21/07/2008 - 08:27h Visões e trapalhadas

VALDO CRUZ - FOLHA SP

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BRASÍLIA - Visões palacianas dos desdobramentos da Operação Satiagraha, coletadas ao longo da semana passada no Palácio do Planalto. Tire suas conclusões:
1) Daniel Dantas não conseguiu ter no governo Lula o mesmo poder de influência que desfrutou no período tucano/pefelista.
Começou a perder o jogo ao ser desalojado do comando da Brasil Telecom por obra de Luiz Gushiken, ex-ministro e amigo de Lula. Desde então, o presidente fala cobras e lagartos de Daniel Dantas.
Ele tentou virar o jogo contratando “petistas miúdos ou sem poder”. Ficou na tentativa, mas gerou suspeitas sobre a conduta de gente como Gilberto Carvalho.
2) O chefe-de-gabinete de Lula não cometeu nenhuma irregularidade grave, mas não deixou de errar ao buscar informações oficiais a pedido do amigo Luiz Eduardo Greenhalgh. Tudo para checar se um cliente do ex-deputado estava sendo investigado.
3) Greenhalgh é acusado de traidor, ao usar suas relações para beneficiar Daniel Dantas, envolvido na negociação que levou à fusão da Oi e Brasil Telecom.
4) O presidente não teme que a operação da PF prejudique o negócio entre as duas teles. Argumento: as pessoas podem até discordar das tratativas, mas desde o início o governo defendeu e apoiou publicamente a operação.
5) Do ponto de vista palaciano, é defensável a primeira decisão do presidente do STF, Gilmar Mendes, de soltar Daniel Dantas. A segunda, não; estava baseada na tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal.
6) A PF está dividida. Essa fratura manchou uma operação que tinha tudo para ser perfeita e jogou o desgaste do afastamento do delegado Protógenes Queiroz no colo do governo, sobrando até para o presidente Lula.
Tudo somado e subtraído, ficará na conta do Planalto a responsabilidade por uma operação abafa numa investigação que ele imaginava só ter a comemorar.

13/07/2008 - 11:00h Algemas ministeriais

JANIO DE FREITAS

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A demagogia e a farsa continuaram soltas, mas a autoridade do ministro da Justiça foi algemada



SOB A EXCITADA divergência entre os partidários do juiz Fausto De Sanctis e os do ministro Gilmar Mendes, em torno do prende-e-solta de Daniel Dantas, está esquecido um motivo fundamental: certo ou errado nos conceitos e decisões, cada um dos dois exerceu o poder que lhe é conferido pela Constituição. Poder sujeito, no caso do juiz, à recusa ou confirmação liminar de um ministro do Supremo Tribunal Federal; e, no caso do ministro, ao julgamento definitivo por outros ministros do STF. É o sistema de sucessivos recursos e apreciações que muitos propõem encurtar, com a opinião de que amplia a lerdeza judicial. Mas que, sem por si só assegurar um Judiciário democrático, amplia as possibilidades de decisões isentamente democráticas.
Não estão menos esquecidos, aí por parte do governo, certos conceitos essenciais. Diz o ministro da Justiça que uso de algemas, em todos os presos pela Polícia Federal, é uma “ação igualitária do governo que não distingue entre pobres e ricos”. É raro ouvir de Tarso Genro alguma coisa que não esteja infiltrada de demagogia, e sua defesa das algemas generalizadas não fugiria à regra. Que igualdade real advém de algemas, além da farsa demagógica das aparências?
Em uma política de segurança democrática e responsável, os instrumentos de ação policial são usados segundo a própria natureza da ação. Fuzis e algemas para prender uma senhora sem possibilidade e intenção de resistência alguma não é igualitarismo, é abuso de autoridade e ostentação de poder (armado). O que um ministro da Justiça não poderia, jamais, pôr-se a justificar, mesmo que só por seu apego à demagogia.
Pode ser que as 7.000 páginas do inquérito só contenham afirmações exatas e comprovações irrefutáveis, mas o ministro Tarso Genro não poderia fazer a aprovação pública de uma ação policial, e do respectivo inquérito, cujo conhecimento lhe foi negado. A ele e à hierarquia superior da PF e do ministério, até o momento em que o delegado Protógenes Queiroz decidiu fazer as prisões. A demagogia e a farsa continuaram soltas, mas a autoridade do ministro foi algemada.
Por essas e por infinidade de outras, o que é transposto, para o conhecimento público, do aspecto policial do caso está infestado de “a PF suspeita que”, a “PF acredita que”, “há indícios de que”, em lugar de fatos definidos e comprovações. Sem falar em vazamento do Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, para um especulador no Brasil. Ou na mulher de Daniel Dantas como laranja dele, a própria mulher, com quem ele vive, para esconder-lhe a presença em negócios? E agora, a novidade de outro inquérito: o recolhimento de computadores e papéis em residências e na empresa MMX, acusada de minerar e desviar ouro no Amapá, onde afirma não minerar ouro.
Neste país de tão escassa agitação intelectual, o juiz De Sanctis e o ministro Mendes provocam um debate sério e útil, pelo nível, pelas causas em questão e pelas extensões que permite.

Camaradagem
A direção da Central Globo de Jornalismo protestou (”Painel do Leitor” de 11.7.08) contra uma frase de meu artigo “A confusão escandalosa” (10.7.08). Esta: “O privilégio dado à TV Globo, sempre levada ao lugar e à hora certa por avisos de operações “sigilosas” da PF, explica-se pela reciprocidade que a emissora dá, em audiência e no intenso uso acrítico do material colhido”. Diz o protesto que “a TV Globo não tem nem aceita privilégios”, […] “ela encontra o lugar e a hora certa porque tem uma equipe de profissionais competentes e bem preparados”.
E, além deles, bola de cristal. Ou a Globo mantinha equipes habitando as calçadas em frente às casas de Celso Pitta e muitos outros, à espera da eventualidade de que, em alguma imprecisa madrugada, a PF aparecesse naquelas casas e a Globo, sozinha, registrasse tudo. Se a direção executiva da Central Globo de Jornalismo não aceita o privilégio de receber informações jornalísticas exclusivas, tenha a camaradagem de mandá-las para cá (assegura-se o bom uso). Porque essas informações, origem primordial do jornalismo de notícias e reportagens próprias, em nada desmerecem e nem dependem de quem as receba: são ato privilegiante decidido e praticado por quem as proporciona. Como poderia saber a direção executiva da eficiente Central Globo de Jornalismo, ao menos para não me atribuir desmerecimento que, no caso, não fiz à exclusividade da TV Globo. Fiz até ressalva a seu favor.

13/07/2008 - 10:02h Será muito difícil para Dantas provar inocência

ENTREVISTA

TARSO GENRO


Para ministro da Justiça, “está praticamente comprovado” que tentou comprar delegado

Antônio Cruz/Ag. Brasil
 

O ministro da Justiça, Tarso Genro, durante formatura de novos agentes e peritos criminais da PF

O MINISTRO DA JUSTIÇA , Tarso Genro, disse à Folha considerar “muito difícil” que o banqueiro Daniel Dantas consiga provar ser “inocente”, pois há “farta prova dentro do processo” e “está praticamente comprovado” que tentou comprar um delegado da Polícia Federal, além da descoberta de crimes financeiros pela Operação Satiagraha. Tarso evita acirrar a polêmica com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, com quem travou uma disputa pela imprensa.

VALDO CRUZ
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Chega inclusive a concordar com o ministro que houve “espetaculosidade” na operação, mas afirma divergir dele quanto ao uso de algemas pela PF. Defensor do procedimento, disse que, se houve algum erro da polícia, foi o “empurrão no porteiro [na casa do investidor Naji Nahas], e não nas algemas no Daniel Dantas”.
Chefe da Polícia Federal, Tarso elogia o trabalho “muito bem-feito, com momentos de infiltração de alta qualidade e apuração técnica rigorosa” do delegado Protógenes Queiroz, responsável pelo inquérito que culminou na prisão de Dantas.
Não deixa, porém, de fazer críticas ao delegado por “equívocos” cometidos na montagem e execução da operação, como a filmagem do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta sendo preso, dentro de sua casa, em roupas de dormir. Mas disse que esses erros estão sob investigação. Tarso nega ter havido influência política no inquérito e diz que será feito “pente-fino” para definir se haverá uma segunda fase da operação.
Por fim, evita comentar as divisões dentro do governo e do PT em torno do banqueiro, defende o chefe-de-gabinete Gilberto Carvalho e diz que em nenhum momento ele fez qualquer pedido de informação sobre o inquérito a ele.

FOLHA - Qual a importância da Operação Satiagraha para a PF, investigação que envolveu o banqueiro Daniel Dantas, que tem relações políticas com PT, DEM e PSDB e que teve influência no polêmico processo de privatização das teles?
TARSO GENRO
- Tem tripla importância. Primeira, localizou abalo profundo no sistema financeiro, com prejuízos extraordinários para a União. Segunda, mostra o nível de qualidade científica e técnica da PF para investigar casos de alta complexidade. Terceira, tem função pedagógica. Fica claro que a PF trata com neutralidade aqueles que são indiciados da mesma forma em todas as classes sociais. Foi um inquérito bem-feito pelo delegado encarregado, independentemente de ter ocorrido alguns equívocos, que servem como lição.FOLHA - Que equívocos são esses? O sr. acha que podem comprometer o processo?
TARSO
- Os equívocos não comprometem porque a investigação foi muito bem-feita e as provas são robustas. Vou citar dois: o aviso que foi dado, não se sabe ainda por quem, mas vamos descobrir, a respeito da operação e que propiciou a exposição indevida de pessoas. Isso violou o manual de conduta [da PF]. O segundo equívoco foi o tratamento dado ao porteiro que sofreu, aparentemente, um empurrão desnecessário do agente policial na casa do Naji Nahas. Se houve desrespeito à cidadania, foi o empurrão no porteiro, e não as algemas no Daniel Dantas. Elas são procedimento perfeito para qualquer cidadão.

FOLHA - O sr. acha que a crítica ao uso de algemas denota parcialidade daqueles que condenaram a ação da PF?
TARSO
- Não. Denota a ausência de uma cultura sólida no país que se reporta a quem é o alvo de uma presumida violência. Isso está mudando. Muitas vozes acharam normal o procedimento e compreenderam a visão do Ministério da Justiça: se tem uma lei, tem de ser observada para todos. Se tiver lei que ninguém mais pode ser algemado, ninguém mais será.

FOLHA - O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, ficou irritado quanto aos procedimentos do delegado Protógenes Queiroz, responsável pelo inquérito, que deixou o comando da PF sem informações sobre a ação. Existe a possibilidade de Queiroz ser afastado do inquérito?
TARSO
- O diretor-geral me informou que há duas questões para serem analisadas: o prazo de informações aos superiores deveria ser dado num determinado número de dias e foi dado em um prazo muito curto. E, segundo, houve flagrante violação do manual de conduta. Isso deixou Luiz Fernando constrangido, porque este manual foi discutido, o respeito ao indivíduo, por mais suspeito que seja. Que a imprensa vá buscar, é natural, mas o agente público não pode expor a pessoa e sujeitá-la a uma pena antecipada. O exemplo mais flagrante é o ex-prefeito [Celso] Pitta, filmado sendo preso dentro da sua casa em roupas de dormir. Isso não é correto. Sobre isso, o ministro Gilmar Mendes falou corretamente, da questão da espetaculosidade. Temos divergência com relação ao uso de algemas, mas nessa questão concordo, porque diz respeito aos direitos fundamentais.

FOLHA - Queiroz pode ser afastado por conta dessas questões?
TARSO
- Não posso responder porque não sabemos quem foi [que vazou a operação]. Vai ser averiguado e, então, há previsões no regimento da PF para uma pena correspondente.

FOLHA - Foram quatro anos de investigação. Neste período, a PF ou o Ministério da Justiça enfrentaram tentativa de interferência do governo?
TARSO
- Protógenes fez um trabalho brilhante de natureza técnica, independentemente de ter cometido equívoco ou não. Que eu saiba, não recebeu nenhuma influência de ninguém. Com relação à influência política, se houve alguma tentativa, foi brecada, porque não chegou até o Ministério da Justiça. Se chegasse, seria repelida, viesse de onde viesse.

FOLHA - O ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh conversou com Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Planalto, para obter informações sobre o processo.
TARSO
- Esse contato, se houve, o Gilberto soube diluí-lo, porque não fez qualquer pedido de informação à PF e ao ministério. Não creio que Luiz Eduardo tenha tentado solicitar ao governo inconfidências.

FOLHA - Nos últimos dias sua relação com o presidente do STF, Gilmar Mendes, andou tensa.
TARSO
- É natural porque esse processo suscitou diversas interpretações. A própria Justiça tem pontos de vista diferentes. Não temos postura de acolhimento, seja da opinião do juiz ou de Gilmar. A lei ampara ambas interpretações.

FOLHA - O sr. não considera que esse prende-e-solta cria um clima de afronta entre poderes, de impunidade?
TARSO
- Não, porque é uma questão de interpretação de texto e de procedimento penal. O que mais contribui não é a libertação de uma pessoa que ainda não foi condenada. O que mais indigna a população é a demora na punição, a possibilidade de a pena prescrever.

FOLHA - Como o sr. avalia a repercussão da revogação das prisões feitas pela PF?
TARSO
- Repercute de maneira negativa na população, mas não quer dizer que esteja errada. Há um conceito universal de que é preferível não punir um culpado a punir um inocente. Prefiro a queixa de que soltam demais à de que prendam de maneira arbitrária.

FOLHA - São 7.000 páginas de transcrições de conversas telefônicas, com especulações de citação de políticos. Vem uma segunda fase da operação?
TARSO
- A orientação em relação a esses inquéritos, depois de prontos, é passar um pente-fino para verificar se há algum delito que mereça abertura de novo processo criminal. Tem essa questão relacionada à jornalista da Folha de S.Paulo, eu acho que não pode ser confundida uma investigação jornalística com cometimento de um delito. Não podemos confundir costumes, sejam quais forem, com delito. Isso serve tanto para a questão da jornalista como para pessoas do mundo político, que às vezes se relacionam com esse tipo de processo.

FOLHA - Daniel Dantas se queixa de perseguição política da PF, diante da disputa pelo comando da Brasil Telecom com setores do governo, como os fundos de pensão. O que o sr. acha desta linha de defesa?
TARSO
- Ele tem o direito de fazer essa queixa. Agora, os delitos de que está sendo acusado têm farta prova dentro do processo, não têm nada a ver com política. Tratam-se de delitos contra o sistema financeiro, com tipificação e procedimentos muito claros. É mero argumento de defesa. Pelas informações que tenho, o processo do ponto de vista de sua responsabilização criminal é muito sério, inclusive nessa questão da tentativa de compra de um policial federal. Eu pergunto: tem valor essa alegação, feita por uma pessoa contra quem já está praticamente comprovado no processo que tentou comprar um policial federal para distorcer o andamento do inquérito? Não tem força moral a alegação do sr. Daniel Dantas. Meu desejo é que tenha o mais amplo direito de defesa, que consiga provar que é inocente, o que me parece muito difícil, porque o Estado, quando pune, o faz em cima de fatos concretos.

FOLHA - Como o sr. analisa a reação tão forte dentro do Congresso contra a ação da PF?
TARSO
- O sr. Daniel Dantas tem relações políticas em diversos segmentos partidários. Não são necessariamente criminosas. Esse núcleo vai ampliando suas relações, até chegar a quadros políticos. Se o quadro político for pessoa sóbria, estabelece a relação, mas não deixa se levar para apoiar determinado delito. Se for uma pessoa que tem tendência à imoralidade e à ilegalidade, é cooptado pela quadrilha.

FOLHA - No governo havia divisão em relação ao Daniel Dantas. O ex-ministro Luiz Gushiken, por exemplo, foi contra o banqueiro fazer negócios com Fábio Luiz, filho do presidente Lula. Já o ex-ministro José Dirceu teria certa aproximação com o banqueiro. Como o sr. avalia isso?
TARSO
- Não tenho nenhuma informação desse conflito, a respeito das teles. Não participei dele, não estava no centro do governo.

FOLHA - As relações delituosas ou não de Dantas com membros do Congresso ficam claras na operação?
TARSO
- Se alguma ilegalidade tiver aparecido nesse inquérito, seguramente vai ser aberto outro e, se houver deputado envolvido, será oficiado ao STF. O Congresso tem sido pródigo em examinar esses casos. Não duvido que instale uma CPI, que pode ser absolutamente recomendável, agora tem de ter vontade.

FOLHA - O sr. acha, então, recomendável instalar uma CPI?
TARSO
- Nem quero fazer um juízo de valor, só estou mencionando que tem esse costume. Se vai instalar, para nós é irrelevante, pois já fizemos todas as investigações.

FOLHA - O sr. avalia que o presidente do STF, Gilmar Mendes, teve posição prudente ao criticar a ação da PF, classificando-a de coisa de “gângster” e de “espetacularização”, quando sabia que poderia decidir questões ligadas ao caso? Ele não se tornou impedido no caso por isso?
TARSO
- Não devo me manifestar sobre opiniões do presidente do Supremo. Pelo contrário, tenho de procurar conversar com ele sempre que ocorre um estremecimento e deixar claro qual a dimensão que ele está colocando. Nessa oportunidade, ele falou a respeito de pessoas, segundo me disse, estariam cometendo ilegalidades, e não a respeito da instituição. A mim me bastou. Eu acho o ministro Gilmar uma pessoa séria, tem temperamento diferente do meu, manifesta-se sobre essas questões diferentes também. Mas eu não devo e nem quero fazer juízo.

FOLHA - Mas quando Gilmar Mendes fez as críticas, o sr. rebateu e alimentou a polêmica.
TARSO
- Mas aí é obrigação de Estado que tenho. Quando se colocam determinadas questões que são educativas do ponto de vista democrático, gosto de fazer a polêmica respeitosa, adequada, como na questão das algemas. Essa é uma polêmica importante na sociedade, porque simboliza a possibilidade de um duplo tratamento para a cidadania. Nessa questão fiz uma leve discussão pública sobre o assunto, para defender inclusive a integridade da ação da PF. Agora, em temas que dizem respeito a questões de fundo do Estado, ele, como dirigente de um poder, pode e deve colocar sua posição. Não devo responder porque isso não serve em nada para a relação harmoniosa que os poderes devem ter.

02/06/2008 - 11:34h Petistas articulam frente contra Dilma

Katia Lombardi/Valor
Fernando Pimentel: ao conseguir apoio tácito de Lula, reverteu derrota política no Diretório Nacional do partido, que vetaria aliança em Belo Horizonte

Raymundo Costa - VALOR

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394A ofensiva desencadeada pelo ministro Tarso Genro (Justiça) para a construção de um novo campo hegemônico no PT tem objetivo determinado: impedir a consolidação e que se torne irreversível a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto, com o patrocínio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O veto da Executiva Nacional petista à aliança com o PSDB, na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte (MG), é reflexo dessa disputa, na qual está em jogo quem vai conduzir o processo de sucessão de Lula.

Boa parte da cúpula petista julga que o partido deve ter autonomia na escolha do candidato. Mas o presidente não pretende perder o controle do processo e demonstrou força ao levar a direção do PT a ser menos rigorosa em relação à disputa pela prefeitura da capital de Minas Gerais do que na decisão que adotara semana antes.http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/aa/Dilma_Rousseff.jpeg/429px-Dilma_Rousseff.jpeg

Na ocasião, o PT foi taxativo e decidiu “comunicar” a seção mineira que não autorizaria, “em nenhuma hipótese, o PT a participar de qualquer coligação da qual faça parte o PSDB naquela capital”. O tom foi outro na resolução aprovada na última sexta-feira, e em vez de “nenhuma hipótese” o PT resolveu “recomendar” aos mineiros uma nova discussão “afastando a possibilidade de coligação com PSDB e PPS”.

A questão mineira está longe de ser resolvida, mas na segunda-feira passada o Diretório Nacional era majoritariamente favorável ao veto radical da Executiva ao lançamento da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) a prefeito de Belo Horizonte numa aliança com o PT - que indicará o candidato a vice - e o PSDB do governador Aécio Neves.

O que aconteceu entre a reunião da Executiva e o encontro Diretório foi a entrada em cena de Lula. E antes disso, uma entrevista do ministro Tarso Genro (Justiça) ao jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, que deu contornos bem delineados ao que antes não passava de um rumor entre os petistas: mais que insatisfação, havia uma reação articulada entre os potenciais presidenciáveis petistas aos privilégios de Lula à eventual candidatura Dilma.

Aliados de Lula acreditam que até então o presidente não havia se dado conta da extensão da ofensiva do gaúcho. Tarso nominou inclusive alguns dos petistas - cerca de 10 - que estariam empenhados na construção desse novo campo hegemônico. Entre eles dois ministros, Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), e o assessor para Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia.

L'image “http://www.videversus.com.br/fotos/6979/6979_jaques_wagner.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Entre os governadores, o ministro citou Jaques Wagner, da Bahia. Também não descartou a hipótese dele próprio vir a ser candidato. Sobre Dilma, foi bem claro que, entre as hipóteses possíveis, ela era “uma das”. O manifesto gaúcho levou vários setores do PT a acreditar que estava em formação uma “frente anti-Dilma”. O Valor apurou, no entanto, que há nuances e posições diversas entre os petistas citados.

O discurso de Genro encerra no partido autonomia para decidir sobre a candidatura. Mas Marco Aurélio Garcia, por exemplo, apenas teria dúvidas sobre a oportunidade da escolha - seria ainda cedo - e os métodos de gestão de Dilma Rousseff, mas nenhuma oposição a entrega do comando da sucessão a Lula.

Responsável pelo programa-símbolo do governo Lula, o Bolsa Família, o ministro Patrus Ananias diz que sim, tem debatido questões partidárias, inclusive é parte diretamente interessada na questão de Belo Horizonte, onde preferia uma aliança do PT com o PMDB. Mas definitivamente acha que não é hora de se falar em 2010. Patrus é um dos nomes citados no PT para a sucessão de Lula, para o governo de Minas Gerais, e seu ministério tem boa interação com o de Dilma.

Nesse contexto, Lula decidiu ir a Belo Horizonte no início da semana passada, onde tirou fotos com Lacerda ao lado do governador Aécio Neves e do prefeito Fernando Pimentel, os dois principais articuladores da candidatura. Nesse meio tempo, encontrou com a deputada Maria do Carmo e cobrou “a onda” que o PT estava fazendo. O deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT, nega, mas tanto Aécio como Pimentel confirmam que Lula telefonou para o deputado a fim de dizer que apoiava a aliança.

A posição de Lula teve adesões previsíveis, como a de seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Marinho (Previdência e Assistência Social; mas também algumas inesperadas para os conhecedores dos meandros da política petista. O exemplo mais ilustrativo é o de Marta Suplicy, ministra do Turismo, e assim como Dilma, Genro, Patrus e Jaques uma das opções consideradas no PT.

Se vencer a eleição para prefeito de São Paulo, Marta Suplicy em dois anos pode se candidatar ao governo do Estado ou até mesmo à Presidência da República, segundo avaliação feita no PT. No embate mineiro, Marta teve como aliado o ex-ministro Antonio Palocci, também citado como opção, na hipótese de conseguir se livrar das ações judiciais em que está envolvido até agora. Marta quer o apoio de Lula na eleição de São Paulo, mas o presidente está inclinado a não participar das eleições onde houver mais de um candidato aliado na disputa, caso de São Paulo.

Na véspera da reunião do Diretório Nacional do PT, no dia 30, o embate sobre o candidato e a condução do processo sucessório presidencial ficou m ais claro aos petistas no decorrer do dia. À noite, Pimentel, que estava em Brasília mas no dia seguinte não participaria da reunião do DN, chegou a dizer em alto e bom som, como se estivesse arrebatado: “Eu prefiro perder com o Lula a ganhar contra ele”. Quatro dias antes, o prefeito achava que seria derrotado no DN.

Um grupo de deputados teve ação decisiva na negociação de uma solução em que parecesse que nenhum dos lados perdeu, especialmente José Genoino (SP), Andre Vargas (PR), João Paulo Cunha (SP) e Maurício Rands (PE). A idéia era recuperar um pouco a força da Executiva, que parecia prestes a uma derrota após a entrada de Lula, e reduzir “um pouco o ímpeto do Pimentel”, segundo esse grupo. Mas a avaliação que fica é que a atual Executiva do PT tem pouca condição de enfrentamento. Depois de rosnar, fincou mansa. Resta esperar a solução para Belo Horizonte, onde o próximo passo é do PSB e será de ratificação da aliança com os tucanos.

25/05/2008 - 20:36h Eleições municipais: com o pensamento em 2010

Disputa nas principais cidades do país definirá quem vai assumir o comando nas articulações políticas em torno da corrida pelo Palácio do Planalto daqui a dois anos. A situação mais acirrada ocorre no PSDB

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Gustavo Krieger - Correio Braziliense

Os principais candidatos à sucessão presidencial de 2010 começam a decidir seu futuro nas eleições municipais. Em especial em São Paulo e Belo Horizonte. O resultado nessas duas capitais e em um punhado de outras cidades indicará quem sai em vantagem nas articulações dos grandes partidos. A disputa mais acirrada é no PSDB de José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Os governadores de São Paulo e Minas Gerais são os principais personagens e Alckmin se transformou em peça fundamental nesse jogo.

O ex-governador e candidato derrotado à Presidência em 2006 aparece em boa posição nas pesquisas de opinião pública na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Está tecnicamente empatado com a ministra do Turismo, Marta Suplicy, candidata do PT, com 30% das indicações. Mas enfrenta enorme resistência dentro do PSDB, comandada pelo governador José Serra, que apóia a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O que leva o governador a preferir um nome do DEM a um tucano é a projeção para 2010. Alckmin está alinhado com Aécio. Kassab, que foi vice na chapa de Serra em 2004, manterá a máquina da prefeitura engajada na campanha dele para a Presidência da República. É uma jogada de alto risco. Ele só ganha pontos se Kassab for reeleito. Nesse caso, terá garantido a prefeitura e esmagado Alckmin. Se o tucano vencer, o governador será o grande derrotado. Aécio terá uma trincheira na prefeitura. E se a divisão entre os dois ajudar a eleger Marta Suplicy, a culpa cairá sobre Serra.

No campo do adversário

O governador Aécio Neves corre menos riscos em São Paulo. Afinal, ele apóia o candidato do partido e o nome mais cotado nas pesquisas. Será difícil responsabilizá-lo pela divisão do tucanato. Seu apoio a Geraldo Alckmin é uma espécie de guerrilha contra José Serra no território do adversário. Mais importante para o governador mineiro é a articulação de uma grande aliança em Belo Horizonte. Ele tenta unir na mesma chapa o PSDB e o PT, proposta endossada pelos petistas mineiros, mas vetada pela direção nacional.

No caso, o que está em jogo não chega a ser o resultado da eleição. Com ou sem o PT, é muito provável que o secretário Márcio Fortes (PSB), candidato do governador, seja eleito. A aposta de Aécio é na ampliação de seu potencial eleitoral. Menos votado que Serra nas pesquisas, ele tem a seu favor a maior capacidade de agregar forças políticas do campo que apóia o governo Lula. A aliança com o PT seria um sinal muito forte dessa capacidade.

No PT, a principal candidata ficará longe das eleições municipais, mas estará atenta a elas. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não tem bases regionais e nem patrocina nomes em cidades específicas. Sua torcida é por um ótimo desempenho das legendas governistas, que faça o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sair das urnas como o grande vencedor. E, portanto, como o grande eleitor para 2010. As chances de Dilma dependem da força de Lula e do governo.

Projeção

Entre os petistas, quem tem mais chances de se fortalecer é Marta Suplicy. Ela pode sair das eleições como a protagonista da principal vitória petista, o que lhe daria enorme projeção dentro de um partido sem grandes nomes nacionais. Mas teria de decidir se deixa a prefeitura com um ano e meio de mandato, caso quisesse disputar a Presidência.

Outros petistas enfrentam quadros mais complicados. O ministro da Justiça, Tarso Genro, viu seu grupo ser derrotado nas prévias para escolher o candidato à prefeitura de Porto Alegre. E na Bahia, o governador Jaques Wagner pilota uma crise política. O PT rompeu o acordo para apoiar a reeleição do prefeito João Henrique (PMDB) e vai apostar em candidatura própria com poucas chances de vitória.

Situação mais confortável é a do deputado Ciro Gomes (PSB). Seu partido ficou livre para definir os melhores caminhos nas eleições municipais. Na maioria das cidades compôs com o PT, mas em algumas capitais juntou-se ao PSDB, como em Belo Horizonte. Essa versatilidade lhe dá a condição de sair das eleições municipais com a maior capacidade de fazer acordos. (GK)

22/05/2008 - 12:51h Mensagem a Dilma

VALDO CRUZ

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394

BRASÍLIA - Dilma Rousseff, a chefe da Casa Civil e nome preferido de Lula para sucedê-lo, não gostou nada do que andou lendo nos últimos dias. Mais precisamente uma entrevista do colega Tarso Genro ao jornal “Zero Hora”, publicada no último domingo.

Nela, o ministro da Justiça dá declarações que, na visão de aliados de Dilma, revelam uma articulação contra a candidatura presidencial da gerente do PAC. Além de mostrar que grupos do PT não estariam satisfeitos com a forma como Lula vem conduzindo sua sucessão. Dilma largou na frente na preferência do presidente e deixou para trás o próprio Tarso e o ministro Patrus Ananias. Pelo menos por enquanto.

Em resumo, Tarso diz que o candidato petista à sucessão de Lula tem de ter “profundo vínculo partidário” com o PT. Questionado se Dilma terá de criar tal vínculo, responde que “esse é um enigma ainda não proposto para nós”.

Na entrevista, o ministro revela ainda que foi criado um grupo de 10 a 12 dirigentes para discutir o papel do PT num tempo sem Lula na Presidência. E que, pós-eleição municipal, esse grupo tratará do candidato do partido em 2010.

Vista como uma conspiração contra Dilma por seus aliados, a fala de Tarso ganha outra leitura entre os amigos do ministro. Primeiro, lembram que ele se expôs publicamente na defesa da ministra no episódio do dossiê contra os tucanos.

Segundo, o objetivo de Tarso teria sido enviar uma mensagem a Dilma, um recado para ela se aproximar mais do PT. Em outras palavras, tudo bem, ela é a preferida de Lula, mas precisa construir sua candidatura com o partido. Amigos de Tarso ressalvam apenas que ele exagerou um pouco na dose, mas acertou no conteúdo.

O fato é que o estilo independente de Dilma, sem militância partidária, não agrada a muita gente no PT. Vai que ela ganha e fica livre para montar o governo que desejar. Em suma, a disputa pelo ponto futuro petista esquentou.

05/05/2008 - 10:53h Brazilian Government launches the world’s first LGBT Conference

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The Brazilian Government launched on Tuesday, 29/04, the 1st National Conference for Lesbians, Gay Men, Bisexuals, Transvestites and Transsexuals (LGBT). The event, the first in the world to be convened by a government, is a result of demands made by civil society and the Brazilian government’s support of LGBT people’s rights. The Conference will be held from June 5th to 8th in Brasília (DF), having as its theme “Human rights and public policies: the way forward for guaranteeing the citizenship of Lesbians, Gay Men, Bisexuals, Transvestites and Transsexuals”.

During the conference public policies will be defined for this segment of the population and a National Plan for the Promotion of LGBT Citizenship and Human Rights will also be prepared. An evaluation will also be made of the Brazil Without Homophobia programme to combat violence and discrimination against the LGBT population, launched by the federal government in 2004. The programme of the 1st National LGBT Conference is available at www.conferencianacionalglbt.com.br .

The holding of the Conference coincides with the commemoration of the 60th anniversary of the Universal Declaration of Human Rights and reaffirms the federal government’s commitment to the issue of LGBT human rights. Marta Suplicy, Tourism Minister and a longstanding supporter of LGBT rights, commemorated the initiative. “At long last, after so many years, we are finally able to hold this Conference. It’s a giant’s stride forward for Brazil”.

For the Justice Minister, Tarso Genro, the LGBT Conference is a demonstration of respect for the human condition. “A human rights agenda that does not contemplate this issue is incomplete”. Also present at the ceremony to launch the Conference were the Minister of the Special Department for Human Rights, Paulo Vannuchi; Senator Fátima Cleide, of the Parliamentary Front for LGBT Citizenship; the Minister of the Department for Racial Equality Policies, Edson Santos; the Minister of the Special Department for Women’s Policies, Nilcéa Freire, and the directors of the Ministry of Health’s National STD and AIDS Programme, Mariângela Simão and Eduardo Barbosa.

All the Brazilian LGBT networks were also represented at the launch ceremony: ABGLT (Brazilian Gay, Lesbian, Bisexual and Trans Association); ANTRA (National Articulation of Trans Persons); National Collective of Transsexuals; Brazilian Articulation of Lesbians; LGBT Afro Network; Brazilian League of Lesbians; ABRAGAY; Grupo E-Jovem (youth).

The Conference was convened by Decree issued by Brazil’s President, Luiz Inácio Lula da Silva, and published in the Official Federal Gazette on November 29th 2007. Approximately 700 delegates are expected to take part in the Conference, with 60% civil society participation and 40% governmental participation. The participation of a further 300 observers is also expected. 16 ministries have collaborated with the process of drafting the base-text document on public policies to be discussed during the event and subsequently implemented.

The base-text is available at http://www.conferencianacionalglbt.com.br/view/templates/arquivos/Texto_Base%20Ing.pdf
Prior to the National Conference, conferences are currently being held in Brazil’s 27 states, convened by the state governors, in order to develop complementary proposals for the national policy document, define state-level policies and elect the delegates to the National Conference. More than 100 conferences have also been held at municipal level.

According to Toni Reis, president of the Brazilian Gay, Lesbian and Trans Association (ABGLT), “the Conference will be an unprecedented opportunity for discussion not only within the LGBT movement, but principally with the government so that public policies for LGBT will be put into effect by all areas of the government. It will also pave the way towards the Brazilian Congress taking a more positive stance towards outstanding LGBT issues, such as the approval of the proposed laws to penalize homophobic discrimination and legalize same sex civil union.”

Further information:
Toni Reis – President of ABGLT (Brazilian Gay, Lesbian, Bisexual and Trans Association):
presidencia@abglt.org.br ; + 55 41 3232 9829 / +55 41 3222 3999 / +55 41 9602 8906 / +55 61 8181 2196.

Léo Mendes - ABGLT Communications Secretary: liorcino@yahoo.com.br ; +55 62 8405 2405

Press Office – 1st National LGBT Conference - President of the Republic’s Office Special Department for Human Rights: www.conferencianacionalglbt.com.br ; Tel: +55 61 3429 3986

Source: ABGLT

Posted by ”Entre Aspas”

29/04/2008 - 23:01h Governo defende atração de turistas gays e combate ao preconceito

Gustavo Miranda/O Globo

O ministro Tarso Genro discursa durante o lançamento da Conferência GLS

Jailton de Carvalho - O Globo

BRASÍLIA - A ministra do Turismo, Marta Suplicy, defendeu, nesta terça-feira, a implementação de ações que tornem o Brasil um país “gay friendly”, ou seja, mais atrativo ao turismo de homossexuais. Segundo a ministra, sem essa marca o Brasil está perdendo terreno até para países vizinhos como a Argentina, que vêm recebendo um número cada vez maior de turistas gays. Marta e o ministro da Justiça, Tarso Genro, participaram nesta terça do lançamento da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais do país, que será realizada entre os dias 5 e 7 de junho, em Brasília. ( Leia também: Parada do Orgulho Gay de São Paulo ganha site com apoio da Embratur )

- Com a política gay friendly, que nós não temos, estamos perdendo (turistas) - disse Marta Suplicy, na solenidade de lançamento da Conferência no Ministério da Justiça.

A ministra não explicou quais são as ações que deveriam ser implementadas pelo governo. Mas disse que o Ministério do Turismo tem algumas iniciativas para tornar o Brasil acolhedor ao turismo gay. Uma delas seria o apoio do ministério às paradas gays de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Salvador.

A ministra afirmou, no entanto, que o preconceito ainda é forte no país. Como exemplo citou o assassinato de 122 gays nos últimos 12 meses, período em que tramita na Câmara projeto que torna crime a discriminação contra homossexuais.

Tarso Genro disse que a conferência tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de todo o governo. Para o ministro, o combate ao preconceito é uma causa permanente da luta pelos direitos humanos e pela consolidação da democracia no país. Para mostrar o vínculo entre as duas questões, o ministro até citou o filme “O beijo da mulher aranha”, que fez sucesso na década de 80. Baseado num livro do escritor argentino Manuel Puig, o filme mostra o compartilhamento do drama de um militante político e um gay numa prisão, durante a ditadura militar.

- A conferência coloca na pauta o respeito radical pela condição humana e a rejeição à homofobia e à intolerância - disse o ministro.

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03/04/2008 - 03:28h O Brasil da mídia e o Brasil real

Por Tarso Genro - VALOR

“Economia já vive ciclo de expansão sustentável.” - Valor Econômico, 03/0

Em artigo publicado recentemente, o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, apresentou suas impressões sobre a atual situação brasileira. Soares esteve no Brasil em fevereiro e percorreu três das mais importantes cidades brasileiras (São Paulo, Belo Horizonte e Brasília). Na ocasião, encontrou-se com o presidente Lula e com algumas de nossas mais expressivas lideranças oposicionistas - FHC, Aécio Neves e José Serra. O líder português constatou a existência de duas “realidades” bem distintas: uma encontrada nas páginas de nossos principais jornais e nas imagens da TV (que parece retratar um país “à beira de um colapso”); e outra verificada no cotidiano dos brasileiros (que percebem que seu país “está a dar certo”).

São dois “brasis” que não se comunicam e se estranham: um certo Brasil da mídia e o Brasil real. De um lado, na mídia, uma agenda de crise interminável e, de outro, o Brasil retratado pelo otimismo e pela ascendente relevância do país no cenário mundial. É o Brasil, segundo Soares, da “inflação baixa” e “controlada”, no qual o “emprego tem subido espetacularmente e a pobreza diminui de forma sensível”.

Naquele primeiro Brasil, o governo Lula é retratado com ironia, agressividade e parece não ter orientado um espetacular aumento das reservas internacionais (US$ 162,9 bilhões nos últimos 12 meses) ou uma expansão recorde das exportações. E menos ainda parece ter algum mérito a passagem do Brasil à condição de credor no mercado internacional, resultado obtido pela atual equipe econômica.

A crise da dívida, deflagrada há quase três décadas, encerra-se sob o governo Lula sem que a maioria dos cronistas credite este fato ao acerto do presidente na condução da política macroeconômica. Para o ex-presidente Mário Soares, onde Stefan Zweig enxergava um “país de futuro”, hoje é possível identificar uma “incontornável realidade” positiva.

Não se trata, por óbvio, de supor a existência um governo sem defeitos, mas sim de enfrentar um falso nivelamento, através do qual parte da mídia torna-se o centro de elaboração intelectual de um oposicionismo extremo. Vejamos, então, alguns dos principais argumentos que circularam nos últimos dois anos, cuja síntese podemos organizar em alguns breves postulados:

De um lado, uma agenda de crise interminável e, de outro, o Brasil retratado pela ascendente relevância do país no cenário mundial

1. “O Brasil vai bem porque o cenário internacional é favorável”: acadêmicos e técnicos - das mais distintas vertentes ideológicas - são categóricos ao afirmar que o país nunca esteve tão preparado para enfrentar uma turbulência externa como agora. É um cenário decorrente diretamente da redução da vulnerabilidade externa e da ampliação de nossas reservas internacionais - resultado obtido pelo atual governo.

2. “A política internacional de Lula vai fracassar”: a postura do Brasil, não apenas no que se refere às relações com o G-8 ou com os EUA, mas também em relação aos demais países de nosso continente, nos situa em uma posição destacada de referência política na América Latina. A posição do Brasil, por exemplo, diante dos incidentes diplomáticos envolvendo o Equador e a Colômbia, bem como os resultados da última reunião do Conselho Permanente da OEA, confirmam o acerto da política externa brasileira, que transforma o país em peça-chave do equilíbrio regional e em importante interveniente no cenário global.

3. “Lula segue fazendo o mesmo que FHC na área econômica, por isto estabilizou a economia”: este, sem dúvida alguma, é o mais visivelmente inverídico dos argumentos. A política de recuperação do valor real do salário mínimo, de reestruturação do setor público e a ampliação dos investimentos em infra-estrutura e em políticas sociais posta em prática pelo atual governo levaria, segundo a ortodoxia neoliberal, à elevação da inflação, do desemprego e da informalidade nas relações trabalhistas. Erro: de 2003 a novembro de 2007, foram criados no país 6,6 milhões de empregos com carteira assinada e o salário mínimo teve um aumento real de 46,7%. O país cresce há 23 trimestres consecutivos. O atual desempenho do PIB só encontra paralelo nos anos do “milagre econômico” do regime militar, com a diferença fundamental, agora, de associar crescimento econômico com distribuição de renda e respeito às instituições democráticas.

4. “O governo Lula é conivente com a corrupção”: omitem que o combate aos crimes de colarinho-branco teve um grande incremento no atual governo. Somente no ano de 2007, a Polícia Federal totalizou 457 capturas por suspeitas de improbidade, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de realizar outras 40 grandes operações. É possível afirmar que o país jamais combateu a corrupção como agora. Dezenas de investigações e operações que buscam “pessoas” - e não “partidos” - em ações delituosas foram promovidas e estão em andamento, cumprindo orientação direta do presidente, de combater sem tréguas à corrupção.

Por fim, cumpre informar que a opinião de Mário Soares encontra eco em outras análises realizadas por diferentes órgãos da imprensa internacional. A revista britânica “The Economist”, há algumas semanas exaltou em suas páginas o sucesso do programa Bolsa Família. Da mesma forma, o periódico londrino “Financial Times” dedicou-se, recentemente, a analisar o excelente momento econômico vivido pelo país. O jornal “The Guardian” não poupou elogios ao governo Lula, recentemente. Estas análises contrastam com artigos, veiculados no Brasil recentemente, que inclusive expressam “indignação” diante do fato de que beneficiários do Bolsa Família, com sua renda familiar, adquiram eletrodomésticos. Seria um consumismo absurdo!

Neste ritmo, provavelmente, nossos futuros historiadores terão de recorrer à imprensa internacional caso pretendam analisar, com alguma profundidade, o que sucede atualmente no país. É forçoso reconhecer, no entanto, que somente a liberdade de imprensa nos salva da treva absoluta da desinformação, ainda que as luzes estejam hoje concentradas em alguns periódicos ou páginas e blogs na internet, e mesmo em poucos espaços da chamada grande mídia, como prova a manchete deste jornal no dia 3 de março deste ano, citada como epígrafe.

Tarso Genro é ministro da Justiça.

18/03/2008 - 07:59h ‘Não queremos mais andar na contramão’

Vencedora da prévia do PT para a Prefeitura de Porto Alegre diz que cidade deve buscar sintonia com programas federais

Elder Ogliari -  O Estado de São Paulo

maria_dorosario.jpg A deputada federal Maria do Rosário venceu a prévia de domingo pela pequena vantagem de 56 votos (2.193 a 2.137) sobre o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto e vai disputar a Prefeitura de Porto Alegre como candidata do PT.

As pesquisas indicam que o PT não tem mais lugar cativo no segundo turno, que a disputa será acirrada, com chances para diversos candidatos. Na última, feita pelo Vox Populi e publicada pelo Correio do Povo no dia 9 de março, o prefeito José Fogaça (PMDB) liderava em todos os cenários para o primeiro turno. Nas três projeções em que seu nome constava, Maria do Rosário aparecia em segundo lugar. Os índices foram de 27% a 16%, 28% a 17% e 29% a 20%.

Maria do Rosário pretende se apresentar ao eleitor como uma candidata capaz de retirar a prefeitura da apatia, que atribui a Fogaça, e colocá-la em sintonia com os projetos federais. “Não queremos mais andar na contramão”, disse, nesta entrevista ao Estado.

O que o PT precisa fazer para recuperar a hegemonia em Porto Alegre?

Apresentar um projeto de desenvolvimento para a cidade, que ligue o momento atual com o futuro, estar comprometido com serviços de qualidade, ter muita unidade interna e conseguir reeditar a Frente Popular. São tarefas importantes, mas à altura do desafio que assumi.

A senhora não falou de dois temas muito caros ao PT, o Orçamento Participativo e o Fórum Social Mundial. Isso saiu da agenda?

Em hipótese alguma. Eu considero que a cidade já sabe que nós vamos fortalecer o Orçamento Participativo e buscar novamente o Fórum Social Mundial.

Qual é o projeto do PT?

O projeto passa hoje por integrarmos a cidade ao momento de desenvolvimento que o País está vivendo. O PAC significa muito para a cidade. A possibilidade de Porto Alegre ter metrô é algo muito importante para a qualidade de vida, barateamento da tarifa do transporte coletivo e, ao mesmo tempo, geração de emprego imediata. Porto Alegre pode ser, porque já tem excelência para isso, um dos maiores pólos de saúde do Brasil. E com o Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada) pode ser um importante pólo de tecnologia de ponta.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse no domingo que o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos aliados será “genérico”. Isso não é pouco para quem quer vincular sua candidatura aos projetos nacionais?

Eu acredito mesmo que a identidade do presidente é com o conjunto de forças que o apóiam. Mas ele tem na sua vida a marca do PT. E as candidaturas do PT, inclusive aqui, vão tentar ampliar o leque de alianças que apóiam o próprio presidente. Então isso me deixa muito tranqüila. Qualquer que seja o caminho assumido pelo presidente, nós estaremos representando a sua energia de mudança para o Brasil e comprometidos com o País que a gente quer, mais justo.

27/12/2007 - 14:18h Operação Condor: Brasil quer investigação

Tarso diz que não pode extraditar brasileiros para Itália por Operação Condor, mas pode processá-los

Jailton de Carvalho - O Globo

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que a Constituição não prevê a extradição de brasileiros para outros países, mas nem por isso os militares e policiais acusados de envolvimento no seqüestro e assassinato de dois ítalo-argentinos durante a Operação Condor estão livres de prestar contas à Justiça. Tarso Genro deverá pedir à Procuradoria Geral da República que abra uma investigação sobre a suposta participação dos brasileiros na morte de Horacio Domingo Campiglia e Lorenzo Ismael Viñas, segundo acusação do procurador italiano Giancarlo Capaldo.
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12/12/2007 - 15:31h Domingo proximo tem segundo turno na eleições internas do PT


Dia 16 acontecerá o segundo turno das eleições internas no PT. Para presidente nacional da sigla disputam Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto.

As duas forças sendo essas neste segundo turno, o processo eleitoral reforçará seguramente a unidade partidária. Ambos os candidatos tem mostrado uma atitude unificada na defesa do governo Lula, em particular durante a crise provocada pela questão do financiamento irregular do PT, alem de defender juntos a politica de alianças práticada pelo presidente Lula.

Junto com Ricardo Berzoini, manifestaram seu apoio Tarso Genro, Fernando Haddad e outros participantes do grupo Mensagem, que no primeiro turno apresentaram José Eduardo Cardoso como candidato.

Já Jilmar Tatto ganhou o apoio de duas figuras históricas do PT, Olivio Dutra de Rio Grande do Sul e do Prefeito de Recife, João Paulo, ambos também apoiadores no primeiro turno de Cardoso.
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12/12/2007 - 15:03h Domingo proximo tem segundo turno na eleições internas do PT


Dia 16 acontecerá o segundo turno das eleições internas no PT. Para presidente nacional da sigla disputam Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto.

As duas forças sendo essas neste segundo turno, o processo eleitoral reforçará seguramente a unidade partidária. Ambos os candidatos tem mostrado uma atitude unificada na defesa do governo Lula, em particular durante a crise provocada pela questão do financiamento irregular do PT, alem de defender juntos a politica de alianças práticada pelo presidente Lula.

Junto com Ricardo Berzoini, manifestaram seu apoio Tarso Genro, Fernando Haddad e outros participantes do grupo Mensagem, que no primeiro turno apresentaram José Eduardo Cardoso como candidato.

Já Jilmar Tatto ganhou o apoio de duas figuras históricas do PT, Olivio Dutra de Rio Grande do Sul e do Prefeito de Recife, João Paulo, ambos também apoiadores no primeiro turno de Cardoso.

No Estado de São Paulo, onde Ricardo Berzoini perdeu no primeiro turno para Jilmar Tatto, o novo presidente estadual do PT, Edinho Silva e José Américo, novo presidente eleito na capital paulista tem mostrado uma maior sintonia com a candidatura de Jilmar Tatto.

Os resultados serão conhecidos no fim da segunda-feira. LF

04/11/2007 - 15:59h Pérolas da mídia sobre as eleições internas à presidência do PT

Está muito divertida a cobertura de alguns jornais sobre as eleições internas no PT. Não sei se os jornalistas estão sendo manipulados ou ignoram o que acontece no partido ou estão simplesmente fazendo serviço. Poucas são as informações realmente sérias sobre o assunto.

Hoje um artigo no jornal O Globo veio com esta pérola:

“Numa análise feita semana passada no Planalto, o pior dos cenários seria a vitória de Jilmar Tatto. No governo, a percepção é de que ele representa o grupo paulista que quer voltar a ter influência no Planalto e que faria de tudo para enfrentar o próprio Lula, rumo a 2010. “

Qualquer observador sabe que o “grupo paulista” que teve “influência no Planalto” sempre esteve longe dos que hoje estão apoiando Jilmar Tatto para Presidente do PT. Aliás, quase todos os candidatos são de São Paulo -com representantes na Esplanada-, e tal vez o único com pouco ou nenhum peso por lá seja o próprio Tatto.

Na revista Istoé, outra pérola: uma pesquisa dá Zé Eduardo Cardoso, candidato do grupo de Tarso Genro, favorito. Só se a pesquisa foi feita em alguns locais de Rio Grande do Sul. Sem se importar com o senso do ridículo a Istoé coloca Ricardo Berzoini em terceiro lugar.

Quase todos os comentários visam opor os candidatos à presidência do PT ao Presidente Lula. Alguns até considerando que o PT estaria realizando uma prévia para escolher seu candidato à presidência do Brasil em 2010.

Podem anotar o que vou dizer: seja Berzoini, Tatto, Cardoso ou Pomar (na ordem do que penso ser o favoritismo dos militantes) o próximo Presidente do PT trabalhará de mãos dadas com Lula e em 2010 juntos escolherão o candidato que receberá o apoio do partido. O resto é balela.

Luis Favre

08/10/2007 - 11:29h Um fantasma percorre Europa: o terceiro mandato… do Financial Times

A famosa frase do início do Manifesto Comunista (”Um fantasma percorre Europa, é o fantasma do comunismo“) bem que pode ser invocada neste caso. O efeito que a nota do Financial Times vai provocar na elite tupiniquim será provavelmente tão intenso quanto os arrepios da burguesia nos salões parisienses perante o nome de Marx, faz mais de um século.

A nota do Financial Times é isso, uma nota. Mas ela vai tirar o sono de mais de um. Para Veja, José Serra, o Cansei e tutti quanti da mesma estirpe a simples evocação de uma continuidade do Presidente Lula provoca convulsões.

Afirmar, como faz o jornal inglês, que “as constituições existem para serem mudadas” só pode ser obra de algum comunista infiltrado no baluarte do conservadorismo financeiro mundial. Invocar FHC , para justificar uma tal subversão da ordem, participa do complô para acabar com a democracia brasileira. Que digo, acabar com o próprio Brasil.

Falando sério; Lula não é Putin e nem FHC. Os mesmos que consideravam o supra sumo da “modernidade” mudar as regras do jogo (a Constituição) para permitir a reeleição de FHC, são os que hoje consideram essa eventualidade para Lula como equivalente a instalação de uma ditadura liberticida.

Existe também uma diferença: no reino tucano só FHC e o uso da maquina pública para impor sua reeleição permitiriam evitar uma vitória em 1998 do Lula. A coisa foi adiada de 4 anos.

Já com Lula a coisa é um pouco diferente: existem vários candidatos promovidos para sucedê-lo, como Ciro Gomes, Dilma Rousseff, Nelson Jobim e Tarso Genro. O escolhido, se contar com o apoio de Lula, terá certamente chances pois o crescimento econômico alavancará sua candidatura. Do outro lado, na oposição não existe liderança que por enquanto se projete acima de sua própria fração (Serra, Aécio e Alckmin ainda brigam para se cacifar) e o PSDB está isolado, mesmo dirigindo vários Estados importantes.

Isto pode mudar após as eleições municipais de 2008, mas por enquanto a situação é essa.

Mesmo assim, a simples evocação feita pelo Financial Times vai provocar uma onda de arrepios crescentes.

Pena que ao contrário do que Lula pretendia, 2010 é o único tema de interesse nacional quando ainda estamos em 2007. De continuar assim o segundo mandato do atual presidente será lembrado como aquele… que precedeu o do futuro presidente. O de 2010.

Luis Favre