19/09/2008 - 11:16h Pnad: Desigualdade cai, mas avanço social do País ainda é tímido

O melhor perfil do brasileiro

Divulgada anualmente, a Pnad é considerada o mais amplo levantamento sobre a realidade do País. Apura as características domiciliares em relação ao acesso a bens e serviços, abrangência da educação, panorama do mercado de trabalho e evolução da renda do trabalhador. Mostra também aspectos demográficos, como fluxo migratório e taxa de natalidade. A pesquisa é feita desde 1967 e desde 2004 passou a ter cobertura completa do território nacional. Os dados servem para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e informações sobre cultura e projeções de população.

Diferença entre ricos e pobres tem queda recorde, mas indicadores sociais e econômicos evoluem lentamente, segundo o IBGE

Felipe Werneck e Jacqueline Farid,O Estado SP

 


Mesmo com a repetição de avanços na distribuição de renda e no emprego, a persistente desigualdade da sociedade brasileira prejudica a evolução dos indicadores sociais, como mostrou a nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento revela que ocorreu, no ano passado, a maior redução na diferença entre ricos e pobres no Brasil desde 1990, segundo o Índice de Gini, que caiu de 0,541 para 0,528.

A pesquisa também informa que havia 14,1 milhões de brasileiros analfabetos em 2007 - o que coloca o País em 15º lugar em proporção de alfabetizados na América Latina e no Caribe - e 4,8 milhões de crianças trabalhando. Em contraposição, a cobertura previdenciária e a rede de esgoto passaram de 50%, em melhorias concentradas no Sudeste e no Sul.

“Os indicadores sociais só não avançam mais porque a distribuição de renda não se dá numa velocidade maior do que a verificada nos últimos anos”, disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes. “De 2006 para 2007, já observamos uma redução acentuada (na concentração). Mantida essa velocidade, a partir de agora certamente os indicadores sociais poderão acompanhar mais de perto o crescimento da renda.”

A queda no Índice de Gini - que varia de zero a 1 e indica maior desigualdade quanto mais aumenta - foi a reafirmação de uma tendência já verificada em anos anteriores no Brasil. A PNAD mostrou que, em 2007, o Gini da distribuição de renda do trabalho (não incluindo outras rendas) passou de 0,540 em 2006 para 0,528 em 2007.

Apesar da redução forte, o Brasil ainda está muito atrás de outros países nesse indicador. O Gini da Rússia, por exemplo, é 0,399; o da China, 0,469; e o da Índia, 0,368. Todos têm distribuição de riqueza menos desigual que a brasileira.

“O Brasil não é um país pobre; é rico e se aproxima de países desenvolvidos em alguns indicadores, mas a distribuição de renda é como a de países que nem sabemos direito onde estão no mapa”, disse Nunes. A concentração de renda no País está mais próxima da de nações pobres da América Central, como El Salvador (0,524) e Panamá (0,561), ou africanas, como Zâmbia (0,505), África do Sul (0,578), Suazilândia (0,504) e Zimbábue (0,501).

Segundo a pesquisa, os aumentos no rendimento médio real dos trabalhadores nos últimos quatro anos não foram suficientes para recuperar as perdas ocorridas entre 1996 e 2003. Em 2007, a renda dos ocupados chegou a R$ 960, o maior valor dos últimos oito anos, mas ainda foi 6% inferior à de 1996 (R$ 1.023,00), ano de pico da renda na série da PNAD, iniciada em 1992. Depois, houve perdas até 2003, estabilidade em 2004 e recuperação em 2005, 2006 e 2007.

MELHORES NOTAS

No campo econômico, os indicadores de 2007 colhidos pela Pnad são repletos de boas notícias. O índice de formalização do emprego foi recorde no ano passado, com 35,7% de trabalhadores com carteira assinada. O índice é o maior na série histórica da pesquisa. Mas 8,1 milhões de pessoas ainda estavam desempregadas e a renda e a taxa de desemprego não retornaram ainda ao nível de 10 anos atrás.

O aquecimento da produção industrial fez o número de ocupados crescer 4,6% no período, em relação a 2006. Foi o primeiro aumento na ocupação na indústria apurado na Pnad desde 2004. A agricultura, contudo, continuou reduzindo o contingente de trabalhadores. A ocupação na atividade agrícola caiu 4% em 2007 ante 2006.

Em 2007, também houve redução no número de crianças de 5 a 17 anos que trabalhavam. Ainda assim, esse número chegou a 1,2 milhão na faixa de 5 a 13 anos, na qual o trabalho infantil é ilegal. O decréscimo foi de 171 mil em relação a 2006. Mais de 37% dos menores de 18 anos que trabalhavam no ano passado morava no Nordeste.

Na educação, o País registrou em 2007 um recuo de 0,5% no total de estudantes com mais de quatro anos de idade - indicativo da redução no número de jovens e da evasão de estudantes do ensino médio - e mais um recuo pequeno no índice de analfabetismo. Nesse indicador, com 10% de população de mais de 15 anos analfabeta, o Brasil ainda amarga índices piores do que os de países bem mais pobres da América Latina e do Caribe, como Peru, Paraguai, Suriname e Bolívia.

Pela primeira vez desde 2004, quando foi incluída na Pnad a área rural da Região Norte, a parcela da população que se declarou negra ou parda (49,7%) superou o porcentual de autodeclarados brancos (49,4%) no País em 2007.

A taxa de fecundidade caiu mais uma vez no País e, pela primeira vez, ficou abaixo do nível de reposição: 1,95 filho por mulher, em média. Segundo o presidente do IBGE, a mudança confirma a tendência de envelhecimento da população, que, na Europa, levou 100 anos para se completar, mas, no Brasil, durou só quatro décadas - começou no fim dos anos 60.

No ano passado também ocorreu aumento no número de domicílios com acesso a microcomputador e à internet. Segundo a Pnad, 20,4% dos domicílios do País, ou 11,4 milhões, tinham acesso à web, com crescimento de 23% ante o ano anterior. O País também passou de 48,5% para 51,3% de domicílios ligados à rede coletora de esgotos. A distribuição do benefício, contudo, é muito desigual: no rico Sudeste, era 79,4%; no Norte, 9,8%. WILSON TOSTA,

23/06/2008 - 17:59h Crianças e refugiados

Pensar la contemporaneidad: de niños y refugiados

Durante este mes de junio se conmemoraron dos días que me llevan a pensar otros rasgos de los tiempos en que vivimos. Me refiero al Día Mundial contra el Trabajo Infantil que se celebró el 12 de junio y al Día del Refugiado que se recordó el 20 de junio.

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La Organización Internacional del Trabajo estima que unos 165 millones de niños, de 5 a 14 años de edad, son víctimas del trabajo infantil. Muchos de ellos trabajan durante largas horas y en condiciones peligrosas.

Niños y niñas reducidos a la servidumbre, víctimas de trata, trabajadores de la minas, obligados a desempeñar tareas domésticas muchas veces para solventar las necesidades de otros niños; niñas y niños obligados a participar en guerras. Estas son las peores maneras de trabajo infantil que se conocen en el mundo.
El programa Internacional contra la lucha del trabajo infantil (IPEC), promovido por la misma OIT, invita a los estados miembros a luchar contra la erradicación del trabajo infantil otorgándole a la familia del niño sometido al trabajo una suma de dinero equivalente a lo que el niño gane cada mes -dinero que se daría en forma de subvención- para que la invierta en su educación. Se calcula que con este plan de inversión en la infancia en menos de 5 años el trabajo infantil podría erradicarse.

Todos los países que firmaron la Convención Universal por los derechos del Niño (todos los países del mundo menos Somalía y Estados Unidos) también acuerdan con el plan de la OIT. Sin embargo, la firma de tratados no pasa a la acción y los chicos y chicas siguen trabajando cuando deberían ir a la escuela y jugar.

Un 80 por ciento de refugiados y desplazados en el mundo son niños, según el informe Tendencias globales dado a conocer la semana pasada por ACNUR, la agencia de la ONU para los refugiados. De ellos 3 millones de niñas podrían sufrir mutilación de sus órganos genitales este año y 300 mil menores de edad fueron reclutados como niños soldado: desde Sierra Leona hasta Colombia.

La sangre de los niños constituye la savia del desarrollo sustentable, más que los árboles del Amazonas, las ballenas y otras banderas justas y verdes.

Pero aquí la bandera es roja, bien roja, por donde se la mire.

Y aunque es una obviedad, no me avergüenza remarcarlo, ellos constituyen el futuro. ¿Qué estamos haciendo con él? Mejor: qué estamos haciendo con este presente.

03/10/2007 - 15:44h Argentina: Datos alarmantes sobre trabajo infantil

Por: Pilar FerreyraClarín

Las chicas y chicos menores de 14 años que trabajan como “cartoneros” están a cargo del 60 por ciento de las tareas de recuperación y reciclaje de residuos. Además, el 21 por ciento de los niñas y niños menores de 13 años realizan tareas domésticas diez o más horas por semana.

Los datos, alarmantes, son del último relevamiento oficial de trabajo infantil hecho en el país. En Jujuy, Salta, Tucumán, Formosa, Chaco, Mendoza, el Gran Buenos Aires y Capital Federal, adonde 4 millones de menores de 17 años trabajan, cien mil de ellos en la recolección de basura. Indicadores que ayer ilustraron la magnitud de una problemática -que cuenta con escasas políticas públicas-, durante un seminario que organizó la Organización Internacional para las Migraciones, la Comisión Nacional para la Erradicación del Trabajo Infantil (CONAETI), la OIT, Unicef y Fundación Telefónica.

“Para el Estado, el trabajo infantil debiera erradicarse y prevenirse. Para las organizaciones no gubernamentales habría que reconocerles a los chicos el derecho a trabajar y sindicalizarse porque con lo que obtienen logran soluciones coyunturales“, puntualizó Marita Varela, técnica de la CONAETI. Destacó también que el trabajo infantil suele asociarse sólo con causas económicas. Cuando en realidad depende también de aspectos culturales como la más reciente “naturalización” del trabajo infantil ocurrida en las grandes ciudades del país después de la crisis de 2001. “Naturalización” que en las zonas rurales tiene más de cien años.

“Hay insuficiencia de políticas públicas universales capaces de crear mejores condiciones para el conjunto de la población. También existen incongruencias normativas y los controles son deficientes”, reconoció Varela.

Susana Santomingo, secretaria técnica de la Coordinadora de Centrales Sindicales del Cono Sur, enfatizó el valor de la labor de las ONG en la erradicación del trabajo infantil. Pero advirtió que es muy importante que las acciones de las ONG se articulen con políticas públicas, porque de lo contrario “se individualizan y en los mismos basurales donde se rescataron tres niños, mañana aparecen cinco“, ilustró.

28/09/2007 - 12:45h Menos de 10% das crianças pobres têm creche, diz IBGE

Resumo dos indicadores sociais dos últimos dez anos evidencia a influência da renda familiar na educação

Agencia Estado

SÃO PAULO - O IBGE divulga nesta sexta-feira a síntese dos indicadores sociais brasileiros dos últimos dez anos. Baseada, principalmente, em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a síntese mostra que grande parcela das famílias (40,4%) com crianças e jovens de até 14 anos estavam, em 2006, entre as mais pobres do País, com rendimento mensal per capita de até meio salário mínimo.documento Veja a pesquisa completa

Nessas famílias mais pobres, apenas 9,9% de crianças na faixa entre zero a três anos freqüentavam creches, provavelmente, segundo nota do IBGE, em razão da pouca oferta de vagas em creches públicas. Considerando as famílias com rendimento mensal per capita de mais de três salários mínimos, o acesso à creche e ao pré-escolar cresce para 40,7% das crianças.

Esse porcentual era de 15,5% no total das famílias.

Embora ainda reduzida, a taxa de crianças nas creches dobrou em dez anos, já que em 1996 era de 7,4%.

Quanto ao acesso das crianças de quatro a seis anos das famílias mais pobres à pré-escola, o porcentual era de 68,1%, enquanto que nas famílias com mais de três salários mínimos mensais per capita o acesso estava praticamente universalizado, ficando em torno de 95%, em todas as regiões.

O rendimento das famílias tem maior influência no início da vida escolar das crianças (creche e pré-escola) e no ensino médio (15 a 17 anos), sendo menos sentida no ensino fundamental (seis a 14 anos) que, lembra nota do IBGE, é obrigatório e está praticamente universalizado.

Entre os 20% mais pobres, 72,7% estavam matriculados no ensino médio, enquanto entre os 20% mais ricos, eram 93,6%.

Quando se considera o porcentual de jovens entre 18 a 24 anos que estudavam (51,5%) das famílias mais ricas representavam mais que o dobro daqueles das famílias mais pobres (24,6%).

Mais da metade (50,6%) dos jovens entre 18 e 19 anos trabalhavam, dos quais apenas 20% conciliavam o trabalho com os estudos.

O porcentual de rapazes nessa faixa de idade que trabalhavam (60,8%) era superior ao das garotas (40,5%). Dedicavam-se aos afazeres domésticos, 17,2% dos jovens.

Já no grupo de 20 a 24 anos, 64,4% trabalhavam e destes, apenas 14,7% trabalhavam e estudavam.

Mais da metade (54,5%) dos jovens trabalhadores entre 16 anos (idade a partir da qual o trabalho é permitido no País) e 24 anos recebem até um salário mínimo e cumprem uma jornada de 40 a 44 horas semanais.

A situação de baixa renda nas famílias com crianças de até 14 anos é mais preocupante no Nordeste, onde 63,1% de famílias com crianças até 14 anos de idade estavam na faixa mais baixa de rendimento, resultado da conjugação de uma fecundidade mais elevada e de um nível maior de pobreza, de acordo com i IBGE.

Em Alagoas (69,2%), Ceará (67,6%) e Piauí (66%), a maioria das famílias com crianças ou adolescentes pertenciam a menor faixa de rendimento, enquanto em Santa Catarina, apenas 16,6% das famílias estavam nessa situação.

Trabalho infantil

O trabalho ilegal de crianças mantém-se predominantemente agrícola e concentrado no Nordeste.

Entre os 2,7 milhões de trabalhadores entre cinco e 15 anos, 1,4 milhão estavam na atividade agrícola e aproximadamente 776 mil estavam ocupados na agricultura em Estados nordestinos.

No subgrupo entre 5 a 9 anos, havia 237 mil.

Os porcentuais de trabalho infantil mostraram melhorias na última década. O número de crianças entre 10 e 15 anos trabalhando caiu de 4,2 milhões, em 1996, para 2,5 milhões, em 2006.

14/09/2007 - 14:55h Governo Lula: Recua o trabalho infantil

O trabalho infantil de 5 a 17 anos recuou de 12,2%, em 2005, para 11,5% em 2006, aponta a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2006, elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgada hoje.

O Nordeste foi a região que apresentou a maior participação de trabalhadores “mirins”, mas também foi a que apresentou a maior redução entre 2005 e 2006 (de 9,4% para 8,4%).

O perfil do trabalhador infantil é predominantemente homem, negro ou pardo, alfabetizado, sendo que 19% não freqüentam escola.

Folha online