02/09/2008 - 09:50h Folha põe em dúvida dinheiro da União para Marta investir no metrô
O jornal Folha de São Paulo requenta críticas à proposta de Marta sobre metrô feitas pelo jornal em julho passado. A matéria de hoje retoma os questionamentos que o jornal fez em 1/7/2008, quando o PT lançou seu ante-projeto de programa para as eleições.
Naquele momento o eixo do ataque da Folha era que “Marta usava verbas de Lula para obras no metrô”. No meu post daquele dia comentei:
“De contrabando a Folha procura desconsiderar o plano elaborado para o transporte público na cidade. O faz com uma curiosa acusação: o plano conta com verbas do governo Lula ainda não aprovadas. Poderíamos acrescentar que o plano de transporte para a cidade conta inclusive com verbas do governo estadual e municipal, que ainda não foram aprovadas.”
Hoje novamente a Folha volta ao assunto. Apresenta o orçamento federal em fase de discussão no congresso para tentar desmentir a participação da União nos investimentos que Marta propõe para o metrô de São Paulo.
Está questão já tinha sido evocada pela Ministra Dilma Roussef nas próprias páginas da Folha na ocasião da sua participação, junto com Marta, do seminário sobre mobilidade urbana organizado pelo PT:
“Ela (Dilma) disse que o “PAC da mobilidade” seguirá em linhas gerais o projeto trabalhado por Marta e outros ministérios, mas que será lançado após as eleições.
Além disso, elogiou o Bilhete Único, falou sobre a promessa de construção de um trem-bala entre São Paulo e Rio e disse que o governo estuda criar um “ferroanel” para acabar com o transporte de cargas no centro da cidade.” (Folha SP - 11/6/2008).
No mesmo sentido o jornal VALOR destacou na sua cobertura do evento de Marta e Dilma em São Paulo a seguinte ponderação da Ministra chefe da Casa Civil:
“Especificamente em relação a transporte, Dilma disse que o investimento federal é de R$ 6,3 bilhões, do qual o Rodoanel é a obra de maior vulto. Dilma acenou com o lançamento de um novo PAC sobre a mobilidade urbana a ser lançado após as eleições. “Não vamos dar margens a acusações sobre uso eleitoral”, lembrando que o PAC estava pronto desde meados de 2006 e só foi lançado em janeiro de 2007, depois das eleições gerais.”(Valor 11/6/2008).
Em defesa da Folha é oportuno indicar que ela tinha também destacado, quando Kassab começou a falar que planejava investir dinheiro no metrô, que o orçamento municipal só previa mil reais para esses investimentos, o que não impidiu Kassab dois meses antes do horário eleitoral entregar um cheque com uma quantia substancialmente superior aos R$1.000 previstos. Na época a Folha questionou Kassab assim:
Kassab promete R$ 1 bi para metrô e previu no orçamento mil reais (Folha SP 27/3/2008)
Convém reafirmar o conteúdo das propostas apresentadas por Marta, até para marcar com clareza seu plano de metas e o financiamento na área de transporte:
“Em relação ao metrô, a meta é construir mais de 47,4 km de linhas até 2012. Com isso, a rede saltaria dos atuais 62,1 km para 109,5 km. As obras prioritárias, nesses quatro anos, contemplariam a expansão das linhas já existentes. Destacaria, aqui, três delas: a extensão da Barra Funda até a Freguesia do Ó; a de Vila Madalena até Cerro Corá e a de Capão Redondo até o hospital de M’Boi Mirim, no Jardim Ângela.
Em paralelo, seriam iniciadas as obras de expansão mais complexas, com prazo de conclusão para 2014. Elas acrescentariam outros 31,3 km à rede, que passaria então a ter um total de 140,4 km. Entre as obras previstas, está a implantação da linha entre Cachoeirinha e Conceição, que teria 22 km, passaria pelo aeroporto de Congonhas e pela Faria Lima e integraria bairros comerciais e residenciais. Outra linha muito importante seria criada entre a Vila Prudente e a Vila Maria, que teria 8,6 km e atenderia a zona norte.
Para viabilizar essa expansão, os investimentos seriam distribuídos da seguinte maneira:
PREFEITURA – 490 milhões de reais/ano.
ESTADO – 980 milhões de reais/ano
E UNIÃO – 490 milhões de reais/ano, totalizando 1,960 bilhão ao ano.
Em relação aos CORREDORES DE ÔNIBUS, a solução proposta é criar mais 228 km até 2012 e mais 72 km até 2014. Ou seja, um total de 300 km de novos corredores de ônibus.
Esses 300 km seriam distribuídos por 31 CORREDORES. Entre os mais importantes, pela extensão e população beneficiada, eu citaria: o trecho entre a Vila Prudente e a Cidade Tiradentes; o trecho entre a 23 de Maio e o Grajaú; e entre a Celso Garcia e São Miguel.
Além desses 31 corredores, as soluções pensadas para a mobilidade urbana incluem a construção de 8 TERMINAIS nos seguintes pontos: Vila Prudente, Itaim Paulista, Campo Limpo, Pinheiros, Raposo Tavares, Vila Sônia, Água Espraiada e Jardim Mirim.
Assim, com essas obras, chegaríamos a 2014, com 140,4 km de linhas de metrô, mediante um investimento de 11,8 bilhões; e com 416,5 km de corredores de ônibus, mediante um investimento de 3,7 bilhões.
Em relação as OBRAS VIÁRIAS, os estudos já realizados recomendam a complementação de 16 CORREDORES DE ÔNIBUS e a realização de 12 OBRAS ESTRUTURANTES. A mais importante delas seria a que denominamos de Apoio Norte-Oeste: uma avenida que ligaria a Dutra e a Bandeirantes, servindo de alternativa a marginal Tietê.
Além disso, seriam realizadas quatro grandes obras em PARCERIA COM O ESTADO: a ampliação da marginal Tietê, a ligação Jacu Pêssego – Mauá, o alargamento da Bandeirantes e a conclusão de Águas Espraiadas.
Em relação as ciclovias, estamos iniciando os estudos de viabilidade. A topografia de São Paulo é complicada, mas na medida do possível elas serão implantadas em zonas estratégicas da cidade.
Essas são, em síntese, as soluções estudadas para melhorar a mobilidade urbana em São Paulo. Volto a dizer que não se trata de um pacote pronto e, sim, de uma contribuição para abrirmos o debate sobre este que é, hoje, um problema gravíssimo da nossa cidade. (Discurso de Marta no Seminário sobre transporte realizado com a participação de Dilma Rousseff em 11/6/2008).
Pois bem, os orçamentos de 2009, tanto no plano municipal (esse orçamento é apresentado por Kassab e deve corresponder aos planos dele e não aos planos de Marta), no plano estadual e federal, não contemplam esta proposta que Marta apresenta ao eleitorado da cidade.
Para sua execução será necessária portanto, primeiro e antes de mais nada, a vitória eleitoral de Marta no pleito municipal. Ela é que defende esse plano, ela que apresentou o plano mais global ao governo federal sobre o assunto em relação a Copa de 2014.
Se eleita, Marta poderá, apenas apurado o resultado retomar com o presidente Lula e a ministra Dilma os encaminhamentos necessários à assegurar as contrapartidas da União. De igual maneira deverá ser encaminhada a discussão com o governo de Estado responsável direto sobre o metrô e igualmente com a Câmara Municipal atual para adequar o orçamento a nova administração. Tudo isto exigirá negociação, consertação e adequação. Mas o ponto crucial, prévio a todos estes é que Marta seja eleita.
Luis Favre










