07/11/2008 - 13:48h PF faz buscas até na Abin

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PF faz busca na ABIn enquanto Paulo Lacerda da ABIN continua afastádo e Protógenes Queiroz (PF) é investigado por vazamento

Investigação de vazamento de informações na Satiagraha acirra crise nas duas instituições

Jailton de Carvalho e Tatiana Farah - O GLOBO BRASÍLIA e SÃO PAULO

As buscas realizadas por policiais federais que investigam vazamento de informações da Operação Satiagraha não se limitaram a endereços do delegado Protógenes Queiroz e de outros policiais vinculados à primeira fase da apuração dos supostos crimes do banqueiro Daniel Dantas. Numa ação sem precedentes em inquéritos sobre vazamentos, policiais da Corregedoria-Geral apreenderam computadores e documentos na sede da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e em escritórios da instituição em São Paulo e no Rio. A busca acirrou a crise interna na PF e na Abin.

— É uma coisa totalitária. Eu nunca vi isso. A Abin é um órgão público. Basta requisitar os computadores e a agência teria que entregar — protestou o presidente da Associação dos Servidores da Abin (Asbin), Nery Kluwe.

Cinco policiais foram à sede da Abin na quartafeira de manhã e, com uma ordem expedida pelo juiz Ali Mazloum, da 7aVara Criminal de São Paulo, apreenderam o computador usado pelo analista de inteligência Délio Brown, da Diretoria de Operações. Os policiais fizeram buscas nas residências de Délio e de um outro analista, que também participou da Satiagraha. Numa das casas, os policiais levaram até equipamentos que pertenciam à mulher de um dos analistas, uma médica. Mais de 50 agentes da Abin participaram da equipe de Protógenes na primeira etapa da Satiagraha. Protógenes e mais sete policiais envolvidos na operação tiveram computadores, documentos e telefones apreendidos.

A situação na Abin é tensa desde o afastamento do diretor Paulo Lacerda, há dois meses. Segundo Kluwe, a perplexidade é geral com a medida da polícia e com a indefinição sobre o comando da Abin, que está parada e aguardando o desfecho do inquérito sobre o grampo nos telefones do presidente do STF, Gilmar Mendes.

O clima também é de revolta em setores da PF contra a ação comandada pelo delegado Amaro Lucena, da Corregedoria. O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Sandro Torres, classificou-a de “preocupante”.

Para Torres, é preciso checar se houve ofensa às prerrogativas de Protógenes e se a ação terá repercussão negativa sobre a investigação: — Minha preocupação é porque envolve um delegado num momento delicado de uma outra investigação muito maior (a Satiagraha).

“Delegados não vão se sentir coagidos?”

Para o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal em Brasília, Joel Mazzo, a Corregedoria deveria ter aberto sindicância interna em vez de queimar etapas. Para ele, causou “estranheza” a insistência do delegado do caso em recorrer à Justiça após a recusa do Ministério Público em endossar o pedido de buscas.

— Será que os delegados não vão se sentir coagidos em participar das próximas operações do nível da Satiagraha? — indagou Mazzo.

Mazzo entende ainda que Mazloum deveria ter declinado da competência para deliberar sobre o assunto porque, em 2003, foi alvo da Operação Anaconda, da PF. Inocentado, processa delegados e procuradores. Para Sandro Torres, só Amaro Lucena, que conhece todas as peças do inquérito, tem condições de avaliar a importância de recorrer a uma medida de força para recolher documentos de Protógenes.

— Eu não sou daqueles que gostam do Protógenes, mas acho que agora é preciso ver se os resultados justificam as buscas — afirmou o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Marcos Wink.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, negou que as buscas sejam uma represália a Protógenes, afastado do comando da Satiagraha no final de julho, depois de divergir de Luiz Fernando Corrêa e outros diretores da PF. No Ministério da Justiça, há o temor de que a operação contra Protógenes possa transformá-lo em vítima.

— Esse inquérito tem origem na CorregedoriaGeral. A pessoa que coordena o inquérito tem mandato fixo. Está no cargo desde a época do doutor Paulo Lacerda. Não tem vínculo com a direção atual. Não há perseguição — disse Tarso.

O inquérito foi aberto, a pedido de Corrêa, dois dias após as primeiras prisões da Satiagraha.

A segunda fase da operação é conduzida pelo delegado Ricardo Saadi. O procurador federal Roberto Dassié Diana, que instaurou o processo de controle externo para apurar denúncias de falta de apoio institucional à operação, foi contra os pedidos de busca e apreensão.

Anteontem, Protógenes chamou de “trama” as buscas nas casas onde moram seus filhos, em Brasília e no Rio, e no flat onde estava em São Paulo, às 5h. O GLOBO tentou falar com Protógenes em Brasília, mas, segundo uma funcionária, ele não estava. Ontem, ele encerrou sua estada no flat. Seus telefones foram apreendidos.

25/08/2008 - 12:49h Vagas para todos

Blog de Alon

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

A vaga de presidente iria para o PT. A do vice, para o bloco, possivelmente para o PSB. E o Legislativo ficaria sob o comando do PMDB, garantindo-se quatro anos de mandato para os próximos comandantes peemedebistas das duas casas

Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

O som do amolar de facas nos bastidores é indicação de luta acirrada pela vice na chapa de Dilma Rousseff em 2010. De um lado, o PMDB, que se julga candidato natural à vaga, pelo tamanho no Congresso e fora dele. Do outro, o bloco PSB-PDT-PCdoB, que se vê em vantagem devido ao relacionamento histórico com o PT.

O bloco vem de marcar um gol, por ter conduzido as coisas em São Paulo de modo a fortalecer a candidatura Marta Suplicy. A recusa do PMDB a oferecer o vice de Marta e a aliança dos peemedebistas com Gilberto Kassab acendeu uma luz amarela no Palácio do Planalto. Por que jogar todas as fichas num partido que pode criar surpresas desse tipo?
Sabe-se que o PT é sigla com fortes traços e interesses paulistas. Daí que o desfecho da montagem da chapa Marta-Aldo Rebelo tenha robustecido a posição relativa do bloco. São as idas e vindas da política. O PMDB cativou o PT e o Planalto ao decidir a parada na eleição de Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara dos Deputados. Agora os ventos sopram no sentido oposto.

As novas brisas introduzem elementos de complicação, por exemplo, na sucessão das duas casas do Congresso, no começo do próximo ano. O PT tem um acordo no papel para dar ao PMDB a cadeira de Chinaglia. O mais lógico é que seja cumprido. Mas para que isso aconteça será necessária a intervenção direta do governo, já que a movimentação de candidatos independentes vai bem, obrigado. Para complicar, a operação deverá estar casada com a entrega do comando do Senado a um minoritário PT.

Mas não há problema insolúvel na política. Articula-se embrionariamente nos bastidores a assim chamada solução das quatro vagas. Ela leva em conta que os sucessores de Chinaglia e Garibaldi Alves poderão ser reconduzidos em 2011. Assim, haveria em 2010 uma tétrade de lugares no grid: presidente e vice da República e presidentes da Câmara e do Senado.
A fórmula ruminada é simples. A vaga de presidente iria para o PT. A do vice, para o bloco, possivelmente para o PSB. E o Legislativo ficaria sob o comando do PMDB, garantindo-se quatro anos de mandato para os próximos comandantes peemedebistas das duas casas. Se der certo, a equação dará ao candidato de Lula uma ampla base de apoio para a eleição e o possível mandato.

Mas, como não se pode agradar a todos, há resistências já detectadas. Existe no governo e no PT quem desconfie de um cenário de controle total do PMDB sobre o Congresso, exatamente pela dificuldade de prever com alguma margem de segurança o comportamento da legenda. Contra essas desconfianças, argumenta-se que o PMDB já está ultracontemplado no consórcio lulista da Esplanada dos Ministérios e que dificilmente o partido, conhecido pelo seu pragmatismo, trocaria o certo pelo duvidoso, não migraria para a barca tucana. Ainda mais se o certo incluísse o poder efetivo sobre um dos vértices da Praça dos Três Poderes.

Existe também no PMDB quem não queira abrir mão da vice em 2010, mas esses têm um problema: a incapacidade crônica de fechar a sigla em torno de um único projeto de poder. Assim, a destinação de não uma, mas duas vagas das quatro para o PMDB estaria mais de acordo com a realidade, por acomodar melhor os apetites num barco historicamente conduzido a muitas mãos.

Restaria então o bloco, que precisaria unir-se em torno de um nome para a vice de Dilma. Quem sai na frente é Ciro Gomes, pela musculatura eleitoral e pela fidelidade ao projeto liderado por Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não está descartado que a abertura do segundo lugar na primeira fila desperte outras ambições entre os hoje alinhados ao deputado federal do Ceará. Ainda que um dos nomes possíveis, o governador pernambucano, Eduardo Campos, tenha claramente apontado a proa de seu navio rumo à reeleição, congelando por enquanto os projetos nacionais.

A única certeza é que a decisão final sobre o cardápio caberá a Lula. Até o PT parece pacificado, conformado. O ministro da Justiça, Tarso Genro, volta seus olhos para o Rio Grande do Sul. E o peso da participação de Lula na tentativa de eleger Marta Suplicy à prefeitura indica que ela não deverá marchar em 2010 num passo diferente do ditado pelo presidente.

07/08/2008 - 09:04h PT não é página virada do folhetim

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VALOR

O PT não pode simplesmente desconhecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e partir para uma carreira solo em 2010, lançando um candidato a presidente que não tenha o referendo e o apoio do atual chefe-de-governo - essa é uma opinião dominante. Não está claro, todavia, se o presidente Lula tem, sozinho, o condão de levar um candidato à sua sucessão à revelia de seu partido.

O PT não é o partido dos sonhos de Lula, mas sequer está claro se Lula é o presidente dos sonhos do PT. É verdade que Lula terá um enorme poder de transferência nas eleições de 2010, quando terá terminado seu segundo mandato e estará se preparando para voltar a São Bernardo do Campo. Lula teve 60,3% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2006. Segundo pesquisa do Instituto Vox Populi feito para a Fundação Perseu Abramo, cujos dados foram coletadas nos últimos dias de maio, Lula nadaria em águas plácidas se pudesse disputar um terceiro mandato. Se isso fosse possível, 43% dos entrevistados votariam nele. Se for considerado como índice de aprovação de seu governo a soma de avaliações positivas e regulares, Lula está no meio do segundo mandato deitado em 93% de aprovação. Tem 59% de avaliações positivas na média do país, que pode chegar a 71% quando se aproxima do Nordeste. Amarga, na média, apenas 7% de avaliações negativas, que chegam no máximo a 11%, quando o eleitor é da Região Norte.

O PT, todavia, não é uma página virada, descartada do folhetim de Lula. O partido que amargou um enorme desgaste no escândalo do mensalão, em 2005, não apenas voltou a patamares anteriores à crise política, como superou-os. Perto dos outros partidos, o PT continua sendo o mais reconhecido pelo eleitor, para o bem ou para o mal - o que significa que tem visibilidade. É a legenda a quem o entrevistado atribui qualidades políticas e conteúdo ideológico. A primeira façanha do PT foi a de manter-se no primeiro lugar das preferências partidárias. Num universo de eleitores onde mais da metade não se identifica com um partido (54%), um quarto (25%) prefere o PT. O PMDB vem em segundo, com 7%; o PSDB tem 6%; e o DEM, 2%. Em março de 2004, o PT tinha 19%; em julho de 2006, depois do mensalão e antes da reeleição de Lula, baixou para 17%. Seu índice de rejeição, que era de 8% em 2004 e subiu para 12% em 2006, foi reduzido para 8% este ano. O DEM, por exemplo, tem 4% de rejeição, mais do que os 2% que ostenta das preferências dos eleitores. No caso do PSDB, os dois índices, de preferência e de rejeição, quase empatam - 6% e 5%, respectivamente. Os eleitores também atribuem alguma coerência ideológica ao partido de Lula - 23% consideram que o PT é de esquerda; 5% acham que é de centro; e 12%, de direita. O PSDB, por exemplo, tem um maior grau de dispersão nas avaliações: 10% o consideram de esquerda; 8%, de centro; e 18%, de direita. Essa informação pode ser completada pelo cruzamento de preferência partidária e da posição ideológica declarada pelo entrevistado. Dos que se declararam favoráveis ao PT, 42% se disseram de esquerda.

Não é claro se Lula pode desprezar seu partido

A pesquisa mostra que Lula e PT possuem pesos específicos, mas igualmente se confundem. Os resultados do cruzamento das variáveis avaliação do desempenho de Lula e favoritismo do PT levantam a dúvida: quem deve mais a quem, o PT a Lula ou Lula ao PT? Segundo a pesquisa, 79% dos que declararam preferir o PT fizeram uma avaliação positiva do governo Lula; Lula era o favorito de 48% dos indiferentes ao PT e de 23% daqueles que eram desfavoráveis ao partido. Se, nessa hipótese, se considera que o PT transferiu automaticamente seus votos para Lula, o inverso também é verdadeiro: dos eleitores tradicionais do presidente (assim considerados aqueles que votaram duas vezes ou mais nele), 62% são favoráveis ao PT; dos eleitores eventuais (que votaram em Lula uma vez), 37% são favoráveis ao seu partido. Quanto mais fiel ao PT, mais fiel o eleitor será a Lula, e vice-versa.

É certo que, numericamente, Lula atrai de forma mais declarada eleitores que o seu partido. Mas parece claro que existe uma convergência natural do eleitor de ambos - o PT avança nas regiões onde o “lulismo” é maior e Lula capta naturalmente os votos petistas. A identificação Lula/PT é um dado - por mais que se considere que o líder seja maior que a sua casa, o dado colocado é que o PT, apesar de todos os tremores, ainda é o partido mais orgânico do país, e a identificação entre a legenda e o presidente é parte dessa expressão orgânica. Todo o desgaste sofrido com o mensalão; as defecções de grupos mais à esquerda, que teoricamente eram a mão contrária à burocracia partidária que se dilatou; a adesão e a incorporação de candidatos com maior poder econômico inclusive com domínio sobre a máquina - todos esses movimentos que vêm questionando o partido há anos, mesmo antes da primeira eleição de Lula, não conseguiram destitui-lo como representante de determinados setores sociais. O eleitor ainda vê o partido assim - e é a visão do eleitor que lhe dá organicidade. O PT continua desempenhando esse papel com alguma densidade. É com essa realidade que tanto a máquina partidária, que desideologiza o partido, como Lula, têm que lidar para articular 2010. Daí se deduz que os candidatos a presidente que correm por fora da preferência de Lula dificilmente terão sucesso - mas isso só será verdade para aqueles que, sem a simpatia do presidente da República, não sensibilizarem também a maioria do partido. Essas duas coisas não são necessariamente iguais - até o momento, a candidata preferida de Lula, a ministra Dilma Rousseff, não tem a preferência do partido; o ministro Tarso Genro não é o preferido de Lula, mas é minoritário no partido não por causa disso, mas porque simplesmente não tem força política para se contrapor ao Campo Majoritário; e Marta Suplicy pode ter a maioria do partido, embora não seja a preferida de Lula. No PT, nunca nada foi simples que se possa resumir, como nos partidos tradicionais, que o candidato do presidente é o candidato do partido. Apesar dos pesares, continua não sendo assim.


E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

24/07/2008 - 09:36h Esqueceram que Dantas era o acusado

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A primeira reação da mídia foi a de se refugiar em seu papel noticiarista: a prisão do banqueiro Daniel Dantas, de sua irmã e de outros parceiros de negócios foi acompanhada pelas lentes dos fotógrafos e dos cinegrafistas, e pelas diligentes anotações dos repórteres. Aí, os acusados eram Dantas e outros integrantes ou parceiros de negócios do Grupo Opportunity. Num segundo momento, os meios de comunicação embarcaram nos protestos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que acusou o delegado da PF, Protógenes Queiroz, de sensacionalista, jogou pedras sobre o Ministério Público e soltou todos os presos, exceto os envolvidos diretamente na tentativa de suborno de um delegado. Foi quando os acusados passaram a ser a Polícia Federal e o Ministério Público. Em seguida, sob pressão da mídia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e a direção da Polícia Federal forçaram o afastamento dos delegados responsáveis pelo inquérito. A partir daí, os dedos acusadores da mesma mídia apontaram para o governo, que teria abortado a ação saneadora do delegado Protógenes, antes aquele que cometeu abusos contra acusados.

Exceto no primeiro capítulo da novela Daniel Dantas, o foco da mídia não foi o dos negócios do banqueiro - ou empresário, ou sócio de empresas fantasmas, ou seja lá o que for - que estava sob investigação da polícia, mas os supostos crimes cometidos pela PF, ou uma ação política do governo para esvaziar o inquérito produzido por delegados da PF antes acusados de cometer ilegalidades.

É difícil cobrar um comportamento sempre coerente da mídia: no calor dos fatos, reportar e julgar ao mesmo tempo, sem ter todas as informações, embute um enorme risco de erro. Mas é inegável que as oscilações abruptas de julgamento - e de foco - têm evidentes efeitos colaterais. A desautorização do inquérito da PF em determinado momento - desautorização pura e simples, sem ressalvas - serviu à defesa de Dantas. É certo que o inquérito cometeu erros crassos, misturou estações e interpretou de forma muito equivocada alguns grampos - e perdeu credibilidade ao misturar pessoas envolvidas nos negócios de Dantas com outras que simplesmente foram citadas e não tinham culpa nenhuma no cartório. Mas os meios de comunicação também não separaram as coisas. Primeiro, publicaram tudo como se fosse tudo verdade e, quando se depararam com a dificuldade de comprovar o envolvimento de alguns dos citados, a tendência foi a de generalizar a acusação de “abuso”, como se prender alguém que mandou corromper um delegado fosse algo impensável, pelo menos quando essa figura é um banqueiro. Quando resolveram rever sua opinião sobre a polícia - e isso ocorreu quando foi possível acusar o governo de pressão política sobre a instituição - a guinada foi radical: a PF não era mais leviana, mas moralizadora, e era essa PF moralizadora o objeto das pressões de um governo.

Nesses dois extremos, a mídia também foi o veículo da sensacionalização. Se a PF foi sensacional, foi porque o fato dado a conhecimento foi reverberado pela mídia sem qualquer filtro. Daí foi a própria mídia a acusar o sensacionalismo e pressionar por uma posição de governo contra o que considerou abusos. E foram os próprios meios de comunicação quem, à ação corretiva dos superiores do delegado, acusaram sensacionalmente o governo de ter pressionado a instituição a não apurar fatos relativos ao inquérito contra Dantas e grupo.

Mídia mudou de posição sobre a PF várias vezes

Nesse processo, o resultado mais palpável foi que em alguns dias Daniel Dantas e suas ações pouco republicanas saíram rapidamente de foco e deram lugar a um debate surrealista sobre o que é um abuso policial e sobre até onde vai a autonomia da PF diante de uma pressão do governo (dada como certa e definitiva) sobre a instituição para não apurar os fatos - que, ao mesmo tempo, segundo a mesma imprensa, fez um inquérito que beirou o abusivo. É surrealista porque em nenhum momento a imprensa analisou o seu próprio papel no caso. E isso inclui o fato de que toda a informação que uma instituição vaza é publicada por algum veículo de comunicação. Se foi um abuso o vazamento de todo o inquérito, inclusive as partes relativas a pessoas que não são parte dos delitos cometidos pelo grupo de Dantas, de quem é o abuso? De quem vazou ou de quem publicou a informação vazada?

Desde a promulgação da Constituição de 1988, o país vive ciclos em que uma ou outra instituição se impõe sobre as demais quando assume como exclusivamente seu o papel de repressão ao crime e de guardião da moralidade. O Ministério Público já esteve nessa situação, assim como os juízes de primeira instância. Agora é a vez da PF. Todas as vezes que uma instituição se excedeu, no entanto, foi porque encontrou eco na mídia. Foram os veículos de comunicação que deram guarida aos sucessivos vazamentos de investigações do MP ou de processos que corriam na Justiça; como hoje dão abrigo aos vazamentos da PF. Não raro, um vazamento de informação acaba justificando um pedido judicial da mesma instituição que fez o vazamento; ou é usado como pressão política contra partidos e governos; ou é exibido como prova de eficiência, em movimentos de valorização corporativa. Portanto, a informação, pretensamente acrítica, não é neutra. Ela tem usos políticos e corporativos.

Não dá para debater os eventuais abusos de instituições sem reconhecer que o jornalismo teve um papel fundamental nos processos de hipertrofia dos poderes de uma ou outra, em determinados períodos. É um engano imaginar que a informação acrítica é neutra. Ela é apenas acrítica - e isso não significa sequer ser independente. O próprio modus operandi de Dantas é prova disso. A farta produção de dossiês para destruir reputações de inimigos foi um fato. Se os jornais e revistas os publicaram, fizeram um favor a Dantas. Esse comportamento está longe de ser neutro. Se um inquérito policial atinge quem não deve atingir, e a imprensa não filtra essa informação, pode lançar o descrédito em todo o inquérito e contribuir para a impunidade dos que devem efetivamente ser punidos. Ou pode abalar as reputações de quem nada deve.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

19/07/2008 - 10:37h “Para que? Pra nada!”

Wilson Dias/Agência Brasil

Gilmar Mendes e Tarso Genro, numa semana de crise institucional provocada pelo caso Daniel Dantas

Gilmar Mendes e Tarso Genro, numa semana de crise institucional provocada pelo caso Daniel Dantas

Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)

Prestem atenção no poema “Gaúcho”, do pernambucano Ascenso Ferreira, tantas vezes declamado, e mais merecedor de citação que nunca nesta babel sem tamanho gerada em diferentes setores - Justiça, polícia, política, imprensa…, pela Operação Satiagraha e suas inumeráveis ramificações : “Riscando os cavalos!/ Tinindo as esporas!/ Través das cochilhas!/ Saí dos meus pagos em louca arrancada!/ Para que? / Pra nada!”.

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18/07/2008 - 13:55h Os mal-informados informam

A imagem “http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/images/logo_2008.gif” contém erros e não pode ser exibida.

Verbo Solto

por Luiz Weis*


Pergunto a um experiente colega, que ocupa cargo de primeira linha em um dos principais jornais brasileiros:

“Você se considera bem informado sobre o caso Daniel Dantas?”

“Em linhas gerais”, responde.

Muito pouco para quem está no ofício de informar.

E o pior é que, desde a entrada em cena da Operação Satiagraha, o grosso da informação é vazamento – que os jornais e os leitores, como Alberto Dines foi o primeiro a ressaltar, aceitam de bom grado.

E nem tudo que vaza é potável, ou tem o mesmo sabor.

Tome-se o caso do afastamento do delegado Protógenes Queiroz. Vazou para a imprensa inteira que, na reunião dos federais da qual ele saiu saído – e foi para isso que ela se deu –, Protógenes falou em continuar trabalhando na investigação nos fins de semana [porque de segunda a sexta ficaria em Brasília para completar um curso que iniciara em março].

Para a Folha, isso significa que “sentindo-se desautorizado, o delegado decidiu precipitar sua saída…”.

Para o Estado, isso signfica que “Protógenes resistiu o quanto pôde e chegou a se oferecer para trabalhar só nos finais de semana”. E, reiterando, dois parágrafos adiante: “Ele concordou em sair de foco da crise e da mídia, mas sem se desligar do comando do caso…”.

Ontem, o presidente Lula desancou o policial, chamando-o de “esse cidadão” – como se, de livre e espontânea vontade, ele tivesse resolvido tirar o time de campo, deixando no ar um serviço começado quatro anos atrás.

A imprensa pode só saber “em linhas gerais” o que vai pelo caso Dantas. Mas sabe – e sabe porque foi informada disso – que, naquela mesma segunda-feira, Lula aprovou a remoção do delegado, numa conversa com o ministro da Justiça, Tarso Genro.

Como a Folha titulou: “Presidente havia avalizado afastamento na 2a”.

A imprensa também já tinha sido deliberadamente informada de que, em dobradinha com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa – o tal que saiu de férias em meio ao tiroteio -–, Tarso armava a guilhotina para decepar o cabeça do inquérito contra Dantas e companhia bela.

Em linhas gerais, é isso aí.

P.S.

Enquanto atola a barca, ganha o dia o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, com a seguinte constatação:

“Há deputados e senadores que vazam mais que chuveiro, tem ministros de tribunais superiores que falam mais com a imprensa do que nos autos, tem Polícia Federal que age fora da lei, tem Ministério Público que às vezes também abusa de sua autoridade.”

*Luiz Weis
Jornalista, pós-graduado em Ciências Sociais pela USP, onde lecionou Sociologia da Comunicação. Escreve no Observatório da Imprensa e no jornal “O Estado de S.Paulo”. Entre outras atividades, foi redator-chefe das revistas “Superinteressante” e “IstoÉ”, editor-assistente da “Veja”, editor político e apresentador do programa “Perspectiva” da TV Cultura, editor nacional da “Visão” e editor de assuntos especiais da “Realidade”. É autor, com Maria Hermínia Tavares de Almeida, de “Carro-zero e pau-de-arara: o cotidiano da oposição de classe média ao regime militar, in “História da Vida Privada no Brasil”, Lilia Moritz Schwarcz (org.), 1998, e do perfil político de Vladimir Herzog (sem título), in “Vlado — Retrato da morte de um homem e de uma época, Paulo Markun (org.), 1985. Recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo Científico, em 1990.

16/07/2008 - 17:53h Lula denuncia mentiras sobre “saida”do delegado do caso Dantas

Lula diz que Protógenes ‘tem de ficar’ na Satiagraha

LEONÊNCIO NOSSA - Agencia Estado

Protógenes Queiroz http://www.cidadeverde.com/noticias/editor/assets/img8/delegadodapf.jpg

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula disse hoje que pediu ao ministro da Justiça, Tarso Genro, que acerte com a Polícia Federal (PF) a volta do delegado Protógenes Queiroz ao comando das investigações da Operação Satiagraha. Em entrevista no Palácio do Planalto, Lula classificou de “insinuações” e “mentiras” versões de que o afastamento de Protógenes, anunciado ontem, teve razões políticas. “Já falei com o ministro Tarso Genro para conversar com a Polícia Federal porque esse delegado tem que ficar no caso”, disse o presidente. “Moralmente, esse cidadão tem de ficar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público (MP), a não ser que ele não queira”, afirmou.

Um repórter observou que, ontem, o ministro Genro disse que o relatório estava 99,9% concluído. Lula respondeu que não estava terminado e que “esse cidadão” não pode dar vazão a insinuações. “Ele não pode, se bem que ganhou na Justiça liminar para fazer o curso. Depois de fazer todas as coisas que tinham que ser feitas no processo e, na hora de finalizar o relatório, esse cidadão diz: eu vou embora fazer meu curso e ainda dá vazões para insinuações de que ele foi tirado”, criticou Lula.

O presidente reclamou ainda da cobertura do caso e disse que “quem contou essa mentira referindo-se às insinuações de que Protógenes e outros agentes foram pressionados a saírem da investigação, amanhã ou depois desmintam”. “Eu sou o mais fervoroso defensor da Polícia Federal. Acho que ela é a garantia para o combate à malversação, à corrupção, ao narcotráfico e ao crime organizado no País. Por isso, os policiais são bem remunerados e o governo melhorou muito a situação da Polícia Federal”, disse.

01/07/2008 - 22:23h Seminário PT: Contribuição de Marta Suplicy ao debate sobre segurança

http://jovempan.uol.com.br/jpamnew/i/online/20080124_114553.jpgMinhas amigas, meus amigos

Quero agradecer a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, e de nossos debatedores: Benedito Mariano e Guaracy Mingardi. Agradeço também a presença de todos vocês, deputados, vereadores, lideranças comunitárias, moradores da cidade de São Paulo.

Vamos discutir hoje, em nosso seminário, um tema duplo – “Segurança Urbana e Ação Social”. E a própria aproximação dessas dimensões já revela a nossa visão do problema. Para nós, políticas de segurança e políticas sociais estão de mãos dadas. Para combater a violência, precisamos de ações amplas e firmes na área da segurança. Mas, também, de ações igualmente amplas e firmes na área social.

Não preciso dizer, aqui, que a segurança é um dos problemas mais angustiantes de São Paulo. As pesquisas apontam, há tempos, a imensa preocupação dos paulistanos com o assunto. A violência atinge o conjunto da sociedade, sem distinções de classes ou segmentos sociais. Mas atinge, em especial, os mais pobres e os mais jovens. E nós sabemos do muito que é preciso – e possível – fazer, nessa área.

Segurança Pública é atribuição do governo estadual. Ao Executivo Municipal não é dado o poder de comandar polícias. Ele conta, em princípio, com a Guarda Civil Metropolitana. Mas é também verdade que tem poder sobre a organização do território da cidade. E responsabilidade na coordenação de políticas sociais capazes de reduzir a violência, por seus efeitos positivos na vida das pessoas.

Por tudo isso é fundamental uma parceria entre Estado e Município. Nenhum dos dois pode se omitir da sua parte na defesa do cidadão.

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09/06/2008 - 09:39h Marta e cinco ministros de Lula participam de seminário

Marta escala ministros para ajudar campanha

Cinco membros do primeiro escalão do governo Lula participarão de debates com petista

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Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Em mais um esforço para aproximar sua imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) vai trazer o governo para dentro do debate sobre os principais problemas da cidade de São Paulo. A convite da petista, cinco ministros de Lula virão a São Paulo nas próximas semanas para discutir alguns dos principais temas que estarão no programa de governo que está sendo desenvolvido pelo PT para as eleições deste ano.

Todas as terças-feiras por um período de cinco semanas, um representante do governo virá à Capital. De acordo com articuladores da campanha de Marta, os debates fazem parte de uma ampla estratégia para aproximar a imagem da pré-candidata petista à do presidente Lula e usufruir ao máximo dos altos índices de popularidade do governo. Um dos principais pontos do plano para a corrida municipal é colocar Marta como a candidata ideal para aprofundar na cidade as mesmas mudanças realizadas pelo governo Lula na esfera federal.

Oficialmente, o convite aos ministros foi feito pelo Diretório Municipal do PT. Mas petistas reconhecem que Marta conversou pessoalmente com cada um para pedir a presença. Além disso, consultou Lula, que deu carta branca para a realização dos eventos.

Adicionalmente, dirigentes do PT avaliam que será possível formar uma “massa crítica” sobre os principais problemas da cidade. Além disso, parte das idéias surgidas nos debates poderá ser aproveitada no programa de governo de Marta, que está em fase de finalização.

O primeiro debate será realizado amanhã, com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de Marta e especialistas. Elas discutirão o tema central da campanha: mobilidade urbana, transportes e trânsito.

A base do debate será o projeto de mobilidade para a Copa de 2014, elaborado por Marta quando estava no Ministério do Turismo. A proposta prevê medidas como a construção de 65 km de metrô e 279 km de corredores de ônibus em São Paulo.

No dia 17, Marta receberá o ministro Fernando Haddad para falar sobre educação. No dia 24, será a vez do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Em 1 de julho, o ministro da Justiça, Tarso Genro, tratará de violência urbana. O ciclo será encerrado com um debate sobre habitação, com o ministro das Cidades, Márcio Fortes.

Zarattini deve ser coordenador

Clarissa Oliveira

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), membro do time de aliados da ex-ministra Marta Suplicy na capital paulista, deverá ser o coordenador da campanha petista pela Prefeitura de São Paulo. A escolha, segundo articuladores da candidatura de Marta, será sacramentada em reunião marcada para hoje à noite, pela Executiva Municipal.

Até agora encarregado de coordenar as negociações da campanha de Marta, o vereador e presidente municipal do PT, José Américo Dias, chegou a ser visto como a escolha ideal para a vaga. Américo, entretanto, é candidato a mais um mandato na Câmara Municipal e não poderia se dedicar com o mesmo empenho aos preparativos da disputa pela prefeitura paulistana. Com Zarattini, afirmam petistas, Marta contará com alguém “em tempo integral” na posição.

04/06/2008 - 12:58h Tarso nega conspiração de petistas anti-Dilma

 

 

Na volta das férias, ministro da Justiça se esforça para contornar crise política provocada por entrevista na qual disse que a colega da Casa Civil não tinha militância no PT. Mas afirma que há outras opções para 2010

Cadu Gomes/CB/D.A Press

Ministro quer mais força do PT
para definir sucessão de Lula

Gustavo Krieger - Correio Braziliense

O ministro da Justiça, Tarso Genro, teve um agitado retorno de férias. Ele passou as duas últimas semanas na Argentina e no Rio Grande do Sul, administrando uma crise política que gerou antes de viajar. Tarso deu uma entrevista ao jornal Zero Hora, na qual anunciou a formação de um novo núcleo dirigente no PT, que além dele incluía o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o assessor especial do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia. Na mesma entrevista, defendeu que a escolha do candidato à sucessão presidencial em 2010 passe pelo comando petista e disse que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não tem militância partidária. Ontem, antes mesmo de reassumir o gabinete e voltar a usar gravata, ele se esforçou para apagar o incêndio causado por suas declarações.

O problema foi que a entrevista foi interpretada como se Tarso estivesse anunciando que o grupo de ministros trabalhava contra a candidatura de Dilma, até aqui o nome preferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso estremeceu as relações dentro do Palácio do Planalto e na cúpula do governo. O ministro da Justiça esforçou-se ontem para retirar qualquer suspeita de conspiração contra a chefe da Casa Civil. “As posições que assumi são pessoais e não envolvem Dulci, Marco Aurélio ou Patrus”, diz o ministro da Justiça. Para ele, houve uma confusão de papéis. “Eu não soube precisar a distinção sobre a formação de um novo grupo dirigente, que envolve pessoas de várias origens dentro do partido e isso foi confundido com articulações entre ministros.”


Lula

Tarso diz que a escolha do candidato governista será presidida por Lula. “O presidente será o grande eleitor do Brasil. Nós todos que estamos no governo vamos seguir a orientação dele. Eu farei isso mesmo se não for a minha posição.” Mas argumenta que “isso não significa que os dirigentes partidários não devam ter opinião. Podemos e devemos ter opinião”.

Segundo o ministro, o fato de Lula não poder disputar as eleições de 2010 fortalece a importância do PT. “A relação do partido com o governo, que hoje se baseia na figura de Lula, terá de ser reconstruída sobre novas bases.”

Veja o vídeo: da entrevista no Blog do Krieger

“Não há uma candidatura”

Na entrevista ao Correio, Tarso Genro esforçou-se para não parecer um adversário da ministra da Casa Civil. Elogiou Dilma Rousseff e disse estar disposto a apoiá-la se ela for a candidata à sucessão de Lula. Mas o ministro da Justiça deixou claro que não considera resolvida a questão da candidatura governista. “Não há porque dizer que não existem outras possibilidades além da ministra Dilma”, diz.

Ao mesmo tempo em que promete seguir as orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso diz que não há nenhuma indicação de que ele já tenha optado por Dilma. “Até hoje, não há nenhuma manifestação do presidente em relação a isso. As pessoas dão como certo que há uma candidatura em movimento. Não há. O que existe é uma pessoa que se destaca (Dilma), tem o acolhimento de todos nós e é uma das possibilidades. No momento adequado, o presidente vai nos dar uma orientação. Nós vamos seguir, mas isso não significa que não podemos opinar sobre o processo.”

Articulações

O ministro nega que tente “blindar” o PT contra a pré-candidatura de Dilma Rousseff. Argumenta, no entanto, que o partido precisa participar das articulações. “A candidatura Dilma sequer foi colocada de maneira formal dentro do partido ou dentro do governo.”

Embora freqüente as listas de presidenciáveis petistas, Tarso descarta. “Não me considero uma possibilidade como candidato”, diz. Ele avalia que comprou brigas internas demais ao liderar a formação da corrente Mensagem ao Partido, que disputou a direção petista.

03/06/2008 - 12:08h “Não há grupo algum”, diz Dulci

L'image “http://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/easygallery/thumbs/227/1196183697_congresso-06.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Ministro Tarso Genrohttp://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/easygallery/thumbs/227/1196183478_congresso-04.jpg

VALOR

Ao contrário do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento) não distingue uma “era pós-Lula” ao final do segundo mandato do presidente. O que o PT deve discutir, em sua opinião, é como consolidar e ampliar as conquistas sociais do governo, que ainda tem dois anos e meio pela frente.

Um problema com o avião que o traria de volta de El Salvador, onde esteve com Lula na semana passada, impediu Patrus de participar da reunião do Diretório Nacional do PT que discutiu a situação da eleição para prefeito de Belo Horizonte. O ministro é contrário à aliança que o prefeito Fernando Pimentel negociou com o PSDB de Aécio.

Como Pimentel é correligionário declarado da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a presidente, os petistas que se opõem à aliança tucano-petista em Belo Horizonte foram logo carimbados de “anti-Dilma”. E relacionado ao grupo que Tarso Genro (Justiça) tenta articular para construir um novo campo hegemônico no PT.

Além de Patrus, o ministro Tarso Genro incluiu dois outros palacianos no grupo: Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Marco Aurélio Garcia, o assessor de assuntos internacionais de Lula. Genro estava em férias, andou por Porto Alegre, Buenos Aires e hoje deve estar em Brasília. Vai se deparar com o olhar enviesado de ministros. Se for o caso, Dulci talvez faça uma cobrança pública sobre o tal grupo: “Não há grupo algum”, diz.

Os petistas estão intrigados com o anúncio feito por Genro da criação de um novo campo hegemônico no PT, do qual participariam os ministros mencionados, e com o desdém com que tratou a eventual candidatura de Dilma.

Das duas, uma: ou Genro quer chamar a atenção de Dilma para alguma questão estadual ou se convenceu de que a união de interesses temporária dos grupos a Mensagem e Construindo um novo Brasil, na eleição do Diretório Nacional, sirva para assentar as bases de uma nova maioria no PT.

Patrus tem boa relação com Dilma, e pode apoiar sua candidata em 2010. O ministro também é lembrado para a disputa presidencial, especialmente por comandar o maior programa social do governo, o Bolsa Família, mas tem no governo de Minas Gerais o desdobramento mais provável de sua carreira política. Nisso, Pimentel é seu concorrente direto.

Olhares enviesados esperam Tarso Genro

http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed81/images/debate005.jpgO que Patrus considera muito prematura é a discussão sobre a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, quando faltam ainda dois anos e meio de mandato.

“Estamos olhando muito para 2010 e esquecendo o município”, dizia o ministro na sexta-feira, ainda em El Salvador enquanto refazia seu roteiro de viagem para ir se encontrar com Lula em Roma. O ministro reconhece que tem discutido questões partidárias, ido a fundo na questão de Belo Horizonte, mas decididamente não acha hora de falar de 2010.

Segundo Patrus Ananias, “os temas devem ser discutidos no seu tempo próprio”, como a “integração do econômico com o social, consolidando um mercado interno no pais. A integração das políticas sociais, o controle da inflação para nós é essencial. Essa é a discussão nos encontros que temos tido”, afirma o ministro do Desenvolvimento. A sucessão presidencial é definitivamente um assunto prematuro”.

Patrus conta que o seu “compromisso com o presidente da República é o da integração positiva, em como consolidar e ampliar conquistas sociais do governo Lula”.

“O PT não é um fim em si mesmo, mas um instrumento a serviço do povo brasileiro, muito importante para a consolidação de um projeto nacional”, argumenta. “É preciso discutir a sua responsabilidade no momento em que estamos vivendo. Não vejo uma era pós-Lula, mas de consolidação progressiva de um governo histórico”.

A ligação normal de Dulci seria com o conterrâneo Patrus , mas na hipótese de não haver nenhum candidato natural, tende a optar pelo que chama de “perfil novo”, ou seja, Dilma Rousseff. Na falta do “candidato natural”, Dulci acha que Lula deve assumir a coordenação da própria sucessão, no que está de acordo Ananias.

O PT espera ser ouvido por Lula, os ministros dizem que é isso o que Lula quer fazer, e - todos - que Genro articule a maioria que puder, mas sem envolver artificialmente terceiros.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

19/02/2008 - 07:51h Rumo a 2010

lulacristo.jpg

Merval Pereira

O Globo 

Só há uma má notícia para o presidente Lula na nova rodada de pesquisas do Instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes: o governo não tem um candidato que consiga representálo. Ia escrevendo substituí-lo, mas isso não é de agora que parece impossível de acontecer. O PT mesmo nunca teve um outro candidato viável que não fosse Lula, mesmo para perder e continuar viável.

Com um formidável taxa de aprovação pessoal de 66,8%, e em ascensão no segundo mandato, Lula vai confirmando que é um fenômeno político e, mesmo não podendo se candidatar novamente, recebe, em votação espontânea, 18,6% dos votos, enquanto o governador de São Paulo, José Serra, que é o mais bem colocado dos candidatos à sua sucessão, tem apenas 5,1%.

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17/12/2007 - 13:43h Ricardo Berzoini é reeleito presidente nacional do PT para o biênio 2008/2009



Com 62% dos votos ( o resultado é aproximado) Ricardo Berzoini foi eleito presidente nacional do PT. Jilmar Tatto obteve 38% e já cumprimentou o novo presidente, reconhecendo assim os resultados.

Ricardo Berzoini teve o apoio nas urnas do grupo de Tarso Genro (no primeiro turno Berzoini obteve 43% e o grupo de Tarso e Cardoso 19%). Jilmar Tatto obteve o apoio da corrente de Valter Pomar (no primeiro turno Tatto teve 20% e o grupo de Pomar 12%)
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17/12/2007 - 13:00h Ricardo Berzoini é reeleito presidente nacional do PT para o biênio 2008/2009


Com 62% dos votos ( o resultado é aproximado) Ricardo Berzoini foi eleito presidente nacional do PT. Jilmar Tatto obteve 38% e já cumprimentou o novo presidente, reconhecendo assim os resultados.

Ricardo Berzoini teve o apoio nas urnas do grupo de Tarso Genro (no primeiro turno Berzoini obteve 43% e o grupo de Tarso e Cardoso 19%). Jilmar Tatto obteve o apoio da corrente de Valter Pomar (no primeiro turno Tatto teve 20% e o grupo de Pomar 12%)

Mesmo com menor participação no segundo turno em relação ao primeiro, a realização do PED, nome da escolha pelos filiados das suas direções, foi um triunfo para o PT pois a participação no processo mostrou uma vitalidade muito acima do que a mídia esperava, tendo participado mais filiados que na eleição anterior em 2006.

O debate interno, por sua vez, mostrou que longe do “internismo” ou da guerra intestina, o PT soube levar a discussão, mesmo com insuficiências, para o terreno das relações governo-partido, 2008 e 2010, política de alianças e programa.

Isto foi facilitado pelo processo de convergência manifestado pelas diferentes correntes internas, com destaque para a postura do grupo de Tarso Genro que mostrou sua capacidade para se unir ao antigo campo majoritário, do qual em aparência era seu crítico feroz.

Mas, fundamentalmente, porque os dois candidatos do segundo turno representam correntes majoritariamente identificadas com a política implementada pelo governo federal, não só no que concerne seus projetos sociais, mas essencialmente com a política econômica implementada desde 2003, as alianças decorrentes da governabilidade e uma maior combatividade em relação aos adversários da oposição.

A eleição do presidente após o segundo turno, ao mesmo tempo que assegura uma representatividade ao eleito, pois permite um voto majoritário, confirmou um reequilíbrio de forças e mudanças nas composições partidárias. Isto pode permitir a construção de novos consensos majoritários no PT dando maior peso ao partido em seu conjunto, tanto em relação ao governo, como em relação aos seus aliados.

O presidente Lula, Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, saem deste processo fortalecidos e o PT em melhores condições de unidade para enfrentar as eleições municipais de 2008.

Luis Favre