05/07/2009 - 09:44h Argentina sofre com o cesarismo de Kirchner

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Tomás Eloy Martínez* – O Estado SP

A última campanha eleitoral confirmou na Argentina o papel inesgotável do cesarismo nas nações que ainda têm instituições frágeis na América Latina. Ou seja, quase todas.

Se tomarmos a definição de Gramsci, “o cesarismo expressa sempre a solução arbitrária, confiada a uma grande personalidade, de uma situação histórico-política caracterizada por um equilíbrio de forças de perspectivas catastróficas”.

Para o marxista italiano pode haver cesarismos progressistas, como os de Júlio César e Napoleão, ou reacionários, como os de Napoleão III e Bismarck. Mas, em todos os casos, trata-se de uma saída chefiada por um líder militar, embora não apenas militar, de uma situação excepcional.

A América Latina tem sido fértil em autocratas de grande popularidade, os quais, nos tempos modernos, foram expandindo e afiançando seu poder mediante o controle da corrupção, da polícia e da faculdade de repartir os recursos do Estado segundo sua conveniência.

Não há maior símbolo de cesarismo democrático do que o regime do venezuelano Juan Vicente Gómez. Um de seus ministros, Laureano Vallenilla Lanz, estabeleceu a validade do termo em um livro de 1919.

Gabriel García Márquez inspirou-se em Gómez para criar o personagem do ditador em seu romance O Outono do Patriarca. Quando cheguei à Venezuela, em 1975, a figura de Gómez continuava ocupando o centro da imaginação nacional, e agora que encontrou no presidente Hugo Chávez seu melhor discípulo, não passa praticamente uma semana sem que a oposição invoque o termo.

Gómez cresceu ao lado de seu predecessor, Cipriano Castro, que iniciou o século 20 enfrentando uma poderosa ameaça internacional por não poder pagar a dívida contraída com empresas estrangeiras que haviam sido expropriadas.

Navios de bandeira inglesa, italiana e alemã bloquearam o porto de La Guaira, em 1902, mas a Venezuela conseguiu evitar a asfixia invocando a Doutrina Drago, que defende a ilegalidade da cobrança violenta de dívidas por parte de grandes potências em detrimento da soberania, estabilidade e dignidade dos Estados fracos.

Ao se tornar o líder do nacionalismo, Gómez pôde dar o salto para a vice-presidência. Quando Cipriano Castro teve de se submeter a uma cirurgia na Alemanha, ele o traiu com um golpe que o instalou na presidência por 27 anos. Ali, na cadeira patriarcal, morreu em 1935.

Seu ideólogo, Vallenilla Lanz, um sociólogo positivista, tentou argumentar que povos como o venezuelano não estavam capacitados para respirar uma atmosfera republicana. Somente um militar poderia tirá-los da miséria e da anomia.

Ele determinou que “o caudilho constitui a única força de conservação social” e “o militar, eleito ou hereditário, é uma necessidade fatal em quase todas as nações da América espanhola, condenadas a uma vida turbulenta”.

Como eficiente porta-voz da ideologia oficial, Lanz não se refere a Gómez de maneira direta em seu ensaio. Ele se baseia na figura tutelar de Simón Bolívar, que propôs a presidência vitalícia. E escreve que Bolívar “nunca abrigou a mínima esperança” de que aquelas “Constituições de papel” pudessem estabelecer a ordem.

Seus críticos, como o exilado Rómulo Betancourt, do Partido Revolucionário Venezuelano – posteriormente presidente constitucional -, o chamaram de “Maquiavel tropical recheado de papel higiênico”. Longe de se ofender, Lanz agradeceu a comparação com o autor de O Príncipe.

Chávez não é o único herdeiro da ideia de um César avalizado periodicamente por eleições livres. Decidido a concentrar todo o poder em suas mãos, ele está no governo há dez anos, o mesmo tempo que Carlos Menem.

Figuras como o ex-presidente peruano Alberto Fujimori ou Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, viram na perpetuação presidencial o veículo para moldar seus países segundo seus desejos. Sem falar no líder cubano Fidel Castro, que não conseguiu achar um sucessor que não fosse do seu sangue.

O Brasil superou, com os governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva, a herança do autoritarismo populista de Getúlio Vargas, mas, na Argentina, o exemplo de Perón está impregnado no partido que ele fundou e se confunde com o Estado.

Muito contribuem as torpezas de uma oposição que se mostra menos interessada na construção da democracia do que no assalto aos privilégios da coisa pública.

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner, como Gómez, tentou prolongar seus planos de hegemonia alternando-se com seus parentes no governo, como fez ao decidir a candidatura da atual presidente, Cristina, sua mulher.

Agora, Néstor sai em defesa do modelo agitando o fantasma de um conflito de interesses entre grupos e classes que somente uma figura providencial, o César, poderia conter.

“Tenham bem claro”, declarou Kirchner antes das eleições realizadas há uma semana, “que não é mais uma eleição. Ou é a volta ao passado para tentar impor projetos que nada têm a ver com o povo ou é a consolidação de um projeto nacional e popular que devolva a justiça social.”

De algum modo, esse é o jogo bonapartista, uma das formas do cesarismo. Depois das revoluções de 1848, Luís Bonaparte foi eleito – no primeiro voto universal na Europa – presidente da Segunda República Francesa. Suas constantes convocatórias para referendos desvirtuaram a representatividade republicana e consolidaram sua popularidade.

No dia 2 de dezembro de 1851, ele arrasou a crescente oposição monárquica convocando um plebiscito com a pergunta: “Querem ser governados por Bonaparte? Sim ou Não?” Um ano mais tarde, após uma reforma constitucional, converteu-se num imperador autoritário.

A presidente Cristina conhece bem a história de Napoleão III, pois citou a obra de Marx O 18 Brumário de Luís Bonaparte, evocando a famosa frase: “A história se repete, inicialmente como tragédia, depois como farsa.”

A influência do estilo cesarista de seu marido – para o qual discordar é trair – ameaça a estabilidade institucional tanto quanto a falta de ideias da oposição. Do seu púlpito partidário, o ex-presidente Kirchner não vislumbrou outro futuro além do caos ou da continuidade do modelo imposto pela vontade do César. Nada empobreceu tanto na Argentina quanto a imaginação de seus políticos.

* Tomás Eloy Martínez, escritor e jornalista argentino, recebeu recentemente o Prêmio Ortega y Gasset de jornalismo

06/02/2009 - 14:25h Luces y sombras de Susan Sontag

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La novelista y ensayista estadounidense tuvo un apetito desbordante por la vida y una actitud intelectual independiente e irreverente. Su hijo edita ahora los diarios íntimos de esta aristócrata de la contracultura

TOMÁS ELOY MARTÍNEZ – El País

Susan Sontag dejó, al morir hace cuatro años, un caudal incontable de notas dispersas, ensayos inconclusos, anotaciones para un diario.

Su hijo, el periodista y editor David Rieff, dice que jamás recibió instrucciones sobre lo que debía hacer con esos textos. Aunque Sontag sufría un cáncer de la sangre que en general resiste a los tratamientos más avanzados, “siguió creyendo, hasta pocas semanas antes de su muerte, que iba a sobrevivir”.

Dos veces antes había afrontado otras formas de cáncer y había ganado la pelea. De la primera experiencia, a los 42 años, surgieron las ideas de La enfermedad y sus metáforas (1977), uno de sus grandes ensayos.

“Amaba vivir, y tanto su sed de experiencias como sus expectativas de escritora habían aumentado con el paso del tiempo”, escribió Rieff en un libro desolado, Un mar de muerte: recuerdos de un hijo. Allí cita un pasaje de los diarios juveniles de Sontag, que acaba de publicar en los Estados Unidos: “No puedo siquiera imaginar que un día dejaré de vivir”.

Esos diarios y una crónica de Rieff describen el comienzo y el final del personaje de Sontag, esa aristócrata de la contracultura, crítica y protagonista del star-system intelectual. Si en el ocaso se relatan los sufrimientos físicos a los que se sometió para seguir viviendo (un trasplante de médula sin esperanza, entre ellos), en el origen se cuenta el sufrimiento mental por el que pasó hasta descubrir que su vida estaba regida por el afán de conocer más, por saberlo todo.

“Quiero escribir, quiero vivir en una atmósfera intelectual”, anotó a comienzos de 1949, cuando tenía 15 años y estudiaba en Berkeley, poco antes de aceptar una beca en la Universidad de Chicago. “En cuanto llegue a Chicago voy a buscar la experiencia y no esperar que la experiencia venga a mí”.

En París, a fines de 1957, vislumbró lo que de veras quería y, como siempre, se trazó planes y mandatos que cumplía sin vacilar: “Uno debe ir a varios cafés: en promedio, cuatro por noche”. Esas andanzas le permitieron decidir que quería ser una escritora, no una académica.

El registro de los años de bohemia, desde sus 15 a sus 30, cubre la transformación de una adolescente apasionada por La montaña mágica y por Shakespeare en una intelectual compleja. Ante los ojos del lector renace, va inventándose a sí misma, tal como ella misma escribe y como el hijo eligió titular el primero de tres volúmenes de los diarios de Sontag: Reborn.

“Todo comienza ahora”, escribió a mediados de 1949. “He vuelto a nacer”. Se refería a la revelación de su identidad homosexual y a la fe en su pasión intelectual.

La última página de Reborn llega hasta el momento en que está por publicar su primer libro, la novela El benefactor (1963), tres años antes del ensayo que inauguró su fama, Contra la interpretación (1966).

En el medio se abre la cita del escritor francés François de La Rochefoucauld que acompañó muchas de sus reflexiones e inspiró el título de su último libro, Ante el dolor de los demás (2003): “Todos tenemos la fuerza suficiente para soportar el dolor de los demás”.

Su apetito por la vida desbordaba las exigencias cotidianas. Se desvelaba anotando listas de las cosas que necesitaba vivir o conocer. Palabras que alguna vez usaría, como el argot gay, o “noctámbulo”, “prolepsis”, “demótico”. Observaciones sobre sí misma: las cosas en las que creía (”Creo en la vida privada, en la música, en Shakespeare, en los edificios antiguos”), las que le disgustaban (las tareas como madre sola) y las que prefería evitar (”Hablar de dinero”). Una de sus listas enumera los seres que deben coexistir dentro de un escritor: “1) El loco, el obsesivo, 2) el idiota, 3) el estilista, 4) el crítico”.

“Libros por leer” y “Libros para comprar” son entradas que se repiten y van dando cuenta del paso del tiempo en la formación de Sontag: desde Henry James y Joseph Conrad a Saul Bellow y Philip Roth, del filósofo estadounidense John Dewey al filósofo austriaco Ludwig Wittgenstein.

Sontag lanza afirmaciones con peligrosa seguridad: “La poesía debe ser exacta, intensa, concreta, significante, rítmica, formal, compleja”. A veces incurre en pobres lugares comunes: “Los amores perfectos son los ilícitos”.

Cada una de sus intervenciones, aun las menos lúcidas, confirman la imagen de intelectual irreverente que la marcó hasta el final y que le valió el escarnio de la opinión pública en su país cuando, al hablar de los atentados contra las Torres Gemelas y el Pentágono, dijo que eran “una consecuencia natural de las alianzas y las acciones de los Estados Unidos”, y que de los atacantes se podía decir todo menos que fueran cobardes.

El matrimonio irrumpe por sorpresa en su vida. En los diarios menciona por primera vez al sociólogo Philip Rieff el 21 de noviembre de 1949. El 2 de diciembre registra su compromiso y el 3 de enero de 1950 anota: “Me caso con Philip con plena conciencia y con miedo a mi vocación por la autodestrucción”.

Estaba por cumplir 17 años. El resto de sus notas sobre el matrimonio serían diatribas contra la institución y detalles sórdidos de peleas.

La edición del diario desborda de anécdotas sobre la homosexualidad de Sontag, quien compartió los últimos años de su vida con la fotógrafa Annie Leibovitz. Aunque la escritora habló pródigamente de su intimidad, eludió el punto con extremo cuidado.

Desde la primera mención a sus “tendencias lésbicas” en 1948 hasta sus dolorosas relaciones con una mujer identificada como H. y con la dramaturga cubana Maria Irene Fornes, Reborn muestra la lucha de Sontag por aceptar su identidad sexual.

En abril de 1949 se esfuerza por acercarse a un hombre: “¡Lo intenté! ¡Yo quería reaccionar! Quería sentirme físicamente atraída por él y probar que, al menos, soy bisexual”. Un mes después anota, junto a esa frase: “¡Qué pensamiento estúpido, ‘al menos bisexual’!”.

H. la llevó por los bares de gays en San Francisco, de los que también hay una lista, y le reveló una noción que gana peso mientras avanzan las páginas: “Nada, nada me impide hacer cualquier cosa. Sólo yo me lo impido”.

En la selección de textos, Rieff se revela como un hijo indigno del talento enorme de su madre. Deja en pie los fragmentos que podrían saciar la curiosidad morbosa de los lectores y escamotea otros que supone aburridos pero que servirían para entender cómo se fueron conformando las visiones del mundo de Sontag.

Ella, sin embargo, veía el diario como un instrumento para entender cómo iba haciéndose a sí misma, cómo su yo se iba creando día tras día. Esa creación se extinguió el 28 de diciembre de 2004 en el Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nueva York. Murió defendiéndose contra la muerte, tras un tenaz combate cuyo final inevitable no quería aceptar.

“Mi ambición o mi consuelo”, se lee en el diario, “ha sido entender la vida”.

La entendió con una lucidez de la que carece la mayoría de los seres humanos. Sólo ante el último paso de la vida se volvió ciega y se privó de una experiencia irrepetible, la más misteriosa de todas.

Distribuido por The New York Times Syndicate.

Tomás Eloy Martínez es escritor y periodista argentino. © 2009 Tomás Eloy Martínez.

01/02/2009 - 13:01h ”Do exílio ninguém regressa”

O argentino Tomás Eloy Martínez tenta com Purgatório recuperar o que o desterro lhe tirou

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Soledad Gallego-Diaz, EL PAÍS – O Estado SP

 


O purgatório, segundo a doutrina da Igreja Católica, é o processo de purificação necessário antes de se entrar no reino dos céus e passa pela dor de não desfrutar a presença de Deus, a ausência, a perda do bem extraordinário que é a contemplação do amor e do ente querido. Purgatorio é, nesse sentido, o melhor título possível para o mais recente romance do escritor argentino Tomás Eloy Martínez (Tucumán, 1934): a história de uma perda e de um exílio. Sua personagem, Emilia Dupuy, procura, durante 30 anos, seu marido detido pelos militares argentinos e desaparecido. Um dia ela o encontra num pub dos Estados Unidos: o tempo não passou para ele. “Quando você volta ao lar do qual partiu, pensa que fechou o círculo, mas percebe que sua viagem foi só de ida. Do exílio ninguém regressa”, escreve o narrador da história. Mas Emilia não acredita nele.

Seu romance é uma história terrível de perda.

Pensei muito na dor das pessoas que perderam alguém, mas, sobretudo, na dor maiúscula que significa não ver esse alguém morto. A constatação da morte é, pelo menos, uma forma de consolo. O limbo ou o purgatório de não saber o que foi feito do ser amado, onde ele está, se está morto, ou se está perguntando por você em outro lugar, é desesperador. De fato, já se fala disso na tragédia grega, quando Antígona não consegue enterrar seu irmão.

Durante a época da ditadura militar desapareceram cerca de 30 mil argentinos. Esse sentimento de perda, que é tão opressivo no romance, acomete qualquer argentino de sua geração?

Em meu caso, fui expulso de meu país pouco antes da ditadura. A motivação que me levou a escrever este livro é, precisamente, a interrupção de uma vida pelo exílio. Há dez anos de minha vida que se foram para sempre e que são irrecuperáveis. Pensei em recuperá-los mediante a escrita. A privação dos afetos é terrível. Por alguma razão, os gregos já pensavam no exílio como um castigo equivalente à morte. Eles o arrancam de seus afetos, de seus filhos, de sua vida profissional. Eles o obrigam a ser outro. E nessa “alteridade” você se perde.

Chama a atenção que suas duas personagens, Emilia e Simón, sejam precisamente cartógrafos.

Não sei bem por que, mas me preocupa há algum tempo a ideia do mapa e da semelhança entre o mapa e o romance. A escrita do romance e a realização dos mapas são, ambas, invenções da realidade, imaginações. No princípio, os seres humanos, quando não sabiam em que terra estavam pisando, imaginavam o mundo e lhe punham nomes a seu critério.

Mas, ao mesmo tempo, os mapas existem para que as pessoas não se percam, para que alguém não desapareça.

Exatamente.

A personagem de Emilia está perdida, mas encontra Simón pela formidável intensidade de seu amor. O amor é o único sentimento capaz de desencadear tanta força?

É sobretudo a ansiedade de recuperar o amor que não se viveu, que nos converte em outro ser. Como eu digo, o impulso inicial que me moveu a escrever este livro foi tratar de recuperar, mediante a escrita e a imaginação, o que o exílio me tirou. A escrita e a imaginação têm um poder maiúsculo, um poder que tratei de medir com a escrita deste romance. A ideia original era narrar a vida cotidiana dos argentinos, não os campos de concentração, não os tormentos, não as mortes horrendas, e sim a mediocridade da vida cotidiana. Sobretudo, algo que me perturbava, estando fora por tanto tempo, como não se reage, como se olha para outro lado? As ditaduras não são possíveis sem uma cumplicidade coletiva; uma certa forma de resignação ou de cumplicidade coletiva. A fonte dessa cumplicidade, acredito, é a ignorância. O grande recurso dos autoritarismos é obrigá-lo a ignorar, a que só saiba o que eles querem que saiba.

A primeira coisa que as autoridades israelenses fizeram antes de invadir Gaza foi impedir a presença de jornalistas.

Sim. E outra coisa importante. Aqui, se você denunciava o que via, o regime o denegria imediatamente como “antiargentino” e como tal o condenava. Agora, se você publica fora de Israel alguma coisa sobre o que sucede em Israel, podem muito bem chamá-lo de antissemita. Quando Israel levantou o muro, que me pareceu contrário a toda tradição da perseguição aos judeus, publiquei um artigo em La Nación, dizendo que era uma barbaridade, uma forma lenta de morte, e você não imagina a quantidade de vozes que se ergueram aqui para me acusar de antissemita.

Uma personagem que me parece interessante é a de Dupuy, o pai de Emilia. Ele não é um homem que está louco, mas que é, basicamente, um sem-vergonha.

Isso mesmo. Um canalha. Ele tem um ideal de extrema direita, militar, a ideia de construir um país sobre a ideia de “Deus, Pátria e Lar”, a espada e a Igreja, a união das armas com a fé e tudo isso misturado com a corrupção que afeta os pressupostamente incorruptíveis e se revela avassaladora. É esse também o tema de outro romance meu, O Voo da Rainha. Neste caso, é um jornalista incorruptível, que, em seu empenho em lutar contra a corrupção, se corrompe.

É tão fácil se corromper?

Se você não tem uma estrutura moral muito sólida e a corrupção não o repugna por princípio ou por vergonha, então, sim, suponho que a corrupção é uma tentação muito importante. Ela assume formas às vezes imprevisíveis. Aqui se veem infinitas formas de corrupção, inclusive você pode se converter em um corrupto sem ter consciência disso. A corrupção não é somente corrupção do dinheiro. A corrupção no jornalismo, por exemplo, é a sedução do poder, fazê-lo acreditar que você pode derrubar um ministro ou ter alguma influência maior.

Um episódio curioso no romance é o momento em que Dupuy pai visita Orson Welles para lhe propor que faça um documentário sobre os campeonatos mundiais de futebol. Cheguei a acreditar que fosse uma história possível.

Assim se criam as personagens. Conheci Orson Welles tal como Dupuy o conhece, na última tourada de Antonio Bievenida, em Toledo. Eu era um jornalista e ele estava muito envolvido na cerimônia de apartar os touros, opinando como se fosse um especialista. Eu me contive e não lhe perguntei sobre o Quixote, que ele havia deixado pelo meio. Admiro muito Welles, para mim ele é eticamente muito valioso. Pareceu-me que se o episódio não tivesse verossimilhança não poderia ter força e pus-me a estudar Welles, de modo que quando Dupuy o visita, eu sabia onde ele estava, o que fazia. Descobri que nessa época Orson Welles emprestou sua voz a um filme que se chama Genocídio, e me pareceu interessante devolver-lhe a homenagem.

Com relação à personagem de Emilia, às vezes é desesperador o tempo que ela demora para se dar conta do que se passou com seu marido, apesar das muitas pessoas que lhe contam.

Ela o explica num dado momento: “Se Simón está morto, então meu pai é um assassino e minha mãe, uma cúmplice.” E sobre a morte de seu marido, que já seria uma carga suficiente para ela, pois é a esperança que a mantém viva, teria que somar a culpa por esses antepassados assombrosos. Emilia é um reflexo, ou uma metáfora, embora a palavra me pareça um pouco presunçosa, da sociedade argentina em geral, à qual estão ocorrendo as coisas diante de seus olhos e ela não os vê. Prefere esperar que ocorram milagres. Mas Emilia não espera passivamente, porque procura de todos os modos.

A história de amor, que é tão importante no romance, seria possível pensá-la igual se a desaparecida fosse ela e Simón quem a procura?

Creio que o gênero masculino não tem, em geral, a mesma força passional e a mesma tenacidade que as mulheres têm. Por algum motivo, são As Mães da Plaza de Mayo e não Os Pais da Plaza de Mayo. Embora os maridos acompanhem o símbolo da busca e da espera, foram as mulheres que bateram de frente com a ditadura.

Seu romance tem muitas leituras possíveis: é uma história de amor, mas também um romance político, mas também um romance metafísico… É um romance sem medo.

Sem medo das consequências. Caminhar sobre uma corda bamba sem cair. Nesses temas a gente pensa qual é o limite e até onde posso avançar, e quanto mais livre você se sente, mais seguro se sente e melhor avança. De todos os meus livros, este foi o que escrevi mais rapidamente, me deixando levar.

O senhor acredita que algo que existiu um dia existe para sempre?

Um ser que existiu persiste por intermédio da memória. Por isso, o livro insiste em que a identidade de cada um de nós está nas recordações. Não só nas recordações que se tem, mas nas recordações que se deixa. Por isso o céu e o inferno são suas boas e suas más ações, aquilo que você deixou e o que permanece na memória dos outros.

TRADUÇÃO DE CELSO MAURO PACIORNIK

FLUÊNCIA NARRATIVA E BASES HISTÓRICAS MARCAM SUA FICÇÃO

CONTRA O PODER: A experiência com a ditadura militar argentina resultou em marca na militância e na ficção de Tomás Eloy Martínez, nascido na província de Tucumán, em 1934. Formado em literatura e especializado em Jorge Luis Borges, Eloy Martínez atuou como repórter na Argentina e na França, tendo iniciado a carreira jornalística como crítico de cinema. Durante o seu exílio, ele ajudou a fundar periódicos importantes como El Diario (Venezuela) e Siglo 21 (México). Ele criou o suplemento literário Primer Plano para o jornal Página/12, de Buenos Aires. Desde 1995, ele dirige o Programa de Estudos Latino-americanos da Rutgers University, em Nova Jersey. Marcados pela fluência narrativa e tramados em bases históricas, seus romances abordam, de modo geral, os efeitos do exercício do poder, visto sob um olhar cético, por vezes cáustico. Cinco de seus livros estão em catálogo: O Voo da Rainha (Objetiva), O Cantor de Tango, A Mão do Amo, O Romance de Perón, Santa Evita (todos Companhia das Letras).

29/09/2007 - 16:10h José Lezama Lima, Último viaje del peregrino inmóvil


El escritor cubano se hizo famoso en 1966 con Paradiso, una novela celebrada hasta por quienes estaban en sus antípodas estéticas. Esta evocación del final de su vida lo muestra como un coloso rabelesiano, cautivo del asma, la gula y el estilo gongorino de sus frases

Por Tomás Eloy Martínez
Para LA NACION Buenos Aires

A mediados de abril de 1968, cuando lo conocí en La Habana, no había escritor más parecido a la eternidad que José Lezama Lima. Julio Cortázar solía repetir “Lezama vaut le voyage “, la misma frase con que Drieu La Rochelle había anunciado el descubrimiento de Borges en 1932. Y Severo Sarduy, otro cubano tan luminoso entonces como postergado ahora, iniciaba a sus amigos de París en el culto del gran Lezama, recitándoles en los cafés de la rue Bonaparte fragmentos de “Telón lento para arias breves”, un poema inédito que circulaba en volantes mimeografiados.

Lo que había hecho famoso a Lezama, sin embargo, no eran sus poemas, barrocos e intrincados como los de Góngora, sino una novela monumental, Paradiso , cuya primera edición había sido retirada de las librerías habaneras por las alarmas que causaban las demasías homosexuales de su capítulo octavo. Fidel Castro en persona debió levantar la sanción para aplacar el coro internacional de protestas. Ya no quedaba un solo ejemplar cuando llegué para entrevistar al autor legendario después de un viaje de treinta horas desde Buenos Aires. José Bianco me había entregado ampollas de Dyspne-Inhal, de las que se valía el poeta para aplacar su asma incesante. Y Gabriel García Márquez, al que vi de paso en Barcelona, me advirtió que podía quedar enredado para siempre en las lianas de un lenguaje sin pies ni cabeza. Ese invierno, García Márquez había estado ayudando a Enrico Cicogna en la traducción al italiano de Paradiso y tuvo que abandonar la empresa cuando quedó varado en una frase que cambiaba de género y de número varias veces en el breve curso de diez líneas.

Lezama era tan imponente como su novela. En 1968 medía un metro noventa, pesaba 130 kilos y adolecía de un hambre perpetua, que nada saciaba. Dos días antes de mi partida, me citó a la hora del almuerzo en el Floridita, el célebre café frecuentado por Hemingway. Disfrutó, con un placer que nunca he vuelto a ver en nadie, de un menú que comenzaba con una sopa de brevas tibias, seguía con una pierna de cerdo trufada, puré de castañas, langostas con salsa de manteca negra, natilla con frutos del bosque, helados de chocomenta, más un misterioso café a la diabla del que solo Lezama conocía el secreto. Nunca supe de dónde salieron aquellos manjares en la Cuba racionada de aquel entonces, y el dueño nos advirtió desde el principio que la cuenta saldría cara. Fue así. Dejé en el Floridita todo el dinero que llevaba para el viaje y viví de prestado hasta que tomé el avión que me llevó de regreso a Buenos Aires, luego de una escala obligatoria en Madrid.

Virgilio Piñera, el gran cuentista cubano que era también amigo de Pepe Bianco, me dijo que el banquete de aquel mediodía no era una excepción en los hábitos desmesurados de Lezama. Se alimentaba con el mismo entusiasmo a la mañana y a la noche, sin contar el “desayuno tardío” con tortas de chocolate y pasteles de crema que tomaba a las cinco de la tarde. “En los últimos cinco años ha engordado”, contó Piñera. “Pero cuando los médicos le aconsejan que se cuide, se indigna. Nadie le ha dicho gordo en la cara. …l se considera un gourmet , para quien la calidad de las comidas es inseparable de la cantidad.”

Lezama Lima era famoso en el mundo entero pero seguía resistiéndose a salir de Cuba. Solo había estado fuera de la isla una vez, en 1951, cuando exploró durante una semana la bahía de Montego, en Jamaica. En 1968 vivía pendiente de una invitación italiana que no llegaba, soñaba con caminar por Saint-Germain en París y comer una morcilla con nueces en la Plaza Real de Madrid. Temía, sin embargo, que si se iba no lo dejarían volver. Imaginaba que poner un pie fuera del mar Caribe equivalía a la muerte para alguien que, como él, ocupaba tanto espacio. Sus vecinos de la calle Trocadero 162, donde había vivido durante más de treinta años -y seguiría viviendo hasta morir- lo llamaban el peregrino inmóvil . A Lezama le encantaba la metáfora porque, en verdad, viajaba con la imaginación a todas partes.

“Estar en un avión no es viajar”, me dijo. “Lo único que se puede hacer durante la travesía es caminar de proa a popa. El viaje verdadero es un paseo del deseoso. Goethe y Proust, hombres de inabarcable diversidad, no viajaron casi nunca. La imago fue su navío. Soy como ellos. No viajo. Por eso, resucito.”

Durante los tres días que pasé conversando con él no le oí una sola frase lisa y llana, de esas que impregnan el aire de las calles. Se quejaba, por ejemplo, de que a su edad no tenía derecho sino a un cuarto litro de leche al día. Para completar el litro debía apropiarse de la ración de su criada Baldomera. “Mi naturaleza humana se nutre de los inocentes que tienen ya un pie en el Hades”, me dijo. “En este país fogoso solo hay leche para los mayores de setenta y los menores de siete; cifras cabalísticas, enigmas deuteronómicos. Yo, como viejo de 58, salgo a roer la leche ajena, cual sierpe gongorina.” Así hablaba Lezama. Alargaba las vocales, enrulándolas: su acento era intraducible, gongoriiinooo . García Márquez tenía razón: le brotaban lianas de la garganta y, sin advertirlo, cualquiera se perdía en esa selva verbal.

La imaginación de Lezama empezaba en la puerta de su casa de la calle Trocadero. Dos columnas torneadas flanqueaban la entrada de hierro y vidrio. A un lado y otro, sendos balcones se inclinaban sobre la vereda. Detrás del zaguán, en armarios cuyas vitrinas atraían un polvo insistente, Lezama exhibía sus tesoros: figurillas japonesas, dracmas griegos, distracciones de anticuarios. A un guerrero de jade que no medía más de un palmo, el poeta le asignaba cinco siglos. “Fue una ofrenda desechada por el shogun Yoshimasa en las postrimerías de la guerra de Onin”, se enorgulleció. No le creí. Esa tarde, sin embargo, Virgilio Piñera confirmó que Lezama no exageraba: “Lo que te mostró no es de jade ni es tampoco un guerrero”, dijo. “Es una de esas figuras que se vendían antes en los mercados, en la época de Batista. Los datos que te dio Lezama son falsos pero tienen asidero en la historia. Entre 1467 y 1476 hubo una guerra civil en Kyoto, conocida como la guerra de Onin. El árbitro de los combatientes era un shogun , Ashikaga Yoshimasa.”

Resurrección y viaje

Lezama era católico, creía en la resurrección de la carne. Pero en La Habana oficialmente atea de 1968 no se atrevía a decirlo en alta voz. Fue bautizado la Navidad de 1910 con los nombres de José María Andrés Fernando, a los cinco días de nacer. Se casó a los 54 años con María Luisa Bautista en la iglesia del Espíritu Santo, rodeado de morados y de encajes episcopales. “Me uní a ella”, le escribió a su hermana Eloísa, exiliada en Miami, “por mandato de mamá, para enfrentarme a la soledad que me anegó después de su muerte”.

Cuando lo vi en La Habana de 1969 suponía que en el más allá los muertos navegaban por largos mares de dicha: una felicidad interminable por cada breve pena. La resurrección era completa en el paraíso, como quería san Pablo. “Resucitaremos”, me dijo Lezama, “con las vísceras, huesos y dientes perdidos en el camino”. El cuerpo, enunciado por él, parecía un recodo del infinito: los hueesos , las arteriaas , los oojos .

Tenía razón el poeta. No necesitaba viajar, porque su vida fue siempre un ida y vuelta de la madre, Rosa Lima y Rosado, a la que tributaba devoción, sumisión, paciencia. Doña Rosa había muerto en 1965, tres años antes de mi llegada a La Habana, pero parecía no haberse ido de la casa. El poeta hablaba de ella en tiempo presente y, de a ratos, la reprendía por vivir tan pendiente del padre. “Le repito que deje de esperarlo a la hora de la comida”, me dijo. “Pero no se equivoca cuando lo espera. Deja la silla libre para que él se siente y, cuando lo oímos llegar, conversamos con Padre como en los mitos pitagóricos. Siempre sentimos ella y yo el latido de su ausencia. Ahora los latidos son dos.”

El padre, José María Lezama y Rodda, coronel de artillería, murió de una gripe arrolladora en 1919, cuando el poeta tenía 9 años. Desde entonces, los hijos y la madre lo invocaron de las maneras más raras. “Una tarde -contó Lezama- mi madre nos puso a jugar a los yaquis, a mí, el varón único, y a mis dos hermanas.” Los yaquis es un juego infantil que consiste en levantar pequeñas crucetas del suelo al compás de una pelota, y en irlas desparramando sobre el piso. “Esa tarde, las crucetas formaron al caer un dibujo que era la cara de nuestro padre. ¿Ves, Joseíto?, me dijo mamá. Tu padre, el coronel está ordenando que cuentes la historia de la familia. Tú tienes que, tú vas a, tú debes. Así era ella, un nido de órdenes tiernas.” Las amarguras aparecen, disimuladas, en el poema de 1942 que Lezama tituló “Llamado del deseoso”: Deseoso es aquel que huye de su madre,/ Despedirse es cultivar un rocío para unirlo en la secularidad de la saliva./ La hondura del deseo no va por el secuestro del fruto./ Deseoso es dejar de ver a su madre . Lo que me dijo en 1968 tenía, en cambio, el acento de una elegía: “Ella es lo invisible que continúa trabajando sobre mí. Todo lo que hago le está dedicado. Su acento me acompaña en las noches cuando me duermo. Al despertar en las mañanas, oigo su voz de criolla fina que repite: Escribe, Joseíto, no dejes de escribir”.

Cumplió al pie de la letra todos los mandatos familiares. Se doctoró en Derecho Civil a fines de 1939, abrió un bufete en el que nunca trabajó, fundó revistas que se volverían mitológicas como Verbum (1937), Espuela de Plata (1939-41) y la ejemplar Orígenes (1944-57), que despertaría la admiración de Victoria Ocampo. De esos días le quedaron pocos rastros: un diploma amarillo de abogado en el fondo de la casa, ejemplares viejos de revistas que volaban por el patio “abrigándonos -como el poeta dijo- con su aroma a trigo fresco, a luz de tinta, a saludo de la mañana”.A mediados de abril de 1968, cuando lo conocí en La Habana, no había escritor más parecido a la eternidad que José Lezama Lima. Julio Cortázar solía repetir “Lezama vaut le voyage”, la misma frase con que Drieu La Rochelle había anunciado el descubrimiento de Borges en 1932. Y Severo Sarduy, otro cubano tan luminoso entonces como postergado ahora, iniciaba a sus amigos de París en el culto del gran Lezama, recitándoles en los cafés de la rue Bonaparte fragmentos de “Telón lento para arias breves”, un poema inédito que circulaba en volantes mimeografiados.

Lo que había hecho famoso a Lezama, sin embargo, no eran sus poemas, barrocos e intrincados como los de Góngora, sino una novela monumental, Paradiso, cuya primera edición había sido retirada de las librerías habaneras por las alarmas que causaban las demasías homosexuales de su capítulo octavo. Fidel Castro en persona debió levantar la sanción para aplacar el coro internacional de protestas. Ya no quedaba un solo ejemplar cuando llegué para entrevistar al autor legendario después de un viaje de treinta horas desde Buenos Aires. José Bianco me había entregado ampollas de Dyspne-Inhal, de las que se valía el poeta para aplacar su asma incesante. Y Gabriel García Márquez, al que vi de paso en Barcelona, me advirtió que podía quedar enredado para siempre en las lianas de un lenguaje sin pies ni cabeza. Ese invierno, García Márquez había estado ayudando a Enrico Cicogna en la traducción al italiano de Paradiso y tuvo que abandonar la empresa cuando quedó varado en una frase que cambiaba de género y de número varias veces en el breve curso de diez líneas.

Lezama era tan imponente como su novela. En 1968 medía un metro noventa, pesaba 130 kilos y adolecía de un hambre perpetua, que nada saciaba. Dos días antes de mi partida me citó a la hora del almuerzo en el Floridita, el célebre café frecuentado por Hemingway. Disfrutó, con un placer que nunca he vuelto a ver en nadie, de un menú que comenzaba con una sopa de brevas tibias, seguía con una pierna de cerdo trufada, puré de castañas, langostas con salsa de manteca negra, natilla con frutos del bosque, helados de chocomenta, más un misterioso café a la diabla del que sólo Lezama conocía el secreto. Nunca supe de dónde salieron aquellos manjares en la Cuba racionada de aquel entonces, y el dueño nos advirtió desde el principio que la cuenta saldría cara. Fue así. Dejé en el Floridita todo el dinero que llevaba para el viaje y viví de prestado hasta que tomé el avión que me llevó de regreso a Buenos Aires, luego de una escala obligatoria en Madrid.

Virgilio Piñera, el gran cuentista cubano que era también amigo de Pepe Bianco, me dijo que el banquete de aquel mediodía no era una excepción en los hábitos desmesurados de Lezama. Se alimentaba con el mismo entusiasmo a la mañana y a la noche, sin contar el “desayuno tardío” con tortas de chocolate y pasteles de crema que tomaba a las cinco de la tarde. “En los últimos cinco años ha engordado”, contó Piñera. “Pero cuando los médicos le aconsejan que se cuide, se indigna. Nadie le ha dicho gordo en la cara. …l se considera un gourmet, para quien la calidad de las comidas es inseparable de la cantidad”.

Lezama Lima era famoso en el mundo entero pero seguía resistiéndose a salir de Cuba. Sólo había estado fuera de la isla una vez, en 1951, cuando exploró durante una semana la bahía de Montego, en Jamaica. En 1968 vivía pendiente de una invitación italiana que no llegaba, soñaba con caminar por Saint-Germain en París y comer una morcilla con nueces en la Plaza Real de Madrid. Temía, sin embargo, que si se iba no lo dejarían volver. Imaginaba que poner un pie fuera del mar Caribe equivalía a la muerte para alguien que, como él, ocupaba tanto espacio. Sus vecinos de la calle Trocadero 162, donde había vivido durante más de treinta años -y seguiría viviendo hasta morir- lo llamaban el peregrino inmóvil. A Lezama le encantaba la metáfora porque, en verdad, viajaba con la imaginación a todas partes.

“Estar en un avión no es viajar”, me dijo. “Lo único que se puede hacer durante la travesía es caminar de proa a popa. El viaje verdadero es un paseo del deseoso. Goethe y Proust, hombres de inabarcable diversidad, no viajaron casi nunca. La imago fue su navío. Soy como ellos. No viajo. Por eso, resucito”.

Durante los tres días que pasé conversando con él no le oí una sola frase lisa y llana, de ésas que impregnan el aire de las calles. Se quejaba, por ejemplo, de que a su edad no tenía derecho sino a un cuarto litro de leche al día. Para completar el litro debía apropiarse de la ración de su criada Baldomera. “Mi naturaleza humana se nutre de los inocentes que tienen ya un pie en el Hades”, me dijo. “En este país fogoso sólo hay leche para los mayores de setenta y los menores de siete; cifras cabalísticas, enigmas deuteronómicos. Yo, como viejo de 58, salgo a roer la leche ajena, cual sierpe gongorina”. Así hablaba Lezama. Alargaba las vocales, enrulándolas: su acento era intraducible, gongoriiinooo. García Márquez tenía razón: le brotaban lianas de la garganta y, sin advertirlo, cualquiera se perdía en esa selva verbal.

La imaginación de Lezama empezaba en la puerta de su casa de la calle Trocadero. Dos columnas torneadas flanqueaban la entrada de hierro y vidrio. A un lado y otro, sendos balcones se inclinaban sobre la vereda. Detrás del zaguán, en armarios cuyas vitrinas atraían un polvo insistente, Lezama exhibía sus tesoros: figurillas japonesas, dracmas griegos, distracciones de anticuarios. A un guerrero de jade que no medía más de un palmo, el poeta le asignaba cinco siglos. “Fue una ofrenda desechada por el shogun Yoshimasa en las postrimerías de la guerra de Onin”, se enorgulleció. No le creí. Esa tarde, sin embargo, Virgilio Piñera confirmó que Lezama no exageraba: “Lo que te mostró no es de jade ni es tampoco un guerrero”, dijo. “Es una de esas figuras que se vendían antes en los mercados, en la época de Batista. Los datos que te dio Lezama son falsos pero tienen asidero en la historia. Entre 1467 y 1476 hubo una guerra civil en Kyoto, conocida como la guerra de Onin. El árbitro de los combatientes era un shogun, Ashikaga Yoshimasa”.

Resurrección y viaje

Lezama era católico, creía en la resurrección de la carne. Pero en La Habana oficialmente atea de 1968 no se atrevía a decirlo en alta voz. Fue bautizado la navidad de 1910 con los nombres de José María Andrés Fernando, a los cinco días de nacer. Se casó a los 54 años con María Luisa Bautista en la iglesia del Espíritu Santo, rodeado de morados y de encajes episcopales. “Me uní a ella”, le escribió a su hermana Eloísa, exiliada en Miami, “por mandato de mamá, para enfrentarme a la soledad que me anegó después de su muerte”.

Cuando lo vi en La Habana de 1969 suponía que en el más allá los muertos navegaban por largos mares de dicha: una felicidad interminable por cada breve pena. La resurrección era completa en el paraíso, como quería san Pablo. “Resucitaremos”, me dijo Lezama, “con las vísceras, huesos y dientes perdidos en el camino”. El cuerpo, enunciado por él, parecía un recodo del infinito: los hueesos, las arteriaas, los oojos.

Tenía razón el poeta. No necesitaba viajar, porque su vida fue siempre un ida y vuelta de la madre, Rosa Lima y Rosado, a la que tributaba devoción, sumisión, paciencia. Doña Rosa había muerto en 1965, tres años antes de mi llegada a La Habana, pero parecía no haberse ido de la casa. El poeta hablaba de ella en tiempo presente y, de a ratos, la reprendía por vivir tan pendiente del padre. “Le repito que deje de esperarlo a la hora de la comida”, me dijo. “Pero no se equivoca cuando lo espera. Deja la silla libre para que él se siente y, cuando lo oímos llegar, conversamos con Padre como en los mitos pitagóricos. Siempre sentimos ella y yo el latido de su ausencia. Ahora los latidos son dos”.

El padre, José María Lezama y Rodda, coronel de artillería, murió de una gripe arrolladora en 1919, cuando el poeta tenía 9 años. Desde entonces, los hijos y la madre lo invocaron de las maneras más raras. “Una tarde -contó Lezama- mi madre no puso a jugar a los yaquis, a mí, el varón único, y a mis dos hermanas”. Los yaquis es un juego infantil que consiste en levantar pequeñas crucetas del suelo al compás de una pelota, y en irlas desparramando sobre el piso. “Esa tarde, las crucetas formaron al caer un dibujo que era la cara de nuestro padre. ¿Ves, Joseíto?, me dijo mamá. Tu padre el coronel está ordenando que cuentes la historia de la familia. Tú tienes que, tú vas a, tú debes. Así era ella, un nido de órdenes tiernas”. Las amarguras aparecen, disimuladas, en el poema de 1942 que Lezama tituló “Llamado del deseoso”: Deseoso es aquel que huye de su madre,/ Despedirse es cultivar un rocío para unirlo en la secularidad de la saliva./ La hondura del deseo no va por el secuestro del fruto./ Deseoso es dejar de ver a su madre. Lo que me dijo en 1968 tenía, en cambio, el acento de una elegía: “Ella es lo invisible que continúa trabajando sobre mí. Todo lo que hago le está dedicado. Su acento me acompaña en las noches cuando me duermo. Al despertar en las mañanas, oigo su voz de criolla fina que repite: Escribe, Josesito, no dejes de escribir”.

Cumplió al pie de la letra todos los mandatos familiares. Se doctoró en Derecho Civil a fines de 1939, abrió un bufete en el que nunca trabajó, fundó revistas que se volverían mitológicas como Verbum (1937), Espuela de Plata (1939-41) y la ejemplar Orígenes (1944-57), que despertaría la admiración de Victoria Ocampo. De esos días le han quedado pocos rastros: un diploma amarillo de abogado en el fondo de la casa, ejemplares viejos de revistas que vuelan por el patio “abrigándonos -como el poeta dijo- con su aroma a trigo fresco, a luz de tinta, a saludo de la mañana”.

La publicación de Paradiso a fines de 1966 le cambió la vida. Lezama se consagró entonces a la tarea imposible de poner orden en el vértigo de lo que él llamaba su sistema poético y a la escritura de otra novela que no pudo terminar, Oppiano Licario, cuya primera versión se llamaba Inferno. En 1966 era uno de los seis vicepresidentes de la Unión de Artistas y Escritores de Cuba, uneac, y trabajaba -es un decir- como asesor del Centro de Investigaciones Literarias. Su primera novela fue editada por la uneac con una repercusión tan instantánea que casi en seguida fue reimpresa por Ediciones Era en México, por Alianza en Madrid y por De la Flor en Buenos Aires. Julio Cortázar la celebró con un extenso ensayo incluido en La vuelta al día en ochenta mundos, que circuló como una consigna de gloria en los agonizantes ´60s.

“Paradiso -escribió Cortázar- es una ceremonia, algo que preexiste a toda lectura con fines y modos literarios”. Y la incorporó al club de grandes novelas secretas, junto a El hombre sin atributos de Robert Musil y La muerte de Virgilio de Hermann Broch. Mario Vargas Llosa, que defendía un arte de narrar situado en las antípodas de Paradiso, no vaciló sin embargo en compararla con Finnegans Wake de Joyce, Bouvard y Pecuchet de Flaubert y, otra vez, con la obra magna de Musil.

La eternidad parecía asegurada y así lo vivía, incrédulo, el propio Lezama. “Creo -me dijo- que Paradiso permitirá valorar con más justicia mis olvidadas obras anteriores. Para un poeta que ya ha cumplido sus días y sus ejercicios, el centro del paraíso es la novela. Me siento como esos reyes egipcios que acaban de morir y cuya partida es explicada por los cortesanos con una frase luminosa: El faraón se ha hundido en la línea del horizonte”.

En la cueva de Polifemo

Quisiera regresar al mismo día de abril en la calle Trocadero, cuando lo conocí. La anciana Baldomera, en el patio, remienda un lienzo perfecto sin agujeros ni desgarros. María Luisa, la esposa, que hasta entonces nos ha seguido en silencio, me muestra el certificado de matrimonio religioso que la unió a Lezama en 1965, poco después de la muerte de Doña Rosa. Es una dama apacible, profesora jubilada de castellano, que parece bondadosa y dispuesta al sacrificio. Cuando se casaron, cuenta Lezama, visitaron la catedral, “cuyas curvas de piedra remedan el oleaje”, la calle del Obispo, el café La lluvia de oro y la estatua de Fernando VII, con la nariz tronchada y los ojos libidinosos.

“Luego -sigue el poeta- María Luisa afrontó las anfractuosidades de esta cama. Vengan a verla. Es Polifemo, caracol torcido”. No resistiéndose a la tentación de rimar otro endecasílabo, añade: “Caverna de murciélago aterido”.

Veo la cama: es cóncava, los elásticos fueron vencidos hace ya mucho por un cuerpo de huevo pascual. Cualquiera pensaría que quien caiga en ella podría no levantarse. Pero María Luisa es ágil, delgada, un junco de cincuenta años que nada pide, nada dice. Alrededor de la cama hay altas columnas de libros y daguerrotipos. Desde un marco de nácar, Eloísa, la abuela del poeta, sonríe con malevolencia, cofia bordada y barbilla enhiesta; desde otro, de madera, un coronel de kepís -el padre- vigila con severidad el buen orden de la casa. Las fotos de la madre sonríen en casi todos los rincones. “Mamá”, dice Lezama, “deja su luz en cada orilla. Vivo por mamá. Mi vida es esa muerta”.

Entre los fantasmas familiares canta el óleo de un gallo que vaticina maldades. Si hay sombras en el cuarto, es porque los libros de poetas no dejan pasar la luz: T. S. Eliot, Mallarmé, René Char, Michaux y, por todas partes, Góngora; Góngora y Quevedo.

A hurtadillas, como escondiéndose, Lezama aspira el rocío de una ampolla de vidrio. Contiene Dyspne-Inhal y, si le faltara, el asma no lo dejaría respirar. Uno de los temas centrales de sus cartas a Cortázar es el Dyspne-Inhal. Ahora, de pie en la atmósfera asfixiante del dormitorio, el poeta recita el nombre de sus remedios como si fueran -él lo dice- estribillos etruscos: “Celestone, Ilosone, Raudaxin/ Himrod, fumigatorios, Nebulina”.

Años después leí la descripción que Lezama hizo del Dyspne-Inhal: “No un atomizador, no te confundas, sino un nebulizador de cristal. Irriga levedad, rocío, diríase un suspiro que humedece las paredes del árbol bronquial y me dilata el aire como si en mí estuviera entrando la mañana”.

Aquella misma tarde de 1968, aún perseguido por el concierto de sus bronquios, anoto en el cuaderno que he llevado conmigo: “Las volutas de la escritura de Lezama son las volutas de su respiración. Un lenguaje de rulos, doblado por infinitos desvíos, un lenguaje sinfónico, que se despliega como humo en los tubos de un órgano. Su lenguaje es el asma invadiendo la salud del castellano”.

El poeta lleva tres días sin dormir. “Por el asma”, me dice. “El médico supone que se debe a un fungus, una maleza sacrílega que flota en el aire. El asma llega hasta mí en dos ondas: primero, desaparece debajo del mar; luego, sube a los jaspes líquidos del gran acuario donde los peces desatan nieblas y en pendiente vagan”. Reconozco el eco de otra voz en lo que dice y él se da cuenta en el acto. “Ya lo sabe. Canté la música de Góngora”. “Góngora”, repite. O más bien: “Goongoraa”. Y sigue: “Yo también soy un pez. A falta de bronquios, respiro con branquias. Me consuelo pensando en la cofradía larga de asmáticos que me ha precedido: Séneca el primero; Proust, que fue de los últimos, moría tres veces cada amanecer para resucitar tres veces por la noche. Si alguien soy, soy el asma. A la disnea de la enfermedad he sumado la disnea de la inmovilidad. Carezco de otro carruaje que el de la imaginación, pero mis ruedas son rápidas: tienen ojos de lince. A todo he sobrevivido. Ahora me dispongo a sobrevivir también a la muerte”.

Telón lento para un aria breve

Cuando la eternidad de Lezama Lima empezó -si acaso las eternidades empiezan- eran los tiempos de amor desenfrenado por la música de los Beatles y de amor desenfrenado, punto. Las parejas cantaban por la calle las canciones de Sgt Pepper , “With a Little Help From my Friends”y “Lucy in the Sky With Diamonds”, se abrazaban y cantaban con una libertad que parecía inagotable. Cuba estaba entonces en el centro del mundo, pero también estaba fuera del mundo. Los escritores llegaban en oleadas desde todas partes a participar en los banquetes de la revolución.

En La Habana, la imagen del Che caído hacía pocos meses en Bolivia se multiplicaba en las plazas, en las esquinas, en los lienzos que atravesaban las calles. Había largas filas en los puestos que vendían helados Coppelia, y la revista Casa de las Américas -cuyo mentor era el poeta Roberto Fernández Retamar- se entregaba gratis a los viajeros en el aeropuerto. No había señales del conflicto que dos años más tarde desataría la detención del poeta Heberto Padilla y su posterior confesión staliniana, Fidel tampoco había lanzado sus denuestos contra “los intelectuales burgueses y agentes de la cia ” que habían comido de su mano y denunciado luego sus censuras. Las aguas de la solidaridad con la revolución cubana se partieron y Lezama Lima quedó en el medio. El silencio cubrió entonces su obra como -él lo diría- “una sábana negra”.

Los intelectuales disidentes estaban convirtiéndose en el hecho maldito de la revolución. Virgilio Piñera y José Rodríguez Feo -principal mecenas de la revista Orígenes- vivían enclaustrados, muertos de miedo, tratando de captar emisiones de Miami que les acercaran noticias del mundo. En su refugio de la calle Trocadero, Lezama seguía ajeno a todo. Apenas sobrepasaba los sesenta años, pero se sentía enfermo y sin ganas de nada.

Le escribí varias cartas desde entonces, pero jamás las contestó y nunca supe si le llegaron. Durante largo tiempo, y hasta que tuve la noticia de su muerte, ocho años después de nuestro encuentro en La Habana, quise conocer las oscuridades de su destino. Sólo tuve noticias de la acentuación de su asma y de su doloroso final cuando Margarita Sánchez, una de mis estudiantes de doctorado en la universidad de Rutgers, viajó a La Habana y se puso en contacto con el doctor José Luis Moreno del Toro, que había heredado la casa de la calle Trocadero.

Moreno le contó que, meses antes de morir, Lezama había engordado otros veinte kilos y apenas se movía. La atmósfera de su dormitorio, siempre irrespirable, se tornó más espesa cuando el poeta ordenó encender un sahumerio de polvos de Abisinia e instaló un vaporizador perpetuo de Dyspne-Inhal. Aabisiniaa, recitaba, alzando la garganta hacia el desvencijado techo. Y desde lo alto descendía un eco de fantasmas: Aabisiniaa.

Aunque la salud empeoraba velozmente, Lezama daba pretextos cada vez más imaginativos para que no lo internaran. Sobrevivió de milagro a una infección en los bronquios y a otra en las vías urinarias. Moreno del Toro le sugirió radiografías y ecografías. “Hoy me siento muy mal”, decía el poeta. “Hagamos esos exámenes mañana”. Y al día siguiente reclamaba que llevaran las máquinas de radiología a su casa. “En el hospital murieron mi padre y mi madre. No quiero ser yo también cordero de sacrificio. No iré, no iré. A la puerta de los hospitales está siempre anclada la nave de Proserpina”.

El doctor Moreno lo visitaba todos los miércoles por la tarde, cuando el poeta devoraba su “desayuno nocturno”. El 4 de agosto de 1976, un miércoles, le sorprendió que nadie lo atendiera cuando llamó a la puerta. Entró y vio a María Luisa en la penumbra del vestíbulo, bañada en llanto. “No sé qué hacer, doctor”, dijo. “Joseíto tuvo fiebre toda la noche, y ahora la fiebre le ha subido a 39″. Moreno imaginó una infección agravada, acaso una neumonía, y decidió esperar otra noche. Al amanecer del jueves, cuando regresó a la casa, Lezama dormía plácidamente. Se había negado a tomar líquidos para no desconcertar -como él decía- a los corpúsculos de Malpighi mientras estuvieran atareados en el filtrado renal. También rechazaba los antibióticos y sólo aceptaba tés caseros de pelo de choclo y de cepacaballo. Al mediodía, la fiebre volvió a remontar: 39,5, 40 grados.

“Estamos cerca de un desastre, María Luisa”, se quejó Moreno. “No puede seguir sin antibióticos. Si se niega a la vía oral, habrá que dárselos de otra manera”. El poeta se despertó invocando con terror a todos los “símbolos anunciadores de muerte. “Aléjenme de la casa del Hades”, suplicaba. “No menten a Plutón. Pónganme lejos del pantano de Estigia”. Moreno insistió en que fueran al hospital y se quedó a su lado hasta las tres de la mañana del sábado. Cuando el poeta se adormeció, vencido por la fiebre, le inyectó antibióticos en el brazo. Antes de que amaneciera corrió al hospital Calixto García, reservó un cuarto y ordenó que enviaran una ambulancia a primera hora.

De todos modos, Lezama no quería salir de la cama y nadie se atrevía a desplazarlo por la fuerza. El par de enfermeros que conducían la ambulancia quedaron amedrentados por la corpulencia de aquel rinoceronte que se inflaba sin que nadie supiera por qué. “Hoy no estoy para hospitales”, dijo al amanecer del domingo 8. “Hoy no tengo intención de morir”. Hacia el mediodía lo llamó por teléfono el presidente Osvaldo Dorticós. El poeta tuvo un ataque de tos mientras hablaba y le pasó la comunicación al doctor Moreno. “Que nadie se preocupe, doctor”, dijo Dorticós. “Aquí resolveremos hasta la menor dificultad”.

Quedaba poco por resolver, sin embargo. Al caer la tarde llegó a la casa Roberto Fernández Retamar, el hombre fuerte de la cultura cubana. “¿Tú también vienes a verme morir?”, bromeó el poeta. “No pienso darles el gusto. Hasta Fidel imagina que ya he bajado a la mansión del Hades, pero estoy en Guanabacoa, bailando una rumba en cueros”. La papada se le plegaba enorme sobre el pecho. Cada tanto, el poeta se la palpaba y repetía, con la voz entrecortada: Hinchado está el mulo, valerosa hinchazón/ que le lleva a caer hinchado en el abismo.

Cuando Retamar se marchó, Lezama trató de levantarse. Un desmayo fulminante lo derrumbó en la cama. El doctor Moreno se dio cuenta que ya no podía perder tiempo y que ésa era una oportunidad de providencia. La neumonía estrangulaba los pulmones del enfermo y le apagaba la vida. Los camilleros que montaban guardia intentaron llevarlo a la ambulancia pero fueron vencidos por el cuerpo descomunal del poeta. Los vecinos más fuertes del barrio acudieron a socorrerlos. Aun así, se les quedaba estancado a cada paso. Les cerraban el paso los muebles, las figuritas de porcelana, las torres de libros. Tuvieron que quitar las persianas del balcón y abrir un hueco en la mampostería porque el cuerpo afiebrado seguía hinchándose.

Antes de las seis de la tarde, Lezama despertó en una cama del hospital. Lo primero que hizo fue pedir que le llevaran un flan con crema. Apenas podía respirar y, por primera vez en la vida, una sola cucharada lo sació. Cuando el poeta Cintio Vitier entró en el cuarto para darle un abrazo, Lezama le dijo que los médicos exageraban lo que era “un simple catarrito”. El doctor Moreno contó que ya estaba en agonía y no se daba cuenta. Las flemas aumentaban y le enrarecían la respiración. Tuvieron que entubarlo, inyectarle más antibióticos, ponerle broncodilatadores. La abnegada María Luisa lo tenía de las manos y lloraba tragándose las lágrimas. A las dos de la mañana del lunes 9 de abril le oyó decir, con el hilo de voz que le quedaba: “Ave María, me cubre la manta negra”. Tenía los ojos muy abiertos, llenos de curiosidad por el mundo que dejaba. La eternidad que había empezado con Paradiso ahora también tenía un fin.