A seguir um apanhado de vários artigos dos jornais sobre a guerra intestina no PSDB. Nos dois primeiros o conflito Aécio - Serra toma a forma da disputa sobre o leilão da CESP. A intenção do governador José Serra é entregar a CESP ao capital privado. Ele decidiu vender a CESP para fazer caixa e por considerar que o Estado não deve ser proprietário de uma empresa de eletricidade. Mas outras empresas do mesmo ramo, que são estatais, querem participar do leilão. Serra não deixa, ou seja a questão não parece ser só quem paga mais pela CESP, mas impor que ela vai parar em mãos privadas mesmo. Aécio viu uma oportunidade para mostrar que o objetivo de Serra é esse mesmo, impedir a livre concorrência e não vender ao melhor preço, só privatizar e ponto. Estranha a determinação de Serra, pois várias estatais estrangeiras já participaram em privatizações tucanas sem problema. a EDF (estatal francêsa) que comprou a Light; a Telefonica (Estatal espanhola) etc.
Reproduzo também, no final dos dois artigos que tratam da privatização da CESP, duas notas sobre atores da disputa tucana na prefeitura de São Paulo. Uma sobre Alckmin e Floriano Pesaro, publicada no Estadão e a outra, sobre Andrea Matarazzo, publicada na Folha.
Boa leitura e reflexão. LF
PRIVATIZAÇÃO
Aécio critica decisão de SP de vetar Cemig em leilão da Cesp
DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA DE SÃO PAULO
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, criticou ontem a decisão do governo de São Paulo de impedir a participação da Cemig (Companhia Energética de Minas) no leilão da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).
Chamando a restrição de equivocada, Aécio anunciou que, a exemplo do Paraná, o Estado de Minas questionará a proibição na Justiça.
“A Justiça é que irá decidir”, afirmou Aécio Neves à Rádio Bandeirantes.
Lembrando que o veto à participação das estatais de outros Estados nas privatizações de São Paulo foi fixado ainda no governo Mário Covas, Aécio usou o exemplo da Sabesp para chamar a medida de contraditória.
“A vedação a ela [Cemig] é um equívoco. E é algo também que deve ser visto de uma forma, talvez, contraditória. Há movimento grande na Sabesp, por exemplo, que é uma empresa estatal também de São Paulo na área de saneamento, de avançar em direção a outros Estados”, argumentou Aécio.
Dizendo que já manifestara interesse de a Cemig participar do consórcio para compra da Cesp numa conversa com o governador de São Paulo, o também tucano José Serra, Aécio criticou:
“Acho que mais do que esse rigor, essa visão protecionista, essa visão ideológica, de Estado pode, Estado não pode, se deve poder é eficiência. Se tem preço, se tem condições de gerir adequadamente a empresa, não deveria haver qualquer restrição”, afirmou Aécio.
O governador lembrou que a Cemig integra o consórcio controlador da Light.
Procurado pela Folha, o secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, disse, por intermédio da assessoria de imprensa, que não tem o que comentar sobre as críticas de Aécio.
Na semana passada, o secretário -que já trabalhou no governo Aécio- disse à Folha que essa era uma norma do governo Covas. “Se não, não seria privatização.”
(CATIA SEABRA)
Aécio critica veto à Cemig em leilão
Governador diz que restrição na venda da Cesp pode ir à Justiça
Raquel Massote, Wellington Bahnemann e Kelly Lima - OESP
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), afirmou ontem em entrevista à Rádio Bandeirantes de São Paulo que o veto à participação da Cemig no leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) “é um equívoco” e que a questão poderá acabar sendo decidida pela Justiça. O leilão está previsto para 26 de março.
Aécio admite que a restrição à presença das estatais foi estabelecida no Programa Estadual de Desestatização (PED) do governo paulista, ainda sob a gestão de Mário Covas. “A participação de uma estatal com o know-how da Cemig, com capilaridade e a capacidade de gerir uma empresa de energia que tem a Cemig, a vedação a ela é um equívoco.”
Para o governador, a questão “vai realmente parar na Justiça em última instância”, já que também a Copel, do Paraná, pretende participar do leilão. “Se tem preço, se tem condições de gerir adequadamente a empresa e não tendo controle, não deveria haver qualquer restrição”, avaliou Aécio.
O tucano disse que já informou ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que a concessionária mineira tem interesse não em ser controladora da Cesp, mas em participar da geradora com um grupo de sócios privados. “Fizemos isso em relação à Light, onde a Cemig participou do consórcio vitorioso com resultados absolutamente extraordinários.”
Não é a primeira vez que Minas questiona a restrição. O sócio do escritório Azevedo Sette Advogados Gustavo Eugenio Rocha, especialista em licitações e privatizações, lembrou que o governador Itamar Franco ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a Lei Estadual nº 9.361/96, que criou o PED em São Paulo e estabeleceu a reorganização no setor elétrico do Estado. “Hoje, essa Adin corre no Supremo Tribunal Federal”, disse o advogado.
Para o especialista, vários argumentos demonstram a inconstitucionalidade da lei que criou o PED. Segundo Rocha, a legislação paulista fere o artigo 37, inciso 21, da Constituição Federal, que determina condições de igualdade a todos os concorrentes de um processo de licitação. “A lei exorbita a competência estadual e legisla sobre um tema que não é de sua competência. As concessões no setor elétrico são federais e não estaduais”, acrescentou.
Rocha afirmou que, apesar de estatais, a figura jurídica de empresas como Cemig e Copel é de caráter privado e, ao impedi-las de participar do leilão da Cesp, o governo de São Paulo discrimina as empresas apenas porque são de outros Estados.
NA DISPUTA
O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Neoenergia, Erik Breyer, afirmou ontem que a empresa estuda a possibilidade de entrar com parceiros na disputa da Cesp. “Nosso interesse em entrar num negócio é como operador. Isso inviabiliza a participação no leilão da segunda usina da complexo do Rio Madeira. Mas nos permite disputar a Cesp e, possivelmente, a Brasiliana, controladora da Eletropaulo”, informou.
A empresa vai investir este ano R$ 1,8 bilhão - R$ 1,2 bilhão em distribuição e R$ 600 milhões em geração. “Estamos atentos a novos projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e certamente vamos disputar futuros leilões”, disse Breyer.
Chris Mello - O Estado de São Paulo (28/2/2008)
Puxa e estica
Alckmin praticamente acertou a participação do PTB para indicar o nome de vice em sua chapa para Prefeitura. O mais cotado nome para o cargo é o de Campos Machado, visto que o senador Romeu Tuma é muito novo no partido.
A máscara
Gilberto Kassab nunca fez críticas explícitas a nenhum de seus adversários, portanto as recentes feitas a seu secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, estão sendo interpretadas como uma solicitação para que ele entregue seu cargo. Para refrescar: Pesaro era homem de confiança no Palácio dos Bandeirantes no governo Alckmin.
Monica Bergamo - Folha de São Paulo (27/2/2008)
ORIGEM
O tucano Andrea Matarazzo conversou com diplomatas italianos sobre a possibilidade de ser candidato ao Senado da Itália, na vaga reservada aos italianos que moram na América do Sul. Ele considera “difícil” participar da eleição -mas não descarta totalmente a idéia.

JÁ ERA
A conversa com os diplomatas sinaliza que o PSDB de SP considera a candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura irreversível. É que Andrea era provável candidato a vice, pelo partido, caso Alckmin não concorresse e os tucanos fizessem aliança com Gilberto Kassab, do DEM, na cabeça de chapa.