12/03/2009 - 10:37h Para OMC, Brasil é exemplo a ser seguido

Assis Moreira, de Genebra – VALOR

http://www.ofir4news.com.br/wp-content/uploads/2009/02/6jpg8.jpgO Brasil indicou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) que uma proposta de aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para produtos lácteos, de couro, têxteis e de madeira, se for aprovada e implementada terá “abrangência muito limitada e para resolver situações muito específicas”. A proposta está em discussão no bloco desde novembro e vários parceiros comerciais pediram esclarecimentos sobre sua aplicação, durante o exame da política comercial brasileira, encerrada ontem com a entrega de 316 páginas de respostas de Brasília.

Segundo o mediador do exame, o embaixador húngaro Istvan Major, o sentimento geral dos parceiros foi de que o Brasil, apesar da desaceleração econômica, “tem muito boas chances de resistir muito melhor na crise do que os outros”. Para ele, “o Brasil é um modelo a ser seguido”.

Uma “apreciação generalizada” foi manifestada sobre a decisão do país de “resistir a pressões protecionistas” ao não expandir a abrangência de licenças de importação não-automáticas. Mas várias delegações questionaram demandas atuais de licença. O Brasil respondeu que está tomando medidas para minimizar o impacto das licenças e que não tem intenção de impor novas exigências sobre uma lista maior de produtos.

Países pobres se manifestaram em peso elogiando o Brasil, mas também cobraram a promessa de acesso livre de cotas e tarifas para seus produtos no mercado brasileiro, feita no âmbito da Rodada Doha, que está longe de terminar.

O relatório dos economistas da OMC, que inclui o brasileiro Alberto Bueno, apontou o aumento da presença do Estado nos financiamentos e a suspeita de que as taxas de juros cobradas pelos bancos oficiais embutem subsídios que atropelariam as regras internacionais. Mas a reação foi bem tímida, no rastro da crise atual. Segundo o mediador, poucos países indagaram sobre os programas de financiamento à exportação que teriam “algumas distorções no comércio”.

Em relação ao exame realizado em 2004, a conclusão foi de que a política comercial hoje é mais aberta, que a burocracia persiste, mas diminuiu, e a modernização está em curso nas aduanas. Sobre a pouca transparência em regulações técnicas e medidas sanitárias e fitossanitárias, o mediador disse que “são problemas não só do Brasil, mas de outros países também”.

O exame do Brasil provocou 800 questões, muitas delas refletindo preocupações bem específicas. A China recusa há meses prorrogar um acordo com o Brasil pelo qual restringe voluntariamente exportações de têxteis e vestuário para o país. O resultado é que aumentarão as medidas antidumping contra os chineses. Assim, sem surpresas Pequim indagou sobre uma suposta cláusula de “interesse nacional” que a Câmara de Comércio Exterior usaria para decisão final nos casos de dumping. O Brasil respondeu que as sobretaxas só visam combater o dumping que causa prejuízos à indústria nacional.

Os Estados Unidos, o Canadá e o México, sócios no Nafta, apareceram com um extenso comentário sobre a importância de países produtores de aço “não influírem nas exportações”, nem limitarem as importações. O Brasil retrucou que só monitora o preço do aço importado. E que está preocupado com a implementação do “Buy America” aplicado aos siderúrgicos.

Entre as inúmeras perguntas da União Europeia, uma foi sobre o que o Brasil está fazendo para assegurar produção sustentável de biocombustível, incluindo respeito a padrões trabalhistas e implicação na mudança do uso da terra. A resposta foi de que a ocorrência de “práticas de trabalho ilegal em plantações de açúcar são residuais”, que a expansão da cana de açúcar é em áreas degradadas e que o governo tem um plano agroecológico que dirá onde o cultivo de cana será proibido, autorizado ou encorajado.

A UE quis saber em detalhes também o estado e as condições de negociações de acordos do Mercosul com a Índia, a África do Sul e outros países. E perguntou se o bloco pretende incluir cláusulas sociais e trabalhistas nos acordos. A resposta foi “não”.

Cingapura, um paraíso fiscal, quis saber porque o Brasil cobra 25% na repatriação de ganhos para países com baixos impostos, comparado a 15% para outros países. O Brasil explicou que carrega mais na taxa no fluxo de capital com os paraísos fiscais para prevenir evasão fiscal.

O Canadá, um dos grandes exportadores agrícolas, perguntou sobre o impacto da crise atual sobre os produtores agrícolas brasileiros. A delegação brasileira respondeu que a liquidez está melhorando, mas a produção de grãos cairá 6,4% e há preocupações sobre a demanda e preços externos.

A Nova Zelândia, um dos maiores exportadores de lácteos, quis saber a racionalidade de o Mercosul, hoje exportador desses produtos, aplicar taxa bem maior na importação, de 18,8%. O Brasil respondeu que enquanto persistirem os subsídios para lácteos no comércio internacional, a taxa não diminuirá.

06/03/2009 - 09:49h Indústria tem recuperação localizada

 

Silvia Costanti / Valor

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit: “Os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição”

Sergio Lamucci, Sergio Bueno e Vanessa Jurgenfeld, de São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis – VALOR

Os impactos da crise financeira sobre a atividade industrial foram díspares em fevereiro. Segmentos cuja demanda está ligada à renda da população, como calçadistas e têxteis, já sentiram claramente uma recuperação de encomendas e consideram que a pior fase da crise passou. Para empresas e setores cuja produção é alimentada por crédito ou investimento, as realidades são distintas. Ao mesmo tempo em que grandes usinas siderúrgicas desligam alto-fornos, fabricantes de máquinas e equipamentos, como Randon e Marcopolo, já sentiram uma melhora nas encomendas em fevereiro e março. Mesmo as empresas e setores que relatam uma recuperação em fevereiro e neste começo de março, contudo, indicam queda de produção em relação ao mesmo período do ano passado.

Hoje o IBGE divulga o resultado da produção industrial de janeiro. Os analistas esperam forte crescimento em relação a dezembro de 2008, feito o ajuste sazonal. A LCA Consultores projeta alta de 9,2%. Na comparação com janeiro do ano passado, contudo, a estimativa é de recuo de 10,2%. O Santander aposta em crescimento de 11% sobre dezembro e queda de 9,5% em relação janeiro de 2008.

Entre os indicadores já conhecidos, venda de automóveis e consumo de energia indicam que fevereiro voltou a crescer sobre janeiro. O licenciamento de automóveis e comerciais leves atingiu a média diária de 10,9 mil unidades, mais que os 10,1 mil de janeiro deste ano e os 10,4 mil de fevereiro do ano passado, na série com ajuste sazonal calculada pela LCA. O resultado é efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), destacam analistas e empresários do setor. O consumo diário de energia elétrica, por sua vez, atingiu a média de 50,2 MW em fevereiro, 2,7% a mais do que no mês anterior, também na série livre de influências sazonais. Em relação ao mesmo mês de 2008, houve queda de 0,59%.

O setor têxtil brasileiro acredita que o pior da crise já passou e vê sinais de melhora das encomendas nos últimos dias, após um primeiro bimestre fraco. “O varejo retomou os pedidos, está conseguindo girar seus estoques. Ainda vai levar algum tempo para que esse movimento ganhe velocidade, mas há bons indicativos para março”, diz Zeno Fischer, diretor de controladoria e planejamento da Lepper, de Joinville (SC). Indústria de cama, mesa e banho, a Lepper fechou o primeiro bimestre com queda de 10% nas vendas em relação ao igual período de 2008. Em fevereiro, até registrou uma melhora de vendas em relação a janeiro deste ano em torno de 20%, mas as vendas ficaram 10% abaixo do mesmo mês do ano passado. Segundo Fischer, apesar de um começo de ano de vendas em queda, a Lepper projeta crescimento de 10% no faturamento do ano, para R$ 145 milhões em 2009.

Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, há sinais melhores no setor, mas fevereiro foi um período de vendas menores do que igual mês do ano passado. “Mas há um clima de retomada da atividade, os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição. Nossa expectativa é que o pior (da crise) tenha passado”, diz. Na sua avaliação, as empresas do setor não farão mais paradas de ajuste de estoques, e embora exista um crédito ainda caro e restrito, as têxteis poderão ter um desempenho no ano melhor do que outros setores porque as compras de vestuário dependem pouco de crédito.

Na Indústria São Roberto, que atua no segmento de papelão ondulado, as vendas em fevereiro caíram 10% em relação ao mesmo mês do ano passado, uma queda ligeiramente inferior aos 12% registrados em janeiro na comparação com janeiro de 2008. A expectativa do presidente da empresa, Roberto Nicolau Jeha, é de que em março haja uma queda de 5% sobre o mesmo mês de 2008. “Março começou um pouco melhor do que fevereiro”, diz ele, acrescentando que só acredita numa melhora mais consistente no segundo semestre. Jeha diz que a demanda por papelão ondulado caiu menos por parte de empresas de alimentos e produtos de limpeza. No caso das companhias que dependem mais do crédito, como fabricantes de televisores e eletrodomésticos, o tombo foi maior.

O presidente da distribuidora de aço Rio Negro, Carlos Loureiro, diz que houve uma melhora na demanda por parte da indústria automobilística, beneficiada pela redução do IPI para veículos. Segundo ele, montadoras e empresas de autopeças voltaram a comprar com mais força, o que ajudou um pouco nas vendas de fevereiro e continua a auxiliar nas de março. “Mas não houve melhora nos outros segmentos”, diz ele, dizendo que continua fraca a procura por parte de empresas de máquinas agrícolas, rodoviárias e equipamentos para infraestrutura.

A indústria calçadista iniciou o ano com cenários distintos no mercado interno e nas exportações. As vendas domésticas arrancaram bem, turbinadas em alguns casos por descontos e aumentos de prazos de pagamento. Os fabricantes aguardam a reposição dos estoques dos lojistas, em maio, para confirmar a tendência. As exportações recuaram 23,9% no primeiro bimestre em comparação com igual período de 2008, para
US$ 280,6 milhões, mas o setor espera algum crescimento em 2009, impulsionado pela desvalorização do real, após a queda em volume e faturamento no ano passado.

Segundo o diretor comercial da gaúcha Piccadilly, Marlon Martins, em janeiro e fevereiro a empresa aumentou prazos de pagamento em 30 dias e concedeu descontos de 5% a 15% em algumas linhas para estimular os negócios no mercado interno. O resultado foi um aumento de três vezes no volume de vendas em fevereiro na comparação com janeiro, para mais de 600 mil pares. Em relação ao mesmo período de 2008, a alta foi de 2,5 vezes, informa o executivo.

No mercado externo, o recuo das vendas apontado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no bimestre deveu-se à demora na reposição dos estoques dos importadores em função da desaceleração econômica na América do Norte e Europa, avalia o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Ricardo Wirth. “Não esperávamos uma queda tão alta, mas não chegou a ser surpreendente.” Em fevereiro, as exportações renderam US$ 138 milhões, 3,3% a menos do que em janeiro e 29,3% abaixo do mesmo mês de 2008. Para o empresário, março ainda será um mês de “transição” entre as encomendas das coleções de verão e de inverno para o hemisfério norte.

Alguns setores e empresas ainda não sentiram recuperação da atividade, como a Usiminas e a CSN. A primeira anunciou que vai paralisar, a partir de segunda-feira e por tempo indeterminado, o alto-forno n 1 da usina de Cubatão na Baixada Santista. A CSN, que também produz aços planos, vai paralisar por 40 dias o alto-forno n 2, que responde por 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ). O presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, justificou a decisão pela falta de sinais mais consistentes de demanda para o segundo trimestre.

Por outro lado, a Marcopolo, maior fabricante brasileira de carrocerias para ônibus, após fechar o primeiro bimestre com vendas 10% menores, sentiu recuperação em março. A Randon, que produz implementos agrícolas, também espera retomada das vendas.

03/03/2009 - 11:37h Lula: prêmio antiprotecionista

Diretor-geral da OMC diz que País resiste à tentação

http://blogvisao.files.wordpress.com/2007/06/1a-lamy0027.jpglula_caricatura.bmp

Jamil Chade – O Estado SP

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, aponta o Brasil como o exemplo máximo de um governo que está resistindo às tentações protecionistas, indicando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mereceria até “um prêmio”. Para Lamy, Lula superaria o presidente americano, Barack Obama, que ficaria em segundo lugar por estar tentando criar pacotes de socorro que respeitem as leis internacionais.

Para Lamy, que está na Austrália, o governo brasileiro seria o “exemplo” de decisões equilibradas em relação ao comércio.

Em sua avaliação, a tentação ao protecionismo é compreensível diante da crise e de demissões em massa. Mas alertou que barreiras podem ser um “tiro no pé”. “Todos querem proteger empregos, pensões, ou seu dinheiro, mas o protecionismo não funciona “, afirmou.

Lamy defendeu que a única forma de sair da crise é insistir em aumentar o comércio e os gastos. Países como Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia estão evitando medidas protecionistas.

Mas todos os elogios vão para o comportamento do Brasil. “Se houvesse um prêmio para esse período, acredito que o presidente Lula teria de receber”, disse. Lamy quer usar o Brasil como exemplo diante da decisão do governo de abandonar as licenças que estabeleceu às importações, em janeiro.Diante da reação generalizada, Lula acabou retirando a nova barreira.

CRÍTICAS

Mas nem todos apontam o Brasil como exemplo. Na próxima segunda-feira, o País terá sua política comercial questionada na OMC.Governos de todo o mundo enviaram mais de 530 perguntas ao Brasil sobre sua política comercial e o governo agora terá de dar uma resposta.

O questionamento não significa a abertura de uma disputa comercial contra o Brasil.

Mas parte dos ataques se referem à elevação de tarifas no Brasil. A média de impostos passou de 10,4% para 11,5%. Isso ocorreu diante da elevação de tarifas de importação para têxteis de calçados.

03/03/2009 - 09:50h Aumento das exportações em fevereiro e queda das importações: balança comercial tem superávit

http://www.transaex.com.br/img_noticias/20090202122915_noticias.jpg

Importação cai e balança fecha mês com superávit

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

A forte queda nas importações levou a balança comercial a um superávit de US$ 1,76 bilhão em fevereiro. De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o mês passado foi marcado pelo aumento das médias diárias das exportações em relação a janeiro, queda acentuada das importações e tendência de maior participação dos países em desenvolvimento – principalmente da Ásia, que saiu de 15,5% (fevereiro de 2008) para 21,5% – nos destinos das exportações brasileiras.

Para Barral, depois de um janeiro muito ruim para a balança comercial, fevereiro foi melhor, apesar do cenário de crise e do menor número de dias úteis. O saldo de US$ 1,76 bilhão é resultado de vendas de US$ 9,58 bilhões e compras de US$ 7,82 bilhões. A comparação com fevereiro de 2008, por meio das médias diárias, revela quedas de 20,9% nas exportações e 30,9% nas importações. Levando em conta os dois primeiros meses do ano, as diminuições são de 21,9% (exportação) e 21,6% (importação).

A desvalorização do real e o menor ritmo de crescimento da economia reduziram as importações. Por outro lado, a crise mundial diminui a demanda por produtos brasileiros. Segundo o governo, a queda das importações em fevereiro também foi marcada pela retração dos preços do petróleo e derivados. Esse movimento foi responsável por uma redução de US$ 461 milhões nas compras do mês em relação a fevereiro de 2008.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirma que os números da balança em fevereiro mostram uma velocidade maior dos impactos da crise. Ele explica que o ritmo de queda das importações (30,9%) era esperado para março. “Atualmente, isso é mais provocado pelo câmbio que pela demanda, mas esses dois efeitos tendem a ter pesos iguais”, diz.

No lado das importações, as médias diárias de fevereiro mostram que todas as categorias de produtos tiveram reduções em relação a fevereiro de 2008. As maiores foram de petróleo (44%), matérias-primas e intermediários (34,3%), bens de capital (16,7%), bens de consumo duráveis (9,9%), automóveis (8,8%) e não duráveis (5,4%).

Na análise da quantidade importada, a queda foi de 42,9% em relação a fevereiro de 2008. A categoria mais afetada foi a de matérias-primas e intermediárias (47,7%). A maior redução, 85,4%, foi no segmento de matérias-primas para agricultura. Combustíveis perderam 40% em quantidade. As demais quedas ocorreram em maquinaria industrial (0,3%), bens de consumo duráveis (7,6%), não duráveis (12,9%), produtos alimentícios primários (41,7%) e produtos minerais (41,2%).

A perspectiva da balança comercial é “turbulenta”, segundo o dirigente da AEB. Para ele, as exportações continuam fracas e os países emergentes vão reduzir importações por falta de divisas. Quanto aos principais parceiros comerciais do Brasil, o cenário previsto por Castro também é desanimador. Em 2009, ele acredita que vai haver déficit com os EUA, pela primeira vez desde 1999, o que revela “a fraqueza da pauta de exportações com o maior mercado do mundo”. O saldo negativo com a China vai permanecer e o superávit com a Argentina vai diminuir.

Barral detalhou os números do comércio com China e EUA em fevereiro. Nas importações, o comércio com os EUA teve, na comparação com o mesmo mês de 2008, aumentos de 3,4% no valor e 6,2% nos preços, mas queda média de 7,1% nas quantidades. As maiores diminuições de quantidade foram em químicos orgânicos (53,4%), plásticos (40%), químicos diversos (32,1%), eletroeletrônicos (14,5%), máquinas e equipamentos (7,2%) e instrumentos óticos (2,2%).

Com relação às importações da China, fevereiro teve, em média, quedas de 12,4% no valor e 37,9% na quantidade, mas aumento de 34,3% nos preços. Os maiores aumentos de quantidade foram para têxteis (80,6%), ferro fundido (11,6%), calçados (9,6%) e químicos orgânicos (4%). As maiores quedas foram para combustíveis minerais (40,5%), máquinas/equipamentos (38,4%), siderúrgicos (28,3%), instrumentos óticos (22,5%), eletroeletrônicos (20%) e automóveis (12,4%).

02/02/2009 - 09:18h Alheias à crise, commodities sobem em janeiro

http://www.defesacivil.rs.gov.br/comunicacao/noticia/20061003-162937/milho2.jpg

Fernando Lopes e Mônica Scaramuzzo, de São Paulo – VALOR

Com forte influência dos chamados fundamentos, todas as oito principais commodities agrícolas negociadas pelo Brasil no mercado internacional encerraram o mês de janeiro com preços médios superiores aos de dezembro de 2009.

Tal “alinhamento positivo”, exposto por cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) transacionados nas bolsas de Chicago (soja, milho e trigo) e Nova York (açúcar, café, cacau, suco de laranja e algodão), não era visto desde junho de 2008, em plena inflação global dos alimentos.

Ainda que o nervosismo nos mercados mundiais tenha sido muitas vezes exacerbado pelas notícias de desaceleração econômica tanto em países desenvolvidos quanto em emergentes em janeiro, provocando movimentações financeiras que ajudaram a influenciar as commodities, o resultado não foi negativo para as cotações como muitos analistas temiam no fim de dezembro, em meio a um cenário de muitas incertezas.

Tragadas pelo aprofundamento da crise americana a partir de setembro, as cotações internacionais dos produtos agrícolas registraram queda ab-rupta até o fim do ano passado. Especialistas já alertavam que as relações de oferta e demanda não justificavam tamanha desvalorização, apesar da tendência de desaceleração. Com os fundamentos em geral “altistas” do mês passado, houve espaço para correções.

Vinícius Ito, analista da Newedge, corretora baseada em Nova York, lembra que um forte movimento de desova de posições por parte de investidores até o fim de 2008 colaborou sobremaneira para as fortes quedas observadas. Em janeiro, diz, muitos deles renovaram as apostas, fortalecidas pelos fundamentos.

No caso dos grãos negociados em Chicago, pesaram as quedas de produção na América do Sul por causa da seca, principalmente na Argentina, e o aquecimento da demanda de países consumidores importantes como a China, que decidiu recompor seus estoques com os preços mais em conta do que nos três primeiros trimestres do ano passado.

Nesse cenário, as cotações da soja foram as que mais subiram. Segundo o Valor Data, a média de janeiro atingiu US$ 9,9745 por bushel, 14,29% acima que a média de dezembro. A valorização do trigo, por sua vez, chegou a 9,49% na mesma comparação, e o bushel foi negociado, em média, por US$ 6,0168. O preço médio do milho subiu 7,11%, para US$ 4,0179 por bushel.

Ito acredita que, se depender apenas dos fundamentos, as cotações dos grãos poderão se estabilizar em torno desses patamares. Pelo critério dos preços médios, soja e milho estavam em baixa em Chicago desde julho de 2008; o trigo, desde agosto.

Não foram muito diferentes as equações que definiram as cotações das chamadas “soft commodities” em Nova York em janeiro. Os fundamentos prevaleceram também para esses produtos. “Se fizermos uma análise do mercado, nada efetivamente mudou muito. O mercado de crédito continua limitado, ainda sem fluir como deveria. A volatilidade também se manteve em janeiro e o dólar ficou mais firme, o que ajuda a pressionar as cotações”, explicou Rodrigo Costa, da Newedge.

No entanto, os preços das commodities fecharam firmes em janeiro, respaldados pelos fundamentos já conhecidos de cada commodity. Nenhum fator novo modificou o rumo do açúcar, café, suco, algodão e cacau. Para o açúcar, os preços refletem o primeiro déficit global depois de três anos de superávit mundial. A média de janeiro atingiu 12,62 centavos de dólar por libra-peso, 6,41% acima que a média de dezembro.

No café, a menor colheita no Brasil em 2009, resultado da bianualidade da safra (produtividade baixa a cada dois anos) também tem dado sustentação aos preços. O grão acumulou valorização de 7,22% em janeiro, com preços médios de US$ 1,1871 por libra-peso. A queda da produtividade dos países da América Central também tem ajudado a dar suporte às cotações.

As previsões de geadas sobre os pomares da Flórida, segundo maior produtor mundial de suco de laranja, embora não tenham ainda provocado danos às regiões produtoras dos EUA, deram sustentação ao produto no mês passado. Os riscos de estragos não se concretizaram, mas foram suficientes para elevar os preços do suco, que em janeiro acumularam alta de 2,61%, com preços médios de 76,88 centavos de dólar por libra-peso.

O algodão também subiu, apesar da baixa demanda global por têxteis. Segundo Fernando Martins, da Newedge, a menor área plantada para a pluma nos EUA sustentou as cotações. No mês o produto acumula alta de 8,68%, com preço médio de 49,57 centavos de dólar. O cacau subiu 6,06% no mês, negociado a US$ 2.591,20 a tonelada, por conta dos problemas na produção na Costa do Marfim e Gana e atraso da chegada da amêndoa até os portos.

10/11/2008 - 12:13h O que fazer com a China na crise

http://www.lawrei.eu/MRA_Alliance/wp-content/uploads/2008/07/china_growth.jpg

Sergio Leo – VALOR

O Brasil tem dois tipos de preocupações em relação à China, que, apesar do tamanho, é um participante discreto das reuniões de cúpula convocadas para evitar uma ameaçadora recessão mundial. Analistas buscam na peculiar macroeconomia chinesa pistas da reação do país à crise e da capacidade de ajudar o mundo a atravessá-la. Ao mesmo tempo, o Brasil debate a melhor estratégia para lidar com a crescente voracidade chinesa no mercado internacional.

Em Brasília, as autoridades esperam receber neste mês um sinal de como a China vai combinar a retração dos mercados consumidores e as sensibilidades afetadas pelo apetite dos exportadores chineses. Vence em dezembro o prazo combinado na OMC para que os países sócios pudessem impor salvaguardas contra produtos têxteis chineses. Com a extinção das salvaguardas hoje aplicadas pelo Brasil, estará liberada a entrada de têxteis da China no mercado brasileiro, o que apavora os concorrentes nacionais. O governo brasileiro sugeriu uma alternativa às salvaguardas; os chineses fazem mistério.

O Brasil quer um “mecanismo de consultas” entre os setores privados dos dois países, sob a supervisão dos governos: sempre que houver alta muito forte nas vendas chinesas ao Brasil, se não houver acordo privado para evitar danos sérios aos concorrentes nacionais, o governo brasileiro poderia adotar “medidas administrativas” contra as “distorções” no comércio.

“É um mecanismo muito mais suave do que existe hoje”, defende o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, que não dá detalhes sobre as “medidas administrativas” cogitadas. Os chineses temem criar precedentes contra as próprias importações e estão calados desde meados de outubro, quando receberam respostas a pedidos de esclarecimento sobre a proposta brasileira.

Neste ano, haverá déficit recorde no comércio com a China. As compras de produtos chineses vão superar em mais de US$ 2 bilhões as vendas do Brasil àquele país. Até outubro, mesmo com menor ritmo de crescimento, o déficit já chegou perto do alcançado em 2007 (US$ 1,87 bilhão): as importações brasileiras foram quase US$ 1,8 bilhão superiores às vendas para aquele mercado. “Precisamos diversificar a pauta de exportações para a China, que importa muitos manufaturados, mas não do Brasil”, diz Ramalho.

No último trimestre, houve aumento forte no ritmo de aumento das vendas à China, e uma redução do ritmo de crescimento das compras. Mas os negócios com grãos e óleo de soja são os maiores responsáveis pelo melhor desempenho, e representam, sozinhos, 42,5 % das exportações brasileiras à China. Com as exportações de minério, somam 70% do total. No caso da soja, pelo menos, é boa notícia o fato de que se destinam ao mercado consumidor interno, como reflexo da melhoria nas condições locais de alimentação e urbanização – algo que a recessão mundial não abalará muito..

O governo prepara um esforço de exportação para a China e, baseado nas estatísticas de comércio, já identificou setores como máquinas para têxteis e couros, autopeças e motores, preparações alimentícias e equipamentos diversos que os chineses compram de outros países. “Estamos na fase de identificar, no caso de máquinas e equipamentos, que produtos são comprados, de quem e por quê”, relata Ramalho. No próximo ano, missões comerciais para vender manufaturados serão enviadas à China.

O secretário-executivo da Câmara de Comércio Brasil-China, Rodrigo Maciel, argumenta que o principal fator responsável pelo aumento de importações de produtos da China são as compras feitas pela própria indústria brasileira, de máquinas e equipamentos. Essas importações de bens de capital representam, há anos, mais de 50% do total das importações, e o crescimento até setembro de 2008 chegou a 78% em relação ao mesmo período do ano passado, lembra ele.

As vendas chinesas de têxteis ao Brasil aumentaram 50%, mas perderam espaço no total das importações originadas na China, pela primeira vez nos últimos anos, de 7,9% para 7%. As de brinquedos também decresceram de 2% do total para 1,2% do total (o aumento das exportações de brinquedos em relação a 2007 foi de quase 35%). Maciel desdenha dos temores de uma invasão potencial de produtos chineses deslocados pela recessão dos mercados desenvolvidos. “O esforço estratégico das exportações chinesas para diversificar mercados já aconteceu e eles ocuparam o que podiam”, argumenta. “O Brasil foi um dos países para os quais mais cresceram as vendas da China.”

“Os chineses estão aumentando o valor agregado dos produtos vendidos para cá e isso preocupa cada vez mais setores industriais”, responde o presidente do Conselho d e Comércio Internacional da Fecomercio, Mario Marconini, que, amanhã, promove um seminário em São Paulo dedicado às conseqüências da crise para a China e o Brasil. “Todos precisamos da China, para dar fôlego ao mercado mundial. A a questão é como irão reagir à crise”, acrescenta.

Muito do que acontecerá no comércio com os chineses dependerá da reação da China ao desaquecimento na economia mundial. Até setembro, apesar da redução no ritmo de crescimento, as exportações chinesas aos EUA continuam firmes, e mesmo os bancos mais expostos a maus negócios no mercado americano mostraram bons resultados no terceiro trimestre, segundo a consultoria GaveKalDragonomics. O setor imobiliário contraiu-se com as medidas oficiais de restrição de crédito, e a produção industrial perde fôlego, mostrando sinais de acúmulo de estoques.

Ainda não se sabe se são estoques de bens intermediários, sinal de gestão de preços nas indústrias, ou de bens finais, que mostrariam preocupante retração na demanda tradicional por mercadorias chinesas. Na semana passada, as autoridades locais anunciaram liberação de quase US$ 600 milhões para incentivar o mercado interno. Mas a resposta chinesa ainda é um dos maiores enigma da crise.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

07/11/2008 - 11:19h Têxteis e calçadistas reduzem férias

Davilym Dourado / valor

Com estoques altos, Buettner concede férias coletivas a todos os funcionários, afirma o presidente da empresa, João Henrique Marchewsky

VALOR de São Paulo. Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Recife

http://www.assintecal.org.br/assintecal/images/conteudofoto/conteudo_14731_foto_1_calcadistas.jpgNos setores têxtil e calçadista, as férias de fim de ano foram mantidas e, alguns casos, até reduzidas. Um dos principais pólos calçadistas do Rio Grande do Sul, Sapiranga está registrando reduções nos períodos de férias coletivas devido ao mercado aquecido para as indústrias do setor, disse o diretor do sindicato dos trabalhadores local, Leandro dos Santos. A Paquetá, que opera nos mercados interno e externo e emprega 3 mil pessoas na cidade, decidiu substituir o período tradicional de 15 a 20 dias de férias pelo período entre o Natal e o Ano Novo que totaliza nove dias.

O quadro é semelhante na Daibi, com 600 funcionários. Focada no mercado externo, a empresa vai conceder 15 dias de férias, contra os 20 dias nos anos anteriores, mas o período exato não foi comunicado ao sindicato, disse Santos. A Beira-Rio já informou que vai parar do dia 22 de dezembro a 10 de janeiro, repetindo os 20 dias de férias concedidos no ano passado.

Em Parobé, também no Rio Grande do Sul, a Azaléia, com 5,3 mil funcionários, deve manter, “em princípio”, os 20 dias de férias tradicionais, comentou o presidente da entidade, João Pires. A maior preocupação na cidade é com os mais de 400 pequenos “ateliês”, que empregam 4 mil pessoas e produzem como terceirizadas para empresas exportadoras, diz. Conforme Pires, com a retração de consumo nos Estados Unidos, maior importador de calçados brasileiros, e com as alegadas perdas provocadas pelas operações de derivativos, as empresas contratantes estão reduzindo as encomendas e nos últimos meses pelo menos 100 pessoas perderam o emprego nos ateliês.

Em Santa Catarina, Malwee e Marisol, darão férias coletivas a todos os seus funcionários entre novembro e dezembro, informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Têxteis de Jaraguá do Sul, Gildo Antônio Alves. O período de 20 dias será o mais comum entre as empresas da região, que somam 450 indústrias. Com encomendas fortes, a Marisol será uma exceção. Neste ano, a empresa reduziu as férias coletivas de 20 para 13 dias.

Em Brusque (SC), a Buettner pretende dar 14 dias de férias coletivas, começando no dia 22 de dezembro. O presidente da empresa, João Henrique Marchewsky, observa que as férias em 2007 foram de dez dias e a empresa não ficou totalmente sem produzir no período. Dessa vez, a parada será de 100% dos funcionários. O período será maior por conta do aumento dos estoques e pelas perspectivas de um primeiro trimestre mais fraca de encomendas em 2009, em razão da crise econômica mundial. A empresa tem 1,4 mil empregados.

De acordo com o Sindicato dos trabalhadores das Indústrias Têxteis de Blumenau, que representa funcionários de 211 indústrias, ainda não foram comunicadas as férias coletivas de grandes empresas como Teka, Hering e Coteminas. Vivian Bertoldi, presidente do sindicato, acredita que as empresas concederão de 10 a 20 dias. A Teka informou que fará uma parada entre 22 de dezembro e 11 de janeiro. A expectativa é de férias de 10 dias na Hering e de 20 dias na Coteminas. Caso venha a conceder, será a primeira vez que a Coteminas, com uma fábrica em Blumenau, terá férias coletivas na cidade.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados e Vestuário de Crato e Juazeiro do Norte, no Ceará, não recebeu nenhum aviso de férias coletivas. No ano passado, nesta mesma época, algumas firmas já tinham comunicado que dariam férias. O Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal) também informou não ter recebido avisos de férias coletivas.

A Baterias Moura, de Pernambuco, optou por iniciar as férias coletivas em outubro para cerca de 10% do quadro de funcionários. O sistema funcionará assim até dezembro, segundo Sérgio Moura, vice-presidente da companhia. Em outubro, as vendas para as fabricantes de automóveis caíram 5%, e as exportações, 20%. Por causa disso, o executivo estima que as vendas do último trimestre de 2008 serão 10% menores em relação ao mesmo período de 2007.

Para o próximo ano, entretanto, a expectativa de Moura é de melhora na demanda. “Ainda são sabemos muito bem quanto, mas trabalhamos com crescimento para 2009. Por isso optamos por não demitir os trabalhadores.” O vice-presidente prevê alta de 20% nas exportações de 2009 e de 5% na venda para montadoras. Para ele, o câmbio está mais favorável às vendas externas. “E creio que os bancos das montadoras vão financiar mais os carros.”

Mesmo no segmento de autopeças, o período de férias coletivas foi mantido em algumas praças. Em Caxias do Sul (RS), apenas algumas empresas de pequeno e médio porte da cadeia de produção de autopeças, com até 200 funcionários, encaminharam os programas de férias coletivas, informou o diretor do sindicato dos metalúrgicos local, Antônio Homem. Em geral as férias vão de 22 de dezembro a 4 de janeiro. “Normalmente esse é o período concedido pelas empresas da região”, afirmou.

O grupo Randon, um dos maiores do município, também concederá férias do dia 19 de dezembro a 4 de janeiro, mantendo uma “tradição histórica” da companhia, informou o diretor corporativo de relações com investidores, Astor Schmitt. No período 2007/08, a parada foi de 22 de dezembro a 6 de janeiro. Segundo o diretor do sindicato dos metalúrgicos, a base de atuação da entidade, que inclui Caxias do Sul e oito pequenos municípios vizinhos, reúne cerca de 40 mil trabalhadores do setor.

A situação se repete em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, onde trabalham em torno de 11 mil metalúrgicos, disse o presidente do sindicato local, Nelson Luiz da Silva. A entidade ainda não recebeu nenhum comunicado formal das empresas, mas as informações disponíveis são de que elas vão conceder 20 dias de férias entre o Natal e o Ano Novo.

21/10/2008 - 08:20h Para setor têxtil, crise pode ser boa

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Vanessa Jurgenfeld, de Florianópolis para VALOR

O presidente do Sinditêxtil-SP e conselheiro da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Rafael Cervone Netto, acredita que a crise mundial poderá trazer uma boa oportunidade para as indústrias têxteis brasileiras, especialmente na melhora de sua competitividade no mercado externo.

Ele diz que, mesmo com a retração da demanda por conta da queda de consumo nos Estados Unidos e Europa, principais mercados consumidores mundiais para produtos têxteis, o câmbio mais favorável deverá incentivar as exportações das indústrias brasileiras. Para ele, ainda é momento de sentir o mercado e ter uma solução para a retração do crédito em linhas de exportação (ACC e ACE), mas já avalia que o crescimento das exportações do setor poderá superar a previsão de 8% esperada para o ano, dada a desvalorização do real ante o dólar das últimas semanas.

Segundo Cervone Netto, as oportunidades para o Brasil no mercado externo também são mais fortes neste momento diante da perda de parte da competitividade do setor têxtil chinês no mundo, conforme avaliação recente da International Textile Manufacturers Federation (ITMF). Ele, que participou da reunião anual da ITMF, encerrada semana passada, diz que as previsões são de redução das taxas de crescimento da China no comércio mundial têxtil e há estimativas de que haja uma paralisação do crescimento no longo prazo.

Segundo ele, as cotas impostas pela União Européia aos produtos chineses no fim de 2007 reduziram a exportação da China para o bloco entre 30% e 50% (dependendo do produto) e também fizeram com que os preços chineses subissem, diminuindo sua principal atratividade. Pesam também desfavoravelmente aos produtos chineses, o fato de começar a ocorrer aumento do custo de energia na China, elevação dos custos da mão-de-obra, com novas leis trabalhistas, maior pressão sobre sua taxa cambial e maior rigor nas regras ambientais.

Ainda que países como Vietnã tenham se aproveitado do espaço deixado pela China no comércio com a UE, ele diz que há espaço para o Brasil, especialmente em itens de maior valor agregado e em itens com apelo ecológico. Para Cervone Netto, o Brasil deve mudar de postura e passar também ao “ataque comercial” na China e na Índia, locais onde há aumento do número de consumidor, com mais pessoas se incorporando à classe média. Segundo ele, em 2009, a Abit deverá abrir escritórios comerciais nesses dois países com esse intuito.

A previsão da ITMF é que o comércio têxtil mundial feche 2008 em US$ 500 bilhões e fique em torno de US$ 800 bilhões em 2014. As estimativas consolidaram uma continuidade do crescimento desse tipo de comércio, porém a taxas menos fortes.

01/09/2008 - 09:27h Novos negócios da China

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Crescimento de uma classe média com estilo ocidental abre portas para marcas brasileiras

Eliane Oliveira – O Globo

Algoz das indústrias brasileiras de têxteis e calçados, a China pode se transformar num mercado altamente promissor para fabricantes de sapatos, confecções, produtos de higiene, cosméticos, metais e pedras preciosas do Brasil. Mas é preciso fazer um rigoroso dever de casa para aproveitar o enriquecimento dos chineses, a partir da abertura e do aquecimento do consumo no país asiático.

É o que diz um estudo inédito da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) denominado “Oportunidades de negócios para os setores de moda brasileira na China”.

Com uma participação pequena nas importações chinesas, o Brasil não atende hoje a um clube que abrange de milionários — cada vez mais sensíveis à marca e ao produto de luxo — a uma classe média de 300 milhões de consumidores, que também passaram a se interessar por produtos ocidentais que representem o status de quem os usa, principalmente grandes marcas.

“A abertura do mercado e as mudanças econômicas e demográficas provocaram alterações estruturais na China, o que afetou o estilo de vida local, especialmente nas grandes cidades. Os consumidores passam por um processo de ocidentalização, ainda que os padrões sociais e culturais, tipicamente chineses, continuem a definir o comportamento de consumo”, diz a pesquisa.

Para os próximos dez anos, uma ainda grande expansão do consumo é esperada na China, guiada pela combinação do aumento dos salários e do salário-mínimo, maiores lucros e ampliação do investimento governamental em áreas rurais. Estima-se que o número de famílias ganhando mais que US$ 5 mil por ano cresça 24%.

Osklen já está de olho nos chineses

Cerca de 5,8 milhões de famílias chinesas já possuem o estilo ocidental de consumo, com renda superior a US$ 10 mil por ano. Outro dado que chama a atenção é que, apesar das baixas taxas de juros na China, os chineses têm uma das poupanças mais altas do mundo, estimada entre 25% e 30% dos salários.

Os empresários brasileiros já estão se mexendo e usam como estratégia a promoção de seus produtos nos mercados desenvolvidos — Estados Unidos, União Européia e Japão — para depois entrarem nos emergentes. É o que revela Oskar Metsavaht, do Osklen Group: — Estamos semeando investimentos nos grandes centros para, em seguida, conquistarmos a China.

Sem poder concorrer com o luxo europeu e as marcas populares americanas, os fabricantes nacionais usam como trunfo o “jeito de ser do brasileiro”, conforme classificou o estilista Amir Slama, da grife Rosa Chá: — O que nos diferencia é o estilo de vida, o clima de verão. Nossa moda é sofisticada, mas despretensiosa. Chique e, ao mesmo tempo, despojada.

Segundo Metsavaht, a investida já apresenta resultados. Alguns grupos chineses já entraram em contato com a Osklen, que tem lojas em Milão, Roma, Tóquio, Genebra e Lisboa.

— Ainda teremos o mercado chinês.

Estamos investindo em criatividade e no posicionamento de nossas marcas no exterior — afirmou.

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Indústria têxtil ainda vê ameaças à competitividade

Depreciação do yuan e subsídios às exportações são principais obstáculos a produtos brasileiros

O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, concorda com a avaliação do potencial do mercado chinês, mas lamenta que as relações comerciais sejam altamente desequilibradas. Ele citou exemplos de fatores que distorcem os preços no mercado internacional e torna os produtos brasileiros menos competitivos, como a alta depreciação da moeda chinesa, o yuan, frente ao dólar — o que torna as vendas do país asiático mais competitivas — e o aumento dos subsídios do governo da China às exportações, que já está em vigor.

— Hoje, a China é mais ameaça do que oportunidade — disse Pimentel.

Ao mesmo tempo, afirmou o dirigente da Abit, o empresário brasileiro enfrenta o real valorizado e a elevada carga tributária. Mesmo assim, Pimentel enfatizou que existe uma estratégia ofensiva da indústria nacional, com investimentos em roupas de marca, design e estilo.

— O que nos preocupa é o futuro — acrescentou.

Para conseguir entrar no mercado chinês — e aproveitar a ocidentalização dos hábitos de consumo e a incorporação das classes com rendas mais baixas —, são apontadas várias formas: exportação, abertura de escritório de representação comercial, instalação de uma planta de produção, licenciamento, joint venture, entre outras.

No entanto, a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) faz algumas ressalvas que devem ser observadas pelo empresário brasileiro. A primeira delas é que a China se diferencia de outros mercados pela peculiaridade nos tempos de maturação, após a entrada e o início da expansão do negócio. A maturação leva pelo menos cinco anos e só depois vem o retorno. “As empresas bem-sucedidas no mercado local seguiram passos comuns”, diz a pesquisa da agência sobre o consumo chinês.

A compreensão da cultura chinesa e de seu marco regulatório, a análise detalhada dos riscos associados à entrada no mercado, o desenvolvimento de um planejamento flexível e a adaptação ao pragmatismo dos empresários daquele país são algumas das recomendações.

— Há um potencial imenso para o Brasil, não apenas na China, mas também em outros mercados. Afinal, temos apenas 1,4% de participação no mercado mundial. Mas é importante o empresário brasileiro aparecer, participando de desfiles e outros eventos no exterior — disse o diretor de negócios da Apex, Maurício Borges. (E.O)

01/09/2008 - 09:07h Empresas do Brasil e dos EUA pedem mais proteção contra têxteis da China

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Raquel Landim – VALOR

O aumento de um crédito tributário para produtos têxteis e vestuário na China, que é considerado subsídio à exportação pelos empresários de Brasil e Estados Unidos, gerou uma reação protecionista nos dois países. Os setores privados estão pressionando seus respectivos governos a reagir, com a adoção de uma sobretaxa de importação e/ou a renegociação dos acordos de restrição das exportações.

A decisão de Pequim inflamou os ânimos dos empresários brasileiros e americanos, que já estavam temerosos de uma invasão de confecções “made in China” no fim do ano, quando expira os acordos bilaterais que possuem com o país e o prazo permitido pela Organização Mundial de Comércio (OMC) para aplicar salvaguardas contra têxteis chineses. O limite foi estabelecido em 2001, quando a China ingressou na entidade.

No início do mês passado, o gigante asiático elevou de 11% para 13% do valor do produto o crédito tributário que concede para as empresas locais na hora de exportar produtos têxteis e de vestuário. O país também anunciou recentemente que prepara medidas adicionais como redução das taxas de juros para empréstimos ao setor e mais recursos para novos equipamentos e modernização.

Com essas iniciativas, o governo chinês atende às reivindicações dos fabricantes locais, que reclamam da desaceleração da economia mundial, do aumento dos custos da mão-de-obra e outros insumos, como energia. A medida, no entanto, é uma guinada na posição do país, que vinha reduzindo os créditos tributários, que chegaram a ser de 17%, em uma tentativa de desacelerar as exportações e acalmar a pressão internacional.

“Solicitamos ao governo uma medida compensatória desse subsídio”, disse Fernando Pimentel, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). O Ministério do Desenvolvimento informou que ainda não recebeu um pedido oficial. Para obter uma medida compensatória, é preciso comprovar a existência de subsídio e pedir a abertura de uma investigação. O setor têxtil também pediu recentemente a troca da tarifa “ad valorem”, em percentagem, para uma tarifa “ad rem”, em reais por peso, em alguns produtos. Essa discussão está mais avançada, já virou lei no Congresso e o governo agora avalia apenas a maneira de implementá-la.

As importações brasileiras de produtos têxteis chineses saíram de apenas US$ 61 milhões em 2000 para US$ 992 milhões no ano passado. Apesar do acordo de restrição de exportações em vigor há três anos, os chineses incrementaram suas vendas para o Brasil em 43% em 2005, 69% em 2006 e 63% em 2007. Pimentel argumenta que, com a desaceleração nos mercados dos países ricos, a China está desviando produtos para o Brasil.

Os diretores da Abit estão conversando por telefone e trocando e-mails com sua contraparte americana, o Conselho Nacional das Organizações Têxteis (NCTO). No combate às importações de produtos chineses, a NCTO conta com o apoio da Coalizão de Ações do Comércio da Indústria Americana (Amtac). Esses lobbies conseguiram que os deputados apresentassem um projeto de lei no Congresso dos EUA, que, entre outros temas, ajudaria a resolver o problema do setor têxtil, mas até agora não obtiveram sucesso. De acordo com Augustin Tantillo, diretor-executivo da Amtac, o presidente George W. Bush não está empenhado em resolver o assunto, que deixou para a próxima administração.

O crédito concedido pela China para as exportações de têxteis não pode ser questionado na OMC. Pequim dá o benefício como compensação para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), uma exceção permitida pelo extinto Gatt desde a década de 40. Com exceção dos americanos, quase todos os membros da OMC possuem algum tipo de sistema de ressarcimento de tributos na exportação, inclusive o Brasil, que concede crédito ao exportador pelo ICMS pago. “O problema é que a China, ao contrário de outros países, manipula o sistema para estimular as exportações”, disse Tantillo.

O subsídio à exportação é a ponta do iceberg de problemas que a China promete para os fabricantes de têxteis ao redor do mundo a partir de 2009, quando termina o prazo para que os países estabeleçam cotas para a importação de têxteis chineses. Esse setor é um dos mais protegidos do mundo, por conta do potencial de geração de emprego. O Acordo de Têxteis e Vestuários (ATV) regulou o comércio internacional durante 50 anos e só deixou de existir no fim de 2004.

Em 2005, as exportações chinesas do setor têxtil para Estados Unidos e União Européia avançaram 84% e 57%, respectivamente. A movimentação assustou os dois gigantes mundiais, que aplicaram salvaguardas contra as importações chinesas e pressionaram o país a fechar acordos de restrição de exportações. O Brasil foi o único país que também conseguiu esse tipo de benefício. A renovação desses acordos é polêmica. Enquanto os fabricantes argumentam que é legítimo se os países chegarem a um acordo voluntário com a China, os varejistas argumentam que as regras da OMC dizem que não.

O setor privado brasileiro está tentando renovar o seu acordo com a China sem sucesso até agora. A idéia é estender o prazo até 2013 e trocar os produtos sujeitos a cota. Segundo a Abit, os produtos incluídos no acordo representam hoje 20% do comércio. Quando o acerto foi fixado, esse percentual chegava a 70%. Os negociadores brasileiros estiveram em Pequim duas vezes, em setembro de 2007 e em julho deste ano. As negociações, no entanto, não avançaram. Os chineses também marcaram reuniões no Brasil, mas não vieram. “O aumento dos subsídios à exportação demonstra que os chineses não querem discutir essa questão seriamente”, reclamou Pimentel.

02/06/2008 - 10:19h Indústria têxtil prevê 2º trimestre aquecido

Rafael Günther/Valor
Giuliano Donini, presidente da Marisol: produção 18% maior em maio

Vanessa Jurgenfeld – VALOR

Boa parte das indústrias têxteis de Santa Catarina entrou maio com ritmo forte de produção, acompanhando o desempenho de abril. Embora haja exceções, as encomendas do varejo seguem aquecidas, o que poderá levar a um bom segundo trimestre, superando o mesmo período de 2007.

A Cativa, fabricante da marca Fido Dido, considerou maio um mês positivo. Gilmar Sprung, presidente da empresa, diz que na última semana do mês, 40% da meta de venda da coleção de primavera (2,5 milhões de peças) já estava encomendada pelo varejo (um milhão de peças). “Nesta mesma época, no ano passado, eu tinha só 200 mil peças encomendadas”, diz.

Ele diz que o desempenho é similar ao de abril, o que deve levar a um segundo trimestre forte, acompanhando o ritmo dos primeiros três meses. “Neste ano, o lojista parece mais motivado e está vindo comprar a primavera”. O ritmo de produção ficou estável na comparação de maio contra abril, operando com 100% da capacidade produtiva, diz Sprung. Ele acredita que o faturamento será 20% maior do que maio de 2007.

Situação similar viveu a Rovitex, sediada em Luis Alves. Vitor Luiz Rambo Jr, diretor industrial, diz que a produção de maio ficou estável em relação a abril. O ritmo de encomendas, porém, foi até mais forte do que no mês anterior. A Rovitex recebeu 50% mais encomendas em maio do que em abril, sobretudo pela troca de coleção. Esse volume de pedidos será produzido em breve para entrega entre junho e julho. “O mercado continua fortemente comprador”, diz Rambo.

Para o executivo, em maio as vendas fecharão 20% maiores que em maio de 2007. A expectativa é que o segundo trimestre seja 10% superior ao primeiro e 20% superior ao segundo trimestre de 2007.

Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis do Vale do Itajaí (Sintex), Ulrich Kuhn, a situação é levemente distinta no segundo trimestre em relação ao primeiro. “No segundo trimestre não haverá o o entusiasmo do primeiro. Vai ser mais realista.” Kuhn considera que o crescimento de 20% a 30% nas vendas, observado em janeiro e fevereiro, será mais moderado no segundo trimestre, ficando perto de 5% em relação a igual período do ano passado. “Existe uma acomodação da curva de crescimento. O crescimento voltou ao normal, não é mais aquela loucura do primeiro trimestre.” Segundo Kuhn, entre maio e abril, o ritmo foi de incremento próximo a 5%, assim como entre maio deste ano e maio de 2007.

Na Marisol, o presidente da empresa, Giuliano Donini, diz que a meta de vendas será alcançada, o que deve levar a um segundo trimestre melhor do que igual período de 2007. Ele diz que não sentiu desaceleração de demanda do primeiro trimestre para o segundo trimestre. Segundo dados preliminares de maio, a produção da Marisol foi 18% superior à de abril.

Donini diz que há um ambiente macroeconômico favorável. “Encontramos hoje mais negócios do que nossa capacidade de fornecer. Estamos buscando alternativas de aumento da capacidade”, diz. Em 2007, a Marisol chegou a fechar duas fábricas em Santa Catarina.

A Buettner, por outro lado, sentiu o varejo mais devagar em maio. e tem menos pedidos para a entrega no varejo em junho. O presidente da empresa, João Henrique Marchewsky, faz o seguinte comparativo: em 25 de abril, tinha 50% da carteira de maio vendida. Em 23 de maio, o percentual era menor, de 35% . “O varejo estava esperando lançamentos dos novos produtos, não vejo nenhum motivo macroeconômico que poderia levar a esse recuo”, diz o executivo, que considera a situação sazonal.

Marchewsky diz que o segundo trimestre na Buettner deverá fechar com produção 8% menor do que a do primeiro. Na comparação com o mesmo período de 2007, a queda de produção será um pouco menor: 6%. Esses números sofrem influência do corte de 50% que a empresa fez no início de ano nas exportações, pela falta de rentabilidade. Ela passou a exportar US$ 1 milhão de peças/mês. “Se olharmos só o mercado interno, haverá alta de 10% no faturamento do segundo trimestre”, diz ele.

A Lupo, que crescia 27% no acumulado de janeiro a abril, seguiu em ritmo acelerado em maio, com alta de 29% na produção em relação ao mês anterior, de acordo com Valquírio Ferreira Cabral, diretor comercial. A expectativa para o segundo trimestre é de crescimento de 30% em relação ao primeiro, diz o executivo. “Normalmente a empresa trabalha com uma carteira de pedidos para entrega em até 20 dias. Hoje há pedidos para 70 dias ou mais.”

A chegada do frio, a consolidação da empresa no segmento de roupas íntimas e a antecipação das encomendas para o Dia dos Pais explicam a aceleração. A empresa, que já contratou 570 pessoas neste ano, antecipou a aquisição de 50 dos 100 equipamentos que pretendia comprar em 2009 para expandir a capacidade produtiva.

Segundo Cabral, o aumento nos custos das matérias-primas e a demanda aquecida no mercado interno levaram a empresa a antecipar o repasse de custos, previsto para o segundo semestre. “Ficamos 18 meses sem reajustar preço. A partir de junho vamos repassar 2,8%.” (Colaborou Cibelle Bouças)


Importação, exportação e frio afetam setor de calçados

Cibelle Bouças

O setor de calçados sentiu mais o aumento da concorrência dos importados e a dificuldade de exportar e apresentou em maio sintomas de desaceleração. A empresa A. Grings, de Igrejinha (RS), dona da marca Piccadilly, registrou crescimento de 20% na produção no primeiro trimestre em comparação ao mesmo intervalo de 2007. Para este trimestre, opera com expectativa de queda na produção de 15% a 20% em relação ao primeiro trimestre e estabilidade na comparação com igual período do ano passado, afirma Paulo Grings, diretor-presidente. “Em maio houve redução das encomendas em relação ao que ocorria antes”, diz.

De acordo com Grings, o desempenho da indústria foi positivo até a primeira quinzena de maio, mas a partir daí houve uma queda significativa nas encomendas do mercado interno. “A princípio o varejo alega que fez calor em maio e, como as lojas estavam abastecidas com a coleção de inverno, não conseguiram vender. Com a volta do frio pode haver uma recuperação. Agora dependemos do clima.”

O clima também foi a explicação ouvida por Samir Nakad, presidente da Sameka Modas Ltda., de Birigüi (SP), para a redução das encomendas a partir de abril. “A empresa estava crescendo 5,5% no primeiro trimestre, com a brecada de abril e maio a taxa de crescimento sobre 2007 baixou para 2,5%”, calcula. Desde a semana passada, o empresário concedeu férias coletivas de dez dias aos funcionários.

A Calçados Bibi, de Parobé (RS), manteve a produção estável entre abril e maio em comparação ao primeiro trimestre. “A produção se manteve dentro das expectativas”, afirma Marlin Kohlrausch, diretor presidente da empresa. “O mercado se aquece mesmo no segundo semestre”, diz. Ele observa que o desempenho foi afetado em parte pela concorrência. “O câmbio valorizado continua limitando o potencial competitivo das indústrias no exterior e ampliando a concorrência no mercado interno com importados”, reitera.

07/04/2008 - 07:33h Sonhos e pesadelos à frente do setor têxtil

VALOR 

Sofredor preferencial das dores da globalização, o setor têxtil brasileiro tem à frente, neste ano, uma forte ameaça. Termina em dezembro o acordo que, até agora, restringe as vendas da China mundialmente, e permite aos sócios do país, na Organização Mundial do Comércio, criar barreiras, como salvaguarda, contra uma onda de importações de origem chinesa. Enquanto tentam, sem sucesso, atrair o governo chinês para um acordo, os dirigentes do setor parecem dispostos a explorar uma outra face do comércio internacional: a ofensiva aos mercados externos.

Apesar da crise mundial e dos prognósticos negativos para a economia dos Estados Unidos, foi neste país que surgiu uma oportunidade abraçada com interesse pelos líderes do setor. Mencionada discretamente, passou despercebida, na visita da secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, ao Brasil, em março. Os governos dos EUA e do Brasil, que conseguiram temperar a agenda bilateral com uma aproximação no setor de biocombustíveis, decidiu que o setor têxtil pode ser o segundo a dar alguma relevância econômica à aproximação entre os governos Bush e Lula, hoje muito forte na área política, mas pouco vigorosa em questões de comércio e investimento.

No fim de abril, representantes da indústria têxtil brasileira e americana começarão, nos Estados Unidos, encontros patrocinados pelos dois governos para discutir acordos de cooperação e estratégias comuns para enfrentar as dificuldades do mercado externo. “Queremos facilitar acordos de comércio e investimento”, explica o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Fernando Pimentel, que tem pretensões ambiciosas para esse acercamento dos empresários americanos. “Quem sabe o setor têxtil não pode ser um piloto de um acordo de preferências tarifárias com os Estados Unidos?”, sugere.

Preferências são, no jargão comercial, reduções nas tarifas de importação. Pimentel sabe das dificuldades da proposta, sonhada há algum tempo pelo setor, que tem os EUA e a turbulenta Argentina como principais mercados. Os EUA, com um Congresso crescentemente protecionista, estão às vésperas de uma eleição que tende a designar, para a Casa Branca, um integrante do Partido Democrata, tradicionalmente mais avesso a idéias de livre comércio. Mas é real o empenho do governo Bush em mostrar alguma capacidade em suas relações sul-americanas, nas quais tem o Brasil como o mais recente trunfo.

Sinais de acordo com EUA animam empresários

Os biocombustíveis foram o principal achado dos governos americano e brasileiro na busca de um elo capaz de dar dimensão econômica à aproximação dos dois governos. Mas começam a sofrer intenso bombardeio, até do Banco Interamericano de Desenvolvimento, cujo presidente, Luis Alberto Moreno, eleito com ajuda dos EUA, tem criticado duramente os efeitos negativos do etanol – especialmente o de milho – sobre o meio ambiente e o mercado de alimentos. Enquanto as conversas bilaterais caminham nesse território acidentado, o surgimento de outra área de cooperação é visto com muito agrado pelos dois governos.

Dificilmente o encontro dos empresários têxteis dos EUA e do Brasil, em 29 de abril, terá como conclusão o esboço de algum acordo liberalizante no setor. Mas já há fortes investimentos brasileiros em direção à expansão de atividades nos Estados Unidos, diretamente ou em países que já têm acordo comercial com os EUA. Segundo o diretor da Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), José Eduardo Cintra de Oliveira, os empresários do setor têm forte expectativa de encontrar, nesse cenário, pontos de interesse comum, e, progressivamente, facilitar a entrada de produtos made in Brazil nos EUA.

Enquanto o governo, pelo Itamaraty, tenta construir essa ponte, outras áreas parecem relutantes em tomar medidas para reduzir o descompasso entre as condições de produção dos empresários nacionais e as de seus concorrentes no exterior. No Ministério da Fazenda, o ministro Guido Mantega parece tão envolvido na disputa por modelos de política econômica com o Banco Central que se tornou incapaz das tarefas de que deveria se encarregar, para facilitar o comércio exterior.

O Ministério da Fazenda mostra-se incapaz de evitar a tradicional greve dos auditores fiscais, que já passou a fazer parte do calendário de comércio exterior, atrasando, todos os anos, com regularidade suíça, embarques e desembarques e fazendo consumidores e setor privado brasileiro de reféns das reivindicações de um privilegiado segmento do setor público. Os auditores rejeitam uma oferta de aumento de salário para pouco mais de R$ 15 mil mensais, que acham insuficiente, porque sonham com os R$ 18 mil pagos aos delegados da Polícia Federal, e esse é só um dos obstáculos que Mantega deixa pelo caminho de exportadores e importadores.

A Receita Federal também detém, sob o olhar distraído de Mantega, as discussões das medidas da política industrial para eliminar impostos que sobrecarregam as exportações. No caso do setor têxtil, grande empregador de mão de obra, há uma demanda dos empresários para estender, como teste, a todas as empresas, as facilidades do Simples, o mecanismo simplificado de tributação das micro, pequenas e médias empresas que reduz impostos e contribuições, inclusive sobre a folha de trabalho.

A Receita Federal, sensatamente, alega que a chamada desoneração das folha de pagamentos exige muita cautela, pelo risco que traz de deixar sem fontes de receita a já problemática folha de encargos da Previdência Social. É uma pena que alternativas à sensatez burocrática da Receita não estejam em gestão no gabinete do ministro Mantega, que tanta criatividade vem demonstrando na concepção de projetos para evitar – sem muito sucesso – a tendência do Banco Central em aumentar os juros.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras

sergio.leo@valor.com.br

31/03/2008 - 05:46h A era do trabalho barato na China acabou

Dexter Roberts – VALOR

banner_china.jpgO empresário Tim Hsu começou a fabricar lâmpadas há mais de 20 anos em Taiwan. E como dezenas de milhares de outros donos de fábricas em Taiwan, Hong Kong e Macau, ele posteriormente transferiu suas operações para a região de Guangdong, no delta do Rio da Pérola, no sul da China. Lá ele estabeleceu sua empresa, a Shan Hsing Lighting, num rincão sonolento de arrozais e granjas de patos denominado Dongguan. De lá para cá, a região cresceu e transformou-se na maior base industrial do mundo em uma série de setores, como os de produtos eletrônicos, sapatos, brinquedos, mobiliário e iluminação. A combinação de baixos salários, regulamentação mínima e uma moeda barata era imbatível. Hsu estava tão confiante no futuro de Guangdong como “fábrica do mundo” que investiu US$ 7 milhões em instalações maiores, que começaram a operar neste ano.

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Agora, muitos dos fabricantes chineses – entre eles a Shan Hsing – estão vivendo o tipo de reestruturação que dilacerou o coração dos EUA uma geração atrás. O mercado habitacional americano, que gerou demanda por tudo o que vinha da China – de móveis modulados a louças para banheiros-, despencou. Uma nova lei trabalhista chinesa que entrou em vigor em 1º de janeiro fez subir consideravelmente os custos em um mercado de trabalho já apertado. A disparada nos preços de commodities e energia, assim como o cancelamento, por Pequim, de políticas preferenciais para exportadores, prejudicaram os industriais. A valorização da moeda chinesa já tornou mínimas as margens, levou milhares de fabricantes para a beira da falência e pôs em risco o papel da China como o maior exportador de produtos baratos.

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10/03/2008 - 20:01h A causa é boa

Parlamentares lançam frente para fortalecer setor têxtil

ANNE WARTH – Agencia Estado

santista-denim.jpgSÃO PAULO – Cerca de 200 parlamentares pretendem assumir o compromisso de criar 1 milhão de empregos no setor têxtil até o fim da atual legislatura, em 2010. Esse é um dos objetivos da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção Brasileira, que será lançada na próxima quarta-feira, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Os parlamentares já têm pelo menos três reivindicações que vêm sendo pleiteadas pelo setor: a rápida aprovação e tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional, com destaque para a desoneração da folha de pagamento; a obtenção de acordos setoriais bilaterais com grandes mercados, como Estados Unidos e Europa; e a exigência do cumprimento de normas técnicas, utilizadas pela indústria nacional, também para produtos importados.

Na prática, a exigência de normas funciona como uma barreira não-tarifária, e a adoção desse tipo de prática encontra resistências na Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, o Itamaraty prefere trabalhar pela obtenção de acordos multilaterais, como a Rodada Doha, em vez dos acordos setoriais bilaterais. Já a reforma tributária deve enfrentar uma longa negociação e disputa entre Estados no Congresso.

Atualmente, a indústria têxtil brasileira é a sexta maior do mundo, emprega 1,6 milhão de trabalhadores em 30 mil empresas e fatura R$ 65 bilhões ao ano. Mais de 80% das empresas atuam no ramo de confecções, o mais fraco de toda a cadeia produtiva. “A indústria têxtil e de confecção é a segunda maior empregadora de transformação e, lembrando que estamos no mês da mulher, 75% da mão-de-obra do setor é feminina”, declarou a senadora petista de Santa Catarina, Ideli Salvatti (PT-SC), uma das coordenadoras da Frente Parlamentar.

Desde 2006, o setor vem apresentando déficit na balança comercial por conta da concorrência de produtos importados e do câmbio valorizado. “O dólar baixo incentiva as importações e inibe as exportações, principalmente porque não temos margem para competir com os concorrentes. Os empresários têxteis carregam 40% de carga tributária no custo final dos produtos. Não há competência que dê jeito nessa desvantagem. Não existe mágica”, disse o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), também membro da Frente Parlamentar.

11/01/2008 - 10:01h Setor têxtil quer modificar acordo feito com chineses

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Rafael Rosas VALOR

As importações de países asiáticos, notadamente a China, continuam trazendo preocupações para o setor têxtil brasileiro. Para este ano, um dos objetivos das indústrias têxteis e de confecções é dar novos moldes ao acordo iniciado com o governo chinês em 2006 e que prevê a limitação do crescimento de importações de oito categorias de têxteis, o que significa teto de avanço anual para 72 produtos. Em 2007, as importações da China representaram 39% de tudo o que foi comprado pelo Brasil em produtos têxteis no exterior.

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11/01/2008 - 09:53h Déficit comercial de têxteis cresce 1.864%

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Importação da China é o principal motivo do resultado ruim em 2007
Clarissa Thomé, RIO O Estado de São Paulo

A indústria têxtil registrou déficit na balança comercial de US$ 648 milhões em 2007 – um crescimento de 1.864% em relação ao ano anterior, quando o saldo negativo ficou em US$ 33 milhões. As exportações cresceram de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,4 bilhões, mas foram em muito superadas pelas importações, que passaram de US$$ 2,1 bilhões para US$ 3 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), na semana de moda outono/inverno carioca, o Fashion Rio, que começou na segunda-feira e amanhã.
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09/12/2007 - 17:33h Têxteis buscam novas fronteiras



Concorrência chinesa e câmbio reduzem venda para EUA e estimulam entrada em países como Rússia e Turquia

Vera Dantas – O Estado de São Paulo

Países fora do circuito internacional da moda começam a virar o novo alvo de exportações da indústria têxtil brasileira. Os Emirados Árabes Unidos, com consumidores de altíssimo poder aquisitivo, a Rússia, que abrigou recentemente a feira para ricos Millionaire Fair, e até países nórdicos como a Dinamarca estão na lista de ataque de produtos com a etiqueta “made in Brazil”. O mercado latino-americano também é considerado uma opção atraente para investimentos.

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09/12/2007 - 17:23h Têxteis buscam novas fronteiras


Concorrência chinesa e câmbio reduzem venda para EUA e estimulam entrada em países como Rússia e Turquia

Vera Dantas – O Estado de São Paulo

Países fora do circuito internacional da moda começam a virar o novo alvo de exportações da indústria têxtil brasileira. Os Emirados Árabes Unidos, com consumidores de altíssimo poder aquisitivo, a Rússia, que abrigou recentemente a feira para ricos Millionaire Fair, e até países nórdicos como a Dinamarca estão na lista de ataque de produtos com a etiqueta “made in Brazil”. O mercado latino-americano também é considerado uma opção atraente para investimentos.

O interesse em novos mercados, de classe média emergente e com consumidores endinheirados, é a salvação para muitas empresas que enfrentam dificuldades nas vendas para mercados mais tradicionais. A desvalorização do dólar em relação ao real e a invasão maciça de produtos chineses nos Estados Unidos vendidos a preços imbatíveis frente aos concorrentes têm desestimulado as exportações para os americanos.

“Não que os Estados Unidos não sejam importantes, mas a chegada dos chineses que oferecem um volume imenso de produtos com preços arrasadores dificulta as vendas”, diz o presidente da Sinditêxtil e diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Rafael Cervone Netto.

Os Estados Unidos são o segundo maior mercado de exportação para o Brasil, atrás apenas da Argentina. Mas vêm perdendo espaço nas vendas brasileiras. Os valores exportados para os americanos somaram US$ 338,9 milhões este ano até setembro. O resultado é 12% menor em relação a igual período em 2005. Em volume, na mesma comparação, as vendas caíram de 90,3 milhões de quilos em 2005 para 85,9 milhões em 2007.

No ano passado a Hering teve, no terceiro trimestre, 42% das exportações destinadas à América do Norte. Neste ano a participação caiu para 29%. A estratégia da empresa, conforme seu último balanço, é descentralizar as vendas aos EUA e diversificar mercados. Não é a única. A Dudalina, de moda masculina, por exemplo, até dois anos atrás distribuía seus produtos para 12 clientes nos Estados Unidos. No ano passado, ainda vendia para quatro e este ano abandonou o mercado. “É um ambiente muito competitivo, onde a mercadoria tem pouco valor intrínseco e as exigências técnicas são muito grandes”, diz o diretor de exportação, Rui Hess de Souza.

Ele também decidiu reduzir a produção de roupas com a marca de terceiros (private label) e valorizar a própria marca. “Em 2006, do total exportado, 80% era no private label e 20% nossas marcas. Em três anos, vamos reverter essa proporção”, diz o empresário. “O valor médio de uma peça private label é de US$ 11. Minha peça sai por US$ 23”, compara.

A empresa deu a largada também para a abertura de lojas na América Latina com sua marca. Este ano foram quatro no Paraguai. Em 2008, serão mais 11 lojas distribuídas por Venezuela, Paraguai, Equador, Costa Rica, Chile e Colômbia. A Rússia é outra possibilidade que começa a ser investigada.

A Poko Pano, exportadora de moda praia há 14 anos, entrou este ano em Dubai e tem a China como um de seus focos de venda para 2008. “São nos países emergentes, com uma classe de novos ricos, que posso reajustar o preço do biquíni e entrar com um produto mais sofisticado para quem compra luxo”, resume a diretora da empresa, Paola Robba.

Embora exporte para Estados Unidos, Europa e América do Sul, ela se queixa muito do prejuízo que teve com o câmbio. “Em Portugal, por exemplo, perdi 40% das vendas porque eles não aceitam reajuste de maneira alguma.” Ela fecha o ano com faturamento empatado com o ano anterior e uma redução de 10% no volume vendido.

Para ser bem sucedido nos países europeus é preciso investir muito na marca. “A Europa exporta moda. Entrar lá é mais complicado. Se a empresa não tiver recursos para marketing terá dificuldade”, diz o presidente do grupo Maria Bonita, Alexandre Aquino. A marca é vendida em Londres, em multimarcas, mas também em novos mercados como Dubai, Arábia Saudita, Cingapura e Rússia.

A Marisol foi uma das que resolveram apostar num dos centros do circuito da moda ao abrir uma loja em Milão, na Itália, com a marca infantil Lilica Ripilica na Via Della Spiga. “É nossa loja conceito na Europa para divulgar a marca para outros países”, diz o gerente de exportação, Marcelo Damm. A estratégia da empresa de internacionalização é a abertura de várias lojas no exterior.

Paris foi um ponto inicial de expansão para a Mabel, de moda feminina sofisticada. “Conseguimos contato com um distribuidor local que abriu portas para a Mabel nos países árabes”, diz o diretor financeiro da empresa, Francisco Otávio de Castro Magalhães.

“Competir na França com marcas como Prada e Armani é inviável. O investimento é muito pesado.” Na França, a empresa conseguiu três clientes e não tem mais o país como um alvo. O empresário diz que o europeu reconhece design, mas quer preços baixos porque imagina que a mão-de-obra brasileira é barata como a chinesa. “A negociação com os árabes é bem mais fácil e eles querem novidades”, diz Magalhães, que exporta 15% da produção de 20 mil peças ano.