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	<title>Blog do Favre &#187; sociedade</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>A retórica da conversa</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 20:03:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<description><![CDATA[Os dez mandamentos para tornar a sua aproximação com outras pessoas mais interessante e qualificada
Adriana Natali &#8211; Língua Portuguesa







Escultura do francês Georges Segal: perda de vigor da conversa na vida contemporânea pode engressar as relações humanas



Um dedo de prosa é mais complicado do que parece. Não só para os tímidos. A depender de como é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Os dez mandamentos para tornar a sua aproximação com outras pessoas mais interessante e qualificada</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;"><strong>Adriana Natali</strong></span><span style="background-color: #ffff99;"> &#8211; Língua Portuguesa<br />
</span></h2>
<table border="0" width="1" align="left">
<tbody>
<tr>
<td><img src="http://www.revistalingua.com.br/imagem_p.ashx?file=arquivos/NVZ8Z2LRXL49_28_2.jpg&amp;x=255" alt="" /></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-size: xx-small;">Escultura do francês Georges Segal: perda de vigor da conversa na vida contemporânea pode engressar as relações humanas</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Um dedo de prosa é mais complicado do que parece. Não só para os tímidos. A depender de como é levado, o prosaico bate-papo pode ser a diferença entre um ouvinte resistente ou receptivo a uma opinião. A conversa, do formal diálogo entre estranhos ao papo furado de amigos, requer cuidados e propriedade. Admitido o clichê, conversar é uma arte. E pode ser aprendida.</p>
<p>- Muitos se esquecem de que conversar é envolver com palavras, e não só comunicar assertivamente suas metas, seus desejos e pontos de vista. Dar um &#8220;bom dia&#8221;, comentar uma opinião ou repartir um bombom, tudo pode iniciar um relacionamento. Mas aproximar-se significa trazer para perto de si. Deve haver lugar para o outro &#8211; explica Luís Sérgio Lico, mestre em filosofia e conselheiro empresarial.</p>
<p>Mesmo numa época em que muito se pode dizer dependendo das circunstâncias, o estatuto da conversa já é visto como problemático. Para especialistas, saber conversar virou carência retórica nos centros urbanos, em que as situações de encontro são cada vez mais mediadas e formais. Hoje, até para um reles papo, podemos estar carentes de orientação.<br />
Segundo Lílian Ghiuro Passarelli, vice-coordenadora do curso de Letras da PUC-SP, o princípio mais geral que se espera num diálogo é o da cooperação: a conversa deve construir uma cumplicidade entre seres diferentes.</p>
<p>O princípio cooperativo é ideia cara ao filósofo inglês Herbert Paul Grice (1913-1988), seu maior teorizador. O falante, diz Grice, é cooperativo se informa tudo o que seu interlocutor necessita para entendê-lo, sua contribuição é tão informativa quanto desejada e a intenção por trás de suas palavras fica evidente, sem segundas intenções camufladas.</p>
<p><strong>Princípio geral</strong><br />
O linguista russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) dizia que a interação verbal é a realidade fundamental da linguagem, um gênero primário a todos os outros. Cada palavra emitida é determinada tanto pelo fato de que procede como de ser dirigida a alguém. Contemporâneo de Bakhtin, Grice postulou que uma boa conversa tende a ser governada por princípios que compreendem máximas, em quatro categorias:<br />
- Quantidade:<br />
a) que sua participação seja tão informativa quanto o requerido pelos propósitos da conversa;<br />
b) não seja mais informativo que o requerido.</p>
<p>Quem se mostra mais detalhista que o desejado (a) passa por arrogante (assim como quem é genérico demais parece inconsistente); e quem diz mais do que o necessário (b) é tomado por tagarela (quem informa de menos, desinteressante).</p>
<p>- Qualidade: Tente fazer com que a sua contribuição seja genuína, não dizendo a) aquilo que acredita ser falso ou b) não tem evidência suficiente.</p>
<p>- Relação: Seja relevante. É preciso trazer novidade e falar o que interessa, de forma interessante.<br />
- Modo: Seja claro, evitando: a) obscuridade de expressão; b) ambiguidade; c) falta de brevidade; d) falta de ordenação no que diz.</p>
<p><strong>Códigos<br />
</strong>As máximas de Grice pressupõem uma troca verbal civilizada, e qualificada. O grau de proximidade entre os falantes, a simetria de papéis, o conhecimento partilhado e o contexto são fatores que podem definir a continuidade de uma discussão.</p>
<p>Para Lílian Passarelli, em qualquer situação devem-se respeitar os códigos de sociabilidade que regem a conversa.<br />
- Sem um repertório linguístico adequado à situação comunicativa, aos interesses do interlocutor, por mais amplo que seja nosso repertório de informações, podemos não nos sair bem em nosso projeto de dizer. É preciso usar o registro adequado para obter o efeito de sentido que pretendemos &#8211; afirma Lílian.</p>
<p><strong>Tempos modernos</strong><br />
Pessoas com afinidades podem chegar a conversar muito, mudando sempre de assunto, em contextos distensos (a mesa de bar, a casa de um deles), porque há simetria de papéis e ambos partilham das questões em pauta. Se esses falantes estiverem em outra situação comunicativa (trabalho, evento social), o contexto pode não permitir que ambos travem conversas no mesmo tom.</p>
<p>- Quando os interlocutores não se conhecem muito, o importante é observar o contexto &#8211; diz Márcia Molina, doutora em linguística da Universidade Anhembi Morumbi.</p>
<p>O velho gosto por conversar pode estar em transformação, sem que apresente sinais bruscos de mudança. O individualismo, os graus de separação numa sociedade de porte e o ritmo da vida urbana são fatores tidos por Luís Sérgio Lico como desestimulantes do hábito cultural da conversa.</p>
<p>- Seres urbanos não gostam muito de conhecer estranhos. Uma situação clássica é a do elevador: diga &#8220;bom dia&#8221; e as pessoas fingem que você não existe. Insista, e elas se irritam &#8211; diz Lico.</p>
<p>Para Alcir Pécora, professor de literatura da Unicamp, que dá cursos sobre a arte da conversa em organizações como Casa do Saber, o mundo atual viu proliferarem situações que limitam ou afetam a comunicação pessoal. A própria interface eletrônica, de chats e Twitter, pode reorganizar o modo como conversaremos no futuro.</p>
<p>- A tecnologia sendo usada em meio hostil ao convívio tende a fomentar a comunicação em situações de isolamento individual ou de grupos restritos, cujas diferenças não se problematizam desse modo &#8211; diz Pécora.</p>
<p><strong>Nas organizações</strong><br />
No mercado, o diálogo tende a artificializar-se, com profissionais em dificuldade de manter conversas sem finalidade associada ao negócio. Há empresas que reprimem conversações, por acreditarem ser perda de tempo; portanto, de dinheiro e produtividade. Mas aprende-se tanto nos papos com colegas de ofício quanto em treinamentos externos, diz Luís Sérgio Lico.</p>
<p>- A diferença é que o conhecimento do lugar de trabalho é usado de forma imediata, prática, e as capacitações demandam maior tempo e profundidade de abordagem &#8211; afirma.</p>
<p>A falta de condição organizacional para um bom papo pode levar a problemas de comunicação e a retrabalhos, dizem especialistas. Para Carlos Andrade, do mestrado em linguística da Universidade Cruzeiro do Sul, mesmo nos ambientes profissionais, conversas mais informais são úteis para quebrar formalidades.</p>
<p>- O importante é perceber que, numa troca dialógica bem articulada, haverá a validação de cada falante: percebemos na interlocução se certas enunciações foram pertinentes ou não, até para avaliarmos os rumos da conversa &#8211; diz o professor.</p>
<p><strong>Bom papo<br />
</strong>Hábito em mutação, a descontração do bate-papo brasileiro pode ter virado ilusão acalentada, mas cada vez menos verificável.</p>
<p>- Nossa cordialidade é ideológica: postula uma mitologia que valoriza carências e vícios sociais históricos. Vou direto ao ponto: conversa, em contexto democrático, supõe qualidade da educação pública. Quando a educação vive em penúria, não há muito a esperar de tudo o que demande linguagem cultivada &#8211; diz Alcir Pécora.</p>
<p>Há, verdade, procedimentos retóricos que podem melhorar um papo e transformar a conversa numa real aproximação com o outro. Mas técnicas recentes para adequação discursiva seriam risíveis se vistas como solução a impasses humanos, e não são pretextos para o policiamento neurótico das interações cotidianas.</p>
<p>A utilidade de sugestões, como as destas páginas, não é só dar molho a um diálogo: elas indicam quando deixamos de fazer trocas verbais de qualidade para ganhar uma discussão no grito ou, simplesmente, desistimos de nos aproximar do outro &#8211; e nem notamos.<br />
(Colaborou Jezebel Salem)</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="510" bgcolor="#e5e5de">
<tbody>
<tr>
<td style="padding-left: 5px; font-family: tahoma,verdana,arial; height: 30px; color: #ffffff; font-weight: bold;" colspan="3" bgcolor="#6e6d5e"><strong>Os dez mandamentos da conversa</strong></td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 5px 4px 4px; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 11px;" colspan="3"><strong>Tenha o que dizer</strong></p>
<p>Conversar sem matéria-prima pode ser um desastre. A boa conversa é a estruturada: é preciso ter algo a dizer. Um repertório de informações significativo pode ser obtido não só pela leitura, mas por outras fontes, como cinema, teatro, sites e revistas especializadas.</p>
<p>- Para que uma conversa se mantenha, uma questão fundamental é o conhecimento de mundo do que será tratado. Quando tenho argumentos para pôr opiniões em xeque, eu me sinto mais seguro para entrar na roda das conversas, independentemente do contexto de produção delas &#8211; explica Carlos Andrade, da UnicSul.</p>
<p><strong>Saiba ouvir</strong><br />
Saber ouvir é saber doar-se, diz Osório Antônio Cândido da Silva:<br />
- Escutar com sincera atenção é habilidade que, em razão do desuso, vem sendo perdida &#8211; lamenta o professor de oratória.</p>
<p>Em geral, as pessoas gostam de falar, não de ouvir. Ficam tão centradas no que dizer que nem dão bola a quem interage com elas. Para o consultor Reinaldo Polito, a observação é a melhor forma de manter um diálogo.</p>
<p>- Se houver alguém com vontade de falar, fique na sua e só interfira para valorizar o que está sendo comentado e demonstrar que presta atenção &#8211; sugere.</p>
<p><strong>Seja significativo</strong><br />
Sonde os assuntos que interessam ao interlocutor e os explore. Para Reinaldo Polito, a conversa fluirá melhor se centrarmos o diálogo num ponto em comum.</p>
<p>- Manter um bom diálogo é sinônimo de não falar de si mesmo. As histórias pessoais devem ser contadas apenas como autogozação &#8211; aconselha.</p>
<p>Para Carlos Andrade, num &#8220;bom papo&#8221; o que é dito deve ser importante a quem dele participa, pela qualidade da informação, pelo valor de quem a fornece.</p>
<p>- O diálogo só é propício quando os interlocutores propõem em suas falas questões pertinentes ao assunto de que se está tratando &#8211; afirma Andrade.</p>
<p><strong>Esteja pronto para ter iniciativa</strong><br />
Se a roda de conversa ficar em silêncio, tome a iniciativa de falar, sugere Reinaldo Polito.</p>
<p>- Não se apresse em contar histórias. Comece com perguntas sobre conquistas e viagens do outro, algo que tenha a função de fazer as pessoas se manifestarem.<br />
Se faltar assunto, inspire-se no ambiente e no momento, indica o consultor empresarial Luís Sérgio Lico.</p>
<p>- Se não há nada a falar ou fazer, observe a pessoa, o ambiente e a ocasião, e faça um comentário &#8211; afirma.</p>
<p><strong>Colecione pequenas histórias</strong><br />
Ter à mente histórias curtas e atraentes pode tornar uma conversa mais interessante. O consultor Reinaldo Polito aconselha que todos guardem a própria &#8220;coleção de histórias&#8221;.</p>
<p>- Procure contá-las para os mais íntimos. Se notar que têm impacto, passe a usá-las em outros ambientes. Mas veja se o contexto é apropriado e a narrativa, útil à discussão.</p>
<p><strong>Não estique &#8220;temas curingas&#8221;</strong><br />
Muita gente acompanha futebol, é capaz de falar sobre o clima e deve ter ouvido a notícia que foi divulgada na TV com insistência. Pela alta probabilidade de formarem o senso comum, &#8220;assuntos curingas&#8221; são pretextos para iniciar e desenvolver conversas.<br />
Cuidado, todavia, para não se alongar demais neles. Têm curto efeito, dão pouca margem à continuidade da conversa e podem estimular o preconceito sarrista, se a pessoa for fanática por algum time, religião ou partido.</p>
<p><strong>Adapte o vocabulário ao ouvinte</strong><br />
Privilegie o vocabulário do grupo com que interage. Com colegas de trabalho, a linguagem corporativa; entre acadêmicos, algo mais conceitual; com familiares e amigos, cumplicidade. Não use uma variante de linguagem em vez de outra. E busque a variante do idioma adequada. Luís Sérgio Lico sugere atenção redobrada a certas ocorrências linguísticas: rotacismo (&#8221;probrema&#8221;), pleonasmo (&#8221;conviver junto&#8221;, &#8220;encarar de frente&#8221;), gerundismo (&#8221;vou estar passando o recado&#8221;), equívocos de pronúncia (&#8221;piula&#8221;, &#8220;enlarguecer&#8221;, &#8220;mulé&#8221;) e de concordância (&#8221;menas&#8221;).</p>
<p><strong>Não atropele a conversa</strong><br />
Um diálogo se desenvolve melhor se nos detemos num tema por mais tempo, em vez de mudarmos de assunto a cada instante.</p>
<p>Busque pular de uma questão a outra só quando sentir que ela se esgotou e não há nada mais a ser dito.</p>
<p>Enquanto fala sobre uma questão, imagine temas oportunos para a sequência, para que o salto entre um e outro não pareça brusco demais.</p>
<p>Evite lançar um comentário sem saber aonde quer chegar com ele.</p>
<p>A hesitação pode interromper o raciocínio de ambos e criar silêncios que não queremos.</p>
<p><strong>Não conte vantagem</strong><br />
A arrogância pode ter efeito destruidor num bate-papo. Para o consultor Luís Sérgio Lico, é preciso cuidado com respostas que ofendam ou indiquem superioridade.</p>
<p>- Humildade é uma erva fina no tempero, seja da conversa amena até os mais requintados discursos &#8211; explica.</p>
<p>Agir com isenção e propriedade pode não garantir a defesa de um ponto de vista, mas inspira respeito, diz o consultor, e valoriza a própria imagem.</p>
<p><strong>Discorde sem constranger</strong><br />
Não basta tratar temas com propriedade, deve-se adequar o tom ao tipo de ouvinte. Comentários axiomáticos, definitivos (&#8221;essa conversinha de médico é um saco&#8221;, &#8220;o brasileiro é corrupto&#8221;, &#8220;detesto quem fala desse jeito&#8221;), podem indicar preconceito ou criar referência grosseira para o resto do diálogo: as respostas do ouvinte assumem a rispidez de quem fala com ele.</p>
<p>É preciso cuidado para não fazer generalização desmedida ou impor comparações insustentáveis. Evite contradizer alguém de cara. Elogie um ponto menor da argumentação do outro antes de entrar de sola com uma discordância.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="510" bgcolor="#e5e5de">
<tbody>
<tr>
<td style="padding-left: 5px; font-family: tahoma,verdana,arial; height: 30px; color: #ffffff; font-weight: bold;" colspan="3" bgcolor="#6e6d5e"><strong>Tipos de conversa</strong></td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 5px 4px 4px; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 11px;" colspan="3">Como conversar em diferentes situações de comunicação cotidiana</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 5px 4px 4px; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 11px;" colspan="3"><strong>Conversa fiada</strong></p>
<p>Conversas informais são marcadas por interrupções (quebras de turno conversacional). Há entradas de novas locuções sem que cada falante tenha concluído a sua. Conversas assim são discursos para atender à pura necessidade de aproximação social.</p>
<p>- Mesa de bar, por exemplo, é um perigo. A bebida acaba por deixar a língua mais solta. Por isso, fique atento aos comentários sobre quem não esteja participando da conversa. É melhor ser discreto e evitar riscos &#8211; aconselha o consultor Reinaldo Polito.</p>
<p><strong>Debate argumentativo</strong><br />
Há conversas informais em que o confronto de ideias e argumentos faz repensar o cotidiano e as práticas humanas. Essas são cravadas pelo debate argumentativo, em que os interlocutores procuram não atropelar a vez do outro e argumentar após suas considerações.</p>
<p><strong>No ambiente de trabalho</strong><br />
Organizações são entes jurídicos que se manifestam por pessoas que velam por sua cultura interna. É preciso saber qual a cultura local em ambientes monitorados para evitar constrangimento e má interpretação. Para Reinaldo Polito, se um colega sonda sua vida (se quer saber quanto você ganha, tem aplicado ou gastou nas férias), pega-se um tópico da conversa e muda-se de assunto.</p>
<p>- Se a pergunta for sobre gastos da viagem, diga: &#8220;Ficamos duas horas no aeroporto sem saber se embarcaríamos. Você já teve atrasos que afetaram a viagem?&#8221; Até o interlocutor narrar seu último atraso de voo, a pergunta foi esquecida &#8211; diz.</p>
<p><strong>A hora da piada</strong><br />
A boa piada pode ser desastrosa se enunciada num contexto inadequado. Por isso, é preciso cuidado redobrado com o humor cáustico ou chulo: nem todo tema permite o escracho e nem todo ouvinte vai interpretá-lo como se deseja.</p>
<p>- Humor é sempre o melhor recurso para tornar uma conversa agradável. Se o nível dos interlocutores for baixo, o humor deve ser explícito, exagerado, para não deixar dúvida de que se trata de brincadeira. Se os interlocutores tiverem bom nível, a brincadeira pode ser subentendida, com uso de ironias finas &#8211; explica Reinaldo Polito.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>Intimidade</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 20:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<category><![CDATA[Cristina civale]]></category>
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		<description><![CDATA[Pensar la contemporaneidad: intimidad
Me dicen que aunque me cuide como la mejor paranoica, cada vez que me suscribo a un red de la Web, escribo un mail o clickeo una página, alguien anota mis preferencias, mi potencial de decisiones.


Dicen ahora que si me fumo un cigarrillo de marihuana en mi casa y no ando por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="entry-header"><font size="5"><a href="http://weblogs.clarin.com/itinerarte/archives/2009/08/pensar_la_contemporaneidad_intimidad_1.html">Pensar la contemporaneidad: intimidad</a></font></h3>
<p>Me dicen que aunque me cuide como la mejor paranoica, cada vez que me suscribo a un red de la Web, escribo un mail o clickeo una página, alguien anota mis preferencias, mi potencial de decisiones.</p>
<p><a href="http://weblogs.clarin.com/itinerarte/archives/INTIMIDAD3.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://weblogs.clarin.com/itinerarte/archives/INTIMIDAD3.jpg"><img src="http://weblogs.clarin.com/itinerarte/archives/INTIMIDAD3-thumb.jpg" alt="INTIMIDAD3.jpg" width="301" height="400" /></a></div>
<p>Dicen ahora que si me fumo un cigarrillo de marihuana en mi casa y no ando por la calle incitando al consumo, no iré presa. Dicen que pronto no será delito, que mi vecina podrá oler, el aroma inconfundible y deberá callar, salvo que tenga una plantación en mi jardín con la que lucre. ¿Y los narcotraficantes? ¿Los que lucran con el paco? ¿Por qué saben mi nombre y el de ellos también y la vecina les teme y a mí me mira mal?</p>
<p>Dicen que si alguien me graba con su cámara de video y me sube a la Web o lo difunde en la tevé, viola mis derechos. Ese abusador/a todavía trabaja y cobra en las cadenas de tele de todo el mundo.</p>
<p>Hay quienes venden su vida por unos billetes. Allá ellos. Es su derecho. No me obligan a imitarlos.</p>
<p>Yo quiero mi intimidad. El reducto sagrado de mi identidad: lo mejor y lo peor de mí. Mis sucios secretos. Mis ideas luminosas.</p>
<p>Yo y sólo yo quiero decidir qué comparto y qué no.</p>
<p>Dicen que alguien nos mira todo el tiempo por nuestro bien.</p>
<p>Bien, cuál bien.</p>
<p>¿A dónde fue a parar nuestro derecho a la intimidad en estos tiempos?</p>
<p><span class="post-footers"><strong><em>Publicado por Cristina Civale &#8211; Civilización &amp; Barbarie</em></strong><br />
</span></p>
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		<title>A velha guarda de Paris</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/08/a-velha-guarda-de-paris/</link>
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		<pubDate>Thu, 06 Aug 2009 18:01:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[FRANÇA]]></category>
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		<description><![CDATA[Blog de Noblat
cartas de paris
A velha guarda de Paris

Da primeira vez que reparei nela fiquei bem no meio do caminho entre o choque e a compaixão. Com passos lentos de octagenária, a senhora caminhava pela calçada perto da minha casa: cabeça branca, olhar firme, um leve batom rosa nos lábios – e nas narinas, tubos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h6><font size="4">Blog de Noblat</font></h6>
<p>cartas de paris</p>
<h4 class="tituloPost"><a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/08/06/a-velha-guarda-de-paris-211674.asp">A velha guarda de Paris</a></h4>
<p><img src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2009/02/129_2636-carolnogueira.jpg" align="left" /></p>
<p>Da primeira vez que reparei nela fiquei bem no meio do caminho entre o choque e a compaixão. Com passos lentos de octagenária, a senhora caminhava pela calçada perto da minha casa: cabeça branca, olhar firme, um leve batom rosa nos lábios – e nas narinas, tubos como esses que a gente vê nas UTIs, ligados a um aparelho médico portátil que ela carregava a tiracolo, como se carregaria uma bolsa comum.</p>
<p>Voltaria a encontrá-la do mesmo jeitinho em outras manhãs, e depois a outros velhinhos e velhinhas desfilando pela cidade igualmente munidos de seus respiradores artificiais. O que era um choque se tornou o início de um percurso de observação sobre como vivem os idosos em Paris.</p>
<p>Basta um passeio em qualquer feira livre, biblioteca ou parque para se encontrar com dezenas deles, surpreendentemente independentes. Mesmo que alguns já estejam mais lentos, com movimentos debilitados, são eles mesmos que fazem suas compras: escolhem, pagam e depois levam tudo para casa com seus carrinhos de compras ultra-modernos (rodas triplas para facilitar nas escadas).</p>
<p>Nos parques, não é raro encontrar uma cabeça branca pilotando uma bicicleta. Na cidade, preferem os ônibus ao metrô – natural, haja vista a profusão de degraus que se tem de encarar em cada estação. Tenho a impressão de que todos os velhinhos de Paris pegam a linha 62, que corta a rive gauche ao meio. Foi onde eu vi grande parte das cenas que me impressionaram.</p>
<p>Além dos respiradores, eu os vi com suas bengalas e sacolas. Com o chapeuzinho de abas curtas e a vista mais ainda, pedindo para o motorista tirar ele mesmo a quantia da passagem de dentro da carteira. Casaizinhos cúmplices se apoiando mutuamente, despertando a inevitável pergunta de quem será que toma conta de quem.</p>
<p>Todos os parques e jardins da cidade são pontos de encontro da velha guarda. Muitos chegam pontualmente às quatro da tarde, como quem tem hora marcada para um compromisso importante. Sentam-se no banco, abrem seus livros. Ou engatam um papo com o companheiro do banco do lado – às vezes, já chegam em duplas ou trios.</p>
<p>Uns ficam olhando as crianças brincarem, distribuindo aleatoriamente seus valiosos conselhos para jovens mamães pouco experientes. Outros ficam ali quietinhos, absortos naquele mundo de lembranças de quem tem muita história para contar.</p>
<p>Claro, nem todos estão em plena forma. Se a velhinha do respirador costuma passear sozinha, há muitos que precisam da ajuda de outras pessoas. É comum ver ao lado deles ajudantes que os apóiam nas escadas, facilitam as portas – e com quem conversam o tempo todo, amáveis ou ranzinzas.</p>
<p>Foi aí, quando reparei nesses ajudantes, que me dei conta da enorme diferença cultural. Poucos são os velhos franceses que vivem com seus filhos ou alguém da família. Enquanto podem, eles ficam mesmo sozinhos, em suas casas. Quando não é o caso, as maisons de retrait (algo como casas de aposentados) são o destino praticamente certo. O brasileiríssimo sistema da vovó-agregada não funciona por aqui.</p>
<p>Tem um lado ótimo: tendo que se virar sozinhos, eles permanecem ativos, vigorosos. Tem o lado triste: muitos são tão solitários que a prefeitura tem de manter um cadastro de idosos para contactá-los nesta época do ano, quando faz muito calor e eles ficam expostos aos riscos de desidratação.</p>
<p>De todo jeito, os velhinhos de Paris hoje não me dão pena, nem me assustam mais. Olho para eles com admiração – e com a esperança de manter a vitalidade deles quando chegar minha vez.</p>
<p><em><strong>Carolina Nogueira</strong> é jornalista e mora há dois anos em Paris, de onde mantém o blog Le Croissant (www.le-croissant.blogspot.com)</em></p>
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		<title>Brasil poderá assumir a liderança mundial num projeto reformista que implique uma mudança multidimensional &#8220;conduzida por homens de boa vontade para criar uma nova civilização&#8221;.</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Aug 2009 13:07:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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&#8221;Nosso pensamento está muito preso ao passado&#8221;
Para Edgar Morin, intelectuais devem ampliar participação nas reformas do mundo atual

Antonio Gonçalves Filho &#8211; O Estado SP


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Aos 88 anos, o filósofo, sociólogo, historiador e economista francês Edgar Morin trocou a revolução (&#8221;reduzida a uma dimensão violenta&#8221;) pela metamorfose, que, para ele, traduz uma &#8220;transformação natural e radical&#8221;; ao [...]]]></description>
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<p><strong></strong></p>
<p><strong><font size="5">&#8221;Nosso pensamento está muito preso ao passado&#8221;</font></strong></p>
<p>Para Edgar Morin, intelectuais devem ampliar participação nas reformas do mundo atual</p>
<div class="grupoC2">
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Antonio Gonçalves Filho &#8211; O Estado SP</p>
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<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>Aos 88 anos, o filósofo, sociólogo, historiador e economista francês Edgar Morin trocou a revolução (&#8221;reduzida a uma dimensão violenta&#8221;) pela metamorfose, que, para ele, traduz uma &#8220;transformação natural e radical&#8221;; ao mesmo tempo, prossegue investindo contra a onda neoliberal que virou tsunami no mundo globalizado e, sobretudo, proclama o surgimento de uma religião da fraternidade, resultante do fato &#8220;de estarmos perdidos e, assim, necessitarmos uns dos outros&#8221;. Se há, como sempre, combatividade em suas palavras, o que se nota hoje neste que se destaca como um dos mais vigorosos pensadores em atividade na Europa é uma absoluta crença num futuro mais humanista &#8211; que, para tanto, passa pelo Brasil.</p>
<p>Morin, a propósito, passou pelo País no último mês, a convite do diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda. Veio para o relançamento da página dedicada a ele no Portal SescSP. E aproveitou para proferir &#8211; com o apoio do espaço cultural Universo do Conhecimento -, uma palestra sobre a urgência de um novo modelo geopolítico, Pensar o Sul. Depois dela, recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista exclusiva.</p>
<p>Nela, Morin anunciou uma nova montagem de seu clássico documentário Crônica de Um Verão, feito em parceria com Jean Rouch em 1960. Comentou também assuntos relacionados a três livros seus recentemente lançados, O Ano Zero da Alemanha (Editora Sulina, 319 págs., R$ 60) e, pela Bertrand Brasil, O Mundo Moderno e a Questão Judaica (208 págs., R$ 35), Cultura e Barbárie Europeias (108 págs., R$ 29), e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX &#8211; Necrose (208 págs., R$ 35).</p>
<p>De todos, o mais controvertido talvez seja O Mundo Moderno e a Questão Judaica, em que Morin &#8211; judeu marrano que abordou, entre outros temas, o preconceito racial em Crônica de Um Verão &#8211; afirma que o Estado de Israel possui uma marca dominadora e colonizadora. Na entrevista, ele não se mostra otimista a respeito de uma solução política entre judeus e palestinos. Defende a intervenção no plano internacional dos EUA e países europeus &#8211; e não teme que o chamem mais uma vez de traidor. Lembra que já foi chamado assim em relação à França por sua oposição à guerra da Argélia e também de &#8220;traidor do socialismo&#8221; por haver resistido à sedução stalinista. Está pronto para ser chamado de &#8220;traidor dos judeus&#8221; por ter manifestado sua &#8220;compaixão pelos palestinos que sofrem as misérias e humilhações de uma ocupação&#8221;.</p>
<p>Na entrevista a seguir são reproduzidos excertos de uma conversa que durou mais de três horas. Entusiasmado, Edgar Morin pediu que ela se prolongasse por mais um dia, pois queria falar sobre a &#8220;grandeza do Brasil&#8221;. Como Stefan Zweig, ele acredita que este seja mesmo &#8220;o país do futuro&#8221;, mas que precisa, antes, enfrentar seu maior obstáculo: a corrupção. E sugere para isso uma reforma no campo educacional, defendendo a transdisciplinaridade e o incentivo à ideia de solidariedade, que irá prevalecer necessariamente no futuro, segundo o filósofo.</p>
<p>Os trunfos do Brasil em relação ao restante do mundo, diz Morin, estão na miscigenação cultural e na biodiversidade da Amazônia. Se o País souber aproveitar isso, assegura, poderá assumir a liderança mundial num projeto reformista que implique uma mudança multidimensional &#8220;conduzida por homens de boa vontade para criar uma nova civilização&#8221;.</p>
<p><strong>Certa vez o senhor disse que, para a educação reformar o espírito, ela precisaria ser reformada. Como a educação pode mudar num mundo em que o conhecimento parece servir mais a interesses econômicos que culturais?</strong></p>
<p><img src="http://www.mcxapc.org/images/photos/emorin.jpg" alt="http://www.mcxapc.org/images/photos/emorin.jpg" align="left" />É sempre o problema da transformação das instituições. Nesse sentido, é conveniente lembrar o exemplo da Universidade de Berlim criada por um educador prussiano liberal, Humboldt, no começo do século 19 (em 1810), e que marcou profundamente a educação europeia, fornecendo o modelo de outras universidades ocidentais. Da mesma forma, o pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional acompanhe uma reforma moral, baseada na solidariedade planetária, e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. Ou seja, no lugar de separar o conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a um conexão entre esses vários modos de pensar. Há, hoje, algumas universidades que resistem ao processo de uniformização do conhecimento, e uma delas fica no Peru, o que me leva a crer que uma reforma educacional acontecerá primeiro na América Latina e só depois na Europa. No Brasil, por exemplo, vejo algumas iniciativas na escola secundária que poderão frutificar, assim como nos centros de formação do professor.</p>
<p><strong>O senhor fala muito em reforma. Parece que a palavra revolução foi abolida de seu vocabulário. O tempo das revoluções chegou ao fim?</strong></p>
<p>Bem, eu prefiro trocar a palavra revolução, que está desgastada pelo uso, por metamorfose. E por quê? Porque a palavra revolução foi reduzida a uma dimensão violenta. Essa violência cria apenas sistemas autoritários, como bem provou a União Soviética. Já a metamorfose permite uma transformação natural e radical como a de uma borboleta, que se destrói e se constrói para se transformar, para adquirir novas habilidades, como a de voar.</p>
<p><strong>Já que tocou nesse tema, o da metamorfose, num de seus livros, O Homem e a Morte, o senhor fala de religião como um problema fundamental da humanidade, uma dificuldade de aceitar o fim. Deus ainda é um conjunto de ideias ou ele tomou outra configuração à medida que o senhor se aproxima do seu centenário?</strong></p>
<p>No livro mencionado, parto da constatação de que, desde que os seres humanos surgiram, essa é uma questão fundamental da humanidade, sempre às voltas, desde tempos remotos, com religiões que tentam superar a morte. Então, temas como o renascimento e as religiões salvacionistas precisam ser estudados &#8211; a história de um Deus que morre e renasce, como a de Jesus, é fascinante. Nas sociedades arcaicas existem os espectros, os espíritos dos mortos, mas não Deus, e sim deuses, que são ideias, mas que obrigam comunidades a exigir sacrifícios humanos. Então, a questão é saber se as sociedades modernas podem viver sem religião. Não acredito em religiões de revelação, como o cristianismo e o islamismo, mas, além delas e das arcaicas, existe ainda uma terceira religião, que eu classificaria de laica, ou a religião da fraternidade humana. Estamos perdidos num pequeno planeta dentro de um sistema e, justamente por estarmos perdidos, precisamos ajudar uns aos outros. Assim, ou enfrentamos a metamorfose ou seremos destruídos.</p>
<p><strong>A ideia de que se pode ser feliz, apesar disso, acompanha o senhor há pelo menos meio século, desde que rodou com o cineasta Jean Rouch o documentário Crônica de Um Verão, para o qual foi cunhada a expressão &#8220;cinéma verité&#8221;. Há mesmo uma possibilidade que o cinema seja a expressão da verdade, se ele passa por um processo de montagem, sempre um ato subjetivo, eletivo?</strong></p>
<p>Quando rodamos Crônica de Um Verão, novos equipamentos cinematográficos estavam sendo testados, entre eles gravadores de som direto, que nos permitiram sair às ruas e perguntar aos entrevistados se eles se consideravam felizes. Fui muito influenciado na época pela linguagem de Robert Flaherty e Dziga Vertov e por um filme de Lionel Rogosin, rodado um ano antes de nosso documentário e chamado Come Back Africa (sobre o apartheid na África do Sul e como a separação racial afetou a vida de todos, do cidadão comum à cantora Miriam Makeba). Inicialmente, após um jantar, pensamos, eu e Jean Rouch, em chamar o filme de Como Vive Você? Já, então, pretendíamos explorar a questão da felicidade não apenas do ponto de vista material, mas psicológico. Temendo que ficasse um pouco monótono por conta dos depoimentos e das discussões sobre racismo e a guerra da Argélia, resolvemos incluir cenas de Saint-Tropez para introduzir um elemento alegre, o que resultou no título final. Na época, fomos muito criticados por conta da expressão &#8220;cinéma verité&#8221;. Diziam que não éramos portadores de nenhuma verdade, que tudo não passava de uma interpretação, e nos defendíamos dizendo que não tínhamos a pretensão de representar a verdade, e sim de procurar por ela. Não via o filme desde a morte de Jean Rouch (ocorrida em 2004) e, ao revê-lo, no ano passado, senti que ele está mais atual que nunca, ao falar da juventude desorientada dos anos 1960, que se parece muito com a de agora. Rodamos mais de 25 horas e ainda há muito material &#8211; que eu julgava perdido -, para explorar sobre ele. Recuperamos os negativos e estamos remontando com quatro horas de duração, pois a montagem original foi um massacre. Talvez possamos ter uma nova versão do filme em 2010.</p>
<p><strong>No livro que acaba de ser lançado no Brasil, O Mundo Moderno e a Questão Judaica, o senhor afirma que o Estado de Israel tem uma marca colonizadora e dominadora. Como vê a solução para o impasse da questão palestina e o futuro das relações entre judeus e palestinos?</strong></p>
<p>Chegamos ao momento crítico da situação. Israel não abre mão de seu atual modelo de desenvolvimento econômico, que implica a expansão territorial e a afirmação de sua marca colonizadora. O tempo da paz se desintegrou. Vale dizer, Israel passou de uma concessão sionista, socialista, de esquerda, para uma concepção nacionalista, com a religião ocupando cada vez mais o papel principal nessa história. Acho que essa desintegração impede que qualquer tipo de negociação de fato aconteça. Além disso, há o problema da Palestina, dividida em duas, sendo o Hamas outro grande obstáculo para a paz. Infelizmente, mesmo com a mudança da política americana após a saída de Bush, Obama ainda terá de enfrentar o conservadorismo de quem detém o poder em Israel. Temos a solução nas mãos, mas a política de Israel é contra ela. Só acredito numa pressão internacional forte dos EUA e da Europa, que até agora se mostrou passiva.</p>
<p><strong>Nesse sentido, um dos problemas críticos do mundo globalizado parece ser o inevitável choque de civilizações. Parece cada vez mais grave o confronto entre a cultura ocidental laica e o fundamentalismo islâmico. Trata-se de um conflito entre o mundo ancestral e a modernidade?</strong></p>
<p>Não diria que se trata propriamente de um conflito entre o mundo moderno e a ancestralidade. Seria um choque de civilizações se o mundo muçulmano não estivesse ocidentalizado. O problema é a identificação da cultura islâmica com o radicalismo de organizações terroristas. No desespero dos países árabes-islâmicos, onde a democracia fracassou, o povo se agarra na lei islâmica com tábua de salvação. Ocorre o mesmo do lado de Israel, onde a visão religiosa escamoteia um problema nacionalista. Não se trata, mais uma vez, de um choque das civilizações, mas de um retorno à barbárie.</p>
<p><strong>O Brasil escaparia a essa barbárie? O senhor costuma dizer que a pluralidade do País reflete a grandeza do Brasil, um possível modelo para o mundo. Como e onde vê essa grandeza?</strong></p>
<p>Para alguém que vem da Europa, um continente de nacionalidades fechadas, o Brasil sempre me pareceu aberto a outras etnias &#8211; e é essa civilização da mestiçagem brasileira que me interessa. Vejo a grandeza do Brasil na pluralidade étnica de Salvador e na biodiversidade da Amazônia. Acho, porém, que é importante a restituição dos territórios e o reconhecimento das culturas das populações indígenas, porque o mundo considera a Amazônia patrimônio da humanidade, mas pensa pouco na preservação dessas culturas. A noção de desenvolvimento hoje corrente pode ser devastadora para os índios &#8211; e não apenas para eles, mas para toda a humanidade, considerando que a integração dos índios à sociedade não pode significar a desintegração da cultura indígena. Isso pode trazer consequências graves, como a degradação da floresta pelo uso de pesticidas nos projetos agrícolas dos latifundiários. Claro, há também a questão urbana e a favelização das cidades, tão grave como o crescimento do número de carros em circulação. O Brasil é um país pacífico, sem espírito colonialista ou de revanche contra os outros. É também um país em desenvolvimento, embora esse desenvolvimento seja o da classe média &#8211; o que pode representar no futuro uma intoxicação consumista. É preciso, antes de consumir, recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.</p>
<p><strong>O senhor falou da grandeza da Amazônia. Como vê, então, a possibilidade de proteger a floresta com a precária educação ambiental dos invasores?</strong></p>
<p>Assentar os migrantes é, de fato, um grande problema, e acho que a demora em fazer uma reforma agrária no Nordeste pode significar o avanço da agroindústria na Amazônia, um perigo para a ecologia, como já disse. Infelizmente, a corrupção no Brasil ainda é muito grande &#8211; considero mesmo o problema principal do País. Respeito profundamente o passado e o presente do presidente Lula, mas acho que ele tem de enfrentar essa máquina infernal do liberalismo econômico que ainda vai destruir a Amazônia e as culturas indígenas, que são não só um patrimônio brasileiro, mas de toda a humanidade.</p>
<p><strong>Sendo a Amazônia um patrimônio universal, o senhor acredita que o mundo assistirá passivamente à destruição da floresta ou que o Brasil será forçado a permitir a vigilância &#8211; vale dizer, a intervenção &#8211; estrangeira?</strong></p>
<p>A África arranjou um jeito de parar com a devastação ao pressionar os países ricos a ajudar economicamente quem vive da exploração da madeira. O Brasil não é um país pobre, mas vai precisar da ajuda internacional para proteger esse patrimônio &#8211; porque não se trata só do território amazônico, mas da água, um bem universal. E também da solidariedade. Essa é a palavra que vai reger o futuro da humanidade, não mais o individualismo e a burocratização, que é o reverso da solidariedade. A grandeza do Brasil será um exemplo para essa civilização do futuro, que eu chamo de civilização do Sul, calorosa em oposição à cultura anglo-saxônica. Essa não suporta o toque e, infelizmente, influenciou muito a cultura brasileira, que sempre subestimou sua capacidade. O brasileiro não só assimila bem outras culturas, mas demonstra uma curiosidade inusual, uma cordialidade única.</p>
<p><strong>Seu discurso sobre solidariedade e um futuro mais humanista contrasta com o literário. A literatura contemporânea parece mais inclinada à distopia. Como o senhor analisa esse ceticismo dos escritores?</strong></p>
<p>A crise da humanidade deve-se em parte a uma crise do pensamento. A filosofia contemporânea está muito presa ao passado. O mundo dos intelectuais é, ao mesmo tempo, positivo e negativo. Nunca se precisou tanto deles e, ao mesmo tempo, nunca se viu tanta superficialidade nesse mundo. Penso num romance de Victor Hugo que se chama Quatrevingt-Treize (alusão ao ano 1793, em que Luís 16 foi decapitado e Robespierre espalhou o terror). Trata-se de um romance que mostra o horror provocado também por intelectuais de diferentes ideologias &#8211; um herói é condecorado por bravura e ao mesmo tempo condenado por negligência. Também é um ajuste de contas de Hugo com a história francesa e a própria história. É difícil escrever sem refletir sobre o presente, imaginando apenas o futuro. Temos de interagir com o mundo, participar dele, não apenas observar o que acontece. É o que mostra Muriel Barbery em L?Élégance du Hérisson (romance sobre um intelectual autodidata que, disfarçado de zelador inculto, interage com os moradores de seu prédio, entre eles um japonês). Recomendo entusiasticamente. É uma pequena maravilha.</p>
<p><strong>A cultura francesa perdeu o lugar que ela tinha no mundo. Ao que o senhor atribui essa falta de interesse?</strong></p>
<p>Estamos falando da hegemonia da cultura norte-americana, mas é preciso lembrar a época do nouveau roman e da nouvelle vague, quando a cultura francesa estava no auge. Tratava-se, então, de uma literatura e um cinema experimental. O nouveau roman introduziu não apenas inovações que mudaram radicalmente o romance, como abordou temas até então ausentes na literatura. A nouvelle vague também foi um momento histórico importante, permitindo o advento do cinema de autor e uma liberdade nunca antes vista na escolha dos assuntos, não só na França como no resto do mundo. Isso vale tanto para os EUA como para o Brasil, se considerarmos o Cinema Novo como descendente da nouvelle vague. Não tenho acompanhando a produção contemporânea, mas a reverberação do movimento é inegável. Basta citar dois exemplos de ousadia não só formal como temática: Amores Perros e 21 Gramas, do mexicano Alejandro González Iñárritu. São filmes soberbos, ao lado do mais recente, Babel.</p>
<p><strong>Frases<br />
</strong><br />
&#8220;O pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional<br />
acompanhe uma reforma moral e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. No lugar de separar o<br />
conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a um conexão entre vários modos de<br />
pensar.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não acredito em religiões de revelação, como o cristianismo e o<br />
islamismo, mas, além delas e das arcaicas, existe ainda uma terceira religião, que eu classificaria de laica, ou a religião a<br />
Fraternidade humana.Estamos perdidos num pequeno planeta<br />
dentro de um sistema e, justamente por estarmos perdidos, precisamos ajudar uns aos outros.&#8221;</p>
<p>&#8220;O Brasil é um país em desenvolvimento, embora ele seja o da classe média, o que pode representar no futuro uma<br />
Intoxicação consumista. É preciso recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.&#8221;</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.alcoberro.info/imatges/morin.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.alcoberro.info/imatges/morin.jpg" /></div>
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<h3><font size="5">A corrida pelo poder</font></h3>
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<p class="fonte">Antonio Gonçalves Filho</p>
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<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
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<div id="corpoNoticia"> O livro de estréia de Edgar Morin, O Ano Zero da Alemanha (1946), escrito quando ele tinha apenas 25 anos, acaba de ganhar sua primeira tradução brasileira. A obra chega no mesmo momento em que é lançado aqui O Mundo Moderno e a Questão Judaica. Entre ambos, a distância de 63 anos não diminuiu a importância do primeiro, que trata de um tema correlato: a corrida pelo poder. Se, em O Ano Zero da Alemanha, Morin analisa o momento de transição em que as potências mundiais disputam o espólio alemão após a morte de Hitler, em O Mundo Moderno e a Questão Judaica ele mostra como os acordos internacionais só servem para tornar ainda mais explosiva uma região marcada pela violência das disputas territoriais, analisando a ação de um Estado que nasceu justamente das ruínas do nazismo.</p>
<p>Dois outros livros de Morin também lançados este ano dialogam entre si: Cultura e Barbárie Europeias e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX. No primeiro, o ensaísta propõe uma reflexão sobre o avanço da barbárie. A obra mostra como a Europa sobreviveu a cinco séculos de dominação bárbara. No segundo volume de seu estudo sobre massificação cultural, apropriadamente batizado de Necrose, Morin analisa o tecido morto de um organismo que sobrevive às crises que estouram entre 1965 e 1975, obrigando o mundo a repensar o conceito de cultura, que, para o filósofo, significa a capacidade de quebrar, de transgredir as fronteiras entre os diferentes domínios do saber. Este, aliás, é o tema de seu livro Diálogo sobre a Natureza Humana, escrito com Boris Cyrulnik.</p></div>
<div id="corpoNoticia"></div>
<div id="corpoNoticia">
<div style="text-align: center"><img src="http://www.elpais.com/recorte/20080113elpepirtv_3/LCO340/Ies/Edgar_Morin.jpg" alt="http://www.elpais.com/recorte/20080113elpepirtv_3/LCO340/Ies/Edgar_Morin.jpg" /></div>
</div>
<div id="corpoNoticia">
<div id="c">
<h3><font size="5">Um mosaico de sequências em oposição</font></h3>
</div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">Antonio Gonçalves Filho</p>
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</span></p>
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<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>É primorosa a edição de Crônica de Um Verão lançada pela Videofilmes. Vem com um encarte que traz o manifesto de Edgar Morin sobre o cinéma verité e faixas comentadas por Eduardo Escorel, Eduardo Coutinho e Carlos Alberto Mattos. No entanto, uma nova versão ampliada do documentário &#8211; que inaugurou o cinéma verité com base na experiência de Flaherty e nas teorias de Dziga Vertov -, deverá sugerir outras leituras. A montagem está sendo supervisionada pelo próprio Morin (uma vez que Jean Rouch não está mais entre nós).</p>
<p>Não se trata apenas de um problema técnico, esse o de reduzir 25 horas filmadas a quatro ou cinco horas. É certo que há meio século já foi difícil para a dupla Rouch-Morin extrair do material original um filme de apenas 85 minutos &#8211; ainda mais uma produção ambiciosa que usava a palavra ?verdade? para se vender. A simples transformação do tempo real em cinematográfico, segundo Morin, era capaz de produzir novos significados a partir da montagem &#8211; e, se na época, já foi difícil juntar depoimentos heterogênios sobre um tema um tanto vago &#8211; como você vive? -, 50 anos depois parece uma tarefa impossível.</p>
<p>Pelo menos agora Morin não será pressionado pela produtora, a Argos Filmes, a montar um filme palatável. Ele promete uma edição sem concessões. Em 1960, Morin concebeu essa montagem com base numa cronologia, que começava na primavera e terminava no outono, acompanhando a evolução de certo número de pessoas escolhidas para dar depoimentos sobre seu cotidiano &#8211; de um operário da Renault a jovens africanos imigrantes, passando por um mecânico e uma pesquisadora.</p>
<p>Todos esses personagens emergem da vida cotidiana para falar de seus sonhos e discutir temas como a guerra da Argélia, as relações inter-raciais e o exibicionismo moderno (o biquíni acabava de conquistar Saint-Tropez). A montagem de Rouch desses depoimentos chegou a uma edição final de sete horas. A de Morin, quatro. Morin eliminou três horas. Rouch não concordou. Morin queria um mosaico &#8220;composto de sequências em oposição&#8221; conduzidas pelo tema &#8220;como você vive&#8221;. Rouch queria um filme mais biográfico. Para complicar, o produtor Anatole Dauman não dava nenhum crédito a Morin e tampouco aceitava a montagem de Rouch.</p>
<p>Revendo o filme, é compreensível a preocupação do produtor. Os próprios personagens não gostam muito do resultado. Nem mesmo os realizadores. Ficam frustrados e decidem que o ideal seria fazer uma versão de quatro horas para ser exibida em cineclubes, porque Crônica de Um Verão não era apenas um filme etnográfico como os outros de Rouch, mas um documentário &#8220;existencial&#8221;. E isso implica assumir o olho da câmera como psicanalítico. Não foi por acaso que alguns críticos, na época, acusaram a dupla Rouch-Morin de fazer psicanálise com ela. Teriam os dois o direito de convocar pessoas para um projeto como esse?</p>
<p>Passados quase 50 anos, essa é uma pergunta ainda difícil de responder, especialmente quando se acompanha o depoimento de uma deprimida. O filme é híbrido e desordenado, como admite Morin, mas de uma coisa ninguém pode acusá-lo: falta de ousadia.</p></div>
</div>
</div>
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		<title>Amor e dor</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/amor-e-dor/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/amor-e-dor/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 19:32:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ &#8220;Papai, se os passageiros [do voo AF 447] estão todos mortos, por que estão tirando os corpos do mar?&#8221; A pergunta foi feita por meu filho David, de sete anos, ao bater o olho numa das manchetes do jornal. Como eu não sabia a resposta, embrenhei-me em frenética pesquisa. As fontes ordinárias (enciclopédias, google [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> &#8220;Papai, se os passageiros [do voo AF 447] estão todos mortos, por que estão tirando os corpos do mar?&#8221; A pergunta foi feita por meu filho David, de sete anos, ao bater o olho numa das manchetes do jornal. Como eu não sabia a resposta, embrenhei-me em frenética pesquisa. As fontes ordinárias (enciclopédias, google scholar etc.) mal abordavam a questão. Decidi, então, lançar mão de um recurso extremo: fui à Amazon e, em meu Kindle, adquiri e baixei o livro &#8220;The Nature of Grief&#8221; (a natureza do luto), de John Archer, professor de psicologia da Universidade de Lancashire. Bem, vocês já podem adivinhar qual foi meu programa no fim de semana&#8230;</p>
<p>A pergunta de David é boa porque revela a pouca racionalidade por trás de alguns aspectos da operação de busca. Todos os nossos conhecimentos de física e medicina nos asseguram, para além de qualquer dúvida razoável, que nenhum dos ocupantes do Airbus pode ter sobrevivido à queda da aeronave. Eles estão irremediavelmente mortos. Não precisamos de cadáveres para prová-lo e, espero, nem para expedir os certificados legais necessários. Ainda assim, sempre que tragédias desse tipo acontecem, dedicamos enorme parte de nossas energias e recursos à localização, resgate e identificação dos corpos.</p>
<p>É verdade que o estado dos cadáveres, ao lado de partes da fuselagem, é um dos elementos a ser analisado na investigação do acidente, que tem como meta a prevenção de novos desastres &#8211;uma atitude definitivamente racional. Mas o zelo para com a recuperação dos corpos é um fenômeno que se verifica mesmo em situações em que as causas da tragédia já são conhecidas e nada há a investigar, como o 11 de Setembro.</p>
<p>Essa preocupação com os restos mortais pode assumir contornos surrealistas. Na última troca de &#8220;prisioneiros&#8221; entre Israel e a milícia libanesa Hizbullah, em julho do ano passado, o Estado judeu libertou cinco membros do grupo xiita e devolveu os cadáveres de 199 combatentes libaneses e palestinos como contrapartida pelo retorno dos corpos de dois soldados. Não há teoria dos jogos que justifique a racionalidade desses números. A única explicação reside no enorme peso que o Exército israelense dispensa aos restos mortais de seus homens.</p>
<p>E não são apenas os israelenses. É a humanidade como um todo. Não se trata de mero acaso que a Ilíada, a peça fundadora da literatura ocidental, possa ser descrita como uma história de lutos: o ciclotímico herói grego Aquiles, para vingar-se da morte de seu amigo (para alguns amante) Pátroclo, derrota em combate o troiano Heitor e lhe desfigura o corpo; tomado pelo horror diante dessa atitude, Príamo, rei de Tróia e pai de Heitor, encontra coma ajuda do deus Hermes uma forma de encontrar-se com Aquiles e, juntos, eles choram suas respectivas perdas. O épico termina na celebração de jogos fúnebres em honra a Heitor.</p>
<p>Homero não é um caso isolado. O luto é um tema constante na obra de Shakespeare (Hamlet, Romeu e Julieta), Dostoiévski (Irmãos Karamázov) e milhares de outros autores de diversos calibres.</p>
<p>Não há dúvida, portanto, de que se trata de um sentimento forte. Nem ao menos pestanejamos antes de enviar para buscas no meio do Atlântico seis belonaves da Marinha do Brasil e 12 aviões. Os franceses mandaram para a área duas embarcações e dois aeroplanos militares. Um submarino nuclear já deve ter chegado ao local. Os norte-americanos também estão ajudando.</p>
<p>É o caso, portanto, de perguntar de onde vem tal sentimento. É mais ou menos isso a que se propõe Archer em seu &#8220;The Nature of Grief&#8221;, uma ampla revisão sobre o tema, com abordagens psicológicas, etnográficas, etológicas e evolucionistas.</p>
<p>Embora outros animais, particularmente aves e mamíferos sociais, também demonstrem pesar quando algum parente morre, parece haver uma diferença fundamental entre o luto humano e o de diferentes espécies. Até onde sabemos, nossos vizinhos cladísticos não têm lá muita consciência da morte como algo definitivo e irrevogável. Neles, a angústia provocada pelo óbito não é muito diversa daquela engendrada por uma separação temporária. O luto animal seria como o de crianças até a faixa dos sete a nove anos, para as quais a morte ainda é um estado reversível, como pintada nos desenhos animados.</p>
<p>Essa consciência da situação especial da morte parece ter surgido tarde no desenvolvimento do Homo sapiens. Enquanto a inumação (o tratamento especial dado aos despojos mortais de parentes) é um universal humano, nada parecido jamais foi observado entre primatas. O máximo que nossos primos peludos fazem é seguir cuidando do cadáver por algumas horas, dias no máximo, até abandoná-lo em algum canto da floresta. Tal diferença permite datar a prática do sepultamento (sugestiva de um luto mais sofisticado) em algum momento posterior à marca de 5 milhões de anos atrás, quando nos separamos dos chimpanzés, nossos parentes mais próximos.</p>
<p>Qual seria a utilidade das emoções ligadas ao luto? Afinal, se ela evoluiu conosco, deve haver alguma razão para isso. Alguns autores de fato apostam numa presumida utilidade do luto. Não há muita dúvida de que ele pode ajudar a solidificar os laços entre os membros da espécie. Essa, entretanto, parece uma explicação improvável. A seleção natural dificilmente atua no nível da espécie. Ela normalmente o faz na esfera dos genes e dos indivíduos (na maioria das situações, esses dois níveis coincidem).</p>
<p>Assim, se o luto é um fenômeno que prejudica o indivíduo &#8211;e ele o faz, na forma de depressão que resulta em apatia, desatenção e baixa imunológica, entre outras condições indesejáveis&#8211;, por mais útil que ele possa ser para a espécie, não teria sido preservado ao longo de sucessivas gerações. Ao contrário, indivíduos mais propensos a exacerbar esse sentimento teriam maiores chances de morrer sem passar os genes do pesar para seus descendentes.</p>
<p>Soam mais verossímeis, portanto, as explicações que colocam o luto como um sentimento mal adaptado, uma espécie de dano colateral. Mais interessante ainda, ele seria o efeito indesejável do amor &#8211;este sim uma emoção &#8220;útil&#8221; para genes, indivíduos e espécies. Sofremos o pesar com a morte porque amamos. É a certeza de que a angústia da separação é permanente que nos leva às raias do desespero.</p>
<p>Outras espécies, como gralhas e gansos, põem-se a chamar pelo companheiro(a) quando ele(a) morre (quem o assegura é o grande cientista Konrad Lorenz, fundador da etologia). Não sabem que a morte é para sempre. E, de toda maneira, sair gritando é um comportamento útil nas muitas situações em que o animal não morreu, mas apenas se afastou por um motivo qualquer do amado(a). Algo semelhante a essa herança biológica, somada à consciência da mortalidade, é que produz o nosso luto &#8211;além, suspeito, de outros efeitos colaterais como a superstição e a religião.</p>
<p>Isto posto, resta-nos agora tentar entender por que damos tanta importância à recuperação do cadáver. Receio que aqui não possamos muito mais do que especular. Estudos empíricos mostram que mortes violentas e inesperadas, em que o corpo é desfigurado ou em que não é encontrado, ou que pareçam especialmente difíceis de &#8220;explicar&#8221; tendem a produzir lutos mais difíceis. Ao que parece, essa era uma situação mais ou menos comum em nosso passado evolutivo, em especial para representantes do sexo masculino, que saíam para caçar e frequentemente não retornavam. Nestes casos, encontrar o corpo era senha necessária para certificar-se da morte e seguir com a vida, contraindo novo matrimônio ou seja lá o que se fazia naqueles tempos. A quase certeza pode ser mais torturante que a certeza, especialmente quando parte de nós (e a parte mais forte, a dos sentimentos) se recusa a acreditar na perda &#8211;por menos razoável que seja essa possibilidade.</p>
<p>Não é uma conclusão brilhante, mas pelo menos me permite rejeitar a mais cruel hipótese levantada pelo David: &#8220;Já sei, é para os corpos não apodrecerem e envenenarem os peixes&#8221;.</p>
<div align="left"><img src="http://f.i.uol.com.br/folha/colunas/images/0726964.jpg" width="50" align="left" height="50" /></div>
<p><strong>Hélio Schwartsman</strong>, 42, é editorialista da <strong>Folha</strong>. Bacharel em filosofia, publicou &#8220;Aquilae Titicans &#8211; O Segredo de Avicena &#8211; Uma Aventura no Afeganistão&#8221; em 2001. Escreve para a <strong>Folha Online</strong> às quintas.</p>
<p><strong>E-mail: </strong><a href="mailto:helio@folhasp.com.br">helio@folhasp.com.br</a></p>
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		<title>Igreja em São Paulo faz casamento gay coletivo</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Jun 2009 16:08:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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O Globo
SÃO PAULO &#8211; A Igreja da Comunidade Metropolitana, em São Paulo, vai realizar neste sábado, véspera da Parada do Orgulho GLBT, um casamento gay coletivo. A cerimônia está marcada para às 18 horas, no auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo, na Rua Tamandaré, no bairro da Liberdade.
O casamento coletivo entre homossexuais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://1.bp.blogspot.com/_YoQ-L4mEoXM/SW2zRiev0_I/AAAAAAAABis/y4n_qht_e5E/s400/casamento+gay.bmp" alt="http://1.bp.blogspot.com/_YoQ-L4mEoXM/SW2zRiev0_I/AAAAAAAABis/y4n_qht_e5E/s400/casamento+gay.bmp" align="right" /><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99"><img src="http://www.jornalexpress.com.br/noticias/imagem.php?id_jornal=14242&amp;id_noticia=12" alt="http://www.jornalexpress.com.br/noticias/imagem.php?id_jornal=14242&amp;id_noticia=12" />O Globo</p>
<p>SÃO PAULO &#8211; A Igreja da Comunidade Metropolitana, em São Paulo, vai realizar neste sábado, véspera da Parada do Orgulho GLBT, um casamento gay coletivo. A cerimônia está marcada para às 18 horas, no auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo, na Rua Tamandaré, no bairro da Liberdade.</p>
<p>O casamento coletivo entre homossexuais acontece pela segunda vez na igreja. Em 24 de maio do ano passado, também véspera da Parada Gay, três casais formados por pessoas do mesmo sexo se casaram. Pelo menos seis casais devem participar da cerimônia este ano.</p>
<p>Os representantes da igreja dizem que amor não escolhe sexo e elogiam os que conseguem vencer todas as barreiras de uma união homossexual. Comunicado publicado no site da igreja diz que cresce na sociedade brasileira a consciência de que a homofobia (a rejeição intransigente a tudo que difere do padrão heterossexual) é um crime que põe em risco a democracia, cujo fundamento é o respeito à diversidade.</p>
<p>- É profundamente injusto e inaceitável que alguém sofra violência verbal, tenha seus direitos violados ou seja vítima de agressões físicas (inclusive assassinatos) por sua orientação sexual ou identidade de gênero. Contra o preconceito e discriminação aos GLBTs, milhões de pessoas saem às ruas em São Paulo para defender a vida e a dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus &#8211; diz a nota.</p>
<p>Os representantes da igreja dizem que acolhem e incentivam a união homossexual seguindo os valores do evangelho de Jesus Cristo. E invocam sobre estes casais as bênçãos divinas para que seus relacionamentos sejam no mundo um sinal visível da presença de Deus.</p>
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		<title>Depressão e capitalismo global</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 18:28:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Em O Tempo e o Cão, autora procura entender o mal-estar da sociedade contemporânea

&#160;
Luiz Zanin Oricchio &#8211; O Estado SP
&#160;

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Habituados, por dever de ofício, a ouvir os outros, os psicanalistas são seres que se autoobservam. Maria Rita Kehl dirigia seu carro pela Via Dutra, quando surgiu pela frente um cachorro. Não havia como parar, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c">
<h3> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/maria_rita_kehl_estadao.jpg" title="maria_rita_kehl_estadao.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/maria_rita_kehl_estadao.jpg" title="maria_rita_kehl_estadao.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/maria_rita_kehl_estadao.jpg" alt="maria_rita_kehl_estadao.jpg" width="555" height="399" /></a></div>
</h3>
<p><font size="4"><strong>Em O Tempo e o Cão, autora procura entender o mal-estar da sociedade contemporânea</strong></font></div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Luiz Zanin Oricchio &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_2Mp2pOYiP_Y/Sd5T7pqoonI/AAAAAAAAAUA/_vufBIkO_8g/s400/capa.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://3.bp.blogspot.com/_2Mp2pOYiP_Y/Sd5T7pqoonI/AAAAAAAAAUA/_vufBIkO_8g/s400/capa.jpg" width="142" align="left" height="243" /></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>Habituados, por dever de ofício, a ouvir os outros, os psicanalistas são seres que se autoobservam. Maria Rita Kehl dirigia seu carro pela Via Dutra, quando surgiu pela frente um cachorro. Não havia como parar, o carro estava acossado pelos caminhões que vinham por trás. O animal foi atropelado, e saiu mancando pelo acostamento. O choque fez a psicanalista meditar sobre a velocidade que preside a vida contemporânea, a aceleração que nos leva a reagir instantaneamente a tudo que acontece para, em seguida, esquecer com igual rapidez. Vivemos em regime de um eterno presente, cada vez mais intenso. E cada vez mais sem sentido, para não dizer &#8220;alienado&#8221;, conforme vocabulário de outra época.</p>
<p>Em sua clínica, e na própria literatura das profissões psi, Maria Rita tem observado o aumento de queixas de depressão. Talvez seja o mal-estar do século, a &#8220;moléstia&#8221; do capitalismo turbinado e globalizado. O cão da Via Dutra (que, afinal, não morreu no acidente) a ajudou a juntar as duas pontas do problema e relacionar a depressão com determinada experiência do tempo: talvez os deprimidos sejam os sujeitos que &#8220;sofrem de um sentimento de tempo estagnado, desajustados do tempo sôfrego do mundo capitalista&#8221;.</p>
<p>Esta a hipótese de O Tempo e o Cão (Boitempo, 304 págs., R$ 39), livro que faz com que análise clínica e crítica social dialoguem e se completem de modo a iluminar o fenômeno da depressão contemporânea. A seguir, a entrevista concedida pela psicanalista ao Estado.</p>
<p><img src="http://fellipefernandes.files.wordpress.com/2008/11/mrkehl.jpg" alt="http://fellipefernandes.files.wordpress.com/2008/11/mrkehl.jpg" align="right" /></p>
<p><strong>Primeiro, a questão do método. Eu me refiro à maneira eclética de mesclar conceitos psicanalíticos (em especial de Lacan) com ideias da filosofia, principalmente dos frankfurtianos, a partir de Benjamin. Como chegou a essa síntese fértil para abordar um tema específico como o das depressões? </strong></p>
<p>Esta primeira pergunta me é particularmente interessante. Na verdade, o que faço não é nada novo. O próprio pensamento de Lacan, muitíssimo mais abrangente que o meu, dialoga constantemente com pensadores de outras áreas, tanto os contemporâneos dele quanto os clássicos. Os frankfurtianos, por sua vez, incluem a psicanálise como uma das ferramentas da teoria crítica &#8211; entre eles, penso que quem melhor compreendeu Freud foi Walter Benjamin. Hoje quem faz isso com mais ousadia, a meu ver, é o Slavoj Zizek; no Brasil, posso citar rapidamente Paulo Arantes e Vladimir Safatle, entre outros, de modo que me considero muito bem acompanhada.</p>
<p><strong>O título do livro, O Tempo e o Cão, refere-se diretamente a uma experiência, que imagino um tanto traumática, de atropelar um cachorro na estrada. Gostaria que explicasse como elaborou esse incidente no sentido de uma percepção das relações entre a depressão e a temporalidade. </strong></p>
<p>Foi um acidente de pequena importância até mesmo para o cão, que consegui não matar por sorte. Por pouco, a velocidade normal do tráfego na Via Dutra, entre caminhões e ônibus, me obrigaria a passar por cima dele. Se em vez de um cão fosse uma criança seria impensável não frear, mas teria provocado um acidente de proporções tremendas. Qual a novidade disso? Sabemos que a velocidade regular de nossa vida cotidiana é brutal; estamos habituados a ela. Mas o incidente na estrada me fez pensar nos efeitos subjetivos da aceleração da vida contemporânea. Na época andava lendo Benjamin, para quem a atividade contínua de &#8220;aparar os choques&#8221; da vida moderna (repare que ele escrevia sobre Paris no final do 19) é incompatível com a dimensão da experiência e está entre as causas do que ele chama de melancolia. Comecei a pensar no livro por aí.</p>
<p><strong>Interessantes as objeções ao uso intensivo dos medicamentos no tratamento psiquiátrico das depressões. A doutrina da &#8220;eficácia contemporânea&#8221; passa necessariamente pela medicalização do sintoma? </strong></p>
<p>Eu não condeno em bloco o uso dos antidepressivos. Sei que muitas pessoas dependem de medicação até para sair de casa e chegar ao analista. Os antidepressivos podem salvar vidas. Minha crítica se refere ao uso indiscriminado de medicamento como tentativa de apagamento do sujeito do inconsciente, segundo a lógica de que o valor da vida se mede pela eficiência. Os efeitos dessa aliança sobre o modo como as pessoas tentam suprimir as próprias crises normais da existência com medicamentos, a meu ver, incluem-se entre as causas do aumento das depressões no século 21.</p>
<p><strong>De que maneira isso também pode ser interpretado como uma conivência entre a psiquiatria e o interesse econômico dos laboratórios? </strong></p>
<p>Este é um fato objetivo. A pressão dos laboratórios sobre os psiquiatras, a presença maciça das grandes marcas de medicamentos a financiar congressos de psiquiatria, o prestígio dos medicamentos de última geração, em relação aos quais os psiquiatras temem ficar desatualizados e perder clientela, etc. A psiquiatria hoje está tão atrelada às descobertas da indústria farmacêutica que, de acordo com alguns críticos da área, a produção de um pensamento teórico sobre as doenças mentais se reduziu a zero. Virou uma &#8220;psiquiatria veterinária&#8221;, na expressão do psicanalista André Green. Mas há importantes exceções a este estado de coisas; não são poucos os psiquiatras que indicam que a medicação deva ser acompanhada de alguma forma de terapia da palavra.</p>
<p><strong>De qualquer forma, o que parece contar mesmo é a &#8220;aceleração do tempo&#8221; contemporâneo. Ponho entre aspas porque o tempo não acelera e sim a nossa percepção dele. Você associa esse fenômeno às novas tecnologias, ao chamado turbocapitalismo? Estes fenômenos predispõem à depressão?<br />
</strong><br />
Você tem toda a razão, não é o tempo que acelera, somos nós. Aliás, o que é o tempo? A leitura de Henri Bergson me foi de grande valia para pensar nessa questão. A impressão que se tem, desde a revolução industrial, é que o tempo em sua dimensão cronológica vem se acelerando de uma forma exasperante. Quanto mais tentamos aproveitar o tempo, quanto mais dispomos das horas e dos dias segundo a convicção de que &#8220;tempo é dinheiro&#8221;, mais sofremos do sentimento de desperdiçar a vida. Você já reparou que depois de uma semana muito corrida, com a agenda repleta de compromissos, tem-se a impressão de que o tempo voou e nada aconteceu? O que me preocupa é que, na tentativa de fazer render o tempo desde o começo da vida, hoje os pais de classe média e alta começam a educar seus filhos segundo o mesmo princípio da agenda cheia. Algumas dessas crianças cheias de compromissos se tornam insatisfeitas, dependentes de estimulação externa, incapazes de devanear e inventar brincadeiras quando estão desocupadas.</p>
<p><strong>Achei interessante (e alarmante) essa questão das mães ansiosas, que não conseguem dar aos filhos o seu devido tempo e mantêm uma expectativa alta em seu desempenho. Em que medida isso afeta a criança e a predispõe à depressão? A posição (enfraquecida) dos pais também chama a atenção. De que maneira a família nuclear parece se desagregar atualmente por força das exigências sociais crescentes?<br />
</strong><br />
Essa pergunta são duas, certo? A ansiedade materna, bem antes de se manifestar como expectativa pelo desempenho da criança, tem a ver com a pressa em mantê-la sempre satisfeita. Mas a melhor forma de amar uma criança não é impedir que ela conheça a falta: a falta é constitutiva do aparelho psíquico. Ela não pode faltar! A criança começa a virar gente (sujeito) ao inventar recursos simbólicos para lidar com o vazio e a insatisfação. Ora, a sociedade em que vivemos é regida por essa espécie de imperativo kantiano às avessas: goze. Que dizer da obrigatoriedade do gozo? Ela só não é mais danosa porque é impossível de cumprir. Aqui entra sua segunda questão: os chamados pais enfraquecidos são exatamente os que vivem em dívida com a satisfação de seus filhos. Difícil encontrar algum ideal tão inquestionável quanto o prazer. Mesmo os pais que não desconhecem a função de colocar limites aos excessos de suas crianças, não encontram outros ideais para transmitir a elas.</p>
<p><strong>De certa forma, a modernidade pode ser vista como uma patologia do tempo, que atingiu um ponto insuportável de aceleração. Acredita que esse fator ou pode produzir outros sintomas psíquicos além da depressão?</strong></p>
<p>Certamente sim: as drogadições, por exemplo, não seriam sintomas da urgência em gozar que comanda a vida contemporânea? E a violência banalizada nas grandes cidades, não seria sinal do encolhimento da capacidade de negociar conflitos em função dessa mesma urgência?</p>
<p><strong>Você acredita que um estudo psicanalítico desse tipo funciona também como uma crítica ao capitalismo contemporâneo, ao consumismo, à reificação crescente, etc?</strong></p>
<p>Espero que sim, ainda que as críticas jamais tenham tido o poder de derrubar o capitalismo. O que o poderá derrubar, algum dia, serão as condições materiais concretas produzidas por suas próprias contradições. Nossa: agora falei como uma cartilha. Mas penso que a produção do pensamento crítico é um importante dispositivo contra o conformismo, o sentimento fatalista de que está &#8220;tudo dominado&#8221;, de que o capitalismo conseguiu anular todas as visões de mundo diferentes dele. A crítica é um &#8220;veneno antimelancolia&#8221;, no sentido benjaminiano da &#8220;indolência do coração&#8221; que caracteriza a atitude fatalista.<br />
<strong><br />
Já detectou em sua clínica alguma repercussão da atual crise econômica mundial? Acha que ela contribuirá para gerar mais depressivos ou ao contrário, pode produzir uma conscientização crítica do modelo atual? </strong></p>
<p>No meu consultório, casualmente, não. Pode ser questão de tempo. Quanto à crise atual provocar ainda mais depressões, respondo que sim, no que concerne ao desemprego, ao desamparo, à desesperança dos que são chutados para fora do sistema produtivo como seres supérfluos. E por outro lado, não: o abalo do pensamento único que correspondia ao triunfo da concentração do capital financeiro poderá ter interessantes efeitos antidepressivos. Somos novamente convocados a pensar, fazer projetos coletivos, resgatar esperanças em outra ordem mais justa que esta que causou o desastre. O singular, o modesto, o pequeno, poderão retomar seu trabalho nas brechas do grandioso, do monumental, do &#8220;dinheiro que apenas se olha&#8221; (Débord). Os movimentos sociais poderão se revitalizar; as pessoas poderão reinventar a ação política e deixar de se sentir supérfluas. Quem sabe o fatalismo melancólico deixe de dominar a subjetividade?</p>
<p><strong>Você acha que a proliferação de manuais de autoajuda, de receitas de felicidade, tem algo a ver com a &#8220;felicidade obrigatória&#8221; que a sociedade do desempenho nos prescreve? </strong></p>
<p>Concordo com você. Mas respeito aqueles que, na falta de outros recursos, buscam nesses livros caminhos para sair da depressão. Ocorre que o ideal de felicidade, que no século 18 nos libertou do conformismo religioso, hoje se tornou opressivo. Virou uma subideologia da sociedade de consumo. Ora, a felicidade não é uma mercadoria que se possua. Não é uma conquista do ego; ela não para quieta, não nos garante nada. As pessoas sentem-se culpadas por não possuir a tal felicidade, o que os torna ainda mais infelizes. Prefiro, com Oswald de Andrade, deixar de lado a felicidade e apostar na prova dos nove da alegria.<br />
<strong><br />
Você vê possibilidade de diminuir o sofrimento do depressivo, sem alterar as condições sociais que com ele se relacionam? </strong></p>
<p>Você me permite esclarecer um ponto importante. A ideia de que a depressão seja um sintoma social não significa que os depressivos devam ser tratados como casos sociológicos. Os depressivos devem ser escutados, como todos os que buscam a psicanálise, um a um. Assim, em sua singularidade irredutível, deve ser conduzida a análise dos depressivos &#8211; que passa, necessariamente, pela reversão da forma como cada um deles se deixou alienar (como todo sujeito, aliás) pelas formações hegemônicas do imaginário social.</p></div>
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		<title>A revisão do Plano Diretor de São Paulo e a mobilização cidadã</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Mar 2009 18:25:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Prezado,
Tenho acompanhado seu blog que disponibiliza importantes materiais sobre a politica urbana de São Paulo.
Encaminho essa mensagem com conteudos sobre a revisão do Plano Diretor, para se possivel, ser dada publicidade.
muito obrigada!
Cidade Viva




 LEGALIDADE DO PROJETO DE LEI DO KASSAB SERÁ VOTADA NA CÂMARA

(a mensagem segue com links no corpo do texto para acessar materiais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="gmail_quote">Prezado,</div>
<div class="gmail_quote">Tenho acompanhado seu blog que disponibiliza importantes materiais sobre a politica urbana de São Paulo.</div>
<div class="gmail_quote">Encaminho essa mensagem com conteudos sobre a revisão do Plano Diretor, para se possivel, ser dada publicidade.</div>
<p>muito obrigada!</p>
<h3 class="gD" style="color: #00681c"><span email="pelacidadeviva@gmail.com">Cidade Viva</span></h3>
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<div style="text-align: center"></div>
<div style="text-align: center"> <strong><font size="4">LEGALIDADE DO PROJETO DE LEI DO KASSAB SERÁ <span style="color: #cc0000">VOTADA</span> NA CÂMARA<br />
</font></strong></p>
<div>(a mensagem segue com links no corpo do texto para acessar materiais na íntegra)</div>
</div>
<div><font size="4"><br />
A <strong style="color: #990000">Audiência Pública</strong> realizada no dia 13, última sexta-feira, debateu a <strong style="color: #000099">CONSTITUCIONALIDADE</strong> do </font><font size="4"><a href="http://www.camara.sp.gov.br/projintegrapre.asp?fProjetoLei=671%2F07&amp;sTipoPrj=PL" target="_blank">Projeto de Lei</a></font><font size="4"> (<a href="http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=11102007PL006712007CAMARA" target="_blank">PL 671/07</a>) do Kassab, o qual <strong><span style="color: #cc0000">REVOGA</span></strong> o atual Plano Diretor Estratégico (<a href="http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=14092002L%20134300000" target="_blank">Lei 13.430/02</a>) e o Plano Diretor Regional (<a href="http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=06102004L%20138850000" target="_blank">Lei 13.885/04</a>) do Municipio de São Paulo.</font><font size="4">Nesta audiência, ficou bem clara a<font size="6"><u> </u></font><strong style="color: #cc0000"><font size="6"><u>ilegalidade</u></font> </strong>do Projeto, de acordo com as falas do Ministério Público (Cláudia Beré), de representantes das entidades e de alguns vereadores sensíveis ao fato. <strong style="color: #ff6600">Isto também foi possível graças a pressão exercida pela presença  de aproximadamente <span style="color: #ff0000">800</span> pessoas da sociedade civil.</strong></font><font size="4"> Porém, <strong><u>estas ações não são suficientes!! isso tudo corre o risco de ser revertido!!!</u></strong></font></p>
<p><font size="4"><strong style="font-family: comic sans ms,sans-serif">Só com a nossa presença poderemos evitar que esse projeto ilegal siga em frente, a presença da população na câmara é muito significativa e pressiona os vereadores a cumprirem o que prometeram na última audiência, se possível levem faixas e instrumentos para chamar a atenção antes da audiência.</strong></font></p>
<div style="text-align: center"><font size="4"><strong><font style="color: #003300" size="6">Haverá </font></strong></font><strong style="color: #003300"><font size="6">nova <a href="http://www.camara.sp.gov.br/audienciapublica.asp" target="_blank">AUDIÊNCIA PÚBLICA</a></font></strong><br />
<strong style="color: #003300"><font size="4"> onde a <font style="font-family: arial black,sans-serif" size="4">Comissão de Constituição e Justiça</font> </font></strong><br />
<strong style="color: #003300"><font size="4"> vai <font style="font-family: arial black,sans-serif; color: #003300" size="6">votar</font> e dar seu parecer sobre a LEGALIDADE deste Proj. de Lei.</font></strong><br />
<strong style="color: #003300"> <font size="4"><span style="font-weight: normal"></span></font><span style="font-family: Verdana; font-size: 13px; line-height: 16px"></p>
<div style="margin: 0px 0px 0.75em; line-height: 1.3em"></div>
<p></span></strong><br />
<strong style="color: #003300"> <span style="font-family: Verdana; font-size: 13px; line-height: 16px"></p>
<div style="margin: 0px 0px 0.75em; line-height: 1.3em; font-family: arial black,sans-serif"><font size="4">DIA 25.03 &#8211; quarta-feira, às 9hs</font></div>
<div style="margin: 0px 0px 0.75em; line-height: 1.3em">Local: Câmara Municipal &#8211; Viaduto Jacareí, 100 &#8211; salão nobre no 8 andar.</div>
<p></span></strong></div>
<p><font size="4"><span style="color: #990000">Neste dia será lido o relatório da Comissão sobre a última audiência e haverá votação pela continuidade ou não do projeto .<br />
Sabemos que devido a força econômica e ao <a href="http://1.bp.blogspot.com/_URdeP8rOOsg/SbiS2joY3jI/AAAAAAAAAB4/uCWaakEVkq8/s1600-h/Lista+do+Rabo+Preso.jpg" target="_blank">&#8220;rabo preso&#8221;</a> da maior parte dos vereadores desta comissão, a justiça só acontecerá se estivermos presentes e pressionarmos !<br />
</span></font><font size="2">(visto o exemplo do último Proj. de Lei &#8211; PL 87/09 &#8211; sobre concessões urbanísticas, que apresenta sérias irregularidades e inconstitucionalidades, e foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça).</font><font size="4"><br />
</font><br />
<font size="4"><span style="color: #990000"></span><br />
<strong>Este Projeto de Lei altera </strong></font><font size="4"><strong>substancialmente o atual Plano Diretor Estratégico e o Plano Diretor Regional</strong>, <strong style="color: #ff6600">sem a participação da comunidade</strong>, e <span style="color: #ff0000">EXCLUI</span> <span style="color: #ff0000">INTEGRALMENTE</span> os capítulos sobre <a href="http://politicasbairrosvivos.blogspot.com/" style="color: #6600cc" target="_blank"><strong><font size="4"><u>Políticas de Turismo; Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida; Trabalho, Emprego e Renda; Educação; Saúde; Assistência Social; Cultura (ficando Patrimônio Histórico e Cultural); Esportes, Lazer e Recreação; Segurança Urbana; Abastecimento; Agricultura Urbana</u></font></strong></a> (do artigo 17 ao 53, clique no <a href="http://politicasbairrosvivos.blogspot.com/" target="_blank">link</a> para ter acesso aos artigos na íntegra) da lei do PDE vigente, sendo elas as ações estratégicas.</font></div>
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<div class="gmail_quote"><strong><span style="color: #333333; font-family: Verdana; font-size: 13px; line-height: 16px"></span></strong><br style="color: #330033" /></p>
<div>
<div><font><font size="4"><span style="color: #330033">Estão sendo excluidos artigos referente ao <strong>Bilhete Único,</strong> promoção do <strong>SUS</strong>, educação para <strong>pessoas portadoras de necessidades especiais</strong>, apoio à pessoas <strong>vítimas de violência</strong> e de situações emergenciais, de <strong>segurança pública</strong>, de <strong>segurança alimentar</strong>, instrumentos de <strong>participação da sociedade civil</strong> na administração pública, de <strong>acesso à moradia</strong> para pessoas de baixa renda, diminui a porcentagem de áreas de <strong>Zona Especial de Interesse Social</strong> (ZEIS)!!!</p>
<div>
<div>O <strong>Plano Diretor Estratégico</strong> é o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana, <strong>determinante para todos os agentes publicos e privados</strong> que atuam no Município, de acordo com a lei federal do</div>
</div>
<p></span><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10257.htm" style="color: #330033" target="_blank">Estatuto da Cidade</a><span style="color: #330033">. Com as alterações que o prefeito pretende, toda a legislação que garante direitos e acesso à serviços será suprimida. </span></font></font><font><font size="4"><span style="color: #330033">Exclui quase todo instrumento de caráter participativo da população sobre a gestão municipal.</span></font></font></p>
<div>
<div><font><font size="4"><span style="color: #330033"></span><br style="color: #330033" />                        <br style="color: #330033" /><span style="color: #330033">O caráter desse Projeto de Lei é de flexibilizar toda a legislação para o setor privado, principalmente o setor dos empreendimentos imobiliários,</span></font></font><font size="4"> <strong>maior financiador de campanha</strong> do nosso Prefeito e Vereadores  </font></div>
</div>
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<div><font size="4"><strong><br />
</strong></font></p>
<div>
<div><font size="2"><font face="Arial"><br />
</font></font></p>
<div style="text-align: center"><font size="4"><strong><font face="Arial"><a href="http://www.grupos.com.br/blog/plano-diretor/permalink/28025.html" target="_blank">ABAIXO ASSINADO DAS ENTIDADES CONTRA O ATUAL PROJETO DE REVISÃO DO PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO</a></font></strong></font></div>
<p><font size="2"><font face="Arial"><br />
</font></font><font size="4">Para saber mais acesse: <a href="http://bairrosvivos.blogspot.com/" target="_blank">bairrosvivos.blogspot.com</a> </font><br />
<font size="6"><font size="4"><br />
Para receber os informes sobre este processo envie um e-mail para: <a href="mailto:pelacidadeviva@gmail.com" target="_blank">pelacidadeviva@gmail.com</a> </font><br />
</font></p>
<div style="text-align: center">          <font size="6"><span style="color: #330033"><br />
REPASSEM!!!</span></font></p>
<div style="text-align: left"><font size="4"><strong>Em anexo, texto encaminhado ao Ministério Público pelas entidades, discorre sobre a inconstitucionalidade dessa revisão em diversos pontos.</strong></font><font style="color: #000066" size="4"><strong><br />
Abaixo, alguns tópicos que tornam este projeto inconstitucional:</strong></font></p>
<ul>
<li style="color: #000099; font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3">a Prefeitura não cumpriu o processo de ampla participação popular  exigido pelo Estatuto da Cidade antes do envio do projeto aos vereadores. A ausência de participação popular na revisão do Plano Diretor pode acarretar inclusive as penalidades previstas pela Lei de Improbidade Administrativa, nos termos do que dispõe o art. 52 do Estatuto da Cidade. Nos processos de revisão dos Planos Diretores deve ser garantida a publicidade através de: (i) <strong>ampla comunicação em linguagem acessível nos meios de comunicação de massa </strong>(ii) <strong>ciência do cronograma, locais de reunião, apresentação de estudos e propostas com antecedência mínima de 15 dias</strong>; (iii) <strong>publicação e divulgação dos resultados dos debates e propostas  adotadas nas diversas etapas do processo</strong> (art. 4°, <a href="http://www.cidades.gov.br/conselho-das-cidades/resolucoes-concidades/resolucoes-no-01-a-34/ResolucaoN25De18DeMarcoDe2005.pdf" target="_blank">Resolução 25</a>, Conselho Nacional das Cidades).</font></li>
<li style="font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3"><span style="color: #006600">O processo apenas prevê formalmente a realização de “plenárias descentralizadas”. No entanto estas reuniões não têm a adequada divulgação ou a disponibilização de informações que permitam embasar o posicionamento da sociedade civil. Neste contexto de deliberada desinformação e desorganização só pode prevalecer o caos ou o acobertamento interesses escusos não confessáveis em ambiente público. Estas plenárias cumprem apenas um papel burocrático, servindo apenas para referendar, sem possibilidade real de deliberação sobre o amplo conjunto de alterações propostas. </span><br />
</font></li>
<li style="color: #990000; font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3"><strong>Dos cerca de 43 Instrumentos Normativos Previstos no PDE, apenas 6 foram implementados, sendo que permanecem cerca de 37 sem regulamentação. Sua não implementação demonstra o pouco interesse do executivo em implementar a legislação urbanística da cidade.</strong></font></li>
<li style="font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3">Na proposta de Revisão apresentada por SEMPLA <strong>são suprimidos sem nenhuma explicação ou avaliação todos os artigos relativos à políticas públicas,</strong> em especial no TÍTULO II &#8211; DAS POLÍTICAS PÚBLICAS: OBJETIVOS, DIRETRIZES E AÇÕES ESTRATÉGICAS  &#8211; do artigo 15 em diante do CAPÍTULO I .<br />
Assim são suprimidas as Diretrizes, Objetivos e Ações Estratégicas das áreas  de do Desenvolvimento Econômico e Social, Turismo,   Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida, Trabalho, Emprego e Renda, da Educação, da Saúde, Assistência Social, Cultura, Esportes, Lazer e Recreação, Segurança Urbana, Abastecimento, Agricultura Urbana.<br />
<strong>A  supressão desses artigos afrontam a Lei Orgânica e a Lei do PDE</strong> pois retiram-se de roldão todas as “demais políticas públicas que excedem o âmbito da fixação da política de desenvolvimento urbano, no aspecto da ordenação físico-territorial e cumprimento das funções sociais da cidade, que regem-se pelas disposições da Lei Orgânica do Município” (Art. 19 da Minuta de Revisão do PDE).<br />
</font></li>
<li style="color: #330099; font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3">o que se vê é a redução de áreas destinadas à habitação popular, a alteração de índices urbanísticos, coeficientes de aproveitamento, recuos, gabaritos de edificações sem debate público e controle social, chegando a infringir dispositivos do Estatuto da Cidade, tal como a obrigatoriedade de reassentar os moradores de baixa renda removidos de áreas de Operações urbanas em áreas desta mesma Operação, retirando componentes como o “direito à terra urbana” contido no conceito de direito á cidade sustentável definido no Estatuto da Cidade. Atém mesmo disposições do Estatuto dos Idosos, a proposta de revisão da Prefeitura retira, contida no plano vigente como  “previsão de reserva de parcela das unidades habitacionais para  atendimento dos idosos”, uma das ações estratégicas da Política Habitacional.</font></li>
<li style="color: #cc6600; font-family: comic sans ms,sans-serif"><font size="3">O processo de revisão possui,  claramente, dois objetivos (de acordo com o artigo 293 do PDE vigente):<br />
1. O de promover adequações, devendo esta ser entendida como correções e aprimoramentos da lei para atingir os objetivos definidos no capítulo II “Dos princípios e objetivos gerais do Plano Diretor Estratégico”, do Título I, que trata da  “Conceituação, finalidade, abrangência e objetivos gerais do plano diretor estratégico”.<br />
As adequações da revisão do Plano Diretor se restringem as “ações estratégicas” de acordo com o ‘caput’ do artigo 293. As ações estratégicas estão previstas no Título II do Plano Diretor estratégico em vigor, Lei Municipal  nº 13.430/2002, que trata “Das Políticas Públicas: Diretrizes e Ações Estratégicas”.<br />
Desta forma, as adequações possíveis na revisão em comento devem restringir-se ao aprimoramento e correções do Título II, que é integrado pelos seguintes capítulos:<br />
- Do Desenvolvimento Econômico Social (cap. I)<br />
- Do Desenvolvimento Humano e Qualidade de Vida (cap. II)<br />
−Do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Urbano (cap. III)<br />
2.    O de promover acréscimo de áreas passiveis de aplicação dos instrumentos previstos na Lei Federal nº 10.257/2001 &#8211; Estatuto da Cidade e previsto no Plano Diretor vigente, quais sejam:<br />
- os instrumentos de ordenação territorial (cap. II, Título III).<br />
- os Instrumentos de Gestão Urbana e Ambiental (cap. III, Título III).<br />
- os Instrumentos de Gestão democrática (Título IV).</font></li>
<li><font size="3"><strong style="color: #000066"><span style="font-family: comic sans ms,sans-serif">Não há qualquer obrigatoriedade de revisão dos Planos Regionais e Lei de Uso e Ocupação do Solo concomitantemente à revisão do Plano Diretor, pelo contrário, querer proceder a revisão deste conjunto de leis ao mesmo tempo, impossibilita a participação da sociedade civil em todos esses processos de discussão pública e definição do futuro da cidade.</span></strong></font></li>
</ul>
<p><strong style="font-family: arial black,sans-serif">Na manifestação do defensor Carlos Loureiro na ação civil pública foram enumerados uma série de argumentos que demonstram a necessidade de mais debate sobre o tema:</strong></p>
<p><strong><span style="color: #330033">1) O processo participativo foi coordenado pelo próprio governo, quando deveria ter sido por um órgão com representantes da sociedade civil;</span><br />
<br style="color: #330033" />           <span style="color: #330033">2) A convocação para as audiências públicas, embora realizada com 15 dias de antecedência, se deu apenas por jornais e em uma só oportunidade, o que não é suficiente para atingir toda a população da cidade;<br />
<br style="color: #330033" /></span><span style="color: #330033">3) Não houve publicação, nem divulgação dos resultados dos debates e das propostas que teriam sido acolhidas e/ou rejeitadas em cada uma das audiências públicas gerais e regionais;<br />
<br style="color: #330033" /></span><span style="color: #330033">4) A organização do processo participativo se deu apenas por divisão territorial, desprezando-se outros critérios como segmentos sociais (mulheres, indígenas, pessoas com necessidades especiais, entre outros) ou temas de política pública, como saúde, educação, transporte etc;<br />
<br style="color: #330033" /></span><span style="color: #330033">5) O processo participativo de revisão do plano diretor não foi articulado com o planejamento orçamentário da cidade, o que impede saber se haverá verbas suficientes para cumprimento das alterações realizadas;<br />
<br style="color: #330033" /></span><span style="color: #330033">6) Não houve nenhuma ação de sensibilização, mobilização e capacitação da população da cidade, que é necessária para que o cidadão possa compreender o planejamento urbano e participar</span></strong></div>
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<p>&#8211;<br />
Arquivos sobre o Plano Diretor Estratégico, PL 671/07, e Operação Urbana Vila Sônia, acesse:<br />
<a href="http://bairrosvivos.blogspot.com/" target="_blank">bairrosvivos.blogspot.com</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os excomungados</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 19:31:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Cláudio Gonçalves Couto &#8211; VALOR
O noticiário da semana que passou ficou marcado pela polêmica travada em torno do aborto legal dos fetos gêmeos de uma menina de apenas nove anos de idade, sistematicamente violentada pelo padrasto, que acabou por engravidá-la. O evento, por si só, já seria suficiente para suscitar a atenção da opinião pública [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://onirym.online.fr/v3/imgs/goupillon.gif" alt="http://onirym.online.fr/v3/imgs/goupillon.gif" align="left" /></p>
<p style="background-color: #ffff99">Cláudio Gonçalves Couto &#8211; VALOR</p>
<p>O noticiário da semana que passou ficou marcado pela polêmica travada em torno do aborto legal dos fetos gêmeos de uma menina de apenas nove anos de idade, sistematicamente violentada pelo padrasto, que acabou por engravidá-la. O evento, por si só, já seria suficiente para suscitar a atenção da opinião pública e do público em geral, tendo em vista o horror que justamente provocam na sociedade violências física e moral do tipo a que foi submetida essa criança. Ademais, a solução do aborto, embora legal, aparece como também socialmente controversa em virtude das convicções e dúvidas que muitos alimentam em torno dela em decorrência de suas crenças religiosas, científicas ou simplesmente humanitárias.</p>
<p>O ápice da polêmica, contudo, deveu-se às declarações do arcebispo de Olinda e Recife, D. José Cardoso Sobrinho. O religioso veio a público dar conta de que seriam excomungados não só todos os membros da equipe médica envolvida com o procedimento abortivo, mas também a mãe da criança &#8211; que se recusou a ouvi-lo, apesar das tentativas que fez de contatá-la para convencê-la de que sua filha deveria levar a gravidez até o fim, a despeito dos riscos que tal opção comportava. No entendimento da Igreja, os riscos da sobrevivência da menina não justificariam o aborto.</p>
<p>Mas que significado tem a excomunhão? Ao excomungar os profissionais de saúde e a mãe da criança, a Igreja Católica colocou-os para fora de sua coletividade. A razão para isto foi o desrespeito por parte dessas pessoas, supostamente católicas, a algumas de suas normas fundamentais. Da mesma forma que partidos expulsam de suas fileiras correligionários infiéis que tomam posicionamentos públicos inconsistentes com as diretrizes da legenda, igrejas defenestram seguidores que não se mostraram suficientemente fiéis. Cada organização procura assegurar a disciplina de seus componentes lançando mão dos recursos que tem à mão. E uma vez que as normas da Igreja são claras a este respeito, estipulando a sanção terrena do expurgo para determinadas transgressões, dentre as quais figura todo e qualquer aborto, não teríamos por que nos surpreender com a medida anunciada pelo arcebispo. Ela é consistente com posições que a Igreja Católica vem enfaticamente defendendo nos últimos anos.</p>
<p>O estupor social diante da excomunhão, contudo, é causado por dois fatores. Em primeiro lugar, porque o posicionamento de boa parte da sociedade sobre um caso como este dista bastante daquele da Igreja. Para parte considerável da opinião pública e do público em geral (assim como para a lei brasileira), justifica-se o aborto em alguns casos, dentre eles o da gravidez provocada por violência sexual. O fato de se tratar de uma criança de menos de 10 anos apenas reforça esta percepção. Por isto, a posição inflexível da Igreja é notada por muitos como uma insensatez obscurantista, um sinal de draconiana insensibilidade diante do sofrimento da criança e das consequências que não somente a violência sofrida até aqui lhe causou, mas que poderia ainda lhe provocar a continuidade da gestação. Noutros termos, o primeiro problema é a distância entre o que pensa a Igreja e o que pensa considerável contingente da sociedade contemporânea.</p>
<p>O segundo fator é a percepção que tem a sociedade do estigma de quem carrega a pecha de &#8220;excomungado&#8221;. Em entrevista à &#8220;Folha de S. Paulo&#8221; de sábado, o arcebispo indicou que o delito cometido pela equipe médica e pela mãe da criança é, segundo as normas da Igreja, pior do que aquilo que fez o padrasto da vítima: estuprá-la. Ou seja, se merece se tornar um excomungado quem pratica &#8211; aos olhos da Igreja &#8211; um crime maior do que matar e estuprar crianças, entende-se que os excomungados devem ser gente realmente detestável, pior do que os pedófilos e assassinos. Não é à toa que o termo &#8220;excomungado&#8221; tornou-se um xingamento comum na linguagem popular, disparado contra aqueles que nada valem. Assim, quando um representante da Igreja anuncia a excomunhão de pessoas que &#8211; aos olhos de grande parte da sociedade &#8211; fizeram o certo, e ainda defende que o &#8220;crime&#8221; do aborto é pior do que o estupro de uma criança por um familiar, pode-se imaginar a indignação que causa. Vale dizer que a própria CNBB procurou depois esclarecer que a excomunhão foi automática, tendo D. José Cardoso apenas comunicado o ocorrido.</p>
<p>O irônico desta história é que a excomunhão num caso como este pode simplesmente ser inócua. A razão é que alguns dos excomungados talvez sequer sejam mais membros da comunhão da qual se procura exclui-los. Segundo o Censo de 2000, 73,5% dos brasileiros eram católicos. Hoje este número deve ser ainda menor, tendo em vista o crescimento das igrejas evangélicas e dos brasileiros sem religião, sempre em sacrifício do número de católicos &#8211; segundo o Censo, estes eram 83,5% em 1991, indicando declínio de seguidores da ordem de 10% em menos de 10 anos.</p>
<p>Além disto, muitos dos autoproclamados católicos brasileiros são na realidade fiéis ao estilo do presidente Lula, amargamente criticado pelo arcebispo pernambucano. Como Lula, eles não consideram que a Igreja esteja sempre certa, optam por seguir um modo de vida pouco afeito ao que preconizam as normas católicas (sem que se sintam culpados por isto) e não são praticantes. Em suas vidas a religião é muito mais um espaço de eventual refúgio emocional e lócus para o cumprimento de convenções sociais (como o batismo e o casamento), do que uma rígida referência para a ação e o julgamento moral. Não é à toa que nos jornais desta semana podiam-se ler cartas de indignados leitores que se declaravam católicos e, ao mesmo tempo, condenavam veementemente a posição da Igreja. Esta deve seguir sendo a tônica reinante. Outros eram ainda mais assertivos: afirmavam que, em virtude do posicionamento oficial da Igreja, optavam por abandoná-la. Noutras palavras, promoviam a voluntária auto-excomunhão.</p>
<p>Em resumo, a excomunhão não deve ser motivo de estranhamento por parte daqueles que divergem das posições da Igreja. O problema, na realidade, não está aí. Está, isto sim, na distância entre o que prega a Igreja e o que acredita boa parte da sociedade &#8211; em particular, muitos de seus presumidos seguidores. Portanto, o número de excomungados deve continuar aumentando &#8211; em muitos casos, por conta própria.<br />
<strong><br />
Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da PUC-SP e da FGV-SP. O titular da coluna, Fábio Wanderley Reis, está em férias</strong></p>
<p><strong>E-mail claudio.couto@pucsp.br</strong></p>
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		<title>O mundo precisa de mulheres livres</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 15:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Desafios atuais são grandes e complexos demais para serem resolvidos sem a participação delas

Hillary Clinton* &#8211; O Estado SP
Há 11 anos, em viagem à China, encontrei ativistas que me relataram seus esforços para melhorar a situação da mulher no país. Elas me apresentaram os desafios enfrentados pelas mulheres: discriminação no emprego, assistência médica inadequada, violência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="4"><strong><br />
Desafios atuais são grandes e complexos demais para serem resolvidos sem a participação delas</strong></font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://s.tf1.fr/mmdia/i/06/0/hillary-clinton-a-la-convention-democrate-de-denver-26-aout-2008-2629060.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://s.tf1.fr/mmdia/i/06/0/hillary-clinton-a-la-convention-democrate-de-denver-26-aout-2008-2629060.jpg" width="499" height="281" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong><font size="4">Hillary Clinton* &#8211; O Estado SP</font></strong></p>
<p>Há 11 anos, em viagem à China, encontrei ativistas que me relataram seus esforços para melhorar a situação da mulher no país. Elas me apresentaram os desafios enfrentados pelas mulheres: discriminação no emprego, assistência médica inadequada, violência doméstica, leis antiquadas.</p>
<p>Reencontrei algumas delas há poucas semanas, durante minha primeira viagem à Ásia como secretária de Estado. Desta vez, ouvi sobre progressos obtidos na década passada. No entanto, mesmo após alguns avanços importantes, essas mulheres chinesas não deixaram dúvidas de que ainda existem obstáculos e injustiças, como ocorre em muitas partes do mundo.</p>
<p>Tenho ouvido histórias como as delas em todos os continentes. Em 8 de março, ao comemorarmos o Dia Internacional da Mulher, temos a chance de avaliar tanto os avanços conquistados quanto os desafios remanescentes &#8211; e de pensar sobre o papel vital que as mulheres devem desempenhar na solução dos desafios globais do século 21.</p>
<p>Os problemas que enfrentamos hoje são demasiadamente grandes e complexos para serem resolvidos sem a plena participação das mulheres. Fortalecer os direitos das mulheres não é somente obrigação moral, é também uma necessidade, no momento em que enfrentamos uma crise econômica global, disseminação do terrorismo e das armas nucleares, conflitos regionais e mudanças climáticas, com seus respectivos perigos para a saúde e a segurança mundiais. Esses desafios exigem tudo o que temos. Não os resolveremos com meias medidas. Mas com frequência metade do mundo é deixada de fora dessas e muitas outras questões.</p>
<p>Atualmente, mais mulheres chefiam governos, empresas e ONGs do que nas gerações anteriores. Mas essa boa notícia tem outro lado. As mulheres ainda constituem a maioria dos pobres, desnutridos e não escolarizados do mundo. Ainda estão sujeitas a estupro como tática de guerra e ainda são exploradas em âmbito mundial por traficantes, em atividades criminosas que rendem bilhões.</p>
<p>Crimes em nome da honra, mutilação genital, além de outras práticas violentas e degradantes cujo alvo são mulheres, continuam a ser toleradas em muitos lugares. Há poucos meses, uma jovem do Afeganistão estava a caminho da escola quando um grupo de homens jogou-lhe ácido no rosto, causando-lhe danos permanentes à visão, só porque se opunham à sua busca por instrução. A tentativa de aterrorizar a moça e sua família fracassou. &#8220;Meus pais disseram para eu continuar na escola, ainda que possa ser morta&#8221;, disse ela.</p>
<p>A coragem e a determinação dessa jovem servem de inspiração para que todos nós &#8211; mulheres e homens &#8211; continuemos a trabalhar com o maior empenho possível para garantir que meninas e mulheres consigam seus merecidos direitos.</p>
<p>Especialmente em meio a esta crise financeira, devemos lembrar o que um conjunto crescente de pesquisas nos diz: o apoio a mulheres é um investimento de alto retorno, que resulta em economias mais fortes, sociedades civis mais vigorosas, comunidades mais saudáveis e mais paz e estabilidade. Investir nas mulheres é um modo de apoiar futuras gerações, pois elas gastam a maior parte de sua renda em alimentos, remédios e escolas para os filhos.</p>
<p>Mesmo em países desenvolvidos, o pleno poder econômico das mulheres está longe de ser alcançado. Mulheres de muitas nações continuam a ganhar menos que os homens para fazer o mesmo trabalho &#8211; uma lacuna contra a qual o presidente Barack Obama deu um passo adiante nos Estados Unidos este ano, ao assinar a Lei Lilly Ledbetter de Pagamento Justo, que fortalece a capacidade das mulheres de contestar salários desiguais.</p>
<p>É necessário dar às mulheres a oportunidade de trabalhar com salários justos, ter acesso a crédito e abrir negócios. Elas merecem igualdade na esfera política, acesso igual à urna eleitoral, liberdade para apresentar reivindicações ao governo e candidatar-se a cargos públicos. Elas têm direito à assistência médica para si e suas famílias e o direito de enviar os filhos e filhas à escola. Elas desempenham um papel vital no estabelecimento da paz e da estabilidade no mundo inteiro. Em regiões arrasadas pela guerra, são frequentemente mulheres que dão um jeito de superar diferenças e descobrir interesses comuns.</p>
<p>Ao viajar pelo mundo em minha nova função, não me esquecerei das mulheres que já encontrei &#8211; mulheres que lutaram contra adversidades extraordinárias para mudar leis de modo a poder possuir bens, ter direitos no casamento, frequentar escola, apoiar a família e até atuar como pacificadoras.</p>
<p>Serei uma defensora veemente, trabalhando com meus pares de outras nações, assim como com ONGs, empresas e indivíduos, para continuar a promover o avanço dessas questões. Reconhecer o pleno potencial e o comprometimento das mulheres não é apenas questão de justiça. Trata-se de fortalecer a prosperidade, o progresso e a paz global para as próximas gerações.</p>
<p><strong>* Hillary Clinton é secretária de Estado dos Estados Unidos </strong></p>
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