12/09/2008 - 10:31h Marinho afirma que iniciou investigação que resultou na prisão de peritos do INSS em S.Bernardo

Leandro Amaral - Repórter Diário

Marinho afirma que investigação começou quando ainda era ministro.
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Felipe Logli
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O pleiteante ao Paço de São Bernardo Luiz Marinho afirmou que a operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (11), a qual prendeu 21 pessoas – entre elas três bernardenses (um vereador e dois candidatos ao Legislativo) suspeitos de fraudar benefícios do INSS- foi iniciada em 2007, quando o petista ainda comandava o Ministério da Previdência.

“Eu estava em uma caminhada no ano passado quando recebi um cartão de uma pessoa que eu não conheço me pedindo para investigar o escritório da Dra. Otília (Azevedo), pois apresentava irregularidades. Eu pedi para investigar e constatamos, realmente, os problemas”, explicou Marinho citando o nome de uma das possíveis envolvidas no caso, pois a ação ocorre em sigilo. “O passo seguinte foi passar o problema, como sempre fazemos, para a Polícia Federal”, emendou durante caminhada no bairro Baeta Neves.

Além da candidata a vereadora pelo PPS, o prefeiturável citou que um membro da base de sustentação do prefeito William Dib (PSB), na Câmara Municipal, também está envolvido. “O vereador preso, o Dr. Alberto Raposo (PSB), todo mundo sabe é uma liderança do prefeito e, aliás, eu tinha recebido várias denúncias dele”, afirmou o ex-ministro referindo-se ao correligionário socialista que é supervisor da Perícia Médica do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Luiz Marinho fez questão de ressaltar que cabe agora ao Ministério dar continuidade as ações que ele, como ministro, iniciou. “É o caminho da limpeza que o presidente Lula conduz e eu, na época ministro, botei para quebrar”, destacou. “Aqui em São Bernardo está muito claro que tem problemas, de forma que eu espero que a Previdência reveja os benefícios para não prejudicar ninguém”, observou.

Questionado sobre as conseqüências eleitorais que o caso poderia ter, uma vez que os supostos envolvidos são filiados aos partidos que apóiam os dois principais concorrentes, o petista foi taxativo. “Temos que separar as coisas e ter muita cautela, até porque podem ser filiados mas isso não significa que os meus concorrentes estejam envolvidos”, ressaltou garantindo não vai utilizar o episódio na disputa eleitoral.

Polícia desarticula quadrilha acusada de fraudar INSS em São Bernardo

A Polícia Federal desencadeou nesta quinta-feira (11) a Operação Providência, com o objetivo de desmantelar um esquema de fraude em benefícios previdenciários, especialmente os de auxílio doença e de aposentadoria por invalidez, requeridos na Agência da Previdência Social em São Bernardo. De acordo com estimativa da PF, as quadrilhas, que atuavam desde 2003, tenham intermediado cerca de 3.500 benefícios previdenciários fraudulentos, gerando um prejuízo à Previdência Social de aproximadamente R$ 200 milhões.

As quadrilhas corrompiam médicos peritos e outros servidores da agência da Previdência Social de São Bernardo para que estes concedessem benefícios de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez para pessoas saudáveis e com plena capacidade laboral.

Participam da operação 204 Policiais Federais e 10 servidores do Previdência Social, para cumprir 21 mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão contra servidores públicos, médicos peritos da Previdência Social, advogados, agenciadores e beneficiários que buscavam os serviços dos grupos criminosos.

As ações são realizadas nos município de São Bernardo, São Paulo, Santo André, Diadema, Mogi das Cruzes, Guareí, Americana, Campos do Jordão, Guarujá, Bertioga, Santos, Itanhaém e Montes Claros, em Minas Gerais. Segundo a PF, as investigações constataram que diversas empresas, empresários e advogados domiciliados em São Bernardo estariam intermediando a concessão fraudulenta dos benefícios previdenciários.

A Força Tarefa Previdenciária analisou 349 benefícios previdenciários intermediados pela quadrilha, com indícios de fraudes, cujo prejuízo aos cofres da União estão estimados em R$ 8,720 milhões. Os titulares desses benefícios com indícios de fraudes deverão ser submetidos a novos exames periciais pela Previdência Social.

Também serão cumpridas ordens de bloqueio de contas bancárias, seqüestro de imóveis e veículos automotores utilizados pelos grupos criminosos, bem como a realização de perícias por junta médica da Previdência Social em segurados que participaram do esquema delituoso. (AE)

15/08/2008 - 15:12h Depois de 12 anos, S.Bernardo revive disputa acirrada

Leandro Amaral - Repórter Diário

Natália Fernandjes
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O ex-prefeito de São Bernardo, Maurício Soares (esq) e o atual prefeito de São Bernardo, William Dib

 

 

Nos últimos dois pleitos (2000/2004), a corrida eleitoral em São Bernardo nem de longe chegou a despertar um clima de disputa. Nos dois casos, os candidatos governistas - Maurício Soares e William Dib - não deram a menor chance para a oposição representada pelo candidato petista Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho.

Porém, esse ano a empreitada rumo ao Paço será mais árdua. Três dos cinco prefeituráveis polarizam os holofotes do cenário eleitoral bernardense: o ex-ministro da Previdência e do Trabalho Luiz Marinho (PT) e os deputados estaduais Orlando Morando (PSDB) e Alex Manente (PPS).

Para apimentar ainda mais o contexto, dois personagens renomados da política local travam uma verdadeira queda de braço, na qual duelam na busca de saber quem tem mais poder e status perante os munícipes. De um lado o atual prefeito William Dib e do outro o também um ex-prefeito Maurício Soares. Para se ter uma idéia de como a política é dinâmica, ninguém imaginava, em um passado recente, que os dois protagonizariam uma disputa paralela e em lados opostos.

A divergência começou em agosto do ano passado. Na ocasião, Dib indicou a pré-candidatura governista que disputaria a sua sucessão com Maurício Soares como prefeito e Orlando Morando vice. A dobrada escolhida pelo prefeito caiu como uma bomba entre os aliados. Prova disso, foi que mesmo anunciando aos quatro ventos que o grupo situacionista estava unido, Maurício e Orlando romperam a chapa em janeiro deste ano.

De lá pra cá o que se viu foi uma série de tentativas dos governistas de tentar maquiar a ruptura entre os aliados. Mas os planos de esconder a “sujeira debaixo do tapete” não durou muito e acabou com uma seqüência pública de troca de farpas entre os até então amigos inseparáveis Maurício Soares e William Dib.

No fim desta história aconteceu o que nem mesmo os mais utópicos imaginavam. Maurício voltou às origens e filiou-se novamente ao PT - sigla que o elegeu prefeito em São Bernardo pela primeira vez no fim da década de 80 - e trabalha como coordenador político e homem de confiança do prefeiturável Luiz Marinho.

Dib, por sua vez, concentra todos os esforços na candidatura de Orlando Morando com o objetivo de fazer o afilhado político seu sucessor e de quebra manter a dinastia governista que perdura 12 anos.

A resposta para quem é o maior cabo eleitoral entre os dois virá no dia 5 de outubro. Mas, se até lá os números da pesquisa realizada pelo Instituto Opinião (veja págs. 5, 6, e 7) - contratada pelo Repórter Diário em um pool com mais três jornais - forem mantidos, a reposta para os ex-aliados será adiada até o fim de outubro. Pois, ao que tudo indica, depois de 12 anos a cidade será, mais uma vez, protagonista de um segundo turno. E, segundo os especialistas no assunto, uma das disputas mais acirradas da história.

15/08/2008 - 15:03h São Bernardo: Morando (PSDB) lidera, mas disputa se acirra com Marinho (PT) e Manente (PPS)

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Leandro Amaral - Repórter Diário

O candidato governista à sucessão municipal de São Bernardo Orlando Morando (PSDB) lidera com 26% das intenções de voto, seguido por Luiz Marinho (PT) com 19%, Alex Manente (PPS) 13%; Aldo Santos (Psol) e Evandro de Lima (PTdoB) aparecem empatados com 1%. Se os números forem mantidos até o dia do pleito - 5 de outubro - a cidade terá 2º turno, fato que não ocorre desde 1996.

A pesquisa realizada pelo Instituto Opinião foi contratada por um pool de jornais (Repórter Diário, Folha de Ribeirão, ABCDMaior e Ponto Final) e ouviu 800 pessoas entre os dias 11 e 12 de agosto. A margem de erro é de 3,4% para mais ou para menos. O levantamento foi registrado na 174ª Zona Eleitoral sob o nº 006/2008.

Porém, o que mais chama atenção é o número de eleitores indecisos. De acordo com a pesquisa, 28% do eleitorado afirmou que ainda não definiu o candidato e 12% não votará em nenhum dos postulantes ao Paço.

A pesquisa foi baseada em sete vertentes: sexo, idade, região, renda, escolaridade, religião e tempo de moradia. Em todas elas, o prefeiturável governista leva a melhor. Entretanto no quesito região, quando o local avaliado é a periferia, a diferença entre o tucano e o petista praticamente não existe. No Montanhão os candidatos somam, respectivamente, 23% e 20%. Já no Jardim das Orquídeas, Marinho chega a ultrapassar Orlando, 27% a 26%.

Já Alex Manente alcança a segunda colocação, no mesmo item, em três dos seis bairros pesquisados. Na Vila Vivaldi, Paulicéia e São Marcos o socialista polariza a disputa com o tucano.

Segundo dados do levantamento, 44% dos entrevistados afirmaram estar plenamente decididos quanto a escolha do candidato e 17% admitiram que podem mudar o voto até o dia da eleição.

Em relação ao conhecimento dos prefeituráveis, 58% dos eleitores sabem que Orlando Morando é candidato; 53% conhecem a candidatura de Manente; 49% sabem que Luiz Marinho é candidato; Evandro de Lima e Aldo Santos aparecem com 18% e 17% respectivamente.

Espontânea
Na pesquisa espontânea - onde o eleitor não recebe a lista com o nome dos candidatos - Orlando Morando é citado por 17% dos entrevistados, seguido por Luiz Marinho 13%, Alex Manente 8% e, assim como na estimulada, aparecem Aldo Santos e Evandro de Lima com 1%. Neste caso a porcentagem de indecisos atinge 52%. Já os eleitores que afirmaram não votar em nenhum dos prefeituráveis somaram 8%.

Rejeição
Na avaliação quanto à rejeição de cada candidatura, os pleiteantes aparecem tecnicamente empatados de acordo com a margem de erro: 25% dos entrevistados não votariam de jeito nenhum em Luiz Marinho; 23% descartam Orlando Morando e Evandro de Lima, 21% não escolheriam Aldo Santos e 20% não votariam em Alex Manente.

Leia a pesquisa completa aqui

13/08/2008 - 16:01h São Bernardo: Maurício Soares rompe a ‘última ligação’ com Dib

Leandro Amaral - Repórter Diário

 

MAURICIO SOARES

Depois de pedir exoneração do cargo de secretário de ações especiais e romper politicamente com o prefeito de São Bernardo William Dib (PSB) para unir-se à candidatura do ex-ministro da Previdência Luiz Marinho (PT), o ex-chefe do Executivo, Maurício Soares, pediu desfiliação do Partido Socialista Brasileiro (PSB), nesta terça-feira (12), e quebrou o último resquício de ligação que ainda tinha com os ex-aliados.

O pedido foi protocolado pelo juiz da 283ª Zona Eleitoral e também pelo diretório municipal do partido às 15h. No texto, Maurício alegou motivos “pessoais e políticos”. “Ficou claro que o meu partido não sustentou minha candidatura. Ainda tentei intervenção, mas para se ter uma idéia até hoje não sei a resposta. Aí culminou no que eu não queria, que foi a coligação com o PSDB”, explicou Maurício Soares.

O ex-socialista afirmou ainda que não guarda mágoas do agora ex-ninho político. “Fiquei triste porque acredito que só eu segui a resolução nacional do partido, mas eles optaram por outro caminho… Foi melhor eu sair”, ressaltou Maurício admitindo que pode voltar ao grupo socialista desde que com um quadro de correligionários bem diferentes. “Tudo é possível. Mas, agora acho quase impossível pelas pessoas, como o atual prefeito, que estão na liderança da legenda”, concluiu.

Por outro lado, os socialistas bernardenses receberam sem surpresa a iniciativa. “Nós respeitamos o nome dele, só até estranhamos a demora com que ele tomou essa atitude”, disse o presidente municipal do PSB, Luiz Carlos Erédia, ressaltando que “as portas estarão sempre abertas para acolher o ex-prefeito”. “O dia que ele quiser voltar será um prazer”, emendou Erédia.

Histórico

Maurício Soares chegou a ser indicado por Dib, no ano passado, para encabeçar a chapa governista que tinha como vice Orlando Morando (PSDB). No entanto, por incompatibilidade de gênios, uma briga no início deste ano frustrou o sonho do atual prefeito em ter na dobrada seus dois maiores aliados.

A partir de então, Maurício começou a flertar uma reaproximação com o PT que foi confirmada meses depois. Orlando Morando, de imediato, lançou-se como pré-candidato a prefeito, fato também confirmado meses depois na convenção dos tucanos bernardenses.