09/08/2008 - 18:44h A tragédia argentina vista por um adolescente

Com História do Pranto, Alan Pauls faz seu exercício estilístico mais radical, cruzando o íntimo e o político numa só dimensão

Antonio Gonçalves Filho - O Estado de São Paulo

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Mais Nietzsche do que Schopenhauer. A teoria do escritor argentino Alan Pauls sobre o problema da dor aponta para o primeiro filósofo não tanto por identificação com os ideais pagãos de uma Europa pré-cristã, que fizeram da filosofia de Nietzsche um manual de sobrevivência na selva das cidades. A uma certa altura de seu novo livro, A História do Pranto, Pauls diz que a dor que o protagonista sente “é sua educação e sua fé”. A dor, continua o autor, “o torna crente”. Como em Nietzsche, ela obriga o sofredor a se tornar mais forte. E, no caso, o sofredor é um adolescente de 13 anos, filho de pais divorciados, que acompanha a tragédia política da América Latina nos anos 1970, tentando inutilmente derramar uma lágrima pelas vítimas de ditaduras.

Dito assim, o livro de Alan Pauls pode parecer uma novela política lacrimosa. Não é lacrimosa e nem mesmo uma novela. A despeito de sugerir um gênero, ao incorporar o subtítulo Um Testemunho à História do Pranto, o talentoso autor de O Passado guia seus leitores por uma trilha enganosa, recheando esse “testemunho” de aforismos, à maneira de Nietzsche, e criando com esses o desejo de interpretar, não de conhecer, a história desse adolescente introspectivo e fixado na imagem do Super-Homem - outra pista que conduz o leitor à estrada principal, ou seja, ao sentido moral da crítica de Nietzsche à metafísica. Nada de platonismo pós-moderno. Pauls dá nome às ditaduras e faz da memória do menino sem nome um registro da história tenebrosa de uma Argentina afogada em sangue.

É bem verdade que o elogio do Super-Homem e a teoria da vontade de potência de Nietzsche acabaram servindo ao nacional-socialismo alemão - não por sua culpa, evidentemente, ele que considerava o nacionalismo uma neurose. Porém, no caso da admiração que o adolescente de Pauls sente pelo Super-Homem dos quadrinhos, trata-se inversamente de investigar a posição de fragilidade, de vulnerabilidade desse ser, acossado por um dilema moral e desgarrado da comunidade que pretende proteger. Mais uma vez recorrendo - deliberadamente ou não - a Nietzsche, Pauls adota uma narrativa marcada pelo tempo cíclico e pela alternância entre criação e destruição. Quando o leitor pensa que localizou no adolescente traços autobiográficos do autor, plasmado no narrador, ele desaparece como desapareceram milhares de crianças durante a ditadura argentina.

Críticos ciosos de uma revisão política do período ou de um ensaio antropológico sobre o modelo neoliberal que engendrou seres incapazes de se emocionar, como o garoto de Alan Pauls, vão se decepcionar com História do Pranto, mas não o leitor que anda atrás de um autor capaz de renovar a linguagem literária com uma escritura mais digressiva que a do chileno Bolaño, para citar um nome caro ao argentino.

As palavras surgem em cascata na narrativa desse garoto prodígio “que considera as lágrimas uma espécie de moeda, um instrumento de troca com o qual compra ou paga coisas”, um desses monstros que assombram as platéias de televisão respondendo a perguntas impossíveis em programas de auditório. Isso explica a sintaxe ornamental e a sofisticação barthesiana de Pauls, às voltas com a consciência de si, que se desdobra no outro e rememora a história coletiva por meio de lembranças pessoais. Esse exercício proustiano, intimista, que se choca com a tumultuada história argentina, é menos uma biografia - ou autobiografia - que um projeto mais ambicioso de atar numa única história todos os seus títulos anteriores (especialmente O Passado), a história da nostalgia da tragédia que têm os argentinos e deu origem ao tango.

O adolescente de História do Pranto não consegue evitar a lembrança da cena que comoveu seu pai até as lágrimas, a do show “mítico” de um cantor de protesto que reencontra os fãs após seis anos de exílio, chamado ironicamente de “Bondade Humana” pelo autor dessas memórias que a ninguém e a todos pertencem. Em outra ocasião, mais histórica, a da derrubada de Allende, vista pela TV, o protagonista tenta até chorar, ao ver seu amigo revolucionário desabar diante da invasão do Palácio de La Moneda pelos brucutus do general Pinochet, em 1973. Tempo perdido: não consegue verter uma só lágrima.

Numa entrevista, Pauls argumentou que, na origem do livro, está esse desejo de fundir o político e o íntimo num único registro em que ambas dimensões sejam indistinguíveis. Encontrou a saída nas memórias de um adolescente, um ser ainda em formação, um arauto além do bem e do mal que anuncia a urgência de ultrapassar os valores argentinos, dos quais o choro parece o mais evidente.

25/07/2008 - 18:09h No bailaras

24/07/2008 - 15:18h Cia. argentina dança tango sob a perspectiva do casal moderno

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da Folha Online

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Cia. No Bailarás leva tango moderno ao Teatro Municipal de SP nesta sexta e sábado

A companhia argentina No Bailarás vem pela primeira vez ao país para duas apresentações em São Paulo. Na sexta-feira (25) e sábado (26), os argentinos estréiam a coreografia “Grotesca Pasión Trasnochada” (”Paixão Grotesca de uma Noite sem Sono”, em tradução livre), no Teatro Municipal de São Paulo, às 21h.O espetáculo da coreógrafa e diretora Silvana Grill propõe um novo olhar sobre as relações entre os casais modernos que possuem vínculos cada vez mais flexíveis, mesmo sem abrir mão do compromisso. O enfoque é a maneira como estas relações se constroem especificamente nos salões de baile ou milongas (locais onde as pessoas se reúnem para dançar o tango).

 

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“Grotesca Pasión Trasnochada” é o nome do espetáculo de tango da cia. No Bailarás

No palco, três casais interpretam com sensualidade cada um dos 17 temas originais do programa, compostos em sua maioria por Ramiro Gallo e interpretados ao vivo no espetáculo pelo Ramiro Gallo Quinteto.Participam dos espetáculos os bailarinos Julieta Biscione, Mariano Bielak, Paula Gurini, Roberto Castillo, Gimena Aramburu e Juan Fossati.A companhia No Bailarás, fundada em 2004, em Buenos Aires, vem ao Brasil depois de apresentações bem recebidas pelo público na Itália, França e Tailândia.O nome da companhia foi escolhido com o propósito de soar como uma provocação. Segundo o grupo, quando alguém te diz para não fazer alguma coisa, essa é a primeira pessoa que vai fazer.Teatro Municipal - pça. Ramos de Azevedo, s/nº, Centro, centro, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/ 3222-8698. 80 min. Sex. (25) e sáb. (26).: às 21h. Ingr.: R$ 30 (setor 1), R$ 20 (setor 2) e R$ 10 (setor 3). www.ticketmaster.com.br.

31/05/2008 - 15:29h Uma noite Yddishe de tango

NOCHE IDISHE, a celebration of the rich Jewish/Yiddish culture of Argentina.

This boisterous, trilingual evening of dance, film, Yiddish tangos, klezmer music, theater and comedy played to two sold out audiences at REDCAT, the Roy and Edna Disney/CalArts Theater in the Walt Disney Concert Hall Complex.

This segment showcases Yiddish tango, with the wonderful Yiddish singing of Divina Gloria combined with the sensual tango dancing of Schwee Miguel and Tango Ganas.

The performance featured artists that embrace both their Eastern European Jewish and Argentine identities, including Los Angeles-based Argentine clarinetist Gustavo Bulgach and his Grammy-nominated ensemble Klezmer Juice, popular Argentine singer and actress Divina Gloria, and Schwee Miguel with dancers from his Tango Ganas dance company.

For more information on UNA NOCHE IDISHE and Yiddishkayt Los Angeles, visit www.yiddishkaytla.org

28/05/2008 - 18:54h Entre dois

Um tango a Paris, o metrô…

 

Entre dois e com Piazzola (Lautaro et Lucila)

 

Entre dois,  A EVARISTO CARRIEGO (Carlos Gavito e Marcela Duran)

 

Entre dois também é milonga de Canaro, ORILLERA (Sebastian Arce e Mariana Montes)

12/05/2008 - 10:29h Documentário pode interessar aos fãs de tango, mas entedia os cinéfilos

Crítica/”O Último Bandoneón”

Divulgação
Cena de “O Último Bandoneón’, documentário argentino sobre tango que está em cartaz em SP


CRITICO DA FOLHA DE SÃO PAULO

Jorge Luis Borges (1899-1986), que foi um escritor imenso, mais do que grande, achava que o tango corresponde ao lado sentimental, quase desprezível da alma argentina. Como quase tudo nas opiniões de Borges, isso era controverso. Cortázar, por exemplo, outro magnífico escritor, era fã.
Mas Borges interessa justamente por suas intervenções heterodoxas. Ele dizia, quando o acusavam de não ser argentino, que não devia ser mesmo, porque “os argentinos gostam de Paris, e eu prefiro Londres”: só com isso punha uma pá de cal, mas com que classe, no nacionalismo.
Ele também podia ser malvado. Ao comentar um filme argentino, lembra que lhe disseram tratar-se “de um dos melhores filmes argentinos”. E completava: “portanto, um dos piores do mundo”. O tempo passou e nos acostumamos mesmo a entoar loas ao cinema argentino. Esquecemos que a produção de um país seja qual for é, em média, muito fraca.
É dessa fraqueza que sofre “O Último Bandoneón”, documentário -em cartaz na cidade desde a última sexta-feira- extremamente convencional do diretor Alejandro Saderman. Aqui, não há como comparar com o melhor do documentário ou do documental brasileiro.
Podemos esquecer dos que -como Eduardo Coutinho e Andrea Tonacci sobretudo-, entre nós, trabalham tão intensamente esse limite entre o real documentado e a ficção, entre real vivido, representação, apropriação e verdade.

Limitações
Em “O Último Bandoneón”, estamos diante da moça disposta a viver de seu bandoneón, mesmo que para tanto tenham de tocar em ônibus, do maestro que recria uma orquestra de tango, de aulas de dança, espetáculos do gênero. E entrevistas, pilhas de entrevistas.
Se do ponto de vista cinematográfico “O Último Bandoneón” tem muitos limites, a verdade é que pode muito bem chegar ao público que se interessa por tango em particular ou mesmo por dança de uma maneira geral.
Do falar portenho, das visitas a locais típicos, às pessoas típicas, às músicas tradicionais, tudo favorece esse contato. Não falta nem mesmo essa crença tão latino-americana de que, não fossem os nossos ritmos, os europeus morreriam sem ter como externar seus sentimentos. Esses aspectos singelos do universo musical estão contemplados também.
Num mundo tão regressivo em matéria de usos e costumes, reviver o começo do século 20 pode não ser, hoje, apenas um prazer de sexagenários. Os fãs do ritmo têm por que se esbaldar. Os cinéfilos não têm muito como não se entediar. (INÁCIO ARAUJO)


O ÚLTIMO BANDONEÓN
Produção:
Argentina, 2005
Direção: Alejandro Saderman
Com: Marina Gayotto, Natalia Arroyo, Rubén Jurado e outros
Onde: em cartaz no Reserva Cultural 4 (classificação: livre)
Avaliação: ruim

11/05/2008 - 15:31h MADRES DE MAYO

Todos los jueves del año
A las once de la mañana
Junto a la Plaza de Mayo
Con lluvia frío o calor
Te esperaré vida mía
Frente a la Casa Rosada
La espina de tu mirada
Clavada en mi corazón.

Me dicen que no te fuiste, mi bien
Que te desaparecieron
Que te vieron en la cuneta
Cantando “El Yira” de Carlos Gardel
Que de pronto te esfumaste
Que te borraron del mapa
Que ni siquiera naciste
Que medio loca mamá te inventó.

Con Malvinas o sin Malvinas
Grito tu nombre por las esquinas,
Mientras que los generales
Se dan al Tango
Por los portales.
Tango de las madres locas
Coplas de amor y silencio
Con vida se los llevaron
Y con vida los queremos.
Con Malvinas o sin Malvinas
¿Dónde está Pedro? ¿Dónde está Lidia?
Con Malvinas o sin Malvinas
Grito tu nombre por las esquinas.

Cada vez que dicen : “Patria”
Pienso en el pueblo y me pongo a temblar
En las miserias que vienen
Y en los fantasmas de la soledad
¿Petronila qué te hicieron?
¡Qué mala cara tenéis!
- La que me dejó Videla
- A mí Galtieri ya ves…

Con Malvinas o sin Malvinas…

Carlos Cano

09/05/2008 - 20:10h Em busca de uma Argentina perdida no passado

O documentário O Último Bandoneón visita os velhos músicos de tango, bailarinos e praticantes da arte que consagrou Carlos Gardel, mas vai atrás também da identidade cultural daquele país

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Luiz Zanin Oricchio - O Estado de São Paulo

O Último Bandoneón, de Alejandro Saderman, não é um documentário convencional apenas porque seus personagens são verdadeiros mas, de tempos em tempos, interpretam a si mesmos. Não existe uma ‘história’ a contar, a não ser que se considere assim a de Marina Gayotto, que toca esse instrumento intimamente associado ao tango e procura ter aulas com um mestre renomado como Rodolfo Mederos, craque do tango, que tocou com Piazzolla e dele herdou a arte e seu próprio instrumento.

Trailer de ‘O Último Bandonéon’

Divulgação | Filme de Alejandro Saderman traz a história e a realidade de veteranos maestros de tango e conta as velhas glórias do histórico instrumento bandonéon

Enfim, Marina já seria essa avis rara no meio dos músicos de tango, no qual predomina amplamente o gênero masculino. Ou devemos dizer que ‘predominava’? Sim, porque o filme que, por um lado, mostra o mundo antigo do tango, revela também o seu presente — é apreciado pela juventude, eventualmente mixado a ritmos modernos e há muitas mulheres que tocam seu instrumento principal, o bandoneón. E é atrás de um bandoneón novo que Marina está, pois o seu é um objeto meio imprestável e sem conserto. Um velho dinossauro, com foles entupidos e teclas duras. A certa altura, seu mestre diz para o auxiliar que a moça tem talento mas está arrastando ‘um elefante morto’ - referência ao instrumento decadente.

Marina sobrevive em Buenos Aires arrastando o elefante morto por onde anda. Inclusive dentro dos ônibus nos quais fatura alguns trocados tocando para os passageiros. Tenta um lugar ao sol na escola de Mederos e anda atrás de outro instrumento, mas tem de ser um Doble A, que já não é fabricado. Portanto, ela se vê obrigada a garimpar em velhas oficinas, conversar com luthiers, convencer senhoras que se tornaram revendedoras dessa raridade, e finalmente ir a leilão. Ficamos sabendo que muitos desses instrumentos são comprados por japoneses e saem da Argentina. Também conhecemos um desses personagens raros, um japonês que veio para Buenos Aires atraído pela música e por lá ficou, considerando-se hoje ‘mais argentino que japonês’.

Essa pequena trajetória pessoal de Marina é o pretexto de Saderman para redescobrir uma Argentina tradicional, a dos ‘barrios’, do culto a Gardel, dos dançarinos e dançarinas, dos cafés de Buenos Aires. Escutar e ver esses artistas é uma delícia. As veteranas dizem que o verdadeiro tango se dança na pista e não nos palcos para turistas. Vê-las dançar é um prazer. E escutá-las também. Há uma velha filosofia de vida que passa por essas pessoas e é mostrada no filme, sem maiores comentários. Evocam uma maneira, digamos, mais artesanal de relacionamento com a vida. O tango não é, para eles, um caminho para se tornar famoso ou ganhar dinheiro. Nada disso. O tango é mais do que um meio de sobrevivência - é um sentido de vida. E este vai sendo passado de geração em geração.

É preciso também que o espectador entenda a proposta de Saderman. De um lado, é claro que ele pretende fazer uma homenagem ao tango, na figura daqueles que o praticam de maneira mais autêntica, menos turística ou for export. De outro, parece que vai atrás de certa ‘pureza’, de algo original, de um centro possível para um país que, como todos os outros, parece meio inseguro de sua própria identidade nessa época de bombardeio global de informações. O tango seria essa linha autêntica a buscar, o centro duro de uma certa ‘argentinidade’ que subsistiria intacta, depois de raspado o fast food cultural contemporâneo.

Claro que isso pode ser ilusório e, como sabemos, a questão da identidade não se define por uma essência, um conjunto de qualidades; é mais algo dinâmico, buscado a cada momento, do que uma entidade que resiste em estado puro em algum canto. No entanto, como fazemos por aqui, também lá existe essa busca da essência nacional. E, na Argentina, ela passa pelo tango. Não por acaso, a certa altura, Rodolfo Mederos cita o escritor Macedônio Fernandez, para quem o tango seria o protótipo mesmo da cultura argentina, a única das manifestações do país que ‘não teria contas a prestar à Europa’.

Mesmo assim, o clima que somos convidados a experimentar em O Último Bandoneón lembra, em muitos aspectos, a origem bastante européia da nação argentina, muito mais presente do que a nossa. Seus bairros afastados, onde moram alguns dos velhos bandoneonistas, lembram certas ruas de Madri, ou de alguma cidade italiana. São imóveis amplos, um tanto desgastados pelo tempo, como seus donos. É um mundo de pouco dinheiro e muito sedimento cultural. As paredes estão precisando de uma mão de tinta, mas os homens que moram entre elas sabem muito bem o que desejam da vida. Há alguma coisa da cultura antiga entre eles, um sentido de continuidade. E de dignidade. De certa forma, O Último Bandoneón não é apenas um filme sobre uma tradição musical, mas sobre um país em busca do seu eixo. Visto assim, torna-se ainda mais comovente.

29/02/2008 - 00:42h Obrigado, Gustavo

Fui jantar no restaurante argentino de São Paulo, Martin Fierro. Carne excelente, ambiente simples e descontraido. Um comensal-leitor do blog, Gustavo, comentou (Invenção coletiva, de René Magritte e Cavalleria rusticana) e deu uma contribuição linda para nós. Uma versão de Louis Amstrong, gravada na Alemanha, do conhecido tango Adios Muchachos. Era para o Intermezzo, mas não queria deixar até domingo para compartilhar. Valeu.

Enjoyed

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29/01/2008 - 20:17h Tango in Yiddish: “Papirosen” - Zully Goldfarb

Papirosen, sung by Zully Goldfarb in a contemporary, Argentine fashion.
First words of the refrain: „Kupitie (…) papirosen !” are actually very close to Polish „Kupcie (…) papierosy !” (Buy…cigarettes !) and may be indicative of factual roots of this moving song performed with such a passion.

Kupitie, koift-zhe koift-zhe papirosen,
Truquene fun regn nit fargosn
Koyft -zhe bilig b’nemones
Koyft un hot oif mir rajmones
Ratevet fun hunguer mij atzind
……………………………….
Argentine recording

10/12/2007 - 12:19h Sur

10/12/2007 - 11:58h Vuelvo al sur

Luis Castro y Claudia Mendoza

09/12/2007 - 23:49h Por una cabeza


Carlos Gardel

Cada día canta mejor!

09/12/2007 - 23:46h Por una cabeza

Carlos Gardel

09/12/2007 - 23:28h Durma com um tango

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