07/10/2009 - 14:48h Estudo aponta inovação como saída para setor têxtil

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Chico Santos, do Rio – VALOR

“O crescimento exponencial” dos produtores asiáticos de têxteis e confecções, liderados pela China, causou a desestabilização dos demais produtores, inclusive o Brasil, e tornou fundamental para estes “desenvolver estratégias competitivas diferenciadas, baseadas na utilização da inovação tecnológica como um instrumento relevante para inserção no mercado mundial”.

A conclusão é do estudo “Panorama da Cadeia Produtiva Têxtil e de Confecções e a Questão da Inovação”, recém-divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O trabalho foi realizado por Ana Cristina Rodrigues da Costa, gerente do departamento de bens de consumo, comércio e serviços da área industrial do banco e por Érico Rial Pinto da Rocha, estagiário do setor.

Passados mais de oito anos desde que o BNDES realizou um estudo setorial detalhado da cadeia têxtil e de confecções (setembro/2000), o novo trabalho constatou que os mesmos gargalos detectados na versão anterior permanecem válidos.

Entre esse gargalos apontados pelo estudo estão a crescente entrada de bens importados, “muitas vezes contrabandeados”, participação “insignificante” nas exportações mundiais e concentrada nos elos de menor valor agregado da cadeia, especialização em fibras naturais – apesar de o consumo mundial crescer mais para o lado das fibras químicas e dos tecidos mistos -, parque de máquinas com idade média elevada, falta de ações coordenadas na cadeia produtiva, alta informalidade, baixa capacidade técnica e gerencial e dificuldade de acesso ao crédito.

Neste contexto, e diante da ofensiva asiática, não é estranhável que a participação brasileira nas exportações mundiais do setor tenha recuado de 0,7% para incipiente 0,3% em 2007, em um contexto no qual o valor do comércio mundial da cadeia cresceu 50% de 2000 a 2006, atingindo a soma de US$ 530 bilhões, 27,2% dos quais abocanhados pela China.

Apesar dos reveses, os técnicos do BNDES constatam que a importância da indústria têxtil e de confecção para a economia brasileira permanece intacta. Essa relevância é facilmente percebida quando se sabe que em 2007 o setor empregava 1,56 milhão de pessoas, número equivalente a 17,3% de todos os empregos gerados pela indústria de transformação no país.

As oscilações cambiais tiveram papel decisivo no comportamento das importações e exportações brasileiras, mas o crescimento do comércio mundial também foi um agente importante, tanto que em 2004 e 2005 – já em pleno ciclo de valorização do câmbio, só quebrado em setembro de 2008 – houve crescimento das exportações.

O estudo constata que, historicamente, a indústria têxtil e de confecções brasileira tem o foco voltado para o mercado interno. O Brasil é o sexto maior produtor mundial, responsável por 2,5% da produção total, mas ocupava em 2006 apenas o 46º lugar entre os maiores exportadores.

Para Carlos Eduardo Castello Branco, chefe do departamento ao qual estão subordinados os autores do estudo, o atual ciclo de valorização do real é novamente um obstáculo à conquista do mercado externo pelo setor têxtil brasileiro, mas representa também uma janela de oportunidade para que as empresas renovem seus parques fabris a custos favoráveis. Isto porque a quase totalidade das máquinas usadas no setor tem origem externa, principalmente da Alemanha, Itália e, mais recentemente, da China.

Renovar o maquinário, um tipo de inovação de fora para dentro, é apenas um dos requisitos apontados pelo BNDES para que a indústria têxtil e de confecções brasileira seja capaz de defender seu próprio mercado e disputar a demanda global. Desenvolver produtos de maior valor agregados diferenciados por estilo – “tribos”, como a do surfe, a da música eletrônica e outras-, faixa etária e gênero, além de ser capaz de dar resposta rápidas às tendências do mercado consumidor, são caminhos considerados essenciais para a sobrevivência do setor.

Paralelamente à oferta de crédito, o BNDES está trabalhando em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e a Associação Brasileira de Estilistas (Abest) no esforço para combinar o desenvolvimento de tecidos inovadores com a “reconhecida força do design brasileiro”, explica Ana Cristina.

De 1999 a 2007, o setor têxtil e de confecções, um dos prioritários na atual política industrial brasileira , batizada de política de desenvolvimento produtivo (PDP), captou anualmente no BNDES valores que foram de R$ 485,9 milhões, em 1999, a R$ 220,4 milhões, em 2004. Em 2008, com a economia pisando no acelerador, um ponto fora da curva: R$ 1,35 bilhão. De janeiro a junho deste ano, o valor foi de R$ 208,7 milhões, indicando que o fluxo deverá retornar à média histórica.

Os técnicos do BNDES destacaram que, apesar da queda dos valores, o número de operações saltou de 1.852 nos primeiros sete meses do ano passado para 5.206 no mesmo período deste ano. No subsetor de confecções, principal gerador de empregos, o total de operações passou de 1.323 para 4.294 (mais 224,6%).

11/09/2009 - 17:05h Track & Field vai para Nova York

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Rede de roupas esportivas terá loja na Madison Avenue

Marianna Aragão, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A marca brasileira de roupas esportivas Track & Field dará o primeiro passo de seu projeto de internacionalização em grande estilo. Em novembro, a empresa abre as portas de sua primeira loja no exterior na sofisticada Madison Avenue – avenida de Nova York famosa por concentrar grandes agências de publicidade e o comércio de luxo da cidade. O plano de expansão da companhia prevê a abertura de quatro lojas nos Estados Unidos nos próximos anos. “Em seis ou oito anos, queremos chegar a uma rede de lojas do tamanho da brasileira”, estima Frederico Wagner, um dos três sócios e fundadores da marca.

Nascida há 20 anos em São Paulo como uma confecção de camisetas, a Track & Field investiu na criação e design de peças para esportistas. Hoje, tem 35 pontos de venda no País. Segundo Wagner, o mercado americano foi escolhido pela identificação com a marca. “É um país onde as pessoa têm uma ligação muito forte com o esporte.”

O investimento na primeira loja foi de US$ 1 milhão. A empresa contratou o arquiteto brasileiro Arthur Casas para desenhar o projeto, que será uma espécie de piloto para a marca. As principais mudanças em relação às unidades brasileiras estão na disposição dos produtos. “Como não há área para estoque das mercadorias, tivemos de bolar uma forma de dispô-las dentro da própria loja”, conta Wagner.

A solução foi criar novas embalagens, feitas em plástico biodegradável, que se encaixam formando uma parede. “Assim, conseguimos aproveitar o espaço de forma mais eficiente e ainda criamos um visual interessante.” Outra inovação será a possibilidade de o cliente devolver as embalagens, em troca de descontos em novas compras. Se o novo modelo funcionar, os empreendedores querem replicá-lo no Brasil.

Há três anos prospectando o mercado dos EUA, a empresa aproveitou a queda dos aluguéis no país, um dos efeitos da crise financeira, para tirar o projeto do papel. De acordo com o empresário, os valores de aluguéis estavam em média 30% menores que antes da turbulência. Além disso, a legislação americana não prevê o pagamento do chamado “ponto”, como no Brasil. Segundo Wagner, “o ponto comercial por metro quadrado em um shopping de alto padrão em São Paulo está mais caro que o aluguel de lá.”

A expectativa é que a unidade da Madison atinja faturamento de US$ 1,8 milhão no primeiro ano de atividade. Se a meta se confirmar, os próximos destinos serão os estados da Califórnia e Flórida – apostas “óbvias”, segundo Wagner, pela forte presença da comunidade latino-americana -, além de outras regiões em Nova York.

13/08/2009 - 10:51h Para a Riachuelo, junho foi um mês “fantástico”

Varejo

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Claudia Facchini, de São Paulo – VALOR

Na Riachuelo, uma das três maiores redes de vestuário do país, as vendas foram “fantásticas” em junho, afastando as nuvens negras que surgiram em abril e maio, segundo afirmou ontem o e gerente de relações com investidores da companhia, Tulio Queiroz, em teleconferência com analistas de investimento.

Como o consumo manteve-se forte em julho, a varejista enxerga um cenário mais otimista no segundo semestre e já planeja acelerar a expansão em 2010. Para este ano, estão previstas seis inaugurações. No ano que vem, a rede pretende abrir dez ou mais lojas.

Embora a queda das temperaturas nos dois últimos meses tenha favorecido a demanda, a Riachuelo atribui a retomada à uma mudança de atitude dos clientes. “Em junho e julho, houve uma grande recuperação do nível de confiança dos consumidores”, disse Queiroz, acrescentando que esses foram os melhores meses do ano para a varejista. Segundo ele, maio havia sido um mês “difícil”, sem nenhum dia com baixas temperaturas.

A varejista também passou a ser mais flexível na política de crédito, o que impulsionou as vendas. Os planos com juros (em oito parcelas sem entrada) responderam por 24,2% das vendas pagas com o cartão Riachuelo no segundo trimestre, percentual superior aos 18,8% registrados no primeiro trimestre. Em fevereiro, a varejista baixou os juros de 6,9% para 5,9%.

A concessão de crédito, contudo, ainda não voltou as patamares do primeiro semestre de 2008, quando o planos com juros responderam por 35,3% das vendas feitas com o cartão Riachuelo.

A receita líquida consolidada do grupo, que inclui a rede Riachuelo e a confecção Guararapes, totalizou R$ 527 milhões no segundo trimestre de 2009, cifra 10,2% maior que a registrada em igual período de 2008. As vendas da Riachuelo cresceram 3,4%, totalizando R$ 445,8 milhões. Pelo critério “mesmas lojas”, as vendas da varejistas foram 0,3% maiores que no segundo trimestre de 2008.

27/05/2009 - 18:21h Qual é a situação do ICMS do setor têxtil em São Paulo?

Desde 2003 não tem redução do ICMS da indústria têxtil em São Paulo. O governador Serra limitou-se a prorrogar o incentivo no recolhimento do imposto, mas até agora nada de reduzir o ICMS do setor.

No Estado de Rio o ICMS é de 2,5%. No Ceara o ICMS foi reduzido para 3% e no Mato Grosso do Sul é zero. Em Sergipe foi de 5% para 3%.

No Estado de São Paulo é 12% desde 2003 e ate agora a reivindicação do setor foi ignorada. LF

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Publicado em: 19/03/09 às 16:16
Setor têxtil paulista solicita redução de ICMS

O setor têxtil paulista, que reúne cerca de 2.300 indústrias, está reivindicando a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) de 12% para 7%, como forma de evitar a “fuga” das empresas para outros estados, onde o tributo é menor. Nos últimos anos, os industriais paulistas vêm lutando contra o que consideram “guerra fiscal” entre os estados produtores de têxteis. Segundo eles, no Rio de Janeiro, o ICMS é 2,5% e no Ceará, não passa de 1%. Sendo assim muitas empresas que atuam na confecção e no varejo preferem comprar insumos (fios, tecidos, aviamentos) e até peças prontas, fora de São Paulo. O ICMS paulista, que é um dos mais altos do País, já foi mais elevado que hoje. Em 2003, graças à mobilização da indústria, houve redução da alíquota de 18% para 12% para fios e tecidos e, em 2007, foram incluídos nesta alíquota os produtos confeccionados.

Encontro com Alckmin
No último dia 9 de março, o presidente do Sindicato da Indústria Têxtil do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP), Rafael Cervone Netto, entregou ao ex-governador Geraldo Alckmin, atual Secretário de Estado do Desenvolvimento, o documento solicitando a redução do ICMS paulista de 12% para 7%. Netto reforçou que a medida é de extrema importância para manter a competitividade e a permanência das indústrias têxteis no mercado paulista. Segundo ele, a redução também proporcionará o retorno de indústrias que deixaram de operar em São Paulo. “A redução do ICMS é necessária para a cadeia têxtil paulista, pois trará maior competitividade dos nossos produtos com o restante das federações do país”, afirmou Rafael Cervone. A Secretaria do Desenvolvimento é o órgão do governo paulista responsável pela criação de instrumentos que permitam a promoção do desenvolvimento sustentável do estado.

Fonte: ABIT

17 de dezembro de 2008
Acaba de ser publicado o Decreto nº 53.811 de 12/2008 que prorroga para até 30 de junho de 2009 o diferimento do ICMS ao Setor Têxtil Paulista. As regras permanecem inalteradas, portanto as empresas do setor podem continuar aplicando 12% para o ICMS.
“Discutimos à exaustão com o governador Serra e os secretários Mauro Ricardo, Otávio Fineis e Luciano Almeida. Mostramos com vários estudos o quanto essa redução contribuiu para o aumento da arrecadação de impostos no Estado. Agora, nossa luta é conseguir baixar para 7% o ICMS para as indústrias, 12% para o varejo e 18% para o consumidor. O projeto já está pronto e entregaremos no início do próximo ano”, declara Rafael Cervone, presidente do Sinditêxtil-SP.

27/05/2009 - 13:03h Governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT) reduz ICMS têxtil em troca de emprego

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Marcelo Déda, governador de Sergipe (na foto junto ao presidente Lula): “é a primeira de um conjunto de medidas anticíclicas no Estado”

 

Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

O governo de Sergipe oficializou ontem acordo com o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem do Estado (Sinfitec) para reduzir a alíquota de ICMS ao setor. As empresas terão a carga de ICMS reduzida de 5% para 3,5% por 12 meses, sendo que, para cada mês que a indústria mantiver ou elevar o nível de emprego, ela terá dois meses de ICMS reduzido. “A presunção é que mais à frente, haja melhora do quadro econômico e as indústrias consigam preservar os empregos”, afirmou o governador do Estado, Marcelo Déda (PT). A redução representará uma renúncia fiscal de R$ 1 milhão por ano para o Estado.

Conforme Déda, essa é a primeira de um conjunto de medidas anticíclicas no Estado. O governador observou que as indústrias têxteis no Estado empregam em torno de 5 mil pessoas e têm sofrido os efeitos da crise global e da concorrência com produtos importados da China. Em 12 meses, disse, a Santista Têxtil fechou uma unidade em Aracaju e a Fábrica Confiança também demitiu em função da crise.

Como parte do pacote anticrise, o governo também assinou acordo que inclui no sistema de regime tributário especial as indústrias de cosméticos que instalarem centros de distribuição no Estado. Nas operações feitas pelo centro de distribuição no Estado, o ICMS será reduzido de 12% para 5%. Recentemente, duas empresas de cosméticos se instalaram no Estado, a Leite de Rosas e a GUF Cosméticos. “O governo procura responder à crise com medidas anticíclicas ao setor que está com problemas e fomenta o setor que está bem para que ele se fortaleça”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Santana de Oliveira.

Sergipe viu sua arrecadação diminuir em função dos efeitos da crise global sobre a economia brasileira. De janeiro a abril, a arrecadação no Estado teve queda real de 3,1%, sendo que Fundo de Participação dos Estados (FPE), que representa 55% da receita do Estado, recuou 10,9%; a arrecadação de royalties encolheu 46%, e a da Cide, 69%. O ICMS, que representa 41% das receitas, teve crescimento real de 4,2%. Para o ano, afirmou o secretário estadual da Fazenda, João Andrade Vieira da Silva, o governo sergipano trabalha com previsão de queda real de 4% na arrecadação total, repetindo o resultado nominal de 2008.

Segundo o secretário, o governo tem feito esforços para atrair mais empresas ao Estado e compensar com arrecadação de ICMS parte das perdas causadas pela contribuição menor do FPE e do aumento de gastos com folha. Ontem foi anunciado pelo governo a instalação no Estado de 13 indústrias de diferentes setores, com expectativa de geração de 1.047 postos de trabalho e investimento total de R$ 94 milhões. Além das fábricas novas, quatro indústrias anunciaram ampliação de unidades, com contratação de mais 245 pessoas e investimento de R$ 13 milhões.

19/05/2009 - 12:50h Crise mundial torna chineses mais agressivos no comércio

Com excesso de produtos em estoque, concorrência do país prejudica o Brasil

Paula Pacheco – O Estado SP

A perda de fôlego da economia mundial não inibiu a China. Ao contrário. Tornou o país asiático mais agressivo. Atolada de produtos até o pescoço por causa do cancelamento de encomendas das grandes economias, a saída foi concentrar esforços em outras regiões, como a América Latina, o que atrapalha a vida do Brasil no mercado interno e nos países que compram a produção nacional.

Quando a visita do presidente Lula à China foi anunciada, parte do setor produtivo nacional esperava que o governo levasse na bagagem alguns acordos pré-negociados. Deve ser assinado um acordo para a produção de aviões da Embraer na fábrica asiática e outro para o setor de carnes. “Isso não representa nada. Quando a China quiser, simplesmente deixa de comprar a carne brasileira. Já as encomendas à Embraer vão gerar emprego para os chineses”, analisa o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Segundo o especialista, a balança comercial brasileira, que aponta queda de 17,17% nas importações da China, não é motivo para tranquilidade. “A China está com mais apetite. Só houve retração porque caiu o número de pedidos de bens de capital. Já os bens de consumo continuam invadindo o Brasil.”

Gerente de uma grande importadora de São Paulo, que desenvolve e vende confecções no País e fabrica na China, Claudio Burghera diz que os asiáticos estão mais maleáveis nas negociações em razão da dificuldade de vender aos países mais debilitados. “Antes era mais difícil fazer encomendas mais variadas e em volumes menores. Além disso, houve uma redução média nos preços de 10%.”

Paulo Camargos, sócio da Camargos Representações, atende a empresas da região do Brás, centro de São Paulo, com as confecções asiáticas, especialmente as chinesas. Ele confirma a informação de Burgher. “Eles estão mais agressivos. Como os volumes são muito grandes, basta a China fazer um ajuste nas margens de lucro e o país continua competitivo.”

Apesar de ser sua principal fonte de negócios, Camargos é um defensor da indústria nacional. “Eu odeio o importado. A abertura do mercado brasileiro ajudou a modernizar o parque industrial, mas em muitos casos, como o têxtil, acabou com os empregos.”

A indústria têxtil é uma das mais ameaçadas. Segundo a Abit, que representa as empresas do setor, em abril as importações de roupas da China, em dólar, aumentaram 18,36% na comparação com 2008. Em toneladas, a alta foi de 21,92%.

Para Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit e da empresa Cedro e Cachoeira, o momento é crítico. “A China está mais agressiva no Brasil e nos países para onde exportamos.” Segundo ele, o Brasil não tem importância nos negócios da China. “Representamos apenas 1% das trocas comerciais deles.”

Desde dezembro, a Abit tenta renovar com o país, sem sucesso, o acordo de restrição voluntária. No caso de um aumento de exportações ao Brasil, a China concordaria em frear o volume de pedidos por conta própria. “Seria bom que o governo chinês concordasse em harmonizar as estatísticas e criasse um certificado de embarque para evitar que mercadorias produzidas em outros países, como o Vietnã, venham para o Brasil via China”, analisa.

Na indústria de calçados, também há muita queixa. As importações chinesas, segundo o governo, cresceram 36,6% no primeiro quadrimestre de 2009, ante 2008. Este é um dos setores que alertaram o governo para a concorrência desleal. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, dos 22 pedidos de investigação de dumping da indústria brasileira, 9 são contra a China.

O pedido dos calçadistas foi encaminhado ao governo em dezembro e o processo, segundo Milton Cardoso, presidente da Abicalçados, que representa os fabricantes, já tem 20 mil páginas. “Existe um excedente de estoque na China, e o Brasil é um dos destinos. Nem com o câmbio saltando de R$ 1,60 para R$ 2,20 as importações deixaram de aumentar.”

Ao mesmo tempo que os sapatos chineses desembarcam no Brasil, ocupam espaço em mercados que tradicionalmente se abastecem da mercadoria nacional. É o exemplo de Argentina, Venezuela e México. No caso da Argentina, o problema, segundo Cardoso, é que o governo deixou de dar a licença automática às exportações brasileiras. Pelo acordo, o Brasil poderia ter até 75% das importações de calçados argentinos. Mas hoje é a China quem manda, com 60%.

No aço, a situação não é diferente. A China, seguida pela Ucrânia, está super ofertada de aço e resolveu mirar o Brasil. De janeiro a abril, as compras de laminados de ligas de aço, por exemplo, explodiram, com alta de 530,92%. Desde o início do ano o setor tenta negociar com o governo uma sobretaxa para o produto chinês.

NÚMEROS

17,7 % foi a queda das exportações do Brasil para a China

18,36 % foi o aumento das exportações chinesas de têxteis para o Brasil

21,92 % foi o aumento das exportações chinesas de têxteis ao Brasil, em toneladas

36,6 % foi o aumento das exportações chinesas de calçados ao Brasil

21/10/2008 - 08:20h Para setor têxtil, crise pode ser boa

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Vanessa Jurgenfeld, de Florianópolis para VALOR

O presidente do Sinditêxtil-SP e conselheiro da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Rafael Cervone Netto, acredita que a crise mundial poderá trazer uma boa oportunidade para as indústrias têxteis brasileiras, especialmente na melhora de sua competitividade no mercado externo.

Ele diz que, mesmo com a retração da demanda por conta da queda de consumo nos Estados Unidos e Europa, principais mercados consumidores mundiais para produtos têxteis, o câmbio mais favorável deverá incentivar as exportações das indústrias brasileiras. Para ele, ainda é momento de sentir o mercado e ter uma solução para a retração do crédito em linhas de exportação (ACC e ACE), mas já avalia que o crescimento das exportações do setor poderá superar a previsão de 8% esperada para o ano, dada a desvalorização do real ante o dólar das últimas semanas.

Segundo Cervone Netto, as oportunidades para o Brasil no mercado externo também são mais fortes neste momento diante da perda de parte da competitividade do setor têxtil chinês no mundo, conforme avaliação recente da International Textile Manufacturers Federation (ITMF). Ele, que participou da reunião anual da ITMF, encerrada semana passada, diz que as previsões são de redução das taxas de crescimento da China no comércio mundial têxtil e há estimativas de que haja uma paralisação do crescimento no longo prazo.

Segundo ele, as cotas impostas pela União Européia aos produtos chineses no fim de 2007 reduziram a exportação da China para o bloco entre 30% e 50% (dependendo do produto) e também fizeram com que os preços chineses subissem, diminuindo sua principal atratividade. Pesam também desfavoravelmente aos produtos chineses, o fato de começar a ocorrer aumento do custo de energia na China, elevação dos custos da mão-de-obra, com novas leis trabalhistas, maior pressão sobre sua taxa cambial e maior rigor nas regras ambientais.

Ainda que países como Vietnã tenham se aproveitado do espaço deixado pela China no comércio com a UE, ele diz que há espaço para o Brasil, especialmente em itens de maior valor agregado e em itens com apelo ecológico. Para Cervone Netto, o Brasil deve mudar de postura e passar também ao “ataque comercial” na China e na Índia, locais onde há aumento do número de consumidor, com mais pessoas se incorporando à classe média. Segundo ele, em 2009, a Abit deverá abrir escritórios comerciais nesses dois países com esse intuito.

A previsão da ITMF é que o comércio têxtil mundial feche 2008 em US$ 500 bilhões e fique em torno de US$ 800 bilhões em 2014. As estimativas consolidaram uma continuidade do crescimento desse tipo de comércio, porém a taxas menos fortes.

29/04/2008 - 09:07h FT Interview: Celso Amorim, Brazil’s foreign minister

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By Jonathan Wheatley and Richard Lapper, FT.com site

Published: Feb 21, 2007

Jonathan Wheatley and Richard Lapper, speak to Brazil’s foreign minister Celso Amorim who insists Brazil is not about to adopt 21st century socialism.

(mais…)

02/04/2008 - 03:56h China já se prepara para crescimento de um dígito

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Andrew Batson, The Wall Street Journal, de Pequim – VALOR

A economia chinesa está finalmente perdendo furor.

O investimento em fábricas e infra-estrutura, há muito o principal motor de crescimento do país, começou a enfraquecer. Está mais difícil conseguir financiamento. As construtoras, em particular, sentem os efeitos dos limites ao crédito impostos pelo governo no final de 2007. Algumas empresas, apertadas pela alta de preço de matérias-primas, estão divulgando lucro menor, o que as deixa com menos caixa para financiar expansão.

Esse desaquecimento das bolhas especulativa e de investimento é algo que o governo da China buscava há algum tempo, sem muito sucesso. Agora, os efeitos já aparecem nos mercados. Os preços de imóveis se estabilizaram, após os fortes ganhos do ano passado, e a Bolsa de Xangai está 46% abaixo do recorde atingido em outubro.

A modesta desaceleração que as autoridades conseguiram na economia interna ocorre num momento em que há incertezas por todo o mundo. O crescimento das exportações chinesas tem diminuído há meses, à medida que se enfraquece a economia dos Estados Unidos, e é pouco provável que as vendas ao exterior ajudem muito a expansão econômica da China de uma maneira geral neste ano.

“No total, todos esses fatores já começam a ter impacto no crescimento. Já há evidências de que as empresas menores estão sentindo bastante”, diz Qu Hongbin, economista do HSBC em Hong Kong.

Os dados econômicos da China para os primeiros dois meses deste ano mostram desaceleração tanto no lado externo (o crescimento das exportações ficou abaixo de 20% pela primeira vez nos últimos anos) quanto no interno. Embora a economia continue em forte expansão, e alguns setores estejam resistindo bem, os números ainda apontam para crescimento bem mais lento no primeiro trimestre deste ano. A magnitude da redução só ficará mais clara quando a China divulgar seu Produto Interno Bruto (PIB) do período, dia 17.

“A questão crucial é como as pessoas vão reagir”, diz Qu. “Quantas pessoas estão pensando sobre uma redução significativa do crescimento na China?”

O Banco Mundial acaba de reduzir duas previsões para a China à luz da deterioração da economia dos EUA. Agora, prevê que o crescimento de 2008 cairá para 9,4%, dois pontos percentuais abaixo do de 2007. Ainda é muito para os padrões de qualquer outra economia, mas seria um ajuste para a China, após cinco anos seguidos com ganhos de 10% ou mais.

“Uma redução do crescimento para taxas de um dígito vai chocar os mercados e pode deflagrar um recuo dos preços de combustíveis e commodities industriais”, disse Carl Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics nos EUA, num relatório de análise distribuído esta semana.

Parte do enfraquecimento este ano foi devido ao mau tempo. Tempestades de neve em várias regiões do país interromperam o transporte e fecharam lojas e fábricas no fim de janeiro e início de fevereiro. Acredita-se que isso tenha reduzido temporariamente o crescimento no começo do ano. Indicadores preliminares mostram alguma recuperação em março.

Mas, segundo outros indicadores, a economia chinesa pode estar freando mais do que os números oficiais indicam. Por exemplo, a medida referencial de gastos de capital, chamada investimento urbano em ativos fixos, subiu 24,3% no primeiro bimestre, em relação ao início de 2007. É uma queda pequena em relação ao crescimento de 25,8% um ano atrás. Mas os números divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas não são corrigidos pela inflação, que tem subido. Levando-se em consideração a alta de custos, o investimento cresceu 18% ou menos este ano, depois de ficar entre 23% e 25% na maior parte do ano passado. Analistas culpam o enfraquecido mercado imobiliário, assim como a redução da expansão industrial por parte de exportadores às voltas com menor demanda nos EUA.

A alta das matérias-primas também pode espremer as margens de lucro das empresas. A pesquisa anual com indústrias feita pela agência de estatísticas concluiu que os lucros no primeiro bimestre de 2008 subiram 16,5% em relação a um ano atrás; mas em 2007 esse porcentual chegou a 36,7%. Entre empresas de capital aberto, tanto na indústria pesada quanto na leve, mesmo as de bom desempenho agora estão sofrendo.

A Weiqiao Textile, produtora de tecidos e linhas negociada na bolsa de Hong Kong, divulgou esta semana queda de 20% no lucro líquido de 2007. O presidente do conselho, Zhang Hongxia, culpou a queda do dólar, as mudanças na lei tributária do país e a alta das matérias-primas. A Baoshan Iron & Steel também divulgou recentemente uma queda inesperada de 2,8% no lucro líquido do ano. A maior siderúrgica chinesa já elevou preços de vários produtos este ano para tentar compensar a alta do minério de ferro e dos combustíveis.

Esses primeiros sinais de esfriamento da economia não bastaram para os líderes chineses relaxarem o combate à inflação, que no acumulado de 12 meses até fevereiro chegou a 8,7%, maior nível em dez anos. Em resposta, o Banco do Povo da China, o banco central, fez a moeda local, o yuan, subir 4,1% ante o dólar no primeiro trimestre, a maior alta desde que o atrelamento informal ao dólar foi encerrado, em 2005. O BC divulgou nota na segunda, após sua reunião trimestral, dizendo que vai manter o “aperto” monetário e alertou que pressões inflacionárias ainda são fortes e que o investimento pode voltar a crescer mais tarde.

Contudo, o premiê Wen Jiabao também tem enfatizado que acompanha atentamente a economia mundial e que o governo está preparado para mudar a política com rapidez, se necessário. Depois de um inesperado superávit fiscal em 2007, o governo tem recursos de sobra para estimular o crescimento. Muitos analistas já prevêem uma expansão dos gastos em infra-estrutura ainda este ano.

“Precisamos achar um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e controle da inflação”, disse em março Wen, que prometeu criar 10 milhões de empregos urbanos este ano. “Precisamos manter um certo ritmo de crescimento econômico para resolver a pressão do desemprego.”

10/03/2008 - 20:01h A causa é boa

Parlamentares lançam frente para fortalecer setor têxtil

ANNE WARTH – Agencia Estado

santista-denim.jpgSÃO PAULO – Cerca de 200 parlamentares pretendem assumir o compromisso de criar 1 milhão de empregos no setor têxtil até o fim da atual legislatura, em 2010. Esse é um dos objetivos da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção Brasileira, que será lançada na próxima quarta-feira, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Os parlamentares já têm pelo menos três reivindicações que vêm sendo pleiteadas pelo setor: a rápida aprovação e tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional, com destaque para a desoneração da folha de pagamento; a obtenção de acordos setoriais bilaterais com grandes mercados, como Estados Unidos e Europa; e a exigência do cumprimento de normas técnicas, utilizadas pela indústria nacional, também para produtos importados.

Na prática, a exigência de normas funciona como uma barreira não-tarifária, e a adoção desse tipo de prática encontra resistências na Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, o Itamaraty prefere trabalhar pela obtenção de acordos multilaterais, como a Rodada Doha, em vez dos acordos setoriais bilaterais. Já a reforma tributária deve enfrentar uma longa negociação e disputa entre Estados no Congresso.

Atualmente, a indústria têxtil brasileira é a sexta maior do mundo, emprega 1,6 milhão de trabalhadores em 30 mil empresas e fatura R$ 65 bilhões ao ano. Mais de 80% das empresas atuam no ramo de confecções, o mais fraco de toda a cadeia produtiva. “A indústria têxtil e de confecção é a segunda maior empregadora de transformação e, lembrando que estamos no mês da mulher, 75% da mão-de-obra do setor é feminina”, declarou a senadora petista de Santa Catarina, Ideli Salvatti (PT-SC), uma das coordenadoras da Frente Parlamentar.

Desde 2006, o setor vem apresentando déficit na balança comercial por conta da concorrência de produtos importados e do câmbio valorizado. “O dólar baixo incentiva as importações e inibe as exportações, principalmente porque não temos margem para competir com os concorrentes. Os empresários têxteis carregam 40% de carga tributária no custo final dos produtos. Não há competência que dê jeito nessa desvantagem. Não existe mágica”, disse o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), também membro da Frente Parlamentar.

11/01/2008 - 10:01h Setor têxtil quer modificar acordo feito com chineses

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Rafael Rosas VALOR

As importações de países asiáticos, notadamente a China, continuam trazendo preocupações para o setor têxtil brasileiro. Para este ano, um dos objetivos das indústrias têxteis e de confecções é dar novos moldes ao acordo iniciado com o governo chinês em 2006 e que prevê a limitação do crescimento de importações de oito categorias de têxteis, o que significa teto de avanço anual para 72 produtos. Em 2007, as importações da China representaram 39% de tudo o que foi comprado pelo Brasil em produtos têxteis no exterior.

(mais…)

07/09/2007 - 13:51h Brasil discute mais restrições a têxteis chineses

Governo brasileiro também quer estimular venda de bens manufaturados à China

O estado de São Paulo (para assinantes)

O vice-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, tem uma agenda politicamente complicada nesta sexta-feira em Pequim. Ele tentará convencer o governo da China – terceiro maior mercado para produtos brasileiros e segundo maior fornecedor do Brasil – a aceitar novas limitações às vendas de tecidos e roupas para o País.

Discutirá os números das exportações chinesas de brinquedos, porque as estatísticas dos dois países não batem. Pedirá a certificação de frigoríficos para destravar as exportações de carnes. Defenderá os interesses de indústrias exportadoras brasileiras, incluída a Embraer, e lembrará aos chineses as promessas de investimentos feitas durante a visita do presidente Hu Jintao ao Brasil, em 2005. Mas o documento, como lembrou depois um executivo do setor privado, referia-se a intenções dos dois lados e não especificava o montante dos investimentos.

Apesar das controvérsias, o comércio entre os dois países continua crescendo bem acima da média mundial e o vice-ministro Ivan Ramalho (secretário-executivo, na denominação oficial) exibe otimismo quanto às possibilidades de maior intercâmbio. Em dois anos, segundo ele, as importações chinesas deverão pular de US$ 800 bilhões para mais de US$ 1 trilhão, e ele espera ver o Brasil participando dessa evolução.

Os chineses também terão uma pauta de cobranças, admitiu Ramalho, ontem, numa entrevista em Dalian, onde participou de uma reunião do Fórum Econômico Mundial. Eles deverão discutir as ações antidumping movidas pelo Brasil, na Organização Mundial do Comércio (OMC), contra os exportadores chineses de glifosato, escovas de cabelo, pentes e componentes de bicicletas. Além disso, poderão perguntar por que o governo brasileiro ainda não regulamentou o reconhecimento da China como economia de mercado – assunto discutido em Brasília na visita do presidente chinês.

O protocolo assinado na viagem do presidente Hu Jintao, lembrou Ramalho, mencionava importações de produtos brasileiros e investimentos no País. Foi assinado em 2006 contrato para a compra de 100 aviões da Embraer, metade montada no Brasil, metade na China. Além disso, houve uns poucos investimentos chineses no Brasil. Mas os processos de venda de aviões montados na fábrica brasileira da Embraer vêm sendo tratados com lentidão, segundo Ramalho. A formalização do reconhecimento da China como economia de mercado, explicou, virá como contrapartida da solução desses problemas.

Em relação aos tecidos e confecções, os brasileiros pretendem a ampliação da lista de produtos sujeitos a “restrições voluntárias” de exportações pelos chineses. A lista já em vigor cobre pouco mais de 60 posições tarifárias da pauta comercial brasileira. A pretensão é incluir mais 10 a 15 itens. Não será uma conversa fácil, especialmente porque o Brasil convenceu os parceiros do Mercosul, recentemente, a elevar a tarifa externa comum cobrada nas importações de tecidos e confecções, ampliando a proteção da indústria nacional.

No caso dos brinquedos, a idéia é propor a harmonização das estatísticas. As exportações para o Brasil registradas pelo governo chinês são maiores que as importações da China contabilizadas no Brasil. Pode tratar-se de subfaturamento. Trabalho semelhante de harmonização já foi iniciado para outros produtos.

A corrente de comércio com a China – exportações mais importações – cresceu 34,5% no ano passado e, de janeiro a julho deste ano, foi 38,9% maior do que um ano antes. Até julho, o Brasil vendeu ao mercado chinês US$ 6,06 bilhões e importou US$ 6,26 bilhões. Com isso, o comércio bilateral foi deficitário para o Brasil pela primeira vez desde 2001.

As exportações brasileiras foram 28,3% superiores às de janeiro a julho de 2006. As importações foram 51% maiores que as de igual período do ano passado. O intercâmbio deverá superar US$ 20 bilhões em 2007 e o superávit ficará com a China.

Um dos objetivos do governo brasileiro, segundo Ramalho, é aumentar a participação de manufaturados nas exportações para o mercado chinês – sem reduzir as vendas de produtos básicos. No ano passado, 74% das vendas brasileiras para a China foram de produtos básicos. Dois produtos, soja e minério de ferro, proporcionaram cerca de 60% da receita total. Em contrapartida, a China obteve com produtos industrializados 97,5% do valor das vendas ao Brasil.

Ramalho participou ontem de uma reunião do Conselho Empresarial Brasil-China, encontro promovido como parte das atividades do Fórum Econômico Mundial em Dalian. Além dele, estiveram na reunião 27 executivos dos dois países, em sua maioria brasileiros.

Os empresários brasileiros têm dado mais atenção aos problemas do que às oportunidades, comentou o presidente do conselho, Ernesto Henzelmann. A empresa por ele dirigida, a Embraco, fabricante de compressores, opera uma filial em Pequim desde 1995. A capacidade de produção, 4,5 milhões de unidades/ano, deverá chegar a cerca de 6,5 milhões até 2008. No Brasil, a empresa pode produzir cerca de 17 milhões. Produtos não fabricados na China são importados do Brasil.

29/08/2007 - 13:38h Londres alerta sobre têxteis da China

Associação Brasileira de Químicos e Coloristas Têxties

O Reino Unido elevou o nível de alerta em relação às importações depois de descobrir que roupas de baixa qualidade importadas da China continham altos índices de um produto químico potencialmente perigoso.

As peças de roupas continham formaldeído, uma substância obtida do metanol e usada para proteger os produtos transportados por longas distâncias.

Especialistas afirmam que a exposição a esse tóxico no longo prazo pode acarretar problemas de saúde, desde irritação de pele até certos tipos de câncer. Controles descobriram altos índices de formaldeído, 900 vezes mais que o permitido, em roupas para crianças e adultos vindas da China.

25/08/2007 - 13:27h China amenaza con represalias por el freno al ingreso de sus productos

Clarín

Fue en respuesta a las restricciones adicionales que días atrás fijó Argentina.

 

 

OTROS TIEMPOS. KIRCHNER HABLA EN SHANGAI. FUE EN LA GIRA DE 2004.


Luis Ceriotto
lceriotto@clarin.com

El Ministerio de Comercio de la República Popular China emitió un duro comunicado en el cual “no comprende ni acepta de ninguna manera” la decisión argentina de aplicar el régimen de licencias no automáticas y exigir requisitos adicionales a la importación de bienes de ese origen.

“La parte china no comprende ni acepta de ninguna manera el súbito hecho de que la parte argentina haya tomado medidas de restricción sin ninguna notificación previa y presta una grave preocupación a este aspecto”, señaló el portavoz del ministerio chino, a través de un comunicado. A la vez, agregó, el gobierno chino “reserva su derecho de tomar las medidas necesarias“.

Las restricciones que impuso la Argentina afectan a las importaciones de marroquinería, neumáticos, llantas, bicicletas, productos informáticos e insumos para calzado, entre otros productos. Y no afecta sólo a las de origen chino, sino a todos los países de la denominada “Zona Aduanera 4″, que también abarca a Vietnam, India, Corea y Paquistán, entre otros.

Esta semana, el Boletín Oficial publicó las resoluciones aduaneras, que exigen a los importadores obtener un certificado de origen donde se consigna la validez de la factura emitida por el exportador de ese país. Esa validación -dirigida a evitar la subfacturación- debe ser tramitada directamente ante la Aduana del país exportador o bien desde el consulado argentino de ese país.

“Siendo uno de los miembros fundadores de la Organización Mundial de Comercio (OMC), el Gobierno argentino ignoró el reglamento de la OMC, restringiendo el ingreso legal de productos chinos al mercado argentino”, agregó el comunicado. “El acto de la parte argentina contravino sus correspondientes obligaciones multilaterales, lo cual perjudicó los derechos atribuidos a la parte china por la OMC”. Más abajo, relata que “en los últimos años, China y Argentina se han mantenido en una amistosa relación de socios comerciales, especialmente durante 2004, cuando los dos jefes de Estado realizaron visitas recíprocas”.

En noviembre de 2004, el presidente chino, Hu Jintao, visitó la Argentina. Había expectativas alentadas desde la Casa Rosada de inversiones chinas de US$ 20.000 millones, que no se concretaron. En cambio, el premier chino se llevó una carta de compromiso firmada por Kirchner, por la cual la Argentina reconocía a China como economía de mercado, en el marco de la OMC.

Según el Gobierno chino, el embajador Zhang Tuo visitó el jueves a la Cancillería para conversar del tema, mientras que el Director General de las Américas del Ministerio de Comercio, He Ning, se reunió con el encargado de negocios de la embajada argentina en China. En la Cancillería no hubo información de esas reuniones. Pero el titular de la Aduana, Ricardo Echegaray, dijo a Clarín que las restricciones aduaneras “están en contexto con las normas de la OMC y, específicamente, siguen las directrices de la Organización Mundial de Aduanas, que integran 171 países, entre los que están Argentina y también China”.

Otro de los reclamos del gobierno chino alude a “las mercaderías chinas estancadas en los puertos“. Al respecto, Echegaray admitió que se produjo un “embudo” durante el fin de semana largo de contenedores chinos que fueron bajados en el puerto de Montevideo. “Los importadores querían ver, antes de desembarcar los contenedores, cuáles eran las mayores exigencias de la Aduana”, dijo.

Comercio en expansión

El intercambio comercial entre la Argentina y China tuvo un incremento significativo en los últimos años. En 2006, el comercio bilateral llegó a los US$ 6.630 millones. En ese período, las exportaciones argentinas al mercado chino alcanzaron un total de US$ 3.508 millones. El 81% del aumento de las exportaciones en el último año se explica por las ventas de petróleo. Aunque también se envían a China, cueros y pieles, harina, pellets de aceite de soja y tubos sin costura, entre otros productos.

Durante el primer semestre de este año la tendencia creciente del intercambio continuó y las exportaciones argentinas aumentaron más del 31%, hasta alcanzar US$ 2.160 millones.

Sin embargo, las importaciones, que tanto preocupan a los industriales argentinos, crecieron a un ritmo mayor que las exportaciones: treparon a los US$ 1.998 millones, en lo que va del año.

Según un informe de la consultora Abeceb.com, la Argentina importa 4.442 productos diferentes desde China, de los cuales el 99% son manufacturas de origen industrial. Entre ellos, motocicletas, computadoras, productos de electrónica y agroquímicos.

23/08/2007 - 11:05h Mercosul intensifica ofensiva anti-China

Sergio Lamucci para Valor

Os países do Mercosul intensificam a adoção de medidas contra as importações da China. O movimento no bloco é capitaneado pela Argentina e pelo Brasil, que passaram a adotar com mais freqüência medidas para combater a enxurrada de produtos exportados pelo país asiático. Na sexta-feira, o governo argentino anunciou restrições à importação de produtos como bicicletas, pneus calçados e equipamentos de informática, para dificultar a entrada de artigos da China e de outros países asiáticos.

O governo brasileiro, por sua vez, decidiu inspecionar com mais rigor remessas de mercadorias importadas, a começar pelos brinquedos.

O diretor de relações internacionais e comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, acredita que essa tendência deve se acentuar daqui para a frente, tanto no Mercosul como no mundo. Para ele, é necessário endurecer o jogo com a China, por meio de medidas de proteção comercial e aduaneira. Em junho, o Brasil adotou direito antidumping provisório para escovas de cabelo, alto-falantes e ferros de passar roupa. A indústria espera a adoção de medidas semelhantes para outros produtos nos próximos meses, também para conter as importações de artigos chineses.

Para Giannetti da Fonseca, elas são necessárias para combater o comportamento “predatório” da China, que vende produtos a preços que prejudicam a indústria e o emprego locais, além de muitas vezes não atenderem especificações técnicas e não mostrarem preocupação com o consumidor. A Fiesp, conta ele, tem oferecido cursos a agentes aduaneiros para ajudar na identificação de subfaturamento, falsificação de produtos e classificação tarifária errada – estratégia usada para driblar eventuais restrições à importação de determinados produtos.

De janeiro a junho, o Brasil teve um déficit de US$ 295,3 milhões no comércio com a China – no mesmo período do ano passado, o país registrara um superávit de US$ 166,4 milhões. A balança comercial da indústria, porém, já era largamente deficitária – em 2006, o saldo ficou negativo em US$ 5,7 bilhões, podendo atingir US$ 8 bilhões neste ano, segundo a Fiesp.

O presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Marconini, também acredita que a adoção de medidas de restrição de importações da China devem se intensificar daqui para a frente. No Mercosul, a Argentina é quem deve comandar o movimento, acredita ele, o que pode ter algum “efeito-dominó” sobre o Brasil. Marconini mostra, porém, alguma preocupação com o fenômeno. Ele não vê com maus olhos a adoção de medidas antidumping ou de salvaguardas, mas acredita que é um erro a elevação de alíquotas de importação, por causar ainda mais distorções na já complexa estrutura tributária brasileira.

Para Marconini, é um equívoco o aumento para até 35% das tarifas de importação de calçados e confecções e até 26% das de tecidos, medida que pode entrar em vigor na próxima semana, depois que a Comissão de Comércio do Mercosul formalizar a decisão. “Eu prefiro medidas de defesa comercial, como salvaguadas e as antidumping, por serem mais focadas.”

22/08/2007 - 11:10h Mercosul aprova e Brasil deve anunciar elevação de tarifa de calçados e tecidos

Valor

Após quase três meses de negociação, o Brasil conseguiu de todos os sócios do Mercosul a aprovação para aumentar a tarifa externa comum (TEC) do bloco aplicada às importações de calçados, tecidos e confecções. A decisão, a ser formalizada até o início da semana que vem em resolução da comissão de Comércio do Mercosul, vai autorizar os sócios que assim desejarem, a aumentar para 35% as tarifas de importação de calçados e confecções e até 26% as de tecidos.

A decisão deve ser anunciada oficialmente hoje, após visita do ministro da Indústria do Paraguai, José Maria Ibañez, ao ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ibañez vem acompanhado de uma comitiva de altos funcionários e o presidente da União Industrial Paraguaia, Gustavo Volpe. A medida, na prática, cria mais uma distorção no sistema alfandegário comum do Mercosul, já que o aumento da tarifa não será aplicado uniformemente por todos os países. O Uruguai já informou que, por ter adotado recentemente medidas de apoio à indústria têxtil, só deverá acompanhar os sócios no aumento da tarifa sobre calçados.

A decisão provoca polêmica no Brasil, também, onde a indústria de confecções acusa o governo de ter usado os argentinos como escudo para atender a uma reivindicação da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e aumentar a tarifa de importação de tecidos, causando aumento de custos para a indústria de bens acabados. Para sustentar a acusação, lembram que a ata da reunião do Grupo Mercado Comum que registrou a discussão do tema trazia uma tabela de tarifas sugeridas para tecidos de autoria da Abit. Os argentinos, porém, desde maio vinham apontando o aumento nas tarifas dos tecidos como medida necessária para autorizar a elevação da TEC para calçados e confecções. A iniciativa do Brasil foi conseqüência das pressões dos setores afetados pela perda de competitividade causada pela valorização do real frente ao dólar.

O governo brasileiro chegou a anunciar que elevaria as tarifas unilateralmente, caso não conseguisse aprovação dos sócios. Seria a primeira vez em que o Brasil adotaria uma medida isolada para atender a queixas de exportadores. Com a concordância prévia dos sócios, será possível ao governo brasileiro anunciar o respeito às normas do Mercosul, ainda que a norma em questão seja uma autorização para provocar mais uma “perfuração” na tarifa externa que deveria ser comum a todas as alfândegas do bloco.

13/07/2007 - 10:18h COMÉRCIO EXTERIOR: Déficit têxtil já é de US$ 403 milhões

A balança comercial do setor têxtil e de confecções fechou o primeiro semestre com um déficit de US$ 403,5 milhões, num volume quase sete vezes maior do que o resultado negativo de todo o ano passado, que foi de US$ 60 milhões.

Até junho, as importações somaram US$ 1,407 bilhão e as exportações, US$ 1,003 bilhão. Segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o déficit deve se aproximar de US$ 1 bilhão neste ano. “O setor está submetido a condições macroeconômicas extremamente difíceis, como juros altos e carga tributária elevada. Esses problemas estruturais estão sendo maximizados pelo câmbio apreciado, que tem tirado competitividade dos nossos produtos”, avalia o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel. Segundo seus cálculos, o real se valorizou 37% nos últimos três anos frente ao dólar, enquanto o yuan (moeda chinesa) não ultrapassou 8%. Fonte Correio Braziliense.

10/07/2007 - 15:24h China’s trade surplus hits fresh record

By Richard McGregor in Beijing and George Parker in Brussels

Financial Times

China’s swelling monthly trade surplus hit a new high in June of $26.9bn, an 85.5 per cent increase on the same month last year, as local exporters continued to leverage low costs to capture new overseas markets.

The surplus for the first half of the year has now reached $113bn (€82bn, £56bn), more than for the whole of 2005 and equal to about 8 per cent of China’s expected economic output for the first six months of this year.

“This level of trade surplus is unprecedented for China or any other major economy in the world,” said Hong Liang, of Goldman Sachs.

Exports of some products jumped dramatically in the first half, such as steel, which was up by 97 per cent, and containers, up by 55 per cent.

In the case of steel and some other products, exporters have accelerated sales overseas in recent months to beat government cuts to export tax rebates for ­energy-intensive products.

The rebate cuts, the most important of which came into effect on July 1, are among measures announced by Beijing in recent months to reduce incentives for exporters in the face of rising protectionist sentiment in the US and Europe.

Ports along China’s coast were crammed with trucks last month attempting to deliver goods before the deadline.

“From June 29, a large part of the outer ring road linking Waigaoqiao [Shanghai’s port] was completely blocked by trucks,” said Kuang Tiezhuang, a shipping agent in the city.

Stephen Green, of Standard Chartered bank in Shanghai, said it was too early to judge how much impact the rebate cuts would have on exports in the medium to longer term.

“We will have to wait at least three months to see any effect – and possibly longer since many firms which invested in these sectors will continue to manufacture and export given their capacity is already in place,” he said.

But on top of China’s competitive currency and its role as the last point of assembly for many Asian exports, the growing surplus reflects the capacity of local manufacturers to leverage low costs across a widening range of industrial goods.

Traditional exports such as textiles and electronics assembled in China stayed strong but manufacturers are also moving away from a reliance on cheap, low-margin goods to value-added items offering higher profits.

Sales of television sets overseas fell by 51 per cent in the first six months, while exports of telecommunications equipment and ships have been growing strongly in the last 18 months.

The June surplus was also accentuated by weak imports, which grew by only 14 per cent year-on-year, while exports accelerated by 27 per cent in the same period.

The first half of 2007 has confirmed some trends that emerged last year, notably Europe surpassing the US as China’s largest export market.

China’s growing surplus with the European Union is expected to fuel efforts by some member countries to reimpose curbs on textiles imports when temporary measures run out at the end of the year.

Peter Mandelson, EU trade commissioner, on Tuesday warned that EU-Chinese trade relations were at a “crossroads” and that Europe needed improved access to the expanding Asian market.

Mr Mandelson said pressure would mount for more European protectionism unless there was a genuine two-way street.

“Europe’s trade deficit with China is growing,” he told the European parliament in Strasbourg, adding: “Our export potential is being hampered by barriers in the Chinese market – [which means] an important part of the current trade balance is artificial.”

Mr Mandelson says EU companies need better access to China’s markets and a “sea change” in intellectual property rights protection and copyrights.

In the US, some legislators are calling for laws that would impose punitive tariffs on Chinese imports if Beijing fails to let the renminbi rise faster in value. Last year, the US trade deficit with China amounted to $232.5bn – its biggest with any country.

21/06/2007 - 15:57h Alíquotas ad rem e a sonegação fiscal

A China tem adotado uma política extremamente agressiva em matéria de comércio exterior, ’sendo essa uma das razões que explicam as espetaculares taxas ‘de crescimento que vem registrando nos últimos anos.

Para conferir competitividade a seus `produtos, os chineses fazem uso `de meios lícitos e ilícitos. Recorrem, sem a menor cerimônia, ao dumping, à pirataria, ao subfaturamento, ao pagamento de salários vis a seus trabalhadores e a outros meios
que evidenciam práticas desleais de comércio.

Os preços de certos produtos chineses que chegam ao mercado nacional assumem ar de verdadeira galhofa, sem qualquer termo de comparação com os usualmente praticados no mercado internacional. A aduana na verificação de preços para fins de aplicação do imposto de importação e outros graves incidentes na importação de mercadorias faz uso das regras de valoração aduaneira, instituídas pelo Acordo de Marrakech e acolhidas pela Organização Mundial de Comércio (OMC).

A verdade, entretanto, é que essas regras não têm sido eficientes para deter esses casos de subfaturamento. Pouco importa elevar as alíquotas do imposto de importação, pois a base de cálculo se ajusta para baixo, neutralizando o potencial efeito do aumento na tarifa aduaneira. Subfaturamento combinado com circunstâncias de apreciação cambial pode ter efeitos profundamente danosos para produção doméstica. Não há produtividade que resista a essa combinação, mormente nos setores industriais mais tradicionais.

O setor têxtil brasileiro, por exemplo, vem sendo alvo de uma competição nociva com os produtos chineses. A adoção de medidas de proteção, no caso, não pode ser confundida com ato de protecionismo, no sentido pejorativo dessa palavra. Ao contrário, é medida imperativa na defesa da produção e emprego nacionais. Fez bem o governo brasileiro quando acolheu demanda da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) para tributar a importação de produtos têxteis mediante utilização de alíquota ad rem, também chamada de aliquota específica. Leia mais no jornal Gazeta Mercantil (para assinantes)

Everardo Maciel

ex-secretário da Receita Federal

13/06/2007 - 11:06h Medidas embutem antidumping para têxteis

Raquel Landim

No conjunto de medidas de apoio aos exportadores divulgadas ontem, o governo alterou a forma de tributar as importações de vestuário e adotou informalmente uma lista de referência de preços para os produtos desse setor. Os empresários aplaudiram a medida, classificando como um verdadeiro antidumping contra a China. Já os especialistas em comércio exterior advertem que pode contrariar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo rechaça que esteja infringindo as leis do comércio mundial.

A tributação para o setor de vestuário deixará de incidir sobre o preço de importação e passará a considerar o peso do produto que chega ao país. Os impostos serão cobrados por quilo de cada item de vestuário através de um valor fixo, definido com base nos preços de referência pesquisados pela Receita, segundo comunicado do Ministério da Fazenda, distribuído ontem na entrevista coletiva na qual os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge, anunciaram as medidas para elevar a competitividade dos setores afetados pela valorização do câmbio.

“Essa é a medida que mais entusiasma. Gostaria de ver adotada para todos os produtos que sofrem com a concorrência chinesa”, disse Carlos Cavalcanti, diretor-adjunto de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “A tributação incide sobre a quantidade importada. É quase um antidumping”, completa José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), para quem a medida “contorna uma saia justa com os chineses”.

Ao cobrar a tarifa com base em um preço de referência, o governo deixa de considerar para fins tributários o preço pelo qual o importador declara ter trazido o produto ao país. Segundo a Fazenda, a Receita vinha constatando que o preço declarado em importações de vestuário estava abaixo das importações de matéria-prima, caracterizando indícios de subfaturamento. Vender abaixo do preço de custo também é o conceito do dumping, sobre o qual os países aplicam uma tarifa para anular o efeito desleal no comércio.

Mais de 65% das importações de vestuário do Brasil vêm da China. Nas gavetas do Ministério do Desenvolvimento, estão empilhadas investigações antidumping de vários setores contra o país asiático. Algumas saíram do papel, outras não. As relações preferenciais entre Brasil e China e a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reconhecer o gigante asiático como economia de mercado tornam mais difícil politicamente a aplicação desse tipo de medida de defesa comercial. Leia mais no Valor (para assinantes)

13/06/2007 - 10:38h Governo dá alívio de R$ 4 bi à indústria

Capa do O Globo

Setores mais afetados pelo real forte terão juros e impostos menores

O governo anunciou ontem um pacote para desonerar setores da indústria mais prejudicados pelo real valorizado. Juntas, as medidas representam um alívio de R$ 4,057 bilhões. A maior parte do dinheiro, R$ 3 bilhões, virá na forma de linhas de financiamento do BNDES para investimento, capital de giro e exportação e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Além disso, haverá juros subsidiados pelo Tesouro Nacional e impostos menores para estas empresas. Os maiores beneficiados serão os setores de calçados, têxteis e móveis, que perderam competitividade nas exportações nos últimos meses e vinham pedindo compensações ao governo. Setores de eletroeletrônicos e automóveis também terão benefícios fiscais na compra de máquinas e equipamentos.

Os empresários, no entanto, criticaram as medidas e alegaram que elas ficaram aquém do esperado. Páginas 21 e 22

O PORQUÊ DAS MEDIDAS
O governo quis dar um empurrão nos setores da indústria que mais reclamam do real valorizado. O objetivo é compensar a perda de competitividade das exportações e a concorrência forte dos importados

09/06/2007 - 12:15h Le textile chinois prêt à déferler de nouveau sur l’UE

L’Union européenne présente une série de propositions au sujet des textiles chinois bloqués dans les douanes européennes.

Le Monde

Deux ans après la réintroduction des quotas sur le textile chinois, instauré le 10 juin 2005 par l’Union européenne (UE), les exportations vers les vingt-sept Etats membres ont connu un sérieux coup de frein. Elles avaient augmenté de 47 % en 2005, dans le secteur de l’habillement. Elles ont “seulement” progressé de 11 % en 2006.

Ces contingents, qui portent sur dix articles précis (robes, pantalons, tee-shirts…) – leurs volumes exportés ne peuvent excéder de 8 % à 12 % ceux atteints au cours des douze mois précédents – ont donc pleinement joué leur rôle : contenir l’invasion de produits chinois après un premier démantèlement des quotas qui était survenu le 1er janvier 2005. A cette époque, les industriels du textile et de l’habillement, et plusieurs pays, dont la France et l’Italie, avaient réclamé la réinstauration temporaire de quotas face à cette déferlante.

Cet accord signé entre Peter Mandelson, le commissaire européen au commerce, et son homologue chinois Bo Xilai a conduit donneurs d’ordres et distributeurs à se fournir dans d’autres pays d’Asie. Ils n’ont plus mis leurs oeufs dans le même panier”, résume François-Marie Grau, délégué adjoint de l’Union française des industries de l’habillement (UFIH).

Les donneurs d’ordres ont en effet ouvert des usines dans différents pays afin d’éviter de dépendre d’un seul Etat qui serait confronté à une crise politique, voire à une épidémie. Et cette stratégie de diversification du “sourcing” leur a permis, aussi, de mieux valoriser les savoir-faire des différents pays.

Du coup, si les exportations asiatiques vers l’UE continuent de progresser au même rythme (+ 17 % en 2005, + 16 % en 2006), elles se ventilent de façon différente à l’intérieur de la zone. Les grands gagnants des importations françaises en 2006 ont donc été le Vietnam (+ 58 %) ou encore Hongkong (+ 47 %, contre – 13 % en 2005). Certains donneurs d’ordres ont même effectué “un détournement de quotas” en continuant à produire en Chine continentale, mais en se servant d’Hongkong comme base d’exportation, la ville n’étant pas concernée par les contingents.

“Finalement, la baisse des exportations chinoises a été largement compensée par les autres pays d’Asie”, commente Gildas Minvielle, responsable de l’Observatoire économique à l’Institut français de la mode (IFM), qui parle de “système de vase communicant”. Suite…

29/05/2007 - 13:15h Grupo Rosset estuda levar produção para o exterior

Ivo Rosset, presidente do grupo, avalia instalação
de uma fábrica-piloto na China ou no Sri Lanka,
além do Caribe

Patrícia Nakamura para o jornal Valor

O empresário Ivo Rosset, presidente do grupo que leva o nome da família – fabricante das marcas Valisère, Cia. Marítima, além de tecidos e rendas – já cogita abrir uma unidade de produção fora do país. Insatisfeito por perder negócios no exterior nos últimos anos – e obrigado a abrir mão das margens para manter os mercados já conquistados – o executivo analisa a instalação de uma fábrica-piloto na Ásia ou em algum país do Caribe para recuperar o faturamento que a empresa conseguira fora do país.

Há pelo menos três anos o faturamento do grupo Rosset se mantém estável na casa dos R$ 600 milhões. Enquanto o ritmo de crescimento do mercado interno vem acompanhando o do PIB, as vendas externas, que representavam na época cerca de 25%, neste ano devem cair pela metade. As vendas caíram tanto no segmento de tecidos como o de confecções (lingerie e moda praia). “Temos tecnologia e produtos para competir no mundo todo. Nosso problema é do portão da fábrica para fora”, afirmou Rosset ao Valor.

O empresário disse ser penalizado – assim como toda a cadeia têxtil nacional – pela combinação perversa de real valorizado, alta carga tributária e competição dos produtos chineses. Um dos entusiastas da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência em 2002, Rosset criticou a política de juros, que segundo ele é o principal responsável pela atração de dólares para o país, valorizando a moeda local. “Nossa taxa deveria ser de, no máximo, dois pontos percentuais acima dos juros americanos, mais a inflação”, o que nas contas do empresário resultaria em juros próximos a 10% ao ano. “Ao cortar essa ‘gordura’, o dólar poderia voltar ao patamar de R$ 2,20 a R$ 2,30, o que pode ser considerado saudável para o setor têxtil”.

O empresário também não poupou críticas à carga tributária e a falta de mecanismos de compensação para fazer frente às importações chinesas. “Quando exportamos, mandamos para fora também os impostos trabalhistas, tirando a competitividade do produto brasileiro”. Rosset deve visitar a China em setembro para analisar as condições locais e já recebeu uma delegação de empresários do Sri Lanka. Esses dois países têm uma forte indústria têxtil e um dos mais baixos custos trabalhistas do mundo. O Caribe também está na alça de mira do empresário, pois vários países possuem acordos de livre-comércio com os Estados Unidos, principal mercado mundial de têxteis.

Rosset afirmou que a abertura de fábricas no exterior será o “último recurso” de seu grupo caso o governo não adote medidas para devolver competitividade à cadeia têxtil. Mas se disse esperançoso. “Estamos conversando com vários ministério e alguma solução deve sair nos próximos meses”. Entretanto, Rosset disse que aguarda a ação do governo para continuar seus planos de investimento – o último foi a transferência de uma fábrica de rendas da capital paulista para a vizinha Guarulhos, que consumiu US$ 10 milhões.

Tradicional grupo paulista – criada em 1939 e com uma dezena de fábricas no Estado – o Rosset arrendou uma fábrica de tecidos e montou uma unidade-piloto de lingeries da Valisère em São Gonçalo do Amarante (CE). Caso julgar a experiência bem-sucedida, a empresa poderá transferir para lá a unidade que fica na divisa dos municípios de Santo André e Mauá (SP), que emprega 2,5 mil pessoas só na produção.

O empresário disse que o ICMS cobrado no Ceará, de 3%, poderá atrair boa parte do pólo de confecções paulista, que paga um ICMS de 12%. “Outros estados também baixaram suas taxas”.

28/05/2007 - 11:50h ‘80% do contrabando chinês vêm do Paraguai’

CORPO A CORPO
ROSANA PINHEIRO MACHADO
PEQUIM.

Entre os estandes do mercado Xiushui, em Pequim, um dos maiores pontos de venda de falsificação da capital chinesa, a antropóloga Rosana Pinheiro Machado, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, parece mais uma compradora. Na verdade, está terminando sua pesquisa para a tese de doutorado “Made in China”, patrocinada pela Weimer Grem Foundation, que pretende mostrar como funcionam as redes de contato que possibilitam o contrabando de produtos chineses para o Brasil via Paraguai. Autora de uma tese de mestrado sobre o contrabando paraguaio para o Brasil (“La garantia soy yo”), a pesquisadora decidiu ir à China saber onde tudo começa.

O GLOBO: Por que começou a pesquisar o contrabando na China?

ROSANA PINHEIRO MACHADO: Ao fazer minha tese de mestrado sobre o contrabando do Paraguai para o Brasil, que começou em 1999, percebi que as redes funcionam com chineses e paraguaios no Paraguai importando produtos da China. Com base na pesquisa com autoridades e fabricantes nos três países, estimo que 80% do contrabando chinês vendido no Brasil passam pelo Paraguai.

O Globo: Como os dados são recolhidos?

ROSANA: Visito as inúmeras fábricas que produzem artigos falsificados na costa de Guangdong, a província mais industrializada no Sul da China e onde começaram as zonas econômicas especiais, como Shenzhen. As estimativas mais conservadoras mostram que há cerca de três mil fábricas especializadas em pirataria, mas as maiores fornecedoras acabam sendo as que produzem oficialmente para as grandes marcas.

O Globo: E como isso ocorre?

ROSANA: Na base das relações pessoais, as redes de relacionamentos, ou guanxi, como se diz aqui. Esta rede é 100% informal e conta com os policiais e fiscais da região, os mais ricos da China: mantêm padrão de vida de quem ganha o triplo de seu salário. O governo é no mínimo leniente com a pirataria. Afinal, são milhares de empregos e renda. Todos repetem a famosa frase de Deng Xiaoping: “Não importa a cor do gato desde que ele saiba caçar ratos”.

O Globo: E como foi sua experiência?

ROSANA: Um policial graduado da região me levou às fábricas, onde estrangeiros não podem entrar, no continente e em navios no mar do Sul da China, com entre cem e 200 funcionários, a maioria imigrantes. Alguns gerentes me diziam que forneciam para grandes grifes, mas faziam cópias piratas se alguma outra empresa encomendasse. Em todas, o policial ganhou presentes.

O Globo: E como funciona esta proteção às fábricas piratas?

ROSANA: Não há como atravessar a fronteira entre Shenzhen e Hong Kong carregando muambas sem a conivência da polícia local. Além disso, os empresários me diziam que a maneira mais barata de entrar para o mundo dos negócios na China é abrir uma empresa pirata. Estas empresas acabam crescendo e há um acordo informal com o governo para que se legalizem. Eles criam uma grife e passam a fazer produtos muito parecidos com os falsificados, com nomes locais. Com o tempo, investem em marketing. Pronto, o negócio está legalizado. (Gilberto Scofield Jr., correspondente) Leia reportagem completa no jornal O Globo (para assinantes)

25/05/2007 - 22:48h O perigo mora do outro lado do mundo

Jornal do Commercio – RJ, 25/05/2007, Especial, E-4

Com um modelo baseado na farta mão-de-obra, baixos custos de produção e produtos de qualidade, a China está invadindo o mercado mundial com suas peças de vestuário. O país oriental já tem 25% de participação nesse mercado, e pretende chegar a 50% em poucos anos.

Os efeitos da entrada desses produtos no Brasil já são sentidos pela indústria têxtil nacional, que começa a registrar déficits em sua balança comercial mesmo após o regime de cotas para importação de itens chineses, implantado no ano passado. Especialistas garantem: a valorização do real frente ao dólar e os juros mais altos do mundo complicam esse quadro e agravam ainda mais a situação do setor.

A indústria têxtil tem grande peso na produção nacional. Com mais de 1,6 milhão de empregos diretos, o setor fatura cerca de US$ 30 bilhões ao ano e exporta o equivalente a US$ 2,2 bilhões neste mesmo período. Mais de 30 mil empresas operam no setor, produzindo mais de sete bilhões de peças de vestuário anualmente. Leia mais aqui