20/04/2009 - 09:22h Veja o retrato do genocídio educacional da juventude de SP, após 14 anos de governos tucanos

Nenhuma escola de 8ª série e 3º ano do ensino médio teve média satisfatória em ciências e matemática

Apenas uma escola conseguiu “bom”em português na 8ª série

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/serra_caricatura3.jpghttp://comunicacao.sp.gov.br/bancoImagens/albuns/6454/_b21704.jpg

Matemática não sai do básico na rede estadual

Jéssika Torrezan, Lívia Sampaio, Luciana Lazarini e Aline Mazzo do Agora

Nenhuma escola estadual da Grande SP ensina adequadamente ciências e matemática para os alunos da 8ª série do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio.

Em português, apenas a escola Maria da Conceição Moura Branco, em São Caetano do Sul, conseguiu ter a média adequada para a 8ª série. No 3º ano, só 30 de 1.311 escolas conseguiram esse nível em português –menos de 3%.

Segundo critérios da própria Secretaria de Estado da Educação, os alunos da rede pública prestes a fazer vestibular não conseguem resolver equações de 1º grau, exercícios sobre a inércia em uma colisão nem questões envolvendo juros simples.

É o que revela levantamento feito pelo Agora com base no Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) de 2008, exame aplicado pelo governo José Serra (PSDB) para avaliar os alunos e cujas notas foram divulgadas no último dia 9.

Além de analisar o que e quanto está sendo aprendido, as notas influenciam no pagamento dos bônus para os professores. São quatro os níveis: abaixo do básico, básico, adequado e avançado. Nenhuma escola, em nenhuma disciplina, obteve nível avançado.

No resultado geral da prova, houve uma queda no desempenho em português e uma pequena melhora em matemática em relação a 2007.

Na 4ª série, que só têm português e matemática, a maioria das escolas fica no nível básico. Em língua portuguesa, nove estão abaixo do básico.

Analisando os dados da 6ª série, a maioria também fica no básico em todas as matérias, que é quando os alunos demonstram desenvolvimento parcial dos conteúdos. Em relação a matemática, apenas uma escola, Lúcia de Castro Bueno, em Taboão da Serra, conseguiu o nível adequado.

A situação na Grande SP piora na 8ª série do fundamental. Nenhuma escola chegou a adequado em matemática e ciências. Mesmo as primeiras colocadas ficaram no básico, assim como a maioria dos colégios. Em língua portuguesa, apenas a escola de São Caetano ficou no nível adequado.

O quadro é ainda mais grave no 3º ano do ensino médio, último antes do vestibular. Há mais escolas com abaixo do básico (o pior) que com básico.

No discurso de posse, no dia 13, o novo titular da Educação, o ex-ministro Paulo Renato Souza, disse que o ensino médio terá “especial atenção”. “É nesse nível onde observamos os maiores retrocessos nos últimos seis anos no plano nacional. A proporção de jovens de 15 a 17 anos fora da escola registrou até leve aumento.”

http://www.jt.com.br/editorias/2009/03/19/4.30.imagem_idesp.jpg

Ensino médio é pior

Jéssika Torrezan do Agora

Além de não ter nenhuma escola classificada no nível adequado de matemática e ciências, o terceiro ano do ensino médio é a série da rede estadual da Grande SP que tem mais escolas classificadas no nível abaixo do básico.

No caso de ciências e matemática, o número de escolas que têm nota abaixo do básico supera as avaliadas no nível básico. Ciências tem 365 com nível básico, contra 946 abaixo do básico. Em matemática é ainda pior: 1.009 escolas estão abaixo do básico e 302 no nível básico.

charge_matematica-agoraok.jpg

18/04/2009 - 14:57h “Gestão” Kassab: notas de português pioram na rede municipal

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080620/img/11.7.imagem_kassab.jpg

Adriana Ferraz do Agora

Avaliações do Estado e da Prefeitura de São Paulo confirmam: a qualidade do ensino fundamental oferecido na rede pública está estagnada. Os resultados da Prova São Paulo, divulgados ontem, mostram que os alunos de escolas municipais da capital não conseguem evoluir na escala Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). Em português, as notas caíram na 4ª, 6ª e 8ª séries. Apenas na 2ª série houve melhora, de 2,3%, em relação a 2007.

Há nove dias, exames feitos na rede estadual de ensino revelaram a mesma dificuldade em português. Os alunos avaliados no Saresp não conseguiram pular de classificação. Na média geral, o nível é básico, como era em 2007.

Nas escolas da gestão Gilberto Kassab (DEM), mesmo quando existe um ganho na pontuação, a posição do aluno permanece a mesma.

Por exemplo: os alunos da 2ª série alcançaram 130,8 pontos no exame de português do ano passado. Em 2007, foram 127,7. Apesar do crescimento, esses estudantes ainda estão no chamado nível 2, que vai de 125 a 150. O máximo que pode ser obtido na escala federal é 375.

A análise do exame ainda mostra que a decisão da Prefeitura de São Paulo de priorizar o investimento nas quatro primeiras séries do ensino fundamental custa caro aos alunos do chamado segundo ciclo: da 5ª à 8ª séries. O rendimento satisfatório dos adolescentes chega a ser 46% menor em relação ao obtido entre crianças (da 1ª à 4ª séries), na mesma matéria.

O maior exemplo está no desempenho obtido em matemática. Segundo o balanço do exame, 77% dos estudantes da 2ª série têm médias satisfatórias. Já na 6ª série, esse percentual diminui para 41,2%. Em português, os dados são semelhantes. A pasta reconhece os baixos resultados, mas justifica que a adesão foi menor nessa faixa.

Ao anunciar os resultados, a Secretaria Municipal da Educação disse que houve eficiência dos programas de recuperação –principalmente os que foram aplicados à 3ª série. Para o governo, os números mostram que a progressão continuada (que impede a repetência) é a política adequada. A pasta não pretende alterar o modelo nem quebrá-lo em ciclos menores (de dois e não quatro anos), como planeja o governo do Estado.

O secretário Alexandre Schneider acredita que o “problema está na base”. Por isso, justifica a “preferência” pelas séries iniciais. “Quem aprende no início do processo evolui mais ao longo da vida escolar”, afirmou.

Monitoramento escolar
As escolas receberão o resultado nominalmente e poderão, de acordo com o secretário, proporcionar o desenvolvimento do estudante ao longo de toda a vida escolar. “Esse é um instrumento inédito”, disse ele.

Para o professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da USP, o exame mostra que há muitos desafios a se enfrentar nos dois ciclos, mas que o modelo da Prova São Paulo pode colaborar para um bom resultado. “O Saresp, por exemplo, não permite o monitoramento dos alunos. Esse pode ser um diferencial na adoção de políticas, com metas justas para cada escola.”

14/04/2009 - 09:39h Nenhuma escola de ensino médio atinge meta em SP


Só dez unidades de 4ª série na capital paulista obtiveram nota considerada adequada

Dados do Saresp mostram que unidades de 6ª e 8ª séries também ficaram com desempenho abaixo da meta em português e matemática

FÁBIO TAKAHASHI E EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Nenhuma escola estadual da capital paulista que oferece sexta e oitava séries ou ensino médio tem médias consideradas adequadas em português e matemática, conforme critério da própria Secretaria da Educação. Na quarta série, apenas dez unidades atingiram o patamar.
O governo José Serra (PSDB) mantém 580 escolas com quarta série na capital paulista; 632 têm sexta; 619, oitava; e 588, ensino médio (antigo colegial).

Os dados estão presentes no Saresp, exame anual aplicado pelo Estado, cujos resultados foram divulgados na semana passada. A tabulação dos resultados das unidades na capital foi feita pela Folha.

A secretaria espera que na quarta série os alunos consigam, por exemplo, compreender a moral de uma fábula ou resolver problemas matemáticos que envolvam centavos. A pasta reconhece que há problemas na qualidade do ensino, mas afirma que tem havido avanços. Cita, por exemplo, a melhora do desempenho em matemática. Em língua portuguesa, porém, houve queda na maioria das séries.

Ontem, durante a posse do novo secretário da Educação, Paulo Renato Souza, Serra afirmou que, “em questão de prédios, de merenda, de transporte, a situação é de boa para excelente. As professoras são muito simpáticas, e os alunos têm vontade de aprender. Mas isso não está acontecendo.”

O tucano apontou como ações para a melhora da qualidade do ensino a criação de materiais pedagógicos e a bonificação por desempenho (pago aos educadores a partir do resultado de sua unidade) -projetos já em andamento. Já o novo secretário da Educação afirmou que “os resultados estão melhorando. O problema é que muitas vezes espera-se grandes mudanças em pouco tempo.”

Salários

O presidente da Udemo (entidade que representa os diretores de escolas), Luiz Gonzaga Pinto, afirmou que “é preciso uma mudança na estrutura da escola pública”. Ele diz que os principais pontos são fixar o professor em uma escola e pagar melhores salários. “É preciso uma política para entusiasmar o pessoal”.

Para ele, o pagamento do bônus por desempenho foi um “desastre”. “Cerca de 30% dos educadores não vão receber nada e ficaram muito desanimados. Outros estão em escolas com boas notas, mas vão ganhar menos do que em outras com piores desempenhos.” O mecanismo criado pelo governo prioriza as unidades que melhoraram em um ano, não necessariamente as que têm os melhores desempenhos.

Colaboraram JULIANA CARIELLO, DANIELA MERCIER, MAURÍCIO MORAES, MÔNICA RIBEIRO E RIBEIRO E IGOR GIANNASI

charge_matematica-agoraok.jpg

10/04/2009 - 11:31h O retrato da “gestão” tucana da educação de São Paulo

Clique no infográfico da Folha SP para ampliar

saresp_sp.jpg

saresp_cienciassp.jpg

10/04/2009 - 11:00h 14 anos do PSDB governando São Paulo: é para chorar mesmo!

A trágica situação do ensino no Estado SP é o verdadeiro “choque de gestão” tucana

Qual é a melhor data para “confessar” que a educação no Estado de São Paulo vai de mal em pior?

Hoje, feriado, quando a maioria dos leitores dos jornais está de férias e o tema pode passar desapercebido.

Onde está o governador do Estado na qual os alunos aprendem cada vez menos?

Na suíça para ver o trabalho de arquitetos contratados sem licitação para fazer o teatro de dança, ante de ir para New York, sem rir, para acompanhar os trabalhos do metrô de lá (é o que diz a coluna de Mônica Bergamo hoje).

A situação da educação após 14 anos de governo tucano (dos quais durante 8 anos comandaram o Brasil ao mesmo tempo) é “estado de calamidade pública”. Só não vê quem prefere olhar para outro lado, ou quem pode enviar seus filhos para escolas pagas com qualidade um pouco superior.

A Secretária de educação, que está de saída porque não conseguiu esconder como Serra queria a péssima situação do ensino, chorou várias vezes ontem enquanto apresentava os resultados. É para chorar mesmo.

O resultado da avaliação dos alunos da rede pública de São Paulo, não se presta à manipulação malandra que Serra exige para tentar galgar a presidência em 2010. 14 anos de absoluta dominação tucana no Estado mais rico do Brasil e um ano antes do atual governador concluir seu mandato, permite sim avaliar com razoável lapso de tempo os governantes.

Nota zero, pois são eles os responsáveis diretos deste estado “alarmante”.

Leiam a seguir os artigos publicados nos jornais de hoje, jornais insuspeitos de simpatias petistas. LF

http://www.estadao.com.br/imagens/l300/CALCK9.jpg
Nota zero


Projetos de ensino falharam, diz educador

Professor de Educação da USP afirma que os dados sobre desempenho dos estudantes da rede estadual “são alarmantes”

Metodologia antiga e falta de acompanhamento nas escolas são apontadas como algumas das causas do baixo desempenho de alunos

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Educadores apontam questões como problemas nos programas do governo estadual, metodologia antiga e falta de acompanhamento nas escolas como algumas das causas do baixo desempenho dos alunos, revelado ontem com a divulgação do Saresp 2008.
Professor da Faculdade de Educação da USP, Ocimar Alavarse afirma que os dados “são alarmantes”, mesmo onde houve melhora. “No caso de matemática, por exemplo, mesmo com o pequeno avanço, mais de três quartos dos alunos não atingiram o nível esperado pela própria secretaria”, disse.
“Os dados indicam que os programas do governo parecem não ter surtido efeito. É preciso uma investigação séria dos projetos e da situação das escolas. São Paulo, com sua condição financeira, não pode ter esse número de alunos sem o conhecimento adequado”, afirma Alavarse.
Para Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, o sistema de ensino está ultrapassado. “Não é ouvindo várias vezes que o plural de pão é pães que eles aprenderão. Os estudantes têm que ler mais.” Em matemática, o mesmo problema: “Os alunos não veem a aplicação do que aprendem, então, é difícil entender o que é dado”.
Ela diz que deve haver uma revisão da metodologia que está sendo usada atualmente. “Tem que ser feita uma atualização do sistema. Já.”
Celio da Cunha, consultor da Unesco e professor da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília), aponta como urgente a necessidade de se vistoriar as escolas. “Insisto na inspeção escolar. As escolas devem ser periodicamente visitadas, como ocorre em países como a França e a Inglaterra.”
Ele elogia o programa de bônus por mérito criado pela secretária Maria Helena Guimarães de Castro, mas diz que mudanças em educação são sentidas a longo prazo. “Avaliar uma escola é um processo multidimensional.”
O pesquisador Ruben Klein, da Fundação Cesgranrio (instituição que aplicou o exame), é mais positivo. Ele afirma que “considerando um período mais longo de análise, São Paulo tem apresentado melhora nos indicadores de português e matemática, como o restante do país”. Ele usa como base os exames federais (Saeb e Prova Brasil). (FÁBIO TAKAHASHI E LUISA ALCANTARA E SILVA)


Cai o desempenho dos alunos em português

Em matemática, estudantes da rede estadual de SP apresentaram resultado melhor entre 2007 e 2008; governo avalia dado como “positivo”

Nas duas disciplinas, porém, a maioria dos alunos não alcançou o conhecimento esperado pela própria Secretaria da Educação

FÁBIO TAKAHASHI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Dados divulgados ontem pelo governo de SP mostram que o desempenho dos seus estudantes do ensino fundamental (1ª a 8ª) piorou em português entre 2007 e 2008, mas melhorou em matemática. Nas duas disciplinas, porém, a maioria dos alunos não alcançou o conhecimento esperado pela própria Secretaria da Educação.
Na oitava série, ano com os piores indicadores, 82,5% dos alunos não atingiram o nível esperado em português. Em matemática, foram 88,4%.
Já no ensino médio (antigo colegial), houve avanço nas duas disciplinas, mas a situação era pior que das demais séries.
A medição foi feita pelo Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), prova do governo aplicada em novembro. O exame foi um dos parâmetros para o pagamento do bônus por desempenho aos servidores da área (72% receberam).
O governo José Serra (PSDB) avaliou os dados como “positivos”, pois houve avanços em alguns níveis. Admitiu, porém, que ainda há “muitas deficiências”. Já especialistas veem os dados como “alarmantes” (leia mais nesta página).
O número de alunos de oitava série que não atingiu os conhecimentos esperados em língua portuguesa foi 19% maior do que em 2007. Os critérios foram fixados pela própria Secretaria da Educação.
Foi nessa série que houve a maior concentração de alunos no nível inadequado e também foi a que mais piorou. Ainda em português, a situação menos negativa está no sexto ano (67% com nível inadequado).
A atual secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, afirma que uma das explicações para a queda em língua portuguesa foi uma mudança na prova, que passou a cobrar gramática e literatura. Antes, era basicamente leitura e interpretação de texto.
“[Mas] teremos um esforço maior para que os alunos desenvolvam todas as habilidades, porque os alunos também precisam saber gramática e literatura”, disse Maria Helena, que será substituída pelo ex-ministro Paulo Renato Souza na segunda-feira.
Ao apresentar os resultados, ela chorou três vezes ao falar dos programas e ao agradecer à sua equipe. Na terceira vez, saiu sem finalizar a entrevista.

Matemática
Em matemática, houve melhora em todas as séries -exceto a 6ª. A disciplina, porém, apresentava um cenário pior que português.
Na oitava série, por exemplo, a proporção de alunos com desempenho inadequado caiu de 94,6% para 88,4%.
Situação parecida ocorreu no ensino médio, que melhorou tanto em língua portuguesa quanto em matemática, mas os dados eram mais negativos que os do fundamental. Em matemática, 94,8% dos alunos não chegaram ao nível esperado (0,9% a menos que em 2007).
“Temos muitas deficiências. Mas o trabalho está pronto para avançar”, afirmou a secretária Maria Helena. Ela citou como feitos de sua gestão a criação de materiais pedagógicos para os alunos, a maior preocupação com o reforço escolar, entre outros.

82% tiveram resultado ruim em ciências

REPORTAGEM LOCAL

Antes restrito à língua portuguesa e matemática, o Saresp 2008 envolveu também a avaliação de ciências. O resultado, porém, mostrou que a maioria dos alunos não obteve o desempenho adequado.
Segundo a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, os alunos acertaram questões mais abrangentes, ligadas ao dia a dia deles, e foram pior em temas mais específicos. “Isso indica que é necessário mais investimento em laboratórios de ciência e equipamentos”, disse.
De acordo com os dados, 82% dos alunos da 6ª e 8ª série e do 3º ano do ensino médio têm domínio insuficiente ou parcial dos conteúdos, competências e habilidades para a série em que estão.
Isso, segundo especialistas, é resultado da pouca atenção que o Brasil deu à essa área.
Para Neide Noffs, coordenadora do curso de psicopedagogia da PUC-SP, a área de ciências começou a ser valorizada só recentemente. “A matriz curricular das escolas focava muito língua portuguesa e matemática e se esquecia de ciências”, diz a professora.

28/03/2009 - 09:17h Serra quer na educação de São Paulo “vendedor de peixe”

Caiu a secretária de Educação de Serra, Maria Helena Guimarães de Castro, substituída pelo ex-ministro de FHC, Paulo Renato. A secretária caiu porque não soube “vender o peixe” como Serra queria. Segundo a Folha SP, Serra não queria que o Estado participasse do Pisa (prova internacional que será realizada em maio) por “temor de uso político dos dados na campanha de 2010″. Ou seja, Serra queria ocultar o péssimo balanço de seu governo na área da educação, mas a secretária manteve a participação do Estado.

O mesmo aconteceu, sob outra forma, na questão do Idesp, onde Serra queria vender a ideia de um grande avanço e a secretária não conseguiu transformar o chumbo em ouro. É bom lembrar que os resultados do Idesp foram anunciados, sem fornecer os dados por elemento da avaliação, para evitar de constatar que em matéria de aprendizado a situação continua calamitosa. Como o Idesp relaciona as notas em português e matemáticas, com repetência e frequentação, o todo servindo para determinar bonificação para as escolas; escolas menos rigorosas no registro da presença do aluno podem ter uma pontuação no Idesp melhorada.

A nomeação de Paulo Renato vem confirmar as reais motivações do governador Serra. Como diz o presidente do Conselho Estadual de Educação, Arthur Fonseca Filho, citado pela Folha: “O importante é que não haverá quebra na política educacional (…) para a mudança, pesou o fato de o Paulo Renato, como deputado, ter pretensões políticas e necessidade de projeção…”. Dito de outra maneira, a mediocridade da política educacional continuará a mesma, mas o disfarce e a manipulação para apresentá-la como exitosa, para não prejudicar o tucano nas eleições de 2010, será mais habilidosa.

Reproduzo a seguir matéria do Jornal da Tarde (JT) de hoje. O retrato da educação está estampado nos resultados obtidos em português e matemática, que o JT conseguiu tabulando os resultados do Saresp (base para o idesp) na 4ta. série das escolas públicas estaduais da capital. O porque de ter escolhido está série está fundamentado no artigo e o exemplo poderia ser estendido as outras séries, com resultados seguramente semelhantes. Pois bem, em português, os resultados em 2008 são piores que em 2007 (ver quadro do JT). Em matemáticas, onde teve algum progresso, 40% dos alunos estão abaixo do básico. Isto nas escolas da capital, a cidade mais rica do país.

Esqueci de dizer, faz 14 anos que os tucanos comandam o Estado de São Paulo e durante esses 14 anos, em 8, tiveram o comando ao mesmo tempo do governo federal. Ao cabo de 14 anos os resultados são desastrosos.

É o que José Serra quer ocultar, agora com a ajuda de Paulo Renato.

Luis Favre

Clique no quadro embaixo para ampliar

saresp_portuguessp.jpg

Português é pior que em 2007

Na capital, índice dos que não aprenderam o que deveriam para a série sobe de 62% para 69%

Do primeiro para o segundo ano da gestão do governador José Serra (PSDB), caiu o desempenho em língua portuguesa dos alunos da rede estadual na capital ao final do primeiro ciclo do ensino fundamental. Segundo os números de 2008 do Saresp, exame de avaliação das escolas do Estado, são cerca de 63 mil estudantes de 4ª série sem os conhecimentos adequados para essa etapa, ou 69% do total. Em 2007, eram 62% os que não tinham aprendido o esperado para esse nível de ensino.

Esses alunos estão situados nos níveis “abaixo do básico”, que não aprenderam o conteúdo da matéria, e “básico”, que aprenderam só de forma parcial. Houve queda nos dois degraus da escala: em 2008, 28% ficaram abaixo do básico e 41% no básico; no ano anterior, os índices eram de 22% e 40%, respectivamente.

Os dados do ano passado das escolas estaduais da capital foram tabulados pelo JT com base em informações da Secretaria de Estado da Educação. Já os de 2007 fazem parte de um estudo do professor Ocimar Munhoz Alavarse, do Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

A queda em português ocorre justamente na etapa que o governo elegeu como uma das prioridades da educação. Entre os projetos implantados pela atual administração na primeira etapa do ensino fundamental estão o Ler e Escrever, que pôs um estagiário nas classes de 1ª série da capital, e o Programa Intensivo no Ciclo (PIC), com salas de recuperação exclusivas para estudantes não completamente alfabetizados.

“O número de alunos com problemas aumentou em língua portuguesa. Em outros termos, diminuiu o número dos que aprenderam o que é desejável, e isto impõe como tarefa urgentíssima uma política para esses alunos, que estão em uma situação de risco pedagógico”, afirma Alavarse.

Exemplo de escola

Se língua portuguesa piorou de 2007 para 2008, em matemática houve melhora nos indicadores da capital: os porcentuais somados dos dois níveis mais baixos de aprendizagem foram reduzidos de 84% para 78% no período.

A matéria, por outro lado, ainda segue com mais estudantes que não assimilam o conteúdo necessário em comparação com português: 40% estão abaixo do básico e 38% no básico em matemática.

Levando-se em contas as duas disciplinas que norteiam o ensino básico e os níveis de qualidade de escolas privadas brasileiras da região Sudeste, só dois colégios estaduais da capital se enquadram como exemplos a serem seguidos na rede estadual: a Escola de Aplicação, localizada na Cidade Universitária, zona oeste, e ligada à Faculdade de Educação da USP, e a Escola Professora Estadual Blanca Zwicker Simões, no Jardim Anália Franco, na zona leste.“80% de nossos professores são efetivos. Você não precisa a cada ano começar todo o trabalho de novo”, diz a coordenadora pedagógica da Blanca, Marta Regina Rezende, ao ser questionada sobre os docentes. A escola adota um sistema de sondagens mensais em português e matemática, para identificar alunos com dificuldade.

Nesses casos, o docente faz um trabalho de recuperação durante as atividades normais de aula. Os pais são notificados quando algum estudante não vai bem – e não só em casos de indisciplina.

Fabio Mazzitelli e Vitor Sorano (JT)

 

 

 

28% dos alunos não entendem o que leem

Apesar da melhora no índice de qualidade da educação estadual, 25,4 mil dos 92 mil estudantes da 4ª série concluíram ciclo de
ensino em 2008 sem saber o básico de língua portuguesa

Fábio Mazzitelli e Vitor Sorano – JT

Um em cada quatro alunos de 4ª série das escolas estaduais da capital pode até conseguir ler este texto, mas não entenderá o conteúdo dele nem o gráfico desta página. Cerca de 25,4 mil dos 92 mil alunos, ou 28%, avaliados no Saresp – prova anual da rede estadual de ensino – chegaram ao final do primeiro ciclo do ensino fundamental sem atingir o nível básico de aprendizagem em língua portuguesa. Em matemática, são 37 mil nessa situação, ou 40%.

Ontem, foi anunciada a troca de comando da Secretaria Estadual da Educação. O ex-ministro Paulo Renato Souza (PSDB) substituirá Maria Helena Guimarães de Castro.

O Jornal da Tarde tabulou os boletins do Saresp de 2008 das escolas estaduais da capital que oferecem a 4ª série. Foram computados os dados de 575 unidades. Oito foram desconsideradas porque o número dos alunos avaliados não foi informado. Esse nível de ensino foi escolhido porque é a etapa de alfabetização dos estudantes, que terão mais sete anos para completar o ensino básico.

O exame possui quatro conceitos: abaixo do básico, básico, adequado e avançado. Só nos dois últimos o aluno aprendeu o que deveria para série.

Dos estudantes de 4ª série da capital, segundo o Saresp de 2008, estão nos níveis desejados de conhecimento (adequado e avançado) só 31% em língua portuguesa, um recuo em comparação a 2007, e 22% em matemática, um avanço em relação ao ano anterior.

Em todas as 13 diretorias de ensino da cidade, a maioria ficou entre abaixo do básico e básico nas duas matérias. Ou seja, menos da metade aprendeu o conteúdo essencial ao final da 4ª série. Os piores desempenhos são de alunos do extremo leste da cidade.

“O ideal é que ninguém fique abaixo do básico, que é um nível que representa que o aluno não aprendeu”, afirma Naercio Aquino Menezes, professor do Ibmec de São Paulo e um dos que ajudou a criar o novo modelo do Saresp – criado nos anos 1990, o exame estadual passou por vários formatos até ser reformulado em 2007.

No abaixo do básico em português, significa que o aluno não entende os efeitos da pontuação em um texto nem reconhece o tema de um boletim informativo simples. O mesmo nível de matemática indica que o estudante não sabe ver horas em um relógio nem diz o que é direita ou esquerda em relação ao próprio corpo.

Para Francisco Soares, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais que também ajudou a formatar o Saresp, o ideal é que as escolas atingissem uma distribuição mais próxima ao modelo dos colégios de ensino básico dos Estados Unidos, nos quais há apenas 5% no último nível de desempenho na escala. Para os pesquisadores, outra referência possível é o estágio atual das escolas privadas do Sudeste do Brasil, em que há 9% abaixo do básico.

A Secretaria Estadual da Educação não contestou os dados, mas diz que o ensino está melhorando. A pasta promete divulgar o resultado total do Saresp em abril. Fizeram a prova alunos de 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do fundamental e 3º ano do ensino médio da rede estadual, nas disciplinas de português, matemática e ciências.

19/03/2009 - 10:57h Ensino avança pouco em SP

Segundo índice, ensino fundamental subiu de 3,23 para 3,25, numa escala que vai até 10


Fábio Mazzitelli – JT

O ensino fundamental da rede estadual avançou pouco no último ano, segundo dados divulgados ontem pelo governo do Estado. O Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) dos alunos de 1ª a 8ª série aumentou menos de 3% entre 2007 e 2008 e sequer chegou a 4, numa escala de 0 a 10. O indicador leva em conta o desempenho dos estudantes na prova feita pelo governo, o Saresp, e a quantidade de alunos na série correta para a idade.

Há um Idesp para cada ciclo de ensino. Nos anos iniciais (1ª a 4ª), o índice subiu de 3,23 para 3,25. De 5ª a 8ª série, foi de 2,54 para 2,6.

Por outro lado, o ensino médio (antigo colegial) aumentou seu Idesp de 1,41 para 1,95, crescimento de quase 40% de um ano para outro. Segundo especialistas, como as escolas desse nível já tinham o pior desempenho havia mais espaço para melhora.

O Idesp foi divulgado pela primeira vez no ano passado, quando a Secretaria da Educação mostrou o índice de 2007 e traçou metas para cada escola que deveriam ser alcançadas em 2008. Dependendo da meta a que cada escola chegou, o governo vai distribuir bônus salariais para professores e funcionários .

O índice educacional paulista foi pensado considerando quatro níveis de aprendizagem dos alunos: abaixo do básico, básico, adequado e avançado. Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais, José Francisco Soares, que participou da elaboração do Idesp, é normal que haja pouca variação de um ano para outro.

“A pontuação só aumentaria bastante se muitos alunos saíssem do nível pior e fossem para o avançado e isso é impossível de acontecer em pouco tempo.”

O governo não divulgou ontem o desempenho dos alunos em cada nível nem os resultados de português e matemática, disciplinas cobradas no Saresp do ano passado. Os dados foram utilizados para a composição do Idesp, mas a secretaria informou que só serão apresentados em abril.

Comemoração

O resultado geral, principalmente do ensino médio, foi comemorado pela secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. Ela diz que uma das razões do avanço foram programas de revisão de conteúdo em horários extraclasse para os jovens.

“Estamos diminuindo o número de alunos no ensino médio noturno também. É um bom sinal”, diz ela. Hoje, cerca de 45% dos alunos do médio estudam à noite.

Para Ângela Soligo, educadora da Universidade Estadual de Campinas, o ensino médio melhorou porque o Estado criou um material didático que prepara o aluno para a prova anual da rede, com apostilas para professor e aluno sobre o conteúdo a ser aprendido.

“O material tem tópicos detalhados, inclui questões que o professor deve fazer, as possíveis respostas e qual deve ser o passo seguinte. O aluno vai sendo preparado para o Saresp. É como se faz para preparar para o vestibular.”

O mesmo material, por outro lado, é elogiado pelo presidente do Movimento Todos pela Educação, Mozart Neves. “Isso dá organização ao ensino.” Ele diz que é professor e já na primeira aula mostra aos alunos o eixo central do curso. “Do contrário, (o aluno) sente-se perdido.”

Para a educadora Silvia Colello, da Universidade de São Paulo (USP), o pouco avanço no ensino fundamental mostra que as medidas tomadas não resolveram. “Tem uma hora que não adianta ter só a clareza das metas. É preciso mudar também a estrutura do sistema”, diz Colello. “Para melhorar nos anos iniciais, são necessárias mudanças mais aprofundadas, como na carreira e capacitação dos professores, redução da burocracia nas escolas e até na estrutura física das unidades.”

Em 2007, o governo iniciou o Programa Ler e Escrever na fase de alfabetização das crianças. Uma das ações foi a inclusão de estagiário nas classes de 1º ano para ajudar o professor. Para Ocimar Munhoz, especialista em avaliação da USP, o Idesp mostra que o programa ainda não atingiu os resultados esperados.

“Com o Ler e Escrever, foram tomadas uma série de medidas para se dar um salto e isso não aconteceu. Precisava de um crescimento maior (no índice dos anos iniciais), principalmente porque existe um programa específico’, afirma. “É preciso olhar com atenção para o início do processo de escolarização porque os grandes desafios educacionais estão nessa etapa.” Renata Cafardo, Sergio Pompeu e

A REMUNERAÇÃO POR METAS NA EDUCAÇÃO DO ESTADO

Quem ganha o bônus anual?

Todos os servidores de escolas estaduais que melhoraram o Idesp de 2007 para 2008.

Quanto se recebe por melhorar o índice sem atingir a meta?

O bônus é sempre proporcional ao avanço. A meta representa 100%.

Exemplo: o índice de uma escola teria que subir de 1,5 para 2,5 e ficou em 2. A meta era subir 1 ponto e aumentou 0,5 ponto, ou 50% da meta. Dessa maneira, os funcionários terão 50% do bônus

Quanto se recebe por atingir a meta fixada para o colégio?

Se o Idesp-2008 da escola for igual à meta fixada em 2007, o bônus anual ao funcionário será de 100% e vai girar em torno de 2,4 vezes o salário mensal do servidor

Exemplo: R$ 1.600 é o salário mensal. Ao se multiplicar o salário por 12 (meses) e depois por 20% se chega ao bônus anual integral. Nesse caso, a gratificação seria de R$ 3.840

Quanto se recebe por superar a meta estipulada no Idesp?

Se o índice de 2008 superar a meta, o servidor receberá um bônus proporcional ao avanço, até o teto de 20% a mais que o valor integral estipulado para quem cumprir a meta

Exemplo: o Idesp tinha de subir de 1 para 2 e chegou a 2,1. A meta era subir 1 ponto e aumentou 1,1 ponto, ou 110%. O bônus será de 110%. O máximo da bonificação é de 120%

Quem não ganha o bônus?

Além de as faltas no trabalho reduzirem o valor do bônus, nada recebem os funcionários das escolas que ficaram com o Idesp de 2008 inferior ou igual ao do ano anterior.

21/08/2008 - 15:46h Escondido durante anos: loteamento tucano no Estado de SP

As declarações da ex-secretária de educação de Geraldo Alckmin são uma verdadeira confissão. Durante anos a educação estadual está, e continua estando, loteada para favorecer os políticos e compadres amigos em detrimento das necessidades de professores e alunos.

Se o fato vem a luz agora é como produto da crise do PSDB e da briga pela prefeitura entre serristas e alckministas. A crise acaba provocando fissuras na lei do silêncio da hipocrisia tucana e põe a nu, não só o sistema de favores aos correligionários e apanigüados, com cargos públicos; mas também a cumplicidade dos grandes veículos de comunicação que durante anos fecharam os olhos para essa realidade.

A verdadeira questão é saber qual é a relação entre o desastre educacional em São Paulo e esse aparelhamento da tucanagem e afins no sistema educativo? Qual é a relação entre o resultado do Saresp no ensino médio de São Paulo, -1,41 é a média obtida pelos alunos em uma escala de 0 a10- e a nomeação de apadrinhados do PSDB. (Nota roxa, de vergonha).

Tenho lembrado aqui no blog que existem quase 40.000 cargos de livre provimento no governo estadual e suas empresas, autarquias e afins, ou seja cargos preenchidos sem concurso público e dinheiro para fundações ligadas ao PSDB e aliados (29/02/2008 – 14:47h Sem lícitação, governo Alckmin pagou R$417 milhões para fundações só entre 2001 e 2004 (resposta a Clóvis Rossi)). Porque a mídia nunca se interessou em desvendar a natureza desses cargos e sua função de cabide de emprego e de apoio partidário? ou não foi atrás das fundações que recebem milhões do governo tucano e que são ligadas a seus políticos? Porque a questão da máquina pública estadual não foi nunca objeto de debate e discussão nos jornais de São Paulo? LF

Clique na imagem para ampliar e ler o jornal AGORA

loteamento_agora.jpg

02/08/2008 - 12:52h Edição do debate destaca alguns dados e esconde outros

Capa Folha de S.Paulo - Edição São PauloA edição do debate feita hoje pela Folha mostra erros no uso de dados, no debate da Band, por parte de todos os candidatos. Por exemplo, em relação a educação, o artigo “corrige” Alckmin assim:

“Alckmin citou o indicador nacional, que é influenciado pelo sistema de progressão continuada (aprovação automática), além de a melhora ter se dado a partir de 2007, quando ele já estava fora do cargo. O tucano também não fez referência a indicador estadual, que traça quadro bem pior”.

Você, eu e provavelmente a maioria dos leitores da Folha não entenderam nada de toda essa frase.

Alckmin disse que São Paulo “está acima da média no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)”. A Secretária Estadual de Educação avaliou as escolas estaduais a partir das notas do Saresp -provas aplicadas nos estudantes da rede- e na taxa de aprovação dos alunos. O índice de avaliação chama-se Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). Pois bem, de 0 a 10, a média de TODAS as escolas do Estado de São Paulo foi de 1,41. O Idesp da 8ª série do ensino fundamental foi 2,54. O da 4ª série chegou a 3,23. Ou seja, a qualidade da educação é sofrível em todas as etapas, mas piora nas séries mais altas e fica próxima de zero no fim do ensino médio. (dados do jornal Agora, do grupo Folha). “ Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.” (O Estado de São Paulo).

Em outro trecho da edição do debate feita pela Folha é abordada a questão da situação das finanças da prefeitura ao final da administração da Marta. O tema motivou um ataque violento de Alckmin afirmando que a petista tinha falido a cidade e deixado um rombo gigantesco.

Neste ponto a Folha questiona a resposta de Marta, cita o TCM e também o atual Secretário de Planejamento de Kassab.

A Folha poderia informar que as contas da Marta foram aprovadas pela Câmara Municipal com o voto favorável incluso dos vereadores do DEM. Ela poderia acrescentar que essas contas também foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Mais importante ainda, a Folha poderia informar que este litígio foi objeto de um julgamento no Supremo Tribunal Federal que julgo as contas da Marta em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

A resolução do STF destaca dados fornecidos no julgamento feito pelo TCM na aprovação das contas da ex-prefeita. Diz o documento do STF:

5. O Tribunal de Contas do Município de São Paulo, por maioria, decidiu pela aprovação das contas de MARTA TERESA SUPLICY, entendendo que a conduta da ex-Prefeita no exercício de 2004 esteve de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

6. Entendeu-se que a ação do Poder Executivo no tocante à assunção de despesas, cancelamento de empenhos e inscrição em restos a pagar encontrou amparo no art. 30, II, da LDO, que conferiu interpretação autêntica ao art. 42, da Lei de Responsabilidade Fiscal.

7. Ponderou-se, ainda, ser necessária uma análise global da conduta de gestor durante o mandato, sobretudo por não haver norma de transição na Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, comparou-se a situação
encontrada no início do mandato com a deixada ao sucessor, concluindo-se:
´(…) pelo cumprimento ao artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal, visto que a disponibilidade de caixa se revelou suficiente para cumprir as obrigações assumidas, restando, ainda, um saldo positivo de R$91.046.265,51 (noventa e um milhões, quarenta e seis mil, duzentos e sessenta e cinco reais e cinqüenta centavos)´ (fls. 146, do apenso 01).

8. Em suma, embora se tenham verificado algumas irregularidades de cunho formal, a Corte de Contas constatou a necessidade da execução das despesas realizadas e dos procedimentos adotados para a contínua atuação da Administração em satisfação ao interesse público. (a integra do julgamento do STF aqui).

A Folha escreve: “A campanha do PT lembra que o tribunal aprovou as contas”, frase que conclui o tema, precedido da afirmação do Secretario de Kassab que Marta “deixou uma dívida superior a R$ 3 bilhões. Parte registrada em balanço e parte oculta”. A Folha, neutra. Neutra?

Curiosamente um dos principais enfrentamentos entre Alckmin e Kassab, sobre a iluminação pública, não motivou nenhuma menção na edição do debate feita pela Folha. Porém neste ponto Kassab fez menção a vários dados, abordou a privatização da Eletropaulo feita por Alckmin.

Na edição feita pela Folha o tema sofreu um apagão. Esta questão da iluminação foi objeto de uma reportagem especial do SPTV da Globo e aqui no Blog, o vereador Antonio Donato forneceu dados que até agora não sofreram qualquer contestação e que explicam porque Kassab diz no debate que “na próxima gestão estaremos implementando o Reluz”, para ocultar que o Reluz retomado por Marta na sua gestão foi suspenso na gestão Kassab porque a prefeitura está inadimplente com a Receita Federal, deixando de receber por isso os repasses para o programa. (ver aqui os dados sobre o tema).

Como podemos ver a tentativa de mostrar os dados inflados pelos candidatos no debate, alguns deles são erros mesmo e outros exageros ou distorção, sofre do viés de uma edição superficial que longe de esclarecer dificulta a compreensão e não destaca o essencial. LF

21/07/2008 - 18:56h Cadê o gerentão?

http://www.bobnews.com.br/images/9f2cb3ed7593a9bf4a3fe4907e219da1.jpg
Alckmin de boca fechada para falar da educação no seu governo

Uma coisa que chama a atenção na cobertura eleitoral é o pequeno espaço dado aos resultados obtido pelo candidato Alckmin e seu partido durante os dois mandatos exercidos a frente do governo estadual.

Editorial recente da Folha de São Paulo abordou este balanço na questão da educação. Para o editorial

“Dados oficiais de 2007 mostram que 71% dos alunos que concluem o ensino médio têm dificuldades até para lidar com conceitos elementares, como subtração e porcentagem.
Verifica-se agora que até as recentes tentativas de corrigir os erros ficam aquém do esperado. Como mostrou ontem reportagem desta Folha, o governo não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para o período de 2004 a 2007.
Em 3 dos 4 indicadores, a situação chegou a deteriorar-se. Foi o caso da reprovação no ensino médio: a meta era diminuir de 9,3% para 7% a proporção de alunos que repetem de ano. A taxa, porém, subiu para 17,6%.
Tendências na educação, quanto mais numa rede pública com a escala da estadual paulista, não se modificam da noite para o dia.”

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin cumpriu dois mandatos a frente do governo estadual. Se os resultados não se modificam da noite para o dia e o atual governador não pode ser invocado para produzir milagres, o que dizer do seu predecessor, com dois mandatos seguidos no comando do Estado mais rico do Brasil?

Segundo a atual Secretária de Educação do Estado de São Paulo o programa de formação de professores do governador Alckmin não tinha foco e jogou o dinheiro fora:

“Os R$ 2 bilhões investidos em formação continuada de professores pelo governo de São Paulo nos últimos cinco anos não melhoraram o desempenho dos alunos. A afirmação é da secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, que anunciou mudanças no programa. Segundo ela, o principal problema do Teia do Saber é a falta de foco. O projeto de formação dos docentes foi implantado na gestão do ex-secretário Gabriel Chalita (PSDB), em 2003.

“Não havia relação interativa entre esses programas e as necessidades da escola”, disse Maria Helena. Chalita foi procurado, mas informou não ter interesse em falar sobre o assunto.”(jornal O Estado de São Paulo).

O braço direito de Alckmin “não tem interesse em falar sobre o assunto”?

Vai ficar por isso mesmo?

Jogam fora o equivalente a todo o dinheiro de um ano do FUNDEB para o Brasil inteiro, sem qualquer resultado é o tema é esquecido pela mídia que não retoma a questão?

O jornal Agora bradou:

“O aluno que vem com 4 no boletim tirou nota vermelha. Se a nota é 2, de tão vermelha ficou roxa.

Já quando uma rede inteira tira nota 1,4, todo mundo que tem responsabilidade na educação, a começar das autoridades, deveria fica roxo. De vergonha.

Essa foi a nota, dada pela Secretaria Estadual da Educação, ao desempenho da sua rede de ensino médio: 1,41, numa escala que vai até 10.

O índice foi obtido com base nas notas do Saresp -provas aplicadas nos estudantes da rede- e na taxa de aprovação dos alunos. Chama-se Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo).

O Idesp da 8ª série do ensino fundamental foi 2,54. O da 4ª série chegou a 3,23. Ou seja, a qualidade da educação é sofrível em todas as etapas, mas piora nas séries mais altas e fica próxima de zero no fim do ensino médio.(…)”

Com clareza o editorial diz que as autoridades deveriam ficar “roxas, de vergonha”.

Os resultados do idesp concernem todas as escolas estaduais no Estado de São Paulo, mas como informa o Estadão: “ Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.”

Os alunos que concluem hoje a secundária, ingressaram na escola primária e as autoridades na época eram do PSDB (e Alckmin, durante dois mandatos consecutivos)). As crianças fizeram todo o percurso baixo governos estaduais do PSDB. Durante 8 anos desse percurso, não só o governo estadual era dominado pelo PSDB, mas o Brasil inteiro era governado por FHC do PSDB (juntos com os atuais Demos).

Vocês não pensam que Alckmin e Chalita devem explicações ao povo e a juventude de São Paulo?

A mídia não deveria entrevistá-los para falar de educação e explicar o que foi errado? onde eles erraram?

Esta questão não deveria ser objeto de debate? A mídia não estaria dando uma grande contribuição se pautasse a discussão destes resultados com os principais responsáveis do desastre? Ou impunemente, os que governaram o Estado de São Paulo, poderão continuar a pretender que sabem administrar?

Cadê o famoso “gerentão”?

Não se pode passar sob silêncio esse verdadeiro genocídio educacional da juventude no Estado.

Luis Favre

19/06/2008 - 10:11h Secretária de Serra disse que Secretário de Alckmin jogou fora R$ 2 Bi na educação

charge_matematica-agora.jpg

Depois que outro secretário de Serra declarou que metrô de Alckmin não fiscalizou as obras que desabaram, é a vez da secretária de educação de Serra jogar no predecessor, Alckmin e seu Chalita, a responsabilidade pelo resultado nulo em educação.

Mostrando com clareza que está disposto a ir até o fim na destruição do seu adversário Alckmin, José Serra e seus partidários alimentam diariamente a mídia com munição contra seu “companheiro” de partido.

É forçoso reconhecer que ao cabo de 14 anos do PSDB no governo do Estado a educação está em frangalhos. Seria injusto que José Serra seja o único responsabilizado pelo desastre deixado pelo acumulo tucano. Porém a regra do jogo deles, antes da guerra intestina, era encobrir os fatos e agora a ordem é jogar no colo do predecessor.

Enquanto faz jogo de cena como eventual recurso, com a ajuda cúmplice da mídia que finge que é assim, José Serra pós a máquina dos serristas a trabalhar a todo vapor contra Alckmin. Ele continuará a faze-lo, independentemente do resultado da convenção do PSDB. Seu objetivo é “cristianizar” Alckmin e eliminá-lo do horizonte partidário para não ser incomodado na sua disputa pela candidatura presidencial em 2010.

O problema para Serra é que ele age como Stalin que mandou fuzilar toda a cúpula do Exército vermelho, enquanto acenava sorrisos para Hitler, e quando teve que enfrentá-lo percebeu que tinha um exercito em frangalhos.

A continuar nesse caminho de divisão e destruição, Serra começara a ser chamado de Átila. Não por ser temido como o rei dos hunos. Mas porque, segundo a lenda, onde Átila passava a grama não voltava a nascer. Era sinônimo de terra arrasada. LF

A seguir manchete e artigo do jornal O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde

SP perde R$ 2 bi na formação de professores

Governo admite que gasto com programa não melhorou o ensino

Maria Rehder – O Estado de São Paulo – JT
Os R$ 2 bilhões investidos em formação continuada de professores pelo governo de São Paulo nos últimos cinco anos não melhoraram o desempenho dos alunos. A afirmação é da secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, que anunciou mudanças no programa. Segundo ela, o principal problema do Teia do Saber é a falta de foco. O projeto de formação dos docentes foi implantado na gestão do ex-secretário Gabriel Chalita (PSDB), em 2003.

“Não havia relação interativa entre esses programas e as necessidades da escola”, disse Maria Helena. Chalita foi procurado, mas informou não ter interesse em falar sobre o assunto. No ano passado, 40 mil professores – de um total de 230 mil docentes da rede – participaram dos cursos oferecidos por instituições de ensino contratadas pela secretaria por meio de pregão eletrônico. Esse recurso, de R$ 2 bilhões, é o equivalente, por exemplo, ao valor investido pelo governo federal no ensino básico de todo o País no ano passado por meio do Fundeb – o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica.

“O que chama a atenção é que foi investido um recurso elevado, houve grande esforço da secretaria para capacitar, no entanto, como havia desarticulação dos programas que as universidades ofereciam com os resultados das avaliações das nossas escolas, essa capacitação não resultou em melhoria de desempenho. Não culpo as universidades, elas ofereciam aquilo que era pedido pela secretaria”, afirmou Maria Helena. Até o fim deste mês, a pasta vai publicar um edital abrindo a licitação já com as novas exigências.

Serão investidos R$ 108 milhões em 2008 para a contratação dos novos programas. Entre as mudanças, está a exigência de as universidades alinharem os programas com os resultados das avaliações nacionais e estaduais de educação e também a integração com a nova organização curricular feita na rede estadual, que define o que os alunos têm de aprender a cada bimestre. A secretária ressalta, porém, que não é só a formação continuada de professor que resolverá o problema da má qualidade do ensino nas escolas públicas. ” O dia-a-dia da sala de aula é importante. Valorização salarial e organização curricular são importantes.”

Segundo a diretora da Faculdade de Educação da USP, Sônia Penin, a formação continuada precisa ser revista por todos os que estão envolvidos no sistema de educação. “Não tenho dúvidas de que os resultados do Saresp têm de ser trabalhados nos programas de formação, mas desde que esta não se baseie em seminários e cursos, mas seja centrada na problemática de uma escola particularmente.” Maria Márcia Malavazzi, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, explica que um dos problemas do programa é a necessidade de se formar em larga escala. “Atender um número tão grande de pessoas não é fácil. Ainda mais quando há no grupo professores que só estão buscando diploma para ganhar pontos.”

Professores ouvidos pela reportagem foram unânimes ao ressaltar que os cursos do Teia do Saber não atenderam às suas necessidades da prática em sala de aula. “Fiz um curso em 2003 para a área de ciências ministrado pela Uninove. Durou seis meses, mas não aproveitei nada na sala de aula, os professores não eram bem preparados. Depois não me animei a fazer outros”, diz uma professora de Ciências de uma escola da zona norte da capital. Outra professora de Taboão da Serra tem a mesma opinião: “Tive ótimas palestras na área de Geografia, mas nada voltado para a sala de aula.”

16/05/2008 - 11:02h Nota roxa, de vergonha

O titulo acima e o começo do editorial do jornal AGORA SP, do grupo Folha, são contundentes:


“O aluno que vem com 4 no boletim tirou nota vermelha. Se a nota é 2, de tão vermelha ficou roxa.

Já quando uma rede inteira tira nota 1,4, todo mundo que tem responsabilidade na educação, a começar das autoridades, deveria fica roxo. De vergonha.

Essa foi a nota, dada pela Secretaria Estadual da Educação, ao desempenho da sua rede de ensino médio: 1,41, numa escala que vai até 10.

O índice foi obtido com base nas notas do Saresp -provas aplicadas nos estudantes da rede- e na taxa de aprovação dos alunos. Chama-se Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo).

O Idesp da 8ª série do ensino fundamental foi 2,54. O da 4ª série chegou a 3,23. Ou seja, a qualidade da educação é sofrível em todas as etapas, mas piora nas séries mais altas e fica próxima de zero no fim do ensino médio.(…)”

Reproduzi acima a primeira parte do editorial do jornal AGORA. É a que constata os resultados do Idesp. Com clareza o editorial diz que as autoridades deveriam ficar “roxas, de vergonha”.

Os resultados do idesp concernem todas as escolas estaduais no Estado de São Paulo, mas como informa o Estadão: Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.”

Os alunos que concluem hoje a secundaria, ingressaram na escola primária é as autoridades na época já eram dirigentes do PSDB (foram governadores Covas, Alckmin e Serra, um após outro, todos do PSDB). As crianças fizeram tudo o percurso baixo governos estaduais do PSDB. Durante 8 anos desse percurso, não só o governo estadual era dominado pelo PSDB, mas o Brasil inteiro era governado por FHC do PSDB (juntos com os atuais Demos).

Vocês não pensam que Alckmin, Serra e FHC devem explicações ao povo e a juventude de São Paulo?

A mídia não deveria entrevistá-los só para falar de educação e explicar o que foi errado? onde eles erraram?

Esta questão não deveria ser objeto de debate nacional? A mídia não estaria dando uma grande contribuição se pautasse a discussão destes resultados com os principais responsáveis do desastre. Ou impunemente, os que governaram e governam o Estado de São Paulo, poderão continuar a pretender, que sabem administrar.

Cadê o famoso “gerentão”?

Não se pode passar sob silêncio esse verdadeiro genocídio educacional da juventude no Estado. Não estamos falando de tapioca.

Luis Favre

16/05/2008 - 10:28h De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4. No ensino médio, 57% não chegam a índice 1,41

Valor é a média desse nível de ensino no Estado; o indicador da pior escola é de apenas 0,16

Renata Cafardo, Marcela Spinosa e Fernanda Aranda – O Estado de São Paulo

Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.

Entre os dez piores do Estado em cada ciclo, a maioria das escolas têm Idesp menor do que 1. Isso quer dizer que grande parte dos seus alunos está no nível abaixo do básico e não é capaz de compreender textos ou fazer cálculos elementares em matemática. Como as metas traçadas para o fim deste ano pelo governo aumentam em cerca de 5% o Idesp desejado, as piores nem sequer chegarão a 1 em 2008 e demorarão mais que o restante para a atingir o objetivo de 2030.

charge_matematica-agora.jpg

No ano passado, faltou professor de história, geografia, física, química e matemática na Escola Paulo Virgínio, em Cachoeira Paulista, que tem o pior Idesp do Estado (0,16). “Os nossos alunos do período noturno não tiveram o menor interesse em fazer o Saresp (exame que compõe o Idesp). Eles não freqüentam as aulas, faltam em todas as disciplinas, são o nosso maior desafio”, lamenta a diretora Ana Maria Barreiros. A escola aparece justamente na lista das piores do ensino médio.

No total, são apenas 122 estudantes matriculados nesse nível de ensino. “Definitivamente, nosso problema não é superlotação. Agora, precisamos encontrar maneiras de atrair os alunos para a escola. Trazê-los para dentro da sala de aula. ”

Segundo o vice-presidente do Conselho Estadual de Educação, Arthur Fonseca Filho, um dos grandes problemas do ensino médio é adequar o currículo ao interesse dos adolescentes. Apesar de ter universalizado o ensino fundamental, o País enfrenta dificuldades para aumentar o índice nacional de 40% dos jovens freqüentando o ensino médio. Em São Paulo, a taxa é de cerca de 60%.

Com o Idesp 0,92, a Escola Estadual Professora Carolina Augusta da Costa Galvão, na Vila Prudente, zona leste da capital, ficou em sexto lugar no ranking das unidades com mais baixo rendimento em 2007 no ciclo de 5ª a 8ª séries. Segundo a diretora da unidade, Eliane Dantas de Oliveira, que assumiu o cargo há um ano e meio, 99% dos alunos são do Nordeste do País e, vez ou outra, ficam 40 dias sem freqüentar a escola. “A maior dificuldade deles é na hora de ler e escrever. Os pais não podem deixar os filhos tanto tempo fora da escola”.

16/05/2008 - 09:16h Só uma escola pública da capital está entre as 30 melhores de São Paulo

Interior lidera nos 3 ciclos de ensino avaliados por indicador que reúne nota no Saresp e adequação aluno/série

Renata Cafardo – O Estado de São Paulo

Apenas uma escola estadual da capital aparece entre as 30 que têm o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) no Estado. O predomínio do interior ocorre nos três ciclos de ensino – 1ª a 4ª séries, 5ª a 8ª séries e ensino médio. Os índices atuais das cerca de 5 mil escolas da rede estadual foram divulgados ontem pelo governo, assim como a meta a que elas devem chegar no fim do ano.

link Lista completa com o ranking das escolas

Esse indicador, que traça objetivos até 2030, foi elaborado com base na nota em uma avaliação da secretaria em 2007, o Saresp, e na quantidade de alunos na série correta para a série em cada escola.

Rankings elaborados pelo Estado mostram que a capital só aparece entre as dez melhores de 1ª a 4ª séries. A Escola Estadual Prof.ª Blanca Zwicker Simões, que fica no Jardim Anália Franco, bairro de classe média na zona leste, tem mais de mil alunos e não há registro de evasão. Ela foi a sétima colocada do ranking. Nas escolas de 5ª a 8ª séries não há uma da capital entre as 50 melhores. No ensino médio, a primeira que aparece está na 28ª posição.

Educadores afirmam que o melhor desempenho do interior está ligado a fatores sociais, que aproximam a escola da comunidade e do aluno. Mas, segundo o especialista em financiamento da educação da Universidade de São Paulo (USP), Juca Gil, há também razões financeiras. Ele lembra que, no interior, as prefeituras são responsáveis por oferecer merenda e transporte também para escolas estaduais. Isso não ocorre na capital. Municípios mais ricos muitas vezes ainda ajudam na reforma de escolas do Estado, apesar de terem rede municipal.

“O salário do professor é o mesmo em qualquer cidade do Estado, mas, com R$ 1.500 no interior, ele pode ter uma casa melhor, morar no centro, ir ao cinema, porque tudo isso é mais barato”, completa Gil. Além disso, professores e diretores tendem a permanecer mais tempo numa mesma escola nas cidades do interior. “Eles desenvolvem e se comprometem mais com o projeto pedagógico. Na capital, professores e diretores não param em escolas mais conflituosas e a legislação permite essas mudanças”, diz o vice-presidente do Conselho Estadual da Educação, Arthur Fonseca Filho.

Segundo a secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, o governo está estudando modificações na lei para impedir mudanças após curtos períodos de trabalho numa escola. “As escolas do interior também costumam ser menores, com menos de mil alunos, o que facilita o trabalho”, completa a secretária.

Entre as 5.183 escolas estaduais, 1.056 (20%) estão na capital. Entre as cidades que mais aparecem nas listas das dez melhores em cada ciclo estão Campinas, Dolcinópolis, Aparecida D’Oeste, Americana.

São Carlos, no noroeste do Estado, tem a melhor escola de 1ª a 4ª séries, com Idesp 6,93 (o mais alto do Estado nos três níveis). O índice já é praticamente o que se espera para 2030 em todas as escolas. Mas a cidade tem também a pior entre 5ª e 8ª séries, com Idesp 0,26 (mais informações, pág. A19). Nas listas nas dez piores, há seis escolas da capital no primeiro ciclo do fundamental e duas no segundo.

Segundo a educadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Marcia Sigrist, o melhor desempenho de escolas públicas de cidades menores é algo registrado no mundo todo. “As relações humanas e sociais são diferentes da capital. Além disso, muitas vezes há apenas uma escola na cidade e alunos de todas as classes sociais estudam lá”, completa. É o que ocorre na única escola da cidade de Pontes Gestal, a 551 quilômetros da capital, que é a melhor de 5ª a 8ª do Estado (mais informações, pág. A19).

O Idesp pode variar de 0 a 10 e foi feito pela primeira vez neste ano no Estado. As médias gerais foram de 1,41 para o ensino médio, 2,54 para 5ª a 8ª e 3,23 para 1ª a 4ª. Até 2030, espera-se chegar a 5, 6 e 7, respectivamente. O indicador paulista é semelhante ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), lançado pelo governo federal no ano passado. Os dois indicadores traçam metas para cada escola. “As escolas de São Paulo vão continuar a perseguir as metas do Ideb também”, diz a secretária.

15/05/2008 - 10:11h Folha de SP: uma vergonha!

Embaixo da página, escondido no caderno cotidiano, na pag. 4 (página par, menos visível) e com um título enganador, a Folha de São Paulo “informa”, no meio desta nota (reproduzida embaixo), o que deveria ter um destaque de primeira importância: O ensino estadual está em frangalhos.

O jornal O Estado de São Paulo, o Jornal da Tarde e até o Agora tiveram que escancarar os números com visibilidade, tamanho o “apagão” da educação no Estado.

De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4.

A Folha tinha os dados desde ontem e aqui ontem foi reproduzido o artigo online de Gilberto Dimenstein. Hoje a Folha, militante na proteção dos tucanos de São Paulo, oculta o que deveria exigir um alerta e destaque maior.

Triste espetáculo de desinformação e uma clara manifestação do rabo preso da Folha com o tucanato.

Após a história da ponte da Marta, horror três anos atrás em editorial do jornal, maravilha na inauguração com Serra, Kassab e Maluf; da parcialidade na cobertura, eis uma nova manifestação da manipulação da informação.

Como diria Boris Casoy: É uma vergonha!

Luis Favre

charge_matematica-agora.jpg

Escolas de SP terão meta de desempenho individual

Objetivo é que as instituições paulistas atinjam até 2030 um padrão semelhante ao encontrado hoje nos países desenvolvidos

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo criou um indicador de avaliação da qualidade das escolas para determinar metas individuais anuais para cada uma das 5.183 escolas da rede. O objetivo é que as instituições paulistas atinjam até 2030 um padrão semelhante ao encontrado nos países desenvolvidos hoje.
O Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) combina o resultado do Saresp -exame do governo estadual- e o fluxo escolar -determinado pela taxa de aprovação média em cada ciclo: 4ª e 8ª séries do fundamental e 3ª do ensino médio.
Pelo novo índice, que varia de 0 a 10, o ensino médio recebeu nota 1,41. No ensino fundamental, a 8ª série ficou com 2,54 e a 4ª série, com 3,23. A escola mais bem colocada no ensino médio é a Papa Paulo 6º, em Santo André, com 6,2. Os números refletem resultados já divulgados do Saresp.
O cumprimento da meta pela escola irá garantir o pagamento a servidores de 50% do bônus, no valor de três salários. O pagamento dos 50% restantes dependerá do cumprimento de outros critérios, ainda não definidos pela secretaria.
Para Roberto Augusto Torres Leme, vice-presidente da Udemo (entidade que reúne diretores de escolas estaduais), “não adianta só avaliar o desempenho escolar, é preciso atacar as causas do problema na educação, como a questão salarial”.
“O bônus irá beneficiar só alguns profissionais, mas não resolverá o problema da rede”, diz Carlos Ramiro de Castro, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP).

15/05/2008 - 09:48h Após 13 anos de governo tucano: De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4

Só 2 colégios públicos do Estado têm índice 5 no Idesp, indicador que considera nota e adequação do aluno à série

http://byfiles.storage.live.com/y1pyaJZWA3XAGiLp0rBQrLKZG7kCSV4kdlPzTuUx_bp09UNTsIK77XeC0GWD5nRIertJ7Io1ENX8Fk

Renata Cafardo – O Estado de São Paulo

O primeiro Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) mostra que as escolas estaduais paulistas estão longe de chegar ao nível de ensino de países desenvolvidos. O indicador foi feito a partir de uma fórmula que leva em conta as notas dos alunos no Saresp, uma avaliação feita pela Secretaria da Educação, e a taxa de crianças na série adequada para a idade.

A situação pior está no ensino médio, em que o índice é de 1,41 atualmente, numa escala de 0 a 10. O objetivo traçado pelo governo é chegar a 5 em 2030. No ensino fundamental, as metas são mais altas. Hoje, as escolas de 1ª a 4ª série têm Idesp de 3,23 e a meta é 7. Nas de 5ª a 8ª, o índice é 2,54 e a meta, 6, perto do que teriam países como Reino Unido, Finlândia e Coréia. A comparação com outras nações é possível porque o Ministério da Educação (MEC) já havia feito essa simulação quando lançou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2007.

Esse índice nacional leva em conta a Prova Brasil e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Assim como o Ideb, o Idesp traça metas a serem atingidas a cada ano por todas as escolas. Elas devem melhorar o desempenho até 2030, ‘quando São Paulo poderá ter escolas como as finlandesas’, diz a secretária estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.

Atualmente, apenas duas escolas de ensino médio do Estado já têm índice 5. E cinco escolas de 5ª a 8ª série já chegaram a 6. Nenhuma de 1ª a 4ª chegou ainda à meta 7. Os indicadores de cada uma das cerca de 5 mil escolas do Estado serão divulgados hoje pelo governo estadual.

Segundo Maria Helena, além de ajudar as escolas a identificar e melhorar os problemas dos aluno, um dos objetivos do Idesp é ter um sistema transparente de bonificação. ‘O Idesp representará pelo menos 50% do bônus’, diz a secretária. Ela explica que o governo ainda elabora um projeto de lei com os critérios que levarão à premiação das melhores escolas. Além do Idesp, a assiduidade dos professores deve ser levada em conta.

Os resultados do Idesp não surpreendem porque refletem o desempenho dos alunos no Saresp 2007, que tem questões de português e matemática. Os índices das crianças de 1ª a 4ª são melhores porque esse nível de ensino vem mostrando uma evolução nos últimos anos, além de registrar menos de 10% dos alunos com a idade errada para a série.

O Saresp deste ano mostrou, no entanto, que apenas 24% dos alunos de 8ª série conseguem identificar a intenção de um autor ao publicar uma carta na editoria de opinião de um jornal. E que 71% dos estudantes concluíram o 3º ano do ensino médio sem saber operações matemáticas básicas.

Segundo Maria Helena, uma das diferenças do índice nacional e do estadual é que o Ideb considera a nota média de todos os alunos da escola na Prova Brasil e no Saeb. Já o Idesp considera a quantidade de estudantes em cada nível de aprendizagem (avançado, adequado, básico e abaixo do básico). Os piores níveis recebem pesos maiores e acabam influenciando mais no Idesp.

‘Diferentemente do Ideb, assim, podemos trabalhar a qualidade e a eqüidade’, diz a secretária. O índice do Estado foi elaborado pelo economista do Universidade de São Paulo (USP) Naércio Menezes e pelo matemático da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francisco Soares.

PROVAS E INDICADORES

Idesp - leva em conta as notas no Saresp e a taxa de crianças na série adequada para a idade

Ideb - indicador de qualidade, combina as notas da Prova Brasil e Saeb com o rendimento escolar

Saeb - avalia conhecimentos em português e matemática, por amostra, para 4.ª e 8.ª séries do fundamental e 3.º ano do médio. A Prova Brasil foi criada para complementar esse indicador, com dados por município e escola

Saresp - avaliação semelhante ao Saeb, mas restrita ao Estado de São Paulo

15/03/2008 - 15:38h Conta simples

charge_matematica-agora.jpg

Charge da capa do jornal AGORA SP

15/03/2008 - 12:53h Editorial da Folha de São Paulo

Conta complicada

Na rede pública paulista, alunos chegam ao 3º ano do ensino médio sem saber realizar cálculos simples de matemática

AS PERGUNTAS eram bem simples, até para uma criança de 10 anos. Leia-se um exemplo: “A médica explicou que o paciente deveria tomar 1 comprimido do mesmo medicamento a cada seis horas. Quantos comprimidos desse medicamento o paciente deve tomar por dia?”
Poucos alunos de 4ª série serão capazes de resolver problemas assim se estiverem matriculados na rede estadual. Segundo os dados agora divulgados pela Secretaria da Educação, 80,8% dos estudantes da rede pública nessa faixa apresentavam, em 2007, níveis de aprendizagem abaixo do adequado.
No terceiro ano do ensino médio, 95,7% não atingem os padrões de desempenho previstos. Dificuldades com subtração e porcentagem se verificaram em 71% dos alunos que concluíam o colegial na escola pública.
São esses alguns dos resultados do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo).

(mais…)

14/03/2008 - 17:57h O que vai ser?

Capa Folha de S.Paulo - Edição São PauloCapa da Folha de São Paulo: “Os resultados do Saresp, exame realizado pelo governo paulista nas escolas públicas do Estado, mostram que, no ensino de matemática, mais de 80% dos alunos dessas escolas não obtiveram os conhecimentos esperados pela própria Secretaria da Educação em 2007. O 3º ano do ensino médio foi a série em que os estudantes tiveram as maiores dificuldades.”

O lide acima resume a situação dos alunos das escolas públicas do Estado de São Paulo. A seguir reproduzo a nota publicada no portal da revista Época pelo jornalista Thomas Traumann. Ele mostra na sua nota, duas realidades do Brasil na questão da educação.

Aproveitei e, depois das sábias palavras do editor da Época, acrescentei minhas próprias conversações com meus botões (como diria Mino Carta).

As suas opiniões também são bem-vindas.

O que o Brasil quer ser quando crescer

O FILTRO – Thomas Traumann

O dilema sobre o que o Brasil quer ser quando crescer está em dois episódios ocorridos ontem. O pior cenário está na revelação de que os exames feitos pela Secretaria da Educação de São Paulo apontam uma situação “trágica” no ensino de matemática nas escolas públicas. Mais de 80% dos alunos não atingiram os conhecimentos básicos no Estado mais rico do país. Agora, o Brasil que pode mudar: ontem foi a colação de grau da primeira turma da Universidade Zumbi dos Palmares, única instituição de ensino superior da América Latina que tem quase 90% de alunos negros. Convênios da reitoria com empresas permitiu que 60% dos 126 formandos do curso de Administração conseguissem um emprego antes de receber o diploma. Jornalistas têm a mania de simplificar, mas desta vez é simples assim: ou o Brasil investe em educação ou perde o bonde da história.

univzumbi.jpg

O que São Paulo vai ser, quando acordar?

Luis Favre

Os alunos das escolas estaduais de São Paulo que não atingiram os conhecimentos básicos em matemática, quando entraram na escola primária tinham um governo do PSDB cuidando da educação. Durante todos os seus estudos foi o PSDB que cuidou da educação. Hoje as turmas que fizeram todo o percurso sobre os cuidados do PSDB na educação tiveram os piores resultados, dentre os catastróficos resultados da prova.

Segundo o governador José Serra é a culpa da “educação continuada”.

Não será, pergunto eu, a responsabilidade da continuada incompetência do PSDB na educação, a culpada de tamanho descalabro?

Delfim Neto já constatou o que ninguém quer reconhecer publicamente, mas é um fato: FHC entregou o Brasil falido.

E os tucanos em São Paulo, não são responsáveis pela falência da educação no Estado?