07/04/2008 - 02:28h Policiers et manifestants prêts à accueillir la flamme olympique à Paris

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Le Monde

La flamme olympique, copieusement chahutée dimanche à Londres par des manifestants dénonçant la répression des autorités chinoises au Tibet, effectue lundi 7 avril à Paris sa dernière étape européenne, sous la menace de nouvelles manifestations. La flamme olympique est arrivée dimanche à 23 heures 45 au pavillon d’honneur de l’aéroport Roissy-Charles-de-Gaulle, où l’attendaient l’ambassadeur de Chine en France M. Kong Quan, l’ancien athlète et ex-ministre des sports, représentant du CIO en France, Guy Drut et le sous-préfet chargé des aéroports Patrick Espagnol. Elle a ensuite été transportée sous haute protection à l’hôtel Méridien, boulevard Gouvion Saint Cyr, dans le 17e arrondissement de Paris, non loin de la place de l’Etoile.

Tandis que la neige, première invitée surprise de cette jounée, s’abat depuis dimanche soir sur Paris, de nombreuses autres “perturbartions” sont attendues sur le parcours de la flamme. Portée par 80 relayeurs sur 28 km, elle partira peu après midi du premier étage de la Tour Eiffel pour arriver au Stade Charléty vers 17 heures, après être passée notamment devant l’Arc de Triomphe, sur les Champs-Elysées, l’Ile de la Cité, et le Boulevard St-Germain. L’organisation Reporters sans Frontières (RSF), qui avait déjà réussi à déjouer les services de sécurité lors de la cérémonie d’allumage de la flamme, a déjà prévenu qu’elle prévoyait de mener des actions “symboliques, spectaculaires (…) mais respectueuses des Jeux” sur le parcours de la torche. Les Tibétains de France organisent également une “journée citoyenne de solidarité” sur le Parvis des droits de l’Homme au Trocadéro.

À LONDRES, LE PORTEUR DE FLAMME DANS UN BUS À IMPÉRIALE

Un impressionnant dispositif de sécurité, digne de la protection d’un chef d’Etat, est prévu, avec pas moins de 3 000 policiers mobilisés, sur terre, dans les airs et même sur la Seine. Un cordon d’environ 200 mètres de long sera constituée autour du porteur de l’emblème des JO, composée de 65 motards, 100 policiers en rollers et autant de pompiers de Paris. Le porteur de la flamme sera suivi par 32 véhicules de CRS, soit 160 hommes, un groupe de motards fermant la marche. 1 600 policiers devraient être répartis sur le trajet pour parer à toute éventualité.

Les athlètes français devraient porter un badge arborant les anneaux olympiques, le mot “France” et le slogan “pour un monde meilleur”, un geste en faveur des droits de l’Homme, en Chine et ailleurs. Sur la façade de l’Hôtel de ville sera déployée une banderole proclamant : “Paris défend les droits de l’Homme partout dans le monde”. En revanche, il n’y aura pas de drapeau tibétain sur le fronton de l’Assemblée nationale mais le Comité France Tibet a prévu de se montrer.

Après son périple européen, la flamme olympique partira lundi soir pour les Amériques, où deux étapes l’attendent, à San Francisco mercredi et à Buenos Aires vendredi. Les médias officiels chinois condamnent lundi les “vils méfaits” des manifestants qui ont perturbé le passage à Londres de la flamme olympique. Au moins 35 personnes ont été arrêtées par la police britannique, qui a dû faire monter le porteur de flamme dans un bus à impériale dans le centre-ville face à la tentative d’une centaine de manifestants de s’en emparer.

03/04/2008 - 06:05h ‘Cesar é irresponsável em tudo o que faz‘

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Assessor de Lula manda prefeito cuidar dos mosquitos

Karla Correia - JB

Brasília

cap_jb.jpgO prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, atiçou a ira do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia ao afirmar, em seu ex-blog, a existência de fotos do assessor no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o segundo homem na hierarquia das Farc, morto no mês passado em ação do exército colombiano em território da Bolívia. Marco Aurélio reagiu com irritação. Negou ter visitado qualquer acampamento ou escritório das Farc e criticou as declarações do prefeito, chamando-o de “irresponsável”. Citando matéria do Jornal do Brasil sobre a ausência de Cesar Maia em meio à crise gerada pela epidemia de dengue, o assessor falou para o prefeito “voltar a governar o Rio”.

O avanço da dengue na capital carioca foi o ponto escolhido pelo assessor para atacar o prefeito.

– César Maia que cuide dos mosquitos dele e não me obrigue a falar dele como meu aluno na Faculdade de Economia no Chile – disparou Marco Aurélio Garcia, logo depois de participar de almoço oferecido ao presidente da Eslovênia, Danilo Türk. Questionado se o prefeito carioca teria sido irresponsável em sua declaração, Marco Aurélio aproveitou para subir o tom.

‘Olhem a manchete do JB’

– Ele é irresponsável em tudo o que faz. Olhem a manchete do JB hoje: o prefeito sumiu. O que ele tem de fazer é governar o Rio.

Em seu ex-blog, boletim que envia por correio eletrônico, o prefeito Cesar Maia faz referência a suposta declaração feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante sua visita ao Brasil, no mês passado. Na cidade de Recife, Chávez teria chamado atenção para a existência de fotos de Marco Aurélio no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o que, de acordo com o assessor da Presidência, não teria passado de uma “piada” do presidente venezuelano.

– Não estive em nenhum acampamento das Farc e, se estivesse, não haveria nenhum problema em dizer porque estaria em missão oficial. Eu não tenho missões extra-oficiais, nem vida clandestina – retrucou.

O assessor especial da Presidência disse, ontem, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer à abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, mas que isso não significa a adesão do governo brasileiro a um movimento de boicote por conta do conflito entre China e Tibet, país considerado pelo governo chinês como parte do território da China. A violência crescente nos confrontos entre tibetanos e o exército chinês em Lhasa, capital do Tibet, já levou o Parlamento Europeu a admitir medidas de boicote contra a China.

Marco Aurélio disse desconhecer a posição do presidente Lula sobre o assunto e se esquivou de falar sobre um possível boicote do Brasil às Olimpíadas de Pequim. O assessor responsabilizou o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por qualquer decisão sobre a ida de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos e criticou movimentos de boicote.

– Acho sempre complicada essa mistura de política com esportes – disse Marco Aurélio.

03/04/2008 - 03:43h Blogueiros se unem contra censura a jornalista do ‘Globo’ na China

O Globo Online

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RIO - O blogueiro Jorge Antonio Barros lançou um movimento de solidariedade ao correspondente do jornal O GLOBO na China, Gilberto Scofield Jr., cujos blogs No Oriente e Pequim 2008 , sobre as Olimpíadas deste ano, foram bloqueados pelo governo chinês. Mesmo com o veto, Scofield continua publicando informações sobre os recentes confrontos no país asiático por causa da crise no Tibete.

O movimento já tem a adesão de outros blogueiros, como Mauro Ventura , Renato Pacca , Antônio Carlos Miguel , Ronald Villardo e a dupla Lidia Marôpo/Renata Ramalho .
Assine O Globo e receba todo o conteúdo do jornal na sua casa.


Eu também sou solidário do movimento contra a censura na China. LF

01/04/2008 - 05:25h China: governo bloqueia blog do Globo Online

Página de correspondente do GLOBO não pode mais ser acessada em Pequim

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O Globo

PEQUIM. O governo da China está sofisticando seus filtros para a censura de sites na internet a apenas quatro meses para a abertura das Olimpíadas, passando a incluir agora blogs e sites de notícias sobre o país em outras línguas que não o inglês.

Desde domingo, o blog “No Oriente”, hospedado no portal de notícias do Globo Online e produzido pelo jornalista Gilberto Scofield Jr., não é mais acessível de dentro de Pequim.
Quem clica no blog, vê a mensagem “A página não pode ser exibida”, típica de sites censurados.

Todos os outros blogs do Globo Online estão visíveis.

Provavelmente o blog foi bloqueado por seu conteúdo sobre os recentes conflitos no Tibete, com análises de especialistas e relatos de tibetanos que acusam a China de não admitir a invasão, promover uma repressão sistemática na região e não tentar dialogar com a sociedade local, não apenas em Lhasa, capital do Tibete, mas em outras províncias densamente habitadas por tibetanos, como Qingnhai, Gansu e Sichuan.

Alguns sites de notícias em inglês que sempre foram bloqueados no país — como o da rede inglesa BBC, há pelo menos três anos fora do ar — passaram a ser abertos à visitação dentro da China, mas as notícias sobre o país continuam bloqueadas. O mesmo ocorre agora com o site de vídeos YouTube, que deixou de ser totalmente bloqueado e passa a censurar apenas os vídeos de conflitos no Tibete ou sobre o Dalai Lama.

Este mês, o correspondente em Xangai da revista americana “The Atlantic Magazine”, James Fallows, um apaixonado por informática, diz que o gigantesco aparato de controle da internet chinesa pode agora também censurar lugares específicos em Pequim de modo a garantir, em locais freqüentados por estrangeiros, um acesso menos bloqueado da rede.

“O que os visitantes estrangeiros para as Olimpíadas vão perceber não é uma abordagem mais relaxada da internet, mas seu refinamento”, diz a revista americana. Segundo Fallows, o bloqueio agora segue um padrão de uso de IP (o endereço do micro na rede), podendo liberar acessos de determinados cibercafés, quartos de hotel ou centros de convenção pela capital chinesa. 

31/03/2008 - 14:44h Internet, avantages et inconvénients, par Sylvie Kauffmann

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Dimanche 23 mars, en pleine crise du Tibet, une information a commencé à circuler sur le réseau de messagerie instantanée Twitter : le site d’information de la BBC en anglais était soudain accessible depuis la Chine. A Londres, Steve Herrmann, son rédacteur en chef, a attendu quarante-huit heures pour s’assurer que ce changement n’était pas accidentel, puis, mardi, l’a annoncé sur le site. Pas de doute : au lieu du message d’erreur, rituel depuis près de dix ans, la page d’accueil de BBC News, ses photos de moines tibétains et ses reportages, en Chine ou dans le reste du monde, s’affichaient miraculeusement sur les écrans des internautes chinois comme s’ils étaient à Liverpool ou à Hongkong. Ce jour-là, le nombre de visiteurs à partir d’ordinateurs situés en Chine est passé d’une centaine à 20 000. Beaucoup y sont allés de leur petit commentaire, déposé à la fin des pages lues. Une semaine a passé, et le miracle continue.

Pourquoi ? Mystère. “Pour être honnêtes, nous n’en savons rien”, avoue Steve Herrmann. La BBC fait partie des médias dont la couverture des émeutes au Tibet a été critiquée publiquement par le pouvoir chinois. Pourquoi donc lui faire cette fleur, alors que tant d’autres sites occidentaux et asiatiques - dont celui de la BBC en mandarin - sont bloqués ? Dans l’empire du Milieu, la censure a ses raisons que la raison ne connaît pas. Elle les connaît d’autant moins que, comme disent les communicants, Pékin ne communique pas sur sa politique de contrôle de l’Internet.

Peut-être est-ce une façon de tenir un minimum d’engagements sur l’accès à l’information à l’approche des Jeux olympiques. Peut-être est-ce un moyen de montrer aux Chinois anglophones certes, mais néanmoins chinois, de quoi ces médias occidentaux sans foi ni loi sont capables sur le Tibet. A en juger par les réactions réprobatrices de lecteurs chinois sur le site de la BBC, si tel était l’objectif, il est atteint. Ou peut-être est-ce une façon de reconnaître qu’aucune muraille, aussi haute, aussi étanche soit-elle, ne peut totalement contenir la déferlante Internet.

Dans l’empire soviétique, un poste de radio à ondes courtes était le sésame de l’information libre, sur lequel on pouvait écouter Radio Free Europe, RFI, la BBC… quand elles n’étaient pas brouillées, bien sûr. Des dissidents se seraient damnés pour une photocopieuse. Aujourd’hui, l’Internet est à la photocopieuse ce que le satellite est à l’Aéropostale.

Un dirigeant asiatique vient de s’en apercevoir à ses dépens : Abdullah Badawi, premier ministre de Malaisie, qui a subi le 8 mars la mère de toutes les humiliations électorales. “Ma plus grosse erreur, vient-il de découvrir, a été de négliger l’Internet.” Le parti de M. Badawi s’était concentré sur les grands médias, télévision et presse écrite, propriétés soit de l’Etat soit d’amis du pouvoir. Ces grands médias s’étaient eux-mêmes concentrés sur la coalition au pouvoir au point d’ignorer l’opposition. Exclus des grands médias, les candidats de l’opposition se sont réfugiés sur Internet - où les électeurs les ont suivis. Pour les meetings, les SMS ont relayé l’Internet dans les campagnes, sous-équipées en ordinateurs. Les sites d’information indépendants, comme Malaysia-Today ou le très professionnel Malaysiakini, ont vu leur diffusion exploser. Jeff Ooi, célèbre blogueur pourchassé par la justice, a été élu député.

La Chine a aujourd’hui, selon les estimations d’un de ses propres instituts, dépassé les Etats-Unis en nombre d’Internautes : 228 millions en Chine, contre 217 aux Etats-Unis (ce qui ne fait jamais qu’un taux de pénétration de 16 % contre 69 % !). Comme le montre la crise du Tibet, le pouvoir chinois, grâce à une police de l’Internet forte de quelque 40 000 techniciens et la coopération d’entreprises occidentales comme Yahoo! et Google, est passé maître dans l’art de contrôler le cyberespace. Rien à voir avec l’amateurisme des dirigeants de Malaisie. Mais Pékin ne peut pas non plus faire comme les généraux birmans et couper l’Internet, purement et simplement : le rôle d’Internet dans la vie financière et économique du pays est désormais trop important. Aussi colossale soit-elle, la grande muraille de Chine ne peut être à toute épreuve.

De là à établir que l’Internet est l’arme fatale qui introduira la démocratie en Chine, il y a un pas que Zhou Yongming, chercheur à l’université de Wisconsin-Madison, se refuse à franchir. Il dresse un parallèle intéressant entre l’impact du télégraphe sur la participation politique sous la dynastie Qing à la fin du XIXe siècle et celui de l’Internet aujourd’hui. Les réformateurs, qui s’étaient appuyés sur le télégraphe, échouèrent. “La Chine, rappelle-t-il, a 5 000 ans d’histoire, 1,3 milliard d’habitants et un immense territoire. Fonder ses espoirs sur une seule et unique technologie est trop optimiste.” Morale de l’histoire, telle que la résume le professeur Zhou avec un sourire désarmant : la démocratisation en Chine ne se fera qu’à travers un changement fondamental du processus politique. “L’Internet peut faciliter cela, mais pas le dicter.” Désolé.

Post-scriptum.
Le Vietnam et la Thaïlande vont autoriser les Philippines à puiser dans leurs réserves d’urgence de riz. L’Inde et le Vietnam augmentent les prix du riz à l’exportation, pour protéger leur consommation intérieure. Partout en Asie, hausse des cours du riz et baisse des stocks : on redoute des pénuries et l’agitation sociale qui en résulterait..

Courriel : lettredasie@lemonde.fr.

Sylvie Kauffmann

31/03/2008 - 04:00h ‘Tibete é estratégico para a China’

photo of Dr Andrew Martin Fischer

Andrew Martin Fischer: professor da London School of Economics;

Plano de governo é de assimilação: tibetanos são forçados a se ‘achinesar’ para se integrar ao sistema econômico

Cláudia Trevisan, PEQUIM - O Estado de São Paulo

O forte crescimento econômico do Tibete na última década - média de 12% ao ano - beneficiou principalmente os chineses da etnia han e marginalizou os tibetanos. Isso, aliado à forte repressão política, foi a origem dos protestos dos dias 14 e 15 de março em Lhasa, na opinião de Andrew Martin Fischer, da London School of Economics. Segundo ele, a estratégia de Pequim para a região é de assimilação - os tibetanos são forçados a se “achinesar” se quiserem se integrar ao sistema econômico. O Tibete é estratégico para Pequim por abrigar o platô Qinghai-Tibete, uma fonte crucial de abastecimento para o país - cujas outras reservas são escassas e mal distribuídas. Além disso, o território abriga o maior depósito de cobre da China e também é rico em minas de ferro, chumbo, zinco e cádmio - necessários para alimentar o voraz crescimento econômico da indústria chinesa.

Qual é o problema da estratégia chinesa no Tibete?

É uma região ocupada, essencialmente por chineses han e o Partido Comunista. A Região Autônoma do Tibete é governada a partir de uma mentalidade de segurança pública. É uma região estratégica, as decisões são tomadas em Pequim e a questão militar é muito importante. No fim dos anos 80, houve grandes manifestações, que foram reprimidas. Desde então, o governo segue a estratégia de impulsionar o rápido crescimento econômico e, ao mesmo tempo, impor uma política autoritária de forte controle da população.

A China usa o crescimento para tentar legitimar sua presença no Tibete, dizendo que a vida dos tibetanos agora é melhor do que antes.

O Tibete teve um crescimento econômico espetacular e superior à média da China nos últimos dez anos. Mas isso foi produzido basicamente por subsídios concedidos por Pequim e canalizados por meio de empresas chinesas ou do próprio governo, o que cria uma situação muito desigual e polarizada. Os que têm fluência em chinês, relações com chineses, com corporações chinesas ou fortes conexões políticas e econômicas na China se dão muito bem. Mas a maioria dos tibetanos não tem nada disso. Só 15% têm educação formal secundária e só esses podem ter algum grau de fluência em chinês. Mesmo os tibetanos mais educados têm dificuldade em competir com os migrantes chineses, porque estes tendem a ter um grau de educação superior ao dos mais educados tibetanos. É uma situação muito desigual, e as desigualdades são muito determinadas pela questão étnica.

As manifestações recentes refletem essa polarização?

Sim. Os protestos ocorreram principalmente em áreas urbanas, e provavelmente representam o descontentamento da população excluída do rápido crescimento. Quanto mais as áreas urbanas crescem, mais migrantes são atraídos. O problema é que os tibetanos têm um enorme atraso educacional em relação ao resto da China, porque a infra-estrutura educacional é muito pior. Mas mesmo que o governo promova a educação, a estratégia é de assimilação, de colocar cada vez mais a língua chinesa no sistema educacional, com o argumento de que, se os tibetanos forem competir com os migrantes, têm de aprender chinês. A educação tibetana vem sendo enfraquecida, o que tem um impacto cultural e provoca a sensação de que a única maneira de sobreviver nesse sistema é ser assimilado e perder sua cultura.

O que exatamente é essa estratégia de assimilação?

É reduzir gradualmente a educação média tibetana e introduzir cada vez mais a chinesa, minando as maneiras pelas quais a educação tibetana poderia se desenvolver. Mesmo se você decidir estudar tibetano muito bem, não conseguirá um emprego público, porque os concursos para os cargos são feitos em chinês. Se quiser competir nesse sistema, o melhor é ir para uma escola chinesa. Há uma enorme força nesse sistema para as pessoas se tornarem han, o que provoca frustração. Se você é um funcionário público em um local onde a maioria da população é tibetana e nem mesmo fala chinês, seria lógico que um dos requisitos para ocupar o cargo deveria ser falar tibetano. Mas isso não ocorre. Em 2006, houve uma manifestação de universitários em Lhasa, porque o governo ofereceu cem empregos públicos e apenas dois tibetanos foram selecionados, já que os chineses se saem bem melhor em exames feitos em chinês. Isso em um contexto em que 90% da população é tibetana. Os que saem das universidades têm dificuldade em competir no mercado. O governo não dá nenhuma proteção aos trabalhadores locais. Eles têm essa mentalidade de livre mercado, pela qual os tibetanos têm de competir com os migrantes, ainda que em condições bastante desiguais, o que cria uma situação muito discriminatória em todas as indústrias. As pessoas que estão no poder agora são muito mais linha-dura e querem assimilação em larga escala. Querem que os tibetanos sejam cada vez mais como os chineses. Ao mesmo tempo, estão adotando políticas repressivas muito fortes. Desde 1996, implantaram a educação patriótica nos mosteiros, que força os monges a denunciar o dalai-lama e também a receber educação política.

O que pode acontecer?

Pode ficar pior. A maneira como o governo está reagindo ao que ocorreu é quase como tentar transformar um fracasso em uma oportunidade, para desacreditar reivindicações de mais autonomia e promover políticas mais repressivas. É possível que o governo use o que ocorreu em uma política de relações públicas. No Ocidente, ninguém vai acreditar no governo, mas eu não creio que eles estejam falando com o Ocidente. O governo está falando com seus próprios membros. O Partido Comunista não é um organismo uniforme e é integrado por várias facções. Há uma facção mais linha-dura que deseja assimilar o Tibete e outra que é mais tolerante. O que estão fazendo é usar esses eventos para tentar desacreditar a outra facção e reforçar suas políticas. Não creio que o Tibete se torne independente porque os chineses jamais aceitarão isso. O que nós podemos esperar é que a facção linha-dura seja desacreditada e haja um movimento na direção de políticas preferenciais em relação aos tibetanos. Isso é o que podemos realisticamente esperar.

Quem é:
Andrew M. Fischer

Professor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento (DESTIN) da London School of Economics (LSE)

É autor do livro “State Growth and Social Exclusion in Tibet: Challenges of Recent Growth”, publicado em 2005

Presta assessoria a vários governos sobre a situação e o desenvolvimento do território autônomo do Tibete

29/03/2008 - 03:54h Brasil tem aliado chinês para defesa de candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016

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Árvore é plantada nos arredores do Estádio Nacional, cujas obras para as Olímpiadas estão sendo concluídas em Pequim / Reuters

Cristina Massari, do Globo Online

RIO - A candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016 já conta com um importante aliado. Em viagem à China nesta semana, a ministra Marta Suplicy recebeu do vice-presidente da Administração Nacional de Turismo da China (CNTA), DU Jiang, um aceno: a recomendação ao comitê olímpico chinês que apóie a candidatura do Brasil.

- Eles falaram sobre isso com muita pompa e circunstância. O vice-presidente do órgão do turismo chinês disse que, a partir de estudos e avaliação feita previamente, que está enviando formalmente ao comitê olímpico chinês o apoio à candidatura do Brasil. Entretanto, os votos são pessoais, e serão dados por duas pessoas diferentes, conforme ele ponderou, acrescentando apenas que iam recomendar ao comitê que apóie a nossa candidatura. Acredito que isso terá certo peso e impacto na decisão do comitê olímpico - disse a ministra ao Globo Online, de Xangai, após ter feito visita em Pequim pelos locais onde estão construídas as instalações olímpicas.

A forma de captação dos recursos necessários aos investimentos demandados para organizar os Jogos Olímpicos de Pequim saltou aos olhos da ministra do Turismo, que cumpriu na viagem à China uma agenda combinando a promoção do Brasil para aumentar o fluxo de turistas chineses, e uma espécie de `benchmarking` para os preparativos da Copa de 2014 , apesar de ela mesma já ter se declarado indecisa entre concorrer pela prefeitura de São Paulo ou permanecer à frente do turismo - onde a enfrentará a disputa pela candidatura das Olimpíadas de 2016.

- Foram investidos US$ 44 bilhões, contando com as obras em estádios e aeroportos. Quando eles foram escolhidos para sediar as Olimpíadas, sabiam que não teriam condições de fazer um investimento deste porte. Encontraram uma forma de captação muito interessante, em parcerias com a iniciativa privada. Foram buscar o investimento estrangeiro com parceria chinesa. Isso possibilitou transferência de tecnologia e trabalho para os chineses.

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Trabalhadores limpam as estruturas de vidro e aço do Estádio Nacional em Pequim, conhecido como o ninho de pássaros / Foto: Reuters

Aos olhos da ministra brasileira, os resultados destas parcerias foram ‘impressionantes’:

- Visitamos o `cubo`, que é o espaço das provas de natações. Fora a beleza estética, é todo feito de losangos e quadrados de vidro leitoso, mas tudo de forma harmoniosa, é feito com a tecnologia mais avançada. O nado rítmico permitirá que o som ouvido debaixo d’água pelo atleta e fora da água pela platéia seja sincronizado. É tudo muito moderno, de um grau de estética e sofisticação impressionante.

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Tudo pronto no “cubo” para as provas de natação

O Centro Olímpico foi erguido numa região onde há 15 anos era uma zona rural, voltada para a produção de legumes. Nem ônibus passava. E agora já está tudo praticamente terminado e o que vê é cidade muito dinâmica e nervosa, criativa. Pequim sofreu uma grande transformação nos últimos 30 anos. É outro mundo. Em cada quarteirão há prédios novos, onde afloram a modernidade e a tecnologia - descreve Marta Suplicy.

” Visitamos o `cubo`, que é o espaço das provas de natações. Fora a beleza estética, é todo feito de losangos e quadrados de vidro leitoso, mas tudo de forma harmoniosa, tem a tecnologia mais avançada “

Após visita a Hong Kong, nesta sexta-feira, a ministra deixa a China. Em Xangai, onde esteve depois da estada em Pequim, a ministra Marta tratou, entre outros assuntos, da participação do Brasil na Expo Xangai 2010, evento que integra o calendário de feiras mundiais e que, em termos econômicos e culturais, segundo avaliação do Ministério do Turismo, é precedido apenas pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos.

O Comitê Organizador da Expo Xangai espera que a exposição conte com a participação de mais de 29 organizações internacionais e 167 países (dentre eles o Brasil, que ainda não definiu o tema de seu estande), e atraia cerca de US$ 3 bilhões em recursos, coma a visita de cerca de 70 milhões de pessoas.

Para construir o local da exposição o governo de Xangai escolheu uma área de 5.28 Km2 no centro da cidade, onde cerca de oito mil residentes e 272 empresas estavam instalados em condições precárias. O governo local comprou a área e relocou os antigos moradores e empresas para duas áreas residenciais, com melhor estrutura e maior metragem quadrada, oferecendo condições especiais de compra.

O projeto adotado para o desenvolvimento da rede de transporte terrestre da cidade inclui a construção mais três novas linhas de metrô, que totalizarão, até 2010, mais 166 quilômetros e 110 estações à rede hoje existente, que já conta com 234 estações de metrô.

Além disso, Marta e o secretário de Turismo de Xangai, Dau Chu Ming, estabeleceram um acordo de cooperação no desenvolvimento de um programa para capacitar cozinheiros brasileiros na produção de pratos da tradicional culinária chinesa.

- A capacidade brasileira de aumentar sua oferta de restaurantes de culinária chinesa, com qualidade e produção compatíveis com o que se faz hoje nos melhores restaurantes das cidades da China, deve ser mais um importante elemento de diferenciação e aumento de nosso potencial de atração do turista chinês - avaliou a ministra.

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Trabalhador faz os últimos reparos em templo tibetano em Pequim / Reuters

Marta Suplicy lembrou ainda das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de outras, feitas pelo ministério, que têm melhorado a capacidade do Brasil de atender turistas.

- Nos próximos anos, essas obras vão ampliar muito nossa oferta de serviços, beneficiando não só o turista, mas a população residente, uma vez que o investimento se traduz em mais qualidade de vida nas localidades beneficiadas - disse Marta.

Segundo a ministra, o número de visitantes que o Brasil recebe da China vem aumentando a cada ano, assim como é crescente o contingente de turistas chineses que viajam pelo mundo. Em 2007 foram 44 milhões.

- Hoje são 36 mil chineses que viajam para o Brasil e os brasileiros, 38 mil. É ainda um número muito modesto em relação ao potencial, porque há alguns limites, como a distância e a falta de conhecimento do Chinês sobre o Brasil.

” A China buscou o investimento estrangeiro com parceria chinesa. Isso possibilitou transferência de tecnologia e trabalho para os chineses “

- O maior impedimento, fora a distância é acesso, o transportes aéreo. A Air China Faz três vôos semanais via Madri e a Varig, que tinha a concessão da rota, passou por problemas e não reassumiu as linhas. Visitamos a Air China, para colocar para eles a importância do aumento da freqüência. E sugeri uma rota Pequim Brasília Estados Unidos, mas eles não estavam familiarizados com esta história, mas afirmaram que a linha Pequim Madri São Paulo é lucrativa e que há interesse no aumento da freqüência. Mas, acrescentou a ministra, a Air China enfrenta problemas de disponibilidade de aeronaves para a ampliação desta oferta no curto prazo.

- O fabricante atrasou a entrega de 20 aviões novos em um ano.

Para reduzir estes limites, a agenda da ministra incluiu reuniões com as autoridades chinesas que trataram de negociações para o aumento da oferta de assentos nos vôos entre a China e o Brasil e a abertura de um escritório de promoção turística do Brasil naquele país. Por parte da possibilidade de as companhias brasileiras abrirem uma rota para China, Marta disse que ia consultar a Anac para verificar a ocorrência de eventuais consultas.

- Ainda não vimos com Anac a possibilidade de uma brasileira assumir a rota para a China. O mais interessante é que Varig assumisse. Ela vem recuperando suas inhas paulatinamente e foi a primeira - comenta.

Leia também: Capital do Tibete volta aos poucos ao normal, diz diplomata brasileiro que acompanha protestos no Tibete contra o governo chinês

e Cidades da Copa serão conhecidas até dezembro

27/03/2008 - 09:18h Jogos Olímpicos de Pequim: ‘Uma faca de dois gumes’

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O regime autoritário em alerta máxima

O GLOBO ENTREVISTA JOSEPH CHENG YU-SHEK

PEQUIM. O professor de ciências políticas Joseph Cheng Yu-shek, da Universidade Chinesa de Hong Kong, afirma que as Olimpíadas são uma faca de dois gumes para qualquer regime autoritário que decida sediar os jogos, e o governo da China está descobrindo isso agora.

O GLOBO: A China corre o perigo de ver as Olimpíadas de Pequim serem boicotadas?

JOSEPH CHENG: As Olimpíadas são um perigo natural para regimes autoritários, e o que a China está experimentando é uma ameaça que se materializou nas Olimpíadas de Moscou, em 1980. Quando se joga luz sobre um país, mostram-se também suas práticas antidemocráticas. É uma faca de dois gumes.

E a China tem como reverter isso?

CHENG: A China está exercitando seus músculos diplomáticos na área externa, buscando apoio. Internamente, amplia a mobilização através de críticas aos tibetanos e à imprensa estrangeira. É um jogo típico em situações de pressão extrema. Na área externa, pode ser que consigam apoio dos aliados de sempre, mas há uma tendência das democracias mais independentes de apoiar movimentos de liberdades civis. Do ponto de vista doméstico, é hora de mobilizar a população contra inimigos do país, reforçando o nacionalismo.Esta é a estratégia de defesa.

A ameaça de boicote pode fazer a China mudar sua atitude com relação ao Tibete?

CHENG: Não acredito. Neste aspecto, as respostas da China são as mais equivocadas.
Eles mandaram à região dos conflitos, Meng Jianzhu, o chefe do Ministério da Segurança Pública, que representa a repressão. Pequim deveria ter mandado alguém com perfil conciliador, como o premier Wen Jiabao. Ele deveria fazer como na crise das nevascas, quando visitou estações de trem e disse que estava fazendo tudo para melhorar a situação. Já é mais do que hora de o governo ouvir os tibetanos, desculpar-se pelos abusos da Revolução Cultural e buscar um encontro com o Dalai Lama para tentar dar alguma legitimidade à sua presença na região.

O que o governo tem feito até agora para garantir essa legitimidade?

CHENG: China tem uma estratégia dura com a questão tibetana, que é o massacre da dissidência e o controle religioso; e um lado suave, que busca desenvolver a região.
Mas Pequim deveria aprender com a própria situação de exclusão no interior da China e ver que o crescimento econômico com políticas assistencialistas, sozinhos, nada legitimam. É preciso dialogar, e o governo da China não é bom nisso. (G.S.J.)

26/03/2008 - 13:15h China’s new intelligentsia

Despite the global interest in the rise of China, no one is paying much attention to its ideas and who produces them. Yet China has a surprisingly lively intellectual class whose ideas may prove a serious challenge to western liberal hegemony

Mark Leonard

Mark Leonard is the executive director of the European Council on Foreign Relations. His book What Does China Think? has just been published by 4th Estate

I will never forget my first visit, in 2003, to the Chinese Academy of Social Sciences (CASS) in Beijing. I was welcomed by Wang Luolin, the academy’s vice-president, whose grandfather had translated Marx’s Das Kapital into Chinese, and Huang Ping, a former Red Guard. Sitting in oversized armchairs, we sipped ceremonial tea and introduced ourselves. Wang Luolin nodded politely and smiled, then told me that his academy had 50 research centres covering 260 disciplines with 4,000 full-time researchers.

As he said this, I could feel myself shrink into the seams of my vast chair: Britain’s entire think tank community is numbered in the hundreds, Europe’s in the low thousands; even the think-tank heaven of the US cannot have more than 10,000. But here in China, a single institution—and there are another dozen or so think tanks in Beijing alone—had 4,000 researchers. Admittedly, the people at CASS think that many of the researchers are not up to scratch, but the raw figures were enough.

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26/03/2008 - 13:09h A democratização na China

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Por Luiz Eduardo para o Blog de Nassif

O nº de março da revista inglesa Prospect traz um interessante artigo de Mark Leonard sobre “A nova intelligentsia chinesa”. Tento resumir.

Somente em Pequim há uma dúzia de think tanks. Um só deles, a Academia Chinesa de Ciências Sociais conta 50 centros e 4.000 pesquisadores em cerca de 260 disciplinas. Leonard faz uma comparação: na Inglaterra, toda a comunidade de think-tankers é de algumas centenas, em toda a Europa mil e pouco, e os próprios EUA não teriam muito mais de 10.000. Enfim, uma enormidade de “intelectuais, think-tankers e ativistas, todos eles envolvidos num intenso debate sobre o futuro do seu país”. Alguns são membros do partido, outros não “mas todos são, de certo modo, insiders.” É intenso o debate “nos fóruns do partido, mas também nas universidades, em think tanks semi-independentes, na imprensa e na internet”.

Certos temas são tabus, claro: o unipartidarismo, o Tibete, o massacre da praça Tianmen, mas o debate sobre o modelo econômico, a luta contra a corrupção e questões internacionais (Coréia, Japão) é relativamente aberto na grande imprensa e na imprensa acadêmica. Esse debate faz parte da vida política, havendo um intercâmbio ativo entre a intelligentsia e os tomadores de decisão: os think-tankers são convidados a participar das “`sessões de estudo´ do politburo” e se pronunciar sobre documentos do governo. Cerca de 20% da população de 18-30 anos cursam a universidade.

A “nova direita”, como são chamados os economistas liberais, foi a alma das reformas dos 80 e 90. Mas a China agora “voltou-se contra a nova direita. As pesquisas de opinião mostram que são o grupo menos popular […] As idéias mercadistas são afrontadas por uma nova esquerda, que advoga uma forma mais amena [gentler form] de capitalismo.” Jornais como o Dushu dão guarida às idéias dessa “nova esquerda”. Ela questiona a “justiça dos mercados livres não regulados” e considera que o “Estado deve desempenhar um papel na prevenção da desigualdade”, mas sem descartar o mercado (daí ser chamada de “nova” esquerda). Segundo Wang Hui, um representante desta, que depois de participar de Tianmen esteve exilado nos EUA e hoje é professor da univ. Qinghua: “A China está presa entre dois extremos, o socialismo mal conduzido e o capitalismo de igrejinhas, sofrendo o pior de ambos. Sou a favor de orientar o país no sentido de reformas mercadistas, mas o desenvolvimento da China tem de ser mais equilibrado. Não devemos dar prioridade total ao cresc. do PIB, em detrimento dos direitos trabalhistas e do meio ambiente.” “O equilíbrio do poder”, diz Leonard, “está deslizando sutilmente para a esquerda.”

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Operários em trabalho semi-escravo na China de hoje

25/03/2008 - 04:14h Um mundo, um sonho e talvez um pesadelo

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Os cartazes estão espalhados por toda a cidade. Em mandarim e em inglês, “One World, one dream”. Uma sorte de boas vindas aos que em agosto invadirão Pequim para os jogos olímpicos.

Na cabeça das autoridades do país eles serviriam para mostrar ao mundo a nova China, pujante e moderna. À imagem da capital com suas arranha céus majestosos, suas largas avenidas e suas lojas luxuosas. Apoiada no crescimento econômico veloz e surpreendente, seu capitalismo sem complexo e o sorriso de seus milhões de habitantes. Um reconhecimento que o governo considera merecido, ainda mais que sua voraz necessidade de matérias primas e de investimentos, além de sua gigantesca poupança em papéis norte-americanos, parece sustentar o edifício fragilizado do sistema financeiro global.

No plano interno este reconhecimento acompanha a exaltação do nacionalismo e do esporte como manifestação da união nacional, torcendo pela consagração das esperanças coletivas do povo. A organização impecável, a maravilha dos equipamentos esportivos com arrojado design, fariam o resto.

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O único porém, previsível, seriam alguns ocidentais protestando pelos direitos humanos lá fora, barulhentos mas inofensivos.

Os incidentes violentos no Tibete, provavelmente organizados precisamente com esse objetivo, vieram sacudir a tranqüilidade da operação prevista. A ação de grupos radicais entre os manifestantes tibetanos é indiscutível, assim como condenáveis são os assassinatos de chineses que habitam em Tibete, vítimas inocentes do conflito que opõem a aspiração separatista à reafirmação da soberania chinesa. A brutal repressão sangrenta de parte das autoridades veio lembrar o caráter ditatorial do regime, baseado no monopólio do poder pelo partido único comunista.

De golpe, as câmeras e meios de comunicação do mundo focam no que precisamente as autoridades queriam evitar: a natureza do regime e a ausência de democracia.

Nesse contexto a chegada de milhares de jornalistas é um pesadelo para o governo da China. Uma espécie de invasão bárbara no “império do meio”. Milhões de chineses assistirão aos jogos nas suas TV’s, muitas novinhas em folha, deixando o governo à mercê de qualquer manifestação de disenso e com temor de ficar nu perante seus súditos.

Pode parecer estranho um governo tão temeroso de alguma manifestação oposicionista, mais ainda com o apoio que uma boa parte da população dá as autoridades que souberam tirar a China do atraso abismal, assegurando um crescimento econômico a taxas de dar inveja aos países mais desenvolvidos.

Acontece que se o regime burocrático dominante parece poder conviver relativamente bem com o capitalismo puro e duro; ele é incompatível com as liberdade democráticas e a democracia política. Mais ainda que o progresso econômico se acompanha de uma feroz exploração do trabalhador assalariado, de uma crescente corrupção político-financeira e do crescimento de uma classe de riquíssimos proprietários amparados pelo poder do Partido Comunista. Nesse contexto liberdade de organização, de expressão e de imprensa pode significar o questionamento aberto das bases do atual regime.

Um pesadelo que dá suores frios nas noites assombradas de milhões de privilegiados que constituem os novos mandarines vermelhos. Bem menos vermelhos hoje, que na época do grande timoneiro, porem não menos vorazes.

Luis Favre

24/03/2008 - 09:39h Tocha acesa para China e Tibete esquenta os jogos

O Globo Online com agências internacionais

OLÍMPIA - A chama olímpica do Jogos Olímpicos de Pequim foi acesa nesta segunda-feira em uma cerimônia na Antiga Olímpia e iniciou seu caminho em direção à capital chinesa, onde chegará no dia 8 de agosto.

Pouco antes da chama olímpica ser acesa, um ativista a favor de um boicote dos Jogos Olímpicos de Pequim conseguiu entrar no estádio de Antiga Olímpia durante o discurso de Liu Qi, presidente do Comitê Organizador dos Jogos. O ativista conseguiu superar as fortes medidas de segurança no recinto de Olímpia e conseguiu levantar brevemente um cartaz que convocava o boicote dos Jogos devido à repressão policial chinesa no Tibete. Rapidamente o manifestante foi detido pelas forças de segurança.

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No sítio arqueológico de Olímpia, terra natal dos Jogos, 22 mulheres vestidas em túnicas brancas como sacerdotisas entraram nas ruínas do templo de Hera ao compasso dos tambores e o acendimento ocorreu pelos raios solares como era previsto, concentrados em um espelho côncavo. A forma tradicional é para simbolizar a pureza da tocha, segundo a porta-voz do Centro de revezamento da Tocha Olímpica disse ao jornal Beijing Morning Post.

Em seu discurso, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, expressou sua esperança de que o simbolimso da tocha seja reconhecido em todo o mundo.

” A tocha tem a força de unir a humanidade e representar a harmonia ”

- A tocha une os atletas com os cidadãos do mundo e tem a força de unir a humanidade e representar a harmonia. Ao longo de sua passagem o povo estará em contato com sua força e os valores que representa - destacou Rogge.

A tocha irá percorrer 13 mil quilômetros ao redor do mundo, passando por 20 países em cinco continentes até chegar à China, em agosto, no início dos Jogos Olímpicos. O Brasil não faz parte do roteiro.

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23/03/2008 - 23:48h China acusa al Dalai Lama de organizar un compló terrorista en Tíbet

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Soldados chinos patrullan en Kangding, en la provincia de Sichuan

ANA GABRIELA ROJAS / AGENCIAS - El País

El Gobierno chino acusó ayer al Dalai Lama de orquestar “el terror” en Tíbet y en las provincias vecinas para reventar los Juegos Olímpicos. Pekín considera que el líder espiritual tibetano pretende “tomar los Juegos como rehén para forzar al Gobierno a hacer concesiones a la independencia”, según el diario oficial del Partido Comunista Chino, El Diario del Pueblo. Mientras tanto, China mantiene una fuerte presencia militar en Tíbet y las provincias cercanas con gran población tibetana: soldados patrullan las calles de los pueblos tibetanos, con especial cuidado en escuelas y templos budistas.

“Debemos ganar la victoria final contra las fuerzas separatistas para asegurar unos exitosos Juegos Olímpicos con una situación social estable en la región autónoma de Tíbet”, dijo ayer el gobernador de la región, Qiangba Puncog, a la agencia oficial china Nueva China.

Ma Ying-jeou el presidente electo de Taiwan, considerado pro-China, dijo ayer que el Dalai Lama “sería muy bienvenido” en la disputada isla. Un día después de ganar las elecciones aseguró que, si la situación en Tíbet empeora, consideraría el boicot a los Juegos Olímpicos en China.

El nuevo presidente de Taiwan tiende la mano a Pekín
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Ma Jing-jeou y Vincent Siew

Ma Jing-jeou, a la izquierda, y el segundo en su candidatura, Vincent Siew, celebran la victoria.

A pesar de que las denuncias al Dalai Lama son respaldadas por la mayoría china, las protestas internas comienzan a surgir. El sábado, un grupo de 29 intelectuales chinos, encabezado por el escritor Wang Lixiong, pidió a Pekín en un manifiesto la apertura de diálogo con el líder espiritual de Tíbet y que se permita que las Naciones Unidas investiguen sobre el terreno acerca de las muertes en las revueltas.

Las acusaciones de China al Dalai Lama se producen después de que éste reiterara su rechazo a la violencia y de que mostrara su disposición al diálogo. La presidenta de la Cámara de Representantes de EE UU, Nancy Pelosi, también se convirtió ayer en blanco de las críticas de China, tras visitar el viernes al Dalai Lama en su exilio en la ciudad india de Dharamsala. En un editorial publicado por la agencia Nueva China, se le llama “policía de los derechos humanos” que se niega “a buscar la verdad”.

Desde este fin de semana circula una lista con los 21 manifestantes más buscados por su presunta participación en la revuelta en Lhasa, la capital de Tíbet, el pasado 14 de marzo. Pekín ofrece recompensa y anonimato para quien ayude a encontrar a estos manifestantes y proporcione sus fotografías, algunas de las cuales ya circulan en Internet. Dos de estas personas han sido detenidas y algunas de ellas se han entregado voluntariamente, según la agencia oficial de noticias Nueva China.

Pekín ha aumentado el número de muertos que reconoce que hubo en la revuelta, que pasan de 13 a 19 (18 civiles y un policía). Además, 382 civiles están heridos, 58 de ellos de gravedad.

“Tememos por la vida de los heridos: no están recibiendo atención médica apropiada. No van a los hospitales por miedo de ser acusados de alborotadores y ser castigados”, dice a este diario el portavoz del Gobierno tibetano en el exilio, Thubten Samphel. De acuerdo con fuentes tibetanas, las víctimas mortales han sido al menos 100 personas. “Sólo hemos llevado el recuento en Lhasa -la capital de la región autónoma-, pero sabemos que ha habido más en las otras provincias”, dicen.

En el balance de los daños que las autoridades chinas dieron a conocer esta semana están siete escuelas, cinco hospitales, 120 viviendas y 84 vehículos incendiados, así como 904 negocios saqueados.

El eco de las revueltas en la región del Himalaya ha llegado hasta Roma. El Papa dedicó parte de su mensaje de Pascua y su llamamiento urbi et orbi a pedir el fin de la injusticia y la violencia en el mundo, refiriéndose expresamente a los disturbios en Tíbet, y también a Irak y Darfur. Ante miles de personas congregadas en los alrededores de la basílica de San Pedro, Benedicto XVI reclamó “un compromiso activo con la justicia en zonas ensangrentadas por los conflictos y dondequiera que la dignidad del ser humano se desdeña y pisotea”.

23/03/2008 - 20:47h Chine et Tibet, une si longue histoire

Katia Buffetrille, tibétologue et ethnologue à l’Ecole pratique des hautes études (section sciences religieuses)

LE MONDE

REUTERS/JASON LEE

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Un ouvrier près de la gare de Lhassa, en construction, qui s’apprête à relier la ville à Shangaï - éloignée de plus de 2.500 kilomètres.

Le Tibet est agité de troubles depuis une semaine. Quel est le fondement historique de cette prétention chinoise sur le Tibet ?

Les sources chinoises ne s’accordent pas sur la date à laquelle, selon elles, le Tibet serait devenu une partie intégrante de la Chine. Disons brièvement qu’elles remontent soit à la dynastie mongole des Yuan (1277-1367), soit à celle mandchoue des Qing (1644-1911). Sous les Yuan, une relation très particulière avait été scellée entre des religieux tibétains et Kubilaï Khan, qui allait régner sur l’Empire mongol dans lequel la Chine et le Tibet étaient intégrés au même titre.

Il s’agissait d’une relation politico-religieuse entre un maître spirituel et un protecteur laïc dans laquelle le maître donnait enseignements et initiations, et le laïc assurait sa protection et faisait des dons. Les différents protagonistes jouèrent sur l’ambiguïté de cette relation qui se poursuivit, mais de manière beaucoup moins forte, avec certains empereurs de la dynastie chinoise des Ming (1368-1644). Ceux-ci ne considéraient d’ailleurs nullement le Tibet comme une partie intégrante de leur territoire puisque celui qui fonda cette dynastie envoya lors de son avènement une lettre au Tibet, comme il l’avait fait pour les autres pays.

Sous la dynastie mandchoue des Qing les relations entre le Tibet et la Chine connurent un changement. Cette relation de maître spirituel à protecteur laïc perdura, mais n’était pas comprise de la même manière par chaque partie. Pour les Tibétains, elle était purement religieuse, alors que les empereurs mandchous, bien que bouddhistes, l’utilisaient afin de se concilier les Tibétains et les Mongols. Cette relation est présentée actuellement comme une relation de subordination par les Chinois et est utilisée pour revendiquer le Tibet. Suite à de nombreux troubles, le pouvoir impérial intervint dans les affaires tibétaines et à partir de 1720, des administrateurs chinois et une garnison furent installés au Tibet.

Comment cet héritage a-t-il pesé au XXe siècle ?

Au début du XXe siècle, le Tibet devint le centre d’un enjeu géopolitique, notamment dans le cadre du “grand jeu” qui opposait en Asie centrale l’Angleterre à la Russie. Les Britanniques voulaient ouvrir des voies commerciales au Tibet. Ne recevant aucune réponse du gouvernement tibétain, en 1904, ils pénétrèrent au Tibet et parvinrent à Lhassa. Le treizième dalaï-lama s’enfuit en Mongolie puis en Chine. En 1910, peu après son retour au Tibet, la dynastie Qing chercha à prendre véritablement le contrôle du Tibet et envoya une armée. Le dalaï-lama trouva refuge en Inde.

L’effondrement de la dynastie Qing en 1911 lui permit de revenir au Tibet et de proclamer l’indépendance de son pays. En 1949, Mao proclama la République populaire de Chine. Il affirma la souveraineté de la Chine sur le Tibet et eut les moyens militaires de l’imposer. En, 1965, la “Région autonome du Tibet” fut fondée et les régions traditionnelles du Tibet - Kham et Amdo - furent définitivement intégrées dans les provinces chinoises du Qinghaï, Gansu, Yunnan et Sichuan.

Pour justifier l’ancienneté de leurs liens avec le Tibet, les Chinois évoquent aussi souvent l’alliance entre un monarque tibétain et une princesse chinoise.
Il est vrai que Songtsen Gampo, le premier grand roi tibétain, qui régna dans la première moitié du VIIe siècle, épousa une princessse chinoise qu’il avait obtenue sous la menace militaire. Cette princesse, une fervente bouddhiste, fit construire un temple à Lhassa et apporta de Chine une statue de Bouddha que les fidèles continuent d’honorer de nos jours dans le grand temple de Lhassa.

Les Chinois exploitent cet épisode pour faire remonter leur influence à une date ancienne alors que le Tibet était à cette époque une puissance considérable très crainte par la Chine. En moins d’un siècle, l’empire tibétain s’était alors taillé un territoire gigantesque allant du nord de l’Asie centrale à la Chine, dont la capitale Xian est même conquise. C’est à ce moment que le bouddhisme est introduit et deviendra religion d’Etat au VIIIe siècle. C’est une période de grand essor culturel et intellectuel que les Tibétains appellent la “première diffusion du bouddhisme”.

Le Tibet était-il une théocratie ?

Le dalaï-lama est considéré comme l’émanation de la divinité protectrice du Tibet, le bodhisattva de la compassion Avalokiteshvara. Le nom de dalaï-lama apparaît au XVIe siècle à la suite de la rencontre en 1578 entre un chef mongol et le troisième maître d’une lignée de religieux éminents. Mais ce n’est qu’en 1642 que le cinquième dalaï-lama reçoit, des mains de Gushri Khan, chef des Mongols Qoshot, dont il est le maître religieux, la souveraineté sur le pays.

Le Parti communiste chinois prétend avoir “libéré” le Tibet de la noblesse esclavagiste. Existait-il un “esclavage” au Tibet avant 1949 ?

Le mot “esclave” est parfaitement impropre. Très schématiquement, on peut dire que le Tibet était une société à strates, très hiérarchisée, dans laquelle existait une séparation nette entre religieux et laïcs. Les laïcs étaient divisés en trois strates : la noblesse, le peuple, la strate inférieure (bouchers, pêcheurs…). Trois groupes seulement pouvaient être propriétaires : l’Etat, le clergé et les nobles. Le terme de “serfs”, appliqué aux paysans, est contesté par certains tibétologues, qui préfèrent celui de “gens du commun” ou “sujets”.

En fait, les paysans, la grande majorité du peuple, étaient héréditairement liés à la terre et devaient des taxes qui étaient versées en argent, en nature, mais la plupart étaient sous forme de travail, essentiellement le travail de la terre. En dépit de cette structure qui peut paraître rigide, il y avait en fait une grande flexibilité. Ces paysans avaient des devoirs mais jouissaient aussi de droits. Les seigneurs n’avaient aucunement pouvoir de vie et de mort sur eux. Il ne s’agissait pas du tout d’un système idéal, mais il n’avait rien à voir avec de l’esclavage.

Pékin invoque souvent les bienfaits économiques de sa présence. Qu’en est-il ?

S’il est vrai que de nombreux changements ont commencé avec l’arrivée des communistes, il est tout aussi vrai que même sans eux, le Tibet se serait modernisé. Un économiste anglais, A.M. Fischer, a montré combien la croissance, au Tibet, est génératrice d’exclusion, une grande part de la population, principalement les Tibétains, n’ayant pas les moyens de participer à cette croissance. Depuis une cinquantaine d’années, la politique de financement du Tibet par les autorités centrales est motivée par des stratégies militaires et place le Tibet sous la totale dépendance de ces subventions.

Les compagnies de construction viennent généralement d’autres régions de Chine. De plus, les ouvriers sont essentiellement des travailleurs chinois, souvent meilleurs du fait de leur formation. La construction du train reliant les grandes villes de Chine à Lhassa a facilité la venue de nombreux migrants chinois. Par ailleurs, la nécessité de devoir parler couramment le mandarin pour trouver un travail ne permet pas aux Tibétains d’entrer en compétition avec les Chinois sur le marché du travail. Les bénéficiaires de ce boom économique sont les migrants Hans et quelques privilégiés tibétains, ce qui explique l’énorme frustration que ressentent les Tibétains.

Peut-on vraiment parler de “génocide culturel” au Tibet, selon la formule du dalaï-lama ?

Je n’aime pas trop ce terme. Mais il est vrai que si la situation ne change pas, on s’achemine vers la disparition de la civilisation tibétaine. La langue est en danger : dans la Région autonome, l’enseignement est en chinois à partir du collège et le tibétain n’est pas utilisé dans l’administration. Il est vrai que la situation est meilleure en dehors de la Région autonome, car il existe des collèges et des lycées où le tibétain est la langue d’enseignement.

Une autre frustration vient des restrictions sur les questions religieuses. Certes, de nombreux monastères ont été reconstruits. Des activités religieuses s’y déroulent. Mais, depuis 1995, la situation s’est durcie. Les photos du dalaï-lama sont interdites aussi bien en public qu’en privé ; les fonctionnaires d’Etat n’ont pas le droit de pratiquer ; il y a des cours d’éducation patriotique dans les monastères ; il faut remplir certaines conditions pour entrer au monastère.

Pourquoi la Chine est-elle aussi intraitable sur le Tibet. Au fond, quel est l’enjeu pour elle ?

Outre une revendication idéologique qui s’inscrit dans l’histoire du nationalisme chinois, c’est certainement la position géostratégique du Tibet qui explique l’attitude de la Chine. On ne peut oublier l’immense superficie de ce pays. Le Grand Tibet, c’est-à-dire le Tibet historique, représente un quart de la Chine.

Si l’on ajoute à cela que dix des plus grands fleuves de l’Asie y prennent leur source et que les richesses minières y sont abondantes, on peut comprendre la position si intraitable des gouvernants chinois. A leurs yeux, perdre le Tibet porterait en germe la désagrégation de leur empire multiethnique. Après le Tibet, le Turkestan oriental (Xinjiang), qui connaît lui aussi des troubles endémiques, pourrait se manifester plus violemment. Si vous enlevez à la Chine le Tibet, le Xinjiang et la Mongolie intérieure, il ne lui reste plus qu’un espace considérablement réduit.