29/09/2008 - 12:42h O Estadão desinforma
O Estadão embarcou de vez na campanha, não só contra Alckmin, mas também e prioritariamente contra Marta.
Além do espaço usado por colunistas, como Ethevaldo Siqueira, para propalar dados sem fundamento e acusar Marta de propaganda enganosa em relação a proposta de internet sem fio. Artigos com informações sabidamente erradas são publicados visando a manipular e desinformar os leitores.
Hoje, por exemplo, na questão do metrô o Estadão e seu “expert” de serviço afirmam:
“Para cumprir sua promessa, a candidata precisará de R$ 8,6 bilhões em quatro anos só para o Metrô. “Isso significa quase três anos do orçamento da Prefeitura para investimentos em todas as áreas”, diz o economista Odilon Guedes.”
Ambos fingindo ignorar que a proposta de Marta é:
PREFEITURA – 490 milhões de reais/ano.
ESTADO – 980 milhões de reais/ano
E UNIÃO – 490 milhões de reais/ano, totalizando 1,960 bilhão ao ano.
Ou seja o valor total não é do orçamento da prefeitura, que aportará em 4 anos R$ 2 Bilhões e não 8, como pretende a comparação fajuta.
Em outro lugar do artigo é reconhecido que a proposta de Marta implica aportes das três instâncias, municipal, estadual e federal, para pretender a seguir, que o governo federal não dará o dinheiro.
Tudo precedido de afirmações do tipo: não dá para fazer tanto, se 31 anos foram necessários para o que existe hoje. Típico argumento dos que conformados com o descaso na expansão do metrô na cidade em vez de criticar os responsáveis por não investir, criticam os que querem atacar o problema de vez.
Para esses doutores do “não dá” fica a pergunta: porque Hong-Kong em 2 anos conseguiu construir mais de 80 Km de metrô? Porque Shanghai, em 13 anos construiu 228,4 km de metrô? Porque Madri conseguiu em 4 anos construir 81,3 km de novas linhas?
Porque os redatores, editores, “experts” e demais detratores não levaram em conta ao redigir os ataques contra Marta, o que o próprio jornal publicou sobre o metrô de Madri? Vou refrescar-lhes a memória:
“Estudos feitos pela Direção de Gerência do Metrô de Madri, na Espanha, mostraram que investimentos na ampliação da malha metroviária pelo mundo custam, em média, US$ 120 (R$ 204 milhões) por quilômetro. Com a prática de projetos, gerência e administração feitos por um consórcio que envolve vários níveis de governo - a iniciativa privada e até mesmo sindicatos -, os espanhóis conseguiram reduzir os valores de construção em cerca de 30%.
Para ampliar as linhas locais, esse metrô espanhol desembolsou, em média, US$ 42 milhões (R$ 71,4 milhões) por quilômetro, incluindo a compra dos trens - custo duas vezes e meia menor do que em São Paulo. “Os fatores que contribuem para o êxito de Madri são políticos, econômicos, de gestão e técnicos”, explicou o diretor da companhia madrilenha Aurelio Garrido. Na semana passada, ele esteve em São Paulo para participar de um seminário promovido pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (Aeamesp).
Com investimentos maciços, a demanda de passageiros cresceu em Madri. Em 1995, os trens transportavam cerca de 1,5 milhão de passageiros por dia. Atualmente, 2,6 milhões de pessoas utilizam diariamente o moderno sistema metroviário da região metropolitana da capital espanhola.
O desafio da expansão, segundo o técnico, era fazer tudo num curtíssimo prazo. Após a criação do Consórcio de Transporte de Madri, a decisão foi ampliar a rede, incluindo o chamado metrô de superfície. Na expansão, entre 1995 e 2003, foram feitos 40 quilômetros - 20 deles entre 1995 e 1999. Foram gastos US$ 1,59 bilhão, incluindo o valor dos trens.
O projeto de expansão 2003-2007 ainda está em andamento. Estão previstos 81,3 km de novas linhas, ao custo de R$ 11,3 bilhões - R$ 139,1 milhões por quilômetro. O valor se refere à construção de 80 estações e à compra de dez equipamentos para escavar os túneis, os “tatuzões”. “Com planejamento, o custo da mobilidade por passageiro por quilômetro é mais baixo”, destacou Garrido.” (O Estado de São Paulo 8-9-2008 com informações de Bruno Tavares, Eduardo Reina e Renato Machado, de O Estado de S. Paulo)
Por último, apesar de ter herdado uma prefeitura quebrada e com o transporte destruído, Marta construiu em 4 anos mais de 100 km de corredores, com estações de transferência, 10 terminais e o Bilhete-Único. Hoje com dinheiro, -a prefeitura conta com R$ 10 bilhões a mais em valores atualizados-, porque não seria possivel construir o dobro de corredores além de destinar R$ 490 milhões para o metrô? A questão do trânsito não é uma questão crucial com um custo gigantesco para a economia da cidade, para a saúde e para o meio-ambiente?
A seguir o artigo do Estadão. LF

Propostas param na viabilidade orçamentária
Verba dificulta cumprimento de boa parte das promessas dos candidatos
Adriana Carranca - O Estado de São Paulo
Na briga pela Prefeitura de São Paulo, os candidatos fazem promessas para a área dos transportes que não sabem se poderão cumprir, se eleitos. Marta promete 47 quilômetros de metrô - o que, no ritmo de investimentos e obras até hoje, de 1,5 quilômetro por ano, em média, levaria 31 anos e não uma gestão para acontecer. Iniciado na década de 1970, o Metrô de São Paulo tem só 61 quilômetros.
Para cumprir sua promessa, a candidata precisará de R$ 8,6 bilhões em quatro anos só para o Metrô. “Isso significa quase três anos do orçamento da Prefeitura para investimentos em todas as áreas”, diz o economista Odilon Guedes. E isso considerando-se R$ 180 milhões por quilômetro de linhas, média usada por especialistas, mas que muitos acreditam ser subestimada. Os 4,3 quilômetros de expansão da Linha 2-Verde, entre o Alto do Ipiranga e Vila Prudente, por exemplo, estão orçados em R$ 2 bilhões, segundo o BNDES, que financia 80% da obra. Ou seja, R$ 465 milhões por quilômetro. A candidata promete, ainda, fazer 228 km de corredores de ônibus, para os quais seria necessário outro R$ 1,1 bilhão.
Marta pretende cumprir tal façanha com a ajuda do governo federal, mas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não há verba prevista para o Metrô de São Paulo. A alternativa seria o BNDES. “Marta aposta na proximidade com Lula, mas não tem como garantir que o dinheiro virá”, diz o economista Cícero Yagi, do grupo de orçamento da ONG Movimento Nossa São Paulo, que criou o projeto de lei, aprovado na Câmara em 2007, obrigando os prefeitos a apresentarem um plano de governo em 90 dias.
O valor prometido por Kassab para o Metrô, de R$ 1 bilhão, é “mais plausível”, segundo Yagi. Mas, ainda assim, representa mais do que o dobro do orçamento municipal para a área de transportes neste ano, de R$ 485 milhões. “Além disso, fatores como desapropriações atrasam e encarecem as obras, o que dificulta o cumprimento de promessas como esta”, diz. Do R$ 1 bilhão anunciado por Kassab neste ano no Metrô, só 30% foram liquidados até o fim de agosto. O atual prefeito quer, ainda, investir no Rodoanel, fazer “dezenas de obras para facilitar o trânsito”, modernizar a Companhia de Engenharia de Tráfego, ter novos ônibus e terminais. Sem mudar a tarifa de R$ 2,30, o que não lhe dá alternativa senão aumentar subsídios.
Mas, assim como os demais candidatos, ele não diz de onde virão os recursos. “Em 2008, um dos melhores em arrecadação, a Prefeitura teve só R$ 3,2 bilhões para investir. Em tudo: creches, escolas, postos de saúde, hospitais, habitação”, diz Yagi. “A conta não fecha.” A proposta de Alckmin é similar à dos concorrentes, mas mais “vaga”, assim como as de Soninha e Ivan Valente. Os especialistas rechaçaram a freeway sobre as Marginais, proposta de Maluf. “Nenhum cidade melhorou a circulação com obras viárias”, diz Jaime Waisman, do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP.


Os diversos temas que foram abordados no debate ontem, na Band, tiveram tratamento aqui no blog. 












