21/09/2010 - 07:58h Brasil progride e deve cumprir maioria dos objetivos propostos pela ONU para às Metas do Milênio


País, porém, ainda têm problemas crônicos, como diferenças de gênero e regionais, além de qualidade dos serviços

Mariana Mandelli – O Estado de S.Paulo

O Brasil está avançando e deve cumprir quase todas as metas propostas pela ONU, mas ainda precisa desenvolver políticas públicas que atinjam cidadãos excluídos e resolvam questões essenciais como saúde e educação. Essa é a opinião de especialistas que acompanham os programas de desenvolvimento do País.

“Observando as oito metas, vemos que o Brasil está muito bem, tem feito muitos avanços”, afirma o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão. “Com o crescimento econômico e os investimentos em políticas sociais, isso era esperado.”

Mas, segundo Abrahão, o País ainda precisa avançar em questões crônicas. “Em educação, por exemplo, universalizamos o acesso, mas a permanência e a qualidade, por exemplo, ainda são problemas”, explica. “Em gênero, as mulheres ainda ocupam cargos menores com salários menores.” De acordo com Abrahão, o Brasil não deve cumprir a meta de mortalidade materna, que ainda é muito alta. “E ainda enfrentamos problemas com o saneamento básico na área rural.”

De acordo com o governo brasileiro, ao apresentar números sobre as metas do milênio, em 1990, cerca de um quarto da população brasileira vivia em extrema pobreza (menos de US$ 1,25 por dia). Dezoito anos depois, o total caiu para 4,8%. A mortalidade infantil também se reduziu em 60% no mesmo período. O governo brasileiro acrescenta ter apresentado evoluções em todas as outras metas.

Para Mário Volpi, coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) do Brasil, o País agora tem um novo desafio. “Não temos de trabalhar só com as médias nacionais. Temos de desagregar dados para permitir que os mais excluídos sejam alcançados pelas políticas públicas.”

“O fato de as metas serem baseadas em dados nacionais esconde dados como as desigualdades de raça e gênero e camufla também a situação das pessoas com deficiência”, opinou Volpi./ COLABOROU G.C.

17/05/2010 - 10:47h Dilma defende novos recursos para saúde

Em entrevista a CBN, Dilma critica extinção da CPMF e defende novos recursos para saúde

Sérgio Roxo – Portal O Globo


A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, em entrevista à CBN nesta segunda-feira criticou a extinção da CPMF e defendeu novos recursos para saúde – Foto Marcos Alves/ O Globo

SÃO PAULO e RIO – A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Roussef, criticou em entrevista à CBN nesta segunda-feira o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A ex-ministra afirmou que os recursos que deixaram de ser arrecadados com o fim do tributo precisarão ser recompostos, mas disse ter dúvidas se é ou não necessário criar um novo tributo.

” Não vi resultados práticos no que se refere ao bolso do consumidor “

- Me estarreço pelo fato de ter sido feita toda uma campanha pela CPMF (pelo fim) e não vi resultados práticos no que se refere ao bolso do consumidor (com a queda da CPMF). Acho que houve uma perda de capacidade de fiscalização quando a CPMF caiu. E uma questão que consiredo séria: a perda de R$ 40 bilhões para se aplicar em saúde no Brasil – afirmou Dilma.

- Acho que vamos ter que ser responsáveis, vai ter que aumentar recursos para saúde. É impossível ter melhoria na saúde no Brasil se não tiver recomposição das fontes de financiamento – completou.

” É impossível ter melhoria na saúde no Brasil se não tiver recomposição das fontes de financiamento “

A pré-candidata descartou, porém, a volta da CPMF:

- Não é necessariamente a volta da CPMF, mas há que regulamentar o artigo 29 e garantir que haja os recursos.

Perguntada como os recursos seriam obtidos, Dilma afirmou que existem dois caminhos: retirar recursos de outras áreas para aplicar em saúde ou “de outra fonte tributária”. Ela disse ainda que “deve tentar” recuperar a quantia perdida sem criar impostos.

- Uma parte vem da recomposição de outras receitas ou você tira de outras fontes tributárias. Agora, isso é uma negociação que vai passar necessariamente pelo Congresso e pela sociedade – explicou a petista.

- Acho que deve tentar (aumentar recursos sem elevar a carga tributária). Não sei se é possível – acrescentou.
Pré-candidata diz preferir ‘ajuste sistemático’ a reforma da Previdência

Dilma defendeu também o ajuste sistemático da Previdência Social em vez de uma grande reforma. Segundo a petista, nos países em que a reforma foi implantada houve problemas nas contas da Previdência.

- Defendo que se ajuste a Previdência sistematicamente. Aumentou expectativa de vida, vamos ter que fazer ajuste para que a Previdência dê conta. Discutir com a sociedade a mudança de regras – afirmou Dilma.
Dilma rebate críticas de Serra sobre aparelhamento do Estado

Ainda durante a entrevista, Dilma rebateu as acusações de seu principal adversário, o tucano José Serra, de que as agências reguladoras foram aparelhadas pelo PT. Ela lembrou que a presidência da agência de transportes do estado de São Paulo é ocupada por um deputado federal do PSDB.

- Nem por isso vou dizer que é aparelhamento.

A pré-candidata se definiu ainda como uma candidata de esquerda, o mesmo posicionamento adotado por Serra na semana passada durante entrevista à CBN.

- Sou uma candidata com uma trajetória de esquerda. Agora, sobretudo sou a candidata de um projeto que mudou o modelo de desenvolvimento econômico deste país. Crescer distribuindo renda. Acho que isso é a coisa mais de esquerda que tem no Brasil – defendeu.

No fim da sabatina a petista cometeu uma gafe ao comentar a possibilidade de Michel Temer (PMDB) ser vice em sua chapa. Ela o chamou de presidente do Senado e não da Câmara dos Deputados.

08/04/2010 - 16:21h AIDS: Serra assume como dele programa criado por Lair Guerra e Adib Jatene

por Conceição Lemes – Vi o mundo

Nas três últimas eleições que disputou e nos programas do PSDB, o ex-ministro da Saúde e atual governador de São Paulo, José Serra, é exaustivamente apresentado como a pessoa que:

* Criou um programa de combate de aids, que é exemplo no mundo todo.

* Trabalhou e criou o melhor programa de combate à aids do mundo.

Em março de 2004, num vídeo de 30 segundos, o próprio José Serra, então presidente do PSDB, garante:

Cumprir o que se promete. Colocar as pessoas em primeiro lugar. Trabalhar muito e falar pouco. Honestidade. Estas são marcas do PSDB, o partido que tem história. O PSDB fez metrô, portos, estradas, hospitais, casas, implantou os genéricos e o melhor programa de combate à aids do mundo…

O programa de aids em pauta é o Programa Nacional de Doenças Sexuais Transmissíveis e Aids. Serra se refere evidentemente à época em que esteve à frente do Ministério da Saúde ao qual o PN-DST/Aids é subordinado. Conseqüentemente, segundo a campanha publicitária, é o seu “criador”. Só que esses slogans e as variações dos mesmos, criados por marqueteiros e assumidos por José Serra, são propaganda enganosa. Por desinformação, conivência, sabujice ou má-fé, a mídia corporativa nunca os questionou nesses oito anos.

”Essa história do Serra não corresponde à verdade dos fatos. Discordo também profundamente de que este ou aquele partido criou o programa”, põe os pingos nos is a médica sanitarista Mariângela Simão, desde 2004 diretora do PN-DST/Aids. “O Brasil reagiu muito precocemente à epidemia de aids e vários atores foram importantíssimos na sua história, entre elas a doutora Lair Guerra de Macedo Rodrigues* e o professor Adib Jatene. O grande diferencial é que, no Brasil, o Programa Nacional de Aids deixou de ser uma política de governo para ser uma política de Estado.”

“DNA” DESMENTE SERRA E MARQUETEIROS

Realmente, estes fatos derrubam uma das bandeiras-chave de Serra na área de saúde.

1983. É implantado no Estado de São Paulo o primeiro programa de controle da aids no Brasil.  O seu coordenador era o dermatologista Paulo Roberto Teixeira Leite. Na seqüência, é criado o programa no Estado do Rio de Janeiro. Começa também a organização do embrião do Programa de Aids do Ministério da Saúde.

1984. O Programa de Aids do Ministério da Saúde surge no âmbito da Divisão de Dermatologia Sanitária, que tinha como chefe a dermatologista Maria Leide de Santana. José Sarney era o presidente da República e Carlos Santana, ministro da Saúde. Nessa época, chegam ao programa Lair Guerra de Macedo Rodrigues (bióloga), Pedro Chequer (médico epidemiologista e sanitarista), Euclides Castilho (médico epidemiologista), Luís  Loures (clínico geral, na época), Celso Ferreira Ramos-Filho (infectologista), entre outros grandes nomes.

“A Lair manteve diálogo constante com o Paulo Teixeira”, frisa Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que, desde as primeiras reuniões, participou do Programa Nacional de Aids. “A Lair sempre o chamou para essas reuniões.”

1986. O ministro da Saúde, Roberto Santos, cria oficialmente o PN-DST/Aids no governo do presidente José Sarney.  Em 1985, porém, alguns dos seus núcleos já funcionavam.

1991. Começa a distribuição gratuita do AZT (único anti-retroviral disponível) e de alguns medicamentos para infecções oportunistas. Foi Lair Guerra de Macedo que, numa das viagens ao exterior, trouxe escondidas na bagagem as primeiras caixas de AZT que chegaram ao Brasil.

1992. O atendimento é ampliado. O Ministério da Saúde inclui os procedimentos para tratamento da aids na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).  O cardiologista e professor Adib Jatene, considerado um dos maiores cirurgiões cardíacos do país, assume o Ministério da Saúde, colocando Lair na coordenação-geral do PN-DST/Aids. Fernando Collor de Mello era o presidente da República.

“A eficiência com que Lair comandou o setor trouxe as primeiras perspectivas otimistas sobre o controle da doença”, observa Jatene. “Foi sua capacidade de propor, sua coragem de defender e sua eficiência em executar que nos colocaram na direção correta, consolidada por tantos que, com competência e dedicação,mantiveram as ações em crescendo, garantindo, em área tão sensível, o reconhecimento de uma liderança que partiu de Lair.”

Mariângela Simão faz coro: “A doutora Lair foi a pioneira. Foi quem colocou – e com sucesso! — a aids na agenda política do governo”.

Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda de São Paulo, acrescenta: “O professor Jatene também foi fundamental. Se ele não tivesse a visão estratégica de que o Brasil tinha que produzir os próprios anti-retrovirais, não se teria garantido o acesso universal ao tratamento antiaids. Foi dele a decisão política de fabricar no País o AZT e o ddI [didanosina, outro anti-retroviral] ”.

1993. O AZT começa a ser produzido no Brasil.

1995.  Em janeiro, o professor Adib Jatene assume o Ministério da Saúde pela segunda vez. Moderniza o PN-DST/Aids, dando-lhe novo rumo e capacidade econômico-gerencial. Permanece até novembro de 1996. Nesse período, são dados três passos vitais: apoio aos projetos das ONGs ligadas à área de prevenção e tratamento de HIV/aids; as primeiras recomendações para utilização dos “coquetéis” anti-retrovirais; decisão de comprar os inibidores da protease, a nova família de drogas anti-HIV, que começava a ser comercializada.

“Em março de 1995, editamos a portaria ministerial regulamentando a compra e a distribuição de medicamentos para HIV/aids, para garantir acesso gratuito ao tratamento”, relembra Jatene.  “Em 1996, convocamos uma reunião em Brasília com 60 infectologistas para debater qual seria a atitude mais adequada do Ministério da Saúde em relação ao ‘coquetel’. Ele já existia, era capaz de controlar os sintomas e permitir sobrevida longa aos pacientes com aids, permitindo que mantivessem suas atividades profissionais. A recomendação foi de que fornecêssemos os anti-retrovirais a todos os pacientes com aids.”

Pela primeira vez no mundo, essa proposta era apresentada. Sensibilizado com o problema, o senador José Sarney, então presidente do Senado, apresentou e conseguiu aprovar contra a opinião de alguns setores do governo (do presidente Fernando Henrique Cardoso), a Lei 9313 de 1996.

“Com a Lei Sarney, o Ministério da Saúde ficou legalmente autorizado a disponibilizar gratuitamente os anti-retrovirais”, continua Jatene. “O Brasil se tornou o primeiro país a abordar a aids não apenas nos aspectos educativo e preventivo, mas também ao oferecer o tratamento mais eficaz de forma universal e gratuita.”

Mário Scheffer reforça: “Sem a Lei Sarney a distribuição gratuita e universal dos anti-retrovirais não teria se tornado política de Estado, realidade até hoje”.

1998. Em 31 de março, José Serra assume o Ministério da Saúde. O PN-DST/Aids existia, o acesso universal ao tratamento antiaids era real e alguns anti-retrovirais já estavam sendo fabricados no Brasil.

“Realmente, o Serra deu muita força ao programa”, salienta Mariângela Simão. “O Serra enfrentou os laboratórios internacionais, ameaçando com a quebra de patentes para adequar o custo dos medicamentos”, observa a Jatene. “Quando os programas de saúde se instalam e são consistentes, debatidos com a sociedade, as entidades científicas, eles se tornam definitivos, viram políticas de saúde. Aí, são incorporados e aprimorados pelos ministros que se seguem. Foi o que fizeram o Serra, o Humberto Costa e, agora, o Temporão. Essa é a grande força do Ministério da Saúde”.

Em português claro. O PN-DST/Aids é um “filho” bonito, bem-sucedido, famoso e reconhecido internacionalmente. Serra não quis desempenhar apenas o importante papel de tê-lo ajudado ir adiante. Fez e faz de conta que é seu criador.  O que, além de inverídico, é injusto. Os marqueteiros podem até tentar maquiar a história do PN-DST/Aids, mas é impossível alterar o seu “DNA”.  Todos os que, desde o começo da década de 1980, acompanham a luta antiaids no Brasil são testemunhas, inclusive esta repórter.

SERRA AMEAÇOU, LULA QUEBROU

O Programa Nacional de DST e Aids não começou nem terminou na gestão Serra. É mérito de vários governos, a partir de 1985.

Em 2001, Serra ameaçou quebrar as patentes de dois remédios do “coquetel” antiaids: nelfinavir, da Roche, e efavirenz, da Merck, Sharp & Dhome. Argumento: abuso do poder econômico.  Após negociações, chegou-se a um acordo.

Em 2005, a queda de braço foi com a Abbott, e o lopinavir/ritonavir, o alvo. O ministro da Saúde era Humberto Costa. De novo, se negociou e se chegou a um acordo.

Em 2007, o ministro da Saúde já era José Gomes Temporão e, na berlinda, mais uma vez, o efavirenz, o remédio importado mais usado. A maior parte dos pacientes começa com o “coquetel” que associa AZT (zidovudina), 3TC (lamivudina) e efavirenz. É a combinação de primeira linha.

Na época, o Brasil pagava  à Merck US$1,56 por comprimido. O que se pretendia era adquiri-lo pelo mesmo preço vendido à Tailândia — US$ 0,65. O Ministério da Saúde negociou exaustivamente. Apesar do volume — tratamento para 75 mil pacientes! –, a multinacional não cedeu.

Em conseqüência, o ministro Temporão e o presidente Luis Inácio Lula da Silva decretaram o primeiro licenciamento compulsório de um remédio no Brasil. O País começou a comprar efavirenz da Índia (que não reconhece patentes) por US$ 0,46 a unidade. Paralelamente, Farmanguinhos, que faz parte da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ministério da Saúde, desenvolveu todo o medicamento: da fabricação da matéria-prima ao remédio final, para ser consumido. Em fevereiro de 2009, o primeiro lote foi entregue. Cada comprimido sai a US$ 0,60, devido ao maior custo de produção no Brasil. Só este ano US$ 30 milhões serão economizados.

“A licença compulsória não é para se fazer economia pura e simplesmente. Medidas como essa nos permitem usar melhor o recurso público e introduzir novas drogas”, expõe Mariângela Simão. “A longo prazo, esse salto tecnológico nos possibilitará desenvolver novas moléculas e garantir a sustentabilidade do PN-DST/Aids.”

“PROGRAMA NACIONAL DE AIDS NÃO TEM DONO”

Entre 1981 e 1989, a sobrevida dos adultos após o diagnóstico de aids era, em média, de 5,1 meses. Em 1995/96, 58 meses. Já os diagnosticados em 1998/99, 110 meses. Há pessoas vivendo com aids no Brasil há 10, 15, 18 anos. Aids não tem cura, mas tem controle. Vive-se cada vez mais.

“Por isso, quem acha que eventualmente se expôs a alguma situação de risco no decorrer da vida, deve pensar seriamente em fazer o teste de aids”, incentiva a doutora Mariângela. “Quanto mais cedo se descobre que se é portador do HIV, maior a possibilidade de qualidade de vida melhor.”

O Ministério da Saúde fornece gratuitamente o “coquetel” a 185 mil pessoas. A cada ano, novas 15 mil a 17 mil passam a utilizá-lo. A “cesta” atual compõe-se de 18 anti-retrovirais**.

Detalhe: como os pacientes tratados por muito tempo, tornam-se resistentes a várias drogas, são necessários novos anti-retrovirais. De 2005 para cá, foram introduzidos três. Em 2008, um da própria Merck, que, em 2007, teve a patente quebrada do efavirenz. E, ao contrário do que alardeavam e até torciam os opositores do governo Lula, a farmacêutica não retaliou. “O Brasil é um dos grandes mercados do mundo”, alfineta Mariângela. “E o governo federal é o único comprador brasileiro.”

Maior programa de aids do mundo? Melhor do mundo?  Exemplo para mundo?

Mariângela tem ojeriza a carimbos triunfalistas, megalomaníacos ou personalistas. Para essas perguntas, tem uma resposta na ponta da língua: “Somos um programa com grandes feitos, mas também com muitas coisas a fazer, já que o Brasil é tremendamente desigual”.

“O programa é resultado de uma construção coletiva e contínua, que fez e faz diferença até hoje: os movimentos sociais, as ONGs de prevenção e tratamento da aids, os conselhos e profissionais de saúde”, orgulha-se a sua diretora. “Na verdade, o Programa Nacional de Aids não tem dono. Foi criado e consolidado por mil e uma mãos.”

* Em 1996, Lair Guerra de Macedo Rodrigues sofreu um acidente de carro em Recife, onde se encontrava para um congresso de aids. Ficou vários dias entre a vida e a morte. Recuperou-se lentamente, mas não pode  reassumir as suas funções devido às sequelas.

** Dos 18 anti-retrovirais, 7 são nacionais: zidovudina (AZT), lamivudina (3TC), indinavir, estavudina, nevirapina, saquinavir e efavirenz. Os 11 importados são: abacavir, atazanavir, darunavir, didanosina, enfuvirtida, fosamprenavir, lopinavir/ritonavir, ritonavir, tenofovir, raltegravir e amprenavir.

Publicado originalmente em 12 de junho de 2009 às 12:10

19/03/2010 - 10:28h Não será capa de nenhum jornal: Ministério Público determina que Serra devolva dinheiro desviado da saúde

O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de São Paulo anunciaram nesta quinta-feira (18) que encaminharam uma recomendação conjunta ao governo José Serra (PSDB) para que todo o dinheiro desviado da saúde pública seja devolvido ao Fundo Estadual de Saúde.

Uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS – Denasus, do Ministério da Saúde, comprovou que o governo paulista desviou, em dois anos, R$ 2 bilhões em verbas que deveriam ter sido aplicadas na saúde. A análise constatou que destes, pelo menos R$ 78 milhões foram investidos no mercado financeiro, apesar da crise de atendimento na saúde pública paulista.

O dinheiro do SUS que, por causa do desvio, vai para uma conta única do governo, por lei deveria ter sido destinado a programas de assistência farmacêutica, vigilância epidemiológica e combate à Aids e DST.

O MPF informou que a recomendação foi levada aos secretários estaduais de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, e da Fazenda, Mauro Ricardo Machado Costa. Ela estipula que sejam devolvidos todos os recursos do SUS mantidos em contas ou aplicações financeiras em nome do tesouro estadual à conta-corrente do Fundo Estadual de Saúde, num prazo de cinco dias a contar do momento em que o estado de São Paulo seja notificado.

No documento também é requerido que toda a movimentação de recursos do SUS seja enviada mensalmente ao Conselho Estadual de Saúde, para fins de fiscalização e acompanhamento. A percepção é de que Serra não estaria, sequer, prestando contas ao Conselho.

O promotor de Justiça Arthur Pinto Filho e as procuradoras da República Rose Santa Rosa e Sônia Maria Curvello, autores da recomendação, estipularam prazo de 20 dias úteis para que o governo do Estado comprove o seu cumprimento. Em caso de negativa ou ausência de resposta, outras medidas judiciais ou extrajudiciais poderão ser aplicadas. Para os dois MPs, isto visa “assegurar à população do Estado de São Paulo a aplicação da integralidade dos recursos do SUS em ações e serviços de saúde, bem como a fiscalização da movimentação desses recursos pelo órgão de controle social”.

Desvios semelhantes também foram identificados pelo Denasus em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Segundo a auditoria, as irregularidades causaram prejuízo superior a R$ 6,5 bilhões ao sistema de saúde desses estados, afetando mais de 74 milhões de habitantes.

(Fonte boletim Brasília Confidencial)

09/04/2009 - 15:32h “Gestão” Kassab: dinheiro nos bancos, obras paradas e aumento de gastos com propaganda

Para justificar a paralisia em obras e investimentos, a “gestão” Kassab culpa a crise internacional.

Porém, neste período aumentou o volume de recursos financeiros aplicado em bancos, principalmente nos bancos privados. De acordo com o último balancete divulgado (fevereiro de 2009), a Prefeitura já tem quase R$ 4 bilhões de reais em caixa, voltando a patamares pré-eleição.

Relevantes áreas, como educação, habitação, assistência social, obras, subprefeituras, transportes e trânsito foram as mais prejudicadas, pois deixaram de receber quase R$ 1 bilhão, quando comparados com o orçamento do ano anterior.

Um exemplo da rubrica Construção de Reservatórios e Piscinões: No primeiro trimestre do ano passado já haviam sido empenhados R$ 5,1 milhões, mais da metade dos R$ 9,1 milhões previstos. Em 2009, embora o orçamento seja maior, R$ 18,4 milhões, ainda não empenharam nada. Ou seja, não há sequer um piscinão sendo construído por esta dotação.

Uma das poucas áreas em que a Prefeitura mostrou que está fazendo mais é justamente na Comunicação, pois a Secretaria havia empenhado até mar/08 R$23.821.305,29, contra R$ 28.950.739,30 atuais, mais de R$ 5 milhões corresponde a um crescimento de 21,5% nas despesas realizadas pelo órgão. Há uma dotação específica para divulgação do Plano de Metas, mas o referido programa só foi anunciado no dia 31 de março. Só que antes disso, a Secretaria já havia empenhado R$ 12.225.500,00 com esta ação. Os dados são da Bancada de Vereadores do PT.

Conclusão
Os números não deixam dúvidas de que Kassab voltou a ritmo de serviço que sempre desempenhou à frente da Prefeitura, aumentando gastos em Propaganda e aplicações em bancos privados e frustrando a população de São Paulo ao deixar de fazer importantes obras para o desenvolvimento da cidade e a melhoria da qualidade de vida dos seus moradores.

LF

09/04/2009 - 14:53h “Gestão” Kassab: atrasados, CEUs seguem em obras

 http://dialogospoliticos.files.wordpress.com/2008/12/kassab1.jpghttp://www6.prefeitura.sp.gov.br/noticias/ars/aricanduva_vformosa/2009/01/0006/portal/noticias/ars/aricanduva_vformosa/2009/01/0006/imagem/ceu%20site.jpg
O CEU Formosa, alvo de polemica durante a campanha eleitoral. Um dos que ainda está em obras.

Adriana Ferraz e Gabriela Gasparin do Agora

Os vizinhos dos prometidos CEUs Formosa e Uirapuru, nas zonas leste e oeste, ainda sonham com a chance de poder usufruir de atividades esportivas e culturais. Ambos os centros -que, segundo a prefeitura, estariam prontos em janeiro- contam apenas com os blocos educacionais.

“As obras estão paradas. Nem o buraco da piscina foi feito. A nossa região precisa de lazer, nós somos carentes”, afirma o autônomo Hildebrando de Lima, 27 anos, que mora na Vila Formosa.

Os pais de alunos criticam o atraso na entrega do material e dos uniformes. “Tive de comprar um monte de material para a minha filha”, reclama a diarista Verônica Fátima da Silva, 33 anos.

No centro, a mesma reclamação. “As crianças precisam usar roupas de sair para ir à escola. O velho não serve mais. O prefeito não sabe que elas crescem?”, questiona a mãe Severina Regina da Hora, 58 anos.

09/04/2009 - 14:00h 100 dias de Kassab: paralisia em São Paulo

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Os primeiros 100 dias do atual mandato do prefeito Kassab estão longe de corresponder à expectativa que ele criou na população durante a campanha eleitoral. A administração municipal voltou à rotina burocrática de acumular dinheiro em caixa – o saldo já chega hoje a R$ 4 bilhões – e não está cumprindo nenhuma das centenas de promessas que fez aos eleitores. O que tem chamado mesmo a atenção são os escândalos envolvendo a administração que pipocam nos meios de comunicação.
Denúncias de corrupção envolvendo cargos de confiança e funcionários da administração, fraudes em licitações para a compra de remédios e merenda escolar, e prática de corrupção por parte de fiscais em subprefeituras, são alguns dos escândalos que ganharam destaque na mídia. Ao mesmo tempo, o governo municipal dá seguidos exemplos de incompetência administrativa: falta de vagas em creches, atraso na entrega do uniforme e do material escolar, gasto excessivo em publicidade enquanto a cidade se afoga com as enchentes, e descumprimento de promessas importantes para a população, como a construção de novos corredores de ônibus.
Projetos polêmicos – caso da revisão do Plano Diretor Estratégico e a recuperação da Cracolândia, rebatizada de Nova Luz – abrem espaço para a ocupação urbana desordenada e para o mercado continuar ditando as regras do crescimento da cidade. E a proposta que concede à Sabesp, sem qualquer contrapartida à comunidade, a exploração dos serviços de água e esgoto por 30 anos, prorrogável por mais 30 – demonstra o imediatismo pragmático deste governo, em detrimento de uma visão estratégica de solução dos problemas estruturais de São Paulo.
Os escândalos e a inoperância do governo começam a se refletir nas pesquisas de avaliação da administração municipal. Levantamento do Datafolha divulgado em março mostrou que em cinco meses Kassab perdeu 16 pontos percentuais na sua aprovação, que era de 61% em outubro de 2008 e recuou agora para 45%.
Enquanto o presidente Lula estimula o crescimento econômico do Brasil investindo em obras, Kassab vem fazendo uma gestão com o pé no freio, guardando dinheiro e congelando investimentos em prejuízo do desenvolvimento da cidade. Com a crise internacional, esse quadro se agravou. O prefeito anunciou em janeiro um congelamento de R$ 5,5 bilhões do orçamento municipal, cancelando obras que poderiam abrir vagas de trabalho e manter aquecida a atividade econômica no município. Proibiu, por exemplo, as subprefeituras de gastarem em melhorias nos bairros e não liberou um centavo dos cofres públicos para erguer os três novos

hospitais que havia prometido na campanha. O congelamento afetou muito os investimentos sociais, prejudicando programas que funcionam como uma rede de proteção social para os mais carentes ou atingidos pela crise.
Nestes primeiros 100 dias de 2009 do governo DEM/PSDB os paulistanos não têm o que comemorar. São Paulo não está no rumo certo, como foi falsamente anunciado na propaganda eleitoral. A cidade vive um momento de indefinição por falta de um planejamento de longo prazo e a inexistência de projetos estruturantes que dêem conta das inúmeras demandas da população no campo do transporte, da educação, da saúde, da habitação e da cultura/esportes. O que se vê hoje é o governo municipal suscetível à influência de investidores privados, defensor dos grandes interesses econômicos, e permitindo o surgimento de graves irregularidades na administração pública. Kassab está tirando São Paulo dos trilhos e colocando de novo a cidade no rumo do caos e da desordem, como se via até o ano 2000.


Bancada de Vereadores do PT/SP
Ver. João Antônio
Líder da Bancada
Câmara Municipal de São Paulo

18/12/2008 - 10:34h ‘Parasitas’ sugam R$ 130 mi. Este é o valor estimado por promotor do Gaeco sobre esquema de fraude com insumos hospitalares

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Jornal da Tarde

remedio.gifRelator mira em firma de distribuição

Com apenas dois votos contrários – Milton Leite (DEM) e José Police Neto (PSDB) -, a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal aprovou ontem o relatório da subcomissão de vereadores que investiga a máfia dos parasitas. De autoria do petista Paulo Fiorilo, o texto pede, além de uma CPI em 2009, uma investigação do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas do Município (TCM) sobre os contratos da Secretaria de Saúde com a empresa Pronto Express, responsável por armazenar e distribuir insumos a rede básica hospitalar da capital.

“Há indícios de irregularidades nos preços praticados e na forma de contratação, além da informação de que a empresa foi habilitada junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em agosto de 2006, mas iniciou a prestação de serviços junto à Prefeitura no mês de maio de 2006”, destacou Fiorilo no relatório.

Investigação parlamentar

A Pronto Express, que substituiu os Correios na distribuição de medicamentos, virou alvo de investigação parlamentar após o vereador Aurélio Miguel (PR) ler em plenário reportagem do site Terra Magazine relatando que a empresa, com sede na Bahia, teve como sócio até 2003 o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), filho do senador ACM, morto em 2007, e que hoje é do publicitário Fernando Barros, acusado de ser “testa-de-ferro” de ACM Jr.

Para Police Neto, líder do governo na Câmara, “há excesso de acusações”. “Não vejo a relação apresentada (da Prefeitura) com o político baiano. Acho delicado lançar suspeição sobre algo que nem suspeição tem”, disse o vereador.

Segundo a Secretaria de Saúde, o contrato original, de 2004, com os Correios omitia que o serviço era de distribuição de medicamentos e, por isso, a licença da Anvisa não foi exigida. Quando a Pronto Express assumiu o serviço, em maio de 2006, “a licença da Anvisa foi providenciada, a pedido da pasta.”

PRONTO EXPRESS SUBSTITUIU CORREIOS

R$ 283 mil
por mês era o valor pago, segundo a Secretaria Municipal
de Saúde, aos Correios para cuidar da logística no recebimento de medicamentos e na distribuição para os hospitais
municipais

Maio a novembro de 2006:
foi o período em que a empresa Pronto Express assumiu em
‘caráter emergencial’ o serviço, depois que os Correios decidiram rescindir o contrato com a Prefeitura por “falta de interesse”, segundo informações da pasta da Saúde

R$ 698, 7 mil
por mês foi o valor que venceu licitação aberta pela Prefeitura, oferecido pela Pronto Express – na concorrência que teve mais cinco empresas, segundo a secretaria. O novo serviço começou no dia 1º dezembro de 2006

R$ 1,12 milhão
por mês, atualmente, é o valor estimado do contrato com
a empresa Pronto Express. O aumento no pagamento,
segundo a pasta de Saúde, se deu em razão do maior volume de medicamentos distribuídos e da entrega a cada 15 dias, em vez de uma vez por mês


‘Parasitas’ sugam R$ 130 mi

Este é o valor estimado por promotor do Gaeco sobre esquema de fraude com insumos hospitalares

Fabio Leite – Jornal da Tarde

f.leite@grupoestado.com.br

O rombo provocado pela máfia dos parasitas nos cofres públicos de São Paulo pode chegar a R$ 130 milhões. A projeção é do promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público que investiga esquema de fraude em licitações para venda de insumos a hospitais públicos estaduais e municipais, entre 2004 e outubro deste ano.

“É uma das maiores, se não for a maior fraude no sistema de saúde que o Brasil já registrou”, afirmou Carneiro, um dos promotores que, na semana passada, ofereceram denúncia à Justiça contra 13 pessoas – três empresários, três funcionários, dois laranjas, um doleiro e quatro funcionários públicos -, acusadas de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato (desvio de recursos públicos) e fraude às licitações.

No dia em que encaminhou a denúncia ao juiz da 2ª Vara Criminal da capital, o Gaeco divulgou uma nota dizendo que as fraudes causaram prejuízo de pelo menos R$ 80 milhões aos cofres públicos. “Mas já há perspectivas das auditorias da (Secretaria Estadual da) Fazenda que elevam para até R$ 130 milhões”, disse Carneiro. A Fazenda informou que ainda não tem os valores, “pois as auditorias ainda não foram concluídas.”

Num organograma apresentado junto à denúncia, o Ministério Público (MP) mostra que o esquema tinha por finalidade subornar os quatro funcionários públicos para fraudar pregões eletrônicos e presenciais em três hospitais: Ipiranga, Pérola Byington (estaduais) e Tatuapé (municipal).

Segundo o MP, atuaram no esquema Ziran Maria de Melo Moreira (chefe da seção do setor e compras do Ipiranga), Márcia Meneghello (diretora técnica da divisão de enfermagem do Pérola Byington) e João de Oliveira Filho, funcionário do mesmo hospital, e Milva Lúcia de Melo, diretora de farmácia do Tatuapé. O MP estima que eles teriam desviado, entre 2004 e 30 de outubro deste ano R$ 17,2 milhões, “ainda não integralmente calculados”.

No Hospital Municipal do Tatuapé, a servidora Milva, afirma a promotoria, interagia com a quadrilha “fraudando os procedimentos de licitação colocados em sua alçada”. Ela “controlava o estoque de produtos farmacêuticos, viabilizando pedidos depois repassados à quadrilha, segundo os seus próprios interesses espúrios”, informa a denúncia. Milva foi exonerada no dia 17 de novembro, a pedido, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Além de superfaturar o preço de insumos, já que as empresas idôneas que participavam do pregão eram desclassificadas pelos servidores públicos, mesmo apresentando preços menores, o suposto esquema ainda entregava produtos de baixa qualidade e em menor quantidade, segundo o MP.

Das 11 empresas suspeitas de participar da máfia, segundo o Departamento de Polícia Judiciária (Decap), que também investiga o esquema, cinco mantêm contratos com a Prefeitura. São elas: Embramed, Velox, Halex Istar, Home Care e Biodinâmica. Juntas elas receberam R$ 17,3 milhões do governo municipal entre 2005 e outubro deste ano. Para Carneiro, promotor do Gaeco, “todos os contratos com as empresas envolvidas são suspeitos.”


ENTENDA O CASO

Em 30 de outubro, a Polícia Civil desmantelou o esquema da ‘máfia dos parasitas’, acusada de fraudar licitações para venda de insumos a hospitais públicos, com superfaturamento de preços.

Das 11 empresas investigadas pelo Ministério Público , 5 mantêm contratos com a Prefeitura da capital: Embramed, Home Care, Halex Istar, Biodinâmica e Velox.

13 suspeitos (incluindo quatro servidores municipais e estaduais) foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público, que estima um prejuízos de até R$ 130 milhões para os cofres públicos.

Além da denúncia do MP que se refere a hospitais públicos municipais e estaduais de São Paulo, a máfia dos parasitas, segundo a Polícia Civil, também se ramificou por mais 29 prefeituras do Rio,de Minas Gerais e Goiás. Neste caso, a quantia de dinheiro público desviado ainda não foi calculada.

‘É uma das maiores, se não for a maior, fraudes no sistema de saúde que o Brasil já registrou”

JOSÉ REINALDO GUIMARÃES CARNEIRO,
PROMOTOR DO GAECO, QUE JÁ ENCAMINHOU DENÚNCIA À JUSTIÇA
CONTRA 13 ACUSADOS DE ENVOLVIMENTO COM O ESQUEMA DE FRAUDES
EM LICITAÇÕES DE HOSPITAIS PÚBLICOS MUNICIPAIS E ESTADUAIS

15/11/2008 - 14:22h Para garantir verba, SP remaneja dinheiro de metrô da capital pelo ABC

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Sérgio Gobetti – O Estado SP

O governo paulista trocou o pedido de verbas do Orçamento da União do metrô da capital para as obras do metrô do ABC. A mudança ocorreu por problema técnico que impedia a destinação de recursos a obra que não estivesse no Plano Plurianual (PPA), como era o caso do metrô da capital. Segundo o coordenador da bancada paulista, deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), a troca foi sugerida pelo secretário de Planejamento do Estado, Fernando Luna, para não deixar São Paulo sem verbas federais para o metrô em 2009. Agora, a linha São Paulo-Mauá-Rio Grande da Serra poderá receber R$ 200 milhões.

O governo também pediu R$ 100 milhões para equipamentos de saúde. As propostas foram apresentadas ontem, como emendas. A bancada paulista podia apresentar 20 emendas, das quais duas foram reservadas ao governador José Serra e duas ao prefeito Gilberto Kassab. No total, as emendas paulistas somaram R$ 1,8 bilhão, mas o relator-geral, Delcídio Amaral (PT-MS), deve aprovar apenas R$ 600 milhões. Somente as emendas de Kassab custariam R$ 500 milhões.

O limite de verbas para emendas é determinado pelo volume de receitas, que em 2009 está ameaçado pela crise. Até agora, o relator reservou R$ 6 bilhões para as emendas de bancada e comissão. Para distribuir mais, só se cortar despesas incluídas no Orçamento pelo Executivo federal.

Os deputados só descobriram anteontem que a emenda em favor do metrô de São Paulo estava ameaçada de reprovação técnica. Ontem era o último dia para a apresentação de emendas. A proposta nem chegou a ser levada ao comitê que analisa a admissibilidade das mesmas. Para legalizar o aporte de recursos ao metrô, o governo federal precisaria enviar um projeto de lei alterando o PPA. A equipe de Serra achou mais fácil remanejar o valor para o metrô do ABC. Mas isso não significa que o metrô da capital terá menos dinheiro. Basta que o governo paulista remaneje verbas do seu próprio orçamento.

31/08/2008 - 09:40h Saúde é maior preocupação para 3 em cada 4 paulistanos

Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, a seguir vêm educação, prioridade para 53%, e segurança, com 41%

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Carlos Marchi – O Estado de São Paulo

A saúde é a questão que mais preocupa o cidadão de São Paulo. Para 74% dos eleitores paulistanos é o tema que mais deve merecer atenção do futuro prefeito, informa pesquisa Ibope contratada pelo Estado e pela TV Globo. Esta preocupação majoritária é que tem influenciado os candidatos a dedicar grande espaço de seus programas na propaganda gratuita no rádio e na televisão ao setor. As demandas dos paulistanos estão concentradas em três áreas: além da saúde, a educação foi citada por 53% dos eleitores e a segurança, por 41%.

Outras questões que têm potencial relevância não estão, no momento, entre as grandes preocupações do cidadão paulistano. O desemprego, que sempre comanda as demandas em vésperas de eleição, foi mencionado por 31% dos entrevistados. O trânsito caótico de São Paulo apareceu como problema para apenas 23% dos cidadãos, enquanto o transporte coletivo foi citado por 25%. A pesquisa pediu aos entrevistados que citassem as três áreas que mais os preocupavam no momento.

Outros assuntos que costumam merecer importância na avaliação da população foram pouco citados. Habitação, por exemplo, surge como problema para apenas 9% dos paulistanos; calçamento de ruas e avenidas foi mencionado por 5%; o problema do menor abandonado mobiliza só 8% dos cidadãos; a limpeza pública está preocupando apenas 4% e o meio ambiente, que costuma atrair o interesse de parcelas significativas da população, foi mencionado por 6%.

O comportamento do eleitor carioca repete, com ligeiras mudanças, o pensamento paulistano. Para 77% dos cidadãos da capital fluminense a saúde também é o problema que mais preocupa, seguida pela segurança pública, citada por 54%, e a educação, mencionada por 51%. No Rio, o desemprego preocupa menos ainda – o problema foi citado por apenas 21%. O trânsito carioca, tão ou mais caótico que o de São Paulo, preocupa apenas 8% dos eleitores. O transporte coletivo foi lembrado por 11%.

Belo Horizonte atribuiu o mesmo valor à questão da saúde, citada por 77%. A segunda grande preocupação dos mineiros é a segurança, observada por 58%, e a educação é demandada por 51%. No Recife, 71% dos eleitores citaram a saúde como tema central da municipalidade, enquanto 61% optaram pela segurança pública e 45% mencionaram a educação.

O critério mais usado pelo eleitor paulistano para escolher o seu candidato a prefeito é olhar o passado do político, forma apontada por 34% dos entrevistados. O segundo critério é o conjunto de propostas, citado por 33%.

Mas 16% ficam atentos ao currículo do candidato, 5% votam por causa do partido político a que o candidato é filiado e 4% admitem que escolhem pela simpatia. Uma parcela de 2% opta por um nome mediante indicação de outras lideranças e 1% vota por indicação de parentes, amigos ou vizinhos.

No Rio, o passado do candidato é o mais importante para 35%, seguido pelas propostas de governo, examinadas por 27%, e o currículo do candidato, considerado por 12%. Em Belo Horizonte, o passado do candidato mereceu 29% das citações, seguido pelas propostas de governo, com 28%, e o currículo, citado por 17%. O apoio político de outras lideranças foi mencionado por 8%. No Recife, ao contrário, as propostas de governo foram citadas por 39% e o passado do candidato foi lembrado por 26%.

RAIO X

A pesquisa Ibope, feita entre os dias 25 e 28, ouviu 1.001 eleitores em São Paulo, 1.001 no Rio de Janeiro, 805 em Belo Horizonte e 805 em Pernambuco. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95% – ou seja, de cada 100 pesquisas, 95 terão resultados dentro da margem.

02/04/2008 - 03:15h Deixem Lula falar com a patuléia

ELIO GASPARI

FFHH era festejado em Oxford e Nosso Guia faz sua festa na periferia, cada um no seu galho

LULA CONSEGUIU construir sua agenda e ninguém conseguirá tirá-lo do trilho. É um cestão com progresso (5,4%) e aumento do consumo das famílias (13,4%). Há mais carne no prato e menos mês no fim do salário.
Nosso Guia impôs sua agenda falando diretamente à patuléia. É injusto querer limitar seus movimentos. Em 2002, quando FFHH recebeu seu 18º título de doutor honoris causa na Universidade de Oxford, vivia sua campanha, no mundo encantado que tanto aprecia. Pulando de palanque em palanque e torturando a gramática, Lula faz campanha em outro mundo, o de seus encantos.
Assim como a estabilidade da moeda saiu da agenda de FFHH , impondo-se a Lula e ao PT, o cestão de Nosso Guia haverá de demarcar os rumos da política brasileira por um bom tempo. Seria aquilo que o governador Aécio Neves chama de “Pós-Lula”.
O “Pós-Lula” já começou. É um quadro no qual não adianta xingar os programas sociais. O coração dessas iniciativas, como a leis trabalhistas de Getúlio Vargas, o fundo de garantia de Castello Branco, o Funrural de Emílio Médici, tornaram-se parte da sociedade brasileira. Podem mudar, mas não acabam. Pelo contrário, acabará quem propuser que acabem.
No bojo desse êxito está o desafio do “Pós-Lula”. Já não há cartões para distribuir ao andar de baixo. O baú da transferência de renda esvaziou-se, ajudando a criar um Brasil diferente. Não se trata mais de pensar na família que está na miséria, mas de milhões de pessoas que saíram dela, ou que viajaram no “elevador social”.
Coisas que hoje parecem idéias de jerico poderão entrar na agenda. Por exemplo: a universalização de um plano de saúde básico. É desnecessário lembrar que esse é um dos principais assuntos da campanha eleitoral americana. Seria necessário misturar o SUS com as operadoras de serviços privados. Coisa dificílima, mas, quando se trata de tungar a Viúva, é matéria fácil. Até hoje ela não conseguiu receber regularmente o dinheiro que gasta com o atendimento, na rede pública, de segurados de empresas privadas.
Por que São Paulo, como Nova York, Londres e Paris, têm bilhete único de transporte público, e o Rio de Janeiro não tem? Teria, segundo o governador Sérgio Cabral, no final deste ano, mas a promessa ficou para maio de 2009 e há um forte cheiro de empulhação no palavrório disponível. Por que o programa de regularização de lotes urbanos só é um êxito em Manaus?
No “Pós-Lula” será necessário mudar a qualidade da discussão de assuntos desse tipo. Em geral, os burocratas sacralizam um obstáculo e esterilizam as propostas. Assim, o ressarcimento do SUS não anda porque as operadoras vão à Justiça. Lorota. O jogo virará no dia em que o ministro da Saúde mostrar ao país o caso de um magano que paga ao plano de saúde e, tendo batido com o carro, foi para um pronto-socorro onde seu tratamento custou uma fortuna, mas o SUS levou um beiço.
No dia em que governadores e prefeitos botarem a boca no mundo, virarão o jogo dos transportes públicos em todas as cidades dominadas por cartéis semelhantes ao do Rio de Janeiro.
Na área da educação e da segurança pública, há dezenas de temas semelhantes. Cada um terá sua trava, mas nenhuma dessas travas resiste à exposição pública. Talvez a principal novidade do “Pós-Lula” seja que a patuléia veio para ficar.

22/02/2008 - 18:50h Manual de sexo para crianças cria polêmica na Espanha

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ANELISE INFANTE
de Madri para a BBC Brasil

Um manual de educação sexual para crianças e adolescentes intitulado Sexo sem tabu, lançado pelo governo da Catalunha, na Espanha, provocou reclamações entre os pais católicos. O folheto aborda com naturalidade temas polêmicos, como a masturbação para menores de 16 anos.

Os manuais de 24 páginas para estudantes de 10 e 11 anos e de 32 páginas para os de 12 a 16 abordam, com ilustrações e linguagem simples, vários aspectos da sexualidade, desde as mudanças no corpo até a homossexualidade.

Algumas associações de pais estão se manifestando contra o uso do folheto nas aulas e, após uma reunião realizada no último sábado, decidiram enviar um manifesto ao secretário de Educação da Catalunha, Ernest Maragall.

Os pais pediram a retirada do manual das salas de aula porque julgam que os textos “não falam de valores, de confiança nem de família, só de sexo sem considerar a família”, de acordo com o manifesto.

“Um folheto sobre um tema como a educação sexual não pode ser entregue diretamente aos menores sem a autorização dos pais”, protestou a assessora de comunicação da Associação Européia de Pais, Remédios Falaguera, que participou da reunião.

O secretário da instituição, Carles Armengol, divulgou uma nota à imprensa. No comunicado, afirma que os conteúdos do manual são “avançados demais”.

“Acreditamos que abrangem determinados temas de forma prematura”, diz o secretário. “A Generalitat (governo estadual da Catalunha) pode informar sobre sexualidade, mas são os pais e os professores que devem educar.”

Nada de novo

O governo catalão minimiza a polêmica. A Secretaria de Educação disse à BBC Brasil que “as críticas vêm sendo feitas por setores minoritários” e que os manuais foram criados por especialistas.

“Nenhuma informação ali é nova para eles”, diz uma nota de imprensa assinada pelo diretor-geral do Departamento de Saúde Pública, Antoni Plasènsia.

Para o governo, os folhetos têm como objetivo ajudar os menores a conhecer o cuidado com o corpo e incentivar condutas saudáveis em relação à sexualidade.

“A diferença está na clareza e naturalidade com que trata os temas”, afirma a Secretaria de Educação catalã. “Por isso, chamou-se Sexo sem tabu.”

Os 400 mil manuais já começaram a ser distribuídos nas escolas catalãs. Os dedicados às crianças de 10 e 11 anos têm como título: Comigo também está acontecendo e com você?. Nos folhetos preparados para os adolescentes de 12 a 16 anos, o título é Seja seu.

A definição para masturbação de crianças de 10 e 11 anos é descrita no manual como “uma coisa natural, uma forma de conhecer seu corpo e ter novas sensações”.

O manual também retrata a situação de um casal de adolescentes que pretende iniciar sua vida sexual. Ao informar sobre os detalhes da experiência, deixa uma recomendação.

“Viva de acordo com seus gostos e preferências, explore seu corpo, tocando-se e tendo prazer”, diz o texto. “Se bem que nada é obrigatório”, acrescenta o manual

17/02/2008 - 23:43h A dialética da Folha (3)

Segundo os dados da pesquisa Datafolha cresceu a percentagem dos que consideram a saúde o pior desempenho de Kassab.

A Folha acha este fato um absurdo. Como pode a população avaliar assim, o que a Folha aparentemente considera diferente?

O jornal não se conforma e pede explicação do “fenômeno” ao Diretor do Datafolha. Acuado a fornecer uma justificativa para a Folha, ele nos fornece uma pérola: como Kassab não pára de inaugurar equipamentos para melhorar a saúde, a população acaba percebendo que a saúde… piora!

Vejam só:

“Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, diz que uma das hipóteses para o crescimento da preocupação do paulistano com a área da saúde é que a série de inaugurações que Kassab fez no setor tenha chamado atenção para o problema: “Acaba aparecendo o assunto e aumenta a lembrança”. (Folha de hoje)

Mas porque a lembrança que aumenta é que está pior?

12/02/2008 - 09:41h Contra infarto, Inglaterra incentiva sexo

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Serviço de saúde do governo inglês recomenda exercícios sexuais como forma de prevenir doenças cardiovasculares

Endorfinas liberadas durante o ato ajudam a viver mais; produção de hormônios extras mantém ossos sadios e previne rugas

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

O serviço de saúde inglês (NHS), uma espécie de SUS britânico, tem feito uma recomendação pouco ortodoxa como forma de prevenir doenças cardiovasculares: a prática de exercícios sexuais.
Em seu site oficial, o órgão diz que “sexercise” (exercício sexual) pode diminuir os riscos de ataques cardíacos e ajudar as pessoas a viver mais. “As endorfinas liberadas durante o orgasmo estimulam as células do sistema auto-imune.”
Segundo o NHS, durante a relação sexual são usados todos os grupos musculares, o que faz com que “o coração e os pulmões trabalhem duro e haja uma queima de cerca de 300 calorias por hora”.
O serviço afirma ainda que a produção extra dos hormônios estrógeno e progesterona, envolvida na relação sexual, ajuda a manter os ossos e os músculos sadios e previne rugas.
O NHS também dá dicas de como otimizar a vida sexual. Sobre orgasmo, aconselha: “Passe algum tempo consigo mesmo para aprender o que o excita”. Também ensina exercícios para os músculos da pélvis. “Pare e reinicie seu fluxo de urina quando for ao banheiro. Depois disso, é possível se exercitar em qualquer lugar, a qualquer momento, em seqüências de dez a 20 contrações.”
Sobre masturbação, o serviço diz que a prática é útil para explorar o próprio corpo. “Para homens, ajuda a conter a ejaculação, para que não ocorra cedo demais; para mulheres, facilita a chegada ao orgasmo.”
Para a psiquiatra Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da USP, a iniciativa tem “tudo a ver” com a prevenção de doenças cardiovasculares. “É um bom exercício, libera endorfina. Tem muita gente que detesta exercício em academia porque se sente excluído, um robô. O sexo é um tipo de exercício que inclui, que envolve afeto, carinho. Um é o personal trainer do outro”, afirma a médica.
Para ela, sexo problemático pode estar associado a doenças cardíacas. “O coração é feito do mesmo tecido interno [endotélio] que reveste os órgãos sexuais. No homem, a disfunção erétil pode, muitas vezes, sinalizar uma doença cardíaca.”
O cardiologista Otávio Rizzi Coelho, da Unicamp (Universidade de Campinas), afirma que existe um mito entre as pessoas que sofreram infartos ou outras doenças cardíacas de que o sexo seria contra-indicado. “Não faz mal. A quantidade de energia despendida não é muito grande. Pode, sim, ter uma vida sexual sem riscos adicionais.”
Para ele, as orientações do serviço inglês são fundamentais para cardiopatas e para quem quer prevenir eventos cardiovasculares.
(CLÁUDIA COLLUCCI)

11/02/2008 - 08:32h Tumores evoluem para resistir a drogas

Brasileiro radicado no Reino Unido detecta seleção natural agindo em “tempo real” para mudar genes de câncer de mama

Quimioterápico causa uma mutação benéfica à célula doente, que se espalha entre as células; estudo saiu on-line na revista “Nature”

RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

“Nada em biologia faz sentido a não ser sob a luz da evolução.” Quando o biólogo russo-americano Theodosius Dobzhansky (1900-1975) cunhou essa frase, estava se referindo ao princípio subjacente a tudo o que é vivo, mas não estava dizendo necessariamente que o mesmo tipo de lógica se aplicaria especificamente à busca de tratamentos contra o câncer.

Essa surpresa foi algo com que o patologista brasileiro Jorge Reis-Filho, 32, se deparou. Tentando entender como tumores adquirem resistência a drogas quimioterápicas, a equipe liderada pelo cientista no Centro Breakthrough de Pesquisa em Câncer de Mama, de Londres, descobriu como um tipo de tumor “evolui”. Atacado por um remédio, o câncer pode se adaptar por meio da seleção natural a um ambiente que em tese lhe seria hostil.

A descoberta teve participação de outra equipe, liderada pelo bioquímico Alan Ashworth. Os cientistas mostraram que o câncer de mama causado por uma mutação no gene BRCA2 -um dos tipos mais comuns de variedades hereditárias dessa doença- pode desenvolver tolerância a medicamentos modernos, que atacam o DNA do tumor.

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31/01/2008 - 14:14h Pílula do dia seguinte é ‘inaceitável’, diz CNBB

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Millôr

 

Blog de Josias

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) decidiu engrossar o coro do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, contra o uso da pílula do dia seguinte durante o Carnaval. Em nota veiculada no sítio do órgão máximo da Igreja, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família classificou a distribuição do medicamento aos foliões de providência “moralmente inaceitável”.

 

O texto é assinado pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Antônio Augusto Dias Duarte. Médico de formação, ele sustenta que o medicamento que será distribuído por prefeituras pernambucanas é abortivo. “Trata-se de um recurso usado para interceptar o desenvolvimento do concepto após uma relação sexual dita ‘desprotegida’, isto é, quando não foi usado um método anticoncepcional e se supõe que houve uma fecundação e o início de uma gravidez.”

 

Anota, de resto, que a pílula contém “altas doses” de hormônios femininos (estrogênio) e masculinos (progesterona). E afirma, em timbre de alerta: “O uso desses hormônios em alta dose pode acarretar sérias complicações à saúde da mulher, como os tromboembolismos.”

Segundo dom Dias Duarte, a pílula do dia seguinte provoca “um aborto químico”. Que, na opinião dele, é “tão gravemente imoral quanto o aborto cirúrgico”. O religioso arremata: “Por tudo isso, o uso da pílula do dia seguinte é moralmente inaceitável, ainda mais quando sua distribuição é feita de maneira indiscriminada e com o uso do dinheiro público.”

 

A manifestação da Pastoral para a Vida e a Família da CNBB veio a público nesta quarta-feira (30), mesmo dia em que que o juiz José Viana Ulisses Filho, da 6ª Vara da Fazenda Pública de Recife, negou o pedido de liminar contra o uso da pílula do dia seguinte em Pernambuco. Com a decisão, manteve-se inalterado o plano de distribuição do medicamento em quatro municípios pernambucanos: Recife, Olinda, Paulista e Jaboatão.

 

A ação que resultou na decisão do juiz Ulisses Filho fora movida pela Aduseps (Associação dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde). Antes, dom José Cardoso Sobrinho, o arcebispo de Olinda e Recife, tentara, sem sucesso, convencer o Ministério Público de Pernambuco a tomar providências judiciais contra a distribuição do contraceptivo.

Ao apoiar a posição de seu representante para a região de Olinda e Recife, a CNBB compra briga com o ministro José Gomes Temporão. O titular da pasta da Saúde classificara de “lamentável” a posição do arcebispo. É por posicionamentos como esse, dissera Temporão, que cada vez mais os jovens se distanciam das paróquias.

 

“A prefeitura está correta e a Igreja está equivocada, mais uma vez”, afirmara Temporão. “A prefeitura está fazendo uma coisa que está dentro do protocolo do Ministério da Saúde. A pílula do dia seguinte é usada apenas sob prescrição médica, por orientação médica. Aí é uma questão de saúde pública e não religiosa.”

 

“Eles estão corrompendo a juventude, desviando a juventude da lei de Deus”, respondera dom José Cardoso Sobrinho. “Qualquer problema humano é também religioso.” Para o arcebispo, a distribuição das pílulas “viola os direitos fundamentais e induz a população a praticar o mal”.

 

PS.: Ilustração via sítio do Millôr Fernandes.

Escrito por Josias de Souza

20/01/2008 - 10:10h Museus e bibliotecas de Paris suspendem uso de Wi-Fi

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Biblioteca François Mitterrand em Paris

Determinação atende ao princípio de precaução; funcionários se queixam de risco à saúdeAndrei Netto, PARIS

O uso de hotspots de internet sem fio (Wi-Fi) em museus e bibliotecas da capital francesa está suspenso até o mês de fevereiro. A moratória decretada pelo Conselho de Paris visa a esclarecer a origem de distúrbios de saúde declarados por funcionários das instituições, supostamente vinculados às emissões de radiofreqüência das estações de base.

A decisão reabre a controvérsia em torno dos riscos – ainda não comprovados, nem descartados – à saúde gerados pela exposição excessiva às ondas de internet, telefonia celular e microondas, entre outras.

Desde junho, 60 bibliotecas e museus mantidos pela prefeitura vinham sendo equipados com estações de base, aparelhos que emitem as ondas captadas pelos microcomputadores. Com o passar dos meses, funcionários de quatro bibliotecas pediram a intervenção da Federação Sindical Unitária (FSU) junto à prefeitura.

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17/01/2008 - 18:09h Bissexualidade feminina não é só uma fase de indecisão


girlskissgirls's photo de 08/12/07

REUTERS e AGENCIA ESTADO

NOVA YORK – Um estudo psicológico recém-publicado afirmou que a bissexualidade feminina não é uma fase de transição entre o heterossexualismo e o lesbianismo, mas sim uma orientação sexual específica.
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17/01/2008 - 17:19h Un test évaluant le risque d’avoir un cancer de la prostate sera bientôt proposé


Une opération du cancer de la prostate en décembre 2000. | AFP/WALTRAUD GRUBITZSCH
AFP/WALTRAUD GRUBITZSCH

Une opération du cancer de la prostate en décembre 2000.

Les hommes qui le souhaitent pourront bientôt avoir accès à un test, réalisé après prise de sang, qui évaluera s’ils sont ou non exposés à un risque supérieur à la moyenne d’être atteints d’un cancer de la prostate. Telle est la conclusion pratique d’un travail mené en Suède et aux Etats-Unis dont les résultats ont été rendus publics, mercredi 16 janvier, par le New England Journal of Medicine. Ce test est actuellement en cours de développement et devrait être prochainement commercialisé. Il est fondé sur la découverte d’une série de mutations génétiques associées au cancer de la prostate.
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17/01/2008 - 12:06h Não tem epidemia de febre amarela, o pânico é um fenômeno de imprensa, disse o DR. Drauzio Varella


 

Foto: Fantástico – Rede Globo


Reportagem do Fantástico neste domingo mostra o Dr Dráuzio Varela em Teresina, no quadro “E agora doutor?”. A matéria ensina como reconhecer a dengue, com cenas em interiores de residências e hospitais, com pacientes e médicos locais.

Excelente. Imperdível.

Confira o vídeo aqui

Febre amarela


“É uma situação normal”, diz Drauzio Varella

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO – 14 de janeiro 2008

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

De cinco casos de febre amarela notificados pela vigilância sanitária no ano de 2004, três pacientes morreram. Um dos dois sobreviventes é o cancerologista Drauzio Varella, 64.
Infectado numa viagem à Amazônia dias antes, com vacina vencida havia ao menos duas décadas, o médico diz que a exposição da doença nos meios de comunicação nos últimos dias deve levar a um aumento no número de casos “por que os médicos vão fazer mais diagnósticos.”

No livro “O Médico Doente”, Drauzio narra a experiência com a doença. Leia abaixo os principais trechos da entrevista, concedida ontem no intervalo de atendimento a pacientes no Hospital Sírio-Libanês.

FOLHA – Dá para falar em surto?

DRAUZIO VARELLA – Acho que não. O que acontece é um fenômeno de imprensa. E isso é clássico na história das epidemias. Toda vez que surge uma, os governos negam. E a imprensa vai atrás, no rastro da doença. Estamos vivendo uma situação normal. As pessoas achavam que a febre amarela havia saído do repertório. E agora volta. Acho importante voltar para que se tenha idéia de que existe.

FOLHA – O senhor não vê esses casos como um alerta?

DRAUZIO
– Não vejo mesmo. O problema dessas fases de pânico é que muita gente que não precisa vai tomar a vacina. O sujeito está em São Paulo e vai ao Guarujá e quer se vacinar. Aí cria-se um problema social, engrossam-se as filas. E o sujeito que precisa não vai tomar. Eu acho até que essa preocupação com a febre amarela silvestre vai aumentar o número de casos porque os médicos vão fazer mais o diagnóstico.
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17/01/2008 - 09:29h A febre amarela e as palavras ao vento interesseiras do jornal O Globo


O jornal O Globo gosta de dar “opinião” sobre febre amarela

Um surto de rubéola atinge o Estado de São Paulo. O aumento no número de casos é de mais de 300% em relação ao total registrado durante todo o ano passado. Passou de 66 para 286 pessoas infectadas -crescimento superior também à soma dos últimos três anos. Na capital, o aumento foi maior: de 45 casos, em 2006, para 200, até o fim de setembro. A alta é de 344%.
O CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) emitiu alerta em que orienta intensificação das ações de controle da doença, como vacinação, que pode ser feita em qualquer posto de saúde. A transmissão da rubéola ocorre pelo ar.

A doença, mais comum na infância, também atinge adultos e é especialmente perigosa em grávidas- pode causar malformação do feto. A rubéola é causada por um vírus e tem como principais características o aparecimento de urticárias na pele e de ínguas ou caroços.

Em 2007 o Brasil teve 536.519 casos declarados de infecção pelo mosquito da dengue, com várias mortes provocada pela forma mais violenta da doença. No Estado de São Paulo o crescimento da dengue é exponencial, mesmo não constituindo ainda uma situação de epidemia.

O número de casos de febre amarela registrados neste ano no Brasil totalizam 10 casos, 7 de morte até agora. Ainda há 12 em investigação – 1 deles registrado ontem – e 7 infecções. Em 2003, por exemplo, foram computados 64 casos, com 23 mortes.

A febre amarela urbana não é registrada no Brasil desde 1942. As pessoas que adoeceram desde o final do ano foram contaminadas pelo tipo silvestre, em área de mata, onde circula outro mosquito transmissor da doença. Segundo o Ministério da Saúde, seriam necessários altos índices de infestação do Aedes aegypti, vetor da febre amarela nas cidades, para que a doença se espalhasse nas áreas urbanas. Para a transmissão, é necessário o mosquito da dengue picar um doente e, em um curto intervalo de tempo, picar uma pessoa sadia.

Os dados de Goiás comprovam que é muito pequeno o risco de a doença se urbanizar, mesmo no Estado, conforme tem dito o Ministério da Saúde. Dos 246 municípios do Estado, apenas 4 não registram a presença do mosquito da dengue. Mas o índice de infestação nas cidades que têm o Aedes aegypti é baixo – em apenas 30 delas supera o 1% aceitável pelo Ministério da Saúde, de acordo com dados de novembro.

Mesmo com todos esses dados, o jornal O Globo “opina” que a “epidemia” de febre amarela não é uma invencionice, chegando incluso a “opinar” contra o que disse sua principal coluna de política da página 2, que mostra os dados da dengue e da febre amarela para desmistificar a onda de boatos que, entre outros, a própria “opinião” do jornal ajuda a propalar. Vai ver que é por “opiniões”assim que tem filas gigantescas na cidade de Rio de Janeiro para obter a vacina.

O Globo
não “opina” nada sobre a dengue que corre solta em São Paulo, nem sobre a rubéola.

Por que sera? ou porque Serra? nunca sei muito bem como se escreve…

16/01/2008 - 08:16h Bactéria ataca comunidade gay nos EUA



Estudo sobre nova linhagem de micróbio resistente a antibióticos aponta núcleo de surto em bairro de San Francisco

Patógeno, comum em infecção hospitalar, cresce no ambiente exterior; risco para homossexual aumenta 13 vezes, diz pesquisador

DA REPORTAGEM LOCAL

Uma linhagem de bactéria potencialmente letal -e resistente a antibióticos- atravessou as fronteiras de hospitais nos EUA e está sendo transmitida entre homens gays pelo sexo, afirma estudo publicado anteontem. Os autores da pesquisa dizem que o patógeno conhecido como Sarm (Staphylococcus aureus resistente à meticilina), em geral restrito a casos de infecção hospitalar, está começando a aparecer fora dos ambientes clínicos em San Francisco e Boston.

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15/01/2008 - 09:37h Prevenção de acidentes nas férias



Ricardo Wagner Martins*

O Estado de São Paulo
Verão, férias, fugir do estresse e da violência. É hora de relaxar em um hotel maravilhoso, longe dos problemas. Porém, antes de arrumar as malas, você conferiu se o item segurança não foi deixado de lado?
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11/01/2008 - 15:22h Hidropilates não é moleza

Estica e puxa

Nós testamos a aula de hidropilates, modalidade que leva os princípios do pilates para água

 

Christina Fuscaldo – O Globo Online

Aula de hidropilates na academia Stella Torreão / Divulgação

RIO – A idéia era testar uma nova modalidade de exercício na água. O hidropilates não é exatamente a mistura da hidroginástica com o pilates, como pensei ao topar fazer a aula experimental na academia Stella Torreão, na Lagoa. Por ter sido adepta dos exercícios com molas e tiras de couro por quase dois anos, achei que teria os critérios necessários para fazer a comparação. E, bom, acho que consegui sair com uma idéia do que significa optar pela versão aquática do método criado na década de 20 pelo alemão Joseph Pilates.

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03/01/2008 - 20:34h Censurada en Francia una campaña contra el Sida por mostrar a dos hombres desnudos


La campaña se ha considerado “demasiado explícita”