17/08/2008 - 10:24h Serra promete fazer o que Alckmin não fez

Do Grajaú à Sé, mais de 2 horas sobre os trilhos

Alterações em linhas de trem e metrô prometem reduzir em até 75% o tempo das viagens

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Eduardo Reina - O Estado de São Paulo

São Paulo é a quarta maior metrópole mundial, mas tem apenas 61,3 quilômetros de metrô e 260 quilômetros de ferrovias, com pouca conexão. Resultado: o paulistano fica horas dentro transporte público. Para um trabalhador sair de casa no Grajaú, na zona sul, e ir até a Praça da Sé, região central, e depois voltar para casa, leva 244 minutos, no mínimo, utilizando trem e metrô. São mais de quatro horas perdidas diariamente.

É tempo suficiente para assistir ao clássico E o Vento Levou, e ainda sobram 22 minutos. Ou mesmo participar de um curso qualquer, com aulas diárias. Já o cidadão que mora no Butantã, zona oeste, e vai até a Luz e volta à tarde, por trem, gasta 120 minutos de seu dia, tempo de um jogo inteiro de futebol mais a prorrogação.

Uma projeção feita pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos, baseado no plano de expansão a ser concluído até 2010, promete ganhos de até 75% no tempo das viagens sobre trilhos, com novas linhas de metrô, transformação de linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em metrô de superfície, início de operação do Expresso Aeroporto, Expresso ABC e Expresso Leste ampliado, além da ampliação de corredores de trólebus e ônibus da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).

Para elaborar o estudo, a secretaria reuniu um grupo de usuários do sistema metroferroviario. Desde julho, o tempo de viagem habitual desses passageiros está sendo monitorado por técnicos. O trajeto Grajaú-Praça da Sé, por exemplo, deve ter ganho de 52,4% no tempo de deslocamento hoje registrado na viagem de trem e metrô. Passará dos atuais 244 minutos por dia para 116 minutos/dia, um salto estimado de 128 minutos/dia. De acordo com o governo estadual, esse ganho será proporcionado com a conclusão da ampliação da Linha 9 - Esmeralda, sua transformação em metrô de superfície, somado à mudança do sistema de sinalização e comunicação, além da reforma dos trens. O usuário sairá do Grajaú e desembarcará na Estação Pinheiros, Linha 4 do Metrô, seguindo até a Estação Luz. De lá, ele embarcará para a Estação Sé, utilizando a Linha 1-Azul, explicam os técnicos da secretaria.

O tempo que se ganhará no trajeto - 116 minutos - é quase o mesmo utilizado hoje no trajeto entre a Luz e a cidade de Poá, no extremo leste da região metropolitana, ida e volta. O estudo prevê diminuição de 24,5% no tempo de deslocamento assim que o Expresso Leste, Linha 11-Coral, estiver pronto e as melhorias na linha concluídas.

Para moradores de Santo André, no ABC, o tempo perdido hoje nos bancos dos trens deve diminuir de 92 minutos diários, ida e volta, para uma hora no trajeto até a Estação Barra Funda da CPTM, onde há integração com o metrô. No novo esquema, o usuário utilizará o Expresso ABC - serviço que será implantado na mesma Linha 10-Turquesa - e desembarcará no Brás. Dali, migrará para a Linha 3-Vermelha do Metrô até a Barra Funda.

14/08/2008 - 10:21h Vergonha!

EDITORIAL JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO

As verbas do Samu

O Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu) da cidade de São Paulo deveria ter recebido investimentos de R$ 168,2 milhões desde 2005, mas, desse total, apenas R$ 16,7 milhões foram efetivamente utilizados. Há pouco mais de um ano, o Estado noticiou que pelo menos R$ 35 milhões das verbas destinadas pelo Ministério da Saúde para financiamento dos serviços de socorro urgente a doentes e vítimas de acidentes estavam aplicados no mercado financeiro, enquanto o atendimento de urgência de doentes e acidentados demorava três vezes mais do que o recomendado pelos organismos internacionais. Faltavam motoristas, médicos, enfermeiros e ambulâncias em bom estado de conservação, embora sobrasse dinheiro. A frota de ambulâncias era de 137 veículos, que atendiam, em média, a 800 casos por dia. O tempo de espera variava entre 30 e 40 minutos.

Há quatro meses, a Prefeitura anunciou redução de 50% no tempo de espera, apesar de o número de chamadas ter chegado a 1,4 milhão entre março de 2007 e março de 2008. Os atendimentos estariam sendo feitos em tempo médio de 18 minutos, graças, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, às melhorias na gestão interna do Samu (que teve cinco diretores em dois anos), à distribuição da frota de ambulâncias por 57 bases instaladas em diversas regiões do Município - no início de 2005, havia 34 bases na cidade - e à adoção de um modelo de manutenção preventiva, que reduzia a ocorrência de problemas mecânicos nos veículos.

Afirma o coordenador da Autarquia Hospitalar Municipal e do Samu, Paulo Kron, que o Samu “dobrou o número de médicos, de ambulâncias e de bases”. Não é o que se tem registrado na imprensa e nas notícias divulgadas no portal da própria Prefeitura. Há anos, o tamanho da frota do Samu é o mesmo e, segundo reportagem publicada no sábado pelo Estado, 1 em cada 5 veículos tem permanecido parado para manutenção. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, pelo menos 30% das ambulâncias do serviço de atendimento de urgência estão sempre em manutenção.

Neste ano, o orçamento do Samu é praticamente três vezes maior do que nos anos anteriores. No entanto, dos R$ 92,9 milhões que deveriam ser investidos no serviço, apenas R$ 4 milhões foram gastos até o fim do primeiro semestre. Haveria, assim, dinheiro para substituir com veículos novos os que não têm condições de rodar - reduzindo-se, portanto, o tempo de atendimento.

Conforme a promotora Ana Trotta, responsável por uma investigação do serviço de atendimento de urgência aberta pelo Ministério Público Estadual, há ainda falta de médicos e problemas na triagem e classificação dos casos - e, com isso, deixa-se de dar prioridade aos casos de maior gravidade e de conduzir as pessoas atendidas às unidades de saúde mais próximas e que tenham vagas disponíveis.

A Secretaria Municipal de Saúde faz cálculos diferentes e assegura que já investiu R$ 32 milhões no serviço. Mas essa quantia considera as verbas empenhadas, ou seja, aquelas que se pretende gastar no futuro. O fato é que há uma distância muito grande entre o orçado e o executado e não há uma explicação plausível para que se faça uma “poupança” com os recursos do Samu, que se destinam especificamente a um serviço que salva vidas.

O Samu é o principal instrumento da Política Nacional de Atenção às Urgências e foi planejado com o objetivo de reduzir o número de mortes, as seqüelas decorrentes da falta de socorro e o tempo de internação nos hospitais. Em 2003, o governo federal anunciou investimentos de R$ 193 milhões nos serviços de atendimento móvel e São Paulo foi uma das 283 cidades beneficiadas.

De lá para cá, os recursos para o Samu só aumentaram, mas durante toda a administração Serra/Kassab o uso efetivo das verbas nunca chegou a um terço do que foi repassado pelo Ministério da Saúde. É injustificável deixar de aplicar as verbas disponíveis num serviço essencial para São Paulo, onde as centrais 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros) recebem 10,5 mil pedidos de socorro por dia.

Aqui no Blog 

09/08/2008 - 13:54h

DEM-PSDB: durante 4 anos o dinheiro do SAMU quase não foi usado e ficou no banco ou na publicidade

09/08/2008 - 10:32h

Uma em cada cinco ambulâncias do Samu em São Paulo está parada

09/08/2008 - 10:24h

Ano após ano, com Kassab a mesma história

07/07/2008 - 16:01h

Datafolha: 53% consideram os demo-tucanos “ruim e péssimo” na Saúde. Saiba porque?

20/06/2008 - 11:33h

Prefeitura SP mostra descaso com a saúde e joga dinheiro fora

26/05/2008 - 10:22h

A saúde em São Paulo continua doente

29/03/2008 - 05:20h

‘Bandeira’ de Kassab, AMAs se multiplicam reduzindo espaço de postos já existentes

28/06/2008 - 10:44h Jornalismo: Marta consolida apoio eleitoral

Cesar Ogata
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Paulo Liebert/AE
Marta com Aldo: “De um lado, as forças de esquerda, com projeto de inclusão. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação”

Durante lançamento da coligação do bloco de “esquerda” em São Paulo, petista cita empenho de Lula na formação da aliança e critica PSDB e DEM. Paulinho da Força diz que sindicatos irão trabalhar na campanha

Alessandra Pereira - Correio Braziliense

São Paulo — Afinados no discurso de que a chapa representa a união das forças de esquerda em torno da retomada da principal capital do país, a pré-candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, e seu candidato a vice, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), apresentaram ontem a coligação batizada de Uma Nova Atitude por São Paulo. Na prática, Marta consolidou o apoio dos maiores partidos do bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) aos petistas, depois de uma longa negociação que precisou de intervenções diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chegar a bom termo.

Em ato de lançamento com as presenças do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, foi esse o enfoque de consenso. A de que a formação da chapa une as “forças populares” em uma campanha que, na avaliação de Marta Suplicy, será, mais uma vez, polarizada entre dois grupos políticos e projetos distintos.

“São Paulo vai ser palco de uma disputa entre dois projetos. De um lado, as forças de esquerda, com um projeto de inclusão social. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação social”, disse a ex-prefeita e ex-ministra do Turismo, em referência às candidaturas do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), que tenta a reeleição. Com a coligação, a chapa terá cerca de 7,5 minutos de tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Marta se disse alegre em poder ter como vice alguém “do porte de Aldo Rebelo”. “Sinto que temos uma dupla afinada, com uma competência bastante complementar”, disse. Questionada sobre a participação de Lula nas negociações, a ex-prefeita, que governou São Paulo entre 2001 e 2004 e perdeu a reeleição para o atual governador do estado, José Serra (PSDB), comentou: “O presidente fazia muito gosto no apoio das esquerdas aqui em São Paulo para o seu partido (PT). Isso eu sei porque foi comentado a mim. O Aldo pode dizer qual foi o peso desse pleito presidencial”.

Segundo o deputado, “houve um empenho grande do presidente Lula” e das lideranças de todos os partidos para que o bloco se unisse ao PT na formação de uma grande chapa de esquerda em São Paulo. Tanto Marta quanto Rebelo foram reticentes quanto à possibilidade de a aliança paulistana se prolongar até as eleições de 2010. “Há expectativa de que seja estratégica”, afirmou o deputado, lembrando que PT e PCdoB estão juntos desde 1988.

Esquema
Marta Suplicy e Aldo Rebelo também negaram constrangimento em relação à presença no ato e ao apoio de Paulo Pereira da Silva, acusado de envolvimento em um esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Paulinho abdicou de seus sigilos telefônico, bancário e fiscal e está sendo investigado pelo Conselho de Ética da Câmara e pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”, defendeu Rebelo. Marta afirmou não ver problema algum: “Ninguém pode ser julgado antes da hora”.

No ato de ontem, Paulinho foi cumprimentado com abraços por Marta e Rebelo. O deputado, que deixou a presidência do PDT em razão das acusações, mas ainda comanda a Força Sindical, disse que os 52 sindicatos ligados à central irão trabalhar firme por Marta. “Os trabalhadores vão buscar voto por voto nas ruas”, disse.

Segundo Marta, é a primeira vez, em muitos anos, que as centrais
sindicais estão juntas em uma candidatura para a prefeitura de São Paulo. “Isso é motivo de entusiasmo, porque temos todos os sindicatos, temos uma militância com garra, querendo ir para as ruas, temos uma coligação forte e o apoio do presidente Lula”, computou. Lula já confirmou que irá prestigiar a campanha de Marta sempre que possível.

Mais do que a da cúpula do PSB, representado pelo presidente do diretório municipal, o vereador paulistano, Eliseu Gabriel, a maior ausência sentida foi a da deputada federal Luiza Erundina, que chegou a ser cogitada para a vaga de vice de Marta. Representantes dos partidos do bloquinho acreditam que a candidatura teria ainda mais força com Erundina como vice, porque ela já foi prefeita e aparecia com 8% das intenções de voto para prefeita, contra apenas 1% de Rebelo.

Segundo representantes do PSB, Erundina terá participação ativa na campanha e é nome importante também para ocupar posição de destaque em um eventual novo governo de Marta Suplicy na capital paulista. Hoje e amanhã, os partidos do bloquinho e o PT fazem as convenções partidárias para homologar as candidaturas.


Alckmin nas ruas

No mesmo dia em que os adversários desfilaram a tiracolo com cabos eleitorais de peso, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin, enfrentou, solitário, o eleitorado. Desacompanhado até de fiéis deputados tucanos, Alckmin fez uma visita breve a uma feira de lojistas de shoppings na Zona Norte da cidade.

O tucano minimizou a maratona de inaugurações às vésperas do início da eleição — promovida pelo prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) — e seu impacto nas urnas dizendo que ela não é uma ameaça. “Para mim, está bastante claro que a disputa mais difícil é com o PT”, afirmou.

Mas, mesmo em relação à adversária petista, a ex-ministra Marta Suplicy, o ex-governador adotou um discurso otimista. “Está bom. Estamos num empate técnico com a candidata do PT e, na simulação de segundo turno, temos 9, 10 pontos, uma boa margem de frente”, disse ao citar pesquisas recentes.

Alckmin, rodeado por assessores tucanos e organizadores da feira, percorreu por cerca de uma hora estandes de expositores, distribuiu beijos e apertos de mão e tirou fotos. Já Kassab, pela segunda vez nesta semana, esteve ao lado do governador José Serra (PSDB). Ambos entregaram um viaduto na Zona Leste da cidade. “É natural que todos os candidatos procurem se expor, buscar votos. Isso faz parte do processo democrático”, disse Alckmin.

20/06/2008 - 11:33h Prefeitura SP mostra descaso com a saúde e joga dinheiro fora

TCM vê falhas em contrato de R$ 108 mi feito pela prefeitura

Tribunal de Contas do Município aponta irregularidades em contrato de serviço de ressonância magnética que não funciona

Serviço foi contratado há dois anos e três meses na gestão Serra, mas até agora Kassab não construiu setor para o equipamento funcionar

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CONRADO CORSALETTE - FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

A Prefeitura de São Paulo assinou em março de 2006 contrato para a instalação de um aparelho de ressonância magnética, o primeiro da rede municipal, no hospital de Campo Limpo, na zona sul. Pelo acordo, isso deveria ocorrer até o início de 2007. O aparelho, porém, ainda está num depósito: a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) não fez as obras necessárias para instalá-lo.

O caso serviu de base para que o TCM (Tribunal de Contas do Município) considerasse irregular o contrato da prefeitura com a empresa, a Amplus.

O contrato prevê o pagamento de cerca de R$ 108 milhões por serviços de diagnóstico por imagem (ressonância, tomografia, raio-X, ultra-som, entre outros) em hospitais e postos de saúde da rede municipal, por 36 meses. Além dos equipamentos, a contratada precisa fornecer funcionários.

Dois anos e três meses após o início do contrato, assinado na época em que José Serra (PSDB) era prefeito, a Secretaria Municipal da Saúde trabalha com um novo prazo para que o aparelho funcione em Campo Limpo: 30 de setembro. As obras para adequar o hospital, que devem custar cerca de R$ 500 mil, não começaram.

O exame de ressonância magnética é um dos mais eficazes no diagnóstico de doenças, principalmente as do sistema nervoso. Por mês, cerca de 6.500 pacientes atendidos na rede municipal precisam realizá-lo. Como nenhum hospital da prefeitura tem o equipamento, eles são encaminhados para a rede estadual ou para outras unidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde.
A secretaria afirma que a Amplus também realiza tais exames em seus laboratórios para atender à demanda -cerca de 850 dos 6.500 mensais.

A pasta sustenta que não há prejuízos à população pela não-instalação. A empresa, que comprou o equipamento por cerca de US$ 130 mil (cerca de R$ 208 mil), diz que ele está guardado de forma adequada.


Outras irregularidades

O TCM apontou outras irregularidades. A primeira delas é a forma pela qual a empresa foi escolhida. Por maioria, os conselheiros consideraram que o pregão, em que os empresários dão lances para ver quem cobra menos, não deveria ter sido usado num contrato de valor tão grande, superior a R$ 100 milhões. Em casos assim, avaliaram, é necessário uma concorrência pública, processo mais complexo de licitação.

Em auditorias feitas de janeiro a fevereiro do ano passado, os técnicos do tribunal constataram que não havia distinção entre os serviços prestados por funcionários da prefeitura e pelos contratados da empresa para atuar nos hospitais e nos postos de saúde. O manual de procedimentos, previsto em contrato, não existia.

A informatização do sistema, que permitiria a um médico de um hospital consultar, por exemplo, o resultado de uma tomografia feita por um paciente em outra unidade, estava apenas parcialmente em funcionamento na época.

O tribunal ainda considerou brandas demais as penalidades previstas em contrato, sugerindo que a empresa poderia estar sendo beneficiada no acordo.
Depois da sessão do dia 11 deste mês, em que as irregularidades foram apontadas, o tribunal decidiu realizar novas auditorias no contrato. A decisão final do órgão deve ser divulgada nas próximas semanas.

17/06/2008 - 12:02h Silêncio nas fileiras, exige Lobo aos serristas, que se recusam a ser cordeiros

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Dificilmente voltaram a estar juntos no palanque

Silêncio nas fileiras. No ninho tucano está proibido piar contra o tucano mor.

A vida partidária no PSDB atingiu o patamar da impossibilidade da convivência. Numa decisão inusitada e profundamente antidemocrática a Executiva municipal do PSDB e seu presidente, José Henrique Reis Lobo, decidiu que para poder ser candidato a vereador pelo partido é necessário estar a favor da candidatura Alckmin. Quem discordar não poderá fazer parte da chapa tucana nas próximas eleições.

Imaginem se fosse no PT o que os jornais diriam!


Acontece que dez dos doze vereadores do PSDB não concordam em que Alckmin seja candidato. Ao mando de Serra e Goldman, governador e vice-governador tucano, os vereadores serristas defendem a candidatura do pefelista Kassab e querem debater e votar na convenção. Este direito deles é constrangido pela determinação draconiana da executiva. Eis a democracia tucana em ação!

Por sua vez Alckmin ameaçou deixar o PSDB caso os serristas continuassem apregoando o apoio a Kassab, alguns indicam que poderia migrar com seus apoiadores para o PSB após as eleições, mas isto é só um rumor. Em todo caso a conversa com Goldman deixou pairar a divisão do PSDB como ameaça alckminista.

O jogo de ambição pessoal, manobras e guerra suja esta permitindo que a verdadeira cara dos tucanos de São Paulo aflore a luz do dia. Intolerantes com as divergências, ausência de democracia partidária e ambição pelo poder são algumas das suas características. E a mídia não pode fazer nada para mascarar esta realidade. LF

A seguir o artigo da Folha

Bancada leva hoje chapa pró-Kassab a tucanos

Dez vereadores apresentam proposta contra a candidatura Geraldo Alckmin

Presidente municipal do partido, José Henrique Reis Lobo, negou ontem legenda aos vereadores que apóiam a manutenção de aliança

CATIA SEABRA
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

Sob forte pressão -que inclui a ameaça de perda da legenda-, 10 dos 12 vereadores do PSDB decidiram apresentar hoje chapa de oposição à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura. Ontem mesmo, a Executiva Municipal do partido fixou as regras para o caso de disputa na convenção de domingo, com dez fiscais e dois apuradores de cada lado.

Mas, ainda assim, o comando estadual do PSDB faz, na manhã de hoje, uma última tentativa para demovê-los da briga.

Pela estratégia, traçada pelos vereadores ontem num almoço, a bancada terá que protocolar lista com assinatura de 20% dos convencionais do partido.

Só assim poderão submeter seus nomes à convenção para as próximas eleições. É que, em mais um lance da disputa interna do PSDB, o presidente municipal do partido, José Henrique Reis Lobo, negou ontem legenda aos vereadores que apóiam o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Lobo condicionou a vaga dos vereadores ao apoio à candidatura Alckmin. Para autorizar a inscrição de seu nome na chapa do partido, os vereadores teriam de assinar documento de apoio a Alckmin.

“Essa é a chapa oficial da Executiva do PSDB, com Geraldo Alckmin e 82 candidatos a vereador. Se a bancada quer lançar outro candidato à prefeitura, vai ter que pagar o preço”, avisou Lobo. Até ontem, apenas dois vereadores tucanos tinham concordado: Tião Farias e Gilson Barreto. Os outros dez se recusaram a assinar.

Como hoje é o prazo final para apresentação de chapas para a convenção, os vereadores prometem apresentar duas listas. Uma -com 30% de assinatura dos convencionais do partido- proporia o apoio a Kassab. A outra -com 20%- garantiria espaço aos kassabistas na chapa para a Câmara.

Pelos cálculos dos vereadores, seriam necessários menos de 90 votos para a inscrição de seus nomes na chapa.

“Vamos bater chapa. O Lobo não pode usar desses expedientes capciosos. Isso é muito feio, é mal cheiroso”, atacou o líder do PSDB, Gilberto Natalini.

Hesitação

Segundo o vereador Juscelino Gadelha, “a tendência é ir até o fim”. Mas, preocupado com a pressão, o vereador José Rolim já demonstra hesitação: “Temos que ouvir os grandões”.
Hoje, os vereadores voltam a se reunir para discutir sua estratégia. Temendo prejuízos para o governador José Serra, o secretário municipal Andrea Matarazzo também vai procurar os vereadores. “Até 30 minutos antes, tudo é possível”, disse Adolfo Quintas.

Além da pressão da direção nacional, o presidente estadual do PSDB, o deputado federal Mendes Thame, voltou à carga contra os kassabistas. Numa reunião na tarde de ontem, Thame disse que será uma “hecatombe” o enfrentamento dos dois grupos na convenção.

Presente à reunião da Executiva estadual, o secretário Walter Feldman disse que a decisão da bancada “é irreversível”.

13/03/2008 - 12:55h Quase parando…

“Congestionamento em SP é o terceiro maior do ano
UOL - Ultimas Notícias - 09h10

São Paulo - O índice de congestionamento em São Paulo atingiu hoje a terceira maior marca do ano, chegando a 165 quilômetros de ruas e avenidas com trânsito parado em toda a cidade, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A garoa que caía sobre a Capital, alguns acidentes e o excesso de veículos foram os causadores da lentidão. O recorde do ano foi alcançado no último dia 11, quando foram registrados 186 quilômetros de trânsito parado, às 9 horas.”

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Dias sim, outro também esta é a situação. Os congestionamentos tomaram conta da cidade. Não se trata dos transtornos provocados pela chuva ou pelos factóides de Kassab, com experiências fantasiosas.

São Paulo assiste a combinação explosiva de aumento de carros com descaso dos governos, municipal e estadual.

Rodoanel a passo de tartaruga e agora com pedágio caro o que significará que os caminhões continuarão atravessando a cidade. Metrô sucateado e sem manutenção, parando quase que diariamente; para não falar no pouco que foi construído pelos governos tucanos de São Paulo. O transporte público de superficie, apesar de ônibus em quantidade, não anda por conta da falta de investimento da prefeitura em corredores, obras viárias, modernização do sistema, fiscalização e trânsito.

Para se ter uma idéia basta o começo desta reportagem do Jornal da Tarde: “Há 20 anos, quando circulavam pela Capital apenas 3,3 milhões de veículos - cerca da metade da frota de hoje, de 6 milhões - o número de marronzinhos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) cuidando do trânsito nas ruas era 18% maior que o atual. De 1988 a 1992, a CET chegou a ter 2.200 funcionários, média de um para cada grupo de 1.500 veículos, diz o presidente da companhia à época, Ailton Brasiliense.”

Acrescente a isto a falta de semáforos inteligentes, os apagões do fornecimento elétrico, a carência de investimento na educação no trânsito e a total falta de planejamento e foco das autoridades responsáveis. O resultado está a vista: poluição, saúde deteriorada e perdas econômicas enormes.

Esta questão é central para os que aqui vivemos e moramos. Este blog fará um esforço para que a reflexão avance, que a informação circule e que o debate progrida. As contribuições são bem-vindas.

No Leia mais vocês encontrarão um artigo do deputado federal, Jilmar Tatto, que foi secretário de transporte da administração Marta Suplicy. Boa leitura.

(more…)

12/03/2008 - 18:28h Samba de uma nota só, aqui em duas notas

O queridinho da imprensa

MÁRIO MAGALHÃES - Ombudsman da FOLHA DE SÃO PAULO

ombudsman@uol.com.br

Alto de página da Folha em 2 de março: “Gabeira é o nome de PV, PSDB e PPS no Rio de Janeiro”.

Outro alto, em 4 de março: “Gabeira aceita concorrer no Rio, mas impõe condições”.

Hoje, também no espaço mais destacado da página: “Gabeira promete capitalismo, se alia ao PSDB e acena ao PT”.

Sempre na edição São Paulo.

Não me lembro de o jornal ter dado recentemente alto de página para as iniciativas de outros pré-candidatos à Prefeitura do Rio, como Marcelo Crivella (PRB), Solange Amaral (DEM), Alessandro Molon (PT), Chico Alencar (PSOL), Carlos Lessa (PSB) e Jandira Feghali (PC do B).

O lançamento do deputado do PV por uma frente é mesmo um fato político importante. Mas a Folha dá a impressão de se transformar em cronista pouco crítico de um candidato em especial.

Exagero?

A reportagem de hoje não citou nenhum adversário de Gabeira. Nenhum mesmo. Contra quem ele concorrerá? Essa informação, elementar, foi omitida.

Conhecê-la é um direito dos leitores.

Quando o deputado disse que “as nossas divergências são secundárias”, sobre o PT, não seria o caso de publicar um quadro com as declarações de Gabeira à época do mensalão e de Severino Cavalcanti?

Pior: defensor da ética na política e na administração pública, Gabeira posou ao lado do ex-governador Marcello Alencar.

Era obrigação da Folha contar se o antigo governante notabilizou-se pelos bons costumes à frente do Estado do Rio de Janeiro.

Sobre Marcello Alencar e seus filhos influentes, nenhuma palavra.

Gabeira até poucas semanas atrás era colunista da Folha.

Foi repórter do jornal.

Há inegável interesse jornalístico em noticiar sua entrada na corrida pela prefeitura.

Mas opinião, legítima, deve ser manifestada nos espaços próprios, de editoriais, artigos de colunistas e textos de convidados. Não no espaço noticioso.

A reportagem de hoje não emite posição formal sobre o pré-candidato, mas o trata com uma condescendência estranha aos princípios editoriais da Folha condensados no Manual da Redação.

O jornal faria bem se começasse a tratar Gabeira com o senso crítico que dispensa a outros parlamentares e candidatos.

Para registro: no jornalismo carioca, o tom de simpatia por Gabeira é o mesmo ou ainda maior.

Serra, partidário

Afirma a reportagem “Serra admite candidaturas de Alckmin e Kassab separadas na disputa em São Paulo” (pág. A11): “Ele [Serra] se recusou a declarar o seu apoio, embora a expectativa seja de adesão à candidatura Alckmin”.

É virtualmente obrigatório ao governador, aspirante à Presidência, apoiar formalmente o candidato do seu partido à Prefeitura de São Paulo.

Se não apoiar, não tem como cobrar o PSDB unido em torno dele em possível candidatura presidencial em 2010.

Mas o texto da Folha dá a entender que essa adesão seria para valer, quando, mesmo na hipótese de apoio formal, é sabido que José Serra trabalha e trabalhará, ainda que na moita, por seu fiel aliado Gilberto Kassab.

A não ser que o cenário tenha mudado, e a Folha não tenha informado.

12/03/2008 - 08:43h Estadão põe luz na relação DEM-PSDB e Idort, revelada neste blog

Duas semanas atrás, respondendo a reportagem enviesado da revista Época mostrei que a prefeitura de São Paulo, com Serra e logo com Kassab tinha contratos milionários com o Idort, uma ONG de São Paulo. Indiquei também que estes contratos, em valor de R$ 90 milhões por cinco anos (R$ 18 milhões por ano), tinham sido feitos sem licitação para a gestão dos telecentros. A revista Época ignorou a informação aqui revelada e o resto da mídia fez igual.

Como também ignoraram os milionários gastos do governo Alckmin com ONG’s e Fundações, algumas como a Fundação Mario Covas e o Instituto Sérgio Motta, que também foi denunciado aqui pelo vereador José Américo e que até agora todo mundo esconde.

Hoje o jornal O Estado de São Paulo e o Jornal da Tarde rompem o muro de silêncio erigido em torno destes contratos. Reproduzo a seguir a matéria do Estadão. A Folha de São Paulo, que generosamente se fez eco das denuncias da Época contra o PT, até agora nada disse sobre o que aqui informamos faz 15 dias e que hoje seus concorrentes publicam. Por que será? Porque Serra? LF

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Kassab prorroga contrato investigado pelo TCM

Sob suspeita de irregularidades, parceria do Idort com prefeitura para manter Telecentros vai valer por mais 12 meses ao custo de R$ 18 milhões

Ricardo Brandt - O Estado de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo prorrogou por mais um ano o contrato com o Instituto de Organização Racional do Trabalho (Idort) para gerenciamento e manutenção dos Telecentros - programa que oferece cursos de informática e acesso à internet para população de baixa renda. A parceria é investigada pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) por suspeita de irregularidades.

Parecer técnico do órgão feito em um dos contratos e um processo administrativo apontam problemas na contratação com dispensa de licitação, nas prorrogações feitas e até mesmo nos serviços prestados. A prorrogação por mais 12 meses pelo valor de R$ 18 milhões foi assinada em 30 de novembro de 2007, mas a publicação no Diário Oficial só ocorreu no sábado.

O contrato foi assinado pela primeira vez em 2005, na gestão José Serra (PSDB) e depois refeito em 2006 sob o comando do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Até agora, a prefeitura reservou R$ 53,4 milhões para pagamentos ao instituto, segundo levantamento feito pela liderança do PT no Sistema de Execução Orçamentária. Desse montante, R$ 15,7 milhões serão pagos no decorrer de 2008.

A primeira contratação foi feita em 2005 na extinta Secretaria de Comunicação, com dispensa de licitação, por cinco meses e no valor de R$ 6,1 milhões. Em outubro do mesmo ano houve prorrogação por mais 12 meses: valor do aditivo, R$ 15,5 milhões.

O contrato assinado pelo então secretário de Comunicação Sérgio Kobayashi foi apontado como irregular por uma análise preliminar feita por técnicos do TCM. O processo está em fase de instrução no tribunal e prestes a ser levado a plenário.

MEMORANDO

Em março de 2006, um memorando assinado pela então secretária-adjunta de Participações e Parceria, Renata Maria Ramos Soares, alertava internamente para a “questionável legalidade” do objeto e pedia “análise mais apurada” sobre o fato. No documento, que era mantido sob sigilo, ela toma como base os relatórios do próprio TCM.

O memorando 08/2006, datado de 30 de março e encaminhado à procuradora da secretaria Laura Mendes Barros, informa em 9 páginas que o contrato com o Idort foi assinado em março de 2005, quando a ONG Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits), que havia sido contratada para os serviços durante a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), interrompeu o termo de parceria com a prefeitura.

O rompimento do contrato, segundo a Secretaria de Participação e Parcerias, ocorreu porque o Ministério Público do Trabalho exigiu que a Rits registrasse as cerca de 450 pessoas que trabalhavam nos Telecentros, sem vínculos empregatícios.

Um novo contrato foi feito às pressas. Em 15 dias, foi escolhido o Idort, instituição de fins não-lucrativos criada há 76 anos, que chegou a ser alvo de s denúncias por suposta ligação com administrações petistas. Reportagem da revista Época de fevereiro também afirma que o Idort manteve relações suspeitas com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), que é investigada pela CPI das ONGs por custear uma reforma no apartamento e a compra de um carro de luxo para o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, no valor de R$ 470 mil.

No memorando, a secretária-adjunta chama a atenção para a falta de justificativas para a contratação sem licitação. “A contratação do Idort foi implementada em 15 dias, pelo prazo de 5 meses, no valor de R$ 6.100.000,00, com dispensa de licitação. Saliente-se que não consta dos autos qualquer justificativa razoável para tal.”

A secretária listou três apontamentos feitos pelo TCM: ausência de pesquisa de mercado; irregularidade da contratação, por infração ao artigo 26 da Lei 8.666/93 (que trata sobre os casos em que a dispensa de licitação é justificada); e irregularidade do aditamento, por derivação, uma vez que é decorrente de instrumento viciado.

Em maio de 2006, um segundo contrato foi feito para sanar os problemas. Após um chamamento público no qual cinco entidades apresentaram propostas, o Idort foi novamente escolhido.

A secretaria afirmou que não há irregularidades no contrato com o Idort. O instituto disse não ter sido procurado pelo TCM sobre eventuais problemas.

09/03/2008 - 08:00h Ministério Público não é tucano, diz procurador-geral

De saída do cargo, Rodrigo Pinho afirma que é “improcedente” a crítica de que a instituição é partidária e favorece o PSDB.

Ele diz estar com “saudades dos processos” e declara que não vai trabalhar no Poder Executivo nem em nenhum outro cargo no Judiciário

LILIAN CHRISTOFOLETTI -DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA DE SÃO PAULO

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O procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinho, 51, que se despede do cargo após duas gestões, refuta qualquer tentativa de partidarização do Ministério Público e desafia quem o acusa de usar a instituição para favorecer os tucanos a apresentar provas concretas. “O que absolutamente não existe.” No ano passado, Pinho chegou a ser alvo de representação no Conselho Nacional do Ministério Público, por promotores que questionaram a independência do Ministério Público em relação ao governo estadual de José Serra (PSDB).
Procurador-geral até o dia 28, Pinho afasta a possibilidade de assumir um cargo no Executivo, como fez seu antecessor e secretário estadual Luiz Antonio Marrey (Justiça). Diz também não postular uma vaga no Superior Tribunal de Justiça. “Cada vez me atribuem um cargo diferente. Pode escrever aí, eu estou com saudades de dar parecer em processos.”

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07/03/2008 - 09:19h DEM e PSDB em rotas divergentes em 2008

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César Maia culpa tucanos paulistas por guerra contra PFL desde 2002. Pela primeira vez ele responsabiliza José Serra por ação da polícia contra Roseana Sarney e os tucanos paulistas por divisão em São Paulo e apoio a Gabeira.

Apoio tucano a Gabeira ameaça aliança entre DEM e PSDB em 2010

Raymundo Costa - VALOR

Juntos na oposição ao governo Lula em Brasília, DEM e PSDB devem seguir caminhos separados nas principais eleições de 2008, para prefeito, e de 2010, para presidente. O apoio entusiasmado da cúpula tucana à candidatura do deputado Fernando Gabeira a prefeito do Rio, num frente com PV e PP, é apenas mais um golpe, e não o mais forte, na aliança que por oito anos (1995-2003) governou o país.

Identificado nas pesquisas de opinião como o partido “mais à direita” do espectro político, o PSDB aposta em Gabeira no Rio numa tentativa de firmar a imagem de centro-esquerda. Ao Democratas não resta outra opção a não ser tentar se constituir ele mesmo uma opção. Uma alternativa “do centro para a direita” e nesse espectro viabilizar uma candidatura presidencial, segundo diz seu presidente, Rodrigo Maia.

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06/03/2008 - 09:27h Alckmin finca pé na prefeitura

DORA KRAMER - O ESTADO DE SÃO PAULO

alckminolholmarmenor.JPGGeraldo Alckmin anda tão decidido a ser candidato a prefeito de São Paulo que nada do que se apresente a ele como obstáculo o abala.

A preferência do governador José Serra pelo prefeito Gilberto Kassab? “Serra é um homem de partido, estará no meu palanque.”

O risco da derrota para o PT se PSDB e DEM forem divididos à disputa? “Se não concorrer o candidato mais forte (ele mesmo), aí sim a chance será do PT.”

A falta de discurso para enfrentar um oponente cuja administração é toda do PSDB? “O projeto é tucano, defendo, mas vou falar do futuro, porque o que interessa é o próximo mandato.”

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06/03/2008 - 09:20h O jogo do tudo ou nada de Alckmin

VALOR

A decisão de Geraldo Alckmin (PSDB) de disputar a prefeitura de São Paulo, passando por cima de uma aliança política entre a banda serrista de seu partido e o DEM, não é apenas mais um ato da conhecida determinação do ex-governador. Se não tiver rapidamente a visibilidade que uma eleição proporciona, a carreira política de Alckmin estará encerrada - melancolicamente, depois de ir para o segundo turno numa disputa presidencial, estará fadado ao ostracismo. O risco que corre, e não é desprezível, é o de perder a eleição. Nesse caso, será melancolicamente excluído do cenário político depois de uma derrota na disputa por uma prefeitura. Se ganhar, poderá continuar a ser uma pedra no sapato do status quo tucano, um outsider que conquistou no grito a legenda tucana quando o atual governador de São Paulo, José Serra, queria disputar a Presidência, em 2006, e que forçou o rompimento do acordo entre os serristas e o DEM de apoio à reeleição do atual prefeito ex-pefelista, Gilberto Kassab, agora, em 2008.

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05/03/2008 - 21:38h No oráculo de Delfos eu ouvi…

Ao que tudo indica e contrariamente ao conteúdo de artigos plantados nos jornais paulistas, Geraldo Alckmin estaria prestes a anunciar sua candidatura.

Sua precipitação estaria motivada pelo temor das movimentações dos tucanos pro Kassab (e eventual melhora nas pesquisas de seu rival demo). O anúncio criaria um fato consumado e obrigaria José Serra a suspender suas aparições com o prefeito em inaugurações na cidade. Este é o cálculo de Alckmin, mas duvido que José Serra aceite obtemperar.

O lançamento da candidatura provocaria, no cálculo alckminista, uma imediata ruptura da aliança com o DEM, deixando os tucanos kassabistas entre a espada e a parede, obrigando-os a definições precipitadas. Por isso, Alckmin sinaliza sua aliança preferencial com o PTB, de Romeu Tuma e Campos Machado, com o xerife de vice. Uma maneira de dizer que a ruptura com o DEM não terá marcha a ré.

Serra e Kassab foram ao oráculo de Delfos perguntar sobre a iminência do perigo. Diz a lenda que os deuses ficaram mudos, mas é fato que o jogo Pítico de Alckmin procura pôr Serra no sarcófago, antes de ele mesmo acabar asfixiado pelo Píton anêmico (licencia poética inspirada do macaco Simão)

Cassandra

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04/03/2008 - 17:50h Dois na gangorra

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

caricatura_tucanos_arvore.jpgA cúpula do PSDB desistiu e a direção do Democratas insistiu. Sendo assim, não haverá aliança entre os dois principais partidos de oposição na eleição para prefeito de São Paulo: Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab serão candidatos.

O grupo do governador José Serra, ao qual se alia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chegou à conclusão de que até poderia, mas não seria conveniente “forçar a mão” pela aliança sem correr o alto risco de criar uma monumental aresta dentro do partido para o projeto presidencial de Serra em 2010.

Já os dirigentes do DEM não vêem razão alguma para o atual prefeito deixar de se candidatar. Ao contrário: com dois dígitos (12%) nas pesquisas, a máquina municipal nas mãos e o governador nesse período pré-eleitoral inaugurando obras para baixo e para cima com Kassab, os democratas acham que só têm a ganhar.

Na pior das hipóteses, o partido, que nunca teve nada em São Paulo, se estabelece como força eleitoral, levando um dos seus a subir de patamar político para, quem sabe, tentar outros vôos mais adiante. Na melhor, chega ao segundo turno. Na mais remota, ganha a eleição.

Por ora, até o tucanato mais refratário a Alckmin acha que, no fim, ele leva essa. Não se pode dizer que o cenário produza imensa felicidade no grupo, mas trata-se aqui de lidar com a realidade: sem arrumar uma confusão de proporções amazônicas, José Serra e companhia não têm condições políticas nem de comprar a briga para valer com Alckmin nem de convencer Kassab a não concorrer.

Bater pé na manutenção da aliança daria aos adversários internos de José Serra a chance de atribuírem a ele a divisão do partido. Quanto a fazer Kassab desistir, descontado o problema político com o DEM, a questão parece ser mesmo de uma imensa falta de vontade de que ele desista.

Basta ver a reação serena do DEM à evidência de que o PSDB terá mesmo candidato. O presidente do partido, Rodrigo Maia, passou o fim de semana em São Paulo, participou de duas inaugurações - ambas de secretarias comandadas pelo PSDB -, saiu “encantado” com o tratamento que recebeu dos tucanos e bastante compreensivo no tocante à candidatura própria dos parceiros.

“É claro que o ideal seria a aliança, mas compreendemos que a vontade pessoal de alguém que foi candidato a presidente da República, foi governador do Estado e tem apoio dentro do partido é difícil de ser contestada”, diz Rodrigo Maia, para acrescentar uma reverência a José Serra: “Nossa relação com ele não muda nada.”

E com o PSDB que ocupa 70% da máquina municipal?

Aí serão outros quinhentos a serem resolvidos pelos tucanos. Kassab não tomará a iniciativa de demitir nenhum secretário, uma vez assumidas as candidaturas.

Deixará ao encargo do PSDB, mais exatamente de Geraldo Alckmin, a decisão de bater em retirada ou de ficar. Se ficarem, estarão trabalhando para o adversário, mas a operação saída também não é tão fácil assim de ser executada sem provocar resistências e, por conseqüência, fortes divergências.

Nesse quadro, vê-se que a sinuca a ser resolvida na campanha está com o tucanato: o PT concorre como oposição, o DEM como situação, mas o PSDB ainda vai precisar encontrar uma posição.

02/03/2008 - 10:45h Lula dá aval a pacto em MG de olho em 2010

VALDO CRUZ - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA FOLHA DE SÃO PAULO

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Aécio e Pimentel, com Lula

O acordo entre o petista Fernando Pimentel e o tucano Aécio Neves tem a bênção do presidente Lula. De olho em 2010, ele autorizou pessoalmente o prefeito de Belo Horizonte a fechar um entendimento com o governador na disputa pelo comando da capital mineira.

O sinal verde foi dado em um almoço no Palácio da Alvorada, em janeiro, logo após o balanço de um ano do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Sob a justificativa de que “vamos precisar do Aécio” e de que o nome sugerido como candidato é da “nossa base”, Lula liberou Pimentel, sinalizando que aposta na divisão no ninho tucano para fazer seu sucessor.

Os três fazem seus movimentos mirando 2010. Lula tenta atrair Aécio para seu campo na sucessão; o governador busca aliados para construir sua candidatura ao Planalto; e o prefeito sonha com o lugar do tucano mineiro. Na tentativa de viabilizar esse arranjo, Aécio e Pimentel foram buscar no PSB o candidato de consenso para a Prefeitura de BH: Márcio Lacerda, ex-assessor do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e hoje secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.

No início do ano, quando as negociações avançaram, Fernando Pimentel decidiu consultar o presidente. “Eu não sou louco de fazer um acordo desse sem aprovação do Lula”, confidenciou a amigos. Ele esteve em Brasília no dia do balanço de um ano do PAC, 22 de janeiro. Acabou convidado para um almoço no Alvorada.
Em uma mesa com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação) e o chefe do gabinete particular da Presidência, Gilberto Carvalho, Lula falou do acordo desejado por Pimentel e deu seu aval.
Primeiro, comentou que os dois ministros petistas de Minas, Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), não serão candidatos. Em seguida, disse que não via motivos para vetar o entendimento com Aécio.

Márcio Lacerda trabalhou no governo como secretário-executivo de Ciro no Ministério da Integração Nacional. Deixou o cargo depois de seu nome ser mencionado no escândalo do mensalão como tendo recebido dinheiro de Delúbio Soares. Os recursos, porém, não eram para ele, mas para o publicitário da campanha de Ciro ao Planalto.
Filiado há pouco ao PSB, Lacerda é aprovado pelo Diretório Municipal do PT, controlado pelo prefeito, mas não agrada ao Diretório Estadual do partido. Mas o prefeito não acredita numa intervenção do Diretório Nacional do partido em Belo Horizonte para solucionar um impasse. Confia no fato de ter obtido o aval de Lula e no interesse presidencial em manter um canal com o governador mineiro.

Lula está convencido de que José Serra será o candidato tucano em 2010 e que o tucano mineiro pode sair insatisfeito do processo de escolha do PSDB. Daí sua frase “vamos precisar do Aécio”, durante a conversa no Alvorada. No ano passado, Lula insistiu com Aécio para que ele se transferisse para o PMDB. Para fugir de uma punição da Justiça eleitoral, como a perda do mandato, Lula chegou a lhe sugerir, numa viagem a Minas, que deveria renunciar no final de 2009, deixando no comando o vice de confiança, Antonio Anastasia.

01/03/2008 - 11:54h Sumiu?

fhc.jpgO Blog de Noblat publicou a nota a seguir. O portal da revista Época tinha dado destaque até ontem a mudança de FHC. Mais hoje a revista não traz declaração de FHC, nem entrevista, só uma nota dizendo que FHC confidenciou à Época esta reviravolta. Estranho, não?

FHC declara apoio a Alckmin para prefeito

Fernando Henrique Cardoso, que até pouco tempo atrás era contrário à idéia de ver Geraldo Alckmin na disputa pela prefeitura paulista, mudou de lado e agora diz apoiar sua candidatura.

A notícia causa uma reviravolta na eleição municipal paulista.

Antes, FHC achava que o PSDB deveria apoiar a eleição do atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Alckmin disputaria o governo paulista em 2010. José Serra seria o escolhido para concorrer a presidente do Brasil.

Mas na última quarta, durante lançamento do livro “Cultura das Transgressões no Brasil - Lições da História”, FHC declarou ao repórter Guilherme Evelin, da revista Época:

- Se ele (Alckmin) quiser ser candidato (a prefeito), será. E com meu apoio. Para vencer as eleições.

Serra pressiona nos bastidores um acordo para o PSDB apoiar Kassab.

Com FHC mudando de lado, a histórica aliança paulista entre PSDB e DEM fica cada dia mais frágil. O casamento está com ares de que acabará em divórcio litigioso, com disputa pelo Palácio do Anhangabaú, sede da Prefeitura de São Paulo.

A revista Época deste fim de semana traz mais detalhes. Blog de Noblat

01/03/2008 - 10:43h Por trás da desinformação, a mão do gato

kassab_andrea.jpgkassab_alckmin.jpg
A mão de Andrea Matarazzo na foto mostra a exposição a Gilberto Kassab. Kassab e Alckmin juntos contra o PT.
E a mídia?

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Na coluna CONFIDENCIAL da revista ISTOÉ da semana retrasada (edição 1999) apareceu uma notícia sobre suposta investigação do promotor Silvio Marques do MP do Estado de São Paulo. A “informação” publicada visava, por quem a “plantou” na revista, atacar com insinuações a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Da mesma maneira em que, no mesmo fim de semana, a Época, o JN e a Folha também informavam com fotos de Marta Suplicy sobre supostas irregularidades em relação a FINATEC.

Também com a ISTOÉ aconteceu o que aconteceu com as outras mídias. A informação era em parte truncada, boa parte errada e com falta de equilíbrio. (sobre a FINATEC ver aqui no blog Sem lícitação, governo Alckmin pagou R$417 milhões para fundações só entre 2001 e 2004 (resposta a Clóvis Rossi) - O Globo: Kassab mudou de tom -Kassab usa Folha para atacar PT - Finatec diz que negociou mais um contrato em SP - Ombudsman disse que Folha usa dois pesos - A manigância de Kassab - Matarazzo ficou exposta -Kassab agora culpa seu próprio secretário por contratar a FINATEC - Insinuação da mídia contra o PT silencia contrato de Kassab com Fundação de Brasília - Tucanos em “guerra suja”, agora querem atingir Marta).

Mesmo tratando de questões diferentes, aparece um denominador comum. No caso da FINATEC, a Folha em particular, nada dizia no domingo dia 24/2/2008, sobre o contrato da fundação com a prefeitura dirigida por Gilberto Kassab, do qual a Folha tinha conhecimento. Na nota da ISTOÉ atribuía-se à administração anterior contratos de emergência na questão do lixo, sendo que os contratos de emergência eram da administração Serra-Kassab.

A seguir reproduzo a nota da ISTOÉ da semana anterior, a resposta do Diretor técnico da LIMPURB (2002-2004) e a nota sobre o mesmo tema da ISTOÉ que saiu hoje. O leitor julgará. LF

CONFIDENCIAL ISTOÉ - edição 1999
Por HUGO STUDART

Marta e o lixo
Há um esqueleto no armário da ministra do Turismo Marta Suplicy, provável candidata do PT à Prefeitura paulistana. O promotor Silvio Marques investiga o empresário Fernando Simões, do Grupo Simões, pelos contratos com a Prefeitura para a coleta de lixo. Houve um contrato emergencial, sem licitação, na gestão de Marta. Seria por 12 meses; receberia R$ 16 milhões. O promotor viu fortes indícios do que chama de “emergência fraudulenta”. Simões prorrogou o contrato nove vezes e ganhou 16 vezes o valor original.


CARTA DE DIRETOR DA LIMPURB -
27/02/2008

IstoÉ errou, ao publicar nota, na última edição, apontando haver “um esqueleto no armário da ministra do Turismo Marta Suplicy”. A revista fez referência a um contrato emergencial, sem licitação, que teria sido firmado na gestão dela na Prefeitura de São Paulo. Esclareço que a empresa Julio Simões, do Grupo Julio Simões, foi contratada em 14 de abril de 2002 junto com mais oito empresas, mediante licitação pública na modalidade de CONCORRÊNCIA PÚBLICA nº. 012/SSO/01 (Processo Administrativo nº. 2001-0.147.308-3), para a realização, dentre outros serviços, o de coleta de lixo, cujo prazo de validade expirou para a coleta de lixo em 14 de outubro de 2004 (com a assinatura dos contratos de Concessão) e para os outros serviços de limpeza em 12 de abril de 2005. Foi na administração Serra/Kassab que foram firmados, pelo menos cinco contratações por emergência com a empresa Julio Simões, do Grupo Julio Simões, e que começaram em 13 de abril de 2005 e foram sucessivamente realizados até o final de 2006. Como se vê, o esqueleto é de outro armário.
Fabio Pierdomenico - Diretor Técnico do Departamento Municipal de Limpeza Urbana de São Paulo - LIMPURB de novembro de 2002 a dezembro de 2004


CONFIDENCIAL - ISTOÉ edição 2000

O empresário Fernando Simões, investigado pelo MP paulista por causa do contrato de coleta de lixo que ganhou da ex-prefeita Marta Suplicy, é mesmo articulado. O promotor Silvio Marques descobriu que ele também ganhou oito contratos sem licitação dos sucessores José Serra e Gilberto Kassab.

28/02/2008 - 15:39h Guerras Tucanas

aecioserra.jpgA seguir um apanhado de vários artigos dos jornais sobre a guerra intestina no PSDB. Nos dois primeiros o conflito Aécio - Serra toma a forma da disputa sobre o leilão da CESP. A intenção do governador José Serra é entregar a CESP ao capital privado. Ele decidiu vender a CESP para fazer caixa e por considerar que o Estado não deve ser proprietário de uma empresa de eletricidade. Mas outras empresas do mesmo ramo, que são estatais, querem participar do leilão. Serra não deixa, ou seja a questão não parece ser só quem paga mais pela CESP, mas impor que ela vai parar em mãos privadas mesmo. Aécio viu uma oportunidade para mostrar que o objetivo de Serra é esse mesmo, impedir a livre concorrência e não vender ao melhor preço, só privatizar e ponto. Estranha a determinação de Serra, pois várias estatais estrangeiras já participaram em privatizações tucanas sem problema. a EDF (estatal francêsa) que comprou a Light; a Telefonica (Estatal espanhola) etc.

Reproduzo também, no final dos dois artigos que tratam da privatização da CESP, duas notas sobre atores da disputa tucana na prefeitura de São Paulo. Uma sobre Alckmin e Floriano Pesaro, publicada no Estadão e a outra, sobre Andrea Matarazzo, publicada na Folha.

Boa leitura e reflexão. LF

PRIVATIZAÇÃO

Aécio critica decisão de SP de vetar Cemig em leilão da Cesp

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA DE SÃO PAULO

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, criticou ontem a decisão do governo de São Paulo de impedir a participação da Cemig (Companhia Energética de Minas) no leilão da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).
Chamando a restrição de equivocada, Aécio anunciou que, a exemplo do Paraná, o Estado de Minas questionará a proibição na Justiça.
“A Justiça é que irá decidir”, afirmou Aécio Neves à Rádio Bandeirantes.
Lembrando que o veto à participação das estatais de outros Estados nas privatizações de São Paulo foi fixado ainda no governo Mário Covas, Aécio usou o exemplo da Sabesp para chamar a medida de contraditória.
“A vedação a ela [Cemig] é um equívoco. E é algo também que deve ser visto de uma forma, talvez, contraditória. Há movimento grande na Sabesp, por exemplo, que é uma empresa estatal também de São Paulo na área de saneamento, de avançar em direção a outros Estados”, argumentou Aécio.
Dizendo que já manifestara interesse de a Cemig participar do consórcio para compra da Cesp numa conversa com o governador de São Paulo, o também tucano José Serra, Aécio criticou:
“Acho que mais do que esse rigor, essa visão protecionista, essa visão ideológica, de Estado pode, Estado não pode, se deve poder é eficiência. Se tem preço, se tem condições de gerir adequadamente a empresa, não deveria haver qualquer restrição”, afirmou Aécio.
O governador lembrou que a Cemig integra o consórcio controlador da Light.
Procurado pela Folha, o secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, disse, por intermédio da assessoria de imprensa, que não tem o que comentar sobre as críticas de Aécio.
Na semana passada, o secretário -que já trabalhou no governo Aécio- disse à Folha que essa era uma norma do governo Covas. “Se não, não seria privatização.”
(CATIA SEABRA)


Aécio critica veto à Cemig em leilão

Governador diz que restrição na venda da Cesp pode ir à Justiça

Raquel Massote, Wellington Bahnemann e Kelly Lima - OESP

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), afirmou ontem em entrevista à Rádio Bandeirantes de São Paulo que o veto à participação da Cemig no leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) “é um equívoco” e que a questão poderá acabar sendo decidida pela Justiça. O leilão está previsto para 26 de março.

Aécio admite que a restrição à presença das estatais foi estabelecida no Programa Estadual de Desestatização (PED) do governo paulista, ainda sob a gestão de Mário Covas. “A participação de uma estatal com o know-how da Cemig, com capilaridade e a capacidade de gerir uma empresa de energia que tem a Cemig, a vedação a ela é um equívoco.”

Para o governador, a questão “vai realmente parar na Justiça em última instância”, já que também a Copel, do Paraná, pretende participar do leilão. “Se tem preço, se tem condições de gerir adequadamente a empresa e não tendo controle, não deveria haver qualquer restrição”, avaliou Aécio.

O tucano disse que já informou ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que a concessionária mineira tem interesse não em ser controladora da Cesp, mas em participar da geradora com um grupo de sócios privados. “Fizemos isso em relação à Light, onde a Cemig participou do consórcio vitorioso com resultados absolutamente extraordinários.”

Não é a primeira vez que Minas questiona a restrição. O sócio do escritório Azevedo Sette Advogados Gustavo Eugenio Rocha, especialista em licitações e privatizações, lembrou que o governador Itamar Franco ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a Lei Estadual nº 9.361/96, que criou o PED em São Paulo e estabeleceu a reorganização no setor elétrico do Estado. “Hoje, essa Adin corre no Supremo Tribunal Federal”, disse o advogado.

Para o especialista, vários argumentos demonstram a inconstitucionalidade da lei que criou o PED. Segundo Rocha, a legislação paulista fere o artigo 37, inciso 21, da Constituição Federal, que determina condições de igualdade a todos os concorrentes de um processo de licitação. “A lei exorbita a competência estadual e legisla sobre um tema que não é de sua competência. As concessões no setor elétrico são federais e não estaduais”, acrescentou.

Rocha afirmou que, apesar de estatais, a figura jurídica de empresas como Cemig e Copel é de caráter privado e, ao impedi-las de participar do leilão da Cesp, o governo de São Paulo discrimina as empresas apenas porque são de outros Estados.

NA DISPUTA

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Neoenergia, Erik Breyer, afirmou ontem que a empresa estuda a possibilidade de entrar com parceiros na disputa da Cesp. “Nosso interesse em entrar num negócio é como operador. Isso inviabiliza a participação no leilão da segunda usina da complexo do Rio Madeira. Mas nos permite disputar a Cesp e, possivelmente, a Brasiliana, controladora da Eletropaulo”, informou.

A empresa vai investir este ano R$ 1,8 bilhão - R$ 1,2 bilhão em distribuição e R$ 600 milhões em geração. “Estamos atentos a novos projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e certamente vamos disputar futuros leilões”, disse Breyer.

Chris Mello - O Estado de São Paulo (28/2/2008)

Puxa e estica

alckminclarao.jpgAlckmin praticamente acertou a participação do PTB para indicar o nome de vice em sua chapa para Prefeitura. O mais cotado nome para o cargo é o de Campos Machado, visto que o senador Romeu Tuma é muito novo no partido.

A máscara

Gilberto Kassab nunca fez críticas explícitas a nenhum de seus adversários, portanto as recentes feitas a seu secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, estão sendo interpretadas como uma solicitação para que ele entregue seu cargo. Para refrescar: Pesaro era homem de confiança no Palácio dos Bandeirantes no governo Alckmin.

Monica Bergamo - Folha de São Paulo (27/2/2008)

ORIGEM

O tucano Andrea Matarazzo conversou com diplomatas italianos sobre a possibilidade de ser candidato ao Senado da Itália, na vaga reservada aos italianos que moram na América do Sul. Ele considera “difícil” participar da eleição -mas não descarta totalmente a idéia.

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JÁ ERA

A conversa com os diplomatas sinaliza que o PSDB de SP considera a candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura irreversível. É que Andrea era provável candidato a vice, pelo partido, caso Alckmin não concorresse e os tucanos fizessem aliança com Gilberto Kassab, do DEM, na cabeça de chapa.

26/02/2008 - 11:23h Tucanos emperram plano de Serra


Sucessão 2010


Aécio Neves e Geraldo Alckmin rejeitam os papéis reservados a eles na estratégia eleitoral desenhada pelo governador de São Paulo para chegar ao Palácio do Planalto. Disputa pela candidatura continua em aberto


Luiz Carlos Azedo - Da equipe do Correio Brasiliense

José Varella/CB - 18/4/07
Projeto de José Serra para consolidar-se como candidato do PSDB à sucessão de Lula esbarram em divergências internas do partido

A estratégia do governador de São Paulo, José Serra, para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 está indo por água abaixo. Era um “plano perfeito”, que só dependeria da cúpula do PSDB: convencer o governador de Minas, Aécio Neves, a ser o vice da chapa; e o ex-governador Geraldo Alckmin a desistir da candidatura a prefeito de São Paulo para voltar ao Palácio dos Bandeirantes. Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades, diria o saudoso humorista Apparício Torelly, o Barão de Itararé: seu plano foi concebido em parceria com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas não foi combinado com Aécio e Alckmin, que têm objetivos diferentes.

Serra lidera as pesquisas de opinião sobre a sucessão de Lula. Esperava arrebanhar mais de 70% dos votos de São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país, com uma chapa que considera “imbatível”, para levar de roldão a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Porém, bem-sucedido na administração de Minas e hábil articulador da política nacional, Aécio começa a crescer nas pesquisas e não aceita a condição de coadjuvante na sucessão de Lula. Pretende disputar a indicação do partido em convenção e avisa que não aceitará um jogo de cartas marcadas para ungir a candidatura presidencial de Serra. O governador de Minas acredita ter mais apoio interno e capacidade de construir alianças do que governador paulista.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ex-presidente da legenda, por exemplo, prefere uma chapa encabeçada por Aécio Neves com Ciro Gomes (PSB-CE) na vice, para pôr um fim à hegemonia paulista na Esplanada dos Ministérios. Ciro não descarta essa possibilidade, se Aécio estiver melhor que ele nas pesquisas. A articulação da candidatura do socialista Márcio Lacerda à prefeitura de Belo Horizonte, com apoio do prefeito petista Fernando Pimentel, seria uma âncora dessa aliança. A amarração se completaria com o apoio do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB.

O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), é outro que aposta numa candidatura de Aécio. Esteio do governo de coalizão montado pelo presidente Lula, o PMDB oferece a legenda ao governador de Minas caso ele resolva concorrer contra Serra, mas não descarta o apoio caso ele seja o candidato do PSDB. Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou no jogo e manda recado de que pode vir a apoiar Aécio caso ele deixe o PSDB. Apesar do assédio, o governador mineiro tem afirmado que permanecerá no PSDB e não vê problema em ser candidato ao Senado ao deixar o governo de Minas.

São Paulo
Serra minimiza o conflito com Aécio. Procura aparentar uma boa relação com o colega mineiro. Parte do princípio de que Aécio não pode deixar a legenda para ser candidato sem cometer um suicídio político: abandonar o Palácio da Liberdade. Por causa da nova lei de fidelidade partidária, para concorrer por outra legenda, o governador mineiro teria que renunciar ao mandato com um ano de antecedência da campanha eleitoral. Para Serra, o jogo será resolvido pela cúpula tucana.

Nesse terreno, entretanto, quem vem levando a melhor é Aécio. A disputa mais recente resultou numa dura derrota para Serra: a eleição do novo líder da bancada do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal. Aliado de Aécio, o parlamentar é uma pedra no sapato de Serra por causa de seu apoio à candidatura do ex-governador paulista Geraldo Alckmin à prefeitura de São Paulo. “Não tem por que o PSDB não ter um candidato em São Paulo, Alckmin é o melhor nome que temos para ganhar as eleições na capital”, argumenta Aníbal.

Para o governador paulista, o melhor seria seu antecessor esperar 2010 para voltar ao Palácio dos Bandeirantes e apoiar a reeleição de Kassab, para não atrapalhar sua aliança com o Democratas, o antigo PFL.

24/02/2008 - 13:01h Prazo para definição de candidato divide PSDB

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Esperando sentado, de olho na candidatura

DEM quer empurrar escolha para maio; “alckmistas” defendem abril

Carlos Marchi - O Estado de São Paulo

O prazo para definição do candidato à Prefeitura de São Paulo é o mais novo cabo-de-guerra entre as facções do PSDB paulista, que se dividem entre a escolha do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e apoio ao atual prefeito Gilberto Kassab (DEM). O DEM quer que a decisão se dê em maio, quando, projeta, Kassab terá crescido nas pesquisas; Alckmin acha que a definição não pode passar de abril. Na semana passada, a articulação política do governo José Serra falou em junho - a principal adversária dos tucanos, ministra Marta Suplicy, do PT, tem até 5 de junho para se desincompatibilizar.

Na terça-feira, dia 12, Alckmin e Serra tiveram uma longa conversa sobre sucessão municipal. Nela, não se falou em 2010; Serra repetiu que, se quiser, Alckmin será o candidato do PSDB à prefeitura e terá seu apoio. O ex-governador ressaltou que estava cumprindo fielmente o acertado com Kassab no almoço que celebrou a paz entre os dois, na casa do secretário estadual de Relações Institucionais, José Henrique Lobo. Alckmin cessou as movimentações de pré-candidato e desmobilizou as ações em seu apoio. Mas cobrou a definição do nome até abril.

PACIÊNCIA FRANCISCANA

Alckmin não disse a Serra, no entanto, que sua intenção, ao se candidatar à prefeitura, é quebrar a lógica da estratégia política de Serra para 2010 e promover a criação de um segundo pólo de influência no PSDB paulista. Um “alckmista” reconheceu na semana passada que, se ganhar a prefeitura, Alckmin terá forte influência sobre a escolha do candidato tucano à sucessão estadual - se Serra for candidato à Presidência. Está em suas contas, também, que a partir de agora o governador estará cada vez mais envolvido em tecer a articulação nacional vital para sustentar sua candidatura presidencial, cedendo espaços na política paulista.

A conversa dos dois ajudou a convencer Serra de que Alckmin não abandonará a convicção de que a candidatura à prefeitura é o ponto de partida ideal para reconstruir sua carreira política. E, neste momento, não há nada que Serra possa oferecer ou dizer que lhe mude o propósito. A única hipótese seria uma reversão repentina da preferência popular por Alckmin, mas o forte recall de seu nome não sugere isso.

Os “alckmistas” julgam que Kassab será candidato mesmo que não reúna possibilidades concretas de vitória. A versão dos aliados do ex-governador para o acerto com o prefeito, firmado em 23 de janeiro, foi de que os dois seriam candidatos e quem fosse para o segundo turno seria apoiado pelo perdedor. A versão do prefeito é diferente: ele segue afirmando a amigos que a antiga coligação PSDB-DEM será integralmente preservada e não haverá dois candidatos no primeiro turno, mas apenas um - o que tiver melhores condições eleitorais.

A trégua, se serviu para reduzir a exposição pública da disputa entre Alckmin e Kassab, valeu mais ainda para o ex-governador exercitar sua propalada paciência franciscana. Ele vai continuar esperando por evidências da supremacia de um dos nomes sobre o outro. O tucano garantiu esta semana a um amigo que de maio não passa.