29/08/2009 - 12:56h “Os Jardins estão sob ataque”

Ladrões invadem e roubam casa de secretário de Serra

http://2.bp.blogspot.com/_Nj7k-NFjuzA/SCS1iD5nPpI/AAAAAAAAA4g/3BzRXzhzQHA/s320/serra_afif.jpgCriminosos levaram joias e dinheiro da residência de Guilherme Afif no Jardim Paulistano

Secretário estava na casa com a mulher, um dos filhos e duas funcionárias; ocorrência mobilizou a cúpula da polícia paulista

MÔNICA BERGAMO

COLUNISTA DA FOLHA

A casa do empresário Guilherme Afif Domingos (DEM-SP), secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho do governo José Serra (PSDB), foi invadida por seis ladrões na manhã de ontem, numa ocorrência que mobilizou a cúpula da polícia paulista.
De acordo com Afif, o grupo chegou a sua casa, no Jardim Paulistano, afirmando ter uma “encomenda” para o “senhor Afif”. Uma das empregadas tentou pegar o pacote. Mas, como ele era pesado, abriu o portão. A casa foi então invadida.
Armados, os assaltantes recolheram relógio, joias “do dia a dia usadas por minha mulher” e dinheiro vivo, “aquela reserva que a gente já guarda em casa para o ladrão”, diz o secretário. Afif afirma que na casa estavam também sua mulher, duas funcionárias e um dos filhos, que chegou a sofrer ameaças.
Os ladrões ficaram na residência por 20 minutos e sabiam detalhes da vida do secretário. “Além de me chamarem pelo nome, eles disseram que, se eu não indicasse em que lugar guardava o cofre, iriam para a casa em que mora a minha outra filha. Eles sabiam o endereço dela e fizeram a ameaça.”
O grupo fugiu.
Pelo menos outras duas residências próximas à de Afif -uma delas, em sua própria rua- foram assaltadas na última semana. Numa delas, os ladrões se apresentaram como funcionários da Sky. Como o dono, um publicitário, tinha de fato chamado a empresa para um conserto, abriu a porta.
O próprio Afif, um dia antes do assalto, solicitou os serviços da NET, outra empresa de TV por assinatura, mas teve medo quando os funcionários chegaram a sua residência. Antes de permitir a entrada deles, confirmou com a empresa se eram de fato os empregados enviados por ela para o conserto.
“É preciso cuidado. O bairro tem tido uma rotina de assaltos. E eles estão ocorrendo não apenas em casas mas em apartamentos da região. Parece que é uma onda, que [os assaltantes] migraram de outro setor para os Jardins”, disse Afif.
“Os Jardins estão sob ataque”, diz o empresário Marcos Arbaitman, vice-presidente da Ame Jardins, entidade que reúne moradores da região. Ele reverbera o sentimento de outros vizinhos. “O governo acha que aqui só moram ricos que podem pagar segurança particular e retirou a polícia do bairro”, diz outro dirigente da Ame.
A criminalidade vem crescendo no Estado nos últimos meses. No segundo trimestre de 2009, o número de roubos aumentou 18% em relação ao mesmo período de 2008, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
Na semana passada, os moradores se reuniram com o secretário Antonio Ferreira Pinto e pediram o reforço no policiamento, a instalação de câmeras e a volta de uma base móvel da PM para o bairro. O prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), morador da região, estava presente e deu sugestões.

27/08/2009 - 10:42h Delegados deixam curso com PMs, e acaba integração em SP

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Secretário critica decisão e defende ampliação da formação conjunta

A integração das Polícias Civil e Militar de São Paulo acabou. Dez anos depois de sua adoção, o projeto que previa a união dos centros de comunicação, formação conjunta nas academias e delegados e capitães dividindo salas se desfez paulatinamente. O mais novo golpe contra a integração, uma alternativa à unificação das polícias criada no governo Mário Covas (PSDB), foi dado pela cúpula da Polícia Civil. Ela decidiu abandonar o curso de formação integrado de delegados e oficiais, símbolo maior da política que é parte do plano do governo.

“A integração morreu, está morta”, disse o presidente da Associação dos Delegados de São Paulo, Sérgio Roque. Trata-se, segundo ele, de um cadáver insepulto, pois ninguém no governo assume o atual fracasso do que era um dos pilares da política de segurança pública do Estado. A rivalidade entre as instituições e os conflitos sobre o futuro das carreiras policiais ajudaram a torpedeá-la.

Em junho, a cúpula da Polícia Civil fez um estudo para justificar a separação do Curso Superior de Polícia (CSP). Com duração de um ano, o curso é condição para que o policial seja promovido para o último degrau das carreiras policiais – delegado de classe especial ou coronel. Os seis primeiros meses são feitos em separado. O segundo semestre era integrado, com aulas na Academia da Polícia Civil e no Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores (Caes) da PM. Assim ocorria desde 2001, mas, neste ano, a Polícia Civil descobriu que a prática era cara e sem sentido.

Assinado pelo delegado-geral adjunto, Alberto Angerami, o relatório que condenou a integração diz que a parte conjunta do curso teria atividades de pouco interesse para os civis. Como autoridades policiais, não faria sentido aos delegados aprender em conjunto com os oficiais. O fim da integração reduziria o CSP para seis meses, o que significaria uma economia de R$ 64 mil para o Estado, o equivalente a 3,5 carros populares. Os 15 delegados que faziam o curso foram avisados sobre o fim das aulas na PM e só devem entregar a monografia no fim do ano.

DESGASTE

Delegados ouvidos pelo Estado dizem que há algumas razões para o encerramento da formação conjunta. A primeira delas é que o clima entre as corporações piorou muito depois do conflito em frente ao Palácio dos Bandeirantes durante a greve da Polícia Civil em 2008. “O clima azedou por completo”, disse Roque, um dos líderes da greve e homem próximo da atual cúpula da Polícia Civil.

O segundo motivo seria o fato de os delegados acusarem a PM de bombardear a Proposta de Emenda Constitucional 549 (PEC), que transformaria o delegado em carreira jurídica, com vencimento idêntico ao do Ministério Público – hoje o salário de delegado é vinculado ao dos oficiais. “O lobby da PM bombardeou a PEC no Congresso. Um dos argumentos que eles usaram para derrubá-la foi que faziam o curso superior de polícia com a gente”, disse um delegado que está no CSP.

A decisão de romper a integração pegou a PM de surpresa. No Caes as vagas no curso estavam à espera dos delegados. Quando ninguém apareceu em julho, o diretor de Ensino da PM, coronel Luiz Roberto Arruda, encaminhou documento ao comandante da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, dizendo que parar a integração era repetir erros do passado, “quando se entendia que comprar viaturas era mais importante que capacitar recursos humanos da polícia”.

Camilo procurou o secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto. Por escrito, o secretário disse que os argumentos da Polícia Civil eram “inconsistentes e pífios”. Ele lamentou que delegados “desprezem uma sadia integração” e disse que, em vez de ocorrer só no CSP, ela devia começar nas academias de formação dos novos delegados e oficiais. Por fim, Ferreira Pinto indicou que vai regulamentar a questão em 2010, pois não havia até agora resolução ou decreto que instituísse a obrigatoriedade do curso conjunto.

04/08/2009 - 10:19h Latrocínio cresce 79% na capital paulista

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Crime foi o que mais aumentou no 1º semestre, em comparação com o mesmo período de 2008, seguido de sequestros

 

Secretaria da Segurança relaciona crescimento, na capital e no Estado, com crise econômica mundial, que começou em setembro

AFONSO BENITES E ANDRÉ CARAMANTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Os crimes de latrocínio e sequestro foram os que mais cresceram no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado na capital paulista.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a alta tem relação direta com a crise econômica internacional iniciada em setembro passado.
Os dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que de janeiro a junho deste ano ocorreram 52 latrocínios (roubos seguidos de morte) em São Paulo, contra 29 em 2008 -diferença de 79,3%. No total do Estado, esse crime subiu de 126 casos para 172 -36,5%.
Os sequestros subiram 58,3% na capital. Foram 12 casos no primeiro semestre de 2008; agora houve 19.
Em “nota explicativa” divulgada ontem em seu site com os dados da violência, a secretaria afirma que “o aumento da criminalidade no Estado também foi notado nas crises [econômicas] de 98/99, 2001/2002 e 2003.” Segundo o texto, “quando o desemprego aumenta, o potencial de criminalidade tende a crescer; quando cai, esse potencial tende a declinar, porém de forma mais lenta”.
Nos seis meses analisados, no entanto, o aumento do desemprego na capital paulista foi inferior a um ponto percentual, aponta o relatório do Dieese.
Indicado pela Segurança Pública para falar sobre o aumento da violência, o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto, disse que não é possível apontar um motivo para o aumento dos crimes de latrocínio e sequestro na capital.
“Não consigo afirmar o que motivou o aumento dos crimes de latrocínio, por exemplo. Não sei se mais pessoas reagiram a um assalto ou se o ladrão matou a vítima por pura maldade”, disse Paulo Neto.
Dados sobre os esclarecimentos dos latrocínios e sequestros não foram fornecidos pela gestão do governador José Serra (PSDB).
Um dos latrocínios ainda sem solução, por exemplo, é o que vitimou José Francisco Fappi, 47. Gerente de uma multinacional de alimentos, ele foi morto dia 25 de maio num assalto na Aclimação (zona sul).
Anteontem, um pai morreu ao tentar salvar o filho de assalto, na rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo (ABC).

Homicídios e roubos
Enquanto capital e Grande São Paulo registraram queda nos homicídios dolosos (intencionais), de 0,1% e 8,8%, respectivamente, no interior, houve uma alta de 21,3%.
As regiões que puxaram esse aumento foram as de Santos, Ribeirão Preto e São José dos Campos. No comparativo, o Estado teve aumento de quase 6%. No interior, as regiões de Presidente Prudente e de Bauru tiveram queda nesse quesito.

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Não foi a crise que elevou a violência, dizem analistas

DA REPORTAGEM LOCAL

A crise econômica global não afeta o crime tão rapidamente como sugeriu o governo do Estado, afirmam estudiosos da violência. E o maior número de latrocínios, sustentam eles, não pode ser dissociado de crimes como roubo e tráfico de drogas.
Para o cientista social José dos Reis Santos Filho, do Núcleo de Estudos sobre Violência e Políticas Alternativas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), latrocínio e sequestro não são crimes normalmente praticados por pessoas que, “em razão de uma crise econômica ou do desemprego, por exemplo”, entraram há pouco tempo na criminalidade.
“A crise econômica não provoca de uma hora para outra o aumento da criminalidade como está acontecendo.”
“É preciso olhar como essa criminalidade está relacionada ao tráfico de drogas, com consumidores ou com as pessoas que estão no mercado das drogas”, continuou ele.
O sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), vê o crescimento dos latrocínios em São Paulo como consequência da alta de 19% nos roubos.
“O latrocínio é um roubo malsucedido. Temos de olhar para o roubo.” Tanto o cientista social Santos Filho quanto o sociólogo Cano concordam que o aumento dos casos de sequestro no Estado não está relacionada à crise econômica.
(AB e AC)

14/07/2009 - 13:18h O resultado de Kassab com a GCM é lamentável, constata editorial do AGORA

EDITORIAL AGORA

http://psolpinheiros.files.wordpress.com/2009/04/kassab.jpgSituação precária

As bases da GCM (Guarda Civil Metropolitana) deveriam servir de segurança para as regiões onde atuam, mas mal têm condições de dar um mínimo de segurança a quem trabalha nelas.

O Vigilante Agora mostrou ontem a situação em 15 bases nas regiões leste e sul e no centro da cidade. O resultado é lamentável. A prefeitura não fornece nem papel higiênico, e os GCMs têm que se virar para fazer vaquinhas e levar produtos de limpeza. E ainda têm que fazer a faxina.

Móveis e eletrodomésticos vêm de doações das comunidades. Alguns prédios estão detonados, com infiltrações e rachaduras. Mas o mais grave é que apenas 6 dessas 15 unidades têm vidros à prova de balas.

A lista de problemas ainda conta com a falta de carros nas bases. Se alguém precisa da GCM ou há ocorrências, os guardas têm que ligar para a central. Se o lance é telefonar, a base, ainda mais nessas condições precárias, perde um pouco do sentido.

A prefeitura e o Comando Geral da GCM afirmaram que está sendo feito um estudo sobre as bases. Qualquer que seja a conclusão, é preciso consertar a situação o quanto antes. Sem oferecer aos guardas condições mínimas de trabalho, como cobrar deles que deem segurança para a população?

13/07/2009 - 16:02h Nas bases da GCM, falta até papel higiênico

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Aline Mazzo e Guilherme Russo do Agora

As bases comunitárias da Guarda Civil Metropolitana, que deveriam ser uma segurança para bairros mais afastados e regiões populosas da capital, não oferecem condições mínimas de trabalho.

A situação é bem parecida nas 15 bases visitadas pelo Vigilante Agora, sendo 13 fixas e duas móveis. As instalações, mantidas pelo governo Gilberto Kassab (DEM), não garantem a integridade física dos guardas e têm problemas de infraestrutura, como rachadura e infiltração. Também não há espaços para alimentação e higiene e faltam equipamentos, como rádio e telefone.

Um dos piores lugares é a unidade São João Viccenzoto, em Aricanduva (zona leste de SP). A base fica embaixo de uma caixa-d’água. O prédio tem infiltrações e rachaduras, o piso está desgastado, assim como as paredes. Os móveis estão em péssimo estado.

Homens e mulheres dividem o mesmo banheiro minúsculo. Os vidros não são blindados nem escurecidos, e o mato ao lado da base dificulta a visão.

Móveis e eletrodomésticos são, em geral, doados pela comunidade ou comprados com a vaquinha feita pelos guardas. As cozinhas estão cheias de geladeiras, fogões e micro-ondas velhos e enferrujados.

Papel higiênico e material de limpeza não são dados pela prefeitura, dizem os guardas. “Além de fazer a faxina, também temos de trazer os produtos”, disse uma GCM, que pediu para não ser identificada. Na base do largo Sagrado Coração de Jesus, na Santa Cecília (centro), o botijão de gás é doado por uma paróquia. “Vivemos de sobras. Até folha de sulfite temos de pedir nas escolas onde fazemos ronda.”

As bases também não têm carro para chamados. Se alguém pede ajuda ou há ocorrência, os GCMs precisam avisar o comando, que enviará o veículo. “Me sinto uma garota de informações aqui. Não posso dar assistência porque não tenho como sair daqui”, disse uma guarda da zona leste.

Só seis unidades têm vidros à prova de balas, sendo que duas delas têm marcas de tiros, o que praticamente inutiliza a proteção.

 Leia também Kassab gasta com segurança privada o equivalente do investido na Guarda Metropolitana

06/07/2009 - 12:20h Kassab gasta com segurança privada o equivalente do investido na Guarda Metropolitana

O pretexto de Kassab, diz seu secretário, é “diminuir a sensação de insegurança”. O problema é que não é a sensação que deve diminuir e sim a insegurança, ou seja evitar e coibir a criminalidade, preservar o espaço público e os bens da cidade e dos cidadãos. Para isso, em vez da maquiagem que engana a sensação, se requer o investimento na Guarda, na sua formação e na sua atuação ampliada. O que deveria ser prioridade da ação pública é delegada à segurança privada. Acontece que os vigias acabam chamando a Guarda quando a coisa esquenta, só que os efetivos da Guarda são reduzidos. Hoje a Guarda tem a mesma quantidade de efetivos que no último ano da administração da Marta. LF

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Governo aumenta gastos com vigias

Em 2008, a Prefeitura gastou R$ 120 milhões com segurança, praticamente mesmo valor investido na GCM

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli – O Estado SP

A contratação de vigilantes para aumentar a sensação de segurança não virou exclusividade de condomínios de alto padrão de São Paulo. A Prefeitura também vem incrementando ano a ano o investimento em vigias desarmados, que operam em parques, escolas, unidades de saúde e prédios públicos. Só em 2008, o governo municipal gastou no mínimo R$ 120 milhões com empresas de segurança privada e patrimonial para ajudar em rondas e vigilância. É praticamente o mesmo valor destinado à Guarda Civil Metropolitana (GCM), que foi criada em 1986 pelo então prefeito Jânio Quadros para fazer justamente esse trabalho e cujo orçamento anual nos últimos anos não passou de R$ 170 milhões.

Há dois anos, esse gasto da Prefeitura com segurança particular foi de R$ 6,5 milhões, o que significa um aumento de 19 vezes. A Secretaria de Educação foi a que mais gastou no ano passado, R$ 60 milhões, seguida pela São Paulo Transportes, com R$ 28,8 milhões, pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, com R$ 21 milhões, pela Companhia de Engenharia de Tráfego, com R$ 13,2 milhões, pela Secretaria da Saúde, com R$ 2,3 milhões, pela São Paulo Turismo, com R$ 861 mil, e pela Secretaria de Cultura, com R$ 829 mil. Os dados estão no site De Olho nas Contas, da própria Prefeitura. Subprefeituras como a da Vila Guilherme, Cidade Ademar e Mooca também contrataram vigias desarmados para a segurança de prédios públicos.

Segundo o Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (Sindguardas-SP), o procedimento supostamente onera a municipalidade duas vezes, já que os vigias contratados pela Prefeitura acabariam, no fim das contas, ligando para a GCM quando alguma ocorrência acontece na cidade. “O mais correto seria usar essa verba para investir na própria GCM e aumentar o efetivo de guardas”, diz o presidente da entidade, Carlos Augusto Sousa Silva.

NOVO FOCO

O secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega, afirma que a contratação de segurança privada faz parte da estratégia da Prefeitura de diminuir a sensação de insegurança. Segundo ele, a prática é financeiramente proveitosa para a municipalidade, uma vez que o salário mensal do guarda civil custa R$ 2,5 mil por mês, e o vigia é supostamente contratado por cerca de R$ 800 mensais. “Temos 6,7 mil guardas civis, e outros 2 mil serão contratados até 2012″, diz. “Com isso, estamos fazendo uma revisão do foco da GCM, para saber onde a guarda vai poder contribuir no combate à criminalidade e vulnerabilidade. Tem lugar que é melhor colocar vigia e tem lugar que é melhor realmente ter um guarda civil.”

Para justificar a contratação de vigilantes terceirizados, o secretário Ortega cita ainda como exemplo os parques municipais. “Tem parque na periferia que quase não vai ninguém nos dias de semana, então não preciso ter guardas lá, com viatura e tudo mais”, diz. “Já no Ibirapuera, temos vigias e guardas. Com isso, podemos colocar mais guardas em escolas públicas, nas mais vulneráveis, ou para retirar ambulantes. Tudo depende do contexto e da situação.”

Empresas ”irmãs” ganham contratos na Prefeitura de SP

Vanguarda e Nacional, firmas de segurança, mantêm estreita relação comercial, o que pode ferir legislação

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli – O Estado SP

Duas empresas “irmãs”, ambas do ramo de vigilância e segurança patrimonial, concorreram juntas e venceram diversas licitações abertas nos últimos anos pela Prefeitura de São Paulo. As proprietárias da Vanguarda Segurança e Vigilância Ltda – Dilma Gonçalves Pacheco e Oliveira e Odiva Oliveira Sene – são irmãs de Maria Helena Gonçalves Pacheco e Oliveira, uma das sócias da Empresa Nacional de Segurança Ltda. O fato de donos de grupos distintos, que disputam um mesmo contrato, serem parentes não é ilegal. Mas outros quatro indícios reunidos pelo Estado sugerem que, além do aspecto familiar, as duas empresas manteriam também estreita relação comercial – o que configura fraude e fere a Lei de Defesa da Concorrência (nº 8.884/94).

A principal evidência da ligação entre elas surgiu no último dia 24, quando a reportagem telefonou para a Vanguarda e pediu para falar com o dono da empresa, sem mencionar o nome. Sem hesitar, a telefonista transferiu a chamada para a secretária de José Adir Loiola, sócio da Empresa Nacional, ao lado de Maria Helena e de Carlos Eduardo Brunello. Naquele instante, porém, Loiola concedia uma entrevista por celular a outro repórter do Estado, como presidente da Nacional.

O breve diálogo entre ele e a secretária foi gravado. Apesar do “flagrante”, Loiola negou qualquer vínculo comercial com a Vanguarda. “Ah, mas eu posso ter um ramal, tudo bem. Eu não gerencio, eu não opero a Vanguarda. Você não vai encontrar a minha gestão na Vanguarda. Deve ter havido algum equívoco. Sou sócio da Nacional e as irmãs da minha sócia são, sim, donas da Vanguarda. Mas não há nenhum impedimento nisso, já consultei advogados.”

No dia seguinte, o oposto ocorreu. A reportagem telefonou para a Empresa Nacional perguntando por Maria Helena. A secretária repassou o telefone da Vanguarda, “onde ela fica”, segundo as palavras da atendente.

As empresas também mantinham proximidade física. De acordo com a ficha cadastral delas na Junta Comercial de São Paulo, ambas instalaram suas matrizes em prédios vizinhos, no centro de São Caetano do Sul. A Vanguarda funcionou no número 129 da Rua Santo Antônio até 22 de janeiro do ano passado. A Empresa Nacional continua no local. Questionado sobre quais empresas ocupavam os imóveis, um vizinho afirmou se tratar de “uma coisa só”. “Funciona tudo junto, quem entra num prédio entra no outro. Imagino até que tenha alguma ligação lá por dentro”, disse.

Além disso, chama atenção o endereço declarado por Maria Helena no cadastro da Empresa Nacional – ela diz morar na Rua Conselheiro Carrão, 192, 5º andar. Entretanto, o prédio localizado na Bela Vista, região central da capital, é atualmente a nova sede da Vanguarda.

INVESTIGAÇÃO

A Secretaria de Direito Econômico (SDE), braço do Ministério da Justiça responsável pela defesa da concorrência, investiga desde o ano passado a atuação do Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo (Sesvesp), do qual Loiola é presidente. O procedimento foi instaurado depois de uma denúncia do próprio sindicato contra sete empresas que estariam praticando “preços predatórios”. A análise dos técnicos federais revelou que a Sesvesp tentava impor “conduta comercial uniforme” ao setor. Para a SDE, “há fortes indícios de que as práticas do Sesvesp possuem efeitos anticoncorrenciais significativos, os quais não encontram justificativa econômica plausível e, portanto, são passíveis de punição”.

A Empresa Nacional e a Vanguarda fazem parte de um rol de 12 grupos que detêm os maiores contratos de vigilância e segurança patrimonial com a Prefeitura. Só neste ano, conforme o site De Olho nas Contas, do Executivo municipal, a Empresa Nacional recebeu R$ 15,8 milhões por serviços prestados às secretarias da Saúde, Cultura, Educação, Esportes, Infraestrutura Urbana e Trabalho, além das subprefeituras da Capela do Socorro, Santo Amaro e São Mateus. À Vanguarda, cujos clientes são as secretarias da Saúde, Educação e Esportes e as subprefeituras do Campo Limpo e da Casa Verde/Cachoeirinha, foram pagos R$ 6,3 milhões.

CONCORRÊNCIA

O Estado levantou quase uma dezena de pregões, nos últimos três anos, em que as duas empresas concorreram juntas por contratos de órgãos públicos. Também já houve casos em que apenas elas disputavam os pregões – como na contratação de segurança patrimonial desarmada na Ceasa de São José do Rio Preto, em 2006.

Na ocasião, as propostas tinham valores muito próximos – a diferença entre o preço da Vanguarda (R$ 125.160) e o da Empresa Nacional (R$ 125.880) foi de apenas R$ 720. Embora tenha ofertado o menor lance do pregão (R$ 119.900), a Vanguarda acabou sendo desclassificada, pois seu preço ainda permanecia acima do praticado no mercado (o valor de referência era de R$ 103.161,60).

01/06/2009 - 09:01h Aprovação do governo Serra é de 56%, segundo o Datafolha

A pesquisa Datafolha de avaliação do governo Lula, publicada na Folha ontem, e seu complemento hoje, sobre o governo estadual de José Serra, mostra uma consolidação na avaliação positiva tanto do governo federal, como do governo estadual (bem que em patamares diferentes).

Aparentemente, continua prevalecendo o clima existente durante as eleições municipais do ano passado, favorável a releição dos titulares dos cargos por conta da boa avaliação geral da situação econômica, com o aumento do consumo e do emprego. O que significa que o impacto da crise externa é sentido como uma marolinha e não afeta a avaliação dos governos que são percebidos como agindo para combater os efeitos da crise.

Chama a atenção, no caso de Serra, a boa avaliação sobre a educação estadual, onde o desempenho ruim do governo tucano levou a mudanças de responsáveis. Mesmo com resultados péssimos, conflitos com os professores e escândalos com os livros didáticos, a avaliação é boa. Já a da segurança é muito mal avaliada, apesar da blindagem da mídia que apresenta o setor como tendo obtido resultados magníficos.

O que parece prevalecer na ótica do pesquisado é sua opção política geral, a que o levou a votar no atual titular do cargo, na medida em que em linha gerais seus resultados não apareçam em completa dissonância com as motivações do voto. Isto no contexto do indicado acima, sobre a situação geral da economia que mantem uma alto grau de avaliação positiva.

Como estamos bem longe das eleições de 2010 é difícil avaliar hoje qual será a evolução em termos eleitorais, onde intervêm também outros fatores. Mantido o “clima” prevalecente nas eleições municipais do ano retrasado e presente nas pesquisas recentes, a releição dos atuais detentores dos cargos majoritários, ou de candidatos muito identificados com eles, encontrará um terreno favorável. Isto é válido para Dilma Roussef no caso de Lula e o PT. É também válido no caso de José Serra, para ele mesmo caso quera concorrer à releição, ou para um candidato “seu”, como Alckmin, Aloysio Nunes ou… Kassab. LF

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GESTÃO TUCANA: O secretário Geraldo Alckmin e José Serra visitam obras em São Paulo; o governador foi avaliado como ótimo ou bom por 56% dos entrevistados pelo Datafolha

 

Aprovação dos paulistas a Serra atinge 56%

As áreas mais bem avaliadas do governo de São Paulo, segundo pesquisa Datafolha, são cultura, esporte e educação

Índice dos que consideram ruim ou péssima a gestão tucana oscilou de 11% para 9%; nota média dada ao governador tucano é 6,7

DA REPORTAGEM LOCAL

Com dois anos e cinco meses à frente do Palácio dos Bandeirantes, o governador José Serra (PSDB) é aprovado por 56% dos paulistas, revela a mais recente pesquisa Datafolha . A taxa dos que consideram a gestão do tucano ótima ou boa oscilou positivamente três pontos percentuais desde março (data do levantamento anterior), quando era de 53%.
O índice dos que avaliam como regular o atual governo permaneceu estabilizado em 33% e dos que reprovam a gestão oscilou negativamente dois pontos – 11% para 9%.
Em uma escala de zero a dez, Serra alcança entre os entrevistados pelo instituto a nota média 6,7, praticamente a mesma auferida em março, 6,6.
O Datafolha ouviu 2.058 moradores do Estado com16 anos ou mais entre os dias 26 e 28 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em março de 2007, após três meses à frente do Estado, Serra recebeu dos paulistas 39% de ótimo/bom, 37% de regular e 16%de ruim/péssimo.
Após 11 meses de gestão, em novembro de 2007, o índice de ótimo/bom chegou a 49%, o de regular a 35% e o de ruim/péssimo recuou para 12% em relação a março daquele ano.

Áreas
O Datafolha pesquisou a satisfação dos paulistas com o governo em 11 áreas. Os índices mais desfavoráveis ao tucano estão na segurança pública, setor no qual 43% dos entrevistados desaprovam a gestão.
Em seguida, vem o combate à corrupção. Nesse quesito, 37% das pessoas ouvidas na pesquisa avaliam que a gestão Serra está ruim ou péssima, outros 37% a consideram regular, e 25%, que ela vai bem.
De acordo com os entrevistados, os melhores desempenhos de Serra, estão na cultura, 47% de ótimo/bom, no esporte, 46%, e na educação, 44%. Nesta última área, Serra tem se empenhado pessoalmente, com visitas regulares a escolas, onde ele próprio ministra aulas e conversa com professores.
Em relação à saúde, o índice dos que consideram o desempenho do tucano ótimo/bom está em 39%, mas 32% avaliam sua atuação como regular, com 26%de ruim/péssimo.
Outro ponto estratégico para os paulistas, o setor dos transportes, apresenta índices preocupantes para o governador: 34% de ótimo/bom, porém 30%de ruim/péssimo.
(JOSÉ ALBERTO BOMBIG)

31/05/2009 - 12:40h Serraluf na segurança: a receita que dá voto em São Paulo

Pouco importa se os latrocino estão em alta ou se cada dois dias um condomínio é assaltado na cidade.

O que conta é mais o que faz de conta. No caso fazer de conta que o governo estadual aplica a mão de ferro contra a bandidagem.

Pensando bem, é até necessário que o clima de insegurança e de violência persista e se espalhe, pois permite que o faz de conta tenha maior impacto eleitoral (depois é só manipular B.O. e alinhavar estadísticas para mostrar eficiência).

Pouco importa se os pobres são aterrorizados, pelo faz de conta da segurança, é o que parece pensar uma parte da classe média abastada da cidade.

Pouco importa lei, justiça, direitos para fazer prevalecer… o faz de conta.

Assim age o PSDB em matéria de segurança. Como trogloditas a serviço de sua própria propaganda.

A mão de ferro contra a criminalidade é necessária sim.

A repressão e a luta ao crime organizado deve ser prioridade, sim.

Aterrorizar a população indefesa para fazer de conta que o governo estadual age contra a delinquência é o recurso patético dos incompetentes. LF

http://www.rc.unesp.br/igce/planejamento/gpapt/paraisopolis.jpg

Aterrorizar a esquerda (Paraisópolis) para vender o faz de conta a direita (Morumbi).

82 dias de medo em Paraisópolis

Moradores denunciam violência da PM l Barracos foram invadidos sem mandados judiciais l Trabalhadores, crianças e idosos relatam sessões de tortura l Comando da PM nega abusos e agressões na favela

Bruno Paes Manso – O Estado SP

Os números oficiais da Operação Saturação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, são chocantes. De acordo com a Prefeitura, moram 60 mil pessoas no bairro. Durante pouco menos de três meses de operação, entre 4 de fevereiro e 26 de abril, 400 policiais em 100 viaturas e um helicóptero, com 20 cavalos e 4 cachorros, aplicaram 51.994 revistas a moradores do bairro.

A operação teve início depois dos tumultos provocados por algumas dezenas de moradores, em 2 de fevereiro, que deixaram três PMs baleados. Entre os agitadores havia integrantes do tráfico de drogas local. Como resposta, nos dias que se seguiram ao quebra-quebra, parte da tropa deixou rastros de abusos e violência. “Durante a ocupação, tentativas de desestabilização das forças de segurança foram levadas a efeito por parte de pessoas que se sentiam incomodadas com a presença da polícia”, defende o capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM. Segundo ele, não há provas de abusos e agressões.

Na semana passada, o Estado esteve em Paraisópolis. Ouviu dezenas de histórias chocantes, em diferentes pontos do bairro. Testemunhos semelhantes já foram ouvidos por entidades como Associação dos Juízes pela Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e Associação Paulista dos Defensores Públicos.

De acordo com a polícia, no balanço da operação constaram 93 flagrantes, captura de 61 procurados, 31 armas e 9,9 kg de cocaína apreendidos. Mas o saldo final vai além: sobrou raiva, humilhação, revolta, indignação que ninguém ainda é capaz de dizer o que isso de fato pode significar para a cidade. Seguem os testemunhos de moradores colhidos pelo Estado:

EM DEFESA DOS FILHOS

Auxiliar administrativa em uma empresa de telefonia, Gisele Cristina dos Santos, de 28 anos, teve o barraco invadido seis vezes pela polícia. Em nenhuma delas havia autorização judicial. Na primeira, um domingo de manhã, ela, marido e seis filhos, crianças de 1 a 12 anos, estavam em casa. O marido esticava um novo varal e chamou a atenção dos policiais por causa de uma tatuagem. Perguntaram se ele tinha “passagem”. Ele informou que estava sob condicional, mas não devia na Justiça. Os policiais chutaram o portão e invadiram o quintal perguntando por drogas. Em seguida, entraram na casa e rasgaram o sofá. O pai apanhou na frente dos filhos. Em outras duas vezes, policiais entraram quando só havia crianças em casa. Falaram para a mais velha que o pai havia pedido a eles que buscassem o revólver. “Onde está a arma?”, perguntavam os policiais. “Meu pai não rouba”, a criança respondeu. A casa também foi invadida quando não havia ninguém. Dois baldes de água com latas de leite que ela recebeu do programa da Prefeitura, misturadas com detergente e pó de café, foram espalhados pelo chão e paredes. Gisele teve seu MP5 furtado. Depois das seguidas sessões de abuso, ela fundou o movimento “Paraisópolis Exige Respeito!”, com um blog na internet. Perguntada se o nome dela podia aparecer no jornal, Gisele foi categórica: “Coloque em negrito, com letras maiúsculas.”

CHAMADA ORAL DA BÍBLIA

Nos cálculos da aposentada Maria Alves da Rocha, de 59 anos, policiais invadiram a casa onde ela mora com a neta de 17 anos e dois filhos por cerca de 15 vezes. Nunca apresentaram mandado. Na primeira invasão, eles entraram com um pontapé na porta. Os vizinhos avisaram ao filho, que é pedreiro e trabalhava na vizinhança, que chegou em instantes e sugeriu para a mãe que deixasse a polícia trabalhar. “Quem não deve não teme”, disse. A polícia depois não se cansou de voltar. Bagunçavam o guarda-roupa, xingavam e humilhavam os que estavam em casa. Dona Maria contou aos policiais que era evangélica. Um deles solicitou uma Bíblia para perguntar o que estava escrito em dado versículo do Evangelho de João. “Sou analfabeta, mas entendo a palavra dos pastores e consegui responder”, diz Maria. O pé de capim-santo que ela cultivava no quintal para fazer chá foi arrancado pelos policiais, para checarem se não era droga.

É PROIBIDO CHORAR

Quando viu o movimento de policiais na viela em que mora, Antonio, de 13 anos, entrou em casa correndo. Os policiais o seguiram. Na porta do barraco, um anúncio escrito a giz pela mãe oferece: “Fais chapinha.” Dentro de casa, Antonio teve a arma apontada para cabeça. “Por que estava correndo? Onde é a boca?”, perguntava um deles, enquanto o estapeava. Outro policial revistava a casa. Antônio, que aparenta 10 anos, estava sozinho com o irmão, de 9. Os dois choravam muito. “Cala a boca vacilão. Vamos levar você para um quartinho escuro na Febem”, ameaçava o policial. Com os braços cruzados, esfregando os ombros, Antonio explica que ficou ainda mais assustado porque há alguns anos teve um tio assassinado por policiais. Os vizinhos, do lado de fora, viam tudo sem poder intervir porque temiam apanhar.

ESPINGARDA DE BRINQUEDO

Agnaldo Jesus Viana teve o sobrado em que mora, em cima do bar de sua propriedade, invadido quatro vezes. Os policiais cismaram com o jogo eletrônico que ficava na frente do estabelecimento e tinha uma espingarda a laser como acessório. Perguntaram para ele onde estavam as armas e quem fazia o tráfico na favela. Ele respondeu que “não mexia com isso”. A arma do videogame foi quebrada pelos policiais. A mulher de Agnaldo, nervosa, para tentar intimidar, disse que as câmeras que ficam dentro do bar estavam gravando os abusos. Eles obrigaram o casal a retirar o material do vídeo e entregar a eles. As visitas se repetiram. Agnaldo conta que a câmera digital e o notebook do vizinho foram roubados.

QUEM APANHA É A MÃE

Solange conta que estava bêbada no dia em que apanhou da polícia. Foi reprimida depois de chegar chorando e pedindo para não baterem no filho, que estava sendo revistado. Eles se irritaram com a cena e pediram a ela que os levasse em casa para ver se não havia drogas. O filho foi junto, sob tapas e socos. Na confusão, ela acabou levando uma cabeçada do filho agredido pelos policiais. Ficou com o olho roxo. “Hoje eu só sinto ódio”, diz o filho de Solange.

COMPENSADO DE MADEIRA

O ajudante geral Luiz Claudio Carlos, de 23 anos, estava na viela perto de casa sem documentos quando foi abordado por três policiais. Sem poder provar quem era, foi esculachado. Os policiais pegaram um compensado de madeira, jogaram em cima dele e começaram a pular em cima. Perguntavam sobre drogas e davam tapas no seu rosto. A alguns metros de distância, um menino jogava bolinhas de gude. Uma delas desceu em direção ao local onde ocorria a sessão de tortura. O policial perguntou o que menino queria e começou a estapeá-lo. O garoto apanhou sem dizer nada. Quando foi liberado, disse ao policial: “Muito obrigado.” O soldado ficou irritado e voltou a agredir o menino.

RODÍZIO PARA BATER

Sílvio de Moraes Pereira, de 21 anos, quer ser tatuador. Tem piercings, sobrancelhas cortadas e tatuagens. Fez estágio na Galeria do Rock. Andava pela viela às 8 horas da manhã quando foi abordado e obrigado a tirar a roupa e ficar de cueca. Sentou em cima da mão e o acusaram de trabalhar no tráfico. Ele negou a ligação. Os seis homens perguntaram se ele teria coragem de levá-los à sua casa. Pereira topou. Jogaram o jovem em cima da cama e ele apanhou em rodízio: um dava socos na cara, outros nos rins e todos chutaram ao mesmo tempo com coturnos de bico de ferro, quando ele caiu no chão. Com medo de novas represálias, acabou se mudando.

CABEÇA DE MENINO

José Maria Lacerda, de 54 anos, coordenador da União de Defesa dos Moradores, revoltou-se com a prisão de William, que é deficiente mental. “Tem corpo de homem, mas cabeça de menino”, explica . Em um sábado de março, policiais viram a porta da casa do jovem aberta e a invadiram, enquanto William dormia. Ele apanhou, tomou um soco na boca e foi levado como traficante e até hoje se encontra preso no CDP de Osasco. Lacerda decidiu brigar em defesa do rapaz, que trabalhava como ajudante de carretos. Pediu ao amigo e advogado Gilberto Tejo Figueiredo, que atua na associação em processos imobiliários de usucapião, para defender William. “As testemunhas sempre são apenas os policiais que efetuam a prisão. Nunca levam os moradores que presenciaram a cena. É uma covardia”, diz Figueiredo. Mineiro, há tempos na luta por moradias, Lacerda é daqueles que preferem evitar conversas sobre crime, como se não fosse assunto de pessoa correta. Mas observa que os moradores de Paraisópolis estão sendo estigmatizados e ganharam na cidade a pecha de ladrões. “Para conseguir emprego precisamos evitar dizer o nome do bairro em que moramos”, diz.

OUTROS OLHOS PARA O MUNDO

Extrovertida, vaidosa, unhas pintadas de vermelho, a cabeleireira Aurenice Soares dos Santos sempre gostou de policiais. Na última eleição, fez campanha para Gilberto Kassab. “O Kassab é um homem lindo!”, diz. Passou a enxergar o mundo com outros olhos em uma manhã de março. Na viela onde mora, quatro casas foram invadidas. O marido estava no andar de cima do sobrado, com a máquina de lavar ligada. Um grupo de 11 policiais chegou ordenando que ela abrisse a casa. Nervosa, disse que não conseguia encontrar a chave. Os policiais quebraram a janelinha da porta, colocaram a cabeça para dentro e tentaram forçar a entrada. Aurenice aguardou calada. Os policiais desistiram quando parte do grupo começou a entrar na casa de baixo. No vizinho, a polícia abriu a janela com um soco, assustando as duas irmãs de 16 e 17 anos que estavam de pijama e acordaram com o barulho. Ela ouviu o choro do outro irmão, de 3 anos, com deficiência nas pernas. Viu o filho da vizinha ser humilhado e obrigado a se sentar em cima de uma poça d?água. Enquanto a operação durou, Aurenice evitou sair de casa. Permanece em depressão e toma diazepam, clonazepan, Tofranil e Diurex.

IZAQUE CIRIACO MARTINS

Izaque Ciriaco Martins, de 26 anos, trabalha como copeiro em uma churrascaria do Morumbi e chega todo dia em casa após a 1 hora da manhã. Cansou de ser revistado nas operações da polícia. Foram pelo menos cinco vezes em que era tratado como bandido por viver em Paraisópolis. Em certas madrugadas, teve de dar longas caminhadas a pé para chegar em casa porque o caminho mais curto estava bloqueado pela polícia.

A POSIÇÃO DA POLÍCIA

O capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM diz: “A presença de criminosos na comunidade exigiu uma pronta ação, que culminou na estratégia de ocupação, objetivando criar um clima de segurança às pessoas de bem. E foi o que efetivamente ocorreu! Duas denúncias chegaram a ser feitas formalmente.” E completa: “Restou provado que não houve abuso ou agressão.”

03/03/2009 - 13:06h São Paulo registra um arrastão a prédio a cada 15 dias

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SP insegura: aumentaram os arrastões e os homicídios com roubo

Diário de S.Paulo – Portal O Globo

SÃO PAULO – A capital paulista tem registrado, em 2009, um arrastão a condomínio a cada 15 dias. Em 60 dias, foram cinco assaltos a edifícios de luxo, e uma tentativa de roubo. Em todo o ano de 2008, a polícia registrou sete crimes desse tipo. As quadrilhas agiram em bairros localizados em quase todas as regiões de São Paulo, exceto a Zona Leste. Nesta segunda-feira, foi registrado o sexto caso do ano, em Perdizes. Mais de 30 moradores foram mantidos reféns. Uma clínica de beleza no bairro da Aclimação também foi alvo de arrastão e uma cliente ficou ferida.

No dia 8 de janeiro, pelo menos sete homens armados invadiram um edifício residencial na Lapa, Zona Oeste da capital, e roubaram oito apartamentos. O grupo roubou ao menos R$ 27 mil, joias, computadores, cartões de crédito, documentos além do carro da síndica.

No dia 10 de janeiro, 10 criminosos roubaram nove apartamentos do Edifício Tulipa, na região dos Jardins, Zona Oeste de São Paulo. O porteiro foi rendido por dois dos assaltantes armados quando foi verificar o sistema de alarme, que tinha disparado. Nem o porteiro nem a empresa de segurança chamaram a polícia. Os bandidos dominaram moradores e roubaram dinheiro, joias, celulares e até carro. A ação foi filmada pelo circuito interno de tevê.

No dia 11 de janeiro, durante a madrugada, 30 assaltantes de uma quadrilha fizeram arrastão no luxuoso condomínio Itatinga, no bairro Pedra Branca, Zona Norte de São Paulo. Os bandidos levaram TVs de plasma, notebooks, videogames, dinheiro, carros e joias. Dias depois, a polícia prendeu 11 suspeitos de integrar a quadrilha. Cinco foram capturados por força de mandado judicial. Três foram autuados em flagrante por estarem na posse de objetos roubados. Outros três acusados foram levados à delegacia para averiguação e foram reconhecidos pelas vítimas. O bando que assaltou o condomínio chamava a atenção pelo armamento utilizado. Fuzis, metralhadoras e pistolas. Um dos homens presos pela polícia era Marcelo Severo Alves, o Tio Chico, de 25 anos, suspeito de integrar o PCC.

No dia 21 de fevereiro, quatro ladrões aproveitaram quando um morador de um prédio em Higienópolis, Centro, saiu para passear com os cachorros e renderam o vigia. Roubaram quatro apartamentos.