28/04/2008 - 18:24h CNT/Sensus: Aprovação do governo ultrapassa índice de 2003. Maioria aprova nova candidatura de Lula
Pesquisa
O Globo
Rodrigo Vizeu - O Globo OnlineBRASÍLIA - Pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que maioria aprova uma mudança na Constituição para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa se candidatar a mais uma reeleição. O levantamento indica também um novo recorde de aprovação do governo Lula.
Segundo a pesquisa, 50,4% da população se dizem a favor de uma proposta que permitisse um terceiro mandato. O número de contrários à idéia é de 45,4%. Não souberam ou não responderam 4,3% dos entrevistados. Em entrevista concedida aos jornais do grupo Diários Associados e publicada no domingo o presidente voltou a condenar a idéia do terceiro mandato, dizendo que é “obsceno para a democracia”.
“ A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia “
Caso existisse a possibilidade um terceiro mandato, 51,1% dariam a vitória ao presidente Lula, enquanto 35,7% prefeririam o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em uma simulação de votos válidos, a vitória de Lula sobre Serra (58,8% contra 41,2%) seria menos ampla do que foi em 2002 (61,3% contra 38,7%) e em 2006, contra Geraldo Alckmin (60,8% a 39,2%).
Aprovação do governo sobe cinco pontos em relação a fevereiro
O governo do presidente Lula alcançou 57,5% de aprovação em abril, segundo a CNT/Sensus. A aprovação do governo Lula é cinco pontos acima do resultado de fevereiro, quando se registrou 52,7% de avaliação positiva, e mais alto mesmo que o antigo recorde de aprovação: 56,6%, em janeiro de 2003, mês da posse de Lula. Em relação a fevereiro de 2008, o índice de avaliação negativa caiu de 13,7% para 11,3% e o de regular foi de 32,5% a 29,6%.
A opinião positiva da população sobre o desempenho pessoal do presidente Lula também subiu, de 66,8% em fevereiro para 69,3% em abril. A desaprovação caiu de 28,6% para 26,1%.
- A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia, a geração de empregos. Há também os programas sociais. Ressaltamos ainda a boa e fácil comunicação do presidente, sintetizada na sigla PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Existe uma sensação de um governo eficiente. Existe a sensação de que o crescimento está ocorrendo por causa dessas obras - analisou o presidente da CNT, Clésio Andrade.
Serra lidera pesquisa de intenção de voto para 2010
A pesquisa também perguntou sobre as intenções de voto dos entrevistados para as eleições presidenciais de 2010. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estaria em primeiro lugar com 36,4%, em um dos cenários criados pela pesquisa. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) teria 16,9% dos votos, contra 11,7% da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e 6,2% da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).
Em uma hipótese em que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, seria o candidato tucano, Ciro lideraria com 23,5% das intenções de votos, contra 17,5% de Heloísa Helena, 16,4% de Aécio e 7% de Dilma. Caso o PSDB lançasse o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, Ciro continuaria na liderança, com 23,2%, contra 17,2% de Alckmin, 16,3% de Heloísa Helena e 7,6% de Dilma.
Em um último cenário, a CNT/Sensus trocou a candidata petista Dilma pelo ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), gestor do Bolsa Família. Neste caso, Serra seria o líder, com 34,2%, seguido de Ciro (17,8%), Heloísa (14,1%) e Patrus (3,8%).
No caso de um segundo turno, a CNT indicou os seguintes cenários: Serra venceria Dilma por 53,2% a 13,6%, Aécio derrotaria a ministra por 32,1% e 18,3%, Serra ficaria com 55,1% contra 8,2% de Patrus e Serra superaria Ciro por 43,7% contra 25,5%.
Dossiê: 51,2% têm conhecimento e 17,4% citam Dilma
A sondagem mostrou que 51,2% da população têm acompanhado ou ao menos ouviu falar do episódio do dossiê com gastos sobre o governo Fernando Henrique Cardoso. 36,4% desconhecem o caso. Dos que estão a par das denúncias, a maioria (21,1%) acredita que a principal responsabilidade da elaboração e divulgação do dossiê é de membros da CPI mista do Cartão Corporativo. A ministra Dilma é citada por 17,4% dos entrevistados. Em seguida aparecem assessores da ministra (13,1%), a instituição Casa Civil (9%) e a Secretaria-Geral da Presidência da República (8,3%).
O levantamento apontou que 57,9% dos entrevistados têm acompanhado ou ouviram falar dos trabalhos da CPI do Cartão. No entanto, 58,1% não acreditam que a comissão vai analisar de forma isenta as denúncias. A maior parte das pessoas (57,8%) defende que o Congresso apure as denúncias de mau uso do cartão tanto no governo do PT quando no do PSDB. 12,7% querem investigação apenas das contas petistas e 6,1% só na gestão tucana. Outros 12,2% são contra que o Congresso investigue as denúncias.
“ Mas é óbvio que a visibilidade dela (Dilma) influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada “
Chamou atenção que, em meio à crise do dossiê da Casa Civil sobre gastos do governo FH, a ministra Dilma Rousseff tenha melhorado seus índices em todos os cenários na pesquisa de intenção de voto. Apesar de o maior deles terem sido dentro da margem de erro da pesquisa, Dilma se destacou na hipótese de segundo turno com Aécio Neves, saltando de 14,5% em fevereiro para 18,3% em abril, e no embate com Serra, indo de 9,2% a 13,6%.
- Está na margem de erro, não é possível falar em crescimento. Mas é óbvio que a visibilidade dela influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada - afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade.
No caso da pesquisa espontânea, em que não é apresentado aos entrevistados uma lista de candidatos, o presidente Lula lidera com 29,4%. Serra tem 5%, seguido de Aécio (2,9%), Alckmin (2,4%), Heloísa (1,7%) e Ciro (1,5%). Somadas, as demais citações chegam a 3%.
O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes ressalta para o alto índice de pessoas que não souberam responder a pergunta, algo esperado a mais de dois anos da eleição, chegando a 44,5% no caso da pesquisa espontânea e 11,2% no cenário com Serra, Ciro, Heloísa e Dilma.
Dengue: para 43,2%, responsabilidade é da sociedade
Para 43,2% dos entrevistados, o surto de dengue é culpa da falta de atuação de toda a sociedade. A responsabilidade apenas dos moradores é apontada por 32,7% da população, seguido de prefeituras (7,7%), Ministério da Saúde (7,6%) e governos estaduais (4,3%). Para 2,8%, a situação não tem culpados, já que os fatores que levaram ao aumento de casos doença seriam naturais.
Caso Isabella é de conhecimento de 98,2%A pesquisa indica ainda que 98,2% da população brasileira tem conhecimento do assassinato da menina Isabella Nardoni, ocorrido no final de março. Apenas 1,2% afirmaram desconhecer o episódio, contra 0,7% que não soube ou não quis responder. Segundo Ricardo Guedes, pesquisador do Instituto Sensus, esse foi o maior índice de conhecimento sobre algum assunto já registrado na série de pesquisas CNT/Sensus, iniciada em 1998.
Para 71,8% dos entrevistados, a mídia tem acompanhado o caso de forma adequada e com competência. Outros 24,3% acreditam que a cobertura noticiosa tem sido feita de forma inadequada ou incompetente.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril e entrevistou 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados do país, em todas as cinco regiões. A margem de erro é de três pontos percentuais.







