17/07/2008 - 20:20h The Economist entusiasta com o governador de Rio de Janeiro

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How Rio’s first good governor in decades is starting to renew Brazil’s most famous city

From The Economist print edition

AP

IT IS not hard to discover what is wrong with Rio de Janeiro. Walk along the main shopping street of the Complexo de Alemão, a large shanty town that has been surrounded by police gunmen for months, and after about 20 metres the stalls selling fruit, vegetables and pirated DVDs give way to one selling wraps of cocaine and marijuana. It is run by boys with machineguns slung over their shoulders. Other shoppers try hard to pretend that this is normal, but they avoid looking the gunmen and their hangers-on in the eye, just in case. From time to time more machineguns pass by on motorbikes, their riders off to collect drugs, kill a rival or enforce their own version of the law.

When Sérgio Cabral was elected governor of Rio state at the end of 2006, hopes were high that he might curb corruption among politicians and the police, and pull the city of Rio (for which he is also responsible) out of a 25-year slump. He hired a team of reformers, broke a local taboo by appealing to the federal government for help, and seemed almost too eager to try new things. Inspired by the work of Steven Levitt, an American economist, he at one point suggested legalising abortion as a way of reducing the future supply of potential criminals.

A year and a half into his term, how is Mr Cabral doing? According to his finance minister, Joaquim Levy, the new government’s plan was first to get the state’s finances in order and then to fund improvements in health care and public security. An unspoken assumption was that Mr Cabral’s administration would also practise a cleaner brand of politics.

The first part has gone well. Despite the oil money that Rio gets from the wells off its coastline, the state has often been in the red. That has changed under the new administration. Tax receipts are up: the courts that rule on tax disputes, which can go on for many years—some cases from the early 1990s are still not settled—are being streamlined with the aim of cutting the time spent wrangling to no more than two years. And spending is more controlled. As a result, the state’s finances have gone from a deficit of 100m reais ($63m) to a surplus last year of 790m reais.

Mr Cabral has also been busily soliciting foreign investment to add to the deal that his predecessor signed with ThyssenKrupp, a German industrial group, to build a steel mill that is due to be the biggest foreign investment in Latin America. The time taken to register a business is falling. The state’s pension fund has been under something like normal financial management and is now accumulating cash for the first time in ten years.

However, government in Rio is mainly judged by the level of violence, and here its record is less good. After a promising start, Mr Cabral’s administration fell out with reformers in the police. Brazil’s murder rate has been falling, but in the city of Rio killings by the police have risen sharply—up from 300 in 1998 to 900 last year. Earlier this month two policemen opened fire on a car they thought belonged to a drug dealer, killing a three-year-old boy. The army, where it has been deployed against crime, has proved equally slapdash. Last month soldiers handed three young men from one shanty town to a gang in a neighbouring area. All were promptly murdered.

Part of Rio’s problem is that voters have long shown a preference for charm over administrative skills when it comes to choosing their politicians. Anthony Garotinho, a football commentator turned tele-evangelist, and his wife Rosinha, who between them governed the state with a startling incompetence from 1999 until 2006, are the most recent examples. According to André Urani, author of a forthcoming book on the city, the explanation lies in an abdication by Rio’s elite which, he argues, has regarded local politics as insufficiently important to merit its attention.

Yet even as Mr Cabral’s administration seems to be breaking this pattern, there are signs of it resurfacing elsewhere. The front-runner in the mayoral race in Rio, to be held in October, is Marcelo Crivella. He is the nephew of Edir Macedo, who runs the Universal Church of the Kingdom of God, a large network of Pentecostal churches. His uncle also co-owns the Rede Record group, which includes one of Brazil’s biggest news channels. Mr Crivella is a bishop in the church (he also has a career as a singer). Though this ought not to count against him in his bid to be mayor, his willingness to over-promise should. He recently got in trouble for suggesting in campaign leaflets that he could single-handedly remodel one of Rio’s largest shanty towns to resemble a picturesque hillside village in Italy.

Set against this tradition, Mr Cabral’s government, which is clean, competent and takes institutions seriously, is a huge improvement. Yet it is too early to declare Rio’s renaissance to be under way. As the machineguns in the shopping streets attest, there is still a huge amount to do.

02/03/2008 - 10:36h Um saco de maldades contra o Rio

Um surto de dengue e a persistência da tunga nos transportes públicos parecem pragas do Egito


ELIO GASPARI - O GLOBO - FOLHA DE SÃO PAULOaedes_aegypti.jpg

O RIO DE JANEIRO não merece a decadência de serviços públicos que lhe está sendo imposta. Numa só semana, apareceram duas maldades, uma na saúde e a outra nos transportes públicos. Na primeira, aprendeu-se que os casos de dengue no município chegaram a 5.217 em janeiro, um aumento de 367% sobre o o ano anterior. Isso num período em que houve uma queda de 40% nos números nacionais. Neste ano já morreram 14 pessoas de dengue no município. Um desastre dessa magnitude deveria levar os poderes públicos a arrancar os cabelos. Nada.
Esse números são calamitosos. Para preservar vidas, é conveniente lembrar a necessidade de busca de assistência médica ao primeiro sinal de febre. A recomendação vale sobretudo para crianças. A dengue é traiçoeira e pode reaparecer, colocando em risco a vida da pessoa em poucas horas. O pior cenário é aquele no qual o paciente buscou assistência, saiu limpo, a febre baixou e, dias depois, aparecem dores musculares e abdominais. Nesse caso, deve-se ir logo a um hospital.

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A segunda maldade foi o anúncio de que a partir de abril as passagens do metrô custarão R$ 2,60. Em janeiro, os ônibus subiram para R$ 2,10. A falta de uma política pública que integre essas duas redes de transporte está esbulhando o carioca.
A tunga pode ser percebida comparando-se os custos do Rio com os de São Paulo. Começando pelo metrô: como o do Rio não dá desconto aos clientes habituais, a partir de abril o carioca pagará R$ 2,60 por viagem, enquanto o paulistano que compra o pacote de 20 bilhetes pagará R$ 2,10. No Rio, o cidadão que toma dois ônibus para ir trabalhar e outros dois para voltar para casa paga R$ 8,40 por dia. Em São Paulo, isso custa R$ 4,60. Se fizer o percurso com uma perna no metrô, a conta carioca sairá por R$ 9,40. Em São Paulo serão R$ 7,30.
Essa diferença não é uma fatalidade geográfica. Ela decorre de políticas públicas iniciadas em 2004, quando a prefeita Marta Suplicy instituiu o bilhete único em São Paulo. A integração é possível e o metrô carioca transporta 13% de seus passageiros em linhas casadas com ônibus. Hoje essa tarifa está em até R$ 3,30. Quem impede o fim do esbulho é o predomínio da rapina das empresas de ônibus sobre o interesse público.
Ao assumir o governo, Sérgio Cabral prometeu instituir o bilhete único até o fim deste ano. A ver. Faltam dez meses.

31/01/2008 - 12:05h O motim dos Barbonos

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Thomas Traumann

Um dia após o governador Sérgio Cabral ter demitido a cúpula da Polícia Militar, 45 coronéis e tenentes-coronéis entregaram seus cargos em um motim inédito na história do Rio. Em assembléia ontem à noite, 250 oficiais da PM assinaram declaração afirmando”aceitar” o comando de Sérgio Cabral, mas “recomendar” que ele demita o secretário de Segurança Pública, José Beltrami, e reconduzir o antigo comandante da corporação, coronel Ubiratan Angelo. O jornal Extra afirma que o governo do Rio negocia com o Exército uma intervenção na PM. Tenentes-coronéis do Exército ocupariam cargos de comando na polícia. Com o motim de ontem, pelo menos 12 batalhões e o policiamento da Baixamento Fluminense estão hoje sem comando. Mais de trrzentos policiais detidos no Batalhão Prisional afirmam ter entrado em greve de fome em protesto contra a troca de comando e os baixos salários.

Para evitar um protestos dos oficiais (conhecidos como ‘grupo dos Barbonos’ em referência ao antigo nome da rua em que fica a sede da PM), Cabral antecipou a posse do novo comandante coronel Gilson Pitta. Pela primeira vez em 200 anos, a troca de comando aconteceu sem a presença da tropa, observa o jornal O Dia. Para impedir protestos, quinze homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), armados com fuzis, cercaram o gabinete onde ocorreu a cerimônia. O serviço de inteligência da PM temia que os oficiais dessem as costas ao novo comandante no momento da transmissão do cargo.
A insubordinação na PM fluminense começou no ano passado, quando o governo anunciou que ira conceder reajuste salarial de 1% ao mês por 24 meses. A PM do Rio tem segundo menor soldo do país. Mesmo estando na ativa, vários coronéis Barbonos montaram blogs para criticar o índice de reajuste e o secretário Beltrami.O que era um movimento sindical se aproximou do motim a partir de setembro, quando 43 policiais detidos por suspeita de ligação com o tráfico de drogas foram liberados por ordem judicial. Eles saíram da cadeia soltando fogos e atirando para o ar. Enquanto Sérgio Cabral considerou o clima de festa “péssimo”, o coronel Ubiratan dizia aos jornais que comemorar a liberdade era “normal”. No dia 18, o jornal O Globo publicou foto de cinco PMs saqueando um caminhão de cerveja. O então corregedor da PM, coronel Paulo Ricardo Paúl, responsável por punir desvios de conduta na corporação, disse que o saque era conseqüência dos baixos salários da tropa. Cabral pediu a exonoração de Paúl, mas Ubiratan apenas o transferiu para a Diretoria de Ensino, punição considerada branda pelo secretário de Segurança Pública e pelo governador.No domingo, o secretário Beltrami afirmou ao jornal O Dia que, para reivindicar salários, a PM precisaria antes “recuperar credibilidade”. No mesmo dia, o governador precisou pedir reforço policial para que um protestos dos oficiais não cercasse o partamento onde mora, no bairro do Leblon.

Paradoxalmente, o novo comandante da PM assinou o movimento de reivindicação salarial dos Barbonos em 2007. “Aquilo era a minha posição naquele momento, mas o rumo do movimento mudou”, disse Gilson Pitta. Pode ser, mas O Dia publica hoje foto de Pitta em reunião dos Barbonos ocorrida apenas uma semana atrás. Pitta é acusado pelo colegas de ter filmado a manifestação dos oficiais contra a casa de Cabral no domingo. Na solenidade de posse de Pitta destacou-se o discurso do novo chefe do Estado-Maior, coronel Suarez David, informa O Globo. Falando sobre o coronel Ubiratan, David disse que “ele tem um coração muito grande e, por isso, não tomou algumas medidas”. Depois, David fechou o punho e continuou: “Mas o meu coração é desse tamanhinho. É grande para os amigos, mas é deste tamanhinho. O meu braço é forte. Um é para os amigos. O outro é de ferro. Quem quiser que sinta o peso do meu braço. Traição em época de guerra, se punia com a morte, Não estamos em guerra, mas não suporto traição”.
Por Thomas Traumann

O Filtro é um guia para você começar o dia bem informado. Colunista de política e chefe da sucursal da revista ÉPOCA no Rio de Janeiro, Thomas Traumann acorda cedo e lê os principais jornais do Brasil e do mundo. Depois, analisa e comenta as notícias mais relevantes do dia, poupando seu trabalho de se perder na avalanche de informações da internet.

25/11/2007 - 08:52h "Não vamos melhorar a saúde pública sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor", diz Lula em entrevista para O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva

Com a irritação de um apaixonado torcedor e se queixando do desempenho da seleção brasileira no jogo da noite anterior contra o Uruguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia repetidas vezes, na quinta-feira de manhã, que sem ousar, arriscar, não se faz gol.
— A palavra de ordem deveria ser: pegou bola fora da área, mete ela pro gol. Mete. Chuta dez, uma entra — disse antes de começar a desfiar, na entrevista de uma hora e 15 minutos ao GLOBO, números sobre a economia, e reafirmar a convicção de que sem aumento de gastos públicos não consegue governar. — Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro, seria ótimo. Munido de folhas de papel com dados, Lula poucas vezes precisou consultá-los — cita-os praticamente todos os dias. Estava acompanhado, à mesa, por dois assessores. E um terceiro, à distância.

Ao longo da entrevista, gravada por uma equipe de TV da Radiobrás, o presidente tomou um café expresso, fumou duas cigarrilhas e encerrou com um copão de chá verde (a última moda no gabinete presidencial). Evocou Deus dezenas de vezes, inclusive quando falou da descoberta da Petrobras, tão badalada por sua “sombra”, como ele mesmo definiu a ministra Dilma Rousseff. O compromisso seguinte de Lula, naquela manhã, era a reunião do Conselho Político. A última com a participação do então ministro Walfrido dos Mares Guia, acusado pelo Ministério Público de lavagem de dinheiro e peculato no valerioduto tucano. No início da entrevista, Lula fez uma introdução livre e disse que 2008 terá, talvez, um Natal nunca antes visto neste país. Na retrospectiva do primeiro mandato, afirmou: — Tínhamos que aproveitar o momento em que o governo tinha muita credibilidade política para fazer o arrocho, porque assim poderíamos dar uma chance ao Brasil. Estamos prontos para o passo seguinte.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes

O Globo

O GLOBO: O arrocho não é mais necessário?

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: Não é. Já foi todo feito, enquanto arrocho; enquanto outras políticas e reformas, vamos continuar fazendo. Anunciamos um conjunto de programas que vão desabrochar a partir de fevereiro ou março de 2008. Vamos ter um 2008 melhor do que 2007. Vamos procurar outros assuntos para discutir e não discutir mais a inflação, por exemplo, que vai ficar em 4%. Vou trabalhar com todo o rigor para que a inflação se mantenha na faixa dos 4%, se puder, até um pouco menos.

Economistas falam da vulnerabilidade da economia brasileira para enfrentar uma crise mundial. O Brasil está forte?

LULA: Temos US$ 175 bilhões de reservas. O mercado interno brasileiro está se fortalecendo. Este ano, vamos ter talvez um Natal dos melhores de toda a história, porque uma camada imensa de seres humanos que ficaram marginalizados está entrando na sociedade que compra.

O avanço de camadas que antes não consumiam existe, mas se dá muito com base no crédito. Isso pode criar uma bola de neve? Esse foi o problema da bolha americana…

LULA: O problema dos Estados Unidos é outro. Qual era a lógica? Você comprava uma casa por US$ 300 mil, passados dois anos, aquela casa aumentava em US$ 100 mil o valor dela e você poderia fazer um crédito de mais US$ 100 mil. Na hora em que desvalorizou os imóveis, você ficou pendurado. Esse não é o nosso modelo. As pessoas estão se endividando para comprar coisas que precisam dentro de casa; querem comprar uma geladeira, uma televisão, um telefone, um carrinho, mais roupas… É só vocês irem, não sei se lá no Saara no Rio de Janeiro, na 25 de Março em São Paulo, para ver uma população de causar inveja à China. Um caminhão está demorando quatro, cinco meses para ser entregue.
Ora, é um problema gostoso.

O senhor mencionou a demora nos caminhões. Existe limitação para o crescimento, de bater num teto e não expandir mais?

LULA: Não existe.

Nem pelos gargalos de infra-estrutura…

LULA: Não existe.

A infra-estrutura comporta o crescimento? Tem crise energética, a Aneel disse que pode voltar a faltar gás…

LULA: Lançamos o PAC, mas essas coisas não acontecem em um dia. No ano que vem, quem mora nas 13 principais capitais vai ter o privilégio de ver a quantidade de obras de saneamento básico que vai acontecer nessas cidades. São R$ 40 bilhões.

E a questão do gás?

LULA: De vez em quando no Brasil a gente tenta mistificar as coisas. Estamos com o sistema elétrico muito mais preparado do que em qualquer outro momento, porque estamos fazendo uma interligação de todo o sistema. Em 2001, você tinha excesso de água no Sul e falta de água no Sudeste. O Sul não tinha como transferir energia, porque não tinha linhas de transmissões.

Não haverá racionamento?

LULA: Não acredito. O gás é uma matériaprima em que não temos auto-suficiência.
Se Deus ajudar e esse anúncio da Petrobras se confirmar, enfim, estará resolvido o problema do gás.

A falta de gás pode comprometer o crescimento?

LULA: Não. O Brasil tem álcool, gasolina, biodiesel, gás. O cidadão pode achar ruim ter de pagar uma coisa mais cara do que outra, mas não vai ficar parado por falta de combustível.

Os investimentos em infra-estrutura crescem, mas há um crescimento ainda maior dos gastos públicos. Vê possibilidade de redução?

LULA: Não acontece isso. Saímos de R$ 2 bilhões do orçamento do Ministério de Transporte para R$ 10 bilhões.

Em 2003, a gente gastava do PIB 4,6% com pessoal. Em 2006, estamos gastando 4,6% também. Em 95 se gastava 5,3%. Vejo as pessoas dizerem que o funcionalismo público ganha muito. Fico com inveja do salário da iniciativa privada para as funções que eles acusam que aqui no Brasil ganham muito.

Os gastos têm mesmo que aumentar?

LULA: Se fosse possível fazer a máquina funcionar diminuindo dinheiro, seria ótimo. Não vamos melhorar a saúde pública sem contratar médicos. Não vamos melhorar a educação sem contratar professor.

O histórico do crescimento dos gastos no Brasil, nos últimos dez anos, está sempre acima do PIB. Há possibilidade de crescer menos?

LULA: Se você quiser comparar o PIB, vou dizer que em 1995, se gastava 5,3% do PIB com pessoal. Hoje, 4,6%.

Pode diminuir? Ainda está acima do crescimento do país …

LULA: Não, não está acima. O crescimento do PIB vai ser mais.

Ah, vai ser …

LULA: Eu não sei. Estou otimista.

Estamos trabalhando com dados existentes. Estamos encurralados, porque se gasta mais do que se cresce, como o país cresce assim?

LULA: Você vai cada vez mais melhorar a arrecadação do Estado, vai melhorar a gestão do Estado à medida que melhora a qualidade das pessoas que trabalham.

O presidente do Ipea, Márcio Pochmann, disse que o Estado é raquítico. É uma opinião parecida com a sua? O Estado ainda tem o que crescer?

LULA: O Estado brasileiro vai crescendo à medida que o país vai necessitando de um Estado que precise crescer mais. A tese do Márcio Pochmann é correta. Se se comparar o número de funcionários públicos com a população brasileira, percebe-se que o Brasil é um dos países que tem menos. O problema é que a gente tem uma parcela de funcionários mal-remunerados e, portanto, desmotivada.

Está havendo um trabalho de recomposição desses salários desde o primeiro mandato …

LULA: Estamos recompondo e cada vez precisa mais.

O senhor acha que os resultados disso estão aparecendo…

LULA: É só olhar o resultado do país. É evidente que estão aparecendo.

Eu digo em relação ao atendimento à população.

LULA: Melhorou muito. E ainda falta melhorar muito.

O que achou da polêmica em torno da troca de dirigentes do Ipea? Pessoas da comunidade acadêmica acham que houve perseguição política, enquadramento do Ipea…

LULA: Engraçado isso. Se tivesse um mínimo de verdade, o Márcio Pochmann não estaria no Ipea.

Por quê?

LULA: Porque ele escreveu vários artigos criticando o governo. Ora, meu Deus do céu, o mínimo de direito que tem alguém que é colocado num cargo de presidente de uma instituição como o Ipea é colocar quem ele queira colocar, trocar quem ele queira.

Mas são pesquisadores …

LULA: Mas você há de convir que o Pochmann tem direito de dizer: “Eu quero tal pesquisador comigo e não quero esse”. É o mínimo.

O senhor se incomodou com estudos e críticas desses pesquisadores?

LULA
: Nunca me incomodei e não vou me incomodar.

O senhor descarta completamente patrulhamento, de novo pensamento único no Ipea?

LULA: É só ver o resultado. Há uma coisa que faz a minha cabeça, desde o tempo em que eu era dirigente sindical. Trabalho com o conceito de que a máquina pública é máquina pública, e ninguém pergunta para o cidadão concursado se ele é religioso, se gosta de futebol ou se pertence a partido. Ele faz o concurso, passa e vai trabalhar.

E a polêmica de imposto sindical? O senhor é bastante produto da luta contra o imposto. Como se vê, diante da História, depois que sair do governo como aquele que teve a oportunidade de fazer a mudança que sempre pediu, mas, no momento em que a discussão surgiu, viu seu partido e sua base agirem ao contrário?

LULA: Aquela proposta que foi aprovada é uma proposta complicada, porque tira o imposto sindical dos trabalhadores e não tira dos empresários. É importante saber que milhares de sindicatos não têm condições de sobreviver sem imposto sindical.

Mas o imposto deve continuar obrigatório?

LULA: Minha filosofia sindical é que quem deve determinar a forma de arrecadação e a quantidade de contribuição são os trabalhadores em assembléia. Por isso, historicamente, eu fui contra o imposto sindical. Só acho que é preciso dar um tempo de transição para que as pessoas se ajustem à nova realidade.

Qual transição? O Congresso fala em três anos.

LULA: É dar um prazo. Não sei.

O imposto sindical não produz mais pelegos?

LULA: Não estou discutindo a filosofia do que vai ser o dirigente sindical.
Tenho uma briga histórica contra o imposto sindical. Isso faz parte da minha matriz como sindicalista.

O senhor falou que na oposição fazia bravatas. Quando voltar para a oposição e fizer críticas, o que vai acontecer? A imprensa vai dizer que o senhor está fazendo bravata?

LULA: É preciso saber quando a oposição faz oposição em torno de propostas concretas e quando faz bravata. São coisas distintas. Não misture oposição com bravata. Bravata é quando o cara propõe coisas ou ameaça coisas que ele sabe que não pode fazer. Agora, fazer oposição, ser contra um projeto do governo, é legítimo e não tem restrição. Quando falo da economia, falo porque vivi 30 anos do outro lado, e todo ano a gente era pego de surpresa com um pacote, alguém anunciava um milagre. Agora, não. O Guido Mantega é meu ministro, e falo para ele: “Olha gente, não tem mágica, não tem mágica, não inventem! Em política econômica a gente não inventa”. Tenho discutido política cambial. A verdade é que escolhemos a forma correta, o câmbio flutuante. E o câmbio flutuante flutua. Ele vai flutuar, para cima ou para baixo. Em time que está ganhando a gente não mexe

Por mais criticado que seja pelas defesas que faz do colega Hugo Chávez e por mais polêmicas que o venezuelano protagonize mundo afora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não arreda pé de sua posição em relação à Venezuela e ao seu presidente. Diz que a política da Venezuela é uma questão do povo venezuelano e que Hugo Chávez não representa risco para a democracia no continente. E que Chávez terá de acatar o resultado da consulta popular sobre a reforma da Constituição da Venezuela, que, entre outras mudanças, permite a reeleição indefinida. E, num recado velado à oposição no Brasil, diz que os brasileiros têm de perder a mania de dar palpites na vida dos outros. — Como maior economia, nós temos que ter responsabilidade de fazer com que as coisas vão bem. Eu dizia que o irmão mais velho, o irmão maior sempre tem de ter generosidade com os outros irmãos.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes
BRASÍLIA

O GLOBO: A relação política do Brasil com a Venezuela tem algum problema, neste momento, em razão de críticas do presidente Hugo Chávez ao Brasil e ao Congresso? E sobre a questão de democracia na Venezuela?

LULA: Eu sou defensor da autodeterminação dos povos. Cada país determina o regime político que quer. A Suécia determina o seu, os Estados Unidos determinam o seu, o Brasil determina o seu, a Venezuela determina o seu. Por que eu vou ficar criticando ou aplaudindo a decisão da maioria do povo de um país? O regime político da Venezuela, o mandato do presidente é um problema do povo venezuelano. Ao Brasil, interessa ter uma relação do Estado brasileiro com o Estado venezuelano. Isso tem que ser construído quase que de forma definitiva. Agora, minha relação pessoal com o Chávez é outra coisa, minha relação pessoal com o Kirchner é outra coisa. Eu acho que nós aqui no Brasil precisamos parar com essa mania de dar palpite na vida dos outros. No regime parlamentarista, tem primeiro-ministro que fica 18 anos, 16 anos. Em alguns países, o primeiroministro manda de verdade, e o presidente é apenas o chefe de Estado, é solene.

Mas é um regime diferente. O primeiro-ministro pode ficar um mês também.

LULA
: No regime presidencialista, quando o povo quer, o presidente sai do mandato.

É mais difícil.

LULA: Não é mais difícil. Nós já vimos nos Estados Unidos, já vimos no Brasil. Eu acho é que nós devemos cuidar do nosso quintal, que já é grande: são quase 190 milhões de habitantes, 8,5 milhões de quilômetros quadrados e problemas muito grandes. O Brasil precisa ter uma boa relação com a Venezuela independentemente de quem seja o presidente do país.

O Brasil tem de ter investimento na Venezuela, fazer parceria com a Venezuela, porque interessa ao Brasil, como país mais rico da América Latina, como a maior economia da América Latina, que a gente tenha tranqüilidade no continente. Essa foi minha conversa com o presidente (George W.) Bush, em Camp David. Eu disse ao presidente Bush que está na hora de os Estados Unidos olharem para a América Latina com outro olhar, com olhar de investimento, com olhar de ajudar os países da América Central a crescerem, porque é a única oportunidade de ter paz. Da década de noventa para cá, com exceção das FARCs, que existem há 40 anos, não tem hoje nenhum país da América Latina falando em luta armada. Os países entraram no jogo democrático. Eu dizia ao Bush que é preciso valorizar isso.

Então o senhor acha que não há risco com Chávez?

LULA: Não há risco nenhum com Chávez, não há risco nenhum com a Bolívia.

Há uma consulta popular sobre as mudanças na Constituição e pesquisas indicam que Chávez pode não ganhar. Há risco de ruptura?

LULA: Quem se submete a uma eleição tem de se submeter ao resultado dela. O Chávez está convocando um plebiscito. Se ele ganhar, ótimo; se ele perder, ótimo. Ele vai acatar o resultado. Vocês esquecem que aqui no Brasil nós fizemos um plebiscito para saber se o povo queria monarquia, se queria parlamentarismo? E se o povo escolhesse a monarquia, quem seria o rei? Nós já passamos por isso.

Algumas pessoas dizem que o senhor tem essa relação de carinho, de não confrontar, porque realmente acredita na política do Chávez ou porque não quer partir para o confronto com a Venezuela, pois interessa ao Brasil. As duas versões são verdadeiras? Onde está a verdade?

LULA: É porque eu compreendo bem as razões dos conflitos que aconteceram no século XIX, e a gente não pode, no século XXI, repetir os mesmos erros. Às vezes, as guerras se dão por palavras. Quando fui à Guiné Bissau, tinha tido uma tentativa de guerra civil, e a Guiné Bissau é um dos países mais pobres do mundo, eu dizia para o primeiroministro e para os deputados, guerra para quê? Primeiro você tem de construir esse país. Na América Latina, os países precisam ser construídos. A Venezuela é um país rico, com potencial extraordinário, e eu tenho dito ao presidente Chávez: é preciso cuidar urgentemente de industrializar a Venezuela. Tem muitos empresários brasileiros trabalhando na Venezuela, fazendo investimentos e parcerias.

O senhor vai lá agora…

LULA: Vou lá dia 13 de dezembro e vai uma série de empresários.
A Venezuela tem potencial grande, a Colômbia tem potencial grande. Para nós, se todos os países da América Latina, sobretudo os que fazem fronteira com o Brasil, estiverem bem, o Brasil está bem. Então, como maior economia, nós temos que ter responsabilidade de fazer com que as coisas vão bem. Eu dizia que o irmão mais velho, o irmão maior sempre tem de ter generosidade com os outros irmãos. Se não for assim, você vive em conflito permanente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva jura que não pensa em sucessão, mas já traçou seu cronograma político-eleitoral até 2010. Ao contrário do que falou aos aliados, disse que não subirá em palanque ano que vem, e que tratará de sua sucessão a partir de 2009. Ele insiste em candidatura única da base, mas evita citar nomes, com cuidado maior com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), apontada por governistas e oposicionistas como aposta para 2010.— Ela é minha sombra — diz Lula sobre Dilma.

Na esperança de afastar especulações, afirma que não incentivará mudanças para conquistar o direito de disputar o terceiro mandato em 2010, mesmo que todos os fatores conspirem a seu favor.

Sergio Fadul, Diana Fernandes, Luiza Damé e Luiz Antônio Novaes
BRASÍLIA

GLOBO: O senhor tem desautorizado que falem em terceiro mandato. Diante da possibilidade de que a oposição fique dividida, o PT sem candidato natural e o senhor com popularidade alta, resiste a um terceiro mandato?

LULA: Resisto. Resisto. Eu tinha feito promessa de não discutir o assunto. Fiz uma profissão de fé de dizer que não toco mais nesse assunto. Ninguém me ouviu falar em terceiro mandato. Todo mundo sabe que eu era contra a reeleição. Só não mando um projeto acabando com a reeleição porque fui reeleito. Mas todo mundo sabe que era contra reeleição, que prefiro mandato de cinco anos, sem reeleição.

Por quê?

LULA: Acredito na alternância de poder. Não sei de onde surgiu essa história (terceiro mandato). A história do plebiscito não aconteceu no meu governo, não.
Aconteceu em 2001. É só irem ao Congresso, vão perceber que a história do plebiscito não é minha. Não quero que publiquem isto, é apenas informação: quem defendeu terceiro mandato foi Fernando Henrique Cardoso, que defendeu o terceiro mandato do Fujimori (ex-presidente do Peru). Ou vocês esquecem que publicaram isso? Então, eu sou contra, como filosofia.

Há amigos seus a favor do terceiro mandato.

LULA: Não, não são a favor de terceiro mandato. O que o Devanir (deputado Devanir Ribeiro, do PT paulista) propôs, querido, era o direito de o presidente da República convocar plebiscito.Não falou em terceiro mandato.

Mas o que se diz é que por trás do plebiscito tem a idéia do terceiro mandato.

LULA: Membros da oposição que me conhecem sabem que não exercito brincadeira com democracia. A democracia precisa se transformar num valor para a sociedade brasileira. Somos um país em formação. Alternância de poder é muito bom, porque o povo tem a cada eleição a chance de escolher o melhor. Pode dar certo ou não, mas tem a chance. Quer coisa mais extraordinária do que esse exercício da democracia? Não quero mais falar nesse assunto.

Com o PT sem candidato, teria dificuldade em apoiar candidato de outro partido? Enfrentaria o PT para apoiar Ciro Gomes? Além de Dilma e Patrus, que nomes teria na equipe em condições de ser presidenciável?

LULA: A sorte de eu ter participado de muitas eleições é que essa pergunta me foi feita muitas vezes. Deixa eu dizer o que o presidente da República pensa: só irei pensar na minha sucessão a partir de 2009. Quero cuidar de ver este país fazer as eleições municipais com tranqüilidade — é importante ter claro que o presidente não participará das eleições municipais…

Não vai subir em palanque de ninguém?

Lula: Não vou subir em palanque. Não vou subir. A partir das eleições municipais, quando entrar 2009 eu começarei a me preocupar com a sucessão. E a oposição também. Por enquanto só quem tem nome, ou nomes, é o PSDB. Pois bem. O que posso dizer é que a base aliada, essa é a minha convicção, terá que ter uma candidatura única.

O senhor acha isso possível no primeiro turno?

LULA: Acho possível construir isso no primeiro turno. Acho possível que cada partido queira ter candidato. Acho legítimo. Não é o que gostaria. Não estou discutindo candidaturas, muito menos nomes. Cada nome que eu citar vai ficar cravado que estou pensando naquele nome.

Não está pensando em um partido, ao falar em base…

LULA: Isso, não estou pensando em um partido. É a base.

Pode ser do PSB , do PMDB…

LULA: Pode ser de outro partido. Não tem que ser do PT. O PT pode querer ter candidato, é legítimo. O PCdoB pode querer, o PMDB pode querer. O PMDB tem ministros, senadores, a maioria dos governos, um estado como o Rio de Janeiro. Acho legítimo. Da minha parte não terá briga. Vou tentar convencer a base de que o prudente é que a gente tente candidatura única. Isso vou discutir mais para frente.

A ministra Dilma Rousseff é apontada como a presidenciável do momento.

LULA
: Eu nunca apontei. Nunca nem perguntei.

Mas é apontada por aliados, por petistas. O que acha disso?

LULA: Não tem, não tem. Como sou favorável à liberdade de expressão, cada um fala o que quer e responde pelo que falar. Posso dizer que não tenho nomes, nem interno nem externo.

Pela quinta vez, o senhor perde seu articulador político.

É uma área problemática? (pergunta enviada por e-mail, após a queda do ministro)

LULA: Não é problemática. É importante e, por ser importante, é complicada, porque tem relação política. É importante saber por que trocamos cinco vezes. Quando começamos, a articulação política estava na Casa Civil, com o Zé Dirceu. Resolvi separar e coloquei o Aldo Rebelo para ser coordenador político. O Aldo saiu para voltar a ser deputado e foi eleito presidente da Câmara.
Veio o Jaques Wagner, que saiu para ser governador da Bahia.
Veio o Tarso Genro, que saiu para ser ministro da Justiça.
Veio o Walfrido (dos Mares Guia), que saiu por causa desse problema das eleições de 98. E agora tem o Zé Múcio (Monteiro). Esse cargo de coordenação é um dos mais importantes do governo, é sensível porque você tem de ter relações com Câmara e Senado, partidos políticos, prefeitos e governadores.

Tem uma diversidade política extraordinária. Lamento profundamente o que aconteceu com o Walfrido, reconheço a indignação do Walfrido, porque ser indiciado por um processo que já tem nove anos sem que ele tenha sido ouvido em algum momento e, mesmo quando ele prestou depoimento, não foi perguntado a ele nada sobre o assunto, ou seja, foi perguntado sobre outro assunto, é motivo de ficar indignado mesmo. Espero que se faça justiça, que esse problema se resolva logo. O governo está extremamente bem representado com a figura do deputado José Múcio — é um dos mais brilhantes do Congresso, foi líder nesses últimos tempos, com atuação impecável, e certamente manterá essa atuação como coordenador político. Acredito.

O presidente Lula refuta a idéia de que há solidão no poder, mas se ressente de não ter vida pessoal em Brasília. Confessa que, se pudesse, passaria um dia no Planalto e sete viajando pelo Brasil. Foi um ato falho, mas Lula bem que gostaria de uma semana de oito dias, a julgar pelo pouco tempo que diz ter para a família. Na rotina no Planalto, normalmente de 9 da manhã às dez da noite, com almoço no Alvorada, Lula diz que não tem tempo para conversas amenas. Brincando, diz que dona Marisa cobra que ele cuide da agenda em casa. Isso quando está em Brasília.Lula fala em erros e acertos — considera que mais acertou do que errou. Perguntado se teria cometido um grande erro, responde:
— Não. Não.

O senhor sabe o nome de seus 37 ministros?

LULA: Até dos que já foram ministros.

Qual entra aqui sem bater na porta?

LULA: Não, ninguém entra sem bater na porta.

Já teve algum que entrou sem bater, metia a mão na maçaneta e entrava?

LULA: Nenhum.

Que ministros têm mais acesso ao gabinete?

LULA: Os da Casa. Fora os da Casa, o ministro da Fazenda, com quem despacho toda semana, às vezes mais de uma vez por semana, para saber como é que está acontecendo, por que tal setor não está indo bem. O Paulo Bernardo, para discutir o Orçamento, por que é que o Orçamento não está sendo executado. A ministra Dilma Rousseff, não só porque está aqui do lado. É que ela é a minha sombra na administração. É coordenadora do PAC, tem que prestar conta todo dia. O Dulci, porque cuida de políticas sociais. O Itamaraty, porque ando demais, sabe? E tem outros que têm rotina de uma reunião por mês.

Quem traz notícias boas e ruins?

LULA: Deixa eu falar uma coisa triste… Se pudesse escolher, eu ficaria um dia neste gabinete e sete viajando o Brasil. Sabe por quê? Ninguém traz notícia boa a este gabinete.
Quando a notícia é boa, festejam sem precisar eu saber. Quando a notícia é ruim, quando as coisas não estão acontecendo, eles vêm pra cá. Sobretudo quando precisam de mais dinheiro. Todo mundo quer mais, as pessoas não se conformam com o que têm.

O senhor tem momentos de conversas amenas, brincadeiras, piadas?

LULA: Não, não tenho. Esse é um problema de agenda que tenho que resolver. Já estou velhinho, com 62 anos.

Onde encontra energia para ficar aqui das 9 da manhã às dez da noite?

LULA: Motivação, motivação. Sou um cara que estou feliz pelas coisas que estão acontecendo no Brasil. E triste pelas que não estão acontecendo. Mas quero fazer acontecer.

Está virando bordão, em programa humorístico e em propaganda, a expressão que o senhor usa muito, ‘nunca antes neste país’. O que acha disso?

LULA: Sabe o que eu acho importante? Não é mais o governo que fala, são as pessoas que falam agora. No lançamento do programa de ciência e tecnologia, uma pessoa falou que é a primeira vez…
Então, é a primeira vez que tratam os catadores de papel com respeito, a primeira vez que tratam os quilombolas com respeito. Quer saber de uma coisa? É a primeira vez que essas pessoas entraram no Palácio.

O senhor disse no discurso de vitória, em 2002, que jamais poderia errar. A pergunta é: qual o seu maior erro? Cometeu algum grande erro no governo?

LULA: Devo ter cometido erros, cometido acertos. Temos muito mais acertos do que erros.

Mas o senhor não se lembra de um grande erro, daquele que morde até hoje, que não podia ter feito…

LULA: Não, não. Até porque vou fazer meu julgamento quando terminar 2010. Eu vou fazer uma reflexão.

(Já de pé, Lula conversa informalmente com os jornalistas): LULA: Não falamos de Sérgio Cabral…. Que diferença! Como mudou a relação do governo federal com o Rio! O Sérgio Cabral é incrível. Vocês percebem que ele não tem ranço? Está muito bem.

Já estão dizendo que ele pode ser uma opção do senhor para 2010…

LULA: Por enquanto, ele pode ser opção primeiro do PMDB…

E a vida em Brasília, sem filhos e netos, muito ruim?

LULA: Eu confesso que não tenho vida.

Solidão do poder não é bem o termo ?

LULA: Não tenho solidão para tomar decisão. Mas, veja, levanto às 6h da manhã todo dia. Faço uma hora de ginástica todo dia, faço musculação. Chego aqui todo dia às 9h e não tem hora para sair. Pode ser 9, 10, 11, 11 e meia… Chego em casa, e aí dona Marisa, como todas as mulheres, diz que eu tenho que cuidar da minha “agenda”. E eu não vou à casa de ninguém dia de sábado e domingo porque eu… Em Brasília às vezes tem muita futrica, e eu prefiro não… Eu nunca fui a um aniversário, nunca fui a um casamento, eu nunca fui a um jantar. De vez em quando eu convoco…
eu convido um companheiro para ir em casa para conversar um pouco comigo, para jantar…

O senhor dizia na campanha que o segundo mandato seria mais fácil porque tinha aprendido os caminhos do poder. Está sendo mais fácil?

LULA: O medo que eu tinha do segundo mandato era da mesmice.
Lembro que, no enterro do Octavio Frias, o Fernando Henrique Cardoso me falou: “Você vai ver depois do segundo ano, quando os ministros estiverem pensando nas suas candidaturas”. Graças a Deus, sabe, é um desafio para mim… Todo dia tenho que me motivar para fazer o segundo mandato ser melhor que o primeiro. Todo dia. É uma profissão de fé que fiz.

Todo dia eu me motivo. Graças a Deus essa quantidade de programas que lançamos são um oxigênio extraordinário para o presidente fazer um segundo mandato melhor que o primeiro.

23/10/2007 - 00:08h Cabral diz que não há dicotomia entre direitos humanos e ordem pública

Fábio Vasconcellos - O Globo e RJ TV

Incursão de delegacias especializadas no Morro da Mineira, nesta segunda-feira / Foto: Domingos Peixoto

RIO - Em solenidade esta tarde no Palácio Guanabara para assinatura de protocolos e intenção na área do turismo, o governador Sérgio Cabral rebateu as críticas de que a polícia do Rio não respeita os direitos humanos. Sem dar nomes, o governador afirmou que os críticos tratam como assuntos distintos direitos humanos e ordem pública. Na semana passada, o governador e a OAB-RJ trocaram farpas após a ação no Morro da Coréia, que resultou na morte de 13 supostos bandidos.

- A democracia depende de ordem pública. Essa falsa dicotomia entre direitos humanos e ordem pública, que prevaleceu no Rio durante muitos anos, é que levou o estado a isso. Como se direitos humanos e ordem pública não pudessem conviver. Quem mais sofre com aqueles selvagens da Favela da Coréia, com os selvagens da Favela do Alemão, são os moradores do Alemão, são os moradores da Rocinha, Coréia. A cidade inteira sofre, mas os que moram lá sofrem muito mais. A barbaridade é diária.

Subsecretário diz que inteligência nem sempre evita confrontos

Mais tarde o governador afirmou que não estava se referindo às críticas da OAB:

- Acho que a OAB é uma instituição histórica, respeitável, presidida por um advogado que tenho enorme admiração, dr. Wadih. Ele está no papel de discutir o assunto. Não tem que ter da nossa parte nenhum autoritarismo. Temos que discutir, falar francamente. É um debate de idéias. Não há uma posição monolítica. Só quero cada vez mais reiterar que não se tem democracia sem ordem pública. A democracia pressupõe o respeito à ordem. Ninguém concebe que no seu bairro um policial seja recebido a tiros. Em algumas comunidades do Rio o policial não pode entrar porque leva tiro. Isso não é normal.

Em entrevista para o RJ TV, o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, Edval Novaes, falou como o governo pretende agir para atingir as metas de redução da criminalidade.

RJTV - O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, falou em confronto quando for necessário e atuação permanente de inteligência. Que resultado esta estratégia tem trazido para o combate ao crime?

Joca, chega ao Rio vindo de Fortaleza / Foto: Marcos Tristão

Edval Novaes - O resultado tem sido o que a população tem visto: prisões e apreensões. O que é importante frisar é que, apesar da atividade de inteligência, isso não significa que não ocorrerão confrontos. Nós gostaríamos de que as operações sem tiros, como a da prisão do traficante Joca, em Fortaleza , fossem a regra. Mas, infelizmente, muitas vezes os traficantes se encontram em comunidades carentes, encastelados em áreas de difícil acesso para a polícia e, certamente, cercados de muitos seguranças com armamentos pesados.

A população tem passado informações para a polícia, muitas vezes através do Disque-Denúncia. O senhor acha que isso é uma mudança de comportamento dos moradores das comunidades e das áreas vizinhas?

Com certeza. A participação da população tem sido fundamental no auxílio ao trabalho da polícia. Nós pedimos que essa confiança no nosso trabalho permaneça e que, cada vez mais, a população continue denunciando.

Existe alguma forma de proteger essa população em casos de operações onde há tiroteio e confronto?

O que nós buscamos é fazer as incursões da maneira mais cirúrgica possível, em horários onde a população esteja mais protegida. Ou seja, nós procuramos evitar horários de entrada e saída de colégios, de saída e retorno da população ao trabalho. Nem sempre isso é possível, mas é o que nós sempre buscamos.

Que análise o senhor faz dos últimos números do Instituto de Segurança Pública (ISP)?

Um índice importante foi na questão dos homicídios, com um resultado menor em relação a setembro. Mas é interessante destacar também que qualquer estatística tem que fazer uma referência em relação a mais de um período. Neste caso, estamos comparando apenas agosto com setembro. Se nós pegarmos estes mesmo números e compararmos com setembro de 2006, ainda assim nós temos uma queda nos índices. Da mesma forma, se nós pegarmos o acumulado de janeiro até setembro de 2007, nós temos números menores do que o acumulado de janeiro a setembro de 2006. Independente disso, desde que o ISP foi criado, dos 11 principais índices medidos, 8 deles diminuíram no nosso governo, ou seja, de janeiro até outubro.

21/10/2007 - 14:10h O governador Nascimento ou o capitão Cabral?

OPINIÃO

WÁLTER FANGANIELLO MAIEROVITCH
ESPECIAL PARA A FOLHA DE SÃO PAULO

O governador Sérgio Cabral, com as operações de guerra realizadas nas favelas da Coréia, Rocinha e Dona Marta, legitimou-se para poder pedir ao governo George W. Bush uma “boa-grana” para lançar o “Plan Rio de Janeiro”. Algo da série “Plan Colombia” e do recentíssimo “Plan México”, dos presidentes Calderon (México) e Bush.
Se faltava sangue, morte de uma criança e helicóptero para matar covardemente suspeitos em fuga, depois da Operação Bope na favela da Coréia tudo ficou completo. Ou melhor, os requisitos básicos foram atendidos para a política bélica do governo Sérgio Cabral adequar-se à “War on Drugs” (Guerra às Drogas). Esta iniciada pelo então presidente Richard Nixon, de triste memória.
A Guerra às Drogas, que emprega o confronto para matar “inimigos”, foi ampliada pelo então presidente Ronald Reagan.
Coube a Reagan globalizar a “War on Drugs”, pois declarou combate bélico em qualquer ponto do planeta. Como se sabe, queria mesmo um pretexto para invadir países, a fim de combater o comunismo. Na “War on Drugs”, que os presidentes pós Nixon, democratas ou republicanos, mantêm até hoje, entraram de cabeça vários ditadores.
Alguns até para “lavar” os indícios de aliados do narcotráfico, como o presidente Hugo Banzer na Bolívia e Noriega no Panamá. E a relação é grande. Por exemplo, a dupla formada pelo ex-presidente Alberto Fujimori e pela eminência parda da ditadura, Wladimiro Montesinos, ex-agente da CIA. Ambos estão presos no Peru. Ainda passa pelos presidentes colombianos Andrés Pastrana e Álvaro Uribe.
Dentro e fora dos Estados Unidos, a militarização do combate às drogas e ao crime organizado que opera o tráfico, a chamada “War on Drugs”, faliu. Os norte-americanos são campeões mundiais de consumo de drogas ilícitas.
Apesar do alerta inserto na Convenção de Viena de 1980, pelos sistemas bancário e financeiro internacionais, o mercado das drogas proibidas continua a movimentar anualmente cerca de US$ 300 bilhões.
A operação do Bope na favela da Coréia, com a morte de 15 pessoas, incluídos um menino de quatro anos e um policial, foi uma outra irresponsabilidade do governador Cabral, agora a encarnar o papel de capitão Nascimento.
Mais uma vez, civis inocentes, favelados e pobres, ficaram no meio do fogo-cruzado. E as autoridades fluminenses afirmaram que a ação foi planejada. Como se percebeu, ela foi projetada para a população ficar em risco, entre policiais e traficantes. Traficantes do bando de um tal Márcio da Silva Lima, apelidado de Tola, que, pelo jeito, não está entre os mortos suspeitos de integrar o bando que tem controle social e territorial da Coréia. Para o governo do Rio de Janeiro, antes do confronto foram realizados trabalhos de inteligência. Seguramente, uma inteligência-burra.
Modernamente, a inteligência, no combate às drogas -que é um dos rentáveis negócios da criminalidade organizada-, ocorre pela infiltração voltada a afetar a economia movimentada. Para isso, o infiltrado oferece vantagens à organização criminosa: lavagem, reciclagem, ampliação de lucros, drogas em consignação, armas potentes etc.
Como tais propostas de vantagens dependem sempre da aprovação do “chefão”, abre- se caminho para o contato e a coleta de informações. Outra medida utilizada é desplugar o bando das redes de oferta de drogas no atacado e de armas.
Enfim, existem vários caminhos engenhosos em países que, em respeito a direitos humanos e à eficiência no contraste ao crime, não aceitam a fracassada e enganosa política da “War on Drugs”.
A “War o Drugs”, no momento, só é útil em dois casos. Primeiro, para tentar legitimar o presidente mexicano Calderon, que desde o primeiro dia de mandato guerreia com os cartéis das drogas, sem sucesso e muitas mortes. Segundo, governos populistas, que faturam politicamente em ações espetaculares e de resultados lamentáveis.


WÁLTER FANGANIELLO MAIEROVITCH, 60, desembargador aposentado, ex-secretário nacional antidrogas (governo FHC) e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de contraste às máfias

20/10/2007 - 21:14h polêmica - Cabral responde à OAB: o governo não deseja o confronto, mas não vai recuar

Gustavo Paul - O Globo

RIO e BRASÍLIA - O governador Sérgio Cabral divulgou na noite deste sábado uma nota oficial para rebater as críticas feitas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), à atuação da polícia na Favela da Coréia.

- O governo do estado do Rio de Janeiro reitera que as ações da polícia são planejadas com inteligência, que não deseja o confronto, mas que ele é inevitável. O governo não vai recuar de sua obrigação de buscar e garantir a segurança da população.

Mais cedo, o presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, reagira duramente à ironia feita pelo governador do Rio, Sérgio Cabral , às críticas à ação policial na favela da Coréia , ocorrida nesta semana. Em nota, Damous afirmou que a OAB ficou chocada com as imagens da caçada promovida por um helicóptero da polícia a dois fugitivos, aparentemente desarmados. A ação, aponta o texto, foi mais um episódio da guerra travada na cidade em nome do combate à criminalidade, que a sociedade carioca assistiu “já quase sem qualquer espanto” e resultou nas “costumeiras mortes de pessoas sem nomes e vitimou uma criança de 04 anos de idade e um policial”. Os leitores do GLOBO ONLINE, em seus comentários, criticaram com veemência a posição da OAB .

Não aceitamos, contra tudo e contra todos se for preciso, que o ser humano seja tratado como animal de abate


“A OAB/RJ, assim como toda a sociedade, chocou-se com tamanha crueza. E mais ainda, indignou-se sim com a forma pela qual as forças policiais perseguiram aqueles dois jovens, que, pelas imagens, não exibiam armas, e ainda assim foram caçados e mortos sem qualquer direito de defesa”, diz a nota, que não poupa a posição adotada pelo governador Sérgio Cabral.

“E a nossa indignação motivou críticas de vários setores, notadamente do governador do estado, criando a falsa idéia de que a criminalidade somente poderá ser combatida à margem do ordenamento legal e sem investimentos sociais capazes de oferecer alternativa de vida digna à juventude pobre criminalizada e sem horizontes”, afirma o texto.

Na sexta-feira, Cabral disse que respeitava a opinião da OAB mas não poderia usar a diplomacia e a negociação para pedir aos traficantes a devolução de armamento pesado.

De acordo com o presidente da OAB, não é aceitável que um aparato policial-militar, “mais apropriado para a guerra do que para uma operação policial, faça incursões em comunidades carentes de cidadania e habitadas por milhares de pessoas, e não faça qualquer levantamento prévio de inteligência que possibilite identificar o cidadão de bem, o pequeno infrator e o criminoso que realmente possa trazer risco à sociedade”. Segundo ele, a policia só poderia reagir com tamanha força e intensidade se fosse afrontada. “Fora desse contexto, o que se afigura é uma política de extermínio pura e simples, sem qualquer eufemismo”, diz o texto.

Lembrando o passado de lutas da entidade contra a ditadura, o presidente da OAB reiterou o compromisso com as garantias individuais, a dignidade humana e os pilares da democracia . De acordo com Damous, o episódio da invasão da favela da Coréia violou todos esses princípios. “Não aceitamos, contra tudo e contra todos se for preciso, que o ser humano seja tratado como animal de abate, independente do pretexto que o Estado adote para assim agir”.

13/09/2007 - 19:11h Sérgio Cabral: "Decisão do Senado foi soberana"


O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), afirmou no início da tarde desta quinta-feira que a decisão do Senado de absolver o presidente da Casa é “soberana” e precisa ser respeitada. Renan Calheiros foi julgado na quarta-feira pela acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista.

Segundo Cabral, mesmo que o caso continue sendo apurado na Justiça, é necessário que a população entenda que o julgamento no Senado já foi realizado. “Esse é um assunto do Senado. Quando o Supremo toma uma decisão é um poder, quando o Senado toma uma decisão é outro poder”, declarou Cabral.

O governador evitou comentar o mérito do resultado da votação que absolveu Renan. “Eu não quero avaliar isso. Eu tenho tanta coisa para tratar que não vou ficar cuidando de assuntos alheios”, disse. Do Portal Terra.

12/09/2007 - 00:47h blefe? Sérgio Cabral afirma que pode ser candidato a prefeito do Rio de Janeiro

Aloysio Balbi - O Globo

Foto: arquivo

CAMPOS - O governador Sérgio Cabral disse na tarde desta terça-feira, durante a inauguração da ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, em Campos, que pode renunciar ao mandato e sair candidato à Prefeitura do Rio nas eleições do ano que vem. Segundo Cabral, o Rio não pode interromper a continuidade de parceria com o governo federal, risco que corre caso seja eleito um candidato da aliança do ex-governador Garotinho com o prefeito Cesar Maia, ambos ferrenhos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Vou para o sacrifício se necessário. Não estou blefando. Deixo o Governo e disputo para ganhar a Prefeitura do Rio - afirmou.

O vice-governador do Rio, Pezão, que acompanhava Sérgio Cabral, disse que o assunto começou a ser discutido há dois dias:

- Se as eleições fossem amanhã, a estratégia seria essa. Eu estou pronto para governador o Rio.

11/09/2007 - 10:05h PMDB e DEM fecham aliança no Rio para 2008

Ana Paula Grabois para Valor

O PMDB e o DEM fecharam ontem uma aliança para as eleições municipais de 2008 no Estado do Rio. O pacto uniu antigos desafetos - o ex-governador do Estado e atual presidente regional do PMDB, Anthony Garotinho, e o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM). “Fomos da mesma escola política do PDT, do Brizola”, disse Garotinho. “Ele tem as críticas dele, eu tenho as minhas. Temos estilos diferentes, temos opiniões diferentes sobre muitas coisas, mas se nós fôssemos iguais estaríamos no mesmo partido”, afirmou o ex-governador.

Ainda inelegível por decisão do TRE, Garotinho argumenta que o acordo com o DEM tem o objetivo de enfraquecer o PT, que segundo ele, não tem estrutura partidária no Estado para sustentar a aliança que o PMDB tinha necessidade de fazer. No PMDB, foram 63 votos a favor, 8 contra e uma abstenção pelo pacto, já aprovado pelo DEM regional na semana passada. De acordo com Cesar Maia, o acordo prevê que a cabeça de chapa seja do DEM em 2008 e do PMDB em 2010, na eleição para governador. “Isso foi falado entre o governador Sérgio Cabral e eu”, disse o prefeito do Rio. Além disso, Maia contaria com o apoio do PMDB para a candidatura que planeja ao Senado. Os possíveis nomes do DEM para a prefeitura da capital, entretanto, ainda não foram definidos.

A união entre os dois partidos incomodou o PT local, que tinha a esperança de fechar alianças com o PMDB em pelo menos 35 municípios. O PT apostava na boa relação mantida entre o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Achávamos que o caminho do PMDB no Rio era formar uma aliança conosco. Eles optaram em se aliar com uma ala política em decadência no Estado, mas vamos conversar com Cabral”, disse o presidente do PT do Rio, Alberto Cantalice.

Cabral, que divide forças com Garotinho no PMDB regional, somente apoiaria um nome que não fizesse oposição a Lula, embora mantenha conversas com Cesar Maia. O prefeito diz que a aliança é fruto de uma relação que se tornou forte em 2007 entre ele e Cabral. Um dos que mais trabalharam pelo acordo com o DEM, o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB), diz não saber qual posição Cabral tomará diante de um eventual mal-estar com o governo federal, do qual recebe apoio desde a posse. “Sou do seu grupo político, mas acho que o governador avaliará que foi uma decisão majoritária que não é contra o Lula ou o PT. É para definir uma política de alianças do partido”, disse Picciani. Ele lembrou que a união ocorreu em 1986, quando o então PFL se aliou ao PMDB para apoiar a candidatura de Moreira Franco a governador. Cabral não se pronunciou sobre o tema.

Sem o PMDB, o PT do Rio agora procura o bloco formado pelo PSB, PDT, PRB e PCdo B, e que tem como pré-candidatos para a capital o senador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivella (PRB) e a ex-deputada Jandira Feghali (PC do B). O PT tem quatro pré-candidatos declarados para a capital do Rio, mas pode apoiar uma chapa encabeçada por outra legenda. “É difícil, mas não impossível. Vamos discutir “, disse o presidente regional do PT. Na sexta-feira, petistas se reúnem para tratar da nova estratégia de alianças a ser adotada no Estado.

A principal exceção no acordo DEM-PMDB diz respeito às eleições para a prefeitura de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O prefeito Lindbergh Farias (PT) tentará se reeleger em uma chapa cujo vice é o deputado federal Rogério Lisboa, presidente do DEM regional. Segundo Lisboa, o PMDB e o DEM ainda disputarão a prefeitura de outros municípios do Estado.

14/07/2007 - 01:30h Governo dá explicação para gafe na abertura do Pan


Agencia Estado

RIO - “Houve um desencontro de informações entre os cerimoniais”. Esta é a justificativa do Planalto para a desistência do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que titubeou e viu o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, anunciar de forma oficial a abertura dos XV Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, anúncio que, desde a primeira edição dos Jogos, em 1951, era feito pelos presidentes dos países anfitriões.

Incomodado com as vaias, Lula passou a cerimônia com a fisionomia fechada. O constrangimento foi tanto que o presidente se recusou, num primeiro momento, a fazer a declaração de abertura oficial dos jogos. Convencido por assessores a abrir o evento, Lula pediu, então, o microfone, mas foi atropelado pela declaração feita por Nuzman, que não fora avisado que o presidente, depois de recusar, mudara de idéia.

“Foi uma precipitação da assessoria do presidente, que avisou que ele não faria a declaração”, afirmou o prefeito do Rio, César Maia (DEM). “Uma confusão que criou um constrangimento muito grande”, completou Maia. Lula chegou a levantar e ficar de frente para o microfone, com um papel que lhe foi entregue por sua assessoria, mas, ao ser surpreendido pela declaração de abertura do Pan pelo presidente do COB, abriu os braços fazendo um gesto que não entendia o que estava acontecendo e foi se sentar.

As vaias ao presidente foram dadas todas as vezes que seu nome foi citado no microfone do Maracanã, ou sua imagem mostrada no telão, durante a abertura dos XV Jogos Pan-Americanos. A partir da quarta vaia, no entanto, os convidados que lotavam a tribuna de honra do estádio resolveram reagir e puxaram uma salva de palmas para o presidente, que foi seguida por muitos, dividindo, o Maracanã, então, entre vaias e aplausos.

“Para mim me pareceu coisa orquestrada. Era só observar de onde vinha e dava para perceber que era uma coisa organizada”, declarou o ministro dos Esportes, Orlando Silva, sem explicar quem teria organizado as vaias a Lula. O governo federal bancou R$ 1,8 bilhão dos custos dos jogos, orçado em R$ 3,7 bilhões. Lula em momento nenhum quis falar com a imprensa e se recusou a responder se estava chateado com os protestos, quando deixava o Maracanã.

Na quarta-feira, durante o ensaio geral da abertura dos jogos, o mesmo fato já havia ocorrido. Todas as vezes que o nome do presidente era citado, vaias ocorriam. Pela manhã, no entanto, um contraste. Ao ser recebido, na Vila Pan-Americana, por 100 voluntários convidados, o clima era muito diferente. O presidente Lula foi recebido com gritos de “olê olê olá Lula Lula”, jingle que marcou suas campanhas eleitorais. De traje esportivo, vestindo o agasalho oficial do Pan, o presidente Lula e D. Marisa visitaram as instalações da Vila Pan-Americana. Ao conhecer a sala de ginástica, o presidente brincou com os atletas, mostrando sua forma física, ao ensaiar exercícios em uma esteira e em outro aparelho. Lula tirou fotos, deu autógrafos, conversou com os esportistas, mas não quis falar com a imprensa.

Muito assediado, o presidente acabou desistindo de almoçar no refeitório com os atletas, preferindo ir para o Hotel Sofitel, em Copacabana, frustrando os planos dos ginastas Daniele e Diego Hypólito, e Daiane dos Santos que, ao saber que Lula não participaria mais do almoço, foi até a entrada do restaurante para cumprimentá-lo e tirar fotos.

À tarde, de terno e gravata, Lula assistiu da tribuna de honra a toda a cerimônia de abertura oficial dos Jogos, aplaudindo cada uma das delegações. O presidente se esmerou, inclusive, ao aplaudir e tentar se contrapor às estrondosas vaias que o público deu à delegação dos Estados Unidos, quando foi anunciado que ela iniciava seu desfile.

Na solenidade de abertura dos jogos, Lula estava acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, que vestia um tailler verde e amarelo e usava uma bolsa com a bandeira do Brasil desenhada. Também estavam presentes o vice-presidente, José Alencar, o governador do Rio, Sérgio Cabral, e os ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, Tarso Genro, da Justiça, Orlando Silva, dos Esportes, e Samuel Pinheiro Guimarães, interino das Relações Exteriores. Mas a cerimônia foi pouco prestigiada pelas autoridades estrangeiras. Apenas três chefes de Estado e três chefes de governo compareceram: do Panamá, Honduras, do Canadá, de Antigüa e Barbuda, das Antilhas Holandesas e de Aruba. Nem mesmo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que estava sendo esperado, não compareceu.

13/07/2007 - 13:39h Lula é recebido com festa na Vila Pan-Americana

 

Agencia Estado

 

Presidente visita as dependências do local e almoçará com os atletas da delegação brasileira no Pan do Rio

Michel Castellar, do estadao.com.br

 

 

RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou na manhã desta sexta-feira à Vila Pan-Americana, onde vai visitar as dependências do local e almoçar com os atletas da delegação brasileira. Lula foi recebido com festa pelos voluntários do Pan do Rio, que gritaram seu nome e tiraram fotos ao lado do presidente.

À espera de Lula, que chegou acompanhado da primeira-dama, Marisa, estavam o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, o governador, Sérgio Cabral e os ministro dos Esportes, Orlando Silva, e da Justiça, Tarso Genro, e a ministra do Turismo, Marta Suplicy. Além deles, também compareceram os presidentes do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, e da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), Mário Vázquez Raña.

13/07/2007 - 09:46h O lucro do Pan

Como a Folha e O Estado esculhambam o PAN (Leiam hoje, por exemplo, os artigos de Barbara Gancia e Jánio de Freitas, na Folha) aqui vai o editorial de hoje do jornal O Globo

O lucro do Pan De 1998, quando o Rio lançou a candidatura aos Jogos Pan-Americanos de 2007, a hoje, dia da festa de inauguração da competição, passaram-se nove anos de trabalho, desencontros, sonhos que não se realizaram, mas, acima de tudo, foi um período em que a cidade viu nascer um projeto do qual pode se beneficiar, e muito. Não só a cidade, mas o estado e o país.

Foi a vitória na disputa com a rival americana San Antonio, no Texas, comemorada na Cidade do México em agosto de 2002, que, para o carioca, ligou o relógio da contagem de tempo do Pan. Nas pranchetas, o projeto era amplo e acenava para a cidade com um legado de obras importantes de infra-estrutura de transporte de massa.

O paralelo inevitável era a experiência de cidades no mundo que se tornaram palco de Olimpíadas e com isso rejuvenesceram urbanisticamente.

Seria, então, debelada uma grave deficiência do Rio.

Ficou aqui, no entanto, a grande frustração do Pan, com a impossibilidade de ser executada a ligação, por metrô, do Jardim Oceânico, na Barra, com a Gávea (Praça Santos Dumont), e construído o corredor exclusivo para ônibus entre Barra, Jacarepaguá, Madureira, Irajá e Penha.

Numa primeira fase, as desavenças político-eleitorais entre o casal Garotinho, no poder no Palácio Guanabara, o prefeito Cesar Maia e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegaram a ameaçar o projeto. Confirmava-se a trágica maldição que persegue o Rio, a de que seu administrador, o inquilino do Palácio Guanabara e o presidente dificilmente se entendem, por terem projetos políticos e pessoais que se chocam.

Tendem a ser mais adversários do que parceiros.

Havia outros problemas.

Demandas judiciais, como as envolvendo o Autódromo e a Marina da Glória, somadas à proverbial lentidão da burocracia pública, também justificavam previsões pessimistas.

Entidades representativas de pilotos queriam preservar o Autódromo a qualquer custo, enquanto o Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, embargava a obra da garagem de barcos de competição prevista pelo projeto para a Marina da Glória. No Autódromo, a Justiça desimpediu o caminho; na Marina, a saída foi fazer instalações provisórias.

Aos poucos os cronogramas avançaram, e soluções alternativas aos impasses que pareciam incontornáveis foram dadas. Até que a mudança do cenário político no Rio de Janeiro, com a vitória de Sérgio Cabral nas eleições de 2006, serviu para firmar a aliança entre prefeito, governador e presidente que viabilizaria de vez o Pan.

Pode-se discutir inúmeros aspectos dos Jogos. Investimento é um deles. Foram feitas várias projeções orçamentárias, mas este é um tema que só poderá ser debatido com objetividade quando for feito um balanço final de todo o empreendimento.

O último número oficial é de R$ 3,5 bilhões, divididos entre governo federal, estado e município. Mas mesmo esta cifra é polêmica, por incluir a construção do novo terminal do Santos Dumont, obra que teria de ser executada de qualquer forma, e o empréstimo para a edificação da Vila Pan-Americana, a ser pago pelos compradores dos imóveis.

Ou seja, não se trata de investimento público, portanto não pode ser contabilizado como despesa no orçamento do Pan.

O prefeito Cesar Maia aposta que tudo o que foi investido pelo Estado retornará de alguma forma.

Não se deve esquecer, também, que o conjunto esportivo do Pan serve como uma espécie de caução para a cidade e o país entrarem na disputa para sediar as Olimpíadas com mais chances de vitória.

Se o Rio não teve as obras viárias, passou a contar com uma estrutura esportiva de Primeiro Mundo, capaz de sediar grandes competições internacionais, em várias modalidades, e abrigar outros eventos, como shows de todo tipo. Herdará, ainda, equipamentos de última geração para a segurança pública e inteligência policial, cujo retorno é intangível, mas, por definição, valioso.

Tudo vai depender da capacidade de os governos administrarem de maneira competente todo o acervo.

No caso do complexo esportivo, sempre com a iniciativa privada.

Sem ela, a chance de êxito será nula. Impossível admitir que a estrutura do Pan tenha o destino do Maracanã, um histórico cabide de empregos a serviço do clientelismo. Pelo menos até agora, existem boas perspectivas nesse campo. O Fluminense e o Botafogo inauguraram o Engenhão e se dispõem, em parceria com capitais privados, a explorar o estádio. A arena multiuso, por suas características, também é adequada a concessões, e assim por diante. Outro grande desafio para as autoridades começará, portanto, depois dos Jogos.

15/06/2007 - 11:10h Um mês para eleger o Cristo

A foto do dia do Blog de Noblat

Foto: Marcia Foletto / Agência O Globo

Lula participou hoje da campanha “Vote no Cristo”, ao lado da ministra Marta Suplicy e do governador Sergio Cabral. Leia mais

14/06/2007 - 19:22h Gil visita o Cristo e pede paz para o Rio de Janeiro


Ministro da Cultura visita ponto turístico com Lula e Marta Suplicy

Adriana Chiarini

 

RIO - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, aproveitou a campanha “Vote no Cristo” para pedir paz no Rio de Janeiro, que tem a violência como seu problema principal. “Esta cidade merece paz e auto-estima”, declarou em discurso na visita ao Cristo em que acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com os ministros da Saúde, José Gomes Temporão; da Justiça, Tarso Genro, e do Turismo, Marta Suplicy.

Gil acredita que a possível eleição da estátua do Cristo Redentor, no Corcovado, como uma das sete novas maravilhas do mundo, se vier mesmo a ocorrer, elevará a auto-estima da cidade e do País. De acordo com ele, isso vai mexer com os brios da população e lhes dar vontade de se embelezar. “Precisamos nos embelezar mais do ponto de vista humano”, disse o ministro.

Ele louvou a vista de “360 graus de paisagem” do Corcovado e a beleza arquitetônica do monumento. “O Rio de Janeiro continua lindo, sempre, sempre lindo”, disse Gil, relembrando o primeiro verso da sua música “Aquele abraço”, composta há 38 anos. Ele citou “Corcovado” e o “Samba do Avião”, ambas de Tom Jobim, como as duas melhores músicas que falam do Cristo.

“Samba do Avião”
O “Samba do Avião” que retrata o Cristo Redentor com “braços abertos sobre a Guanabara” também foi citado pela ministra do Turismo, Marta Suplicy, para quem a estátua “é um belíssimo monumento com a moldura mais linda do mundo”. A ministra comentou que “com a eleição do Cristo, vamos para outro patamar de turismo no Brasil”.

De acordo com ela, ter um ícone do turismo mundial, como uma das novas maravilhas do mundo, equivaleria para atrair turistas a um investimento em propaganda que “nunca poderíamos pagar”.

De acordo com Marta, apenas o anúncio dos sete escolhidos deve ser acompanhado por um bilhão de telespectadores. De acordo com ela, a eleição do Cristo, se confirmada, atrairá um importante volume de divisas e vai gerar milhares de empregos, principalmente no Rio de Janeiro, mas não apenas no Rio.

“A entrada do Cristo (entre as sete novas maravilhas) beneficia não só o destino Rio de Janeiro, mas o destino Brasil”, concordou o governador do Rio, Sérgio Cabral. O governador se mostrou confiante na capacidade de Lula de transferir votos de seus eleitores para o Cristo na eleição das maravilhas do mundo. “Lula é bom de voto”.

O presidente pediu “todos os votos dos brasileiros e das brasileiras para o Cristo”. Os votos no Cristo podem ser dados pelo site www.votecristo.com.br ou pelo celular por torpedo só com a palavra “Cristo” enviada para o número 49216.