28/06/2008 - 10:14h Acordo amplia vôos entre os EUA e o Brasil

usa_brasil.jpgNúmero de companhias que operam entre os países passa a ser ilimitado

Acordo será efetuado em etapas; entre julho deste ano e outubro de 2010, vôos semanais entre Brasil e EUA aumentarão de 105 para 154

ANDREZA MATAIS - IURI DANTAS - FOLHA DE SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Brasil e EUA fecharam acordo bilateral que irá permitir o aumento de 50% no número dos vôos para os dois países tanto de passageiros quanto de carga. O acordo abriu o mercado para que mais empresas atuem nessa rota, o que pode reduzir o preço das passagens.
Hoje, apenas quatro companhias de cada um dos países estão autorizadas a fazer o trajeto Brasil-EUA. O número agora é ilimitado. No Brasil, só a TAM opera essa linha no momento.
Conforme a secretária de Transportes do governo americano, Mary E. Peters, os novos vôos serão destinados a atender cinco cidades brasileiras, entre elas Fortaleza e Curitiba. Os demais destinos ainda não foram definidos. O interesse é em voar, no Brasil, especialmente ao Nordeste. “Esse acordo vai ajudar as companhias aéreas a atender a grande demanda pelo serviço de carga e passageiro entre EUA e Brasil”, disse a secretária. Hoje, operam a rota American Airlines, Continental Airlines, Delta Air Lines e United Airlines.
O acordo será implementado em quatro etapas, a partir de terça. Entre julho de 2008 e outubro de 2010, os vôos semanais entre Brasil e EUA irão aumentar de 105 para 154. Atualmente, a TAM faz apenas 24 vôos semanais para os EUA, não por falta de linhas. Há 70 a serem distribuídas para outras empresas. Entre as brasileiras, a TAM responde por 60,3% do vôos internacionais.
Segundo Paulo Castelo Branco, vice-presidente de Planejamento e Alianças da TAM, a partir de 5 de setembro, a empresa terá novo vôo diário e direto do Rio para Miami, e, no final de outubro, do Rio para Nova York, que pode ser diário ou quatro vezes por semana. Ele considerou o acordo “bom”.
A Gol e a Varig informaram que não têm interesse em voar para os EUA. As duas empresas estão concentradas nos países da América do Sul.
Com relação a transporte de cargas, o acordo prevê a expansão de 24 para 35 vôos imediatamente e para 42 em 2010. O acordo elevou ainda o número de vôos charters de 750 por ano para 1.000; até 2010, o número irá chegar a 1.250.
Em 2007, 5.025.834 estrangeiros estiveram no Brasil. Desses, 699.169 vieram dos EUA. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), em 2006, a TAM transportou 190.836 pessoas para os EUA.
A Anac informou que também estuda o acordo bilateral com a Argentina. Atualmente há 133 linhas para aquele país, todas ocupadas pelas companhias. Conforme a Embratur, dos turistas que visitaram o Brasil no ano passado, 920.210 vieram da Argentina.

01/02/2008 - 15:39h Latem, Sancho, sinal que cavalgamos (2)


Destaque

Jornal VALOR:

“Os espanhóis têm procurado mais a costa brasileira por dois fatores: o primeiro deles, segundo fontes do setor, é a saturação do turismo no litoral sul da Espanha. Outro fator é que o atentado terrorista do 11 de setembro nos Estados Unidos e o tsunami na Tailândia acabaram tornando a costa brasileira mais atrativa e segura para turistas estrangeiros, sobretudo o europeu.”


Receita com turista estrangeiro bate recorde


Cibelle Bouças - VALOR


A geração de divisas com turistas estrangeiros no país atingiu em 2007 o nível mais alto da história e ruma para novo recorde. O desempenho, no entanto, não foi suficiente para garantir maior ocupação nas redes hoteleiras. Levantamento da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), baseado em dados do Banco Central, revela que o número de turistas se manteve estável em 5 milhões de pessoas, mas a receita aumentou 14,76%, para US$ 4,953 bilhões - o valor mais alto já verificado. Para 2008 a expectativa é de incremento de 9%, chegando a US$ 5,4 bilhões.

“O foco principal tem sido a entrada de divisas. O número de visitantes é importante, mas só vale se for multiplicado pelo gasto diário e o número de dias”, afirma Jeanine Pires, presidente da Embratur. O turista estrangeiro ficou em média dois dias a mais em território brasileiro, ou em torno de 18 dias. Os roteiros também se ampliaram em Santa Catarina e Rio Grande do Sul (sobretudo argentinos), Nordeste e Brasil Central (europeus).

O gasto médio diário aumentou 15%, para US$ 91,74, sendo que o turista europeu gastou em média US$ 1 mil por dia, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-Nacional). Por essa razão, o público europeu é alvo de campanhas da Embratur e de grupos privados para atrair mais visitantes ao país. Segundo Jeanine, o número de espanhóis foi o que mais cresceu - 22%, para quase 260 mil.

Os espanhóis têm procurado mais a costa brasileira por dois fatores: o primeiro deles, segundo fontes do setor, é a saturação do turismo no litoral sul da Espanha. Outro fator é que o atentado terrorista do 11 de setembro nos Estados Unidos e o tsunami na Tailândia acabaram tornando a costa brasileira mais atrativa e segura para turistas estrangeiros, sobretudo o europeu.

Para Jeanine Pires, presidente da Embratur,
o número de visitantes só importa se é multiplicado pelos seus gastos

De acordo com Jeanine, as companhias aéreas já se prepararam para elevar a oferta de vôos vindos da Europa para o Brasil. “Com novos vôos da TAM e das espanholas Iberia e Aéreo Europa, o número de assentos ofertados chega a 12 mil por semana”, afirma Jeanine. Em 2007, a oferta foi de 8 milhões, com ocupação média de 78%.

O número maior de vôos permitirá que o número de turistas estrangeiros aumente de 5% a 8% e, com eles, a receita. Dados preliminares apontam para janeiro uma receita com turistas estrangeiros superior a US$ 550 milhões, ante US$ 469 milhões em dezembro - o maior valor registrado foi de US$ 484 milhões, em janeiro de 2007.

Os números impressionam, mas não são suficientes para garantir a lotação das redes hoteleiras, que nos últimos anos receberam fortes aportes - sobretudo de grupos estrangeiros - para a construção de novos resorts, hotéis e apartamentos de segunda residência. Na Bahia, o grupo espanhol Iberostar constrói dois hotéis com total de mil apartamentos. Uma fonte do setor afirma que parte dos hotéis na Bahia teve ocupação abaixo do esperada, em função do aumento do número de leitos e dos problemas provocados pelo caos aéreo no verão de 2007.

No Rio Grande do Norte, os grupos Sánchez (espanhol), Brazilian Development (norueguês) e Ultra Classic (francês) farão investimentos em resorts e hotéis que elevarão o número de leitos para turismo de 30 mil para 80 mil em 12 anos. “Nos últimos três anos, o número de leitos já dobrou em Natal. Como o número de hotéis cresceu mais que o total de turistas, a taxa de ocupação diminuiu em algumas redes”, afirma Fernando Fernandes de Oliveira, secretário de Turismo do Rio Grande do Norte.

Álvaro Bezerra de Mello, presidente da Abih-Nacional e presidente do conselho de administração da rede de hotéis Othon, observa que os efeitos da concorrência é notada na Bahia, no Ceará, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. “Há um número enorme de projetos de novos resorts e essa expansão preocupa”, afirma.

Ricardo Domingues, diretor executivo da Resorts Brasil - associação que congrega 46 empreendimentos em 16 Estados - diz que o problema não está nos resorts. Esses, inclusive, sofreram redução de 4 pontos percentuais na taxa média de ocupação, que ficou em 49% em 2007. As redes possuem juntas 10,25 mil unidades habitacionais. Do total de turistas que passaram pelas redes, 70% eram brasileiros e 30% estrangeiros.

“O dólar baixo fez muitos brasileiros procurarem destinos no exterior. E janeiro foi prejudicado pela crise aérea”, afirma. A queda da ocupação no verão passado, segundo ele, foi de 15 pontos percentuais e a receita obtida pelos resorts no período chega a 56% dos ganhos do segmento no ano. Ele garante, no entanto, que houve crescimento da procura pelas redes no quarto trimestre de 2007 e prevê, para este ano, um incremento na taxa média média de ocupação para 53%.

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) confirma o cenário mais otimista para 2008. A entidade estima que, com a normalização do transporte aéreo, a perspectiva de crescimento da economia e a oferta de crédito ainda alta, o turismo, tanto de brasileiros no exterior como de estrangeiros no país, registre incremento entre 15% e 20% neste ano.

Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Embratur revela que 30,5% dos brasileiros pretendem viajar nos próximos meses, 12,9% mais do que em janeiro de 2007. Do total, 82,2% deverão visitar destinos turísticos nacionais, 5,4% mais que no ano passado. O percentual de brasileiros interessados em viajar para o exterior se manteve estável, em 15%.

No ano passado, conforme a Abav, a procura por viagens internacionais aumentou 15% em 2007, enquanto que, no mercado doméstico, as vendas de passagens tiveram incremento menor, de 7,9%. Os dados da entidade casam com os números divulgados pelo Banco Central, que apontou no ano passado um crescimento de 42,5% no montante gasto por brasileiros no exterior, para US$ 8,211 bilhões - outro recorde histórico.

Bezerra de Mello, da Abih-Nacional, cita outro efeito colateral causado pela evasão dos turistas brasileiros: eles acabam ocupando boa parte dos assentos nos vôos internacionais quando voltam para o país. “É difícil para o turista estrangeiro conseguir vôos para o Brasil. Isso sem contar as dificuldades para a obtenção de vistos, principalmente no caso de americanos, australianos e canadenses”, afirma. A Polícia Federal divulgou recentemente que enfrenta dificuldades para atender à demanda para a emissão dos passaportes e que só há vaga para agendar entrevistas para emissão de passaportes a partir de janeiro de 2009.

De acordo com a Embratur, em 2007 a oferta total de assentos para vôos internacionais chegou a 8 milhões, com ocupação média de 78%. O número, segundo Jeanine, da Embratur, poderia ter sido maior, não fossem os problemas da Varig e a conseqüente redução do número de vôos fretados (charter) em 1,4 milhão de assentos no ano. “Mas com o aumento da oferta por outras companhias, tudo ficará mais fácil”, afirma Jeanine. (Colaborou Raquel Salgado, de Salvador)

23/08/2007 - 11:43h Newton dorme

ALOIZIO MERCADANTE

Jornalistas e políticos não têm o rigor científico de Newton. Mas todos têm de ter um compromisso mínimo com os fatos

“Hypothesis non fingo” (Isaac Newton)

ISAAC NEWTON era um cientista tão genial quanto rigoroso. Formulou as teorias que, pela primeira vez, explicaram o mundo do ponto de vista lógico-matemático. Contudo, não conseguiu explicar como a gravidade funciona, como um corpo atua sobre outro à distância.
Indagado exaustivamente sobre o assunto, escreveu, no “Scholium Generale”, que não conseguia deduzir a natureza da gravidade a partir dos fenômenos que observava e que não teceria hipóteses. Na sua privacidade, Newton especulou muito sobre o tema e chegou até a criar o conceito do éter espacial para tentar explicar a ação à distância. Porém, fiel ao seu rigor científico, nunca publicou uma página sobre suas especulações.
Jornalistas e políticos não têm, entretanto, o rigor científico newtoniano. É natural, são ofícios diferentes, que não requerem o uso de métodos científicos. Mas, independentemente do ofício, todos têm de ter um compromisso mínimo com os fatos.
Em primeiro lugar, é questão de bom senso: o desapego aos fatos conduz necessariamente ao erro. Em segundo, é uma questão de espírito público: falta de objetividade e de imparcialidade nos ofícios que formam a opinião pública faz mal à democracia.
Apesar disso, parte da mídia e classe política oposicionistas vem sendo assolada por um febril “modus speculandi” que faria corar a pitonisa de Delfos e o barão de Munchausen. Tornou-se moda testar hipóteses.
Ante qualquer acontecimento, tece-se, de imediato, uma hipótese para explicá-lo. Tudo bem, é normal que se tente explicar os acontecimentos, mesmo quando não se sabe nada sobre eles. Mas não é normal nem desejável que se tente explicar algo sem sequer fazer uma investigação minimamente rigorosa sobre o assunto.
Também não é normal nem desejável que, ante as múltiplas hipóteses que podem explicar um fenômeno, se escolha só a que serve ao interesse próprio. E absolutamente não é normal nem salutar para a democracia que a hipótese arbitrariamente escolhida seja apresentada como fato. Por último, é no mínimo curioso que as hipóteses escolhidas sejam todas contrárias ao governo federal.
Há fatos inquietantes. O incêndio ainda consumia o avião da TAM quando os jornais televisivos afirmaram, em uníssono, que a aeronave havia “derrapado” na pista escorregadia. Assim, foi testada a hipótese de que o acidente fora provocado pela falta de ranhuras em Congonhas.
Os mais exaltados chegaram a testar a hipótese de que o governo Lula tinha assassinado 199 pessoas. Uma conhecida agência entrevistou um “consultor de aviação” que acusou peremptoriamente a Infraero de “assassinato coletivo”. Perdeu-se toda a cautela e a compostura, e surgiram as manchetes falando da “tragédia anunciada”. Na onda de histeria especulativa, até mesmo psicoanalistas, aparentemente com grandes conhecimentos técnicos sobre aeronáutica, se permitiram aderir à hipótese do assassinato coletivo.
Porém, com a revelação de que o avião operava sem um dos reversos e que os manetes não estavam na posição correta no momento do pouso, tal como acontecera em dois outros bem conhecidos acidentes com o mesmo tipo de aeronave, subitamente minguaram as especulações e se passou a exigir, tardiamente e com o grande estrago já feito, o aguardo dos resultados do inquérito e a proibição dos julgamentos precipitados.
Talvez frustrado pelo malogro, esse jornalismo isento voltou à ira imparcial para o teste de outras hipóteses.
Quando dois pugilistas cubanos que haviam fugido de sua delegação procuraram a polícia e pediram para voltar ao seu país, testou-se, de imediato, a hipótese de que o governo Lula, “amigo do governo Fidel Castro”, negou-lhes insensivelmente o refúgio de que precisavam. No Senado, chegou-se mesmo a testar a hipótese de que o episódio dos pugilistas era igual ao de Olga Benário, entregue por Getúlio aos seus carrascos nazistas.
Ante a revelação de que eles recusaram as reiteradas ofertas de asilo, fato testemunhado pela OAB-RJ, e que outros dois atletas cubanos que pediram refúgio foram acolhidos pelas autoridades brasileiras, testa-se, agora, a hipótese de que os pugilistas foram “ameaçados por Havana” e que o governo brasileiro deveria ter feito alguma coisa. Sabe-se lá o quê.
Exemplos como esses se avolumam na história recente do Brasil. São tantos que já dá até para aventar uma hipótese: parte da mídia oposicionista não se preocupa muito com a investigação isenta dos fatos e atua de forma parcial e tendenciosa, maculando a enorme contribuição que a imprensa livre deu à consolidação da nossa democracia.
Tudo bem, não se exaltem, estamos apenas exercendo o péssimo costume de testar hipóteses no campo da política e do jornalismo. Newton dorme.


ALOIZIO MERCADANTE, 53, economista e professor licenciado da PUC-SP e da Unicamp, é senador da República pelo PT-SP.

07/08/2007 - 10:14h A mídia perdeu; o país também

por Luis Nassif

Observações a partir de uma conversa com jornalista de peso

Historicamente, sempre houve uma relação tensa nas redações, entre o chamado aquário (direção de redação) e a reportagem. Um pensa o produto, aquilo que impacta o leitor; a reportagem traz os fatos. Há uma lição que nenhum veículo pode ignorar: não se pode brigar com os fatos.

Nos anos 90, esse conflito muitas vezes foi resolvido de maneira pouco técnica: manchetes que não acompanhavam a notícia; ênfase exclusiva nas informações que se adequavam às teses do “aquário”. Mas, de qualquer forma, procurava-se preservar a notícia e não brigar com os fatos.

E havia razões de sobra para esses cuidados. Nos anos 80, a falta de sensibilidade em relação aos novos ventos estigmatizou alguns órgãos de imprensa. O mais afetado foi a Globo, acusada de não apoiar as diretas e, depois, de parcialidade na campanha de Fernando Collor (embora confesso não ter visto manipulação na edição do último debate entre Lula e Collor).

Nos anos 90, a recuperação da credibilidade se deu através de um trabalho hercúleo de Evandro Carlos de Andrade, tanto no jornal quanto na TV, passando por isenção na cobertura, pluralidade nas opiniões. Mesmo com os exageros de cobertura em episódios traumáticos, mesmo com diversas ondas de denúncia contra o governo FHC, os jornais chegaram a 2002 com a imagem relativamente preservada. Havia mau jornalismo, os críticos reconheciam, mas não havia alinhamento ideológico ou político com ninguém.

Agora, essa imagem está comprometida por dois episódios em que a soma de erros coletivos por parte da mídia atingiu proporções inéditas.

O primeiro, as últimas eleições. Perdeu-se o senso de reportagem e se passou a apelar incondicionalmente para dossiês, alguns sem pé nem cabeça – como foi o caso da “Veja” com os já clássicos “dólares de Cuba” e as “contas do governo no exterior”. Denúncias relevantes não foram apuradas; e os jornais apostaram em um estado de espírito do leitor para abdicar completamente do rigor e da técnica jornalística. O resultado das eleições mostrou que as denúncias não chegaram à maioria dos eleitores.

O segundo episódio foi agora, na cobertura do acidente com o avião da TAM. Não há registro na história recente da imprensa brasileira de sucessão tão grande de “barrigas”. É como se as diversas redações estivessem nas mãos de “focas”, tal a relação de impropriedades cometidas, de erros de julgamento, de retificações sem pedidos de desculpa. O que explica essa falta coletiva de limites?

O carnaval em torno do “top top” de Marco Aurélio Garcia visou apenas criar uma ameaça, um alerta: não comemorem nossos erros. O último Datafolha mostrou que o clima de caos não chegou aos leitores.

Em outubro ou novembro do ano passado, quando falei em “suicídio da mídia”, me referia a esse fenômeno inédito, em que praticamente todos os grandes veículos embarcaram, puxados pelo inacreditável jornalismo de “Veja”.

O pior subproduto dessa imprudência não é nem a radicalização que começa a tomar conta do país e preocupa: é o enfraquecimento da mídia. Se fosse apenas uma questão financeira, problema dos administradores de cada órgão. Acontece que – embora o controlador da Editora Abril, Roberto Civita, pareça não saber – o jornalismo de opinião é elemento fundamental em uma democracia. Dos poderes, é o que tem mais agilidade para pressionar por reformas, por acertos, para impedir abusos, para colocar limites aos demais poderes.

Mas como se faz em um país em que – pela palavra do dono de alguns dos principais veículos – a mídia é apenas um grande supermercado, em que convivem “príncipes dos cronistas” e o mundo cão?

Se quisesse, a mídia poderia produzir diariamente críticas fundamentadas contra o governo Lula. Com a banalização das denúncias, com o enfraquecimento da reportagem, em favor do “aquário”, perdeu-se esse referencial.

A mídia perdeu muito. Mas o país também.

do Blog de Luis Nassif

06/08/2007 - 12:23h "Foi apenas um momento infeliz de um homem público que tem se dedicado, como poucos, ao país"

Extratos do discurso do senador Aloizio Mercadante em 2 de agosto 2007, sobre a crise do setor aéreo e o acidente da TAM
(…)
As vítimas do acidente da TAM merecem, acima de tudo, uma investigação objetiva e séria, e não a exploração política de suas tragédias. Só uma investigação isenta e responsável é que revelará a verdade e assegurará as condições para que novos acidentes semelhantes não voltem a ocorrer.Esse é o interesse maior da população e do país, não campanhas políticas oportunistas de enfadados.

Também não se pode politizar o tamanho da pista de Congonhas, aeroporto planejado em 1936, e nem o processo, iniciado em meados da década de 90, de transformar Congonhas num grande hub nacional, sem que se houvesse pensado na imprescindível área de escape que esse aeroporto precisava e precisa ter.

Na realidade, a chamada “crise aérea” vem sendo gestada há muito tempo pela ação e omissão de vários governos federais, estaduais e municipais. O aeroporto internacional de Guarulhos, inaugurado em 1985, previa, em sua concepção, que o governo de São Paulo construiria um trem expresso para ligá-lo ao centro da cidade e à Congonhas, de modo a reduzir o tempo considerável que se leva para acessá-lo, maior do que muitas viagens de avião, o que torna irracional a sua utilização em deslocamentos domésticos de curta e média duração. Por diversos motivos, esse investimento até hoje não foi feito, o que levou à sobre-utilização de Congonhas pela pressão das companhias aéreas e dos passageiros, à qual diversos governos cederam, provavelmente sensibilizados com a verdadeira via crucis que significa deslocar-se até Guarulhos, especialmente em dias de chuva ou em horários de rush.

Assim, em 1990 Congonhas já era o aeroporto mais movimentado do país.Cabe perguntar onde estavam os enfadados quando isso aconteceu.

O cerne do “apagão aéreo” está na crônica falta de investimentos em volume suficiente no controle aéreo, na infra-estrutura aeroportuária e mesmo na infra-estrutura de transportes urbanos das cidades brasileiras. Nos últimos anos, a insuficiência desses investimentos foi potencializada pelo recente crescimento exponencial da aviação civil no Brasil. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a procura pelo transporte aéreo cresceu 12,2% em 2006, e, para este ano (2007), estima-se um incremento ainda maior de 17,5%. Nos últimos 3 anos, o trânsito de passageiros pelas salas de embarque e desembarque aumentou em 43,5%. Calcula-se que, só no ano passado, houve 102 milhões de embarques e desembarques nos terminais brasileiros.

A bem da verdade, é necessário dizer que a “crise aérea” só não se manifestou antes porque, entre 1999 e 2003, com a crise econômica e a desvalorização do Real, que afetou profundamente as empresas aéreas, as quais pagam leasing de aeronaves e dívidas em dólar, a aviação civil brasileira viveu um período muito difícil de retração da demanda e aumento de custos. Com efeito, em 1999 houve uma queda brutal (-23%) na utilização de assentos disponíveis, seguido por um período de estagnação ou baixo crescimento que se prolongou até 2003. Cabe ressaltar que esse período foi decisivo para a falência da VARIG, que desconfigurou toda a malha aérea brasileira e cujas conseqüências se fazem sentir até hoje.

Embora seja claro que a crise é complexa e perpassa vários governos, há, nestas horas difíceis, uma enorme resistência em se admitir erros e responsabilidades. Como bem disse Albert Einstein num famoso discurso feito na Sorbonne: Se minha Teoria da Relatividade se mostrar verdadeira, a Alemanha dirá que sou alemão e a França afirmará que eu sou um cidadão do mundo; mas se ela se mostrar equivocada, a França dirá que sou alemão e a Alemanha dirá que sou judeu.

Sem dúvida alguma, o PAC e as medidas específicas que já estão sendo tomadas (redistribuição da malha, reformas nos aeroportos mais importantes, concursos para controladores, compras de novos equipamentos, etc.) deverão aliviar os estrangulamentos existentes. Contudo, a solução definitiva acontecerá em prazo mais longo e demandará a ação coordenada dos governos federal, estaduais e mesmo municipais, bem como vultosos investimentos públicos e privados.

Outro ponto que precisa ser atacado refere-se à relação entre as companhias áreas e os consumidores, que estão atualmente muito desprotegidos, dada à relativa inoperância da ANAC, um agência nova, ainda não consolidada, que não pode ser capturada por interesses privados. A ANAC multa pouco e, mesmo assim, os valores são pequenos (R$ 8 mil reais) e as companhias conseguem liminares para não pagar nada.

Nós, Senadores, também temos de assumir nossas responsabilidades e contribuir para a solução da crise. Temos de aperfeiçoar a legislação relativa ao transporte aéreo no Brasil, que carece de modernização e de aperfeiçoamentos, especialmente no que tange à proteção dos passageiros. É necessário também que repensemos o atual marco regulatório do setor aéreo, os poderes e as funções da ANAC, que podem ser mais bem definidos e fortalecidos. Outro ponto que merece nosso empenho é o relativo ao controle aéreo da aviação civil, cerne da crise, que em quase todo o mundo é exercido por órgãos civis. Por último, devo mencionar o fortalecimento do Ministério da Defesa, ente concebido para racionalizar as estratégias e as operações da três forças, como uma das prioridades da nossa ação nesta conjuntura.

Não nos faltam tarefas importantes. São tarefas que nos impõe o país. Temos o dever de realizá-las. Não podemos nos dar o luxo irresponsável de cansar.

Temos também de evitar injustiças e parar de explorar fatos que não contribuem em nada para a solução da crise e só confundem e desinformam a população. É bem verdade que altas autoridades públicas fizeram, ao longo desta crise, declarações inteiramente infelizes; e já se desculparam por isso. Todos já as conhecem, até mesmo porque elas são obsessivamente repetidas a todo momento. Contudo, tais declarações foram tiradas de seu contexto e apresentadas de tal forma que ganharam uma dimensão totalmente desproporcional e deturpada.

Quero, neste momento, defender um homem público que merece respeito: Marco Aurélio Garcia. Conheço-o há décadas e posso afirmar, sem medo de errar, que se trata de pessoa íntegra e educada, que jamais faria aquele gesto em público. A maliciosa invasão da privacidade de seu gabinete revelou um gesto vulgar, o qual, ao contrário do que setores da mídia deram deturpadamente a entender, não expressava desprezo ou indiferença às vítimas, mas sim revolta ante a exploração política da tragédia. Foi apenas um momento infeliz de um homem público que tem se dedicado, como poucos, ao país, e que contribui, no seu âmbito de atuação, para a consolidação de uma política externa de inegável sucesso. (…)

05/08/2007 - 11:44h "Mal lui a pris, à celui qui croyez prendre", ou Deu-se mal quem queria fazer mal, ou: E agora, Clóvis?

Ombudsman da Folha de São Paulo ataca humor macabro é o “top, top, top” da Folha na tragédia

Em capa digna de antologia do mau gosto, o caderno Turismo da Folha titulou na quinta: “Balança, mas não cai”. O gracejo macabro anunciava temporada de cruzeiros na costa.
Marco Aurélio Garcia cometeu o gesto “top, top, top” em repartição que julgava livre de vigilância e como reação instantânea a uma notícia de TV.
Já o jornal teve tempo para pensar. Desrespeitou quem ainda chora a morte dos seus.
Marta Suplicy disse a frase infeliz (”Relaxa e goza”) sobre os percalços da crise muito antes do desastre do Airbus.
A Folha publicou a capa depois. Em quadra do grotesco, o jornal deixou sua marca.

03/08/2007 - 10:54h FHC critica uso político de fosso social

FHC critica uso político de fosso social, já o uso político dos mortos no acidente da TAM pode?

Este parece ser, porem, o credo que anima FHC e o próprio movimento Cansei. O ex-presidente esta bem longe do jovem professor de sociologia catalogado na época como marxista.

Como Marx fez com Hegel, é virando 180 grãos a pirâmide do raciocínio de FHC que a realidade aparece em pé. O uso político do acidente é abjeto e visa a confundir o debate democrático sobre os problemas aéreos e do Brasil; já as diferenças sociais, o abismo que separa ricos dos pobres em um dois países mais desiguais do planeta é a essência do debate democrático e permeia todas as questões políticas do país, inclusive a questão aérea. Ela esclarece o debate político, a questão do liberalismo, da desregulação, do lucro a custa da segurança etc.

Que pessoas que nunca cansaram de conviver com essa desigualdade social, pretendam agora imputar um acidente de avião, provocado por falhas técnicas ou humanas, ao governo Lula para sustentar uma campanha política de oposição, merece ser destacado como manifestação hipócrita e utilização revoltante da tragédia.

Isto não significa recusar manifestações políticas contra o governo, na base do respeito da constituição e da democracia, de qualquer setor ou grupo social. Isto dito, não tem nenhum viés autoritário ou de intolerância criticar o sentido deste movimento “Cansei”, indicar sua composição social, por luz sobre suas reais motivações e destacar seu conteúdo anti-ético.

Volto a repetir o que tenho escrito sobre isto:

“Uma sadia reação democrática jogaria luz sobre a manobra ignóbil e exporia os artífices do movimento “Cansei”, identificados como expoentes da elite paulista, respaldados em organizações de empresários e de classe média sem maior apoio popular.

Porém, seria um grave erro de julgamento e politicamente um desastre para o país se a resposta a este caminho de ódio levasse a uma exacerbação da luta de classes, de radicalismos infantis e de pregações ofensivas para aqueles setores que podem se identificar no palavrório vazio e reacionário dos “cansados”.

Não devemos esconder nossas próprias carências e erros, na denuncia fácil da “elite branca”, da insensibilidade social da burguesia e do apartheid social em que sustenta seus exorbitantes privilégios.

Os desafios presentes, a começar por medidas urgentes para resolver a crise aérea e também os gargalos na infra-estrutura, enfrentar as terríveis carências na educação, na segurança pública e na saúde, além de manter o curso positivo da economia do país, exigem a união e o diálogo entre todos os setores sociais e uma postura construtiva dos atores políticos, tanto da oposição como da situação.” (30-7-2007)

Luis Favre

FHC critica uso político de fosso social

Jornal Valor (para assinantes) Folhapress, de São Paulo e Belo Horizonte

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em São Paulo, que as “brechas entre ricos e pobres não devem ser aumentadas na política”. A frase foi proferida dois dias depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que “ninguém sabe colocar mais gente na rua” do que ele e que os ricos ganharam muito dinheiro em seu governo e, por isso, os pobres é que deveriam estar zangados.

A crítica do ex-presidente não foi feita diretamente a Lula. FHC discursou para uma platéia de empresários, intelectuais e estudantes, no lançamento da revista americana “America Quartely”, da qual é membro do Conselho Editorial. Falando sobre a necessidade do mundo lidar com diferenças culturais e sociais, disse ser preciso “trabalhar na aceitação do outro”. “Apesar das brechas entre ricos e pobres, o que às vezes é aumentado na política. Devemos evitar isso, não usar como poder.” Leia mais no jornal Valor (para assinantes)

03/08/2007 - 00:42h Familiares de vitimas do acidente da TAM se reunem com Lula e pedem punição

REUTERS

BRASÍLIA - Familiares de vítimas do acidente com o Airbus da TAM pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que os responsáveis pelo pior desastre aéreo da história do país sejam punidos.”A gente espera que não só o presidente mas a Câmara e o Senado apurem os responsáveis, punam os responsáveis, para que mais famílias não precisem sofrer o que a gente sofreu”, disse a jornalistas Luiz Fernando Moyses, que perdeu a esposa no acidente.

Lula recebeu três familiares durante quase uma hora no Palácio do Planalto, após o encontro, não previsto na agenda do presidente, ter sido pedido por eles nesta quinta-feira mesmo.

“O presidente se mostrou solidário. Ficou de assumir pessoalmente essa causa de cobrar das pessoas que têm que ser cobradas”, acrescentou Moyses. “Ele ficou de se manifestar quando tiver toda a documentação, toda a investigação e ele está muito solidário e triste também.”

Perguntados se achavam que o governo havia sido omisso ou lento em reagir à crise aérea, Raifran de Almeida, que perdeu um irmão, a cunhada e dois sobrinhos disse: “Neste momento nós não queremos julgar ninguém e nem culpar ninguém, apenas apresentar esse manifesto único pedindo responsabilidade”.

Cento e noventa e nove pessoas morreram no último dia 17 quando um Airbus A320 da TAM não conseguiu pousar com sucesso em Congonhas e explodiu ao se chocar contra prédios em frente ao aeroporto. Agencia Estado.

02/08/2007 - 18:54h Ombudsman da Folha critica conclusões precipitadas sobre as causas do acidente da TAM

Lições

Assim como a Folha e seus jornalistas, em textos noticiosos ou de opinião, não deveriam ter avançado conclusões carentes de confirmação sobre as causas da tragédia, o jornal deveria ser mais rigoroso na publicação de artigos de convidados.

Muitos deles venderam certezas que se mostraram furadas ou que ainda hoje esperam comprovação.

02/08/2007 - 18:11h Não vi preocupação da OAB com cratera em SP, diz Falcão

Deputado estadual afirma que o movimento “Cansei” faz oposição mascarada

Petista declara que não crê que esse movimento tenha intenções golpistas, mas que não terá apoio popular para continuar crescendo

LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Deputado estadual mais votado pelo PT paulista em 2006 e homem forte da gestão Marta Suplicy (2001-2004) na prefeitura, Rui Falcão, 63, diz que não viu preocupação nem da OAB-SP nem de seu presidente, Luiz Flávio Borges D’Urso, com a cratera do Metrô na cidade. A obra e sua segurança estão a cargo de empresas contratadas pelo Estado, governado pelo PSDB desde 1995. A partir disso, ele afirma que o “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros”, o “Cansei”, liderado oficialmente pela entidade dos advogados, faz oposição mascarada ao governo Lula e explora o acidente aéreo para desgastar o Palácio do Planalto. Porém, ele diz não acreditar que o grupo quer derrubar o presidente Lula.

FOLHA - O “Cansei” diz que não tem objetivos partidários. O que leva o sr. a pensar o contrário?
RUI FALCÃO -
Ele tem um sentido político, com bandeiras dos partidos de oposição, inclusive explorando esse episódio dramático, que é a perda de vidas humanas no acidente aéreo. Não vi nenhuma preocupação com a falta de transparência em São Paulo, com respeito à total impossibilidade de realização de CPIs. Isso diz respeito à cidadania. Não vi preocupações da OAB-SP com o episódio da cratera do Metrô de São Paulo, que não foi esclarecido. É um direito das pessoas fazer oposição, mas o que se condena é que se faça oposição mascarada, querendo aparecer como demanda do conjunto da sociedade quando é de uma parcela que tem direito, sim, de se manifestar, mas que se manifeste nessa condição, não falando em nome de todos.

FOLHA - Então o sr. não questiona o envolvimento da entidade, mas uma suposta intenção não dita?
FALCÃO -
Exato. Se a OAB-SP tivesse consultado os associados, e eles dissessem “vamos patrocinar essa campanha”, ainda que fosse contra o governo, como é essa, teria direito. Mas não consultou os associados para tomar posição de facção.

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02/08/2007 - 18:03h Professor de ética vê politização em acidente

Terra Magazine
Quinta, 2 de agosto de 2007, 09h25
Daniel Bramatti

Agência Brasil

Acidente em Congonhas: tese da “tragédia anunciada” não se sustentou com a abertura da caixa-preta

A “tragédia anunciada” revelou-se não apenas um clichê, mas um grande erro. Ao que tudo indica, o acidente com o avião da TAM não teve nada a ver com pista molhada, “grooving” ou ineficiência governamental.

Suspeito usual por conta da crise aérea - que é concreta e inegável -, o governo foi quase de imediato relacionado às 199 mortes por comentaristas, políticos e meios de comunicação, ainda que várias vozes ponderadas apontassem a necessidade de, ao menos, esperar pelos dados das caixas-pretas.

Para Clóvis de Barros Filho, professor de Ética da Comunicação, esse movimento não é surpreendente. “Já não é de hoje que a mídia em geral tem apreço por endossar versões que deslegitimam a ação do Estado”, afirmou, em entrevista a Terra Magazine.

Leia também:
» Governo é culpado por “matança”, acusa Jungmann
» Empresários lançam movimento ‘Cansei’ contra crise
» “Fora Lula” domina passeata do “Cansei”
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O professor vê sinais de politização em uma cobertura jornalística que deveria ser técnica. “É óbvio que algumas manifestações de autoridades do governo são profundamente infelizes, inclusive do presidente da República. Entretanto continuo a acreditar que existe uma confusão propositadamente estabelecida com o intuito de fazer com que um caso gravíssimo e episódico seja inscrito numa crise - que existe, mas que não tem nada a ver com esse acidente.”

Que a confusão está estabelecida, não há dúvidas. Uma busca no Google pelos termos “tragédia anunciada”, “TAM” e “Congonhas” traz links para mais de 60 mil sites.

Leia a seguir a entrevista de Barros Filho, que leciona na Escola de Comunicação e Artes da USP e na Escola Superior de Propaganda e Marketing:

Terra Magazine - Depois da publicação de trechos da caixa preta pela Folha de S.Paulo, os deputados da CPI do Apagão Aéreo decidiram divulgar a transcrição dos diálogos do piloto e do co-piloto, inclusive até o momento em que são registrados gritos na cabine. O senhor acha que existe algum problema ético em divulgar essas últimas manifestações?
Clóvis de Barros Filho - Acho que só não deveria se divulgar se isso atrapalhasse as investigações. Não creio que seja esse o caso, não vejo por que não divulgar. Acho que, a partir do momento que a especulação sobre as causas do acidente tem muita relevância política, a divulgação dessas informações permite um esclarecimento que talvez redirecione a opinião pública.

O senhor falou em especulações e relevância política. O senhor acha que, logo após o acidente, a cobertura jornalística deu excessivo destaque à hipótese de um problema da pista, em detrimento de uma possível falha técnica ou humana?
Já não é de hoje que a mídia em geral tem apreço por endossar versões que deslegitimam a ação do Estado. É, portanto, natural que a tese da insuficiência da pista tivesse ganho o aplauso inicial. O fato de isso ter de eventualmente ser revisto é salutar. Penso que só não enxerga quem não quer.
Existem aí indícios muito claros de que o episódio de Congonhas está, digamos, sendo instrumentalizado. De um lado um movimento de deslegitimização do Estado, orquestrado pelo mundo corporativo, através do discurso da ineficácia, que tem como contrapartida a responsabilidade social e outras baboseiras. Tudo o que mostra a ineficácia do Estado interessa a certas políticas, a serviço de quem a mídia costuma estar.
Um segundo movimento é o da corrosão da legitimidade do atual governo, contra o qual a mídia opera como um todo, com honrosas exceções, como força de oposição. A partir do momento em que a acachapante derrota nas urnas colocou em xeque esse movimento, parece que estamos assistindo a uma venezuelização da vida política brasileira, com as classes médias e altas servindo-se dos meios de comunicação para levantar hipóteses de impedimento do presidente com base na crise do setor aéreo.

Mais do que uma precipitação da imprensa ao responsabilizar o governo, o senhor acha então que houve um movimento deliberado?
Se o senhor pedir para apresentar provas, não tenho. Mas é o que eu acho. Se o senhor acompanhar a leitura de algumas revistas na época das eleições, fica fácil perceber que existe um “a priori” partidário e ideológico que orquestra todas as decisões editoriais. Decisões de capa, de política editorial como um todo. Relação quase de radical deslegitimação do governo Lula. Então por que não um avião a mais nesse processo? É claro que o governo não ajudou. Declarações como a da Marta Suplicy e gestos como o do Marco Aurélio Garcia, de alguma forma, facilitam esse tipo de articulação.
É evidente que, quando se pensa na crise do setor aéreo, há um problema. O acidente do avião da TAM me parece um outro problema. A confusão desses dois problemas é do interesse político de alguns. Uma coisa é o caso da malha aérea nacional, o problema dos controladores de vôo etc., em relação aos quais o governo talvez tenha bastante responsabilidade. A outra coisa é o problema técnico que levou o avião a não parar. A meu juízo, esses problemas são bastante diferentes, mas eles são invariavelmente tratados no mesmo saco, e claro que com um efeito reforçativo de ineficácia que interessa a muitos.

Como o senhor vê o fato de ter se carimbado esse acidente, desde o início, como uma tragédia anunciada?
No momento em que isso foi dito essa observação era absurda, porque não se podia saber em hipótese alguma, naquele momento, qual era a causa. Se você não sabe qual é a causa de um fenômeno, você não pode dizer que aquilo foi anunciado. Estou convencido de que existe por trás disso um movimento de desestabilização.
É óbvio que o acidente do avião da TAM é de enorme gravidade. É óbvio que a dor das pessoas é incomensurável. É óbvio que algumas manifestações de autoridades do governo são profundamente infelizes, inclusive do presidente da República. Entretanto continuo a acreditar que existe uma confusão propositadamente estabelecida com o intuito de fazer com que um caso gravíssimo e episódico seja inscrito numa crise - que existe, mas que não tem nada a ver com esse acidente.

Como o senhor vê, nesse contexto, a articulação de um grupo de empresários e publicitários, dois dias depois do acidente, em torno de uma campanha chamada de movimento Cansei, depois abraçada pela OAB de São Paulo?
O movimento Cansei é o retorno do recalcado. A derrota de Geraldo Alckmin, para quem estuda os meios de comunicação como eu, é um enorme mistério. Para quem ensina que a mídia produz efeitos extraordinários de condução da opinião pública, agenda os temas políticos fundamentais etc., você imaginar que um candidato ganha com enorme facilidade uma eleição na contramão de toda a mídia de massa do país é, no mínimo, estranho. Parto da premissa de que a mídia produziu sim um grande efeito - se não tivesse produzido, a derrota teria sido ainda mais acachapante. Ora, depois desse massacre eleitoral…
Quando o candidato é o que interessa, aí a festa é cívica, a voz do povo é a voz de Deus e o resultado das eleições é soberano. Quando o resultado não interessa, aí o movimento Cansei é levantado como legítimo etc. A meu ver, esse movimento é um golpe. É uma tentativa de golpe daqueles que foram violentamente derrotados nas eleições.

Terra Magazine

02/08/2007 - 12:45h As pistas na transcrição sobre Congonhas

SLOT do JB

A degravação da conversa dos dois pilotos do Airbus MBK da TAM é um momento de horror, como são todas as gravações dessa natureza - razão pela qual dificilmente são conhecidas do público. Mas também é uma fonte importante de indícios sobre o que levou à tragédia. Desde o dia do acidente, algumas pistas importantes têm reduzido o menu de fatores que concorreram para o desastre. Eliminei, por exemplo, a arremetida e, embora haja um significativo reforço na questão da aderência da pista, as gravações não revelam que tenha havido aquaplanagem.

Mais e mais, os elementos convergem para o caso similar, ocorrido com o vôo TNA536, da Transasia, no aeroporto de Taipé. Lá, como havia área de escape, o jato varou a pista mas parou no mato. Ninguém saiu ferido. A questão maior converge para uma falha mais grave de gerenciamento eletrônico no Airbus.

O problema é detectado logo que a aeronave toca o solo, quando os spoilers não se armam. A razão? Segundo um piloto e instrutor de vôo que vem me municiando de gráficos e até dos dados da caixa preta do jato da Transasia, por alguma razão a manete de potência do lado direito ficou TRAVADA acima de Idle (ponto morto), quando deveria estar nessa posição ou abaixo, como manda o manual do Airbus A320 cuja cópia possuo. Sabe-se que ela estava em regime de ganho de potência, mas de alguma forma isso poderia ser revertido com o ajuste no momento do pouso.

O problema é que a alteração não pode ser feita, provavelmente por um bloqueio determinado pelo sistema de gerenciamento eletrônico (Fadec). Com uma turbina em reversão e outra em aceleração, o sistema travou no contraditório e recolheu os spoilers, inibindo também o funcionamento dos freios das rodas e dos ground spoilers, que são acionados pela compressão nos trens de pouso.

De acordo com esse piloto, quando o peso estiver totalmente sobre as rodas, e estas giraem a alta velocidade, e pelo menos um Reversor acionado, um sinal será enviado para os spoilers se abrirem. Isso não aconteceu. Não houve, segundo esse especialista, nenhum erro dos pilotos - embora eu discorde por causa da posição da manete, que não é a recomendada pelo manual. Ele concorda que a chave desse enigma passa obrigatoriamente pelo Fadec.

Diz que o elemento que sustenta isso está na transcodificação, cuja tradução, para a imprensa, errou em um ponto crucial. Em um determinado momento, um dos pilotos fala:

“desacelera, desacelera”, e o outro responde:

“Olha isso”. “Ele não pode, ele não pode”. Esta frase foi traduzida errôneamente pela imprensa por: ” Eu não posso, eu não posso”.

As frases são estas:

18:48:26.3
Som de toque na pista
18:48:26.7
Co-piloto: Reversor núemro 1 somente
18:48:29.5
Co-piloto: Spoilers nada.
18:48:30.8
Comandante: aaii [suspiro]
18:48:33.3
Comandante: olhe isto.
18:48:34.4
Co-piloto: desacelera, desaceleta
18:48:35.9
Comandante: ela não pode, ela não pode
18:48:40.0
Comandante: oh meu Deus…oh meu Deus
18:48:42.7
Co-piloto: vai, vai, vai, vira, vira, vira
18:48:44.6
Co-piloto: vira, vira para…não, vira, vira
18:48:45.5
Som de ruidos de esmagamento

Existe uma única frase na tal transcrição muito duvidosa porque foi inserida pelo investigador da Aeronautica que foi aos USA, que faz alusão ao ruido de aceleração. Nada mais, Não se sabe se a aceleração é do motor Direito ou Esquerdo, pois o motor ESQUERDO estava sendo acelerado pela manete do reversor neste instante.

A frase é:
18:48:24.5
[ som do movimento da manete de potência ]
18:48:24.9
[ som de aumento de ruido do motor ] ( não se sabe se era o ruido do Reversor do motor ESQUERDO ou do DIREITO ). Esta frase não é da transcrição do FDR e sim foi inserida pelo investigador para explicar o que ele entendeu sobre esse som.

01/08/2007 - 18:18h Bem na foto

Blog de Alon (01/08)

As viúvas, viúvos, órfãos e demais entes queridos dos mortos no acidente do vôo 3054 da TAM, que se estatelou em Congonhas após percorrer a pista principal do aeródromo, merecem nosso respeito e nossa solidariedade. Solidariedade e respeito que se manifestam na forma de silêncio, quando não concordamos com determinadas palavras ou ações vindas de quem sofre a dor por ter perdido alguém muito próximo. É por isso também que tenho procurado ao máximo permanecer aqui no limite dos aspectos técnicos da análise, ainda que no caso em questão a técnica mantenha vasos comunicantes com a política. Vasos bem abertos, aliás. Mas eu creio firmemente na verdade, o que me faz recorrer à prudência e resistir ao efeito-manada. Os fatos parecem caminhar para uma constatação: o desastre nada teve a ver com o circunstância de a pista estar eventualmente um pouco escorregadia quando o Airbus da TAM tocou o chão. Ou seja, o que aconteceu nada teve a ver com a ausência das ranhuras para escoamento de água -o grooving. Na Folha de S.Paulo de hoje, Fernando Rodrigues avança um pouco mais na revelação do que foram os últimos momentos do vôo e das causas principais da tragédia. Em linhas gerais, o texto é coerente com o que a revista Veja publicou na reportagem de capa da edição que está circulando. E o mais interessante, ao menos do meu ângulo de visão: confirma o que o Jornal Hoje, da TV Globo, informou logo no dia seguinte ao acidente de 17 de julho. Na o dia 18, o telejornal da hora do almoço colocou ao vivo o responsável pela área de risco da COPPE, a Coordenação de Programas de Pós Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Moacir Duarte (na imagem). Vamos recordar o que disse, menos de 24 horas depois do acidente, o professor Moacir:

Jornal Hoje: Já é possível dizer o que aconteceu naqueles segundos antes da colisão? Se fala em pista molhada, se fala em erro humano, problema mecânico. É possível já ter uma previsão?

Moacir Duarte: Pela natureza da ferramenta que a gente tem para investigar acidentes já é possível dizer o que não aconteceu. Certamente uma colisão daquela magnitude não tem a ver com a ranhura nem com o processo de frenagem, porque já é a última etapa de parada do avião. O avião chegou com muita energia ao final da pista para cruzar a avenida e ter um impacto no prédio. Isso parece que exclui como causa decisiva a questão da ranhura e do atrito.

Clique aqui para acessar a íntegra da entrevista do professor Moacir Duarte ao Jornal Hoje, poucas horas depois do acidente com o vôo 3054 da TAM. Pelo visto, o professor e a COPPE tem grandes chances de ficar muito bem na foto quando a história toda se concluir. Ainda bem que temos cientistas desse gabarito. Eles são muito úteis a pessoas que gostam de recolher as informações e raciocinar sobre elas antes de emitir uma opinião. Meu obrigado à COPPE e ao professor.

01/08/2007 - 17:39h O que aqui escrevi sobre o acidente da TAM

Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

O Brasil e nosso coração estão de luto

A tragédia do avião da TAM e dos 200 seres humanos falecidos exige um grande recolhimento em respeito as vítimas e seus familiares. Não deveria ser hora de neófitos e palpiteiros ficarem especulando sobre o que ignoram: as causas do acidente.

O momento exige mais que nunca solidariedade com o luto e a dor dos parentes e amigos envolvidos diretamente na tragédia. Da mídia e dos formadores de opinião esperasse sobriedade e equilíbrio.

Seria lamentável que os mortos e a dor sejam instrumentalizados para alavancar uma campanha nojenta de divisão e rancor, quando o momento requer união e respeito.

O drama que entristece o Brasil deve encontrar as respostas a todas as interrogações. Para isto a pericia técnica e científica é uma condição previa a qualquer opinião, com alguma sustentação, sobre as causas do acidente.

O Brasil esta de luto e esse luto merece respeito.

Luis Favre

Terça-feira, 24 de Julho de 2007

Comentários de Luis Favre

Não foi só a oposição ou os governistas que “tratam de capitalizar politicamente a tragédia”, a menos de considerar como parte da oposição a maioria dos veículos da mídia que rapidamente escolheram uma explicação para o acidente, a pista, para indicar um culpado, o governo.

Horas depois do acidente tenho postado aqui o artigo que reproduzo novamente embaixo.

Vale a pena sublinhar que neófitos e palpiteiros especularam e especulam sobre as causas do acidente; que faltou sobriedade e equilíbrio na mídia e formadores de opinião; que existe uma campanha nojenta de divisão e rancor e que o luto do Brasil é insultado diariamente pela vontade de usar a tragédia e o sofrimento dos familiares e amigos das vitimas, de forma revoltante e inescrupulosa.

Sábado, 28 de Julho de 2007

Sobre a matéria da Veja

A confirmação desta matéria da Veja não pode levar a nenhum recuo nas decisões políticas tomadas pelo governo e o CONAC para reestruturar o sistema aéreo. As propostas de reduzir os vôos em Congonhas, construir a terceira pista de Cumbica e as reformas de Viracopos continuam sendo uma prioridade urgente. Igualmente a construção do trem São Paulo - Guarulhos - Campinas.

O governador Serra e o prefeito Kassab tem que receber todo o apoio financeiro do governo federal para que estas obras iniciem logo. A longo prazo a questão de um terceiro aeroporto não deve ser descartada e desde já deveria ser incluída esta perspectiva nas questões de planejamento para o futuro.

O presidente Lula tem que agir em São Paulo como tem feito no Rio de Janeiro junto com o governador Sérgio Cabral e o prefeito da cidade, para garantir o PAN e investir pesado em segurança. O indiscutível êxito deste trabalho no Rio deve servir de inspiração para São Paulo e não deve ser objeto de politicagem oposicionista ou cálculos mesquinhos de quem quer que seja. Luis Favre

Segunda-feira, 30 de Julho de 2007

Reflexões pessoais que visam ao entendimento

O horror da tragédia da TAM foi objeto da mais detestável campanha de ódio da qual se tenha notícias. Amigos e familiares das pessoas mortas no acidente, chocadas pela dor e as perdas irreparáveis, foram usados para uma manifestação e campanha oposicionista inescrupulosa.

Cavalgando no desespero alheio, oportunistas e aproveitadores tentam angariar apoios para conseguir algum usufruto político e futuramente eleitoral, do acidente da TAM, jogando nas costas de Lula, Marta e do PT o sangue de vítimas inocentes.

Mas é bom lembrar que este movimento foi insuflado por setores da mídia intensamente engajados na oposição ao governo federal e que procuram, a todo custo, impor uma desmoralização ao governo e às forças políticas e sociais que o sustentam, para abrir o caminho a um retorno da oposição ao poder.

Uma sadia reação democrática jogaria luz sobre a manobra ignóbil e exporia os artífices do movimento “Cansei”, identificados como expoentes da elite paulista, respaldados em organizações de empresários e de classe média sem maior apoio popular.

Porém, seria um grave erro de julgamento e politicamente um desastre para o país se a resposta a este caminho de ódio levasse a uma exacerbação da luta de classes, de radicalismos infantis e de pregações ofensivas para aqueles setores que podem se identificar no palavrório vazio e reacionário dos “cansados”.

Não devemos esconder nossas próprias carências e erros, na denuncia fácil da “elite branca”, da insensibilidade social da burguesia e do apartheid social em que sustenta seus exorbitantes privilégios.

Os desafios presentes, a começar por medidas urgentes para resolver a crise aérea e também os gargalos na infra-estrutura, enfrentar as terríveis carências na educação, na segurança pública e na saúde, além de manter o curso positivo da economia do país, exigem a união e o diálogo entre todos os setores sociais e uma postura construtiva dos atores políticos, tanto da oposição como da situação.

Convém registrar que a reação do presidente Lula à crise aérea, com a nomeação do novo ministro Nelson Jobim, foi acompanhada positivamente pelas forças da oposição responsáveis e por vários veículos de comunicação.

Retomar a agenda positiva para o Brasil passa hoje pela adoção imediata de medidas para reduzir o tráfico em Congonhas, ampliar Guarulhos e Viracopos, assim como a construção do trem São Paulo-Guarulhos-Campinas com o concurso financeiro do governo estadual e das prefeituras, e com a intervenção decisiva do governo federal.

O mesmo esforço financeiro e de agenda prioritária que o governo federal implementou no Rio de Janeiro, permitindo que além do PAN, tenhamos hoje um começo de resposta às questões de segurança, deve ser feito conjuntamente pelo presidente Lula, o governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab, para São Paulo.

Aos pregadores do ódio nossa rejeição, com argumentos.

Nossa prioridade deve ser corrigir e aprender com nossos erros. O Brasil requer a mão estendida para construir consensos que, rejeitando os populismos demagógicos e os elitismos revanchistas, consolide a democracia. Esta sim será a melhor demonstração de força de um governo respaldado pelo povo.

Luis Favre

01/08/2007 - 17:34h Jornalismo ou chutômetro?

Entrelinhas por Luiz Antonio Magalhães

A CPI do Apagão da Câmara divulgou há pouco os diálogos dos pilotos gravados na caixa-preta do Airbus que se acidentou no mês passado, provocando duas centenas de mortes em São Paulo. A partir do que foi divulgado, não é possível concluir a causa do acidente, mas já há analistas afirmando “categoricamente” que a tragédia foi fruto de falha humana, na versão de uns, ou falha mecânica, na de outros.

A verdade é que só a investigação completa vai desvendar a causa, que inclusive pode ser mais de uma. A manchete da Folha de S. Paulo desta quarta-feira (Caixa-preta indica erro do piloto) é malandra, pois não está errada – não banca a causa do acidente como erro humano, porém induz o leitor a pensar desta forma –, mas também não é rigorosa como a apuração de Fernando Rodrigues. O que o repórter diz, logo no lide, é que pode ter havido falha do piloto no manejo da alavanca de aceleração (manete) ou uma pane no computador do avião, de a travar o manete…

Tudo somado, a verdade é que não há a menor condição, neste momento, de afirmar peremptoriamente a causa do desastre. Quem faz isto ou é irresponsável ou quer surfar nos quase 200 cadáveres para fazer política.