Árvore é plantada nos arredores do Estádio Nacional, cujas obras para as Olímpiadas estão sendo concluídas em Pequim / Reuters
Cristina Massari, do Globo Online
RIO – A candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016 já conta com um importante aliado. Em viagem à China nesta semana, a ministra Marta Suplicy recebeu do vice-presidente da Administração Nacional de Turismo da China (CNTA), DU Jiang, um aceno: a recomendação ao comitê olímpico chinês que apóie a candidatura do Brasil.
- Eles falaram sobre isso com muita pompa e circunstância. O vice-presidente do órgão do turismo chinês disse que, a partir de estudos e avaliação feita previamente, que está enviando formalmente ao comitê olímpico chinês o apoio à candidatura do Brasil. Entretanto, os votos são pessoais, e serão dados por duas pessoas diferentes, conforme ele ponderou, acrescentando apenas que iam recomendar ao comitê que apóie a nossa candidatura. Acredito que isso terá certo peso e impacto na decisão do comitê olímpico – disse a ministra ao Globo Online, de Xangai, após ter feito visita em Pequim pelos locais onde estão construídas as instalações olímpicas.
A forma de captação dos recursos necessários aos investimentos demandados para organizar os Jogos Olímpicos de Pequim saltou aos olhos da ministra do Turismo, que cumpriu na viagem à China uma agenda combinando a promoção do Brasil para aumentar o fluxo de turistas chineses, e uma espécie de `benchmarking` para os preparativos da Copa de 2014 , apesar de ela mesma já ter se declarado indecisa entre concorrer pela prefeitura de São Paulo ou permanecer à frente do turismo – onde a enfrentará a disputa pela candidatura das Olimpíadas de 2016.
- Foram investidos US$ 44 bilhões, contando com as obras em estádios e aeroportos. Quando eles foram escolhidos para sediar as Olimpíadas, sabiam que não teriam condições de fazer um investimento deste porte. Encontraram uma forma de captação muito interessante, em parcerias com a iniciativa privada. Foram buscar o investimento estrangeiro com parceria chinesa. Isso possibilitou transferência de tecnologia e trabalho para os chineses.
Trabalhadores limpam as estruturas de vidro e aço do Estádio Nacional em Pequim, conhecido como o ninho de pássaros / Foto: Reuters
Aos olhos da ministra brasileira, os resultados destas parcerias foram ‘impressionantes’:
- Visitamos o `cubo`, que é o espaço das provas de natações. Fora a beleza estética, é todo feito de losangos e quadrados de vidro leitoso, mas tudo de forma harmoniosa, é feito com a tecnologia mais avançada. O nado rítmico permitirá que o som ouvido debaixo d’água pelo atleta e fora da água pela platéia seja sincronizado. É tudo muito moderno, de um grau de estética e sofisticação impressionante.
Tudo pronto no “cubo” para as provas de natação
O Centro Olímpico foi erguido numa região onde há 15 anos era uma zona rural, voltada para a produção de legumes. Nem ônibus passava. E agora já está tudo praticamente terminado e o que vê é cidade muito dinâmica e nervosa, criativa. Pequim sofreu uma grande transformação nos últimos 30 anos. É outro mundo. Em cada quarteirão há prédios novos, onde afloram a modernidade e a tecnologia – descreve Marta Suplicy.
” Visitamos o `cubo`, que é o espaço das provas de natações. Fora a beleza estética, é todo feito de losangos e quadrados de vidro leitoso, mas tudo de forma harmoniosa, tem a tecnologia mais avançada “
Após visita a Hong Kong, nesta sexta-feira, a ministra deixa a China. Em Xangai, onde esteve depois da estada em Pequim, a ministra Marta tratou, entre outros assuntos, da participação do Brasil na Expo Xangai 2010, evento que integra o calendário de feiras mundiais e que, em termos econômicos e culturais, segundo avaliação do Ministério do Turismo, é precedido apenas pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos.
O Comitê Organizador da Expo Xangai espera que a exposição conte com a participação de mais de 29 organizações internacionais e 167 países (dentre eles o Brasil, que ainda não definiu o tema de seu estande), e atraia cerca de US$ 3 bilhões em recursos, coma a visita de cerca de 70 milhões de pessoas.
Para construir o local da exposição o governo de Xangai escolheu uma área de 5.28 Km2 no centro da cidade, onde cerca de oito mil residentes e 272 empresas estavam instalados em condições precárias. O governo local comprou a área e relocou os antigos moradores e empresas para duas áreas residenciais, com melhor estrutura e maior metragem quadrada, oferecendo condições especiais de compra.
O projeto adotado para o desenvolvimento da rede de transporte terrestre da cidade inclui a construção mais três novas linhas de metrô, que totalizarão, até 2010, mais 166 quilômetros e 110 estações à rede hoje existente, que já conta com 234 estações de metrô.
Além disso, Marta e o secretário de Turismo de Xangai, Dau Chu Ming, estabeleceram um acordo de cooperação no desenvolvimento de um programa para capacitar cozinheiros brasileiros na produção de pratos da tradicional culinária chinesa.
- A capacidade brasileira de aumentar sua oferta de restaurantes de culinária chinesa, com qualidade e produção compatíveis com o que se faz hoje nos melhores restaurantes das cidades da China, deve ser mais um importante elemento de diferenciação e aumento de nosso potencial de atração do turista chinês – avaliou a ministra.
Trabalhador faz os últimos reparos em templo tibetano em Pequim / Reuters
Marta Suplicy lembrou ainda das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de outras, feitas pelo ministério, que têm melhorado a capacidade do Brasil de atender turistas.
- Nos próximos anos, essas obras vão ampliar muito nossa oferta de serviços, beneficiando não só o turista, mas a população residente, uma vez que o investimento se traduz em mais qualidade de vida nas localidades beneficiadas – disse Marta.
Segundo a ministra, o número de visitantes que o Brasil recebe da China vem aumentando a cada ano, assim como é crescente o contingente de turistas chineses que viajam pelo mundo. Em 2007 foram 44 milhões.
- Hoje são 36 mil chineses que viajam para o Brasil e os brasileiros, 38 mil. É ainda um número muito modesto em relação ao potencial, porque há alguns limites, como a distância e a falta de conhecimento do Chinês sobre o Brasil.
” A China buscou o investimento estrangeiro com parceria chinesa. Isso possibilitou transferência de tecnologia e trabalho para os chineses “
- O maior impedimento, fora a distância é acesso, o transportes aéreo. A Air China Faz três vôos semanais via Madri e a Varig, que tinha a concessão da rota, passou por problemas e não reassumiu as linhas. Visitamos a Air China, para colocar para eles a importância do aumento da freqüência. E sugeri uma rota Pequim Brasília Estados Unidos, mas eles não estavam familiarizados com esta história, mas afirmaram que a linha Pequim Madri São Paulo é lucrativa e que há interesse no aumento da freqüência. Mas, acrescentou a ministra, a Air China enfrenta problemas de disponibilidade de aeronaves para a ampliação desta oferta no curto prazo.
- O fabricante atrasou a entrega de 20 aviões novos em um ano.
Para reduzir estes limites, a agenda da ministra incluiu reuniões com as autoridades chinesas que trataram de negociações para o aumento da oferta de assentos nos vôos entre a China e o Brasil e a abertura de um escritório de promoção turística do Brasil naquele país. Por parte da possibilidade de as companhias brasileiras abrirem uma rota para China, Marta disse que ia consultar a Anac para verificar a ocorrência de eventuais consultas.
- Ainda não vimos com Anac a possibilidade de uma brasileira assumir a rota para a China. O mais interessante é que Varig assumisse. Ela vem recuperando suas inhas paulatinamente e foi a primeira – comenta.
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