19/03/2009 - 16:29h França enfrenta greve geral hoje

Des responsables de la CFDT, de la CGT, de FO et de la FSU défilent à Paris le 19 mars.

Ben Hall, Financial Times, de Compiègne, França – VALOR

AP

Empregados da Continental em Grenoble, França, colocam fogo em pneus durante protesto:

trabalhadores franceses já dão sinais de radicalismo

Após serem atingidos por ovos jogados por trabalhadores que bloqueavam a entrada da fábrica de pneus da Continental às margens do rio Oise, diretores da fábrica foram vistos entrando sorrateiramente por uma entrada lateral cujo acesso se dá por barco.

“As pessoas estão perturbadas”, afirma Christian Lahargue, um funcionário da Continental que corre o risco de ser demitido. “Vamos fazer de tudo para manter esta fábrica aberta.”

Este impasse agressivo no norte da França às vésperas de uma greve nacional sugere que a tensão social está aumentando e contribuindo para a impressão de que o outrora confiante Nicolas Sarkozy, o presidente da França, está perdendo o passo.

A segunda maior economia da zona do Euro deverá enfrentar distúrbios hoje, por causa de uma greve nacional convocada por sindicatos, que deverá contar com centenas de manifestações em protesto contra a política econômica e o programa de reformas de Sarkozy.

Sindicalistas prometeram superar a última greve, feita em janeiro, quando entre 1 milhão e 2,5 milhões de pessoas foram às ruas.

A escala dos protestos de sete semanas atrás pegou o governo de surpresa, forçando-o a oferecer ? 2,6 bilhões (US$ 3,38 bilhões) em pagamentos extras de auxílio-desemprego e corte de impostos para famílias de baixa renda. Mas as concessões não satisfizeram os sindicatos, nem impressionaram a população.

Segundo uma pesquisa de opinião feita pelo instituto Ifop para a revista “Paris Match” , 78% dos franceses consideram a greve de hoje justificada. Os franceses “deram autorização ao movimento sindical para articular sua oposição a Nicolas Sarkozy”, afirma Stéphane Rozès, presidente-executiva do instituto de pesquisas CSA.

De acordo com outra pesquisa, os franceses acreditam que Olivier Besancenot, o líder trotskista da extrema esquerda, tem tanta “credibilidade” quanto o presidente.

Sarkozy está na defensiva desde o começo do ano, com o agravamento da situação da economia. O governo foi lento em reagir a uma greve geral de seis semanas e a tumultos em Guadalupe, um território francês no Caribe.

O presidente vem encontrando oposição dentro de seu partido de centro-direita em uma série de questões, do retorno da França ao comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à redução da carga tributária para os ricos.

Sarkozy foi forçado a recuar na reforma universitária, uma de suas principais medidas de modernização, em meio a temores de que um movimento de protesto estudantil liderado pela extrema esquerda pudesse se tornar violento. A concessão preocupou alguns empresários. “Os mais radicais estão conseguindo resultados”, diz Maurice Lévy, presidente-executivo do grupo de propaganda Publicis.

Sarkozy tem motivo para se sentir ressentido. A economia francesa deverá se sair bem melhor que as de seus vizinhos depois que Sarkozy implementou rapidamente um plano de socorro bancário, garantias de empréstimos para pequenas empresas, seguro de crédito comercial bancado pelo governo e outra medidas para manter o crédito fluindo para a economia.

Ele mobilizou o outrora intervencionista e desdenhoso Estado francês e entendeu a mensagem que estava sendo passada pela população com sua crítica ao capitalismo financeiro.

Mas, ao mesmo tempo em que celebra o retorno do Estado, Sarkozy está se agarrando às suas metas de cortar os impostos, diminuir a burocracia do governo e conter os gastos.

É por isso que os franceses acreditam que as políticas de Sarkozy “não são coerentes, eficientes ou justas”, diz Rozès. Os franceses sentem que os bancos estão sendo ajudados com poucos limites, enquanto o governo vem dando pouca ajuda às famílias comuns.

A oposição a Sarkozy deverá se concentrar na redução dos impostos para os ricos, o chamado escudo que limita o imposto de renda devido de um indivíduo a 50% da renda. Sindicatos e alguns membros do partido do presidente não querem isso. Sarkozy reage, reforçando sua imagem de amigo dos ricos.

Não está nem um pouco claro se a tensão social vai acabar resultando em um movimento político coerente capaz de paralisar o governo Sarkozy. “Ele não está numa espiral de queda”, afirma Zaki Laidi, da Sciences Po, que aponta para a confusão entre os socialistas da oposição e diz que as críticas da população e dos sindicatos ao presidente são bastante difusas. “Não estamos na iminência de uma greve geral.”

Mas outros observadores temem a possibilidade de tumultos. “O verdadeiro problema para qualquer um é saber como a opinião pública vai evoluir”, diz Lévy. “Será que as pessoas vão acreditar que com a economia mundial em tamanha dificuldade elas precisam ficar calmas e razoáveis, além de trabalhar juntas para superar tudo isso? Ou será que vai levar as pessoas a atos desesperados? Minha sensação é de que não chegamos lá ainda, mas poderemos nos encontrar em uma situação com as sementes de um descontentamento muito profundo e uma espiral negativa que poderão levar a repetidas greves. Isso iria forçar o governo a desistir.”

12/02/2009 - 10:03h Refrão de campanha dá início à aproximação com militância petista

 

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Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

Pré-candidata do PT à presidência, nome preferido de Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, executora do principal programa de investimentos do governo federal, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, teve integral agenda de candidata nos eventos partidários ao longo desta semana, em Brasília. Inclusive com direito a, no jantar comemorativo de 29 anos do PT, ver o seu nome incorporado ao grito de guerra da militância petista na campanha presidencial de 1989. Ao ser chamada ao palco para discursar como maior estrela do evento, Dilma foi recepcionada efusivamente: “Olê, olê, olá, olá. Dilma, Dilma”.

A frase é emblemática para o PT, já que sempre impulsionou as aparições de Lula em eventos públicos desde que ele se lançou candidato a presidente pela primeira vez, há quase 20 anos. Ter seu nome incluído em um jingle histórico é, na opinião de um petista com cargo estratégico no Planalto, sinal de que a base petista incorporou o nome da ministra como a candidata petista em 2010. E Dilma começa, cada vez mais, a se sentir à vontade no figurino de presidenciável. Em uma fala rápida, de quase dez minutos, fez questão de elogiar a militância do partido.

Segundo a ministra, que chegou a ser criticada até pelo ministro Tarso Genro (Justiça) de não ter vida partidária, os militantes petistas foram fundamentais para que a legenda chegasse ao poder. E foram vitais para que o governo Lula atingisse as marcas e conquistasse as vitórias que alçaram o presidente a uma aprovação pessoal recorde. Em rápidas palavras, enumerou alguns feitos da gestão petista. Nada muito longo, para não entendiar a plateia. “Discurso de meia hora é só para o Lula”, brincou um petista com gabinete no quarto andar.

Dilma sabe muito bem das diferenças em relação ao seu mentor político. Mas vem treinando para melhorar. Segundo uma pessoa próxima, ela tem recebido aulas de retórica, para que seus discursos, que carregam sempre um teor administrativo e professoral, penetrem no “imaginário das pessoas”. Só assim, reconhecem os petistas, ela poderá ter sucesso em uma campanha eleitoral. “Não podemos compará-la com o presidente. Isso seria mortal. Aliás, essa comparação é mortal para qualquer político”, declarou um petista ligado à cúpula partidária.

Um dos escalados para ajudar na campanha presidencial de Dilma, o ex-governador do Acre, Jorge Viana, acha que a ministra tem que viajar mais e, nessas viagens, dialogar mais com os movimentos sociais e com a base petista. “Diferente de outros colegas, não acho que esta eleição será mais difícil para o PT. Temos um governo para mostrar, um governo que deu certo. Mas Dilma precisa se embrenhar pelos rincões deste país”, defendeu ele.

Viana sugere algo que reconhece ser muito difícil neste momento: separar a agenda da Dilma ministra e da Dilma candidata. “Eu sei que é complicado, mas ela tem que dar um jeito. Até o final do ano vamos conseguir isto”. Um dirigente petista disse que, mesmo que a agenda “maluca” da ministra não permita, é preciso aproveitar cada brecha para que ela interaja com os movimentos sociais e com os partidos aliados.

Na noite desta sexta-feira Dilma vai aproveitar uma dessas brechas para se encontrar com um dos grupos mais importantes para que sua campanha presidencial deslanche de fato: os representantes do PT paulista. A ministra da Casa Civil será recebida por Marta Suplicy em um jantar que vai reunir a cúpula do partido no Estado. Estão convidados para o encontro toda a bancada federal e estadual do partido, prefeitos petistas da Grande São Paulo, além dos vereadores da capital. “É um encontro de aproximação com o PT de São Paulo”, afirma o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), um dos convidados do jantar.

Um outro caminho a ser percorrido pela ministra é retomar a química com os integrantes do chamado bloquinho de esquerda: PCdoB, PSB e PDT. Para isto, Dilma delineou a estratégia ao declarar, no jantar de aniversário do PT, que o partido tem uma diretriz socialista. Isto aproxima sua candidatura de aliados históricos, não descarta a ala progressista do PMDB e estabelece uma diferenciação clara de outros aliados que sempre provocaram ojeriza a alas petistas: PTB, PR e PP. “Ela também deve aproveitar seu histórico político de combate à pobreza e à ditadura. Ela dedicou sua vida a isto”, disse um influente parlamentar petista. (Colaborou Yan Boechat, de São Paulo)

25/12/2008 - 11:09h Somos todos keynesianos

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John Maynard Keynes e Hyman Minsky, agora “reabilitados”

MARTIN WOLF DO “FINANCIAL TIMES” – FOLHA SP

Somos todos keynesianos, agora. Quando Barack Obama assumir a Presidência, proporá um gigantesco pacote de estímulo fiscal. Pacotes semelhantes estão sendo propostos por diversos governos.
O fantasma de  (1883-1946), pai da macroeconomia, voltou para nos assombrar. Com ele retornou o de seu mais interessante discípulo, Hyman Minsky. Todos sabemos agora o que quer dizer o “Momento Minsky” -o ponto no qual um período de mania financeira se transforma em pânico.
Como todos os profetas, Keynes ofereceu lições ambíguas aos seus seguidores. Poucos ainda crêem na sintonia fina fiscal que seus discípulos propunham nas décadas após a 2ª Guerra. Mas ninguém mais acredita, tampouco, nas metas monetárias propostas pelo celebrado adversário intelectual de Keynes, o americano Milton Friedman (1912-2006). Agora, 62 anos após a morte do economista britânico, numa nova era de crise financeira, é mais fácil compreender o que segue relevante em seus ensinamentos.
Eu vejo três lições amplas.
A primeira, desenvolvida por Minsky, é que não deveríamos levar a sério as pretensões dos financistas. “Um banqueiro sólido não é aquele que prevê o perigo e o evita, mas o que, quando quebra, quebra ao modo convencional, em companhia de seus pares, de maneira a que ninguém possa culpá-lo.” Ou seja, o conceito de “mercados eficientes” não era com ele.
A segunda lição é a de que a economia não pode ser analisada da mesma maneira que uma empresa individual. Para uma empresa, faz sentido cortar custos. Caso o mundo tente fazê-lo, resultará numa contração da demanda. Um indivíduo pode não gastar toda sua renda, mas o mundo deve fazê-lo.
A terceira e mais importante lição é que a economia não deveria ser tratada como uma narrativa moral. Nos anos 1930, havia duas visões ideológicas opostas em competição: a austríaca e a socialista. Os austríacos Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek argumentavam que era necessário purgar os excessos dos anos 1920. Os socialistas argumentavam que o socialismo precisava substituir completamente o capitalismo. As posições se baseavam em religiões laicas concorrentes: a primeira, na idéia de que a busca de vantagem pelos indivíduos garantia uma ordem econômica estável; a segunda, na idéia de que essa motivação só poderia conduzir a exploração, instabilidade e crise.
Keynes foi um gênio peculiarmente inglês, já que insistia em que deveríamos abordar um sistema econômico não como uma narrativa moral, mas como um desafio técnico. Ele desejava preservar o máximo de liberdade, mas reconhecia que um Estado mínimo era inaceitável em uma sociedade democrática e de economia urbanizada. Desejava preservar a economia de mercado, mas não acreditava que o “laissez-faire” propicia tudo de melhor no melhor dos mundos possíveis.
Esse mesmo debate moralista retornou, hoje. Os “liquidacionistas” insistem em que um colapso resultaria no renascimento de uma economia purificada. Seus oponentes de esquerda argumentam que a era dos mercados acabou. E mesmo eu desejo punição aos alquimistas financeiros que alegavam que dívidas cada vez maiores serviriam para transformar chumbo econômico em ouro.
Para Keynes, abordagens como essas são tolas. Os mercados não são infalíveis ou indispensáveis. Servem de sustentação a uma economia produtiva e às liberdades individuais. Mas também podem sair do rumo, e precisam ser administrados.
A tarefa urgente é restaurar a saúde da economia mundial.
O desafio de prazo mais curto é sustentar a demanda agregada, como Keynes recomendaria. Igualmente importante será o financiamento direto do banco central à captação. Boa parte do ônus caberá aos EUA, em larga medida porque europeus, japoneses e até chineses são inertes demais, complacentes demais ou fracos demais.
Dada a correção do consumo doméstico já em curso nos países com déficits comerciais, é provável que esse período de altos gastos dos governos persista por anos. Ao mesmo tempo, é preciso um grande esforço para purgar os balanços domiciliares e do sistema financeiro. Converter dívida em capital certamente será necessário.
Também pragmática deve ser a tentativa de construir um novo sistema de regulamentação financeira mundial e uma política monetária que contenha os “booms” de crédito e as bolhas de ativos. Como Minsky deixou claro, não há resposta permanente. Mas reconhecer a fragilidade sistêmica de um sistema financeiro complexo poderia ser um bom começo.
Como foi o caso nos anos 1930, temos uma escolha: lidar com esses desafios de forma cooperativa e pragmática ou permitir que as viseiras ideológicas e o egoísmo nos obstruam. O objetivo é claro: preservar uma economia mundial aberta e ao menos razoavelmente estável, que ofereça oportunidades à maior proporção possível da humanidade.
Como Oscar Wilde poderia ter dito, na economia a verdade é raramente pura e jamais simples. É a maior lição da crise. E também uma lição de Keynes.

18/12/2008 - 15:17h A esquerda está nas ruas

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Guy Sorman – VALOR

A onda de manifestações de protesto nas ruas de toda a Grécia podem ter muitas causas, porém uma delas, raramente mencionada , é a cisão da esquerda grega em duas vertentes: o tradicional partido socialista de George Papandreou (PASOK) e uma facção cada vez mais radicalizada que recusa qualquer acomodação, seja com a União Européia ou com a economia moderna. Em graus variados, essa cisão está paralisando os partidos socialistas em toda a Europa.

O fato de a esquerda tradicional estar tão inerte em meio à crise econômica atual é mais do que estranho. Em vez de crescer na onda de renovadas dúvidas sobre o capitalismo, os partidos socialistas europeus não conseguiram quaisquer avanços políticos substanciais. Em países onde detêm o poder, como na Espanha, são atualmente bastante impopulares.

Onde estão na oposição, como na França e na Itália, estão desarticulados, assim como os social-democratas na Alemanha, apesar de fazer parte da Grande Coalizão atualmente no poder. Até mesmo os socialistas suecos, fora do governo, e reunidos em um partido dominante no país por um século, não se beneficiaram da crise. O Reino Unido pode ser a exceção, embora o Partido Trabalhista pró-mercado moldado por Tony Blair não possa mais ser contado como partido de esquerda.

Os socialistas europeus não abordaram a crise convincentemente devido a suas divisões internas. Nascidos anticapitalistas, todos esses partidos (em maior ou menor grau) terminaram por aceitar o livre mercado como fundamento da economia. Além disso, desde 1991, com o colapso do sistema soviético, a esquerda ficou desprovida de um modelo claro com o qual possa se contrapor ao capitalismo.

Mas, apesar de ostensivamente defender o mercado, a esquerda européia continua cindida pela contradição interna entre suas origens anticapitalistas e sua recente conversão à economia de livre mercado. Será a crise atual uma crise do capitalismo ou apenas uma de suas fases? Essa controvérsia mantém intelectuais de esquerda, especialistas e políticos ocupados em programas de entrevistas na TV e em debates nos cafés em toda a Europa.

Em conseqüência, irrompeu uma luta por poder. Na França e na Alemanha, uma nova extrema esquerda – composta de trotskistas, comunistas e anarquistas – está erguendo-se das cinzas e tornando-se novamente uma força política. Esses fantasmas rejuvenescidos assumem a forma do partido de esquerda de Oskar Lafontaine na Alemanha, bem como vários movimentos revolucionários na França; um deles recém-denominou-se Partido Anticapitalista. E seu líder, um ex-carteiro, diz que nas atuais circunstâncias, faz parte de uma “resistência”, uma palavra alusiva ao embate antifascista na era Hitler. Ninguém sabe qual a efetiva alternativa ao capitalismo que essa extrema-esquerda busca.

Em face desse novo radicalismo, que está atraindo alguns socialistas tradicionais, o que devem fazer os líderes socialistas mais respeitados? Quando inclinam-se para os trotskistas, perdem apoio dos “burgueses”; quando buscam o centro, como o SDP na Alemanha, o partido de esquerda cresce. Em conseqüência desse dilema, os partidos socialistas em toda a Europa parecem paralisados.

E estão. De fato, é difícil encontrar alguma análise convincente da esquerda sobre a atual crise, além de slogans anticapitalistas. Os socialistas culpam financistas gananciosos, mas quem não os culpa? Em termos de corretivos, os socialistas oferecem nada mais do que as soluções keynesianas hoje propostas pela direita.

Desde quando George W. Bush apontou o caminho para estatização de bancos, enormes gastos públicos, operações de salvamento a setores da economia e déficits orçamentários, os socialistas ficaram sem espaço para se mexer. O presidente francês Nicolas Sarkozy tenta reaquecer o crescimento mediante a defesa protecionista de “indústrias nacionais” e enormes investimentos em obras de infra-estrutura pública; assim, o que mais podem os socialistas pedir? Além disso, muitos socialistas temem que gastos públicos excessivos possam provocar uma disparada na inflação, e que suas bases de apoio principais venham a ser suas primeiras vítimas.

Num momento em que a direita passou a ser estatizante e keynesiana, quando os verdadeiros crentes no livre mercado estão marginalizados, e quando o anticapitalismo ao velho estilo parece arcaico, deveríamos nos perguntar: qual o possível significado de socialismo na Europa?

O futuro do socialismo europeu também é tolhido, estranhamente, pela União Européia. É impossível, hoje, construir o socialismo num só país porque todas as economias européias são hoje interdependentes. Último líder a tentar implantar o socialismo isoladamente, o presidente francês François Mitterrand, em 1981, rendeu-se às instituições européias em 1983.

Essas instituições, baseadas em livre-comércio, competição, déficits orçamentários limitados e moeda sólida, são fundamentalmente pró-mercado; há menos margem de liberdade em seu âmbito para um socialismo doutrinário. É por isso que a extrema esquerda é anti-européia.

Os socialistas europeus também estão encontrando dificuldades para se distinguir no terreno das relações exteriores. Eles costumavam ser automaticamente pró-direitos humanos, bem mais do que os partidos conservadores. Mas desde que George W. Bush incluiu essas idéias como parte de suas campanhas de fomento à democracia, os socialistas europeus assumiram maior cautela em relação a essas posições.

Além disso, sem a União Soviética (URSS), os socialistas europeus têm poucas causas internacionalistas que possam abraçar: poucos compreendem a Rússia de Putin, e a atual China totalitária-capitalista é muito distante e demasiado estranha. E desde a eleição de Barack Obama o antiamericanismo deixou de ser maneira viável de reunir apoio. Os velhos dias em que trotskistas e socialistas encontravam terreno comum para atacar os EUA acabaram.

A fragilidade e cisão ideológicas da esquerda, evidentemente, não a excluirá do poder. A esquerda pode manter-se no poder, com estão fazendo José Zapatero na Espanha e Gordon Brown no Reino Unido. A esquerda poderá até mesmo vencer eleições gerais em outros países se a nova direita keynesiana revelar-se incapaz de pôr fim à crise. Mas, seja na oposição ou no poder, os socialistas não têm uma agenda diferenciada.

A lição da Grécia, porém, é que o que os socialistas europeus mais deveriam temer é o gosto e talento da extrema-esquerda para agitação. Pois o esvaziamento do socialismo tem uma conseqüência. Para parafrasear Marx, um espectro ronda a Europa – o espectro do caos.

Guy Sorman, filósofo e economista francês, é o autor de “Empire of Lies”(Império de mentiras). © Project Syndicate/Europe´s World, 2008. www.project-syndicate.org

13/12/2008 - 14:45h Trilhando a América nos vagões da miséria

Jack London, vagabundo errante da crise de 1893, continua a ganhar discípulos

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Sérgio Augusto – O Estado de São Paulo

Daquela vez, a crise veio de trem. Precedida por um surto de pânico em 1873, a grande crise financeira de 1893 foi a maior que a América até então enfrentara. Culpa da bolha ferroviária e, a exemplo das seguintes, do estrangulamento do crédito. As ferrovias haviam se expandido de forma desordenada (11 bitolas diferentes, excesso de companhias operando nos mesmos trechos) e, antes do fim da linha, 15 mil empresas e 500 bancos descarrilaram, deixando na mão 18% da força de trabalho.

Seus efeitos ainda eram sentidos por todo o país quando, em 1895, estreou na Broadway a peça The War of Wealth (A guerra da riqueza). Tema: a desesperada corrida aos bancos de dois anos antes. O público fez sua catarse e o autor do espetáculo, C.T. Dazey, engordou sua poupança.

Jack London não teve a mesma sorte. Também inspirado pela crise econômica, escreveu um livro, The Road, de imperceptível repercussão popular e tépida recepção crítica. Mas, seis ou sete décadas atrás, a peça de Dazey já caíra no esquecimento enquanto o livro de London ia acumulando admiradores, sobretudo entre os ficcionistas que se confessavam discípulos do andarilho número 1 da literatura americana e sua viagem pela deprimida América de 1894. The Road foi para a crise de 1893 o que As Vinhas da Ira seria, mutatis mutandis, para a Depressão de 1929.

London tinha apenas 18 anos. Intensamente bem vividos, na Califórnia. Impedido pela pobreza de estudar de forma adequada, caiu cedo no mercado de trabalho. Foi entregador de jornais, faxineiro, arrumador de pinos de boliche, operário de uma fábrica de enlatados. Meteu-se com foras-da-lei (os piratas de ostras da Costa Oeste), que a seguir ajudou a combater, e, aos 17, alistou-se como aprendiz de marinheiro numa escuna rumo ao Japão e à Rússia. Queria fugir do inferno em que a quebradeira de ferrovias e bancos mergulhara a América. Quando voltou, a crise, como o célebre dinossauro de Antonio Monterosso, ainda estava lá.

Leitor compulsivo (adorava os contos de Washington Irving, os relatos de aventuras marítimas, o Herman Melville de Typee, Joseph Conrad), na certa devorou, como todo americano, Walden ou A Vida nos Bosques, de Henry David Thoreau, mas desconheço se a pinimba do filósofo naturalista com o símbolo máximo do progresso e da integração territorial da América o deixara de rabo em pé.

“Não andamos sobre a estrada de ferro, ela é que anda sob nós”, objetara Thoreau, em 1854, 24 anos depois da inauguração da primeira linha de passageiros do país, ligando Baltimore a Ohio. Receava que o transporte ferroviário viesse a exercer daninha influência sobre seus usuários, demarcando com suas chegadas e partidas o dia das pequenas cidades, cujos relógios passaram a ser acertados pelos apitos dos trens. Se bem administradas, as ferrovias podem regular o país inteiro, profetizou Thoreau. Como foram mal administradas, apenas desregularam a economia do país inteiro às vésperas do século 20.

Ao tomar conhecimento de que um jovem gráfico e sindicalista chamado Charles Kelly organizara, nos arredores de São Francisco, um “exército” de desempregados para marchar até Washington e exigir do governo medidas efetivas para debelar a crise, London arrumou a trouxa, e, de carona em carona de trem, incorporou-se ao grupo no meio do caminho. Mas afinal o abandonou no Missouri, convicto de que protestar contra as injustiças econômicas o interessava muito menos do que experimentar, livremente, como era ser pobre na América.

Teso, passou a viver, como Blanche Dubois, da caridade de estranhos. Mendigou esmolas e comida, testemunhou a violenta repressão do governo Cleveland aos milhares de esfomeados que tentaram bater à porta da Casa Branca, deslocou-se de trem, barco e a pé, calçado e descalço, e acabou preso por vadiagem durante 30 dias, já na Costa Leste.

Tudo o que viu e vivenciou no interior da América, em parte do Canadá, e no cárcere de Nova York, anotou a lápis num diário de 83 páginas. Pretendia configurá-lo como um ensaio a quatro mãos sobre, entre outras coisas, a generosidade e hospitalidade dos americanos mais pobres e a mesquinhez dos mais ricos. Mas o projeto gorou, e London foi destilar sua indignação contra “as iniqüidades do sistema” nas páginas do diário San Francisco Chronicle, da cadeia Hearst. Publicadas em capítulos na revista Cosmopolitan, suas memórias estradeiras só ganhariam lombada na primavera de 1907, acrescidas de fotos posadas, feitas pelo autor.

Àquela altura, London já lançara meia dúzia de livros, três dos quais perenes best sellers: Call of the Wild (que Monteiro Lobato traduziu como O Grito da Selva, mas também é conhecido aqui como O Chamado da Floresta e O Chamado Selvagem), O Lobo do Mar e Caninos Brancos. Mal The Road chegou às livrarias, London largou o Partido Socialista, ao qual se filiara ao voltar à Califórnia, e, desiludido com “o estado geral do país”, embarcou em seu iate, o Snark, e zarpou para os Mares do Sul, onde pretendia navegar durante sete anos. Foi em suas águas que escreveu Martin Eden, romance algo autobiográfico sobre um escritor que, desavindo com a fama e “a fatuidade burguesa”, suicida-se no Pacífico.

O relativo fracasso comercial de The Road, que alguns anos atrás a L&PM traduziu como De Vagões e Vagabundos e a Boitempo acaba de editar, com um enriquecedor prefácio de Luiz Bernardo Pericás e um título fiel ao original, A Estrada, foi uma anomalia no venturoso currículo de London, o primeiro americano a ganhar US$ 1 milhão com o ofício de escrever livros. Seu público, imenso e internacional, sempre preferiu suas ficções globe-trotters, cheias de coragem, compaixão e romantismo, todas vazadas num certo tipo de realismo cujo domínio dizia ter adquirido durante seu “aprendizado na indigência”. Para conseguir um prato de comida, viu-se muitas vezes obrigado a contar histórias que soassem verdadeiras. “O realismo é a única coisa que se pode trocar na porta da cozinha por um prato de comida.”

Foi London quem pôs nos trilhos a literatura “on the road” americana e a mística do “hobbo”, o vagabundo errante. De Ernest Hemingway (o jovem Ernest, disfarçado de Nick Adams, atravessando o país nas décadas de 1920 e 1930) a Jack Kerouac (que até cita London nominalmente em seu clássico On the Road, aqui Pé na Estrada, prestes a virar filme, dirigido por Walter Salles), todos comeram na marmita de The Road.

London também influenciou George Orwell. Seu “aprendizado na indigência”, tanto nas estradas americanas e como no East End londrino do início do século passado (pano de fundo de O Povo do Abismo-Fome e Miséria no Coração do Império Britânico, traduzido pela Perseu Abramo em 2004), serviu de inspiração para as experiências relatadas por Orwell em Na Pior em Paris e Londres (Cia. das Letras, 2006).

Não há por que duvidar que a jornalista e ensaísta Barbara Ehrenreich tenha sido influenciada por London ao planejar seu estudo sobre os que viviam à margem da exuberância econômica da Era Clinton. Para descobrir como era ser pobre e desempregado na América de dez anos atrás, Ehrenreich passou meses morando precariamente e ganhando entre dois e sete dólares por hora como garçonete, arrumadeira de hotel, faxineira e ajudante de enfermagem em asilos. Detalhes em Nickel and Dimmed.

No ano seguinte ao lançamento de The Road, London publicou outra obra de notável influência sobre Orwell e quem mais tenha se exercitado na fabulação distópica: O Tacão de Ferro (Boitempo, 2003). Ambientado numa América protofascista, onde o controle dos cidadãos por uma oligarquia não é menor que o imposto pelo Big Brother de 1984, O Tacão de Ferro virou livro de cabeceira de Lenin, Trotski e outros radicais de esquerda. Mas não só nessa seara arrebanhou admiradores. Kurt Vonnegut estreou na literatura com um pesadelo futurista, Piano Player, confessadamente marcado pela leitura de The Iron Heel. E o mesmo se pode dizer de outro precursor de Vonnegut: Sinclair Lewis, o de You Can?t Happen Here

25/11/2008 - 22:35h Martine Aubry est élue première secrétaire du Parti socialiste

Martine Aubry à Reims, le 15 novembre 2008.

Le Monde

Après quatre jours de confusion totale, le conseil national du Parti socialiste a validé, mardi 25 novembre, l’élection de Martine Aubry au poste de premier secrétaire. Avec 159 voix pour, 76 contre et deux abstentions, le rapport de la commission chargée de statuer sur les litiges entourant le scrutin de vendredi dernier a été entérinée. “Je veux dire à Ségolène qu’on va ensemble gagner pour les Français”, a déclaré la maire de Lille à la tribune du conseil national, quelques minutes après le vote des responsables du PS.

Avant de prononcer son discours, la maire de Lille était allée embrasser Ségolène Royal, assise, impassible, au premier rang du palais de la Mutualité.  Samedi, après une nuit électorale à rebondissements, Martine Aubry avait été déclarée gagnante avec 42 voix d’écart, suscitant de nombreuses contestations du camp de l’ancienne candidate à la présidentielle. Pour sa part, Ségolène Royal a appelée, mardi, à “l’unité” et au “rassemblement”. “Nous ferons en sorte d’être une force de transformation à l’intérieur du PS” et “nous allons continuer à nous investir dans le PS dont nous représentons la moitié des forces militantes”, a-t-elle ajouté après avoir rendu hommage à son équipe. “Chaque fois que la nouvelle direction prendra des décisions qui vont dans le sens de ce que nous avons défendu nous la soutiendrons. Chaque fois qu’elle n’ira pas dans ce sens nous essaierons de la convaincre”, a ajouté l’ex-candidate à la présidentielle.

“DÉNI DE JUSTICE”

Malgré tout, dans son camp, des voix continuent de s’élever contre le dénouement du vote. Jean-Louis Bianco appelle à un nouveau scrutin : “Nous continuons à demander à la nouvelle direction d’accepter au moins la proposition de Robert Badinter qu’il y ait un nouveau vote dans les endroits où il y a un problème, si nous n’obtenons pas satisfaction, nous ferons un recours en justice”. Un autre fidèle de Mme Royal, Manuel Valls, va dans le même sens, assurant que “des tribunaux seront évidemment saisis” pour répondre au “déni de justice” que constitue, selon lui, l’élection de Martine Aubry.

De son côté, Jean-Noël Guérini, patron de l’importante fédération des Bouches-du-Rhône et partisan de Ségolène Royal, a affirmé qu’il “ne fera rien pour empêcher” Martine Aubry “de travailler”. M. Guérini qui, comme les autres partisans de Mme Royal, a voté contre le rapport de la commission a conclu : “Il y a une première secrétaire, une majorité et une opposition.”

“RETROUVER LA GAUCHE”

Dans un souci d’appaisement, Martine Aubry a lançé à l’adresse des militants ayant choisi l’ancienne candidate à l’Elysée : “Chacun connaît la ténacité et le talent du chef pour lequel ils ont voté.” Prenant les rênes du PS à la suite de François Hollande, qui quitte son poste après onze ans, Martine Aubry a précisé qu’elle présenterait son équipe de direction du PS lors d’un conseil national samedi 6 décembre. Signe qu’elle estimait sa victoire acquise de longue date, elle s’est tournée vers le premier secrétaire sortant pour lui dire, c’est “comme nous en avons parlé ce matin”.

Mais après une nomination dans la difficulté, Martine Aubry reconnaît que “les conditions dans lesquelles le vote a eu lieu, de manière serrée ne [lui] donnent que des devoirs. Mon premier devoir, si elle l’accepte, est de rencontrer Ségolène et de lui dire moi, j’ai entendu comme toi ce que les militants veulent (…) nous voulons retrouver la gauche” a lancé Martine Aubry. “Je dis à la droite, riez encore quelques jours car dès la semaine prochaine le Parti socialiste est de retour dans la proposition.”

25/11/2008 - 20:45h Partido Socialista francês confirma vitória de Aubry

 

Avec 159 voix pour, 76 contre et deux abstentions, le rapport de la commission chargée de statuer sur les litiges entourant le scrutin de vendredi dernier a été entérinée.

AE-AP – Agencia Estado

PARIS – A ex-ministra do Trabalho da França Martine Aubry, que ajudou a aprovar a jornada semanal de trabalho do país com 35 horas, foi confirmada hoje como a líder do Partido Socialista Francês, após uma disputa acirrada com sua rival, a ex-candidata socialista à presidência da França, Ségolène Royal. As eleições ocorreram na sexta-feira e a apuração mostrou que Aubry venceu por apenas 42 votos de vantagem, em um total de 135 mil sufrágios. Os partidários de Royal disseram que houve irregularidades e pediram uma recontagem dos votos. Hoje, o partido anunciou que Aubry venceu por uma vantagem um pouco maior: 102 votos.

“Vamos nos unir em uma linha à esquerda, mas também ao redor de uma renovação que está próxima”, afirmou Aubry, após ser confirmada na chefia dos socialistas. A próxima eleição presidencial francesa ocorrerá em 2012, mas a disputa interna dá aos socialistas um novo fôlego para conquistar mais apoio junto ao eleitorado. Em 2009, os franceses elegerão seus representantes no Parlamento Europeu e, em 2010, o país terá eleições municipais.

22/11/2008 - 16:36h Los resultados del recuento, según un comunicado del partido, dan una ventaja de sólo 42 votos a Martine Aubry frente a Ségolène Royal

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Noche de angustia en las elecciones de los socialistas franceses

François Hollande convoca el Consejo Nacional socialista para validar los resultados

EL PAÍS – AGENCIAS – París – 22/11/2008

Martine Aubry ha sido la ganadora de la presidencia del partido socialista francés por una apretada victoria de 42 votos sobre su competidora, la ex candidata presidencial Ségolène Royal, según ha explicado el propio partido en un comunicado hecho público a primera hora de hoy. De esta manera, Aubry se convierte en la primera mujer que dirigirá el principal partido de la izquierda francesa. Tras conocer el resultado, los seguidores de Royal han pedido una nueva votación.

El ajustado recuento de la segunda vuelta de las elecciones para elegir al nuevo líder de los socialistas franceses ha convertido la madrugada de este sábado en una noche de angustias en el seno del partido, sobre todo después de que los equipos de las dos candidatas en liza, Martine Aubry y Ségolène Royal, se lanzaran a reinvicar la victoria sin que nada estuviera confirmado.

Según los datos ofrecidos por la dirección del partido, Martine Aubry ha logrado el 50,02% de los votos de los militantes del partido, frente al 49,98% de su rival, lo que da a la primera una ventaja de sólo 42 votos. Ante este margen tan estrecho, François Hollande ha anunciado la convocatoria del Consejo Nacional del partido para validar los resultados de los comicios internos “a mitad de la próxima semana”, previsiblemente el miércoles. “Lo mejor para que el resultado sea lo más indiscutible posible es que sea ratificado por un Consejo Nacional”, ha señalado el dirigente socialista, quien ha adelantado que se analizarán todas las denuncias y los recursos posibles. Una vez se haya hecho ese análisis, ha añadido Hollande, se decidirá si se valida el resultado o se plantean otros procedimientos.

La nueva presidenta es la alcaldesa de Lille, en el norte de Francia, además de ser la hija de Jacques Delors, ministro de Finanzas y presidente de la Comisión Europea. Aubry estudió en la elitista École Nationale d’Administration (ENA), en la que suelen formarse los cuadros de mando de empresas e instituciones francesas, y ha sido ministra de Trabajo, durante la presidencia de Gobierno de Édith Cresson, y de Empleo y Solidaridad, junto a Lionel Jospin. Durante este periodo ella fue la encargada de diseñar y aprobar la jornada laboral de 35 horas en 2000, que Nicolás Sarkozy ha desmantelado prácticamente en los últimos 18 meses.

Una noche de muchas emociones

La noche fue larga y estuvo llena de tensión. Primero fue el entorno de Aubry el que, alrededor de la una de la madrugada, proclamó la victoria de la alcaldesa de Lille. La diputada Claude Bartolone aseguró entonces que esta candidata “no puede ser batida”, pues según sus cifras obtendría el 50,28 % de los votos, frente al 49,72 % de Ségolène Royal.

Como respuesta, el entorno de Ségolène Royal recordaba que el recuento seguía abierto y su brazo derecho, Manuel Valls, llegaba incluso a cuestionar los resultados de Aubry en la federación Norte, donde se daba casi seguro que la alcaldesa ganaría por mayoría. “No nos dejaremos robar la victoria”, advirtió Valls.

El pulso era tan reñido, que la dirección del partido tuvo que salir al paso y asegurar que no podía anunciar el resultado de un escrutinio “extremadamente reñido”, apelando a los partidarios de ambas candidatas a abstenerse de realizar “declaraciones apresuradas”.

Por si fuera poco, Ségolène Royal pedía poco después una nueva votación el miércoles próximo tras constatar “irregularidades” que pueden entrañar problemas a la hora del recuento y la verificación de las papeletas, algo que su adversaria, Martine Aubry, ha rechazado de pleno. “Un tercer escrutinio no tiene razón de ser”, ha dicho la alcaldesa de Lille.

Ségolène Royal y Martine Aubry se enfrentaban a la decisiva segunda vuelta de las votaciones internas del PS, cuyos afiliados estaban llamados ayer a elegir entre las dos mujeres a la que será su líder en sustitución de Francois Hollande, tras una primera vuelta celebrada el pasado jueves en la que ninguna de ellas consiguió mayoría suficiente para declararse ganadora.

En la primera ronda, las bases del partido colocaron en cabeza a Royal con un 42,51% de los votos, mientras que Aubry logró un 34,70% y el tercer rival en liza, el joven eurodiputado Benoît Hamon, fue desbancado de la segunda ronda al quedarse con un 22,79% de los sufragios de la militancia. Hamon pidió para Aubry el voto de sus partidarios en la segunda vuelta.

21/11/2008 - 15:49h França: Dossier sobre as eleições internas do Partido Socialista

PS : Royal en pôle, mais face au ticket Aubry-Hamon

Les militants ont placé Ségolène Royal en tête du vote pour le Premier secrétaire, mais un second tour aura lieu ce vendredi.

Ségolène Royal, Martine Aubry et Benoît Hamon (Audrey Cerdan/Rue89).

Ségolène Royal a raté jeudi son train vers Paris, mais pas le premier tour de l’élection du premier secrétaire du PS. Mais le premier tour seulement, car il y en aura bien un second. La présidente de la région Poitou-Charentes n’obtient pas la majorité absolue face à Martine Aubry et Benoît Hamon.

Des résultats officiels, mais pas encore totalement définitifs, annoncés à 1h30 au siège du Parti socialiste par Bruno Le Roux, secrétaire national aux élections. A noter, une participation plus forte de près de 7000 militants par rapport au vote du 6 novembre sur les motions. (Voir la vidéo)

  • Ségolène Royal: 42,45%
  • Martine Aubry: 34,73%
  • Benoît Hamon: 22,83%

C’est depuis la Maison de la région que Ségolène Royal commentera vendredi midi ce score. Et livrera sa réflexion avant le second tour qui l’opposera le soir-même à la maire de Lille, qui a reçu le soutien du député européen.“Nous sommes confrontés à un choix de culture”Les deux conceptions du parti distinguées depuis plusieurs semaines s’affronteront donc. Chaque camp insiste sur son point fort. Le “renouvellement” pour les partisans de Ségolène Royal. Idem, mais ce sera plus difficile à faire entendre, pour ceux de Martine Aubry et Benoît Hamon, qui savent qu’ils devront davantage miser sur “l’ancrage à gauche”.Benoît Hamon, l’homme le plus attendu de la soirée. Il appelle pourtant sans surprise à voter pour Martine Aubry, celle qui a déjà le soutien de Bertrand Delanoë, et avec qui il avait déjà réussi à s’accorder sur un texte commun, sans pour autant dégager un seul et même candidat. Aujourd’hui, le ralliement est aussi rapide que limpide:

“Je pense que nous sommes confrontés, comme il nous en arrive tous les dix ou vingt ans, à un choix qui est un choix de culture. (…) Moi, aujourd’hui, j’ai fait le choix, en toute transparence et en responsabilité, de demander aux 30 000 militants socialistes, dont je ne suis pas propriétaire mais qui m’ont fait confiance, de se reporter massivement vers le vote en faveur de Martine Aubry.” (Voir la vidéo)

30 000 militants qui le placent en position d’arbitre. Mais un arbitre qui a rapidement pris position et que l’on pourrait retrouver à un poste de premier secrétaire délégué si la maire de Lille l’emportait. Un poste pourtant récemment inventé par Ségolène Royal et d’ores et déjà distribué à Vincent Peillon en cas de victoire…“Les militants ne changent pas d’un jour sur le lendemain”De ce ralliement, Martine Aubry s’est dite aussitôt “heureuse”, depuis Lille. Et ses lieutenants y croient, Pascal Lamy en tête. Il est ce jeudi soir la voix de Martine Aubry à Solférino. 34,73% + 22,83% = 57,56%. L’optimisme est de mise:

“La voie du rassemblement est en marche et donc il y a toutes les raisons de penser que demain nous avons la capacité de gagner. Nous sommes ici dans un scrutin entre militants socialistes (…) qui ne changent pas d’un jour sur le lendemain.” (Voir la vidéo)

“Ce n’est pas l’arithmétique qui fait le vote”Soutien de Ségolène Royal, David Assouline rétorque: “Ce n’est pas l’arithmétique qui fait le vote.” Avant d’insister encore et encore sur la notion de “renouvellement”, accompagnée de tous ses synonymes. Sans oublier de faire un clin d’oeil aux militants ayant voté pour Benoît Hamon:

“Dans ce vote du premier tour, une fois de plus, on voit qu’une majorité de militants nette -et ça se voit aussi avec le score de Benoît Hamon- est pour un changement profond du Parti socialiste, pour un renouvellement, pour une refondation. (…) Nous sommes absolument confiants.” (Voir la vidéo)

Les royalistes le martèlent: au second tour non plus, “ce ne sera pas encore une arithmétique”. Ils en veulent pour preuve les résultats de ce premier tour dans la section du XVIIIe arrondissement de Paris. La section de Lionel Jospin et Bertrand Delanoë. Ségolène Royal l’a emporté avec 53,6% des suffrages, devant Martine Aubry (28%). Le 6 novembre, elle était loin derrière le maire de Paris (43% contre 26,5%).Les partisans des uns et des autres ne s’attardent toutefois pas à Solférino, et partent une question -irrésolue- en tête: les voix de Benoît Hamon se reporteront-elles en masse sur Martine Aubry ou Ségolène Royal parviendra-t-elle à en capter suffisamment pour convertir sa pôle position en victoire?Quelle que soit la réponse ce vendredi soir des militants socialistes, ils placeront une femme à la tête d’un parti qui ne sera toujours pas parvenu à se doter d’une majorité forte.


Alors que les militants socialistes s’exprimaient lors de ce premier tour, Rue89 vous proposait un dernier regard sur le vote pour le premier secrétaire du PS.
Ségolène Royal, Martine Aubry et Benoît Hamon (Audrey Cerdan/Rue89).
Derniers meetings

Banlieue parisienne, Paris et Bretagne. Telles étaient les dernières destinations mercredi soir des trois candidats en lice. Craignant les séquelles et les divisions durables à l’issue du scrutin, tous ont appelé au rassemblement:

  • Martine Aubry (à Aubervilliers): “Nous sommes dans le même parti, nous devons être unis et travailler ensemble.”
  • Ségolène Royal (à Paris): “Dès lundi, pas un socialiste ne doit manquer pour se battre contre la politique de Sarkozy.”
  • Benoît Hamon (à Brest): “J’ai essayé d’éviter de faire une campagne contre les autres dans une logique d’empêchement, je ne suis pas là pour empêcher Ségolène Royal ou Martine Aubry.”
Dernières vidéos

Ségolène Royal, Benoît Hamon et, dans une moindre mesure, Martine Aubry la jouent propagande lors de l’ultime journée de cette campagne interne. Chacun des trois candidats a dégainé sur son site un clip mêlant discours et musique. Discours du congrès de Reims pour les deux premiers, discours du dernier meeting pour la troisième. (Voir les vidéos)



Derniers textes

Trois jours avant le vote, Ségolène Royal, Benoît Hamon et Martine Aubry ont envoyé leur profession de foi aux militants. Si tous prônent un “renouvellement” du parti, avec un net virage à gauche, l’éventuelle alliance avec le MoDem fait toujours débat.

Benoît Hamon plus que les autres, puisque c’est son credo depuis l’annonce de sa candidature le 23 septembre, et que les autres empiètent aujourd’hui sur ses plates-bandes. “L’ancrage à gauche”, il le réclame à trois reprises dans sa profession de foi.

Martine Aubry aussi exige un “parti fermement ancré à gauche”. Précision et explication à l’appui de l’ancienne ministre de l’Emploi et de la Solidarité: un parti “ancré dans la gauche efficace, crédible”, parce que “face à une droite dure, il faut une gauche forte”.

Quant à Ségolène Royal, elle se pose également comme le meilleur recours pour ceux qui veulent plus de gauche. “Les Français nous attendent. La gauche nous attend”, écrit la présidente de la région Poitou-Charentes, sans en rajouter.

Dernier pointage

Rue89 a interrogé, mercredi et jeudi, ses riverains pour savoir quel premier secrétaire ils préféraient pour le Parti socialiste. 2077 ont voté. Martine Aubry a été placée largement en tête, devant Ségolène Royal, puis Benoît Hamon.

Dernier vote

Les 233 000 adhérents socialistes, même si tous ne sont pas à jour de cotisations, ont déjà été appelés à voter le 6 novembre dans les quelque 3 200 sections en France. Il s’agissait cette fois d’un vote sur les motions. 130 486 militants se sont exprimés. Les résultats étaient les suivants:

  • Motion A (Bertrand Delanoë): 25,24%
  • Motion B (Pôle écologique): 2,59%
  • Motion C (Benoît Hamon): 18,52%
  • Motion D (Martine Aubry): 24,32%
  • Motion E (Ségolène Royal): 29,08%
  • Motion F (Utopia): 1,25%

Les résultats détaillés, fédération par fédération, permettent eux de savoir pour qui ont voté les onze plus grosses fédérations socialistes:

  • Quatre pour la motion E (Ségolène Royal): Bouches-du-Rhône (73,04%), Hérault (53,46%), Rhône (40,92%) et Essonne (34,93%).
  • Quatre pour la motion D (Martine Aubry): Nord (57,87%), Pas-de-Calais (48,52%), Seine-Maritime (66,62%) et Hauts-de-Seine (30,33%).
  • Trois pour la motion A (Bertrand Delanoë):
    Haute-Garonne (29,66%), Gironde (32,50%) et Paris (36,75%).
  • Zéro pour la motion C (Benoît Hamon).
  • Zéro pour la motion B (Pôle écologique).
  • Zéro pour la motion F (Utopia).

Pour rappel, Bertrand Delanoë a appelé “à voter massivement” en faveur de Martine Aubry (mais les tenants de sa motion n’ont pas tous fait de même, François Hollande en tête, qui est resté neutre). Le Pôle écologique a apporté son soutien à Ségolène Royal. Et le mouvement Utopia s’est rangé derrière Benoît Hamon.

21/11/2008 - 15:25h Aubry est plus “crédible et compétente” que son adversaire, selon Delanoë

A disputa pela presidencia do Partido Socialista da França foi para um segundo turno, nenhum dos candidatos obteve a maioria absoluta.
Ségolène Royal, que foi a candidata derrotada contra Sarkozy, obteve 42,51% dos votos, Martine Aubry, filha de Delors e prefeita de Lille, foi para o segundo turno com 34,70. O candidato que se proclama mais a esquerda, com 22,79% fez um bom percentual e seus eleitores vão definir o resultado. O prefeito de Paris, Bertrand Delanoë desistiu de ser candidato e apoia Aubry. LF

LE MONDE

14 h 17 – Pour Razzy Hammadi, seule Martine Aubry “peut préserver l’unité du parti”

Razzy Hammadi, secrétaire national proche de Benoît Hamon, a déclaré qu’une victoire de Martine Aubry était “la condition sine qua non pour préserver l’unité du parti et entamer une rénovation” du PS. Pour ce proche de Benoît Hamon, “le renouvellement, ce n’est pas simplement le papier glacé, c’est d’abord un contenu“. “Etre soutenu par celui qui a été l’auteur d’un ouvrage intitulé : ‘il faut saborder le PS’, il y a mieux comme rénovation !”, a-t-il lancé. En novembre 2007, Georges Frêche avait fait paraître sous ce titre un livre d’entretiens.

13 h 40 – Delanoë : Aubry est plus “crédible et compétente” que son adversaire

“Martine est vraiment la candidate, le premier secrétaire qui peut le mieux” être “crédible et compétente sur la question sociale”, a déclaré le maire de Paris Bertrand Delanoë. Selon lui, la maire de Lille “aura plus facilement une majorité politique et ce sera important pour la solidarité du parti pendant trois ans”. A l’inverse, “Ségolène a du caractère, des qualités, mais elle personnaliserait trop les choses si elle gagnait, et elle tendrait un petit peu les rapports” au sein du parti, a-t-il indiqué.

13 h 25 – Royal “cueillera la poire dans deux ans toute mûre”, selon Georges Frêche

L’ex-socialiste et président divers-gauche de la région Languedoc-Roussillon, Georges Frêche, a estimé que Martine Aubry avait deux chances sur trois de l’emporter face à l’ancienne candidate socialiste à la présidentielle.  Mais “si c’est Ségolène qui perd, c’est sa chance”, a-t-il déclaré. “Parce que si elle perd, (…) elle va rester tapie pendant deux ans hors des coups et des flèches pour préparer l’avenir. Et les autres, qui ont cinq présidentiables dans leurs rangs, se battront comme des chiens pendant deux ans”. Alors Ségolène Royal “cueillera la poire dans deux ans toute mûre”, en a conclu Georges Frêche.

13 h 00 – Aubry : “Si je gagne, je tendrai la main à Ségolène”
Pour Martine Aubry, le “renouvellement” aura lieu au PS quel que soit le résultat du vote des militants, l’élection d’une femme à la tête du parti constituant en soi “une révolution”.  Ce renouvellement aura lieu “aussi et peut-être surtout” par “la mixité que je m’engage à faire partout, par de nouveaux visages, par le renouvellement des générations”, a-t-elle ajouté. “Si je gagne, je tendrai la main à Ségolène, ce sera la première à qui je passerai un appel pour lui dire : nous ne sommes pas rassemblées sur la même ligne politique mais nous devons être unies pour les Français”, a-t-elle réaffirmé. “Si je perds, j’attendrai qu’elle me passe un coup de téléphone et moi, je travaillerai toujours pour mon parti”, a-t-elle assuré.

12 h 15 – Royal lance un appel aux partisans de Benoît Hamon
Ségolène Royal s’est présentée vendredi comme “la garantie de ce changement, de cet ancrage à gauche, mais aussi de l’ouverture sur toutes les idées neuves” à laquelle aspirent les militants, notamment “celles et ceux qui ont voté pour Benoît” Hamon. Elle a promis de s’ouvrir aux autres équipes et de les intégrer à la direction du parti.

Discours de Ségolène Royal – 20 11 2008
envoyé par lespoiragauche

11 h 55 – Derniers résultats
D’après les nouveaux chiffres communiqués vendredi par le parti, Ségolène Royal a obtenu jeudi 42,51% des voix au premier tour de l’élection du premier secrétaire du PS, devant Martine Aubry à 34,70% et Benoît Hamon à 22,79%. Ces résultats tiennent compte du vote de 230 442 électeurs sur 232 912 inscrits, moins ceux de la fédération de la Guadeloupe.

10 h 20 – Hamon craint un scrutin “serré”
“Arithmétiquement”, la maire de Lille devrait l’emporter mais le scrutin “s’annonce serré”, a déclaré Benoît Hamon sur LCI, évoquant “une très grand lassitude des militants”.

07 h 00 – Le courant Aubry conteste les résultats officiels
Christophe Borgel, mandataire national de la motion Aubry, a formellement contesté les nouveaux chiffres de la direction attribuant 43,10% des voix à Ségolène Royal, et 34,50% à Martine Aubry Des chiffres “différents de ceux donnés lors de l’annonce officielle des résultats une heure plus tôt”. “Il s’agit soit d’une erreur, soit d’une manipulation qui vise à essayer de montrer que le résultat de Ségolène Royal est plus haut qu’annoncé initialement et qu’elle a déjà gagné, avant même le second tour”. Les premiers résultats ne tenaient pas compte des votes en Nouvelle-Calédonie, à Wallis et Futuna, en Polynésie, à Saint-Pierre-et-Miquelon, en Guyane et Martinique, soit 260 bulletins, en se basant sur la participation au vote du 6 novembre. “Même en admettant que toutes ces voix soient allées à Ségolène Royal, cela représente un écart de 0,1 point par rapport à son résultat annoncé officiellement par la direction”, a argué M. Borgel.

03 h 35 – Manuel Valls y croit
Ce proche de Ségolène Royal estime le second tour “très, très gagnable”. “Plus de 11 000 voix d’avance nous séparent de Mme Aubry. L’arithmétique n’est absolument pas la dynamique dans une campagne électorale, quelle qu’elle soit”, a-t-il déclaré. Le député compte notamment sur une plus grande mobilisation des “militants qui ne sont pas venus voter lors de ce premier tour”.

02 h 30 – Aubry promet de “changer” le parti
“Heureuse”
du ralliement de Benoît Hamon, la maire de Lille a promis de “changer profondément le parti socialiste, de le renouveler dans sa composition, dans ses comportements, dans son attitude vis-à-vis de la société et de porter les valeurs de gauche”, si elle est élue vendredi.

02 h 00 – Hamon appelle à voter “massivement” pour Aubry au deuxième tour
Arrivé troisième lors du premier tour de l’élection du premier secrétaire du PS, Benoît Hamon a appelé dans la nuit de jeudi les militants socialistes ayant voté pour lui à apporter “massivement” leur voix à Martine Aubry. “Mon choix est dicté par ce que je crois être l’intérêt de la gauche” en pensant à “celles et ceux qui attendent de la gauche une alternative à la droite”, a déclaré l’eurodéputé. Il a recueilli 22,8% des voix en métropole soit 30 880 suffrages, derrière Ségolène Royal (43,1%) et Martine Aubry (34,5%).

14/11/2008 - 16:28h França: Presidente do FMI e candidato socialista em 2012?

Il reste une trace de DSK au congrès du Parti socialiste

Une carte postale de Dominique Strauss-Kahn vendue à Reims (Julien Martin/Rue89)

(De Reims) Il est loin de Reims et il en est heureux, puisque c’est son choix. Alors que ses camarades socialistes se préparent à vivre trois jours à couteaux tirés, Dominique Strauss-Kahn, assiste au sommet du G20 à Washington, en sa qualité de président du FMI. Certainement en pensant que ça a quand même plus d’allure d’essayer de trouver un accord pour sortir de la crise financière, que de tenter de relever un parti en miette.

La résidait son pari il y a plus d’un an, en se faisant élire à la tête du Fonds monétaire international: reculer pour mieux gagner en 2012. Se mettre au-dessus des joutes socialistes pour réapparaître en homme providentiel à l’approche de la prochaine présidentielle, si le PS n’a toujours pas réussi à renaître de ses cendres.

Le meilleur candidat du Parti socialiste en 2012

Une partie du pari est d’ores et déjà gagnée. Face à un PS morcelé qui a toutes les peines du monde à dégager une majorité claire, DSK apparaît , selon un récent sondage du JDD, comme le meilleur candidat du Parti socialiste en 2012, selon les Français (34% des personnes interrogées) comme pour les sympathisants socialistes (30%).

Et il s’est bien gardé de toute intervention dans les débats qui agitent le parti depuis plusieurs mois. Aucune déclaration officielle sur le sujet. Tout juste a-t-il invité à dîner Martine Aubry dans son riad de Marrakech le 15 août dernier. Mais rien de notable n’a filtré de la rencontre.

Un courant éclaté sitôt son départ acté

Il est en revanche une autre partie du pari beaucoup plus ardue à remporter. Se remettre d’abord de sa médiatique aventure avec son ex-collègue du FMI, même si le retentissement en France a été moindre qu’aux Etats-Unis. Mais surtout retrouver ses troupes socialistes en cas de retour aux affaires du parti.

Son courant a en effet éclaté sitôt son départ acté pour la capitale américaine. Il avait pourtant pris soin de poser des balises et de nommer des gardiens de la maison strauss-kahnienne. A Pierre Moscovici les clés d’une fondation en devenir sur la mondialisation, à Jean-Christophe Cambadélis celles de son club de réflexion “Socialisme et démocratie”, à Jean-Marie Le Guen celles du mini-groupe à l’Assemblée nationale.

Les ambitions mêlées ne font cependant jamais bon ménage, et “Mosco” et “Camba” se déchirent. Après une tentative de cavalier seul qui a fait long feu, le premier se rallie tête basse à la motion de Bertrand Delanoë, suivi par Jean-Marie Le Guen. Quand le second ajoute encore de la diversité à l’hétéroclite attelage que mène Martine Aubry.

Tout en bas du présentoir à cartes postales à Reims

Les strauss-kahniens à l’Assemblée nationale ne sont pas plus audibles que le reste du Parti socialiste, ladite fondation n’en est toujours qu’au stade de projet, et “Socialisme et démocratie” a été fondu avec le club de réflexion d’Arnaud Montebourg, “Rénover maintenant”. Dire que le même Arnaud Montebourg faisait, il y a trois ans encore, partie des “gauchistes” du Nouveau Parti socialiste…

De là où il est, même avec une bonne paire de jumelles, DSK ne doit plus reconnaître ses petits. Des petits qui, pour le reconnaître, devront eux regarder à la loupe tout en bas du présentoir à cartes postales vendues à Reims. Un ancien portrait non daté de leur mentor, en noir et blanc, au milieu d’autres archives photographiques. Il reste tout de même une trace de Dominique Strauss-Kahn au congrès du Parti socialiste.

14/11/2008 - 15:56h França: Congresso do Partido Socialista procura uma sínteses

http://referentiel.nouvelobs.com/file/526439.jpghttp://www.lejdd.fr/images/200825/54027aubry.jpg
Ségolène Royal, Bertrand Delanoë e Martin Aubry, o trio em disputa pela liderança dos socialistas franceses

Cinq enjeux pour un congrès

Le Monde – Christine Garin et Jean Michel Normand

1. Peut-il se doter d’un leader ?

Depuis le retrait de Lionel Jospin, en 2002, le Parti socialiste (PS) ne parvient pas à se choisir un leader incontesté. François Hollande ne s’est jamais imposé dans l’opinion et Ségolène Royal a porté les espoirs de la gauche à l’élection présidentielle de 2007 sans entraîner tout le PS derrière elle. Cette crise de leadership (et son corollaire, la bataille des chefs) nuit à l’image que les socialistes donnent d’eux-mêmes. Et empêche le parti de s’inscrire dans le jeu des institutions de la Ve République qui ont installé l’élection présidentielle au centre de la vie politique.

Le mode de désignation du premier secrétaire – élu par l’ensemble des adhérents le 20 novembre – plaide pour des candidatures de personnalités emblématiques. Ségolène Royal, qui porte l’idée d’une modernisation du parti, dispose d’une aura dont les autres dirigeants socialistes sont privés. Elle bénéficie, en outre, de l’acquis de sa campagne présidentielle. Sa motion est arrivée en tête mais sa personnalité reste controversée. Elle est considérée par certains comme un élément extérieur au PS, ce qui rend plus ardue sa capacité à réaliser une synthèse.

Martine Aubry, qui symbolise une pratique et un discours plus traditionnels, peut, elle aussi, prétendre concourir. Tout comme Benoît Hamon, nouvelle figure de l’aile gauche. Mais il leur faudrait, pour être élus, parvenir à construire une alliance alternative sur un projet qui serait forcément en opposition avec la motion qui a été placée en tête par les militants.

Le ou la futur(e) premier(e) secrétaire ne portera pas forcément les couleurs du PS à l’élection présidentielle de 2012. Parmi les partisans de Mme Royal, mais aussi chez certains de ceux qui soutiennent Bertrand Delanoë ou Martine Aubry, l’idée d’organiser des “primaires ouvertes” aux sympathisants fait son chemin.

2. Peut-il avancer des idées neuves ?

Jusqu’à présent, le PS est apparu comme un parti en fin de cycle. Faute d’avoir su renouveler son logiciel, il s’est retrouvé distancé par une droite qui a refait synthèse derrière Nicolas Sarkozy. Néanmoins la réflexion a avancé sur plusieurs points.

Inspiré des pays sociaux-démocrates d’Europe du Nord, le concept d’un “Etat préventif”, capable de s’attaquer en amont aux inégalités sociales (notamment en matière d’éducation et de santé), est évoqué. Alors que l’allergie à l’impôt se développe, il permet de dépasser la question de l’Etat-providence. L’idée du donnant-donnant fait son chemin : le PS suggère de n’accorder que sous conditions (conclusion d’un accord salarial, actions de reclassement, entreprises exportatrices) les allégements de charges dont bénéficient les entreprises.

Ségolène Royal va plus loin et demande que les entreprises bénéficiaires qui délocalisent remboursent les aides publiques qu’elles ont pu recevoir. Le thème du développement durable est mieux pris en compte que par le passé. En revanche, la réflexion du PS sur des sujets comme la protection sociale, l’immigration, les nouvelles technologies mérite d’être approfondie.

3. Peut-il retrouver un discours européen?

Il est loin le temps où les échanges entre Lionel Jospin, tenant du “réformisme de gauche”, et Tony Blair ou Gerhard Schröder, artisans du social-libéralisme, dominaient les débats au sein d’une social-démocratie européenne en plein renouveau. Presque partout, la gauche a quitté le pouvoir et le PS ne joue plus qu’un rôle secondaire au sein du Parti des socialistes européens (PSE), en raison principalement des profondes divisions nées du référendum constitutionnel de 2005.

Dans cette période économique troublée, sa faible audience internationale est d’autant plus curieuse que deux de ses proches occupent des fonctions importantes : Dominique Strauss-Kahn au Fonds monétaire international (FMI) et Pascal Lamy à l’Organisation mondiale du commerce (OMC). A priori, les élections européennes de juin 2009 s’annoncent délicates pour le PS, qui avait réalisé, en 2004, un score élevé (28,9 %). Face à la crise économique, le PS va bâtir sa campagne autour d’une plate-forme commune avec le PSE. Le message sera centré sur la nécessité d’instaurer une puissance publique européenne et des instruments de régulation efficaces de la sphère financière.

4. Peut-il se rénover?

Vieux, usé, fatigué : ces qualificatifs, adressés par Lionel Jospin à Jacques Chirac pendant la campagne présidentielle de 2002, pourraient parfaitement s’appliquer aujourd’hui au PS, au moins dans la perception qu’en ont l’opinion et de nombreux adhérents. La rénovation du parti sera un enjeu central du congrès, avec une ligne de partage entre la motion de Bertrand Delanoë et celle de Ségolène Royal. Martine Aubry reste, elle, dans une réserve prudente sur la question. Forte du mouvement d’adhésion – large mais éphémère – qu’elle avait suscité avant les primaires socialistes à l’automne 2006, Mme Royal défend l’idée d’un “parti de masse”. Une orientation qui vise à “ringardiser” ceux qu’elle appelle les tenants du “vieux parti”, à commencer par le maire de Paris qui reste arc-bouté sur le principe d’un “parti de militants” dans la tradition jospinienne.

L’ancienne candidate à l’élection présidentielle veut changer, pour sa part, la nature du parti et repousser ses limites. Le PS façonné par François Mitterrand est un parti d’élus et une machine électorale qui a n’a jamais dépassé 220 000 adhérents. C’est le parti “d’une avant-garde”, selon l’expression de Lionel Jospin, pas un parti de masse. Mme Royal souhaite modifier tout cela. Elle plaide pour “un grand parti, démocratique, populaire et de mobilisation sociale”, avec des responsabilités “décentralisées aux fédérations”, et qui développe “de nouvelles formes de militantisme” en direction des salariés et de la société civile. Pour recruter de nouveaux adhérents, elle envisage, en outre, un montant de cotisation symbolique.

La question des primaires reste à régler même si Mme Royal l’a mise, provisoirement, au “Frigidaire”. L’ancienne candidate n’a jamais caché qu’elle entendait poursuivre dans la voie ouverte en 2006, même si elle n’a jamais précisé ses intentions – primaires ouvertes aux autres partis de gauche ou aux seuls sympathisants socialistes -, les fameux “adhérents à 20 euros revisités” ? M. Delanoë est, pour sa part, hostile à tout dispositif de désignation du candidat à l’élection présidentielle qui déborderait le cadre strict des “militants” dûment estampillés.

5. Peut-il faire alliance avec le centre?

Son nom est rarement prononcé mais l’ombre du président du MoDem, François Bayrou, plane sur le congrès. Faux procès ou vrai clivage ? La question des alliances avec le centre a pesé lourd dans la campagne du congrès de Reims. Bertrand Delanoë qui a pu sans difficulté, pour sa réélection à la Mairie de Paris en mars, se passer d’une alliance avec le MoDem, en a fait un sujet de divergence affiché avec Ségolène Royal. Cette dernière avait, en vain, tendu la main à François Bayrou entre les deux tours de l’élection présidentielle.

Par ailleurs, les élections municipales ont été l’occasion d’alliances locales avec le MoDem, à Lyon, Dijon, Lille, Grenoble ou Marseille. Elles ont concerné des élus signataires de la motion de M. Delanoë comme de celle de Mme Aubry, ainsi que Mme Aubry elle-même. En septembre, le bras droit de Mme Royal, le député européen Vincent Peillon, avait déclaré à Libération : “Si l’on veut battre la droite de Sarkozy, il faudra bien entrer dans un débat sincère avec les centristes qui pourrait déboucher à terme sur un contrat de gouvernement.”

Depuis, Mme Royal s’efforce de désamorcer ce débat. Dans le document de travail “ouvert” qu’elle a remis aux tenants des autres motions, lundi 10 novembre, elle souligne qu’il faut “fédérer la gauche”. “La stratégie des socialistes a toujours consisté d’abord à rassembler la gauche, toute la gauche, autour d’un contrat de gouvernement, stipule le texte (…). C’est à partir de cette stratégie que les socialistes ont vocation à s’adresser seulement ensuite à toutes les forces susceptibles de se reconnaître dans le projet socialiste pour battre la droite.”

Christine Garin et Jean Michel Normand

21/08/2008 - 21:20h Antonio Candido: “Preservo convicções socialistas”

Claudio Leal/Terra Magazine
Intelectual do ano, Antonio Candido reafirma suas convicções políticas
Intelectual do ano, Antonio Candido reafirma suas convicções políticas

Antonio Candido

(Discurso do crítico literário Antonio Candido, 90 anos, ao receber o prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE), no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, na noite de 20 de agosto de 2008). Fonte Terra Magazine.

Agradeço as palavras do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, detentor do Prêmio Juca Pato ao qual tenho o privilégio de suceder como agraciado pela mesma honraria. Agradeço também muito à União Brasileira de Escritores, representante dos confrades que me consideraram merecedor deste simpático e famoso troféu, declarando a minha gratidão a cada um desses confrades.

Leia também:
» Antonio Candido: “Não dou entrevistas, nem leio obras novas”

O troféu Juca Pato tem para mim grande significado, inclusive porque as entidades que o criaram foram importantes na minha carreira intelectual. Uma é sucessora da Associação Brasileira de Escritores, a outra é sucessora da Folha da Manhã, e a ambas se prende a fase inicial da minha atividade de crítico literário e de intelectual participante, como se dizia naquele tempo.

Em 1942 a Associação Brasileira de Escritores foi fundada no Rio de Janeiro com uma finalidade ostensiva e outra implícita. Ostensivo era o intuito de lutar pela regularização dos direitos autorais, então muito desrespeitados. Implícito era o ânimo de lutar contra a ditadura do Estado Novo e seu duro arrocho em relação à liberdade de pensamento e de expressão. Eu estava presente ao encontro fundador da seção paulista, do qual saiu a deliberação de eleger Sérgio Milliet seu presidente, pois Mário de Andrade, que também estava ali, recusou o cargo, ficando discretamente como vice. A mim, jovem principiante, foi atribuída a função de 2o. secretário, não devido a mérito pessoal, mas como reconhecimento de um grupo de moços ao qual eu pertencia e estava se lançando na vida intelectual com a nossa revista Clima, cujo título passou a nos designar: éramos o “grupo de Clima”.

Na seção paulista da ABDE, sigla com a qual a Associação ficou famosa, participei da organização e da realização do histórico Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores, que teve lugar em São Paulo no mês de janeiro de 1945 e foi um movimento significativo de oposição ao regime, que aliás começou a se dissolver no mês seguinte. Mais tarde, em 1949, fui eleito presidente da seção de São Paulo e nessa qualidade presidi o Segundo Congresso Paulista de Escritores, realizado naquele ano em Jaú. A declaração de princípios deste congresso afirmou que o dever básico do escritor é a fidelidade à sua vocação, não a obediência a imperativos externos, aos quais poderia, no entanto, servir como intelectual em sentido amplo. Isso era uma retificação à tendência demasiado política justificada em tempo de ditadura. Pouco depois esse problema gerou a cisão que dividiu a entidade, recomposta felizmente mais tarde com o nome atual.

Quanto à outra instituidora, menciono que em 1943 tornei-me o que se denominava então “crítico titular” do jornal Folha da Manhã, que mudara de proprietário e passava por uma reforma modernizadora. Ligado aos autores desta era o meu grande amigo e companheiro da revista Clima Lourival Gomes Machado, que se encarregou da crítica de arte. Como os reformadores queriam estabelecer um rodapé semanal de crítica literária, ele me indicou para esta tarefa de grande responsabilidade. O meu nome foi aceito e eu, verde principiante, assumi o compromisso de fornecer semanalmente um artigo de cinco a seis laudas tamanho ofício a dois espaços sobre os livros da hora. Foi nessa tarefa, não na Universidade, que me formei como crítico, pois sou licenciado em Ciências Sociais, não Letras, e naquele tempo dava aulas de Sociologia. O meu tirocínio foi portanto adquirido dentro da tradição franco-brasileira do jornalismo, o que me ensinou antes de mais nada a procurar clareza e simplicidade na escrita. Sou, portanto, um crítico de jornal que passou mais tarde ao ensino da literatura, o contrário do que é freqüente em nossos dias.

Aquele momento era de intensa politização dos intelectuais, segundo o espírito predominante no decênio que sucedeu ao movimento armado de 1930. Eu embarquei nesse rumo, politizando talvez um pouco demais a minha atividade crítica, mas correspondendo assim ao ânimo de militância que era o dos intelectuais contrários à ditadura do Estado Novo. Afinado com as tendências radicais do momento, assumi então posições socialistas que não abandonei mais e continuam a nortear as minhas convicções relativas à necessidade de transformar profundamente a nossa sociedade desigual e mutiladora.

Mas não posso ir adiante sem mencionar que na redação da Folha da Manhã conheci e vi muitas vezes ninguém menos que o inventor do popular Juca Pato, personagem pitoresco que dá o nome a este prêmio. Refiro-me a Benedito Carneiro de Bastos Barreto, famoso sob o pseudônimo de Belmonte, escritor e desenhista de alto valor, um dos mais altos praticantes da caricatura no Brasil. Era um homem discreto e cortês, de pouca fala, mas muito simpático. Naquela altura participava da luta ideológica por meio de charges mordazes contra o nazismo.

Tendo mencionado dois motivos que contribuem para fazer deste prêmio uma alegria para mim, resta mencionar como terceiro o fato de ser ele conferido neste local. Estudei na Faculdade de Direito durante sete anos, dois no chamado “pré-jurídico”, designação corrente na 1a. Seção do Colégio Universitário Anexo à Universidade de São Paulo, mais cinco no bacharelado, sendo que os três primeiros de maneira assídua e os dois últimos com muita ausência, acabando por não prestar em segunda época os exames finais, segundo o sistema da época e segundo também a minha intenção.

Portanto sou quase bacharel e sempre me senti uma espécie de aluno permanente que ainda não cumpriu a tarefa, mas tenho a honra de ser bacharel do XI de Agosto, grau que me foi conferido solenemente por uma turma de formandos. Por isso trago neste momento na lapela o distintivo do Centro, quase igual ao que, em seguida ao trote de 1939, depois de raspado o cabelo e pagas as devidas taxas, recebi junto com a flâmula e o diploma de burro em bom latim macarrônico, diploma que conservo como antídoto salutar contra eventuais assomos da vaidade…

Foi nesta Casa que comecei a militar contra as ditaduras, como um dos fundadores do Partido Libertador, surgido aqui em 1939, quando eu estava no primeiro ano do bacharelado, e que não deve ser confundido com o de âmbito nacional de mesmo nome, criado sob a inspiração de Raul Pilla. Mais tarde fui também um dos fundadores da Frente de Resistência, formada quando eu estava no 5o. ano por estudantes liberais e socialistas desta e de outras faculdades, que desenvolveu uma atividade ponderável apesar dos apertados limites impostos pela censura e a repressão.

O que estou dizendo se refere cronologicamente aos anos de 1940, isto é, mais de meio século atrás. Portanto, os generosos confrades da União Brasileira de Escritores foram buscar um intelectual bem antigo, bem fora do tempo, para confortá-lo com esta distinção consagradora. Devo ser de fato tão antiquado, que venho sendo definido em algumas instâncias como “ilustrado”, devidamente entre aspas, e como alguém preso a uma visão de tipo teleológico da história e do pensamento. Devo esclarecer que, ao contrário do que se poderia pensar, considero esta restrição um elogio. Ela quer dizer que me mantenho fiel à tradição do humanismo ocidental definida a partir do século XVIII, segundo a qual o homem é um ser capaz de aperfeiçoamento, e que a sociedade pode e deve definir metas para melhorar as condições sociais e econômicas, tendo como horizonte a conquista do máximo possível de igualdade social e econômica e de harmonia nas relações. O tempo presente parece duvidar e mesmo negar essa possibilidade, e há em geral pouca fé nas utopias. Mas o que importa não é que os alvos ideais sejam ou não atingíveis concretamente na sua sonhada integridade. O essencial é que nos disponhamos a agir como se pudéssemos alcançá-los, porque isso pode impedir ou ao menos atenuar o afloramento do que há de pior em nós e em nossa sociedade. E é o que favorece a introdução, mesmo parcial, mesmo insatisfatória, de medidas humanizadoras em meio a recuos e malogros. Do contrário, poderíamos cair nas concepções negativistas, segundo as quais a existência é uma agitação aleatória em meio a trevas sem alvorada.

É com este espírito talvez obsoleto de velho intelectual participante, como se dizia naquele tempo, que aqui estou para agradecer de coração esta desvanecedora homenagem.

Antonio Candido, 90 anos, é crítico literário, ensaísta, autor de “Formação da Literatura Brasileira”, entre outros livros. Vencedor do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano de 2007, é professor emérito da USP.

09/07/2008 - 11:02h Erundina anuncia apoio a Marta

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Cristiane Agostine – VALOR

Ex-prefeita e uma das fundadoras do PT, a deputada federal Luiza Erundina (PSB) declarou ontem apoio à candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, e defendeu a extensão da aliança entre o PT e os partidos do bloco de esquerda para 2010. “Marta, conte comigo”, discursou a ex-petista, que se desligou da sigla em 1997.

Depois de receber homenagens de petistas em um seminário sobre habitação organizado pelo partido, Erundina demonstrou que estava satisfeita com o apoio do PSB, juntamente com o PDT e PCdoB à Marta. “A composição das forças democráticas e populares em torno da tua candidatura (de Marta Suplicy), de um projeto para São Paulo, sem dúvida nenhuma tem uma dimensão política, tem um componente político que vai para além de 2008. Transborda para 2010 e politicamente marca o processo político nacional”, disse.

“Eu discutia, eu defendia que aqueles partidos que compõe o chamado bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) estivessem em uma aliança com o PT, com Marta, para que se pudesse configurar um outro campo político ideológico”, discursou a deputada. Na eleição passada, Erundina não apoiou Marta no primeiro turno e saiu candidata.

Ontem, Erundina foi muito aplaudida por uma platéia de cerca de 400 pessoas, composta por militantes petistas, lideranças de movimentos sociais, políticos e estudantes. Marta Suplicy elogiou as ações da hoje socialista e lembrou das dificuldades enfrentadas quando Erundina foi prefeita. “Quero lembrar que há 20 anos São Paulo elegeu uma mulher nordestina e do PT”, comentou Marta.

A deputada, visivelmente emocionada, começou seu discurso falando as negociações de seu partido com o PT e depois disse que não “precisava ser vice-prefeita”. “Mas eu queria um governo de esquerda”, explicou. Ela foi convidada para compor a chapa de Marta, mas seu partido não aceitou o cargo de vice. “Estou absolutamente tranqüila e feliz de a decisão ter sido não aquela que eu defendia, mas a mais correta e justa para São Paulo”, ponderou. O vice de Marta é o deputado Aldo Rebelo, do PCdoB.

Ontem, Marta teve outra boa notícia: por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) acolheu recurso e revogou a decisão de primeiro grau que a multou e à empresa Folha da Manhã, por entender que houve propaganda antecipada em uma entrevista concedida pela petista à “Folha de S.Paulo”. O TRE também cancelou por unanimidade multa contra a Editora Abril, por entrevista à revista “Veja São Paulo”.

Segundo o relator do recurso movido pela “Folha”, desembargador Walter de Almeida Guilherme, as questões citadas na sentença de primeiro grau ficaram “prejudicadas” depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicar uma nova resolução, modificando a disposição sobre propaganda eleitoral que deu margem para as ações contra veículos de comunicação.

Os ministros do TSE revogaram o artigo 24, que proibia os pré-candidatos de “expor propostas de campanha” antes do início da campanha, e criaram um novo artigo que diz: “Os pré-candidatos e candidatos poderão participar de entrevistas, debates e encontros antes de 6 de julho de 2008″.

Depois do voto do relator, o juiz Paulo Octávio Baptista Pereira fez questão de dizer que também votaria pela retirada da multa mesmo sem a nova resolução do TSE. A entrevista de Marta à “Folha” foi publicada no dia 4 de junho e à “Veja São Paulo” ? , na edição de 4 a 11 de junho. (Com agências noticiosas)

18/06/2008 - 11:43h Violeta Arraes, a “Rosa de Paris”, morre aos 82

Ex-secretária de Cultura do Ceará, irmã de Miguel Arraes, ajudou os exilados brasileiros na França durante a ditadura

“Ficará a lembrança de uma pessoa completa, incrível”, diz Danuza Leão; socióloga, que vivia no Rio de Janeiro, sofria de câncer de pulmão

Sid Barbosa – 16.set.98/Agência Diário
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A socióloga Violeta Arraes

DA SUCURSAL DO RIO Morreu ontem pela manhã no Rio de Janeiro, aos 82 anos, vítima de um câncer no pulmão, a socióloga Violeta Arraes, ex-secretária de Cultura do Ceará e irmã do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes.
Além das atividades acadêmicas que desenvolveu e da ligação com os meios artísticos, culturais e políticos no país e no exterior, Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau ficou conhecida pelo apoio que deu aos exilados brasileiros na França na ditadura. Ficou conhecida como a “Rosa de Paris”.
“Violeta foi a alma da Frente Brasileira de Informações, fundamental para a denúncia dos crimes contra os direitos humanos cometidos pela ditadura. Ela era mais do que uma referência: como estava acima das divisões entre partidos e grupos políticos, conversava com todos, aglutinava todos”, disse Aloysio Nunes Ferreira Filho, atual secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo, exilado na França por 11 anos.
Casada com o militante socialista Pierre Gervaiseau, a “independência” de Violeta fez com que sua casa se transformasse, inicialmente, em uma referência para intelectuais e artistas perseguidos pelos militares. Depois, numa referência para a divulgação da arte e da cultura brasileiras na França.
No Brasil, antes do golpe militar, Violeta foi presidente da Juventude Universitária Católica de 1948 a 1950 -na época, tornou-se assistente de dom Hélder Câmara. Em 1951, estudou no Centro Internacional de Economia e Humanismo, em Paris, onde conheceu Gervaiseau, com quem se casou no Recife. Lá, participou do Movimento de Cultura Popular, ao lado do educador Paulo Freire.
Esteve ao lado do irmão Miguel Arraes nos momentos que culminaram com a deposição e a prisão do então governador de Pernambuco, em 1º de abril de 1964. Foi presa, com o marido, quando ia ao encontro de dom Hélder Câmara, então arcebispo de Recife e Olinda. Quatro meses depois, os militares lhe impuseram o exílio.
Na França, fez pós-graduação em psicologia, exercendo por muitos anos a função de psicoterapeuta -tendo ajudado muitos brasileiros traumatizados pela tortura, como revelou o historiador Luiz Felipe de Alencastro, 62, professor da Universidade de Paris.
Além disso, “numa época em que a Embaixada brasileira negava passaportes até para os recém-nascidos, porque filhos de exilados não tinham passaporte, ela funcionou um pouco como a Embaixada brasileira anexa de todo mundo que andava por aqui no exílio”. Violeta ajudou também os exilados chilenos, que começaram a chegar à França após o golpe de Augusto Pinochet, e o movimento anticolonialista em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.
“Violeta era de uma generosidade sem tamanho”, disse a escritora Danuza Leão: “Além da importância que teve na história contemporânea do Brasil, para quem conviveu com ela ficará a lembrança de uma pessoa completa, incrível”.
Em 1979, com a anistia, Violeta regressou ao país. Voltou à França em 1984, para trabalhar como adida cultural na Embaixada brasileira. De Paris, voltou ao Ceará, para assumir a Secretaria de Cultura, em 1987.
Dez anos depois, foi nomeada reitora da Universidade Regional do Cariri. Em seguida, fundou uma ONG voltada para preservação da região onde nasceu, a chapada do Araripe, localizada na junção dos Estados do Ceara, Pernambuco e Piauí. Nos últimos anos, lutava contra o câncer e morava no Rio, onde corpo será velado.

18/04/2008 - 15:18h Novamente, Aimé Césaire (Não encontrei nada nos jornais brasileiros)


Aimé Césaire

Murió el poeta de la negritud

El poeta y político de Martinica Aimé Césaire falleció hoy a los 94 años

PARIS (EFE).– El poeta y político de Martinica Aimé Césaire falleció hoy a los 94 años de edad en un hospital de Fort-de-France donde permanecía ingresado desde hacía una semana, informaron medios locales.

Considerado el apóstol de la “negritud” junto al senegalés Léopold Sédar Senghor y el guayanés Léon-Gontran Damas, Césaire fue durante años diputado de la isla caribeña de Martinica y primer edil de su capital, de la que hasta su muerte fue alcalde de honor.

El poeta ingresó el pasado 9 de abril por problemas cardiacos en el hospital universitario de Fort-de-France y enseguida fue trasladado a la unidad de cuidados intensivos dado su grave estado.

Según el centro hospitalario, Césaire falleció a las 9.20 horas GMT.

El Ministerio francés del Interior indicó que se organizarán funerales nacionales para el poeta y político en una fecha que todavía no ha sido precisada, pero que será decidida en concertación con la familia y con las autoridades de Martinica.

El presidente, Nicolas Sarkozy, rindió homenaje al político y literato pese a que, en vida, Césaire se negó a reunirse con él cuando todavía era ministro del Interior disconforme con una ley que reconocía el papel positivo de la metrópoli en las colonias.

“Espíritu libre e independiente, encarnó durante toda su vida el combate por el reconocimiento de su identidad y de la riqueza de sus raíces africanas”, aseguró Sarkozy, para quien Césaire quedará “como el símbolo de la esperanza de todos los pueblos oprimidos”.

El secretario general de la Organización Internacional de la Francofonía, Abdou Diouf, rindió homenaje “al poeta que supo tomar las dimensiones del universo sin dejar de estar ligado a los valores culturales del mundo negro”.

En la Asamblea Nacional -cámara de diputados-, donde Césaire se sentó en representación de Martinica entre 1945 y 1993, se le rindió un homenaje al tiempo que se recordó que el martiniqués batió el récord de longevidad parlamentaria desde el final de la Segunda Guerra Mundial.

Algunas voces, como la de la ex candidata presidencial socialista Ségoláne Royal, pidieron que Césaire sea enterrado en el Panteón de París, que alberga a algunas de las mayores figuras de las letras francesas.

Césaire se convirtió en un símbolo de Martinica y en una figura central de la política y la cultura antillana.

Desde que en su libro “Cahier d´un retour au pays natal” (Cuaderno del retorno al país natal) empleara por primera vez en 1947 la palabra “negritud”, el poeta encabezó la lucha anti-colonial de los territorios franceses.

Amigo de Léopold Sédar Senghor, padre de la independencia de Senegal, y del guayanés Léon-Gontran Damas, a los que conoció en sus años de estudiante en París, Césaire entró en política de la mano del Partido Comunista, pero pronto fundó su propia formación, el Partido Progresista Martiniqués (PPM).

El PPM reivindicaba la existencia de una comunidad martiniquesa y apostaba por una amplia autonomía, no por la independencia.

En las Presidenciales de mayo pasado, Césaire encabezó el comité de apoyo a la candidata socialista.

Entre sus publicaciones más importantes destacan, en poesía, “Les Armes miraculeuses”, “Soleil cou coupé”, “Corps perdu (grabados de Picasso”), “Ferrements,” o “Cadastre”.

En teatro, “Et les chiens se taisaient”, “La Tragédie du roi Christophe”, “Une saison au Congo” y “Une tempête, d´aprás ´La Tempête de William Shakespeare: adaptation pour un théâtre nágre”.

También los ensayos “Esclavage et colonisation”, “Discours sur le colonialisme” o “Discours sur la négritude” y, en historia, “Toussaint Louverture, La révolution Française et le probláme colonial”.

07/04/2008 - 13:57h Nicolás Casullo: “a briga dos Kirchner com a mídia é positiva”

El pensador argentino sostiene en Las cuestiones (Fondo de Cultura Económica) que las utopías pertenecen al pasado. En esta entrevista, dice que el fracaso de la revolución socialista ha cancelado en cierto modo no solo el futuro de las sociedades, sino también el de la historia. Pero las marcas de esa tradición han hecho que en la Argentina subsista un fuerte sentido de reivindicación social


Casullo Foto: Rafael Calviño

Por Alejandra Folgarait – Para LA NACION – BUENOS AIRES, 2008

En una vieja casa con escaleras de mármol que se resiste a formar parte del Barrio Norte porteño, Nicolás Casullo tiene su hogar y su escritorio tapizado de libros. Con amabilidad y calma que contrastan con su fama de polemista rebelde, recibe a adn CULTURA en un día caluroso. En cuanto se sienta en su sillón de trabajo, el hombre de letras rinde homenaje a los autores que ama: Sartre y Cortázar, Martínez Estrada y Faulkner, Marx y Borges, Macedonio Fernández y Shakespeare iluminan la mirada del profesor de Historia de las Ideas y de Historia del Arte de la Universidad de Buenos Aires y de la Universidad de Quilmes.

El autor del libro Las cuestiones (FCE, 2007) recupera el concepto de memoria para ubicar la utopía no en lo que vendrá sino en el pasado, en esos aconteceres que narran con distintas voces lo vivido. En esa memoria histórica, que puede remontarse tanto a Antígona como a la Revolución Francesa o los años setenta en la Argentina, Casullo busca desentrañar los problemas latentes del país y del mundo. Desde una perspectiva sociológica y filosófica, el erudito apasionado por el fútbol pronostica que los medios de comunicación serán el tema central durante los próximos 25 años.

-Escribir un libro de ensayos de 500 páginas en una época en la que apenas se lee por Internet ¿es un acto de audacia o de resistencia?

-Hay una audacia, porque no es un remedio que alguien está pidiendo. Nadie le pide a uno que escriba. Hay cierta soberbia en el autor que dice: “Tomá, acá tengo 500 páginas, y me las tenés que leer porque yo pienso esto”, en una sociedad a la que hasta los textos de los diarios le parecen un poco largos. Siempre digo que es una resistencia romántica. Porque los románticos resistían sabiendo que iban a perder, iban a ser derrotados. Pero ellos querían dejar testimonio de que habían dado batalla. Cuando viene el mundo moderno, con sus máquinas y sus técnicas, el romántico que ama los grandes valores tradicionales enfrenta ese mundo sabiendo que va a perder. El libro tiene algo de esa resistencia, de plantear cosas y saber que, frente a otras cosas potentes, va a ser arrasado, que es una gota en el mar. Es que la tarea intelectual es básicamente confrontar, partir siempre de que hay cosas en el mundo que lo hacen injusto, irracional y que habría otra posibilidad de mundo. Entonces uno insiste.

-En Las cuestiones usted sostiene que el futuro queda cancelado cuando la revolución es derrotada, ya que era la revolución marxista la que planteaba un horizonte a la humanidad. ¿Cómo se piensa ahora, entonces, lo que vendrá?

-En términos personales, lo pensamos siempre por esa pasión humana por la que nos vemos en la vida: nos vemos casados, nos vemos pensando que el hijo va a ser más grande en términos personales, el futuro nunca está cancelado. En términos de situarnos en una cultura, en una civilización, sí está bastante cancelado. Porque la revolución, la revolución socialista, adscribiera uno a ella o no, era la forma en que la modernidad iba a resolver su propia invención, en un mundo donde, además de los adelantos técnicos, todo se iba a realizar en igualdad, fraternidad, en el fin de las diferencias entre los hombres. Eso estaba ahí latente: la idea de que el mundo marchaba hacia una mayor igualdad. Hoy podemos decir que el resultado de esa revolución fue tan catastrófico que no el futuro sino el desarrollo de la historia está cancelado. Hoy no existe en el mundo una respuesta para la pregunta “¿Hacia dónde vamos?”. Es una situación confusa. La historia perdió un sentido muy fuerte. Hoy la historia es lo que hay, como dicen los jóvenes.

-¿Esto afecta tanto a la derecha como a la izquierda?

-Sí, exactamente. La izquierda era la que asumía la responsabilidad y el compromiso de un mundo posterior al capitalismo, un mundo que, como decía Marx, iba a ser el pasaje de la prehistoria a la historia definitiva. Una cosa casi bíblica, un camino hacia la realización plena de la humanidad. Hoy eso lo tenemos más en duda. Hoy no sabemos si la historia tiene un sentido. Tampoco sabemos si la historia se realiza con una felicidad para todos, como decía el liberalismo. O con una igualdad general, como decía el Estado de Bienestar keynesiano. Esto no está muy pensado. Seguimos viviendo como si siguiese existiendo. Y si nos damos cuenta de que no existe más, nos distraemos un poco y hablamos de otra cosa.

-¿Y Cuba?

-Cuba creo que forma parte de la misma crisis de este paradigma. Creo que es un ejemplo de todo el recorrido de esta historia que culmina en la revolución como pasado. Hace 30, 35 años, aparecía como un elemento fuerte de vanguardia en el cambio histórico. Acontecidos estos años, no solo Cuba sino también la Unión Soviética, China y las izquierdas derrotadas en América latina -tanto las violentas como las no violentas- forman parte de ese derrumbe de un paradigma, de un horizonte fuerte que impulsaba. Ojalá que Cuba pueda asumir un socialismo de corte plural. De todos modos, creo que la idea de que la revolución estaba adelante permitió, con sus errores y horrores, hacer crecer los reclamos y las conquistas de masas. Y también ese modelo ayudó a afianzar la democracia, a integrar masas marginadas en el escenario de la historia y a lograr conquistas sociales que mi abuelo no hubiera concebido lograr. Por ejemplo, la Argentina es un país de enorme capacidad de reivindicación social.

-¿Hoy dónde está puesta esa capacidad?

-Se la ve permanentemente. No es una sociedad que se calme, que acepte. Es una sociedad con un fondo de justicia y de reclamo social muy fuerte y muy consciente, que no retrocede en sus demandas, a menos que venga una dictadura. En democracia, es una sociedad donde si dos chicos mueren porque no hay un semáforo, ahí hay quinientas personas reclamando un semáforo. Es una sociedad que se destaca en ese sentido del resto de América latina. Yo he conversado allá por 1998 con piqueteras jujeñas que estaban toda la noche en la ruta con las antorchas y decían: “Yo quiero que mis dos hijos vayan a la universidad, por eso estoy peleando”. En otros países de América Latina, nadie va a escuchar ese reclamo. En este sentido, creo que hay que revalorizar lo que de justicia social y de política de conciencia planteó el peronismo.

-¿Esa es la herencia del peronismo?

-Es un piso en el cual los ya no peronistas o los jóvenes que no vivieron el peronismo dicen: “Yo esa injusticia no la voy a padecer”. Lo mismo ocurre con cualquier reclamo. Las protestas que hay en las ciudades de este país por la violencia son una herencia de la típica protesta social del peronismo. Es la lógica: se sale y se protesta y se reclama. Y yo tengo derecho.

-Hoy parece encarnarse esa protesta en los piqueteros

-Hay piqueteros que son hacendados, que también salen a cortar las rutas. Salen [los argentinos] con Blumberg, salen con el piquete, salen porque en la escuela apareció un olor raro, porque hay un violador en el barrio. Eso tiene un fondo, tiene una historia en 1945 que generó una conciencia, un piso de protesta muy fuerte. Hay un reclamo de justicia permanente.

-También puede verse como una queja permanente, típicamente argentina, y una incapacidad de hacer, de formular soluciones en vez de protestar tanto.

-Sí, exactamente. También hay otras circunstancias dignas de ser atendidas, como la victimización. Parece que la víctima tiene un derecho superior. La indignación se transforma en una verdad y no necesariamente es así. Una madre puede estar reclamando indignada, expresando un dolor que le comprendo, pero puede no tener la verdad. Hay un producto de una Argentina que se siente víctima, que fue víctima de violencia, de guerras perdidas, de frustraciones democráticas, que ha hecho de la victimización una ideología peligrosa. Si todos nos ponemos en el espacio de víctima, es casi imposible gobernar la Argentina, porque estamos reclamando algo de manera patológica.

-¿Tiene esto relación con el tratamiento que les dan los medios de comunicación a las víctimas de robos, accidentes, asesinatos?

-Sí, totalmente. Soy un investigador en medios de comunicación y puedo decir que tienen una llegada mucho mayor que un senador, un diputado o el propio presidente. En ese sentido, encuentro una enorme irresponsabilidad, una enorme falta de compromiso, una enorme incapacidad de educar, de formar. Más bien veo una competencia por ver quién encuentra en el peor momento al peor sujeto para que diga las peores cosas, a los gritos, y con eso tiñe el día. El día se transforma en el asesinato de una muchacha o en un motoquero caído. Hay una búsqueda permanente de la víctima. Y más: muchas veces es la víctima la que cuenta todo, la que da la noticia. Lo que no es víctima es aburrido, es chato.

-Pero los medios también reflejan una sociedad que busca ese tipo de noticias

-Ya no estamos en etapa de los medios como cuarto poder, como importantes. Hoy estamos en una sociedad mediática. Los alumnos de la facultad esperan a los canales de televisión para salir a hacer una marcha, y son cien, no tienen por qué ser mil. Lo mismo el tipo que va a ser entrevistado: no se asusta del canal; por el contrario, dice: “Vení que yo te voy a contar cómo fue”. Una sociedad mediática es una sociedad cuya única lógica es lo mediático, solo puede hablar de algo que está mediado. Hablamos de algo que vimos en televisión o escuchamos en la radio. Y todo el tiempo estamos predispuestos a intervenir en eso. En una sociedad mediática, lo que menos importa es lo que dice el diputado. El problema de una sociedad mediatizada es el del narrador omnisciente: alguien te está escribiendo la historia y vos no te das cuenta. Los medios son como la verdad natural. Pero deben rendir cuenta de lo que están haciendo.

-También cada uno elige cómo le cuentan la historia. Por eso compra un diario y no otro .

-Eso, en la prensa gráfica. Pero en la televisión, es una misma lógica la que atraviesa todo. Los medios de comunicación son la gran temática de los próximos 25 años. De acuerdo con cómo encaren los medios su propia responsabilidad informativa y formativa, va a haber sociedades patologizadas o sociedades sabias. Y ahí adentro va a estar el político, como un dato más.

-Si vivimos por los medios y para ellos, ¿cómo se puede actuar fuera de su lógica?

-Es muy difícil. La sociedad de masas, acelerada, tecnificada, con crisis brutales, parecería que necesitara de un adormecimiento, de entretenimiento, de vaciado, que lo dan los medios. Por otra parte, los noticieros de televisión son los que hoy manejan la tragedia, con sus locutores ubicados allá lejos y arriba, como en el Olimpo. El noticiero es el gran teleteatro diario. La política aparece en un 10 a 15% del contenido. El 85% restante es la mujer muerta por el marido, el choque violento, una protesta. Creo que es una falta de cultura periodística, que no se ve en otros noticieros del mundo. La CNN puede mostrar catástrofes en todo el mundo y no lo hace. El noticiero argentino es populista en el peor sentido de la palabra; es agitador.

-En su libro, valora como positiva la pelea de Kirchner con los medios para ver quién impone la agenda pública. ¿Es así?

-Claro, yo creo que el gran logro de Kirchner es que volvió a hacer presente el sillón de Rivadavia. Dijo: “Esta es la política”. La política está por encima de los ganaderos, de los formadores de precios, de las empresas privatizadas. Lo hizo en una Argentina donde todo estaba invertido, todo eran lobbies , donde la política tenía un peso nulo. Si mañana es presidente Macri, va a hacer lo mismo. Es un corte epocal. Es decir: “El que está en la Rosada tiene el poder”. En particular, tiene el poder sobre los grandes poderes en la Argentina: el gran empresariado, el establishment , la Iglesia, las Fuerzas Armadas. En este sentido, me parece que Kirchner le devolvió al sillón de Rivadavia una estatura, una jerarquía que en la Argentina no había. Gobierna la política. Y hay que discutirles la agenda a los medios, que no pueden ser los partidos opositores.

-¿En qué medida el populismo tiene que ver con el peronismo?

-En mucho. El peronismo fue una experiencia populista fuerte, que generó formas de actuación y, sobre todo, una relación con la idea de pueblo, de sociedad, que en la Argentina es muy precisa. El peronismo santificó al pueblo. Para bien o para mal, lo puso como una figura donde acontece la verdad. Esto es típico del populismo: la idea de que el pueblo tiene la verdad. Hoy los medios inventaron una palabra: lagente . Es la gente la que tiene la verdad. Eso es lo que yo llamo populismo y hoy podríamos decir que todos somos populistas. Hay una historia latinoamericana muy fuerte en relación con los caudillos, la constitución de la política a través de la figura, la masa, el síganme. Yo defiendo el populismo latinoamericano más allá de sus errores porque pienso que es la única historia popular que tuvo América latina.

-¿Y el kirchnerismo?

-El kirchnerismo es un populismo que trata de dejar atrás el populismo. Es muy difícil situarse dentro del peronismo sin plantearse las viejas formas populistas que constituyen la historia. Hay una intencionalidad, pienso, de organizar el Partido Justicialista en términos más modernizados, con internas Creo que le conviene al país que el peronismo se discipline, se parezca un poco a un partido socialdemócrata, porque sino, es un movimiento imprevisible.

07/03/2008 - 17:40h França pesquisas: a esquerda favorita nas eleições municipais de domingo

Municipales: la gauche peut être confiante

Le bras de fer PS/UMPLa gauche part largement favorite avant le premier tour des élections municipales en France dimanche et elle est en position de prendre à la droite plusieurs grandes villes, dont Marseille, confirment plusieurs sondages publiés vendredi.

Alors, ils disent quoi les sondages ?
Quelques 32% des Français disent souhaiter l’élection d’un candidat de gauche, contre 27% qui optent pour un candidat de droite et 21% un autre candidat, selon une enquête Opinionway pour Le Figaro.

Les listes soutenues par la gauche obtiendraient 44% des voix au premier tour contre 41% à la droite, 7% au Modem, 2% à l’extrême-gauche, 2% au FN et 4% aux autres listes, selon une enquête CSA-Dexia pour Europe 1 et Le Parisien.

Elections à Paris, Lyon et Marseille.

Elections à Paris, Lyon et Marseille.

Et à Paris, cela donne quoi ?

(mais…)

07/03/2008 - 17:18h Los ministros franceses ven en peligro sus feudos municipales

 

Nicolas Sarkozy, con estudiantes

Sarkozy visita hospital – escola. Ninguém quer aparecer na campanha municipal com ele

Los socialistas pretenden recuperar 30 grandes ciudades perdidas en 2001

Críticas crecientes a la acumulación de cargos políticos

J. M. MARTÍ FONT – París – EL PAÍS de Espanha

Los 21 ministros del Gobierno francés son candidatos en las elecciones municipales de los próximos 9 y 16 de marzo; 11 de ellos como cabezas de lista. La tradición política francesa de la acumulación de cargos consiste, literalmente, en añadir a la condición de diputado o senador la de alcalde, presidente de región o de comuna municipal y, eventualmente, la de ministro. Los expertos constitucionalistas la señalan como uno de los vicios que más empobrece la labor parlamentaria. Pero los políticos, por más que cuando están en campaña se muestran dispuestos a revisar esta práctica, a la hora de la verdad se cierran en banda a renunciar a uno sólo de sus cargos.

En determinadas ocasiones, esta práctica tiene riesgos. El desplome de la popularidad del presidente Nicolas Sarkozy ha dotado a estos comicios de una dimensión nacional, lo que pone realmente en peligro las ambiciones locales de los miembros de su Gobierno y de su partido, la Unión por un Movimiento Popular (UMP) y sus aliados.

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