15/09/2008 - 10:04h Alckmin é vítima de traição explícita em SP

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O vereador Adolfo Quintas, meses atrás, durante inauguração de obra da CPTM, junto com seus padrinhos políticos Kassab e José Serra

Enquanto candidato tucano fazia carreata, vereador do partido apoiou evento de Kassab no mesmo bairro

Tatiana Farah - O Globo

SÃO PAULO. A crise vivida no PSDB paulista, que vem dificultando a campanha do tucano Geraldo Alckmin em busca da prefeitura de São Paulo, teve ontem mais um capítulo com um caso de traição explícita. O vereador tucano Adolfo Quintas organizou um encontro de mulheres da região com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) num restaurante, enquanto Alckmin fazia carreata no bairro.

Quintas lotou o evento próKassab com nove vans, um microônibus e diversos carros enfeitados com os adesivos de sua campanha e a logomarca do PSDB. Também havia dois ônibus fretados com pessoas usando camisetas de apoio ao vereador.

Kassab e Quintas disseram que o encontro foi proposto pelos comerciantes e pelo dono do restaurante, mas pessoas ouvidas pelo GLOBO disseram ter sido chamadas por Quintas.

Ao mesmo tempo em que despejava as vans da campanha no evento de Kassab, Quintas marcou presença com um solitário carro adesivado na carreata de Alckmin.

— Isso é uma questão para o partido. Não vou comentar — disse Alckmin, ao saber da traição do vereador.

O coordenador da campanha de Alckmin, deputado Edson Aparecido, disse que não vai apelar ao Tribunal Regional Eleitoral, mas reclamou: — A lei eleitoral proíbe fazer campanha de candidato de outro partido. Esse tipo de coisa é gravíssimo; e o TRE não deveria fechar os olhos. Eles (os adeptos de Kassab) estão comprometendo o PSDB. O partido precisa ver se vai continuar convivendo com isso, ou se vai resolver. Espero que resolva.

Segundo as últimas pesquisas, Alckmim vem perdendo terreno para Kassab, na luta por um lugar no segundo turno. Segundo o Ibope, Kassab subiu nove pontos e chegou a 21%, empatando com Alckmin, que caiu um ponto. A pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, mostra Kassab com 21% e Alckmin, com 20%. Em ambas, a petista Marta Suplicy lidera.

02/09/2008 - 23:40h Sentença judicial: propaganda de Kassab proibida por “iludir eleitor” e a do Maluf por “trucagem”

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Coligação Uma Nova Atitude para São Paulo (PT-PCdoB- PDT- PSB- PRB-PTN)

Nota à Imprensa

TRE proíbe “o Presidente já tá junto”, de Kassab, e trucagem de Maluf

A veiculação de material publicitário “o Presidente já tá junto” do candidato da Coligação São Paulo No Rumo Certo está proibida, sob pena de pagamento de multa, conforme liminar assinada pelo juiz eleitoral, Marco Antonio Martin Vargas.

A sentença afirma que a publicidade de Kassab apresenta “evidente intenção de iludir e viciar a avaliação do eleitor, induzindo-o em erro”.

O juiz ainda determina que os representantes de Kassab abstenham-se de veicular novamente a propaganda sob análise, com a expressão ‘o Presidente já tá junto’, sob pena de incidir em multa de R$1000,00 (mil reais) para cada nova inserção”.

Trucagem

Em outra decisão da Justiça Eleitoral, o juiz Claudio Luiz Bueno de Godoy, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, deferiu liminar em representação impetrada pelos advogados da Coligação Uma Nova Atitude para São Paulo (PT-PCdoB-PDT-PSB-PRB-PTN), determinando que a campanha do candidato Paulo Maluf não veicule mais trucagem ou montagem que possa degradar candidato ou desvirtuar a realidade.

23/08/2008 - 14:51h Crivella, Jandira e Paes estão empatados no Rio, diz Datafolha

da Folha Online

A disputa pela Prefeitura do Rio está embolada entre Marcelo Crivella (PRB), Eduardo Paes (PMDB) e Jandira Feghalli (PC do B). Crivella tem 20% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada hoje no “RJTV”, da TV Globo –pesquisa completa será publicada na edição deste domingo da Folha.

Paes tem 17% das preferências. E Jandira aparece com 15%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, os três estão tecnicamente empatados.

Também há empate técnico entre Fernando Gabeira (PV) e Solange Amaral (DEM): ele aparece com 8% e ela com 7%. Chico Alencar (PSOL) e Alessandro Molon (PT) aparecem com 4%, cada um.

A pesquisa foi realizada na quinta e sexta-feira com 928 eleitores. E foi registada no TRE (Tribunal regional Eleitoral) sob o número RPE 22/2008.

Num eventual segundo turno, Crivella perderia tanto para Jandira quanto para Paes. Contra Jandira, ele perderia de 35% a 47%. Contra Paes, ele teria 33% contra 47% do peemedebista.

O material completo da pesquisa está na edição da Folha deste domingo, que está nas bancas na tarde deste sábado.

08/08/2008 - 18:06h Marta é primeira dos favoritos a aparecer no horário eleitoral

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A Justiça Eleitoral definiu na tarde desta sexta-feira o tempo de propaganda na televisão e no rádio dos candidatos a prefeito e vereador em São Paulo. Gilberto Kassab (DEM) terá o maior tempo: 8m44s73, seguido por Marta Suplicy (PT), com 6m40s75.

Em seguida vêm Geraldo Alckmin (PSDB), com 4m27s42; Paulo Maluf (PP), com 2m30s46; Soninha Francine (PPS), com 1m46s01; Ciro Moura (PTC), com 1m03s91; Ivan Valente (PSOL) e Renato Reichmann (PMN), ambos com 1m01s57; Edmilson Costa (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Anaí Caproni (PCO), com 54s55.

A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, será a primeira, entre os favoritos, a aparecer na estréia da propaganda eleitoral gratuita, no próximo dia 19, determinou sorteio realizado nesta sexta-feira no TRE.

Nos programas seguintes será feito um rodízio de aparição entre os candidatos. No rádio, a veiculação da propaganda eleitoral será das 7 às 7h30 e das 12 às 12h30. Na TV, das 13h às 13h30 e das 20h30 às 21h. A propaganda para prefeitos será as segundas, quartas e sexta-feiras, e para vereador, terças, quintas e sábados. Também haverá 30 minutos diários para a veiculação de inserções de até 60 segundos para candidatos a prefeito.As informações são do G1 e UOL.

30/07/2008 - 00:05h AMB põe Kassab em lista de candidatos com ‘ficha suja’

“Kassab na ‘lista suja’ não muda minha avaliação sobre essa lista, que considero um equívoco”, diz Marta (portal G1 - Globo)

 

AMB põe Kassab em lista de candidatos com ‘ficha suja’

FELIPE RECONDO - Agencia Estado

http://ecomunicacao.files.wordpress.com/2007/11/coletiva-kassab2.jpg BRASÍLIA - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, foi incluído hoje na lista de candidatos com “ficha suja” divulgada pela Associação de Magistrados Brasileiros (AMB). Kassab responde a uma ação civil pública por improbidade administrativa. Em primeira instância, ele foi condenado, mas recorreu. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reformou a decisão e absolveu Kassab. O Ministério Público (MP) recorreu dessa decisão do TJ-SP e ainda aguarda o novo julgamento.O prefeito de São Paulo ficou de fora da primeira lista da AMB, divulgada na semana passada. A assessoria da AMB explicou que, ao fazer o levantamento dos candidatos com processos na Justiça, identificou a ação contra Kassab como civil pública, sem detalhes. A entidade resolveu deixá-lo de fora porque havia decidido que só entrariam na relação os candidatos que respondessem a ações penais cujo titular é o MP.

“O nome do candidato não constou, num primeiro momento, do levantamento realizado pela AMB em virtude de o site do TJ-SP não ter disponibilizado informações referentes à natureza do processo. No caso desta ação, consta da página na internet apenas a seguinte informação: ação civil pública”, explicou a AMB na lista disponível na internet.

Quando divulgou a primeira lista, sem o nome de Kassab, a AMB enfatizou que havia feito uma análise cuidadosa dos processos existentes contra todos os candidatos. “Para evitar qualquer tipo de erro, nesta primeira parcial dos nomes dos candidatos, a AMB realizou uma sondagem bastante criteriosa, com a checagem individual nos Tribunais de Justiça Estaduais, Tribunais Regionais Federais (TRFs), Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), além do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF)”, informou.

Uma pesquisa mais acurada, porém, mostrou que a ação era por improbidade administrativa. A ação, portanto, estaria dentro dos parâmetros exigidos pela AMB. Kassab responde a processo movido pelo MP, porque em 1997, quando era secretário de Planejamento do então prefeito Celso Pitta, teria se promovido com dinheiro público ao fazer publicidade em jornais de grande circulação para se defender de denúncias feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Títulos Públicos.

09/07/2008 - 11:02h Erundina anuncia apoio a Marta

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Cristiane Agostine - VALOR

Ex-prefeita e uma das fundadoras do PT, a deputada federal Luiza Erundina (PSB) declarou ontem apoio à candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, e defendeu a extensão da aliança entre o PT e os partidos do bloco de esquerda para 2010. “Marta, conte comigo”, discursou a ex-petista, que se desligou da sigla em 1997.

Depois de receber homenagens de petistas em um seminário sobre habitação organizado pelo partido, Erundina demonstrou que estava satisfeita com o apoio do PSB, juntamente com o PDT e PCdoB à Marta. “A composição das forças democráticas e populares em torno da tua candidatura (de Marta Suplicy), de um projeto para São Paulo, sem dúvida nenhuma tem uma dimensão política, tem um componente político que vai para além de 2008. Transborda para 2010 e politicamente marca o processo político nacional”, disse.

“Eu discutia, eu defendia que aqueles partidos que compõe o chamado bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) estivessem em uma aliança com o PT, com Marta, para que se pudesse configurar um outro campo político ideológico”, discursou a deputada. Na eleição passada, Erundina não apoiou Marta no primeiro turno e saiu candidata.

Ontem, Erundina foi muito aplaudida por uma platéia de cerca de 400 pessoas, composta por militantes petistas, lideranças de movimentos sociais, políticos e estudantes. Marta Suplicy elogiou as ações da hoje socialista e lembrou das dificuldades enfrentadas quando Erundina foi prefeita. “Quero lembrar que há 20 anos São Paulo elegeu uma mulher nordestina e do PT”, comentou Marta.

A deputada, visivelmente emocionada, começou seu discurso falando as negociações de seu partido com o PT e depois disse que não “precisava ser vice-prefeita”. “Mas eu queria um governo de esquerda”, explicou. Ela foi convidada para compor a chapa de Marta, mas seu partido não aceitou o cargo de vice. “Estou absolutamente tranqüila e feliz de a decisão ter sido não aquela que eu defendia, mas a mais correta e justa para São Paulo”, ponderou. O vice de Marta é o deputado Aldo Rebelo, do PCdoB.

Ontem, Marta teve outra boa notícia: por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) acolheu recurso e revogou a decisão de primeiro grau que a multou e à empresa Folha da Manhã, por entender que houve propaganda antecipada em uma entrevista concedida pela petista à “Folha de S.Paulo”. O TRE também cancelou por unanimidade multa contra a Editora Abril, por entrevista à revista “Veja São Paulo”.

Segundo o relator do recurso movido pela “Folha”, desembargador Walter de Almeida Guilherme, as questões citadas na sentença de primeiro grau ficaram “prejudicadas” depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicar uma nova resolução, modificando a disposição sobre propaganda eleitoral que deu margem para as ações contra veículos de comunicação.

Os ministros do TSE revogaram o artigo 24, que proibia os pré-candidatos de “expor propostas de campanha” antes do início da campanha, e criaram um novo artigo que diz: “Os pré-candidatos e candidatos poderão participar de entrevistas, debates e encontros antes de 6 de julho de 2008″.

Depois do voto do relator, o juiz Paulo Octávio Baptista Pereira fez questão de dizer que também votaria pela retirada da multa mesmo sem a nova resolução do TSE. A entrevista de Marta à “Folha” foi publicada no dia 4 de junho e à “Veja São Paulo” ? , na edição de 4 a 11 de junho. (Com agências noticiosas)

18/06/2008 - 11:35h Porque a censura?

Estas entrevistas na Folha de São Paulo e na Veja São Paulo são condenadas pela justiça eleitoral

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Esta entrevista de Gilberto Kassab na Folha de São Paulo não é questionada pela justiça eleitoral

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E esta entrevista de Geraldo Alckmin, também na Folha de São Paulo não é questionada pela justiça eleitoral

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Porque?

18/06/2008 - 10:32h Juiz proíbe entrevistar candidato. Para Saulo Ramos, decisão é totalmente equivocada e fruto de ignorância

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Magistrado pune jornais e Marta Suplicy e provoca forte reação de juristas

Tatiana Farah e Carolina Brígido - O GLOBO

Ojuiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Francisco Carlos I. Shintate, condenou ontem a “Folha de S.Paulo” e a revista “Veja São Paulo” por propaganda eleitoral extemporânea pela publicação de entrevista com a ex-ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT), no último dia 4. O juiz entendeu que, como Marta é pré-candidata a prefeita pelo PT, a entrevista fere a lei eleitoral. A decisão causou protestos de juristas e entidades jornalísticas, que viram na medida uma forma de censura e ameaça à liberdade de imprensa.

Cada veículo foi condenado a pagar multa de R$ 21.282. A ex-ministra foi multada em R$ 42.564. O juiz acolheu as representações contra a Folha da Manhã S/A, empresa que publica a “Folha”, e a Editora Abril, que publica a “Veja”, movidas pelo promotor Eduardo Rheingantz. Para Shintate, as reportagens “exorbitaram do mero interesse jornalístico, exercida a liberdade de informação de modo inadequado, a ponto de caracterizar propaganda eleitoral extemporânea”.

O juiz Shintate argumenta que o princípio constitucional da liberdade de imprensa colide com a igualdade dos candidatos: “A publicação de entrevista em mídia escrita poderia violar a igualdade entre os pré-candidatos ao permitir que um deles expusesse, antes dos demais e fora do período permitido, sua pretensão de concorrer ao cargo, sua plataforma de governo, enaltecendo suas qualidades e realização passadas, criticando as ações do atual governo e imputando qualidades desfavoráveis aos adversários”.

O advogado da “Folha” Luís Francisco Carvalho Filho informou que vai recorrer: — A expectativa é que a decisão seja modificada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Considero a sentença absurda. Ela transforma o período eleitoral em um período de exceção, em que não existe mais liberdade de imprensa.

Segundo o advogado, a “Folha” já havia entrevistado o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governador de São Paulo, quando ele decidiu se candidatar. No sábado, o entrevistado foi o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

— As entrevistas são realizadas de acordo com o interesse jornalístico. A única questionada na Justiça foi esta. Confundir entrevista com propaganda é elementar. A entrevista questiona Marta criticamente — disse o advogado.

Para ele, o problema é a forma como a Justiça Eleitoral vê os eleitores: — A Justiça Eleitoral trata o eleitor como incapaz.

Quer, num período em que deveria existir maior liberdade de manifestação, que os órgãos de imprensa sejam limitados no seu exercício do direito de informar. Uma representação como essa ser acolhida, nunca vi acontecer. Foi uma surpresa ruim. Acreditamos que seja revertida no TRE. Do contrário, é uma decisão muito perigosa para a liberdade de imprensa.

A Abril afirmou que não contrariou a lei, que vai recorrer da decisão e que continuará a publicar entrevistas com os pré-candidatos a prefeito.

“Trata-se de material jornalístico, de interesse público, conforme tradição que vem se repetindo nos anos eleitorais por toda a mídia brasileira, durante o presente regime democrático.

Mesmo durante os anos do regime de exceção inaugurado em 1964 não se privou o cidadão de informações relevantes sobre os candidatos a cargos eletivos”, disse a Abril em nota.

Presidente do TSE pede cuidado a juízes e jornais

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, recomendou que juízes eleitorais tomem cuidado para não pôr em risco a liberdade de informação ao condenar jornais e revistas pela publicação de entrevistas com pré-candidatos. Evitou comentar a decisão que puniu os veículos e Marta.

— A Justiça Eleitoral deve tomar cuidado com esse tipo de questão para não colocar em risco o direito à liberdade de informação, que, no Brasil, tem o mais alto lastro constitucional. Traduz o direito de informar, se informar e ser informado.

A imprensa é quem melhor cumpre esse papel.

O ministro afirmou que, neste caso, a Justiça deverá analisar se houve excesso da imprensa ao divulgar pontos positivos sobre Marta. E lembrou que nenhum órgão de imprensa está proibido de entrevistar pré-candidatos.

— É preciso examinar se o jornal se conteve nos limites da informação ou enveredou no caminho da propaganda antecipada. Não está proibido fazer entrevistas com supostos candidatos.

Mas é preciso que a entrevista não traduza propaganda eleitoral. O candidato pode transmitir idéias. O que ele não pode é antecipar plataforma de governo. É muito delicado — ponderou.

Para ele, quando um candidato faz muita propaganda de si mesmo, o jornalista deveria cortar parte da entrevista, sem prejudicar o conteúdo: — O jornal pode podar um pouco a entrevista sem adulterá-la, para não incidir no risco de promover propaganda eleitoral antecipada.


Entrevista não é propaganda’
Para Saulo Ramos, decisão é totalmente equivocada e fruto de ignorância

SÃO PAULO. “Desde quando entrevista em jornal é propaganda eleitoral?”. A pergunta é do ex-ministro da Justiça Saulo Ramos. O jurista de 78 anos, autor de “Código da vida”, protestou ontem contra a decisão do juiz eleitoral de São Paulo: — É uma rapaziada (juízes eleitorais) que não estuda bem o Direito. Entrevista em jornal não é propaganda eleitoral nem antes nem depois da lei (eleitoral). A liberdade de expressão do jornal é total. Porque a liberdade de expressão garantida na Constituição não tem essa limitação de lei de propaganda.

Propaganda é outra coisa. Propaganda é quando o cigarro faz.

Uma entrevista para saber as idéias de uma pessoa, embora ela seja política, ou no futuro seja candidata, não significa propaganda eleitoral.

Jurista acredita que TRE reformará sentenças Para Saulo Ramos, as representações do Ministério Público Eleitoral de São Paulo e as sentenças do juiz da 1aZona Eleitoral não são apenas uma ameaça à liberdade de imprensa: — É um equívoco mesmo. É falta de estudo. Eles assistem a muita televisão e lêem poucos livros.

É uma questão de senso comum.

Até os leigos sabem disso.

Entrevista não se confunde com propaganda. Pode difundir o candidato, mas não é propaganda — disse ele.

O ex-ministro crê que as sentenças serão reformadas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE): — Não há dúvida disso.

Saulo Ramos deixa ainda um conselho aos jornalistas: — Não tem nada (de censura).

Usem a liberdade como quiserem, respeitando, é claro, o direito à honra e à privacidade.

A liberdade de imprensa não deve se intimidar.

Ela está muito bem assegurada na Constituição.

A decisão da Justiça Eleitoral também foi criticada pelo diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, para quem o juiz auxiliar da 1aZona Eleitoral de São Paulo, Francisco Carlos I. Shintate, teve uma interpretação “bastante estrita” da lei, assim como o Ministério Público Eleitoral, que apresentou as denúncias contra a “Folha de S.Paulo” e a “Veja São Paulo”.

— Não é crível que o jornal e a revista tenham tido a intenção de favorecer alguém.

Tudo isso me parece uma coisa completamente descabida. É um mecanismo para dificultar o acesso das pessoas a informações sobre os pré-candidatos — disse ele.

Claudio Abramo analisou pontos diferentes da sentença do juiz Shintate, que afirma que a entrevista foi extemporânea (fora de época) e, ao mesmo tempo, não teria tratado os candidatos com igualdade.

“É necessário ter bom senso, ou, pelo menos, senso mínimo” Nas duas situações, o juiz diz que a entrevista é uma “típica propaganda direta (ausente apenas a indicação do número da candidata), explícita e extemporânea, dirigida a todos os eleitores”.

— Se era para saber se os précandidatos seriam tratados igualmente, seria o caso de a Justiça esperar um pouco para ver se os demais candidatos seriam entrevistados ou não. Mas o problema é que a entrevista está sendo tratada como propaganda.

É necessário ter bom senso, ou, pelo menos, senso mínimo — disse Abramo.

Ele apontou diferenças no comportamento da Justiça Eleitoral: — Essa medida contra a imprensa vem ao mesmo tempo em que o Tribunal Superior Eleitoral não deu provimento ao que pediu o TRE da Paraíba de impedir candidatos que sejam meliantes de participar das eleições.

17/06/2008 - 19:36h ANJ critíca decisão da justiça de acolher representação do MP contra Folha, Veja e Marta

“A Associação Nacional de Jornais (ANJ) protesta com veemência contra a decisão do juiz auxiliar da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Francisco Carlos Shintate, de acolher representações propostas pelo Ministério Público contra a Folha de S.Paulo e a “Veja”, em função de entrevistas concedidas pela pré-candidata a prefeita de São Paulo Marta Suplicy.

A decisão do juiz de multar os veículos de comunicação constitui uma clara violação ao direito constitucional da liberdade de expressão. Não é possível considerar como propaganda eleitoral aquilo que, obviamente, é matéria jornalística. Isto é subestimar a capacidade de discernimento dos leitores e dos cidadãos. Não é possível também, em desrespeito ao que determina a Constituição e ao espírito de um regime democrático, determinar aquilo que a imprensa pode ou não publicar. Isto é censura.

A ANJ espera que a Justiça Eleitoral reveja essa absurda decisão. Se mantida, estará decretando o fim da liberdade de imprensa.

Brasília, 17 de junho de 2008
Júlio César Mesquita
Vice-Presidente da ANJ
Responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão.”

17/06/2008 - 15:41h Ameaça à democracia

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‘A imprensa só é boa porque tem liberdade’

Historiador diz que representação por entrevista com Marta Suplicy significa grave ameaça à democracia

O GLOBO ENTREVISTA

Marco Antonio Villa

Para o historiador Marco Antonio Villa, se a Justiça acolher a representação do Ministério Público Eleitoral que classifica como propaganda eleitoral uma entrevista da ex-ministra Marta Suplicy concedida à “Folha de S.Paulo” no início deste mês, será um sinal de que “acabou a liberdade de imprensa” no país. Leitor dos principais jornais brasileiros, além dos regionais do Nordeste, Villa avalia que a imprensa “não precisa de tutela” e que tampouco os leitores brasileiros dariam uma chancela à imprensa sem leitura crítica.
Professor de história da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), autor do livro “Jango, um perfil (1945-1964)” e das coleções de história do Instituto Teotônio Vilela (1999-2001), Marco Antonio Villa disse ao GLOBO acreditar que a representação movida contra a “Folha” não deverá ser julgada procedente pela Justiça. Marta é pré-candidata a prefeita, e o Ministério Público Eleitoral quer punir o jornal por entrevistála antes da abertura oficial da campanha.

Tatiana Farah
SÃO PAULO

O GLOBO: Qual a sua opinião sobre a representação movida contra a “Folha”?

MARCO ANTONIO VILLA: É um verdadeiro absurdo. É bater de frente com a liberdade de imprensa e com o direito do cidadão de ser devidamente informado em relação a sua opção para uma possível candidatura à prefeitura, ao governo do estado, à Presidência da República.Se começar a fazer limitações em relação a isso, o perigo é, se isso virar jurisprudência, em 2010 a imprensa passar a ter um papel extremamente limitado, o que é danoso para a democracia.

A imprensa brasileira tem sido vítima de tentativa de censura de vários setores.
De um setor religioso, e agora essa representação eleitoral.Isso acontece por ser um momento especial ou acontece o tempo todo?

VILLA: Isso foi uma coincidência.Especialmente porque é um ano eleitoral. As representações acabam tendo uma vinculação direta ou indireta com o processo eleitoral. Isso vai virar uma prática em anos pares. Por isso é importantíssimo um posicionamento radicalmente contrário em relação à punição.Porque pode abrir um precedente perigosíssimo. Daqui a pouco, a imprensa vai pautar suas matérias pedindo autorização ao Ministério Público, né? O direito à liberdade de imprensa está garantido na Constituição, que completa agora 20 anos.Ela (a Constituição) tem muitos defeitos, mas muitas qualidades.E uma das qualidades é justamente a garantia das amplas liberdades.

O senhor é um leitor assíduo de jornais…

VILLA: Eu leio todos. Desde pequenino. Sou tão fanático que, logo depois de aprender a ler, já estava lendo jornal.E devo minha formação, em grande parte, às leituras de jornais e revistas. Eu me lembro de reportagens de 40 anos atrás. Uso como fonte histórica, no meu trabalho.Leio os principais jornais e alguns do Nordeste, além do “El País”.

Em sua opinião, os jornais que o senhor lê, de uma maneira geral, precisam desse tipo de tutela do Ministério Público?

VILLA: Acho que o Ministério Público tem muita coisa com o que se preocupar, coisas extremamente relevantes,que ocorrem no país.
Com o que ele não deve se preocupar é justamente a imprensa. Uma das boas coisas que o país tem é a imprensa. E só é boa porque tem liberdade. Com censura, com repressão, não tem como fazer uma boa imprensa.
Causa profunda estranheza essa preocupação do Ministério Público, quando há coisas profundamente lesivas, como lesões ao erário público, aos direitos humanos.

Nesse caso foi o Ministério Público Eleitoral…

VILLA: No caso do eleitoral, tem coisas graves que envolvem as eleições. Uma coisa que chama a atenção é a apresentação das contas dos candidatos. Acho que foi o presidente do TRE em São Paulo que recentemente deu uma entrevista dizendo que não acredita naquelas prestações de contas. E uma das razões da corrupção no Brasil é a existência dos caixas dois, que financiam as campanhas eleitorais.Então, acho que, se o Ministério Público estivesse mais preocupado com isso, seria extremamente mais relevante para o país do que estar preocupado com censurar a imprensa.

O senhor avalia que o leitor brasileiro não tem senso crítico?

VILLA: Ainda não é o ideal, mas há um senso crítico por parte dos leitores, mesmo daqueles que lêem rapidamente a notícia na banca de jornal. Hoje você tem uma visão crítica em relação a isso.Achar que o leitor está simplesmente passando uma chancela em qualquer coisa que lê, sem ter a mínima criticidade, não me parece verdadeiro.

Estamos nesta fase pré-eleitoral em que ninguém é candidato de fato, mas qualquer político, dentro das especificações do TSE, pode ser. Se seguirmos com rigor a representação do Ministério Público, quem poderá ser entrevistado, afinal?

VILLA: Criou-se uma situação esdrúxula. Essa representação não tem pé nem cabeça. E parece que foi feita sem pensar no reflexo que isso vai ter não só no cotidiano da vida do repórter como, principalmente, sobre a liberdade do cidadão. Há coisas que só acontecem no Brasil. Certamente essa medida deve ser rejeitada pela Justiça.

E se passar na Justiça, se for acolhida pela Justiça Eleitoral?

VILLA: Daí acabou a liberdade de imprensa. As sedes dos jornais deveriam ser transferidas para o Tribunal Regional Eleitoral ou para o Ministério Público que cuida disso. E eles passariam a fazer os jornais.

12/06/2008 - 07:46h Censura a Folha e a imprensa é inadmisível

Promotoria eleitoral move ação contra Folha

Entrevista com Marta Suplicy foi considerada propaganda antecipada; jornal recorre e defende que acusação é “censura inaceitável”

Segundo Luís Francisco Carvalho Filho, advogado da Folha, artigo citado pela acusação não se aplica a jornais, só a rádio e TV

FREDERICO VASCONCELOS
DA REPORTAGEM LOCAL

A promotoria de Justiça Eleitoral ofereceu representação ao juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo contra a Empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha, por considerar propaganda eleitoral antecipada a entrevista concedida por Marta Suplicy, pré-candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, aos jornalistas Renata Lo Prete (editora do Painel) e Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil), publicada na edição do último dia 4.
Os representantes do Ministério Público entendem que a entrevista jornalística infringiu os artigos 36º da Lei 9.504/97 e 3º da Resolução 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral. Esses dispositivos estabelecem que a propaganda eleitoral só é permitida após 5 de julho, e fixam multa, em casos de infração, de R$ 21,3 mil a R$ 53,2 mil.
“A entrevista publicada não é propaganda, é material jornalístico”, afirma a Folha, em defesa que será protocolada hoje. O jornal sustenta que “não tem e nunca teve vínculo com partidos políticos ou candidatos”, e considera a acusação “despida de fundamento e lógica”.
O artigo citado na acusação é específico para rádios e TV, não se aplica aos jornais. Não existe regra proibindo jornais de publicar entrevista ou reportagem com quem pretende disputar as eleições.
O jornal argumenta que “não há impedimento legal para a publicação de entrevistas com eventuais candidatos a prefeito de São Paulo ou de qualquer cidade do país”. O advogado Luís Francisco Carvalho Filho, que representa o jornal, afirma que a Folha “exerceu um direito e um dever: informar”. “Qualquer tentativa de embaraçar o livre exercício da atividade jornalística, como no caso concreto, é censura, e censura é inaceitável”, diz Carvalho Filho.
A Constituição assegura, diz a defesa, que “nenhuma lei poderá criar dispositivo capaz de criar embaraço à plena liberdade de informação jornalística”. “É interesse do leitor saber e é dever do jornal divulgar o pensamento das diversas forças políticas que disputarão o governo da maior cidade do país.”
O advogado Eduardo Muylaert diz que a acusação levanta hipótese que ele rejeitou, várias vezes, ao votar quando atuou como juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo: “Em matéria de imprensa, prevalece o princípio constitucional da liberdade. Não se poderia impedir o jornal de criticar ou divulgar opiniões favoráveis a candidatos sem grave atentado à democracia”.
Muylaert diz que a Folha poderia, se quisesse, até apoiar qualquer candidato.
O advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, diz que “a promotoria é capaz, mas, nesse caso, se equivoca”. Segundo Rollo, “todo jornal tem o direito de manifestar sua opinião -ao contrário do rádio e da televisão”.
Rollo diz que “o jornal tem o direito de escolher, por motivos jornalísticos, os entrevistados entre aqueles mais bem situados nas pesquisas”.
O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade, diz que o rigor da Justiça Eleitoral “acaba resvalando no direito constitucional da liberdade de imprensa”. “É censura, sim, e isso prejudica o cidadão, que ficaria sem conhecer os candidatos se houvesse apenas a propaganda eleitoral que, como o próprio nome diz, não é jornalismo”, afirma Andrade.
Procurado, o promotor Eduardo Rheingantz, um dos autores da ação, afirmou: “Entendemos que a entrevista foi uma infração à norma que proíbe a propaganda eleitoral antecipada”.