12/07/2010 - 08:44h São Paulo tem um novo subprefeito a cada 11 dias

Desde 2009, foram 48 trocas em 26 das 31 subprefeituras da capital; para especialistas, mudanças afetam os serviços públicos

Rodrigo Burgarelli – O Estado de S.Paulo

São Paulo tem um subprefeito novo a cada 11 dias. Essa é a média encontrada por um levantamento feito pelo Estado no Diário Oficial da Cidade desde o início da atual gestão de Gilberto Kassab (DEM), em janeiro de 2009. Nesse período, foram 48 substituições no comando das subprefeituras da capital – um número considerado alto por especialistas, que acreditam que a rotatividade pode afetar aos serviços prestados pela Prefeitura.

Apenas 5 das 31 subprefeituras da cidade não tiveram o comando substituído neste intervalo. A campeã de trocas é a de M”Boi Mirim, que cobre uma das regiões mais podres da cidade. No entanto, a subprefeitura tem o maior orçamento entre as regionais (veja ao lado). Lá, foram quatro trocas em cerca de um ano e meio, ou seja, cada subprefeito ficou no cargo por menos de cinco meses, em média.

A situação não é muito diferente em Parelheiros, Santo Amaro e Vila Mariana, também na zona sul, e Pinheiros, na zona oeste. No período, cada uma das subprefeituras teve três trocas – ou um subprefeito por semestre.

Com algumas exceções – como os cinco subprefeitos que se demitiram há dois meses para poder concorrer nas próximas eleições -, a nomeação de cargos nas subprefeituras é utilizada para equilibrar forças políticas representadas por aliados do prefeito e vereadores que detém influência na área em questão.

Especialistas ouvidos pela reportagem, entretanto, acreditam que a alta rotatividade pode diminuir a autonomia de cada divisão regional e reforçar a centralização de recursos e atribuições na Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, levada a cabo pela Prefeitura desde a gestão José Serra (PSDB)/Gilberto Kassab (2005-2008).

A tendência de perda de autonomia é comprovada pelos números. De 2007 para cá, enquanto o orçamento municipal aumentou de R$ 22,3 bilhões para R$27 bilhões, a quantia repassada às subprefeituras diminuiu R$30 milhões. Assim, funções antes realizadas por elas, como a reforma de escolas e hospitais e o recapeamento de ruas, por exemplo, passaram a ser feitas diretamente pelas secretarias.

“Hoje só restou às subprefeituras funções mais básicas de zeladoria, e a falta de estabilidade do cargo de subprefeito reflete essa perda de importância. Isso é ruim para o cidadão, pois o serviço descentralizado é bem mais eficiente”, afirma o pesquisador do Instituto Pólis, Jorge Kayano.

Distanciamento. Outro problema apontado por especialistas é que o pouco tempo no qual o subprefeito permanece no cargo contribui para seu distanciamento da comunidade. Sob a condição de não ter o nome revelado, um ex-subprefeito que deixou a administração nos últimos anos conta que foi demitido bem quando estava começando a criar relações com as lideranças dos distritos. Segundo ele, essa situação é recorrente entre os subprefeitos da cidade. “Muda tanto que poucos têm controle real sobre a subprefeitura ou conhecimento sobre a região”, diz.

Para Maurício Piragino, do Movimento Nossa São Paulo, uma solução seria a adoção de eleição direta para os subprefeitos. “O que tem acontecido muitas vezes é que verdadeiros “estrangeiros” estão no comando de algumas subprefeituras. Tem de haver eleição direta para garantir que sejam eleitas pessoas com histórico na região e relacionamento com a comunidade”, afirma Piragino.

O coordenador de Projetos Especiais da Prefeitura, Sérgio Rondino, discorda que a diminuição da autonomia seja prejudicial para a cidade e defende o modelo centralizador adotado por Kassab. “O subprefeito é um delegado da Prefeitura que está lá para cumprir o programa proposto pelo próprio prefeito. Não tem sentido ele ter autonomia para inverter essa autoridade.”

PARA ENTENDER
Autonomia tem diminuído nos últimos anos

O atual modelo de administração municipal com 31 subprefeituras começou a ser implantado em 2002, durante a gestão de Marta Suplicy (PT). A ideia era aumentar a autonomia das administrações regionais – divisão existente na época – e melhorar a gestão ao descentralizar a aplicação dos recursos. No entanto, as subprefeituras vivem uma fase oposta nos últimos anos. Atribuições como educação, saúde e assistência social foram deslocadas para as secretarias de cada área e restou para os subprefeitos trabalhos de zeladoria, como poda de árvore, limpeza de córregos e bueiros, operações tapa-buraco e pequenas obras de engenharia.


25/02/2010 - 08:28h Confronto com a PM após cheia. População culpa Kassab pelas enchentes e não São Pedro

Córrego transbordou, moradores queimaram ônibus e PM respondeu com balas de borracha

Lageado não foi limpo pela Prefeitura

O Lageado é um dos córregos que ainda não foram limpos pela Prefeitura neste ano, segundo relato de moradores da região. A Subprefeitura do Itaim Paulista, na zona leste, alega que 90% das margens são ocupadas irregularmente, o que impede o serviço.

Os moradores dizem cobrar a canalização do córrego desde o ano passado, mas a Prefeitura teria dito que a obra só sairia em 2012. A Prefeitura não confirmou, ontem, se o serviço será realizado. Na semana passada, a subprefeitura interditou cerca de 20 casas erguidas na margem do córrego. A administração conta com cinco agentes para vistoriar áreas de risco, fazer interdições e fiscalizar todo o comércio da região.

Limpeza

Itaim Paulista é uma das 13 subprefeituras de São Paulo que não têm dados sobre os serviços de limpeza de córregos disponíveis na internet, conforme o JT informou ontem. Dados da Secretaria Municipal de Planejamento mostram que a subprefeitura investiu, até anteontem, R$ 597 mil em serviços contra enchentes, contra R$ 1,1 milhão aplicados nos dois primeiros meses do ano passado.

Apenas ontem, após a enchente, agentes da subprefeitura estiveram no Lageado e fizeram a limpeza das margens do córrego.

O investimento mais recente no Lageado, segundo a Prefeitura, é a construção de um muro de proteção na margem do córrego, na Estrada Dom João Nery, que serviria para preservar moradores da Cohab Chácara das Flores, que fica em frente ao canal. Uma empresa foi contratada em dezembro, sem licitação pública (contrato emergencial) para fazer o serviço. Ontem, a reportagem não encontrou nenhum operário trabalhando.

Córrego transbordou, moradores queimaram ônibus e PM respondeu com balas de borracha

Bruno Ribeiro, Elvis Pereira – JORNAL DA TARDE

Um córrego não canalizado e com lixo nas margens inundou e desencadeou um confronto entre policiais militares e moradores do Itaim Paulista, na zona leste, o distrito de São Paulo mais castigado pela chuva de anteontem. Mais de 500 manifestantes atearam fogo em três veículos e montaram barricadas com colchões e mobília. Os PMs responderam com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Após quatro horas de conflito, ninguém se feriu nem foi preso. Foi o segundo protesto ocorrido neste mês por conta de enchentes.

Os moradores saíram às ruas por volta das 23 horas de terça-feira, após o nível do Córrego Lageado (leia mais ao lado) subir e a água invadir várias casas. “Nas outras enchentes, a água vinha até a garagem. Mas dessa vez entrou na casa inteira”, afirmou Aline Souza Canuto, moradora da Rua Lagoa Cajuba. “Toda vez que chove é o mesmo problema”, lamentava Everaldo José da Silva, de 49 anos, cujo Corsa fora inundado na garagem. “Ninguém dorme mais sossegado”.

O alagamento transformou-se em revolta e parte dos moradores do bairro bloqueou a Estrada Dom João Néri e ruas paralelas. Inicialmente eram 70 pessoas. Uma hora mais tarde, o grupo subiu para 200 e, pouco depois, para 500. Foram queimados um caminhão e dois ônibus. Um deles, da Linha Jardim dos Ipês-Terminal A.E. Carvalho seguia para a garagem. O outro, que iria de Cidade Tiradentes para São Miguel, estava com passageiros, que foram obrigados a sair.

“A manifestação até certo ponto é aceitável”, afirmou o capitão da PM Sérgio Marques. “O problema é quando ela tem fechamento de vias com pneus e veículos queimados e provoca desordem pública.” Os policiais recorreram a bombas e balas de borracha para dispersar os manifestantes. O protesto teve fim por volta de 3 horas de ontem. Até 5h15, no entanto, a estrada Dom João ficou interditada, alterando o trajeto de quatro linhas de coletivos.

Ao longo do dia, as tentativas de moradores de obstruir novamente as ruas eram controladas rapidamente pela polícia. Diante do clima do revolta, os PMs acompanharam o trabalho da Prefeitura de limpeza das ruas, enlameadas e com restos de mobílias, e de vistoria dos agentes da Defesa Civil.

O órgão interditou 28 imóveis no bairro, entre eles parte da Escola Severino Fabriani. Os muros da quadra esportiva, que estava vazia, caíram. “Uma terceira parede terá de ser demolida parcialmente”, disse a diretora, Simone Aparecida Silva. Segundo ela, as aulas dos 210 estudantes, todos deficientes auditivos e com idades entre 2 e 14 anos, não serão prejudicadas. Oito famílias desalojadas foram para a casa de parentes.

No dia 8, mais de 200 moradores do Jardim Romano, em São Miguel, já haviam brigado com PMs em frente à Prefeitura, no Viaduto do Chá, também por causa das inundações no local.

O Jardim Romano, que vem enfrentando alagamentos desde dezembro, também voltou a inundar anteontem. Balanço da Secretaria Municipal de Habitação indica que 325 famílias se mudaram e 611 imóveis foram demolidos.

24/02/2010 - 09:45h Limpeza de córregos é nula em 13 das 31 subprefeituras de SP

Kassab é responsável pelas enchentes, sim! Falha na limpeza de córregos e redução dos investimentos em limpeza, áreas de risco, piscinões, drenagem, obras contra enchentes. A responsabilidade é inteira. Kassab investe em publicidade para esconder estes fatos e reforçar a culpabilidade da população pelo lixo jogado na rua. O marketing procura vacinar contra os estragos que o seu desgoverno provocou na cidade, castigada por chuvas fortes e com muita freqüência, por isso insiste nos apelos a não jogar lixo e nas imagens de Kassab trabalhando, descontando que a TV não insistirá em mostrar o descaso da gestão no combate as enchentes.  LF

Prefeitura gasta menos com limpeza de córregos

No mês passado, o janeiro mais chuvoso dos últimos 60 anos, foram gastos R$ 8,2 milhões com a retirada de lixo e serviços de manutenção de córregos. No mesmo período do ano passado, a administração investiu R$ 38 milhões

Limpeza de córregos é nula em 13 das 31 subprefeituras de SP

Sé, Santo Amaro e Ipiranga estão entre as administrações que não fizeram o serviço em janeiro

BRUNO RIBEIRO – JORNAL DA TARDE (JT)

bruno.ribeiro@grupoestado.com.br

As 31 subprefeituras de São Paulo gastaram, em janeiro deste ano, um quinto do que foi investido no mesmo período do ano passado com limpeza e manutenção dos córregos e galerias da cidade. Foram R$ 8,2 milhões no mês passado, o janeiro mais chuvoso dos últimos 60 anos, contra R$ 38 milhões no de 2009, queda de 78,5%.

O cidadão não tem condições de avaliar o que foi feito em cada uma das subprefeituras. O acompanhamento feito pelo site da Prefeitura, que mostra o relatório de execuções orçamentárias – e os gastos divididos por sub-regiões – não traz dados corretos de 13 subprefeituras (veja quadro), de acordo com a própria gestão Gilberto Kassab (DEM). A Prefeitura alega que essas subprefeituras não tiveram tempo de colocar o investimento na limpeza dos córregos no relatório de janeiro, o que pode ser feito neste mês, e que, mesmo nas regiões em que o valor investido é igual a zero até 31 de janeiro, os serviços foram feitos.

Por conta do mesmo motivo, o morador da capital também não consegue saber se a limpeza feita em cada região foi completa, com ações tanto no leito (limpeza manual) quanto na margem (limpeza mecânica) dos córregos. Segundo o relatório, apenas nove subprefeituras fizeram as duas limpezas (veja quadro ao lado).

Entre as subprefeituras que já atualizaram os gastos, a de M’Boi Mirim, na zona sul, por exemplo, teve queda de quase 50% nos serviços. Foram R$ 590 mil neste ano, contra R$ 1 milhão em janeiro de 2009. No ano passado, o dinheiro reservado para a limpeza dos córregos no orçamento estava junto aos gastos de limpeza das galerias pluviais, por exemplo. Neste ano, a Prefeitura separou as atividades na hora de informar a população. Na soma dos serviços, o investimento da Prefeitura ficou cinco vezes menor neste ano.

Os córregos foram responsáveis por algumas das 77 mortes ocorridas no Estado, desde 1º de dezembro do ano passado, por conta das chuvas. Ao todo, apenas na capital, foram 19 mortes. Uma dessas vítimas foi Beatriz Pires da Silva, de 69 anos. Há um mês, em um dos braços do Córrego Pirajuçara, no Butantã, ela foi arrastada por um córrego que transbordou. A Subprefeitura do Butantã é uma administrações que estão com gasto zero até o dia 31 de janeiro no relatório.

Tietê e Pinheiros

O engenheiro Júlio Cerqueira César Neto, do Instituto de Engenharia, afirma que o principal problema dos córregos é que eles têm vazão mais rápida do que os rios Tietê e Pinheiros. Por isso, os resíduos vão para os grandes rios e ajudam a sedimentá-los, aumentando o assoreamento. “Eles jogam tudo (resíduos sólidos) no Tietê”, diz. Segundo o engenheiro, isso transforma o problema local em um transtorno para toda a cidade. César Neto diz ainda que a limpeza nos córregos deve se concentrar na sujeira visível, como restos de móveis, porque esses materiais têm capacidade de represar a água na região do córrego e causar transbordamentos, prejudicando a população que vive em suas margens.


CPI DAS ENCHENTES

A Câmara Municipal aprovou ontem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPIs) para investigar ações da Prefeitura na prevenção das enchentes

A CPI das Enchentes vai investigar o sistema de manutenção e limpeza de bueiros, bocas-de-lobo, galerias e piscinões

O objetivo é estabelecer um padrão mínimo de manutenção, com quantidade de equipes, método de trabalho e periodicidade da limpeza para evitar os constantes alagamentos e inundações

Também serão analisados os contratos com as empresas de limpeza urbana

Gestão não comenta redução de investimentos

Questionada desde o início da tarde de ontem sobre diferença entre os valores gastos na limpeza dos córregos em janeiro de 2010 e de 2009, a Prefeitura não deu uma resposta até a conclusão desta edição, às 23h30.
A administração disse ainda que não era possível afirmar que em janeiro a limpeza não foi feita nas subprefeituras sem registro de gastos no relatório de execuções orçamentárias. Nas 13 regiões onde isso ocorreu, a Prefeitura disse ter limpado 38 km de margens e ter retirado 2,8 mil metros cúbicos de lixo. Esses serviços, no entanto, só seriam empenhados neste mês, quando o sistema de contas opera normalmente. A Prefeitura disse ainda que, no caso do Córrego do Ipiranga, a limpeza é feita periodicamente. No córrego da Rua Margarida Izar, no Butantã, ela estaria marcada para começar até o mês que vem.

01/02/2010 - 11:20h Com o maior orçamento da história, Kassab leva subprefeituras a fazer show beneficiente para ajudar vítimas da inundação

É o fim da picada!

(…)

São Mateus

“Com 100% de sua verba antienchente congelada pela Prefeitura – e impossibilitada, portanto, de realizar obras como contenção de encosta e de margens de córregos e rios -, a Subprefeitura de São Mateus, zona leste, promoveu ontem um show beneficente para ajudar vítimas da inundação na região. Só ali, estão bloqueados R$ 38 mil do orçamento para essas obras.

Segundo a supervisora de cultura da subprefeitura, Vera Lúcia Nogueira, parceiros cederam o espaço para o show e arcaram com as despesas dos artistas como a banda Tihuana, principal atração. A entrada custou 2 kg de alimento. Segundo Lúcia, 250 famílias foram atingidas pelas enchentes e há 70 áreas de risco na região.”

(…)

27/01/2010 - 08:31h Kassab retém verba de área de risco

Congelamento de R$ 25,6 milhões da receita de subprefeituras para obras e serviços nesse locais foi na quinta-feira

Rio Venâncio Aires. Ops, rua
Alexandre Cappi/BRSTOCK

A água ocupou a rua Venâncio Aires, na Pompeia, zona oeste, por volta das 16 horas de ontem. A chuva provocou inundações em toda a cidade, 175 quilômetros de congestionamento e 68 pontos de alagamento, dois deles na Marginal do Pinheiros. Também deixou 48 pessoas ilhadas, entre elas um bebê, que foi resgatado pelos vizinhos (Capa JT)


Fabio Leite, Plínio Teodoro e Roberto Fonseca – O Estado SP

http://www.videversus.com.br/fotos/7300/7300_gilberto_kassab.jpgNo dia em que quatro pessoas morreram soterradas na capital por desabamentos provocados pela chuva, na quinta-feira (21), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) congelou R$ 25,6 milhões destinados a obras e serviços em áreas de risco. O valor representa 86,5% dos R$ 29,6 milhões disponíveis para essas ações no orçamento das 31 subprefeituras e da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras.

O corte, que faz parte do contingenciamento de R$ 2 bilhões do Orçamento, surpreendeu ao menos dois subprefeitos que disseram não terem sido informados da medida. “É de chorar. Acabei de levantar obras de emergência necessárias na região em função das chuvas e disse à população que começaríamos a agir. Descubro que não há um centavo liberado”, disse um deles, que pediu anonimato.

A decisão irritou vereadores da base aliada de Kassab. “Resolver centralizar as obras em meio ao caos das chuvas é dar um tiro no pé politicamente”, afirmou um kassabista.

A Prefeitura alega que apenas os recursos das subprefeituras – R$ 19,6 milhões – foram congelados porque serão remanejados nos próximos dias para os orçamentos de outras secretarias. Segundo a Assessoria de Imprensa de Kassab, os R$ 9,98 milhões previstos para obras em áreas de risco na Coordenação das Subprefeituras estão disponíveis, apesar de R$ 5,9 milhões aparecerem congelados, segundo levantamento da Liderança do PT na Câmara.

CORTE E TRAGÉDIA

O congelamento de verba para ações em áreas de risco foi precedido em poucas horas por quatro mortes na capital. Na madrugada da quinta-feira, um homem, a mulher e a filha de 9 anos ficaram soterrados após o desabamento do sobrado em uma área de risco onde moravam no Grajaú, zona sul.

Responsável pelo bairro, a Subprefeitura da Capela do Socorro teve todos os R$ 2,57 milhões orçados em ações emergenciais congelados.

Os corpos só foram encontrados às 15 horas, quando o contingenciamento já havia sido anunciado. A garota morreu mais tarde no pronto-socorro. Na sexta-feira, mesmo sem saber ainda do corte, os moradores vaiaram o prefeito quando ele visitou o local. “As áreas de maior risco foram priorizadas e esta vai começar a receber investimentos”, dissera Kassab.

A outra morte ocorreu na Pompeia, zona oeste, na região da Subprefeitura da Lapa, que teve a dotação simbólica de R$ 1 mil contingenciada. O aposentado Roberto de Fazzio, de 75 anos, estava sozinho às 2 horas quando sua casa desabou. O imóvel, na base de uma ladeira, não suportou a enxurrada.

GOVERNO FEDERAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem Medida Provisória que libera R$ 614 milhões para ações preventivas contra chuvas no Sul e no Sudeste e a seca no Nordeste. Segundo informações divulgadas pela Presidência da República, a MP será publicada na edição de amanhã do Diário Oficial.

13/11/2009 - 17:41h Via crúcis de um munícipe de São Paulo

A questão parece simples: um problema nos semáforos de Av. Sen. Casimiro da Rocha X Rua das Rosas (Pça. Sta Rita de Cássia) no bairro Mirandópolis e ausência de faixas para pedestres no cruzamento.

O munícipe escreve para solicitar providencias e anexa copia do jornal alertando para o problema. A saga está retratada a seguir.

Como no livro O Jogo da Amarelinha, de Cortazar, o leitor pode ler do último mail para cima, seguindo a ordem das datas e acompanhando o desenrolar na ordem cronológica, ou de cima para baixo como quem desenrola um novelo de lã.

Diferentemente da ficção de Cortazar, no caso do munícipe, o final da novela é o mesmo qualquer que seja o caminho percorrido pelo leitor: o semáforo e as faixas estão iguais 9 meses depois.

Kassab não é Kafka, e nosso munícipe não é Josef K. mas a saga é semelhante. Uma administração que dá as costas e não sabe cuidar de gente. LF

Caro Sr. Favre,   abaixo os emails trocados com a Subprefeitura da Vila Mariana do problema que persiste na região desde o início do ano e nada foi resolvido. Contamos com a ajuda na publicação da denúncia que ainda se estende.   Att,   Rogério.

—– Original Message —– From: DCS4 To: Rogério Nagai Cc: Sebastião/GET-4 Sent: Wednesday, September 16, 2009 12:53 PM Subject: Re: Problema na sinalização (faixas) e semáforo
Caro Sr. Rogério,   a situação que eu relatei ao senhor no meu último e-mail (de 10.jun.09, reproduzido abaixo) persiste. O projeto propondo a troca do equipamento está pronto desde março (mais precisamente, desde 24.mar.09). Embora esteja plenamente ciente dos problemas, eu não tenho autonomia para determinar a implantação desses projetos (na verdade, são dois – um para substituição do equipamento e outro para repintura das faixas). Sendo assim, infelizmente, não tenho nenhuma nova informação para o senhor.   Vou repassar novamente este caso para meus superiores. Cópia deste e-mail segirá para o gerente da área.   Cucci

—– Original Message —– From: Rogério Nagai To: DCS4 Cc: dam@cetsp.com.br ; VILA MARIANA GABINETE ; VILA MARIANA ; Renato Alioti Gil ; Sociedade Defenda Mirandópolis Sent: Tuesday, September 15, 2009 11:38 PM Subject: Re: Problema na sinalização (faixas) e semáforo
Caro Sr. João Cucci Neto,   algum parecer sobre o problema que ainda persiste nesse cruzamento super movimentado dessas 2 vias? Só pra situá-lo, essa semana alguns faróis se apagaram novamente.   O Sr. me disse em um dos primeiros emails datado 11 de março que estariam elaborando um projeto para substituição dos semáforos, bem como fazendo a pintura das faixas de segurança dos pedestres, no entanto já estamos em setembro.   Posso ainda ter esperanças que esses problemas serão sanados, não gerando mais transtornos aos motoristas e pedestres como eu e principalmente aos idosos que residem no bairro ao atravessarem o cruzamento?   Aguardo retorno.   Rogério.

—– Original Message —– From: DCS4 To: Rogério Nagai Sent: Wednesday, June 10, 2009 3:47 PM Subject: Re: Problema na sinalização (faixas) e semáforo
Caro Sr. Rogério,   conforme expus ao senhor em 13.março, dei início ao projeto, que foi concluído alguns dias após nosso último contato. Paralelamente, outra equipe elaborou o projeto de repintura das faixas de pedestres, que também está pronto. Infelizmente, eu não tenho a prerrogativa de determinar a data de implantação dos projetos. Esse é um assunto que compete à direção da CET.   Vou enviar cópia desta resposta ao meu gerente, para que ele verifique o que é possível fazer neste caso.   João Cucci Neto

—– Original Message —– From: Rogério Nagai To: dam@cetsp.com.br ; DCS-4 Cc: VILA MARIANA GABINETE ; VILA MARIANA ; Renato Alioti Gil Sent: Wednesday, June 10, 2009 3:17 PM Subject: Problema na sinalização (faixas) e semáforo
Caro Sr. Cucci,   gostaria de saber qdo o problema será sanado, já vai fazer 6 meses que a matéria saiu no jornal relatando o problema e ainda persiste o perigo para nós moradores, além das pinturas nas faixas ainda estarem totalmente apagadas.   Eu como cidadão, contribuinte quite com meus impostos e morador do bairro, gostaria de uma resposta mais precisa e objetiva nesse sentido. Acho estranho a CET falar que irá arrumar o problema sendo que não se tem um prazo e/ou planejamento para tal tarefa.   Att,   Rogério Eduardo Nagai.

—– Original Message —– From: Rogério Nagai To: DCS-4 ; dam@cetsp.com.br Cc: Renato Alioti Gil ; VILA MARIANA Sent: Friday, March 13, 2009 2:07 PM Subject: Re: [Bulk] Re: Problema na sinalização (faixas) e semáforo
OK Cucci,   fico no aguardo da solução.   Grato pelo retorno.   Att,   Rogério.

—– Original Message —– From: DCS-4 To: Rogério Nagai ; dam@cetsp.com.br Cc: Renato Alioti Gil ; VILA MARIANA Sent: Friday, March 13, 2009 9:50 AM Subject: [Bulk] Re: Problema na sinalização (faixas) e semáforo
Olá, Sr. Rogério!   Infelizmente não posso estabelecer um prazo para implantação da nova sinalização. Posso garantir apenas que a parte do projeto será feita rapidamente. No dia em que respondi seu e-mail designei um dos engenheiros da equipe para cuidar desse caso e ele já está trabalhando no projeto. Enquanto aguardamos a implantação, solicitarei uma manutenção mais intensiva no controlador atual, para reduzir o nível de problemas operacionais até a substituição do equipamento. De qualquer forma, esse local será priorizado e na primeira oportunidade, o projeto será implantado.   Nesse meio-tempo, se novas falhas surgirem, por favor, comunique. Pode ser via e-mail ou pelo telefone 1188, ok?   Atenciosamente,   Cucci

—– Original Message —– From: Rogério Nagai To: dcs4@cetsp.com.br ; dam@cetsp.com.br Cc: Renato Alioti Gil ; VILA MARIANA Sent: Wednesday, March 11, 2009 5:29 PM Subject: Re: Problema na sinalização (faixas) e semáforo
Caro Sr. João Cucci Neto,   grato pelo retorno. Há alguma previsão para a resolução do problema, visto que a situação é caótica na região?   Fico no aguardo, grato.   Rogério.     —– Original Message —– From: Renato Alioti Gil To: rogerionagai@yahoo.com.br Sent: Wednesday, March 11, 2009 1:23 PM Subject: ENC: Problema na sinalização (faixas) e semáforo


De: DCS-4 [mailto:dcs4@cetsp.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 11 de março de 2009 12:10
Para: Renato Alioti Gil
Cc: DEC VM
Assunto: Re: Problema na sinalização (faixas) e semáforo

Caro Sr. Rogério,

Em primeiro lugar, agradeço por apontar o problema em questão. É uma situação que devemos corrigir. Em relação ao semáforo, os problemas verificados são decorrentes do equipamento de controle, que é antigo e de concepção obsoleta (eletromecânico). Estamos elaborando um projeto para substituição desse equipamento por um mais moderno (eletrônico), o que resolverá as questões levantadas pelo senhor.

Em relação à manutenção das faixas de pedestres, tentaremos compatibilizar a repintura com a troca do equipamento semafórico.

Atenciosamente,

Eng. João Cucci Neto

Coordenador do DCS-4/GET-4

—– Original Message —–

From: Renato Alioti Gil

To: Departamento de Atendimento ao Munícipe ; Departamento de Controle de Semáforos 4

Sent: Thursday, March 05, 2009 10:46 AM

Subject: ENC: Problema na sinalização (faixas) e semáforo


De: Rogério Nagai [mailto:rogerionagai@yahoo.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 4 de março de 2009 18:26
Para: vilamariana@prefeitura.sp.gov.br
Assunto: Problema na sinalização (faixas) e semáforo
Prioridade: Alta

Caros srs,

venho por meio deste solicitar as devidas providências no problema constante que tem ocorrido na Av. Sen. Casimiro da Rocha X Rua das Rosas (Pça. Sta Rita de Cássia) no bairro Mirandópolis.

O semafóro se apaga constantemente, bem como as faixas de pedestres nem existem mais, estão todas apagadas, causando muita confusão e os motoristas não respeitam na hora de parar seus veículos, pois não se tem mais nenhuma referência.

O problema é tão constante, que até foi matéria do Jornal Jabaquara News que estou anexando para vossos conhecimentos, além de uma carta que enviei a CET para as devidas providências.

Espero que esse e-mail não seja em vão, assim como meus esforços a fim de sanar esse problema, por isso conto com vossa atenção nesse caso, pois esse cruzamento é de muito movimento, colocando em risco a vida de pedestres, principalmente idosos que muitos moram no entorno.

Desde já agradeço a atenção dispensada e coloco-me a disposição para quaisquer dúvidas.

Atenciosamente,

Rogério Eduardo Nagai.

05/09/2009 - 10:37h PSDB em alerta contra Kassab

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/07/tucanos_briga.jpg

Silvia Amorim – O Estado SP

A demissão do secretário de Coordenação das Subprefeituras Andrea Matarazzo no início desta semana abriu no PSDB paulistano um foco de desconfiança em relação ao aliado e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Parte do tucanato acusa Kassab de tentar viabilizar um projeto de ampliação de poder do DEM no Estado para as próximas eleições à custa de um enfraquecimento do PSDB.

Eles apontam uma substituição aos poucos de quadros do PSDB em várias áreas do governo municipal. A saída de Matarazzo, homem forte da prefeitura na gestão José Serra, na quarta-feira passada foi a gota d’água para o início dos discursos contra Kassab. Além da perda de espaço na máquina administrativa, há queixas de cooptação de filiados pelo DEM. Dois subprefeitos tucanos – Laert Teixeira (Itaquera) e Beto Mendes (M?Boi Mirim) – já manifestaram que vão disputar uma cadeira de deputado estadual em 2010 pelo partido do prefeito.

Matarazzo foi demitido por Kassab, diferentemente do que informou em nota a prefeitura. Numa reunião anteontem com subprefeitos, Kassab apontou razões pessoais e eleitorais para a saída. Na disputa eleitoral em 2008, Matarazzo não apoiou a reeleição de Kassab, mas o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

Kassab é hoje a principal liderança do DEM no Estado. Isso, aliado ao alto índice de aprovação de sua gestão, põe o prefeito como alternativa ao governo paulista em 2010. Na pior das hipóteses, uma maior força do DEM no Estado aumentaria o capital político da legenda numa negociação com o PSDB.

03/09/2009 - 12:14h Cai o “xerife” do resultado zero

Cidade suja, cracolândia a toda, Nova Luz no escuro, o retorno da Máfia dos fiscais e projeção política zero. Andrea Matarazzo sai da prefeitura com balanço nulo e vítima das disputas internas entre tucanos que não se bicam. O xerife vai embora e Feldman comemora. Nada muda, a mediocridade continua.

Sintomático: no primeiro comentário na página eletrônica do Estadão, que publica a matéria (ver a seguir), um leitor resume:


Prefeito fraco

Qui, 03/09/09 09:26 , fabionog@estadao.com.br

Kassab fez uma boa primeira gestão e conseguiu sua reeleição. Sua segunda gestão está sendo ruim e omissa. Abandonou a cidade, que está visivelmente pior do que um ou dois anos atrás. Não se consertam mais pavimentos e calçadas, a limpeza piorou, a coleta de lixo está irregular e por aí vai. Votei nele na eleição anterior mas certamente ele não será mais meu candidato para nada.

Andrea Matarazzo e Gilberto Kassab, em janeiro

Ligado a Serra, Matarazzo deixa Prefeitura

Titular das Subprefeituras estava desgastado no governo Kassab; gota d?água foi crítica à varrição de rua

Diego Zanchetta e Silvia Amorim – O Estado SP


Após quatro anos e oito meses no governo, o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, de 53 anos, deixou ontem a equipe do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Isolado das decisões da cúpula do Executivo desde o início do ano, Matarazzo era um dos poucos remanescentes da gestão José Serra (PSDB) na Prefeitura de São Paulo. O secretário adjunto da pasta, Ronaldo Camargo, deve assumir interinamente.

A situação de Matarazzo se tornou insustentável junto ao prefeito há duas semanas, depois de o secretário dizer à Radio CBN que o corte no Orçamento de 2009 já afetava os serviços de varrição do centro da capital – de um total de R$ 300 milhões para o serviço, o prefeito cortou R$ 54 milhões. O assunto gerou desgaste ao governo. Com a situação de seu aliado ruim no governo municipal, o governador Serra convenceu Matarazzo a deixar a secretaria para começar a trabalhar em uma possível candidatura a deputado federal em 2010.

A saída era cogitada desde o início do ano. Kassab ficou irritado com Matarazzo durante as eleições de 2008, quando considerou que o secretário, vice-presidente do Diretório Municipal do PSDB, só passou a defender a sua campanha após os índices de intenção de voto no prefeito aumentarem nas pesquisas, a 40 dias do primeiro turno. Kassab gostaria de nomear o atual secretário de Esportes, Walter Feldman, para o posto de Matarazzo. Feldman brigou no PSDB para apoiar a reeleição do prefeito, ante a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Com a reeleição de Kassab, Serra cogitou a ida de Matarazzo para a Secretaria de Estado dos Transportes, comandada por Mauro Arce. Mas, a pedido de Serra, Kassab manteve o tucano no comando das subprefeituras, apesar de retirar seus subprefeitos aliados em regiões como Vila Mariana e Ipiranga. O prefeito também tirou do tucano o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru). O secretário também não participava mais do projeto de revitalização da Luz, uma das bandeiras de Matarazzo no primeiro governo, de 2005 a 2008.

NOTAS

A conversa entre Kassab e Matarazzo sobre a demissão ocorreu anteontem à noite. Em nota oficial, divulgada ontem, o prefeito comunicou que “aceitou o pedido de demissão” apresentado ontem pelo secretário. O texto não expõe as razões para a baixa. Diz apenas que o “compromisso era de permanecer à frente da secretaria até julho”, quando Matarazzo daria “início a novas missões”.

No texto, Kassab deixou as críticas de lado e elogiou a gestão do secretário. “Ajudou a elevar os índices de excelência da administração municipal. Com empenho e dedicação, tornou-se uma referência para todo o secretariado”, disse.

O PSDB municipal divulgou ontem nota de solidariedade a Matarazzo. A saída dele “não é uma boa notícia”, dizia o comunicado. Matarazzo não retornou os telefonemas da reportagem.

28/08/2009 - 09:13h Soninha fez aniversário na Lapa

Subprefeita Soninha fez aniversário sem pagar aluguel do espaço e comemorou com amigos em área que deveria fiscalizar

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Bufê cede salão para festa da subprefeita da Lapa

Flávia Martins y Miguel e Adriana Ferraz do Agora

A subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS), completou 42 anos anteontem e comemorou com uma festa no bufê Finesse, que fica na avenida Pompeia, região fiscalizada pela subprefeitura que ela comanda.

O dono do local, José Landa, diz que ofereceu a comemoração porque é “amigo pessoal” de Soninha. O aluguel do espaço custa R$ 3.500. Já representantes do PPS –partido que lançou Soninha como pré-candidata ao governo do Estado– e a própria aniversariante afirmam que pagaram pela festa. Entre os convidados estavam o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador José Serra (PSDB).

Três versões sobre os custos foram apresentadas à reportagem ontem, todas gravadas. Na primeira ligação ao bufê, uma atendente informou, por telefone, que a festa foi oferecida como cortesia, teve 157 convidados e que, no cardápio, havia massas e bebidas.

Cerca de 20 minutos depois, o proprietário disse à reportagem, também por telefone, que o evento teve a presença de 80 pessoas, que se serviram de salgados, de cerveja e de refrigerantes. Ele reafirmou que promoveu a festa e arcou com todos os custos em “homenagem” à subprefeita e como “marketing”.

Questionadas, a assessoria da subprefeita e a liderança do PPS afirmaram, no entanto, que a festa não foi gratuita. Na subprefeitura a assessoria de imprensa disse que a própria Soninha pagou, com cheque, pelo evento. Já os assessores do partido dela deram outra versão: filiados teriam feito uma “vaquinha” para homenageá-la.

Após ser questionado pela reportagem sobre as versões contraditórias, o dono do bufê voltou atrás e disse que recebeu apenas pela comida e bebida –R$ 3.480 pelo total de convidados, em dinheiro. O aluguel do espaço, porém, ele reafirmou que foi cortesia.

A assessoria de Soninha chegou a afirmar que enviaria por fax o recibo do pagamento. Depois, porém, disse que não teria mais condições de fazê-lo.

‘Não aceitei o presente’

Adriana Ferraz do Agora

Soninha Francine (PPS) disse ontem que o dono do bufê realmente quis dar a festa a ela de presente. “Ele ficou ofendido com a possibilidade de eu pagar, mas eu falei não, de jeito nenhum. O bufê é supermodesto. Ele [o dono] não está nadando em dinheiro. Tinham uns três ou quatro garçons lá. Ou ele [o dono] pagaria do bolso ou eles [os garçons] fariam uma cortesia. Não acho justo.”

A subprefeita declarou que deixou um cheque dela com a assessoria na saída da festa. O valor do cheque não foi informado.

“Soube hoje [ontem] que ele [cheque] não será depositado porque não queriam [os amigos do partido] que eu pagasse pela festa.” Representantes do PPS teriam feito, então, uma “vaquinha”.

No Twitter, espécie de miniblog na internet, Soninha disse que ganhou apenas o bolo do bufê. À reportagem, ela afirma que a decisão de pagar não tem relação com o endereço do bufê. “Eu pagaria o bufê mesmo que ele fosse em outro lugar. É claro que, pelo fato de ser na Lapa, isso poderia gerar muitas coisas na política. Se isso deixar uma impressão ruim, é muito mal para o meu trabalho.”

23/04/2009 - 09:52h Em cartaz nas subprefeituras: uma paródia de apresentação de metas da “gestão” Kassab

Plano de metas é apresentado em audiência

http://zzss.files.wordpress.com/2008/02/kassab.jpg

Foto de fevereiro de 2008

RICARDO SANGIOVANNI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Quem esperava saber mais detalhes sobre as metas da gestão Gilberto Kassab (DEM) para cada região da capital saiu frustrado das audiências públicas previstas para ontem em 27 das 31 subprefeituras da cidade. Foram apresentadas as mesmas metas genéricas da chamada Agenda 2012 [lista de todas as obras e ações previstas pela prefeitura até o fim da gestão] anunciadas no final de março.

A Folha acompanhou a audiência na Subprefeitura de Pinheiros. Primeiro, os cerca de 45 presentes (a região tem 272,5 mil moradores) ouviram por 37 minutos seguidos um funcionário da subprefeitura ler a lista de metas completa, que abrange a cidade inteira -já anunciada, publicada no “Diário Oficial” e no site da Secretaria de Planejamento.

Em seguida, em 1 hora e 15 minutos de debate, representantes de entidades da sociedade civil do bairro e moradores cobraram do subprefeito Nevoral Bucheroni metas mais “regionalizadas”, divididas “por subprefeitura e por distrito.”

A socióloga Sonia Terezinha Moraes, 53, pediu melhorias em um posto de saúde e a construção de um hospital. O arquiteto Caio Machado, 53, queria detalhes sobre um projeto de drenagem de um córrego em estudos desde 2005. As demandas foram se somando: mais escolas, menos poluição sonora, combate à prostituição, conserto de calçadas, áreas de lazer para os idosos…

“O pessoal quer detalhes, mas primeiro é preciso conhecer o “macro”, e depois conhecer o detalhe. Metas são assim mesmo, mais ou menos genéricas”, diz o subprefeito. Ele afirmou que as ações previstas para cada subprefeitura já estão definidas. “Hoje foi o global. Agora é que cada um [subprefeito] vai começar a detalhar.”

Mais quatro audiências em subprefeituras e outras duas audiências gerais estão previstas para ocorrer até o dia 29. Depois, a prefeitura é obrigada a apresentar relatórios semestrais sobre o andamento de cada meta listada.

10/03/2009 - 09:43h Córrego inunda e danifica 30 imóveis na zona leste

São Paulo (SP) Hoje por volta de 1:30hs, na rua Professor Cosme Deodato Tadeu em Guaianases, carros foram arrastados e tombados pela forte enxurrada. Um muro de uma vila desabou e as águas do córrego avançaram para as demais casas da rua, moradores perderam tudo, desde móveis, carros até comida. Os bombeiros foram acionados e compareceram após as águas terem baixado. Por sorte nao houve vítimas fatais. Foto: Alex Elias Ibrahim/FotoRepórter/AE

Marici Capitelli – JT

Embora os alagamentos sejam frequentes, os moradores da região do Córrego Itaquera Mirim, no Lajeado, zona leste, não viam tamanha destruição desde 1985. A força da água foi tanta que os muros de contenção do córrego caíram na madrugada de ontem e a água invadiu cerca de 30 imóveis destruindo tudo que estava pela frente.

Ontem, a comunidade estava chocada e responsabilizava a Prefeitura por não realizar obras necessárias para evitar as enchentes. A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), que seria a responsável pela canalização do córrego, não comentou o assunto. A Subprefeitura de Guaianases informou que limpa periodicamente os 7,5 km do córrego.

Uma das ruas mais atingidas foi a Professor Cosme Deodato Tadeu, principalmente a parte que dá fundos para o córrego.

“A força da água era tanta que destruiu as portas das casas”, conta a moradora Sabrina dos Santos Silva (foto), de 21 anos, que foi carregada pela correnteza e precisou ser hospitalizada por ter engolido muita água. Foi retirada do local de bote. A moça, que casou há três meses, perdeu tudo que estava em sua casa recém-mobiliada.

08/03/2009 - 13:22h Violência contra mulher explode na classe média

“Só procurei o posto de saúde uma vez. Foi quando precisei tomar seis pontos na cabeça. O restante nunca contei para ninguém”


Clarice, 34 anos

apanhou durante 13 anos calada

Levantamento feito pelo JT mostra que, na capital, os índices cresceram mais nos bairros de classe média, como Pinheiros, Vila Mariana, Lapa e Ipiranga


Mulheres que sofrem agressões na capital também moram em áreas nobres, 63% delas vítimas dos maridos

Fernanda Aranda, JT

fernanda.aranda@grupoestado.com.br

A violência contra a mulher rompeu o muro de silêncio que cercava as casas de classe média e alta em São Paulo. Levantamento feito pelo Jornal da Tarde, com base nas estatísticas de pacientes do sexo feminino atendidos em unidades de saúde paulistanas e tabulados pelo movimento Nossa São Paulo, mostra que bairros como Pinheiros, Vila Mariana, Lapa e Ipiranga aparecem como locais onde os índices de agressão mais cresceram na capital paulista no ano passado.

Ferida que ainda não cicatrizou na luta das mulheres, a rotina de tapas, socos, chutes e xingamentos enfrentada por muitas em pleno século 21 ainda reforça que nem todas as diferenças entre os sexos foram equilibradas, apesar da invasão delas no mercado de trabalho, universidades e cargos de chefia. “O fundamento da violência é o exercício de poder. Ainda está enraizado na cultura, de qualquer classe social, que os homens são superiores. Uma das formas de exercer a superioridade é pela violência”, afirma Sônia Coelho, integrante da SempreViva Organização Feminista.

Além de estar mais visível nos números dos distritos de situação econômica favorecida, as mulheres que apanham também moram em regiões onde a pobreza e a vulnerabilidade social reinam. Das 31 subprefeituras que formam a cidade, em 25 delas a incidência de maus-tratos foi ampliada (veja abaixo). A agressão democrática deixa aos poucos de ser secreta, ganha ferramentas para chegar a público (como a Lei Maria da Penha) e por isso está espalhada por todos os cantos, define Katia Guimarães, diretora da subsecretaria de enfrentamento da violência do governo federal. No entanto, na classe média, lembra ela, o fenômeno era ainda mais velado e só agora começa a ultrapassar as barreiras.

Jefferson Drezet, médico do hospital da mulher Pérola Byington, costuma dizer que as paredes das mansões são bem mais espessas do que as dos barracos. É preciso um trator de denúncia para que o problema seja visto, já que dentro das residências é onde acontecem 90% dos casos.

Ainda que o inimigo seja íntimo, as denúncias têm aumentado. A Central de Atendimento à Mulher (número180, serviço 24h vinculado à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) registrou 269.977 atendimentos de janeiro a dezembro de 2008, um aumento de 32% em relação ao ano de 2007 (204.978).

Quem estuda a violência ou quem sofre a agressão não fala em crescimento da quantidade de violentadores e violentadas na classe média. A expressão “estava debaixo do tapete e agora aparece” é a mais emblemática para explicar a ascensão numérica. Orkut, televisão e sites passaram a ser ferramentas de ecoar o problema, o que também repercute no índice.

Um câncer na alma

Para se ter uma ideia, por ano o câncer de mama tem incidência de 90 novos casos em cada 100 mil mulheres paulistanas, estimados pelo Inca. A violência, no mesmo universo de pessoas, faz 123 vítimas na capital. Os dados, ainda que pareçam elevados, podem estar subestimados. Nos números usados pela reportagem, apenas são computadas as mulheres que chegam ao hospital com sinais de agressão e admitem o espancamento aos funcionários de saúde.

Clarice, 34 anos, apanhou durante 13 anos calada. Se entrou na estatística, representou uma única agressão, apesar de ter perdido as contas dos hematomas e sangramentos que teve. “Só procurei o posto de saúde uma vez. Foi quando precisei tomar seis pontos na cabeça. O restante nunca contei para ninguém”, diz. Ela só rompeu o ciclo de violência quando o filho de apenas 4 anos aprendeu a falar grosso. Espectador da luta travada pelo pai, ele passou a mandar a mãe calar a boca igualzinho como o seu parâmetro de homem fazia. “Resolvi que era hora de colocar um breque.” Ela esconde a identidade por vergonha. Vergonha de ter se acostumado a apanhar desde que, quando ainda na fase do namoro, aceitava os puxões de cabelo que expressavam “só ciúme”.

Mandar o marido embora é expulsar o provedor da casa. Assim como para ela, a dependência financeira do agressor é comum para 47% das mulheres que sofrem violência, mostra pesquisa da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres. E a autoria dos maus-tratos por parte dos companheiros é recorrente em 63,2% das notificações que acionaram o disque 180 em 2008. São Paulo foi o segundo Estado que mais acionou o serviço telefônico e para 37,1% das vítimas o maior risco de agressão era a ameaça de morte.

Muitos rostos

A violência contra a mulher pode ter muitas caras. Pode ser linda, loira, jovem, com diploma superior de enfermagem, português correto e roupas finas como Marina, 32 anos. Seu primeiro namorado, aos 12 anos, tornou-se o homem que acabou com seu rosto e seios de tanta pancada. Ou então, a violência pode ser representada pelas rugas, mãos calejadas de trabalhar na roça e cabelos grisalhos por causa dos 60 anos de Maria, que teve todas as unhas das mãos arrancadas por um canivete porque as coloriu de vermelho, o que não era permitido nas regras do pai do seu filho. Outra face do mesmo fenômeno pode ter madeixas tingidas de acaju, quatro filhos, ser coordenadora de um hospital, em plena forma para os 50 anos. Nair também é vítima. Do primeiro e do segundo marido, o que só aumenta a sua culpa por apanhar.

Ivone Dias, uma das assistentes do Núcleo de Defesa da Mulher Cidinha Kopcak, um dos mais importantes da capital, que é mantido em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads), acredita que a violência ainda exista porque não faz muito tempo que deixou de ser olhada com naturalidade.

A própria Lei Maria da Penha foi criada só em 2006. “Alguns juízes e delegados de polícia são omissos e resistentes em aplicar a legislação. A violência vai continuar existindo enquanto a sensação de impunidade prevalecer.”


47%
Das vítimas de agressão e maus-tratos são dependentes economicamente dos agressores, o que dificulta a denúncia. A estatística é do 180, serviço telefônico do governo federal que recebe queixas

Bairros de São Paulo onde a violência contra a mulher cresceu entre 2006 e 2007. Clique na imagem para ampliar o quadro publicado pelo JT

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18/02/2009 - 09:24h Base de Kassab veta abertura de CPI da Merenda

http://doisdedosdeprosa.files.wordpress.com/2007/04/kassab.jpgForam aprovadas comissões para apurar crime ambiental e sonegação

Eduardo Reina – O Estado SP

A base governista na Câmara Municipal enterrou ontem as possibilidades de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria as fraudes na compra de merenda escolar para a rede paulistana de ensino. No Colégio de Líderes, ficou acertado pelos partidos que não sai a CPI da Merenda ou nenhuma outra que possa trazer algum inconveniente ao prefeito Gilberto Kassab (DEM). Foram aprovadas três comissões: IPTU, Poluição do Córrego Jurubatuba e da Pedofilia.

Ficou determinado que também não prosperaria o requerimento de criação de comissão para apurar irregularidades no fornecimento de alvarás para templos religiosos e locais com frequência maior que cem pessoas e tampouco uma CPI para investigar corrupção nas subprefeituras. Momentos depois, em plenário, a base governista acatou a decisão e aprovou criação da CPI do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que deverá investigar possível sonegação por parte de grandes instituições financeiras, proposta pelo vereador Aurélio Miguel (PR). Foi uma ação bastante rápida, com a oposição tentando obstruir a sessão e sem os votos necessários para brecar a máquina governista. São precisos 28 votos para aprovar ou não as propostas. Kassab conseguiu 37, ante 15 votos contrários.

Outra CPI que passou foi a da Poluição do Córrego Jurubatuba, que analisará as causas e tentará identificar as empresas que poluem a bacia do Jurubatuba. O autor desse pedido foi Antonio Goulart (PMDB), da base de sustentação de Kassab. Uma terceira CPI, que teve o pedido de preferência aceito, foi a da Pedofilia, proposta por Marcelo Aguiar (PSC). Hoje, entra em votação o pedido de instalação dessa comissão.

“Foi um coro muito bem orquestrado. O governo manobrou para não deixar prosperar as CPIs que cutucavam a administração Kassab. Ficou claro que não querem investigar nada”, reclamou João Antonio, líder do PT. O petista disse que não vai desistir e pretende apresentar hoje requerimento alegando motivo relevante que justifica a instalação da comissão. “Vamos insistir até o fim e sensibilizar os parlamentares de que investigar a máfia da merenda é necessário.” A Casa permite até cinco CPIs simultâneas.

Já o líder do governo, Jose Police Neto (PSDB), disse que não houve manobra, mas otimização do trabalho da Câmara. Para Police Neto, nos dois últimos anos os problemas de merenda já foram investigados na Casa em uma CPI e em uma subcomissão. O tucano defendeu a CPI do Jurubatuba. “O Município está prestes a perder R$ 1 bilhão da terceira fase do Projeto Tietê, se não detectar de onde vem o esgoto despejado no rio. Por isso é importante investigar a poluição na cidade, principalmente na bacia do Jurubatuba, onde há maior volume de esgoto”, afirmou.

FRASES

João Antonio
Líder do PT na Câmara

“O governo manobrou para não deixar prosperar as CPIs que cutucavam a administração Kassab. Ficou claro que não querem investigar”

José Police Neto
Líder do governo

“O Município está prestes a perder R$ 1 bilhão da terceira fase do Projeto Tietê, se não detectar de onde vem o esgoto despejado no rio”

10/02/2009 - 10:40h Temporais já provocaram 12 mortes em SP desde dezembro, diz Defesa. Prefeitura de São Paulo não tem mapa de áreas em risco

Parece lógico que retornando de suas férias, o governador José Serra perceba que a situação provocada pelas chuvas exige um acompanhamento mais apurado e uma intervenção mais eficiente, colaborando com os prefeitos que enfrentam situações difíceis nas suas cidades. Particularmente quando, como é o caso na cidade de seu afilhado Kassab, a prefeitura não tomou as medidas necessárias para minimizar os estragos provocados pela chuva (nem mapa de áreas em risco Kassab tem. O último foi de 2003, feito na administração de Marta Suplicy). A revolta da população de Cidade Ademar, que ontem voltou a manifestar, alem de expressar o desespero, mostra a irritação com o sumiço de Kassab. Datena, no seu programa na TV, tem explorado esta indignação vociferando: “Kassab, cadê você?”. LF

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Adriana Ferraz do Agora

Os estragos causados pelas chuvas de verão já mataram 14 pessoas em todo o Estado de São Paulo e feriram outras 26. Dados da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil também mostram que o número de pessoas desalojadas (que não podem ficar em casa pelo risco de enchente), apenas neste ano, já chega a 5.127. A Região Metropolitana de Campinas é a mais atingida.

Para amenizar os prejuízos foram gastos, até ontem, R$ 88,9 mil em assistência às famílias prejudicadas. O governador José Serra (PSDB) afirmou que o serviço está sendo prestado da melhor forma e que, por isso, não há plano emergencial em discussão.

Na capital, as maiores ocorrências estão relacionadas a deslizamentos de terra, quedas de muros e barracos, segundo a Defesa Civil.

O órgão também informou que foram registradas 51 ocorrências de queda de árvore durante o final de semana.

Áreas de risco serão mapeadas só após as chuvas

Adriana Ferraz do Agora

A Prefeitura de São Paulo vai fazer um levantamento das áreas de risco da cidade no período pós-chuva. O edital para a contratação de uma nova análise só será lançado em março e, por isso, os resultados poderão ser usados apenas no verão de 2010.

A falta de planejamento vai impedir, por mais um ano, que o período crítico seja trabalhado com dados mais atualizados. Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da própria prefeitura, o primeiro trimestre acumula 42% das chuvas registradas em um ano.

A previsão do tempo para esta semana confirma a necessidade de um trabalho direcionado para evitar tragédias em temporais.

“Amanhã [hoje], por exemplo, vai chover o dia inteiro, mas mesmo sem pancadas fortes é possível que aconteçam inundações, por conta do volume d’água”, afirmou o meteorologista da CGE Michael Rossini Pantera.
De acordo com a previsão do CGE, fevereiro deste ano deve superar a média histórica de 217 mm -cada milímetro representa um litro de água no espaço de um metro². Nos nove primeiros dias deste mês, já choveu o equivalente a 34% do esperado.

Mapeamento de 2003
A última pesquisa contratada pelo município para áreas de risco é de 2003, ainda na gestão Marta Suplicy. Na época, 57.500 pessoas viviam em 562 pontos que foram considerados perigosos por estarem próximos a encostas e margens de córregos. Quase a metade oferecia risco alto ou muito alto.

“De lá pra cá, solucionamos praticamente 70%. Sabemos, porém, que a cidade é dinâmica, que cresce com rapidez e, por isso, estamos contratando uma atualização”, disse o chefe-de-gabinete da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, Lacir Baldusco.

O atraso no planejamento é justificado por um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado com o Ministério Público Estadual, em 2005. “O estudo estava previsto, mas foi estabelecido que a prefeitura fizesse outros serviços, como limpeza de boca de lobo e drenagem, por exemplo. Só no ano passado, investimos R$ 100 milhões em obras de intervenção.”

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) assegurou que está tomando as providências para atender a população no período de chuvas. Disse que a prefeitura tem planos específicos para regiões prioritárias.

“Já fizemos bastante coisa nos primeiros quatro anos e continuaremos fazendo. Choveu muito na região [referindo-se a Americanópolis, onde uma mulher morreu afogada dentro de casa no último sábado], que já é complicada. Já melhorou, mas precisa melhorar ainda mais”, disse.

O programa de ações refere-se às mesmas obras citadas por Baldusco. Kassab não comentou a defasagem no mapeamento das áreas de risco de deslizamento.

A secretaria promete que, além de investir no estudo novo de encostas, pesquisará também as áreas de inundação.

09/02/2009 - 13:01h Kassab não dá a cara: enchentes provocam protestos contra Prefeitura na zona sul

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Bairro de morta na enchente vive dia de revolta

 

 

Bruno Ribeiro e Gabriela Gasparin do AGORA

Depois do temporal de sábado, ontem foi dia de contabilizar os prejuízos causados pela chuva e de limpar casas e ruas inundadas. No total, na Grande São Paulo, três pessoas morreram, casas foram inundadas, parte do teto do shopping Interlagos (zona sul) desabou e ruas da Pompeia ficaram inundadas, arrastando cerca de 30 carros.

Em Americanópolis (zona sul), onde houve uma morte, moradores protestaram queimando móveis e colchões avariados. Segundo eles, as enchentes pioraram após obra municipal em uma praça. A prefeitura nega.

Moradora do bairro, a servidora pública Jeovanice Marques de Carvalho, 52 anos, morreu afogada dentro da própria casa durante o temporal. Ela ficou prensada entre a parede e um armário que flutuou com a correnteza.

Jeovanice não foi a única vítima. Em Santo André (ABC), dois homens receberam descarga elétrica de um poste e morreram na tempestade.

Revoltados com o saldo da chuva, cerca de 50 moradores de Americanópolis fizeram uma grande fogueira com móveis, colchões e eletrodomésticos. Também impediram que agentes da Subprefeitura de Cidade Ademar retirassem o entulho ontem. A cada novo móvel lançado na fogueira, os manifestantes gritavam.

O fogo só foi dissipado uma hora depois, após negociação dos manifestantes com a PM. Só então o que foi destruído foi levado pela subprefeitura. Não houve prisões.

“Antes não alagava tanto assim aqui. Agora, com uma obra que a prefeitura fez na praça Lígia Salgado, a água sobe um metro em qualquer chuva. É a segunda vez que perdemos tudo em dois meses. A outra foi no Natal”, disse a vendedora Cláudia Aparecida Barcelos, 36 anos.

Uma moradora vizinha ao córrego do Cordeiro disse ter passado a noite ao relento. “Dormi sentada, com minha filha de um ano e meio no colo”, afirmou Kátia Alves da Silva, 24 anos. “Minha vizinha subiu no beliche e quebrou as telhas do teto de casa para escapar”, disse a estudante Roberta Matos.

Na zona oeste também houve estragos. Na Pompeia, lojas perderam mercadorias e ficaram fechadas para limpeza. A enxurrada também arrastou cerca de 30 carros anteontem na região.

31/01/2009 - 13:00h Prefeitura apaga grafite em parede de imóvel particular

Obra havia sido feita a pedido do ‘Estado’ para comemorar os 455 anos de SP

Vitor Hugo Brandalise – O Estado SP

Mais um grafite da dupla de artistas osgemeos, os irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo, foi apagado pela Prefeitura. Desta vez, a obra destruída ficava no Brás, na parede de uma loja de ferramentas, e foi criada a pedido do Estado para homenagear a cidade no dia de seu aniversário. “Autorizei o grafite porque acho que o trabalho embeleza minha loja e a protege dos pichadores”, diz um dos proprietários do estabelecimento, Márcio Moreira – que lança questionamento: “Quer dizer que não há liberdade para fazer arte nem na própria parede?”

Os jatos de tinta cinza que cobriram o desenho da dupla na terça-feira – uma representação estilizada de um grafiteiro, disposto a “colorir o cinza da cidade”- fazem parte de outro capítulo da luta dos artistas contra a empresa contratada pela administração municipal para apagar seus trabalhos. Nesse caso específico, ninguém ficou feliz. “Atiraram tinta cinza na parede, mesmo que minha fachada seja azul. Aí fica essa cor horrível, cinza com azul, algo que não autorizei. Ninguém pode dizer que isso fica mais bonito assim”, diz Moreira. A loja de ferramentas fica na esquina da Rua Mem de Sá com a Avenida Radial Leste. “O grafite dava um ar moderno. Agora, vou ter de pintar de azul novamente”, lamenta.

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras admite que a equipe responsável pela recuperação de fachadas da região da Mooca e do Brás apagou a obra por engano. O secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, segundo informou sua Assessoria de Imprensa, diz que vai “entrar em contato pessoalmente” com o proprietário da loja onde estava o grafite para “ver como isso pode ser reparado”. A Subprefeitura da Mooca ainda informou que, entre as equipes que percorrem as ruas em busca de pichações, há sempre um “agente especializado em pintura”, para “tentar evitar enganos”.

Os grafiteiros osgemeos já não se surpreendem ao ver suas obras cobertas de tinta cinza – somente na região do Brás e da Mooca, um dos primeiros redutos do grafite na cidade, já tiveram mais de 20 trabalhos apagados por agentes da Prefeitura. Em toda a cidade, eles contabilizam cerca de cem grafites apagados – nem todos, porém, tinham autorização para serem pintados.

O amparo legal para a Prefeitura disparar tinta cinza em edificações privadas é concedido pela Lei nº 14.451, de 2007, que institui o programa antipichação do Município. O texto da lei, porém, prevê que estão “excluídos do programa os grafites efetuados em imóveis particulares ou próprios municipais, autorizados pelo proprietário ou autoridade municipal competente”. Para evitar novos erros e “afinar os critérios entre o que é grafite e o que é pichação”, o secretário Andrea Matarazzo “já fez diversas reuniões com os grafiteiros, e vai continuar fazendo”, segundo sua assessoria.

O caso mais famoso de “engano” envolvendo o trabalho dos grafiteiros osgemeos aconteceu em junho do ano passado, quando foi apagado um mural de 680 metros no acesso da Avenida 23 de Maio ao Elevado Costa e Silva, o Minhocão. “Nos dois casos, estávamos autorizados: um pelo poder público, outro pelo dono da parede, e apagaram assim mesmo”, disse Otavio. “Achamos que essa situação vai se resolver, mas vai demorar quanto?”

09/01/2009 - 10:22h Kassab reforça sua turma

Garcia vai assumir pasta ”reforçada”, mas com meia verba

Aliado vai ser titular de Gestão, Modernização e Desburocratização

http://img437.imageshack.us/img437/2639/klabin65te.jpg

O Estado de São Paulo

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) “promoveu” o aliado Rodrigo Garcia a secretário de Gestão, Modernização e Desburocratização. A mudança no primeiro escalão do governo municipal fundiu as pastas de Gestão e Desburocratização, esta última criada de forma extraordinária em 2008, para abrigar Garcia. Se amplia atribuições, a nova secretaria, porém, perde verba.

Enquanto o orçamento da pasta em 2008 foi de R$ 1,1 bilhão, a verba para este ano é de apenas R$ 614 milhões. A queda consta da proposta de orçamento do Executivo, ou seja, sem a previsão de cortes por conta da crise. Com a nomeação de Garcia, a antiga titular de Gestão, Malde Maria Vilas Bôas, tornou-se coordenadora do Governo Eletrônico. O presidente da Prodam, João Octaviano Machado Neto, acumulará o cargo de secretário-adjunto da pasta. Flávio Castelli Chuery foi indicado coordenador da nova pasta de Garcia. Ele foi tesoureiro da campanha de Kassab à reeleição.

O prefeito disse que a mudança representa um “enxugamento” de secretarias. De acordo com ele, Malde cuidará do governo eletrônico, Machado Neto, da gestão, e Garcia, da Desburocratização. As mudanças foram publicadas no Diário Oficial de ontem. Na publicação, Kassab ainda criou oficialmente a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, que ficará com Miguel Bucalem e deverá cuidar da revisão do Planto Diretor, que começará a ser discutida neste ano na Câmara. Em fevereiro, ele deve enviar aos vereadores projeto para criar outra pasta, a de Controle Urbano, que ficará com o ex-titular de Habitação Orlando Almeida. As atribuições da futura secretaria ainda estão sendo discutidas, o que tem criado atritos com o secretário de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, que tem sob sua responsabilidade estruturas de fiscalização.

Além das secretarias, também deve ocorrer nos próximos dias uma “dança das cadeiras” envolvendo as subprefeituras paulistanas. A primeira troca foi na Casa Verde, onde Marcos Duque Gadelho, do PPS, deu lugar a Walter Abrahão Filho, do DEM, aliado de Kassab. Com isso, o PPS deve ganhar a Subprefeitura da Lapa, onde indicará a ex-vereadora Soninha. (…)

27/12/2008 - 12:03h O congelamento de Gilberto Kassab

A Folha e o jornal Agora publicam entrevista com o prefeito Gilberto Kassab. Uma boa entrevista que permite medir a capacidade de Kassab de fugir de suas responsabilidades.

Por exemplo, porque o número de crianças sem creche aumentou nos quatro anos do mandato? A pergunta não foi assim formulada, mas esta realidade denunciada durante a campanha eleitoral pelo candidato tucano Geraldo Alckmin, encontra como resposta a cantilena do descaso anterior. Mas na gestão anterior o número de crianças fora das creches foi diminuindo ao longo dos quatro anos.

Outro exemplo, porque a avaliação do transporte público passou de uma aprovação de 61% em 2004 a uma desaprovação de 60% hoje? Para Kassab -sem rir-, é porque “herdou políticas equivocadas em matéria de transporte”. Ou seja, a população aprovava o “erro” da gestão anterior e desaprova o “acerto” da atual política. Mas qual sería esse “erro” e qual é o “acerto”? Não ter construído um único corredor em quatro anos pode ser um ” acerto”? Ter construído mais de 100 Km de corredor, renovar a frota e criar o Bilhete-Único foi o “erro” da Marta? Mas mesmo assim, porque caiu 11% a avaliação nos principais corredores da cidade entre o ano passado e hoje? O que piorou em um ano? porque? A questão não foi tocada, mas o silêncio de Kassab é eloqüente.

E as enchentes? Porque com R$10 bilhões de reais a mais foram construidos nos últimos quatro anos muito menos piscinões que na gestão anterior? A pergunta não foi feita, mas o entrevistador não deixou passar o assunto. Kassab não consegue dar nenhuma indicação do que foi feito na área. Diz que o fundamental é salvar vidas. Vários já morreram nos últimos 4 anos como conseqüência das enchentes. Ainda hoje três crianças estão desaparecidas. Os mapas estão desatualizados (o último é de 2003). As obras projetadas não foram realizadas. Sem rir, Kassab diz que a coisa melhora e melhorará se a cidade continuar elegendo administrações como a dele. Mas para continuar fazendo o que, no combate as enchentes?

Para concluir, o prefeito recusa a idéia que a criação de novas secretarias implique qualquer “inchaço” da máquina pública. A criação de mais de 170 cargos decorrente deste inchaço é só eficiência administrativa.

O verdadeiramente curioso desta entrevista é que Kassab não expõe qualquer objetivo, plano, programa ou proposta que possa ser objeto de um acompanhamento da população ou da mídia. O vazio das propostas é o eco da mediocridade dos resultados. Como se vê o congelamento não é só do orçamento.

O resultado eleitoral foi uma indiscutível vitória para Gilberto Kassab, ela não é um cheque em branco para premiar essa mediocridade.

A seguir a entrevista de Kassab publicada na Folha SP de hoje. LF

Orçamento será congelado em 2009, anuncia Kassab

Prefeito reeleito de São Paulo diz que corte será amplo, mas não atingirá áreas sociais

O DISCURSO DO PREFEITO de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), 48, está menos otimista dois meses após ter sido reeleito.
Às vésperas de tomar posse para seu segundo mandato, ele agora declara que a crise econômica “adquiriu uma dimensão grande” e que ela vai reduzir a arrecadação. Já anuncia para 2009 um congelamento do Orçamento da capital paulista.
Embora a extensão do congelamento ainda não seja revelada, Kassab já adianta que ele “será bastante amplo”. O prefeito paulistano se compromete a preservar somente as áreas sociais.

Eduardo Knapp/Folha Imagem

O prefeito Gilberto Kassab em sala de reuniões do edifício onde mora

 

ALENCAR IZIDORO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O anúncio do congelamento de verbas se dá depois do corte de R$ 1,9 bilhão feito pelos vereadores no Orçamento recém-aprovado pela Câmara Municipal -da previsão de R$ 29,4 bilhões para R$ 27,5 bilhões. O objetivo da medida, diz Kassab, é ter “tranqüilidade para enfrentar uma eventual redução de receitas que ainda não identificamos qual será”.
Na prática, significa que a contratação de novos projetos e de novas despesas deverá ficar bastante limitada. O congelamento poderá ser flexibilizado no decorrer do ano -para evitar que vire um corte definitivo- se a arrecadação não for muito afetada pela crise.
Em entrevista concedida à Folha ontem, Kassab disse que, mesmo a prefeitura sabendo dos pontos crônicos de alagamento de vias públicas na época de chuva, “seria uma leviandade” dizer que fará obras para resolvê-los dentro de quatro anos. Para ele, a prioridade deve ser as áreas de risco onde vivem “famílias que podem morrer se forem atingidas”.
Leia trechos da entrevista:

FOLHA – Qual será a principal mudança no segundo mandato?
GILBERTO KASSAB
- O que a cidade pode esperar é a continuidade da melhora da eficiência do uso do recurso público.

FOLHA – O Cidade Limpa foi no primeiro mandato uma das marcas principais da administração…
KASSAB
- Não. O principal foi saúde e educação. De longe, essa é a nossa marca.

FOLHA – Mas na campanha de 2004 uma das promessas era zerar o déficit de creches…
KASSAB
- E vamos, nessa nossa gestão, que é de oito anos, zerar. Criamos 60 mil vagas em creche. É um número extraordinário. O compromisso assumido está sendo cumprido.

FOLHA – Por que não foi possível cumprir em quatro anos?
KASSAB
- Não é que não foi possível. É lamentável o descaso das administrações anteriores.

FOLHA – Por que alguns secretários mais próximos do governador José Serra (PSDB), como Andrea Matarazzo (Subprefeituras) e Manuelito Pereira Magalhães (Planejamento), estão perdendo poder agora?
KASSAB
- Eles são também muito próximos a mim. Por que estariam [perdendo poder]? Não houve alteração, todos continuam motivados.

FOLHA – O novo mandato vai ter mais a cara do sr.?
KASSAB
- Vai continuar com a mesma cara. Se tinha a minha cara antes, vai continuar. Se não tinha, vai continuar. Não muda nada.

FOLHA – A cidade já começa a sofrer mais uma vez com as enchentes. A própria prefeitura sabe de 30 pontos crônicos de alagamento há mais de dois anos e, mesmo assim, eles voltam a alagar. A gestão se preparou?
KASSAB
- Sim, principalmente em relação às áreas de risco. Quando se fala em enchentes, antes de mais nada tem que pensar em proteger as pessoas que correm risco de vida. Os paulistanos vão entender que essa é a prioridade.
Quanto aos pontos sujeitos a alagamento, estamos atuando em várias frentes, construindo com o Estado o piscinão do Pirajuçara, encerrando as obras do Aricanduva, canalização, limpeza de bueiros, como nunca teve na cidade de São Paulo. E também obras de dimensão pequena ou média que contribuem para que a gente não tenha outros pontos de alagamento. Administrar é estabelecer prioridades. Não há cidade do porte de São Paulo, com seus problemas e seu Orçamento, que consiga resolver todos os problemas em quatro anos.

FOLHA – O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergência) listou há dois anos 30 pontos que eram considerados mais sérios, que costumavam alagar com mais freqüência…
KASSAB
- Ele apresentou 30 que estavam em observação, mas havia outros. Senão fica parecendo que, quando assumimos, só havia os 30 pontos e que não fizemos nada nesses 30.

FOLHA – Os pontos de alagamento são de conhecimento do poder público. Daqui a quatro anos terão sido realizadas obras em todos?
KASSAB
- Seria uma leviandade. Sempre digo que na vida pública se trabalha com metas, não com prazos. A meta é avançar o máximo possível.

FOLHA – Algum dia São Paulo vai se livrar dos terríveis alagamentos?
KASSAB
- Tenho certeza. Basta continuar tendo administrações como a nossa. E sempre preocupado em primeiro lugar com as áreas de risco, que envolvem famílias que podem morrer se forem atingidas.

FOLHA – O mapeamento das áreas de risco está cinco anos desatualizado. Por quê?
KASSAB
- Tem vários mapeamentos na cidade, da Secretaria da Habitação, Polícia Militar,Defesa Civil. Não tem nenhum sentido fazer um mapeamento todos os anos de todas as áreas.

FOLHA – Que impacto a crise econômica pode ter nas promessas de campanha do sr. e nas demais atividades da prefeitura?
KASSAB
- A crise existe, adquiriu uma dimensão grande. Hoje é globalizada. Temos uma preocupação grande. Vamos procurar, através de criatividade, criar novas fontes de receita, como analisar a criação de novas operações urbanas, a concessão de serviços. Mas é evidente que a crise afeta. As receitas serão reduzidas. O próprio governo federal já informou que suas receitas estão diminuindo. O governo do Estado também já nos transmitiu que está reduzindo suas receitas. E a prefeitura tem seu Orçamento baseado também no repasse de receitas de verbas do governo federal e estadual. Nossas receitas [de impostos municipais] ainda não diminuíram. Serviços são sempre osúltimos da fila a terem queda. Mas vamos ter com certeza e estamos trabalhando com essa expectativa.

FOLHA – Se não for possível conseguir novas receitas, que medida…
KASSAB
- Já determinei ao secretário de Planejamento para que, no início do ano, congele recursos. Vamos ter um congelamento do Orçamento. Ainda não foi definida a extensão. Depois vamos definir as áreas que terão cortes. Mas com certeza não serão na área social.

FOLHA – A dimensão só será definida nos próximos dias?
KASSAB
- Exatamente. Mas será bastante amplo. É mais do que correto que seja assim para nos dar tranqüilidade para enfrentar uma eventual redução de receitas que ainda não identificamos qual será.

FOLHA – Algumas obras terão um ritmo menor no começo de 2009?
KASSAB
- Seria prematuro fazer uma afirmação antes de definir o contingenciamento.

FOLHA – O Serra, em 2004, criticava o inchaço da prefeitura. O sr. criou novos cargos e secretarias, como a da Segurança. Não é uma contradição numa situação de crise?
KASSAB
- Não. Em relação à Secretaria da Segurança, ela adquiriu uma dimensão muito maior. São cargos que foram ou teriam sido criados independentemente de ser secretaria ou não. Ao longo dos quatro anos tivemos vários cortes e vamos continuar a ter, porque nossa meta é enxugar. Mas diminuir não significa não ter preocupação em dar mais eficiência. Não criamos novas secretarias, só transformamos o cargo do coordenador em cargode secretário. Não posso concordar com a afirmação de que foi criada uma nova estrutura.

FOLHA – A crise econômica não põe em xeque a promessa de campanha de manter a tarifa de ônibus de R$ 2,30 congelada no ano que vem?
KASSAB
- Não. É nossa prioridade. Tarifa é social. Ainda mais num momento em que há expectativa de aumento do desemprego.

FOLHA – O reajuste em 2010 será inevitável?
KASSAB
- Não é que é inevitável. É natural. Temos a felicidade de ficar três anos sem aumentar a tarifa. Vamos dar um aumento mínimo possível.

FOLHA – Que áreas prejudicariam menos a cidade se sofressem cortes?
KASSAB
- Tem áreas que já foram apartadas de qualquer corte que são as sociais. Agora vamos aguardar se haverá queda nas receitas, se conseguiremos ou não novas fontes de receitas, para depois definir eventuais cortes. Até porque o Orçamento estará contingenciado desde o primeiro dia da gestão.

FOLHA – Pesquisa recente mostrou que a aprovação aos ônibus é a mais baixa da década. Qual é a razão?
KASSAB
- É importante apartar da pesquisa o nosso corredor Expresso Tiradentes, onde 90% aprovam e estão felizes [pelos dados divulgados, foram 76% de excelente ou bom]. Mostra que a prioridade da minha administração de fazer transporte público de qualidade está correta. Herdamos políticas equivocadas em transporte. A população hoje paga o preço dessa falta de investimento.

FOLHA – A aprovação aos ônibus era maior. Por que piorou?
KASSAB
- O importante é que melhorou a qualidade dos investimentos.

FOLHA – Mas então os usuários de ônibus não perceberam?
KASSAB
- É natural que, numa cidade que cada vez cresce mais e que não tivemos investimento em transporte público nas administrações anteriores, enquanto não tivermos os resultados dos investimentos que agora acontecem você não tem essa expectativa.

FOLHA – A cidade ganha mil carros por dia. O trânsito vai estar pior do que hoje no final do seu mandato?
KASSAB
- Daqui a quatro anos vamos ter os primeiros resultados da ação do poder público municipal e estadual, a ampliação da malha metroviária, dosnossos corredores de ônibus. Acredito que estará melhor.

FOLHA – O sr. pode sair candidato ao governo estadual em 2010?
KASSAB
- Não. É o primeiro cargo majoritário que ocupo tendo sido eleito. Ficarei os quatro anos.

FOLHA – Quem são os bons nomes para o governo em 2010?
KASSAB
- Em São Paulo nós temos uma aliança. Meu esforço é para manter essa aliança já no primeiro turno. Meu partido tem bons quadros. Destaco entre eles o Guilherme Afif Domingos. Mas essa aliança vai ser conduzida pelo Serra.

FOLHA – O sr. apoiaria o Alckmin?
KASSAB
- Não gostaria de falar de nomes. É muito prematuro.

24/12/2008 - 10:10h Moradores calculam o prejuízo

Chuva levou o carro e o salário, mas não o Natal
Marcio Ximenez/AE
O Uno 89 de João Inácio (branco, acima) foi um dos três carros arrastados pela chuva para o piscinão da Água Espraiada. Além do carro, as águas levaram o salário (R$ 610)

Jornal da Tarde

Na Rua João de Léry, na zona sul, três carros foram arrastados para o Piscinão Água Espraiada

MARIA REHDER, maria.rehder@grupoestado.com.br

A cada puxada do guindaste, uma lágrima de desespero. Nem cheiro ruim nem o sol forte no rosto fizeram o mecânico Luiz Claudio Brasil, de 36 anos, perder a esperança de ver o seu Astra 95 sair inteiro do fundo do piscinão da Água Espraiada na manhã de ontem. Esse foi um dos três veículos – que não tinham seguro – arrastados para o piscinão pela enchente na tarde de anteontem . E, para o desespero dos proprietários, estavam totalmente destruídos.

Da mesma angústia compartilham o autônomo Hélio Araújo, de 41 anos, dono de uma Kombi 82, e o técnico em desentupimento Olavo Geraldo, de 34, primo de João Inácio, que sobreviveu ao escapar pelo porta-malas do Uno 89, minutos antes de o carro afundar. “Não sei o que fazer, minha Kombi está toda destruída. Trabalho com sucata, tinha reformado (o veículo) fazia dois meses”, disse, enquanto chorava ao ver a lataria do automóvel destruída.

Anteontem à tarde, os três veículos estavam estacionados na Rua João de Léry, na zona sul, que termina no córrego Água Espraiada. Por volta das 15 horas, começou a chuva de granizo. “A minha preocupação era que o granizo ia riscar o meu Astra, mas a chuva estava tão forte que não deu para tirar o carro dali. Quando me dei conta, estava sendo arrastado pela água”, disse Brasil.

As férias de fim de ano para a Praia Grande com a família foram canceladas e, segundo a mulher de Brasil, Alexandra, o prazer de ter conseguido pagar o carro após três anos de financiamento foi por água abaixo. “Esse carro era o nosso xodó, meu marido trabalhou muito para comprar o Astra. Tínhamos alugado casa na praia, mas agora vamos ficar aqui. Nem sei como vamos conseguir comprar um carro de novo.”

Apesar de ver o Uno branco totalmente destruído, Olavo comemorava o fato de seu primo ter sobrevivido. “Podia ter sido pior.”

Promessa não cumprida

Os moradores da Rua João Léry afirmaram que o problema com enchentes “não é de hoje”. “A Prefeitura promete colocar uma grade de proteção na cratera, mas não fez nada até agora. Perdemos a esperança”, disse Hélio, o dono da Kombi arrastada.

A Rua João Léry termina no córrego Água Espraiada, cuja margem não possui nenhuma proteção, o que dá a impressão de ser uma cratera, conforme descreveram os moradores. “A água arrastou os carros para o córrego, que, com a correnteza, foram para o piscinão. Se tivesse uma grade nada teria acontecido. Até criança já caiu ali”, contou o auxiliar de manutenção Claudio Dias, de 35 anos, que mora na rua há 20 anos.

Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura explicou que a cratera citada pelos moradores se trata de uma erosão. Para evitar deslizamentos, hoje serão colocados terra e restos de entulho. Posteriormente, será construído um muro de proteção, embora a Subprefeitura de Santo Amaro tenha informado que não recebeu solicitação dos moradores sobre isso.

O final da Rua João Léry, às margens do córrego, segundo a Prefeitura, era uma área invadida. Recentemente, as famílias foram retiradas do local e, por essa razão, o problema da erosão ainda não foi solucionado.

Sobre os prejuízos dos proprietários dos automóveis, a orientação é que entrem com requerimento na Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos.

24/12/2008 - 09:15h Áreas crônicas voltam a sofrer alagamento

 Dos 30 principais pontos de enchentes de SP mapeados pela prefeitura para a execução de obras, 22 alagaram neste ano

Locais identificados pela prefeitura em 2007 por terem inundações freqüentes voltam a ser interditados por causa de temporais

 

 

Guilherme Lara Campos / Folha Imagem
Proprietária examina Uno retirado de piscinão no Brooklin; 3 carros foram arrastados pela enxurrada

ROGÉRIO PAGNAN – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Dos 30 principais pontos de alagamentos da cidade de São Paulo, endereços que constam de um mapeamento feito pelo próprio município há pelo menos dois anos, 22 deles voltaram a causar transtornos à população paulistana em 2008.
Dos alagamentos ocorridos anteontem, que causaram transtornos em toda a cidade, nove deles estão nessa relação, como a praça das Bandeiras, na região central da cidade (veja quadro nesta página).
Essa relação, feita no final de 2006 e publicada pela Folha em fevereiro de 2007, foi elaborada pelo CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), órgão da prefeitura responsável pelo monitoramento das interdições. Foram considerados no levantamento trechos com problemas “históricos”, que provocavam interdições parciais ou totais das vias.
Ontem, a pedido da Folha, os técnicos do CGE atualizaram esses dados. Apesar de uma melhora, a maioria dos locais com alagamentos freqüentes -”figurinhas carimbadas”, como são chamados pelos técnicos- continua lá.
Em novembro de 2006, cerca de quatro meses antes da publicação da reportagem, Kassab disse considerar insolúveis os problemas de enchente na cidade. “Desde a época de Anchieta, nos seus escritos, há relatos de áreas da cidade inundadas”, afirmou o prefeito à época, que depois tentou amenizar a declaração.
No início de 2007, a prefeitura enviou uma relação das obras e intervenções que estavam sendo feitas nesses locais. Dos 30 pontos, 12 não tinham nem projetos previstos.
A prefeitura informava ter apenas um local com obras em andamento, no cruzamento das avenidas Celso Garcia e Dr. Costa Valente (zona leste). Para o CGE, o local ainda continua com alagamentos. Três dos locais onde o município dizia ter “projeto executado” ficaram alagados anteontem, como na avenida Eusébio Matoso.

Prefeitura não comenta o assunto

DA REPORTAGEM LOCAL

A Folha solicitou à Secretaria de Infra-Estrutura Urbana e Obras de São Paulo uma explicação sobre as áreas crônicas de enchentes, mas ninguém atendeu a reportagem até as 22h de ontem.
Em 2007, o secretário Marcelo Cardinale Branco afirmou que trabalhava para tentar amenizar o problema em vez de ficar discutindo se os problemas têm solução ou não. Disse também que a solução era priorizar os locais onde existe risco de mortes e os mais nevrálgicos para o trânsito da capital.
A prefeitura enviou uma relação de obras que serão feitas na cidade neste ano.

24/12/2008 - 08:45h Piscinão transbordou por falha em bomba, diz subprefeitura

TALITA BEDINELLI – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um dia depois da chuva que causou inundações em vários pontos da cidade, a rua Francisco Dias Velho, no Brooklin (zona sul), ainda estava cheia de lama. Ela foi uma das mais afetadas pelas enchentes.
A rua fica perto da avenida Jornalista Roberto Marinho, onde um piscinão transbordou devido à falha de um sistema de drenagem, diz a Subprefeitura de Pinheiros.
O excesso de água da chuva, que deveria ter sido despejado no rio Pinheiros, tomou as ruas rapidamente, invadindo automóveis e casas na redondeza.
Com a força da água, três automóveis foram parar dentro do piscinão e só foram localizados ontem pela manhã. Também foram registrados pontos de alagamento intransitáveis, com mais de um metro de água, em áreas próximas ao piscinão.
Na rua Francisco Dias Velho, a água chegou a um metro de altura e entrou em todas as casas dos dois primeiros quarteirões. O mesmo aconteceu nas casas da rua Afrânio Junqueira, travessa da Francisco Dias Velho.
“Em cinco minutos a água subiu. Só consegui levar a televisão”, conta a professora Elisabeth Darcy Stocco, 44.
Nas ruas, sofás secavam nas calçadas, ao lado de bancos de carros. Nas esquinas, sacos de lixo, com objetos arruinados pela água, se empilhavam.
Segundo a Emae, empresa do governo do Estado responsável pela operação do sistema de drenagem do piscinão, uma falha de energia por volta das 16h causou o desligamento das quatro bombas que retiram o excesso de água. Minutos depois, duas foram religadas -as outras permaneceram inoperantes por 20 minutos.
A empresa diz que o volume de chuva foi muito grande e que a falha temporária das bombas não foi a única responsável pelas enchentes.

24/12/2008 - 08:35h Euforia natalina

 

Passageiros saem pela escotilha de emergência de ônibus na zona sul de São Paulo para fugir da inundação causada pelo temporal que atingiu a cidade na tarde de ontem e provocou 44 alagamentos

Passageiros saem pela escotilha de emergência de ônibus na zona sul de São Paulo para fugir da inundação causada pelo temporal que atingiu a cidade na tarde de ontem e provocou 44 alagamentos(Foto Folha SP)

 

 

O ESTADO DE SÃO PAULO
EDITORIAL
Prever alagamentos

Sobre o fato de em duas horas, nessa segunda-feira, ter caído um terço das chuvas do mês, na maior precipitação do ano na capital paulista, e que resultou em enormes transtornos para a cidade, é preciso registrar, já de início, a nota mais importante e mais feliz: não ter havido vítimas fatais. Apesar dos 45 pontos de alagamento – 37 deles intransitáveis -, dos congestionamentos de 174 quilômetros, de trechos de avenidas importantes como Ibirapuera, Santo Amaro, 23 de Maio, Interlagos, além das Marginais do Tietê e do Pinheiros, ficarem inteiramente intransitáveis; de pessoas ficarem ilhadas em suas casas; de crianças e idosos terem de ser resgatados pelos bombeiros; de muitas árvores (pelo menos 15) terem caído; de pessoas terem sido arrastadas por enxurradas, o esforço de salvamento e a solidariedade evitaram que em São Paulo ocorresse uma tragédia.

Mas é preciso insistir em que, dada a impermeabilização do solo da capital paulista, irreversível e irremediável – pois não é possível recuperar a porosidade do solo como nos tempos do chão de terra e do paralelepípedo -, o fundamental tem que ser a desobstrução dos canais de vazão: bueiros e córregos canalizados, os sistemas de depósito de excedente de água, do tipo “piscinões”, e o desassoreamento (e/ou rebaixamento de calhas) dos dois principais rios da capital. Em certa medida, a razoável rapidez com que as águas se escoaram, a despeito do extraordinário volume, mostrou os resultados positivos do que se tem feito em termos de saneamento básico e limpeza pública na capital.

O fundamental, agora, parece ser sem dúvida o trabalho nos principais pontos de alagamento, claramente demarcados por esta enchente, a partir dos quais se pode encetar obras públicas que contribuam para eliminá-los – ou reduzir seus efeitos – tanto quanto as mobilizações de socorro em situações de emergência.

Em precipitações pluviométricas de grande intensidade os desabamentos são o maior perigo, especialmente de moradias construídas ou instaladas em áreas de risco. Nisto São Paulo teve muita sorte desta vez. A Defesa Civil tem plano para retirar moradores de áreas de alto risco de desabamento quando chover 60 milímetros por três dias consecutivos numa mesma região da cidade. É o alerta máximo para se colocar em prática o plano emergencial de evacuação. No entanto, o mapa de riscos, com áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos, em períodos de chuvas na capital, é de 2003 – portanto, é preciso atualizá-lo.

Pelo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) cerca de 5.500 famílias moram em 562 pontos de risco, em encostas e margens de córregos. Desse total, 315 pontos são considerados de muito alto e alto riscos. Nas áreas mais perigosas há cerca de 11.500 moradias, onde habitam 57.500 pessoas. Considerando-se, porém, que os locais de risco com o correr do tempo vão se tornando ainda mais arriscados, é preciso que se faça, a respeito, uma rigorosa atualização de dados.

Segundo o coordenador de áreas de risco da Secretaria das Subprefeituras, Marcel Sanches, a Secretaria estima que metade dos 562 pontos de risco foi eliminada nos últimos quatro anos porque a administração municipal investiu R$ 28,5 milhões em intervenções, realizando – até 31 de outubro – 57 obras, das 108 previstas, beneficiando 6.200 famílias. Seria importante, no entanto, a Secretaria dar pormenores sobre a situação dos pontos de risco que continuam perigosos. Em se tratando de segurança para vidas humanas, a informação precisa é absolutamente essencial.

Disse o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, que na própria segunda-feira foram mapeados 43 pontos de alagamento da capital paulista e que já no dia seguinte a Prefeitura realizaria ações preventivas nesses locais. Por sua vez, o prefeito Gilberto Kassab afirmou que “São Paulo pode esperar uma presença firme da Prefeitura para evitar transtornos”.

É claro que é isso que a população de São Paulo espera tanto da Prefeitura quanto do Estado, na parte que cabe a este.

20/12/2008 - 10:11h Máfia dos Fiscais na Mooca derruba subprefeito

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Eduardo Odloak (junto a Kassab) cai seis meses após seu braço direito, Marcelo Eivaizan, dirigente do DEM jovem, ser preso como chefe da quadrilha dos fiscais  

O Estado SP

O subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, pediu ontem exoneração do cargo que ocupava desde novembro de 2005 – o que foi aceito. Decidido na tarde de ontem, o pedido de demissão é resultado do desgaste político iniciado em julho após a descoberta de um esquema de cobrança de propina liderado por fiscais da subprefeitura. Nesta semana, revelou-se que a sindicância instaurada à época para apurar a participação dos funcionários públicos não encontrou “indícios de responsabilidade funcional.”

Na carta endereçada a Matarazzo, Odloak diz que “a sindicância interna na Subprefeitura da Mooca, objeto de duras críticas, teve apenas o intuito de complementar as investigações do Ministério Público e da polícia, com o objetivo de ouvir funcionários que pudessem ter conhecimento de algo a acrescentar às investigações”. E que, após a oitiva de 23 pessoas que trabalhavam diretamente com camelôs, “não foram constatados fatos novos”. Ainda segundo o subprefeito, a apuração havia sido arquivada apenas no âmbito da subprefeitura, mas seguiria para Departamento de Procedimentos Disciplinares (Proced), instância superior.

A máfia dos fiscais foi desarticulada em julho após cinco meses de investigações. O fiscal Edson Alves Mosquera e o assessor político da subprefeitura, Marcelo Eivazian, foram apontados como os “cabeças” das duas frentes de achaque feitas aos vendedores ambulantes irregulares no Brás, popular centro de compras da capital. Além deles, outras nove pessoas foram presas, entre fiscais, ambulantes e um advogado. Estima-se que o esquema arrecadava R$ 1 milhão por mês.

19/12/2008 - 12:37h Subprefeitura livra 11 servidores

Para órgão, camelôs é que assediavam funcionários. Caso segue na Justiça e na polícia

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Gilberto Kassab recebeu sua diplomação ontem e na Mooca prefeitura abafa o caso que levou Marcelo Eiviazian (DEM), assessor politico do subprefeito do Brás, a ser preso na operação Rapa que investiga a Máfia dos Fiscais

DANIEL GONZALES, Jornal da Tarde

daniel.gonzales@grupoestado.com.br

Um relatório de 210 páginas, produzido pela Subprefeitura da Mooca, inocentou 11 pessoas – entre elas três ex-funcionários públicos de carreira e três ex-funcionários de confiança – de envolvimento com um esquema de cobrança de propinas de camelôs ilegais da região do Brás, conhecido como a “máfia dos fiscais 2”.

O esquema veio à tona em julho deste ano e, na época, provocou a prisão de 11 pessoas. Elas são acusadas pelo Ministério Público de, durante 15 meses, terem arrecadado até R$ 1 milhão por mês com o recolhimento de propinas.

Na denúncia acatada pela Justiça, a Promotoria afirma que 7 mil ambulantes da região, que atuavam durante o dia, eram extorquidos em R$ 10 a R$ 20 por dia para poder trabalhar. Também pagavam propina 500 vendedores de alimentos da região. O esquema era esquema semelhante ao da “máfia dos fiscais” de 1998, que naquele ano causou a prisão de servidores e vereadores.

Dois dias depois de a Polícia Civil ter desarticulado o esquema, durante a operação “O Rapa”, a subprefeitura exonerou os suspeitos – entre eles o agente de fiscalização Edson Alves Mosquera e o então assessor do subprefeito Eduardo Odloak, Georges Eivazian, e abriu sindicância interna, que durou um mês e ouviu cerca de 20 pessoas.

Foi essa sindicância que gerou o relatório, assinado por Odloak, que apontou “não existirem indícios de responsabilidade” dos ex-funcionários. O subprefeito – que ontem informou que a investigação interna serviu apenas para apurar a possível participação de mais servidores no esquema – arquivou a sindicância em agosto, época em que a Prefeitura já fazia outra investigação, mais detalhada, por meio da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos. Por esse motivo, a exoneração desses ex-funcionários será mantida.

Ainda de acordo com o documento da Subprefeitura da Mooca, seriam os próprios camelôs irregulares da região os responsáveis por assediar os fiscais com ofertas de propina para poder trabalhar. “Essa investigação foi apenas uma das feitas sobre o assunto”, afirma o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo.

Investigações

Apesar de o relatório da subprefeitura não ter responsabilizado ninguém, as investigações sobre a máfia dos fiscais continuam em andamento na Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos, na Polícia Civil, no Ministério Público e na Justiça.

No início de setembro, a juíza Maria dos Anjos Garcia de Alcaraz da Fonseca, 22ª Vara Criminal Central do Tribunal de Justiça, acatou a denúncia do Ministério Público por formação de quadrilha e concussão (crime de extorsão praticado por funcionário público) contra 13 servidores suspeitos dos crimes.

‘SEM LÓGICA’

O promotor responsável pelas investigações sobre a “máfia dos fiscais”, José Reinaldo Carneiro, afirmou ontem, em entrevista à TV Globo, que o resultado da sindicância feita pela Subprefeitura da Mooca “não tem lógica”.

Segundo Carneiro, “a responsabilidade é exclusivamente dos funcionários públicos”. “Eles montaram o esquema, eles intimidavam os camelôs, eles cobravam e extorquiam essas pessoas”, afirmou. O promotor disse ainda que a conclusão da subprefeitura “em nada corresponde” ao apurado pelo MP.

18/12/2008 - 18:16h SPTV: Subprefeitura da Mooca arquiva investigação sobre esquema de propina