09/11/2008 - 15:49h Um terço dos brasileiros morre precocemente

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Violência e trânsito são principais responsáveis por índice alto de mortalidade entre 20 e 59 anos, diz governo

Catarina Alencastro - O Globo

BRASÍLIA. O percentual de brasileiros que morrem na fase mais ativa de suas vidas, dos 20 aos 59 anos, chega a 32,2% da população nessa faixa etária. Esse índice é considerado alto pelo Ministério da Saúde. A informação faz parte do boletim sobre perfil das mortes no país divulgado na última semana.

Segundo o boletim, em 2005 ocorreram 323.531 óbitos prematuros.

A região com maior incidência de morte entre 20 e 59 anos foi o Centro-Oeste. O Ministério da Saúde registrou que 41,7% da população nessa faixa etária morreram prematuramente.

Em seguida estão Norte, com 39,3%, e Sudeste, 39,2%. O Nordeste e o Sul empataram com 36,3% das ocorrências fatais.

Para o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde do ministério, Otaliba Libânio, os números, divulgados mostram que o Brasil tem perdido muita gente por motivos que poderiam ser evitáveis, já que a violência urbana e o trânsito vitimam principalmente adultos dessa idade.

“Tem muita gente morrendo de causas evitáveis” Os diferentes tipos de câncer, que ocupam o segundo lugar geral no ranking da mortalidade no Brasil, não atingem com tanta freqüência essa fatia da população.

— A gente espera que as pessoas morram depois dos 60. Isso significa que tem muita gente morrendo de causas evitáveis, principalmente causas violentas e as doenças cardiovasculares — avalia.

O número de brasileiros e brasileiras que morreram após os 60 anos, apesar de ter atingido 52,4% do total de óbitos em 2005, ainda é considerado baixo, diz Libânio. Ele observa que países em desenvolvimento próximos ao Brasil, como o Chile e a Argentina, apresentam índices melhores do que o brasileiro. No índice geral, doenças crônicas ligadas ao sedentarismo, tabagismo e alcoolismo ficaram em primeiro lugar na causa de morte, enquanto as causas violentas ocuparam a terceira posição.

Os homicídios ocorreram com maior intensidade entre os jovens de 20 a 29 anos. Segundo o relatório do Ministério da Saúde, foram 57,8 casos para cada 100 mil habitantes. Dos 40 aos 49 anos, a incidência também foi alta: 25,5 a cada 100 mil.

27/09/2008 - 18:39h População desconhece doença do coração como principal causa de morte, mostra pesquisa

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CAROLINA FARIAS da Folha Online

Pesquisa realizada pela Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) mostra que os paulistas desconhecem que os problemas cardiovasculares são as principais causas de mortes no Estado. De acordo com a organização, o infarto é a principal causa de morte em São Paulo, seguida de derrames, câncer e causas externas –como as relacionadas à violência e ao trânsito, por exemplo. A população demonstrou desconhecer os dados e apontou a violência como a principal causa de morte no Estado.

Durante dois dias no mês de junho, 2.096 pessoas, entre 14 e 70 anos, foram entrevistadas em 85 cidades do Estado. O objetivo da pesquisa, realizada pelo Datafolha, foi documentar o grau de conscientização da população sobre os fatores de risco de doenças do coração.

“Apesar de ser a principal causa [doenças cardiovasculares], a população não percebe. O Estado tem maior nível de educação [do país], mesmo assim a população desconhece”, afirmou o diretor da divisão de pesquisas da Socesp, Álvaro Avezum.

Foram apresentados para os entrevistados dois tipos de questionamentos. Um em que questionava, no geral, a principal causa de morte, e outra que perguntava quais os fatores de risco que se associam a doenças cardiovasculares. O que mais foi citado, segundo Avezum, foi o tabagismo –32%. “Isso significa que 68% da nossa população no Estado não identifica o cigarro como fator de risco cardiovascular. É muito pobre o conhecimento, bem abaixo do que gostaríamos que a população tivesse”, afirmou o médico.

Pesquisas realizadas na América Latina apontam que os fatores de risco que mais levam aos problemas no coração são, em primeiro a obesidade abdominal, seguida de tabagismo e alterações do colesterol.

De acordo com a pesquisa, a população praticamente ignora os principais contribuintes das doenças cardiovasculares. Depois dos 32% que disseram acreditar que o cigarro é o que mais mata aparecem 18% que apontaram como maior causa da pressão alta, 17% citaram o alcoolismo, 16% sedentarismo e somente 15% apontaram o colesterol como principal fator.

“O grau de conscientização sobre os fatores é inferior a 30%. Significa que 70% da população do Estado não reconhece os fatores de risco associados a infartos, derrames, que são responsáveis por mortes no Estado”, disse Avezum.

Segundo o médico, a Socesp não imaginava que detectaria níveis tão baixos de conhecimento sobre problemas do coração. Para a organização, a falta de campanhas adequadas sobre os riscos de doenças cardíacas e a maior divulgação de casos de violência.

“Para mudar [de hábitos], a população tem de conhecer. Quem desconhece, não vai buscar prevenção”, afirmou o médico.

Mortes

Por ano, no Brasil, cerca de 300 mil pessoas sofrem infarto, segundo Avezum. Um quarto desse volume é do Estado de São Paulo.

A cada dez pessoas que infartam, três morrem em casa ou a caminho do hospital. Dos sete que chegam ao hospital, um morre. Dos seis que recebem alta hospitalar, um morre em um ano. “Ou seja, é uma doença que mata metade de suas vítimas”, explica o médico.

De acordo com Avezum, se houver a prevenção da obesidade, evita-se 46% dos casos de infarto, ou seja, cerca de 140 mil casos a menos por ano. Se proibir o tabagismo no país diminuiria 38% no número de infartos.

“Evitando isso diminui o número de cirurgias, angioplastias, etc. O impacto é brutal”, afirmou Avezum.

Seis fatores que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e dois que diminuem são aceitos em todo mundo, segundo o médico.

Os elementos que contribuem para os riscos, na ordem, são a alteração do colesterol –LDL alto, chamado de colesterol ruim, e o HDL baixo, chamado de colesterol bom–, cigarro, diabetes, pressão alta, obesidade abdominal e estresse e/ou depressão.

Os fatores protetores são a atividade física regular, no mínimo três vezes por semana durante uma hora, e o segundo ponto é comer verduras e legumes diariamente.

15/09/2008 - 16:10h Brócolis pode proteger pulmão de fumantes, diz estudo

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da BBC e Folha Online

Um estudo conduzido nos Estados Unidos sugere que o brócolis pode ajudar a reduzir os danos causados nos pulmões de pacientes que sofrem de uma séria doença pulmonar geralmente associada ao fumo.

A equipe, da John Hopkins School of Medicine, em Maryland, acredita que um composto produzido pelo brócolis, o sulforafano, aumenta a atividade da proteína NRF2 –conhecida por ser um potente antioxidante e componente de defesa dos pulmões contra inflamações.

Essa ação protegeria as células dos danos causados pela doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), normalmente causada pelo fumo e que engloba um conjunto de problemas pulmonares, entre eles a bronquite crônica e o enfisema.

Segundo o estudo, essa proteína aciona vários mecanismos que removem toxinas e poluentes que podem danificar as células pulmonares.

“Aumentar a atividade do NRF2 pode levar à tratamentos úteis que previnem a evolução da DPOC”, disse Shyam Biswal, que coordenou a pesquisa.

Efeitos

O estudo foi publicado na edição desta segunda-feira da revista científica “American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores examinaram amostras de tecido dos pulmões de fumantes infectados e não-infectados pela DPOC para determinar os níveis de NRF2 nos dois grupos.

Quando comparados com fumantes que não sofriam da doença crônica, os pacientes de DPOC em estágio avançado demonstraram níveis muito menores da proteína.

Por isso, os pesquisadores acreditam que tratamentos direcionados a aumentar os níveis de NRF2 podem atenuar os efeitos do estresse oxidativo provocado pela DPOC nos pulmões.

Segundo o estudo, o sulforafano é capaz de restaurar os níveis reduzidos do NRF2 nas células expostas à fumaça do cigarro.

Tratamento

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que o mesmo composto encontrado no brócolis era capaz de reverter os danos causados pela diabetes aos vasos sangüíneos do coração.

“Pesquisas futuras devem ser direcionadas ao NRF2 como uma nova estratégia para aumentar a proteção antioxidante nos pulmões e testar sua habilidade em melhorar a função pulmonar de pacientes com DPOC”, disse Biswal.

Um porta-voz da Fundação Britânica dos Pulmões afirmou que o estudo é importante para mostrar o desequilíbrio entre oxidantes e antioxidantes nos pulmões.

“Sabemos que o brócolis contém compostos naturais, mas por enquanto os estudos foram feitos apenas em laboratórios e são necessárias mais pesquisas para descobrir se pode produzir os mesmos efeitos em humanos”, disse.

A doença pulmonar obstrutiva crônica foi considerada a quinta mais letal do Brasil, segundo dados recolhidos pelo Projeto Platino, que investigou a incidência da doença no Brasil em 2003.

Segundo os dados, a DPOC provoca cerca de 270 mil hospitalizações anualmente, e é causa crescente de morte no país.