Isabel Sobral – O Estado SP

Os Estados da Região Nordeste registram um saldo positivo entre admissões e dispensas de 100,4 mil novas vagas no mês passado. Pela primeira vez no ano, a região superou o Sudeste, onde foram gerados 85,8 mil postos. Comparando apenas os estados, São Paulo continuou na liderança do ranking com a abertura de 59,5 mil novas vagas de trabalho, impulsionado pela recuperação da indústria e pelos serviços.
Por causa da colheita da safra de cana-de-açúcar e produção sucro-alcooleira, Alagoas foi o segundo Estado que mais abriu novas ocupações.
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No Estado de São Paulo, foram criadas 59.547 novas vagas. A indústria foi o setor que mais contratou: 21.146. Serviços ficou com o segundo lugar no ranking, com a contratação de 19.750 trabalhadores com carteira de trabalho, segundo o Caged.
Emprego formal bate recorde em setembro
Indústria é responsável por quase metade das 252,6 mil vagas criadas
A recuperação da indústria avançou em setembro. As fábricas foram responsáveis por quase metade dos 252,6 mil novos empregos formais criados em setembro – o melhor resultado deste ano do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O setor industrial abriu 123,3 mil ocupações com carteira assinada, duas vezes mais que em agosto, e alcançou o melhor saldo mensal do setor na série do Caged, iniciada em 1992. O subsetor de alimentos e bebidas, com quase 63 mil novas vagas, foi o grande destaque da indústria.
O resultado geral do Caged foi ainda o segundo melhor da série histórica para um mês de setembro. Mas ainda ficou abaixo do resultado obtido em setembro de 2008, antes do início da fase mais aguda da crise, quando 282,8 mil vagas formais foram criadas na economia.
Com o bom desempenho de setembro, o mercado formal de trabalho acumulou 932,6 mil novos postos de trabalho no ano. Com isso, o estoque de empregos com carteira assinada no País subiu para 32,9 milhões. O saldo dos nove primeiros meses do ano é pouco menos da metade dos dois milhões de empregos criados de janeiro a setembro do ano passado, mas representa o primeiro período acumulado deste ano em que todos os setores da economia contrataram mais trabalhadores do que demitiram.
PERSPECTIVA MELHOR
Empolgado com os dados favoráveis, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, estimou que a economia vai gerar este ano 1,1 milhão de empregos formais – 100 mil a mais do que previa até agora. Ele ressaltou, porém, que essa é uma avaliação pessoal. “Ainda é cedo para termos uma projeção precisa de como o mercado de trabalho vai se comportar em dezembro”, comentou.
No último mês do ano, as demissões tradicionalmente superam as admissões por causa da dispensa dos trabalhadores temporários contratados pelas empresas no início do segundo semestre. Na média, nos últimos anos cerca de 300 mil empregos formais foram fechados nos meses de dezembro. Em dezembro de 2008, quando esse fator sazonal se combinou com os efeitos da crise financeira mundial, foram perdidas 654 mil vagas, um número recorde.
Confiante que a indústria continuará com um ritmo forte de contratações em outubro e novembro, o ministro antecipou esperar para este mês “um resultado (do Caged) melhor do que o de setembro”. Se se confirmar, esse movimento será atípico já que em anos anteriores nos meses de outubro houve redução de contratações em relação a setembro.
“Mas, como houve forte retração no primeiro semestre por causa da crise, deveremos ter uma surpresa positiva agora”, comentou Lupi.
ALIMENTOS E BEBIDAS
Em setembro, todos os 12 segmentos do setor industrial tiveram saldo positivo entre contratações e demissões, com destaque para a indústria alimentícia e de bebidas. O setor têxtil e de vestuário foi o segundo destaque, com 10,5 mil novos postos. No mês passado, os serviços também contrataram mais, gerando 62,7 mil novos empregos. Na sequência, veio o comércio com 50,3 mil postos e a construção civil com 32,6 mil. Apenas a agropecuária eliminou empregos no mês passado, registrando um saldo negativo 17 mil vagas, por causa da entressafra na região Centro-Sul do País.
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Articulista da Folha compara a expansão do metrô na cidade de Xangai com São Paulo. Vale destacar que o metrô de Xangai começou a ser construído em 1995 e em 2007 já atingia 227 Km.
Em 1995, os tucanos já governavam São Paulo e o Brasil. Em 14 anos de governo do PSDB a rede de metrô em São Paulo cresceu 11 Km. Hoje São Paulo tem 61 Km de metrô, como bem lembra o articulista da Folha. Xangai projeta em 10 anos mais 800 Km para sua rede.
Durante as eleições municipais do ano passado Marta propôs a meta de mais 40 Km para 2014 e foi tachada de irrealista pelos adversários e pela maioria dos jornais. LF

Rede do metrô de Xangai: 227 Km construidos em 12 anos
VAGUINALDO MARINHEIRO – FOLHA SP
SÃO PAULO – Xangai, no leste da China, é uma cidade de 18 milhões de habitantes que em alguns aspectos lembra São Paulo: o trânsito é caótico e está pior por causa das obras de reurbanização para a Expo 2010; alguns de seus “minhocões” passam ainda mais perto das janelas de apartamentos; e sua principal rua de compras, a Nanjing road, um calçadão onde ambulantes oferecem de tudo (incluindo mulheres e drogas), nos remete imediatamente à Barão de Itapetininga, no centro.
Mas as semelhanças param por aí porque Xangai pensa no futuro e enfatiza o planejamento urbano.
Enquanto nós gastamos anos e anos nas discussões de planos diretores que nunca são levados a sério, os chineses têm tudo definido: do bairro que terá incentivos para virar um novo centro financeiro às novas áreas verdes.
Mas o planejamento principal está no transporte. Xangai sabe, como São Paulo deveria saber, que não avançará sem resolver seu trânsito.
Para isso, já estão definidos novos túneis sobre o rio Huangpu, que divide a cidade, e principalmente os investimentos no metrô.
Xangai tem 200 km de linhas.
Prevê, para 2020, 800 km. Repito: oi-to-cen-tos! Será a cidade com a maior rede de metrô do mundo.
E São Paulo? Nosso Metrô foi inaugurado em 1974. Levamos inacreditáveis 35 anos para chegar a apenas 61 km.
Questionada, a Companhia do Metropolitano de São Paulo afirmou que em 2020 terá 142 km de metrô tradicional mais 95 km de VLT (veículos leves sobre trilhos), totalizando 237 km.
Temos até razões para desconfiar de alguns dados fornecidos pelos governos chineses, mas quando o assunto é construção de infraestrutura, eles não brincam em serviço e cumprem prazos.
Já em São Paulo… Com nosso histórico, dá para acreditar nesses 237 km de metrô em 2020?
vmarinheiro@uol.com.br
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Astronautas desenvolveram tripé que pode ser movido lentamente para compensar movimento do planeta
BBC Brasil- Agencia Estado
- Anos de trabalho e aperfeiçoamento técnico possibilitaram que astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI) registrassem impressionantes imagens de algumas das principais cidades da Terra à noite.Veja também:
Galeria de fotos
As fotos foram registradas entre 2007 e 2008, e, segundo a Nasa, mostram como “as luzes das cidades apresentam uma prova espetacular da nossa existência, nossa distribuição e nossa habilidade para mudar o ambiente em que vivemos”.

São Paulo e Santos registradas do espaço – Foto: Nasa
No início do projeto, os astronautas encontraram dificuldades para obter fotografias nítidas, já que as lentes precisam de um grande tempo de exposição, mas a EEI se move rapidamente.
Eles então desenvolveram um tripé colocado sobre uma plataforma que pode ser movida lentamente, compensando a rotação da Terra e o deslocamento da EEI, e possibilitando fazer imagens mais definidas.
As fotos das cidades foram tiradas de uma distância entre 350 e 400 km da Terra.
Tags: , Buenos Aires, Cidades, espacio, fotos, Nasa, Planeta, Santos, São Paulo, Terra
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21/07/2009 - 18:08h
São Paulo
Maria Suely de Oliveira
São Paulo
Vista do chão
É a civilização
É chiclete
Espaguete
Gilete
Papelão
Página internética
Perdida no espaço
Máquina moderna
Fábrica de miséria
Memória de bagaço
De sangue, suor,
Poeira, aço
E pedaço de pão
É a civilização
Megalópole de vida mutante
Espremida no esperma
Do lixo de luxo
Do espigão
É a civilização
Mercadora de entulho
Mendiga de sonho
Caco de ilusão
É a civilização
De São Paulo
Vista do chão
Revelações Brasileiras-Coletânea Poética, Shan Editores, 1998 – RS, Brasil
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Colaboração para a Folha Online
A 13º Parada Gay da cidade de São Paulo será realizada neste domingo (14), com a expectativa de reunir 3,5 milhões de pessoas.
Assim como em outros anos, o evento começa na avenida Paulista, em frente ao Masp, e seguir até a praça Roosevelt. A parada está marcada para começar as 12h e vai contar com 20 trios elétricos.
Confira a ordem dos trios
1- Não homofobia
2- Apoglbt – trio oficial da abertura
3- Ministério do Turismo
4- Disponível.com
5- 155 Hotel
6- Parceria Civil JÁ!
7- UGT (União Geral dos Trabalhadores)
8- Cads/Sepp (Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual e Secretaria de Participação e Parceria do município de São Paulo)
9- Prefeitura São Paulo
10- CRP (Conselho Regional de Psicologia)
11- CUT (Central Única dos Trabalhadores)
12- Seesp (Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo)
13- Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo)
14- ABCDS – Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual
15- Agência Top
16- Banda Fuxico
17- Salete Campari
18- Sintratel (Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing)
19- São Paulo de Bolso
20- Apoglbt (homenagem)
Tags: , 13º Parada Gay, eventos, manifestação, Parada gay, São Paulo
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Marcela Fonseca, Renato Santiago do Agora e Agência Folha
Desde o início do ano, os temporais que acometem o Estado já causaram a morte direta ou indireta de 23 pessoas. Até agora, a capital é a região que mais registra mortes, seis ao todo. Segundo a Prefeitura de São Paulo, 591 famílias foram afetadas e são assistidas pela administração. A Secretaria Municipal de Saúde aponta 40 pessoas com leptospirose decorrente do contato com enchentes.
A região de Campinas é a segunda mais atingida. Segundo dados Defesa Civil, quatro pessoas morreram e quase 4.000 estão desalojadas. Cidades do ABC também sofrem com os estragos.
Em São Paulo, o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) aponta a região do Butantã (zona oeste de SP) como a mais prejudicada. A segunda é São Mateus (zona leste de SP).
A Prefeitura de São Paulo trabalha com um mapa de áreas de risco desatualizado. Um novo estudo será providenciado, mas só depois da temporada de chuvas. O Jardim Esperança (zona norte), onde morreram os primos Maxwel Oliveira, 17 anos, e Ednaldo de Lima, 26, na noite de anteontem, está na lista dos novos pontos de risco.
Tags: Campinas, chuvas, enchentes, Estado SP, governo SP, Kassab, mortes, Prefeitura SP, prefeituras, São Paulo, Serra
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Corrida presidencial
PT paulista fecha com Dilma
Em jantar oferecido por Marta Suplicy, ministra recebe manifestações de apoio dos colegas de legenda. Petistas vão trabalhar para realizar eventos no estado que a coloquem em evidência
Alessandra Pereira
Da equipe do Correio Braziliense
| José Patríicio/AE |
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Palocci estava entre os 60 convidados da recepção que Marta organizou para Dilma Rousseff
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São Paulo – Foi com um jantar em plena noite de sexta-feira 13 que a cúpula do PT paulista deu sua bênção à provável candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A semana em que a ministra manteve-se em evidência a ponto de incomodar a oposição terminou com uma elegante recepção na casa da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, na qual cerca de 60 expoentes da legenda em São Paulo afinaram o discurso e começaram a dar lastro partidário à preferida de Lula para a disputa da corrida de 2010. Os caciques paulistas negaram resistências manifestando reiteradas vezes a unidade em torno de Dilma. A ministra retribuiu no mesmo tom, fazendo rasgados elogios à história do PT e ao significado da legenda para sua geração.
A presença de representantes das três instâncias partidárias e das diferentes correntes internas do PT comprovou a “absoluta unanimidade” do nome de Dilma entre os paulistas, garantiram parlamentares como o vereador José Américo, presidente do diretório municipal do PT. Ele e os presidentes nacional e estadual do partido, respectivamente Ricardo Berzoini e Edinho Silva, estavam entre os primeiros a chegar à residência de Marta, no Jardim Europa, na Zona Sul da capital paulista. Também compareceram nomes como o ex-presidente da Câmara Federal Arlindo Chinaglia, o atual líder da bancada, Cândido Vaccarezza, os senadores Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante, e o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo, além de prefeitos e parlamentares como os deputados Vicentinho, Antônio Palocci e João Paulo Cunha.
Recebida com carinho pela anfitriã Marta, e com orquídeas pelo senador Suplicy, Dilma, atenta às investidas da oposição, que acusa Lula de antecipar a corrida eleitoral, manteve-se discreta e em nenhum momento assumiu diretamente a candidatura, nem ao longo do jantar. Aos jornalistas que esperavam sua chegada, enfatizou: “Eu não estou candidata e também ainda não sou candidata. Porque para eu ser candidata já teria que ter debatido este tema com o presidente e ainda não o fiz. E teria que ter o apoio do meu partido. As duas coisas não estão dadas ainda.” Em seguida, ela disse que o Brasil está “maduro para ter uma mulher presidente”, afirmou que “dar continuidade aos projetos do governo Lula” é sua maior ambição, negou enfrentar resistências internas e considerou a si mesma o que há “de mais vívido” no PT.
Durante o jantar, Dilma fez um rápido discurso no qual destacou conquistas do governo. Às palavras da ministra seguiram-se falas de diferentes petistas defendendo o lançamento do nome dela para a sucessão em 2010. Dilma foi praticamente aclamada como candidata pelos paulistas, mas manteve a discrição, colocando-se “à disposição do partido”. Com o consenso em torno da ministra, o PT quer agora pavimentar o caminho para a candidatura no estado. O primeiro passo será marcar agendas com a presença de Dilma. “Nossa ideia é dar mais visibilidade a Dilma e programar agendas relacionadas às ações de governo, ao trabalho da ministra à frente do PAC. A ministra concordou, desde que seja fora dos horários de expediente dela”, disse o vereador José Américo.
análise da notícia
Disputas internas superadas em prol de 2010
O amadurecimento político é um dos fatores que contribui neste momento para que o PT, aos 29 anos, opte por não gastar tempo em disputas internas desnecessárias diante do monumental desafio que será tentar vencer os adversários e o próprio carisma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para manter o comando do país no final de 2010.Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, no entanto, os pesos pesados históricos da legenda em São Paulo, estado que detém o registro de nascimento do PT, não estão ratificando o nome de Dilma Rousseff à sucessão presidencial por ser ela a “eleita” de Lula para a disputa. Além da falta de um sucessor natural, os petistas estão endossando as qualidades políticas e a competência da ministra nascida mineira e com carreira projetada entre os gaúchos.
Quem conhece a estrutura interna do PT sabe que, se houvesse outra aposta, mais orgânica e com a mesma musculatura política já desenvolvida pela ministra, a legenda seria capaz de contrariar as preferências de seu maior líder. O fato é que, como diz o vereador José Américo, a ministra tornou-se pouco a pouco unanimidade entre os petistas, porque provou, para eles, ser “muito competente e muito boa mesmo.”
Diante da pedreira esperada para o ano que vem contra os tucanos, seja tendo como adversário o governador paulista, José Serra, ou o mineiro, Aécio Neves, o PT paulista deixa as articulações em torno da sucessão estadual em segundo plano e, ao menos aparentemente, consegue consenso em suas quatro maiores correntes internas em relação à candidatura presidencial. E sai na frente ao começar construindo a unidade partidária em torno de Dilma por São Paulo. (AP)
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Solidão em São Paulo. A urgência e o caos urbano de uma cidade com 12 milhões de habitantes (vídeo de 2007) – Ricardo Fujii
Tags: 455 anos, Ricardo Fujii, São Paulo, SP 455 anos
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Distrito Federal tem a maior renda per capita do país e Piauí, a menor
Liana Melo – O Globo
O Brasil começou a ensaiar os primeiros passos no sentido de reduzir sua concentração econômica, mas ainda assim 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) continuaram a ser gerados, em 2006, por sete estados mais o Distrito Federal. Este grupo é composto por São Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Santa Catarina.
A capital do país manteve ainda a maior renda per capita nacional. No Distrito Federal, este valor foi de R$ 37.600 em 2006, o que significou três vezes o PIB per capita geral (de R$ 12.688).
São Paulo, a principal economia do país, perdeu representação no PIB nacional entre 2002 e 2006. A economia paulista, que tinha um peso de 34,6% em 2002, caiu para 33,9% quatro anos depois. Segundo Frederico Cunha, gerente de Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ser a locomotiva econômica do país, São Paulo tende a sofrer mais com os baixos resultados do nível de atividade industrial.
— Do mesmo modo que São Paulo sofre em anos de baixa atividade econômica, também se recupera rapidamente quando o país volta a crescer — explicou Cunha.
O Rio, por sua vez, aumentou sua participação no PIB, de 11,60%, em 2002, para 11,62%, em 2006. A ligeira queda de São Paulo foi compensada pelo pequeno aumento de participação do Rio, o que acabou conferindo à região Sudeste do país um aumento de 56,7% do PIB, em 2002, para 56,8% em 2006. Pelos dados do IBGE, o valor nominal do PIB de São Paulo e Rio de Janeiro eram, respectivamente, de R$ 802,5 bilhões e R$ 275,3 bilhões.
Apesar de não constar do clube das oito maiores economias do país, o Ceará foi o estado que mais cresceu em 2006: 8%, bem acima da média nacional, 4%. O desempenho da economia cearense foi seguida praticamente por toda a região Nordeste. A explicação, segundo Cunha, é que o comércio, setor da economia que tem peso importante na região, apresentou um bom desempenho em 2006. O impulso para estimular as vendas veio do aumento da massa salarial e dos recursos liberados pelos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.
De 2002 a 2006, segundo o IBGE, o peso da região Nordeste no PIB nacional cresceu de 13% para 13,1%.
Enquanto o Distrito Federal manteve a liderança no ranking do PIB per capita anual, os estados do Maranhão e Piauí continuaram a ocupar as últimas posições no ranking do IBGE: R$ 4,6 mil e R$ 4,2 mil, respectivamente.
Já em São Paulo, dono do maior PIB nacional, a renda per capita foi de R$ 19.548 e no Rio, de R$ 17.695.
— Como para alguns estados, como o Distrito Federal, a a administração pública tem muita importância, movimentos de contenção de despesas podem ter força para afetar o resultado do PIB — afirmou Cunha, referindo-se a eventuais reduções de gastos devido à crise econômica.
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Programa de reconstrução do centro, breve balanço e perspectivas
Contribuição de B.K.
A partir de 2001 a Prefeitura articulou uma série iniciativas para a qualificação do Centro de São Paulo. O programa tinha como pressuposto a existência de riquezas econômicas e culturais importantes, que poderiam levar a uma nova dinâmica numa região de problemas. Destacavam-se então:
a) a existência de grandes marcos arquitetônicos e urbanísticos (o Teatro Municipal, o Mercado e as Praças da Sé e República etc.),
b) uma densa economia composta por ruas comerciais (25 de março, José Paulino e Oriente entre diversas), aglomerações produtivas (confecções e gráfica) e novos serviços (educação superior, call centers e entes públicos).
c) Infra-estrutura urbana consolidada;
Como principais problemas:
a) A perda acelerada de população residente no centro, o que reduz a vitalidade da região fora dos horários comerciais,
b) Degradação urbana pelas más condições de conservação e manutenção das vias e prédios públicos;
c) Sensação de insegurança (embora até hoje as estatísticas a apontem como uma área de baixos índices de criminalidade e violência).
Contando com parcos recursos do orçamento municipal em virtude endividamento legado, a Administração optou pela contratação de um grande empréstimo junto ao BID e pela intensificação de ações de zeladoria. Estas tiveram como foco o Centro Histórico com a melhora da limpeza e coleta, manutenção de calçadas, iluminação pública, a presença da guarda municipal, restrição aos camelôs e a assistência aos moradores de rua.
O programa acordado com o BID em 2003 (de U$ 100 milhões mais U$ 60 milhões de contrapartida, então R$ 450 milhões) abarcava um amplo leque de ações. Os projetos mais importantes: a restauração do Mercado Municipal, a renovação urbana no Parque D. Pedro, investimentos nas praças públicas (Sé, República, Roosevelt); nos corredores de tráfego, transporte e em drenagem urbana. Adicionalmente iniciativas de moradia popular foram também conduzidas com ampla aprovação do BID em especial a área conhecida como Favela do Gato e o Edifício São Vito. A convicção de que era importante trazer população residente ao centro, combinada à questão social do acesso à moradia pelas famílias de baixa renda (menos de 3 mínimos) na cidade fundamentou ações de estímulo de projetos para este público.
O conjunto da obra em 2004 apontava o seguinte balanço:
a) Uma reconhecida melhora na área de zeladoria;
b) Investimentos financiados ou utilizados como contrapartida ao BID: Mercado Municipal, Parque D. Pedro, Favela do Gato, Oficina Boracéia.
c) Investimentos na área cultural como a Biblioteca Mário de Andrade, a Galeria Olido, o Teatro Municipal entre outros.
d) Programas de estímulo à moradia popular;
O Governo Serra/Kassab interrompeu por completo o programa e os desembolsos do financiamento do BID, pagando por isso multas sobre o saldo do empréstimo (U$ 70 milhões), além de perder recursos pela valorização da moeda nacional em relação ao dólar. Apostou num programa de re-qualificação da Cracolândia com base na atração de empresas de tecnologia da informação (TI). Os resultados foram pouco relevantes até aqui, conforme balanços divulgados pela grande imprensa. Abandonou as ações do governo anterior nas áreas de manutenção e no investimento em infra-estrutura.
Passados sete anos da iniciativa, que perspectivas apontar para o futuro?
Em primeiro lugar, é possível aferir claramente os danos da descontinuidade. O Governo Marta respeitou os contratos assinados da gestão anterior que autorizavam o empréstimo do BID para o Centro. Aproveitou também os poucos projetos e estudos existentes. Com isso conseguiu resultados mais imediatos. Isso nos deixa por outro lado uma nova lição: a frágil iniciativa da Cracolândia deve ser mantida, embora repensada. Adensar a economia local é correto, mesmo que a aposta das TIs tenha falhado. Cabe neste caso avaliar como dar continuidade à idéia e conferir um tratamento social e não exclusivamente policial à questão do consumo de drogas na região. Trata-se de um espaço do Centro próximo à Luz, que concentra investimentos públicos importantes, economia dinâmica e marcos arquitetônicos.
Em segundo lugar, a melhora da qualidade da zeladoria traz resultados sociais rápidos e deve ser retomada como eixo fundamental e prioritário. Resolver questões de infra-estrutura tem um custo mais baixo do que em outras regiões e o saldo do financiamento do BID poderia dar conta dos problemas mais urgentes (basicamente drenagem e tráfego).
Em terceiro lugar, a vida cultural pode ser facilmente animada desde que haja facilidades de acesso. A retomada de planos de concessão e construção de garagens e estacionamentos é fundamental. Isto ajudaria a estimular áreas como a Moda, design, artes e entretenimento, que têm sido motores da revitalização de áreas centrais de várias Metrópoles Mundiais, uma experiência que deve ser levada em conta pela próxima administração.
Finalmente, a questão chave da moradia no Centro precisa ter seu foco ampliado. Hoje a construção civil e o mercado imobiliário vivem um momento muito melhor. As novas regulações estabelecidas pelo governo Lula, somadas à expansão da economia e à melhor distribuição de renda desencadearam uma grande demanda por imóveis. Ademais, a imprensa repercutiu a elevação de milhões de pessoas ao padrão de consumo e comportamento das classes médias. Sabemos que boa parte deste contingente vive em São Paulo. Ë possível supor que famílias, jovens e profissionais de renda média vejam no centro um novo modo de conviver com a cidade. A Prefeitura de São Paulo pode mobilizar instrumentos para isso: uma nova Operação Urbana e uma legislação fiscal para o Centro que favoreçam os empreendimentos para esse público. A outorga não onerosa para a construção somada à redução do ISS para novos projetos e reformas seriam incentivos importantes para a construção. IPTU e taxas mais baixas ajudariam atrair novos moradores.
Em suma, não há muito a inventar. Aproveitar os bons resultados do passado e aprender com os erros é um bom ponto de partida. Em 2009 o novo Governo contará com maiores recursos do erário e com a economia nacional em crescimento. Basta ter mais foco, determinação e sintonia com as novas dinâmicas da sociedade e da economia paulistana.
B.K.
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A mancha urbana cresceu a ponto de emendar São Paulo a Campinas, uniu 65 municípios e hoje abriga 12% da população brasileira.
Diego Zanchetta – O ESTADO DE SÃO PAULO
Em 1722, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, que herdou o nome do pai, o lendário Anhangüera, deixou a cidade de São Paulo com uma tropa de 152 homens armados, 2 religiosos e 39 cavalos.Por cinco dias, embrenhou-se na mata fechada até achar um lugarejo que virou ponto estratégico para tropeiros ávidos em chegar ao sertão das minas de ouro de Goiás e Mato Grosso. Essa parada, 23 anos depois, foi batizada de Campinas. Hoje o antigo “Caminho dos Goiases”, a trilha de 102 quilômetros aberta pelo bandeirante, virou uma coisa só: a primeira macrometrópole do Hemisfério Sul, uma mancha urbana de 22 milhões de habitantes.
São 300 mil veículos que circulam todo dia pelo complexo rodoviário mais movimentado de São Paulo, as Rodovias Anhangüera e Bandeirantes. No entremeio fica o parque industrial mais rico do País, que responde por 65,3% do Produto Interno Bruto estadual ou 22,1% do nacional, uma economia de R$ 475 bilhões. Estudo da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), com base em imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e obtido com exclusividade pelo Estado, indica que entre os dois aglomerados urbanos não há mais que meros 14 km entre bairros com o mínimo de 72 moradias, conceito mundial para definir uma macrometrópole, a junção de duas regiões metropolitanas.
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São Paulo cai no ranking das cidades com qualidade de vida
Levantamento mostra também que a capital e o Rio de Janeiro são as cidades mais violentas da América Latina
Jamil Chade – O Estado de S. Paulo
GENEBRA – São Paulo é mais perigosa do que Rio de Janeiro, Tel-Aviv (Israel) ou Johannesburgo (África do Sul) e cai no ranking das cidades com a melhor qualidade de vida no mundo. A constatação é da consultoria internacional Mercer, que aponta Zurique (Suíça), Viena (Áustria) e Genebra (Suíça) como as cidades de melhor qualidade de vida no mundo. Em termos de qualidade de vida, São Paulo caiu da 114ª posição em 2007 para a 119ª neste ano, superada por Quito (Peru), Sofia (Bulgária), Pequim (China) e Istambul (Turquia). Já o Rio de Janeiro subiu uma posição, passando da 115ª colocação para a 114ª. Quem também caiu foi Manaus, da 126ª posição para 129ª.
A consultoria elabora o ranking para ajudar empresas multinacionais e seus executivos no conhecimento das realidades de cada um das cidades em que pretendem se instalar. A classificação, portanto, pode ser vista como um termômetro da imagem internacional de cada urbe. A liderança no ranking de qualidade de vida é de Zurique, que ocupa a posição há sete anos. A cidade brasileira melhor colocada é Brasília, que mesmo assim caiu da 104ª posição para a 105ª neste ano e foi superada por Tel-Aviv.
Para a Mercer, a estabilidade política e econômica da cidade, sua infra-estrutura, seu sistema de saúde e de educação são os fatores decisivos na seleção das melhores. “Londres, Paris ou Nova York podem oferecer mais alternativas de lazer ou mesmo um melhor transporte público ou aeroportos internacionais, superando bastante Zurique”, explica Slagin Parakatil, coordenador da pesquisa. “Porém, a segurança e a qualidade do sistema de saúde são quesitos muito importantes para executivos e suas famílias quando chegam a uma cidade transferidos por suas empresas”, completa.
No geral, as cidades européias têm uma melhor qualidade de vida do que as norte-americanas. Os dez primeiros colocados ainda contam com três urbes da Alemanha. Vancouver, no Canadá, ficou em quarto lugar. A primeira colocada dos Estados Unidos foi Honolulu, no Havaí, que ficou na 28ª posição.
A última colocada de todas as cidades analisadas na pesquisa foi Bagdá (Iraque), diante da violência e do caos implantados pelo governo dos EUA. Nairóbi (Quênia), Karachi (Paquistão) e Kinshasa, na República Democrática do Congo, também estão entre as piores.
Segurança
Em termos de segurança, a liderança é de Luxemburgo. Nesse critério, a entidade se baseia na estabilidade interna, na violência e na eficácia da aplicação da lei. Berna, Genebra e Zurique, todas na Suíça, estão entre as quatro primeiras. Na Europa, a cidade mais perigosa é Moscou, na 196ª posição.
Já São Paulo e Rio de Janeiro são duas das urbes mais perigosas da América Latina. No ranking de segurança pessoal, o Rio ocupa a 177ª e a capital paulista, a 180ª. Cidades como Maputo (Moçambique), Bamako (Mali), Johannesburgo e Luanda (Angola) são consideradas pela consultoria internacional como sendo mais seguras do que as duas metrópoles brasileiras. Tel-Aviv, segundo a classificação, é ainda mais segura do que São Paulo, apesar de atentados e ameaças. Manaus é a cidade brasileira melhor colocada no ranking de segurança, ocupando a 103ª posição.
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© Foto de Marcio Scavone.
O Museu da Casa Brasileira em São Paulo, abriu a exposição “Viagem à Liberdade: em busca da alma japonesa de um bairro” e lança o livro homônimo com imagens do cotidiano do bairro paulistano em ensaio fotográfico de Marcio Scavone. Com a mostra, o MCB se integra às comemorações oficiais do Centenário da Imigração Japonesa. Com curadoria de Roseli Nakagawa, a exposição nos remete a uma antropologia urbana pelo olhar poético e delicado sobre os espaços tradicionais do bairro da Liberdade, através da presença marcante de seus habitantes. Uma mirada imaterial em busca do espírito japonês, encontrado no já “envelhecido” bairro, revelando memórias, afetos e lembranças de um passado substituído pelo novo território, o da própria Liberdade. O ensaio de Marcio Scavone assinala a passagem do tempo em quarteirões, vielas, corredores, galerias, balcões de bar cheirando saquê e cerveja, templos silenciosos, e lojinhas de estranhos objetos eletrônicos. As fotografias presentes na exposição e no livro trazem o passado e o presente de um bairro significativo na construção da identidade paulistana.
Fonte Images&Visions
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heudes regis
A Praça Franklin Roosevelt, na Consolação: pichadores e má conservação
“A cidade de São Paulo e sua população, cansada do caos que a administração de Serra/Kassab e o PSDB do Alckmin transformaram a nossa cidade nos últimos 3 anos, 4 meses e 16 dias, recebeu de presente, a mais nova criação do trio que quer destruir esta cidade:
Foi inaugurado na Praça Roosevelt: O gueto de Varsóvia
Como eles são incapazes de administrar e trabalhar com a verba do BID, conquistada na gestão de Marta Suplicy, a reforma da praça está dia a após dia sendo postergada, apesar de o Sr. Andrea Mattarazzo ter prometido, muitas vezes pelos jornais o início da reforma e nada acontecer.
Agora, para evitar a freqüência da população local e de visitantes, eles resolveram fechar a praça com grades, esta atitude de desrespeito com os cidadãos de São Paulo e com o dinheiro público, foi batizada por moradores locais de “gueto de Varsóvia”. Seria cômico se não fosse trágico, mas nós, cansados da política de higienização desta administração, temos a nossa frente a infeliz lembrança do que foi a prática radical da limpeza étnica.
Para saber apenas as conseqüências da não utilização da verba do BID, isso custa aos cofres públicos.
“São Paulo, porém, compromete-se a pagar uma taxa de 0,25% sobre o valor do dinheiro que não é usado. A lentidão nos investimentos, por enquanto, já custou R$ 420 mil aos cofres públicos.”
João Paulo Ricardo
Morador da Praça e da cidade de São Paulo
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O presidente Lula estará no final da manhã hoje em São Paulo para dar início às obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) na cidade. Ele vai assinar o contrato de despoluição de mananciais de águas das represas Billings e Guarapiranga.
A obra faz parte de um acordo de cooperação entre a União e o governo estadual, assinado no ano passado, que prevê a execução de diversos projetos sociais em todo o Estado de São Paulo.
No mesmo evento, Lula e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, assinam o contrato de liberação de R$ 1,5 bilhão da instituição para ampliação da Linha 2 Verde do Metrô. O trecho liga atualmente a Vila Madalena ao Ipiranga e será estendido até a Zona Leste.
A cerimônia de início do PAC em São Paulo será realizada às 11h30 em Heliópolis (região Sudeste), na Rua da Mina, 38. Além de Lula, estarão presentes a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e a ministra do Turismo, Marta Suplicy.
Às 15h30 Lula estará em Santo André, onde também haverá um ato para marcar o começo das obras do PAC em municípios do ABC. O evento será na Praça Erasmo Assunção (ao lado da 3ª Cia do 10º Batalhão da Polícia Militar).
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MARIANA SANT’ANNA – Colaboração para a Folha Online
A ministra Marta Suplicy (Turismo) apresentou nesta segunda-feira o Plano de Mobilidade Urbana para a Copa de 2014. O projeto prevê investimentos de R$ 38,51 bilhões em linhas de metrô, trem e corredores de ônibus em dez cidades que podem ser sedes da Copa do Mundo de 2014.
Segundo Marta, o plano foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra Dilma Roussef (Casa Civil) na semana passada. “O presidente e a ministra disseram que nós vamos fazer isso”, afirmou.
A ministra justificou a preocupação com o transporte explicando que os jogos da Copa acontecerão em diferentes locais, e que as cidades brasileiras têm sistemas de transporte precários. “O Brasil investiu muito pouco em transportes”, afirmou.
Além disso, segundo ela, a melhoria nos transportes é um legado muito importante que a Copa do Mundo pode deixar para o país.
Marta classificou São Paulo e Rio como prioridades no plano porque serão “portas de entrada e saída” dos turistas na Copa. Por isso, as duas cidades são as que têm maior previsão de investimento.
Para São Paulo, está previsto um investimento de R$ 15,3 bilhões para a construção de 65,6 quilômetros de metrô e 279,5 quilômetros de corredores de ônibus. A cidade também vai se beneficiar da construção do Trem de Alta Velocidade, ou trem-bala, até o Rio de Janeiro, passando por Campinas e São José dos Campos, que deve consumir R$ 13,5 bilhões.
No Rio de Janeiro, o Plano de Mobilidade Urbana prevê a construção de 26 quilômetros de metrô e 111 quilômetros de corredores de ônibus, a um custo total de R$ 5,05 bilhões. Marta prevê ainda a construção de 28,8 quilômetros de corredores de ônibus em Niterói, cidade da região metropolitana, que devem consumir R$ 40 milhões.
A ministra afirmou que ainda não sabe de onde virá o dinheiro para pagar pelas obras. “Provavelmente vai sair pouquíssimo do Ministério do Turismo”, afirmou Marta. Segundo ela, os custos das obras serão divididos entre o governo federal, os governos estaduais e as prefeituras envolvidas nos projetos. Há, ainda, a possibilidade de investimento da iniciativa privada, por meio de concessões.
Marta também não soube precisar quando as obras devem começar, mas afirma que, pela disposição do governo, podem começar logo. Segundo ela, se as obras demorarem a sair, será por falta de entendimento com governos municipais e estaduais.
“A ministra [Dilma Roussef] é muito decidida. A data de início vai depender das conversas com os Estados e as prefeituras”, afirmou Marta, acrescentando que essas conversas vão ser sempre feitas por meio da Casa Civil.
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Endereços na internet retratam as diferentes faces da metrópole
Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli – O Estado de São Paulo
A discussão sobre os novos valores do IPTU vem precedida de um comentário sobre as deliciosas receitas de uma doçaria judaica do Bom Retiro. Logo depois, um post adianta as tendências de um festival de música eletrônica marcado para setembro. No meio de assuntos tão diversos, fotos e comentários da quarta edição da Virada Cultural, realizada no mês passado. Na blogosfera paulistana, anônimos ajudam atualmente a ampliar discussões de temas e assuntos com impacto direto na vida dos moradores da capital. A São Paulo do trânsito caótico e da noite vibrante já é retratada em diversos endereços eletrônicos, criados de forma despretensiosa por profissionais liberais, estudantes, associações de bairro e até por estrangeiros radicados por aqui.
‘Acho que esses blogs estão ajudando a mudar a percepção que as pessoas têm sobre São Paulo’, diz Leandro Meireles Pinto, criador do Urbanistas.com.br. ‘A metrópole está cada vez mais vibrante, é só parar e prestar um pouquinho de atenção. Você acha que conhece São Paulo, mas, na verdade, você só conhece a sua São Paulo. Os blogs que noticiam a cidade fazem com que você veja a cidade pela ótica de outras pessoas. Você pode reclamar de um buraco, do barulho do vizinho, do trânsito, dar dicas legais de restaurantes, baladas… E aí vira uma comunidade de pessoas interessadas no mesmo assunto: a vida da metrópole.’
Há exatos dois anos, Leandro convocou três amigos de faculdade para criar um blog coletivo sobre a cidade. Hoje, são 12 colaboradores no Urbanistas e mais de 2.500 posts publicados. ‘É um canal mais rápido e mais democrático para discutir as diferentes facetas de São Paulo’, diz. ‘Quando teve o terremoto em São Paulo, logo postamos fotos e tivemos mais de 120 comentários de internautas. Também é um jeito mais veloz de cobrar as autoridades, quando vemos problemas. Já fizemos até um Diário de um Vazamento, contando como estava a situação de um cano quebrado da Sabesp que jorrava água na rua.’
Com média de 6 mil acessos diários, o blog da fotógrafa Ana Carmem Foschini procura lançar imagens de fatos e lugares curiosos da metrópole – como de uma fábrica de geléias exóticas feitas à base de um purê de maçã sem conservantes ou a imagem de um cozinheiro quase dormindo em um restaurante da Vila Madalena. ‘É um jeito diferente e sem compromisso de compartilhar minhas experiências com as outras pessoas’, diz a criadora do www.anacarmen.com/blog. No portal Limão (www.limao.com.br), do Grupo Estado, pelo menos 300 internautas também discutem nos wikisites dedicados aos bairros questões que vão desde qual é a melhor academia da Vila Mariana até a atuação do Juventus da Mooca.
COBRANÇAS
Os blogs aos poucos se tornaram um poderoso instrumento de discussão para melhorias em bairros tradicionais, como é o caso do Morumbi, na zona sul de São Paulo. Responsável pelo endereço blogdomorumbi.com.br e morador do bairro, o jornalista Joaquim de Carvalho, de 44 anos, diz ter criado o blog a pedido de vizinhos, sem nenhum objetivo financeiro.
‘E vem dando resultado. Outro dia, coloquei um post dizendo que uma praça estava sem luz. No dia seguinte, a Prefeitura foi lá e colocou uma nova iluminação’, relata o jornalista, que também fala de amenidades, como comentários sobre a inauguração do primeiro fraldário para cachorros do mundo, no Shopping Cidade Jardim. ‘A fralda é feita com manta 100% celulose e gel em flocos. É feita para absorção de xixi, não de fezes. Uma fralda pode ser usada durante seis horas. A idéia é permitir que os donos circulem pelo shopping e possam freqüentar restaurantes e cafés sem se preocuparem se seu cachorro fará xixi em algum lugar indevido’, diz o comentário do blog.
Argentino que defende São Paulo como uma das metrópoles mais vibrantes do mundo, Tony Gálvez, radicado há seis anos na cidade, criou o endereço www.blogdesaopaulo. Nele, o estrangeiro coloca as taxas de homicídio de diferentes capitais do País para mostrar aos turistas que São Paulo é menos violenta do que capitais de vocação turística como Recife e Rio. ‘Mas este blog não é um livro sagrado’, avisa o argentino aos usuários, sobre eventuais erros de informação. ‘O que eu falo sobre hotéis e restaurantes, por exemplo, é uma opinião pessoal, como consumidor.’
Na maior parte dos blogs, a fotografia é o elemento principal para informar os usuários de uma determinada situação – como o descarte irregular de entulho em uma praça, por exemplo. No blog www.cidadedesaopaulo.blog.br, o estudante Guilherme Lara Campos, de 24, posta todo dia uma foto e abre a discussão com os blogueiros sobre a imagem. ‘Minha proposta é olhar São Paulo com mais amor e menos frieza’, filosofa.
Consultor na área de mídia digital, Fernando Correa do Carmo, de 35 anos, com mestrado concluído na Cásper Líbero sobre o assunto, afirma que a blogosfera veio para ficar na internet. ‘No Brasil, só estamos percebendo agora as trocas de experiências e de informações que os blogs promovem. Você tem um meio de expor suas aflições em um País onde a população quase sempre fica desassistida pelo poder público nas horas que mais precisa.’
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Interior lidera nos 3 ciclos de ensino avaliados por indicador que reúne nota no Saresp e adequação aluno/série
Renata Cafardo – O Estado de São Paulo
Apenas uma escola estadual da capital aparece entre as 30 que têm o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) no Estado. O predomínio do interior ocorre nos três ciclos de ensino – 1ª a 4ª séries, 5ª a 8ª séries e ensino médio. Os índices atuais das cerca de 5 mil escolas da rede estadual foram divulgados ontem pelo governo, assim como a meta a que elas devem chegar no fim do ano.
link Lista completa com o ranking das escolas
Esse indicador, que traça objetivos até 2030, foi elaborado com base na nota em uma avaliação da secretaria em 2007, o Saresp, e na quantidade de alunos na série correta para a série em cada escola.
Rankings elaborados pelo Estado mostram que a capital só aparece entre as dez melhores de 1ª a 4ª séries. A Escola Estadual Prof.ª Blanca Zwicker Simões, que fica no Jardim Anália Franco, bairro de classe média na zona leste, tem mais de mil alunos e não há registro de evasão. Ela foi a sétima colocada do ranking. Nas escolas de 5ª a 8ª séries não há uma da capital entre as 50 melhores. No ensino médio, a primeira que aparece está na 28ª posição.
Educadores afirmam que o melhor desempenho do interior está ligado a fatores sociais, que aproximam a escola da comunidade e do aluno. Mas, segundo o especialista em financiamento da educação da Universidade de São Paulo (USP), Juca Gil, há também razões financeiras. Ele lembra que, no interior, as prefeituras são responsáveis por oferecer merenda e transporte também para escolas estaduais. Isso não ocorre na capital. Municípios mais ricos muitas vezes ainda ajudam na reforma de escolas do Estado, apesar de terem rede municipal.
“O salário do professor é o mesmo em qualquer cidade do Estado, mas, com R$ 1.500 no interior, ele pode ter uma casa melhor, morar no centro, ir ao cinema, porque tudo isso é mais barato”, completa Gil. Além disso, professores e diretores tendem a permanecer mais tempo numa mesma escola nas cidades do interior. “Eles desenvolvem e se comprometem mais com o projeto pedagógico. Na capital, professores e diretores não param em escolas mais conflituosas e a legislação permite essas mudanças”, diz o vice-presidente do Conselho Estadual da Educação, Arthur Fonseca Filho.
Segundo a secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, o governo está estudando modificações na lei para impedir mudanças após curtos períodos de trabalho numa escola. “As escolas do interior também costumam ser menores, com menos de mil alunos, o que facilita o trabalho”, completa a secretária.
Entre as 5.183 escolas estaduais, 1.056 (20%) estão na capital. Entre as cidades que mais aparecem nas listas das dez melhores em cada ciclo estão Campinas, Dolcinópolis, Aparecida D’Oeste, Americana.
São Carlos, no noroeste do Estado, tem a melhor escola de 1ª a 4ª séries, com Idesp 6,93 (o mais alto do Estado nos três níveis). O índice já é praticamente o que se espera para 2030 em todas as escolas. Mas a cidade tem também a pior entre 5ª e 8ª séries, com Idesp 0,26 (mais informações, pág. A19). Nas listas nas dez piores, há seis escolas da capital no primeiro ciclo do fundamental e duas no segundo.
Segundo a educadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Marcia Sigrist, o melhor desempenho de escolas públicas de cidades menores é algo registrado no mundo todo. “As relações humanas e sociais são diferentes da capital. Além disso, muitas vezes há apenas uma escola na cidade e alunos de todas as classes sociais estudam lá”, completa. É o que ocorre na única escola da cidade de Pontes Gestal, a 551 quilômetros da capital, que é a melhor de 5ª a 8ª do Estado (mais informações, pág. A19).
O Idesp pode variar de 0 a 10 e foi feito pela primeira vez neste ano no Estado. As médias gerais foram de 1,41 para o ensino médio, 2,54 para 5ª a 8ª e 3,23 para 1ª a 4ª. Até 2030, espera-se chegar a 5, 6 e 7, respectivamente. O indicador paulista é semelhante ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), lançado pelo governo federal no ano passado. Os dois indicadores traçam metas para cada escola. “As escolas de São Paulo vão continuar a perseguir as metas do Ideb também”, diz a secretária.
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Os testes de iluminação da Ponte Estaiada Jornalista Octavio Frias de Oliveira,
que ligará a Marginal do Pinheiros à Av. Jornalista Roberto Marinho, Zona Sul, foram feitos ontem à noite.
A inauguração da obra está prevista para 10 de maio (foto José Patrício)
A Ponte Estaiada é o novo cartão postal de São Paulo. Nada como um dia depois de outro. A ponte da Marta era “um absurdo”, “desnecessaria”. Serra-Kassab chegaram a suspender a obra durante um ano tendo que pagar multa depois. As infâmias e ataques, também rejeitados pela justiça e, neste caso, até pela própria administração municipal, eram moeda corrente. Hoje o Jornal da Tarde a erige no novo cartão postal da cidade.
Ela destrona outra obra de Marta, a fonte de Ibirapuera. Outrora acusada de poder infectar o público e de atrapalhar o trânsito, a fonte já foi utilizada como fundo para os programas da rede Globo.
E para vocês?
Tags: cidade, Fonte ibirapuera, JT, Marta Suplicy, obras, Ponte Estaiada, Prefeitura SP, São Paulo
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A cidade de Shanghai está cheia de cartazes, outdoors, painéis luminosos e propaganda.
Em Shanghai, este ano completam a construção de 200 Km de metrô e para 2010 a meta é chegar a 400 km, ou seja mais 200 km de metrô em 2 anos.
Já em São Paulo, a prefeitura tirou toda a publicidade das ruas. Até agora o governo estadual acrescentou nos últimos 13 anos menos de 10 km de metrô. O metrô de São Paulo tem 60 Km.
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A notícia saiu há dois dias, mas não perdeu o sabor. Como vocês lembram, quando José Serra e Kassab chegaram a prefeitura nomearam como subprefeitos políticos dos seus partidos do interior do Estado, que tinham perdido as eleições nas suas cidades. Pois bem, talvez seja simplesmente demora em tomar conhecimento das ruas do bairro e não alguma dessas maracutaias em que alguns administradores públicos se envolvem.
Pode ser também a desorganização e incompetência dos demo-tucanos, que não planejam, nem monitoram e permanentemente improvisam. Mas a informação é significativa do desconhecimento que eles têm sobre a cidade que supostamente administram. Ou é uma contribuição ao documento de Gilberto Natalini contra Alckmin que ufanisticamente titularam “São Paulo Nossa cidade” e que agora poderá ter como subtítulo “uma cidade que todo tucano deveria conhecer, antes de ir embora.”
Prefeitura abre licitação para construir rua que já existe
Concorrências foram suspensas após secretário ser informado pelo ‘Estado’ sobre obra
Sérgio Duran – O Estado de São Paulo
A Prefeitura de São Paulo suspendeu a licitação da construção de uma rua, ligando as Avenidas Auro Soares de Moura Andrade e Francisco Matarazzo, na zona oeste. Detalhe: a rua a ser feita já existe. A decisão foi tomada após a Prefeitura ser informada ontem do caso pelo Estado. Foi suspensa também a concorrência para outras duas obras – a reformulação das calçadas da Rua Tagipuru e a reconfiguração da confluência entre a Avenida Doutor Adolfo Pinto e as Ruas Fuad Naufel e Tagipuru – que deveriam ser feitas pela Universidade Nove de Julho (Uninove), como contrapartida ao impacto do câmpus Memorial no trânsito.
O secretário de Infra-Estrutura Urbana, Marcelo Branco, decidiu interromper as obras até que a situação seja esclarecida. “Elas constavam de um cronograma da Operação Urbana Água Branca, mas eu desconhecia a história”, admitiu. Nas operações urbanas, a Prefeitura aponta melhorias em determinadas regiões que devem ser executadas por construtoras que têm interesse em erguer empreendimentos com área superior à média da cidade.
As obras que tiveram a licitação suspensa estavam no pacote de 11 intervenções em ruas e travessas na região da Água Branca, orçado em R$ 30 milhões, anunciado há um mês pela Prefeitura. Representantes de moradores, no entanto, criticam por considerá-las supérfluas. “Quando chove, a água chega a um metro de altura na região do Palmeiras. Precisamos mexer na canalização do Córrego Água Preta. Precisamos da extensão da Auro Soares e de outras obras”, disse a advogada Maria Antonieta Lima e Silva, da Associação dos Moradores da Pompéia.
O secretário contestou as críticas e disse que a extensão da Auro Soares de Moura Andrade até a Lapa não foi concluída porque depende de acordo com a CPTM. “As linhas férreas fazem uma barriga no que resta do traçado, inviabilizando a abertura da avenida”, explicou. “São muitas obras. Enquanto não conseguimos fazer as maiores, por conta de complicações na desapropriação, vamos fazendo as menores. Não iremos deixar de aproveitar esse momento da operação urbana”, afirmou Branco.
O plano completo inclui quase 40 obras estruturais, aprovadas na Câmara em 1995. Passados 13 anos de marasmo de investimentos na região, hoje explodiu a procura por terrenos. Cinco empreendimentos foram lançados e mais 15 esperam por aprovação. Segundo a Emurb, há R$ 27,4 milhões em caixa. Somente o novo Shopping Bourbon, na Francisco Matarazzo, pagou R$ 9 milhões à Prefeitura como compensação.
Em 1998, surgiu o primeiro grande empreendimento na área, com 13 prédios comerciais. Para construir no terreno das antigas Indústrias Matarazzo, a Ricci Engenharia, como compensação, seria responsável pela construção da maior parte da avenida que seria estendida da Rua Mario de Andrade. Com a falência do empreendimento, a Ricci estendeu a avenida batizada de Auro Soares de Moura Andrade até a Casa das Caldeiras, deixando a comunidade à espera da avenida até a Lapa.
MAIS PROJETOS
Sábado, a Prefeitura publicou decreto com 15 áreas na região para a construção de ruas e quadras em grandes terrenos. Segundo o secretário, o principal dos projetos é o antigo terreno da Telefônica, de 250 mil metros quadrados, adquirido pela Tecnisa. A empresa planeja fazer 3 mil apartamentos, mas, em contrapartida, terá de construir um parque público no meio das quadras onde serão erguidos os condomínios. “Conseguimos negociar um projeto que foi melhor para a cidade do que ter as áreas verdes todas fechadas”, afirmou Branco.
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Incor detecta alta de casos de arritmia em dias nos quais a qualidade do ar é considerada boa pelo Conama
Fernanda Aranda – O Estado de São Paulo
Mesmo quando a qualidade do ar é classificada como boa em São Paulo, os paulistanos respiram poluição suficiente para provocar um colapso no coração. O alarme foi dado após divulgação da pesquisa do Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas. Ficou comprovado que ainda que a concentração de gases tóxicos não ‘incomodem’ as estações de medição, a ocorrência de ataques cardíacos já aumenta entre 7% e 12% por causa dos níveis de poluentes.
O estudo avaliou 3.300 pessoas, que recorreram, nos últimos 20 meses, ao Pronto-Socorro do Incor com diagnóstico de arritmia (aceleração exacerbada dos batimentos cardíacos). Os pesquisadores atestaram que os dias mais movimentados de pacientes com ‘pane no coração’ eram também os mais poluídos. Para promover um aumento de 12% dos casos de descompasso na freqüência cardíaca, bastou a concentração média de monóxido de carbono, principal poluente emitido pelos veículos, chegar a 1,5 ppm (parte por milhão). Na escala oficial, só quando a concentração atinge nível superior a 9 ppm o ar é classificado como ruim pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
As partículas inaláveis – outro poluente comum na atmosfera de São Paulo – também fizeram crescer em 7% a ocorrência de arritmia no Pronto-Socorro do Incor. Da mesma forma, a concentração necessária para culminar em problemas foi de 22 mg por metro cúbico, bem menor do que a faixa de 50 mg/m3 considerada imprópria. ‘Ficou evidente que valores de poluentes muito inferiores do que o tolerável são suficientes para provocar danos severos à saúde’, afirma o coordenador da pesquisa, Ubiratan Santos.
Os padrões para considerar o ar bom ou ruim, explica o Conama, foram estipulados em 1990 e até agora não passaram por atualização. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu que o Brasil reduzisse pela metade esses indicadores. ‘Somos favoráveis à redução. Mas isso exigiria uma mudança brusca na indústria e na economia’, afirma o assessor da Secretaria de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Alberto Santos.
Para Paulo Saldiva, diretor do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo, os gases tóxicos voltaram a ser os principais vilões dos paulistanos justamente porque as questões econômicas se sobrepõem às de saúde . ‘Na Região Metropolitana, a poluição é responsável por oito mortes diárias. Entre 1996 e 2005, conseguimos reduzir a mortalidade, mas voltamos a uma escala crescente’, lamenta. Para se ter uma idéia, as mortes causadas por poluentes superam as vidas perdidas nos acidentes de trânsito (4 por dia) e homicídios (6,5 diários) na capital.
Segundo relatório da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), em 2007 a poluição voltou a crescer, depois de uma década contínua de queda. Todos os poluentes registram alta de 2%. Combinado às condições climáticas – tempo quente e dias secos – o repique ampliou em 54% os dias considerados impróprios.
O principal responsável pelo problema é o crescimento explosivo da frota automotiva, que chegou aos 6 milhões de veículos na capital. ‘Ainda é prematuro afirmar que a poluição voltou a crescer. O que se sabe é que há uma estagnação nas melhoras. Os benefícios trazidos pela renovação dos veículos e melhora dos equipamentos estão sendo suprimidos pelo aumento contínuo da frota de carros e motos’, afirma a diretora de qualidade do ar da Cetesb, Maria Helena Martins.
‘Como prejuízo, a população costuma citar os congestionamentos. Ainda não há a percepção de que a saúde é a principal comprometida’, complementa o professor de pediatria ambiental da Universidade Santo Amaro, Alfésio Braga. ‘São 200 doenças relacionadas à poluição, principalmente cardiovasculares e respiratórias, que fazem vítimas fatais diariamente.’
ALERTAS
O motorista que fica 20% de tempo a mais que o habitual nos congestionamentos dobra as chances de ter um enfarte
A poluição provoca efeitos parecidos com os do cigarro também para quem não fuma. Em SP, os gases tóxicos matam mais do que acidentes e homicídios
O movimento em hospitais aumenta até 30% em dias de alta concentração de poluentes
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