16/11/2009 - 16:08h Antidepressivo que não deu certo vira “viagra feminino”

http://portalexame.abril.com.br/arquivos/img_946/est_pesquisa.jpgAntidepressivo que não deu certo vira “viagra feminino”

da Folha Online

Um medicamento que foi originalmente desenvolvido como antidepressivo teve um surpreendente e positivo efeito colateral: as mulheres que o experimentaram relataram “significativa melhoria” em seu desejo sexual, divulgou nesta segunda-feira (16) o jornal britânico “The Independent”.

Mulheres que tomaram 100 miligramas do medicamento, chamado Flibanserin, uma vez por dia, indicaram mais relações sexuais “satisfatórias”, maiores níveis de desejo sexual e reduzido estresse associado a problemas sexuais.

“É essencialmente um remédio como o Viagra para mulheres, já que o libido ou desejo sexual reduzido é o problema sexual mais comum das mulheres, assim como a difunção erétil é o problema mais frequente para os homens”, disse o professor John Thorp, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, EUA.

O Viagra, que ajuda os homens a superar a impotência, também foi projetado originalmente com outro propósito: para tratar angina, uma dor no peito associada a doenças do coração.

Os resultados reunidos de três dos quatro testes clínicos em série do Flibanserin foram apresentados hoje no Congresso da Sociedade Europeia para a Medicina Sexual, em Lyon, França.

Um total de 1.946 mulheres a partir dos 18 anos até idade pré-menopausa foram tratadas com o Flibanserin ou com um placebo –cápsula inativa para controle– por 24 semanas.

15/11/2009 - 15:43h Tesão e direitos humanos

+(s)ociedade


Ex-diretor da Capes, filósofo diz que opinião pública ignora a questão central no caso da aluna da Uniban: a esfera do desejo

RENATO JANINE RIBEIRO ESPECIAL PARA A FOLHA

A universitária do microvestido conseguiu um milagre: juntou todo o mundo, da UNE à direita, na defesa dela e na condenação aos alunos que a insultaram e, depois, à universidade que quis puni-la. Mas há um viés na abordagem que me preocupa. O que atraiu a sociedade para o caso foi seu lado sexual. É o chamariz, tanto que a Folha levou uma atriz [vestida com minissaia] a quatro universidades do centro de São Paulo para ver se seus alunos são diferentes dos da periferia.
Mas, lançada a isca, a imprensa não fica à sua altura e vai opinar de maneira legalista. O sexo é chamariz, mas não é estudado. Já a educação é uma grande (outra) questão, mas também não é aprofundada. Começando pelo fim: a educação proporcionada pela Uniban está sendo questionada a partir desse caso, e não em sua qualidade. Que ela é criticada faz tempo, sabe-se. Mas está melhorando?
Por coincidência, como diretor que fui da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior], responsável pela avaliação da pós-graduação brasileira, vi avanços da Uniban nos seus mestrados e no único doutorado. Não sei de sua graduação. Seria preciso avaliar se ela está melhorando ou piorando, em vez de ler generalidades que não respondem a essa pergunta central.
O outro aspecto é o cerne do caso. Uma vez deflagrada a polêmica, sumiu de cena o que a causou -o microvestido. Vi o advogado da aluna, de terno, defendendo seu direito de vestir-se como quiser. Foi uma síntese perfeita das contradições que o caso traz à luz. Para defender uma moça que gosta de mostrar o corpo, recorre-se à linguagem formal (e à roupa idem) da profissão jurídica. Fala-se dela como se fosse perseguida por ser judia, negra, comunista ou ter uma síndrome.

O sexo perturba
Só que ela não foi ofendida no fluxo dessas discriminações tradicionais, e sim porque gosta de mostrar o corpo. Por que essa questão central se perde na vagueza das fórmulas (”cada um é livre para fazer o que quiser”, “para ir e vir” etc.)? Defendo essas liberdades. Mas, quando entra o sexo, ele as perturba.
No dia 22 de outubro, na Uniban de São Bernardo do Campo (SP), ela e centenas de jovens foram perturbadíssimos pelo sexo. Não adianta tentar, agora, abafar o assunto com generalidades legais -belíssimas, sim, fulcro de nossa civilização, mas pré-freudianas. Ou melhor: adianta.
É por isso que da esquerda à direita há um acordo geral. Um grande acordo para abafar o pequeno monstro. O monstro começa pelo desejo -que parece ser mais comum nas mulheres- de ser vista, admirada, desejada. A moça fez por isso. Não sabia o quanto estava despertando o monstro. Quando percebeu, deve ter-se assustado. Sorte, pelo menos, que ninguém foi machucado (ela não foi).
Mas o fato é que vimos o nervo exposto de algo que é mais atávico e forte que um preconceito contra judeus, negros ou, mesmo, mulheres. Entraram em cena uma sexualidade provocante e respostas, masculinas e femininas, a ela. Quer dizer que os rapazes tinham razão em xingá-la? Qualquer alfabetizado entenderá que não. Não tinham esse direito. Mas, que foram mexidos, foram. Que ela queria mexer com eles, queria. O que ela desejava de fato, ela provavelmente não sabe (Freud não saberia). Talvez, depois de tudo por que passou, não saiba mais. Nem eles, depois de expostos na mídia, saibam mais o que queriam.

Id e ego
De todo modo, a imprensa não se preocupou em saber como foi, nas cabeças de centenas de jovens que estavam lá, aquela noite. Alunos da Uniban mal foram entrevistados. Como as alunas que apareceram na TV discordavam da manifestação da UNE “em favor delas”, a imprensa preferiu não aprofundar o assunto. Não dá para reduzir esse assunto à pauta dos direitos em geral ou das discriminações contra a mulher.
Não tem nada a ver com mulher não ser presidente ou CEO de empresa. Até porque nesse campo, o do desejo que o homem sente só por ver uma mulher bonita, ela tem um poder que ele não tem. Faz bem a universidade, em que o abscesso se rompeu, em discutir esse assunto à luz da cidadania? É essencial. Mas gostaria que não ficasse no genérico dos direitos humanos (que eu defendo, nem preciso repetir). Espero que saiba devolver à cena a questão importante que irrompeu naquela noite terrível: a questão do sexo em face da liberdade, da cidadania e tudo o mais. A questão do id em sua negociação com o ego. É uma grande questão, pouco tratada.
Mas não acredito muito. Falar na generalidade dos direitos humanos não afetará o âmago das pessoas, portanto é mais fácil. Não obrigará a discutir como lidar de maneira racional (a grande conquista da civilização, que inclui os direitos humanos) com o que é mais irracional em nós, sobretudo os mais jovens -um desejo desabrido a desafiar valores, interditos, tudo. Os rapazes podiam ser preconceituosos. Mas pareciam estar tarados por ela. A tara poderia vencer -ou reiterar- o preconceito. Como mudar o final do jogo, seu resultado? Eis a questão.
Como o tesão se relaciona com os direitos humanos? Dá para repetir o mantra de que uma mulher poderosa, desejável, ciente do que desperta nos homens, é ao mesmo tempo um sujeito racional capaz de deliberar em sã consciência se quer ou não um deles?
Dá para acreditar que um homem, assim excitado, facilmente aceite a decisão da mulher de negar-se a ele? O estupro é inadmissível, mas dizer que esses controles são fáceis é iludir a sociedade. [O sociólogo alemão] Norbert Elias entendeu bem a questão. Ele disse, décadas atrás: ao contrário do que se imagina, quando se exibe mais o corpo, sobretudo o feminino, exige-se mais -e não menos- autocontrole. Porque se requer do espectador que não ataque aquele corpo desejado.
Essa exigência é necessária? É. Mas é fácil? Não. Veja-se um baile funk. Vejam-se as publicidades na TV.

Um direito e um problema
Essa história tem sido lida como uma parábola do moderno e do reacionário. Moderno é a moça fazer o que quer com o corpo, inclusive mostrá-lo. Reacionário é ser contra isso.
Mas a atualidade intensa do conflito é que ele não tem essa temporalidade moderna, que é dos demais direitos humanos. Pois, por um lado, mexe com a libido, que tem fortíssima base natural e uma temporalidade muito mais lenta.
Por outro lado, a mulher se exibir o quanto queira é conquista recente. O homem não saber lidar com isso também é um dado acentuado recentemente. Há um elemento natural, há um confronto hipermoderno. A reação “conservadora” também é hipermoderna. O que não dá é para dizer que a moça se exibir não é problema, é direito. É direito, sim, mas só interessa a ela porque é problema. Alguém acha que [a apresentadora] Sabrina Sato imitaria a aluna se os homens não babassem por ela (Sabrina ou Geisy, não importa)?
É esse efeito que se quer produzir. É ele que, produzido, incomoda muita gente. E é esse incômodo -a consciência, o reconhecimento de que há um incômodo, um problema quase sem solução, o que Kant chamaria de uma antinomia- que incomoda muito mais.
O que devemos é enfrentar o incômodo, reconhecer sua originalidade. Desse ponto de vista, temos uma oportunidade ímpar, justamente porque difícil, de reflexão e de proposição.


RENATO JANINE RIBEIRO é professor titular de ética e filosofia política na USP.

10/11/2009 - 20:29h Le sexe au cinéma ? No pasara !

Cela ne s’était pas produit depuis treize ans: la “commission de censure” du CNC a procédé début octobre à la classification X d’une œuvre cinématographique parlant de sexe. Le coupable: Histoires de Sexe(s). Un film “pour adulte” abusivement rangé dans la catégorie porno.

Histoires-de-sexe-1

Histoires de Sexe(s) est une comédie légère traitant de sexualité, inspirée du Déclin de l’empire américain. C’est l’histoire de quatre amies qui se retrouvent à diner pour parler de leurs dernières frasques et de leurs problèmes amoureux. Parallèlement, quatre hommes se donnent rendez-vous pour parler eux aussi de sexe et donner de l’histoire une version parfois différente. Certaines scènes sont hilarantes. D’autres –résolument pédagogiques – abordent le thème de l’orgasme, du sextoy ou de l’éjaculation féminine, avec la volonté affichée de faire passer un “message”… Entre docu-fiction et cours de sexologie, ce petit film ne méritait certainement pas d’être classé X. La commission du CNC n’a pas été du même avis. Le 6 octobre, elle a fait tomber le couperet: interdiction en salles. “Histoires de Sexes avait pour ambition de s’affranchir des règles de l’industrie pour adulte, protestent les deux réalisateurs (Ovidie et Jack Tyler). Nous aspirions à sortir du ghetto, le CNC nous y a renvoyé aussi sec.

Il est généralement reproché aux pornographes de n’écrire aucun scénario, de ne pas travailler la mise en scène, d’être trop éloignés d’une sexualité réaliste, de dégrader la femme. Ce film relevait pourtant ce défi: présenter une sexualité non caricaturale, et mettre en scène la complexité de la relation de couple. 
Habituellement, les scenarii ne servent qu’à introduire les scènes de sexe qui sont la raison d’exister des films pornographiques. Dans Histoires de sexe(s), les courts passages explicites ne sont que des illustrations des propos tenus par les protagonistes. 95% de dialogues, pour 5% de sexe, et non l’inverse. Très clairement, il ne s’agit en rien d’un film masturbatoire. Avec ce film, nous attendions l’émergence d’un genre nouveau: celui du film traitant ouvertement de la sexualité, affranchi des codes de la pornographie et de son quota d’éjaculations faciales. Notre souhait n’était pas d’être exhibé à un public mineur, puisque nous réclamions une interdiction aux moins de 18 ans.

Pourquoi la commission du CNC a-t-elle classé ce film X? Parce qu’il est impensable, pour les puritains qui y siègent en majorité, qu’un film puisse parler de sexe. On peut parler de mort, de meurtre en série, de fin du monde, mais pas de sexe. Le classement X est une forme perverse de censure. Il s’accompagne d’un système de taxe qui dissuade les producteurs d’avancer de l’argent: un film X est difficilement rentable. Il est donc condamné d’office à n’être qu’un film à petit budget, tourné dans des conditions proches de l’amateurisme. Pas de vrais acteurs dans un X, et pour cause. Pas de vrai scénario. Pas de vrai dialogue. Et comme ce cinéma est totalement stigmatisé, aucun réalisateur “normal” ne veut s’y essayer. A l’origine, le classement X, institué sous Giscard d’Estaing en 1975, était synonyme de liberté: il s’agissait d’autoriser les images représentant la sexualité. Mais très vite, le classement X s’est accompagné de mesures fiscales si pénalisantes qu’il a finit par tuer dans l’œuf un genre cinématographique naissant. Faute de moyens, le X est devenu une industrie de la copulation filmée à la chaine, une ennuyeuse et rébarbative accumulation de gros plans génitaux et d’actes sexuels standardisés à outrance.

Les films précurseurs du genre annonçaient pourtant des lendemains glorieux au X: Le Dernier tango à Paris, L’empire des sens, Maîtresse, Max mon amour, Les Valseuses, La maman et la putain, Portier de nuit… Le X aurait pu devenir un cinéma aussi important que le péplum, le polar, le film d’arts martiaux ou la comédie musicale. Hélas. On l’a assassiné, en lui coupant les vivres et en le condamnant à la médiocrité. Les salles qui projetaient du X ont fini par disparaitre, incapables (à cause des surtaxes énormes) de faire face à la concurrence de la TV, des lecteurs DVD et de l’internet. Avec ces salles sont mortes les ambitions de ceux qui voulaient faire de l’art avec le sexe… A quoi bon ? A quoi bon faire du cinéma à 3 millions d’euros (budget minimum), si les gens vont aller voir gratuitement sur internet des gonzo dont le budget se monte à 3000 euros (maximum)? “Le classement X est devenu obsolète très progressivement, explique Christophe Bier, grand spécialiste et militant anti-classement X. Il a eu la peau du porno. Les producteurs de porno, les exploitants, les distributeurs ont périclité, ou bien se sont vite reconvertis dans la vidéo puis le DVD. Les salles ont fermé les unes après les autres… jusqu’à l’extinction totale des “films pornos” en 1996, remplacés par les “vidéos pornos”.

Résultat: le X est devenu “de la merde”, dixit Ovidie. Au lieu de montrer la sexualité comme d’un espace de liberté et de bonheur, le X a fini par ne plus montrer que des performances irréalistes et caricaturales. “La censure économique nous empêche de sortir du ghetto, soutient Ovidie. Si nous avions d’autres moyens de distributions que les sexshops et les sites internet, si nous pouvions retourner en salle, alors nous serions obligés de faire des films qui tiennent la route.” Mais non. Le CNC veille au grain. Depuis 1975, comme si les mœurs n’avaient pas évolué, il continue de classer X tout ce qui dépasse son seuil de tolérance: un orgasme ça va. Deux orgasmes, bonjour les dégâts. Bien qu’il soit totalement obsolète, le classement X continue de sévir. “Le X n’est pas aboli car il reste une menace visant à décourager ceux qui voudraient montrer du sexe dans les salles avec un visa d’exploitation, explique Christophe Bier. L’interdiction totale existe donc toujours comme arme de destruction massive. Tyler et Ovidie viennent d’en faire le test.

Histoires-de-sexe-2

Si le classement X était supprimé, on peut imaginer que le cinéma se mettrait enfin à parler de sexualité comme d’un sujet aussi passionnant (émouvant, perturbant) que la violence ou l’amour. Les réalisateurs pourraient enfin lui accorder la place qu’elle mérite… “En tout cas, ces réalisateurs ne seraient plus dans un ghetto avec des taxes, ajoute Christophe Bier. Ils bénéficieraient des mêmes droits que leurs confrères “classiques” et pourraient obtenir un fonds de soutien automatique ou d’autres mécanismes régissant l’exploitation cinématographique.” Bien sûr, la qualité d’un film ne dépend pas que de son budget. Mais si la sanction économique était levée, il est sûr et certain que des réalisateurs “normaux” feraient du X, avec l’aide d’acteurs “normaux” et cela changerait certainement la donne. Il suffit de voir ce qu’il se passe en Suède, où le gouvernement finance des films X pour lutter contre la misogynie et contre la discrimination sexuelle. Dirty Diaries nous montre le chemin. Oui, il est possible de faire du vrai cinéma avec du sexe.
QUESTIONS A UN MEMBRE DE LA COMMISSION DU CNC

Philippe Rouyer – co-auteur du livre Le cinéma X (éd; la Musardine)- siège à la Commission de classification en tant que représentant du Syndicat Français de la Critique de Cinéma (SFCC). Il faisait partie de la commission qui a classé Histoires de Sexe(s). Il faut rappeler que la Commission de classification n’est que consultative. C’est le Ministre qui donne le visa, même si à plus de 99%, il suit les avis de la Commission. Le vrai responsable du classement X d’Histoires de Sexe(s) est donc Frédéric Mitterand.

1/ Depuis la création du classement X, combien de films “de cul” ont été classés X ?
Ça tourne autour d’un millier de longs métrages. D’après Christophe Bier, l’auteur du livre Censure-moi (L’Esprit frappeur), le dernier film classé X date de 1996. Il s’intitulait “Elle ruisselle sous la caresse”.

2/ Suivant quelle procédure le film d’Ovidie et jack Tyler a-t-il été classé X ?
Suivant la procédure habituelle. A savoir, un passage en sous-commission qui a juste pour mission de servir de filtre. Tous les films qui sortent (même les Disney) sont vus intégralement en sous-commission. Si la sous-commission estime que c’est du tout public, le film sort avec son visa. Si ne serait-ce qu’un membre de la sous-commission estime qu’il pourrait y avoir une restriction, le film est envoyé en Commission plénière qui est alors libre de ce qu’elle préconise. Et dans ce cas, la seule décision qui compte est celle de la plénière. Concernant le film d’Ovidie et Jack Tyler, l’ensemble des membres de la sous-commission a opté pour une interdiction aux moins de 18 ans en le renvoyant en plénière. Après débat et vote, la plénière elle, a voté le X.

3/ Il y a combien de personnes en commission ?
Chaque sous-commission se compose de 4 à 7 membres. La plénière en compte 28.

4/ Pourquoi Histoires de Sexe(s) a-t-il été classé X ?
Je suis tenu au devoir de réserve sur les débats. La seule chose que je peux vous dire c’est ce que j’ai dit moi au cours de ce débat: à savoir que je demandais une interdiction aux moins de 18 ans, mais surtout pas un classement X car c’était clairement une œuvre et non une pellicule à vocation masturbatoire. J’ai développé en parlant du scénario, de la mise en scène et de la durée (très brève) des scènes de sexe. J’ai ajouté qu’il n’y avait dedans aucune violence et  aucune image dégradée de la femme, et que je préférais qu’un jeune de 18 ans voit cela plutôt qu’une production crade trouvée en DVD ou sur le net. Mais le résultat du vote qui a suivi prouve que moi et ceux qui avaient un avis similaire n’avons pas convaincu suffisamment de monde

5/ Il me semble que les commissions de classement de films, dans les pays anglo-saxons, s’en tiennent à des critères très précis pour juger: il parait que le classement d’un film correspond à des normes quasi-mathématiques (nombre de minutes pendant lesquelles on voit un acte sexuel, cataloguage des actes sexuels sur une échelle, nombre de gros plans anatomiques, etc). Pouvez-vous m’éclairer sur ce point ?

Effectivement c’est le cas dans des pays comme le Royaume Uni. Je trouve ça atroce. Ça a conduit par exemple dans ces pays à interdire aux moins de 15 ans “Ridicule” de Patrice Leconte parce qu’on y voit un homme qui urine sur un autre ou “Amélie Poulain” car il y a une série d’orgasmes dans une scène. 2 films qui sont chez nous ‘tous publics”. En France, nous n’avons pas de critères. Nous débattons en tenant compte du contexte de l’œuvre. Des morts dans un western ou un film de guerre n’ont pas le même charge émotionnelle que dans un drame au Quartier Latin. Il faut aussi tenir compte de la mise en scène. Comment c’est filmé.

6/ Si la classification X était supprimée sur les “films pour adulte”, qu’est-ce que cela changerait?

Certains réalisateurs disent que si la classification X était supprimée ils auraient plus de moyens pour faire du bon cinéma. Ils pensent que l’état leur donnerait des subsides ou quoi?
Non, ils n’auraient pas d’avance sur recettes. Mais un certain nombre d’aides automatiques pourraient jouer. De même, il serait de nouveau possible d’acheter des films étrangers (surtaxés par le classement X) et donc d’en vendre en retour. Et puis l’exploitation en salles pourrait apporter de nouveaux revenus. Ou pas, bien sûr.

7/ D’autres réalisateurs (HPG par exemple) disent que même s’ils avaient plus de moyens, ils continueraient à faire des films nuls, parce que le milieu du X est un milieu de “nuls”. Après tout, il y a des réalisateurs de cinéma “normal” (David Lynch avec Eraserhead, Tsukamoto avec Tetsuo, mais je n’ai pas les chiffres précis de leur budget…) qui ont fait des chefs d’œuvre à très petit budget non? Qu’en pensez-vous?
Il y a eu des chefs-d’œuvre du X, ou du moins d’excellents films X, à petit budget. Mais le budget de Eraserhead ou de Tetsuo leur sera toujours supérieur. Ils s’inscrivent dans une autre économie.

8/ Le classement X a-t-il encore une raison d’être de nos jours ?
A mon avis non. L’interdiction au mineurs est suffisante pour protéger la jeunesse et respecter le Code Pénal.

Fonte Les 400 culs, de Agnès Giard


LE FILM (BANDE ANNONCE)

06/11/2009 - 21:12h Sem tabu

Une femme éjacule…

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Il y a des femmes qui jouissent en giclant. Certaines coulent comme des robinets dès qu’on les touche. D’autres lâchent brusquement de longues gerbes liquides. Elles éjaculent. Ce soir, au Festival de films gays et lesbiens de Paris, This is the Girl, de Catherine Corringer dévoile avec jubilation cet aspect encore méconnu de la sexualité féminine.

Projeté samedi 17 novembre au cinéma Beverley à Paris, à 22h, This is the girl se définit comme un «film queer érotique et fantastique, mettant en scène une “sex heroïne boxer”, sa “rocky coach”, et un homme transformé en sex toy. Le film explore la puissance sexuelle de la femme, à travers la masturbation et l’éjaculation féminine.»

C’est un film sans trucages. Pendant de longues minutes, toute entière concentrée sur son plaisir, une jeune femme (Flozif) se masturbe. Ejacule. Se masturbe à nouveau. Ejacule encore. Se masturbe en troisième fois. Ejacule.

«La scène d’éjaculation féminine dans mon film est un plan “performance”, c’est à dire long et sans qu’il soit coupé, explique Catherine Corringer, la réalisatrice. Le film est un hommage à la puissance sexuelle de la femme. Le terme “éjaculation” induit un acte volontaire, alors que quand on dit “c’est une femme fontaine” on sous entend qu’elle “se répand” et non qu’elle “gicle”, ce qui est, à tous les points de vue très différent. Flozif éjacule dans le plan performance 3 fois de suite à environ 1 ou 2 minutes de distance entre. Ce qui est exceptionnel dans ce plan et sa performance, c’est qu’elle le fait assise et en se masturbant. La plupart des femmes ont besoin d’être pénétrées pour éjaculer et d’être allongée. Elle le fait assise et seule. Et c’est assez “insolent !”. Ce qui est beau, c’est de voir les multiples façons qu’à la femme de jouir.»

En France, de nombreuses personnes crient encore au canular et restent persuadées que l’éjaculation féminine n’existe pas. Qu’il s’agit d’urine.

Même les femmes qui éjaculent pensent avec angoisse qu’elles sont victimes de fuites, d’incontinence ou que sais-je…

Aux Etats-Unis, le phénomène de l’éjaculation féminine est quelque chose de bien connu. Depuis plus de vingt ans, des féministes pro-porn comme Annie Sprinkle ou Deborah Sundahl, parlent de ce phénomène, le filment, l’étudient et lui consacrent parfois même des ateliers aux titres loufoques : «Initiez-vous à l’éjaculation !», «Comment faire pour lui en mettre plein la vue !», etc.

Voici le témoignage d’Annie Sprinkle à ce sujet :«Bien qu’ayant éjaculé plusieurs fois – entre autres en 1981 lors d’une de mes prestations dans le film X Deep Inside Annie Sprinkle – je ne pouvais mettre de nom sur ce qui s’était produit. Tout comme mes amants, mes admirateurs ou mes consœurs, je n’avais aucune connaissance sur les effets engendrés par mon corps. C’était juste quelque chose qui apparaissait de temps à autre, quand je n’y pensais pas trop. Tout ce que je pouvais dire alors, c’est que c’était drôlement agréable ! (…) C’est à cette époque qu’est apparue la vidéo extraordinaire de Deborah Sundahl (alias Fanny fatale) How to female ejaculate : find your G spot (ejaculation féminine : trouvez votre point G). Elle fit sensation !»

Deborah Sundahl est une des plus grandes spécialistes de l’éjaculation féminine. Dans son livre —traduit en français et publié aux éditions Tabou (Tout savoir sur le Point G et l’éjaculation féminine)— elle explique : «Toutes les femmes possèdent l’anatomie nécessaire à l’éjaculation, mais toutes les femmes n’éjaculent pas et n’en ont d’ailleurs pas besoin pour avoir une vie sexuelle épanouie. Certaines éjaculent naturellement, d’autres ont appris à le faire. En faire une nécessité ou un objectif pour toutes les femmes serait idiot et même préjudiciable.»

Pour celles qui, malgré cette mise en garde, voudraient apprendre à éjaculer, Deborah fournit cependant un mode d’emploi. Deux chapitres illustrés de croquis pédagogiques, détaillent, étape par étape, les moyens de se faire gicler… Chapitre 4 : «Comment éjaculer sans orgasme». Chapitre 5 (plus intéressant) : «Comment éjaculer avec orgasme». La méthode, sensiblement la même, aboutit toujours au même résultat : il faut changer les draps du lit. Eponger le carrelage. Ou essorer l’édredon…

En dehors de ce côté bêtement technique (je me méfie toujours des «techniques» en amour), le livre de Deborah Sundahl est un trésor de documentation. Tout, tout, on y apprend tout sur l’éjaculation féminine. A commencer par sa composition, son origine et sa fonction.
Je cite, en vrac : «L’éjaculat féminin est un liquide translucide, d’une consistance proche de l’eau
«Son odeur et son goût semblent varier avec le cycle menstruel. Quelque fois il n’a strictement ni odeur ni goût ou, à l’inverse, est semblable par le goût et l’odeur à de l’urine.»
«Sa composition est strictement la même que l’éjaculat masculin, mis à part les spermatozoïdes : c’est du liquide prostatique, mélangé à du glucose
«En 1672, l’anatomiste néerlandais Regnier de Graaf a étudié de près la “prostatae” féminine et en a fait des croquis, remarquant la présence de plusieurs canaux éjaculatoires. Bien que de Graaf ait été le premier à reconnaître la prostate comme organe responsable de l’éjaculation chez la femme, c’est le professeur slovaque Milan Zaviavic, grâce à ses vingt années d’études approfondies sur le sujet, qui l’a reconnue pleinement en tant qu’organe féminin fonctionnel. Le terme médical – prostate féminine – fut rapidement adopté par le corps médical. »

Le site Doctissimo, qui confirme, ajoute que la «prostate féminine» est également désignée sous les noms de «glandes de Skène» ou «glandes para-urétrales». Mais qu’importe le flacon… Si vous voulez en savoir plus, vous savez ce qu’il vous reste à faire.

Samedi 17 novembre, à 22h
Séance Porn Lesbien : In search of the wild kingdom, de Shine Louise Huston (découvrez la sexualité vraie des vraies lesbiennes et arrêtez de croire qu’elles se lèchent du bout de la langue en poussant des petits cris de gorge), suivi de This is the girl, de Catherine Corringer.
Cinéma Beverley : 14 rue de la Ville Neuve, 75002 Paris. Métro : Bonne Nouvelle
Tarifs : 8 € (plein tarif ) / 7 € (tarif réduit )

Tout savoir sur le Point G et l’éjaculation féminine, de Deborah Sundahl, éd. Tabou.

Les testicules élémentaires

Il y a des hommes qui, à force de porter des poids aux testicules, finissent par les transformer en longs appendices. Ils pendent, comme d’étranges métronomes. Ou comme un pénis supplémentaire, passif, avec lequel ils peuvent exécuter des figures érotiques nouvelles.

Smooth

La réalisatrice parisienne Catherine Corringer s’intéresse à tout ce qui sort des normes corporelles. Elle a filmé une éjaculation féminine (This is the girl), comme un véritable geyser. Elle a aussi filmé une séance de SM gore (In Between), lente et implacable lacération-performance sur le corps d’un masochiste hard… Catherine Corringer aime les filles qui éjaculent et les garçons qui se laissent faire. Elle aime renverser les rôles. Aux femmes, elle prête la puissance. Aux hommes, la faiblesse, la vulnérabilité et la grâce. Ils font offrande de leur chair avec une douceur proche du masochisme. A travers eux, Catherine dévoile un “monde sexuel dans lequel le masculin est réinventé autrement, dans lequel le pénis en érection n’existe pas.” Il s’agit de déconstruire le système patriarcal, dit-elle.

Dans Smooth, dernier court-métrage de Catherine Corringer, un homme se donne lentement à la caméra, révélant par étape les mystères de sa sexualité atypique. C’est une sorte de fakir. Il a travaillé ses testicules au fil de longues années d’ascèse, s’imposant le port de cockrings en acier pesant, à l’aspect de poids en fonte. Il les a tellement travaillé, que ses testicules pendent entre ses cuisses. Quel intérêt? demanderez-vous. Je ne sais pas trop, mais l’homme s’amuse à faire un nœud avec ses organes génitaux. Il peut littéralement nouer son pénis avec ses testicules et l’exercice lui procure certainement du plaisir. Il s’amuse aussi à introduire ses testicules dans son anus, comme s’il se faisait l’amour à lui-même. C’est un mutant doté de deux pénis : un pénis qui peut entrer en érection et un qui ne peut pas. Un pénis pour pénétrer autrui et un pénis pour s’auto-sodomiser…

Surprise supplémentaire : cet homme a non seulement des testicules à rallonge mais un anus dilaté de telle sorte qu’il soit possible de le fister très profondément. Il accueille deux avant-bras. Catherine y plonge littéralement… D’abord une main, puis une deuxième. Ca glisse, ça aspire même. L’homme, couché sur le côté, immobile, les fesses offertes comme une jeune vierge, semble pouvoir prendre en lui toute la misère du monde. Il est le havre rectal, le nid douillet en lequel on s’enfonce, délicieusement… C’est un homme très féminin, d’une certaine manière. “Son corps absorbe, enveloppe” dit Catherine. En le fistant, on entre dans un univers qui évoque l’utérus : chaud, doux, moite, gluant. Une vraie matrice.

En Anglais, smooth signifie “doux”. Catherine Corringer a voulu filmer la douceur d’un homme. Son court-métrage n’est pas très excitant, mais il présente l’intérêt de représenter une relation sexuelle hétéro à l’envers. Une relation au cours de laquelle c’est la femme qui pénètre… à l’intérieur de l’homme, dans une sorte de régression utérine étrange. Ses mains enduites d’un lubrifiant blanc comme le sperme (le silk, dont j’ai déjà parlé) lui permettent de toucher du doigt, littéralement, la part féminine du corps masculin. Elle plonge dedans. “Mes films explorent une  autre carte du monde, dit Catherine, où le corps est une métaphore incarnée, où le génital n’est pas forcément mis en lien avec le plaisir.    C’est une forme de militantisme, c’est l’exploration d’un monde peu connu.”

Le 25 octobre 2009, Smooth a été primé meilleur court-métrage du dernier Porn Film festival de Berlin. Pour ceux qui n’étaient pas en Allemagne la semaine dernière, il y a une séance de rattrapage : Smooth va être diffusé mardi 17 novembre au Festival Gay et lesbien de Paris.

Smooth : mardi 17 nov, 18h30. Projection de courts-métrages “French touch”, salle 100 au Forum des Images : 2, rue du cinéma, 75001 Paris. Métro : Les Halles. Plein tarif : 8 euros. Tarif réduit : 7 euros.

Fonte Les 400 culs

05/11/2009 - 15:01h A turba da Uniban

CONTARDO CALLIGARIS – FOLHA SP


As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio

NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: “Pu-ta, pu-ta, pu-ta”.
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um “justo” protesto contra a “inadequação” da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre “vendido”) de duas maneiras fundamentais: “veados” e “filhos da puta”.
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, “veados” e “filhos da puta” são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: “veado”, nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos “veados”, por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser “usados” por seus ofensores. “Veado”, nesse insulto, está mais para “bichinha”, “mulherzinha” ou, simplesmente, “mulher”.
Quanto a “filho da puta”, é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. “Puta”, nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de “querer”? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de “Zorba, o Grego”, com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

ccalligari@uol.com.br

16/10/2009 - 20:41h O erotismo antropomórfico

L’érotisme anthropomorphe

Agnès Giard – Les 400 culs

Voici enfin rééditée Omaha, danseuse féline, une bande dessinée peuplée uniquement de chattes strip-teaseuses et de matous bien membrés, qui tombent amoureux, posent dans des magazines pornos et parfois se mettent à déprimer. C’est dur d’être une bête de sexe.

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En 1896, H.G. Wells publie L’Ile du docteur Moreau, l’histoire d’un savant fou qui modifie des animaux sauvages et les transforme en créatures presqu’humaines, capables de penser, de marcher, de parler… et d’aimer. Avec sa zoophilie latente, le roman fait scandale. D’autres auteurs s’engagent alors dans la brèche. Dans La Femme changée en renard David Garnett, jeune Anglais bisexuel et provocateur, raconte l’histoire d’une femme-renarde qui fait découvrir à son mari les mystères de la sauvagerie. Quelques années plus tard, Abraham Merrit écrit La Femme-Renard, un roman de science fiction sulfureux qui ouvre la voie à toutes sortes de récits fantastiques peuplés de catwomen et d’hommes-panthères à la sexualité débridée… Omaha danseuse féline s’inscrit en droite ligne de ces récits qui accordent aux animaux un statut comparable à celui d’êtres humains: comme nous, ils sont capables d’avoir des sentiments. Et des envies.

On appelle ces animaux des furries : animaux anthropomorphes, c’est-à-dire dotés de caractéristiques humaines. Exemple historique: en 1928, Walt Disney invente une souris qui marche sur ses pattes arrières, qui porte des chaussures et fait la cour à sa dulcinée, une dénommée “Minnie”. Mickey lance la mode des furries. Très vite, ça dérape. Élevés en compagnie de peluches duveteuses, des générations d’adolescents font sur leurs jouets d’enfance une véritable fixation. En grandissant, loin d’abandonner leurs nounours, ils les déguisent: bas résille et cockrings. Les nostalgiques auto-batisés “furverts” (pervers de la fourrure) ou encore “furryphiles” (amis de furries) entretiennent avec les animaux de leurs rêves un rapport quasi-sexuel. Ce sont des fou(rrure)-furieux, qui forment à travers le monde une vaste communauté communiant dans l’amour des “plushies”, les peluches, et des “kitties”, les minous de dessins animés. Leur communauté se nomme elle-même “furry fandom”.

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Première caractéristique: leurs fantasmes s’inspirent directement des gentils héros niais, des lapins gnangnans, des écureuils affectueux ou des adooorables poneys aux grands yeux miroitants… Sur Internet, c’est la folie. Allant toujours plus loin dans la perversité, les furverts rivalisent de dessins cochons: leurs femmes-fennec et leur hommes-chevaux s’exhibent en bas résille et porte-jarretelles, le sexe moulé dans des tenues cuir et les fesses bien offertes à de violentes pénétrations anales ou vaginales… Gay ou straight, toujours hardcore, SM-fetish ou “vanille”, mais toujours sans tabous, leurs images détournent les icônes enfantines et dynamitent le côté mièvre des dessins animés. Un vrai jeu de massacre. Les furverts sont des terroristes. Ils fantasment sur d’innocentes créatures, métamorphosées en “bêtes de sexe”. Ils reprennent Pikachu à la sauce porno. Ils kidnappent Mickey pour le violer en gang bang. Ils s’amusent même à se masturber dans des peluches (sur le site Real Hamster, qui parodie le célèbre Real Doll) ou à copuler dans des poupées gonflables en forme de Bambi! D’autres encore s’achètent des déguisements en fourrure: sous le nom de “fursuiters”, ces fétichistes du nounours s’habillent en étalons déviant ou en lapins scabreux pour faire l’amour…

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“Je suis votre ourson” (I am your teddy bear), chantait Elvis Presley dans les années 50. C’était mignon. Dans les années 90, les Furverts reprennent en choeur “I want to be your dog”. C’est nettement plus sexuel. En bande dessinée, la plus célèbre des séries furries s’appelle Fritz the cat. Contestataire et sexuellement incorrect, Fritz le chat baise des “poules” (au propre comme au figuré) dans des baignoires de coke. Reprenant la tradition égyptienne des dieux zoomorphes, Bilal dessine dans la trilogie Nicopol d’étranges accouplements. Au Japon, Masamune Shirow invente dans Appleseed des mutantes en fourrure programmées pour le sexe… Tank Girl, icône des punkettes, s’éclate dans des décors à la Mad Max: son mec est un kangourou. C’est dire s’il a une grosse queue. Dans Omaha danseuse féline, on retrouve la même explosive énergie défoulatoire à l’oeuvre: c’est une histoire d’amour post-libération sexuelle, écrite et dessinée par un couple (le dessinateur Reed Waller et sa compagne scénariste Kate Worley). Une saga de 1000 pages interrompue tragiquement par la mort de Kate, et qui raconte – sur 20 ans – la vie inachevée d’une… chatte gourmande et tendre.

A ne pas rater : le graphiste japonais TwoTom dessine des hommes-lapins sado-masos qui échangent des gode-carottes dans des décors de conte de fée. Ses oeuvres sont exposées du mardi 13 au dimanche 18 octobre à la librairie OFR : 20 rue Du petit Thouars, 75003 Paris. Tél. : 01 42 45 72 88. Vernissage demain, mardi 13 oct, à partir de 18h30. L’exposition s’appelle : “Cinq illustratrices japonaises et un garçon nippon”.

Omaha, danseuse féline, de Reed Waller et Kate Worley, éd. Tabou.

09/10/2009 - 20:37h Me mostra tua mulher, e te direi quem você é

Montre-moi ta femme, je te dirai qui tu es



Ma Photo

par Agnès Giard – Les 400 culs

Pour vivre heureux, il y a ceux qui préfèrent se cacher. Et puis il y a les autres qui ne conçoivent le bonheur que dans l’idée du partage, y compris érotique: ils exhibent leur conjoint(e). Parfois même ils le/la prêtent.

Roi-candaule

Dans son sens le plus restreint, le candaulisme se définit comme le fait de regarder son partenaire faire l’amour avec un autre homme ou une autre femme, voire avec plusieurs personnes. Pour s’exciter, certaines personnes demandent aussi à leur femme (compagnon) de porter des tenues très sexe ou de les enlever en public, le temps d’un strip-tease rapide, effectué pour le “plaisir des yeux”. Il s’agit parfois seulement de stimuler son goût du voyeurisme… Parfois, le voyeurisme va jusqu’à “livrer” sa compagne (son compagnon) à l’appétit d’autres mâles ou femelles. Bien qu’ils soient souvent associés, le candauliste n’a rien à voir avec le cuckold. Le fantasme de l’adultère (cuckold) repose en grande partie sur la mise en compétition, la jalousie et l’humiliation. La candaulisme, en revanche, est une forme extrême de générosité, dont le roi Candaule est devenu en Occident l’incarnation mythologique. La légende dit qu’il forçait sa reine à se déshabiller en public. En 1899, Gide lui consacre une pièce de théâtre que La Revue Blanche assimile à un “drame idéologique”.

Le Roi Candaule est un drame platonicien sur le bonheur, s’enthousiasme le critique dramatique. Candaule ne conçoit pas qu’on jouisse vraiment d’un bonheur qui n’est pas partagé ou au moins dont le détail et la qualité demeurent ignorés d’autrui. C’est en vertu de cette position philosophique, qui n’est d’ailleurs que la transposition idéologique d’un goût natif, d’une vocation spontanée, en un mot d’une manière d’être psychologique, qu’il dit par exemple à Pharnace: «Je croirais voler à tous le bien dont je reste seul à jouir» ; et à Nyssia, sa femme, dont il adore la beauté prestigieuse et qu’il a forcée à se dévoiler en public, précisément pour que tous connaissent le trésor dont s’enrichissent ses nuits d’amour: “Pour moi… Mon bonheur semble puiser sa force et sa violence en autrui. Il me semble parfois qu’il n’existe que dans la connaissance qu’en ont les autres et que je ne possède que lorsqu’on me sait posséder.”

Candaule est bon, généreux, accueillant à toute misère; il veut que son bonheur rayonne infiniment autour de lui et n’accepte pas d’être heureux seul, pas plus qu’il ne se satisfait d’être heureux pour lui-même. Il veut qu’on le sache heureux et il veut rendre heureux. C’est un homme raffiné, à qui répugne l’égoïsme naturel et qui se ravit d’être optimiste et s’exalte d’être compliqué et s’admire; car il s’admire profondément d’être bon, d’être rare, d’être compliqué, de ne pas croire en Dieu, d’avoir des idées exceptionnelles. «Admirable Candaule!» se dit-il !”. Même l’ivresse participe, à ses yeux, de cette philosophie du partage : elle fait sortir les gens de leur réserve, et les amène à dévoiler ce qu’ils sont. “L’ivresse ne manifeste en nous que ce que nous portons en nous-mêmes. Pourquoi craindrait celui qui n’a rien que de noble à montrer ? L’ivresse… fait rendre à chacun ce que souvent par excès de pudeur il cachait.

Au XVIe siècle, Baltazar Gracian disait la même chose dans son traité sur l’homme idéal qu’il appelle “el discreto“: soyez comme les paons, disait-il, les paons qui, tout en déployant leur beauté naturelle, penchent la tête humblement vers le sol et regardent leurs pieds. Le paon nous fait la grâce de sa séduction. Il le fait de telle sorte que nous ne nous sentions point jaloux, ni offensés, ni diminués par cette parade. Au contraire. Tel le paon, l’homme idéal doit donc faire profiter les autres de son intelligence, et le faire de telle sorte que chacun se sente lui-même plus intelligent à son contact, plus beau, plus noble ou plus courtois… Ainsi, le roi Candaule désire qu’à son contact, les gens se sentent plus aimés et plus aimables: il leur montre sa femme nue en geste d’offrande. Il leur tend, tel un miroir, cette vision d’un bonheur que chaque regard reflète et démultiplie. Plus vous serez nombreux à profiter de ma femme, plus vous aurez envie –vous-même– d’être comme moi: heureux en amour. Heureux en sexe.

Hélas. Le roi Candaule a des ennemis: il y a des êtres frustres qui ne supportent pas l’idée du partage. “A côté de ce roi trop civilisé, trop compliqué, trop optimiste sont Nyssia et Gygès, explique le critique de La Revue Blanche. Nyssia, sa femme, Gygès le pêcheur, deux êtres très simples, très élémentaires, très frustes, nécessairement égoïstes, sont très près de la nature, donc nécessairement partisans d’une conception inverse et adverse du bonheur, celle du bonheur pour soi, du bonheur à soi, bien à soi, rien qu’à soi.” La légende dit que Gygès, assassin de Candaule, fit monter au trône de Lydie la dynastie des Mermnades… avec l’aide de Nyssia. “Nyssia souffre violemment d’être montrée en public par Candaule. Elle ne le cède point à l’imprudent époux: «Il est certains bonheurs que l’on tue plutôt que de les pouvoir partager…» ; et, quand il lui pose cette question: “Que pensez-vous de mon bonheur ?” elle répond prophétiquement: «Qu’il est pareil à moi, mon seigneur… Je veux dire que je crains qu’il ne fane à rester découvert »

Aussi est-elle la vraie femme de Gygès, de ce Gygès qui tua d’instinct sa première femme, Trydo, parce qu’elle l’avait trompé et qui tuera Candaule son bienfaiteur et ami, parce qu’un ne peut pas être deux à posséder le même bien, parce qu’on ne partage pas le bonheur et que Nyssia n’est plus qu’à lui, dès l’heure où elle fut à lui. Aussi, dans un très beau geste final qui enveloppe toute la pièce et en ramasse le sens épars, à peine l’a-t-elle choisi pour époux-roi que Gygès ramène violemment sur le visage de Nyssia le voile gardien qu’en avait écarté la folie prodigue de Candaule: “Gygès (hostilement, vers Nyssia): “Ce visage si beau, madame, je croyais qu’il devait rester voilé?”. Nyssia (méprisante) : “Voilé pour vous, Gygès. Candaule a déchiré mon voile.” Gygès (très brutalement lui ramène un pan de vêtement sur le visage) : “Et bien ! recousez-le !”. La pièce de Gide s’achève ainsi de façon abrupte: sur une déclaration d’amour aux allures de conflit conjugal. Nyssia voulait un mâle exclusif? La voilà servie. Elle s’est condamnée elle-même à la prison, à la domination, à la répression sexuelle et aux travaux d’aiguilles. Il y a des femmes qui n’ont que ce qu’elles méritent.

PS : Je serai tentée d’ajouter: en l’occurrence, ces femmes ne méritent aucun respect. Le débat qui fait rage autour du voile me force cependant à tempérer mes ardeurs. Il faut lire le billet de Peggy Sastre sur son blog “féministe” -Ex Utero- du Nouvel Observateur pour compléter mon point de vue (trop radical peut-être). Il faut aussi lire le billet qu’Elizabeth Badinter a adressé “à celles qui portent volontairement la burqua” en septembre dernier: “Après que les plus hautes instances religieuses musulmanes ont déclaré que les vêtements qui couvrent la totalité du corps et du visage ne relèvent pas du commandement religieux mais de la tradition, wahhabite (Arabie Saoudite) pour l’un, pachtoune (Afghanistan-Pakistan) pour l’autre, allez-vous continuer à cacher l’intégralité de votre visage? Ainsi dissimulée au regard d’autrui, vous devez bien vous rendre compte que vous suscitez la défiance et la peut, des enfants comme des adultes. Sommes-nous à ce point méprisables et impurs à vos yeux, pour que vous refusiez tout contact, toute relation, et jusqu’à la connivence d’un sourire ? Dans une démocratie moderne, où l’on tente d’instaurer transparence et égalité des sexes, vous nous signifiez brutalement que tout ceci n’est pas votre affaire, que les relations avec les autres ne vous concernent pas et que nos combats ne sont pas les votres. Alors je m’interroge : pourquoi ne pas gagner les terres saoudiennes et afghanes où nul ne vous demandera de montrer votre visage, où vos filles seront voilées à leur tour, où votre époux pourra être polygame et vous répudier quand bon lui semble, ce qui fait tant souffrir nombre de femmes là-bas ? En vérité, vous utilisez les libertés démocratiques pour les retourner contre la démocratie. Subversion, provocation ou ignorance, le scandale est moins l’offence de votre rejet que la gifle que vous adressez à toutes vos soeurs opprimées qui, elles, risquent la mort pour jouir enfin des libertés que vous méprisez. C’est aujourd’hui votre choix, mais qui sait si demain vous ne serez pas heureuses de pouvoir en changer?. Elles ne le peuvent pas… Pensez-y”.

04/10/2009 - 21:06h Qui a peur des godemichés?

Certains sexologues affirment que le vibro peut rendre accro. L’artiste français Yann Minh participe, mercredi 30 sept, à un colloque portant sur le phénomène de “narcose narcissique” provoqué par l’usage –entre autres– des sex-machines. Alors, docteur, addiction ou exploration ?

VtReddition

A Nancy, jusqu’au 3 octobre, des armadas de robots sexy et d’humains incrustés d’implants phalliques se donnent rendez-vous pour un festival international de body art, appelé T.O.T.E.M. Souterrain Porte V, mêlant danse, spectacle de rue, concert et soirées fetish sur le thème des hybrides homme-machine. “Nous sommes tous des hybrides, expliquent les programmateurs (la compagnie Materia Prima et les éditions de la maison close). Quand le premier homme a levé son premier os-massue vers le ciel, il brandissait sa première prothèse. Les armes sont des prothèses. Les godes sont des prothèses. On ne sait même pas ce qui est venu en premier d’ailleurs.” Arme ou gode?

Pour Yann Minh, artiste cyber-punk et créateur du “nooscaphe” (une machine immersive à baiser), c’est le gode qui inaugure l’ère des humains sur terre. “Il me parait  certain que les premiers outils de l’humanité n’ont pas été des haches ou des marteaux de bois et de silex comme on nous le raconte à l’école, affirme-t-il, mais plutôt des godemichés… qui vont progressivement se transformer en armes, par projection sexuelle métaphorique.

A en croire Yann Minh, les anthropologues –“souvent des catholiques”- ont occulté très consciemment l’importance du plaisir sexuel dans leurs études sur l’humanité primitive, pour privilégier les notions de cultes de la fécondité. “Cependant les objets dit ithyphalliques, ainsi que les représentations sexuelles explicites (je pense à l’homme à tête d’oiseau qui a fasciné Georges Bataille, et dans la grotte Chauvet il y aurait un vagin sculpté sur une paroi), apparaissent en même temps que les outils, et il n’est pas possible pour l’instant de déterminer une antériorité des uns sur les autres… Il y a donc de fortes chances de mon point de vue, que le premier outil inventé par l’humanité, donc l’ancêtre de la machine, soit un godemiché, et que ce soit une femme qui l’ait inventé.

Il peut paraître gratuit d’affirmer que nos ancêtres aient taillé des olisbos. On imagine qu’ils avaient mieux à faire: cueillir, chasser, pêcher, se battre, tuer. Survivre, en somme. Mais l’examen des outils primitifs montre que les hommes de la préhistoire passaient surtout beaucoup de temps à tailler, poncer, pilonner puis polir des objets aux formes oblongues, au cours de longues soirées à rêver devant les flammes d’un feu crépitant. L’invention même du feu témoigne de l’attention accordée aux mouvements de va et vient patient. “L’amour est la première hypothèse scientifique pour la reproduction objective du feu” dit Bachelard (La Psychanalyse du feu). Imitant l’acte primordial, nos ancêtres frottaient donc des matières, jusqu’à ce qu’elles deviennent brûlantes, douces, lisses et pénétrantes. Jusqu’à ce qu’elles tiennent bien dans la paume de la main et prolongent symboliquement leur corps de griffes ou de greffes flatteuses.

Dans L’amour des gadgets, Narcisse et la narcose (chap 4 de Pour Comprendre les Medias), Marshall Mc Luhan écrit: “Le jeune Narcisse prit pour une autre personne sa propre image reflétée dans l’eau d’une source. Ce prolongement de lui-même dans un miroir engourdit ses perceptions au point qu’il devint un servomécanisme de sa propre image prolongée répétée. (…) Ce qu’il y a d’intéressant dans ce mythe, c’est qu’il montre que les hommes  sont immédiatement fascinés  par une extension d’eux-mêmes faite d’un autre matériau qu’eux.” Yann Minh enchaine: “Les outils sont des extensions de nous même qui, en amplifiant nos fonctions physiques ou cognitives provoquent un état de stupéfaction spécifique: comme Narcisse est stupéfait par son propre reflet, nous sommes stupéfait par le reflet du cyborg que nous devenons lorsque nous utilisons un outil puissant qui nous transforme en nous “amplifiant“”. Et voilà comment on devient humain, dit-il: en succombant au pouvoir dont nous dotent les machines. Quand nous pilotons une voiture, prothèse surpuissante, nous nous grisons à ce point de vitesse qu’il nous arrive parfois de conduire pour le simple plaisir de filer jusqu’au vertige. Une fois les limites de la voiture atteintes –comme si la symbiose était achevée– la plupart des conducteurs deviennent plus sages. Sortant de ce que Marshall Mac Luhan appelle la “narcose narcissique”, ils maitrisent désormais l’outil.

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Les joueurs de jeux vidéos, les utilisateurs de sextoys, les maniaques d’appareils photos ne sont pas plus ou pas moins “accros” à leurs prothèses que les automobilistes lorsqu’ils explorent les nouveaux mondes que leur offrent ces outils. Ils apprennent à s’en servir. Mais attention: “Rien à voir avec les états addictifs provoqués par certaines drogues, remarque Yann Minh. La différence entre une réelle addiction et la narcose narcissique, c’est qu’une fois atteint les limites de ce que nous sommes devenus avec ces greffes  technologiques, nous sortons de cet état de stupéfaction sans dommages cognitifs, au contraire, nous “revenons au monde” plus fort d’une expérience nouvelle.” Rien de plus naturel, donc, que cette pulsion qui nous pousse sans cesse à vouloir amplifier notre corps: l’usage d’instruments sexuels, entre autres, fait partie inhérente de notre humanité. Parce que l’humain est –dès l’origine– un cyborg, c’est-à-dire un être qui cherche sans cesse à s’interfacer avec des objets qui le rendent plus beau, plus grand, plus fort, plus rapide ou plus endurant. Faut-il en déduire que les sextoys nous sont indispensables?

Pas vraiment, répond Yann Minh. “Les outils à vocation sexuelle peuvent même jouer un rôle inverse, quasi castrateur.” Pourquoi? Parce qu’ils ne renvoient pas à leur utilisateur une image sublimée de lui-même. “En gros, les  humains ont plus de facilité à s’investir dans des projets laborieux, s’il y a une adéquation symbolique ou métaphorique qui gratifie psychologiquement leur investissement, comme par exemple de tailler d’énorme mégalithes pour les dresser vers le ciel, ériger des arches vaginaux démesurés en forme de dolmen ou de cathédrales, ou envoyer des missiles sur des colonnes de feu vers les cieux…”. Les godes, eux, ne stimulent guère l’imagination. Leur forme ne nous renvoient qu’à leur fonction: platement prosaïque. “Ils n’ont pas plus de “puissance” amplificatrice qu’un marteau, ou une perceuse électrique, explique Yann Minh. On peut donc considérer que l’effet de narcose narcissique sera relativement réduit.” La fascination exercée par une perceuse sur notre psyché reste limitée, effectivement. Ce qui explique l’attrait exercé par les nouvelles technologies. En matière d’érotisme, les robots et les mondes virtuels offrent un terreau bien plus fertile à l’imagination.

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Les jeux vidéo immersifs et interactifs en ligne, les mondes persistants avec leurs projections identitaires sous forme d’avatars vidéo, iconographiques ou photographiques, amplifient certains processus cognitifs liés à la sexualité comme la séduction, la mise en relation (drague), l’exhibition, le voyeurisme, le fétichisme, et à ces extensions cognitives, vient d’être ajouté ce que les anglo-saxons appellent du joli nom de Teledildonic, en gros ce sont des vibromasseurs bon marchés téléopérés via Internet en USB, et qui ajoutent donc aux stimulations cognitives en réseau, les stimulations physiques. Cet ensemble (ordinateur, mondes persistants, teledildonic, réseaux sociaux numériques) génère un outil complexe à vocation sexuelle et émotionnelle amoureuse, une puissance et une complexité comparable à ce que sont l’automobile ou l’avion pour la motricité, la photo et la vidéo pour la mémoire, les armes pour le toucher. Et de fait, cela suscite chez beaucoup d’utilisateurs, un phénomène puissant et similaire de narcose narcissique, qui peut donner une impression d’addiction.”

Yann Minh en sait quelque chose: mercredi 30 septembre, entre 9 heures et 12 heures, il vient à Nancy, témoigner de sa propre expérience d’immersion extrême dans les univers virtuels. Il a passé deux ans sur Second Life, “à raison de 4h à 12h par jour” et il donnera ses conclusions sur ce que cela lui a apporté lors du colloque “Robots Hybrides Cyborgs” qui traitera -entre autres- des sex-machines.

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TROIS QUESTIONS A YANN MINH

Les plus anciens outils sont des olisbos ?
Récemment on a découvert dans la grotte de Hohle Fels près d’Ulm dans le massif du Jura ce qui a été authentifié comme un godemiché préhistorique vieux de -28 000 ans. Il existe aussi dans les grottes de Chauvet et de Gargas datant du gravettien (- 27 000) des représentations vaginale sculptées en creux, ou exploitant les failles naturelles. Bien sûr, c’est récent dans notre histoire. La datation des premiers bifaces est évaluée à plus d’1,5 millions d’années, et ils ne se prêtent pas à une utilisation sexuelle. Cependant il me semble que l’identification et la recherche d’outils archaïques à vocation sexuelle n’a pas été faite, la multitude de silex taillés ayant peut-être occulté la présence d’outils moins contondants?
Mais sans aller aussi loin dans les zones de spéculations incertaines d’une lointaine préhistoire, autour du néolithique on peut identifier deux archétypes sexuels fondamentaux, qui sont le menhir phallique, et le dolmen vaginal: la pierre dressée et l’arche.

Plus les outils ont l’air sexuels, plus ils nous plaisent ?
Les métaphores sexuelles sont très puissantes, mais notre “fascination” pour un outil n’est pas forcément déterminée par la présence explicite ou non d’une métaphore sexuelle… Prenons les armes par exemple, de mon point de vue, elles vont provoquer un phénomène de narcose narcissique d’abord par ce que ce sont des extensions de la main… elles nous permettent de toucher plus loin… Bien sûr, la part sexuelle liée au pénis vient s’y ajouter, c’est certain, mais de mon point de vue, loin après la fonction de toucher.

Sommes-nous guidés -dans ce que nous faisons- par la métaphore sexuelle?
C’est bien sûr variable d’une société à l’autre, d’un individu à l’autre, et je ne prétends pas à l’universalité de mes réflexions qui sont très subjectives et basées sur mon expérience de “noonaute”,  mais je pense qu’elles soient sexuelles, ou faciales, ou animales ou autres, nous sommes particulièrement réceptifs aux métaphores, d’ailleurs nous communiquons par métaphores imbriquées. Il n’est donc pas surprenant qu’un outil qui véhicule une forte charge métaphorique attire notre intérêt, voir passion ou obnubilation… c’est un quête de nous même qui est à l’œuvre à ce moment. Par exemple les robots, qu’ils soient fait de pixels, d’acier ou de plastique, et qui sont des outils à notre image nous fascinent depuis toujours, d’abord en imaginaire, maintenant en réel.

International Body Art Festival : 25 septembre – 3 octobre 2009.
Au T.O.T.E.M : 174 rue des brasseries, 54320 Maxéville, à 5 mns de Nancy
http://souterrainporte5.free.fr/

Mercredi 30 sept, de 9h à 12h : colloque “Robots Hybrides Cyborgs” à l’Amphithétre du MAN à Nancy. Intervenants : Gérald Bronner (Université de Strasbourg) : “Prométhéisme et Antiprométhéisme”. Stéphanie Nicot (directrice et rédactrice en chef de la revue Galaxie, directrice artistique du festival de science fiction) : “Les imaginales. L’imaginaire hybride et robotique au travers de la SF”. Yann Mihn (artiste) : “Avatars, Mondes persistants et Narcose Narcissique”.

Hybrid Film Fest

Les 400 culs

01/10/2009 - 20:38h Bissexual?

Agnès Giard

En 1948, Alfred Kinsey, avance que nous sommes pratiquement tous bisexuels: “Le monde ne se résume pas à des oppositions binaires, explique-t-il. Tout n’est pas noir ou blanc.” Dans un essai coup de gueule, Karl Mengel en profite pour renvoyer dos à dos les hétéros-racistes et les homos-sexistes.

Osez-la-bisexualite

Hétéro, homo… Pourquoi vouloir à tout prix se définir? Alors que pour l’essentiel d’entre nous, la vérité se trouve ailleurs, dans une zone indéfinie, trouble et troublante, qui englobe des désirs polymorphes et des motivations obscures. Selon Alfred Kinsey, père de la sexologie, “la nature ne produit que très rarement des catégories parfaitement étanches. Il n’y a que l’esprit humain pour inventer des groupes, étiqueter le réel et forcer les faits à entrer dans de petites cases distinctes. Le monde du vivant est un continuum, dans tous ses aspects, un large éventail constitué d’un seul tenant. Plus tôt nous assimilerons cette idée en ce qui concerne la sexualité humaine, plus tôt nous parviendrons à une solide compréhension des réalités du sexe.

Dans son ouvrage Pour et contre la bisexualité, publié à La Musardine, Karl Mengel ajoute que dans le règne animal –“des punaises aux baleines et des cygnes aux putois, en passant par les lions, les libellules, les aigles, les girafes et les pieuvres”- quelque 1500 espèces jouent l’alternance, sans se préoccuper de savoir si elles sont à voile ou à vapeur: “Les hérissons se branlent mutuellement avant d’aller voir l’autre sexe, les escargots s’enfilent en longues chaines après l’accouplement reproductif de rigueur, les gentils dauphins vont et viennent (…) les cerfs adorent monter un semblable quand il est en train de se faire une biche et les éléphants trimbalent une bite de 25 kg dont l’encombrement les pousse, ne serait-ce que pour se reposer, à faire souvent semblant qu’ils se sont trompés de trou.

Les pulsions humaines n’échappent pas à cette joyeuse absence de règle. Rares sont les hétéros totalement insensibles à l’idée d’une relation homosexuelle. Après tout, eux aussi possèdent une prostate et, pour la majorité d’entre eux, cette prostate est une zone érogène. Les hétéros aiment donc la sodomie. Qu’elle soit faite à l’aide d’un gode ou d’un pénis n’est qu’une question accessoire. Le phallus des gays ne reste pas non plus de marbre devant les film porno-straights. C’est peut-être dérangeant pour eux, mais voilà: il y a des filles qui peuvent les exciter, ne serait-ce que par identification. Quant aux femmes, qu’elles soient hétéro ou homo, leur clitoris les rend aussi sensibles aux caresses venant de l’autre que du même sexe. Morphologiquement, les différences de genre n’ont aucune importance en matière de plaisir. L’anus est identique sous les jupes et les pantalons. Les langues, les doigts, les mots, les fantasmes et les envies sont également les choses du monde les mieux partagées. Une femme peut très bien avoir le même cul, la même libido et les mêmes mots qu’un gay. Un homme peut très bien avoir la même langue, les mêmes doigts et les mêmes envies qu’une lesbienne. Etc.

Sur le plan strictement physique, nous sommes tous ambivalents. C’est-à-dire capables de jouir –en fermant les yeux, en nous laissant aller au vertige– sans trop savoir qui est celui, ou celle, qui nous absorbe ou qui nous pénètre. Sur le plan érotique, bien sûr, chaque être ayant ses préférences, nous avons besoin de choisir nos partenaires. Il y en a qui préfèrent les hommes, d’autres les femmes, ou les trans ou les garçons manqués, c’est certain. Mais faut-il pour autant en déduire que les mots “hétéro” ou “homo” sont pertinents? Le mot “bisexuel” est-il lui-même pertinent? Dans Pour et contre la bisexualité, Karl Mengel dénonce l’usage de ce terme -“bi”- qui renvoie de façon réductrice à la norme binaire: “lorsque le sexe est entré dans le discours, les néologistes se sont mis en tête de jeter un pont (bi) entre deux chimères, dont l’une (hétéro) avait au préalable été créée comme un pendant artificiel à l’autre (homo), elle-même illusion langagière visant à cloisonner le champ sexuel au nom de la morale du moment.

Karl Mengel s’explique: le terme “hétérosexuel” n’a été inventé qu’après l’apparition de l’étiquette “homosexuel”. La première trace du mot homosexualität (”homosexuel”) se trouve dans la correspondance privée d’un certain Karl-Maria Benkert, en 1868. Cet “obscur mais néanmoins précoce défenseur de la liberté de baiser en paix s’est mis en tête de remplacer les multiples noms d’oiseau qui servaient jusqu’alors à désigner les amateurs du même”: il substitue aux termes cinaèdes, bougres, bardaches, culistes, pédérastes, gitons, uranistes, enculés, invertis, antiphysiques, pédés, pédales, folles et autres tantes un mot absurdement composé d’une racine grecque (homo: “même”) et d’une racine latine (sexus: “sexe”).

Résultat catastrophique: son invention est “immédiatement reprise à bon compte par les maniaques du rangement comportemental” qui en font non plus une catégorie mais une pathologie bientôt cernée par Krafft-Ebing dans son célèbre Psychopathia sexualis. Il s’agit pour Krafft-Ebing de recenser les perversions d’un point de vue médical et non plus religieux, afin de les guérir. “Le sodomite diagnostiqué homosexuel n’était donc plus coupable mais à plaindre –ce qui revenait en gros à échanger le bûcher contre –plus tard– le Sida” se moque Karl Mengel.

Le mot “hérérosexuel” n’apparait qu’après, comme pour conforter l’idée qu’il existe deux camps. Celui du bien et celui du mal, évidemment. “A la base, les censeurs  veulent une boîte commode où ranger ceux et celles qui vont et viennent librement entre la norme et l’anormalité constituée, nommée, donc sous contrôle.” Problème: les homosexuels eux-mêmes participent à cette “mise en boîte”: ils revendiquent leur filiation avec les grecs et les romains de l’antiquité ainsi qu’avec les samouraïs, et les féroces initiateurs-combattants d’Afrique, d’Océanie ou d’Amérique du sud, qui, pendant plusieurs siècles érigent l’amour mâle en modèle de vertu guerrière. Les homosexuels oublient cependant une chose: les soldats-amants de Thèbes ou de Sparte, les érastes (adultes) crétois, les bushi (guerriers) japonais, les binômes zaggalah, les mâles Keraki ou les hommes libres de l’Empire Romain n’étaient pas homosexuels. Ils étaient omnisexuels. Ils avaient des femmes et des amants. L’institution “pédérastique” (ensemencement viril d’un adolescent) allait de pair -obligatoirement- avec l’institution du mariage.

C’est ainsi que tous les personnages du passé qui avaient entre autres goûté aux joies du même, à une époque innocente où prévalait l’indifférenciation d’avant l’hétérosexisme, ont été pris en otage par un courant de pensée partisan qui les a maquillé en purs homosexuels” se plaint Karl Mengel. Et au diable l’anachronisme! Le militantisme gay a donc mis en place un mythe aussi schématique et grossier que ce dont pouvaient rêver les pères de l’Église: quiconque –par le passé– avait eu des relations homosexuelles est devenu homosexuel. Jules Cesar, David roi d’Israël, Alexandre le Grand, Casanova, Henri III, Ivan le terrible, Socrate, Richard Cœur de Lion, Cervantes, Michel-Ange, Pierre le Grand, Goethe, etc. “Évidemment, l’autre bord n’a pas levé le petit doigt (sic) pour s’opposer à la profanation, vu qu’il y trouvait parfaitement son compte: l’occasion était trop belle de laisser les “anormaux” se constituer en un bloc à la fois hermétique et distinct. Purger, sans se salir les mains, quelle veine.” Karl Mengel ajoute : “En réalité, ces illustres ancêtres n’étaient pas homos, ni hétéros, pas plus qu’ils n’étaient bi -même indépendamment du fait que ces notions n’existaient pas. Leur sexualité s’organisait autour de hiatus différents, et ses enjeux touchaient plus à la découverte de soi (en passant) par les autres qu’à la construction artificielle d’une identité reposant sur des choix instrumentaux.

Des deux côtés du poste-frontière établi entre les normes obligatoires, il y a donc des gens qui se méfient des autres (stigmatisés “bisexuels”)  et qui les traitent de “traitres”, d’imposteurs ou de menteurs. Il semble en effet louche que l’on puisse trouver du charme aussi bien aux hommes qu’aux femmes de nos jours, tellement les idéologues ont bien fait leur travail: les hommes viennent de Mars, les femmes de Venus, alors faites votre choix. Et pas question d’être dans l’entre-deux. Ce qui fait dire à Karl Mengel: “C’est un fait peu connu, mais Eros s’appelle aussi Metis dans la théologie orphique. La métaphore dit joliment l’évidence qui voit la sexualité réunir les opposés, cela à l’intérieur de soi. On a donc forcément un peu de l’autre dans le corps, qu’importe son genre, et le désir s’en trouve complexe, insaisissable mais infini.” La libido contient tous les possibles.

Pour et contre la bisexualité, Karl Mengel, collection L’attrape-corps, éd. La Musardine.

Osez la bisexualité, de Pierre des Esseintes, éd. La Musardine.

Fonte Les 400 culs

25/09/2009 - 20:31h Shunga trio

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f0/Shunga_trio.jpg

Three Samurai

Miyakawa Choshun (1682–1753), The Flowered Robe

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Utamaro Kitagawa

21/09/2009 - 21:30h As mulheres e a pornografia

En attendant le porno unisexe

Un sondage Ifop commandé par la société Marc Dorcel bouscule l’idée reçue selon laquelle les femmes sont des êtres purs. En réalité, elles s’intéressent autant au porno que les hommes. A une différence près: elles le regardent plutôt en couple.

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La femme est un être doté de qualités très particulières: elle a plus de blanc dans les yeux par exemple. Elle peut inspecter vos organes génitaux sans baisser les yeux. Elle fait marcher son cerveau à droite. Elle a une bouche composée des mêmes tissus cellulaires que son vagin. Et surtout, comme dirait Desproges, elle est composée des mêmes substances que l’homme… «mais dans une proportion qui force le respect». Et ça, c’est scientifique. Ce qui est scientifique aussi, c’est que –d’après un sondage réalisé par l’Ifop «à l’occasion du 30ème anniversaire des vidéos Marc Dorcel, leader européen de la production de films pour adultes»- les femmes matent maintenant des films pornos sans problème. 83% des sondées reconnaissent avoir vu un film X en entier ou par petits bouts.

Dans leur majorité, ces femmes sont allées sur des sites pornos gratuits pour ce faire (comme les hommes). Elles avaient en moyenne 25 ans la première fois qu’elles ont vu un film X (les hommes avaient 24 ans). Elles étaient souvent seules quand elles ont vu ce film. Elles considèrent, pour 34% d’entre elles, que regarder un X à deux c’est l’occasion de parler avec leur compagnon de ce qui les excite sexuellement (35% pour les hommes). Elles pensent, pour 34% d’entre elles, que cela peut augmenter le désir dans le couple (41% pour les hommes). Et elles estiment, à 48%, que ces films n’ont rien de réaliste (57% pour les hommes): les scènes filmées de coït leur paraissent «assez éloignées» des pratiques sexuelles des Français. Comme les hommes également, elles n’accordent que très peu d’importance à la taille des seins (13%) ou du pénis (18%). Elles préfèrent le scénario, comme dans le cinéma normal. Et elles font parfois l’amour pendant que la vidéo défile.

Bref, le X n’est plus l’apanage de mâles frustrés et solitaires. L’enquête Ifop semble même indiquer que ceux qui consomment le plus de X sont aussi ceux qui ont la vie sexuelle la plus développée. La production pornographique s’oriente donc, de plus en plus, vers cette nouvelle cible avec des productions «plus clean» orientées «vers un public plus mixte, voire conjugal». Ce qui amène l’Ifop à conclure: «L’enjeu des prochaines années est donc l’émergence d’une pornographie de couple, moins sexiste et plus esthétisée, qui s’adresse aussi bien aux hommes qu’aux femmes.»

Illustration ; Laurent Gugli, artiste néo-pop, créateur de la galerie ArtDollar, à Paris. Fonte les 400 culs

04/09/2009 - 20:49h Xadrez, um jogo cabeça

http://3.bp.blogspot.com/_GJk37Xy3k40/SehA-DIICuI/AAAAAAAAfmU/KlkM59PC6wY/s400/erotic-chess-set-2.jpg
Neste jogo o objetivo é comer ao máximo, de prefêrencia a Rainha e derrotar o Rei
http://gadgets.boingboing.net/4.jpg
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04/09/2009 - 20:18h “cuckold”

Mari trompé, mari heureux: le fantasme du “cuckold”

Le cuckold est un “cocu heureux”, c’est-à-dire un homme –généralement marié– qui jouit de voir sa femme dans les bras d’un ou plusieurs amants. Elle le trompe ouvertement. Et ça l’excite.

Cuckold-place

Le mot “cocu” viendrait du mot “coucou” (cuckoo en anglais). La femelle du coucou pond dans le nid des oiseaux d’autres espèces afin que ceux-ci couvent l’œuf et nourrissent son petit à sa place. De même, le cuckold met sa femme dans le lit d’autres hommes, afin qu’ils lui fassent l’amour à sa place.

Contrairement aux cocus habituels dont on dit qu’ils portent des cornes parce que tout le monde peut les voir sauf eux, les “cocus heureux” ne sont pas les derniers informés de leur infortune. Ils jouent au contraire un rôle actif dans leur propre cocufiage: ce sont souvent eux qui poussent leur compagne à avoir des rapports extra-conjugaux.

Parfois même, ils assistent aux ébats et tirent un plaisir sans nom de voir leur bien-aimée entre les bras d’un autre. Pourquoi? Dans le milieu SM, la raison invoquée est souvent humiliante: le cuckold prétend qu’il n’est pas capable de satisfaire son épouse. Il affirme qu’il est impuissant, éjaculateur précoce ou “mauvais coup”. Ce qui n’est pas forcément vrai. A l’origine de ce fantasme, il peut y avoir une forme d’homosexualité larvée. Il peut aussi y avoir le désir d’être transformé en objet sexuel dont la femme dispose à sa guise: tel jour, elle s’offrira un amant, tel autre elle préfèrera utiliser son mari comme un sextoy de substitution…

Mais la raison principale, probablement, c’est que le cuckold trouve sa femme plus désirable si elle est désirée par d’autres. C’est un fantasme qui repose sur la “triangulation du désir”: tu as plus de prix, ma chérie, quand les autres mâles te convoitent.

Tenaillé par la jalousie, le cuckold fera tout pour satisfaire lui aussi sa femme, rivalisant d’ardeur avec ses innombrables amants afin qu’elle ne le quitte pas pour un autre… S’il fallait résumer grossièrement, on pourrait définir le cuckold comme un “mari idéal”. Un homme capable d’aimer sa femme envers et malgré tous les amants, défiant ainsi les conventions morales qui assimilent les adultères à d’indignes trainées.

Le cuckold est aussi un homme tirant son plaisir de celui que sa femme éprouve, s’identifiant à elle lorsqu’elle se met à gémir et crier, partageant ses émotions. C’est aussi un homme qui met son orgueil à rude épreuve, pour le seul plaisir d’avoir –sans cesse– à reconquérir celle qu’il aime. Il met en danger son couple afin de mieux le sauver et entretient en permanence l’excitation des premiers moments, lorsqu’il n’était qu’un prétendant parmi d’autres, luttant pour obtenir la main de son élue, en compétition avec des rivaux séducteurs. Pour le cuckold, chaque jour est une déclaration d’amour.

Beaucoup de maris sont des cuckold sans le savoir: ils encouragent parfois leur femme à se faire particulièrement belle et marchent derrière elle à vingt pas dans la rue, pour regarder les passants qui se retournent ou qui la sifflent. Beaucoup de femmes sont aussi des cuckold. En anglais, on les surnomme cuckqueans. Elles aiment imaginer que leur compagnon flirte avec d’autres femmes, et l’encouragent parfois à aller plus loin, parce qu’il est doux de savoir qu’au final c’est vers elle qu’il reviendra. Il peut bien faire ce qu’il veut “ailleurs”. Les cukqueans savent qu’elles restent l’amour unique. Elles jouissent des regards envieux que leur lancent d’autres femmes. Au final, les cuckold ne sont-ils pas dans une position privilégiée? Ils possèdent un trésor dont les autres ne peuvent jouir qu’à mi-temps. Par un curieux retournement de rôle, ils parviennent même à rendre les amant(e)s jaloux(ses).

(mais…)

25/08/2009 - 21:19h Lilith, la louve junkie

Il peut sembler paradoxal de revendiquer la fellation comme une forme de libération féminine. Et pourtant. Lilith suçait. C’est, à en croire Primo Levi, la première femme de la Création. Elle faisait l’amour avec sa bouche. Jusqu’au jour où… Ève est arrivée.

Lilith-KenyonCox

Il existe, dans la tradition judéo-chrétienne, deux histoires très différentes de la création. Dans la première, Dieu aurait créé la femme et l’homme égaux. Lilith sortait de la même argile qu’Adam. Mais comme Dieu n’avait pas assez d’argile, il mit le sexe de Lilith sur son visage, son utérus occupant la place du cerveau. Lilith – symbole du plaisir sexuel absolu – jouissait donc par la bouche. Quand elle s’est enfuie, par refus de soumission à l’homme, Dieu créa Ève, pâle ersatz d’Adam, pour lui obéir fidèlement. Tandis qu’Ève inaugurait l’ère de la femme au foyer, Lilith, elle, est restée libre, stérile, affamée de désir, tenaillée par une faim permanente. C’est la femme des premiers âges.

Lilith-DanteGabrielRossetti

«On dit qu’elle aime la semence des hommes», explique Primo Levi. «Toute la semence qui échappe à la seule destination admise – la matrice conjugale – elle s’en empare: toute celle que chaque homme a gaspillé dans sa vie, en rêve ou par vice»… Lilith, la louve junkie, recueille le sperme du monde avec l’appétit d’une démone. Comme les succubes, elle vient la nuit visiter les hommes pour les sucer dans leur sommeil. Vampire nocturne, Lilith incarne la puissance du désir porté à son incandescence: elle fait l’amour avec sa langue, avec l’orifice sacré de la parole, transformant l’acte sexuel passif en acte de création. Car en elle, le sperme ne donne pas naissance à des enfants de chair et d’os. Il féconde son cerveau et non pas son ventre.

Voilà pourquoi Lilith fait peur: elle fait l’amour d’une façon mystique, recevant le phallus comme une hostie, à genoux devant le fétiche qu’elle embrasse, éblouie par la grâce… il y a quelque chose de scandaleux dans ce plaisir contre-nature. Car Lilith parvient, en adorant le sexe viril, à renverser les rôles: c’est l’homme qui s’abandonne entre ses lèvres, et non pas la femme qui se soumet. C’est la femme qui prend le contrôle et l’homme devient sa nourriture. Spirituelle bien sûr. Mais il n’empêche, c’est ambigu: pour beaucoup d’hommes, la fellation reste une menace associée au «con denté».

Pour eux, la seule manière de surmonter cette angoisse de castration consiste à faire de Lilith un «trou» où décharger toute cette agressivité revancharde. Les résumés des vidéos X illustrent bien cet état d’esprit. «Pour la première fois de sa vie, une belle blonde se fait remplir de sperme par tous les trous. Cette salope complètement déchainée s’étranglera en avalant le sperme d’une dizaine de queues» (Puissance X2). «Ils la forcent à les sucer pour la transformer très vite en vide-couilles. Son corps et sa bouche servent de serpillère pour éponger le foutre» (Gang-bang et sodo pour une salope). Résumés révélateurs: «Sous la loupe grossissante de la pornographie, explique Claude Guillon, auteur du livre Le Siège de l’âme, la femme doit être soumise, humiliée et satisfaite de l’être, mais cela ne suffit pas. Le voyeur-violeur postule que la salope aime l’abjection qu’il lui impose: ce postulat lui est d’un certain secours émotionnel pour surmonter la honte de ses faiblesses

Et pourtant, même réduite a silence, la fellatrice peut rester sublime: ne se souciant ni d’orgueil, ni de morale, elle dépasse le vieux problème de la violence et du sacrifice. C’est la mutante idéale du roman d’Alina Reyes qui lui consacre – sous le titre éclatant Lilith – sa plume la plus fiévreuse et haletante. Lilith est un roman de science fiction apocalyptique: une femme du futur retourne à l’état primitif. Elle devient “mangeuse” d’homme, notre nouvelle mère. Lilith réincarnée, pour qu’enfin nous puissions sucer sans nous avilir.

Histoire raisonnée de la fellation, Thierry Leguay, (éd Le Cercle). Lilith, Alina Reyes (éd robert Laffont). Lilith, Primo Levi, (éd Liana Levi). Le siège de l’âme, Claude Guillon, (éd Zulma).

 

Fonte Les 400 culs

24/08/2009 - 20:23h Crepax – Masoch e a A Vênus de Peles

Guido Crepax foi o primeiro grande mestre dos quadrinhos eróticos. Era formado em arquitetura, mas nunca exerceu a profissão, tendo-se dedicado, ainda estudante, às artes gráficas publicitárias e à ilustração.
Em 1965 escreveu e desenhou a sua primeira história em quadrinhos, com a personagem Valentina,a bela fotógrafa cosmopolita criada à imagem e semelhança da atriz Louise Brooks, de quem Crepax era fã. Além de Valentina, outras obras suas se destacaram: baseado em histórias do Marquês de Sade fez Justine; em Arsan, fez Emanuelle; em Pauline Reage, História de O e em Sacher-Masoch, A Vênus das Peles. Isso entre muitas outras.
Adorava jazz, fez então uma homenagem para Charlie Parker em O Homem do Harlem. Não bastando tudo isso, fez adaptações para os clássicos Frankenstein, O Médico e o Monstro e Drácula.
Foi autor de outras heroínas: Bianca, Anita, Giulietta, Belinda e Francesca. No campo das artes plásticas propriamente ditas, Crepax assinou uma centena de obras, entre litografias e serigrafias.Faleceu em 2003.

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Sacher-Masoch, Um aristocrata sui generis

Masoch era de ascendência nobre. A cidade em que nasceu levava o nome de seu bisavô e o seu próprio: Léopold. Seu pai era a maior autoridade da região. Um Conselheiro com o título de cavalheiro. Algo como um prefeito e um delegado reunidos num único poder. Masoch herdou do pai a inclinação pelos prazeres do sexo? Bem, o certo é que ele foi uma figura poderosa para Masoch. Homem que amava o luxo, a caça, e não tinha pruridos em exaltar o próprio sucesso.

No século 19 a Áustria pertencia ao Império Austro-Húngaro, e os nobres falavam francês, que era considerada a língua culta. Masoch alfabetizou-se em francês e alemão. Estudou filosofia e ciências naturais. Aspirava e conseguiu tornar-se um romancista de primeira linha. Tinha um projeto literário extremamente ambicioso. Pretendia, num conjunto de 20 volumes intitulados O Legado de Caim, fazer uma síntese da condição humana em seus aspectos literários, naturais e filosóficos. Mas os homens têm a memória curta para a arte e aguçada para as perversões. Masoch retratou em seus romances suas próprias inclinações, e isso o condenou.

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Um criado para seu prazer

Em 1869, Masoch, então com 33 anos, conheceu Fanny de Pistor Bogdanoff, bela mulher, nobre como ele, e que acima de tudo o amava. Leopold lhe propõe um pacto redigido como contrato: durante seis meses ele será seu criado. Ela poderá fazer com ele o que bem entender. A única ressalva é que permita que ele continue a escrever seus romances durante três horas por dia.

O contrato era para Masoch uma forma de reinventar as relações entre homem e mulher. Havia algo de Fausto também na idéia. Um pacto onde o prazer é obtido à custa do sofrimento. Fanny estranha a proposta, mas por amor aceita. O casal empreende uma viagem pela Itália. Passeiam extasiados pelos belos e antigos cenários de Nápoles. Masoch vestido e comportando-se como um criado polonês, que acompanhasse a princesa.

Ele tinha uma fantasia. Deveriam encontrar um amante para ela, jovem e belo, que a possuísse. Eles o chamariam o Grego. Finalmente, ela pediria ao amante que chicoteasse seu criado, que se comportara mal. A primeira parte do plano deu certo. Fanny realmente conseguiu uma amante. Era uma ator chamado Salvini. Mas o rapaz se recusou a surrar Masoch. Este suplicou, beijando-lhe os pés, que o castigasse. Sem sucesso. Em seu livro A Vênus de Peles, a cena aparece inteira, e na literatura o amante não hesita em malhar o criado. O gozo é atingido.

Em seu livro, Présentation de Sacher – Masoch, o filósofo Gilles Deleuze faz o seguinte comentário: “O contrato masoquista não expressa somente a necessidade do consentimento da vítima, mas também o dom de persuasão, o esforço pedagógico e jurídico pelo qual a vítima educa seu carrasco.”

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De encontro ao seu desejo

Com A Vênus de Peles, Masoch tornou-se um escritor conhecido. A fama trouxe uma enxurrada de assédios, alguns sinceros, outros oportunistas. Um desses viria a marcar a vida do escritor. Trata-se do encontro com Wanda.

Abandonada pelo pai e vivendo em péssimas condições com a mãe, que lavava roupa para o exército, Wanda conheceu Madame Frischauer, que julgava ter razões para se vingar de Masoch. Seu filho, um jornalista corrupto, fora denunciado por Leopold. Madame Frischauer leu o livro de Masoch e percebeu sua fraqueza por mulheres dominadoras.

Obrigou Wanda, que era sua empregada, a ler o livro também. Convenceu a jovem de que Masoch a adotaria se ela encarnasse os desejos perversos dele. Fez mais. Escreveu uma carta a Masoch oferecendo seus préstimos e seu amor. Wanda assinou a missiva. Masoch engoliu a isca e respondeu assim: “Se eu tivesse a sorte de encontrar uma mulher que pudesse encarnar essa Vênus das peles, essa mulher eu amaria, eu a adoraria até a loucura, eu poderia me tornar seu escravo, mesmo que ela fosse apenas uma arrumadeira, porque só espero da mulher beleza e amor”

Wanda, a Dominadora

Quando Wanda, que em verdade chamava-se Aurora Rümelin, e foi rebatizada como Alice por Masoch percebe que ele estava fisgado, passa a sonhar com o casamento. A segurança de estar ao lado de um nobre era por demais tentadora. Havia um impedimento. Wanda usava em seus encontros uma máscara, e se dizia casada para mais inflamar o desejo de Masoch.

Ela aprendera em seus livros que o ciúme é afrodisíaco. Os encontros com uma dama comprometida tinham sabor especial para Leopold. Wanda dispõe-se a abandonar o suposto marido. Masoch era ainda noivo de Jenny. Decide-se por abandoná-la em favor de Alice/Wanda. Esse é apenas o início de seu aviltamento. Quando Wanda percebe que ele está plenamente dominado retoma a idéia do contrato.

Envia para Masoch uma carta com o seguinte trecho: “Se me ama como diz, deve assinar o texto anexo, acrescentado-lhe algumas palavras para confirmar que aceita todas as minhas condições e que dá sua palavra de honra de ser meu escravo até o último suspiro. Prove que tem coragem de se tornar meu marido, meu amante, e… meu cão.” Leopold aceita, com a condição de que ela tire a máscara.

Ele descreve assim o primeiro encontro amoroso dos dois: “Wanda: dispa-se.
Eu: tiro o casaco, quer me amarrar os pés, quer fazê-lo ela própria, amarra-me os pés e as mãos, me chicoteia; inclina-se para mim, pergunta se gosto daquilo. Volúpia. Depois aproxima seus lábios dos meus. Como quero beijá-la, ela se afasta, quer que eu lhe suplique, depois chicoteia com tanta força que mal posso suportar.”

Caso limite entre um romancista e seus personagens. Ele criou Wanda e aceita agora se tornar o escravo de sua própria criatura.

O apaziguamento.

Wanda, moça pobre que ascendeu à burguesia com o casamento, logo se tornou uma enfadonha dona-de-casa. Tiveram três filhos, sendo que o primeiro foi vítima do surto de cólera que se abateu sobre a Europa em 1873. Viveram juntos ainda durante 13 anos, quando tiveram o segundo e o terceiro filho, Alexandre e Demétrius. A separação de Wanda só veio em 1883 com a morte do filho Demetrius e o encontro com Hulda Meister, que seria sua segunda esposa.

Hulda era uma burguesa tradicional, mas amava Leopold. Deu segurança emocional a ele. Foi o apaziguamento. Masoch teve várias outras amantes, nas quais perseguiu seu ideal feminino, ou seja, mulheres fortes, autoritárias, que lhe infligiam os castigos esperados. Com Hulda teve mais 3 filhos.

Sacher – Masoch morreu em 5 de março de 1895, aos 59 anos. Seu corpo foi levado para Heildelberg e cremado, conforme sua vontade. Deixou mais de 30 romances, ensaios e contos publicados. Sua fama como amante singular ultrapassou seu gênio como escritor. Fonte Sexo e literatura

 Mais sobre A Vênus de Peles

por Caio Arias 

A primeira publicação de “Venus in Furs” data de 1870.  Após este livro em específico, Leopold Von Sacher-Masoch ganhou notoriedade e sua obra, a meu ver, começa a aparecer como “imoral”, principalmente quando, após alguns anos, o masoquismo – derivado de seu nome – entrou para o léxico psicanalítico. O romance, dizendo de forma simplista, descreve a obsessão sexual de Severin von Kusiemski, um nobre europeu com desejo de “ser escravo de uma mulher”.

 (A capa é de Gustav Klimt)

Venus in Furs deu origem a mais frutos que talvez até mesmo Sacher-Masoch pudesse crer.

A primeira versão de Venus in Furs ilustrada data de 1921, com ilustrações de Fritz Bucholz. É interessante perceber o caráter animalesco da retratador por ele.

A música do grupo Velvet Underground, de mesmo título, descrevia situações clássicas de relações sexuais que uniam dor e prazer. Sem uma mudança de acorde sequer, a faixa era ponteada pelo agudo, marcando assim, o tempo da música como um aparelho de tortura.

“Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Comes in bells, your servant, don’t forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart
Downy sins of streetlight fancies
Chase the costumes she shall wear
Ermine furs adorn the imperious
Severin, Severin awaits you there
I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears
Kiss the boot of shiny, shiny leather
Shiny leather in the dark
Tongue of thongs, the belt that does await you
Strike, dear mistress, and cure his heart
Severin, Severin, speak so slightly
Severin, down on your bended knee
Taste the whip, in love not given lightly
Taste the whip, now plead for me
I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears
Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Severin, your servant comes in bells, please don’t forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart”

Vênus de peles

Brilhantes, brilhantes, brilhantes botas de couro
Garotinha açoitada na escuridão
Vem ao sinal, seu servo, não o abandone
Golpeie, cara senhora, e cure o coração dele
Pecados felpudos das fantasias à luz do poste
Cace as roupas que ela irá vestir
Coberta de peles a dominadora
Severin, Severin o aguarda lá
Estou cansado, entediado
Poderia dormir por mil anos
Mil sonhos que poderiam me acordar
Diferentes cores feitas de lágrimas
Beije as botas de couro, couro brilhante
Couro brilhante na escuridão
Língua de tiras de couro, a correia que o espera
Golpeie, cara senhora, e cure o coração dele
Severin, Severin, fala tão parcamente
Severin, caia de joelhos
Sinta o gosto do chicote, do amor não dado superficialmente
Sinta o gosto do chicote, agora implore pra mim
Estou cansado, entediado
Poderia dormir por mil anos
Mil sonhos que poderiam me acordar
Diferentes cores feitas de lágrimas
Brilhantes, brilhantes, brilhantes botas de couro
Garotinha açoitada na escuridão
Severin, seu servo vem ao sinal, por favor não o abandone
Golpeie, cara senhora, e cure o coração dele

 

Surge Guido Crepax, criador das personagens Valentina e Anita. Foi um dos artistas que mais contribuiu para a revolução das histórias em quadrinhos dos anos 60 e 70. Criador de uma linguagem própria, o delírio, o erotismo, a liberação em oposição ao comportamento reprimido das décadas anteriores estavam claros nas criações de Crepax e com uma estética impecável trouxe novamente à vida Venus in Furs.

 Venus in Furs (Guido Crepax)

O fato é que parece haver uma força renovadora, um respiro, um refúgio que leva artistas a buscarem, das mais variadas formas, a publicação de Sacher-Masoch que, muito além de um simples conto de luxúria e “perversão” sexual ou um fantasma da decadência Vitoriana, é um apaixonado e poderoso retrato de um homem que luta para esclarecer e instruir o seu próprio mundo no domínio de seu próprio desejo.

“(…) mas de repente, ela me empurra com o pé, ergue-se e puxa uma campainha. Imediatamente três esbeltas negras talhadas no ébano apareceram, vestidas de cetim vermelho e cada uma com uma corda na mão. Compreendo agora minha situação e tento me levantar, mas Wanda, de pé, com seu belo e frio rosto de sobrancelhas escuras e olhos zombeteiros virados para mim, se impõe como senhora dominadora. Ela faz um gesto e, antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, as três negras jogam-me no chão e amarram minhas mãos e pernas, depois os braços atrás das costas, como um homem pronto para ser executado, de forma que mal posso me mexer (…)”

 

20/08/2009 - 16:27h Discordar de nosso próprio desejo

CONTARDO CALLIGARIS – FOLHA SP


Um terapeuta deve deixar suas opiniões e crenças no vestiário do consultório, a cada dia

EM 31 de julho, o Conselho Federal de Psicologia repreendeu a psicóloga Rozângela Alves Justino por ela oferecer uma terapia para mudar a orientação sexual de pacientes homossexuais.
Não quero discutir a “possibilidade” desse tipo de “cura” (afinal, reprimir o desejo dos outros e o nosso próprio é uma atividade humana tradicional), mas me interessa dizer por que concordo com a decisão do Conselho.
A revista “Veja” de 12 de agosto publicou uma entrevista com Alves Justino, na qual ela explica sua posição. No fim, a psicóloga manifesta seu temor do complô de um “poder nazista de controle mundial”, que estaria querendo “criar uma nova raça e eliminar pessoas”, graças a políticas abortistas, propagação de doenças sexualmente transmissíveis etc.
Para ser psicoterapeuta, não é obrigatório (talvez nem seja aconselhável) gozar de perfeita sanidade mental. É possível, por exemplo, que um esquizofrênico, mesmo muito dissociado, seja um excelente psicoterapeuta (há casos ilustres). Mas uma coisa é certa: para ser terapeuta, ser inspirado por um conjunto organizado de ideias persecutórias é uma franca contraindicação.
Na verdade, pouco importa que as ideias em questão sejam ou não persecutórias e delirantes: de um terapeuta, espera-se que ele deixe suas opiniões e crenças (morais, religiosas, políticas) no vestiário de seu consultório, a cada manhã. Quando, por qualquer razão, isso resultar difícil ao terapeuta, e ele sentir a vontade irresistível de converter o paciente a suas ideias, o terapeuta deve desistir e encaminhar o caso para um colega. Por quê?
Alves Justino, com sua aversão por homossexualidade, sadomasoquismo e outras fantasias sexuais, ilustra a regra que acabo de expor. Explico.
A psicóloga defende sua prática afirmando que a psiquiatria e a psicologia admitem a existência de uma patologia, dita “homossexualidade ego-distônica”, que significa o seguinte: o paciente não concorda com sua própria homossexualidade, e essa discordância é, para ele, uma fonte de sofrimento que poderíamos aliviar -por exemplo, conclui Alves Justino, reprimindo a homossexualidade.
De fato, atualmente, psiquiatria e psicologia reconhecem a existência, como patologia, da “orientação sexual ego-distônica”; nesse quadro, alguém sofre por discordar de sua orientação sexual no sentido mais amplo: fantasias, escolha do sexo do parceiro, hábitos masturbatórios etc. Existe, em suma, um sofrimento que consiste em discordar das formas de nosso próprio desejo sexual, seja ele qual for (alguém pode sofrer até por discordar de sua “normalidade”). Pois bem, nesses casos, o que é esperado de um terapeuta?
Imaginemos um nutricionista que receba uma paciente que se queixa de seu excesso de peso, enquanto ela apresenta uma magreza inquietante: ela tem asco da forma de seu próprio corpo, que ela percebe como enorme e que ela não aceita como seu. O nutricionista não tentará nem emagrecer nem engordar sua paciente, pois o problema dela não é o peso corporal, mas o fato de que ela discorda de si mesma a ponto de não conseguir enxergar seu corpo como ele é.
No caso da orientação sexual ego-distônica, vale o mesmo princípio: o problema do paciente não é seu desejo sexual específico, mas o fato de que ele não consegue concordar com seu próprio desejo, seja ele qual for. As razões possíveis dessa discordância são múltiplas. Por exemplo, posso discordar de meu desejo sexual porque ele torna minha vida impossível numa sociedade que o reprime (moral ou judicialmente) e cujas regras interiorizei. Ou posso discordar de meu desejo porque ele não corresponde a expectativas de meus pais que se tornaram minhas próprias. E por aí vai.
Nesses casos, o terapeuta que tentar resolver o problema confiando em sua visão do mundo e propondo-se “endireitar” o desejo de quem o consulta, de fato, só agudizará o conflito (consciente ou inconsciente) do qual o paciente sofre. Ora, é esse conflito que o terapeuta deve entender e, se não resolver, amenizar, ou seja, negociar em novos termos, menos custosos para o paciente. Em outras palavras, diante da ego-distonia, o terapeuta não pode tomar partido nem pelo desejo sexual do paciente, nem pelas instâncias que discordam dele.
Ou melhor, ele pode, sim, só que, se agir assim, ele deixa de ser terapeuta e vira militante, padre ou pastor.

ccalligari@uol.com.br

20/08/2009 - 15:21h Exame detecta endometriose sem cirurgia

Método criado por pesquisadores australianos e belgas foi testado em 99 mulheres; outros estudos são necessários

Novo procedimento colhe fragmentos do endométrio no exame ginecológico, sem anestesia, e depois analisa a presença de fibras nervosas

http://www.gineco.com.br/images/endometriose.jpg

FERNANDA BASSETTE E JULLIANE SILVEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Pesquisadores australianos e belgas desenvolveram um novo procedimento para diagnosticar endometriose precocemente e de maneira menos invasiva, sem a necessidade de laparoscopia. Para isso, fizeram um estudo randomizado e duplo-cego com 99 mulheres. Os resultados foram publicados anteontem na revista científica “Human Reproduction”.
Hoje a cirurgia é considerada a única maneira efetiva de diagnosticar precocemente a doença. A outra opção -o ultrassom- identifica apenas os casos mais avançados. Estima-se que de 30% a 40% das operações não confirmem o diagnóstico, o que mostra que as mulheres estão se submetendo ao procedimento desnecessariamente. Por isso, médicos do mundo todo tentam encontrar uma forma menos invasiva de fazer o diagnóstico.
A nova técnica foi apresentada no congresso internacional de endometriose, na Austrália. Consiste em colher pequenos fragmentos do endométrio (tecido que reveste o útero) durante um exame ginecológico convencional, no consultório, sem a necessidade de anestesia (apenas tomando um analgésico oral). Em seguida, analisa-se o material à procura de fibras nervosas no tecido.
Segundo o professor Moamar Al-Jefout, um dos autores do estudo, é possível fazer o diagnóstico com precisão em praticamente 100% dos casos. Segundo ele, as 64 mulheres que tiveram a doença confirmada pela cirurgia também tiveram o teste positivo para a presença das fibras nervosas.
Além disso, 29 das 35 mulheres que não confirmaram a doença pela cirurgia também não tinham fibras nervosas no tecido. “A presença das fibras nervosas pode estar envolvida no aparecimento da dor. A gente acredita que elas possam estar envolvidas no fenômeno”, afirmou Al-Jefout à Folha.
O ginecologista Carlos Alberto Petta, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirma que o estudo abre novas perspectivas para que seja possível diagnosticar precocemente a doença.
“É muito frequente fazermos cirurgias e descobrirmos que a mulher não tinha endometriose. A vantagem dessa nova técnica é que, se comprovada sua eficácia, ela acaba com as cirurgias desnecessárias. A gente conseguiria triar melhor as pacientes”, afirma Petta.
Para o ginecologista Maurício Abrão, responsável pelo Setor de Endometriose da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas de São Paulo, o procedimento é uma tentativa interessante para o diagnóstico de uma doença que requer um exame invasivo. Ele considera, no entanto, a amostra pequena para que seja possível tornar o método uma rotina. “Quando se fala de endometriose no Brasil, fala-se de mais de 6 milhões de mulheres. Será que cem casos refletem essa quantidade?”.
Para a ginecologista Ivete de Ávila, presidente da Comissão de Endometriose da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), o trabalho é inovador, mas tem outro fator que precisa ser levado em conta.
“É um procedimento simples, mas com custo alto. Não adianta termos um método de coleta simples, mas com uma análise laboratorial que exige um microscópio ultramoderno e reagentes caríssimos”, diz.

Ultrassom
A ultrassonografia especializada tem se mostrado uma alternativa menos invasiva para apontar focos de crescimento de tecido fora do endométrio.
De acordo com Abrão, o médico ultrassonografista treinado para identificar a endometriose é capaz de detectar o problema no ovário e a forma mais profunda da doença (que infiltra bexiga, ligamentos, intestino, entre outros órgãos).
O ultrassom também auxilia o médico a prever o que encontrará na cirurgia. “A vantagem é ir para o procedimento [laparoscopia] com uma informação prévia”, defende Abrão.
Segundo Petta, no entanto, a desvantagem do ultrassom é que, normalmente, só se consegue visualizar casos avançados. E, quando a endometriose é diagnosticada tardiamente, é mais difícil de tratar, ocorre maior dificuldade para engravidar e há risco de ser necessária a retirada do útero.

Doença frequente

A endometriose é uma doença ginecológica crônica, em que parte do endométrio se estabelece fora do útero, provocando cólicas intensas, dor durante a relação sexual e infertilidade. A doença atinge entre 10% e 15% das mulheres em idade fértil.
O tratamento da endometriose é cirúrgico (para retirada dos nódulos e cistos). Não há cura, apenas controle clínico, com medicamentos para diminuir a dor. A doença pode voltar a se manifestar.

DOENÇA DEMORA ATÉ 12 ANOS PARA SER DESCOBERTA

Segundo o professor Carlos Alberto Petta, os primeiros sintomas da endometriose costumam aparecer na adolescência e, nesses casos, a mulher chega a demorar até 12 anos para receber o diagnóstico correto e definitivo da doença; em média, a demora é de até sete anos.

16/08/2009 - 20:37h O clítoris banido

Excision psychique et premiers pas sur la lune

L’écrivain Jean-Claude Piquard vient de publier sur Internet le résultat de recherches étonnantes en histoire de la médecine: saviez-vous que le mot “clitoris” avait disparu dans les années 60 de la plupart des dictionnaires en Europe et aux Etats-Unis?Le clitoris est câblé sur un réseau de nerfs à la densité telle que dès la fin du XIXe siècle, les anatomistes qui le dissèquent établissent que le clitoris est l’organe du plaisir N°1 chez la femme. En 1851, Le Dr Kobelt explique: “Le petit nombre de nerfs sensitifs qui s’enfoncent isolément dans le conduit vaginal, place sous ce rapport ce dernier tellement en-dessous du gland du clitoris, qu’on ne peut accorder au vagin aucune participation à la production du sentiment voluptueux dans l’orgasme féminin.” En 1853, le Dr Debay écrit: “organe de la volupté chez la femme, le clitoris est la miniature de membre viril.” Le docteur Guyot, en 1882, conseille aux maris de se livrer à des frictions délicatement exercées le long de clitoris qui est le seul siège du sens et du spasme génésique chez la femme.

Hélas, une découverte scientifique sonne en 1875 la décadence du clitoris: le Dr Edouard Van Beneden découvre le processus de la procréation, avec la fonction de l’ovule. “Coup dur pour le clitoris qui n’a alors plus aucun rôle dans la procréation, sa seule fonction étant uniquement le plaisir de la femme.” Dans son étude -Grandeur et décadence du clitoris- l’écrivain Jean-Claude Piquard, décrit avec précision la terrible descente aux enfers du clitoris. “L’interdit de la masturbation se répand très vite en Occident, dit-il, avec de nombreux cas d’excisions punitives sur de jeunes masturbatrices, parfois très jeunes, dès 5 ans, excisions pratiquées toutefois par des médecins isolés, la communauté médicale étant généralement plus modérée. Progressivement, les scientifiques désignent le vagin comme l’unique organe sexuel féminin, occultant ainsi de plus en plus le clitoris. A Vienne, en 1886, le célèbre psychiatre aliéniste Richard Von Kraff-Ebing écrit Psychopathia sexualis. Il y décrit un distinguo chronologique où deux zones érogènes se succèdent dans la maturation de l’individu: le clitoris chez la femme vierge; le vagin et le col de l’utérus après la défloration.

Vient Freud. Adoptant les théories du Dr Von Kraff-Ebing (ils habitent dans la même ville), Freud les amplifie: “Il reconnaît le clitoris comme lieu du plaisir de la petite fille jusque vers cinq ans. Mais la femme adulte doit, selon Freud, changer de zone directrice pour s’épanouir par la pénétration. Tout usage adulte du clitoris devient alors immature et régressif !”. Jean-Claude Piquard parle alors d’une véritable forme d’excision psychique et culturelle.

Sous l’influence du freudisme et de la médecine, le clitoris est progressivement gommé des manuels. Il n’est plus nommé. Parfois même il n’est plus représenté. Alors qu’au tout début du XXe siècle, suite aux travaux du Dr Kobelt, le clitoris est représenté et nommé avec précision dans tous les manuels anatomiques et dans les traités de médecine, il disparait dès l’après-guerre et jusqu’à la fin des années 70. “En 1948, le clitoris reste représenté mais il n’est plus nommé. Entre 1960 et 1971, dans la moitié des livres d’anatomie médicale, le clitoris a complètement disparu! Pour les autres, il apparaît à peine, sans être nommé, parfois sous forme d’un petit vers. L’obscurantisme clitoridien bat donc son plein dans les années 1960 tandis que l’Homme pose ses premiers pas sur la lune.

Pauvre clitoris. Rayé, raturé, caviardé, remplacé par un blanc, une zone de silence. Lui qui procure des orgasmes semblables à des crises d’hystérie. Des orgasmes comme des geysers. Des orgasmes qu’Apollinaire compare à des incendies, avec des mots inspirés par les pluies de bombes de la première guerre mondiale:

Jolie bizarre enfant chérie
Je touche la courbe singulière de tes reins
Je suis des doigts ces courbes qui te font faite
Comme une statue grecque d’avant Praxitèle
Et presque comme une Eve des cathédrales
Je touche aussi la petite éminence si sensible
Qui est ta vie même au suprême degré
Elle annihile en agissant ta volonté toute entière
Elle est comme le feu dans la forêt
Elle te rend comme un troupeau qui a le tournis
Elle te rend comme un hospice de folles

Où le directeur et le médecin-chef deviendraient
Déments eux-mêmes

L’étude de Jean-Claude Piquard (auteur d’un livre indispensable sur la différence entre la jouissance et l’orgasme) sera bientôt publiée, en entier, dans un livre consacré à l’histoire du plaisir et de la sexologie. Grandeur et décadence du clitoris.

Fonte Les 400 culs

15/08/2009 - 20:27h Pesquisadores americanos desenvolvem camisinha feminina em gel

BBC – Agencia Estado

Primeira versão do produto, finalizada em 2006, enfrentou problemas em testes na África.

Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo uma “camisinha molecular” para mulheres em forma de gel para proteger contra a infecção pelo vírus HIV, causador da Aids.

Segundo os cientistas que participam do projeto, a camisinha em gel seria aplicada na vagina antes da relação sexual.

Ao entrar em contato com o esperma, o gel liberaria uma substância anti-viral que atacaria o HIV e formaria uma rede que impediria a passagem do vírus.

Em um estudo publicado na revista científica Advanced Functional Materials, os cientistas testaram o material em células vaginais humanas e comprovaram que ele bloqueia a passagem das partículas de HIV.

A equipe de pesquisadores vem trabalhando no desenvolvimento da camisinha feminina em gel há vários anos.

Segundo Patrick Kiser, que coordena a pesquisa, o gel seria particularmente útil para os países africanos, onde o uso de preservativos tradicionais é relativamente baixo.

Primeira versão

A equipe de pesquisadores havia desenvolvido em 2006 uma primeira versão do gel, que se transformava em uma capa gelatinosa ao entrar em contato com a pele e voltava ao estado líquido ao entrar em contato com o sêmen.

Porém o maior problema que encontraram para essa primeira versão era que na África, continente onde estão os países com os maiores índices de contaminação pelo HIV, as altas temperaturas impediam que o gel voltasse ao estado líquido.

Para corrigir isso, o que eles fizeram foi gerar um processo exatamente oposto: por meio de mudanças na composição química relacionadas ao PH (o índice de acidez ou alcalinidade) do esperma, o novo gel fica mais sólido em vez de mais líquido.

“Nossa pesquisa não põe ênfase no remédio, mas sim no veículo usado para transportá-lo”, afirma Kiser.

A equipe de cientistas estima que ainda serão necessários vários anos de testes para que o produto possa estar disponível para uso generalizado.

Tendência

O projeto da Universidade de Utah faz parte de uma tendência internacional de investigar e desenvolver sistemas de liberação de substâncias microbicidas como géis, anéis, esponjas e cremes para prevenir infecções pelo vírus da Aids ou por outras doenças sexualmente transmissíveis.

Esses sistemas são vistos como uma forma de que as mulheres tenham um maior poder de se proteger a si mesmas do HIV, particularmente em regiões onde o índice de contaminação seja alto, onde haja um grande número de estupros, onde os preservativos tradicionais sejam um tabu ou não estejam disponíveis ou onde os homens sejam reticentes a usá-los.

20/07/2009 - 20:26h A publicidade pornográfica de Sprite

Publicidade pornográfica de bebida, autorizadas na Alemanha, proibidas na França, abrem debate sobre os limites da criação e a imagem da mulher e do sexo que elas transmitem. A beber com moderação.

Sprite se lance dans la pub porno

Par Publigeekaire

PubligeekaireTout d’abord, un petit Disclaimer : les pubs ci-après sont NSFW (Not Safe For Work, surtout la première) = à ne regarder que si vous êtes seul et pas facilement choqué, ou avec un entourage qui ne risque pas de vous regarder comme un pervers.

spriteporno

Voici donc deux vidéos pour la marque Sprite qui sont en train de se propager sur le réseau à une vitesse hallucinante, et ce pour une raison simple : elles sont annoncées comme ayant été bannies des écrans télévisés allemands parce qu’elle étaient sexuellement trop explicites. Et on le croit aisément quand on visionne les images.

Pourtant, même si je connais mal la législation publicitaire de ce pays, j’émets un doute sur le fait qu’un annonceur ou qu’une agence aient vraiment pensé qu’ils allaient réussir à diffuser ça en TV. Si c’est le cas, les deux sont irresponsables.

Mais une autre piste serait de se dire qu’ils n’ont en fait qu’une envie, c’est de faire du viral. Et quel meilleur support pour cela que de proposer aux internautes des vidéos inédites (car pseudo interdites) et carrément obscènes (tout en n’étant pas du vrai porno) ?

Ce qui est sûr, c’est que personne ne semble en savoir beaucoup sur leur provenance, mais que tout le monde s’empresse d’en parler. (Voir les vidéos)

Après visionnage, deux réflexions :On dit souvent que le sexe fait vendre, mais à ce niveau de lubricité, ne fait-il pas aussi mal à l’image de la marque ?
Quid de l’image de la femme ? Ils croient qu’ils ne vendent du Sprite qu’à des mecs ?

J’avoue que je ne comprends pas trop ce que veut faire Sprite à l’international. La dernière fois, ils jouaient sur le registre des Kamikazes, et ici, ils partent dans le porno. Toc toc, où est la stratégie ?

07/07/2009 - 20:00h Lire Casanova choque plus que lire Sade, mais pourquoi ?

Le marquis de Sade soumis aux suggestions diaboliques, illustration du XIXe d'H. Biberstein (Wikimedia Commons)

Au Festival de la correspondance de Grignan, marqué cette année par le passage très attendu du tout nouveau ministre de la Culture Frédéric Mitterrand, quatre lectures ont retenu mon attention, parce qu’elles traitaient, au-delà de l’amour, de manière directe, de la sexualité :

celle du marquis de Sade lors de sa fuite en Italie avec sa belle-sœur qui s’était faite chanoinesse pour pouvoir être à lui,
celle de l’écrivain César Pavese que l’impuissance a conduit au suicide,
celle d’un Casanova, heureux lui, dans son amour des femmes, amour qu’elles lui rendaient globalement bien,
celle, semi-fictive, de Pierre l’Aretin, considéré comme un des premiers « pamphlétaire et journaliste », connu en France comme pornographe traduit par Guillaume Apollinaire.

1Le marquis de Sade et sa belle-soeur

« Sade, Fuite en Italie » a été conçu par Gérald Stehr à partir des œuvres de Sade et du livre « Je jure au Marquis de Sade, mon amant, de n’être jamais qu’à lui » de Maurice Lever, historien de Sade. La veuve de ce dernier, historienne également et présente au festival, avait participé au débat sur la pièce Sade/Nietsche dont je vous ai déjà parlé.

On y comprend comment le divin Marquis est tombé amoureux de sa belle-sœur, Anne Prospère de Launay, qui s’est enfermée au couvent pour n’être « jamais qu’à lui ». (Ce qui sera également le cas d’une des conquêtes de Casanova, ça devait être une manie à l’époque… ou, plus prosaïquement, une des seules façons pour une femme d’être sexuellement indépendante rapidement sans épouser un homme âgé et souhaiter sa mort prochaine.)

L’inceste entre personnes majeures n’ayant été décriminalisé qu’à la Révolution française (il vient de l’être à nouveau récemment en France), Sade a donc été puni de « crime d’inceste ». Il fuit avec son amie en Italie. Il se lasse d’elle et elle repart au couvent triste à mourir, tandis que lui est enfermé.

2

Cesar Pavese, un amoureux des femmes qui ne pouvait les satisfaire

Cesar Pavese est écrivain et poète italien, un homme qui aimait les femmes mais qui ne pouvait les combler, et qui, faute d’y parvenir, a été profondément malheureux.

Sa correspondance, mise en perspective par Martin Rueff (poète, traducteur et maître de conférences à Paris-VII), trace de lui un portrait aigre-doux, plein d’autodérision où il explique à quel point nulle femme ne veut de mariage avec lui.

Cet homme rêve de sexe sans jamais parvenir à ses fins. Il finit par se suicider faute de pouvoir nouer des relations saines, simples et satisfaisantes avec les femmes.

3

Avec Casanova, le bonheur est dans le sexe

Les lectures des correspondances de Pavese et de Casanova se sont succédées. Le contraste entre ces deux libertins potentiels, ces deux amoureux du genre féminin, l’un si malheureux de ses échecs et l’autre si heureux de ses réussites, était frappant.

Casanova détaille son amour pour une femme, Henriette, qu’il a rencontré déguisée en homme pour voyager plus librement, ses trios avec deux femmes « nonnettes », amantes tant qu’elles sont dans la même chambre.

4

Pierre L’Aretin, farce grivoise au couvent

La dernière lecture bénéficiait d’une mise en scène qui en faisait une farce. Là encore, une femme (celle dont est épris le satiriste Pierre l’Aretin) entre au couvent pour s’y faire dûment et crûment trousser, avec moult détails qui n’ont cessé de m’étonner tant sur la fente que sur le « trou prohibé ».

En alternance avec des poèmes de Guillaume Apollinaire (ceux des « 11 000 Verges » bien sûr), les écrits du pamphlétaire italien, la pièce mêlait adroitement, dans un rythme enlevé, des détails enflammant l’imagination et la vie tout à la fois du « fléau des princes » ainsi qu’était parfois surnommé Pierre l’Arretin et du poète romantique qui l’a traduit.

Quatre lectures donc, qui ont parfois choqué les spectateurs. Et parfois non : le spectacle sur Sade n’a ainsi donné lieu qu’à un concert d’éloges, sans susciter de mouvements d’humeur.

Les spectateurs se sont émus du sort de Cesar Pavese, qui subissait déjà, au début du XXe siècle, cette terrible pression sur la performance, lui qui a écrit : « L’art, est la preuve que la vie ne suffit pas. » Il semblerait que la sexualité puisse combler cela, c’est un peu la réponse d’un Casanova libertin et heureux de vivre.

« On dirait un film érotique de M6 »

Pourtant, la lecture des correspondances du beau Giacomo a outré de nombreux hommes. « C’est un vantard qui raconte des invraisemblances », s’est indigné un festivalier. « On dirait un film érotique de M6 », s’est insurgé un autre avec mépris (notons pourtant qu’on n’a pas même vu un sein ou une cuisse).

Les femmes se sont, dans l’ensemble, montrées moins critiques : « C’était drôle et enlevé », s’enthousiasmait l’une d’elles. Mais certains couples sont partis au milieu du spectacle, consternés d’avoir payé pour « ça ».

Pour ma part, j’ai trouvé les histoires de Casanova terriblement vraisemblables, et je m’étonne encore que tant de festivaliers n’aient pu imaginer qu’elles soient « seulement romancées ». Elles complétaient idéalement le récit de Pavese.

Ce que j’ai le moins compris cependant, c’est la réaction légère qui a accueillit la dernière représentation, la lecture de la correspondance (fictive) de Pierre l’Aretin par Guillaume Apollinaire, pourtant au combien plus crue et plus provoquante (on y parlait de partouzes au couvent). Je n’ai vu aucun festivalier s’offusquer.

J’ai demandé quelques explications. Une bénévole m’a livré cette analyse : « La mise en scène légère et grotesque fait tout. » Plus précis, un autre spectateur m’a expliqué :

« Dans les trois autres lectures que vous mentionnez, on ne parle pas d’amour, que de sexe. Ce qui était dérangeant dans Casanova, c’est non seulement qu’il y ait du sexe à trois, mais que ces trois protagonistes s’aiment et acceptent que l’amour soit ainsi partagé. »

Il détaille :

« La bascule entre la farce et l’inadmissible socialement se fait lorsque les deux femmes qui découvrent qu’elles ont le même amant, non seulement ne s’étripent pas, mais se rapprochent encore. »

Il faut que je lise Françoise Simpère, qui vient de sortir « guide des amours plurielles, écologie des relations amoureuses » pour savoir si elle, qui prône plutôt une séparation des histoires, contredirait cette vision ancienne du polyamour.

Illustration : le marquis de Sade soumis aux suggestions diaboliques, illustration du XIXe d’H. Biberstein (Wikimedia Commons)

Source Rue 89

13/06/2009 - 16:00h Ciúmes, ela?

por Helena Celestino – Blog prosa Online – portal O Globo

As duas vidas de Catherine M.

Ciúmes, ela? Depois de criar um choque entre os bem pensantes da França, ao descrever com extrema crueza sua movimentada e pouco convencional vida sexual, Catherine Millet surpreende de novo ao relatar com a mesma profusão de detalhes sua descida aos infernos do ciúme quando descobre que o marido tinha aventuras com outras mulheres. Catherine é aquela diretora da mais importante revista francesa de arte, a “Art Press”, que escolheu abandonar o pedestal reservado à respeitadíssima especialista em Salvador Dali e Yves Klein para contar num livro, em tom lacônico e distanciado, sua entrega a um número incalculável de mãos e pênis de homens anônimos, encontrados ao acaso em estacionamentos, nas sombras do Bois de Bologne, ou em estações de trem parisienses. Seu relato de orgias e surubas virou um best-seller, “A vida sexual de Catherine M.” (Ediouro), que vendeu 2,5 milhões de exemplares em 47 países — o mais recente lançamento foi na Albânia e o próximo será no Líbano, um país árabe.  Sete anos e muitas polêmicas depois, ela reaparece agora num novo livro, “A outra vida de Catherine M.” —- lançado no Brasil pela Agir — como uma tigresa disposta a usar as garras para manter jovens rivais distante de seu marido. A mesma mulher que oferece o corpo a quem puder lhe dar prazer, conta, sem nenhum pudor, como durante três anos vasculhou o computador e as gavetas do companheiro com uma obsessão de mulher fiel, disposta a tudo para manter seu casamento de quase 30 anos com o escritor Jacques Henric. Enquanto investiga a vida paralela do marido, perde-se em crises de angústia, taquicardias e cenas cheias de lágrimas, num enredo distante da utopia do amor livre, até então aceito como dogma pelo casal, desde o encontro dos dois nos libertários anos 70.  A autora (ao lado, em foto de divulgação) estará no Brasil em julho participando da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Pelo que a senhora conta, “A vida sexual de Catherine M.” foi uma maneira de sair da crise de ciúmes. Foi isto?
Na verdade, quando comecei a escrever estava tão fragilizada que não tinha segurança sobre o que estava fazendo. E também não tinha confiança de que sairia da crise. Retrospectivamente, ao escrever “A outra vida de Catherine M.” (cujo título original é “Dia de sofrimento”), percebi que isto tinha acontecido.

Por que decidiu se expor outra vez em um livro?
Logo depois de “A vida sexual” dei muitas entrevistas e participei de muitos encontros com o público. E todo o tempo vinha a pergunta: mas se você tem essa vida sexual livre, você não conhece o ciúme? E eu era obrigada a reconhecer que sim, eu conhecia o ciúme. Nas semanas que se seguiram à publicação de “A vida sexual” decidi que, por honestidade com o público, eu contaria que tinha vivido uma crise terrível de ciúme.

Mas passaram-se sete anos entre um livro e outro…
Primeiro, eu viajei por mais de três anos por causa de “A vida sexual de Catherine M.” E depois eu queria um refresco, estava cansada de falar sobre isso. Escrevi um livro (que não foi traduzido em português) sobre Salvador Dali como escritor, que me exigiu alguns anos de trabalho.

É mais difícil contar a vida sexual ou falar do seu ciúme?
Falar do ciúme é muito mais difícil, claro. Por diferentes razões, “A outra vida de Catherine M.” me obrigou a rememorar sentimentos extremamente dolorosos. Ao contrário, “A vida sexual” me fez voltar aos bons momentos, era escrever sobre boas lembranças. Sempre falei livremente e sem nenhuma inibição da minha vida sexual e do meu corpo. Mas falar de sentimentos nunca foi fácil para mim. Ao contrário do que muita gente pensou ao ler meu livro, eu não sou exibicionista… Mas não escondia nada sobre a minha vida sexual, no meio profissional muita gente sabia. Para mim, era uma maneira natural de levar a vida.

Os livros “confessionais”, digamos, mudaram a sua vida?
Não mudaram muito. No meio artístico, então, não mudou nada: nem a relação com meus colaboradores próximos — que não necessariamente sabiam o que acontecia — nem com os artistas de uma maneira geral. Acho que o mundo artístico hoje é o mais liberal de todos, é um universo em que a liberdade é completa. Podemos nos permitir coisas que seriam chocantes entre as pessoas do (mundo do) cinema ou entre escritores. Nas obras de arte, expostas nas galerias, há coisas da mesma natureza do que as contadas no meu livro (risos). De uma maneira geral, as reações foram positivas: imagino que as pessoas acharam engraçado ver que eu tinha virado um personagem midiático. Criou-se uma simpatia maior em torno de mim.

Como “A outra vida de Catherine M.” foi recebido?
As críticas na França foram ainda melhores, foram muito positivas. Na verdade, todas as críticas iam no sentido de que, finalmente, eu me confirmava como escritora. Isso foi uma surpresa. O outro livro não era mal escrito, mas não era isso que interessava às pessoas. Para os críticos foi um pouco como se aquela mulher, que fez as pessoas falarem tanto dela, finalmente tivesse virado uma escritora.

A linguagem de “A vida sexual…” é muito mais crua do que a de “A outra vida…”. Foi um efeito procurado?
São dois livros muito diferentes. “A outra vida de Catherine M.” é mais bem escrito, primeiro porque eu já tinha uma experiência anterior de escrever um livro no qual falava de mim. As frases são mais longas, mais torneadas. E também porque a dificuldade que eu tinha para contar a dor, a complexidade dos meus sentimentos, me fazia pensar mais. A natureza do que eu tinha para contar me obrigava a mudar a forma de escrever.

A senhora disse que o francês é a língua do sexo. O que achou das traduções, ao ler o seu livro em outras línguas?
Eu e muitos outros escritores já falamos isso. Existem muitas palavras para falar de sexo, de órgãos sexuais, de sedução. Conversei com alguns tradutores e foi interessante, porque a gente percebe as diferentes percepções do vocabulário do sexo nas diferentes línguas. A gente vê que em algumas línguas, para designar os órgãos sexuais ou a bunda, por exemplo, existem muitas palavras. Ou, ao contrário, muito poucas palavras. Algumas são empregadas de uma maneira banal em francês mas, em inglês, por exemplo, viram uma obscenidade terrível.

O surpreendente no seu livro sobre o ciúme é que a senhora vigia o seu companheiro com uma obsessão de mulher fiel. Para os leitores que conhecem “A vida sexual de Catherine M.” foi uma surpresa?
Acho que não foi muito surpreendente. Mesmo se a maioria das pessoas não tem uma vida sexual livre como a minha, não são muitas as que escapam do ciúme. A liberação sexual, como sonhávamos nos anos 60 e 70, era uma utopia. Todos os que viveram essa época são conscientes disso: a sexualidade completamente livre que imaginávamos, com a realização completa dos nossos desejos, sem entrar em conflito com o cônjuge, era uma utopia. Aqui, na França, ao lerem “A outra vida de Catherine M.”, muitos disseram: “ah, finalmente, descobrimos que ela é normal”.

Ou seja, caiu o mito Catherine M.
As pessoas pensam que eu era um monstro sem sentimentos. Voilà, não sou. O fato de ter e assumir uma sexualidade livre não me impede de cair na armadilha horrorosa do ciúme e não imuniza ninguém contra a dor que o acompanha.

Lendo seus livros sobre arte e os textos “confessionais” parece que existem duas Catherine Millet. Há uma relação entre o olhar de crítica de arte e relato de Catherine M.?
Acho que a crítica ensinou-me a ser mais descritiva do que introspectiva. Para falar de um sentimento não vou procurar explicações profundas na minha vida passada, na minha infância. Eu vou procurar simplesmente descrever como se manifesta esse sentimento, o que ele me fez dizer, como ele age sobre o meu corpo ou sobre a minha vida. É um paradoxo, mas quando eu trabalho prefiro ficar na superfície. Escrevo como se eu estivesse descrevendo uma escultura.

Bataille e Sade são autores que a inspiraram?
Não. Claro que eu li isso, faz parte da cultura da minha geração. Mas a lógica do Bataille é a da transgressão e tudo o que contei sobre a minha vida sexual não entra nessa lógica. Claro que o tema me interessa, mas não faz parte das minhas experiências. Jamais transgredi os tabus sociais, nem o tabu do incesto, nem os tabus religiosos. Acho que não existe sociedade sem tabus fundamentais. Nunca estive na posição de transgressora.

A artista francesa Sophie Calle também vem ao Brasil para a Flip.Tanto a senhora quanto ela partem de histórias pessoais em livros e/ou trabalhos de arte. Existe proximidade entre as duas?
Não acho muito, não. Podemos pensar nisso porque ela se revela nas suas obras. Mas acho que ela está mais no pathos do que eu. Eu conto as histórias como se elas não me pertencessem mais . Sophie, para falar de um momento de crise, por exemplo, faz isso de um ponto de vista crítico. Acho que estamos em terrenos diferentes.

Como a crítica de arte vê o trabalho de Sophie?
Eu respeito, mas não é o tipo de coisa que me interessa. Eu jamais escrevi sobre ela ou sobre seu trabalho, por exemplo. Vou ver as exposições, mas não somos amigas.

O que a senhora espera dessa viagem ao Brasil e da participação na Flip?
A única coisa que me disseram é que vou debater sobre a questão do tabu (ela vai conversar com a psicanalista Maria Rita Kehl no domingo, dia 5, às 11h30m). Ainda não sei sobre o que vou falar…

10/06/2009 - 18:27h Sociedades raras

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Sociedades raritas

Es cierto, como estipuló Carlos Marx, que los impulsos y conflictos económicos son aquellos que hacen girar las ruedas de la historia. Pero tampoco la plata es todo. Los que así lo creen, intuyó Voltaire, “suelen estar sujetos a hacer cualquier cosa por dinero”. Las razones del corazón -y las de otros órganos, un poco más a mano- hacen también lo suyo. Hasta historia.

Que lo diga si no Silvio Berlusconi -por no hablar del postrer juego sexual del actor David Carradine-, cuya última broma la estrenó el lunes, durante una recepción oficial, acercándose a algunos de los invitados y preguntándoles: “¿Eres menor? Si es así, podemos hablar”. Lo que se toma con tan buen humor el primer ministro italiano es una acusación gravísima por parte de su mujer, quien tramita el divorcio sosteniendo que “Il Cavaliere” se dedica a las muy chicas, especialmente a una que acaba de cumplir 18 años.

La prueba del escándalo ha sido la publicación de fotos tomadas en su villa de Cerdeña, donde el poderoso caballero solía hacer fiestas en las que numerosas lolitas ejercían el top less.

Increíblemente, estas inclinaciones hormonales -por así llamarlas- no hacen mella en la popularidad del gobernante que, furioso, niega todo y le echa la culpa a ¡un complot de izquierda! Lo cual habla quizá más del estado de la sociedad italiana que de Berlusconi mismo.

El que ya no quiere ni oir del tema es Bill Clinton, que anduvo por estos barrios la última semana. Al ex jefe del imperio americano una relación con una jovencita que de pura sólo tuvo el célebre episodio del puro en el Salón Oval, le hizo una espantosa mella en su popularidad y casi le cuesta la presidencia.

Pero la que sabe de amores bien asimétricos es Moria Casán, quien le explicó a una revista: “¿Cómo no voy a tener un novio de 25 años si me siento de 22?”. Abuela y todo, quiso razonar: “Para ellos represento una clase de historia. Me cuentan de pibes que se mueren por mí y yo no lo puedo creer. (…) Algunas que generaron deseo, se les termina la juventud y se vuelven patéticas y decadentes. La gente las ve y reflexiona: ‘Pensar que ésta era una bomba’. A mí no me ocurrió. Estoy en otra dimensión.” Quizá efectivamente no le haya pasado; lo que está fuera de duda es lo de la otra dimensión.

Y allende la Cordillera, Cecilia Bolocco -que no pudo ser primera dama argentina a pesar de haberse casado con alguien que casi podría haber sido su abuelo- se toma venganza de las inclemencias del calendario, noviando a los 44 años, con un joven de 28.

De la asimetría al delito hay bastante más que un paso. Y aunque en muchos distritos de la Argentina esté prohibido fumar en bares, manejar con dos copas de más o cultivar plantas de marihuana, está permitido, en cambio, cometer relaciones sexuales con los hijos, siempre y cuando sean consentidas y los perjudicados hayan cumplido la mayoría de edad.

El incesto no es delito en la Argentina y quizá eso pese en lo ocurrido con el llamado Chacal de Mendoza. Que semejantes monstruosidades no causen una conmoción similar a la que desató en el mundo el monstruo de Amstetten, resulta extraño. Y más raro, porque este caso pinta peor.

Ya han salido hijas de matrimonios anteriores de Lucero confesando que también abusó de ellas. Y su víctima principal -con quien tuvo siete hijos nietos- parece aún bajo el poder psicológico del victimario: sostiene que ya lo perdonó y no se presentará como querellante en su contra.

Todo lo cual habla más de la sociedad que del espanto mismo de los hechos. Sobre todo por estos días de frío medular y luz tímida en que nuestra linda Argentina sólo parece enfrascada en dilucidar si castigará o premiará en las urnas a un matrimonio nada asimétrico pero por demás singular.

(Marcelo A. Moreno, publicado en la columna Disparador de Clarín el domingo 7 de junio del 2009)

10/06/2009 - 16:16h China tem primeiro festival do orgulho gay

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BBC – Portal O Globo

A comunidade homossexual de Xangai comemora nesta semana o primeiro festival do orgulho gay já realizado na China.

A iniciativa foi organizada por um grupo de jovens homossexuais estrangeiros que moram na metrópole chinesa.

Os organizadores do festival, no entanto, decidiram não fazer um desfile pelas ruas da cidade para não desagradar o partido comunista.

Paradas coloridas ao ar livre fazem parte dos eventos de orgulho gay celebrados em outras partes do mundo, como em Berlim, San Francisco e São Paulo.

O governo, porém, demonstrou simpatia com a iniciativa publicando uma matéria de capa e um editorial no jornal estatal China Daily.

A atitude das autoridades é um raro sinal de reconhecimento da comunidade gay.

Até 2001, o homossexualismo era considerado “doença mental” pelo governo e a prática de relações com alguém do mesmo sexo era um ato criminoso até 1997. Ainda hoje o tema é tabu na sociedade, principalmente nas áreas rurais.

Por causa da forte pressão sobre filhos homens decorrente da política de controle de natalidade – segundo a qual as famílias só podemter apenas um descendente – muitos chineses homossexuais acabam optando por manter um casamento heterossexual de fachada.

Festival

O festival pioneiro, batizado de Shanghai Pride (Orgulho de Xangai em tradução livre), teve inicio no último domingo 7 e vai até o próximo fim-de-semana, encerrando no dia 14.

As comemorações com temática gay incluem a exibição de filmes, peças de teatro, exposições de arte e painéis de debate.

A principal atração é uma festa que durará o dia todo no sábado e deverá atrair mais de duas mil pessoas, segundo estimativas dos organizadores.

A americana Tiffany Lemay, que participou da montagem do evento, disse ao jornal China Daily que a ideia de realizar uma parada ao ar livre foi descartada depois que os organizadores buscaram aconselhamento legal.

“Esperamos chamar atenção para questões pertinentes à homossexualidade, aumentar a visibilidade da comunidade gay ajudar as pessoas a sair do armário e aumentar o contato entre os heterossexuais e homossexuais”, explicou Lemay.

O jornal estatal afirmou no editorial que o festival é de “profunda significância” e “exibe o progresso social do país”.

Segundo estimativas oficiais, há entre 5 e 10 milhões de homossexuais vivendo na China.

No entanto, a população homossexual seria maior de acordo com Zhang Beichuan, acadêmico especializado no assunto ouvido pelo jornal.

Zhang afirmou que atualmente existem 30 milhões de homossexuais na China – 20 milhões de homens e 10 milhões de lésbicas.

19/05/2009 - 08:11h Na escola de Serra o livro ensina: “é pau no cu mesmo”

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SP distribui a escolas livro com palavrões

Com termos impróprios e conotação sexual, obra seria utilizada por estudantes da rede estadual na faixa de nove anos

Governo de SP disse que houve falha na escolha do livro para o programa Ler e Escrever e que determinou o recolhimento das obras

FÁBIO TAKAHASHI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo distribuiu a escolas um livro com conteúdo sexual e palavrões, para ser usado como material de apoio por alunos da terceira série do ensino fundamental (faixa etária de nove anos).
A gestão José Serra (PSDB) afirmou ontem que houve “falha” na escolha, pois o material é “inadequado para alunos desta idade”, e que já determinou o recolhimento da obra.
O livro (”Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”) é recheado com expressões como “chupa rola”, “cu” e “chupava ela todinha”. São 11 histórias em quadrinhos, feitas por diferentes artistas, que abordam temas relacionados a futebol -algumas usam também conotação sexual. A editora Via Lettera afirma que a obra é voltada a adultos e adolescentes.
A pasta distribuiu 1.216 exemplares, que seriam usados como material de apoio para a alfabetização dos estudantes, dentro do programa Ler e Escrever (uma das bandeiras do governo na educação).
Nesse programa, os estudantes podem usar o material na biblioteca, na aula ou levar para casa. O livro começou a ser entregue na semana passada.
É o segundo caso neste ano de problemas no material enviado às escolas. A Folha revelou em março que alunos da sexta série receberam livro em que o Paraguai aparecia duas vezes no mapa.
“Os erros revelam um descuido do governo na preparação e escolha dos materiais”, afirmou a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo.
“Há um constante ataque do governo contra os professores e a formação deles. Mas o governo coloca à disposição dos docentes ferramentas frágeis de trabalho”, disse Soligo.

Posição oficial
A reportagem solicitou entrevista com o secretário da Educação, Paulo Renato Souza. A pasta, porém, só divulgou uma nota, que não esclarece como é feita a escolha dos livros.
Sobre a responsabilidade pelo erro, disse apenas que abriu uma sindicância.
O governo afirma que “este livro é apenas um dos 818 títulos” comprados e que os 1.216 exemplares da obra representam “0,067% do 1,79 milhão de livros colocados à disposição das crianças”. Diz ainda que faz um grande esforço para estimular o hábito da leitura.
O gerente de marketing da editora Via Lettera (responsável pelo livro), Roberto Gobatto, afirmou que apenas atendeu ao pedido de compra (no valor de cerca de R$ 35 mil) feito em novembro, na gestão de Maria Helena Guimarães de Castro na pasta da Educação.
“Não sabíamos para qual faixa etária seria destinada. Se soubéssemos, avisaríamos a secretaria”, disse Gobatto.
Na história mais criticada por professores que tiveram contato com a obra, o cartunista Caco Galhardo faz uma caricatura de um programa de mesa-redonda de futebol na TV.
Enquanto o comentarista faz perguntas sobre sexo, jogadores e treinadores respondem com clichês de programas esportivos, como “o atleta tem de se adaptar a qualquer posição”.

Capa do AGORA
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