12/12/2011 - 08:55h São Paulo precisa mudar

Por Renato Janine Ribeiro – VALOR

A menos de um ano das eleições municipais, a situação em nossa maior cidade parece se definir. Ninguém mais pode mudar de partido para concorrer. O PT irá com Fernando Haddad, como um novo valor que se prepara para voos mais altos. O PMDB investe em Gabriel Chalita, uma das pessoas mais simpáticas que existem. Sei, por experiência, que é capaz de retribuir críticas com educação e cooperação – o que é um trunfo que, se aproveitado no tempo de televisão de seu partido, lhe renderá votos. Já o PSDB tem uma dura opção. Ou escolhe um nome novo, com pouca chance de recompor a aliança tucana que há tempos governa a cidade e o Estado, ou convence José Serra a desistir da Presidência da República, que provavelmente ele almeja em 2014, e a encerrar sua carreira como prefeito – o que certamente não almeja. Mas é a grande chance tucana.

Mas nada disso tem muita importância. Poderia continuar o artigo como o iniciei, mas quero inverter a argumentação: em vez de perguntar que candidatos têm chance, indagar do que a cidade precisa. É mais difícil. Se focarmos os nomes e os partidos, sabemos que algo sairá: alguém será eleito. Teremos prefeito… Porém, se perguntarmos do que São Paulo precisa, é possível que o futuro prefeito não esteja à altura. Só que, na democracia, devemos ir de baixo para cima: do povo, dos cidadãos, para os políticos. Estes podem mandar, decidir, fazer muita coisa errada e alguma boa, mas o metro para avaliá-los são os eleitores, os anônimos.

O custo São Paulo é o trânsito parar a cidade

Do que São Paulo precisa, então? Vou me concentrar em poucos pontos. O primeiro é o transporte. É uma cidade em colapso. Quando o rodízio municipal de veículos foi introduzido, há uma década e meia, gerou um trânsito bom. Mas em poucos anos o enorme crescimento vegetativo da frota eliminou esse ganho. Nenhuma iniciativa audaz corrigiu a gradual conversão dos automóveis em imóveis. Um amigo diz que os carros vão parar de pagar IPVA e começar a recolher IPTU. Estamos perto disso. Os pobres gastam duas ou três horas para ir ao trabalho. A classe média facilmente leva, de carro, uma hora nesse trajeto.

Isso tem dois custos. Um é econômico. Todo serviço que dependa de locomoção, inclusive a entrega de mercadorias, tornou-se muito caro. Dificilmente um técnico de televisão visitará mais que duas casas num período do dia. Com um trânsito melhor, faria o dobro. Daí vem um “custo São Paulo”, que merece ser destacado em comparação com o tão citado “custo Brasil”. Este último é o peso tributário e burocrático sobre os negócios, somado a uma malha de transportes insuficiente para escoar a produção, sobretudo, agrícola. O custo São Paulo é o tempo perdido. Um prefeito inteligente de uma cidade pequena pode competir com a capital paulista. Introduzirá wi-fi por toda a parte e combinará com o Senac e o Sesi a formação de mão de obra para serviços não presenciais. Algo parecido sucede na Índia, onde vivem muitos atendentes das linhas telefônicas de vendas que servem os Estados Unidos. Para comprar uma geladeira, você liga um 1-800 e fala com alguém em… Nova Delhi. Nem percebe, porque o indiano treinou o sotaque americano. E há trabalhos a distância melhores. Em suma, qualquer lugar periférico pode competir com metrópoles estressadas, em tudo o que exija mais raciocínio que presença.

Outro custo do nosso transporte público ruim e do trânsito caótico é humano. O desgaste das pessoas é espantoso. Quem pode aguentar horas, por dia, guiando um carro? Hoje há até uma rádio, da qual eu pessoalmente gosto, consagrada ao trânsito. Ela tem fãs que, quando falam na emissora, usam as expressões e termos dos repórteres: surgiu até um dialeto da rádio Trânsito, neste ponto a mais bem sucedida de nossas emissoras. E o sofrimento humano de que falei pode ser quantificado. Ele aumenta doenças, onera relacionamentos pessoais, amplia a violência. Mas basta dizer que é um custo humano alto. Gente submetida a um tal desgaste emocional sofre.

Falei do transporte. “Dá para resolver”, como dizia a “Folha de S. Paulo” em boxes no interior de suas páginas, anos atrás; mas ela abandonou a expressão, não sei se porque terá perdido a esperança. Há um problema, porém, que pode vir justamente do êxito. São Paulo é a cidade mais rica do país e oferece oportunidades de trabalho e de renda boas. Isso faz dela um polo de atração para pessoas, de todas as qualificações, de outros lugares. Chegamos à dura situação de que, se a cidade resolver seus problemas, com isso criará novos, porque atrairá mais pessoas. A única saída para isso é surgirem outros polos de atração.

Na verdade, a única saída consistente para São Paulo é o restante do Brasil se desenvolver bastante. Muitas soluções paulistanas são, na verdade, brasileiras. Nossos destinos estão indissoluvelmente entrelaçados. Para o transporte funcionar, o Brasil tem de parar de investir tanto no carro. Um dos maiores erros de Lula foi em 2008, a fim de enfrentar a crise, incentivar a compra de automóveis. Já para São Paulo ter uma dimensão humana – o que, no limite, exigiria reverter a migração, reduzindo seu número de habitantes – o Brasil tem de ser mais igual. É bom o fato de estar avançando neste rumo.

Os candidatos estão à altura desses desafios? Não sei. Mas a cidade e o Brasil ganharão se nós, eleitores ou comentadores, pensarmos menos em quem vai ganhar – ou perder – o governo, e mais em quem ganhará – ou perderá – com o governo. Um começo seria uma campanha, pelas redes sociais, por uma consciência de que não adianta facilitar o uso do carro, porque ele cria adictos; o negócio é melhorar o transporte público.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras

E-mail rjanine@usp.br

15/05/2011 - 12:31h Lições do churrascão

A polêmica da estação Angélica parece indicar que os paulistanos se cansaram de projetos anunciados e desmentidos ao sabor das pressões de interesses

Raquel Rolnik – O Estado de S.Paulo

Em protesto contra a reação negativa de moradores de Higienópolis, um dos bairros mais nobres de São Paulo, à construção de uma estação de metrô na Avenida Angélica, internautas marcaram através do Facebook um churrascão em frente ao Shopping Higienópolis. A polêmica estourou na web a partir do anúncio, por parte da Companhia do Metrô, de que a nova estação da Linha 6 não seria mais localizada na Angélica. Na sexta-feira pela manhã, quando o proponente decidiu cancelar o churrasco, quase 50 mil pessoas já haviam aderido ao protesto e o assunto ganhara as páginas dos jornais, com discussões técnicas sobre a localização da estação, análises sociológicas sobre o comportamento dos moradores contra e a favor da estação e declarações de representantes do Metrô procurando negar qualquer motivação que não fosse “estritamente técnica” em sua decisão.

Para além do debate sobre a melhor localização da nova estação, e até mesmo da prioridade dessa estação (e dessa linha!) em relação às gigantescas demandas de transporte coletivo de qualidade na região metropolitana de São Paulo, a polêmica dos últimos dias finalmente desnudou dois temas da maior importância para o urbanismo brasileiro, cuja discussão esteve restrita até agora a pequenos círculos acadêmicos e, com esse debate, ganha as ruas da cidade.

O primeiro tem a ver com o modelo de cidade que tem orientado o desenvolvimento de São Paulo (e das cidades brasileiras) pelo menos desde o final do séc 19: um urbanismo segundo o qual “qualidade” é sinônimo de “exclusividade”. Sua produção e hegemonia na política urbana se sustentam por meio de uma coalizão de interesses econômicos com grande capacidade de influenciar as decisões políticas de investimentos e legislação na cidade.

O nascimento do bairro de Higienópolis no final do século 19, na sequência de empreendimentos semelhantes (Campos Elísios, Vila Buarque, Av. Paulista) revela este mecanismo: o abandono dos velhos sobrados de taipa no triângulo central por chateaux, chalets e cottages circundados por jardins nos novos bairros se beneficiou da construção do Viaduto do Chá, em um movimento que aliou uma reterritorialização das elites ao emergente negócio de terras – o loteamento. Foi essa a trajetória de d. Angélica, filha do Barão de Souza Queiroz, que, ao deixar de viver em sua fazenda, em 1874, fixou residência na Chácara das Palmeiras, onde mandou edificar na esquina da Angélica com a Al. Barros uma réplica do castelo de Charlottenburg, conforme planos, materiais e decoração encomendados na Alemanha.

O prestígio dessas nobres residências contribuiu indubitavelmente para o sucesso dos “loteamentos exclusivos”, abertos na cidade na década de 1890. Sua localização – a Chácara do Carvalho e o Palácio de Elias Chaves nos Campos Elísios, o palacete da Vila Maria na Vila Buarque e o palacete de d. Angélica em Higienópolis – coincidia exatamente com a dos primeiros empreendimentos desse tipo. A construção do Viaduto do Chá foi fundamental para essa marcha ao sudoeste que se seguiria. Sua instalação viabilizaria os mais importantes empreendimentos imobiliários do final do século 19: Higienópolis e Paulista. Neles se envolveram proprietários de terras, investidores potenciais, engenheiros e políticos.

Na esteira de investimentos urbanos (esses bairros já eram abertos contando com rede de água, esgoto, gás e bonde, quando seus contemporâneos bairros operários Brás e Mooca, por exemplo, demoraram décadas para receber a mesma infraestrutura), uma legislação urbanística garantia a exclusividade, definindo um padrão de grandes lotes, uso exclusivamente residencial e obrigatoriedade de recuos. A verticalização do bairro de Higienópolis, que se intensificou a partir dos anos 70, mudou esse perfil, mas não desconstruiu, simbolicamente, o projeto.

A resistência que o bairro tem hoje para receber uma estação de metrô está justamente relacionada com a sua possível popularização e, consequentemente, a desvalorização imobiliária – uma postura rejeitada por muitos, inclusive moradores do próprio bairro, como bem demonstram as manifestações dos internautas, que ao rejeitá-la, afirmam o desejo de uma cidade heterogênea, multiclassista, multiétnica e multifuncional.

A direção do Metrô afirmou em nota oficial que a decisão de mudar a localização da estação se deu por razões técnicas (excessiva proximidade entre as estações Angélica e Higienópolis/Mackenzie) e não para atender à solicitação de moradores insatisfeitos. Entretanto, os anúncios (e “desanúncios”) de linhas e estações, metrôs que viram monotrilhos e corredores de ônibus que aparecem e desaparecem dos “planos” do governo evidenciam um segundo ponto essencial que bloqueia o desenvolvimento de um urbanismo de qualidade para todos: o processo decisório dos investimentos da cidade.

Na ausência de um processo de planejamento estável – aliado a uma estratégia urbanística pactuada coletivamente na cidade -, os planos e projetos são anunciados e desmentidos ao sabor das pressões dos interesses que conseguem ter acesso à mesa de decisão. Aqui, mais uma vez, convergem de forma perversa coalizões de interesses econômicos enlaçados – por relações pessoais ou de classe – com interesses políticos.

O recado que a polêmica da estação Angélica parece dar é que os cidadãos paulistanos estão cada vez mais cansados desse modelo.

RAQUEL ROLNIK É URBANISTA, PROFESSORA DA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DA USP

18/11/2010 - 08:09h São Paulo perde e Rio de Janeiro ganha participação na economia brasileira

Rafael Rosas | VALOR

Do Rio

A economia de São Paulo seguiu perdendo participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2008. As Contas Regionais, divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a participação do Estado na economia nacional passou de 37,3% em 1995 para 33,1% em 2008 – uma queda contínua, depois de 34,6% em 2002 e 33,9% em 2007.

“Há uma desconcentração econômica notória em função de uma perda da indústria por conta da guerra fiscal e dos incentivos dados por outros Estados”, explica Frederico Cunha, gerente da coordenação de contas nacionais do IBGE.

O resultado de 2008 mostra que, pela primeira vez desde 1995, a participação somada dos PIBs de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná fica igual à de São Paulo. Também foi a primeira vez que a participação dos demais 22 Estados, com 33,8% do total, supera a de São Paulo. Entre 2007 e 2008, o PIB paulista perdeu 0,8 ponto percentual de participação no bolo nacional, mas Cunha evita creditar essa baixa inteiramente à crise internacional.

“Não tem como dizer que o fator principal é a crise. Houve perdas no setor financeiro e na indústria em São Paulo, mas 47% da agricultura do Estado é cultivo de cana ou de laranja e os dois produtos tiveram resultado ruim em 2008″, diz.

A queda entre 1995 e 2008 foi mais pronunciada na indústria, uma vez que São Paulo passou de 44,4% do total do setor em 1995 para 33,9% em 2008. O Rio passou de 8% para 12,7% e ultrapassou Minas Gerais no segundo lugar. A indústria mineira cresceu menos e passou de 9,1% do total do país para 11% entre 1995 e 2008.

O setor de serviços mostrou um nível de concentração mais próximo ao PIB nacional e São Paulo, que representava 35,6% do total em 1995, passou para 33,4% em 2008. O Rio também perdeu participação e foi de 13,4% para 11,6% no período. A administração pública contribuiu para que os 19 Estados com menor peso no setor de serviços vissem a sua fatia no bolo ir de 17,9% em 1995 para 21,3% em 2008. Na agropecuária, a participação dos Estados no PIB do setor mostra desconcentração. O Estado líder, Minas, tinha 17,3% de participação no PIB do setor em 1995 e passou para 15,3% em 2008.

20/09/2010 - 10:15h Como problemas das metrópoles afetam o dia a dia dos cidadãos?

Pelas histórias de sete personagens da metrópole que se interligam em um mesmo endereço, a Avenida Paulista, é possível entender a relação de problemas aparentemente tão diferentes entre si, como mobilidade, estresse, violência e habitação

Vitor Hugo Brandalise – O Estado de S.Paulo

Para entender os problemas da metrópole, basta parar para escutá-la. E não é preciso percorrê-la toda. Numa única travessia da Avenida Paulista, é possível encontrar quem enfrente os males causados por décadas de crescimento desordenado e falta de planejamento.

Pelas palavras do porteiro do condomínio, entende-se o que é viver 28 anos no mesmo bairro sem nunca ter tido acesso a água encanada e a esgoto tratado. O faxineiro da empresa conta como a família cresceu e cresceu – mas o apinhado barraco continuou igual. O analista mudou de casa, traumatizado por um assalto violento. E a administradora acha que tanto trânsito, pressão e falta de tempo ainda a farão sofrer um enfarte.

“Os problemas das metrópoles não escolhem padrão social. Todos já encararam violência, trânsito, poluição”, resume o urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis. “Mas é nos centros desenvolvidos que se reúnem diferentes perfis. O perverso é que, após passar o dia em locais urbanizados, os que mais sofrem voltam para casa e encaram problema pior. É a desigualdade esfregada na cara.”

Abaixo, moradores de São Paulo que convivem, dia após dia, com os problemas de viver numa região metropolitana.

Foi na década de 1970 que Vanderlei Soares dos Santos, de 62 anos, começou a trabalhar na Avenida Paulista como ajudante em banca de revistas. Quase 40 anos se passaram e lá continua o Vanderlei, ainda trabalhando em banca – e vivendo diariamente um mesmo fenômeno no fim da tarde: o ar fica carregado e a banca, esfumaçada. Com tanta poluição, problema comum a todas as metrópoles do País, Vanderlei tosse.

“Nunca foi melhor. Na verdade, só piorou”, lamenta o ajudante, que trabalha ao lado do ponto de ônibus mais movimentado da Paulista, na esquina com a Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A princípio causada pela fumaça das fábricas, hoje a poluição das metrópoles vem principalmente dos veículos.

Estudo do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP elaborado em 2009 mostrou que, das nove regiões metropolitanas do País, seis (Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) têm ar com qualidade inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde. “No fim do dia, tenho a garganta irritada, os olhos vermelhos e fico cansado”, conta Vanderlei.

Ele não fuma, mas é como se tragasse três cigarros por dia. Assim, suas chances de ter câncer de pulmão são 15% maiores. Os riscos de sofrer com pressão alta, arritmia cardíaca e arteriosclerose também aumentam.

De 40% a 60% da poluição gerada nas metrópoles é causada pela queima de óleo diesel. Uma forma de minimizar o problema, portanto, seria exigir melhorias no produto. Havia resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente prevendo melhor qualidade do diesel a partir de janeiro de 2009. Uma alteração, porém, mudou o prazo para 2012 em São Paulo e 2014 nas outras metrópoles.

No quarto de 10 metros quadrados, uma cama e um colchão para quatro pessoas. No outro cômodo, entre os móveis de sala e cozinha, mais uma cama – outras três pessoas vivem ali. No precário barraco, moram o faxineiro Edson Teles, a mulher, a filha, a mãe, o irmão, a cunhada, o sobrinho. A situação é descrita por ele como “de amontoado”.

“Há 20 anos moramos aqui. A família cresceu, mas as condições não melhoraram. Nem a situação do bairro”, contou Edson, de 35 anos, morador do loteamento irregular de Santana do Agreste, no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. Em casas irregulares, sem esgoto tratado e com ligações telefônicas clandestinas, vivem 3,5 mil pessoas.

Edson enfrenta também problemas de infraestrutura e transporte – característica dos chamados “bairros-dormitório”, distantes até 30 quilômetros dos centros urbanos. “Caminhão de lixo não chega, não tem emprego perto e o transporte é horrível.”

Como Edson, há 4,4 milhões de brasileiros vivendo em habitações precárias e improvisadas, segundo estudo de déficit habitacional do Ministério das Cidades divulgado em 1º de setembro. Outros 18 milhões vivem em casas que não comportam o número de pessoas que abrigam. O estudo apontou que 27,6% (ou 1,5 milhão) das casas problemáticas ficam nas metrópoles.

E o problema não é exatamente falta de moradia: só em regiões metropolitanas há 1,9 milhão de casas vagas (no País todo, são 7,2 milhões). “Em todas as metrópoles, os centros esvaziam e as periferias incham”, disse a arquiteta Ermínia Maricato, do Laboratório de Habitação da USP. “É preciso trazer a população para os centros, o que diminuirá a expansão das periferias.”

São quatro horas diárias no ônibus, sacolejando em pé por 22 quilômetros ida e volta, entre a casa no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, e o trabalho como segurança na Avenida Paulista. Gilmar Oliveira, de 62 anos, está cansado. “Ônibus todo dia, trânsito que não anda. É encostar na janela e chorar.” Ele poderia tentar trem e metrô – há uma estação a dois quilômetros de sua casa -, mas, pela distribuição da rede, Gilmar demoraria mais três horas. Teria de tomar seis trens diferentes e seguir viagem primeiro até Osasco para depois voltar para dentro da cidade.

“É tanta troca de trem lotado que só posso ir de ônibus”, diz Gilmar, que sai de casa diariamente às 4h30, para chegar à Paulista às 6h40. À tarde, o tempo gasto é o mesmo.
O segurança não pode optar pelo metrô porque, em décadas de investimento, o esforço para integrar novas linhas às ferrovias já existentes ainda não é suficiente. Ao ir de ônibus até o trabalho, em percurso também não integrado a estações de metrô, Gilmar contribui para a existência dos “movimentos pendulares”, grande entrave na mobilidade urbana. Segundo estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, até 40% da população que trabalha nas metrópoles tem de se deslocar da periferia ao centro. Assim, vias de acesso e avenidas principais dos centros urbanos recebem tráfego que não suportam.

O desafio dos novos governantes é reduzir a distância entre viagens, com política de transporte integrada ao uso e ocupação do solo. “Ao construir uma estação, deve-se pensar no entorno e criar oportunidade de crescimento”, explica o consultor Jurandir Fernandes, ex-secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo. “Assim, menos pessoas viajarão tanto para chegar a seus empregos.”

A cada dois ou três meses, o porteiro Nailton Amaro dos Santos, de 28 anos, costuma ir ao posto de saúde de seu bairro, no Jardim Jacira, extremo sul da capital. E o motivo é sempre o mesmo: uma das filhas, Angel, de 7 anos, ou Nicole, de 4, pegou novamente a “virose”. “Elas acabam no soro, desidratadas, e ficam três dias para voltar ao normal. E todos sabem por que isso acontece.”

A causa dos problemas de saúde das crianças é falta de saneamento. A casa da família fica a dez passos do Córrego da Jurema, que recebe esgoto in natura dos cerca de 10 mil moradores do bairro. Angel e Nicole, “numa idade em que é difícil segurar”, brincam na terra às margens do córrego e enfrentam doenças decorrentes disso.

Como o porteiro e seus familiares, outros 17,4 milhões de pessoas enfrentam o problema em regiões metropolitanas do País – a pior situação fica em Belém (PA), onde 90% das casas não estão ligadas à rede de esgoto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Na região metropolitana de São Paulo, o déficit atual é de 15% (ou 3,1 milhões de pessoas). Dentro da capital, porém, ainda há pontos críticos: em Parelheiros, na zona sul, por exemplo, 57% das casas não estão ligadas à rede de esgoto.

O problema do saneamento no País – que só atentou para isso na década de 1970 – passa pela falta de projetos no setor. Como os municípios não conseguiram apresentar projetos de obras para financiamento, o governo federal alterou o prazo para apresentação de planos de 2010 para 2014. “Significou empurrar para frente um problema já mais do que presente na vida de 18 milhões de brasileiros”, explica o conselheiro do Instituto Trata Brasil, Raul Pinho.

Não levou um mês para que a família do analista de contas Hugo Siqueira, de 26 anos, se adaptasse à nova situação: teriam de mudar, se ainda quisessem ter paz. Numa noite de abril de 1996, a mãe, o irmão mais novo e Hugo ficaram 20 minutos na mira de assaltantes. Ninguém jamais esqueceu dos revólveres na cabeça, nem da sensação de virar refém. Por dias, a mãe não conseguiu dormir. A única forma de a vida voltar ao normal foi deixar a Casa Verde, na zona norte, onde a família sempre havia vivido.

“Mudamos para perto de familiares, para um proteger o outro”, conta Hugo, que trabalha na Avenida Paulista e hoje vive em Taboão da Serra. Ele faz parte de um alto contingente de pessoas assaltadas na Região Metropolitana de São Paulo – a cada quatro domicílios, há uma vítima de assalto, segundo pesquisa de 2009 do Centro de Políticas Públicas do Insper (ex-Ibmec-SP).

No caso de Hugo, vários assaltos. Ele também já foi roubado na rua e dominado com amigos outras duas vezes – os ladrões sempre andavam em turma, armados. Em nenhum caso havia polícia por perto e ninguém pensou em fazer boletim de ocorrência. “Não senti a presença da polícia nenhuma vez.”

Uma forma de aumentar a sensação de segurança é garantir a integração das polícias. “As inteligências das Polícias Civil e Militar devem unir os potenciais investigativo e ostensivo, numa transição de responsabilidade dos Estados”, diz o sociólogo José Luiz Ratton, da Universidade Federal de Pernambuco. “A polícia articulada será mais presente na rua e a população confiará mais ao procurá-la.” Discutida desde 1999, a integração das polícias nunca foi objeto de política pública eficaz dos governos estadual e federal.

Há dois anos, quando estourou a crise econômica, a administradora Fabiola de Andrade, de 25 anos, sentiu seus nervos “estourando também”. “Era muita pressão. A empresa começou a demitir, só conseguia pensar que seria a próxima.” Fabiola passou a ter crises de ansiedade e tremia sempre que um dos diretores passava perto de sua mesa. Quando procurou ajuda médica, contou ter medo de sofrer um enfarte.

Desde que começou a trabalhar no mercado financeiro, em 2008, Fabiola sofre com crises de estresse. O estilo de vida é determinante para se sentir “o tempo todo nervosa”. “Sinto que não vivo bem aqui”, resume a paulistana, cuja família veio do Nordeste.

Problemas no trânsito – duas horas diárias entre o Imirim, na zona norte, e a Avenida Paulista – e a falta de tempo para o lazer intensificam a ansiedade que o trabalho causa em Fabiola. Há dois anos, ela faz tratamento médico. Como a administradora, o mal atinge 35% da população das metrópoles, segundo o Centro Psicológico de Controle do Estresse, que estuda o transtorno desde 1985.

O “estresse inescapável” (ligado a situações inevitáveis, como o trânsito) e a desproporção entre tempo e valor do trabalho são algumas das causas específicas do estresse das grandes cidades. “As pessoas ficam no escritório até as 22 horas, em jornadas consideradas “normais”. Não sobra tempo para descansar a mente e aumenta a probabilidade de crises de ansiedade”, explica o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Transtornos de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP. Entre as doenças ligadas ao estresse estão depressão e desordem de ansiedade generalizada (preocupação desproporcional em relação ao problema).

Sem encontrar emprego em Poá, na Região Metropolitana de São Paulo, a diarista Durvalina Cordeiro, de 42 anos, mudou-se em abril para a Avenida Paulista, para um apartamento alugado ao lado do Parque Trianon. Conseguiu encontrar trabalho, mas sentiu imediatamente o problema de viver na região central de uma metrópole: o custo de vida aumentou, a família não consegue mais economizar.

“Mudei para arranjar emprego onde antes não conseguiria. Foi uma tentativa de aumentar a renda, mas, por enquanto, a conta não fecha”, conta a diarista, que trabalha em casas na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste de São Paulo.

Embora a renda da família tenha subido – de R$ 1,5 mil para R$ 2,4 mil mensais -, Durvalina está se sacrificando. Já não consegue reservar os R$ 500 mensais para a faculdade da filha, Elaine, de 16 anos. Da renda, 62% (R$ 1,5 mil) são gastos em aluguel e alimentação – acima da proporção aceitável pelo Ministério das Cidades. “Com o resto dos gastos, não sobra nada”, conta. “Não vou conseguir pagar a faculdade. Estou incentivando que ela consiga emprego para pagar.”

Em média, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a cesta básica em regiões centrais das metrópoles é 15% mais cara do que nas periferias. O aluguel para áreas centrais também sobe entre 15% e 25% para habitações de nível semelhante.

Para evitar que pessoas tenham de se mudar para aumentar a renda, a solução seria criar polos locais de desenvolvimento. “Se houver incentivo para a criação de serviços nas periferias, a renda sobe e os pagamentos também”, diz o economista Sérgio Mendonça, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

17/09/2010 - 10:20h Paulistano perde 27 dias por ano no trânsito


Pesquisa mostra ainda que 68% dos entrevistados consideram tráfego ruim

Eduardo Reina – O Estado de S.Paulo

Os paulistanos perdem, em média, 27 dias por ano no trânsito da cidade. Pesquisa do Ibope, feita a pedido do Movimento Nossa São Paulo, mostra que o tempo médio gasto no trânsito para realizar todos os deslocamentos diários é de 2 horas e 42 minutos, um minuto a menos do que a média do ano passado. Isso significa que a cada mês o cidadão passa dois dias e seis horas no carro ou no transporte público para se locomover.

A avaliação do trânsito continua a mesma: 68% dos entrevistados o consideram ruim ou péssimo, uma variação de três pontos a menos do índice registrado no ano passado. Esta é a quarta edição da pesquisa anual “Nossa São Paulo/Ibope – Dia Mundial Sem Carro”. As entrevistas foram feitas entre os dias 25 e 30 de agosto. Foram ouvidos 805 paulistanos nas cinco regiões da capital, todos com mais de 16 anos. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

Cansados dos engarrafamentos, 76% dos entrevistados afirmaram que deixariam de usar o carro se houvesse boa alternativa de transporte público de passageiros. Segundo o Ibope, o número de paulistanos que utilizam carros todos os dias ou quase todos os dias é de aproximadamente 2 milhões de pessoas. Isso significa que cerca de 1,5 milhão de motoristas – o equivalente a 20% da população da capital – estão dispostos a deixar o carro na garagem. Para 67%, o transporte público deveria receber mais atenção dos governos.

Segundo Oded Grajew, do Nossa São Paulo, é preciso haver uma grande mobilização para que a promessa de usar menos o carro se torne real. “É preciso um transporte de qualidade, que atenda a todas as regiões da cidade”, afirma. Boa oportunidade é colocar a ação em prática na quarta-feira, quando ocorrerá o Dia Mundial Sem Carro.

“Sem gastar milhões de reais é possível deixar os ônibus andarem em faixas exclusivas. A Marginal do Tietê, por exemplo, comporta um corredor metropolitano exclusivo de ônibus unindo cidades da Região Metropolitana. Para isso é preciso planejar, fazer passarelas para os usuários, plataformas e bilheterias externas. Mesmo porque os congestionamentos na Marginal estão voltando”, afirma Horário Figueira, engenheiro e consultor de trânsito.

Meu carro, minha vida. Na cidade dos carros, moradores da região central, onde a oferta de metrô e transporte público é maior e melhor, são os que mais utilizam veículos para se locomover diariamente ou quase todos os dias na cidade. Somam 83% neste ano. Em 2009, a pesquisa mostrou que eram 86%. Já os moradores motorizados da zona leste são hoje 79%, contra 74% no ano passado. Na zona sul, são 80%, na oeste 72%, na norte 66%. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), São Paulo tem cerca de 6,8 milhões de veículos registrados. A cada dia, pelo menos 600 novos emplacamentos são feitos.

Pouco mais da metade dos paulistanos – 55% – afirmou usar mais de um meio de locomoção diariamente. São mais comuns os deslocamentos a pé (45%), de ônibus (16%), carro (14%), lotação (7%) e metrô (6%). A bicicleta é adotada por 3% da população, o equivalente a 223 mil paulistanos, de acordo com a pesquisa. E 25% afirmaram que passariam a usar esse meio de transporte para se locomover na capital se fossem construídas ciclovias seguras.

Se a cidade tivesse outras ciclofaixas, 68% dos entrevistados mostrariam disposição de utilizar as magrelas. Esse potencial equivale a um exército de 5,3 milhões de pessoas sobre duas rodas. Mais de nove em cada dez (92%) são favoráveis à construção ou ampliação de ciclovias, enquanto o grupo contrário caiu de 11% para apenas 5%.

Proibições. A limitação de circulação de veículos na cidade começa a perder adesão. A pesquisa aponta que o rodízio de veículos em dois dias é apoiado por 41% das pessoas – em 2009, eram 52%. Já o número de paulistanos contra cresceu: foi de 46% para 56%.

O apoio ao pedágio urbano no centro expandido baixou seis pontos em um ano, de 26% para 20%. Por outro lado, são 62% aqueles que se dizem favoráveis à proibição de estacionamento nas ruas e vias do centro expandido da capital.

01/07/2010 - 12:26h Desemprego em SP é o menor desde 1991 para maio

Fernando Taquari, de São Paulo – VALOR

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo permaneceu estável em 13,3% na passagem de abril para maio, segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Apesar da estabilidade, o resultado de maio representa o menor nível para o mês desde 1991. O contingente de desempregados no mês passado foi estimado em 1,422 milhão de pessoas, 5 mil a menos do que em abril. Em maio de 2009, a taxa na região paulista estava em 14,8%.

O nível de ocupação sofreu uma queda 0,4% em maio. Foram eliminados 34 mil empregos, o que contribuiu para estimativa do contingente de ocupados ficar em 9,270 milhões de pessoas. Na comparação com o ano anterior, o indicador cresceu 3%.

O rendimento médio real dos ocupados na região metropolitana de São Paulo, por sua vez, teve alta de 0,7% em abril ante março ao valer R$ 1.297,00. Já a massa de rendimento dos ocupados avançou 1,9%.

30/06/2010 - 12:24h Doze municípios paulistas vão receber verba do PAC das Cidades Históricas

http://www.ecolnews.com.br/images/sao_luis_paraitinga_03.jpg

O Estado de S.Paulo

Doze entre 135 municípios paulistas com bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vão participar do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas, lançado em outubro. São estimados R$ 222 milhões de investimento em criação ou recuperação de bens históricos, desenvolvimento do turismo e preservação da memória.

Entre os municípios beneficiados estão Santo André, São Bernardo do Campo, São Luís do Paraitinga e Cotia. “É um planejamento para quatro anos”, afirma o coordenador do PAC das Cidades Históricas em São Paulo, Leonardo Falangola. No total, serão realizadas 164 ações nesse período, com participação dos governos federal, estadual e municipal.

Cada projeto, depois de cadastrado e aprovado, poderá ser contemplado com verbas específicas de órgãos como os ministérios do Turismo ou das Cidades ou secretarias estaduais e municipais.

16/06/2010 - 10:25h Aquecimento global muda clima de SP

Temperatura aumentará até 3 graus Celsius em 2100 e chuvas serão mais intensas

Ricardo Correa/Veja São Paulo
Nuvem de poluição atmosférica em São Paulo (Ricardo Correa/Veja São  Paulo)

Nuvem de poluição atmosférica em São Paulo: analistas também discutem o forte aumento na temperatura da cidade


Marcelle Ribeiro – O GLOBO

SÃO PAULO. A região metropolitana de São Paulo deve ficar mais suscetível a enchentes e deslizamentos de terra e ter chuvas intensas até 2030, além de uma temperatura de 2ºC a 3ºC mais alta entre 2070 e 2100, segundo estudo divulgado pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CST/Inpe) e pelo Núcleo de População da Universidade Estadual de Campinas (NEPO/Unicamp).

As projeções da pesquisa “Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas” partem do princípio de que a expansão das cidades vai continuar e, com isso, a ocupação das áreas urbanas da região será o dobro da atual em 2030.

Atualmente, cerca de 20 milhões de pessoas vivem na região metropolitana de São Paulo.

A previsão se explica porque, segundo o Inpe e a Unicamp, a expansão da “mancha urbana” acontecerá principalmente na periferia, em loteamentos, construções irregulares, áreas de várzea e instáveis. “Estudos preliminares sugerem que, entre 2070 e 2100, uma elevação média na temperatura da região de 2ºC a 3ºC poderá dobrar o número de dias com chuvas intensas (acima de 10 milímetros) na capital paulista”, afirma o estudo.

Os pesquisadores acreditam que mais de 20% da área de expansão urbana em 2030 poderá ser afetada por acidentes naturais provocados pela chuva e que cerca de 11,17% das novas ocupações poderão ser áreas de risco de deslizamento.

O número de dias e noites quentes deve crescer, com impacto sobre saúde da população, com a intensificação das “ilhas de calor” — áreas com muitas construções e pouca circulação de ar — e a dispersão dos poluentes no ar ficará mais difícil.

Deve haver um crescimento da incidência de rinite alérgica e asma e da mortalidade por conta das doenças respiratórias.

Setenta por cento das internações por doenças respiratórias, aliás, já são provocadas pela poluição e pelas variações meteorológicas, de acordo com o levantamento.

Cidade já sofre os efeitos do caos climático O estudo mostra ainda que a região metropolitana de São Paulo já vem sofrendo com os efeitos do clima. Chuvas com mais de 50mm por dia, que praticamente não aconteciam na década de 50, agora ocorrem de duas a cinco vezes ao ano na capital paulista.

Na opinião do chefe do CST/Inpe, Carlos Nobre, uma série de medidas deve ser tomada para enfrentar estes impactos, como a criação de um modelo que mostre, com antecedência, onde vão acontecer os alagamentos. Mas, para ele, o mais importante é fazer um maior controle sobre construções em áreas de risco.

— A regularização fundiária, para impedir a expansão para áreas de maior risco, é um desafio.

E também é preciso haver a redução das emissões de poluentes do ar — afirma Nobre

26/05/2010 - 17:50h São Paulo ocupa 117ª posição em ranking de qualidade de vida. Em “ecocidades”, a performance é ainda pior, ficando no 148º lugar, pior que Assunção do Paraguai

Em 2010, a lista inclui 221 cidades ao redor do mundo. O ranking leva em conta aspectos como política, sociedade, economia, saúde, saneamento, escolas, serviços públicos, transporte e moradia.

BBC Brasil – AGÊNCIA ESTADO

Rio de Janeiro é 116ª e Brasília, a 104ª colocada; Viena lidera a lista.

A cidade de São Paulo ocupa a 117ª posição em um ranking de qualidade de vida divulgado nesta quarta-feira pela consultoria internacional em recursos humanos Mercer.

Todos os anos, a empresa divulga a lista, que em 2010 inclui 221 cidades ao redor do mundo. O ranking leva em conta aspectos como política, sociedade, economia, saúde, saneamento, escolas, serviços públicos, transporte e moradia.

Nesta relação, para o qual os dados foram coletados entre setembro e novembro de 2009, Viena, capital da Áustria, continua no topo da lista e Bagdá, capital do Iraque, é a última colocada.

São Paulo aparece atrás das outras duas cidades brasileiras incluídas no ranking, Rio de Janeiro (116º) e Brasília (104º).

Como foram incluídas várias cidades este ano, não é possível fazer uma comparação com o posicionamento das cidades no ano passado.

Qualidade de vida

Seguindo o padrão dos anos anteriores, as cidades europeias continuam dominando o topo do ranking. Depois de Viena, Zurique e Genebra, ambas na Suíça, ocupam a segunda e a terceira posições, nesta ordem.

“Os padrões de qualidade de vida permaneceram relativamente estáveis em um nível global em 2009 e na primeira metade de 2010, mas em certas regiões e países a recessão econômica teve um impacto notável no clima dos negócios”, afirmou Parakatil.

Segundo o pesquisador, enquanto que a qualidade de vida permaneceu estável nas cidades americanas, houve um declínio nas Américas Central e do Sul “devido à instabilidade política, aos problemas econômicos e à falta de energia em certos países”.

“Altos índices de criminalidade também continuam sendo um dos maiores problemas em muitas cidades da região”, acrescentou.

O local das Américas Central e do Sul com a melhor colocação no ranking de qualidade de vida é Pointe-à-Pitre, em Guadalupe, no 62º lugar, seguido de San Juan, em Porto Rico (72º), e a capital argentina, Buenos Aires (78º).

Guadalupe, no Caribe, é um território ultramarino da França – ou seja, faz parte da União Europeia. Pointe-à-Pitre é considerada a capital econômica do arquipélago.

‘Ecocidades’

Esta é a primeira vez que a Mercer divulga também uma segunda lista, das “ecocidades”, e a performance de São Paulo neste ranking é ainda pior, ficando no 148º lugar, enquanto Rio de Janeiro e Brasília ficaram respectivamente em 112º e 109º colocados.

A cidade no topo da lista dos locais mais ecológicos é Calgary, no Canadá, enquanto que Porto Príncipe, no Haiti, ficou em último.

Várias outras cidades latino-americanas estão à frente das brasileiras nesta lista, como Montevidéu, no Uruguai (70º lugar), Buenos Aires (83º), e Assunção, no Paraguai (90º).

De acordo com um dos responsáveis pela pesquisa, Slagin Parakatil, “o status ecológico de uma cidade ou sua atitude em relação à sustentabilidade podem ter um impacto significativo na qualidade de vida de seus habitantes”

30/01/2010 - 13:02h Revista Época: uma leitura para enxergar São Paulo

Época_Capa_Kassab

25/01/2010 - 10:16h São Paulo 456 anos

Caderno Especial O Estado SP


Uma cidade e sua gente


VIVIANE KULCZYNSKI – O Estado SP

Quer entender uma cidade? Tente começar por sua gente. Tente desvendar os mistérios, os quereres e as angústias de quem dá vida à metrópole. Tente captar a essência dos que dão feições a São Paulo, que a maltratam de vez em quando, mas que também a afagam. É sobre essa gente que se debruça o olhar desta edição especial. Sobre paulistanos estrangeiros, paulistanos brasileiros, paulistanos paulistas e, sim, paulistanos paulistanos.

Em sete dias, o Estado percorreu 1.091 km, encheu cinco blocos de anotações e disparou 2.739 vezes o botão da máquina fotográfica. O resultado: a garimpagem de 25 histórias de gente. Não quaisquer histórias. Não qualquer gente.

São pessoas cujas trajetórias se ligam por pequenas coincidências: estiveram num mesmo lugar num mesmo dia, chamaram a atenção umas das outras, dependem de seus serviços… Uma história leva a outra e a outra e assim por diante. O cenário: sempre São Paulo, do centro aos extremos e de volta ao centro. É um abraço na cidade.

Um pouco disso tudo está nas próximas páginas, captado e filtrado por uma dupla que não é filha da terra, mas de coração: o repórter catarinense Vitor Hugo Brandalise e o fotógrafo botucatuense Keiny Andrade.

Na prosa, estão as alegrias, os medos, os sonhos dessa gente. Nas imagens em preto-e-branco, os pequenos e grandes gestos, iluminados discretamente por uma cor que às vezes nem percebemos, em meio a tanto cinza.

Há também quatro homenagens. O músico Edgar Scandurra, o escritor José de Souza Martins, o artista plástico Marcelo Hardt e o dramaturgo Mário Viana criaram presentes para São Paulo, pelos seus 456 anos, comemorados hoje. Os mimos, em formatos distintos, são mais um retrato da diversidade da megalópole.

Leia o caderno Especial do O Estado SP

24/01/2010 - 11:54h Uma nova pesquisa Datafolha sobre São Paulo

A data comemorativa da cidade motivou que a Folha SP realizasse uma pesquisa sobre o estado de animo dos paulistanos.

Todos sabem que a Folha sempre vê o lado positivo das coisas, o que explica a manchete sobre a pesquisa: “SP, 456 – Apesar dos problemas, cresce amor pela cidade. Pesquisa datafolha mostra que, mesmo em tempos de chuvas e caos, 47% dos habitantes de São Paulo estão muito satisfeitos.”

Para justificar esse entusiasmo a Folha -eterna positiva-, destaca na capa de sua revista: “57% não cogitam se mudar; em 2001, o índice era 38%”. O elemento de comparação é janeiro de 2001, após 4 anos de governo Pitta, o que explica os resultados e o progresso consignado pela Folha.

Acontece que a Folha poderia ter comparado a pesquisa de hoje, não só a de janeiro 2001, mas a aquela realizada em janeiro de 2004 pelo mesmo Datafolha (janeiro de 2004, após 3 anos de administração Marta Suplicy).

Neste caso, será que a analise seria a mesma?

Vejamos alguns elementos da comparação:

Nota para São Paulo

Janeiro 2001 – 6,1
Janeiro 2004 – 7,7
Janeiro 2010 – 7,4

Grau de satisfação com a cidade

Nada satisfeito

Janeiro 2001 – 21%
Janeiro 2004 – 7%
Janeiro 2010 – 6%

Um pouco satisfeito

Janeiro 2001 – 53%
janeiro 2004 – 46%
Janeiro 2010 – 47%

Muito satisfeito

Janeiro 2001 – 25%
Janeiro 2004 – 46%
Janeiro 2010 – 47%

Um quesito está aparentemente ausente da pesquisa publicada hoje, se eu li corretamente. Trata-se da questão “Você diria que tem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho de morar em São Paulo?”.
Em janeiro de 2004 a Folha informava com orgulho:

“Outro indicador indiscutível do aumento da auto-estima do paulistano está contido nas respostas à seguinte pergunta, apresentada pelo Datafolha: “Você diria que tem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho de morar em São Paulo?”.
A resposta é um verdadeiro “presente” para a cidade: nada menos que 83% dos entrevistados responderam que têm mais orgulho do que vergonha de residir na metrópole.
O instituto de pesquisa já havia apresentado essa mesma questão em levantamento realizado em abril de 2000. Na ocasião, o índice atingido foi de 59%.” (Folha SP – Paulistano tem orgulho de SP – Luiz Caversan 25/1/2004 ver
A arte de esconder o essencial de uma pesquisa).

Não vi a mesma pergunta agora, mas vale registrar que 57% afirmam hoje que não se mudariam de São Paulo, contra 41% que manifestam o desejo de sair da cidade.

Poderiamos dizer, com base nos números das pesquisas que após uma espectacular melhora na avaliação dos paulistanos sobre a sua cidade, registrada em janeiro de 2004; os seis anos seguintes não aportaram qualquer melhora significativa. Mas, eu também sou um incorrigível otimista, São Paulo, na opinião dos seus habitantes, não voltou para a pessima imagem da época de Pitta e o progresso atingido em 2004 persiste até hoje.

Um bom presente para a cidade é constatar que a maioria de seus habitantes sente esse orgulho de morar aqui. Eu compartilho do mesmo orgulho.

Luis Favre

15/10/2009 - 10:48h Pela 1ª vez no ano, Nordeste abre mais vagas que o Sudeste

Isabel Sobral – O Estado SP

http://www.faeal.org.br/fotos/Projeto%20Amanha%202.jpg

Os Estados da Região Nordeste registram um saldo positivo entre admissões e dispensas de 100,4 mil novas vagas no mês passado. Pela primeira vez no ano, a região superou o Sudeste, onde foram gerados 85,8 mil postos. Comparando apenas os estados, São Paulo continuou na liderança do ranking com a abertura de 59,5 mil novas vagas de trabalho, impulsionado pela recuperação da indústria e pelos serviços.

Por causa da colheita da safra de cana-de-açúcar e produção sucro-alcooleira, Alagoas foi o segundo Estado que mais abriu novas ocupações.

Ver também

Obras do PAC em Alagoas devem gerar 15 mil empregos

Obras públicas mudam rotina do pobre Piauí: “Porque o Piauí está para o Brasil como o Brasil está para o mundo”. Bombando!

No Estado de São Paulo, foram criadas 59.547 novas vagas. A indústria foi o setor que mais contratou: 21.146. Serviços ficou com o segundo lugar no ranking, com a contratação de 19.750 trabalhadores com carteira de trabalho, segundo o Caged.

Emprego formal bate recorde em setembro

Indústria é responsável por quase metade das 252,6 mil vagas criadas

A recuperação da indústria avançou em setembro. As fábricas foram responsáveis por quase metade dos 252,6 mil novos empregos formais criados em setembro – o melhor resultado deste ano do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O setor industrial abriu 123,3 mil ocupações com carteira assinada, duas vezes mais que em agosto, e alcançou o melhor saldo mensal do setor na série do Caged, iniciada em 1992. O subsetor de alimentos e bebidas, com quase 63 mil novas vagas, foi o grande destaque da indústria.

O resultado geral do Caged foi ainda o segundo melhor da série histórica para um mês de setembro. Mas ainda ficou abaixo do resultado obtido em setembro de 2008, antes do início da fase mais aguda da crise, quando 282,8 mil vagas formais foram criadas na economia.

Com o bom desempenho de setembro, o mercado formal de trabalho acumulou 932,6 mil novos postos de trabalho no ano. Com isso, o estoque de empregos com carteira assinada no País subiu para 32,9 milhões. O saldo dos nove primeiros meses do ano é pouco menos da metade dos dois milhões de empregos criados de janeiro a setembro do ano passado, mas representa o primeiro período acumulado deste ano em que todos os setores da economia contrataram mais trabalhadores do que demitiram.

PERSPECTIVA MELHOR

Empolgado com os dados favoráveis, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, estimou que a economia vai gerar este ano 1,1 milhão de empregos formais – 100 mil a mais do que previa até agora. Ele ressaltou, porém, que essa é uma avaliação pessoal. “Ainda é cedo para termos uma projeção precisa de como o mercado de trabalho vai se comportar em dezembro”, comentou.

No último mês do ano, as demissões tradicionalmente superam as admissões por causa da dispensa dos trabalhadores temporários contratados pelas empresas no início do segundo semestre. Na média, nos últimos anos cerca de 300 mil empregos formais foram fechados nos meses de dezembro. Em dezembro de 2008, quando esse fator sazonal se combinou com os efeitos da crise financeira mundial, foram perdidas 654 mil vagas, um número recorde.

Confiante que a indústria continuará com um ritmo forte de contratações em outubro e novembro, o ministro antecipou esperar para este mês “um resultado (do Caged) melhor do que o de setembro”. Se se confirmar, esse movimento será atípico já que em anos anteriores nos meses de outubro houve redução de contratações em relação a setembro.

“Mas, como houve forte retração no primeiro semestre por causa da crise, deveremos ter uma surpresa positiva agora”, comentou Lupi.

ALIMENTOS E BEBIDAS

Em setembro, todos os 12 segmentos do setor industrial tiveram saldo positivo entre contratações e demissões, com destaque para a indústria alimentícia e de bebidas. O setor têxtil e de vestuário foi o segundo destaque, com 10,5 mil novos postos. No mês passado, os serviços também contrataram mais, gerando 62,7 mil novos empregos. Na sequência, veio o comércio com 50,3 mil postos e a construção civil com 32,6 mil. Apenas a agropecuária eliminou empregos no mês passado, registrando um saldo negativo 17 mil vagas, por causa da entressafra na região Centro-Sul do País.

21/09/2009 - 10:21h Xangai e São Paulo

Articulista da Folha compara a expansão do metrô na cidade de Xangai com São Paulo. Vale destacar que o metrô de Xangai começou a ser construído em 1995 e em 2007 já atingia 227 Km.

Em 1995, os tucanos já governavam São Paulo e o Brasil. Em 14 anos de governo do PSDB a rede de metrô em São Paulo cresceu 11 Km. Hoje São Paulo tem 61 Km de metrô, como bem lembra o articulista da Folha. Xangai projeta em 10 anos mais 800 Km para sua rede.

Durante as eleições municipais do ano passado Marta propôs a meta de mais 40 Km para 2014 e foi tachada de irrealista pelos adversários e pela maioria dos jornais. LF

Rede do metrô de Xangai: 227 Km construidos em 12 anos

Rede do metrô de Xangai: 227 Km construidos em 12 anos

05/08/2009 - 16:50h Estação Espacial registra fotos noturnas de cidades da Terra

Astronautas desenvolveram tripé que pode ser movido lentamente para compensar movimento do planeta

 

BBC Brasil- Agencia Estado

 


 - Anos de trabalho e aperfeiçoamento técnico possibilitaram que astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI) registrassem impressionantes imagens de algumas das principais cidades da Terra à noite.Veja também:

mais imagens   Galeria de fotos

As fotos foram registradas entre 2007 e 2008, e, segundo a Nasa, mostram como “as luzes das cidades apresentam uma prova espetacular da nossa existência, nossa distribuição e nossa habilidade para mudar o ambiente em que vivemos”.

São Paulo e Santos registradas do espaço – Foto: Nasa

No início do projeto, os astronautas encontraram dificuldades para obter fotografias nítidas, já que as lentes precisam de um grande tempo de exposição, mas a EEI se move rapidamente.

Eles então desenvolveram um tripé colocado sobre uma plataforma que pode ser movida lentamente, compensando a rotação da Terra e o deslocamento da EEI, e possibilitando fazer imagens mais definidas.

As fotos das cidades foram tiradas de uma distância entre 350 e 400 km da Terra.

21/07/2009 - 18:08h São Paulo

Maria Suely de Oliveira

São Paulo
Vista do chão
É a civilização
É chiclete
Espaguete
Gilete
Papelão
Página internética
Perdida no espaço
Máquina moderna
Fábrica de miséria
Memória de bagaço
De sangue, suor,
Poeira, aço
E pedaço de pão
É a civilização
Megalópole de vida mutante
Espremida no esperma
Do lixo de luxo
Do espigão
É a civilização
Mercadora de entulho
Mendiga de sonho
Caco de ilusão
É a civilização
De São Paulo
Vista do chão

Revelações Brasileiras-Coletânea Poética, Shan Editores, 1998 – RS, Brasil

15/02/2009 - 15:48h Amadurecimento político


Corrida presidencial
PT paulista fecha com Dilma

Em jantar oferecido por Marta Suplicy, ministra recebe manifestações de apoio dos colegas de legenda. Petistas vão trabalhar para realizar eventos no estado que a coloquem em evidência


Alessandra Pereira
Da equipe do Correio Braziliense

José Patríicio/AE
Palocci estava entre os 60 convidados da recepção que Marta organizou para Dilma Rousseff

 São Paulo – Foi com um jantar em plena noite de sexta-feira 13 que a cúpula do PT paulista deu sua bênção à provável candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A semana em que a ministra manteve-se em evidência a ponto de incomodar a oposição terminou com uma elegante recepção na casa da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, na qual cerca de 60 expoentes da legenda em São Paulo afinaram o discurso e começaram a dar lastro partidário à preferida de Lula para a disputa da corrida de 2010. Os caciques paulistas negaram resistências manifestando reiteradas vezes a unidade em torno de Dilma. A ministra retribuiu no mesmo tom, fazendo rasgados elogios à história do PT e ao significado da legenda para sua geração.

A presença de representantes das três instâncias partidárias e das diferentes correntes internas do PT comprovou a “absoluta unanimidade” do nome de Dilma entre os paulistas, garantiram parlamentares como o vereador José Américo, presidente do diretório municipal do PT. Ele e os presidentes nacional e estadual do partido, respectivamente Ricardo Berzoini e Edinho Silva, estavam entre os primeiros a chegar à residência de Marta, no Jardim Europa, na Zona Sul da capital paulista. Também compareceram nomes como o ex-presidente da Câmara Federal Arlindo Chinaglia, o atual líder da bancada, Cândido Vaccarezza, os senadores Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante, e o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo, além de prefeitos e parlamentares como os deputados Vicentinho, Antônio Palocci e João Paulo Cunha.

Recebida com carinho pela anfitriã Marta, e com orquídeas pelo senador Suplicy, Dilma, atenta às investidas da oposição, que acusa Lula de antecipar a corrida eleitoral, manteve-se discreta e em nenhum momento assumiu diretamente a candidatura, nem ao longo do jantar. Aos jornalistas que esperavam sua chegada, enfatizou: “Eu não estou candidata e também ainda não sou candidata. Porque para eu ser candidata já teria que ter debatido este tema com o presidente e ainda não o fiz. E teria que ter o apoio do meu partido. As duas coisas não estão dadas ainda.” Em seguida, ela disse que o Brasil está “maduro para ter uma mulher presidente”, afirmou que “dar continuidade aos projetos do governo Lula” é sua maior ambição, negou enfrentar resistências internas e considerou a si mesma o que há “de mais vívido” no PT.

Durante o jantar, Dilma fez um rápido discurso no qual destacou conquistas do governo. Às palavras da ministra seguiram-se falas de diferentes petistas defendendo o lançamento do nome dela para a sucessão em 2010. Dilma foi praticamente aclamada como candidata pelos paulistas, mas manteve a discrição, colocando-se “à disposição do partido”. Com o consenso em torno da ministra, o PT quer agora pavimentar o caminho para a candidatura no estado. O primeiro passo será marcar agendas com a presença de Dilma. “Nossa ideia é dar mais visibilidade a Dilma e programar agendas relacionadas às ações de governo, ao trabalho da ministra à frente do PAC. A ministra concordou, desde que seja fora dos horários de expediente dela”, disse o vereador José Américo.

análise da notícia
Disputas internas superadas em prol de 2010

O amadurecimento político é um dos fatores que contribui neste momento para que o PT, aos 29 anos, opte por não gastar tempo em disputas internas desnecessárias diante do monumental desafio que será tentar vencer os adversários e o próprio carisma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para manter o comando do país no final de 2010.Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, no entanto, os pesos pesados históricos da legenda em São Paulo, estado que detém o registro de nascimento do PT, não estão ratificando o nome de Dilma Rousseff à sucessão presidencial por ser ela a “eleita” de Lula para a disputa. Além da falta de um sucessor natural, os petistas estão endossando as qualidades políticas e a competência da ministra nascida mineira e com carreira projetada entre os gaúchos.

Quem conhece a estrutura interna do PT sabe que, se houvesse outra aposta, mais orgânica e com a mesma musculatura política já desenvolvida pela ministra, a legenda seria capaz de contrariar as preferências de seu maior líder. O fato é que, como diz o vereador José Américo, a ministra tornou-se pouco a pouco unanimidade entre os petistas, porque provou, para eles, ser “muito competente e muito boa mesmo.”

Diante da pedreira esperada para o ano que vem contra os tucanos, seja tendo como adversário o governador paulista, José Serra, ou o mineiro, Aécio Neves, o PT paulista deixa as articulações em torno da sucessão estadual em segundo plano e, ao menos aparentemente, consegue consenso em suas quatro maiores correntes internas em relação à candidatura presidencial. E sai na frente ao começar construindo a unidade partidária em torno de Dilma por São Paulo. (AP)

25/01/2009 - 13:47h São Paulo 455 anos, Um minutinho por favor

Solidão em São Paulo. A urgência e o caos urbano de uma cidade com 12 milhões de habitantes (vídeo de 2007) – Ricardo Fujii

25/01/2009 - 10:17h São Paulo 455 anos, parabéns

Supla – São Paulo

15/11/2008 - 16:42h IBGE: PIB ainda mostra concentração

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Distrito Federal tem a maior renda per capita do país e Piauí, a menor

Liana Melo – O Globo

O Brasil começou a ensaiar os primeiros passos no sentido de reduzir sua concentração econômica, mas ainda assim 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) continuaram a ser gerados, em 2006, por sete estados mais o Distrito Federal. Este grupo é composto por São Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Santa Catarina.

A capital do país manteve ainda a maior renda per capita nacional. No Distrito Federal, este valor foi de R$ 37.600 em 2006, o que significou três vezes o PIB per capita geral (de R$ 12.688).

São Paulo, a principal economia do país, perdeu representação no PIB nacional entre 2002 e 2006. A economia paulista, que tinha um peso de 34,6% em 2002, caiu para 33,9% quatro anos depois. Segundo Frederico Cunha, gerente de Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ser a locomotiva econômica do país, São Paulo tende a sofrer mais com os baixos resultados do nível de atividade industrial.

— Do mesmo modo que São Paulo sofre em anos de baixa atividade econômica, também se recupera rapidamente quando o país volta a crescer — explicou Cunha.

O Rio, por sua vez, aumentou sua participação no PIB, de 11,60%, em 2002, para 11,62%, em 2006. A ligeira queda de São Paulo foi compensada pelo pequeno aumento de participação do Rio, o que acabou conferindo à região Sudeste do país um aumento de 56,7% do PIB, em 2002, para 56,8% em 2006. Pelos dados do IBGE, o valor nominal do PIB de São Paulo e Rio de Janeiro eram, respectivamente, de R$ 802,5 bilhões e R$ 275,3 bilhões.

Apesar de não constar do clube das oito maiores economias do país, o Ceará foi o estado que mais cresceu em 2006: 8%, bem acima da média nacional, 4%. O desempenho da economia cearense foi seguida praticamente por toda a região Nordeste. A explicação, segundo Cunha, é que o comércio, setor da economia que tem peso importante na região, apresentou um bom desempenho em 2006. O impulso para estimular as vendas veio do aumento da massa salarial e dos recursos liberados pelos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

De 2002 a 2006, segundo o IBGE, o peso da região Nordeste no PIB nacional cresceu de 13% para 13,1%.

Enquanto o Distrito Federal manteve a liderança no ranking do PIB per capita anual, os estados do Maranhão e Piauí continuaram a ocupar as últimas posições no ranking do IBGE: R$ 4,6 mil e R$ 4,2 mil, respectivamente.

Já em São Paulo, dono do maior PIB nacional, a renda per capita foi de R$ 19.548 e no Rio, de R$ 17.695.

— Como para alguns estados, como o Distrito Federal, a a administração pública tem muita importância, movimentos de contenção de despesas podem ter força para afetar o resultado do PIB — afirmou Cunha, referindo-se a eventuais reduções de gastos devido à crise econômica.

30/09/2008 - 17:11h Os problemas de São Paulo no SPTV

10/08/2008 - 17:23h Acertar no Centro

Programa de reconstrução do centro, breve balanço e perspectivas

Contribuição de B.K.

A partir de 2001 a Prefeitura articulou uma série iniciativas para a qualificação do Centro de São Paulo. O programa tinha como pressuposto a existência de riquezas econômicas e culturais importantes, que poderiam levar a uma nova dinâmica numa região de problemas. Destacavam-se então:
a) a existência de grandes marcos arquitetônicos e urbanísticos (o Teatro Municipal, o Mercado e as Praças da Sé e República etc.),
b) uma densa economia composta por ruas comerciais (25 de março, José Paulino e Oriente entre diversas), aglomerações produtivas (confecções e gráfica) e novos serviços (educação superior, call centers e entes públicos).
c) Infra-estrutura urbana consolidada;

Como principais problemas:
a) A perda acelerada de população residente no centro, o que reduz a vitalidade da região fora dos horários comerciais,
b) Degradação urbana pelas más condições de conservação e manutenção das vias e prédios públicos;
c) Sensação de insegurança (embora até hoje as estatísticas a apontem como uma área de baixos índices de criminalidade e violência).

Contando com parcos recursos do orçamento municipal em virtude endividamento legado, a Administração optou pela contratação de um grande empréstimo junto ao BID e pela intensificação de ações de zeladoria. Estas tiveram como foco o Centro Histórico com a melhora da limpeza e coleta, manutenção de calçadas, iluminação pública, a presença da guarda municipal, restrição aos camelôs e a assistência aos moradores de rua.

O programa acordado com o BID em 2003 (de U$ 100 milhões mais U$ 60 milhões de contrapartida, então R$ 450 milhões) abarcava um amplo leque de ações. Os projetos mais importantes: a restauração do Mercado Municipal, a renovação urbana no Parque D. Pedro, investimentos nas praças públicas (Sé, República, Roosevelt); nos corredores de tráfego, transporte e em drenagem urbana. Adicionalmente iniciativas de moradia popular foram também conduzidas com ampla aprovação do BID em especial a área conhecida como Favela do Gato e o Edifício São Vito. A convicção de que era importante trazer população residente ao centro, combinada à questão social do acesso à moradia pelas famílias de baixa renda (menos de 3 mínimos) na cidade fundamentou ações de estímulo de projetos para este público.

O conjunto da obra em 2004 apontava o seguinte balanço:
a) Uma reconhecida melhora na área de zeladoria;
b) Investimentos financiados ou utilizados como contrapartida ao BID: Mercado Municipal, Parque D. Pedro, Favela do Gato, Oficina Boracéia.
c) Investimentos na área cultural como a Biblioteca Mário de Andrade, a Galeria Olido, o Teatro Municipal entre outros.
d) Programas de estímulo à moradia popular;

O Governo Serra/Kassab interrompeu por completo o programa e os desembolsos do financiamento do BID, pagando por isso multas sobre o saldo do empréstimo (U$ 70 milhões), além de perder recursos pela valorização da moeda nacional em relação ao dólar. Apostou num programa de re-qualificação da Cracolândia com base na atração de empresas de tecnologia da informação (TI). Os resultados foram pouco relevantes até aqui, conforme balanços divulgados pela grande imprensa. Abandonou as ações do governo anterior nas áreas de manutenção e no investimento em infra-estrutura.

Passados sete anos da iniciativa, que perspectivas apontar para o futuro?

Em primeiro lugar, é possível aferir claramente os danos da descontinuidade. O Governo Marta respeitou os contratos assinados da gestão anterior que autorizavam o empréstimo do BID para o Centro. Aproveitou também os poucos projetos e estudos existentes. Com isso conseguiu resultados mais imediatos. Isso nos deixa por outro lado uma nova lição: a frágil iniciativa da Cracolândia deve ser mantida, embora repensada. Adensar a economia local é correto, mesmo que a aposta das TIs tenha falhado. Cabe neste caso avaliar como dar continuidade à idéia e conferir um tratamento social e não exclusivamente policial à questão do consumo de drogas na região. Trata-se de um espaço do Centro próximo à Luz, que concentra investimentos públicos importantes, economia dinâmica e marcos arquitetônicos.

Em segundo lugar, a melhora da qualidade da zeladoria traz resultados sociais rápidos e deve ser retomada como eixo fundamental e prioritário. Resolver questões de infra-estrutura tem um custo mais baixo do que em outras regiões e o saldo do financiamento do BID poderia dar conta dos problemas mais urgentes (basicamente drenagem e tráfego).

Em terceiro lugar, a vida cultural pode ser facilmente animada desde que haja facilidades de acesso. A retomada de planos de concessão e construção de garagens e estacionamentos é fundamental. Isto ajudaria a estimular áreas como a Moda, design, artes e entretenimento, que têm sido motores da revitalização de áreas centrais de várias Metrópoles Mundiais, uma experiência que deve ser levada em conta pela próxima administração.

Finalmente, a questão chave da moradia no Centro precisa ter seu foco ampliado. Hoje a construção civil e o mercado imobiliário vivem um momento muito melhor. As novas regulações estabelecidas pelo governo Lula, somadas à expansão da economia e à melhor distribuição de renda desencadearam uma grande demanda por imóveis. Ademais, a imprensa repercutiu a elevação de milhões de pessoas ao padrão de consumo e comportamento das classes médias. Sabemos que boa parte deste contingente vive em São Paulo. Ë possível supor que famílias, jovens e profissionais de renda média vejam no centro um novo modo de conviver com a cidade. A Prefeitura de São Paulo pode mobilizar instrumentos para isso: uma nova Operação Urbana e uma legislação fiscal para o Centro que favoreçam os empreendimentos para esse público. A outorga não onerosa para a construção somada à redução do ISS para novos projetos e reformas seriam incentivos importantes para a construção. IPTU e taxas mais baixas ajudariam atrair novos moradores.

Em suma, não há muito a inventar. Aproveitar os bons resultados do passado e aprender com os erros é um bom ponto de partida. Em 2009 o novo Governo contará com maiores recursos do erário e com a economia nacional em crescimento. Basta ter mais foco, determinação e sintonia com as novas dinâmicas da sociedade e da economia paulistana.

B.K.

03/08/2008 - 13:06h A 1° macrometrópole do hemisfério sul

Uma macrometrópole de R$ 475 bilhões

A mancha urbana cresceu a ponto de emendar São Paulo a Campinas, uniu 65 municípios e hoje abriga 12% da população brasileira.


São Paulo e Campinas formam a maior mancha urbana do Hemisfério Sul, responsável por 22% do PIB brasileiro

A imagem “http://www.estadao.com.br/megacidades/img/sp_home.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Diego Zanchetta – O ESTADO DE SÃO PAULO


Em 1722, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, que herdou o nome do pai, o lendário Anhangüera, deixou a cidade de São Paulo com uma tropa de 152 homens armados, 2 religiosos e 39 cavalos.Por cinco dias, embrenhou-se na mata fechada até achar um lugarejo que virou ponto estratégico para tropeiros ávidos em chegar ao sertão das minas de ouro de Goiás e Mato Grosso. Essa parada, 23 anos depois, foi batizada de Campinas. Hoje o antigo “Caminho dos Goiases”, a trilha de 102 quilômetros aberta pelo bandeirante, virou uma coisa só: a primeira macrometrópole do Hemisfério Sul, uma mancha urbana de 22 milhões de habitantes.

São 300 mil veículos que circulam todo dia pelo complexo rodoviário mais movimentado de São Paulo, as Rodovias Anhangüera e Bandeirantes. No entremeio fica o parque industrial mais rico do País, que responde por 65,3% do Produto Interno Bruto estadual ou 22,1% do nacional, uma economia de R$ 475 bilhões. Estudo da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), com base em imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e obtido com exclusividade pelo Estado, indica que entre os dois aglomerados urbanos não há mais que meros 14 km entre bairros com o mínimo de 72 moradias, conceito mundial para definir uma macrometrópole, a junção de duas regiões metropolitanas.

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11/06/2008 - 18:31h São Paulo cada vez pior em qualidade de vida e a pior de América latina em segurança

São Paulo cai no ranking das cidades com qualidade de vida

Levantamento mostra também que a capital e o Rio de Janeiro são as cidades mais violentas da América Latina

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Jamil Chade – O Estado de S. Paulo

GENEBRA – São Paulo é mais perigosa do que Rio de Janeiro, Tel-Aviv (Israel) ou Johannesburgo (África do Sul) e cai no ranking das cidades com a melhor qualidade de vida no mundo. A constatação é da consultoria internacional Mercer, que aponta Zurique (Suíça), Viena (Áustria) e Genebra (Suíça) como as cidades de melhor qualidade de vida no mundo. Em termos de qualidade de vida, São Paulo caiu da 114ª posição em 2007 para a 119ª neste ano, superada por Quito (Peru), Sofia (Bulgária), Pequim (China) e Istambul (Turquia). Já o Rio de Janeiro subiu uma posição, passando da 115ª colocação para a 114ª. Quem também caiu foi Manaus, da 126ª posição para 129ª.

A consultoria elabora o ranking para ajudar empresas multinacionais e seus executivos no conhecimento das realidades de cada um das cidades em que pretendem se instalar. A classificação, portanto, pode ser vista como um termômetro da imagem internacional de cada urbe. A liderança no ranking de qualidade de vida é de Zurique, que ocupa a posição há sete anos. A cidade brasileira melhor colocada é Brasília, que mesmo assim caiu da 104ª posição para a 105ª neste ano e foi superada por Tel-Aviv.

Para a Mercer, a estabilidade política e econômica da cidade, sua infra-estrutura, seu sistema de saúde e de educação são os fatores decisivos na seleção das melhores. “Londres, Paris ou Nova York podem oferecer mais alternativas de lazer ou mesmo um melhor transporte público ou aeroportos internacionais, superando bastante Zurique”, explica Slagin Parakatil, coordenador da pesquisa. “Porém, a segurança e a qualidade do sistema de saúde são quesitos muito importantes para executivos e suas famílias quando chegam a uma cidade transferidos por suas empresas”, completa.

No geral, as cidades européias têm uma melhor qualidade de vida do que as norte-americanas. Os dez primeiros colocados ainda contam com três urbes da Alemanha. Vancouver, no Canadá, ficou em quarto lugar. A primeira colocada dos Estados Unidos foi Honolulu, no Havaí, que ficou na 28ª posição.

A última colocada de todas as cidades analisadas na pesquisa foi Bagdá (Iraque), diante da violência e do caos implantados pelo governo dos EUA. Nairóbi (Quênia), Karachi (Paquistão) e Kinshasa, na República Democrática do Congo, também estão entre as piores.

Segurança

Em termos de segurança, a liderança é de Luxemburgo. Nesse critério, a entidade se baseia na estabilidade interna, na violência e na eficácia da aplicação da lei. Berna, Genebra e Zurique, todas na Suíça, estão entre as quatro primeiras. Na Europa, a cidade mais perigosa é Moscou, na 196ª posição.

Já São Paulo e Rio de Janeiro são duas das urbes mais perigosas da América Latina. No ranking de segurança pessoal, o Rio ocupa a 177ª e a capital paulista, a 180ª. Cidades como Maputo (Moçambique), Bamako (Mali), Johannesburgo e Luanda (Angola) são consideradas pela consultoria internacional como sendo mais seguras do que as duas metrópoles brasileiras. Tel-Aviv, segundo a classificação, é ainda mais segura do que São Paulo, apesar de atentados e ameaças. Manaus é a cidade brasileira melhor colocada no ranking de segurança, ocupando a 103ª posição.

30/05/2008 - 15:49h O fotógrafo Marcio Scavone faz livro e exposição sobre o bairro da Liberdade

© Foto de Marcio Scavone.


O Museu da Casa Brasileira em São Paulo, abriu a exposição “Viagem à Liberdade: em busca da alma japonesa de um bairro” e lança o livro homônimo com imagens do cotidiano do bairro paulistano em ensaio fotográfico de Marcio Scavone. Com a mostra, o MCB se integra às comemorações oficiais do Centenário da Imigração Japonesa. Com curadoria de Roseli Nakagawa, a exposição nos remete a uma antropologia urbana pelo olhar poético e delicado sobre os espaços tradicionais do bairro da Liberdade, através da presença marcante de seus habitantes. Uma mirada imaterial em busca do espírito japonês, encontrado no já “envelhecido” bairro, revelando memórias, afetos e lembranças de um passado substituído pelo novo território, o da própria Liberdade. O ensaio de Marcio Scavone assinala a passagem do tempo em quarteirões, vielas, corredores, galerias, balcões de bar cheirando saquê e cerveja, templos silenciosos, e lojinhas de estranhos objetos eletrônicos. As fotografias presentes na exposição e no livro trazem o passado e o presente de um bairro significativo na construção da identidade paulistana.

Fonte Images&Visions