01/12/2008 - 09:48h Safra menor no Brasil é mais um problema para economia mundial

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Lauren Etter, The Wall Street Journal - VALOR

Num momento em que o mundo precisa de mais comida, os efeitos da crise global do crédito sobre o Brasil aumentam o risco de falta de alimentos.

Muitos produtores brasileiros tinham a esperança de que a alta no mercado de grãos os ajudaria a pagar as dívidas e se tornarem mais competitivos em relação aos produtores americanos, que há muito são os líderes mundiais em produtividade agrícola. Agora, porém, com falta de capital, os brasileiros estão reduzindo o tamanho das plantações e até deixando de pagar dívidas. A acentuada a queda nos preços de diversos produtos no mercado mundial e o aumento no custo dos suprimentos agrícolas, combinados com o aperto no crédito, estão reduzindo o ritmo de um dos fornecedores de alimentos que mais cresce no mundo.

O desaquecimento do cinturão agrícola brasileiro pode afetar toda a economia do país, a maior da América Latina e que vinha, ao lado de Rússia, China e Índia, puxando o crescimento do mundo emergente.

Nos últimos anos, com o aumento da demanda global por grãos, os produtores brasileiros cultivaram a terra a um ritmo febril para plantar soja; estradas foram abertas no interior do país para transportar a produção. O aumento no preço dos grãos em todo o primeiro semestre de 2008 acelerou essa expansão.

Agora, os produtores estão tendo dificuldade de conseguir empréstimos para cobrir o alto custo dos fertilizantes, pesticidas e sementes. Para esses empréstimos, eles sempre dependeram muito de um punhado de cerealistas multinacionais, como Archer-Daniels-Midland Co., Bunge Ltd. e Cargill Inc.

Ao contrário dos Estados Unidos, onde os fazendeiros dependem de empréstimos do governo e de bancos privados, no Brasil até 40% do financiamento vêm de empresas agrícolas. Essa porcentagem pode cair para até 25% este ano, segundo o ex-ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes, hoje conselheiro independente do JBS SA.

Agora que a volatilidade no mercado de commodities e a crise financeira global aumentaram os riscos e os custos de fazer negócios no Brasil, as grandes empresas cerealistas estão freando o os empréstimos.

“Cada empresa está tentando garantir o máximo possível de capital (para suportar) os efeitos de longo prazo da crise do crédito”, diz Stefano Rettore, gerente-geral da CHS Brasil. “Isso está deixando menos capital disponível para financiar a agricultura brasileira.”

Esse aperto deve contribuir para uma queda de 2% na produção brasileira de soja para a safra de 2008-2009, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.

Na última quarta-feira, a fabricante americana de equipamentos agrícolas Deere & Co. divulgou sua previsão de que as vendas desses equipamentos na América do Sul cairão em até 20% no ano que vem, em parte devido à “difícil situação do crédito no Brasil”, diz Susan Karlix, diretora de comunicações, em uma teleconferência com os investidores.

A Bunge, um dos maiores processadores mundiais de soja, cortou em 70% os pagamentos adiantados em dinheiro aos produtores agrícolas brasileiros desde o final do ano passado, segundo informes da empresa. A Bunge, tal como outras cerealistas, concede empréstimos e pagamentos adiantados em dinheiro aos produtores, em troca de entregas futuras de cereais.

“Basicamente, estamos sendo mais seletivos”, disse Stewart Lindsay, porta-voz da Bunge, “a fim de gerir melhor nosso capital de giro em um nível global, e sermos prudentes em termos de risco, em um ambiente de preços que já demonstrou ser volátil”.

As americanas ADM e Cargill informam que aumentaram o volume total de crédito disponível para os produtores brasileiros. Mesmo assim, os fazendeiros dizem que os empréstimos não bastam para cobrir seus custos cada vez maiores.

Na última década, o financiamento privado para os fazendeiros incentivou o rápido crescimento da agricultura e da infra-estrutura na região Centro-Oeste, ajudando o país a tornar-se um dos maiores produtores agrícolas mundiais. Hoje o Brasil é o maior produtor de soja depois dos EUA, respondendo por uma quarta parte da produção mundial desse grão.

Ao longo dos anos, os fazendeiros brasileiros acumularam vultosas dívidas depois de uma série de colheitas fracas e de taxas de câmbio desfavoráveis, no início da década. Essas dívidas estão fazendo com que muitos encontrem dificuldade para tomar novos empréstimos.

O custo total da produção das três principais lavouras de Mato Grosso - soja, milho e algodão - deve aumentar 42% este ano em relação ao ano passado diz Michael Cordonnier, presidente da consultoria americana Soybean & Corn Advisor.

Agora, além de economizar com fertilizantes e insumos - o que aumenta o risco de redução da safra -, muitos produtores estão deixando de pagar dívidas e equipamentos importantes para garantir produtividade estão sendo retomados pelos bancos. Mais de cem máquinas como tratores e colheitadeiras confiscadas nos últimos dias no Mato Grosso, o campeão nacional da produção de soja, diz Glauber Silveira, presidente da Aprosoja, Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso.

(Colaborou Tony Danby)

28/09/2008 - 11:08h Repensando a grande revolução

+Marcelo Gleiser - FOLHA SP

Copérnico não foi o único a propor o Sol como centro do cosmo

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Antes de mais nada, defino que grande revolução é essa. Não falo de Garibaldi, de Che Guevara, ou de Lênin. Para esta coluna, a grande revolução é a revolução copernicana, que, conforme conta o mito, ocorreu quando o polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) “pôs” o Sol no centro do cosmo, mudando para sempre a história do conhecimento.

Ainda segundo o mito, antes de o sábio renascentista publicar o livro “Sobre as Revoluções das Esferas Celestes”, ou seja, dos babilônios até 1543, todo mundo achava que a Terra era o centro de tudo e que o Sol, a Lua e os planetas giravam à sua volta. Também se acredita que Copérnico tenha enfrentado uma grande resistência por parte da Igreja Católica. Tem gente que acha até que ele tenha sofrido nas mãos da Inquisição.

Não há dúvida de que a obra de Copérnico é extremamente importante na história da astronomia. Mas vale a pena revisitar certas asserções comumente feitas sobre a dita revolução, não só como esclarecimento, mas, também, pelo seu enorme interesse histórico e pedagógico.

http://www.myastrologybook.com/Tycho-Brahe.jpghttp://www.klepsidra.net/klepsidra18/kepler1.gifhttp://www.emack.com.br/sao/webquest/sp/2004/jornadas/resultado/cient/galileu1.jpg
Os pais da revolução copernicana, Tycho Brahe, Johannes Kepler e Galileu Galilei

A revolução copernicana não é obra apenas de Copérnico. Ela se deve principalmente aos trabalhos do grande astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), do alemão Johannes Kepler (1571-1670) e do italiano Galileu Galilei (1564-1642). Podemos dizer que Copérnico plantou as sementes que foram gerar frutos devido à coragem e à dedicação desses três.

Copérnico também não foi o único a propor o Sol como centro do cosmo.

Mais de 15 séculos antes dele, e como ele mesmo afirma na dedicação de seu livro ao papa Paulo 3º, alguns filósofos gregos haviam proposto que a Terra girasse em torno de si mesma e que não fosse o centro das órbitas. Em particular, Aristarco de Samos (cerca de 300 a.C.) propôs um modelo essencialmente idêntico ao que seria proposto depois por Copérnico.

O fato de Copérnico ter dedicado seu livro ao papa mostra que não tinha nada a temer com relação à Igreja Católica. As maiores críticas ao heliocentrismo de Copérnico vieram de Martinho Lutero, que o acusou de paganismo. A igreja só irá adotar uma posição oficial contrária ao heliocentrismo em 1616, devido à insistência de Galileu (inspirado diretamente em Copérnico) de que a Bíblia não deve ser usada para estudar astronomia e que os teólogos que teimam em pôr a Terra no centro não entendem nem de astronomia nem de teologia. Numa época em que a Igreja Católica via a sua autoridade erodida pelas correntes protestantes, criticar o poder dos cardeais e dos bispos não era um boa política.

Mas era necessário.

Apesar de Copérnico ter publicado o seu livro em 1543, o primeiro a defender abertamente o heliocentrismo foi Kepler. Muita gente afirma que o monge italiano Giordano Bruno foi queimado na fogueira em 1600 pelo seu copernicanismo. Mesmo que ele defendesse as idéias de Copérnico, o seu maior problema com a Inquisição era de natureza teológica; ele duvidada da plausibilidade da Santíssima Trindade, da transmigração das almas e da virgindade de Maria.

Em 1597, Kepler publica o seu primeiro livro, onde toma o heliocentrismo como ponto de partida. Em 1609, usando os dados de Tycho Brahe, publica “Astronomia Nova”, onde obtém as três leis do movimento planetário.

Na primeira delas, afirma que as órbitas planetárias são elipses e não círculos. Nesse mesmo ano, Galileu aponta o seu telescópio para os céus, mostrando que as idéias de Copérnico merecem ser levadas a sério. A partir daí, a grande revolução toma rumo, 66 anos após ter sido iniciada por Nicolau Copérnico. E o cosmo nunca mais foi o mesmo.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro “A Harmonia do Mundo”

24/07/2008 - 08:55h Para valer, mesmo!

Para valer

A imagem “http://img230.imageshack.us/img230/6711/ssalgado4f8af1lv0.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

VERISSIMO - O Estado de São Paulo

verissimo1.jpgNuma carta ao Estado de S. Paulo, o sr. Cesário Ramalho da Silva, presidente da Sociedade Rural Brasileira, comentou um texto meu sobre a reforma agrária intitulado Injustiça e Desordem, publicado aqui há semanas. O sr. Cesário não gostou do texto. Nele eu lamentava a demora de uma reforma agrária para valer no País e o sr. Cesário pergunta: ”Que reforma agrária para valer seria essa que dilapidaria o setor do agronegócio, que segura as contas do País, com efeito multiplicador de gerar riqueza, emprego e renda para a indústria e os serviços?” Segue dizendo que toda a Nação já entendeu que o setor rural é o maior responsável pelo crescimento da economia brasileira, junto com a estabilização da moeda, salvo os que insistem num pensamento ”ideológico” e atrasado sobre a questão - como, suponho, o meu. E recorre a uma analogia curiosa: ”É como voltar ao tempo do Brasil-colônia, onde nós, colonizados, não podíamos acumular riqueza porque tudo pertencia à Coroa portuguesa.” Me parece que se a situação colonial evoca alguma coisa é a atual coexistência no Brasil do latifúndio sem proveito social ou econômico e as legiões de banidos da terra, com a Coroa portuguesa no papel do proprietário ausente. Não se quer a dilapidação de negócio algum e sim uma reforma agrária que inclua os milhões de hectares vazios mantidos no Brasil só pelo seu valor patrimonial - uma realidade notória que o sr. Cesário não cita - na cadeia produtiva, com colonização bem-feita e bem apoiada.

O sr. Cesário diz que não há exemplo de reforma agrária que deu certo. Eu tenho alguns. Li um relatório da ONU sobre os efeitos dramáticos na cidade de Calcutá, conhecida pela miséria e a extrema degradação urbana, da reforma agrária feita na sua região. Uma reforma agrária radical livrou o Japão de uma estrutura fundiária feudal e teve muito a ver com sua recuperação depois da guerra. A louca corrida para ocupar o Oeste americano não é modelo para nenhum tipo de colonização racional, mas não deu errado. E já que exemplos americanos legitimam qualquer argumento, mesmo os do pensamento ”ideológico”, recomendo que se informem sobre o Homestead Act, com o qual o governo dos Estados Unidos lançou, no século 19, o maior programa de distribuição de terra da História. Não surpreende a desinformação sobre reformas agrárias alheias que deram certo, ou só foram frustradas pela reação violenta. Os próprios sucessos da incipiente reforma agrária brasileira são ignorados. Sobre os assentamentos que estão funcionando em paz, e produzindo, e contribuindo para o efeito multiplicador que o sr. Cesário, muito justamente, exalta, só se tem silêncio.

O texto que desagradou ao sr. Cesário foi motivado por uma manifestação, depois atenuada, do Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que equiparava o movimento dos sem-terra à guerrilha e pedia sua dissolução. Diante da flagrante iniqüidade da situação fundiária brasileira, mostravam, como na frase de Goethe, que preferiam a ordem à justiça. A criminalização do movimento dos sem-terra seria a outra face da descriminalização, pela absolvição e o esquecimento, de atos como o massacre de Carajás. Acho que o sr. Cesário e seus pares concordam comigo que a escolha não precisaria ser feita, que ordem ideal seria a que advém da justiça, ou da ausência da injustiça. Mas isso, claro, pressupõe outro Brasil. Talvez outra humanidade.

16/06/2008 - 16:18h Europeus encontram três “superterras” no espaço

da Reuters, em Washington

Pesquisadores europeus anunciaram nesta segunda-feira (16) a descoberta de um grupo de três planetas que podem ser considerados “superterras” orbitando uma estrela, assim como dois outros sistemas de planetas. Para os cientistas, as descobertas sugerem que planetas similares à Terra são bastante comuns.

A equipe, do Observatório de Genebra, liderada por Michel Mayor, utilizou um novo equipamento, chamado Harps, presente em um telescópio do ESO (Observatório Europeu do Sul), localizado no Chile, para fazer a descoberta.

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Concepção artística do grupo de planetas descobertos por uma equipe européia utilizando telescópio localizado no Chile

Até o momento, 270 dos chamados exoplanetas (de fora do nosso Sistema Solar) foram encontrados. A maioria é gigante, semelhantes a Júpiter ou Saturno. Planetas menores, mais próximos do tamanho da Terra, são muito mais difíceis de encontrar.

Os três planetas descobertos são maiores que a Terra –um tem 4,2 vezes o tamanho do nosso planeta, o segundo tem 6,7 vezes e o terceiro, 9,4 vezes. Eles orbitam a estrela, chamada HD 40307, um pouco menos maciça que o Sol.

Nenhum desses planetas pode ser fotografado a essas distâncias, mas podem ser vistos indiretamente por meio de ondas de rádio ou, no caso do Harps, medições espectrográficas. A medida que o planeta percorre sua órbita, faz com que sua estrela vibre levemente e isso pode ser medido.

“Com o advento de instrumentos muito mais precisos como o Harps nós podemos agora descobrir planetas menores, com massas entre 2 e dez vezes a massa da Terra”, afirma Stephane Udry, que também participou do estudo.

Os três planetas descobertos pelos pesquisadores de Genebra orbitam sua estrela a velocidades extremamente rápidas: um deles faz uma volta em torno da estrela em apenas quatro dias, o segundo demora 10 dias e o mais lento leva 20 dias –em comparação com a Terra, que demora cerca de 365 dias para fazer o trajeto em volta do Sol.

A equipe também descobriu um planeta com massa de 7,5 vezes a da Terra orbitando a estrela HD 181433, que também tem um outro planeta semelhante a Júpiter. Um outro sistema, descoberto pelos pesquisadores, tem um planeta com 22 vezes a massa da Terra e um planeta semelhante a Saturno.

“Claramente, esses planetas são apenas a ponta de um iceberg”, afirmou Mayor. “As análises de todas as estrelas estudadas com o Harps mostram que cerva de um terço de todas as estrelas semelhantes ao Sol têm ’super Terras’ ou planetas semelhantes a Netuno com períodos orbitais menores que 50 dias”.

16/05/2008 - 12:52h Rancor por ‘60 anos de opressão’

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Paz - Shalom - Salam

Gilles Lapouge* - O Estado de São Paulo

Israel celebra seu 60º aniversário de fundação. Festas iluminam o país. Personalidades estrangeiras, entre elas o presidente George W. Bush, participam das comemorações. E os palestinos? Para os israelenses, a data é gloriosa. Para os palestinos é de luto, é o “dia da catástrofe”, ou “nakba. Já vimos algum dia um povo celebrar a sua “catástrofe”? O rancor palestino é total.

Até mesmo o moderado e indulgente presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, declarou em Ramallah que não receberia nenhuma delegação. E o premiê palestino, Salam Fayad, também mostrou seu mau humor: “Como vocês podem celebrar esta data enquanto o povo palestino padece sob o jugo de suas colônias e suas ações”, perguntou aos israelenses.

Por toda a parte é o furor. E uma rajada de críticas: a nakba começou em 1948, com a destruição de 400 povoados e o exílio de 760 mil palestinos expulsos de suas terras, enquanto 160 mil ficaram em Israel e se consideram cidadãos de “segunda classe”. Os palestinos forçados ao exílio tornaram-se 5 milhões. Israel proíbe seu retorno a um território que considera seu. Os que permaneceram em Israel, dizem-se vítimas de um apartheid. Mesmo a Corte Suprema de Israel reconheceu que eles eram discriminados.

Quando olhamos para os dois territórios palestinos, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, o quadro é ainda mais terrível. O famoso muro, erguido em 2000, foi sentido pelos palestinos como uma camisa-de-força mortífera com o fim de privá-los de seus campos e poços, para sufocá-los lentamente, matá-los sem muito ruído. Para eles, o objetivo do muro é tornar impossível o retorno dos palestinos às terras das quais foram espoliados.

A isso tudo se juntam os tiroteios, os foguetes, às vezes as bombas. Na quarta-feira, quatro palestinos foram mortos em Gaza. Desde o início das negociações de paz projetadas por Bush em novembro, 467 palestinos foram mortos (bem entendido, a essas acusações os israelenses replicam que foram os palestinos que começaram. Mas hoje fazemos eco das palavras dos palestinos, e não dos israelenses).

Os palestinos são vítimas de uma perseguição similar àquela sofrida pelos judeus nos tempos infames de Hitler. Gaza é “um campo de concentração”. O bloqueio paralisa a região. A vida ali é desumana. Para os palestinos, trata-se de um holocausto cometido pelos antigos mártires judeus.

O estranho é que essas acusações também são feitas por judeus europeus. Em Londres, cem personalidades judaicas assinaram um texto, publicado no jornal The Guardian, em que afirmam: “Nós não celebraremos o aniversário de um Estado criado tendo como base o terrorismo, os massacres e a espoliação das terras de outras pessoas. Um Estado que procede à limpeza étnica e inflige uma monstruosa punição coletiva à população civil de Gaza. É tempo de reconhecer o preço pago por um outro povo pelo anti-semitismo europeu e o genocídio hitlerista.”

* Gilles Lapouge é correspondente em Paris

05/05/2008 - 10:30h Fome, etanol e mentiras

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Correio braziliense - João Tenório - Senador (PSDB/AL), presidente da Subcomissão de Biocombustíveis do Senado Federal

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/77/Jo%C3%A3o_Ten%C3%B3rio.JPG/240px-Jo%C3%A3o_Ten%C3%B3rio.JPGJá era mais do que tempo. Os países desenvolvidos, que durante séculos acumularam riquezas à custa da exploração predatória de suas colônias e que hoje abusam de subsídios agrícolas para proteger o próprio mercado, parecem finalmente despertar para uma das maiores tragédias do planeta: a fome. Uma tragédia que atinge hoje 854 milhões de pessoas e mata uma criança a cada cinco segundos, pelos cálculos das Nações Unidas.

O fantasma do desequilíbrio ambiental — que traça cenário de seca e miséria para o final do século — foi o primeiro a assombrar as grandes potências. Agora, é a explosão no preço das commodities agrícolas que parece tornar cada vez mais remota a meta de reduzir a fome no mundo pela metade até 2015 — um dos objetivos do milênio pactuado por 191 países oito anos atrás.

Se é um avanço o fato de a escassez de alimentos ser foco das atenções dos principais organismos e centros de decisão política e econômica, jogar a culpa do problema no avanço dos biocombustíveis é não querer colocar o dedo na ferida: a injusta distribuição de renda e riqueza e o absoluto descaso com as nações mais pobres. Autoridades internacionais que vêm atacando os biocombustíveis também minimizam o fato de que o petróleo, com o barril beirando os US$ 120, tem sobrecarregado cada vez mais o custo final dos alimentos.

O preço da comida subiu porque, além de condições climáticas desfavoráveis e do encarecimento significativo do frete e dos fertilizantes, o consumo de países emergentes, como China e Índia, aumentou. O que é positivo. Equilibrar demanda e oferta — com políticas públicas que garantam melhor uso da terra e incentivos à agricultura familiar, por exemplo — é desafio de cada governo. Mas também deve ser compromisso do mercado internacional, hoje distorcido por políticas protecionistas injustificáveis. É preciso questionar, ainda, até que ponto as nações mais ricas e os organismos financeiros internacionais têm se empenhado na tarefa de reduzir a pobreza mundial.

Mais do que falta de alimentos, o nó da questão nos países mais pobres é a total falta de condições econômicas para o acesso a esses alimentos. Vale lembrar que, pelos dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o mundo produz comida para alimentar 12 bilhões de pessoas, o dobro da população do planeta.

O crescimento econômico que tanto festejamos no Brasil certamente tem pressionado a demanda — e os preços. Precisamos, sim, assegurar uma política agrícola mais eficaz, garantir o equilíbrio fiscal e econômico, menores impostos e taxas de juros. Mas os biocombustíveis, no nosso caso, só somam. Temos terras agricultáveis de sobra — para alimento e energia. O álcool produzido a partir da cana não ocupa mais que 3,5 milhões dos 400 milhões de hectares de terras agricultáveis e tende a avançar em áreas de pastagens degradadas — cerca de 60 milhões de hectares. Mesmo com o avanço invejável na produção de etanol, nossa safra de grãos bateu novo recorde em 2007: 133 milhões de toneladas. Este ano, a previsão é de uma safra de 139,3 milhões de toneladas.

O álcool de cana é, sem dúvida, a alternativa hoje mais viável — do ponto de vista tecnológico e econômico — aos combustíveis fósseis. E a liderança brasileira na produção de etanol assusta os europeus, aferrados à própria política protecionista. Por isso mesmo, a disseminação de mitos absurdos, como a potencial ameaça à Amazônia. A floresta é totalmente inadequada para o cultivo da cana, que, avançando sobre áreas de pastagens, também não corre o risco de empurrar outras culturas para a região.

Esclarecer a comunidade internacional e vencer as resistências do mercado europeu é um desafio enorme, que exige postura firme por parte do governo brasileiro. É nossa única chance de transformar o etanol em commodity mundial e afirmar nossa liderança no novo cenário energético.

A Frente Pró-Etanol anunciada pelo presidente Lula só terá resultado se congregar todos os envolvidos com a produção de biocombustíveis — no Executivo, no Legislativo, na iniciativa privada, na área de pesquisa e meio ambiente. Divergências políticas devem ficar de lado neste momento: o etanol é estratégico; é fonte de energia limpa e renovável, capaz de gerar emprego e renda em regiões hoje absolutamente carentes, como a África. Não é só o Brasil, mas o mundo todo que vai sair ganhando.

22/04/2008 - 12:03h Biocombustíveis não vão aumentar preços dos alimentos, diz UE

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Plantação dedicada a produzir biocombustível na Inglaterra

Estudo realizado pela União Européia sugere que um aumento no consumo de biocombustíveis nos 27 países do bloco não faria subir o preço final dos alimentos e não distorceria o mercado internacional.

Em março a UE determinou que 10% dos combustíveis consumidos pelos automóveis do bloco até 2020 deverá ser de origem biológica. Para suprir esse novo mercado estima-se que a indústria européia precisará de 59 milhões de toneladas de cereais –18% da produção interna - e ainda terá de importar 20% do biocombustível necessário.

A conclusão vai no sentido contrário do que defendem a FAO (Organização da ONU para Agricultura e Alimentação) e a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em relatórios publicados nos últimos dois meses.

Segundo especialistas das duas organizações, a maior demanda por grãos e óleos vegetais, que servem de matérias-primas para os biocombustíveis, já está causando um aumento nos preços internacionais desses produtos.

Como os grãos são muito utilizados na alimentação animal, esse aumento se refletiria nos custos de criação de animais e seria indiretamente transferido para os preços de produtos de origem animal.

“Estamos de acordo em que o preço dos grãos subirá. Mas eu afirmo que isso não se refletirá no preço final dos alimentos”, explicou Wolfgang Munch, autor do estudo europeu.

Ele defende que FAO e OCDE não levam em conta fatores que equilibrariam a ascensão no preço dos grãos e, paralelamente, impediriam que fosse transferida para os custos de criação animal.

Soja deve seguir os passos da canola

“A produção de biocombustíveis a partir de sementes oleaginosas dá origem a um subproduto rico em proteínas, que também é usado na alimentação de animais. Então, se por um lado a ração a base de grãos ficará mais cara, por outro lado a ração a base de oleaginosas ficará mais barata, porque a maior produção de biocombustíveis aumentará a oferta desse subproduto.”

Segundo o especialista, a pasta de canola –subproduto da fabricação de biodiesel a partir de sementes de canola– custa atualmente 60% menos em relação há dois anos.

“O mesmo acontecerá com a soja no futuro. O preço da semente aumentará, mas óleo e pasta obedecerão o caminho contrário. Haverá tanta quantidade desses subprodutos que talvez os fazendeiros até recebam incentivos para usá-los”, estima.

Biocombustíveis de segunda geração

Munch também ressalta que o desenvolvimento de biocombustíveis de segunda geração aumentará em até 40% o aproveitamento das terras cultivadas.

“Essa nova geração usará não apenas as sementes, mas a palha, o grão, toda a planta para gerar energia. Com isso, economizaremos área e reduziremos significativamente a concorrência entre alimentos e energia”, explica.

Essa tecnologia deverá alcançar dimensão industrial e ser competitiva por volta de 2015.

Na UE, prevê o especialista, outro fator que contribuirá para manter estável o preço dos alimentos é o movimento demográfico previsto. “Como a população européia diminuirá até 2020, também diminuirá a demanda por alimentos, ao mesmo tempo em que sabemos que a extensão de terra cultivável está aumentando entre 1% e 2% ao ano. Ou seja: a produtividade está crescendo mais que o consumo”, afirma o autor.

Fonte jornal expressão.com

22/04/2008 - 11:55h ‘Não há nada contra o etanol do Brasil’

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Produção americana de biocombustível de milho é o que causa a alta no preço dos grãos, e não o etanol de cana, diz economista

Lourival Sant’Anna - O Estado de São Paulo

Roma - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, prometeu criar um grupo de estudos sobre a crise dos alimentos. Na ONU, a pessoa a ouvir sobre isso é o economista Abdolreza Abbassian, secretário do Grupo Intergovernamental sobre Grãos da Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura (FAO): “Quando falamos da influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, estamos falando do milho dos Estados Unidos, não da cana-de-açúcar do Brasil”, diz Abbassian, um iraniano de 49 anos, há 17 na FAO.

“Não temos nada contra o etanol brasileiro”, garante o economista, que antes trabalhou na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e no Fundo Monetário Internacional (FMI). Entretanto, pondera, isso não quer dizer que, no futuro, não possa haver relação, ainda que indireta, entre a produção de etanol no Brasil e a redução de terras para a criação de gado e, com ela, o avanço dos pastos na Amazônia.

Em entrevista ao Estado, na sede da FAO em Roma, Abbassian reconhece que os subsídios nos EUA e na Europa inviabilizam projetos de biocombustíveis em países pobres. Mas estima que, independentemente dos subsídios, com exceção do Brasil e outros poucos que podem produzir álcool da cana, é “discutível” que países da África ou a Índia venham a ter produção comercialmente viável de biocombustíveis, como quer o presidente Lula.

A partir da revolução verde, há 30 anos, dizia-se que o mundo passou a produzir alimentos mais que suficientes para a população mundial, e o problema era de distribuição e de renda. Isso deixou de ser verdade?

Não. O problema principal, seja no Haiti ou no Egito, continua sendo o mesmo: acesso. A fome existia antes do boom de biocombustíveis e segue existindo com ele.

O fato de os asiáticos estarem comendo mais não mudou isso?

Não. A produção mais do que triplicou nesses 30 anos, acompanhando o crescimento da população e da renda e a mudança na dieta tanto na Ásia quanto no resto do mundo.

A produção de biocombustíveis pode prejudicar a de alimentos?

Pode. Os biocombustíveis introduzem uma nova demanda. Mas nossas afirmações têm sido tiradas do contexto e por isso estamos nessa confusão. Em junho, quando expusemos nossa posição sobre a influência dos biocombustíveis na economia dos grãos, não mencionamos açúcar. Quando citamos etanol, estávamos falando do derivado do milho.

Mas fomos alvo de um bombardeio do Brasil: “O que vocês têm contra o nosso etanol?”

Nada. Leiam o relatório. Não falávamos do Brasil, que tem uma história de 30 anos de produção sustentável de álcool de cana-de-açúcar. Quando falamos de grãos, estamos falando dos Estados Unidos - o maior produtor, consumidor e exportador de milho. É lógico que, quando uma demanda tão forte de grãos emerge tão depressa, terá de ter implicações. Quem disser que não, deve morar em Marte. No ano passado, 84 milhões de toneladas de milho foram destinadas ao etanol. O comércio mundial de milho é de cerca de 90 milhões de toneladas. Em quatro anos, a produção dobrou. Os fazendeiros americanos foram capazes de aumentar a produção tão rapidamente que não só houve milho suficiente para a expansão dos biocombustíveis, mas os EUA ainda exportaram mais, destinaram mais milho à ração de animais e aumentaram ligeiramente seu estoque.

Então, qual o problema?

Os EUA tiveram de reduzir sua produção de soja e de trigo na mesma proporção em que aumentaram a de milho. A partir de março do ano passado, há um gargalo de suprimento de soja. A produção de trigo dos EUA e de outros países também caiu. Resultado: os preços dos dois grãos subiram. E o milho, apesar da produção recorde nos EUA, começou a subir também. Na safra 2007-2008, os biocombustíveis foram um dos principais fatores, não o único. Houve seca também. Na próxima safra, os biocombustíveis podem ser o fator determinante, se os preços continuarem altos.

A soja brasileira pode entrar substituindo o milho para alimentar rebanhos?

O aumento da demanda do milho para o etanol (nos EUA) pressionará o preço da soja. O Brasil é um dos poucos países com potencial de crescimento da produção de praticamente qualquer coisa, e talvez aumente a produção de soja, para atender à demanda da China e dos EUA, que têm capacidade limitada de expandir o uso da terra. O que acontecerá com as terras destinadas ao pasto? Se elas se deslocarem, irão para onde? Muitos ambientalistas têm nos dito que terão de avançar na floresta. Sabemos que o desmatamento não é para plantar cana. Essa é a cadeia que torna o biocombustível responsável. O grau de influência dele é assunto para futuras pesquisas. É um fenômeno recente demais para fazermos análises estatísticas. O que não se pode dizer é que o biocombustível é irrelevante.

No Brasil se argumenta que há terras improdutivas suficientes para a expansão da produção.

É possível. Mas, com o crescimento da demanda por grãos, as terras para pasto vão encolher, o preço da terra vai subir e a fronteira agrícola subirá para o norte. Não será do dia para a noite, não há relação direta e depende de quanto crescerá a demanda por soja e biocombustível no mundo.

O governo brasileiro se defende dizendo que os subsídios e barreiras americanos e europeus prejudicam muito mais o acesso dos pobres aos alimentos do que o biocombustível, porque impede a venda de produtos agrícolas aos seus mercados, que aumentaria a renda dos países em desenvolvimento. O que o senhor acha desse argumento?

Os subsídios foram a causa dos preços baixos no passado. De repente, o mundo está tentando ver esses preços baixos com simpatia, mas é uma falácia. Eram preços artificialmente baixos, que prejudicaram os países em desenvolvimento, que não puderam aumentar sua produção por causa desse dumping. Seus preços eram sempre mais altos. Mas isso tem mudado sob a Rodada Doha (da Organização Mundial do Comércio) nos últimos dez anos. Não vamos chegar a nenhum lugar discutindo o que é pior: subsídios ou biocombustíveis. Ambos são prejudiciais.

E quanto à possibilidade de os países pobres gerarem renda produzindo biocombustíveis?

Há cerca de um ano, a FAO recebeu propostas de projetos nesse sentido. Isso nunca foi adiante porque os EUA, a União Européia e mais alguns países desenvolvidos começaram a dar enormes subsídios para seus fazendeiros produzirem grãos. Se não fosse isso, seria válido pensar em estimular a produção de grãos na África e na Índia, que fixaria o homem no campo e geraria renda. Quando começou esse boom, houve muita discussão sobre o volume de recursos necessário para criar as condições de os países pobres produzirem biocombustíveis para os EUA e a Europa. Eu mesmo tenho três pequenos projetos de sorgo na Ásia, mas o que existe são projetos-piloto para fixar agricultores aqui e ali. Nada na escala do Brasil ou dos EUA. E provavelmente continuará assim, porque os subsídios e todos os mecanismos de dedução de impostos que os EUA colocam na produção de milho tornam impossível para esses países competir. Se é a isso que o presidente Lula se refere, faz sentido. Mas há outra questão: faz sentido para os africanos e indianos destinar a sua terra e água à produção exclusiva de matéria-prima para biocombustíveis? Isso tem implicações econômicas e ambientais, e ainda está em estudos. A economia terá a palavra final, e não a emoção ou o interesse nacional.

15/04/2008 - 03:13h A fome na demagogia neocon

VINICIUS TORRES FREIRE

Álcool vira bode expiatório da fome na demagogia de Banco Mundial e ONU, que escondem danos de subsídios de país rico

Folha de São Paulo 

UMA DAS cenas candidatas ao Oscar de demagogia repulsiva deste ano é a imagem de Roberto Zoellick segurando de braços abertos um pão e um pacote de arroz em um encontro do Banco Mundial, organização que preside.
Zoellick deu impulso ao recente carnaval midiático e hipócrita a respeito do aumento da fome devido à inflação de alimentos. O Banco Mundial e penduricalhos da ONU estão em campanha dita contra a fome, mas com ênfase no dano que os biocombustíveis fariam aos pobres.
Tão repulsivo quanto a súbita piedade de Zoellick pelos famélicos da terra é o relatório do Banco Mundial a respeito do assunto. O primeiro parágrafo do texto é sobre a inflação global. O segundo, sobre a culpa dos biocombustíveis. Não há praticamente palavra sobre subsídios agrícolas dos países ricos, que detonaram durante décadas a produção de alimentos em países pobres. Nem sobre subsídios americanos à produção do ineficiente álcool de milho. Mas há uma palavrinha sobre a devastação de florestas para a produção de álcool no Brasil.
Receita do Banco Mundial para a crise? Primeira: esmolas focadas nos mais pobres (a solução para tudo no Banco Mundial enquanto não chegar a era de ouro em que todas as “reformas” estarão completas). Segunda: redução de tarifas de importação de comida em país pobre. Só a terceira é o aumento da produção alimentos, “no médio prazo”.
Mas até a caridade do Banco Mundial é um fracasso. A fatia dos empréstimos do banco para projetos agrícolas em 2007 foi pouco mais de um terço do que era em 1980. Nos últimos anos, emprestou em média US$ 450 milhões anuais para esses programas na África. O subsídio direto para agricultores da União Européia foi de US$ 96 bilhões em 2006. Nos EUA, US$ 24 bilhões.
No mais recente relatório do International Food Policy Research Institute (IFPRI) sobre o tema, obviamente se reconhece a necessidade de medidas emergenciais. Mas as prioridades de política são outras.
Primeiro: reduzir subsídios e barreiras comerciais em país rico. Segundo: melhorar a infra-estrutura e o mercado agrícola em países pobres. Terceiro, dar condições tecnológicas para os pobres produzirem mais comida. “Um regime comercial mais aberto na agricultura beneficiaria os países em desenvolvimento em geral (embora não reduza a pobreza em certo casos)”, diz o texto.
O IFPRI é resultado da associação de 47 países, fundações privadas e órgãos da ONU, e também do Banco Mundial. Seu relatório deveria ser lido pelo demagogo neoconservador Zoellick, que foi uma espécie de ministro do Comércio de Bush. Disse certa vez que “ou o Brasil aceita a Alca ou venderá suas mercadorias para a Antártida”, evidenciando assim a fineza diplomática do bushismo e seu apreço pelo livre comércio negociado em bases razoáveis.

08/04/2008 - 04:25h Descoberta uma versão reduzida do Sistema Solar

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foto de Saturno realizada pela espaço-nave Cassini

Planetas encontrados são semelhantes a Júpiter e Saturno

O Globo

BELFAST. Astrônomos já identificaram mais de 300 planetas fora do nosso Sistema Solar. São dezenas os sistemas planetários revelados. Mas agora, pela primeira vez, os cientistas encontraram um sistema planetário similar ao nosso. Ele fica a 5 mil anos-luz (um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros) da Terra. Martin Dominik, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, autor da descoberta, disse que o novo sistema tem dois planetas parecidos com Júpiter e Saturno.

Dominik acredita que existam mais sistemas semelhantes ao nosso. É só uma questão de tempo antes que sejam identificados.
Esses sistemas seriam lugares adequados para a busca de vida extraterrestre.

— Encontramos um sistema com dois planetas com as mesmas funções de Júpiter e Saturno.

Eles têm massa, raio de órbita e período de órbita similares — disse o cientista, que apresentou a descoberta no encontro da Sociedade Real de Astronomia do Reino Unido, em Belfast, na Irlanda do Norte.

Cientistas procuram astro similar à Terra Segundo o cientista, parece que eles se formaram da mesma forma que os planetas do Sistema Solar. Isso pode significar que o Sistema Solar não é o único no Universo e poderia haver outros com planetas como a Terra. O novo sistema planetário orbita ao redor da estrela OGLE-2006-BLG-109L.

— É uma espécie de versão reduzida do Sistema Solar. A estrela na qual os planetas orbitam têm metade da massa do Sol. Eles ficam a uma distância de sua estrela que é a metade da existente entre Júpiter e Saturno e o Sol — acrescentou Dominik.

Ele explicou que os planetas foram descobertos com o uso de uma técnica chamada microlente gravitacional. O objetivo dos astrônomos é descobrir planetas como Marte ou habitáveis como a Terra. Eles acham que isso poderá ser alcançado a curto prazo porque houve grandes avanços tecnológicos.

— Nos próximos anos vamos ter eventos muito emocionantes — afirmou.

Por enquanto, Dominik não sabe se há alguma chance de descobrir um planeta com as mesmas características da Terra no OGLE-2006-BLG-109L.

O sistema é muito distante para ser estudado com as atuais técnicas de investigação.

03/04/2008 - 05:20h A única boa notícia dos últimos 174 anos

O Estado de São Paulo - Fernando Reinach*

Eu não estava enganado, era realmente a cara de Malthus na capa do Wall Street Journal. A primeira idéia que me veio à mente é que tinham descoberto a última gota de petróleo ou que a última tonelada de ferro havia sido extraída das minas de Carajás. A notícia não era tão ruim, mas quase. O jornal americano, um defensor do crescimento ilimitado dos mercados, está sofrendo de “medo malthusiano”. Minha surpresa foi que, em uma página e meia de argumentos malthusianos, a única descoberta que fizemos desde 1834, o ano em que Malthus morreu, nem sequer foi mencionada. Pois aqui vai a boa notícia dos últimos 174 anos.

Thomas Malthus (1766-1834) foi o pensador que mais influenciou Darwin. Ele postulou que o instinto reprodutivo é incontrolável e acaba por provocar o colapso das populações. O conceito é fácil de entender. Se colocarmos uma única bactéria em um frasco fechado contendo nutrientes, a bactéria vai se dividir em duas, as duas vão dar quatro, as quatro, oito e assim por diante até que o alimento termine. Nesse momento, o ecossistema colapsa e bilhões de bactérias morrem de fome. O mesmo ocorre em um enorme pasto com algumas vacas. Elas vão comer o pasto, reproduzir-se e aumentar de número até comer a última folha de capim - aí morrem. Se colocarmos nesse pasto imaginário um felino que se alimente de vacas, ele também vai devorá-las e se multiplicar até grande parte da população morrer por falta de vacas.

Malthus imaginou que o mesmo deveria ocorrer com os seres humanos. Ele acreditava que nossa população cresceria exponencialmente até esgotarmos os recursos naturais do planeta. Aí morreríamos todos (ou quase todos) de fome ou sede. De fato, isso já ocorreu na Ilha de Páscoa faz centenas de anos. Tudo indica que os seres humanos chegaram à ilha e exploraram suas florestas até à exaustão. Depois desapareceram. Sobraram os ossos e as imensas estátuas de pedra.

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O chamado medo malthusiano é o receio de que estamos caminhando para um colapso: a combinação do crescimento populacional com o aumento do consumo per capita pode exaurir os recursos naturais do planeta. Nos EUA existem 137 milhões de carros. Na China há 19 milhões, mas se os chineses passarem a ter o mesmo número de carros per capita que os americanos, só na China circularão 590 milhões de carros. O planeta Terra seria o frasco com alimentos ou o pasto, nós, os humanos, as bactérias ou as vacas. Todos fadados ao colapso.

FATOR EDUCAÇÃO

O que Malthus não sabia e que o Wall St. Journal nem sequer menciona é uma observação feita em diversos países ao longo dos últimos cem anos. Nas populações humanas, à medida que aumenta a riqueza e o nível educacional, as taxas de fertilidade caem rapidamente.

O Brasil é um bom exemplo: o número de filhos por casal, que era de seis por volta de 1940, agora se aproxima de dois. Quanto mais rica e educada uma população, menor o número de filhos por casal, um fato único no mundo animal. Enquanto em todos os seres vivos a abundância provoca um aumento da população, nas sociedades modernas ocorre o contrário. Isso sugere que um dos únicos fatores comprovadamente capazes de retardar, ou mesmo paralisar, nosso crescimento populacional é o enriquecimento e a educação.

Essa é a única novidade nesse debate de 174 anos. A educação e o enriquecimento deveriam ser bandeiras dos ecologistas. Mas será que ainda existe tempo hábil?

*Biólogo - fernando@reinach.com

Mais informações em: New Limits to Growth Revive Malthusian Fears. Wall Street Journal, 24/3/2008

20/03/2008 - 08:24h Um novo mundo

Transiting exoplanet HD 189733b

O GLOBO 

Um composto orgânico foi detectado pela primeira vez na atmosfera de um planeta fora do Sistema Solar — um passo significativo para a descoberta de sinais de vida num mundo distante, segundo cientistas. Usando dados gerados pelo Telescópio Espacial Hubble, astrônomos conseguiram detectar a presença de metano na atmosfera do planeta HD 189733b, que tem aproximadamente o tamanho de Júpiter e está a 63 anos-luz (um ano-luz tem 9,5 trilhões de quilômetros) da Terra, na constelação de Vulpecula.

O estudo, publicado na última edição da “Nature”, confirma ainda a existência de moléculas de água na atmosfera do planeta. Sob determinadas condições, a junção de água e compostos orgânicos produz vida.

Moléculas orgânicas contêm carbono e hidrogênio e são encontradas em criaturas vivas.

O metano, por exemplo, está presente no gás natural e também nos gases expelidos pelo gado. Mas os cientistas rapidamente explicaram que esse distante planeta — com temperaturas médias de mil graus Celsius, capaz de derreter prata — não poderia abrigar nenhuma forma de vida.

— No caso específico desse planeta que observamos, o metano não poderia ter sido produzido biologicamente — afirmou Giovanna Tinetti, da University College, de Londres, uma das pesquisadoras que participaram do estudo.

— É bastante improvável que vacas sobrevivam por lá — brincou a cientista.

Em entrevista ao GLOBO publicada esta semana, um dos maiores especialistas em astrobiologia do mundo, o alemão Wolfgang Kundt, chamava atenção para o fato de que o surgimento de vida dependia da presença de 40 elementos químicos na superfície, além de um ambiente de temperatura e pressão estáveis.

O planeta extra-solar é um “Júpiter quente”, similar ao gigante gasoso do nosso Sistema Solar, mas que alcança temperaturas extremamente elevadas devido a sua órbita, muito próxima de sua estrela.

O importante, no entanto, apontam os cientistas, é a perspectiva de usar o mesmo tipo de tecnologia de observação em outros planetas com características menos hostis ao surgimento e evolução de formas de vida, acrescentou a especialista.

O HD 189733b é um dos mais de 270 planetas já descobertos fora do Sistema Solar. A maioria deles, entretanto, são muito gasosos e quentes para abrigar vida. Mas pelo menos um deles, chamado Gliese 581c, é suficientemente rochoso, mais parecido com a Terra e potencialmente capaz, ao menos, de abrigar a possibilidade de vida.

A idéia agora é justamente poder explorar mais a fundo tais possibilidades.

Nova forma de achar vida ET

O metano já foi detectado em vários planetas do Sistema Solar, como observaram os cientistas.

— Sob determinadas condições, o metano pode contribuir para a formação de aminoácidos, blocos de compostos orgânicos essenciais para a vida — afirmou outro integrante do grupo de pesquisa, Mark Swain, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

Por isso, segundo Swain, a detecção da molécula é um primeiro passo necessário para confirmar a existência de organismos vivos em outros mundos.

— Trata-se de um passo crucial para conseguirmos caracterizar moléculas orgânicas em planetas onde a vida poderia existir — afirmou. — Essas medições são importantes para o nosso objetivo máximo de determinar as condições, como temperatura, pressão, ventos, nuvens e composição química, nas quais a vida poderia surgir. A técnica usada agora é realmente a chave para esses estudos por ser a melhor forma de detectar moléculas.

12/03/2008 - 18:50h A terra será engolida pelo sol em 7.590 milhões de anos

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Corôa solar - Ejeção da corôa solar observada pelo satélite Soho em 2002.

La Tierra será tragada por el Sol en 7.590 millones de años

DENNIS OVERBYE (NYT) - Nueva York - El País

Al final, no quedarán ni los trozos. Si la naturaleza sigue su curso, dentro de unos 7.590 millones de años la Tierra será sacada de su órbita por el Sol, rojo e hinchado, y caerá hacia una rápida y vaporosa destrucción en una trayectoria espiral. Ésta es la previsión que indican los nuevos cálculos hechos por los astrónomos Klaus-Peter Schröder, de la Universidad de Guanajuato (México), y Robert Connon Smith, de la Universidad de Sussex (Reino Unido).

(more…)

19/02/2008 - 09:57h Via Láctea pode conter ‘centenas de planetas’ propícios à vida

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BBC Brasil

Planetas rochosos e provavelmente com condições adequadas para o surgimento de vida são mais comuns em nossa galáxia do que se crê atualmente, afirmaram pesquisadores americanos durante um congresso científico nos Estados Unidos.

O astrônomo Michael Meyer, professor associado da Universidade do Arizona, afirmou que entre 20% e 60% das estrelas semelhantes ao Sol na Via Láctea têm em sua órbita planetas com estruturas rochosas semelhantes à da Terra.

“Nossas observações encontraram evidência de formação de planetas rochosos, não diferentes dos processos que levaram ao planeta Terra”, ele afirmou no encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), que se realiza até esta segunda-feira em Boston, Massachussetts.

Meyer citou um estudo de sua autoria publicado na edição de fevereiro da revista científica The Astrophysics Journal com conclusões baseadas em observações dos telescópios Hubble e Spitzer.

Nelas, os investigadores detectaram discos de poeira cósmica em torno de estrelas, supostamente resultantes de grandes rochas que se chocaram entre si antes de formar planetas.

“Nossa antiga visão de que o sistema solar tem nove planetas será suplantada por uma de que existem centenas, se não milhares de planetas no nosso sistema solar”, afirmou Meyer à BBC.

Condições

Em sua intervenção no evento, a pesquisadora Débora Fischer, da San Francisco State University, disse que é mais provável encontrar vida extraterrestre em planetas de determinada massa e a certa distância de uma estrela.

Dadas essas condições, ela afirmou, é possível que um planeta possa suportar vida a partir de carbono - ou seja, orgânica -, pois o clima “não será muito quente nem frio, e poderia haver acúmulo de água”.

Já o pesquisador da agência espacial americana (Nasa) Alan Stern ressalvou que vasculhar o espaço em busca de vida em outros planetas é como “procurar uma agulha em um palheiro”.

“É como se quiséssemos explorar a América do Norte estando na costa leste e conhecendo apenas os cem quilômetros iniciais”, ele afirmou. “Não sabemos realmente o que vamos encontrar.”

Os pesquisadores concordaram que a nova geração de telescópios, que serão empregados em missões espaciais futuras, trará mais informações para aumentar o conhecimento da humanidade sobre o sistema planetário.