Alckmin de boca fechada para falar da educação no seu governo
Uma coisa que chama a atenção na cobertura eleitoral é o pequeno espaço dado aos resultados obtido pelo candidato Alckmin e seu partido durante os dois mandatos exercidos a frente do governo estadual.
Editorial recente da Folha de São Paulo abordou este balanço na questão da educação. Para o editorial
“Dados oficiais de 2007 mostram que 71% dos alunos que concluem o ensino médio têm dificuldades até para lidar com conceitos elementares, como subtração e porcentagem.
Verifica-se agora que até as recentes tentativas de corrigir os erros ficam aquém do esperado. Como mostrou ontem reportagem desta Folha, o governo não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para o período de 2004 a 2007.
Em 3 dos 4 indicadores, a situação chegou a deteriorar-se. Foi o caso da reprovação no ensino médio: a meta era diminuir de 9,3% para 7% a proporção de alunos que repetem de ano. A taxa, porém, subiu para 17,6%.
Tendências na educação, quanto mais numa rede pública com a escala da estadual paulista, não se modificam da noite para o dia.”
O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin cumpriu dois mandatos a frente do governo estadual. Se os resultados não se modificam da noite para o dia e o atual governador não pode ser invocado para produzir milagres, o que dizer do seu predecessor, com dois mandatos seguidos no comando do Estado mais rico do Brasil?
Segundo a atual Secretária de Educação do Estado de São Paulo o programa de formação de professores do governador Alckmin não tinha foco e jogou o dinheiro fora:
“Os R$ 2 bilhões investidos em formação continuada de professores pelo governo de São Paulo nos últimos cinco anos não melhoraram o desempenho dos alunos. A afirmação é da secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, que anunciou mudanças no programa. Segundo ela, o principal problema do Teia do Saber é a falta de foco. O projeto de formação dos docentes foi implantado na gestão do ex-secretário Gabriel Chalita (PSDB), em 2003.
“Não havia relação interativa entre esses programas e as necessidades da escola”, disse Maria Helena. Chalita foi procurado, mas informou não ter interesse em falar sobre o assunto.”(jornal O Estado de São Paulo).
O braço direito de Alckmin “não tem interesse em falar sobre o assunto”?
Vai ficar por isso mesmo?
Jogam fora o equivalente a todo o dinheiro de um ano do FUNDEB para o Brasil inteiro, sem qualquer resultado é o tema é esquecido pela mídia que não retoma a questão?
O jornal Agora bradou:
“O aluno que vem com 4 no boletim tirou nota vermelha. Se a nota é 2, de tão vermelha ficou roxa.
Já quando uma rede inteira tira nota 1,4, todo mundo que tem responsabilidade na educação, a começar das autoridades, deveria fica roxo. De vergonha.
Essa foi a nota, dada pela Secretaria Estadual da Educação, ao desempenho da sua rede de ensino médio: 1,41, numa escala que vai até 10.
O índice foi obtido com base nas notas do Saresp -provas aplicadas nos estudantes da rede- e na taxa de aprovação dos alunos. Chama-se Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo).
O Idesp da 8ª série do ensino fundamental foi 2,54. O da 4ª série chegou a 3,23. Ou seja, a qualidade da educação é sofrível em todas as etapas, mas piora nas séries mais altas e fica próxima de zero no fim do ensino médio.(…)”
Com clareza o editorial diz que as autoridades deveriam ficar “roxas, de vergonha”.
Os resultados do idesp concernem todas as escolas estaduais no Estado de São Paulo, mas como informa o Estadão: “ Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.”
Os alunos que concluem hoje a secundária, ingressaram na escola primária e as autoridades na época eram do PSDB (e Alckmin, durante dois mandatos consecutivos)). As crianças fizeram todo o percurso baixo governos estaduais do PSDB. Durante 8 anos desse percurso, não só o governo estadual era dominado pelo PSDB, mas o Brasil inteiro era governado por FHC do PSDB (juntos com os atuais Demos).
Vocês não pensam que Alckmin e Chalita devem explicações ao povo e a juventude de São Paulo?
A mídia não deveria entrevistá-los para falar de educação e explicar o que foi errado? onde eles erraram?
Esta questão não deveria ser objeto de debate? A mídia não estaria dando uma grande contribuição se pautasse a discussão destes resultados com os principais responsáveis do desastre? Ou impunemente, os que governaram o Estado de São Paulo, poderão continuar a pretender que sabem administrar?
Cadê o famoso “gerentão”?
Não se pode passar sob silêncio esse verdadeiro genocídio educacional da juventude no Estado.
Luis Favre