03/11/2009 - 18:41h Cheios da Lua Branca? ou é por delito de opinião?

Luiz González

Setores do PSDB pedem cabeça de marqueteiro de Serra

NATUZA NERY da Reuters, em Brasília

O PSDB ainda não definiu seu candidato para a corrida eleitoral de 2010, mas ninhos tucanos já começaram a tramar contra Luiz González, marqueteiro de confiança do governador José Serra.

O pré-candidato teria sido cobrado por aliados a dispensar os futuros serviços de seu estrategista, disseram duas altas fontes do partido, caso decida disputar a sucessão.

Há diversos argumentos na mesa contra González, todos eles já verbalizados em conversas com o governador, resistente à ofensiva. Eis os principais: é centralizador, ignora as sugestões de políticos e, o mais grave, “não entende do resto do Brasil”. Procurado, ele não quis fazer comentários.

O fato é que González conseguiu elevado índice de sucesso em eleições paulistas. Não conseguiu eleger Geraldo Alckmin presidente em 2006, mas fez as campanhas vitoriosas de Serra ao Senado, à prefeitura de São Paulo e ao governo paulista.

Também coordenou a operação publicitária que elegeu o então desconhecido Gilberto Kassab ao comando da cidade de São Paulo, em 2008. Sua empresa, a agência Lua Branca, detém os contratos dos dois Executivos e um histórico bem-sucedido na relação com o PSDB paulista.

“Numa campanha majoritária, o marqueteiro não é tudo, mas é quase tudo. Não podemos errar”, disse o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), aconselhando uma escolha meticulosa.

“A Executiva Nacional e o candidato a presidente precisam escolher um profissional de marketing que entenda de Brasil como um todo, que o discurso feito para o Nordeste seja comum aos discursos do Sul e Sudeste”, acrescentou o deputado, envolvido nas discussões sobre a sucessão dentro da legenda.

A insatisfação não é nova, remonta à derrota do partido pelo PT na campanha nacional passada.

“Não ouve ninguém, não entende de Brasil. Há uma insatisfação geral no PSDB. Só o Serra gosta dele”, disse um senador tucano sob compromisso do anonimato.

Recentemente, o incômodo transformou-se em pressão por sua saída.

Em uma ruidosa entrevista ao jornal “Valor Econômico”, González reclamou da desarticulação de políticos tucanos para contra-atacar o governo na disputa presidencial de 2006, citando nominalmente o atual presidente da sigla, senador Sérgio Guerra (PE), na época coordenador-geral da campanha do candidato Geraldo Alckmin, e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), então no comando do partido e de quem seria suposto desafeto.

Fogo amigo

O chamado “fogo amigo” dá-se a um ano das eleições e antes mesmo de o PSDB definir quem será seu candidato em 2010, se o próprio Serra –franco favorito nas pesquisas– ou o governador de Minas, Aécio Neves.

Enquanto o clima ameaça atingir estado de fervura no flanco oposicionista, o lado adversário se mobiliza de olho em 2010 com desenvoltura. Nela, João Santana, o mesmo que trabalhou na campanha pela reeleição de Lula, já foi escolhido o estrategista da pré-candidata Dilma Rousseff.

O PT ainda acabou de contratar a empresa de Ben Self, o homem que fez a revolucionária campanha de internet para Barack Obama.

“Esta campanha vai ser muito difícil. O objetivo do PSDB não é ganhar São Paulo, é ganhar o Brasil”, alertou a deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO).

“Gostaria de ter certeza de que o González tem compreensão das diferenças existentes no Brasil”, completou.

Já Tasso Jereissati não quis falar da suposta pressão. Ofereceu-se, porém, a dar a receita de um bom marqueteiro: “Tem que ser humilde, aceitar críticas. Tem que conhecer muito bem o Brasil, a psicologia do eleitor, que é muito diferente entre as regiões do país.”

“É preciso que ele saiba como trabalhar essas diferenças (regionais) e cobrar barato”, completou.

Sobre o valor da campanha, porém, nenhum tucano se aventurou a revelar, nem mesmo em confidência.

(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

01/10/2009 - 12:26h Jereissati (PSDB) faz coro às críticas das petroleiras privadas contra a exclusividade de operação da Petrobrás

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‘Pré-sal virou questão entre nacionalistas e entreguistas’

Tasso Jereissati critica o modo como o governo politizou o debate sobre as regras de exploração

O Estado SP

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sinalizou ontem que é hora de a oposição subir o tom em relação às propostas para o novo marco regulatório do pré-sal. Em sua apresentação no Debate Estadão “O Futuro do Pré-Sal”, Jereissati fez coro às críticas das petroleiras privadas contra a exclusividade de operação da Petrobrás e alertou para riscos a outros setores da indústria. Também presente no encontro, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, voltou a defender o papel proposto pelo governo para a companhia.

Indagado sobre a atitude pouco incisiva da oposição após a apresentação dos projetos de lei, Jereissati disse que o governo criou um clima ideológico desfavorável a críticas. “A questão foi colocada de forma muito emotiva, como disputa entre nacionalistas e entreguistas. A oposição quer colocar o debate um pouco mais no chão, para que possa ser feito com maior clareza. Não queremos levar a discussão para o “somos contra porque somos contra”.”

A crítica de Jereissati encontrou eco no governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, do governista PMDB. Para ele, o debate está sendo feito de maneira “açodada” e com forte componente eleitoral. A oposição e as petroleiras privadas, porém, já conseguiram uma vitória, com a retirada do pedido de urgência na tramitação dos projetos.

Ontem, o senador disse que a estratégia de nacionalização de equipamentos corre o risco de repetir medidas que fracassaram no passado, citando como exemplo a reserva de mercado para a informática. O risco, disse, é que a falta de competição beneficie empresas ineficientes.

O presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, alertou ainda para a necessidade de troca de experiências, que pode levar ao desenvolvimento de novas tecnologias.

“A presença de diferentes operadoras é fundamental para o desenvolvimento da tecnologia. Muita coisa do que foi introduzido na exploração do petróleo no Brasil veio do exterior”, concordou o consultor Wagner Freire, diretor da Petrobrás na década de 70. O IBP ainda espera derrubar a medida no Congresso.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse esta semana, porém, que o governo não abre mão de ceder a operação para a Petrobrás. Gabrielli argumentou que a companhia ganha vantagens como a otimização de infraestrutura de produção e dos recursos financeiros para os projetos, além de garantir a aplicação de uma política de conteúdo nacional que beneficie o País. “Ser operador único não quer dizer ser única empresa. Os sócios não serão afastados.”

Gabrielli afirmou ainda que não há prejuízos para a estatal, que já é acostumada a trabalhar com áreas exploratórias de portes variados. Ele reforçou que a mudança de modelo é necessária, dado o baixo risco do pré-sal. “É uma nova realidade: temos tecnologia, acesso a capitais internacionais e grandes reservas”, disse, comparando o momento atual com a elaboração da lei 9478, que pôs fim ao monopólio estatal.

28/07/2009 - 12:51h A falta que faz o “Sacro Colégio”

Colunista

Raymundo Costa – VALOR

A uma semana do fim do recesso, a crise do Senado continua tão ou mais grave do que antes. E o que é pior: não há ninguém à mão com autoridade política para negociar uma saída institucional satisfatória. Para o Senado e para a opinião pública. Enfraquecido, o atual Congresso está sob suspeição para tratar de assuntos que vão afetar as próximas gerações de brasileiros. A regulamentação da exploração das reservas do pré-sal, para citar apenas um exemplo.

A crise do Senado já seria ruim em si mesma, se não houvesse suspeita pior: a de que ela também está sendo manipulada por setores do Executivo e do PT para minar a candidatura da ministra Dilma Roussseff (Casa Civil) a presidente da República. Independente do mérito das denúncias contra o senador José Sarney, é fato que misturaram-se a crise do Senado e a sucessão presidencial de 2010.

É essa urdidura que explica que no Senado oposição – na guerra para reconquistar o poder perdido em 2002 – e governistas, esquerda e direita históricos, estejam taticamente do mesmo lado. Não é à toa que a oposição cobra a demissão de Tarso Genro, pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, do ministério que manda na Polícia Federal (Justiça).

As acusações contra Sarney ocorrem na sequência do escândalo em que envolveu o presidente anterior, Renan Calheiros, enredado numa trama de best-seller com sexo e dinheiro, política e poder. Renan, por seu turno, entrou em cartaz depois dos “Aloprados”, pastelão que nem de perto alcançou o sucesso e a bilheteria do “Mensalão”.

Estar no Congresso hoje virou demérito. Veja-se a frase do senador Tasso Jereissati à revista Época, edição que está nas bancas: “Às vezes, eu sinto vergonha de ser senador”. O senador José Sarney sem dúvida “se apequenou”, como afirma Tasso à revista. Era ele quem sempre mencionava o “Sacro Colégio de Cardeais”, um grupo de parlamentares de vários partidos que, por sua experiência e responsabilidade, como contou em livro o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, teria uma visão institucional – na hora das crises, era a eles que se devia apelar. O “Sacro Colégio” não há mais.

Era gente como Paulo Brossard, Roberto Campos, Tancredo Neves, Jarbas Passarinho, Delfim Netto (quando o tremor de terra era na economia), o próprio Sarney e – indo um pouco mais atrás – Afonso Arinos, para citar apenas alguns nomes.

No Congresso todo podia-se contar uns 50 parlamentares com essa visão institucional acima dos partidos e sectarismos políticos. Sem saudosismos: o radicalismo, o jogo da sobrevivência eleitoral e o patrimonialismo são hoje a regra e contaminam as relações do atual Congresso.

O dr. Ulysses, como era chamado o deputado Ulysses Guimarães, presidente do ex-MDB e do PMDB, um dos cardeais mais influentes do “Sacro Colégio” na ditadura e na redemocratização, costumava dizer que uma Legislatura era sempre melhor que a anterior e pior que a próxima (ele falava ‘Congresso’). Muito bom como frase de efeito, provavelmente um exagero, mas desconcertantemente atual, quando se vê o Senado emparedado com as denúncias contra Sarney.

Os cardeais que pontificam a atual crise parecem mais preocupados com os holofotes da TV Senado, quando não estão eles próprios devendo explicação a seus eleitores sobre a extensão do envolvimento de cada um na crise.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-candidato a presidente da República, nome acima de suspeitas e educador respeitado, já conseguiu armar uma confusão que levou a uma discussão sobre o fechamento do Senado – tese, aliás, da corrente no PT do ministro que chefia a PF. Mas Cristovam Buarque também estava na lista dos favores de Agaciel Maia, o ex-todo-poderoso diretor do Senado.

O mesmo aconteceu com Artur Virgílio (AM), o líder do PSDB e o “ético” Pedro Simon (RS). Jereissati, que fez um governo premiado no Ceará, anda, também jogado na roda de moer da crise, anda enfurecido, quando poderia ser uma voz de equilíbrio.

O líder do Democratas (DEM), José Agripino, ficou repetitivo. E Eduardo Suplicy (PT-SP)? Tem razão Lula, o grande sustentáculo do presidente José Sarney: como é que ele ficou mais de 18 anos no Senado – está no 3º mandado – e não viu nada?

O comportamento errático da bancada do PT no Senado confunde mais do que explica a situação dos partidos na crise. Tendo o senador Aloizio Mercadante (SP) à frente, petistas querem o afastamento de Sarney do cargo. Nisso, estão juntinhos com o Democratas e PSDB, seus adversários na disputa de 2010. O DEM votou declaradamente em Sarney para presidente do Senado; o PSDB, contra. Assim como o PT.

Nem todos os senadores do PT defendem essa posição. Mas, pelo menos até agora, todos foram obrigados a engolir o apoio irrestrito que o presidente Lula deu a José Sarney, aliado de primeira hora de seu governo.

O apoio de Lula a Sarney é registrado nos partidos como resultado de um acordo para o apoio formal do PMDB a Dilma Rousseff nas eleições de 2010. Daí a ofensiva da oposição contra o presidente do Senado, na esperança de dividir os pemedebistas e eles fiquem sem candidato na sucessão presidencial do próximo ano.

Os ataques do PT a Sarney têm o mesmo efeito: enfraquecem a ala mais dilmista do partido (a bancada dos senadores) e também contribuem para que os pemedebistas cheguem rachados à eleição.

Sem porta de emergência, os senadores assistem passivos o esgarçamento das instituições: o Executivo é um poder de um escaninho só, apenas Lula fala; o Congresso está de joelhos, com o presidente do Senado pendurado na corda bamba do que Lula diz, e o Judiciário, quando extrapola sua função para além de interpretar a Constituição.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br

26/04/2008 - 10:06h Breves de fundo

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Tasso Jereissati(PSDB-CE):

“Agora é que temos que ter candidato mesmo.

Afinal, o PSDB surgiu para combater o Quercia”

Monica Bergamo – Folha de São Paulo

Alckmin será o anti-Quércia

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) abre fogo contra a possibilidade de Geraldo Alckmin (PSDB-SP) desistir da candidatura a prefeito de SP depois que o PMDB de Orestes Quércia aderiu à candidatura de Gilberto Kassab (DEM-SP) à prefeitura -num acordo em que dez entre dez tucanos vêem o dedo de José Serra. “Agora é que devemos ter candidato mesmo. Afinal, o PSDB surgiu para combater o Quércia”, diz Tasso.

TODOS POR UM
Caso Alckmin mantenha a candidatura, o PSDB deve mobilizar seus caciques para prestigiarem o lançamento da candidatura do ex-governador à prefeitura. Do Ceará deve vir Tasso; de Pernambuco, Sérgio Guerra; de Minas, Aécio Neves. “E Serra será, claro, nosso convidado especial”, diz um “alckmista”, cheio de ironia. A festa deve ser marcada para o dia 16.

OUTRO LADO
Em tempo: Serra tem afirmado que não participou do acordo Kassab-PMDB. Ele admite que conversou com Quércia. Mas “não sobre esse assunto”.

Ancelmo Gois – O Globo

A piada de Serra

Para quem acha que José Serra não tem senso de humor.
O governador paulista se eximiu de qualquer responsabilidade por articulações políticas que levaram o PMDB de Quércia a apoiar a reeleição de Gilberto Kassab.

Parece piada.

E é.

26/11/2007 - 08:05h O caixa 2, o Nordeste e o conselho que não darei a FHC


Blog de Alon

Qual será, para a eleição de presidente em 2010, o efeito da crise desencadeada pela denúncia do Procurador Geral da República contra os envolvidos no caixa 2 do então candidato à reeleição pelo PSDB ao governo de Minas Gerais em 1998, o hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB)? Muito provavelmente nenhum. Do mesmo modo que foi nulo na presidencial de 2006 o efeito da tempestade provocada pelas acusações de Roberto Jefferson em 2005, o “mensalão”. Servirá, entretanto, para infindáveis duelos verbais, midiáticos e mercadológicos entre petistas e tucanos. Mas, pelo menos num aspecto a nova denúncia tem utilidade: ela oferece um novo “gancho” jornalístico para recolocar na agenda a “pauta ética”. Aliás, a convenção tucana foi prenhe de discursos destinados a reanimar essa cambaleante agenda. Segundo o site do PSDB,

Ao transmitir o cargo de presidente do PSDB nesta sexta-feira, o senador Tasso Jereissati (CE) afirmou que a democracia e os valores éticos e morais da nação estão em risco. “Todo o trabalho de trazer a ética para vida pública, de colocar a democracia como valor fundamental da nação, está em risco. O governo Lula é a principal fonte de destruição desses valores”, alertou. Para o tucano, a impunidade que marca a gestão petista passou à população a impressão de que “roubar é normal”. “Nosso papel hoje é dizer não: corrupção não é normal, falta de ética não é normal. O coração de uma sociedade são seus valores éticos e morais. Temos de dizer um basta a essa crise”, argumentou.

Clique aqui para ler a reportagem completa sobre a fala de Tasso no encontro tucano. O observador que não sofre de amnésia, porém, lembra-se de que poucas semanas atrás o então presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, participava de uma tentativa de acordo com o governo Luiz Inácio Lula da Silva para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A CPMF, se prorrogada, dará ao governo federal cerca de R$120 bi até o fim deste mandato de Lula. Se o senador achasse mesmo que o governo Lula é “a principal fonte de destruição” dos “valores éticos e morais da nação” certamente nem cogitaria de dar ao presidente essa gordura orçamentária para gastar. Ou então o senador só chegou a essas conclusões sobre o governo Lula depois que micou o acordo com o Executivo petista. Mas Tasso Jereissati não está sozinho no nonsense. O novo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também bateu duro durante o evento tucano. Segundo o site do PSDB,

Guerra afirmou que o país precisa de governo transparente, “sem donos”, “sem aloprados” e “sem montanhas de dinheiro”. O tucano se referiu aos escândalos de corrupção na administração petista. “Lula esqueceu o Nordeste, os trabalhadores, o povo e se tornou instrumento do populismo e das elites”, rechaçou.

Clique aqui para ler a reportagem completa. Chamou especialmente minha atenção a frase “Lula esqueceu o Nordeste”. Por diversas razões. A mais vistosa delas é que Lula deu uma lavada no tucano Geraldo Alckmin ano passado em Pernambuco, estado de Guerra. Lembremos do resultado do segundo turno no estado:

Lula – 3.260.996 votos (78,5%)
Alckmin – 894.062 votos (21,5%)

No primeiro turno tinha sido assim:

Lula – 2.993.618 votos (70,9%)
Alckmin – 964.730 votos (22,8%)

Mas o eleitor sempre pode se enganar, não é? Com base nessa precaução, fui pesquisar um pouco para saber o que de fato se passa na região do país representada pelo novo presidente do PSDB. E encontrei o estudo Ambiente de negócios – região Nordesde (2007), da consultoria Deloitte. O texto é dirigido a potenciais investidores. Empresários, como o senador Sérgio Guerra. Vale a pena fazer o download. Diz o relatório que

As atividades consideradas tradicionais na região, como os setores de serviços e de turismo, além das indústrias têxtil, sucroalcooleira e de alimentos e bebidas, têm continuado a receber investimentos. Entretanto, outra realidade transforma a economia nordestina, tornando-a mais atrativa, seja pela clara diversidade industrial, como também pelo crescimento significativo da indústria petroquímica, do comércio de bens de consumo, das atividades de comércio exterior e das oportunidades de investimentos em áreas como a de biocombustíveis.

Diz também que

Vários fatores contribuíram para impulsionar a região nos últimos anos. O contexto macroeconômico estável, a proximidade de fontes de matérias-primas, a média salarial praticada e a disponibilidade de incentivos fiscais têm contribuído para a atração de investimentos estrangeiros e a migração de indústrias de outras regiões do País. Além disso, agrega-se a melhora na infra-estrutura portuária, estimulando a competitividade das empresas locais e facilitando o escoamento da produção para destinos internacionais.

O estudo traz um gráfico sobre o crescimento industrial nordestino em 2006 (clique na imagem para ampliar):

Vai bem Pernamuco no governo Lula. Aliás, a região toda vem ampliando fortemente na última década sua participação no produto industrial. Veja o gráfico abaixo, do mesmo estudo (clique para ampliar):

E tome otimismo:

(…) os indicadores econômicos refletem o crescente dinamismo da Região Nordeste na atração de novos investimentos. Segundo dados do Banco do Nordeste (BNB), os investimentos privados financiados pela instituição passaram de R$ 300 milhões em 2001 para mais de R$ 3 bilhões em 2006. No mesmo período, as liberações de recursos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Região passaram de R$ 3,3 bilhões para R$ 4,8 bilhões. Somente no último ano, os financiamentos destinados para o Nordeste registraram um crescimento de 27%, superior ao incremento de 9% nas liberações totais da instituição de fomento. Entre os setores mais dinâmicos, destacam-se os de turismo, petroquímico, comércio de bens de consumo, construção civil e agroindústria, principalmente na fruticultura e na produção do biocombustível. Além dos investimentos privados, adiciona-se o investimento público previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo Governo Federal no início de 2007. O PAC, que prevê investimentos em infra-estrutura da ordem de R$ 503,9 bilhões em todo o Brasil, destinará R$ 80,4 bilhões ao Nordeste (aproximadamente 16%), que se apresenta como a segunda região mais beneficiada, após o Sudeste.

Outra informação interessante do relatório é que no governo Lula a região Nordeste deixou de ser importadora e passou a exportadora. Veja o gráfico abaixo (clique para ampliar):


E como esse impulso exportador se dá?

O incremento no valor das exportações regionais está relacionado, principalmente, à mudança no mix de produtos, com maior participação daqueles de valor agregado mais elevado. Os dados reforçam as mudanças estruturais ocorridas no perfil da produção industrial nos últimos anos, resultando no incremento da participação de produtos industrializados, tais como os dos setores automotivo, petroquímico, papel e celulose, siderúrgico, calçadista, têxtil e veículos. Destacam-se, também, os produtos básicos, como soja e fruticultura, com ênfase nas indústrias do agronegócio localizadas no Vale do São Francisco (Bahia e Pernambuco).

Não vou tomar mais tempo de vocês. Quem quiser, que leia o relatório. Este post começou com uma divagação sobre escândalos e seguiu mostrando o contraste brutal entre a realidade do Nordeste e como a descreve o novo presidente do PSDB. Mas não poderia deixar de comentar também a referência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à falta de educação formal do sucessor. FHC jamais deveria fazer esse tipo de crítica a Lula. Pois o governo Lula é melhor do que foi o governo FHC. Se o sujeito com menos instrução faz o mesmo trabalho mais bem feito do que o sujeito com mais instrução, o mérito é do menos instruído, e não do mais instruído. Parece lógico. Quando FHC desdenha da educação formal de Lula, apenas reforça a idéia de que ele próprio, FHC, poderia ter feito algo mais quando esteve no Palácio do Planalto. O ex-presidente deveria achar outro mote para insuflar a galera dele. Alguém deveria dizer isso a FHC. Mas não serei eu. Pois eu confesso que ando cada vez menos propenso a gastar tempo com conversas de políticos que não encontram eco na realidade. Ou a desperdiçar energia com operações midiáticas para as quais, afinal, o povo não está nem aí.

05/11/2007 - 09:57h Vôo acima de um ninho de tucanos

Dividido, PSDB cogita adiar decisão sobre a CPMF


Negociação com o governo opõe base e

cúpula do partido

Em meio à confusão,

líderes tentam ‘restaurar’ a unidade

Tasso e Virgílio equilibram-se entre o governo e a unidade da bancada tucana

O PSDB marcou para as 19h desta terça-feira (6) uma reunião de sua Executiva Nacional. Em tese, o encontro serviria para que o partido decidisse, finalmente, se votará contra ou a favor da emenda da CPMF, pendente de apreciação no Senado. Diálogos reservados travados no final de semana, porém, consolidaram o risco de o partido optar por uma terceira hipótese: a de decidir não decidir. Para ganhar tempo, o tucanato faria uma contraproposta à proposta formulada pelo governo.

Há escassas duas semanas da realização do Congresso partidário em que pretende aprovar um novo ideário e renovar a sua direção nacional, o PSDB vive uma crise de identidade. A grossa maioria dos deputados e senadores tucanos deseja reforçar a linha de oposição a Lula. Em sentido inverso, parte da cúpula da legenda esforça-se para fechar um acordo com o governo. No centro da arenga, estão os interesses dos governadores tucanos, em especial José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas).

Um diálogo mantido na última quinta-feira (1) entre Guido Mantega e o senador Arthur Virgílio (AM) ilustra a encalacrada em que se meteu o PSDB. O ministro da Fazenda acabara de expor ao grão-tucanato a proposta do governo para granjear votos a favor da emenda da CPMF. O líder tucano no Senado cobrou o detalhamento da proposição. Queria números. Mantega mostrou-se receptivo: “Entendo, vocês querem segurança para negociar.” E Virgílio: “Não, precisamos de segurança para não apanhar da bancada”.

A despeito dos risos que se seguiram à observação de Virgílio, não são negligenciáveis os riscos de que o PSDB saia desunido das negociações com o governo. Na Câmara, o partido votou em peso contra a CPMF. De uma bancada de 57 tucanos, o único a dissentir foi Manoel Salviano (PSDB-CE). No Senado, entre oito e nove dos 13 tucanos pendem para a rejeição à CPMF.

A iminência de uma conflagração do partido levou o senador Sérgio Guerra (PE), escalado para presidir o PSDB a partir de 23 de novembro, a adotar posição mais cautelosa que a de Virgílio e a de Tasso Jereissati, atual presidente do PSDB. Para Guerra, a prioridade é a unidade do partido, não o acordo com o governo. Neste domingo (4), em diálogo reservado, Guerra disse: “Ainda que a gente chegue a um acordo muito bom com o governo, se esse acordo levar à divisão do partido, será um acordo péssimo para o PSDB.”

Sérgio Guerra diz, em privado, que não se sente “obrigado” a tomar uma decisão nesta terça-feira. Afirma que quem deve preocupar-se com o tempo é o governo, não o tucanato. Deflagrou uma articulação para preparar a reunião da Executiva. Acha que não se deve chegar a um encontro de tamanha importância sem uma série de diálogos prévios que unifiquem o discurso do partido.

O próprio Arthur Virgílio, também em reserva, impõe uma condicionante à negociação com o governo: “Nosso limite é a nossa unidade”, diz ele. “Não vamos permitir que o partido saia dividido dessa negociação.” Virgílio procurou o deputado Antonio Palocci (PT-SP), para reforçar algo que já dissera a Mantega. “Vocês precisam nos ajudar a ajudar o governo”, disse o líder tucano ao ex-ministro da Fazenda de Lula.

Virgílio procurou deixar claro a Palocci que o governo precisa adensar a sua proposta com números expressivos. Do contrário, a cúpula tucana não teria nem argumentos nem razões objetivas para se contrapor à contrariedade de seus deputados e da maioria de seus senadores. Mantega prometeu para esta segunda-feira (5) o detalhamento da proposição oficial. Se o governo vier com o que Virgílio chama de “números de fancaria”, a tendência do PSDB seria a de encerrar a negociação. Se os números forem “consistentes”, o tucanato tenderia a formular uma contraproposta. O que retardaria a definição da bancada.

De todos os líderes tucanos, Tasso Jereissati é o que defende de maneira mais entusiástica a formalização de um acordo com o governo. Nos subterrâneos, deputados do PSDB insinuam que o presidente da legenda estaria acomodando interesses paroquiais acima das conveniências partidárias. Por esse raciocínio, os pendores governistas de Tasso estariam escorados no desejo do senador de arrancar de Lula a viabilização de uma ZPE (Zona de Processamento de Exportações) no Ceará.

As suspeitas dos deputados tucanos são tonificadas pela movimentação de Romero Jucá (PMDB-RR). Líder de Lula no Senado, Jucá empenha-se pela edição de uma medida provisória que atenda aos interesses de Tasso. Aprovada há quatro meses pelo Senado, a lei das ZPEs teve alguns de seus artigos vetados por Lula. Havia o compromisso do governo de editar uma MP restabelecendo nacos da lei que contemplariam interesses contrariados, entre eles os de Tasso. Algo que deve ocorrer nos próximos dias.

A mera vontade de Tasso não basta, porém, para converter em concórdia a contrariedade da maioria dos congressistas tucanos. Para desanuviar a legenda, governadores como Serra e Aécio terão de sair a campo. Segundo o raciocínio esgrimido privadamente por Sérgio Guerra e Arthur Virgílio, o posicionamento a ser adotado pelo PSDB na votação da CPMF, seja ele qual for, terá de ser referendado pela ampla maioria da legenda. Ou seja, quem quiser virar a opinião dos congressistas contrários à CPMF vai ter de arregaçar as mangas.

Serra e Aécio estão em campo. Não lograram, por ora, convencer nem mesmo a integralidade dos tucanos paulistas e mineiros. Daí o risco de que o partido opte por ganhar tempo, decidindo não decidir nesta terça-feira.

Escrito por Josias de Souza

03/10/2007 - 10:40h Mídia e PSDB: Chamen a Mafalda!


“Trabalho difícil o de ombudsman da Folha. Hoje ele se queixa de não ver uma mísera linha sobre o mensalão do PSDB. Amanhã ele estará servido. Vão publicar que Aécio ficou irritado e que Mares Guia é um abusado.”

Escrevi isto ontem e fui verificar hoje. A Folha traz uma matéria sobre Mares Guia e outra sobre a irritação de Aécio. Nenhuma palavra sobre a reunião de ontem da bancada dos senadores do PSDB e a decisão por eles tomada: silêncio sobre o mensalão tucano e Eduardo Azeredo.

Acontece que a decisão do PSDB não deveria, em princípio, concernir a atuação da mídia sobre o tema. Mais é aparentemente o que acontece.

Poderia se argüir para justificar os jornais de hoje que nada teve de relevante na reunião dos senadores do PSDB. Não parece ser está a opinião do jornalista Josias de Souza, da própria Folha, que no dia de ontem postou no seu blog o artigo que reproduzo aqui embaixo.

Você, leitor, julgará se a decisão tomada pelo PSDB não merece nenhum espaço nos jornais.

Hoje o ombudsman da Folha não publicará sua crítica diária. Os outros jornais não contam com está importante instituição. Eles devem pensar que tanto faz não ter ombudsman, visto que às orientações políticas dos jornais não se ajustam necessariamente ao ponto de vista de quem sela pelo equilíbrio e a objetividade do conteúdo jornalístico.

Quando penso na inanidade provocada pelas recomendações sobre o PSDB do ombudsman da Folha, me vem a memória um desenho da Mafalda.

A pequena personagem de Quino chegava com uma cadeirinha, subia nela e proclamava: de cima desta cadeira faço um apelo a paz mundial! Ato seguido descia e comentava: de qualquer jeito parece que minha cadeira, o Papa e a ONU têm o mesmo poder de convicção.

Vou dar uma cadeirinha para o ombudsman.

Luis Favre

PSDB reúne senadores e silencia sobre tucanoduto

Josias de Souza

O PSDB reuniu a bancada de senadores, nesta terça-feira (2), para discutir algo que o constrange. O nome do constrangimento é Eduardo Azeredo. Lero vai, lero vem, o partido o optou por enfrentar o inadmissível com o impensável. Decidiu silenciar.

“A gente vai aguardar a manifestação do procurador [Antonio Fernando de Souza] para se pronunciar”, disse Tasso Jeresissati (CE), presidente do PSDB. “Nós não sabemos qual o tipo de acusação, se é que tem, que vai ser feita ao senador.”

O tucanato tem o direito de aguardar o quanto quiser. Só não fica bem chamar a platéia de boba. O partido sabe muito bem do que Azeredo é acusado. O que não sabe, por ora, é como explicar inexplicável.

Logo que as primeiras denúncias do tucanoduto vieram à tona, nas pegadas do mensalão petista, em 2005, o PSDB protegera-se atrás do conveniente escudo do caixa dois. Admitira-se, então, que os tucanos de Minas bicaram valerianas de má procedência. Mas alegara-se que não ocultavam verbas públicas sob as asas.

O inquérito da Polícia Federal demonstrou o contrário. Pelo duto dos tucanos correram pelo menos R$ 5 milhões do erário mineiro. Vieram, segundo a polícia das arcas públicas da Cemig, da Copasa, do Bemge e da Comig.

Há dois anos, acomodado pela conjuntura no banco da CPI dos Correios, Azeredo saíra-se com uma desculpa à Lula: dissera que não sabia das malfeitorias praticadas à sombra de suas penas em 1998. Alegara que toda a responsabilidade de Cláudio Mourão, ex-gestor financeiro de sua campanha.

Graças à PF, veio à luz um detalhe que espanca a tese do desconhecimento: Azeredo bicou, em 1998, um empréstimo de R$ 511 mil atribuído a Walfrido dos Mares Guia, hoje coordenador político de Lula. Coisa de pai para filho. Nem Azeredo tem a pretensão de pagar nem Mares Guia planeja cobrar.

Dias atrás, sentindo-se isolado, Azeredo piou fora do tom. Disse que parte das verbas de má origem que irrigou o tucanoduto foi borrifada também no caixa da cruzada presidencial de FHC. Segundo ele, havia em Minas, “comitês [da campanha nacional] bancados pela minha campanha.” Enquadrado, Azeredo silenciou.

De silêncio em silêncio, o PSDB vai produzindo um barulho estrondoso. Calou dois anos atrás. Cala de novo agora. Quando decidir falar, será tarde, muito tarde, tardíssimo. Alguns já sentem, irritados, o prejuízo que a privação voluntária da voz proporciona.

Nesta terça, perguntou-se a Jereissati se a convivência com um senador sob suspeição não causa contrangimento. E ele: “Todo episódio como esse, num partido que prima pela ética contra um senador, que eu acredito ser sério e honesto, constrange. Mas nós vamos esperar a acusação.” Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 18h40 de ontem

30/09/2007 - 15:28h Pelados contra o shopping do Tasso Jereissati

Deu no site do Centro de Mídia Independente (endereço nos FAVORITOS):

“Dando continuidade a uma série de manifestações contra a construção de um estabelecimento comercial à beira do manguezal do Cocó, no dia 23 de Setembro, em Fortaleza, 6 manifestantes ficaram nus para protestar contra a construção da Torre do Iguatemi.

A nudez como forma de protesto foi organizada por membros da Frente Popular Ecológica, Bloco Verde e do Crítica Radical, na largada de uma maratona promovida pelo shopping com a cínica temática: “Iguatemi 25 anos preservando o meio ambiente”. As palavras de ordem não só dos pelados, como também dos manifestantes, logo foi repreendida pela ação dos seguranças. Resultado: faixas e megafones apreendidos, três dos seis ‘nudistas’ presos (dentre eles, um menor de idade), mas com a liberação na delegacia.

Atualmente a situação no entorno do mangue é grave: a obra segue em construção, existem três Ações Civis Públicas (do Ministério Público Federal e Estadual) contra a Torre, e não há sinal algum de revogação (exigência do movimento sócio-ambiental) da obra por parte da Prefeitura, cuja proposta é um referendo que perambula lentamente nos gabinetes e corredores da Câmara Municipal.

Fotos:: [Fortaleza-CE] Fotos da Corrida dos Peladões!

Video:: Video relato do ato dos pelados

por Tales Faria