06/07/2009 - 09:27h Poder de compra do mínimo sobe

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Sergio Lamucci, de São Paulo – VALOR

O gordo reajuste do salário mínimo e a queda da inflação levaram neste ano a um novo aumento do poder de compra de quem vive do piso no país. Na média de janeiro a maio, um mínimo equivalia a 1,89 cesta básica, mais que o 1,74 da média de 2008, segundo cálculos da RC Consultores. Essa melhora ajuda a explicar o desempenho razoável do consumo em 2009, sendo um dos fatores por trás da demanda firme por alimentos e bebidas, os principais produtos consumidos por quem recebe o mínimo. Nos quatro primeiros meses do ano, as vendas de super e hipermercados cresceram 6,2% em relação ao mesmo período de 2008, mais que os 4,5% registrados por todo o comércio varejista.

O salário mínimo subiu 12% neste ano, para R$ 465, chegando ao bolso dos beneficiados em março, um mês antes do que em 2008. Para completar, a inflação de alimentos e bebidas está cedendo, num cenário de desaquecimento da atividade econômica e preços de commodities mais baixos do que no primeiro semestre de 2008.

Para 2009, os analistas esperam uma alta bem mais fraca das cotações de produtos alimentícios. No ano passado, elas subiram com força, corroendo parte do poder de compra do mínimo. Segundo os números calculados pelo economista-chefe da RC, Marcel Pereira, o piso salarial do país, que em 2007 comprava o equivalente a 1,93 cesta básica, passou a equivaler ao já citado 1,74 em 2008.

O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, estima que o grupo alimentos e bebidas vai subir 5,2% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, bem abaixo dos 11,1% de 2008. “Essa é uma das principais fontes de alívio para a inflação.” Ele projeta alta de 4,5% para o IPCA em 2009 – no ano passado, o indicador subiu 5,9%.

A economista Marcela Prada, da Tendências Consultoria Integrada, vê um tombo maior de alimentos e bebidas, apostando que esses produtos vão ter alta de 3,6% neste ano. Para o IPCA “cheio”, ela projeta variação de 4,1%. “No ano passado, houve um choque das cotações de alimentos por causa da alta dos preços internacionais, algo que não está se repetindo neste ano.”

A queda da inflação de alimentos beneficia especialmente a população de baixa renda, que gasta boa parte de seu salário com esses produtos, como nota Pereira. No Índice de Preços ao Consumidor – classe 1 (IPC-c1), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mede a inflação para quem ganha entre 1 e 2,5 mínimos, o peso da alimentação é de 39,62% na cesta de consumo. É um percentual bem superior aos 27,49% do IPC-BR, que analisa a evolução dos preços para quem recebe de 1 a 33 salários mínimos. Nos 12 meses até maio, a inflação de alimentos no IPC-c1 ficou em 4,95%, bem abaixo dos 12,14% registrados em 2008 inteiro.

Pereira diz que houve uma forte recomposição do poder de compra do salário mínimo nos últimos 15 anos. Em 1994, ano da implementação do Plano Real, um mínimo comprava menos de uma cesta básica – 0,88. De lá para cá, o piso salarial subiu 116%, descontada a inflação, afirma ele. “Com o plano, a garantia da estabilidade de preços permitiu uma recuperação de valor, o que teve papel fundamental na melhoria do poder de compra da população de baixa renda.”

No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998, o crescimento real do mínimo foi de 5,5% ao ano, ritmo que caiu para 3,9% no segundo, entre 1999 e 2002. No governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o mínimo passou a crescer a uma velocidade mais expressiva: 5,9% ao ano entre 2003 e 2006 e 5,8% entre 2007 e 2009. Com isso, o salário mínimo compra hoje quase duas cestas básicas, o que permite à população de baixa renda adquirir um número maior de produtos além dos destinados à alimentação.

17/06/2009 - 13:29h Brasil é o 8º melhor país do mundo para o varejo

Setor de vestuário tem melhores oportunidades, mostra estudo

Reuters – O Estado SP

brasil_olho.jpghttp://www.sdr.com.br/negocios1.gifO Brasil ocupa a 8ª posição no ranking global de oportunidade de investimento para empresas de varejo e é o primeiro do mundo em atratividade no setor de vestuário, segundo pesquisa da consultoria A.T. Kearney, divulgada ontem. O levantamento existe desde 2003, mas o Brasil só conseguiu entrar na lista dos 30 países mais atraentes para investimento de varejo em 2005, ocupando o 29º lugar. No ano passado, o país estava na 9ª posição.

Os 10 primeiros colocados do ranking em 2009 são Índia, Rússia, China, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Vietnã, Chile, Brasil, Eslovênia e Malásia. Em 2008, os quatro primeiros eram Vietnã, Índia, Rússia e China. Markus Stricker, vice-presidente da A.T. Kearney, acredita que o Brasil não ficará entre os três primeiros, uma vez que seu varejo já é mais consolidado que o de muitos países, mas considera a posição ocupada pelo País extremamente positiva.

“Estar entre os três primeiros é improvável, mas, mesmo sendo um mercado tão bem estruturado (com menos espaço para crescer por investimento estrangeiro), ele está entre os 10 primeiros, e isso é importante”, disse Stricker.

Essa estrutura faz com que o Brasil viva uma segunda onda de investimentos. Na primeira onda, grande parte dos imóveis nas grandes cidades já foi comprada e associações entre grandes empresas – como a da rede francesa Casino com a brasileira Pão de Açúcar – já foram feitas.

Nesta segunda onda, há oportunidades de investimento em outras cidades. Celso Durazzo, diretor da consultoria, lembra que o estudo apurou que cerca de 20 cidades brasileiras têm mais de 1 milhão de habitantes, um ponto positivo para o país. “Não existe mais oportunidade de investimento maciço no Brasil, que estava no pico em 2007 e agora está na maturidade. Nessa maturidade é hora de (as empresas estrangeiras de varejo) inovarem quando investirem aqui”, disse.

Além do vestuário, outras oportunidades no varejo do País são os setores de eletrodomésticos e de alimentos e bebidas. O Brasil lidera o ranking do vestuário por igualar-se a países desenvolvidos: 40% das vendas de vestuário no País são feitas com cartão de crédito, patamar similar a de Estados Unidos e Grã-Bretanha, e as duas principais redes do país, Riachuelo e C&A, já emitiram mais cartões próprios de crédito que as operadoras Visa e Mastercard.

Outros pontos positivos são a população jovem, que consome muita roupa – mais de 60% dos brasileiros estão abaixo dos 30 anos – e o gasto médio com vestuário é de cerca de US$ 450 por ano, valor seis vezes superior ao da China.

Segundo Durazzo, a Índia liderou a pesquisa da A.T. Kearney porque, com a crise global, os preços dos imóveis despencaram e os varejistas locais se enfraqueceram, tornando-se alvos de aquisição em um país com uma população consumidora bastante volumosa.

17/06/2009 - 13:00h Supermercados sustentam vendas no comércio

PEDRO SOARES – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

Com o rendimento ainda em alta apesar da crise, as famílias foram às compras na Páscoa e garantiram crescimento de 6,9% nas vendas, em volume, do comércio varejista em abril ante o mesmo período de 2008, segundo o IBGE. É a maior taxa desde outubro de 2008 (9,8%), quando o comércio não havia sido ainda abalado pela turbulência externa.
Com a inflação menor neste ano e com o reajuste real do salário mínimo antecipado, os supermercados e as demais lojas de alimentos inflaram as vendas do varejo, beneficiadas pelo calendário. A Páscoa caiu em março em 2008 e em abril neste ano. Com disso, o setor supermercadista vendeu 14,1% a mais do que em abril de 2008.
Apesar do desempenho em abril, as vendas do varejo como um todo tiveram a pior performance no acumulado do primeiro quadrimestre do ano desde 2004, início da pesquisa. Subiram 4,5% no período.
Na comparação livre de influências sazonais com março, as vendas do comércio caíram 0,2%, num sinal de estabilidade, na avaliação do IBGE.
Segundo Nilo Lopes de Macedo, técnico do IBGE, o rendimento continua em expansão, mas as famílias estão menos confiantes com a manutenção do emprego e com o futuro da economia. Preferem, diz, gastar com itens mais baratos e evitar “dívidas de mais longo prazo”, apesar da melhora do crédito a partir de abril.
Nesse contexto, os supermercados, ramo de maior peso no varejo, leva vantagem e lidera o crescimento. De acordo com a Apas (Associação Paulista de Supermercados), as vendas se mantiveram em maio e nos primeiros dias de junho no mesmo ritmo de abril.

Câmbio
“Além de não ter havido perda de renda, muitas pessoas ressabiadas com a crise cortaram custos supérfluos e reduziram a alimentação fora do lar e compram mais alimentos para consumir dentro da casa”, diz Martinho Moreira, presidente da Apas.
O dólar, cuja cotação voltou a cair, também impulsionou as vendas de produtos importados e beneficiou o setor de supermercados. “Sempre que o dólar cai, o comércio melhora”, diz Carlos Thadeu de Freitas, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio).
É que, além da redução direta de artigos importados, muitos alimentos e outros produtos são feitos com matérias-primas vindas do exterior ou cotadas em dólar.
O câmbio deu um impulso também às vendas de artigos de informática e comunicação, barateados com a valorização do real. As vendas cresceram 27% em abril, em níveis próximos à fase anterior à crise externa.
O retorno do crédito também ajudou o setor, segundo Freitas. Esse efeito, no entanto, não beneficiou o ramo de móveis e eletrodomésticos, dependente dos negócios a prazo.
As vendas de móveis e eletrodomésticos recuaram 10% na comparação com abril de 2008. Nesse caso, os consumidores postergaram suas compras à espera da redução do IPI para produtos da linha branca (fogões, lavadoras e geladeiras), que só veio na segunda metade de abril. “A redução do IPI só vigorou em dez dias de abril. Em maio, os números vão ser bem melhores”, diz Luiz Góes, sócio da consultoria Gouvêa de Souza, especializada em varejo.

Ver também Alta do comércio e crescimento das receitas do setor mostra a força do mercado interno e das medidas de desoneração do governo federal

14/06/2009 - 12:15h ENTREVISTA – Abilio Diniz: presidente do Conselho do Pão de Açúcar

”Ganhamos a escala que buscávamos”

 

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Alexandre Calais e Ricardo Grinbaum – O Estado SP

 


O empresário Abilio Diniz tem um plano claro para o Ponto Frio, a segunda maior rede de eletrodomésticos do País, que passou anos à deriva, com trocas de executivos, diferentes visões de negócios e perda de espaço para a líder Casas Bahia. Além de dar nova musculatura à rede, o grupo vai usar o Ponto Frio para reforçar sua bandeira Extra, de hipermercados, categoria vista como decadente em outros países.

A empresa recém-comprada vai se transformar numa gigantesca central de compras não só para o próprio Ponto Frio, mas também para os hipermercados Extra e para a rede de eletrodomésticos do grupo, a Extra Eletro. Do alto dos seus mais de R$ 7 bilhões em receita por ano – somando-se as vendas do Ponto Frio e do Extra Eletro -, o grupo poderá negociar preços melhores com fornecedores aqui ou em outros países.

Mesmo que consiga comprar todas as ações dos acionistas minoritários, Abilio quer manter o Ponto Frio na Bolsa de Valores de São Paulo, para que sua gestão, que será separada, seja fiscalizada pelo mercado financeiro. E, embora a líder Casas Bahia esteja se expandindo para o Nordeste, Abilio quer concentrar o Ponto Frio nas praças onde já atua, a começar por São Paulo.

Entusiasmado com a compra, Abilio, de 72 anos, recebeu a reportagem do Estado na terça-feira de manhã, na imensa sala onde os principais diretores do grupo trabalham, em um ambiente aberto, sem divisórias. Entre um telefonema e outro para governadores e ministros, para comunicá-los pessoalmente da compra, falou sobre seu papel nas negociações, sua relação com o sócio francês Casino e sobre como retomou o prazer pelo trabalho depois que voltou a interferir nas principais decisões do grupo. “Eu já estava cuidando de outras coisas, mas estou mais alegre, focado no negócio de novo”, disse Abilio, que descarta vender sua participação para o Casino, que a partir de 2012 terá mais poder no grupo.

Como será o novo Ponto Frio? Vai ser uma empresa aberta na bolsa?

O Ponto Frio será uma subsidiária integral do Pão de Açúcar, e a nossa intenção é deixá-la como companhia aberta. Estamos fazendo uma oferta de ações, mas mesmo que todos os acionistas vendam, nós vamos mantê-la no mercado. Até para caracterizar um negócio com gestão diferente. Ainda não detalhamos tudo, mas o Ponto Frio vai funcionar como uma central de compras para o grupo. Os hipermercados e o Extra Eletro serão abastecidos pelas compras feitas pelo Ponto Frio, e isso já é busca de sinergias.

Os hipermercados vão continuar vendendo eletroeletrônicos?

Sim, mas vamos ser muito mais fortes buscando todo tipo de sinergia, seja com fornecedores, seja na área de logística e em tudo mais. Nós já temos um “global sourcing” (rede de compras global) importante, do Pão de Açúcar acoplado com Casino, com escritórios em vários países da Ásia.

Por que manter a empresa na bolsa?

É uma garantia para a própria empresa. Fica mais transparente, tem um compromisso com o mercado. Os executivos são vigiados o tempo inteiro. Veja, por exemplo, esse negócio de Petrobrás sendo vigiada por CPI, por política. Ela tem mais é de ser vigiada pelo mercado. É uma companhia que tem dono? Sim, é uma companhia do Estado. Mas também não é uma companhia pública? Então, vamos vigiar por esse lado. Não há vigilância melhor que a do mercado.

A ideia é manter as marcas Ponto Frio e Extra Eletro?

Em princípio, sim. O nosso pessoal de pesquisa de mercado está trabalhando firme nisso, já que não podíamos fazer nada disso antes de efetivar a aquisição. Mas, em princípio, a marca Ponto Frio é muito forte e vai continuar.

Qual é a prioridade: praças que estão pouco ocupadas pelas grandes redes ou investir em São Paulo, por exemplo, onde as Casas Bahia quase não têm concorrentes?

Quando estamos num mercado, gostamos de fortalecer cada vez mais esse mercado antes de buscar novos. É preferível ser forte nos lugares onde você já está, e quando decidir ir para um lugar novo, ir com força. Estamos abrindo em mais um Estado novo, o Tocantins. E o Ponto Frio está nos trazendo mais quatro Estados novos (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Espírito Santo). Não vamos, a princípio, abrir em mais nenhum Estado, e sim fortalecer aqueles aonde já estamos. É claro que em São Paulo, a nossa base, nós vamos fazer isso.

Por que a compra do Ponto Frio era tão importante?

Na parte de eletroeletrônicos, nós não tínhamos escala. Com mais ou menos R$ 2,5 bilhões em vendas por ano dentro do grupo, éramos menores que o Magazine Luiza, menores que o Ponto Frio e muito menores que as Casas Bahia. Agora, com a aquisição, passamos direto para mais de R$ 7 bilhões. Não sei quanto vende a (Casas) Bahia, porque é uma empresa fechada, mas passa a ser 60% do que é a Bahia, algo desse tipo. Começa a ter uma escala mais respeitável. Daí para frente, ser 60% da Bahia, ser 80% ou ser 110%, não vai mudar nada. Nós já adquirimos a escala necessária.

Como foi a sua atuação na negociação do Ponto Frio?

Como presidente do conselho do grupo, claro que participo das decisões estratégicas, e eu participei dessa aquisição diretamente. Não na linha de frente, não fui a Nova York negociar – embora tenha estado lá para conversar com a Lily (Safra, dona do Ponto Frio). Posso acrescentar para o grupo a minha experiência como empresário. Mas o trabalho é feito pela equipe.

Sua conversa com a Lily Safra foi decisiva na negociação?

Eu acho que foi um detalhe, mas um detalhe importante. Eu conhecia a Lily superficialmente. Nesse dia, a gente se olhou um nos olhos do outro, e acho que isso gera uma certa confiança. Tanto que ela se tornou acionista do Pão de Açúcar. Com direito a um cargo no conselho. Ela tem um cargo e o Carlos Monteverde (filho de Lily) tem um de observador. E estamos muito contentes de eles participarem. É mais uma vigilância, e mais uma garantia para o acionista.

O Ponto Frio vinha tentando se reestruturar há muito tempo, trocou de executivos, tentou ser vendido, nada dava certo. Imagina-se que o grupo vai tentar dar nova escala à rede…

Acho que a diferença que vamos levar para o Ponto Frio é o “management” (gestão). É o conhecimento profundo do negócio. Eu mal conheço os executivos de lá, mas sei que são capazes, Manoel Amorim (presidente do Ponto Frio) é um executivo capaz, mas eu não sei quanto ele teve de autonomia por parte dos acionistas. O que eu acho que vai fazer a diferença? O nosso domínio de TI (tecnologia da informação) e logística.

Como é que o sr. tem atuado no Grupo Pão de Açúcar?

O que aconteceu no Pão de Açúcar nesses últimos anos? Eu precisava profissionalizar o grupo. Não podia ficar mais naquela de: “Ih, mas e o dia em que o Abilio não estiver mais lá?”. Eu tinha de profissionalizar. Por isso, os meus dois filhos, o João Paulo e a Ana Maria, saíram, eu saí da diretoria executiva, e iniciei a profissionalização com o Augusto Cruz, que depois saiu. Fui buscar uma pessoa de fora, o Cassio Casseb. Esses foram cinco anos duríssimos aqui dentro. Eu acho que, depois de a gente penar tanto tempo, acertamos. E não é que acertamos porque fomos buscar o Claudio Galeazzi (que assumiu a presidência executiva do grupo em 2007), mas acertamos porque voltamos às nossas origens. Voltamos a trabalhar de forma integrada, sem disputas internas. Hoje, eu sinto que essa empresa está vivendo, se não o melhor momento dela, um dos melhores momentos da sua vida no que diz respeito à equipe. Hoje, é um time.

Há cinco anos, o grupo francês Casino assumiu metade do grupo, e se especulava que o senhor ia se aposentar. Mas agora o senhor parece estar entusiasmado com o negócio…

Esse início de profissionalização, esses cinco anos foram duríssimos para mim. Não porque eu perdi poder ou espaço, nada disso. É porque eu me obriguei a ficar numa retaguarda, deixando que as coisas acontecessem. Tive de fazer uma grande força para ver coisas erradas acontecendo e dar espaço. Durante um bom tempo, isso me tirou um pouco o prazer de trabalhar. Agora, isso mudou. Quando nomeei o Claudio, disse o seguinte: o que vai mudar de agora em diante? Tudo que acontecer nessa companhia, eu vou estar atento. Se eu concordar, vamos fazer. Se não concordar, eu dou a oportunidade de que as pessoas me convençam que estou errado. Se não me convencerem, eu levo para o conselho. Se a gente não aprovar, não vamos fazer. Isso mudou a minha vida. Saí daquela fase de deixar o cara fazer para aprender com os próprios erros. Passei a participar mais. Eu estou focado nos negócios de novo com essa gente.

Em 2012 vence seu atual contrato com o Casino. É mais fácil imaginar o sr. recomprando ações do Casino ou vendendo mais?

Não sei.

É uma questão em aberto?

Sair, não. Veja, eu me dou muito bem com o Casino – sou membro do board deles, tem épocas até em que eu me dedico muito mais à França que ao Brasil. Não preciso falar em recomprar ou coisa parecida. Mas eu estou mais para ficar, mais para olhar isso aqui, buscar crescer cada vez mais, estou mais para participar mais da direção do negócio, das decisões na França. Se eu continuar como estou hoje, saudável, eu estou mais para trabalhar, para fazer esse negócio crescer, do que para vender.

A ideia de recomprar já circulou no mercado. O sr. já parou para pensar nisso?

Claro que a gente pensa, a gente sempre pensa. Mas, veja, recomprar nem é tão importante, porque, no fundo, o que muda após 2012? O Casino vai ter uma ação a mais que eu na holding. E o que isso quer dizer? Ele vai ter um pouco mais de vetos do que tem hoje. E um pouquinho mais de direitos do que já tem. Hoje, nós temos igualdade, eu e o Casino, e eu tenho o management. Isso é muito importante. Eu sou o presidente do Conselho, os acionistas controladores – eu e o Casino – são obrigados a me eleger. E é o presidente do Conselho quem elege o presidente executivo. Eu sou o elemento de ligação entre o Conselho e o presidente. E, a partir de 2012, eu continuo exatamente assim. A partir de 2012, o Casino vai ter mais vetos e mais direitos do que tem hoje. Mas eu vou continuar tendo o principal, que é o management.

O Pão de Açúcar tinha em caixa R$ 1,7 bilhão, vai desembolsar cerca de R$ 500 milhões com o Ponto Frio, ou seja, continua capitalizado. Quais são os planos para esse capital? Podem vir novas aquisições?

Entendam minha posição: eu tenho 22% (do capital total) desse grupo, e tenho uma responsabilidade com os outros 78% – o Casino e o mercado. Então, temos obrigação aqui dentro de olhar tudo aquilo que aparece do nosso setor, do nosso ramo. Não posso dizer que vamos fazer aquisições, mas também não posso dizer que não vamos. Porque isso depende muito de oportunidade.

Qual foi a sua sensação ao acordar hoje novamente como o maior varejista do Brasil?

Ah, olha, esse tipo de coisa não me pega. Acordei hoje como eu acordo todos os dias, às 5h30 da manhã, fui fazer meu esporte, fui dar um beijo na minha filha, fui tomar café com a minha mulher. Cara, olha para mim: na minha idade, tenho um filho que vai nascer em novembro, uma filha de três anos… Você acha que eu vou querer, daqui a uns dez, 15 anos, buscar os meus filhos na escola e todo mundo dizer: “Ah, quem é aquele velhinho ali com a Rafaela e o Miguel?” Então, tenho de ficar esperto… É isso, a vida não muda nada, continua assim.

Quem é:
Abilio Diniz

É presidente do Conselho do Pão de Açúcar desde 2003. Divide o controle do grupo com o francês Casino, com 50% do capital votante para cada

Foi um dos fundadores da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e membro do Conselho Monetário Nacional (CMN)

É bacharel em Administração de Empresas pela FGV

SAÍDA: “Se eu continuar saudável, estou mais para fazer esse negócio crescer que para vender (as ações)”{TEXT}

CAPITAL ABERTO: “Manter o Ponto Frio na Bolsa de Valores será uma garantia para a própria empresa”

GESTÃO: “Saí da fase de deixar o cara errar para aprender com os próprios erros. Passei a participar mais”

23/04/2009 - 10:33h Mercado nordestino cresce 19% e acirra disputa de supermercados

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=320647

Redes locais crescem mesmo após chegada de multinacionais como Wal-Mart e Carrefour

Márcia De Chiara – O Estado SP

O mercado consumidor do Nordeste registrou no ano passado a maior taxa crescimento de vendas entre os supermercados brasileiros e virou alvo de disputa tanto de redes locais como de grandes varejistas internacionais. Enquanto o faturamento nacional dos supermercados cresceu 10,6%no ano passado e atingiu R$ 159,1 bilhões, uma cifra recorde, a receita das redes nordestinas aumentou quase o dobro, 19,7%, descontada a inflação do período, revela o 38º Relatório Anual da Revista Supermercado Moderno. O estudo, de âmbito nacional, envolveu 460 empresas do varejo de autosserviço, que somam 3,8 mil lojas e respondem por 63,5% do faturamento do setor.

Ganhos de renda, benefícios sociais como o Bolsa-Família e a própria agressividade das redes locais após a chegada de grandes multinacionais à região são apontadas por Maurício Pacheco, diretor da revista e responsável pela pesquisa, como fatores que impulsionaram o forte crescimento de vendas no Nordeste.

O Bonanza Supermercados, com sede em Caruaru (PE), por exemplo, foi uma das empresas que se destacaram no ano passado. O faturamento de R$ 205,9 milhões atingido em 2008, com 15 lojas, cresceu 18,7% na comparação com 2007, descontada a inflação do período. “Conseguimos esse desempenho porque a renda na nossa região cresceu e fizemos boas negociações com fornecedores para ampliar as vendas”, diz o presidente da empresa, Djalma Faria Cintra. Ele conta que importou, por conta própria, bacalhau da Noruega e fígado bovino da Argentina. Além disso, ofereceu arroz e frango a preços reduzidos.

Cintra conta também que, no último ano, o mix de produtos de suas lojas foi ampliado de 5 mil para 9 mil itens. “O nordestino mudou seu padrão de consumo: passou a comprar, com maior frequência, chocolates e biscoitos recheados.” Líder do setor em Pernambuco, com a maioria das lojas no interior do Estado, a rede vai investir R$ 10 milhões em três novas unidades este ano. A primeira foi inaugurada em janeiro. No ano passado, não houve abertura de lojas.

O Wal-Mart, maior varejista do mundo, que faturou no ano R$ 16,9 bilhões no Brasil e expandiu em 13% sua receita, confirma o interesse e o bom desempenho das lojas localizadas no Nordeste. “As vendas do Nordeste cresceram dois dígitos e puxaram para cima o desempenho da companhia”, afirma o vice-presidente de operações para a região, José Rafael Vasquez.

Mais da metade do R$ 1,2 bilhão investido pela companhia no País em 2008 foi para inaugurar ou reformar lojas no Nordeste. Das 34 lojas abertas no ano passado, 18 estão localizadas na região, que reúne atualmente 140 das 350 lojas da rede. “A redistribuição de renda está dando maior visibilidade para a região”, diz Vasquez. Ele observa, que mesmo com a mudança de cenário econômico, não houve retração nas vendas ou migração para marcas mais baratas.

O Carrefour, líder do setor, com vendas de R$ 17,7 bilhões em 2008 e crescimento de 26,3%, segundo a pesquisa, praticamente abriu uma loja por mês no ano passado no Nordeste e no Centro-Oeste, destaca Sheila Hissa, editora da publicação. Hoje, por exemplo, a empresa inaugura seu segundo hipermercado em João Pessoa (PB). A loja recebeu investimentos de R$ 31 milhões.

17/04/2009 - 13:10h Comércio volta ao pré-crise e dá alento à indústria

Conjuntura: Vendas do varejo mostram que recuo na demanda foi muito inferior ao da produção

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Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

O ajuste de estoques ocorrido nos últimos meses e a manutenção pelo comércio varejista do ritmo anterior à crise produziram um cenário que permite a recuperação da indústria a partir de abril. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, no conjunto, o comércio fechou fevereiro com um volume de vendas levemente superior ao desempenho de setembro (0,8% na série com ajuste sazonal, confirmando que a desaceleração no consumo foi muito menos intensa e mais lenta do que a ocorrida na indústria. Na mesma comparação, a produção industrial de fevereiro ainda foi 13,5% menor que a de setembro, no pré-crise, também na série livre de influências sazonais.

Esse descompasso confirma que a indústria foi muito mais afetada pelo baque nas exportações que pelo mercado interno. Entre economistas ganha força a perspectiva de uma recuperação lenta já no segundo trimestre, avaliação reforçada pelos indicadores conhecidos de março, como produção de automóveis, aço e papelão ondulado e consumo de energia. Essa retomada deve trazer junto a redução da distância entre os desempenhos de produção e consumo.

A Tendências Consultoria Integrada calcula que o índice de desempenho do comércio tenha alcançado 148,53 pontos no primeiro trimestre com ajuste sazonal e a produção industrial tenha atingido 108,24 pontos no mesmo período, também com ajuste sazonal. A diferença é de 40,29 pontos e supera aquela observada no quarto trimestre de 2008, de 28,84 pontos. O descolamento, afirma a economista Marcela Prada, resulta do ajuste de estoques, dado que as vendas no trimestre cresceram 0,7% na margem, sob efeito das promoções e do reajuste do salário mínimo. A indústria, por sua vez, encolheu 8,2%, influenciada sobretudo pelo baque nas exportações.

Analistas veem entre abril e junho a presença de fatores que favorecerão o desempenho das empresas. Entre eles, a inflação mais baixa e a absorção do reajuste do salário mínimo, que já impulsionaram as vendas do varejo em fevereiro. A progressiva queda no volume de importações – abrindo espaço para a indústria local – e o IPI reduzido para automóveis e outros segmentos são incluídos como elementos de estímulo à produção industrial.

De acordo com dados do IBGE, de setembro a fevereiro, o índice da produção industrial, com ajuste sazonal, baixou 22,09 pontos, saindo de 130,9 para 108,81 – queda de 13,5%. Já o comércio apresentou uma desaceleração lenta, recuperando o nível pré-crise já em fevereiro. No intervalo, o índice aumentou 1,2 ponto, para 150,76 pontos.

A recuperação do comércio, na média, mascara diferenças entre os segmentos. A recuperação está concentrada nas vendas de hipermercados e supermercados (alimentos, basicamente). Mas mesmo nos setores com fevereiro mais fraco que setembro, a queda é sempre muito inferior à indústria.

No segmento de bens duráveis, a disparidade entre o desempenho da indústria e do comércio foi mais evidente. No grupo equipamentos de escritório e informática, houve queda de 19% em produção e de 9% no varejo entre setembro e fevereiro. No setor automotivo, a produção caiu 31% e as vendas, 8%. O setor de móveis e eletrodomésticos registrou retração de 11% na produção e de 6% no varejo. Nas áreas de bens semiduráveis e não duráveis a diferença de desempenho foi menor. A produção dos setores têxtil, de calçados e vestuário teve queda de 10% a 13% entre setembro e fevereiro, enquanto as vendas no país recuaram 9%. O setor de alimentos cresceu 2,3% em produção e 5% em vendas entre setembro e fevereiro.

A melhora esperada para o próximo trimestre, porém, não altera as projeções de um PIB fraco ou negativo no ano. Ainda há dúvidas sobre os efeitos da desaceleração da renda nos meses seguintes e do fim do desconto tributário para veículos a partir de julho.

Para o segundo trimestre, Marcela Prada prevê recuperação da indústria, que termina o ajuste dos estoques e cresce 8,3% com ajuste sazonal. Para o comércio, a expectativa é de queda de 0,3% na margem, como reflexo da desaceleração da renda. “A indústria cresce neste trimestre, mas em ritmo lento pois ainda há setores com estoques acima do ideal”, afirma. Ela não descarta o risco de cortes no mercado de trabalho, sobretudo na área industrial.

O economista-chefe da Convenção Corretora, Fernando Montero, também elenca fatores que justificam as previsões de recuperação, como o ajuste de estoques concluído nos setores automotivo e de bens não duráveis, a recuperação nas vendas ampliadas do comércio e a queda das importações mais acelerada que as exportações. “No médio prazo, a indústria como um todo estará em patamar superior. Aí a questão será a demanda”, afirma Montero.

Entre fatores de favoráveis à expansão da demanda estão a expansão de 12% na massa de rendimentos nominais, a elevação em 20% dos gastos públicos federais, a inflação em queda e despesas fiscais contratadas para os próximos meses, cita Montero. Pesa contra os resultados divergentes divulgados pelas pesquisas de confiança. “Quanto mais tempo demora uma inflexão visível na produção, pior serão os desdobramentos sobre a confiança e o emprego. Em outras palavras, quanto mais tempo demora a retomada, mais lenta ela será”, pondera o economista.

Para Montero, preocupa a demora na recuperação de setores com grande peso na atividade econômica, como o caso do ramo siderúrgico. Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) nessa semana apontou queda de 41,5% na produção de março e de 37,9% nas vendas ao mercado interno (superando a queda nas exportações, de 27,2%). “Alguns setores apresentam um ciclo de recuperação mais demorado, como o caso do aço”, observa o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman. A queda nas exportações do grupo de produtos metalúrgicos foi de 35% no trimestre, o que dificulta o reequilíbrio dos estoques pelas indústrias. “O efeito da queda das exportações já foi absorvido pela maioria dos setores industriais. Com os estoques normalizados, há espaço para uma recuperação mais forte no segundo semestre”, afirma. Ainda assim, diz Schwartsman, a produção industrial encerra o ano com queda de 5,5% sobre 2008 e recupera o nível pré-crise somente no primeiro semestre de 2010.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, considera precipitado afirmar que a indústria entra no ciclo de recuperação em abril. Em sua avaliação, a Páscoa em abril (em 2008 foi em março) pode mascarar em parte o resultado deste mês. Pesquisa do Serasa Experian apontou crescimento de 1,3% nas vendas do varejo na semana de Páscoa (6 a 12 de abril) em comparação com a mesma temporada em 2008 (de 17 a 23 de março). No Estado de São Paulo, as vendas cresceram 5% na mesma base de comparação, segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas). Na região metropolitana do Rio de Janeiro, o aumento foi de 10,4%, informou a Fecomércio-RJ.

O economista também considera que o salto na venda de automóveis verificada em março (de 36,1% sobre fevereiro) pode não se repetir – sem contar o risco de contração no mercado com o fim da redução do IPI após junho. “Para o resto do varejo basta ver o aumento da inadimplência nas estatísticas para mostrar que a situação no comércio está complicada”, afirma. O Indicador Serasa Experian de Inadimplência de Pessoa Física apontou alta de 22,6% em março sobre fevereiro. No trimestre, o incremento foi de 11,4%.

Outro ponto de interrogação à recuperação definitiva da indústria é a efetividade do pacote americano para estimular o crescimento no segundo semestre, na avaliação do economista Douglas Uemura, da LCA Consultores. “O pacote fiscal americano tem um impacto positivo, mas ainda não está claro se será suficiente para reverter o atual ciclo de crise”, avalia.

Uemura é menos pessimista, porém, no que se refere aos riscos ao comércio. Ele observa que o spread bancário para pessoa física teve um forte salto, saindo de 35% em meados de 2008 para 45% em dezembro, o que afetou o nível de inadimplência. Mas até fevereiro o spread baixou para 41,5% e sinaliza quedas futuras, com a redução da taxa básica de juros (Selic). “A recuperação nas vendas de automóveis são reflexo da melhora na oferta de crédito e da redução do spread bancário”, afirma o economista, para quem comércio e indústria começam a recuperar perdas passadas a partir de abril. Para o ano, ele prevê expansão de 3,6% no comércio e queda de 2,4% na produção industrial.

14/03/2009 - 10:34h Comércio reage e cresce 1,4% em janeiro

Liquidações ajudam, mas é cedo para falar em recuperação, diz IBGE

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Jacqueline Farid – O Estado SP

O desempenho do comércio varejista surpreendeu em janeiro e trouxe um pouco de alívio ao fim de uma semana de notícias ruins na economia. As vendas do setor cresceram 1,4% ante dezembro, contrariando previsões de queda. Em relação a janeiro do ano passado, houve alta de 6%. Hiper e supermercados e móveis e eletrodomésticos garantiram os resultados.

Os analistas de mercado financeiro esperavam, em média, recuo 0,1% nas vendas em relação ao mês anterior. O técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, Reinaldo Pereira, atribuiu a boa surpresa às promoções de início de ano para esvaziar estoques, mas citou também a continuidade de aumento da massa salarial e as iniciativas governamentais para incentivar o consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e a nova tabela do Imposto de Renda.

Segundo Pereira, a crise elevou a quantidade de mercadoria armazenada nas lojas no último trimestre, o que levou a liquidações mais agressivas em janeiro. Até as vendas de bens duráveis como móveis e eletrodomésticos, que vinham registrando queda por causa da restrição de crédito, subiram 7,1% em janeiro em comparação a dezembro.

Apesar do desempenho positivo, Pereira ressaltou que houve perda de ritmo na expansão do varejo, revelada na comparação anual. Segundo ele, a alta de 6% ante janeiro de 2008 representou a menor expansão, para o primeiro mês do ano, desde janeiro de 2004. Em igual mês, o setor cresceu 11,8%, o melhor resultado da série iniciada em 2001. Ele disse que essa base de comparação elevada influenciou a desaceleração do crescimento em janeiro de 2009, mas houve também influência da crise. “Sem a crise, a perda de ritmo não seria tão forte.”

O chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, também credita os bons resultados de janeiro às promoções. “Os estoques estavam altos, ainda é cedo para dizer que a tendência de desaceleração vai mudar.”

A analista da Tendências Consultoria, Mariana Oliveira, também alerta que seria precipitado comemorar qualquer blindagem do varejo à crise. Ela considera que os dados de janeiro mostram que o comércio teve “fôlego surpreendente”, mas “seria prematuro afirmar que o comércio voltou a uma trajetória consistente de crescimento elevado”. Ela não descarta recuos nos próximos meses.

Segundo Mariana, os resultados de janeiro levaram a Tendências a colocar um viés positivo na projeção de aumento de 3,1% nas vendas do varejo este ano. Em 2008, as vendas cresceram 9,1%.

04/03/2009 - 11:00h Atividade industrial em SP e vendas nos supermercados crescem em janeiro

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Vanessa Dezem, Valor Online, de São Paulo

Dois indicadores de atividade revelaram um resultado positivo em janeiro. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) registrou alta de 6,2% no Índice do Nível de Atividade (INA) na comparação com dezembro de 2008, na série com ajuste sazonal. As vendas do setor supermercadista, também em janeiro, cresceram 6,54%, em relação ao mesmo mês de 2008, de acordo com o Índice Nacional de Vendas, divulgado mensalmente pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em comparação com dezembro de 2008, porém, houve queda de 22,96%, uma vez que o período, por conta das festas de fim de ano, impulsiona o faturamento.

A Fiesp não comemorou o resultado de janeiro porque a melhora se deu na comparação com o último trimestre de 2008, quando a produção diminuiu 20%. “Em um curtíssimo espaço de praticamente dois meses, a indústria paulista devolveu tudo o que ganhou nos últimos dois anos”, ponderou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. No confronto com janeiro de 2008, o dado é negativo – queda de 15,7% frente ao mesmo mês do ano passado.

“Os dados mostram que voltamos ao patamar de atividade apresentado no segundo semestre de 2006″, completou Francini. Segundo ele, se a indústria paulista quiser empatar os resultados de 2009 com os de 2008, ela precisa crescer a uma média de 2,1% em todos os meses do ano, nos dados dessazonalizados. “Para somente empatarmos com o ano passado, nossa indústria terá uma tarefa muito árdua pela frente”, afirmou o diretor.

Para o setor de supermercados, contudo, o resultado foi considerado bom. “A queda nas vendas em relação a dezembro é normal, pois o último mês do ano é o período de maior venda dos supermercados. Além disso, janeiro é um mês propício para ofertas e liquidações. A boa notícia é que mantivemos o crescimento em relação a janeiro de 2008. Isso porque o rendimento médio do trabalhador manteve a trajetória de alta. Os reflexos da crise ainda não chegaram à mesa dos brasileiros”, avaliou o presidente da Abras, Sussumu Honda.

Na análise setorial da Fiesp, metalurgia básica foi o setor de pior desempenho no primeiro mês do ano. O INA desse segmento, sem ajuste sazonal, marcou recuo de 38,7% frente a janeiro de 2008. Com relação a dezembro do ano passado, a queda foi de 8,1%, sem ajuste, e de 6,2%, considerando as variações sazonais. “Há setores que estão apanhando mais agora, mas a verdade é que a crise vai bater em todos, mais cedo ou mais tarde”, afirmou Francini.

Ele explicou que, diante desse cenário de retração, a sensação é que os efeitos da crise não cessaram e devem piorar. O Sensor Fiesp, indicador que mostra a percepção dos agentes da indústria sobre o período corrente, registrou 42,3 pontos na segunda quinzena de fevereiro frente à primeira, o que significa que as expectativas permanecem negativas.