos pelos demais setores patronais. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a proposta de ganho real de 2,39% já foi entregue e as negociações ocorrerão ao longo deste mês.

No ano passado, a categoria negociou aumento nominal de 10%, sendo 2,55% de ganho real. O acordo para o biênio estipulava 5% de aumento real para o período. Neste ano, o aumento nominal será menor, uma vez que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses, utilizado para deflacionar salários, recuou.

Enquanto em agosto de 2011 o índice estava em 7,39%, em junho deste ano o INPC em 12 meses acumulava alta de 4,91% – se mantido esse índice até agosto, o aumento nominal dos trabalhadores metalúrgicos em setembro ficará em 7,42%.

O acordo por dois anos, fechado em 2011, já considerava possíveis impactos da crise internacional no mercado automotivo. À época, o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, afirmou que esse ganho real imunizava a remuneração dos metalúrgicos de um provável arrefecimento da atividade do setor em 2012.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de veículos caiu 18% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2011. O desempenho foi puxado pelo setor de caminhões, que antecipou a produção no fim de 2010, devido à exigência do uso do motor Euro 5, mais caro, a partir deste ano.

Após um período de acúmulo de estoques, que bateram níveis recordes, o setor automotivo dá sinais de recuperação. Ontem, a Anfavea, entidade que reúne as montadoras instaladas no país, divulgou que as vendas de veículos subiram 18,9% em julho, atingindo 364,2 mil unidades – segundo melhor desempenho mensal da história.

Os números confirmam uma reação do setor após o pacote de incentivos à indústria anunciado pelo governo. Em maio, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da indústria automobilística foi reduzido. Na semana passada, contudo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não pretende estender a vigência do benefício, que acaba no fim deste mês. Desde o início de agosto, entretanto, o setor de autopeças conta com a desoneração da folha de pagamentos.

02/05/2012 - 08:45h Uma visão benigna do mercado de trabalho

Por Cristiano Romero – VALOR

O índice de desemprego, que vem caindo de forma persistente desde 2003, seguirá em queda neste e no próximo ano. Recuou, nas seis principais regiões metropolitanas, de uma média de 12,3% naquele ano para 6% em 2011. Isso, por si só, já é uma ótima notícia, mas a boa nova não para por aí. Ao contrário do que se imagina, o aquecimento contínuo do mercado de trabalho não representa neste momento um fator de risco para a inflação.

Iconoclasta, o economista Nilson Teixeira, com a ajuda de seu time de analistas do banco Credit Suisse, estudou os números do emprego por dentro e chegou a conclusões reveladoras. Seu trabalho derruba mitos, como o de que há escassez de mão de obra qualificada no país e de que o mercado de trabalho aquecido estaria aumentando os salários de forma significativa.

Uma das constatações de Teixeira é que o recente crescimento do emprego no Brasil tem alterado a composição da ocupação. “As pessoas têm migrado de ocupações informais e caracterizadas por baixa produtividade para outros setores que oferecem melhores condições de trabalho e produtividade mais elevada”, explica. “A redução do subemprego e a maior utilização de capital em algumas atividades são processos que estão elevando a disponibilidade de mão de obra na economia.”

Baixo desemprego ainda não traz riscos à inflação

De fato, as Contas Nacionais, apuradas pelo IBGE, mostram que, graças à mecanização, o percentual de trabalhadores ocupados na agropecuária caiu de 22,3% em 2000 para 17,4% em 2009. Isso liberou 833 mil trabalhadores para a indústria e o setor de serviços.

O Brasil é um dos países que mais têm trabalhadores na agropecuária. Entre os ricos, os que têm menos são a Inglaterra (1,4%), os EUA (1,5%) e a Bélgica (1,8%). Entre os emergentes, os que têm mais são a Indonésia (38,6%), Filipinas (31,1%), Turquia (23,7%) e Colômbia (17,5%). O contínuo processo de ganho de eficiência do agronegócio brasileiro tende a fornecer, portanto, mais trabalhadores a outros setores da economia nos próximos anos.

Outros fatores que têm reduzido o risco de escassez de mão de obra são a queda do subemprego e a menor participação da indústria manufatureira no emprego metropolitano. De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações dos microdados da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE, as ocupações que mais contribuíram para o crescimento da população ocupada entre 2003 e 2011 foram as dos profissionais de nível superior, trabalhadores de serviços administrativos, de atendimento ao público e do comércio.

No mesmo período, a participação do emprego na indústria de transformação caiu de 10,1% para 8,7%. Nas ocupações conhecidas como subemprego, como as de serviços domésticos, o recuo foi de 6,6% em 2003 para 6,2% do total em 2011. No caso de vendedores ambulantes e camelôs, a queda foi de 3,2% para 2,2%. O que está ocorrendo no Brasil é salutar: empregadas domésticas e camelôs estão conquistando empregos formais e de melhor qualidade.

“Esses resultados nos sugerem que, além da incorporação do estoque de desempregados, a oferta de trabalhadores no país pode ser elevada nos próximos anos pela mecanização da atividade agropecuária e industrial e pela redução do subemprego. Esses movimentos diminuem ainda mais o risco de a escassez de mão de obra se tornar um obstáculo à continuidade do ciclo de crescimento econômico”, observa Teixeira.

O economista do Credit Suisse acredita que a melhor maneira de medir pressões inflacionárias decorrentes do mercado de trabalho é verificar a evolução do salário real. Entre 2006 e 2011, enquanto a taxa de desemprego média anual recuou de 10,01% para 6%, o crescimento do rendimento médio real da população ocupada oscilou pouco em relação à média de 3,4% do período.

Teixeira cita o caso de Porto Alegre, onde o desemprego tem sido o mais baixo do país (4,4% em janeiro). A estabilidade dessa taxa nos últimos trimestres poderia indicar que a capital gaúcha estaria a pleno emprego e pressionando o custo da mão de obra. Não é o que mostra o rendimento médio real, cujo crescimento em 12 meses em Porto Alegre desacelerou de 7,2% em março de 2011 para 1,3% em fevereiro de 2012. No mesmo período, o ritmo de criação de empregos caiu de 4% para 2,3%.

Outro dado interessante: os salários que mais têm crescido no Brasil são os dos trabalhadores de menor renda e escolaridade. Entre 2006 e 2011, o aumento médio real dos rendimentos foi de 3,4% ao ano – 4% para os trabalhadores com até ensino médio e 0,7% ao ano para os que possuem ensino superior ou títulos como mestrado e doutorado. Em 2010 e 2011, o salário real dos que têm ensino superior recuou, respectivamente, 0,8% e 0,2%.

“Esse desempenho é incompatível com a ideia de que a expansão do mercado de trabalho está tornando os trabalhadores mais qualificados cada vez mais escassos. Pelo contrário, a proporção de trabalhadores com ensino superior ou mestrado e doutorado aumentou de 16,2% em 2004 para 21,1% do total em 2011″, diz Teixeira.

Os números também desmentem a tese de que o desemprego é menor entre os trabalhadores de maior escolaridade. É o contrário. Em dezembro de 2003, a composição do desemprego de 12,3% era assim: 4,9 pontos percentuais referentes a pessoas com mais de 11 anos de estudo; 3,3 pontos a quem possuía entre oito e 10 anos de estudo; e 4,1 pontos a quem tinha menos de oito anos de escolaridade. Em fevereiro deste ano, respectivamente, as participações no desemprego de 5,9% eram: 3,4, 1,4 e 1,1 pontos percentuais.

Conclusão: nos últimos nove anos, o recuo do desemprego foi muito maior entre os trabalhadores menos qualificados. O atenuante a esse fato é que o aumento dos níveis de escolaridade da população, um dado positivo, foi determinante para a concentração dos desempregados na faixa de pessoas com mais anos de estudo.

Teixeira e sua equipe acreditam que o Brasil crescerá apenas 2,5% em 2012 e 4% em 2013, com recuo do desemprego para, respectivamente, 5,8% e 5,2%. “De modo geral, os indicadores recentes e a perspectiva de crescimento moderado da atividade nos sugerem que é baixo o risco de elevação significativa da inflação advinda do mercado de trabalho nos próximos anos”, sustenta ele.

E-mail: cristiano.romero@valor.com.br

09/04/2012 - 10:11h Classe D agora tem plano de saúde e seguro de vida

A vez da classe D


A empregada doméstica Miriam Nascimento Prates, que recentemente subiu na pirâmide social brasileira: “Um dia quero comprar uma casa com piscina, mas antes de tudo tenho a preocupação de manter meu atual padrão de vida”


Por Karin Sato e Letícia Casado | De São Paulo

Sônia Gonçalves diz que não sabe “como vai ser o amanhã”. Na dúvida, guarda uma parte do dinheiro que recebe por seu trabalho regular como faxineira em escritórios e pelos “bicos” em residências depois do expediente e em seu dia de folga. A poupança vai engordando, mas vez ou outra, quando “a situação aperta”, ela tira R$ 100 da caderneta para fechar o mês sem dívidas, “já que é complicado fazer poupança e pagar contas recebendo salário mínimo”.

Para fazer seu pé de meia, ela não pede assessoria ao gerente do banco, pois tem muito tempo “para pensar na vida e fazer contas” durante a hora que passa dentro do ônibus para cruzar São Paulo e chegar ao seu trabalho. “Guardo R$ 100, R$ 50, depende de quanto dá no mês”, conta Sônia. “Às vezes não dá, mas sempre tento guardar um pouco porque sei que não gasto mais do que ganho”.

A paulistana Sônia, 53 anos, faz parte de um grupo de 4,2 milhões de brasileiros acima de 18 anos pertencentes à classe D que diz ter “algum dinheiro guardado para eventuais imprevistos”, segundo dados levantados pelo instituto Data Popular a pedido do Valor. Esse grupo de 4,2 milhões representa 21% dos adultos da classe D que vivem em áreas urbanas.

A segurança financeira é o principal foco de 43,1% dessas pessoas, seguida por realizar um sonho de consumo (29,5%), compras à vista (17%) e investir e obter rendimento (10,4%). A estimativa foi feita com base na análise de dados obtidos em um estudo realizado no último trimestre de 2011 com cerca de 18 mil entrevistados de todos os estados brasileiros.

Mauro Halfeld, professor de Finanças da Universidade Federal do Paraná e autor de livros sobre investimentos, relata que sempre escutou questionamentos sobre como pessoas que ganham um salário mínimo conseguem economizar. “Conheço gente com renda mensal de R$ 40 mil que está sempre endividada e pessoas muito simples que fazem hora extra, trabalham nos fins de semana e conseguem economizar. É uma questão de disciplina”, diz.

A pesquisa do Data Popular ajuda, portanto, a desfazer o mito de que para poupar é preciso ganhar bem. Para Halfeld, o resultado do levantamento pode ser explicado pelo fato de as pessoas terem hoje mais acesso a informações sobre finanças pessoais. “Quase ninguém falava disso dez anos atrás”, afirma.

Assim como Sônia, a empregada doméstica Maria Aparecida da Silva, 42 anos, começou a poupar e foi longe: há cerca de dez anos, comprou uma casa em sua cidade natal, Jurema, em Pernambuco. Hoje tem um salário bruto de R$ 900, dos quais de R$ 200 a R$ 300 são direcionados mensalmente à caderneta de poupança. Seu objetivo é comprar uma segunda casa, desta vez em São Paulo. “Estou morando com a minha irmã, mas quero morar na minha própria casa”.

A dedicação em sua vida financeira é reflexo de seu esforço pessoal. Maria Aparecida, que passou a infância colhendo grãos de café, não sabia ler quando se mudou para São Paulo, em 1999. Um dia, começou a relacionar as letras e sílabas aos nomes dos personagens das novelas, na tentativa de ler revistas de celebridades. Foi quando percebeu que entendia algumas palavras. A patroa notou seu interesse e decidiu ajuda-lá. Um ano depois, estava lendo até dois livros por semana. Hoje, cursa a 7ª série do ensino fundamental. “Não imaginava que um dia aprenderia a ler ou que compraria uma casa”, relata Maria. “Por mais que ganhe pouco, consigo comprar muito do que quero”, acrescenta.

Uma pesquisa divulgada recentemente pela Cetelem BGN, empresa do grupo BNP Paribas, realizada em conjunto com a Ipsos Public Affairs, mostra que há um grupo de pessoas da classe D que administra suas finanças de maneira cautelosa e tem mais acesso a bens e serviços que antes eram privilégio apenas das classes mais altas, como planos de previdência privada e de saúde.

Marcelo Neri, pesquisador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que os “sonhos de consumo” da classe D são, basicamente, serviços de empresas privadas que podem substituir os serviços públicos de baixa qualidade. “O que é subir na vida para a classe D? É ter uma vida melhor não só em termos materiais, como também ter mais segurança”, diz Neri.

A pesquisa da Cetelem BGN, chamada O Observador 2012, mostra que as classes D e E gastaram, em novembro de 2011, R$ 59 com previdência privada (média por família), mais que a classe C (R$ 51). A cifra indica um avanço em relação a 2010, quando a classe D não investiu em previdência complementar. Houve também um aumento nos gastos com seguros, em igual período, que passaram de R$ 5 para R$ 21. O estudo foi feito com base em 1.500 entrevistas domiciliares com 334 famílias das classes A e B, 810 da classe C e 356 das classes D e E.

Segundo Marcelo Neri, da FGV, essas classes vêm sendo beneficiadas nos últimos anos pelo reajuste do salário mínimo. Neste ano, o consumo das classes D e E deve ser estimulado pelo aumento de 14,13% do mínimo.

O coordenador do Comitê do Critério Brasil na Abep (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa), Luis Pilli, ressalta que a classe D constitui hoje 15,2% dos domicílios do país, porém nas capitais do Nordeste esse percentual sobe para cerca de 25%. “A típica família da classe D tem uma renda familiar que ronda os R$ 710, ainda direciona cerca de 30% do orçamento para alimentação, possui aparelho de televisão, geladeira, mas dificilmente tem um carro. Em parte desses lares, já há máquina de lavar”, diz.

A expectativa dos pesquisadores é de que a classe D, que desde 2005 tem diminuído de forma consistente, continue a recuar nos próximos anos, com o crescimento da chamada nova classe média, formada pela classe C.

Miriam Nascimento Prates, que trabalha desde os 15 anos de idade como empregada doméstica, é uma das brasileiras que recentemente subiu na pirâmide social. “De três anos para cá, minha vida melhorou, embora não do jeito que gostaria”, relata a faxineira de 43 anos, mãe de três filhos. “Pretendo montar meu próprio negócio, um restaurante”, diz.

Hoje, Miriam conta com uma renda bruta mensal de R$ 1,6 mil. Em sua casa própria, em um bairro da zona sul de São Paulo afastado da região central, há dois aparelhos de televisão, TV a cabo, máquina de lavar e um computador “que não funciona direito”.

Depois de 22 anos sem viajar “nem mesmo para o litoral sul de São Paulo”, Miriam relata emocionada que, em meados do ano passado, foi à Bahia. “Tenho muitos sonhos. Um dia, quero comprar uma casa com piscina. Mas, antes de tudo, tenho a preocupação em manter meu atual padrão de vida”, afirma.

Classe D agora tem plano de saúde e seguro de vida

Por Letícia Casado e Karin Sato | VALOR

De São Paulo

Até pouco tempo atrás, era impensável ver famílias da classe D contratando um plano de saúde ou uma empregada doméstica. Mas hoje isso já acontece. Elis de Oliveira, 36 anos, por exemplo, paga R$ 150 por mês para uma vizinha ajudá-la a cuidar de sua filha de dois anos. Ela trabalha seis vezes por semana limpando escritórios, ganha um salário mínimo e arca sozinha com gastos com a babá, já que é mãe solteira. A sorte, diz ela, é que não paga aluguel, porque mora na casa de sua mãe.

A população de baixa renda está gastando mais com itens antes acessíveis apenas às classes mais altas, revelam os dados da pesquisa do Cetelem BGN, braço do banco francês BNP Paribas. Por exemplo, em novembro de 2011, as famílias das classes D e E destinaram em média R$ 49 à assinatura de TV a cabo ante R$ 68 da classe C, R$ 300 para empregada doméstica ante R$ 114 da classe C, R$ 152 para combustível ante R$ 102, R$ 157 para educação ante R$ 171 e R$ 101 para convênio médico ante R$ 76.

O incremento da procura por esses serviços por parte de brasileiros da base da pirâmide está ligado ao aumento da renda da população e ao nível de empregabilidade no país, diz Luciana Aguiar, antropóloga e sócia-diretora da Plano CDE, consultoria que estuda a população de baixa renda. “A classe D com emprego formal deve estar pagando o seguro-médico junto com o patrão. Além disso, é comum também as famílias contratarem um plano quando um parente enfrenta problemas de saúde”, diz a executiva.

Ela conta a experiência que teve ao visitar uma família da classe D em Recife (PE). Na casa, moram quatro pessoas: pai, mãe e dois filhos, um deles com asma. “Eles contrataram um plano para o filho asmático. O outro, quando ficava doente, ia ao sistema público de saúde ou a clínicas de periferia, que cobram R$ 40 pela consulta, por exemplo”, relata. “Se o crescimento [da contratação de planos de saúde por famílias da classe D] está acontecendo, merece certo destaque. Esse público tem dificuldades de pagar as contas com certa recorrência”.

De fato, essa expansão está acontecendo. Segundo uma pesquisa do instituto Data Popular feita à pedido do Valor, estima-se que 4,4 milhões de pessoas da classe D possuam plano de assistência médica. O número corresponde a 9,3% dos brasileiros dessa camada social que vivem em áreas urbanas. As mulheres são a maioria, com 57,2%.

“O acesso aos empregos formais possibilitou à Classe D, através de planos empresariais, a contratação de seu primeiro plano de saúde, que na maioria das vezes, é direcionado aos filhos. Conhecendo as vantagens desse benefício, esse brasileiro faz propaganda para o vizinho, que hoje em dia já busca por planos populares com preços que caibam no seu bolso. Para ele, fugir da fila do SUS é um grande alívio”, explica Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular.

Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida, afirma que o mercado de seguros-saúde para classes populares está crescendo a passos largos: só no ano passado, a empresa ampliou a carteira de clientes em 21%. A operadora cearense, focada nas classes C e D e que possui forte presença nas regiões Norte e Nordeste, registrou um aumento de 15 mil para 85 mil clientes individuais somente na Bahia, entre 2010 e 2011.

O Grupo Bradesco Seguros também está investindo em produtos para a classe D. Por exemplo, o Primeira Proteção Bradesco, um seguro de vida por morte acidental com parcela mensal de R$ 3,50 lançado em janeiro de 2010, atingiu cerca de 1,5 milhão de apólices vendidas em março, dentre as quais 65% correspondem a indivíduos da classe C e 35% da classe D, explica Eugenio Velasques, diretor-executivo do Grupo Bradesco Seguros e presidente da Comissão de Microsseguros e Seguros Populares da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSeg).

Para desenvolver os produtos para a baixa renda, pesquisadores do Grupo Bradesco moraram em casas de famílias das favelas de Heliópolis, em São Paulo, e da Rocinha, no Rio de Janeiro, durante seis meses. Eles concluíram que o principal temor dos moradores desses locais era não ter dinheiro para pagar as contas (56%). Em segundo lugar, com 30%, ficou o medo de acidente que levasse à morte.

Velasques acredita que as famílias da classe D têm potencial para serem grandes consumidoras de microsseguros. “Estudos mostram que há uma forte correlação entre o crescimento do crédito e o consumo de seguros”, avalia. “Para a classe D, é muito importante proteger qualquer patrimônio e melhora de vida conquistados. Quanto maior tiver sido o esforço para conquistar, maior será a vontade de preservar”, diz.

A classe D também apela cada vez mais ao crédito. Um indício disso é que do total de unidades já entregues pelo Programa Minha Casa Minha Vida, 49,9% foi destinada a famílias com renda de até R$ 1 mil, segundo a Caixa Econômica Federal.

Anibal Fernandes, diretor-executivo da Rede Banorte, banco com forte atuação no Nordeste, relata que os empréstimos consignados para essa camada têm dobrado ano a ano na rede. No ano passado, 80% do volume emprestado foi direcionado a famílias com renda mensal inferior a R$ 1 mil. “Na maioria dos casos, trata-se do primeiro empréstimo”, diz. “Além disso, 50% desses tomadores adquiriram no banco seu primeiro cartão de crédito.”

Maria José da Conceição, 48 anos, moradora de Recife (PE), está entre esses tomadores de primeira viagem. “Tomei um empréstimo consignado no valor de R$ 2,5 mil para reformar minha casa. Estou muito feliz. As parcelas são de cerca de R$ 150 e consigo pagar com o que recebo das faxinas que faço de segunda a sexta. Aos sábados e domingos, lavo carros”, conta.

01/03/2012 - 10:25h Renda que mais cresce é a do empregado doméstico

A ex-diarista Rosângela Dantas, na loja de material de construção da família: “Não tem mais como voltar atrás”


Por Arícia Martins | VALOR

De São Paulo

SÃO PAULO – Em uma economia que caminha rumo à formalização, a renda que mais cresceu em nove anos é justamente a do trabalhador com menor nível de registro em carteira: a dos serviços domésticos. Entre dezembro de 2002 e igual mês de 2011, o rendimento real desse tipo de ocupação cresceu 38%, maior variação entre os sete grupos de atividade pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e quase o triplo do aumento médio de 13% nas seis principais regiões metropolitanas do país.

Mesmo com a alta expressiva, o salário médio do empregado doméstico ainda é o menor de todos os segmentos da economia analisados pelo IBGE. Em janeiro de 2012, de acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), era de R$ 669,70, equivalente a apenas 28% da renda de um ocupado na administração pública – R$ 2.300, a maior entre os sete setores.

Para especialistas, a política de valorização do salário mínimo – que indexa os rendimentos nos serviços domésticos e mais que triplicou em termos nominais desde 2002 – impulsionou os ganhos desse trabalhador. Além disso, um número cada vez menor de pessoas dispostas a atuar no ramo, em um cenário de mercado de trabalho apertado e expansão da escolaridade, também aumenta o poder de barganha das domésticas: segundo dados do IBGE, em 2011, 94,8% dos ocupados no setor eram mulheres, e apenas 5,2%, homens.

“Já havia um vetor de valorização dessa renda via mínimo. Com a formalização e o crescimento econômico, abriu-se a possibilidade para que essas pessoas trabalhem com carteira assinada, em ramos que não exigem muita qualificação, principalmente no comércio e em serviços”, diz Fabio Romão, da LCA Consultores.

Dados da PME corroboram a explicação: enquanto a população ocupada cresceu 21,3% entre 2003 e 2011, o emprego nos serviços domésticos avançou apenas 10,8% no período, menor variação de todos os segmentos pesquisados. Em 2003, 7,6% da população ocupada estava no segmento. Em 2011, o número caiu para 6,9%, ou 1,5 milhão de pessoas, fatia menos expressiva dentre os empregos pesquisados pelo IBGE.

Rosângela Dantas chegou a ganhar R$ 1.700 em um mês como diarista, mas abandonou o trabalho em casas de família para se tornar microempresária. Desde setembro de 2011, ela administra com o marido uma pequena loja de materiais de construção em Itapevi, cidade da Grande São Paulo, onde mora.

Há três anos, a ex-diarista, de 44 anos, já havia tentado deixar o serviço doméstico para cuidar do negócio familiar – que existe desde 2007 -, mas como as contas de casa não fechavam, teve que voltar a ser doméstica temporariamente. “Eu estava sem capital de giro, mas agora estamos firmes. Não tem mais como voltar atrás, porque a clientela aumentou muito”, conta Rosângela, que também já foi dona de casa e costureira.

Ela estudou até a oitava série e agora pretende fazer cursos técnicos no Senai para gerir melhor seu negócio. Também incentiva os quatro filhos a ter bom desempenho na escola. A mais velha, de 22 anos, está se graduando em contabilidade e vai ajudar os pais na loja quando se formar.

Naercio Menezes Filho, professor associado da FEA-USP e coordenador do Centro de Políticas Públicas, do Insper, aponta que, além da escassez de oferta, o aumento da renda da população faz com que a procura por esse tipo de profissional também suba e pressione os salários. “A demanda está aumentando muito e a oferta caminha em sentido contrário”, movimento que, no entanto, ainda não foi suficiente para que o rendimento dos serviços domésticos ultrapasse o de algum outro setor da economia, diz ele.

“A maioria das trabalhadoras está no setor informal e, como a renda partiu de um nível muito baixo, não consegue atingir a de outras ocupações”, explica Menezes Filho. Poucas delas saíram da informalidade, de acordo com o IBGE: em 2003, 64,8% não tinham registro em carteira, número que caiu para 61,4% no ano passado.

Para Luiz Scorzafave, professor do Departamento de Economia da FEA-USP-Ribeirão Preto, a pouca instrução é um fator estrutural por trás da remuneração menor dos serviços domésticos, profissão que, historicamente, não tem o mesmo status de outras ocupações. A escolaridade dos ocupados nessa área melhorou em nove anos, mas segue baixa em relação a outros profissionais. Em 2011, 56,4% dos trabalhadores domésticos tinham oito anos ou menos de estudo – em 2003, esse percentual chegava a 69,7%.

Dependendo da evolução da oferta e da demanda, sustenta Menezes Filho, é possível que a renda desse segmento ultrapasse a de outro setor da economia já no curto prazo. Como reflexo dessa escalada, as pessoas terão de fazer elas mesmas suas tarefas domésticas ou, como ocorre em países desenvolvidos, a demanda será suprida por estrangeiras. “Já acontece isso no Brasil, mas vejo mais como casos isolados do que tendência por enquanto”, diz ele.

Romão, da LCA, espera que a diferença entre o rendimento do empregado doméstico com relação a outras ocupações continue diminuindo, mas, segundo ele, é difícil imaginar uma renda maior que a média para esse trabalhador, devido à baixa qualificação. “A relação entre instrução e renda não é direta, mas existe.”

(Arícia Martins | Valor)

16/01/2012 - 08:58h Salário maior e mais empregos formais reduzem jornada de trabalho no País

De 2000 a 2010, 5 milhões de pessoas deixaram de trabalhar mais de 9 horas por dia; porcentual caiu de 44% para 28%, segundo o IBGE

15 de janeiro de 2012

Luiz Guilherme Gerbelli e Rodrigo Burgarelli, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O brasileiro passa cada vez menos tempo no trabalho. Dados do Censo 2010 revelam que o porcentual das pessoas que trabalham mais de 45 horas por semana caiu quase pela metade em uma década. Em 2000, 44% dos trabalhadores do País passavam mais tempo que isso no serviço, número que baixou para 28% em 2010. Isso significa que, em números absolutos, 5 milhões de pessoas deixaram de trabalhar mais de 9 horas por dia.

O número impressiona ainda mais quando se leva em conta que mais de 20 milhões de brasileiros – o equivalente a toda população da Grande São Paulo – ingressaram no mercado de trabalho nos últimos dez anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao mesmo tempo, cresceu a proporção de pessoas que trabalham menos de 14 horas por semana – o salto foi de 3% para 8,3% do total da população economicamente ativa, um ganho de 5 milhões de trabalhadores. A maior parcela da população tem uma jornada semanal que varia entre 40 horas e 44 horas.

A redução da jornada de trabalho nos últimos anos está diretamente ligada ao aumento real no salário do brasileiro – hoje, ganha-se mais por hora trabalhada que em 2000 – e também à formalização do mercado de trabalho. A porcentagem de trabalhadores com carteira assinada pulou de 36% para 44% entre 2000 e 2010 – na contramão, os funcionários sem carteira de trabalho caíram de 24% para 18%. “A formalização do trabalho regula a jornada de trabalho e a hora extra. A empresa ou o empregador vão evitar de pagar hora extra, portanto, vão reduzir a jornada para o que é oficial”, diz Arnaldo Mazzei Nogueira, professor doutor da FEA-USP e PUC-SP.

Pizza. Isso aconteceu, por exemplo, com grande parte dos entregadores da pizzaria Dídio, da Lapa. A profissão era bastante informal no início da década, mas pouco a pouco mais vagas com carteira assinada foram surgindo. Hoje, na Dídio, todos os entregadores trabalham em horário definido, com direito a férias e 13.º. “Dá uma tranquilidade que eu não tinha alguns anos atrás, quando trabalhava em outra pizzaria, não tinha hora para sair e ainda ganhava menos que aqui”, conta Eduardo Evangelista Nunes, de 50 anos.

No Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, os trabalhadores com carteira assinada já são maioria da população. Mas alguns Estados ainda mantém um baixo contingente de profissionais com carteira de trabalho. Um exemplo é o Maranhão, onde apenas 20,8% são registrados. “Ainda há um grande contingente de trabalhadores sem regulação e que pode estar trabalhando jornadas insuportáveis”, lembra Nogueira.

Mulheres. O mercado de trabalho mais feminino, tendência da última década, também colaborou para reduzir a jornada. A diferença da participação entre homens e mulheres em postos de trabalho caiu de 20 pontos porcentuais para apenas seis em dez anos. “As mulheres costumam trabalhar menos horas do que os homens e a inclusão delas deve ter reduzido a média de horas semanais”, afirmou Regina Madalozzo, professora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

No Piauí, Paraíba e Ceará, a mão de obra feminina já supera a masculina. Os outros Estados do Nordeste também lideram a porcentagem de mulheres no mercado. “Isso ocorreu por causa da melhora econômica da região, urbanização e expansão dos serviços e comércio”, analisa Nogueira. O professor lembra que essa redução da diferença entre gêneros não reflete uma igualdade salarial. Levantamento de maio do ano passado, também do IBGE, mostrou que o salário médio da mulher é 20% menor que o do homem.

Qualificação. Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, outro fator que pode ter influenciado a redução da jornada de trabalho foi o aumento da quantidade de pessoas que divide o dia entre trabalho e estudos, de olho numa melhor qualificação. “Pode ser que essas pessoas tenham diminuído um pouco a carga de trabalho para poder ter mais tempo de estudo.”

A formalização e o aumento da idade média dos trabalhadores deverá se acentuar nas próximas décadas. A perspectiva do País de se tornar a quinta maior economia do mundo até 2015 deverá exigir, sobretudo, um aumento da capacitação dos trabalhadores. “A palavra mais importante nos próximos anos será capacitação. O País vai precisar de pessoas capacitadas e qualificadas”, afirma Regina.

10/03/2011 - 11:56h Sem mão de obra, setor calçadista paga reajuste de 11%

VALOR

De São Paulo

O cenário de reajustes salariais mais modestos devido à combinação de inflação mais alta e atividade mais moderada não chegou a Sapiranga, no Rio Grande do Sul, tradicional reduto da indústria de calçados femininos no Estado. Os mais de 22 mil trabalhadores do setor na cidade gaúcha tiveram seus salários reajustados em 11% no mês passado – uma alta de 4,5% acima da inflação.

O acordo é um dos maiores conquistados pelo Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga desde 1986, quando o grupo ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) venceu pela primeira vez as eleições. O reajuste, porém, não será facilmente absorvido por todas as companhias. Um empresário afirmou à reportagem que o reajuste terá impacto de 7% no custo da folha salarial de sua empresa.

Segundo Leandro dos Santos, secretário de formação do sindicato dos trabalhadores, o acordo e, principalmente, o salto entre os reajustes conquistados em 2010 e 2011, ocorreu porque os empresários não estão conseguindo encontrar trabalhadores na quantidade que precisam. “A produção está crescendo muito e está faltando trabalhador”, diz Santos. De acordo com o sindicalista, a cidade de Sapiranga e a região do Vale dos Sinos, famoso polo produtor de calçados femininos, está assistindo a um retorno “em massa” das pessoas que deixaram a região nos últimos anos.

Quando a valorização do real se aprofundou, a partir de 2005, ao mesmo tempo em que o desembarque de manufaturados chineses se acelerava, regiões como o Vale dos Sinos, famosos por concentrar fabricantes de bens tradicionais – como calçados e vestuário – sofreram com o fechamento de empresas e o “êxodo” de trabalhadores para outras cidades e serviços. “Isso começou a mudar no fim de 2009, mas se acelerou muito no ano passado”, diz Santos, “mas ainda não temos mão de obra para oferecer às empresas na quantidade que elas precisam”.

O Valor conversou com cinco empresas da cidade. Todos confirmaram o elevado reajuste salarial concedido, mas apenas um empresário aceitou falar sobre o assunto, sem, no entanto, se identificar. O empresário, diretor de uma grande indústria do setor em Sapiranga, afirmou que as empresas estão pressionadas. “O ritmo da demanda interna está muito acelerado, deixando as fábricas próximas do limite para atender os pedidos”, diz ele, que teme, no entanto, uma “leve reversão” na economia ao longo do ano. “O crescimento não virá mais na proporção de 2010, o próprio governo se esforça para reduzir o ímpeto. Se o ritmo cair mesmo, ainda que não drasticamente, ainda teremos de honrar uma folha de pagamentos inflada por esse enorme reajuste de 11%”, afirma.

Para Santos, as negociações deste ano foram “uma das mais fáceis em muitos anos”, uma vez que, segundo o sindicalista, os empresários ofereceram reajuste de 2,5% acima da inflação logo na primeira reunião. “Como falta mão de obra, não há inflação que atrapalhe os planos dos empresários”, diz ele.

Segundo Rogério Dreyer, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), o acordo em Sapiranga “será assunto” em todo o país. “Todas as negociações no setor falarão dele, mas a verdade é que cada região tem uma realidade salarial”, afirma Dreyer, para quem o reajuste salarial de 11% deve ser entendido sob a perspectiva regional. “Nem todas as empresas de Sapiranga conseguirão absorver os custos novos, então isso [o reajuste] pode não ser passado à frente em todo o país”, diz. (JV)

27/02/2011 - 08:45h Dinamismo do Nordeste sustenta emprego

Mesmo com a crise, saldo líquido de postos formais de trabalho na região cresceu de 2008 para 2009

- O Estado de S.Paulo

A dificuldade enfrentada pelas empresas para encontrar mão de obra nas regiões mais distantes está estampada no saldo da geração líquida dos postos formais de trabalho.

Enquanto o saldo de postos formais de trabalho no País como um todo caiu mais de 30% de 2008 para 2009 por causa da crise, nas Regiões Norte e Nordeste houve crescimento de 40% e de 12% no mesmo período, respectivamente, segundo dados do Ministério do Trabalho, elaborados pela LCA Consultores.

Expurgado 2009, que foi o ano da crise, Fabio Romão, economista da LCA, observa que houve alta generalizada no País do saldo líquido de empregos formais de 2008 para 2010, mas as elevações mais expressivas ocorreram justamente no Norte e no Nordeste.

De 2008 para 2010, a Região Nordeste registrou alta de 87% no saldo líquido de empregos formais e na Região Norte esse número mais que triplicou. Enquanto isso, o Sudeste, a região mais dinâmica do País, teve aumento de 35% no saldo.

Também foi no Nordeste que o salário real médio de admissão teve a maior alta de 2009 para 2010, de 5,70%, e superou a média nacional no período, de 4,78%.

Além da valorização do salário mínimo, que é a base de renda da região, Romão aponta outros fatores que explicam a escassez de mão de obra. O Nordeste, por exemplo, diz ele, recebeu várias empresas, tanto do setor industrial como varejistas que foram em busca de mercado numa das regiões do País que mais crescem nos últimos tempos.

Já no Centro-Oeste a dinâmica é diferente. A alta de preço das commodities agrícolas impulsionou as empresas ligadas ao agronegócio.

19/01/2011 - 09:45h Problema bom

Celso Ming – O Estado de S.Paulo

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, está comemorando mais um recorde: a criação de cerca de 2,5 milhões de empregos novos com carteira assinada em 2010, tal como apontado por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Dia 27, o IBGE, que mede o nível de ocupação no Brasil (e não apenas as relações de trabalho), deverá confirmar essa forte melhora na situação do emprego. Em novembro, o desemprego já havia desabado para 5,7%. Em dezembro, mês em que normalmente mais gente é contratada para dar conta do aumento da demanda das festas de final de ano, esse número deve ter melhorado. Os dados do Caged acusaram em dezembro o aumento de 58 mil novas vagas em relação às existentes em novembro.

Nada menos que 39,9% ou 1 milhão de postos de trabalho foram criados no setor de serviços. Enquanto isso, o comércio contribuiu com outros 602 mil e a construção civil, com 329 mil (veja o Confira). É natural que a indústria perca espaço como grande contratadora. Foi e está sendo assim nas economias mais desenvolvidas e é inevitável que aconteça também no Brasil. Isso não significa que o País esteja sendo atacado pela desindustrialização, como insistem alguns dirigentes do setor.

E é preciso prestar mais atenção ao que está acontecendo nos serviços. Até mesmo especialistas em Política de Trabalho continuam presos por padrões do passado que atribuíam à indústria a criação de empregos de mais qualidade. Há um grande número de atividades novas ganhando corpo na informática, na assistência técnica, segurança, turismo, moda e educação física. A área de telemarketing, por exemplo, tem apenas 30 anos e, no entanto, emprega, somente no Estado de São Paulo, 400 mil pessoas. É um segmento ainda em fase incipiente, marcado pela alta rotatividade e por salários relativamente baixos, que, no entanto, passa por forte expansão.

O governo conta com a criação de mais 3 milhões de postos de trabalho em 2011. É cedo para garantir o sucesso dessa meta, porque as projeções apontam para alguma freada na atividade econômica. Ainda assim, em 2011, o PIB deverá crescer algo em torno dos 5%. Parece inevitável que o nível de quase pleno emprego seja mantido. Somente a Petrobrás está anunciando 14 mil novas vagas até 2014 com concurso público. Ela tem hoje 77 mil funcionários.

A boa fase na área do emprego tem dois custos. O primeiro deles é mais geral. Um nível de desemprego inferior a 7% no Brasil deixa de ser neutro na formação de preços. Isso quer dizer que tende a pressionar por aumentos salariais acima dos índices de produtividade da economia.

Já faltam engenheiros, pedreiros, eletricistas, soldadores, mecânicos e tantos profissionais mais. A escassez de mão de obra deve aumentar e acrescentar mais custos à atividade econômica. As empresas não terão outra opção senão a de recrutar pessoal nas camadas de mais baixa qualificação. Em consequência disso, esbarrarão em outra enorme deficiência do País que é a baixa qualidade do ensino e a falta de níveis médios de capacitação. É o que levará a um aumento inevitável dos custos com treinamento e preparação.

Em todo o caso, se há um bom problema para ser resolvido é esse aí: o de escassez de mão de obra.

CONFIRA

Empregos com carteira assinada criados em 2010

O gráfico mostra como se distribuiu a criação de empregos no Brasil ao longo de 2010. Veja o que está acontecendo no setor de serviços.

Steve Jobs

Parece importante sinal dos tempos o que aconteceu no noticiário econômico dos jornais brasileiros de ontem. A matéria publicada por todos eles e que apareceu com mais ênfase foi o afastamento, por licença médica, do presidente da Apple. O fascínio provocado pelo iPad e pelas novas engenhocas eletrônicas passou a exigir que fatos dessa ordem sejam objeto de amplas análises.

10/10/2010 - 11:23h ”O que faz a grande diferença agora é ter pós-graduação”

Naércio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper

O Estado de S.Paulo

O avanço das matrículas no ensino superior está fazendo com que o impacto da graduação no salário do brasileiro seja cada vez menor. A chamada “taxa de retorno” do curso superior está em queda. Para cada R$ 1 que o profissional graduado ganhava em 1992, ele recebe hoje R$ 1,13. Em 2005, último ano em que registrou crescimento, esse valor era R$ 1,18. “Enquanto isso, temos acompanhado a valorização da pós-graduação”, diz o professor. Nessa entrevista, ele explica também como a população mais pobre conseguiu aumentar o nível de escolaridade.

Até que ponto é possível relacionar o aumento da renda do brasileiro à educação?

Durante muito tempo, nas décadas de 60 e 70, a escolaridade ficou estagnada. A partir do final dos anos 80, começa a evolução. Como os mais ricos já estavam com escolaridade bastante elevada, o aumento foi impulsionado pelos mais pobres. Em 2009, tínhamos 40% da população com 22 anos de idade completando esse nível de ensino. Em 2001, esse porcentual não chegava a 25%. É um avanço bem rápido.

O que impulsionou esse avanço?

Tudo começou com a Constituição de 88. Ela estabeleceu um porcentual mínimo de gastos dos municípios. Depois, vieram os programas como bolsa-escola e bolsa-família, que fazem com que as crianças permaneçam na escola até 14 anos. A partir de 2008, os fundos de desenvolvimento do ensino fundamental e básico permitiram que municípios pobres recebessem mais recursos, de acordo com o número de alunos. Tudo isso fez com que mais brasileiros chegassem ao ensino médio. E o Prouni, que concede bolsas em universidades particulares, fez a ligação com o ensino superior.

O impacto na renda é o mesmo do início da década?

No caso da graduação, tem caído. Em 2009, uma pessoas ganhava R$ 2.487, enquanto quem tinha só o ensino médio tinha renda de R$ 1.108. Em 2002, essa diferença era de R$ 2.871 para R$ 1.206. É a lógica da economia: oferta e demanda. O que faz a grande diferença agora é ter pós-graduação: o ganho é de 4,3 vezes no salário em relação a quem é apenas graduado. É importante lembrar que esses dados são médias e não refletem a situação em todas as profissões. No campo das exatas, por exemplo, onde oferta de cursos e matrículas não registraram tanto crescimento, retorno segue em alta.

27/09/2010 - 08:32h ‘Demos os pobres ao mercado. É hora de dar o mercado aos pobres’

Marcelo Neri defende mudanças no Bolsa-Família, o fim dos aumentos reais do salário mínimo, microcrédito e microsseguro para os que deixam a pobreza

Fernando Dantas/RIO – O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA

Um dos principais arautos dos fortes avanços sociais brasileiros em termos de renda e queda da desigualdade nesta década, o economista Marcelo Neri vê grandes oportunidades e grandes riscos para o próximo governo. Diretor do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, Neri detalhou, em dezenas de trabalhos ao longo dos últimos anos, a grande redução da pobreza e a emergência da classe C, a nova classe média popular.
O economista vê o progresso recente como a resultante de uma década e meia de boas políticas econômicas e sociais, iniciadas com o Plano Real, que afetaram principalmente a renda do trabalho – mais importante para a queda da desigualdade e da pobreza do que as transferências sociais. Ele defende mudanças no Bolsa-Família, e, de forma polêmica, o fim dos reajustes reais do salário mínimo.

Para Neri, depois de “dar os pobres aos mercados”, como consumidores, é hora “de dar os mercados aos pobres”, o que significa “tratá-los como protagonistas de sua história, e menos como sujeitos passivos, receptores de transferências de dinheiro público”. Para ele, é preciso “dar asas” ao potencial produtor dos pobres, com programas como microcrédito e microsseguro. Neri também alerta contra a ideia de que o Estado pode tudo. Uma lição errada, na sua opinião, a ser tirada da crise global. A seguir, a entrevista.

Quando começa a grande melhora social brasileira?

Quando se analisam as séries sobre pobreza, sobre a nova classe média, verifica-se que há um primeiro salto importante no Plano Real. A pobreza teve uma queda grande, de mais de 20%, em dois anos. O fim da inflação trouxe estabilidade para se planejar o futuro. Em 2003, foi iniciado um processo semelhante, que, em seus dois primeiros anos, foi parecido com o que houve no Real. Só que, dessa vez, o processo continuou, e atingiu uma magnitude duas vezes e meia maior do que a do Real.

E o que explica esse avanço?

Por um lado, a redução da desigualdade: ela vem caindo, no Brasil, desde 2001. Por outro, a volta do crescimento a partir de 2004, com geração de emprego, especialmente de emprego formal. Acho que o “Real do Lula” acontece quando se junta a redução da desigualdade com a volta do crescimento. Aí vem uma redução mais forte na pobreza, um aumento da classe C. E vem também sustentabilidade política, porque as pessoas de renda mais alta também estão melhorando. É diferente do período entre 2001 e 2003, quando a desigualdade caía, mas com a economia estagnada. Aí, os pobres ganhavam, mas o topo perdia. E houve ainda, com o Lula, o que considero um novo choque de estabilização da economia, não em relação à inflação, mas à manutenção dos contratos. Havia uma aposta contra, os indicadores de risco dispararam. E aí veio o choque de confiança, que ajuda no investimento e na contratação de mão-de-obra.

Quais são os números mais emblemáticos desse processo de melhora?

Em primeiro lugar, a redução da pobreza. Foi uma queda quase pela metade, de 45,5%, de 2003 a 2009. A meta do milênio é de reduzir em 50% em 25 anos. Portanto, o que fizemos é quase 25 anos em seis. Já a classe C, que é olhar um pouco mais acima na distribuição, tem um aumento mais ou menos de 29 milhões de pessoas no mesmo período. Se somar as classes A, B e C, são 35 milhões de novas pessoas ingressando na classe média, mesmo com o ano de crise em 2009. Em relação à desigualdade, a renda dos 10% mais pobres cresceu em termos reais, em seis anos, algo como 7% ao ano, o que não está muito distante do ritmo do milagre dos anos 70, enquanto os 10% mais ricos cresceram 1,5%. Os mais pobres estão tendo um crescimento quase cinco vezes maior do que os mais ricos. Isso provoca essa forte redução da pobreza.

E em 2010?

Bem, a última PNAD foi a de 2009, mas eu diria que o melhor momento é exatamente agora, como se pode ver em outras bases de dados. Foram gerados 1,95 milhão de postos de trabalho em oito meses do ano, e eu diria que vai a 2,2 milhões com alguma facilidade. Isso não é só o recorde da série, mas o recorde com folga. A distância do recorde deste ano em relação ao recorde anterior vai ser o número de empregos que se gerava a cada ano – vai ser o diferença só da mudança de patamar. O Brasil gerava de 600 mil a 700 mil empregos formais por ano, até 2003, em 2004 dobrou o patamar, e agora estamos indo para outro nível. Não sei se será mantido, mas, este ano, em que se gera pouco emprego formal no mundo, como se vê nos países desenvolvidos, estamos batendo nosso recorde.

A pobreza e a desigualdade caíram por causa dos programas sociais?

Eles ajudaram, sem dúvida, mas o grande destaque é a renda do trabalho. Basicamente, 70% do aumento de renda média, e 2/3 da redução da desigualdade no Brasil desde 2003 se deve à renda do trabalho. No Nordeste, que seria a terra dos programas sociais, a chamada economia sem produção, a renda do trabalho e a renda total crescem na mesma taxa, ou seja, há algo mais sustentável no Nordeste do que se pensa.

Por que isso está acontecendo?

Provavelmente as pedras fundamentais foram colocadas lá no Plano Real, que deu estabilidade para o governo e para as empresas, e proporcionou as condições de se pensar o futuro, uma agenda mais estrutural, e, inclusive, se pensar em colocar todas as crianças na escola. Os resultados que vemos hoje têm por trás um longo período de boas políticas econômicas e sociais, e o Plano Real talvez tenha sido o momento inicial desse processo.

A educação está ligada ao aumento da renda do trabalho?

Sim. Nós tínhamos 16% das crianças de 7 a 14 fora da escola em 1990, em 2000 esse número já tinha caído para 4% e agora está em 2%. Então, à medida que essas crianças, que eram adolescentes nos anos 90, chegaram ao mercado de trabalho, com a inflação baixa, a sociedade sabendo que não viria mais um plano econômico maluco para embaralhar as cartas, a economia começou a produzir esse crescimento chinês na base da distribuição. Houve abertura da economia, estabilização, reforma meia-sola da Previdência, privatização. Isso traz custos imediatos mas, em prazo mais longo, a economia ganha competitividade. E as próprias crises dos anos 90 obrigaram o Brasil a fazer o dever de casa, com ajuste fiscal, o Proer, que deu solidez ao sistema bancário, etc.

Como o sr. avalia o governo Lula na área social?

Bem, a primeira coisa a ser dita é que a trajetória do Lula coincidiu com a trajetória dos pobres do Brasil. Ele criou uma relação com as pessoas, que projetam no líder o que está acontecendo na vida delas. Se Getúlio é o pai dos pobres, o Lula não é o pai dessa nova classe média, ele é a classe média, ele a representa e simboliza. O melhor exemplo de ascensão social no Brasil é o próprio Lula. Ele tem uma capacidade de comunicação fora do normal, e com isso ele blinda o seu governo contra qualquer ataque. Em termos de política social, acho que ele foi intuitivo, aprendeu rápido e deu as respostas corretas.

Poderia especificar melhor?

O governo Lula começou com o pé esquerdo na área social. O Fome Zero era uma colcha de retalhos, não tinha uma lógica. Mas Fome Zero acabou virando um slogan e o governo Lula foi o maior programa de treinamento no emprego já realizado – eles aprenderam muito rápido! Em outubro de 2003 já haviam lançado o Bolsa-Família. O Lula viu as contas, percebeu que o Bolsa-Família custava barato e resolveu botar ficha. O Bolsa-Escola e o Bolsa-Alimentação são o embrião original do Bolsa-Família, mas o Lula pegou para si essa bandeira e lhe deu escala.

Na educação a história não é a mesma.

Na educação há um processo que começou lá no Saeb, em 1995, e no qual o governo Lula botou mais ficha, fazendo o Prova Brasil, para levar a todas as escolas públicas avaliações de qualidade. De início, todo mundo era contra, porque já tinha o Saeb, hoje se viu que o novo programa tem metas, tem transparência. Na educação, como na desigualdade, a gente olha muito a fotografia, que ainda é péssima. Mas, para influenciar os indicadores, inclusive de emprego e renda, o que interessa é a mudança,

Mas a qualidade de educação não continua estagnada num nível muito baixo?

Não dá para comparar nível de proficiência quando se tinha 16% crianças fora da escola, e, hoje, quando se tem 2%. A gente está avaliando quem não era avaliado, e é natural que houvesse uma queda. E agora a nota voltou ao nível de 1995, com todo mundo na escola, e já se começa a notar uma melhoria. A boa notícia é que já sabemos quão ruim é a nossa escola. Temos avaliações de todas as escolas públicas de dois em dois anos. Hoje, a escolaridade média avança e já temos metas traçadas para a qualidade, seja pela sociedade civil, seja pelo governo federal. Essa, aliás, deveria ser a grande agenda dos próximos dez anos.

Por falar em agenda, qual deveria ser a próxima etapa na área social?

Como disse, o mais importante é a educação de qualidade. Já temos as metas, queremos chegar em 2022 como nível que a OCDE tinha em 2005, que é o nível das nossa escolas privadas. No mais, eu acho que, nos últimos anos, a gente deu os pobres para os mercados, criando essa nova classe média. Foi o que manteve as rodas da economia girando, durante a crise, quando o problema era falta de demanda. E creio que chegou a hora de inverter os termos desse processo e dar os mercados aos pobres.

Pode explicar melhor essa virada?

Dar mercado aos pobres significa tratá-los como protagonistas de sua história, e menos como sujeitos passivos, receptores de transferências de dinheiro público e de crédito ao consumo, consignado aos benefícios. O lado produtor foi reforçado nos últimos anos, como já vimos, mas é preciso dar asas ao potencial dos pobres. Concretamente, falo de temas como o microcrédito e o microsseguro. O microcrédito é o crédito produtivo popular, fundamental para o espírito empreendedor da baixa renda. O Crediamigo (do Banco do Nordeste), que cobre 60% do mercado nacional de microcrédito, gera aumento de lucro de seus clientes, como empresas informais de fundo de quintal, mercearias, etc, de 13% ao ano. Para seus clientes, a probabilidade de quem era pobre sair da pobreza em 12 meses é 60% contra 2% da probabilidade do movimento em sentido contrário. Mas dar mercado aos pobres inclui também agendas de transporte, segurança e sobretudo educação, incluindo a profissional. E ter também políticas de demanda, de acesso a mercados consumidores, com cooperativas, comércio eletrônico, compras governamentais, etc.

Como vê o futuro do Bolsa-Família?

Acho importante a discussão – que ainda está muito acanhada – sobre o Bolsa-Família 2.0. Penso que se pode dar ainda um pouco mais de escala ao programa, aumentar o número de pessoas, com um custo-benefício, em termos fiscais, muito baixo. Agora, o Bolsa-Família, na verdade, é uma grande plataforma, um caminho pavimentado na direção dos pobres. Por meio do Cadastro Único, é possível montar programas específicos para qualquer localidade, e fazer política para os pobres fica muito fácil. A gente sabe quem são os pobres, onde moram, sabe o endereço bancário. Temos uma tecnologia, que custa pouco, para dirigir a eles melhores serviços sociais, educação, saúde, assistência, crédito.

O que se poderia mudar no programa?

Acho que também se poderiam criar prêmios por notas, cobrar desafios maiores para essas famílias pobres. O aluno vai ganhar mais se ele melhorar de nota. Não é, claro, pelo nível da nota, porque assim os menos pobres iriam ganhar – o que importa é a mudança de nível da nota. Outra linha de aprimoramento do Bolsa-Família, cujo debate não vai para a frente no Brasil, é o de tirar o desincentivo ao trabalho inerente ao programa. Nos Estados Unidos, há um mecanismo pelo qual uma pessoa que obtém um emprego não perde um determinado benefício de forma total, de forma a preservar o incentivo a buscar trabalho. Finalmente, é preciso blindar o Bolsa-Família em relação ao mercado eleitoral. As pesquisas mostram que a pobreza sempre cai em ano de eleição, e sobe, ou cai muito mais lentamente, no ano seguinte.

Como o sr. analisa o papel do aumento real do salário mínimo na redução da pobreza?

Estudos que fizemos na década de 90 mostram que, logo depois do Real, o aumento do salário mínimo de R$ 70 para R$ 100 foi responsável por boa parte a redução de pobreza. Foi uma queda instantânea, logo em maio de 95 caiu 11%. Isso aconteceu porque o salário mínimo era muito baixo, e pegava os pobres. Mas, ao longo dos anos, o salário mínimo foi aumentando de valor, tendo dobrado em termos reais desde 2000. Hoje em dia, esses efeitos positivos de redução de pobreza e de desigualdade foram perdidos, o que os dados mostram com clareza, numa análise mais minuciosa, como a dos aumentos de 2005 e 2006. Não é que a pobreza não caiu, é que tem de olhar com lupa para ver o efeito sobre as pessoas que são afetadas pelo mínimo.

O que o sr. faria em relação ao mínimo?

Acho que deveriam parar de aumentar o salário mínimo em termos reais. Porque as pessoas já não são mais pobres. Quem recebe um salário mínimo, ou quem tem na família alguém que recebe um mínimo, já não é mais pobre, por definição. Com um salário mínimo de R$ 510, você está fazendo política para a classe C, no máximo D. E o que a classe C precisa é de mais acesso a mercado. É a classe E que precisa necessita de ação do poder público, e o Bolsa-Família é o caminho para isso. Eu daria toda a ênfase ao Bolsa-Família, e riscaria os reajustes do salário mínimo. Eu sei que quem fala disso apanha à beça, mas faz parte…

Quais são, na sua opinião, os maiores riscos à trajetória de avanços sociais no País?

Existe o risco externo, já que o mundo virou um lugar bastante perigoso. Mas acho que o País dispõe, hoje, de bons fundamentos macroeconômicos e essa nova classe média ajuda, porque consegue manter uma demanda interna importante. Aqui dentro, o maior risco é a complacência, é achar que já conquistamos alguma coisa, é desperdiçar oportunidades. Corremos o risco de não enxergar quais são os nossos méritos e deficiências e seguir uma agenda descolada da realidade. Um grande erro da política social, por exemplo, é investir demais na terceira idade.

Por quê?

Quando se dá reajuste real para o salário mínimo, que impacta as aposentadorias, o problema não é só o de criar um gasto permanente. É um gasto crescente, na verdade, porque a proporção de idosos está aumentando na população. Então hoje em dia temos um gasto em Previdência com relação ao PIB equivalente ao dos países europeus, sem sermos ricos como eles, e sem ter uma população idosa como eles. Quando chegarmos lá, vamos ultrapassar os gastos previdenciários da Europa. A gente trata os idosos como pobres, e isso é nonsense, porque eles já não são mais pobres. A taxa de pobreza das crianças é seis a sete vezes maior do que a dos idosos. No Brasil, mesmo pós-Bolsa-Família, esse diferencial não diminuiu, ele aumentou. E existe, finalmente, o risco de acharmos que o Estado resolve tudo.

Quais deveriam ser os papéis do Estado e do mercado?

Essa discussão de Estado e setor privado está muito confusa. O Brasil vem seguindo um caminho do meio, com respeito às regras de mercado – apesar de o Consenso de Washington não ser muito bem acolhido aqui e de o País não querer reformas naquele estilo. Hoje em dia, é muito difícil propor uma agenda de reformas trabalhista e previdenciária, com a economia gerando emprego como está. Agora, a pergunta que não quer calar é quantos empregos formais se gerariam a mais se houvesse uma legislação mais adequada. Por outro lado, Caracas não é aqui. Conseguimos tirar do mercado ganhos interessantes, não tudo. O Estado generoso teve um papel importante, sobretudo na crise internacional. Mas há o risco de a complacência gerada pelo sucesso projetar a reação do Brasil na crise para o futuro, isso virar uma desculpa para um Estado grande. Acho que os 15 anos de boa política econômica e social não se devem tanto aos nossos líderes, embora eu considere FHC e Lula dois líderes geniais. Acho que o sucesso se deve muito à cabeça do brasileiro, que quer que se respeite os contratos, mas também quer uma política social ativa, até mais do que a maioria dos economistas gostaria.

27/09/2010 - 07:19h ‘Tudo pronto para a nova etapa’


Para o economista Makhtar Diop, do Banco Mundial, Brasil e México já avançaram o suficiente para ligar os beneficiados da transferência de renda ao mercado formal. No caso brasileiro, o crescimento da renda por trabalho teve um peso crucial

Patrícia Campos Mello – O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA

O Brasil é hoje uma referência internacional em redução de pobreza. Agora, com o Bolsa Família já maduro no País, os programas precisam entrar em uma nova fase – estimular a entrada das pessoas no mercado de trabalho, aumentar a qualidade da educação e da saúde e oferecer acompanhamento para crianças de um a cinco anos. Esse é o diagnóstico de Makhtar Diop, diretor do Banco Mundial para o Brasil. O senegalês Diop está no Brasil desde janeiro de 2009. Antes disso, ele foi diretor do Banco Mundial no Quênia e diretor de políticas da entidade para a América Latina e Caribe, com vasta experiência em programas de redução de pobreza. “O Brasil está entre as referências mundiais em programas antipobreza”, diz Diop. Agora, vem o próximo desafio. “Brasil e México já estão maduros, prontos para uma nova etapa. Para começar a ligar os programas de transferência de renda ao sistema de previdência social, inserir as pessoas no mercado de trabalho formal.” Abaixo, trechos da entrevista.
Como o senhor avalia o desempenho dos programas de redução de pobreza no Brasil?
O Brasil teve uma redução significativa na pobreza. Em 2001, os pobres eram 38,7% da população – em 2009, esse índice caiu para 25,3%. A camada mais pobre da população caiu pela metade – eram 17,4% em 2001, e passaram para 8,8%. Além disso, o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade (quanto mais próximo de 1, mais desigual), saiu de 0,586 em 2001 para 0,550 em 2010. O coeficiente de Gini sempre leva muito tempo para cair, então essa redução impressiona. Em geral, a renda per capita cresceu, mas a renda dos 10% a 20% mais pobres cresceu muito mais rapidamente que a renda dos 10% mais ricos – reduzindo a desigualdade. O Brasil ainda é um país muito desigual. Mas o rumo e a tendência têm sido muito bons. O País está a caminho de cumprir vários Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, como erradicar pobreza extrema e fome até 2015, educação primária universal, igualdade de gênero.

A que se pode creditar mais o sucesso de retirar essas milhões de pessoas da pobreza? A programas como o Bolsa-Família ou ao crescimento da renda por trabalho e o aumento real do salário mínimo?

Esse é um tema muito discutido entre economistas e há diferentes maneiras de medir. A grosso modo, dizemos que 50% vêm das transferências do governo e 50% do crescimento.

Como se compara o Bolsa-Família com outros programas de transferência de renda, como o Solidario no Chile e o Oportunidades do México?

O Bolsa-Família é o maior programa e conseguiu dobrar o número de famílias beneficiadas, de cerca de 6 milhões para 12,4 milhões. O programa brasileiro é muito bom, atingiu um bom grau de focalização – o de fazer o dinheiro chegar, regularmente, às mãos das pessoas certas. Uma das vantagens foi que o Bolsa-Família teve êxito em unificar e racionalizar os programas que existiam antes, como Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás.

Há um critério para se comparar a eficiência dos programas do Brasil, Chile e México?

A magnitude é muito diferente. No Brasil, são 12,4 milhões de famílias beneficiadas, é mais que a população inteira do Chile (17 milhões de pessoas). Além disso, há muito mais avaliação do programa do México (que começou como Progresa). Estamos reforçando os métodos de avaliação no Bolsa Família 2. Um ponto a ser melhorado no Bolsa-Família é ligar mais o programa ao mercado de trabalho, o Oportunidades, mexicano, já está pensando nisso.

Como se poderia facilitar essa transição, da dependência do Bolsa-Família para a entrada no mercado de trabalho?

Precisamos racionalizar os programas de assistência do governo e ver como eles podem funcionar mais como incentivo para o mercado de trabalho. Uma das coisas a se fazer é dar incentivos para as pessoas saírem do setor informal da economia e passarem para o setor formal, e assim ajudá-las a serem incluídas no sistema de previdência social. Antes havia muita resistência em se passar para o setor formal, por causa dos impostos. Mas agora há o incentivo do crédito, trabalhadores formais têm maior acesso ao crédito.

O que deveria ser aperfeiçoado na próxima fase do Bolsa-Família?

Não posso antecipar muito, porque é um estudo que estamos finalizando agora. Mas devemos atuar na oferta de treinamento técnico e incentivos para empresas contratarem essas pessoas. Precisamos melhorar a oferta de escolas técnicos e ligá-la às pessoas acabando escola secundária.

O que mais poderia ser melhorado no programa no Brasil?

Nossa principal preocupação para o futuro é como esses programas vão afetar a produtividade da economia no longo prazo, se não for ligado ao mercado de trabalho. Precisamos trabalhar essa transição para pessoas saírem do programa, não ficarem em situação permanente de receber dinheiro do governo. O segundo desafio se relaciona a intervenção na primeira infância. Estudos mostram que, quando não há educação entre as idades de 1 a cinco anos, fica muito mais caro o investimento no capital humano. É preciso trabalhar com o governo para ligar melhor a transferência de renda a programas de primeira infância.

O que isso incluiria, ir mais frequentemente ao pediatra ou ter acompanhamento de serviços sociais?

Não temos um desenho específico. No Rio, por exemplo, a mãe deixa a criança na creche. No Rio Grande do Sul, assistentes sociais vão às casas das pessoas. Estamos observando para ver o que funciona melhor. Talvez uma combinação dos dois. Outro desafio acontece no lado da oferta, a qualidade do serviço oferecido. No Brasil, uma vez resolvida a questão de cobertura, o acesso, a grande questão é a qualidade. Tanto em escola como saúde, é preciso assegurar que uma pessoa nascida no sertão do Ceará tenha acesso ao mesmo tipo de qualidade de serviços de alguém nascido no Leblon.

A porta de saída desses programas não está bem resolvida no Brasil?

Essa é uma questão de segunda geração que se está tentando abordar. O objetivo imediato é tirar as pessoas da pobreza e fazer com que tenham acesso a serviços como saúde e educação. Agora, vem a segunda fase. Brasil e México já estão maduros para ligar os programas de transferência de renda ao sistema de previdência, inserir as pessoas no mercado de trabalho formal. Países que chegaram muito tarde aos programas de transferência de renda, na América Central, ainda não estão nessa fase.

No mundo de hoje, quais países são bons exemplos em termos de programas de redução de pobreza?

Pergunta difícil. Eu recebo muitos pedidos de colegas, diretores do Banco em outros países, que querem aprender com o programa brasileiro. O Bolsa-Família atrai muita atenção internacional. O Brasil está entre as referências mundiais em programas antipobreza. Mas não podemos nos esquecer de que boa parte da redução da pobreza vem do crescimento. É muito importante continuar com crescimento sustentado, porque a receita do governo depende disso, assim como a sustentabilidade fiscal.

Quem é

Makhtar Diop, economista do Senegal, é diretor do Banco Mundial para o Brasil desde janeiro de 2009.

24/09/2010 - 07:12h Desemprego é o menor em 8 anos. Renda média também bate marca histórica

Taxa cai para 6,7% em agosto, a mais baixa desde o início da série da pesquisa, em 2002

Jacqueline Farid / RIO – O Estado de S.Paulo

A taxa de desemprego apurada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 6,7% em agosto, a menor taxa mensal desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002. Até a divulgação de ontem, os recordes de baixa na taxa estavam restritos aos meses de dezembro, quando há tradicionalmente um forte aquecimento do mercado de trabalho. A renda média real também foi recorde no mês.

Os dados dos primeiros oito meses de 2010 já apontam para um resultado que deverá confirmar também a menor taxa da série, para um ano fechado.

De janeiro a agosto, a taxa média foi de 7,2%, bem inferior ao melhor dado anterior para o período, de 2008, quando foi de 8,2%. O gerente da pesquisa mensal de emprego do instituto, Cimar Azeredo, atribui ao “cenário econômico muito favorável” os bons números de agosto.

Ele observou que, mesmo não sendo possível adiantar se haverá novas quedas na taxa mensal nas próximas pesquisas, a série histórica mostra que, de setembro a dezembro, as taxas costumam ser menores ou iguais às apuradas em agosto, já que há aquecimento do mercado de trabalho nos últimos meses do ano.

Em agosto, segundo Azeredo, a taxa caiu porque o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) também caiu, com a criação de novas vagas no mercado de trabalho. Em relação a julho, o número de ocupados aumentou 0,5%, com a geração de 115 mil vagas. “É um número a ser comemorado”, disse.

Na comparação com agosto do ano passado, a ocupação aumentou 3,2%, com a geração de 691 mil vagas. Já o número de desocupados caiu 2,6% em agosto ante julho (menos 43 mil pessoas) e teve queda de 15,3% (menos 289 mil pessoas) ante agosto de 2009, mas ainda soma 1,6 milhão de pessoas nas seis regiões.

Analistas também projetam uma continuidade na evolução positiva para o emprego e a renda nos próximos meses. Para Bernardo Wjuniski, ” o mercado de trabalho deve continuar aquecido”. Ele estima que e a taxa de desemprego prossiga em declínio, fechando 2010 no patamar de 6,9%. No ano passado, a taxa foi de 8,1%.

Ainda mais otimista está o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho. “O viés para o quarto trimestre é ainda mais otimista: não devemos nos surpreender se a taxa no final do ano romper para baixo a faixa de 6%, podendo se situar em 5,8%”, disse ele, que sublinha que os salários também estão subindo acima do padrão histórico.

Renda. O rendimento médio real dos trabalhadores atingiu R$ 1.472,10 em agosto, o maior patamar da série histórica da pesquisa mensal de emprego do IBGE. Segundo o gerente da pesquisa, a continuidade do crescimento da renda reflete o aumento da fiscalização e da conscientização dos trabalhadores, maior rapidez no julgamento de causas trabalhistas e também a queda da inflação em agosto.

Além disso, segundo Azeredo, o próprio aumento da formalidade eleva a renda, assim como a terceirização, já que as empresas contratadas por outra precisam apresentar um contingente de funcionários legalizados.

O emprego formal também prosseguiu em elevação em agosto e, segundo o gerente, retomou, na comparação anual, o ritmo de crescimento de antes da crise.

COLABOROU MARCÍLIO SOUZA

Boas notícias para o trabalho

Análise: Clemente Ganz Lúcio – O Estado de S.Paulo

A divulgação de agosto de 2010 da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE indica este ano como o melhor desde 2002 no que se refere a taxa de desemprego e nível de remuneração.

A Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED, realizada pelo Dieese, Fundação Seade e parceiros regionais (com metodologia diferente) também tem registrado as menores taxas de desemprego para o mesmo mês em mais de uma década.

Mas as boas notícias não param por aí. O nível de ocupação cresce acima de 3%, revelando uma elasticidade produto-emprego próxima de 0,5. Em outras palavras, para cada 1% de crescimento do PIB, cresce em 0,5% o nível de ocupação. É sinal de que o crescimento do nível de ocupação está distribuído pelos principais setores: indústria, serviços, comércio e construção civil.

Também é positiva a criação de empregos formais, com carteira assinada. Em um ano foram criados 685 mil empregos com carteira nas seis regiões pesquisadas. Como o total de ocupações criadas em 12 meses atingiu 691 mil, pode-se dizer que praticamente toda a expansão da ocupação se deu pelo crescimento do emprego formal, melhorando a qualidade das ocupações nas áreas metropolitanas.

E, fechando o quadro de boas notícias, o rendimento médio real dos trabalhadores cresceu 5,5% na comparação anual e 1,4% em relação ao mês anterior.

A renda média no Brasil ainda é baixa, não há dúvida, a massa de salários representa pouco mais de 40% do PIB e a taxa de desemprego, em que pese venha caindo, ainda se encontra em patamar elevado.

Entretanto, mantida a tendência de melhora dos últimos anos é possível crer que o mercado de trabalho tenha papel central na reversão de nossa injusta distribuição de renda.

É DIRETOR TÉCNICO DO DIEESE

14/09/2010 - 07:48h Metalúrgicos da GM obtêm reajuste de 9%


Outros sindicatos ameaçam fazer greve para obter reajuste de 4,52% acima da inflação, como da GM de São José dos Campos e São Caetano do Sul

Marcelo Rehder – O Estado de S.Paulo

Os metalúrgicos das fábricas da General Motors (GM) em São José dos Campos, interior paulista, e em São Caetano do Sul, na região do ABC, conquistaram reajuste salarial de 9%, retroativo a 1.º de setembro, data-base da categoria. O porcentual corresponde à reposição da inflação de 4,29% acumulada em 12 meses até agosto, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais 4,52% de aumento real de salário.

O aumento de 9% é válido para salários de até R$ 7.730. Acima disso, será pago um reajuste fixo de R$ 686. O acordo aprovado ontem também prevê abono salarial de R$ 2.200. Os metalúrgicos haviam aprovado aviso de greve antes da proposta da montadora ser apresentada, na madrugada do sábado.

A GM de São José dos Campos emprega 8,5 mil trabalhadores, ligados à Coordenação de Lutas (Conlutas), braço sindical do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Em São Caetano do Sul, base da Força Sindical, a fábrica da montadora tem 8 mil trabalhadores.

“Tivemos um avanço importante este ano, com o índice de aumento superior à inflação”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Vivaldo Moreira Araújo.

Nas outras montadoras, no entanto, as negociações não avançaram. Tanto que os metalúrgicos ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado a partir de amanhã para pressionar as montadoras a conceder reajuste salarial de 9% à categoria.

Ontem, cerca de 13 mil trabalhadores de montadoras de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, participaram de assembleias, protestos e paralisações, Os atos interromperam a produção das 5h15 às 10h, período que variou em cada fábrica.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os mais de 7 mil trabalhadores do turno da manhã da Volks atrasaram a entrada para participar da assembleia. Na Ford, os 4,5 mil metalúrgicos do primeiro turno, cujo horário começa às 6h, só entraram às 10h. Já na Mercedes-Benz, 2,5 mil trabalhadores participaram da assembleia e de manifestações, que começaram às 5h, e só retornaram ao trabalho às 10h.

Os metalúrgicos declararam estado de greve nas fábricas do ABC e Taubaté, base sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), de Tatuí (Força Sindical) e de São Carlos, onde o sindicato é ligado à Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). As fábricas de montadoras nessas regiões empregam cerca de 50 mil metalúrgicos.

As negociações com o Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) estão suspensas desde a madrugada de sábado, quando as montadoras não avançaram além da oferta de reajuste de 7%, rejeitada pelos trabalhadores.

O reajuste de 9% não é uma conquista só dos trabalhadores da GM. Antes, metalúrgicos do ABC e de outras regiões do Estado já haviam fechado acordo nessas bases com sindicatos patronais de setores como autopeças, máquinas, aparelhos elétricos e eletrônicos, entre outros.


Composição do aumento

4,29%
foi o porcentual correspondente à reposição da inflação acumulada em 12 meses até agosto, segundo o INPC

4,52%
foi o porcentual correspondente ao aumento real

06/09/2010 - 09:14h Previsão é de alta recorde nas vendas de Natal

Ipea prevê consumo recorde no Natal

O comércio confirma as previsões de um fim de ano “gordo”

Brasileiros terão R$ 11,4 bilhões a mais para gastar no fim do ano, graças à maior oferta de crédito e ao 13º salário

Marcelo Rehder – O Estado de S.Paulo

O pagamento do 13º salário e a maior oferta de crédito ao consumidor deverão injetar R$ 106,8 bilhões na economia até dezembro, 12,2% a mais que em igual período de 2009. O número representa R$ 11,4 bilhões a mais no bolso do brasileiro, o que deve impulsionar o aumento do consumo e acelerar o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre.

O ambiente favorece o aumento do consumo, segundo economistas. A facilidade em obter crédito e o aumento do emprego e da renda, associados ao cenário de inflação baixa, melhoraram o humor dos consumidores.

Nos últimos dez anos, o brasileiro nunca esteve tão otimista, revela uma pesquisa mensal feita pelo Ibope Inteligência, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI),

O índice que mede a expectativa do consumidor atingiu, em agosto, o nível mais elevado desde 2001, início da série histórica da pesquisa. Bateu em 119,3 pontos, 2,1 a mais que em dezembro do ano passado, recorde anterior. O índice tem base fixa 100. Acima desse valor, a expectativa é positiva.

O otimismo dos consumidores foi embalado principalmente pelas expectativas em relação à queda do desemprego e da inflação. O indicador de evolução do desemprego nos próximos seis meses aumentou 8,6% na comparação com julho e atingiu o maior valor da série histórica. Já o número de pessoas que esperam a queda da inflação aumentou 8%. O levantamento foi feito com cerca de 2 mil pessoas em todo o País entre os dias 18 e 21 de agosto.

“Vai ser um fim de ano muito bom para crédito, porque as pessoas ficam motivadas a se endividar quando se sentem seguras no emprego”, diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, Miguel Ribeiro de Oliveira.

Crédito. Os bancos também se sentem motivados a emprestar quando o risco de inadimplência é menor. Nesse cenário positivo, Ribeiro de Oliveira calcula que a oferta de crédito ao consumidor atinja R$ 18 bilhões entre setembro e dezembro, contra R$ 14 bilhões em igual período de 2009,

É a oferta de crédito fácil que garante a compra de bens de consumo duráveis, como televisores e eletrodomésticos, entre outros artigos de alto valor unitário. Mas é o dinheiro do 13º salário que deve sustentar boa parte da expansão do consumo no último trimestre de 2010.

O pagamento do chamado abono natalino deve despejar R$ 88,3 bilhões no mercado até dezembro, estima o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A massa de recursos do 13º é 9,15% superior à que foi paga no ano passado (R$ 80,9 bilhões, em valores atualizados com base na inflação do período). O aumento do salário médio real foi estimado em 4,9% e o crescimento do emprego, em 4,5%,

Otimismo. A projeção pode ser considerada conservadora. Pela dificuldade em obter dados ficaram de fora da estimativa os trabalhadores informais que recebem o 13º. “Este deverá ser o melhor Natal da década”, diz o economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea. Ele argumenta que o Natal de 2008 foi moderado por causa dos efeitos da crise global, enquanto o do ano passado foi de recuperação.

O comércio confirma as previsões de um fim de ano “gordo”. “Nossa expectativa é de fechar o quarto trimestre com 15% de crescimento real de vendas (já descontado a inflação)”, afirma Valdemir Coleone, diretor de relações com o mercado da Lojas Cem, rede de varejo de eletroeletrônicos e móveis.

Os indicadores de vendas da Associação Comercial de São Paulo reforçam o clima de otimismo. Em agosto, as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito, que medem o movimento das vendas a prazo, cresceram 10,3% em relação a igual período de 2009.As consultas ao SPC/Cheque (vendas à vista ou por meio de cheques pré-datados) subiram 6,9%.

“Estamos diante de excelentes resultados e não duvido que terminaremos o ano acima das expectativas”, diz o presidente da entidade, Alencar Burti,

Na indústria, a expectativa é de demanda crescente. Para 57% das empresas, nos próximos seis meses a situação dos negócios será melhor do que em igual período do ano passado, mostra a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas.

Das 1.173 indústria consultadas, só 3% falam em piora. Em agosto do ano passado, o quadro era menos favorável: 44% apostavam na melhora nos negócios, enquanto 20% esperavam alguma piora.

TRÊS RAZÕES PARA…

1. O índice de expectativa do consumidor brasileiro atingiu em agosto nível recorde

2. Cresceu o número de pessoas que acham que a inflação vai cair nos próximos meses

3. A oferta de crédito deverá crescer 30% no último trimestre deste ano ante 2009

21/08/2010 - 10:12h A classe C vai ao paraíso

Eles já são 90 milhões de pessoas, respondem por quase 50% da renda nacional e não querem parar de subir na escada social brasileira

Adriana Nicacio – ISTOÉ

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A faxineira Raimunda da Silva Gonçalves, 46 anos, é o estereótipo de uma parcela da população brasileira que vem buscando melhorar de vida há mais de cinco décadas. Ela, como milhões de seus pares, migrou de uma pobre cidade nordestina no início dos anos 80 para buscar sorte melhor na riqueza do caos paulistano. Chegou sem ocupação definida, analfabeta e com pouca perspectiva de subir muitos degraus na conservadora pirâmide social brasileira. Em São Paulo, Raimunda casou-se com outro migrante, teve dois filhos e estacionou socialmente. De casa em casa, de faxina em faxina, permaneceu analfabeta, pobre e sem dinheiro para ter nada mais que o essencial.

Nos últimos cinco anos, no entanto, a história de Raimunda começou a mudar. Seu poder de compra foi crescendo e, aos poucos, ela começou a ter acesso a luxos antes impensáveis. Abriu até uma poupança e, há dois anos, obteve sua maior conquista: conseguiu erguer uma pequena casa de alvenaria na cidade-dormitório de Itapecerica da Serra. Aos filhos Raimunda tem conseguido dar a chance de subirem ainda mais na vida. O mais velho deles, Rodrigo, 19 anos, está cursando administração de empresas em uma universidade particular. O mais novo, Vitor, 11 anos, matriculou-se recentemente em um curso de inglês. “Aprendemos com a vida que sem estudo nada se consegue”, diz ela. “Os meninos sabem disso, eles veem isso e estão aproveitando uma oportunidade que eu e o pai deles nunca tivemos.” Na esteira da formação dos filhos, até Raimunda resolveu estudar. Já deixou para trás o analfabetismo e, agora, sonha um dia conseguir chegar à universidade. No ano passado conquistou seu primeiro diploma: concluiu o primeiro grau, aos 46 anos de idade.

Raimunda conseguiu mudar seu padrão de vida não só pelos seus espetaculares esforços pessoais. Sem o alicerce econômico alcançado pelo País nos últimos 15 anos, talvez pouco adiantaria seu empenho. Como muita gente, ela pôde ganhar mais dinheiro porque o Brasil vive um momento excepcional. Em cinco anos, 32 milhões de pessoas, o equivalente à metade da França, ascenderam socialmente. O fenômeno mais impressionante ocorreu com a antiga classe média baixa, hoje chamada de classe C, que se multiplicou e passou a representar a metade da população do País. Cerca de 90 milhões de brasileiros agora possuem renda familiar mensal entre R$ 1.115 e R$ 4.807 e se tornaram uma força tão poderosa que já é apontada por alguns especialistas como a classe dominante, no sentido econômico. Com o R$ 1,3 mil que ganha fazendo faxinas nas casas de classe média alta de São Paulo, Raimunda passou a fazer parte dessa nova força econômica.

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A classe média se impõe, ávida para liberar um desejo de consumo represado por décadas. Para medir na prática esse anseio, a agência de publicidade McCann Erickson encomendou pesquisa ao instituto Data Popular em seis capitais brasileiras e descobriu que 80% dos consumidores da classe C disseram que “não dá para viver sem” computador, 60% das famílias têm DVD, 66% querem comprar um celular com câmera fotográfica e 82% possuem tecnologias que melhoram o entretenimento e lazer da família. De acordo com o especialista em finanças, Amir Khair, a renda média da classe C subiu 13%, em 2008.

Mais do que desejos, essa nova classe C tem um poder de consumo inigualável no Brasil. De acordo com um estudo da mesma Data Popular, hoje a renda reunida desses 90 milhões de famílias soma quase R$ 500 bilhões. Hoje, mais de 80% dos cartões de crédito que circulam no País estão nas mãos deles, que são responsáveis por 76% do consumo no Brasil. A estimativa é de que os indivíduos desse segmento social já respondam por 80% de todas os brasileiros que usam a internet cotidianamente. “Hoje temos mais de mil lojas, com R$ 18 bilhões de faturamento, voltadas exclusivamente para a classe C. Por ano, vendemos para eles 4,5 milhões de eletrodomésticos da linha branca, 4,7 milhões de celulares, 1,6 milhão de tevês e 2,2 milhões de aparelhos de som”, conta Michel Klein, presidente da Casas Bahia.

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É o que o professor da Universidade de Cornell, Stuart Hart, chama de inversão da pirâmide de consumo. Para ele, compreender e mergulhar nesse mercado será determinante para todas as empresas do mundo. “Hoje, em todo o planeta, 4,5 bilhões de pessoas são o que podemos chamar de consumidores emergentes. Quem não entender essas pessoas e não trabalhar diretamente com elas está fadado a não crescer”, diz ele, que esteve no Brasil na última semana para discutir esse tema.

“Há uma demanda por bens e serviços que antes essa camada nem sonhava”, diz o cientista político Amaury de Souza. Para ele, a classe C passou a ter os mesmos desejos das classes A e B, com uma ressalva, ela é um contingente muito maior. Enquanto o primeiro representa 44% da renda nacional, o da nova classe média totaliza 47%. “O desejo de mobilidade social é enorme. E isso não é novo. A novidade é a escala. O processo que permitiu a mobilidade de milhões de pessoas é muito recente”, diz Souza.

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Na opinião dos especialistas, o crescimento do poder aquisitivo da classe C só ocorreu graças ao aumento da escolaridade nos últimos 20 anos, ao controle da inflação com o Plano Real e ao acesso ao crédito nos últimos seis anos. Desde que o Banco Nacional da Habitação (BNH) quebrou, na década de 80, os brasileiros não tinham acesso ao crédito imobiliário. Somente no primeiro semestre deste ano, com os recursos da caderneta de poupança, foram emprestados R$ 23,8 bilhões. Se comparado ao PIB, o volume ainda é inexpressivo, mas representa 77% do que foi emprestado no mesmo período do ano passado. O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, calcula que até 2016 a demanda da classe C será por 10,4 milhões de imóveis. “A classe média popular vai dominar o mercado residencial brasileiro nos próximos anos”, diz Vale.

Sandra Maria Sabino Bertoldo, moradora do Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro, faz parte desse contingente. Nascida e criada em uma das favelas mais castigadas pelas chuvas do início do ano, seu sonho é comprar uma casa longe dali. Até lá, no entanto, Sandra e o marido, o servente de pedreiro Airton Souza dos Santos, estão empenhados em ter mais conforto onde vivem. Há poucos meses compraram uma tevê de LCD de 32 polegadas e um fogão de seis bocas, bens até pouco tempo impensáveis para eles. “Posso até dizer que eu sou madame, a madame dos Prazeres”, ri Sandra, 46 anos e cinco filhos. “Vamos conseguir trocar de casa, as coisas melhoraram muito nos últimos anos.”

Ao lado da renda e do crédito, a carteira de trabalho também é uma das grandes conquistas da classe C. Há cinco meses, dados do IBGE mostraram que, pela primeira vez em 16 anos, metade (50,7%) dos trabalhadores nas principais capitais teve a carteira de trabalho assinada. Uma demonstração de que o empresário brasileiro continua apostando no desempenho da economia nacional. Do contrário, não arriscariaformalizar seus empregados com a burocracia da legislação trabalhista para as demissões. No entanto, o sociólogo Rudá Ricci, que acaba de lançar o livro “Lulismo: da Era dos Movimentos Sociais à Ascensão da Nova Classe Média Brasileira”, tem uma preocupação. Ele calcula que, para a classe C continuar crescendo, ela precisa de um ambiente favorável ao empreendedor que exige uma reforma tributária, que o Brasil ainda não tirou do papel. “Existe uma bolha de consumo. As pessoas estão endividadas e essa ascensão não será sustentável se não houver uma mudança na estrutura do mercado de trabalho”, diz.

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Doutor em sociologia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Rafael Osório não concorda com os temores de Rudá Ricci. E descarta a tese de riscos à sustentabilidade da classe C. “Vamos crescer com distribuição de renda. As novas gerações estão chegando mais educadas ao mercado de trabalho. No Brasil, o prêmio do diploma está menor, a competição está menor, há aumento da renda domiciliar per capita, queda na desigualdade e não há nada que indique que não vamos continuar assim nos próximos dez anos. Estamos consolidando o estado de bem-estar social. É o capitalismo meritocrático”, diz Rafael Osório.

Nesse capitalismo nada selvagem, pesquisa da Fecomercio-SP mostra que as perspectivas são de que o consumo da nova classe média nos próximos dez anos se tornará cada vez mais sofisticado. O assessor econômico da Federação Fábio Pina alerta, contudo, para a necessidade da qualificação da mão de obra, para inovações tecnológicas e investimentos em capacitação e modernização do setor produtivo para evitar um crescimento com inflação. “Até 2020, os principais responsáveis pela lucratividade das empresas serão os consumidores das classes C, D e E”, diz.

A operadora de telefonia móvel TIM já percebeu isso. Após atacar de forma agressiva esses segmentos no mercado de celulares, a companhia quer agora conquistá-los em um dos setores que prometem explodir nos próximos anos: o acesso à internet. A ideia da companhia italiana é fazer com que os usuários que frequentam as mais de 100 milk lan houses no Brasil as troquem por seus serviços. Um cliente de lan house paga, na média, R$ 2 para navegar meia hora ou uma hora e vai várias vezes por semana. Seu gasto mensal é de R$ 30. Nosso desafio será lançar aparelhos compatíveis com a renda desse pessoal, parcelados em 12 vezes”, diz Lorenzo Lindner, diretor nacional de vendas da operadora italiana.

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Além de preço, Linder aposta nesse sentimento de bem-estar que toma conta de uma parcela da população acostumada a viver espremida entre o salário curto e os meses longos. Pesquisa da Gallup World Poll, em 132 países, mostra que os brasileiros acreditam que estarão mais felizes daqui a cinco anos. Ao responder à pergunta “Dê uma nota de 0 a 10: onde você espera estar daqui a cinco anos?”, a média brasileira foi de 8,78, a maior entre todos os países pesquisados.

Colaboraram: Natália Leão, Fabiana Guedes, Larissa Veloso, Wilson Aquino e Yan Boechat

02/08/2010 - 08:00h Troca de emprego para ganhar mais bate recorde no ano

Conjuntura: Entre janeiro e maio, 30,5% das pessoas que se desligaram das empresas pediram demissão


Ruy Baron/Valor
Foto Destaque
Sérgio Mendonça, do Dieese: rotatividade está acima da média histórica


João Villaverde, de São Paulo – VALOR

Nos primeiros cinco meses deste ano, dois recordes mudaram o padrão do mercado de trabalho brasileiro. De janeiro a maio, 30,5% das pessoas desligadas pediram demissão, percentual bem acima do auge anterior, de 26%, registrado em 2008. A troca de emprego por decisão do trabalhador levou a outra mudança inédita – a redução dos pedidos de seguro-desemprego para o menor nível em dez anos.

Levantamento realizado pelo Valor com dados do Ministério do Trabalho mostra que os resultados de 2010 são mais expressivos que os de 2008, quando o ciclo de crescimento econômico iniciado em 2004 alcançou seu auge. Dos trabalhadores com carteira assinada que deixaram seus empregos entre janeiro e maio de 2008, o equivalente a 23,8% o fizeram por conta própria. A proporção despencou no ano seguinte, quando, em igual período, representaram 16% dos desligados de suas funções. O recorde anterior (26%) foi atingido no período entre junho e outubro de 2008, logo antes da explosão dos efeitos da crise mundial sobre a economia brasileira.

A contrapartida do aumento das demissões por decisão do trabalhador é o aumento da taxa de rotatividade no emprego formal, que nunca foi tão alta em um início de ano. O indicador construído pelo Ministério do Trabalho mensura quantos trabalhadores foram substituídos em uma empresa ou setor no mês em análise. A rotatividade oscila, desde 2005, em torno de 3,6% ao mês. No primeiro trimestre de 2008, o indicador chegou a atingir média de 4,07. Em igual período deste ano, a média foi maior e o resultado mensal de junho, 4,10 pontos, é o maior para o mês desde 2005 (ver gráfico).

A rotatividade, em geral, decorre da decisão das empresas de trocar seus funcionários, seja por inadequação de um recém-contratado, seja pela oportunidade de contratar um funcionário mais qualificado, seja para reduzir o custo total da folha de salários, substituindo remunerações mais altas por outras menores. Os dados de 2010 indicam que, neste ano, a taxa está aumentando também por decisão dos trabalhadores, que provavelmente encontraram um emprego melhor ou com maior remuneração. Por isso, ela ajuda a reduzir a demanda por seguro-desemprego.

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“Numa época de expansão econômica, como a que vivemos hoje, é normal que parcela maior dos desligamentos seja motivada por pedidos de demissão, uma vez que o trabalhador encontra salários maiores. A empresa, que perde o funcionário, vai atrás de outro, e assim sucessivamente. A taxa de rotatividade aumenta e a demanda por seguro-desemprego diminui”, afirma Hélio Zylberstajn, presidente do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (Ibret). Zylberstajn, que também é professor da USP, avalia que o processo é “altamente pró-cíclico”, uma vez que depende do aquecimento econômico. “Em momentos de baixa, ninguém quer sair do emprego, então os pedidos de demissão diminuem”, diz.

A menor disposição para pedir seguro-desemprego, no entanto, é inédita, ainda que o ritmo de crescimento da economia hoje seja semelhante ao de anos como 2007 e 2008, quando o PIB passou por elevações de 6,1% e 5,1%, respectivamente. Naquele biênio, a proporção de trabalhadores que solicitaram o benefício em relação aos que foram dispensados sem justa causa variou entre 87,2% e 77,3%.

De janeiro de 2005 para cá, contando os resultados recordes de 2010, a média dessa relação foi 81,3%. À exceção de janeiro, quando a relação entre requerentes e demitidos sem justa causa obteve valor igual à média histórica, todos os outros meses de 2010 tiveram resultados inferiores à barreira dos 80% – saindo de 78% em fevereiro para 71% em abril, chegando a derreter em maio, quando atingiu o vale de toda a série, 57,9%.

Para Sérgio Mendonça, assistente da coordenação do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o resultado recorde de 2010 na comparação com outros períodos de atividade aquecida pode estar condicionada ao aumento da taxa de rotatividade além da média histórica. “Mesmo aqueles que são demitidos não requerem o seguro-desemprego, porque logo conseguem outro trabalho”, diz ele.

Além disso, avalia Mendonça, “como a rotatividade está muito alta, muitos não conseguem permanecer no emprego pelo tempo determinado em lei para assegurar o seguro”. Para acionar o seguro-desemprego junto ao Ministério do Trabalho é preciso ter ao menos seis meses de vínculo empregatício com carteira assinada.

Segundo João Saboia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ, a demanda por benefícios do seguro-desemprego deve continuar em patamares rebaixados até o fim do ano. “Entramos agora no melhor momento do mercado de trabalho brasileiro, que é o período entre agosto e novembro”, diz Saboia, para quem a taxa de desemprego continuará caindo e a rotatividade aumentando. “Se você pode ganhar mais porque outra empresa está oferecendo salários maiores, você não vai se agarrar ao emprego no qual está agora”, afirma.

Salário maior e trabalho mais atrativo motivam transferências

Claudio Belli/Valor
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Glauco Lins Camargo: economista já trocou de emprego duas vezes este ano e passou a ganhar R$ 3 mil a mais por mês

Samantha Maia, de São Paulo = VALOR

Este ano começou agitado na vida profissional de Glauco Lins Camargo, economista de 32 anos. Depois de três anos trabalhando na ZFAC Factoring como gerente do setor de atendimento à pessoa jurídica, ele hoje já está no seu terceiro emprego do ano.

Com toda a carreira dedicada ao mercado financeiro, Camargo teve neste ano a oportunidade de mudar de ambiente de trabalho – desde que se formou sempre havia trabalhado em bancos – e passar a ter participação sobre os negócios.

A primeira mudança ocorreu em março, quando ele foi chamado para ser gerente financeiro da Val Seguradora. Pouco tempo depois, surgiu uma proposta ainda melhor, para trabalhar na companhia automotiva Forjafrio, que vinculava ao salário uma variável sobre o faturamento.

Em apenas alguns meses e duas mudanças, o salário de Camargo aumentou em R$ 3 mil. “Nas minhas decisões de mudar não pesou apenas a proposta salarial, mas a possibilidade de desafio, de sair de um banco e virar gerente financeiro”, diz. Ele considera que o mercado de trabalho na sua área está aquecido, mas continua exigente com o desempenho dos funcionários.

A oferta maior de emprego tem possibilitado aos trabalhadores ir para áreas que correspondem melhor ao seu perfil. A decisão da mudança passa a ficar mais nas mãos dos funcionários e, segundo os profissionais ouvidos pelo Valor, apesar da valorização salarial ser importante, o que mais pesou nas suas decisões foi poder realizar uma atividade que preferem.

Suellen Higashi, 24 anos, é recém-formada em economia e estava atuando na área contábil. Em março, foi chamada para trabalhar como analista financeira na prestadora de serviços de assistência Inter Partner Assistance.

Segundo ela, a proposta salarial foi atrativa, representando um aumento de 20% sobre a remuneração anterior, mas não foi isso que definiu a sua mudança. “O que mais me interessou foi poder trabalhar com foco maior no setor financeiro, além de ser um desafio e um cargo que demanda o uso do inglês e do espanhol”, diz a economista.

Formado em administração, Douglas do Nascimento, 35 anos, trabalha há 11 anos no mercado de seguros. Nos últimos quatro anos, trabalhou como subscritor de riscos patrimoniais na RSA Seguros. Em maio, foi chamado pela Liberty Seguros para atuar, além das análises e cotações, no contato com os clientes.

Apesar de se manter na área em que vinha atuando, ele explica que poder trabalhar com o setor comercial foi o que mais o atraiu. “No emprego atual eu trabalho também indo atrás de negócios”, diz.

Não foi a primeira vez que recebeu uma proposta, mas foi a primeira que realmente valeu a pena, conta. A proposta do novo emprego cobriu salário anterior, representando uma valorização de 35%, mas ele diz que já recusou convites mais atrativos financeiramente por não achar que o emprego lhe traria melhores perspectivas. “Não é só a questão financeira que precisa ser avaliada. O emprego tem de abrir novas perspectivas, e minha mudança foi por apostar no crescimento da Liberty”, diz.

Centrais miram demissão sem justa causa

Ao lado da redução da jornada de trabalho, a aprovação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) é a principal bandeira do movimento sindical brasileiro. As centrais pressionam o Congresso para que a convenção seja aprovada, algo que dificilmente ocorrerá ainda neste ano. A Convenção 158, que impede as empresas de demitirem seus funcionários sem justa causa, foi aprovada pela OIT em Genebra (Suíça) em 1982, mas o acordo foi rompido pelo governo brasileiro após o decreto 2.100, de 1996, assinado pelo então presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Primordialmente, a Convenção 158 visa atenuar a rotatividade no mercado de trabalho.

Em junho, a taxa de rotatividade auferida pelo Ministério do Trabalho foi a maior para o mês desde 2005, atingindo 4,1 pontos, superior aos 3,9 pontos registrados em junho de 2008, quando a economia passava por expansão semelhante. Mas alguns setores, como construção civil e agropecuária, tiveram taxas de rotatividade muito superiores à média. “A Convenção 158 inibe exatamente isso, quer dizer, que empresas troquem de funcionários como forma de diminuir seus custos com mão de obra”, diz Sérgio Mendonça, assistente da coordenação do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Enquanto o setor de serviços registrou taxa de rotatividade de 3,6 pontos em junho, inferior à taxa geral, os trabalhadores de construção civil e do setor agropecuário tiveram taxa de rotatividade de 7,5 e 6,1 pontos. O comércio também apresentou resultado acima da média, obtendo 4,3 pontos. (JV)

07/04/2010 - 09:08h Em ano de crise, renda do brasileiro cresce 10%

Sustentada pela população do Nordeste, renda média mensal atingiu R$ 1.285 e não interrompeu tendência de ascensão social

Márcia De Chiara – O Estado de S.Paulo

A crise passou longe do mercado consumidor brasileiro em 2009 e não interrompeu a tendência de ascensão social das camadas de menor renda nos últimos anos. Sustentada pela população do Nordeste, onde está a maioria da população de menor poder aquisitivo, a renda média mensal cresceu cerca de 10% e atingiu R$ 1.285 no ano passado.

Essa é a maior renda nominal da população desde que a Cetelem, empresa de crédito do grupo francês BNP Paribas, começou, em 2005, a fazer no Brasil a pesquisa Observador, em parceria com o instituto de pesquisa Ipsos. Realizada desde os anos 90 na França, a pesquisa retrata tendências de consumo.

Em 2009, o maior crescimento na renda ocorreu nas camadas D/E, com expansão de 12,8%, seguida pela classe C, cuja renda cresceu 6,2%. Já os rendimentos das classes A/B caíram 2%. “A Região Nordeste e as classes C, D e E atenuaram o impacto da crise no consumo”, diz o diretor-geral da Cetelem para a América Latina, Marc Campi.

Crédito. As classes C, D e E foram as mais beneficiadas pelas políticas do governo contra a crise. O aumento da oferta de crédito e a redução de impostos sobre carros, geladeiras e máquinas de lavar favoreceram a manutenção do emprego e, consequentemente, da renda e do consumo.

O Nordeste observou a maior expansão da renda entre as regiões em 2009, com 25,2% sobre o ano anterior. Os microempresários de Recife (PE), Flavio Pontes Argay e Priscila Trindade, sentiram esse efeito. Donos de uma empresa de brinquedos para shoppings, o microempresário diz que, com o ganho de renda na região o seu negócio deixou de ser sazonal. “Antes tínhamos de buscar mercado no Sudeste para sustentar a empresa.” Mas, com o ganho de renda na região, a situação mudou.

Sul. Já a renda da Região Sul, que reúne grande parte das classes mais altas, caiu 13% em 2009. “A crise pegou mais o topo da pirâmide, e a queda na renda reflete o recuo do PIB da região”, diz o diretor da Cetelem Brasil, Marcos Etchegoyen.

A pesquisa ouviu 1.500 pessoas em 70 cidades de nove regiões metropolitanas, entre 18 e 29 de dezembro de 2009, e mostra que gastos com produtos e serviços essenciais foram mantidos. Em contrapartida, as despesas não essenciais foram lideradas pelos itens de vestuário, que cresceram 29%. Outro resultado relevante é que as despesas com prestações e financiamentos bancários somaram R$ 98 mensais em 2009 e ocuparam a vice-liderança entre os gastos não essenciais. Campi ressalta que a crise mudou o comportamento do consumidor, que está mais maduro e ampliou a poupança. Em novembro de 2009, os entrevistados pouparam, em média, R$ 535, ante R$ 315 no mesmo mês de 2008./COLABOROU ANGELA LACERDA

14/03/2010 - 11:53h Apesar de PIB menor em 2009, pobreza recua

Dados das principais metrópoles brasileiras mostram redução de 1,25% na taxa da pobreza

Cássia Almeida e Fabiana Ribeiro – O GLOBO

Num movimento que se repete desde 2003, a parcela de pobres na população brasileira caiu no ano passado, mesmo com a leve retração do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto dos bens e serviços produzidos no país) de 0,2% em 2009. Tomando por base os dados da Pesquisa Mensal de Emprego, que acompanha apenas seis regiões metropolitanas, o economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), chegou a uma redução de 1,25% na taxa de pobreza. Inferior à observada em anos anteriores, mas a primeira num momento de crise desde os anos 80.

A proporção de pobres caiu de 30,17% para 18,23% entre 2003 e 2008, segundo Neri.

— Os dados mostram que a crise se deu em janeiro de 2009, que comeu parte dos avanços do passado. Após essa ressaca, o que se viu foi um movimento de recuperação ao longo de 2009 — disse Neri, acrescentando que um aumento da taxa de pobreza de 6,7%, observado na passagem de 2008 para 2009, foi revertido ao longo do ano passado.

Desde setembro de 2008, mês que marcou o início dos reflexos da crise financeira global no Brasil, até janeiro deste ano, 600 mil pessoas saíram da pobreza. Esta voltou a cair depois de subir muito em janeiro de 2009.

— Nas crises anteriores, a pobreza nacional não aumentou.

Não caiu, porém. Em 2009, apesar da crise, a pobreza apresentou essa redução média de 1,25%, que pode ser uma estimativa conservadora.

A recuperação da economia que foi ganhando corpo nos meses seguintes de 2009 permitiu que a alta da pobreza fosse se revertendo, a ponto de fechar o ano passado com queda. A melhora prossegue. A taxa de desemprego de janeiro registrou 7,2%, o menor patamar para o mês desde 2002.

— Em janeiro de 2010 houve uma melhora forte no bolso dos brasileiros que moram nas seis principais metrópoles do país — disse Neri, acrescentando que a classe E, que reúne hoje 17,37% da população brasileira, apresentou queda da pobreza de 7,95% frente a janeiro de 2009.

Já a desigualdade andou de lado. O Índice de Gini, que quanto mais próximo de zero indica que a distribuição de renda é mais igualitária, ficou em 0,5779 em dezembro de 2009, contra 0,5778 de dezembro do ano anterior.

Esses números são uma prévia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, que será divulgada pelo IBGE em setembro. Como o levantamento é nacional, a Pnad pode mostrar um resultado diferente.

Como a crise afetou principalmente a indústria, com o pior resultado desde 1990, a estrutura social brasileira deve ter piorado, na avaliação do economista

13/03/2010 - 10:37h De computadores à casa própria

O Estado SP

A cadeia do consumo está bem clara na vida do microempresário Renato Coroker, de 40 anos, que vende e recicla produtos de informática na capital paulista. Com dinheiro na mão e crédito, os clientes apareceram com mais facilidade na loja. Levaram equipamentos novos e usados e garantiram a Coroker e a mulher, Fernanda Graciola, de 39 anos, um novo apartamento.

No ano passado, eles compraram o segundo imóvel e reformaram o antigo. Só a reforma custou R$ 30 mil e foi toda paga no cartão de crédito, sem financiamento. “A crise não abalou a autoestima do brasileiro e isso foi fundamental para que a gente continuasse consumindo.”

Formado em publicidade e atento às movimentações econômicas no País, Coroker vai além de falar de seus gastos pessoais. Gosta de traçar cenários e identificar tendências enquanto está do outro lado balcão, atendendo os clientes. “As pessoas tentaram reduzir custos, mas não deixaram de comprar”, diz. “Logo no início da crise, a procura por equipamentos usados aumentou muito, por exemplo, e acabou compensando o que deixei de vender de aparelhos novos.” Esse movimento se deu sobretudo entre clientes corporativos.

Em casa, com a mulher, ele conta que o raciocínio foi o mesmo. No supermercado, trocaram marcas mais caras por outras nem tanto e mantiveram os gastos com as compras do mês. Para 2010, o casal está confiante e faz planos de viajar mais.

http://www.economiainterativa.com.br/Arquivos/Materia/383_Positivo---linha-de-produ%C3%A7%C3%A3.jpgConsumo tem alta de R$ 500 bilhões

Aumento da renda desde 2003 favoreceu expansão dos gastos das famílias e evitou tombo do PIB em 2009

Raquel Landim – O Estado SP

Os brasileiros gastaram quase R$ 500 bilhões a mais durante os sete anos do governo Lula. O consumo das famílias saiu de R$ 1,47 trilhão em 2002 para R$ 1,97 trilhão no ano passado. Os números são comparáveis porque foi descontada a inflação e os preços atualizados para 2009. O cálculo foi feito pela MB Associados com base nos dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As projeções apontam para um crescimento de R$ 150 bilhões nos gastos das famílias brasileiras este ano, o que pode levar o consumo total para mais de R$ 2,1 trilhões. É um número recorde, que ajuda a explicar a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim do segundo mandato.

Uma combinação de fatores positivos provocou essa explosão de consumo: crescimento econômico, forte expansão do crédito, geração de empregos (principalmente formais), aumento dos salários, câmbio valorizado e inflação controlada.

“O crescimento é a base, a inflação sob controle mantém o poder de compra e o crédito promoveu a alavancagem do consumo”, disse o economista do JP Morgan, Júlio Callegari. Ele ressalta que o crédito ao consumidor (excluindo o imobiliário) saiu de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002 para 14,8% em 2009 – um patamar semelhante ao dos países ricos.

Na avaliação do economista, outro fator importante para estimular o consumo é a valorização do real, que aumentou o poder de compra da população brasileira em dólares. É um fenômeno semelhante ao que ocorreu em 1994, no Plano Real.

Para o professor da Universidade de Campinas Júlio Sérgio Gomes de Almeida, a geração de empregos com carteira assinada também foi fundamental para o aumento do consumo. “A previsibilidade da renda do emprego formal deu à população condição de gastar mais e tomar mais crédito”, explica.

O ritmo de crescimento do consumo não foi uniforme. No primeiro ano de Lula, em 2003, os gastos das famílias chegaram a cair 0,8% por causa da turbulência nos mercados provocada pelas eleições. O ano de 2004 também foi relativamente fraco, com alta de apenas 3,8%.

A expansão do poder de compra ganha ritmo a partir de 2005, e o consumo das famílias cresce 4,5% naquele ano e 5,2% em 2006. A partir do segundo mandato, as taxas superam os 6%, chegando a 6,1% em 2007 e 7,1% em 2008. No ano passado, apesar da crise, os brasileiros consumiram 4% a mais.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, explica que, no início do governo Lula, o crescimento do consumo ficou concentrado nas classes mais baixas, que foram beneficiadas pelos reajustes do salário mínimo e pelos programas sociais, como o Bolsa-Família.

Na sua opinião, o grande impulsionador do consumo foi o avanço da classe C, que se consolidou a partir de 2005, quando a economia entrou em uma dinâmica positiva – maior crescimento e juros em queda. A participação da classe C no total de famílias brasileiras saiu de 23,7% em 2002 para 25,3% em 2005, e atingiu o recorde de 31,8% no ano passado.

“O Brasil ainda está nascendo para o consumo. O potencial é muito maior”, disse Vale. Mais de 60% das famílias brasileiras são consideradas pobres e fazem parte das classes D e E. A MB projeta que, se a expansão da economia persistir, a classe C vai se tornar a maioria da população em 2016.

Mas há muito riscos nesse caminho. Para a economista da Rosemberg & Associados Thaís Zara, o mais grave deles é o ritmo de crescimento se tornar insustentável, por causa da falta de investimento e de baixa poupança interna (ver matéria ao lado). O Banco Central deve elevar os juros e conter o consumo. Outro risco é uma deterioração do cenário internacional, já que a recuperação global ainda não é consistente.

12/03/2010 - 10:09h De volta ao crescimento

Nelson Barbosa – O GLOBO

A crise financeira internacional de setembro de 2008 gerou uma contração abrupta na oferta mundial de crédito e uma crise de confiança global. Houve retração no volume de comércio mundial, desaceleração no crescimento das principais economias ao longo de 2009 e, no caso do Brasil, os resultados recém divulgados pelo IBGE indicam uma queda de 0,2% do PIB no ano passado.

O impacto negativo da crise internacional sobre o Brasil se concentrou no último trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009. A partir de então, devido a uma série de iniciativas adotadas pelo governo, a economia brasileira começou a se recuperar. As medidas adotadas pelo governo ao longo de 2009 marcam uma mudança de postura da política econômica brasileira.

Diferentemente de episódios anteriores, o governo agiu para atenuar em vez de aprofundar o impacto da crise internacional.

Do lado monetário houve redução do compulsório dos bancos, expansão do crédito por parte dos bancos públicos e queda significativa na taxa básica de juro. Do lado fiscal houve desonerações tributárias para as empresas e para as famílias, manutenção dos programas sociais, aumento no salário mínimo, expansão do investimento público e incentivo ao investimento privado.

Os estímulos dados pela política econômica e a capacidade de resposta dos trabalhadores e das empresas brasileiras resultaram em uma rápida recuperação da economia. A recuperação começou pela expansão do consumo e, a partir do segundo semestre de 2009, o investimento voltou a crescer aceleradamente.

Três iniciativas do governo contribuíram para a recuperação do investimento: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que incentivou o investimento em infraestrutura; o programa Minha Casa Minha Vida, que estimulou o investimento em construção residencial; e o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que recuperou o investimento em máquinas e equipamentos via equalização de taxas de juro.

Os resultados do PIB no último trimestre de 2009 indicam que a atual trajetória de crescimento é compatível com a estabilidade da inflação.

O investimento vem crescendo acima do restante da economia, o que contribui para aumentar a capacidade produtiva do país. O resultado fiscal do governo federal começou a melhorar no fim do ano passado, o que indica uma queda na dívida líquida do setor público em relação ao PIB. E o elevado estoque de reservas internacionais dá margem de manobra para o Brasil enfrentar novas flutuações que por ventura aconteçam na economia mundial.

As expectativas de mercado e as projeções do governo indicam que o Brasil deve retornar ao patamar de crescimento pré-crise já em 2010. Esta resposta bem sucedida do Brasil à crise internacional de 2008 deve-se, sobretudo, ao novo tripé que orienta a política econômica nos últimos anos: crescimento econômico, inclusão social e redução da vulnerabilidade do Brasil a choques internacionais.

09/11/2009 - 09:02h Pobres já gastam 5% mais que ricos

http://www.vivaterra.org.br/consumo_93.1.jpg
Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste

Márcia de Chiara – O Estado SP

Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.

Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. “Houve uma reversão”, afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.

Ela atribui a mudança a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.

Embora em maior número, as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de lares que recebem até quatro salários mínimos (R$ 1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias das classes D e E do País. Já as classes A e B somam 4,9 milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).

Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo de 5,7% concedido neste ano. “O salário mínimo pesa muito nas regiões Norte e Nordeste”, diz.

Nas contas dele, a massa real de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro do registrado para essa população que vive no Sudeste do País, que foi de 3,1% nas mesmas bases de comparação.

Além disso, Borges ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), perdeu fôlego este ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003, o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%, prevê.

22/09/2009 - 08:55h Programas sociais do governo Lula tiram 19 milhões da pobreza

Em 5 anos, 19 milhões saem da pobreza

http://www.radiocidadeam.com.br/web/upload/fotos_noticias/74e787933ca308f244765c251bcf863e.jpg

Agência Brasil, do Rio – VALOR


Cerca de 31 milhões de brasileiros subiram de classe social entre os anos de 2003 e 2008. Entre eles, 19,4 milhões deixaram a classe E, que traça a linha da pobreza no país, tendo a renda domiciliar inferior a R$ 768,00, e outros 1,5 milhão saíram da classe D (de R$ 768,00 a 1.114,00). Com isso, houve uma queda acumulada de 43% no grupo dos mais pobres nesse período.

Ao mesmo tempo, a classe AB, que representa o grupo com renda domiciliar mais elevada (superior a R$ 4.807,00), ganhou 6 milhões de pessoas. A classe C (renda familiar entre R$ 1.115,00 e 4.807,00), que reúne a maioria da população, recebeu 25,9 milhões de brasileiros nos últimos cinco anos.

A constatação faz parte de um estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com base nos dados de 2008 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), apresentada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o economista da FGV Marcelo Néri, responsável pelo estudo, esse movimento foi puxado principalmente pelas políticas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família, que traz como impacto direto a melhoria na renda do brasileiro pertencente à camada mais baixa. Ele acredita que as transferências de renda no momento atual de crise podem contribuir para a retomada da economia.

“Se eu reajusto o Bolsa Família, a grande beneficiária é a classe E. Se eu aumento o salário mínimo, quem mais ganha é a classe D. Já se faço reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo quem ganha mais é a classe AB”, diz Néri. “Por isso defendo mais reajustes transitórios ao Bolsa Família do que reajustes permanentes ao mínimo e ganhos de pensões acima do mínimo, que não beneficiam nem a classe média brasileira.”

22/09/2009 - 08:35h 31,9 milhões sobem de classe social

Estudo da FGV mostra mudanças nas classes sociais de 2005 a 2008 e crescimento de 14,98% no potencial de consumo

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Adriana Chiarini, RIO – O Estado SP


O Brasil foi palco de intensa mobilidade social entre 2003 e 2008, com 31,9 milhões de pessoas subindo das classes mais baixas para as mais altas. Os dados, compilados pelo Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, divulgado na semana passada pelo IBGE, revelam que a população que ampliou as classes AB e C é de quase 5 milhões de pessoas a mais do que o CPS esperava há poucos dias.

Segundo o pesquisador Marcelo Neri, a ascensão da classe média decorreu basicamente do fator trabalho e renda. O potencial de geração de renda familiar cresceu neste período 28,32%, bem mais do que o crescimento de 14,98% do potencial de consumo. Por potencial de consumo entende-se o acesso a bens, especialmente duráveis, como eletrodomésticos.

A migração social estendeu-se também à base da pirâmide. Programas de geração de renda, como o Bolsa-Família, tiveram grande influência na redução da classe E, a mais baixa, de onde saíram 19,5 milhões de pessoas entre 2003 e 2008, correspondente a 43%. Outros 20,9 milhões saíram das classes D e E e foram para a classe média.

Neri considera que o fato de o resultado do aumento do potencial de geração de renda (do produtor) ter sido maior que o de consumo pode ter se dado em parte por incluir a posse ou uso de celulares e computadores como investimento e não de consumo pode. “Isso explica parte do aumento do potencial do produtor ter sido maior que o de consumo, mas acho que computador e celular aumentam a produtividade”, explicou.

Neri, que, por conta de dados anteriores, esperava crescimento do consumo superior ao da renda, declarou-se surpreendido com o resultado.

Também entram no cálculo estatístico do potencial de geração de renda fatores como a inserção no mercado de trabalho; o nível de educação dos membros das famílias; a matrícula dos filhos em escolas públicas ou privadas, e o investimento em Previdência.

Para Neri, “sementes plantadas na década de 90, como a estabilização, as reformas e o aumento do acesso à educação”, podem ter contribuído para o aumento do potencial de geração de renda das famílias nesta década.

Dois terços da queda da desigualdade no País num período um pouco mais longo – de 2001 a 2008 – podem ser explicados, na avaliação do economista, apenas pelo aumento da renda do trabalho. A desigualdade vem caindo paulatinamente nos últimos anos, como mostrou a Pnad por meio da medição do índice de Gini. Por esse sistema internacional de tabelamento, as sociedades são avaliadas por uma tabela de zero a um. Quanto mais próxima de zero, mais perfeita a distribuição de renda; quanto mais próxima de um, maior a desigualdade. Pela Pnad de 2008, o índice de Gini brasileiro foi de 0,515. Em 2001, ficara em 0,558.

“Tudo aponta mudanças na sociedade brasileira no sentido de que o valor do trabalho está aumentando”, afirmou o economista. “Esta é a década da redução da desigualdade de renda e do aumento do emprego formal”, concluiu a partir dos dados que mostram que, entre 2001 e 2008, a parcela formada pelos 10% mais pobres da população brasileira teve aumento de renda de 72,45%, enquanto os 10% mais ricos elevaram a renda em 11,37%.

20/08/2009 - 11:17h Desemprego tem quarta queda seguida e fica em 8% em julho

Taxa medida é a menor para meses de julho desde o início da série da pesquisa mensal, que começou em 2002

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Adriana Chiarini e Clarice Spitz, da Agência Estado

RIO – A taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 8,0% da População Economicamente Ativa em julho, ante 8,1% em junho, divulgou nesta quinta-feira, 20, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio levemente abaixo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 8,1% a 9,0%, com mediana de 8,35%.

A taxa medida é a menor para meses de julho desde o início da série da pesquisa mensal de emprego do IBGE, que começou em 2002.

Em julho de 2008, a taxa havia sido de 8,1%. O rendimento médio real dos trabalhadores registrou alta de 0,5% em julho ante junho e cresceu 3,4% ante julho de 2008. A pesquisa é realizada nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.

Número de ocupados cresce 0,9%

O número de ocupados nas seis principais regiões do País cresceu 0,9% em julho ante junho, com geração de 185 mil postos de trabalho. Na mesma comparação, o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) caiu 0,7%, para 1,9 milhão.

Na comparação com julho do ano passado, o número de ocupados subiu 1,1%, com ganho de 222 mil vagas, e o número de desocupados caiu 0,7%, com redução de 13 mil. O número de trabalhadores com carteira assinada em julho foi de 9,6 milhões pessoas, aumento de 1,5% em relação a junho e um acréscimo de 4,2% ante julho do ano passado.


Massa de rendimento real efetivo em junho/maio sobe 0,9%

A massa de rendimento real efetivo dos ocupados em junho subiu 0,9% em relação a maio e foi de R$ 28,2 bilhões. Essa massa teve alta de 4,3% em comparação a junho de 2008.

O rendimento domiciliar per capita em julho ficou estável (-0,1%) em relação a junho e teve alta de 2,5% em relação a julho de 2008.