05/02/2009 - 15:24h Em condições de igualdade com Serra

Maria Inês Nassif – VALOR

A oposição pode estar cometendo um erro fatal ao superestimar as chances de vitória do PSDB nas eleições presidenciais de 2010. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um fenômeno de popularidade na história recente do país e esse é um dado novo que, se não elege automaticamente a ministra Dilma Rousseff – a mais que provável candidata do PT de Lula -, dá a ela condições de disputar em igualdade de condições com o candidato favorito, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Os 13,5% que ela exibe na mesma pesquisa CNT/Sensus divulgada na última terça-feira já são produto da transferência de popularidade do presidente para a sua candidatura. A ministra, afinal, nunca disputou uma eleição e não tem o “recall” de Serra, que foi candidato a presidente em 2002 e por isso é conhecido nacionalmente. Se ela passou dos dois dígitos, é porque está sendo identificada como a candidata de um presidente campeão de votos e como a possibilidade de continuidade de um governo que tem aprovação de 72,5% (este também é o momento em que a popularidade do presidente e do governo mais se aproximam. Os dois índices já foram esquizofrenicamente estanques: Lula sempre foi bem mais popular que seu governo).

Dilma já polariza com Serra. Sinal disso é que, da última pesquisa, de dezembro, para esta, coletada em janeiro, as intenções de voto em Dilma subiram quase na mesma proporção que a queda nos índices do tucano. A ministra ganhou 3,1 pontos percentuais e o governador perdeu 3,7 pontos. É certo, ele neste momento é o favorito, com seus 42,8% das intenções de voto, mas isso não o torna seguramente o eleito. Ainda vai rolar muita água debaixo da ponte.

Disputar com o apoio de um presidente tão popular é algo inédito na história recente e não existem parâmetros para avaliar qual a tendência do eleitor que aprova Lula e seu governo. O primeiro presidente pós-redemocratização foi José Sarney, que saiu do governo no turbilhão de uma hiperinflação. Não elegeria síndico de prédio. O candidado de seu partido, o PMDB, o deputado Ulysses Guimarães, não conseguiu sair de um dígito; o mesmo ocorreu com Mário Covas, o candidato do PSDB, partido recém-saído da costela do PMDB. Foi eleito Fernando Collor, o candidato que fez o discurso oposicionista mais violento e mais aproximado da classe média descontente, mas temerosa de perder o status quo no caso de vitória de Lula, que foi o candidato de esquerda no segundo turno.

Collor sofreu o impeachment em 1991 e assumiu o resto de seu mandato o vice Itamar Franco, que era popular quando saiu do governo por causa do Plano Real mas não participou ativamente da eleição, nem tinha grande carisma, sequer a enorme popularidade que hoje tem Lula. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito como o candidato de situação, mas deve sua eleição mais ao sucesso do Plano Real, do qual assumiu a paternidade como ministro da Fazenda de Itamar, do que à ajuda do presidente da República que teoricamente o apoiava, mas não participou ativamente da sua campanha.

Em 1998, Fernando Henrique foi o primeiro presidente a ser reeleito na história do Brasil, beneficiário que foi da emenda da reeleição, aprovada no ano anterior. Em dezembro daquele ano, recém-saído das urnas, tinha um índice de aprovação, pela mesma CNT/Sensus, de 32%. Foi o máximo a que chegou. Essa popularidade garantiu sua reeleição, mas dificilmente um índice nesse patamar seria suficiente para credenciá-lo a transferir um voto que seria seu para outra pessoa. Em 2002, já com a popularidade abaixo dos 30%, não conseguiu acrescentar votos à candidatura de seu candidato, José Serra, que perdeu para Lula.

Lula manteve seus índices de aprovação ascendentes ao longo do governo, exceto pelo período em que foi afetado pelo escândalo do mensalão. Nessa última pesquisa, chama atenção não apenas os inacreditáveis 84% de aprovação no âmbito nacional, mas os mais inacreditáveis ainda 90,8% de aprovação no Nordeste, uma das regiões mais beneficiadas com os programas de transferência de renda de seu governo. Isso quer dizer que a quase totalidade da população nordestina aprova o presidente. Essa é uma região mais propensa à transferência de votos, quer por ter tradicionalmente uma tendência governista, que pelo fato de o PT e dos partidos que apoiam o governo lá terem expandido sua influência nesses seis anos de governo petista. Segundo a pesquisa CNT/Sensus, Dilma já tem 21,8% das preferências dos nordestinos. Na região Sul, onde Lula sempre manteve popularidade mais baixa, Serra atinge sua maior popularidade – 57,4% das intenções de votos. O tucano é forte no Sudeste, que tem 43% do eleitorado total, mas a região parece mais sujeita a uma reversão de tendência do que o Sul, que teve no governo Lula uma tendência marcadamente antipetista. Nas eleições de 2006, o então candidato tucano, Geraldo Alckmin, venceu no primeiro e perdeu no segundo turno no Sudeste. O Nordeste tem 26% do eleitorado brasileiro e capacidade para desestabilizar uma candidatura de Serra. O Sul ajuda, mas tem apenas 15% do total de votos nacionais. Na lanterna de eleitores estão o Norte (7%) e o Sudeste (7%).

Em 2005, animados com os efeitos do escândalo do mensalão sobre a popularidade do presidente, os partidos de oposição chegaram a sugerir que Lula renunciasse a disputar o segundo mandato. Deram o presidente como morto. A recuperação de Lula foi rápida e notável, com a ajuda da oposição, que não percebeu o peso que teria na disputa eleitoral a população de baixa renda, beneficiada pelos programas sociais. Confiou que a classe média, mais sensível a escândalos políticos, seria a grande formadora de opinião contra o governo. Em 2010, corre o risco de entrar na campanha apostando que a tradição política no Brasil recente é a de que presidente não transfere voto para candidato. Pode estar cometendo um erro igualmente grande.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

03/02/2009 - 13:32h Popularidade de Lula bate recorde. Dilma cresce e Serra e Aécio caem

Pesquisa

Aprovação a Lula bate novo recorde e chega a 84%, diz CNT/Sensus

Rodrigo Vizeu – O Globo

BRASÍLIA – Em meio à crise financeira internacional, a aprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para 84% e bateu novo recorde em janeiro, segundo pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Na pesquisa anterior , realizada em dezembro, o índice de aprovação ao presidente era de 80,3%. No mesmo período, o índice de desaprovação caiu de 15,2% para 12,2%.


De acordo com a pesquisa, a avaliação positiva do governo também bateu mais um recorde, chegando a 72,5% em janeiro. O índice de “ótimo ou bom” supera os 71,1%, registrados em dezembro. A avaliação regular oscilou de 21,6% para 21,7% em janeiro, enquanto a negativa (”ruim ou péssima”) caiu de 6,4% para 5%.

Em queda, Serra e Aécio mantêm liderança para 2010. Dilma cresceO levantamento mostra ainda que tanto o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), quanto o de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), sofreram queda nas intenções de voto para as eleições presidenciais de 2010 . Por outro lado, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida do presidente Lula para a sucessão pelo PT, teve crescimento na pesquisa.

Pode ter sido causado por divergências internas dentro do PSDB, elas não favorecem o partido


O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes aponta as divergências internas no PSDB para definir o candidato de 2010 como uma das razões para a piora do desempenho dos governadores:

- Pode ter sido causado por divergências internas dentro do PSDB, elas não favorecem o partido – disse Guedes.

População espera aumento de renda e emprego, apesar da crise

Diante da crise financeira, mais da metade da população acredita que o emprego e a renda vão melhorar nos próximos seis meses. Segundo a pesquisa, 51,1% dos entrevistados afirmaram em janeiro que o emprego vai melhorar, índice superior ao divulgado em dezembro, quando 47,3% diziam o mesmo. Outros 21,7% afirmaram que o emprego vai continuar igual, contra 20,3% que preveem piora.

O presidente Lula é a âncora da esperança. O povo acredita em Lula e nas medidas do governo contra a crise


Quanto à renda, 51,7% acham que ela vai melhorar nos próximos seis meses, contra 31,4% que não preveem mudança e 11,1% que apostam em redução. O pesquisador Ricardo Guedes associa a esperança da população à alta popularidade do presidente Lula:

- O presidente Lula é a âncora da esperança. O povo acredita em Lula e nas medidas do governo contra a crise. O cidadão percebe o desemprego, mas acredita que as medidas anunciadas por Lula vão funcionar – afirmou o analista.

O presidente da CNT, Clésio Andrade, faz, no entanto, um alerta:

- Mas isso não se sustenta se a crise continuar. Não tem como sustentar essa popularidade em cima de uma crise.

Mais de 70% acham que Obama será bom para o Brasil e para o mundo

O levantamento mostrou que 76,6% da população brasileira considera o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, positivo para o mundo, enquanto 72,8% o consideram bom para o Brasil. De acordo com a pesquisa, 56,4% dos entrevistados afirmam que o democrata vai resolver os problemas políticos dos EUA, enquanto 24,5% afirmam que talvez ela resolva, contra 6,6% que acham que ele não o fará.

O otimismo se mantém quanto à economia americana: 56,4% dos entrevistados acham que Obama vai resolver a crise financeira do país, contra 26,9% que consideram que talvez ele resolva e 5,5% que descartam a possibilidade. O levantamento mostrou que 79,8% da população brasileira viu pela imprensa, pelo menos em parte, a posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, contra 18,4% que não o fizeram.

Para 71,4%, violência e criminalidade estão fora do controle

A pesquisa mostrou também que o percentual da população que acha que a violência e a criminalidade no país estão fora do controle caiu, mas continua sendo majoritário: 71,4% dos entrevistados acham que a situação foge do controle, contra 76,1% do registrado em junho de 2007, última vez que o questionamento foi feito. Outros 23,2% consideram que a violência e o crime estão razoavelmente controlados, contra 18,7% em 2007. Apenas 4% acham que eles estão bastante controlados. Há um ano e meio, 3,7% diziam o mesmo.

Entre as formas de violência consideradas mais ameaçadoras, 37,3% citam o tráfico de drogas, seguido de 31,7% que lembram de assalto em casa ou na rua. Em seguida aparecem estupro (10,2%), briga em locais públicos (8%) e violência na família (5,9%).

População culpa madeireiras por desmatamento da Amazônia

A pesquisa mostrou ainda que quase metade da população – 49,9% – tem acompanhado o desmatamento da Amazônia, contra 38,9% que apenas ouviram falar e 8,9% que nem têm acompanhado nem ouviram falar. Os entrevistados culparam as madeireiras como principal responsável pelo problema, com 40%, das citações. Em seguida aparecem o governo brasileiro (16,7%), as empresas estabelecidas na região (10,8%), os governantes e políticos locais (10,8%) e a população local (8,3%). Por último aparecem as ONGs (1,4%), os índios (1,5%) e os países estrangeiros (2,5%).

Para 27%, as ONGs são as que mais trabalham pela preservação da região. Depois aparecem os índios (22,5%), o governo brasileiro (16,7%) e a população local (9,4%).

Para 70,9% dos entrevistados, o Brasil deve preservar a Amazônia, mas sob regras nacionais. 10,9% creem que o país devem fazer o mesmo, mas seguindo diretrizes internacionais. Apenas 5,9% acham que o Brasil pode fazer o que quiser com a floresta, mas menos ainda defendem que ela deve ser internacionalizada (2,3%).

A pesquisa foi realizada entre 26 a 30 de janeiro em 136 municípios de 24 estados do país. Foram entrevistados 2 mil eleitores, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

03/02/2009 - 13:24h Avaliação do governo federal e do presidente Lula bate novo recorde, diz CNT/Sensus

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GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo federal registraram em janeiro deste ano a melhor avaliação positiva na história da pesquisa CNT/Sensus, que começou a ser divulgada em 1998. Segundo o levantamento, o governo do petista recebeu avaliação positiva por 72,5% dos entrevistados, contra 5% que avaliam negativamente o governo. Entre os entrevistados, 21,7% avaliaram o governo Lula como regular.

A avaliação pessoal do presidente Lula também obteve a melhor avaliação histórica da pesquisa, subindo de 80,3% em dezembro de 2008 para 84% em janeiro. Somente 12,2% dos entrevistados desaprovaram o presidente, enquanto 3,9% não responderam.

Os índices de popularidade de Lula são superiores às avaliações de sua popularidade registradas em janeiro de 2003 –ano em que foi empossado no cargo–, quando obteve 83,6% de aprovação.

O presidente da CNT (Confederação Nacional dos transportes), Clésio Andrade, disse que a popularidade recorde do governo Lula é consequência do discurso adotado pelo presidente para tranquilizar a população em meio à crise econômica.

“Concluímos que há forte esperança centrada no discurso do presidente e nas medidas que o governo vem tomando. O discurso do presidente é muito forte, ele cria esperança, divide o ônus, o que é muito importante numa crise econômica”, afirmou.

Na última edição da pesquisa CNT/Sensus, em dezembro de 2008, a avaliação positiva do governo era de 71,1% –um crescimento de pouco mais de um ponto percentual. Desde fevereiro do ano passado o governo Lula vem obtendo recordes sucessivos de popularidade a cada edição da pesquisa.

Em janeiro de 2003, a avaliação do governo chegou a 56,6%, depois registrou queda. Mas voltou a crescer desde o início do ano passado, já em seu segundo mandato.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 26 e 30 de janeiro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos.

22/09/2008 - 12:17h Presidente Lula é aprovado por 77,7% da população, segundo pesquisa CNT/Sensus

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Governo do presidente Lula atinge melhor avaliação desde 1998, diz CNT/Sensus

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou em setembro deste ano a melhor avaliação positiva na história da pesquisa CNT/Sensus, realizada desde 1998. Segundo a pesquisa divulgada hoje, o governo Lula recebeu avaliação positiva de 68,8% dos entrevistados, contra 6,8% que o avaliaram negativamente. Entre os entrevistados, 23,2% avaliaram o governo Lula como regular.

Na última edição da pesquisa CNT/Sensus, em abril deste ano, a avaliação positiva do governo era de 57,5% –um crescimento de mais de dez pontos percentuais. A avaliação negativa foi de 11,3% em abril, enquanto a regular chegou a 29,6%. Em janeiro de 2003, a avaliação do governo chegou a 56,6%, depois registrou queda. Mas voltou a crescer desde o início deste ano, já em seu segundo mandato.

A avaliação pessoal do presidente Lula também subiu de 69,3% para 77,7% entre abril e setembro deste ano. Somente 16,6% desaprovaram o presidente, enquanto 5,7% não responderam. Os índices de popularidade de Lula só perderam, em setembro de 2008, para as avaliações de sua popularidade registradas em 2003 –o ano em que foi empossado no cargo– quando obteve 83,6% de aprovação.

O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que a popularidade recorde do governo Lula é conseqüência de políticas adotadas nas áreas econômica e social. “Isso repousa na economia e na redução dos problemas sociais, estabilidade econômica, poder de compra e salário mínimo. Se criou uma estabilidade no campo econômico validada com a presença do vice-presidente José Alencar no governo, que é empresário”, afirmou Guedes.

Na avaliação do diretor do Sensus, a popularidade do presidente Lula mostra que ele se tornou o maior cabo eleitoral do país. “Ele é o grande cabo eleitoral, tem força de transferência de voto, mas o candidato tem que ser palatável politicamente”, afirmou.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 15 e 17 de setembro em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou menos.

03/08/2008 - 08:33h Olho vivo, porque o jogo é sutil

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Fátima Pacheco Jordão – O Estado de São Paulo

No jogo das eleições municipais, até agora, as vozes predominantes foram os partidos, os candidatos, lideranças políticas e governamentais. Os atores mais influentes foram os da cúpula política que, em junho, oficializaram suas seleções de candidatos para cada município.

Tudo parecia claro, os governantes com grande popularidade aparentavam ter em campo candidatos imbatíveis. Os favoritos pareciam óbvios.

Os partidos fizeram as alianças mais eficazes, no cálculo do tempo de televisão (nas principais cidades) ou de coalizões oportunas e viáveis do ponto de vista de financiamento de campanhas.

Neste arranjo de cúpula o eleitor pouco participou. Só agora ele, aquele que vai apertar os botões da urna eletrônica, está mostrando a cara através das pesquisas publicadas nestas últimas semanas Os debates de TV e as sabatinas de imprensa inauguraram também os discursos dos candidatos voltados diretamente a ele. O primeiro olho no olho da campanha.

As surpresas iniciais começam a emergir e, assim como nas eleições de 2004, o quadro se mostra menos nítido do que as apostas iniciais pareciam indicar.

Os candidatos patrocinados por governantes ou lideranças de grande popularidade não despontaram como favoritos como em Belo Horizonte ou Recife. Mesmo prefeitos com boa avaliação como Kassab, em S. Paulo, não se impuseram na primeira largada. O líder das pesquisas no Rio (Crivella – PRB) com 24% pode perder, no segundo turno, para Jandira Feghali, hoje com oito pontos percentuais atrás, 16% (Datafolha).

Neste ponto, é bom lembrar a pesquisa do instituto Sensus (fevereiro 2008) , lá já aparecia a ponta ressabiada do eleitor. Apenas 10% votariam inequivocamente em candidato apoiado pelo presidente Lula. O mesmo se dava com governadores dos Estados, apenas 7% de eleitores brasileiros declaravam ter intenção de voto atrelado à indicação deles. Escolheriam segundo seus critérios de avaliação, olhando diretamente o candidato.

Outra surpresa, com todo o descrédito dos políticos, expresso pela opinião pública nos últimos anos, o engajamento eleitoral volta a ser alto neste ano. Em São Paulo, o Ibope registra 11% de possibilidade de anulação ou de voto em branco; Datafolha capta ainda menos, 6%.

As campanhas de incentivo ao voto da Justiça Eleitoral e a credibilidade nos procedimentos (urna eletrônica, sobretudo) parecem consolidar esta postura. Mais ainda, nestas eleições surgiu com contundência a demanda por mecanismos de filtragem e o aparecimento, bem recebido pelos eleitores, de listas de candidatos com processos.

Outro aspecto que as pesquisas publicadas reiteram é a declaração dos eleitores de que ainda não estão prontos para selarem seus votos. Mostram que acabam de entrar no processo e sabem que há várias etapas para fechar suas escolhas. Debates na TV e horário de propaganda oficial são referenciais imprescindíveis.

Na maioria das capitais, tanto Ibope quanto Datafolha indicam que cerca de 60% da intenção de voto não está cristalizada, isto é, apenas 40% dos eleitores declaram espontaneamente nomes de candidatos. A exceção é São Paulo, onde 55% dos eleitores já têm nome formado na cabeça, sem precisar de lista para indicar o preferido. Na eleição de 2004, nesta época, o Ibope apontava apenas 47% assim predispostos.

O que indica que, para o eleitor, a eleição em S. Paulo já está mais avançada. E aqui vale aprofundar um pouco mais as camadas menos evidentes dos números.

Marta Suplicy e Geraldo Alckmin estão empatados nas pesquisas publicadas. Segundo o Ibope, a petista tem 34% de voto estimulado (quando um cartão é apresentado com a lista de candidatos) e o tucano, 31%. No entanto Marta já está com uma proporção de votos mais consolidados, 70% da sua votação está definida espontaneamente (sem apresentação de cartão), Alckmin tem 55% de voto cristalizado. A petista já sai com uma vantagem que não tinha em 2004.

Alckmin, de outro lado, tem de por onde desempatar: Datafolha aponta que 26% dos eleitores podem mudar seus votos e, neste momento, 8% prefeririam Alckmin, 5% Marta e 5% Kassab.

O atual prefeito, Gilberto Kassab, tem avaliação positiva entre 35% de eleitores (Datafolha) o que significa, obviamente, que tem um espaço de crescimento. Se crescer tiraria mais votos de Alckmin do que de Marta.

No retrospecto das cinco pesquisas publicadas até o momento (Ibope e Datafolha), desde junho, quando os nomes dos candidatos foram oficializados, Marta Suplicy passa de um patamar de 30% para 35%, Geraldo Alckmin de 28 para 32%.

Gilberto Kassab (13% em junho e 11% em julho), no mesmo patamar que Maluf imobilizado em torno de 9%.

Há um sentimento de favoritismo de Marta, 40% acham que a petista deve ser a futura prefeita (Ibope), mas a tradição de polarização eleitoral em São Paulo e a evolução das taxas de intenção de voto apontam para a realização de um segundo turno na cidade.

No entanto, Marta Suplicy – com o patamar e o potencial de votos que tem (melhores do que há quatro anos) e a possibilidade de derrota no segundo turno contra Alckmin, segundo projeções atuais das pesquisas – precisa de uma vitória em primeiro turno.

Se sua campanha for convincente e sem erros, poderá contar com três fatores a seu favor: primeiro, sua base eleitoral inequivocamente popular (projeção de vitória no segundo turno contra Alckmin entre eleitores de mais baixa renda,62% do total); segundo, a possibilidade de se beneficiar da avaliação positiva de Lula em São Paulo (52%); terceiro: os dilemas do eleitorado situacionista dividido entre dois candidatos do mesmo campo, apoiados – mais ou menos explicitamente – pelo governador Serra, bem avaliado.

As pedras do jogo estão postas e os movimentos são sutis. Será uma eleição em que o eleitor vai precisar de olho vivo. Como as pesquisas indicam, ele quer acertar e por isso vai estar mais atento do que no passado.

28/04/2008 - 18:24h CNT/Sensus: Aprovação do governo ultrapassa índice de 2003. Maioria aprova nova candidatura de Lula

Pesquisa

O Globo

 

Rodrigo Vizeu – O Globo OnlineBRASÍLIA – Pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que maioria aprova uma mudança na Constituição para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa se candidatar a mais uma reeleição. O levantamento indica também um novo recorde de aprovação do governo Lula.


Segundo a pesquisa, 50,4% da população se dizem a favor de uma proposta que permitisse um terceiro mandato. O número de contrários à idéia é de 45,4%. Não souberam ou não responderam 4,3% dos entrevistados. Em entrevista concedida aos jornais do grupo Diários Associados e publicada no domingo o presidente voltou a condenar a idéia do terceiro mandato, dizendo que é “obsceno para a democracia”.

A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia


Caso existisse a possibilidade um terceiro mandato, 51,1% dariam a vitória ao presidente Lula, enquanto 35,7% prefeririam o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em uma simulação de votos válidos, a vitória de Lula sobre Serra (58,8% contra 41,2%) seria menos ampla do que foi em 2002 (61,3% contra 38,7%) e em 2006, contra Geraldo Alckmin (60,8% a 39,2%).

Aprovação do governo sobe cinco pontos em relação a fevereiro

O governo do presidente Lula alcançou 57,5% de aprovação em abril, segundo a CNT/Sensus. A aprovação do governo Lula é cinco pontos acima do resultado de fevereiro, quando se registrou 52,7% de avaliação positiva, e mais alto mesmo que o antigo recorde de aprovação: 56,6%, em janeiro de 2003, mês da posse de Lula. Em relação a fevereiro de 2008, o índice de avaliação negativa caiu de 13,7% para 11,3% e o de regular foi de 32,5% a 29,6%.

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A opinião positiva da população sobre o desempenho pessoal do presidente Lula também subiu, de 66,8% em fevereiro para 69,3% em abril. A desaprovação caiu de 28,6% para 26,1%.

- A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia, a geração de empregos. Há também os programas sociais. Ressaltamos ainda a boa e fácil comunicação do presidente, sintetizada na sigla PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Existe uma sensação de um governo eficiente. Existe a sensação de que o crescimento está ocorrendo por causa dessas obras – analisou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

Serra lidera pesquisa de intenção de voto para 2010

A pesquisa também perguntou sobre as intenções de voto dos entrevistados para as eleições presidenciais de 2010. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estaria em primeiro lugar com 36,4%, em um dos cenários criados pela pesquisa. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) teria 16,9% dos votos, contra 11,7% da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e 6,2% da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

Em uma hipótese em que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, seria o candidato tucano, Ciro lideraria com 23,5% das intenções de votos, contra 17,5% de Heloísa Helena, 16,4% de Aécio e 7% de Dilma. Caso o PSDB lançasse o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, Ciro continuaria na liderança, com 23,2%, contra 17,2% de Alckmin, 16,3% de Heloísa Helena e 7,6% de Dilma.

Em um último cenário, a CNT/Sensus trocou a candidata petista Dilma pelo ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), gestor do Bolsa Família. Neste caso, Serra seria o líder, com 34,2%, seguido de Ciro (17,8%), Heloísa (14,1%) e Patrus (3,8%).

No caso de um segundo turno, a CNT indicou os seguintes cenários: Serra venceria Dilma por 53,2% a 13,6%, Aécio derrotaria a ministra por 32,1% e 18,3%, Serra ficaria com 55,1% contra 8,2% de Patrus e Serra superaria Ciro por 43,7% contra 25,5%.

Dossiê: 51,2% têm conhecimento e 17,4% citam Dilma

A sondagem mostrou que 51,2% da população têm acompanhado ou ao menos ouviu falar do episódio do dossiê com gastos sobre o governo Fernando Henrique Cardoso. 36,4% desconhecem o caso. Dos que estão a par das denúncias, a maioria (21,1%) acredita que a principal responsabilidade da elaboração e divulgação do dossiê é de membros da CPI mista do Cartão Corporativo. A ministra Dilma é citada por 17,4% dos entrevistados. Em seguida aparecem assessores da ministra (13,1%), a instituição Casa Civil (9%) e a Secretaria-Geral da Presidência da República (8,3%).

O levantamento apontou que 57,9% dos entrevistados têm acompanhado ou ouviram falar dos trabalhos da CPI do Cartão. No entanto, 58,1% não acreditam que a comissão vai analisar de forma isenta as denúncias. A maior parte das pessoas (57,8%) defende que o Congresso apure as denúncias de mau uso do cartão tanto no governo do PT quando no do PSDB. 12,7% querem investigação apenas das contas petistas e 6,1% só na gestão tucana. Outros 12,2% são contra que o Congresso investigue as denúncias.

Mas é óbvio que a visibilidade dela (Dilma) influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada


Chamou atenção que, em meio à crise do dossiê da Casa Civil sobre gastos do governo FH, a ministra Dilma Rousseff tenha melhorado seus índices em todos os cenários na pesquisa de intenção de voto. Apesar de o maior deles terem sido dentro da margem de erro da pesquisa, Dilma se destacou na hipótese de segundo turno com Aécio Neves, saltando de 14,5% em fevereiro para 18,3% em abril, e no embate com Serra, indo de 9,2% a 13,6%.

- Está na margem de erro, não é possível falar em crescimento. Mas é óbvio que a visibilidade dela influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada – afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

No caso da pesquisa espontânea, em que não é apresentado aos entrevistados uma lista de candidatos, o presidente Lula lidera com 29,4%. Serra tem 5%, seguido de Aécio (2,9%), Alckmin (2,4%), Heloísa (1,7%) e Ciro (1,5%). Somadas, as demais citações chegam a 3%.

O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes ressalta para o alto índice de pessoas que não souberam responder a pergunta, algo esperado a mais de dois anos da eleição, chegando a 44,5% no caso da pesquisa espontânea e 11,2% no cenário com Serra, Ciro, Heloísa e Dilma.

Dengue: para 43,2%, responsabilidade é da sociedade

Para 43,2% dos entrevistados, o surto de dengue é culpa da falta de atuação de toda a sociedade. A responsabilidade apenas dos moradores é apontada por 32,7% da população, seguido de prefeituras (7,7%), Ministério da Saúde (7,6%) e governos estaduais (4,3%). Para 2,8%, a situação não tem culpados, já que os fatores que levaram ao aumento de casos doença seriam naturais.

Caso Isabella é de conhecimento de 98,2%A pesquisa indica ainda que 98,2% da população brasileira tem conhecimento do assassinato da menina Isabella Nardoni, ocorrido no final de março. Apenas 1,2% afirmaram desconhecer o episódio, contra 0,7% que não soube ou não quis responder. Segundo Ricardo Guedes, pesquisador do Instituto Sensus, esse foi o maior índice de conhecimento sobre algum assunto já registrado na série de pesquisas CNT/Sensus, iniciada em 1998.

Para 71,8% dos entrevistados, a mídia tem acompanhado o caso de forma adequada e com competência. Outros 24,3% acreditam que a cobertura noticiosa tem sido feita de forma inadequada ou incompetente.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril e entrevistou 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados do país, em todas as cinco regiões. A margem de erro é de três pontos percentuais.

28/04/2008 - 15:47h CNT/SENSUS: Desempenho de Lula melhora, maioria aprova 3º mandato

lula_caricatura2.jpgO governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou a melhor popularidade em abril deste ano desde que o petista assumiu o governo em 2003, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje. Entre os entrevistados, 57,5% avaliaram o governo como positivo. Na pesquisa anterior, realizada em fevereiro passado, 52,7% consideraram o governo do petista positivo. Desta vez, apenas 11,3% dos entrevistados avaliaram o governo como negativo, contra outros 29,6% que o consideram regular.

Em janeiro de 2003, a avaliação do governo chegou a 56,6%, depois registrou queda. Mas voltou a crescer desde o início deste ano, já em seu segundo mandato.

A avaliação pessoal do presidente Lula também subiu de 66,8% para 69,3% de fevereiro a abril deste ano. Somente 26,1% desaprovaram o presidente, enquanto 4,7% não responderam. Os índices de popularidade de Lula só perderam, em abril de 2008, para as avaliações de sua popularidade registradas em 2003 –o ano em que foi empossado no cargo– quando obteve 83% de aprovação.

O diretor da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio Andrade, disse que o bom desempenho do governo Lula pode ser atribuído ao crescimento da economia, geração de empregos e programas sociais implantados pela Presidência da República.

“Há também a boa movimentação do presidente, seu discurso popular com a divulgação do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. O presidente consegue capitalizar bem suas políticas. Dá a sensação de um governo eficiente”, afirmou.

Segundo Clésio, o governo federal também consegue realizar uma “movimentação política” positiva em termos da divulgação de suas ações. “O seu marketing é bem trabalhado”, afirmou.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Desempenho de Lula melhora, maioria aprova 3º mandato

O desempenho pessoal de Lula foi aprovado por 69,3% dos 2000 entrevistados pela mais recente pesquisa CNT/Sensus – maior índice desde janeiro de 2004. E desaprovado por 26,5%. Outros 4,7% não souberam responder. Em fevereiro, esse números eram: 66,8% aprovação, 28,6% desaprovação e 4,7% não sabiam responder.

A pesquisa CNT/Sensus perguntou: “O senhor é a favor ou contra a alteração da Constituição do País possibilitando que Lula se candidate a presidente da República pela terceira vez consecutiva?”:

- 50,4% responderam quem sim.

- 45, 4% são contra.

- 4,3% não souberam responder.

Se concorresse a presidente mais uma vez contra o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), Lula teria 58,8% dos votos, contra 41,2% de seu adversário.

Em 2002, Lula e Serra e disputaram o 2º turno da eleição presidencial e ficaram respectivamente com 61,3% e 38,7%.

20/02/2008 - 12:07h Otimismo dos brasileiros com a economia

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61% dos brasileiros pensa que o país não vai parar de crescer, segundo pesquisa CNT-Sensus.

20/02/2008 - 08:58h Economia e voto

celso_ming.jpgCelso Ming,

celso.ming@grupoestado.com.br

A Pesquisa CNT/Sensus divulgada segunda-feira mostrou que o presidente Lula obteve em fevereiro o maior índice de aprovação do seu governo. Nada menos que 52,7% dos entrevistados entenderam que o governo é ótimo ou bom.

Essa goleada tem uma explicação: o eleitor está dizendo que a política econômica está correta. É a inflação sob controle que reduz o desgaste do poder aquisitivo; é o salário mais alto e mais opções de emprego que ajudam a reforçar o orçamento familiar; é o dólar relativamente barato que aumenta as opções de consumo. Em troca, o consumidor, o assalariado e o povão mostram-se predispostos a dar nota boa. Na hora certa, isso conta voto.

Pode-se dizer que o presidente Lula não produziu nada de novo na macroeconomia. Mas o fator que realmente conta é o de que seu governo não fez nenhuma grande besteira. Ao contrário, sempre que besouraram nas orelhas dele que era preciso derrubar os juros na marra; desvalorizar o real; acabar com o superávit primário (sobra de arrecadação para pagar a dívida); demitir o Meirelles da presidência do Banco Central; e mudar a política macroeconômica, Lula fez que não era com ele. Não só manteve tudo como está, como também chegou a dizer, para indignados dirigentes do MST, que o principal representante das esquerdas em seu governo é o doutor Meirelles.

A título de contraponto, nessa relação delicada entre administração pública e sustentação política, pelo menos dois dos presidenciáveis que mais comparecem às pesquisas de intenção de voto ostentam uma ficha de críticas à atual política econômica.

O governador paulista, o tucano José Serra, por exemplo, até recentemente não perdia oportunidade para atacar ‘o câmbio fora do lugar e a política dos juros errada’. Ele insiste em que a política macroeconômica tem de ser revista, seja o que isso signifique.

As manifestações do governador contrariam o próprio PSDB que, em suas mensagens partidárias, repete que o presidente Lula copiou a política econômica do presidente Fernando Henrique. Está dizendo, enfim, que a política está certa. Se o governador Serra insiste em dizer o contrário, como já dizia nos tempos de ministro do governo FHC, então fica entendido que, se ele levar a Presidência em 2010, pretende desmanchar pelo menos parte do que até agora vem dando certo.

O outro pré-candidato conhecido pelas críticas à atual política é o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE).

Nos tempos em que comboiava o professor de Harvard e atual ministro Mangabeira Unger, defendia uma drástica renegociação da dívida pública, que levava cheiro e jeito de calote. Logo se viu que coisas assim não são necessárias. A própria dívida não passa hoje de 42% do PIB e os juros vão caindo na proporção permitida pela inflação. Em todo o caso, Ciro Gomes já deu indicações de que também não gosta do que está aí.

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19/02/2008 - 13:34h O otimismo é o grande eleitor

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Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (19/02/2008) no Correio Braziliense.

Lula conseguiu transformar o brasileiro médio num otimista. Nesse cenário, o presidente da República será o principal eleitor em 2010. Mas a oposição não está condenada previamente ao matadouro

Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

Como é possível que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atinja picos de popularidade e aprovação enquanto as simulações de voto apontam liderança folgada dos candidatos da oposição na corrida pela sucessão presidencial em 2010? Esse aparente paradoxo aparece nos números da pesquisa CNT/Sensus, que pode ser conferida em reportagem às páginas 2 e 3 desta edição [do Correio Braziliense].

Há algumas hipóteses imediatas, no terreno do senso comum. Pesquisa a tanto tempo da eleição não diz muita coisa, objetam alguns. É um argumento razoável, ainda que os mesmos que torcem o nariz para a suposta antecedência excessiva fiquem eles próprios de orelha em pé a cada informação sobre intenção de voto para presidente.

Uma segunda linha é que os números refletem mais o recall do que a disposição real de votar neste ou naquele. A memória de eleições passadas certamente tem importância. Mas não explica, por exemplo, o bom desempenho de um político como Aécio Neves — que nunca disputou eleição fora de Minas Gerais e a quem falta presença nacional equivalente à de seus concorrentes pela indicação no PSDB. Aliás, se recall fosse tudo, certamente Geraldo Alckmin apareceria à frente de Aécio na espontânea, e não atrás.

Um terceiro caminho é creditar o desempenho presidencial ao “lulismo”, ao carisma de um presidente supostamente descolado de sua base partidária e cuja influência eleitoral estará limitada por não poder ele próprio concorrer a um novo mandato. “2010 será a primeira eleição sem Lula, desde a volta das diretas para presidente”, repete-se. É verdade. Lula não poderá se candidatar ele próprio daqui a três anos. Mas nada impede que venha a apoiar um “Lula”, alguém que signifique a continuidade das políticas de seu governo.

O fato é que o presidente vai muito bem, obrigado. Depois de anos de polêmicas, já há consenso de que as políticas sociais e a economia respondem estruturalmente pela popularidade de Lula e pela musculatura política dele. A variável a analisar é outra: deseja-se avaliar se, e quanto, ele será capaz de “transferir” musculatura e popularidade a um candidato.

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19/02/2008 - 09:05h Carlos Melo: PT pressionará por 3° mandato

Eu duvido que PT pressionará por 3° mandato. LF

Blog Entrelinhas

O autor deste blog (Entrelinhas de Luiz Antonio Magalhães) entrevistou, para matéria que será publicada nesta terça-feira no jornal DCI, o cientista político Carlos Melo, professor do Ibmec, a respeito da pesquisa CNT/Sensus que mostra o aumento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governo federal.

Melo atribui o crescimento da aprovação do governo e do presidente a quatro fatores: o excelente desempenho da economia brasileira, em contraste com a crise nos Estados Unidos; as políticas sociais implementadas por Lula, que segundo ele têm um efeito significativo, especialmente entre os mais pobre; o carisma e dom que o presidente possui para comunicar-se diretamente com as massas; e, por fim, a falta de medidas impopulares no período.

Segundo o professor, a falta de uma agenda reformista e de medidas que pudessem provocar maiores polêmica, como uma segunda rodada de mudanças na Previdência Social, por exemplo, acabam sendo benéficas para o presidente, que não tem pontos de desgaste com a população, pelo menos não do ponto de vista das ações governamentais.

Melo acha que o caso do uso indevido dos cartões corporativos não afetou a imagem de Lula porque existe uma certa exaustão da opinião pública com este tipo de denúncia. “Existe uma banalização dos escândalos políticos”, disse o professor.

Carlos Melo também analisou a pesquisa de intenção de votos e disse que a performance do presidente, que lidera a enquete espontânea com 18% das intenções de voto contra 5% do segundo colocado, o governador José Serra (PSDB), deverá cada vez mais provocar no PT o desejo de um terceiro mandato para Lula, mesmo porque os demais candidatos petistas são todos um fiasco nas simulações realizadas.

O professor, porém, não acredita que Lula possa topar este tipo de manobra para manter o PT no poder. A pressão sobre ele, porém, deverá ser grande.

Postado por Luiz Antonio Magalhães

19/02/2008 - 08:48h Uma CPI para a viagem de Lulinha à Antártica

lula_antartica.jpg* Rui Falcão

Tomados pelo macarthismo das miudezas, os meios de comunicação em geral deixaram passar em branco o significado simbólico transcendente — na ótica da afirmação da soberania, da defesa do interesse nacional e do fortalecimento da presença internacional do Brasil —, da visita do presidente Lula à base brasileira da Antártica, por ocasião da comemoração dos 25 anos de sua instalação e do Ano Polar Internacional.

A desatenção não é fortuita. Mais interessante pareceu à grande mídia, em geral, refestelar-se na bisbilhotice, ao espreitar os passos do Lulinha, que integrava a comitiva de visitantes brasileiros a convite do presidente, a ver se o filho pagaria ou não do próprio bolso as despesas de hotel, tema que poderia render quem sabe uma nova CPI nestes dias em que congressistas da oposição, desocupados de seus afazeres maiores, empenham a plenitude de suas forças e todo o seu tempo na cretinização do debate nacional.

Da visita a Antártica, não se comentou nada além das contas de Lulinha — e o público brasileiro teria sido privado totalmente do significado da viagem do presidente não fosse a imprensa estrangeira a socorrê-lo, com informações de grande interesse nacional, como se verá adiante.

Parece que mídia e oposição, por esgotamento da capacidade imaginativa, já não dispõem de recursos da fantasia para identificar novos temas que despertem os leitores e telespectadores da indiferença em que se deixam estar ante a avalancha de denuncismo irresponsável. Em vez disso, satisfeito com o seu acréscimo de bem-estar — resultante da estabilidade, do crescimento econômico, do aumento do emprego, da redução da desigualdade da distribuição de renda, da participação popular, entre outros benefícios —, o povo tem cuidado de elevar a sua nota de avaliação do desempenho do presidente e de seu governo, que não cessa de subir, segundo acaba de atestar o resultado da pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem (18-02).

Explica-se a exasperação dos inconformados com o êxito do programa e da gestão governamental. A exacerbação das críticas torna-se tão mais intensa quanto maior a sua ineficácia. Assim é que se explica a escalada vertiginosa e caricata das “crises” das manchetes, que não se confirmam, umas atropelando as outras, de modo a não dar sossego ao leitor, ouvinte ou ao telespectador. Apagão aéreo, que é vencido pelo apagão energético, que é derrotado pela febre amarela, que é ofuscada pelo escândalo das ONGs, que ameaça retornar se os cartões corporativos não renderem a magnitude do escândalo que deles se espera ou se não se conseguir inculpar o governo Lula pelo inbroglio criado pelos exportadores de carne nas negociações com a União Européia ou, ainda, se não se comprovar a suposta e fantasiosa compra de uma fazenda de gado em Valparaíso (G0) pelo mesmo Lulinha, “testa-de-ferro do pai”, por R$ 47 milhões!

Na próxima semana, ou quem sabe amanhã mesmo, teremos mais. Então se saberá pelas manchetes que o governo Lula é irresponsável por manter as comportas fechadas num momento em que os reservatórios ameaçam transbordar, depois de o presidente ter vencido São Pedro na queda-de-braços e ter feito chover chuvas torrenciais. Isso, antes de ser responsabilizado também pelas inundações.

Aos que se empenham em remover do poder os homens que lá estão, em vez de promover a melhoria das instituições, reduzindo a política ao moralismo, sugere-se que, nesse torneio do Small Brother Brazil, pelo menos sejam equânimes e isentos no levantamento das irregularidades na utilização do cartão corporativo. Que respondam, por exemplo, o que vale mais: uma tapioca de ministro ou uma dose de cachaça (na cidade de Assis-SP) de um funcionário do governador José Serra?

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19/02/2008 - 08:15h Lula no céu e as eleições paulistanas

O FILTRO

Revista Época

Thomas Traumman

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O instituto Sensus divulgou há pouco a sua nova pesquisa de avaliação da popularidade presidencial. Foi um recorde. O governo Lula é considerado ótimo ou bom por 52,7% dos brasileiros, a mais alta avaliação desde o ínicio dessas pesquisas em fevereiro de 2004. E não é só isso.

A expectativa dos brasileiros para os próximos seis meses inclui melhoras em todos os setores, inclusive segurança pública, um velho calcanhar de Aquiles do governo. Na educação, que recebeu seguidas avaliação negativa no segundo governo FHC e no primeiro governo Lula, teve avaliação positiva de 38,9%. E mais de 60% dos entrevistados acham que a educação vai melhorar nos próximos seis meses.Apesar de ser muito cedo, o Sensus fez ainda uma avaliação do quadro para 2010.

Estranhamente não incluiu entre os nomes do PT a ministra Marta Suplicy, que tinha os melhores índices na última pesquisa (explicação oficial: a CNT não considera Marta candidata). Sem Marta, nem o governador Jacques Wagner, os candidatos do PT (os ministros Dilma Roussef, Tarso Genro e Patrus Ananias) tem desempenho de nanicos, por volta dos 5% das intenções de voto.

A segunda constatação é a consolidação da candidatura de José Serra para 2010. Os seus índices estão na casa dos 38%, tendo como único adversário viável o deputado Ciro Gomes, girando em 18%. O adversário de Serra no PSDB, Aécio Neves, fica atrás de Heloísa Helena.Por último, para comprovar a popularidade de Lula: respondendo espontaneamente qual seria o seu candidato a presidente, 18,6% votariam em Lula contra 5,1% de Serra. Imagine a barafunda que seria se Lula jogasse o seu peso num terceiro mandato?

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A Folha publicou no domingo mais uma rodada de avaliação sobre a sucessão paulistana. Os números brutos: Geraldo Alckmin, 29% (+3 pontos percentuais em relação a novembro); Marta Suplicy, 25% (+1 ponto); Gilberto Kassab, 12% (-1 ponto). Ou seja, mudou quase nada em relação ao último levantamento.

Mesmo assim, parece que o mundo desabou sobre Kassab. A sua candidatura, inevitável até semanas atrás, entrou na linha de tiro e Alckmin parece que já encomendou o terno da posse. Talvez até use o terno que encomendou quando foi para o segundo turno da eleição presidencial. É cedo para tirar Kassab do jogo. Primeiro porque a sua gestão é aprovada por 35% dos paulistanos, o que significa uma turbilhão de paulistanos simpáticos a ele. A percentagem dos que consideram a sua gestão ruim ou péssima caiu de 31% para 23%, igualando ao menor índice da gestão. Por último, o Datafolha mostrou que o apoio do governador José Serra seria importante para a escolha do candidato de 25% dos eleitores. Como não é segredo para ninguém qual o preferido de Serra, dá para prever sem susto que o prefeito vai subir nas pesquisas se juntar a candidatura à gestão e umas fotos do governador. O jogo mal começou.

Por Thomas Traumann

19/02/2008 - 07:51h Rumo a 2010

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Merval Pereira

O Globo 

Só há uma má notícia para o presidente Lula na nova rodada de pesquisas do Instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes: o governo não tem um candidato que consiga representálo. Ia escrevendo substituí-lo, mas isso não é de agora que parece impossível de acontecer. O PT mesmo nunca teve um outro candidato viável que não fosse Lula, mesmo para perder e continuar viável.

Com um formidável taxa de aprovação pessoal de 66,8%, e em ascensão no segundo mandato, Lula vai confirmando que é um fenômeno político e, mesmo não podendo se candidatar novamente, recebe, em votação espontânea, 18,6% dos votos, enquanto o governador de São Paulo, José Serra, que é o mais bem colocado dos candidatos à sua sucessão, tem apenas 5,1%.

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18/02/2008 - 18:40h Portal Globo: Governo Lula tem melhor avaliação desde a posse, diz CNT Sensus

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Na sondagem espontânea para 2010, Lula é 1º. Serra lidera na estimulada

Rodrigo Vizeu – O Globo Online

Reuters/Brasil Online

BRASÍLIA – Mesmo com o escândalo do mau uso dos cartões corporativos, a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em fevereiro foi a melhor desde a primeira posse, em janeiro de 2003. A performance pessoal do presidente também só foi superada pela de dezembro de 2003, mostrou nesta segunda-feira pesquisa do instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). O resultado da pesquisa deixou o presidente em estado de graça, informa o blog do Noblat .

Entre os consultados, 52,7% consideraram a administração atual como positiva; em janeiro de 2003 eram 56,6%. No estudo de outubro de 2007, esse percentual correspondia a 46,5%. Já a avaliação negativa passou de 16,5 % para 13,7 % em fevereiro. Também houve recuo na parcela dos entrevistados que classificaram a gestão atual como regular – de 35,9% para 32,5%.

“(A crise dos cartões) afeta, mas não é determinante. São pontos a corrigir. Determinante é a economia”

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18/02/2008 - 16:06h Folha Online: Governo Lula tem 2ª melhor avaliação desde janeiro de 2003; população reprova cartões

Ricardo Stuckert/Agência BrasilGABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado positivo por 52,7% da população, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje. Esse é o segundo melhor resultado dado ao governo Lula desde janeiro de 2003 –quando ele tomou posse do primeiro mandato. Na ocasião, o governo Lula foi considerado positivo por 56,6% dos entrevistados. Na pesquisa anterior, realizada em outubro passado, 46,5% consideram o governo do petista positivo.

A avaliação do presidente Lula também subiu de 61,2% para 66,8% de outubro de 2007 para fevereiro de 2008. O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que a melhora da avaliação positiva do governo Lula e do presidente foi registrada em todas regiões do país.

Apesar da avaliação positiva, a entrevista verificou que 74,9% dos que acompanham as denúncias sobre o mau uso do cartão corporativo do governo acreditam que o episódio prejudica a imagem do presidente Lula.

“O episódio afeta, mas não é determinante para a avaliação positiva do presidente em função do desempenho da economia aliado aos programas sociais do governo”, afirmou Guedes.


De acordo com o levantamento, 64,1% dos entrevistados disseram ouvir falar ou acompanhar as notícias sobre o mau uso do cartão corporativo. Desse total, 83,1% afirmaram ser contrários ao uso dessa ferramenta de pagamento.

Outros 70,2% defendem que os ministros ou funcionários que fizeram uso indevido dos cartões sejam afastados de seus cargos e reponham o dinheiro utilizado aos cofres públicos.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 11 e 16 de fevereiro em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

18/02/2008 - 15:15h “Último Segundo”: Governo Lula tem a melhor avaliação desde a posse em 2003, aponta CNT/Sensus

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18/0211:28, atualizada às 14:52 18/02Severino Motta – Último Segundo

BRASÍLIA – A avaliação positiva do governo Luiz Inácio Lula da Silva está em 52,7%, segundo dados da pesquisa da Confederação Nacional do Transporte e Instituto Sensus (CNT/Sensus). O índice é recorde desde a posse do presidente em janeiro de 2003. No levantamento anterior, em outubro de 2007, esse percentual correspondia a 46,5%.

A avaliação do desempenho de Lula também está em alta. Segundo dados da pesquisa, 66,8% dos entrevistados disseram que aprovam o presidente, contra 28,6% de desaprovação. A CNT/Sensus foi realizada entre os dias 11 e 16 de fevereiro e entrevistou 2 mil pessoas em todo o País.


Avaliação do governo / CNT-Sensus
A pesquisa também aponta que 36,8% dos entrevistados afirmam poder votar em um candidato apoiado por Lula. Somente 25,9% do eleitorado não votaria de jeito nenhum em um político indicado pelo atual presidente.Nos questionamentos sobre as eleições de 2010, na pesquisa espontânea, Lula aparece em primeiro com 18,6% contra 5,1% de José Serra. Nas pesquisas estimuladas, os dois nomes mais votados nas simulações são de José Serra e Ciro Gomes, sempre com o tucano na frente do deputado do PSB. Na pesquisa estimulada, o nome de Lula não aparece nas alternativas.A proporção com impressão negativa do governo caiu para 13,7% no estudo de fevereiro ante os 16,5% do último levantamento, de outubro do ano passado. Também houve recuo na parcela dos entrevistados que classificaram a gestão atual como regular – de 35,9% para 32,5%.Os números mais recentes fazem parte da 91ª Rodada da Pesquisa de Opinião Pública Nacional. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.Cartões corporativosA pesquisa também revela que o caso dos cartões corporativos afeta a imagem de Lula, apesar de não definir a sua popularidade. Segundo o levantamento, 64,1% da população tem acompanhado ou ouviu falar sobre o caso dos cartões corporativos. Destes, 83,1% são contrários à manutenção do uso do sistema de compras e 10,9% são a favor.Se forem consideradas apenas as pessoas que têm acompanhado ou ouviram falar do tema, 74,9% consideram que o escândalo dos cartões afeta a imagem do presidente. Já para 13% dos entrevistados, a crise não afeta a imagem de Lula. Destas, 70,2% acreditam que ministros e funcionários que fizeram uso indevido deveriam perder o cargo e repor os gastos.

26/06/2007 - 14:24h Lula tem 64% de aprovação pessoal, aponta CNT/Sensus

IG Último Segundo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é aprovado por 64% da população brasileira, por seu desempenho pessoal. A informação é da 89ª Pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira, em Brasília. A avaliação positiva do governo ficou em 47,5% e a negativa em 14%.

Conversa Afiada: Vavá e apagão aérea não atingem Lula

A rejeição do desempenho pessoal do presidente Lula é de 29,8% dos entrevistados.

A crise aérea e o indiciamento do irmão do presidente Lula, não afetaram a avaliação positiva do governo, que registrou o segundo melhor índice desde o escândalo do mensalão em maio de 2005. O valor, no entanto, ainda fica dentro da margem de erro que é de 3 pontos percentuais. Em abril de 2007, último levantamento do Instituto de Pesquisa, 49,5% dos entrevistados consideravam o governo positivo.

O bom desempenho pessoal, segundo o diretor presidente do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, aponta que “há um cenário de estabilidade positivo para o presidente, embora haja denúncias e conturbação no cenário político”.

Questionado sobre a confiança na economia brasileira, 47% dos entrevistados consideraram que a política econômica de governo tem sido conduzida de forma adequada, enquanto 40,6% entendem ser inadequada. A aprovação da política econômica aumentou 11,5 pontos percentuais em relação ao levantamento de agosto de 2006.

Crise aérea

Apesar de não ter afetado a popularidade do presidente Lula, a crise aérea é conhecida por 77,9% dos entrevistados. Desse universo, 58,8% entendem que o governo tem condições de resolver os problemas nos aeroportos no curto prazo. Enquanto 35,5% acreditam que o governo nao conseguirá solucionar o problema em breve.

A desmilitarização do setor aéreo, uma das principais reivindicações dos controladores de vôo é aprovada por 43,8%, enquanto 42,2% acham que o controle deveria se manter com os militares.

O caso Vavá, irmão do presidente Lula indiciado por tráfico de influência e exploração de prestígio, é conhecido por 74,1% dos entrevistados. Desses, 70,7% consideram que a descoberta do esquema de corrupção envolvendo o irmão do presidente é negativo para o governo; 75,1% das pessoas ouvidas no levantamento avaliam que as denúncias contra Vavá são verdadeiras e 52,2% acham que o presidente Lula tinha conhecimento prévio do suposto tráfico de influência de seu irmão. O indiciamento de Vavá no caso é aprovado por 76,9% das pessoas que responderam à pesquisa, enquanto 14,6% avaliam que o indiciamento não foi correto.

Violência

Questionados sobre o aumento nos índices de violência e criminalidade 76,1% dos entrevistados, afirmaram que a questão está fora de controle, enquanto 18,7% apontam que está razoavelmente controlada e 3,7%, bastante controlada pelas autoridades. A forma de violência que mais ameaça os brasileiros, segundo a CNT/Sensus é o assalto em casa ou na rua, com 38,4%, seguido do tráfico de drogas, com 31,7% e do estupro, com 9,0%.

Reforma Política

Considerada prioridade no Congresso Nacional, a reforma política é desconhecida por 51,5% dos entrevistados e 46,8% têm acompanhado a discussão do tema ou já ouviram falar nele. Entre os que conhecem a questão, 50.5% aprovam a fidelidade partidária, 75,2 são contra financiamento público de campanhas eleitorais e 74,0% condenam a adoção de lista fechada. De acordo com a CNT, “a reforma política da forma como está apresentada pelo Congresso, deve ser repensada e rediscutida para se chegar a consenso entre o que pensam os congressistas e a maioria da população brasileira”. Para 59,1% dos entrevistados, a alteração na legislação eleitoral não será votada este ano.

Aquecimento global

A pesquisa CNT/Sensus buscou avaliar ainda qual é o nível de percepção da população brasileira em relação ao meio ambiente e ao aquecimento global. 70,5 dos que responderam às perguntas avaliam que a população em geral é a principal responsável pelos problemas ambientais e 25,8% acham que os governos é que devem cuidar dessa tarefa. No que diz respeito à preservação da floresta amazônica, 54,5% acham que a tarefa ser responsabilidade exclusiva do Brasil e 39,8% argumentam que organismos internacionais deveriam forçar os demais países a preservar o bioma. A política de combustíveis renováveis, entre os quais o biodiesel é aprovada por 82,7% dos entrevistados e considerada negativa para o país por 8.,0% das pessoas.

A 89ª Pesquisa CNT/Sensus entrevistou 2 mil pessoas, entre os dias 18 e 22 deste mês de junho, em 136 municípios de 24 Estados, nas cinco regiões do País.

Veja a íntegra da pesquisa