25/11/2008 - 14:47h Anatomia do pânico com o Morgan Stanley

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Susan Pulliam, Liz Rappaport, Aaron Lucchetti, Jenny Strasburg e Tom McGinty, The Wall Street Journal – VALOR

Dois dias depois que a Lehman Brothers Holdings pediu concordata, espalhou-se um boato explosivo: outra grande firma de Wall Street, o Morgan Stanley, estava prestes a quebrar. O que se dizia no mercado naquele 17 de setembro é que o Deutsche Bank AG tinha cancelado uma linha de crédito de US$ 25 bilhões para o banco de investimento.

Não era verdade, mas o boato ajudou a desencadear uma cascata de apostas contra o Morgan Stanley. O diretor-presidente John Mack queixou-se amargamente de que operadores desejosos de lucros estavam semeando o pânico. Mas faltava uma informação essencial: quem, exatamente, estava por trás dessas transações?

Registros de transações examinados pelo Wall Street Journal oferecem agora uma resposta parcial. Esses documentos revelam que algumas das maiores firmas de Wall Street – Merrill Lynch & Co., Citigroup Inc., Deutsche Bank e UBS AG – estavam apostando pesado contra o Morgan. A estratégia dessas firmas era usar complicados instrumentos financeiros chamados swaps de crédito, uma forma de seguro contra perdas com crédito.

Um exame dessas transações feito pelo WSJ também revela que os swaps tiveram papel importante ao amplificar a avaliação pessimista do mercado sobre o Morgan Stanley, o que, por sua vez, levou os operadores a investir contra as ações da firma, vendendo-as a descoberto. A inter-relação entre as transações com swaps e a venda a descoberto acelerou a espiral descendente da firma.

Este relato foi elaborado a partir dos registros das transações e de mais de 70 entrevistas com executivos de Wall Street, operadores, corretores, administradores de fundos de hedge, investigadores e autoridade reguladoras.

Durante anos, a venda de swaps de crédito foi uma mina de ouro para Wall Street. Mas, por ironia, naqueles dias tumultuados de setembro, o mercado de swaps virou-se contra o Morgan Stanley como um Frankenstein financeiro. Esse mercado se tornou um termômetro bem visível do Pânico de 2008, insuflando a crise que acabou exigindo a intervenção do governo.

Outras firmas também estavam negociando com swaps do Morgan em 17 de setembro: Royal Bank of Canada, Swiss Re e vários fundos de hedge, como King Street Capital Management LLC e Owl Creek Asset Management LP.

A pressão também se intensificou em outra frente: houve um aumento nas vendas a descoberto – apostas contra as ações da Morgan – por parte de grandes fundos de hedge. No fim do dia, a ação do Morgan tinha caído 24%, e as autoridades temiam que investidores com práticas predatórias estavam mirando os bancos de investimento.

Esse tipo de transação, que já havia derrubado Bear Stearns Cos. e Lehman, fez com que as ações do Citigroup desabassem 60% na semana passada, o que forçou novo socorro do governo.

Os investigadores estão tentando identificar o que causou o caos do mercado em meados de setembro e saber se os swaps de crédito ou as ações do Morgan Stanley foram negociados de forma imprópria. O procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, o escritório em Manhattan da Procuradoria-Geral dos Estados Unidos e a comissão de valores mobiliários americana (SEC) estão investigando se houve manipulação do mercado por parte de corretores que teriam divulgado intencionalmente falsos boatos para lucrar com suas apostas. As investigações também querem verificar se os operadores compraram swaps por altos preços para provocar o medo quanto à estabilidade do Morgan e assim lucrar em outras aplicações, e se as transações envolveram cotações falsas e fechamento de negócios inexistentes, segundo pessoas a par do assunto.

Ainda não surgiu publicamente nenhuma prova de que qualquer firma tenha feito algo de errado em relação às ações ou swaps do Morgan Stanley. A maior parte das firmas afirma que comprou os swaps simplesmente para se proteger contra eventuais prejuízos com vários tipos de negócios que estavam fazendo com o Morgan. Algumas garantem que suas aplicações em swaps foram pequenas em relação a todas as transações desse tipo ocorridas naquele dia.

Provar que o preço de qualquer papel foi manipulado é extraordinariamente difícil. O mercado de swaps não é nada transparente: as transações são feitas por telefone e email entre os corretores, sem cotações públicas.

Erik Sirri, um diretor de mercados da SEC, afirma que o mercado de swaps é vulnerável à manipulação. “Transações de baixo volume em um mercado relativamente pequeno podem ser usadas para (…) sugerir que um crédito é considerado fraco pelo mercado”, disse ele em depoimento ao Congresso americano no mês passado. Sirri disse que a SEC temia que as transações com swaps estivessem causando investimentos prejudiciais às ações.

O Morgan tinha começado setembro em boa forma. Teve lucro nos dois primeiros trimestres fiscais, até 31 de maio. Ao contrário da Lehman, não tinha muita exposição aos créditos imobiliários residenciais de alto risco, embora estivesse exposto ao mercado de imóveis comerciais e de empréstimos alavancados. Mack sabia que os lucros do terceiro trimestre seriam maiores do que o esperado.

Em 14 de setembro, enquanto a Lehman se preparava para pedir concordata, Mack disse aos funcionários, em memorando interno, que o Morgan estava “em uma posição única para ter sucesso neste ambiente tão cheio de desafios”. No dia seguinte, a firma conseguiu alguns novos clientes de fundos de hedge que estavam fugindo da Lehman.

Mas os rumores corriam soltos, com operadores preocupados com qual firma de Wall Street seria a próxima a cair. A conversa nos fundos de hedge, segundo alguns operadores, é que o Morgan Stanley tinha US$ 200 bilhões em risco devido às suas transações com a seguradora American International Group Inc., então prestes a pedir concordata. Isso não era verdade. O Morgan informou à SEC que sua exposição à AIG era “irrelevante”.

Alguns corretores do J.P. Morgan Chase & Co. estavam sugerindo a clientes do Morgan Stanley que era arriscado manter contas nessa firma, segundo pessoas a par do assunto. Mack queixou-se a James Dimon, diretor-presidente do J.P. Morgan, que pôs fim às conversas, segundo essas pessoas. Deutsche Bank, UBS e Credit Suisse também ofereceram seus serviços a fundos de hedge atendidos pelo Morgan, segundo pessoas a par do assunto.

No dia 16, a ação do Morgan desabou durante o dia, mas com uma recuperação no final do pregão. Alguns fundos de hedge retiraram seus recursos da firma, temendo que o Morgan seguisse os passos da Lehman no tribunal de falências, com risco de imobilizar os ativos dos clientes. Em um esforço para amainar as preocupações, o Morgan divulgou seus resultados naquela tarde, às 16h10, um dia antes do previsto.

“É muito importante devolver um pouco de sanidade ao mercado”, disse Colm Kelleher, diretor financeiro do Morgan, em teleconferência com investidores. “As coisas estão realmente saindo de controle, e boatos ridículos estão sendo repetidos.”

Glenn Schorr, analista do UBS, perguntou a Kelleher sobre o alto custo de proteção da dívida do Morgan Stanley no mercado de swaps. A proteção para US$ 10 milhões em dívidas do Morgan tinha subido para US$727.900 por ano, ante US$221.000 em 10 de setembro, segundo a CMA DataVision.

“Certas pessoas estão se concentrando nos swaps de crédito como desculpa para olhar para as ações”, respondeu Kelleher, sugerindo que os operadores que investiam nos swaps também estavam vendendo a descoberto ações do Morgan Stanley, apostando que elas cairiam.

É impossível saber com certeza qual era a motivação dos que compravam swaps do Morgan. Eles receberiam pagamentos caso o Morgan não pagasse títulos e empréstimos. Alguns desses compradores, sem dúvida, possuíam créditos do banco e estavam simplesmente tentando proteger-se contra uma eventual insolvência.

Mas os swaps também eram uma boa maneira de especular, para operadores que não detiam esses créditos. O valor do swap aumenta com o medo da inadimplência. Os operadores que apostavam no aumento dos temores sobre o Morgan Stanley podiam usar os swaps para obter um lucro rápido.

Em meio às incertezas daquele 16 de setembro, a Millennium Partners LP, fundo de hedge com US$ 13,5 bilhões, pediu para retirar US$ 800 milhões dos mais de US$ 1 bilhão que mantinha no Morgan, segundo pessoas a par dessas retiradas. Em separado, a Millennium também tinha vendido a descoberto ações do Morgan Stanley – parte de uma série de apostas na queda das ações de firmas financeiras, disse uma dessas pessoas. Além disso, a fundo de hedge comprou opções de venda, que lhe davam o direito de vender ações do Morgan no futuro a um preço determinado.

“Escute, nós precisamos proteger nossos ativos”, disse Israel Englander, presidente da Millennium, a um executivo do Morgan Stanley, segundo uma pessoa a par da conversa. “Não é nada pessoal.” Essas apostas na queda das ações, pequenas em comparação com o volume total de transações da Millennium, subiam de valor à medida que caíam as ações do Morgan.

Na manhã do dia 17, David “Tiger” Williams, presidente da Williams Trading LLC, que presta serviços de transações para fundos de hedge, ouviu um de seus operadores dizer que certo fundo havia transferido uma conta de US$ 800 milhões do Morgan Stanley para uma firma rival. O operador, que estava ao telefone com o gestor do fundo que retirou o dinheiro, perguntou por quê. O Morgan estava quebrando, respondeu o cliente.

Pressionado a dar detalhes, o administrador do fundo repetiu o rumor sobre o cancelamento da linha de crédito de US$ 25 bilhões por parte do Deutsche Bank. Williams passou a dar vários telefonemas, mas suas fontes no mercado opinaram que se tratava de um boato falso.

Mas o estrago já estava feito. Às 7h10, um operador do Deutsche Bank cotou em US$ 750.000 a compra de proteção para US$ 10 milhões em dívida do Morgan. Às 10h, o Citigroup e outros operadores já cotavam preços de US$ 890.000. E à medida que se alastrava o boato sobre o Deutsche, as ações do Morgan despencaram, de cerca de US$ 26 às 10h para perto de US$ 16 às 11h30.

Antes do meio-dia, operadores de swap começaram a cotar o custo de seguro para o Morgan em “pontos adiantados” – jargão de Wall Street para transações em que os compradores têm de pagar pelo menos US$ 1 milhão adiantado, mais um prêmio anual, para segurar US$ 10 milhões em dívida. No caso do Morgan Stanley, alguns operadores estavam exigindo mais de US$ 2 milhões adiantados.

Durante o dia, a Merrill comprou swaps para cobrir US$ 106,2 milhões em dívida do Morgan Stanley, segundo os documentos das transações. A King Street comprou swaps que cobriam US$ 79,3 milhões; o Deutsche Bank, US$ 50,6 milhões; a Swiss Re, US$ 40 milhões; a Owl Creek, US$ 35,5 milhões; UBS e Citigroup; US$ 35 milhões cada; Royal Bank of Canada, US$ 33 milhões; e ACM Global Credit, um fundo de investimento operado pela AllianceBernstein Holding, US$ 28 milhões, segundo os documentos.

No dia seguinte, 18 de setembro, algumas dessas mesmas firmas estavam de volta ao mercado. A Merrill comprou proteção para outros US$ 43 milhões em dívida do Morgan; o Royal Bank of Canada, US$ 36 milhões; a King Street, US$ 30,7 milhões; e o Citigroup, US$ 20,7 milhões, indicam os registros.

Nenhuma das firmas comenta quanto pagou pelos swaps, ou se lucraram com as operações.

“A proteção que compramos foi um simples hedge, não baseado em nenhuma visão negativa do Morgan Stanley”, diz John Meyers, um porta-voz da AllianceBernstein. Um porta-voz do Royal Bank of Canada diz que o banco comprou os swaps para administrar seu “risco de crédito” com o Morgan Stanley e que não estava “apostando contra o Morgan Stanley nem realizou apostas na baixa de sua ação”.

A King Street, um fundo de hedge com US$ 16,5 bilhões, comprou os swaps para cobrir sua exposição ao Morgan Stanley, que incluía títulos de renda fixa, segundo uma pessoa ligada ao fundo. O fundo não tinha uma posição vendida na ação, diz essa pessoa.

Porta-vozes de Deutsche Bank e Citigroup dizem que as transações deles foram relativamente pequenas e com o propósito de proteger contra perdas em outros investimentos relacionados ao Morgan, e para atender a ordens dos clientes. Um porta-voz da Owl Creek diz que ela comprou os swaps “para segurar o colateral que tínhamos no Morgan Stanley na época”, e que continua a fazer negócios com a firma.

Merrill, UBS e Swiss Re negaram-se a prestar comentários.

Durante o frenesi de transações em 17 de setembro, Mack havia começado a discutir uma fusão com o Wachovia Corp. Quatro dias depois, o Morgan Stanley alterou o curso, tornando-se uma holding bancária e ganhando maior acesso a recursos do governo. No mês passado, depois de captar US$ 9 bilhões do japonês Mitsubishi UFJ Financial Group, o Morgan recebeu US$ 10 bilhões do governo americano.

O Morgan Stanley precisa agora revisar sua estratégia para lidar com um ambiente avesso a risco e com a supervisão mais rígida do governo que acompanha a condição de holding bancária. Este mês, o banco anunciou que demitiria 2.300 empregados, ou 5% do total.

O custo de segurar sua dívida caiu. Ontem sua ação subiu 33,13% e fechou a US$ 13,38.

10/11/2008 - 10:40h Ações para ampliar crédito para a safra dão resultado

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VALOR

As medidas adotadas pelo governo para garantir liquidez ao sistema de crédito rural brasileiro começam a surtir efeito. Foram até agora meia dúzia de ações pontuais, que garantiram cerca de R$ 20 bilhões em antecipação e financiamentos adicionais para suprir a saída dos tradicionais financiadores como as tradings, agroindústrias e fornecedores de insumos, notadamente na região Centro-Oeste.

A elevação dos percentuais sobre os depósitos à vista e de caderneta de poupança com aplicação obrigatória no setor, as chamadas exigibilidades bancárias, ampliaram em R$ 8 bilhões a oferta de dinheiro ao setor. A redução “carimbada” dos depósitos compulsórios e a antecipação da equalização de recursos para o Banco do Brasil agregaram outros R$ 9 bilhões ao crédito disponível. Para suprir parte da demanda por linhas de auxílio à exportação, o Conselho Monetário Nacional (CMN) abriu espaço para crédito de até R$ 2,5 bilhões para financiar capital de giro de agroindústrias com lastro em Cédulas de Produto Rural (CPRs), emitidas por produtores para antecipar recursos de custeio das lavouras.

A reação do mercado tem sido positiva. Um exemplo do efeito é o próprio Banco do Brasil, maior operador de financiamentos ao campo, que estima chegar ao fim da primeira metade desta nova safra, cujo plantio começou em outubro, com um volume de empréstimos de custeio próximo de R$ 14 bilhões. Em quatro meses do atual ano-safra, iniciado em julho, o banco emprestou R$ 9,4 bilhões. Se confirmadas a projeções, o desempenho do BB no custeio da safra em 2008 será 32,5% superior ao mesmo período de 2007.

Mesmo assim, a taxa média de juros ficou maior porque aumentou a demanda e o riscos associados ao setor, já que vários dos tradicionais financiadores do campo recuaram em razão de problemas de caixa provocados pela forte instabilidade dos preços na safra passada. A raiz da falta de crédito para o plantio da próxima safra antecede, assim, o agravamento da crise financeira global. De fato, a escassez de crédito começou com o pacote de R$ 75 bilhões de renegociação de dívidas rurais, que limitou a concessão de empréstimos aos produtores que optaram pela rolagem. E, também, porque os bancos ficaram mais seletivos, se esquivando de conceder empréstimos a quem repactuasse seus débitos.

O governo precisa agora garantir renda ao setor através da sustentação de preços e aquisições diretas para formação de estoques públicos durante a comercialização da safra. O orçamento para 2009 prevê apenas R$ 3,8 bilhões para isso. Produtores, bancos e setores do próprio governo estimam a necessidade de até R$ 10 bilhões para honrar a Política de Garantia de Preços Mínimos, prevista em lei e poucas vezes cumprida integralmente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiram, há poucos dias, que o governo cumprirá seu papel de evitar que as cotações agrícolas fiquem abaixo dos preços mínimos.

Da ação do governo também dependerá o plantio no próximo ano-safra 2009/2010 em condições adequadas de crédito para atender ao volume da produção e garantir a produtividade das principais lavouras. Para isso, é preciso modernizar as regras do crédito rural e ampliar as fontes de financiamento para além dos escassos recursos oficiais subsidiados pelo Tesouro. Só com produção, produtividade e renda é que será possível evitar novos acúmulos de dívidas e os intermináveis calotes de parcela minoritária, porém barulhenta, dos agricultores.

Um passo importante na modernização da política agrícola seria, por exemplo, a ampliação do alcance do seguro rural, hoje pouco difundido e caro. Outra iniciativa poderia ser a redução do risco de crédito dos produtores por mecanismos de incentivo à proteção de preços nos mercados futuros.

Cabe ao governo estar alerta para impedir que eventuais desarranjos no setor rural produzam efeitos perversos sobre o abastecimento, a inflação e as exportações. Como se viu no primeiro semestre, a baixa oferta de produtos básicos como feijão, arroz, trigo e milho, pode ter efeito devastador sobre os preços. O pior que pode acontecer é um repique inflacionário em 2009, provocado por redução da oferta de alimentos.

04/11/2008 - 14:03h Agroindústrias terão linha de até R$ 2,5 bi

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Mauro Zanatta, de Brasília – Valor

O pacote de medidas do governo para auxiliar o setor rural será reforçado nesta semana com ações para irrigar o caixa de tradings, agroindústrias e fornecedores de insumos aos produtores. O Banco do Brasil deve anunciar uma nova linha de crédito de até R$ 2,5 bilhões para financiar o capital de giro dessas empresas com recursos da poupança rural, apurou o Valor.

A preocupação do governo é suprir com crédito adicional a demanda por Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), cujo principal objetivo é incentivar as exportações. O crédito para ACC, usado no pré-embarque das mercadorias, está bastante restrito desde o aprofundamento da crise financeira global, iniciada nos Estados Unidos. Por isso, as tradings e agroindústrias têm reclamado por uma medida específica do governo de auxílio ao segmento.

A nova linha deve ter um custo mais baixo do que os empréstimos contratados a juros livres. Para manter o estímulo ao exportador, a linha de crédito deverá ter alíquota de IOF reduzida, à semelhança do crédito para ACC.

Os empréstimos do BB, que também poderiam ser operados pelos demais bancos federais (BNB e Basa), além das instituições financeiras ligadas a cooperativas, devem ter os juros reduzidos, já que a fonte de recursos será a poupança rural. Estima-se uma taxa final semelhante à Selic – hoje em 13,75% ao ano.

O desenho da nova linha de crédito prevê o repasse, com o compromisso de recompra, de parte das carteiras de recebíveis de tradings e agroindústrias, como as Cédulas de Produto Rural (CPR), em garantia das operações. As CPRs são um título emitido pelos produtores como forma de antecipar os recursos necessários ao custeio ou comercialização da safra.

Os empréstimos dessa linha estarão lastreados nesses papéis e as empresas continuarão com os riscos das operações. Ao fim do contratado, que pode ter prazo de seis a 12 meses, as empresas serão obrigadas a recomprar os papéis. As tradings e agroindústrias precisam desses papéis para resgatar a produção física em mãos do produto rural.

A criação da nova linha foi permitida pela elevação da parcela de aplicação obrigatória em crédito rural pelos bancos (exigibilidades) sobre os depósitos da caderneta de poupança. Na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aumentou de 65% para 70% as exigibilidades da “poupança rural” e permitiu o financiamento de tradings, agroindústrias e fornecedores de insumos com até 40% desses recursos. Até então, apenas cooperativas podiam ser financiadas, e até o limite de 5% dessas exigibilidades.

As tradings vinham sofrendo um estrangulamento na concessão de crédito de suas matrizes desde antes do início do atual ano-safra. Na safra passada, elas tiveram que usar boa parte de seu caixa para cobrir as chamadas “margens” na Bolsa de Chicago. Como as cotações das commodities dispararam por causa de uma corrida dos fundos e especuladores, as empresas precisaram cobrir a diferença entre o preço contratado (”hedge”) e as cotações efetivas de produtos como soja, milho e trigo.

O reforço no pacote rural soma-se à prévia autorização da antecipação de R$ 5 bilhões em recursos operados pelo BB para o plantio da atual safra. Também potencializa os efeitos da elevação de 25% para 30% das exigibilidades sobre os depósitos à vista e da redução, de 45% para 42%, nos depósitos compulsórios, que devem antecipar outros R$ 9,1 bilhões para a safra.

O governo federal ainda estuda a adoção de novas medidas, como a criação de uma linha de R$ 1 bilhão para a capitalização das cooperativas e a realização de leilões específicos de US$ 1 bilhão em recursos para a contratação de ACCs ao campo.

24/09/2008 - 09:10h Pigs e Brics: confronto de siglas no debate da crise

http://ruvr.ru/files/Image/portuguese_service/Jonas/ONU_ORGANIZACOES/bric-big.jpghttp://bkmarcus.com/blog/images/stories/3pigs/BigBadWolfHead.jpgPaíses da Europa mais ameaçados de recessão (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) são o contraponto aos maiores emergentes em evento londrino

Daniela Milanese, O Estado de São Paulo – LONDRES

Um novo confronto de siglas caracteriza o atual ambiente global, transformado pela crise que atingiu as maiores economias do mundo. Enquanto os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) continuam a ser apontados como os condutores do crescimento mundial, agora na Europa a expressão Pigs (porcos, em inglês) vem cunhar a posição menos favorecida de Portugal, Itália, Grécia e Espanha.

“Brics soa bem, mas Pigs, não”, disse o vice-presidente sênior do The Economist Group, Daniel Thorniley, durante o evento “Emerging Markets Summit 2008″, realizado ontem em Londres.

A referência aos principais emergentes do mundo, criada pelo executivo do Goldman Sachs Jim O’Neill em 2001, faz alusão a “brick” – tijolo em inglês. Já a sigla Pigs começou a ser usada pela mídia internacional para caracterizar os países europeus próximos da recessão.

Ao aparecer na coluna “Lex” do Financial Times no início do mês, o termo chegou a irritar o ministro de Economia português, Manuel Pinho. Polêmica à parte, a percepção de executivos e especialistas é de que agora a busca por oportunidades mais lucrativas de crescimento a longo prazo ganhará mais intensidade. Nesse contexto, a adoção de estratégias adequadas aos mercados emergentes recebe importância renovada.

“As empresas alemãs não estão investindo na Alemanha porque não há confiança”, disse Thorniley, ressaltando que a inflação afetou o poder de compra da população. Por isso, ele acredita que os emergentes, onde há mercado consumidor, são mais atraentes.

“Os executivos estrangeiros reconhecem que, se quiserem elevar seus lucros, não será em seus mercados domésticos”, disse o diretor Danny Lopez, da UK Trade & Investment (UKTI), órgão do governo britânico.

Para os especialistas, será difícil ver todos os países em desenvolvimento passarem pela crise externa sem arranhão. O crédito mais apertado deve limitar a capacidade de investimentos das empresas e o dinheiro não vai fluir como antes.

Porém, a avaliação positiva dos emergentes ainda prevalece – tanto que o evento em Londres reuniu mais de 200 participantes, que ouviram executivos de primeira linha contarem as estratégias de vendas e recursos humanos mundo afora, com poucas menções à palavra “crise”. “O Lehman Brothers e a AIG não terão impacto sobre São Paulo”, disse Lopez.

Para Jim O’Neill – que como “pai” dos Brics continua entusiasta -, o crescimento econômico global virá cada vez mais desses países. “Entre eles, acho que o Brasil é hoje o mais interessante, pois está conseguindo passar por anos de estabilidade depois de anos de caos.”

Os Brics vão continuar dominando o fluxo de investimentos nos mercados emergentes. Além disso, os empresários começam a buscar outras regiões desses países para expandir os negócios, conforme aponta pesquisa realizada pela UKTI e pela Economist Intelligence Unit (EIU). “Os executivos querem não só continuar investindo nos Brics como aprofundar esses aportes”, disse Danny Lopez ao Estado.

Realizado em agosto, o levantamento consultou 561 companhias de 19 setores pelo mundo. Perto de dois terços, ou 63%, acreditam que a força econômica dos emergentes vai contrabalançar o impacto da desaceleração da Europa e América do Norte. Dessa forma, a receita produzida nos países em desenvolvimento deve passar de 29% para 38% em três anos. Além disso, 34% afirmaram que sua empresa entrará em três ou mais novos emergentes no período de cinco anos.

Apesar de a pesquisa ter sido feita antes do agravamento da crise, com o colapso do Lehman Brothers e a venda do Merrill Lynch ao Bank of America, Lopez avalia que a confiança nos emergentes não mudou. Ao contrário, a turbulência aumenta a necessidade de buscar investimentos mais lucrativos.

No levantamento, 29% disseram que o Brasil é um mercado prioritário para expansão. O porcentual é mais elevado para os outros Brics: a China é considerada prioridade para 49% dos entrevistados, seguida pela Índia (42%) e Rússia (33%).

A EIU estima que o investimento externo direto (IED) na China vai somar US$ 87 bilhões nos próximos cinco anos, em média. Para o Brasil, a previsão é de US$ 31 bilhões, nível similar ao atual. A Rússia deve sofrer com o aumento do risco e pode ver o investimento cair de US$ 52 bilhões neste ano para US$ 44 bilhões no próximo. Já a Índia deve responder pelo maior crescimento anual de IED, passando de US$ 23 bilhões em 2007 para US$ 60 bilhões em 2012.

15/09/2008 - 16:52h “Nightmare on Wall Street”

Da “Economist”, sob a manchete “Pesadelo em Wall Street”:

_ Um fim de semana de alta dramaticidade remodela a finança americana… Os acontecimentos de domingo 14 e do dia anterior foram extraordinários. A situação permanece fluida e os investidores desembestaram para a segurança relativa dos títulos do Tesouro americano. Bolsas tropeçam ao redor do mundo. A crise está entrando em uma nova e perigosa fase. O fim do Lehman sublinha a incapacidade ou a falta de vontade do setor de resgatar seus doentes. O Washington Mutual está lutando pela sobrevivencia. Ainda mais preocupante, também a AIG, maior seguradora da América. A dor está longe de terminar _e pode muito bem se espalhar. Por mais espetacular que tenha sido o fim de semana, vem aí mais drama.

Nelson de Sá – Toda Mídia

 

 

American finance

Nightmare on Wall Street

Sep 15th 2008 | NEW YORK AND WASHINGTON,DC
From Economist.com

A weekend of high drama reshapes American finance

AP

EVEN by the standards of the worst financial crisis for at least a generation, the events of Sunday September 14th and the day before were extraordinary. The weekend began with hopes that a deal could be struck, with or without government backing, to save Lehman Brothers, America’s fourth-largest investment bank. Early Monday morning Lehman filed for Chapter 11 bankruptcy protection. It has more than $613 billion of debt.

Other vulnerable financial giants scrambled to sell themselves or raise enough capital to stave off a similar fate. Merrill Lynch, the third-biggest investment bank, sold itself to Bank of America (BofA), an erstwhile Lehman suitor, in a $50 billion all-stock deal. American International Group (AIG) brought forward a potentially life-saving overhaul and went cap-in-hand to the Federal Reserve. But its shares also slumped on Monday.

The situation remains fluid, and investors stampeded towards the relative safety of American Treasury bonds. Stockmarkets tumbled around the world (though some Asian bourses were closed) and the oil price plummeted to well under $100 a barrel. The dollar fell sharply, and the yield on two-year Treasury notes fell below 2% on hopes the Federal Reserve would cut interest rates at a scheduled meeting on Tuesday. American stock futures were deep in the red too. Spreads on risky credit, already elevated, widened further.

With these developments the crisis is entering a new and extremely dangerous phase. If Lehman’s assets are dumped in a liquidation, prices of like assets on other firms’ books will also have to be marked down, eroding their capital bases. The government’s refusal to help with a bail-out of Lehman will strip many firms of the benefit of being thought too big to fail, raising their borrowing costs. Lehman’s demise highlights the industry’s inability, or unwillingness, to rescue the sick, even when the consequences of inaction are potentially dire.

The biggest worry is the effect on derivatives markets, particularly the giant one for credit-default swaps. Lehman is a top-ten counterparty in CDSs, holding contracts with a notional value of almost $800 billion. On Sunday, banks called in their derivatives traders to assess their exposures to Lehman and work on mitigating risks. The Securities and Exchange Commission, Lehman’s main regulator, said it is working with the bank to protect clients and trading partners and to “maintain orderly markets”.

Government officials believed they had persuaded a consortium of Wall Street firms to back a new vehicle that would take $40 billion-70 billion of dodgy assets off Lehman’s books, thereby facilitating a takeover of the remainder. But the deal died when the main suitors, BofA and Barclays, a British bank, walked away on Sunday afternoon. Both were unwilling to buy the firm, even shorn of the worst bits, without some sort of government backstop.

But Hank Paulson, the treasury secretary, decided to draw a line and refuse such help. After the Fed had bailed out Bear Stearns in March and the Treasury had taken over Fannie Mae and Freddie Mac last weekend, expectations were high that they would do the same for Lehman. And that was precisely the problem: it would have confirmed that the federal government stood behind all risk-taking in the financial system, creating moral hazard that would take years to undo and expanding taxpayers’ liability almost without limit. Conceivably, Congress could have denied Mr Paulson the money he needed even if he had been inclined to bail Lehman out.

This left Lehman with no option but to prepare for bankruptcy. Though the bank has access to a Fed lending facility, introduced after Bear’s takeover by JP Morgan Chase, the collapse of its share price left it unable to raise new equity and facing crippling downgrades from rating agencies. Moreover, rival firms that had continued to trade with it in recent weeks—at the urging of regulators—had begun to pull away in the past few days. The inability to find a buyer is a huge blow to Lehman’s 25,000 employees, who own a third of the company’s now-worthless stock; in such a difficult environment, most will struggle to find work at other financial firms. It also makes for an ignominious end to the career of Dick Fuld, Lehman’s boss since 1994, who until last year was viewed as one of Wall Street’s smartest managers.

Merrill’s rush to sell itself was motivated by fear that it might be next to be caught in the stampede. Despite selling a big dollop of its most rotten assets recently, the market continued to question its viability. Its shares fell by 36% last week, and hedge funds had started to move their business elsewhere. Its boss, John Thain, concluded that it needed to strike a deal before markets reopened. It approached several firms, including BofA and Morgan Stanley, but only BofA felt able to conduct the necessary due diligence in time.

Not only has Mr Thain managed to shelter his firm from the storm, but he has also secured a price well above its closing price last Friday, $29 per share compared with $17. How he managed that in such an ugly market is not yet clear. Ken Lewis, BofA’s boss, is no fan of investment banking, but he is a consummate opportunist, and he has coveted Merrill’s formidable retail brokerage. Still, the deal carries risks. It will be a logistical challenge, all the more so since BofA is in the middle of digesting Countrywide, a big mortgage lender. Commercial-bank takeovers of investment banks have a horrible history because of the stark cultural differences. And it is not clear if BofA has a clear picture of Merrill’s remaining troubled assets.

The takeover of Merrill leaves just two large independent investment banks in America, Morgan Stanley and Goldman Sachs. Both are in better shape than their erstwhile rivals. But this weekend’s events cast a shadow over the standalone model, with its reliance on leverage and skittish wholesale funding. Spreads on both banks’ CDSs, which reflect investors views of the probability of default, soared on Monday.

Wall Street has company in its misery. Washington Mutual, a big thrift, is fighting for survival under a new boss. Even more worryingly, so is AIG, America’s largest insurer, thanks to a reckless foray into CDSs of mortgage-linked collateralised-debt obligations. Investors have fled, fearing the firm will need a lot more new capital than the $20 billion raised so far. Prompted by the weekend bloodletting, AIG brought forward to Monday a restructuring that was to have been unveiled on September 25th. This was expected to include the sale of its aircraft-leasing arm and other businesses. It is also reported to be seeking a $40 billion in bridge loan from the Fed, to be repaid once the sales go through, in the hope that this will attract new capital, possibly from private-equity firms.

With Lehman left dangling, official attention is now turning to putting more safeguards in place to soften the coming shock to markets and the economy. The first step has been to encourage Lehman’s counterparties to get together and try to net out as many contracts as possible. On Sunday the Fed also expanded the list of collateral it will accept for loans at its discount window, to include even equities; and dealers may lend any investment-grade security, not just triple-A rated, to the Fed in exchange for Treasury bonds.

Markets are also pricing in some possibility that the Fed will cut its short-term interest rate target from 2% when it meets for a regularly scheduled meeting on Tuesday. That would be an abrupt turnaround from August, when officials figured their next move would be to raise rates, not lower them.

In a sign of how bad things are, even straitened banks are stumping up cash to help the stabilisation efforts. On Sunday, a group of ten banks and securities firms set up a $70 billion loan facility that any of the founding members can tap if it finds itself short of cash.

Even if markets can be stabilised this week, the pain is far from over—and could yet spread. Worldwide credit-related losses by financial institutions now top $500 billion, of which only $350 billion of equity has been replenished. This $150 billion gap, leveraged 14.5 times (the average gearing for the industry), translates to a $2 trillion reduction in liquidity. Hence the severe shortage of credit and predictions of worse to come.

Indeed, most analysts think that the deleveraging still has far to go. Some question how much has taken place. Bianco Research notes that while the credit positions of the 20 largest banks have fallen by $300 billion, to $1.3 trillion, since the Fed started its special lending facilities, the same amount has been financed by the Fed itself through these windows. In other words, instead of deleveraging, the banks have just shifted a chunk of their risk to the central bank. As spectacular as this weekend was, more drama is on the way.

01/07/2008 - 17:49h Para entender a nova Lei do Turismo

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Luiz Barreto* – O Estado de S.Paulo

O setor no Brasil avançou muito com a aprovação, na semana passada, da Lei do Turismo na Câmara Federal. O Ministério do Turismo estabeleceu constantes conversas com o Legislativo para criar condições favoráveis ao investimento e à expansão da iniciativa privada e, ao mesmo tempo, promover o turismo como fator de inclusão social, criador de trabalho e de renda. Estamos chegando lá e a expectativa é grande.Atualmente, diferentes leis e decretos estão em vigor. Há matérias sobrepostas entre União, Estados e municípios. Faltam normas de fiscalização e de punição, além de padronização dos serviços. Esses são problemas que o atual projeto de Lei do Turismo pretende resolver ao definir as atribuições do governo federal no planejamento, no desenvolvimento e no estímulo ao setor e, ainda, instituindo o Sistema Nacional de Turismo. O sistema objetiva harmonizar os esforços e as ações federais com os dos Estados e dos municípios – a serem observados na elaboração e na revisão do Plano Nacional de Turismo.

O texto propõe um sistema de informações turísticas com possibilidade de monitorar os impactos sociais, econômicos e ambientais da atividade. Prevê também a criação de um sistema de qualidade para o setor e institui um cadastro obrigatório, de âmbito nacional, com vistas ao controle e à classificação de atividades, equipamentos e serviços turísticos.

Sobre o fomento ao setor, a nova lei define critérios para a habilitação das empresas a incentivos e linhas de créditos oficiais e cria mecanismos de suporte às atividades turísticas.

A criação de um marco regulador foi proposta em 2003, na gestão do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, com a participação de representantes das várias instâncias de governo, dos prestadores de serviços turísticos e de entidades que reúnem profissionais do segmento. Cinco anos depois, em março de 2008, o projeto foi enviado ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um processo de discussão que passou pelo Conselho Nacional do Turismo, obteve a contribuição das entidades do setor e de oito ministérios. Esse processo democrático foi validado pela Câmara Federal.

O apoio do setor privado ao projeto foi de extrema importância e revela a convicção do empresariado de que a regulação trará benefícios para empregadores, trabalhadores e, principalmente, para os visitantes. Teremos ainda o fortalecimento jurídico do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), um importante mecanismo de incentivo à atividade turística.

Em maio, a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara acolheu a proposta do ministério de acelerar a apreciação da Lei do Turismo, o que possibilitou essa votação de sucesso. A decisão da comissão considerou o processo de formulação do projeto, com amplo debate com o trade turístico, por meio do Conselho Nacional de Turismo.

A nova lei não reproduz apenas o consenso dos vários segmentos do setor. Ela é o reconhecimento da importância econômica do turismo como vetor do desenvolvimento do País. Hoje, a atividade detém o quarto lugar na pauta de exportações do País, atrás apenas de minério de ferro, petróleo bruto e soja em grão. Tem uma oferta crescente de empregos diretos e indiretos. Pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, no início do ano, mostrou que as 92 maiores empresas do setor registraram crescimento de 14,8% na receita em 2007 e aumentaram em 23,5% o quadro de pessoal. Para 2008, a perspectiva é de lucratividade de 16,7%.

Nossa maior expectativa agora é que o Senado também aprove a Lei do Turismo para que os avanços econômicos e sociais beneficiem, o quanto antes, o maior número possível de pessoas deste nosso Brasil.

* Luiz Barreto é Ministro de Turismo

25/06/2008 - 19:43h Câmara dos Deputados aprova a Lei do Turismo

O projeto de lei elaborado conjuntamente pelo segmento turístico e o Ministério, por iniciativa da então Ministra de turismo, Marta Suplicy,  foi aprovado por consenso na Câmara dos deputados e segue para o Senado. Situação e oposição convergem na adoção de uma lei importante para o desenvolvimento da indústria do turismo, geradora de emprego e renda.

Câmara dos Deputados aprova a Lei do Turismo

Brasília (25/06) – O projeto da Lei do Turismo, que representa um marco regulatório para o setor, foi aprovado nesta quarta-feira (25) pelo Plenário da Câmara dos Deputados. A aprovação foi possível devido a um acordo do Colégio de Líderes para que eventuais mudanças sejam feitas no Senado Federal. Assim, não houve votação nominal e nem apreciação do destaque que propunha excluir do texto o dispositivo que prevê multa de R$ 350 a R$ 3 milhões para prestadores de serviços turísticos que descumprirem a legislação.

As medidas propostas na Lei do Turismo são consenso no setor e visam estabelecer condições favoráveis ao investimento e à expansão da iniciativa privada e, ao mesmo tempo, promover o turismo como fator de inclusão social, meio que gera trabalho e renda. O ministro do Turismo, Luiz Barretto, comemorou a decisão da Câmara dos Deputados, “Esse resultado é muito importante para o turismo. Vai significar segurança para investidores e empresários do setor. Significa também um grande avanço institucional, uma vez que o MTur teve papel preponderante e de articulação nesse processo”, disse.

Barretto agradeceu ao Legislativo, ao trade turístico e a todos os envolvido na elaboração do projeto. “É uma primeira batalha, que foi vencida. Temos uma segunda e decisiva no Senado, mas tenho certeza que com o empenho de todos os interessados na aprovação da lei seremos bem-sucedidos lá também”, afirmou.

Durante a apreciação da Lei do Turismo, diversos deputados manifestaram-se a favor da aprovação do texto. “Essa proposta traduz a essência do que foi debatido pelos envolvidos com a atividade turística. O Governo Federal e parlamentares da Câmara dos Deputados, entre eles o presidente da Comissão de Turismo, deputado Albano Franco (PSDB-SE), a deputada Lídice da Mata (PSB-BA) e o deputado Cadoca (PSC-PE), também participaram desse processo”, disse Marcelo Teixeira (PR-CE).

O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-SE), falou, no plenário, dos benefícios que a Lei de Turismo trará para o setor. “Com essa regulação, benefícios como crédito serão facilitados. Teremos ainda o Fundo Geral de Turismo (Fungetur), um importante mecanismo de incentivo à atividade turística”, disse. Chico Alencar (PSOL-RJ) manifestou a necessidade de urgência em se aprovar a lei. “A hora é agora. O consenso dos líderes demonstra que essa é a atitude certa em benefício do turismo. Os ajustes necessários poderão ser feitos no Senado”, defendeu.

Histórico da elaboração do texto – No dia 25 de maio, durante audiência pública, a Comissão de Turismo e Desporto acatou a proposta do MTur de acelerar a apreciação da Lei do Turismo. Foi isso que possibilitou a votação de hoje. A decisão da comissão levou em consideração o processo de formulação do projeto, com amplo debate entre o MTur e o trade turístico, por meio do Conselho Nacional de Turismo. A criação desse marco regulatório foi proposta em 2003, sob a coordenação do MTur, com a participação de representantes das várias instâncias de governo, empresas prestadoras de serviços turísticos e entidades que reúnem profissionais do setor.

Legislação em vigor – Atualmente, diferentes leis e decretos estão em vigor. Há matérias sobrepostas ou complementares entre união, estados e municípios. Faltam normas de fiscalização e punitivas e também de padronização dos serviços ofertados. Esses são problemas que a atual proposta de Lei do Turismo pretende resolver, ao definir, por exemplo, as atribuições do governo federal no planejamento, desenvolvimento e estímulo ao setor e ainda instituindo o Sistema Nacional de Turismo. O sistema tem como objetivo compatibilizar os esforços e as ações federais com aquelas dos estados e municípios a serem observadas na elaboração e revisão do Plano Nacional de Turismo.

O texto propõe a consolidação de um sistema de informações turísticas com possibilidade de monitorar os impactos sociais, econômicos e ambientais da atividade. Prevê também a implantação de um sistema de qualidade para o setor e institui um cadastro obrigatório, de âmbito nacional, com vistas ao controle e classificação das atividades, equipamentos e serviços turísticos. O projeto estabelece, ainda, condições operacionais do Fundo Geral de Turismo (Fungetur). O intuito é aumentar a inserção competitiva do produto turístico no mercado nacional e internacional.

Fonte MinTur

08/05/2008 - 17:29h Saiba mais sobre o Viaja Mais Jovem

 

Brasília (07/05) – O Viaja Mais Jovem foi lançado na manhã desta quarta-feira (7) no auditório do Ministério do Turismo, em Brasília. O programa é um projeto piloto que será realizado no Acre. Veja abaixo a apresentação feita pelo secretário de Turismo do Acre, Cássio Marques.

Os secretários Airton Pereira (secretário Nacional de Políticas de Turismo) e Cassiano Marques (secretário de Turismo do Acre), explicam objetivos e detalhes do Viaja Mais Jovem. Contam como foi estruturado o programa, seus alcances e metas em relação ao Turismo no País e no Acre, onde começa a ação em projeto piloto.
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29/04/2008 - 09:07h FT Interview: Celso Amorim, Brazil’s foreign minister

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By Jonathan Wheatley and Richard Lapper, FT.com site

Published: Feb 21, 2007

Jonathan Wheatley and Richard Lapper, speak to Brazil’s foreign minister Celso Amorim who insists Brazil is not about to adopt 21st century socialism.

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18/03/2008 - 12:48h Turismo do Brasil: “a vitória é certa”

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Integração é o próximo desafio

O Estado de São Paulo – José Guillermo Alcorta*

O amadurecimento do turismo brasileiro nos últimos anos é visível nas três esferas que compõem a base desta indústria: o empresariado, mais profissional e unido, o Executivo, mais técnico e com planejamento a longo prazo, e, chegando em boa hora, o Legislativo, já ciente de que o turismo é propulsor de desenvolvimento, empregos e renda.

É até lógico que os empresários tenham sido os primeiros a acreditar no turismo, já que era o seu negócio que estava em jogo. Venceram adversidades em uma época em que o turismo não era essa indústria tão evidente.

Hoje, décadas depois, o pioneirismo de nomes como Stella Barros, Aldo Leone, Modesto Mastrorosa, Mário de Mello Faro, Mayer Ambar e tantos outros criou um ambiente profissional maduro, propício para grandes negócios e investimentos, como comprovam empresários do porte de Guilherme Paulus, da CVC, Elói D’Ávila de Oliveira, da Flytour, Goiaci Alves Guimarães, da Rextur, Alceu Vezzozo Filho, da rede Bourbon, e Álvaro Bezerra de Mello, da rede Othon.

Demonstra esse grau de maturidade e integração o fato de que a grande maioria está agrupada em conventions e visitors bureaux estruturados, com verba e planos definidos: captar negócios para suas cidades, Estados e para o Brasil. Mesmo objetivo de entidades como Resorts Brasil, FOHB e Favecc.

O Executivo, representado pelo Ministério do Turismo, criado há apenas cinco anos, e pelas Secretarias de Turismo, antes agrupadas a outras pastas, também evoluiu. Os Estados mostram força ao se fazer representar no Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo e em entidades como a Fundação CTI-Nordeste, ao partirem para ações ousadas de promoção e ao desenvolverem seus pólos turísticos visando os mercados interno e externo. O MTur tem um mecanismo oficial de aproximação com o trade, o Conselho Nacional de Turismo, criou regras claras para a distribuição de verbas oficiais, tem um plano para a promoção do Brasil no Exterior e novos produtos e facilidades para o brasileiro conhecer seu País.

No Legislativo, a relevância do turismo comprova-se pela existência de duas comissões, na Câmara e no Senado, e da Frente Parlamentar de Turismo, além de emendas individuais que garantem acréscimo importante ao orçamento do Ministério do Turismo.

Com esses três pilares funcionando de forma mais consistente, planejada e efetiva, feito em que ajudou a persistência da Abav, estamos prontos para o próximo e fundamental salto: a integração.

Antes, cada um fazia a sua parte. Agora, porém, às vésperas de abrigar uma Copa do Mundo, oportunidade única para uma nova fase do turismo brasileiro, a integração das três áreas significa potencializar a força de cada uma deles e multiplicar os resultados e as chances de acertar. Se chegarmos a 2014 juntos, integrados, falando a mesma língua, o golaço será do turismo.

O Fórum Panrotas – Tendências do Turismo 2008, que ocorre em São Paulo, entre 18 e 19, terá líderes do Executivo como a ministra Marta Suplicy, empresários, entidades de classe e, pela primeira vez, uma quantidade expressiva de deputados e senadores. Todos participando de debates, assistindo a palestras de especialistas e trocando idéias e experiências, com um objetivo único: trabalhar para o desenvolvimento de nossa indústria e de nosso País.

Essa Copa, para nós, já começou. Temos os craques, os campos e os estádios. Falta apenas montarmos, juntos, as tabelas dos jogos. Os jogos pelo turismo brasileiro. A vitória é certa.

* José Guillermo Alcorta, presidente do Grupo Panrotas

12/10/2007 - 12:10h Visita ao Ceará gera expectativa no trade

Clique para AmpliarMARTA SUPLICY falou para os empresários do turismo

em café-da-manhã no Gran Marquise Hotel

(Foto: FOTOS: FÁBIO LIMA )

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O GOVERNADOR Cid Gomes, Jeanine Pires, Marta Suplicy e o secretário Bismarck Maia

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MARTA SUPLICY exibindo quadro com a foto de Lagoinha,

uma das peças da campanha da Embratur nos EUA


O dia 4 de outubro, dedicado a São Francisco, foi promissor para o povo cearense. Com uma agenda cheia de compromissos, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, esteve no Ceará para assinatura de convênios e liberação de recursos do Ministério do Turismo (MTur) para obras e capacitação. Num único dia, ela esteve em Fortaleza, Aquiraz e Canindé
A companhada da presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Jeanine Pires, do governador Cid Gomes e do secretário de Turismo do Ceará, Bismarck Maia, a ministra Marta Suplicy esteve em café-da-manhã com o trade turístico no Gran Marquise Hotel. O encontro deixou otimismo e expectativa para o setor, carente de recursos e realizações para se tornar competitivo no mercado.

A ministra citou quatro coisas que ela considera importante para o desenvolvimento do turismo: infra-estrutura, qualificação, monumentos e promoção, que se completam com belezas naturais e hospitalidade. Marta mencionou a campanha que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos, que tem Lagoinha entre as peças promocionais. A duna, que virou símbolo daquela praia, foi apresentada em quadros, entregues ao governador Cid Gomes e ao secretário Bismarck Maia. Marta falou da importância do turismo para reduzir as diferenças regionais e do esforço que está sendo feito para lotar o Brasil de visitantes durante todo o ano. O governador Cid Gomes reforçou sua promessa de construir o Centro de Feiras e Eventos, o que renovou as esperanças dos empresários do setor de turismo.

Os recursos a serem liberados pelo MTur, através do Programa de Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur-NE II), num total de R$ 33,5 milhões, são para execução de obras nas praias de Mundaú (R$ 1,1 milhão), Lagoinha (dois convênios no total de R$ 3,1 milhões), Iracema (R$ 4,5 milhões) e nas orlas de Paracuru (R$ 1,4 milhão) e Camocim (R$ 1,8 milhão). O município de Aquiraz (CE) receberá R$ 1,1 milhão com a assinatura de três convênios para recuperação da Casa do Capitão Mór, do Mercado da Carne e da Praça da Matriz. Serão destinados, ainda, R$ 4,7 milhões para recuperação do Palácio da Abolição e R$ 1,8 milhões para restauração do prédio do Centro de Turismo do Ceará.

Com recursos do Prodetur NE II, Fortaleza receberá investimentos de R$ 2,7 milhões para sinalização turística. O Pólo Costa do Sol terá um diagnóstico de capacitação profissional (R$ 1,8 milhão) e de qualificação empresarial (R$ 1,4 milhão), além de R$ 3,6 milhões para promoção turística. Os investimentos do MTur, disponibilizados pela área de infra-estrutura turística, viabilizam também a implantação da primeira fase de ampliação do Aeroporto de Aracati (R$ 3 milhões) e as obras de sinalização turística no litoral Leste do Ceará (R$ 1,1 milhão).

Expectativa

A promessa de novos investimentos deixou os empresários otimistas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (ABIH-CE), Manoel Cardoso Linhares, disse que ´agora, a nossa expectativa é a melhor possível, pois com os investimentos voltados para melhorar a infra-estrutura de vários pontos turísticos cearenses, tanto da capital como do interior, poderemos receber os nossos turistas muito melhor´, disse.

Manoel Cardoso Linhares elogiou também a posição do governador Cid Gomes, que se comprometeu em lutar pela construção do Parque Multifuncional de Feiras e Eventos do Estado. ´Agora acreditamos que este centro de eventos tão desejado pelo trade sairá do papel. E o importante de tudo é que o governador está consciente da verdadeira vocação turística do Estado´, destacou.

O presidente da ABIH-CE ressaltou ainda o grande envolvimento do Governo Estadual com a divulgação da imagem do Estado em eventos nacionais. ´O Ceará terá o terceiro maior estande no Congresso da Abav – Feira das Américas, que acontece no final deste mês, no Rio de Janeiro. Lá a Secretaria do Turismo do Estado estará divulgando todo o potencial turístico do nosso Estado´.

Régis Medeiros, presidente do Fortaleza Convention & Visitors Bureau (FCVB), presente também ao café-da-manhã com a ministra, destacou que esse momento emblemático ´deu uma oxigenação ao turismo cearense´. Segundo Medeiros, a união do governo federal com o estadual para melhorar a infra-estrutura turística do Estado deu uma injeção boa para o Ceará. ´Os investimentos em Fortaleza vão ser destinados à urbanização da Praia de Iracema, implantação da sinalização turística e reforma de alguns pontos turísticos como o Palácio da Abolição e o Centro de Turismo. Mas seria interessante, também, que a Prefeitura de Fortaleza olhasse para outros espaços turísticos da cidade, como a Praia do Futuro e o Morro de Santa Terezinha, por exemplo´, frisou.

Com a promessa da criação do Centro de Feiras e Eventos, Régis Medeiros acredita que o Estado poderá captar para os próximos anos grandes eventos nacionais e internacionais. ´Agora mesmo deixamos de trazer para o Ceará o evento internacional religioso Jesus Christi is a Church (Jesus Cristo é uma Igreja), porque a organização precisava de um auditório tipo teatro, com capacidade para três mil pessoas´, exemplificou Medeiros.

Diário do Nordeste

27/06/2007 - 21:20h Jornal do Turismo entrevista Marta Suplicy

As últimas declarações da ministra do Turismo, Marta Suplicy, que ganharam grande repercussão são provas irrefutáveis de que a imprensa peca ao tentar cristalizar uma frase, isolando-a de um contexto mais abrangente. Ou seja, em nome de interesses políticos, ofuscou-se a grandiosidade do trabalho do Ministério do Turismo junto ao trade e, principalmente, ao povo brasileiro.

O Plano Nacional de Turismo (PNT) está dando continuidade à gestão anterior de Walfrido dos Mares Guia e aponta para um futuro de desenvolvimento econômico no País, através do turismo. Nesta entrevista ao jornalista Cláudio Magnavita, Marta disse ao que veio, como ministra, estrategista, ex-prefeita de São Paulo e mulher.

Cláudio Magnavita – Ministra, a sua gestão tem recebido o apoio das principais entidades representativas do setor turístico brasileiro. Como foi descobrir esse mundo mágico do turismo? Como tem sido sua experiência como ministra?

Marta Suplicy – O apoio de todo o trade turístico ao PNT foi uma descoberta. Revelou a força que o turismo tem – apesar de não termos a mesma pujança de outros países. Afinal, já competimos com a indústria automobilística.

CM – O lançamento do PNT contou com oito governadores de Estado, de deputados, senadores e do próprio presidente da República. Isso é um grande ato, para uma atividade que até então era praticamente desconhecida do grande público…

MS – Aos poucos, tenho percebido que o turismo é a área que mais gera emprego rapidamente. E isso vai desde as pessoas mais qualificadas até as mais humildes. Para o jovem, por exemplo, há muito campo, e com mobilidade social: ele começa a trabalhar num restaurante e, depois de 20 anos atuando nesse segmento, pode, qualificado, abrir um empreendimento próprio. A idéia do Plano Nacional de Turismo 2007-2010 é a da inclusão social. Por isso chamamos de uma “Viagem de inclusão”. Há 40 meses consecutivos o consumo aumenta no Brasil. Temos hoje uma venda espetacular de celulares. Três milhões de pessoas já tem o aparelho. Isso tudo sem contar o aumento de brasileiros que estão comprando automóveis. Nosso povo está consumindo, sim. Quem nunca teve acesso a um avião está se locomovendo nele. Esse mercado é novo para o turismo: muitas dessas pessoas nunca pensaram que poderiam usufruir do turismo com a sua família; conhecer uma bela praia do Nordeste; Ouro Preto; Brasília; mergulhar em Bonito; conhecer a Chapada dos Veadeiros ou o Pantanal. É uma coisa que ainda não deslanchou, porque o pessoal está ainda partindo para os bens de consumo. Mas na hora que o brasileiro perceber que vamos ter pacotes de R$ 500 a R$ 600, com pagamentos mensais de R$50, é pé na estrada e no avião.

CM – O crédito consignado pode beneficiar o público da terceira idade, que é fundamental para o desenvolvimento do turismo?

MS – Estamos falando de um público que pode consumir um pouco mais. O estudante, a classe média e o aposentado são públicos potenciais. Começamos pelo aposentado, porque ele construiu este País. Deve ter mais direitos entre todos nós. Através do crédito consignado, a agência de viagem faz o pacote que não onera em nada para o cidadão: o dinheiro do crédito vai direto para a operadora. Conseguimos isso através de uma portaria rápida do ministro da Previdência, o (Luis) Marinho. Ou seja, o dinheiro sai direto do INSS para a conta da operadora. Então, não há problemas de não recebimento por parte da operadora. A Caixa Econômica e Banco do Brasil, com juros abaixo de 1%, também permitiram a baixa do valor do pacote. Agora, as agências estão todas muito envolvidas em fazer um negócio diferenciado para o aposentado de 60, 70 e 80 anos.

CM -As pessoas podem viajar inclusive nos períodos de baixa estação?

MS – Com o projeto, ajuda-se o aposentado a viajar em pacotes mais acessíveis. O hotel do empreendedor permanece em atividade, e cheio, durante todo o ano. Isso alguns países já fazem de forma mais contundente que nós. Na Espanha, por exemplo, há quatro meses de grande estação. Depois, quando os hotéis ficavam vazios, as pessoas eram despedidas porque não tinham como manter toda a estrutura. O governo espanhol fez a conta, no sentido de avaliar se era mais proveitoso pagar seguros-desemprego para essas pessoas ou avalizar pacotes subsidiados para que o povo pudesse viajar em época de baixa estação, e manter os empregos. Eles resolveram que era mais barato. No Brasil, acreditamos no crédito consignado para aposentados na baixa estação, de sete a oito dias, em roteiros rodoviários ou aéreos – baratos ou um pouco mais caros, (respectivamente). Isso gerará um impacto muito bom para a economia. Num outro dia você me perguntou “onde começa essa história com os aposentados”? O Ministério quer participar da capacitação e do treinamento junto às agências, que também estarão recebendo pessoas que nunca entraram lá, e que podem ficar desconfiadas por serem agências muito elegantes. Mas é para entrar mesmo, porque ali estarão profissionais treinados que os atenderão com todo o carinho e respeito, mostrando os melhores pacotes para o idoso. Para treinar e organizar os pacotes, começamos com o Estado de São Paulo, que mais envia viajantes no Brasil e tem o maior número de aposentados. Brasília será o nosso segundo foco porque queremos que a região Centro-Oeste se torne um centro de viagens, que o Brasil se expanda também naquela direção. Todos irão viajar, prioritariamente, para o Nordeste: lugar onde mais se precisa de renda e emprego. Distribuição de renda, diminuição de desigualdades regionais e empregabilidade são as principais orientações do presidente Lula para o turismo – principalmente para o Nordeste. Estive em Cabrália e Porto Seguro – no evento da tocha olímpica dos Jogos Pan-Americanos -, e o pessoal estava preocupado com a baixa freqüência. Isso é muito ruim para um lugar tão bonito, em que o idoso poderia ir. É um privilégio desfrutar daquela praia agradável e da nossa gastronomia. Isso tudo agora será mais acessível.

CM – Gostaria de falar da responsabilidade de estar num ministério criado por iniciativa pessoal do presidente Lula, e de a senhora ter sucedido o Walfrido dos Mares Guia. O sucesso de uma gestão está na equipe, parcialmente preservada, somada ao que a senhora trouxe de novos talentos para o Ministério?

MS – O ministro Walfrido foi uma sorte. Entrou num Ministério novo, chamando, com muita sensibilidade, as pessoas que trabalhavam na área. Foi através dos secretários de turismo dos governos, dos municípios e de todo trade, que se criou o Conselho Nacional de Turismo (CNT), com mais de 60 cadeiras representativas: todos pensando num plano para 2003-2007. Esse plano resultou num planejamento de marketing muito importante para o turismo. Agora, que estou entrando nesse setor, vejo como os países que têm o turismo desenvolvido trabalham. Eles não brincam em serviço: gastam fortunas em marketing. Dubai, que há quatro anos recebia menos de dois milhões de visitantes, hoje passou o Brasil. Tem uma propaganda gigantesca, linhas aéreas. O retorno do investimento em turismo é muito lucrativo e fabuloso. É uma atividade muito rápida: se o Produto Interno Bruto cresce a 3%, o turismo vai a 5, 6%. Se tem 4%, o turismo chega a 7, 8%. É uma área que requer investimento. Essa pesquisa encomendada pelo Mares Guia, possibilitando criar um novo Plano para 2007-2010, tornará o Ministério ainda mais profissional. Não temos ‘achômetro’, mas, sim, pesquisas. Por exemplo, no exterior, temos o Plano Aquarela, que revela os países em que mais devemos investir em propaganda. Argentinos, americanos, portugueses, italianos e alemães são os que mais visitam o Brasil. Vamos investir nosso plano de marketing na Argentina, nos Estados Unidos, em Portugal (com menos força) – já que de lá vêm 400 mil turistas. Temos um teto. Vamos manter nossas relações: agora, a TAP está realizando cinco vôos novos entre Lisboa e Brasília. Cinco para o Galeão, e outros três para São Paulo – totalizando quase 60 vôos de freqüência. É um ótimo mercado. Vamos agora para os ingleses e alemães, onde nunca investimos.

CM – A então prefeita de São Paulo, que introduziu o Eduardo Sanovicz na administração do Anhembi Eventos, agora o vê, com seu trabalho refletido em âmbito nacional, no Ministério. Conte-me um pouco dessa história.

MS – O Eduardo Sanovicz foi muito bom para o Anhembi. Colocou-o de pé, reformou-o em grande parte, e o fez sair do vermelho, gerando lucro. Ele foi convidado pelo Mares Guia para assumir a Embratur. Reorganizou toda a empresa de uma forma muito experiente. A Jeanine (Pires, atual presidente da Embratur) é um dos tesouros que ficaram. Tem muita experiência, é jovem e dinâmica. Fiquei contente de o Mares Guia não a ter levado, já que ela é de turismo, e ficou no Ministério. Nossa atual equipe não pode se esquecer do mercado interno. Se temos cinco milhões de pessoas que vêm visitar o Brasil – queremos aumentar -, temos também 50 milhões de brasileiros que viajam por aqui. Essa é a força da hotelaria e do turismo interno, que gera empregos e divisas. Isso atrai também pessoas de fora, que podem usufruir de uma rede hoteleira consolidada.

CM – O Márcio Favilla, que era o secretário Executivo do Ministério, pediu para lhe falar sobre a Secretaria Executiva e a própria estrutura do Ministério. Ele teve uma conversa de quase três horas com a senhora, e saiu do seu gabinete encantado com a sensação de que o trabalho teria continuidade. Essa é uma marca da Marta Suplicy, da época em que era apresentadora de TV – de não pré-conceitualizar, antes de tomar uma decisão correta?

MS – Temos de ter a humildade de saber que estamos entrando numa área que não entendemos. O Mares Guia escolheu as pessoas mais indicadas: o Sanovicz, que estava no Anhembi, o (Milton) Zuanazzi, que também é um homem do turismo. Chamou todo o trade e disse: “vamos trabalhar juntos”. Eu também chamei as pessoas corretas para conversar. O próprio ex-ministro também me pôs muito a par dos acontecimentos. A partir disso, você começa a ler, estudar e ouvir mais atentamente. Como ex-prefeita de São Paulo, tive a sensação de como o turismo teve um impacto. Tivemos aqui a Octad, maior evento da ONU. Foi difícil conseguir: a ONU tem exigências de segurança e espaço para realizar o seu evento, que são o “top do top”. Conseguir trazer esse tipo de evento para São Paulo e realizá-lo de forma exitosa foi importante para nós.

CM – É interessante o apartidarismo do setor turístico. A senhora esteve agora há pouco reunida com o prefeito de SP, o Gilberto Kassab…

MS – Como ministra, não tenho problemas com os organismos que tenho de trabalhar. A cidade de São Paulo tem mais números de eventos e recebe e emite mais turistas no Brasil. Na área de lazer, o Rio é mais significativo. Mas, se somarmos lazer e bussines em SP, essa cidade realmente ‘chama’ mais visitantes. A prefeitura é o coração disso tudo. Propomos a ele transformar o Campo de Marte num novo Anhembi, em comparação à Feira de Milão. Vamos investir no Anhembi também. Ele ficou encantado com a idéia de uma rodoviária na Zona Leste. O turismo que essa região tem simpatia é o de um dia, como o de visitações à Aparecida do Norte, por exemplo.

CM – A cidade de São Paulo é metropolitana. Tem uma dimensão geográfica estrondosa. Só que a política pau-istana se manifesta de maneira muito pequena. O que falta para mudar a cabeça dessas pessoas, no sentido de se pensar a cidade como ela realmente merece?

MS – As pessoas que moram em São Paulo têm consciência da importância da cidade. Quem está aqui pensa sempre a partir de uma perspectiva de metrópole cosmopolita. Nada aqui é pequeno. Conseguimos exercer impacto quando fizemos um bilhete único ou um CEU. Governar São Paulo é um desafio gigantesco. Voltar para cá é uma emoção boa. Agora o palácio do Anhangabaú é um orgulho. Vieram um pouco as lembranças difíceis de se lembrar: as decisões difíceis da prefeitura.

CM – Gostaria de mergulhar agora na sua experiência de mãe, mulher, gestora, no momento em que o turismo está sob gestão feminina no Senado, na Câmara, na Embratur, no Ministério e agora, que a Organização Mundial do Turismo terá a mulher no centro do debate de sua reunião.

MS – É uma coincidência feliz. O século 21 é o das mulheres. Podemos ter uma presidente na Argentina. No Chile, temos a Michele Bachellet. A Angela Merkel está fazendo um trabalho extraordinário na Alemanha. As mulheres aos poucos estão chegando lá. O Brasil é um país com muitos paradoxos nesse sentido, e eu estou feliz com o Ministério do Turismo.

CM – O seu nome poderia ser o escolhido para comandar o Brasil?

MS- Ainda é muito cedo para falar sobre isso e e eu estou feliz com o Ministério do Turismo.

CM – Recentemente, a imprensa congelou uma frase da senhora, utilizando-se politicamente de um tema, ofuscando o teor do próprio PNT. As entidades do setor se solidarizaram, pedindo que os jornais voltassem seus holofotes para o Plano. Como a senhora avalia esse episódio?

MS – A frase foi no sentido de que as pessoas não desistissem de viajar. É realmente como um parto: todos sofrem no aeroporto, mas depois tem a alegria imensa de viajar. Infelizmente a frase se transformou em tudo o que não quis dizer. Fiquei triste porque foi um dia de muita importância para o Ministério do Turismo. Mas o Plano para 2007-2010 acabou sendo pouco falado. É uma “Viagem de Inclusão”, para criar mais de 1 milhão e 700 mil empregos, com metas de divisas para o Brasil. Serão 65 regiões a serem consideradas como modelos de nosso desenvolvimento turístico. Temos muito mais que 65 – mas não temos recursos para investir em mais que isso, num primeiro momento. Depois, vêm os planos de agregar os estudantes, o trabalhador e o aposentado, para que possam conhecer o Brasil. O estudante só vê o País pelos livros ou pela TV. O presidente falou que Villa-Lobos ganhou de seu pai uma biblioteca grandiosa, mas ele preferiu vendê-la para percorrer o Brasil. Estendeu a viagem, influenciando enormemente a sua vida e composição musical. O estudante que viaja tem a janela aberta para o mundo. É um vivenciamento que muda a cabeça das pessoas.

CM – Alguns jornais foram refratários a uma agenda positiva. O trade se mobilizou para divulgar seu apoio a senhora, através de um comunicado público. O que a senhora sentiu ao perceber essa manifestação pública de apoio, em diferentes entidades do turismo?

MS – Senti que sou do mesmo time. Foi uma união, com uma solidariedade muito grande, de pessoas que estão na mesma equipe, dispostas a fazer com que o Ministério do Turismo cresça junto com o Brasil, levando o nome do nosso País a um patamar tão belo quanto sua beleza.

Cláudio Magnavita / JT

17/06/2007 - 20:10h Trade se mobiliza em apoio à ministra

Jornal de Turismo
Data: Sexta-feira, 15 de Junho de 2007 (12:37:09)
Tópico: Brasil

As entidades de classe se mobilizaram 24 horas depois do lançamento do Plano Nacional de Turismo para dar apoio público à ministra Marta Suplicy.

A mídia preferiu cristalizar um momento infeliz da entrevista, congelando alguns segundos de uma declaração que foi imediatamente seguida por um pedido formal de desculpas, do que abordar o teor do lançamento, que foi, sem dúvida, um dos eventos mais importantes do turismo politicamente.

Primeiro, foi a escolha da solenidade, ocorrida durante uma sessão do Conselho Nacional de turismo, fazendo parte da agenda original. Segundo, a presença do próprio presidente da República, de seis ministros, do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (em um dia de votação delicada) e das presidentes das Comissões de Turismo da própria Câmara, Lídice da Mata, e do Senado, Lúcia Vânia.

A reação dos dirigentes do trade de virar a página e fazer colocar o foco no que realmente interessa, o Plano Nacional de Turismo – que na sua segunda edição foi arduamente trabalhado no próprio Conselho de Turismo – foi madura, corajosa, altiva e demonstrou que a própria ministra, que é recém-chegada no setor, já ganhou a admiração e o respeito de todos, principalmente pela sua acertada decisão de seguir os princípios do plano de trabalho do seu antecessor, Walfrido dos Mares Guia, e de aprimorar as rotinas.

O Plano atual cobre uma lacuna histórica, a falta de um planejamento estratégico que pense o setor a médio e longo prazos. O que está escrito é o que deve ser seguido nos próximos anos. A sua leitura é uma missão obrigatória para todos aqueles que trabalham e dependem do setor. Muito mais do que um conjunto de metas é um conjunto de ações bem definidas e capazes de gerar 1,7 milhão de novos empregos. Só de divisas deverá proporcionar o ingresso de 7,7 bilhões de dólares; ao contrário do que muitos querem fazer acreditar. A missão principal do turismo interno é promover o ingresso de riquezas e não a sua evasão.

Perante o trade, a ministra sai fortalecida. O episódio e o embate com a imprensa serviram para consolidar e estreitar uma relação de confiança. O apoio que lhe foi hipotecado foi fruto de uma avaliação de seus primeiros meses no cargo, do perfil da equipe que montou e de uma atuação transparente. O Ministério não está sendo pensado a curto prazo, como muitos chegaram a pensar, mas de uma forma mais ampla, pelo menos até o fim do atual Governo.

O presidente Lula sempre se sentiu em casa nos eventos do turismo. Sempre teve pronunciamentos marcados pela descontração, foi assim nas duas Feiras da Abav e nos Salões do Turismo, só que desta vez o cenário foi Brasília e os algozes de plantão estavam a postos para cumprir uma pauta negativista. Foi neste cenário que o presidente se descontraiu e do fundo da alma arrancou o registro de como a imprensa brasileira vive uma fase de notícias negativas em excesso. O troco lhe foi dado em manchetes pejorativas e reclamando do excesso de informalidade.

Por descontração, a ministra Marta foi infeliz numa frase que, congelada, suplantou em repercussão para a sociedade civil o próprio teor do documento que estava sendo lançado. Nem o pedido de desculpas amenizou a ira e a sede de sangue. A critica do presidente à própria imprensa, realizada minutos antes, só aguçou o apetite e o que se viu é o desdobramento de um quadro de múltiplos interesses político-partidários.

A decisão do trade e das principais entidades de pedir que esta página fosse virada é sensata. Demonstra união, mobilização e maturidade. Um setor que não se acovarda e sai em defesa daqueles que ganharam o seu respeito.

Leia na integra a nota distribuída à imprensa pelas principais entidades do turismo:
“Como membros do Conselho Nacional de Turismo, por meio desta manifestação pública, queremos reafirmar o nosso respeito e consideração pela Ministra de Estado do Turismo Marta Suplicy.

Ela assumiu em março passado o cargo, que havia sido exercido com muita dedicação e sucesso pelo seu antecessor Ministro Walfrido dos Mares Guia. Na solenidade de posse, a Sra Ministra assinalou que daria continuidade aos programas e ações em desenvolvimento do setor e que buscaria o aperfeiçoamento do trabalho. Ela tem cumprido. Em pouco tempo conseguiu apresentar, discutir e aprovar junto à cadeia produtiva do turismo, a segunda edição do Plano Nacional de Turismo – PNT, que começou a ser elaborado ao término da gestão Mares Guia. Um trabalho, portanto, referendado por todos nós.

Queremos aqui, retomar a importância do PNT, um conjunto de metas e objetivos, que foram exaustivamente debatidos durante vários meses e que teve a participação de 100% de todo o nosso Conselho, um trabalho que ensejará, até 2010, 1,7 milhão de novos empregos, a geração de 7,7 bilhões de dólares de divisas e conseqüentemente enormes benefícios ao país.

Esperamos que o resgate destas informações e da dimensão do Plano Nacional de Turismo possam ser compreendidos em sua plenitude, até porque o seu lançamento contou com a presença do próprio Presidente da República, seis Ministros de Estado, oito Governadores, Parlamentares, Corpo Diplomático e da sociedade civil.

Brasília, 14 de junho de 2007

João Martins Neto
Presidente da Abav – Associação Brasileira de Agências de Viagens
Norton Luiz Lenhart
Presidente da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares
José Eduardo Barbosa
Presidente da Braztoa – Associação Brasileira de Operadoras de Turismo
Paulo Solmucci
Presidente da Abrasel- Associação Brasileira de Bares e Restaurante
Eraldo Alves da Cruz
Presidente da ABIH – Associação Brasileira da Industria de Hotéis
Cláudio Magnavita Castro
Presidente da Abrajet – Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo
Apostole Lazaro Chryssafidis
Presidente da Abetar – Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional
Allain Baldacci
Sindepat – Sindicato Nacional de Empresas de Parques e Atrações Turísticas
Dárcio Bertocco
Ubrafe – União Brasileira de Promotores de Feiras
Margareth Caron Sobrinho Pizzatto
Abraccef – Associação Brasileira de Centros de Convenções e Feiras
Alexandre Zubaran
Associação Brasileira de Resorts (Resorts Brasil)
Roberto Dultra
Associação Brasileira de Turismo Receptivo Internacional – Bito
Sávio Neves Filho
Presidente da Abottc – Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais”
Cláudio Magnavita – presidente da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo (Abrajet), membro do Conselho Nacional de Turismo e diretor do Jornal de Turismo