02/02/2009 - 15:59h Antídoto ao amor pode prevenir paixão cega

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John Tierney – The New York Times – FOLHA SP

Ensaio

Numa edição recente da revista “Nature”, o neurocientista Larry Young propõe uma grande teoria unificada do amor. Depois de analisar a química cerebral da formação de vínculos entre casais de mamíferos, Young prevê que em breve um pretendente inescrupuloso poderá colocar uma poção de amor farmacêutica no drinque da pessoa cortejada.

Mas também pode ser que surja um antídoto ao amor —uma vacina que impeça você de ficar cego de paixão e agir como idiota.

É o que os humanos procuram desde que Ulisses mandou os tripulantes de seu navio amarrarem-no ao mastro quando o barco passou pelas sereias da mitologia grega. Estava claro que o amor era uma doença perigosa.

Larry Young fez pesquisas com ratos-calunga na Universidade Emory, em Atlanta. Esses bichinhos semelhantes a camundongos fazem parte de uma pequena minoria dos mamíferos —menos de 5%— que compartilham a propensão humana pela monogamia. Quando o cérebro de uma rata-calunga recebe uma infusão artificial de oxitocina (hormônio que produz algumas das mesmas recompensas neurais que a nicotina e a cocaína), ela rapidamente forma vínculos com o primeiro macho que estiver por perto. Um hormônio relacionado, a vasopressina, quando injetado em ratos-calunga machos (ou quando ativado naturalmente pela atividade sexual), cria desejos de formação de vínculos e ninhos.

Depois de Young ter descoberto que os ratos-calunga machos com reação geneticamente limitada à vasopressina tinham menos probabilidade de encontrar parceiras, pesquisadores suecos relataram que homens dotados de tendência genética semelhante têm menos tendência a se casar. Young especula que o amor humano pode ser desencadeado por uma “cadeia de eventos bioquímicos” que evoluiu de vínculos entre mãe e filho, formação essa estimulada nos mamíferos pela liberação de oxitocina durante o trabalho de parto e a amamentação.

Young observou que as preliminares e as relações sexuais estimulam as mesmas regiões do corpo das mulheres que as envolvidas no dar à luz e na amamentação. Essa hipótese hormonal ajudaria a explicar algumas diferenças entre os humanos e os mamíferos menos monógamos: o desejo feminino de fazer sexo mesmo quando fora de seu período fértil e o fascínio erótico masculino com os seios. Sexo mais frequente e mais atenção aos seios, disse Young, ajudariam a construir vínculos de longo prazo.

Pesquisadores obtiveram resultados semelhantes borrifando oxitocina nas narinas de pessoas, que parece intensificar sentimentos de confiança e empatia. Young disse que pode haver drogas que aumentem o desejo das pessoas de se apaixonarem.

Mas uma vacina que possa impedir as pessoas de ficarem cegas de paixão parece mais simples. “Um bloqueador de oxitocina faz com que as ratas-calunga passem a agir como 95% dos mamíferos: não formam vínculos. Elas acasalam e, se outro macho aparece, a fila anda. Se o amor tem base bioquímica semelhante, então, teoricamente, devemos ser capazes de suprimi-lo de modo semelhante”, disse Young.

16/09/2008 - 17:11h Vacina contra câncer de mama mostra eficácia

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Aguardando o progresso da ciência, campanhas de prevenção, diagnostico e tratamento

 

Pesquisa em animais apresentou um bom resultado em tumor agressivo e resistente

O Globo

WASHINGTON. Cientistas da Wayne State University, nos EUA, testaram com sucesso em camundongos a vacina contra um câncer de mama que responde por 20% a 30% dos casos.
Ele é causado pelo excesso da proteína HER2, o receptor para fator humano de crescimento epidérmico. O estudo, publicada na “Cancer Research”, revela que a substância é eficaz também na prevenção.
Os receptores HER2 estimulam o crescimento normal de células e se encontram em baixas quantidades. Porém, elas podem ter muito mais receptores, gerando um tumor agressivo. A vacina contêm genes que produzem o receptor HER2 e um composto que ativa o sistema imune.
A equipe aplicou pulsos elétricos para injetar a vacina em músculos das patas. A droga produziu grande quantidade de receptores HER2, que levaram à reação no sistema imune contra o sinal de câncer.
Em condições normais, em baixas quantidades, esta proteína passa despercebida no sistema imunológico. Para aumentar a reação natural do animal contra o tumor, pesquisadores usaram um agente supressor de atividade das células T reguladoras.
Elas impedem que a defesa responda em excesso. Na ausência dessas células, houve melhor resposta à vacina.
Quando os cientistas introduziram o HER2 nos tumores dos animais, o câncer foi erradicado, sem efeito adverso. Há drogas para tratar este tipo de câncer, mas pacientes desenvolvem resistência.

— A vacina é produzida nas próprias células — disse WeiZen Wei, que dirigiu o estudo.
O câncer de mama é a principal causa de morte por tumores entre as mulheres. No Brasil, estima-se em 49.400 o número de casos novos este ano, segundo o INCa.

— É um dado pré-clínico encorajador.
Porém, quando se lida com vacinas, boa parte do que funciona em animal não tem efeito em humanos. Temos que aguardar — disse Carlos Gil, chefe da Pesquisa Clínica do INCa.