12/01/2009 - 09:17h Programa de aids começa a estagnar

Na opinião de especialistas, epidemia tem novas características que exigem mudança, principalmente na prevenção

Lígia Formenti, BRASÍLIA – O Estado SP

Após sucessivos elogios recebidos no cenário internacional, o Programa Nacional de DST-Aids começa a dar sinais de estagnação. Indicadores importantes, como número de casos novos e taxa de mortalidade, praticamente não mudaram nos últimos cinco anos. Os índices de transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez caíram, mas não como era esperado pelo próprio governo.

Além disso, com o aumento de casos no Norte e Nordeste entre homossexuais jovens e pessoas com mais de 50 anos, a epidemia adquiriu novas características, o que exige mudança na forma de atuação, principalmente na área de prevenção.

“O quadro é bastante preocupante, mas o que vemos é apenas comemoração”, afirma Mário Scheffer, da organização não-governamental Pela Vidda. Todos os dias , 97 pessoas se contaminam com o HIV, vírus da aids, e outras 30 morrem por causa da doença. “É como se um ônibus caísse do despenhadeiro diariamente e ninguém se importasse.”

Para Scheffer, os números estampam a necessidade de o programa fazer uma autocrítica, perceber o que não está dando certo e, nessas áreas, mudar a estratégia. “Mas o que vemos é o oposto. Há uma percepção coletiva de que tudo está maravilhoso, que temos o maior programa do mundo. Estamos vivendo de sofismas, não da realidade.”

O pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro diz que os dados divulgados no último boletim, em novembro, estampam uma lista de desafios que precisam ser enfrentados. Grangeiro, que já foi coordenador do programa nacional, observa que o País hoje apresenta não uma, mas várias epidemias de aids. Nas Regiões Sudeste, Sul e na faixa litorânea, há uma epidemia mais antiga e estabilizada, com queda do número de soropositivos usuários de drogas e um aumento dos casos entre gays jovens. No Norte e Nordeste, existe uma epidemia bem mais recente, formada principalmente por transmissão heterossexual. “Isso exige a adoção de estratégias diferenciadas na prevenção e na melhoria da qualidade do atendimento.”

O que preocupa nos Estados do Norte é a combinação de alguns fatores – menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV. Todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Talvez por isso a Região Norte apresente uma tendência de aumento nos índices de mortalidade. “Com a interiorização da aids, o País enfrenta outro problema, que é a desigualdade na qualidade dos serviços, a dificuldade no acesso ao tratamento. Isso precisa ser solucionado”, avalia a coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta.

Grangeiro aponta ainda outros dois pontos que precisam ser melhorados: quantidade de pessoas testadas para o HIV e o acesso a tratamento para gestantes contaminadas. “Muito se fala que a aids somente será controlada com a vacina. No caso das gestantes, o tratamento existente é uma forma de vacina, algo que previne a infecção do feto em quase 98% dos casos. Mesmo assim, o País continua registrando, todos os anos, uma triste marca de contaminações em bebês.”

O pesquisador da USP acredita que os maiores desafios estão em áreas que dependem de ações governamentais gerais. “Sem infraestrutura adequada nos serviços, não há como garantir diagnóstico precoce. Sem pré-natal de qualidade, não há como se certificar de que a gestante não é portadora do vírus, não há como ofertar tratamento adequado antiaids para o bebê. A qualidade das ações acaba esbarrando nos problemas gerais.”

PREVENÇÃO

A estimativa é de que 46% dos pacientes cheguem aos serviços em estágio adiantado da doença. Com isso, o efeito dos remédios antiaids será limitado. “Há muito o que melhorar nesta área”, diz Grangeiro. O infectologista Caio Rosenthal tem avaliação semelhante. “O programa melhorou muito, há avanços inegáveis. Mas em alguns pontos é possível avançar mais, como no diagnóstico precoce.” O infectologista Celso Ramos concorda: “É preciso mudar a cultura, tornar o teste mais disponível em toda a rede. “

12/06/2008 - 18:02h Esperança no tratamento de câncer

Câncer já pode ser considerado doença crônica por causa do avanço das terapias individualizadas

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Maria Vianna – O Globo Online

CHICAGO – O perfil genético do paciente vai ser cada vez mais importante para definir que tipo de tratamento seguir na hora em que é diagnosticado algum tipo de câncer. Das novidades apresentadas no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês) este mês em Chicago, o aperfeiçoamento e o barateamento de testes feitos com biomarcadores – moléculas que reconhecem características específicas de um tumor quando juntadas a ele – foram recebidos com entusiasmo pelos especialistas na área, que já falam inclusive que alguns tipos de câncer podem ser encarados como doença crônica. Para os especialistas, os tratamentos cada vez mais individualizados estão ajudando a prolongar a vida de pacientes. Isso significa que, com o tratamento adequado, as pessoas poderão viver anos, assim como ocorre com doenças como diabetes e hipertensão arterial.

- Há seis, sete anos, a sobrevida do câncer de cólon era de 11 meses. Hoje já é 30 e está crescendo. É cada vez mais comum ver pacientes de câncer ditos incuráveis com sobrevida de dez anos. Nos casos do de mama , reto e próstata, a sobrevida está aumentando a cada ano que passa – explica o oncologista Gilberto Amorim, do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Estes testes identificam se o paciente vai se beneficiar mais da quimioterapia, da radioterapia ou de uma combinação de tratamentos que inclui drogas orais, ou até mesmo se o tratamento escolhido não vai ser eficaz.

- No início, o tratamento do câncer era basicamente a quimioterapia, que funciona como tiro de cartucheira, ou seja, atira para todo lado. Às vezes, a quimioterapia acerta o alvo certo, às vezes mais do que deveria e outras vezes, nada. Isso não é o ideal. Os tratamentos hoje visam atingir apenas as células cancerosas, sem afetar as células saudáveis. É como se a gente trocasse a cartucheira por um tiro teleguiado – explica o oncologista Paulo Hoff, diretor do setor de oncologia do Hospital Sírio Libanês e do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Polêmica envolvendo o teste

Para médicos e pacientes, esta notícia tem um grande impacto não só na forma do tratamento, como também em seu custo. Embora um teste deste tipo custe cerca de R$ 3 mil, o paciente com câncer pode gastar o triplo disto em quimioterapia e medicamentos antes de perceber que o tratamento não está dando certo.

Por outro lado, os testes que verificam se o indivíduo tem alto risco de sofrer algum tipo de câncer – que já podem ser feitos no caso do de mama e de cólon – ainda não são bem aceitos pela comunidade médica. A oncologista Clarissa Matthias, diretora do Núcleo de Oncologia da Bahia, frisa que o teste pode ser eficaz em doenças que podem ser evitadas com atitudes preventivas.

- No câncer de mama, mulheres que testam positivo para mutações que quase sempre levam à doença reduzem suas chances em 90% quando fazem uma mastectomia profilática. Se o câncer de mama fosse comum na minha família, ia querer que minha filha fizesse o teste e a cirurgia de retirada das mamas. É uma escolha da pessoa com seu médico, mas acho importante ter esta opção – diz a médica.

Hoff discorda, lembrando que mesmo com uma alta chance de desenvolver o câncer, a pessoa pode nunca desenvolver a doença.

- Podemos até fazer um cálculo, dependendo do tipo de câncer, de quanto é causado pela genética e pelas atividades do dia-a-dia. São pouquíssimas as situações em que o teste vai determinar se a pessoa vai ter câncer e ela vai estar com o destino selado. Os testes que prevêem se as pessoas vão ou não ter câncer são polêmicos e ainda vão demorar bastante para serem adotados pelos médicos – acredita o oncologista.

11/06/2008 - 19:04h Alunos do Nordeste puxam para cima nota do ensino básico

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Ideb 2007
Notas para o ensino: educação básica registrou crescimento no Ideb 2007

Marta Reis – O Globo Online e Demétrio Weber – O Globo

RIO – O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2007 (Ideb), indicador de qualidade do Ministério da Educação (MEC), registrou crescimento em todos as etapas de ensino entre 2005 e 2007, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo ministro Fernando Haddad. De acordo com o MEC, a Região Nordeste foi uma das que mais contribuíram para o crescimento das notas, já que ela ultrapassou as metas para 2007 e para 2009 nos três níveis.

As séries iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª série) foram as que apresentaram o maior crescimento – a nota passou de 3,8 para 4,2. Pelas metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), elas devem atingir média 6 em 2021, o equivalente ao desempenho dos países desenvolvidos numa avaliação internacional em 2003.

As demais séries do ensino fundamental (4ª a 8ª) e o ensino médio também tiverem aumento no Ideb, porém menores – de 3,5 para 3,8, e de 3,4 para 3,5, respectivamete. O Ideb é calculado levando em consideração a nota dos alunos da rede pública na Prova Brasil e a evasão escolar. (Veja o desempenho de cada estado do Ideb 2007)

Para o professor Francisco Soares, especialista em sistemas de avaliação e indicadores de Educação da Universidade Federal de Minas (UGMG), os dados são positivos pois mostram que, pela primeira vez, o foco do sistema educacional é o aprendizado dos alunos.

- Com as metas, o MEC sinaliza para as escolas o quanto e em quanto tempo elas devem melhorar. Esta é a primeira vez que o Brasil fez isso e conseguimos melhorar. Já é um primeiro passo. Claro que as próximas metas serão muito mais ambiciosas do que as de 2007 ou 2009, mas é preciso começar devagar. Pelo menos não pioramos – esclarece Soares.

O professor atribui o bom resultado ao comprometimento do governo com o Plano Nacional de Educação (PNE), criado em 2007.

- A primeira meta do PNE é melhorar os índices educacionais no Brasil, e os resultados mostram que demos o primeiro passo – completou ele
Nota do ensino médio piorou no Rio e melhorou em São Paulo

De acordo com a planilha divulgada pelo MEC, o Ideb piorou no ensino médio e melhorou no ensino fundamental no estado do Rio de Janeiro, entre 2005 e 2007. Os resultados mostram que a nota da rede pública fluminense de ensino médio, majoritariamente estadual, caiu de 3,3 para 3,2, na escala até 10. Nas séries iniciais do ensino fundamental, o índice subiu de 4,3 para 4,4 e, nas séries finais, de 3,6 para 3,8.

A meta do Rio para 2007, no ensino médio, era 3,3, mesma de 2005. Assim, bastaria repetir o desempenho. Mas as escolas fluminenses tiveram um resultado pior, caindo na escala. A queda ocorreu no chamado fluxo escolar, que reflete o aumento da repetência e da evasão. Na Prova Brasil, a nota subiu. (Confira o Ideb 2007 por estado)

A secretária estadual de Educação do Rio de Janeiro, Tereza Porto, considerou “bastante fraco” o desempenho do estado no Ideb :

- Tivemos um resultado bastante fraco.Tem que melhorar muitíssimo a qualidade do ensino aqui e no Brasil. Se formos olhar os resultados, a situação de todos não é satisfatória. O Brasil inteiro tem que evoluir. O Rio está fazendo o possível.

Para melhorar o desempenho dos alunos, a secretaria de Educação informou que está tomando uma série de medidas nos âmbitos pedagógico e de infra-estrutura, tais como a criação do Programa de Gestão Escolar, desenvolvido para capacitar 5.330 profissionais de educação, entre diretores, adjuntos e coordenadores pedagógicos.

Já em São Paulo, as notas subiram nos três ciclos escolares, entre 2005 e 2007. No ensino fundamental, ela passou de 4,7 para 4,9, nas séries iniciais e de 4,2 para 4,3 nas finais. No ensino médio, a variação foi de 3.6 no mesmo período.

O Ideb é calculado com base no desempenho dos alunos da rede pública na Prova Brasil, teste de leitura e matemática aplicado a cada dois anos nas turmas de 4 e 8 série do ensino fundamental (5 e 9 ano, onde o ensino fundamental já dura nove anos) e do 3 ano do ensino médio, e nas taxas de aprovação de todas as séries.

08/04/2008 - 04:28h Quando o diagnóstico precoce vira pesadelo

Uma empresa americana chamada Power3 Medical Products diz estar com quase tudo pronto para lançar nos Estados Unidos e na Europa um exame de sangue capaz de detectar os males de Alzheimer e Parkinson em seus estágios iniciais. A princípio, se for mesmo acurado, seria uma boa notícia porque o diagnóstico de ambas as doenças é complicado e só pode ser feito após o surgimento dos sintomas. O problema é o que os pacientes de fato ganharão com o diagnóstico precoce de doenças incuráveis. Descobrir mais cedo que desenvolverão uma doença para a qual não há tratamento eficiente? Esse não é um dilema só para o teste da Power3 Medical Products. Vale para o diagnóstico precoce de doenças para as quais a medicina tem pouco a oferecer.
Por enquanto, testes genéticos indicadores de risco de doenças graves têm dado mais dor de cabeça do que benefícios, pois há o temor que as informações sejam usadas por empregadores e seguradoras para discriminar pessoas. E essa discussão está só no início. Fonte O Globo