22/07/2008 - 12:38h Nossa! quanto bla, bla, bla…

A imagem “http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/alckmin_pensativo.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

“Vamos incluir no nosso programa de governo uma forte descentralização, fortalecendo as subprefeituras, instalando conselhos de representantes, trabalhando os 96 distritos”( O Estado de São Paulo)

A frase não é, como você pensa, tirada do programa do PT. Ela foi pronunciada ontem por Alckmin para manifestar sua concordância com uma aspiração que Marta Suplicy começou a implementar em São Paulo durante sua administração: a descentralização e a participação popular.

Os organizadores do ato, onde Alckmin “incorporou” uma das realizações de Marta, prometem realizar uma campanha publicitária contra o “bla, bla, bla” de alguns candidatos.

Gilberto Dimenstein exulta de entusiasmo: “A campanha publicitária vai bater na tecla do fim da conversa fiada –ou seja, contra o blablablá. Os indicadores serão divulgados para que se popularizem meios de medir o desempenho do poder público. Nunca se fez nada parecido, em esfera local, no país. É reflexo do amadurecimento da democracia, do aprendizado da articulação comunitária e do cansaço com o caos paulistano –um caos que foi provocado pela conversa fiada dos políticos e, vamos reconhecer, baixa participação da comunidade.”

Precisamente, na cara dos representantes da ONG Nossa São Paulo e na frente da mídia, com a maior desenvoltura, o “gerentão” nos proporcionou um magnífico bla, bla, bla sobre os conselhos de representantes, as subprefeituras e a descentralização contra a qual seu partido lutou quando Marta era prefeita, que nunca implementou no governo estadual e que, no comando da prefeitura, procurou contornar, tanto na discussão da revisão do plano diretor, como passando por cima do conselho de representantes na saúde (para citar apenas dois exemplos).

Não teve nenhum jornalista que confrontasse o cinismo do autor da frase e que questionasse a contradição entre o bla, bla, bla é a prática do PSDB e do ex-governador. Ou seja a mídia continuará seu bla, bla, bla sobre a conversa fiada dos políticos e passará sob silêncio a desenvoltura do tucano.

De sorte que a combinação dois dois dará um interminável bla, bla, bla…

Luis Favre

(more…)

21/07/2008 - 18:56h Cadê o gerentão?

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Alckmin de boca fechada para falar da educação no seu governo

Uma coisa que chama a atenção na cobertura eleitoral é o pequeno espaço dado aos resultados obtido pelo candidato Alckmin e seu partido durante os dois mandatos exercidos a frente do governo estadual.

Editorial recente da Folha de São Paulo abordou este balanço na questão da educação. Para o editorial

“Dados oficiais de 2007 mostram que 71% dos alunos que concluem o ensino médio têm dificuldades até para lidar com conceitos elementares, como subtração e porcentagem.
Verifica-se agora que até as recentes tentativas de corrigir os erros ficam aquém do esperado. Como mostrou ontem reportagem desta Folha, o governo não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para o período de 2004 a 2007.
Em 3 dos 4 indicadores, a situação chegou a deteriorar-se. Foi o caso da reprovação no ensino médio: a meta era diminuir de 9,3% para 7% a proporção de alunos que repetem de ano. A taxa, porém, subiu para 17,6%.
Tendências na educação, quanto mais numa rede pública com a escala da estadual paulista, não se modificam da noite para o dia.”

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin cumpriu dois mandatos a frente do governo estadual. Se os resultados não se modificam da noite para o dia e o atual governador não pode ser invocado para produzir milagres, o que dizer do seu predecessor, com dois mandatos seguidos no comando do Estado mais rico do Brasil?

Segundo a atual Secretária de Educação do Estado de São Paulo o programa de formação de professores do governador Alckmin não tinha foco e jogou o dinheiro fora:

“Os R$ 2 bilhões investidos em formação continuada de professores pelo governo de São Paulo nos últimos cinco anos não melhoraram o desempenho dos alunos. A afirmação é da secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, que anunciou mudanças no programa. Segundo ela, o principal problema do Teia do Saber é a falta de foco. O projeto de formação dos docentes foi implantado na gestão do ex-secretário Gabriel Chalita (PSDB), em 2003.

“Não havia relação interativa entre esses programas e as necessidades da escola”, disse Maria Helena. Chalita foi procurado, mas informou não ter interesse em falar sobre o assunto.”(jornal O Estado de São Paulo).

O braço direito de Alckmin “não tem interesse em falar sobre o assunto”?

Vai ficar por isso mesmo?

Jogam fora o equivalente a todo o dinheiro de um ano do FUNDEB para o Brasil inteiro, sem qualquer resultado é o tema é esquecido pela mídia que não retoma a questão?

O jornal Agora bradou:

“O aluno que vem com 4 no boletim tirou nota vermelha. Se a nota é 2, de tão vermelha ficou roxa.

Já quando uma rede inteira tira nota 1,4, todo mundo que tem responsabilidade na educação, a começar das autoridades, deveria fica roxo. De vergonha.

Essa foi a nota, dada pela Secretaria Estadual da Educação, ao desempenho da sua rede de ensino médio: 1,41, numa escala que vai até 10.

O índice foi obtido com base nas notas do Saresp -provas aplicadas nos estudantes da rede- e na taxa de aprovação dos alunos. Chama-se Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo).

O Idesp da 8ª série do ensino fundamental foi 2,54. O da 4ª série chegou a 3,23. Ou seja, a qualidade da educação é sofrível em todas as etapas, mas piora nas séries mais altas e fica próxima de zero no fim do ensino médio.(…)”

Com clareza o editorial diz que as autoridades deveriam ficar “roxas, de vergonha”.

Os resultados do idesp concernem todas as escolas estaduais no Estado de São Paulo, mas como informa o Estadão: “ Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.”

Os alunos que concluem hoje a secundária, ingressaram na escola primária e as autoridades na época eram do PSDB (e Alckmin, durante dois mandatos consecutivos)). As crianças fizeram todo o percurso baixo governos estaduais do PSDB. Durante 8 anos desse percurso, não só o governo estadual era dominado pelo PSDB, mas o Brasil inteiro era governado por FHC do PSDB (juntos com os atuais Demos).

Vocês não pensam que Alckmin e Chalita devem explicações ao povo e a juventude de São Paulo?

A mídia não deveria entrevistá-los para falar de educação e explicar o que foi errado? onde eles erraram?

Esta questão não deveria ser objeto de debate? A mídia não estaria dando uma grande contribuição se pautasse a discussão destes resultados com os principais responsáveis do desastre? Ou impunemente, os que governaram o Estado de São Paulo, poderão continuar a pretender que sabem administrar?

Cadê o famoso “gerentão”?

Não se pode passar sob silêncio esse verdadeiro genocídio educacional da juventude no Estado.

Luis Favre

21/07/2008 - 08:27h Visões e trapalhadas

VALDO CRUZ - FOLHA SP

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BRASÍLIA - Visões palacianas dos desdobramentos da Operação Satiagraha, coletadas ao longo da semana passada no Palácio do Planalto. Tire suas conclusões:
1) Daniel Dantas não conseguiu ter no governo Lula o mesmo poder de influência que desfrutou no período tucano/pefelista.
Começou a perder o jogo ao ser desalojado do comando da Brasil Telecom por obra de Luiz Gushiken, ex-ministro e amigo de Lula. Desde então, o presidente fala cobras e lagartos de Daniel Dantas.
Ele tentou virar o jogo contratando “petistas miúdos ou sem poder”. Ficou na tentativa, mas gerou suspeitas sobre a conduta de gente como Gilberto Carvalho.
2) O chefe-de-gabinete de Lula não cometeu nenhuma irregularidade grave, mas não deixou de errar ao buscar informações oficiais a pedido do amigo Luiz Eduardo Greenhalgh. Tudo para checar se um cliente do ex-deputado estava sendo investigado.
3) Greenhalgh é acusado de traidor, ao usar suas relações para beneficiar Daniel Dantas, envolvido na negociação que levou à fusão da Oi e Brasil Telecom.
4) O presidente não teme que a operação da PF prejudique o negócio entre as duas teles. Argumento: as pessoas podem até discordar das tratativas, mas desde o início o governo defendeu e apoiou publicamente a operação.
5) Do ponto de vista palaciano, é defensável a primeira decisão do presidente do STF, Gilmar Mendes, de soltar Daniel Dantas. A segunda, não; estava baseada na tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal.
6) A PF está dividida. Essa fratura manchou uma operação que tinha tudo para ser perfeita e jogou o desgaste do afastamento do delegado Protógenes Queiroz no colo do governo, sobrando até para o presidente Lula.
Tudo somado e subtraído, ficará na conta do Planalto a responsabilidade por uma operação abafa numa investigação que ele imaginava só ter a comemorar.

19/07/2008 - 10:26h Tucanos pedem licença do PSDB para apoiar Kassab em SP

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO colaboração para Folha Online

A crise no PSDB de São Paulo acaba de ganhar um novo capítulo. Os tucanos que defendem a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e se recusam a subir no palanque do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiram se licenciar do PSDB em resposta à decisão do Diretório estadual do partido que nesta semana ameaçou punir os correligionários engajados na candidatura do democrata.

O primeiro grupo de tucanos a pedir licença do PSDB para participar na candidatura do DEM à prefeitura vem do diretório do Ipiranga. A decisão já vinha sendo ventilada há algumas semanas, mas só foi definida nesta sexta-feira.

O movimento começou no Ipiranga, mas já tem a simpatia de tucanos de toda a capital. A Folha Online apurou que boa parte parte dos militantes que defendiam a aliança com o DEM antes da convenção do PSDB deve se licenciar da legenda e só retornar ao partido no segundo turno. Quem não deve pedir licença são vereadores kassabistas, que temem punição do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em razão da lei de fidelidade partidária.

Um dos tucanos que pedirá licença do partido é Silvio Silva, do diretório do Ipiranga. Ele faz parte da Executiva estadual e tem quase 20 anos de PSDB. “É um pedido de afastamento provisório. Não tem sentido, não tem lógica, apoiar um candidato e pertencer a outro partido. Vou pedir licença para evitar constrangimento”, afirmou o tucano, à Folha Online.

17/07/2008 - 19:40h Kassab, linha auxiliar de Alckmin?

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Não tive tempo de reproduzir e comentar o artigo do jornal O Estado de São Paulo (ver no final desta nota) sobre a tentativa de unificação entre Alckmin e Kassab, para pacificar o PSDB e “fazer de José Serra o grande vitorioso da eleição municipal”. Não é o primeiro, nem será o último dos artigos que pretendem, na base de declarações dos próprios interessados nesta operação (no caso Alckmin, mais que Serra), que a crise no PSDB é um problema de vontade dos protagonistas em aparentar estar bem na foto.

Por um lado é bom salientar que o que os une é a comum vontade de impedir uma vitória de Marta. Por isso o eixo da campanha de Kassab é atacar e agredir Marta. Este trabalho que mistura mentiras, calúnias, demagogia e deboche teve até agora como resultado aumentar a taxa de rejeição de Kassab e não o ajudou nem um pingo em melhorar sua situação nas pesquisas.

Ao mesmo tempo, assim agindo, Kassab funciona como linha auxiliar de Alckmin que pode continuar posando de “bom moço” e como o melhor candidato para conseguir o que Kassab parece querer mais que tudo: derrotar Marta. Como se vê, a linha atual de Kassab unifica o campo da centro direita em favor de Alckmin e por isso o ex-governador está bem na atual situação. O único incomodo para ele é a persistência da fração pro-Kassab no PSDB que alimenta uma erosão na sua credibilidade (e no apoio financeiro entre os empresários que não querem aparecer chocando com Serra). Para calar a boca deles Alckmin acena com uma declaração de alinhamento com Serra e este é o intuito do artigo de hoje no Estadão.

De outro lado, o processo em curso no pais e o fato de Lula não poder pleitear por um novo mandato, abre um processo de reestruturação político-partidária que por enquanto só Aécio Neves parece ter percebido. Não deixa de ser uma ironia da história que não seja José Serra, historicamente identificado com a esquerda tucana, e sim um centrista sem muita consistência como Aécio, que apareça como capaz de construir pontes. Certo, por enquanto limitados a Minas Gerais e ao grupo de Alckmin, mas com movimentos em relação a Ciro e ao PMDB.

Já Serra consolidou um acordo nos marcos de São Paulo, saudado com exagerado entusiasmo pela sua mídia afim, mas que não resistirá a uma vitória de Alckmin nas eleições municipais. Pior, no seu apoio a linha anti-PT do seu candidato Kassab, ele aumenta a rejeição a sua figura nas fileiras petistas e nada ganha no campo em que Alckmin se movimenta. A persistência desta orientação fará de Serra o principal derrotado desta eleição. O desfecho terá sido produto de sua hesitação entre duas orientações contraditórias: impedir a vitória de Alckmin e da direita do seu partido e querer ao mesmo tempo rejeitar e destruir Marta Suplicy e o PT. E pior, tentar isto com alguém como Kassab, do DEM, pouco preparado e sem jogo de cintura para tamanho desafio.

Mas a derrota pode virar verdadeira catástrofe se, em pânico, Serra fizer marcha re e abandonar Kassab no meio do caminho, para tentar uma hipotética tábua de salvação nas mãos de Alckmin. Como Serra não tem vocação para o suicídio, penso que a manobra e o desejo de Alckmin não serão correspondidos. Veremos…

Luis Favre

Artigo do jornal O Estado de São Paulo

FHC reúne Serra e Alckmin

Tucanos traçam estratégias para enfrentar Marta, entre elas dar fim a confrontos com Kassab

Carlos Marchi - O Estado de São Paulo


O governador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin concordaram, numa conversa articulada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, que a petista Marta Suplicy está “nadando de braçada” na campanha municipal, crescendo nas pesquisas e, de quebra, aproveitando o palanque para criticar os governos do Estado e da prefeitura, sem que haja um contraponto eficaz. E combinaram três pontos que pretendem mudar o direcionamento da campanha para a Prefeitura de São Paulo.

Na conversa, que ambos classificaram de “excelente”, eles concordaram em que é preciso eliminar os confrontos entre Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab; que ambos vão defender o governo Serra de ataques feitos por Marta; e que os dois - Alckmin e Kassab - devem privilegiar, daqui por diante, suas propostas para a cidade.

A conversa, que aconteceu segunda-feira à noite no Palácio dos Bandeirantes, deixou os dois satisfeitos. Alckmin disse a correligionários que foi “a melhor conversa que teve com Serra em muito tempo”; Serra contou a amigos que a conversa foi “muito boa”. “Ajudou bastante”, comentou ontem Guerra, revelando que o encontro reduziu as tensões entre os dois e seus reflexos no partido.

Segundo relato de tucanos, Serra afirmou que “o verdadeiro adversário é o PT”, repetindo argumento que Alckmin usa para justificar sua candidatura, desde o momento em que resolveu se lançar. O ex-governador, naturalmente, concordou. Serra foi franco: disse que a disputa entre Alckmin e Kassab está sobrando para ele, já que Marta aproveita a campanha municipal para criticar o governo estadual, que fica exposto, sem defesa.

A amigos, Alckmin disse que, mais que satisfeito, ficou surpreendido com a firmeza de Serra, que lhe ofereceu ajuda na campanha e disse que vai apoiá-lo, embora tenha compromissos com Kassab, a quem incentivou concorrer antes de ele, Alckmin, se lançar candidato.

“Foi uma conversa muito redonda”, disse, a propósito, um aliado de Alckmin. Os dois tinham conversado 15 dias atrás, mas os resultados, na ocasião, foram bem mais modestos. A nova conversa nasceu a partir de um convite de Serra para que Alckmin, ocupante anterior do Palácio dos Bandeirantes, fosse encontrá-lo.

O governador foi convencido a chamar Alckmin por insistentes conselhos dados por Fernando Henrique, que recrutou Guerra para ajudá-lo na tarefa. O argumento dos dois para dobrar Serra foi que o PSDB precisa sair unificado da eleição municipal, e ele, Serra, vitorioso, para que possam chegar bem no grande embate presidencial de 2010.

17/07/2008 - 10:41h Até tu, Brutus!*: editorial da Folha aponta fracasso tucano na educação

Editorial

FOLHA DE SÃO PAULO

Fracassos no ensino

A imagem “http://i163.photobucket.com/albums/t283/capitaococada/quadro-negro01.png” contém erros e não pode ser exibida.

TUCANOS administram o Estado de São Paulo desde o já longínquo ano de 1995. Nesses 14 anos, colecionaram, como é natural, sucessos e reveses. Uma área vital, entretanto, registra quantidade desproporcional de malogros: a educação.
A gestão do PSDB deu passos decisivos na universalização do ensino, no Estado e no país, e na introdução dos sistemas de avaliação. Mas também pode ser apontada como responsável por desastres, como a implantação atabalhoada do sistema de ciclos -que ganhou o apelido de “fim da repetência”- e os péssimos resultados colhidos pelos alunos nos testes de desempenho.
Dados oficiais de 2007 mostram que 71% dos alunos que concluem o ensino médio têm dificuldades até para lidar com conceitos elementares, como subtração e porcentagem.
Verifica-se agora que até as recentes tentativas de corrigir os erros ficam aquém do esperado. Como mostrou ontem reportagem desta Folha, o governo não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para o período de 2004 a 2007.
Em 3 dos 4 indicadores, a situação chegou a deteriorar-se. Foi o caso da reprovação no ensino médio: a meta era diminuir de 9,3% para 7% a proporção de alunos que repetem de ano. A taxa, porém, subiu para 17,6%.
Tendências na educação, quanto mais numa rede pública com a escala da estadual paulista, não se modificam da noite para o dia. Quando uma avaliação qualquer traz resultados muito positivos, convém desconfiar do termômetro.
Ainda assim, é preocupante quando um partido que está há 14 anos no comando do Estado mais rico e industrializado da União fracassa em todos os objetivos que se auto-atribuiu.

* O título do Editorial da Folha acima reproduzido é “Fracassos no ensino”. O meu título faz referência a frase de Júlio César, que após cair em desgraça é assassinado por uma parte de seus antigos apoiadores, em pleno Senado, entre eles um familiar insuspeito: o seu próprio sobrinho e filho adotivo. Surpreso, César disse em latim: Tu quoque, Brute, fili mi? (Até tu, Brutus, meu filho?). LF

17/07/2008 - 10:13h A educação em São Paulo piora? Serra muda o termômetro

O tratamento dado a questão da educação em São Paulo é emblemático do modo tucano de governar. Ontem reportagem da Folha de São Paulo mostrou que os governos Alckmin e Serra não tinham atingido nenhuma das metas que eles mesmos tinham fixado para o ensino. (ver Educação em São Paulo piora. Serra culpa Alckmin e também Educação SP: Serra denuncia herança maldita de Alckmin).

Hoje veio a “solução” tucana: abaixaram as metas.

Poderá se argüir que as metas anteriores eram inadequadas, mas os resultados foram em três delas piores que os existentes anteriormente. Ou seja, na educação São Paulo andou para atrás.

Resulta evidente que as novas metas visam a reduzir o custo político do desastre educacional e não a atacar de vez os problemas que hipotecam o futuro de milhões de jovens.

Na educação são os governos Alckmin e Serra os responsáveis da piora nos resultados. Mas reprovar a atuação do PSDB, dar a eles o zero que merecem, não vai reparar o dano provocado.

Abaixar as metas, no lugar de aumentar os recursos, os investimentos, os esforços para reverter o desastre é bem típico da falta de planejamento e de compromisso com a população que mais precisa do Estado na educação: os filhos das maiorias assalariadas. A preocupação com eles começa só em período pre-eleitoral e acaba após abertura das urnas.

Cabe a população impedir que o descaso com a educação persista. Por um lado, exigindo medidas reais para reverter o quadro desolador. Mas também sancionando como se deve esta persistência na incompetência. LF

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Governo agora reduz metas para educação

Expectativa de aprovação no fundamental, por exemplo, cai de 99% no plano 2004-2007 para 95% no período 2008-2011

Medida foi tomada pela gestão Serra após resultado ter ficado abaixo do previsto em quatro indicadores de qualidade no ensino

FÁBIO TAKAHASHI - FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

Sem alcançar nenhuma das quatro metas de melhoria na qualidade do ensino fixadas para 2007, o governo José Serra (PSDB-SP) decidiu estabelecer objetivos mais modestos em todos os indicadores para os próximos quatro anos.

Se antes a expectativa era que a aprovação no ensino fundamental estivesse já no ano passado em 99% -meta estipulada no Plano Plurianual 2004-2007-, agora o governo busca chegar apenas a 95% em 2011.

Atualmente, a porcentagem está em 90,9% (veja mais em quadro nesta página).

As metas foram revistas depois de nenhuma delas ter sido atingida no período que abrangeu três anos da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) e um do governo Serra, conforme a Folha revelou ontem.

Três indicadores, estabelecidos no plano feito por Alckmin, chegaram a piorar no período -os tucanos administram o Estado desde 1995.

Os indicadores estão presentes no Plano Plurianual do governo, uma obrigação legal que determina as prioridades da administração para o período de quatro anos e fixa indicadores para o acompanhamento da eficácia das políticas. O não-cumprimento, no entanto, não traz punições -as contas do período foram aprovadas.

O plano para o próximo período, feito pelo governo Serra, foi aprovado pela Assembléia Legislativa e publicado no “Diário Oficial” no dia 10.

“De um lado, pode-se dizer que o governo está mais realista. Por outro lado, a estratégia parece ser anunciar uma meta baixa para evitar um eventual desgaste político caso não seja alcançada”, disse João Cardoso Palma Filho, membro do Conselho Estadual da Educação e professor da Unesp.

“A redução das metas mostra que o governo não pretende fazer um grande investimento. Ou seja, qualquer qualidade serve”, disse a presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Maria Izabel Noronha.

Explicações
A Folha solicitou uma entrevista com a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, mas a pasta se pronunciou por meio de nota.
O texto afirma que as metas foram mais moderadas agora porque a situação atual é “diferente” da de 2004.

Ao explicar o não-cumprimento das metas fixadas, a gestão Serra já havia feito uma crítica indireta aos governos anteriores do PSDB, pela “falta de parâmetros curriculares estaduais”, o que foi negado pela gestão Alckmin, cuja posição foi de que resultados na educação não aparecem rapidamente, e que houve avanços em outros indicadores.

A nota diz ainda que, “além de procurar aumentar as taxas de aprovação e reduzir as de reprovação e abandono, a secretaria vem investindo em melhorar a qualidade da aprendizagem, com programas importantes que resultarão em melhoria do ensino em sala de aula, como o sistema especial de alfabetização”.

Sobre a taxa de abandono no ensino médio, que o governo espera só manter nos atuais 7%, a pasta diz que o índice já é “adequado”, segundo a Unesco.

16/07/2008 - 19:42h Turma de Alckmin pede expulsão dos serristas do PSDB

Deputado do PSDB entra com representação contra tucanos kassabistas

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) afirmou que encaminhou representações no partido contra os filiados que apóiam a reeleição do atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Segundo ele, as representações foram encaminhadas para as esferas municipal, estadual e nacional do partido e pede que os tucanos com cargos na administração municipal sejam expulsos caso não peçam demissão.

“Ou larga o partido para continuar no cargo dele ou será expulso”, afirma o deputado, que prega o apoio irrestrito aos candidatos do partido, seja ele quem for.

Segundo Tobias, as representações não são nominais, mas referem-se à cerca de 30 pessoas, entre vereadores e membros da administração municipal, que apóiam a candidatura Kassab, participando, inclusive, da formulação do plano de governo para um possível segundo mandato do atual prefeito.

Na terça-feira (15), o diretório estadual do PSDB encaminhou uma carta aos filiados ameaçando levar para o conselho de ética da legenda todos os correligionários que fizerem campanha para outros candidatos.

No texto, assinado pelo presidente do diretório estadual da legenda, Antonio Carlos Mendes Thame, os filiados “que apoiarem publicamente nossos concorrentes, deverão ser encaminhados ao conselho de ética e fidelidade partidária”.

Alckmin evita se posicionar a respeito do assunto, afirmando ser um “assunto partidário”. Em outras ocasiões, já afirmou ser indiferente ao apoio de tucanos à Kassab. Questionado se apóia a cobrança por fidelidade no partido, o ex-governador disse apenas ser um “homem fiel”.

Pessoas próximas de sua campanha afirmam que o ex-governador chegou a se opor às representações encaminhadas por Tobias, tratando-se de uma iniciativa pessoal do deputado. Tobias confirma: “Estou fazendo como militante”, afirma.

16/07/2008 - 16:38h Ibope aponta Marta com 35% e Alckmin com 32%

Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP) têm 11%.

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G1 - Portal da Globo

Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (16) aponta Marta Suplicy (PT) com 35% das intenções de voto e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) com 32% na corrida eleitoral pela Prefeitura de São Paulo.

Segundo o Ibope, o prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), tem 11%. O deputado federal Paulo Maluf (PP) também soma 11%; a vereadora Soninha (PPS); 1%. Brancos e nulos somam 7% das intenções de voto; Não sabe e não opinaram, 2%.

Os candidatos Ivan Valente (PSOL), Ciro Moura (PTC), Anaí Caproni (PCO) Levy Fidelix (PRTB) e Renato Reichmann (PMN) não chegaram a atingir 1% das intenções de voto. O candidato Edmilson Costa, do PCB, não foi mencionado na pesquisa.

A pesquisa foi contratada pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo e Região (Setcesp). O Ibope entrevistou 602 eleitores na capital paulista no período entre 12 e 14 de julho. A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento está registrado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) sob o número 01100108-SPPE.

Segundo turno

Para um eventual segundo turno, o Ibope pesquisou três diferentes cenários.

No primeiro cenário, Marta Suplicy (PT) tem 51% das intenções de voto e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), 36%. Brancos e nulos somam 11% e 2% não sabe ou não opinaram.

No segundo cenário, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem 50% das intenções de voto e Marta Suplicy (PT), 41%. Brancos e nulos somam 8% e não sabem ou não opinaram, 2%.

O terceiro cenário da pesquisa traz o tucano Geraldo Alckmin com 59% das intenções de voto e Kassab com 22%. Brancos e nulos correspondem a 15% e 3% não souberam responder ou não opinaram.


Pesquisa espontânea

Na pesquisa espontânea, em que não são citados os nomes dos concorrentes, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) aparece na frente, com 22% das intenções de voto, seguida de Geraldo Alckmin (PSDB), com 14%, Gilberto Kassab (DEM), com 8%, e Paulo Maluf (PP), com 5%.

Os candidatos Soninha (PPS), Ciro Moura (PTC), Anaí Caproni (PCO) Levy Fidelix (PRTB), Renato Reichmann (PMN) e Edmilson Costa (PCB) obtiveram 1% das intenções de voto. O candidato Ivan Valente (PSOL) não chegou a atingir 1% na pesquisa espontânea.

16/07/2008 - 13:02h Educação SP: Serra denuncia herança maldita de Alckmin

outro lado

Governo Serra diz que herdou rede sem currículo unificado

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DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Como explicação para o fato de as metas de qualidade no ensino não terem sido atingidas, o governo José Serra (PSDB) citou a falta de currículo unificado na rede, situação que afirma ter mudado a partir do segundo semestre do ano passado.
Já a gestão do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) destacou avanços em outros indicadores e afirmou que as melhorias na educação só ocorrem em médio e longo prazos.
Em uma crítica indireta às gestões anteriores, o governo Serra disse ao Tribunal de Contas do Estado que “a falta de parâmetros curriculares provocou a existência de diferentes padrões de chegada [resultados] em cada escola”. O PSDB governa o Estado desde 1995.
Em ocasiões anteriores, a gestão Serra já havia criticado políticas do governo Alckmin na educação, como, por exemplo, a implantação do tempo integral em parte da rede.
A Folha pediu ontem uma entrevista com a secretária Maria Helena Guimarães de Castro, mas a Secretaria da Educação se pronunciou por meio de nota. Disse que “implantou uma série de mudanças para melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos. Além da definição de parâmetros curriculares, a rede agora conta com programa especial de alfabetização, novo sistema de avaliação, recuperação intensiva (…) e ensino médio diversificado, entre outras”.
A pasta afirma ainda que “todas estas ações têm objetivo de melhorar a aprendizagem e, conseqüentemente, diminuir a reprovação dos alunos, reduzindo a taxa de evasão. Os parâmetros curriculares são fundamentais para que haja definição do que os alunos devem aprender a cada aula, com os professores definindo como ensinar”. Educadores relatam que não havia, por exemplo, definição de qual série deveria ser ensinada fração aos alunos.
A Folha procurou o secretário da Educação da gestão Alckmin, Gabriel Chalita, mas sua assessoria não conseguiu contatá-lo. O secretário-adjunto no período, Paulo Barbosa, negou que a rede não contasse com parâmetros para as aulas. Segundo ele, as diretrizes para o ensino são fixadas em lei federal, e as escolas têm autonomia para implementá-la. “Os parâmetros são fixados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e houve discussão na rede para a montagem dos programas. Tanto que a filosofia voltou para a grade.”
“A nossa gestão avançou muito na redução da evasão no ensino fundamental, que era de 2% em 1999 e caiu para 0,6% em 2006, o menor índice do país. Também criamos projetos importantes, como o Escola da Família”, disse.

16/07/2008 - 12:20h Educação em São Paulo piora. Serra culpa Alckmin

Clique na imagem para ampliar e ver os quadros

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Governo de SP não cumpre suas metas para a educação

Gestões Alckmin e Serra não atingiram os índices de redução de repetência e evasão

Em três dos quatro indicadores, a situação chegou a piorar; governo Serra culpa herança da gestão Alckmin, ambos do PSDB

FÁBIO TAKAHASHI - FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

O governo paulista não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para a melhoria na qualidade do ensino na rede estadual, para o período entre 2004 e 2007.
O objetivo era, no geral, reduzir a repetência e a evasão dos alunos, tanto no ensino fundamental (1ª a 8ª série) quanto no ensino médio (antigo colegial).
Em três dos quatro indicadores, a situação chegou a piorar. Foi o caso, por exemplo, da reprovação no ensino médio: a meta era diminuir de 9,3% para 7% a proporção de alunos que repetem de ano. A taxa, porém, subiu para 17,6%. O único que melhorou -evasão no ensino médio- ficou abaixo da meta (era 8,4%, esperava-se 6%, mas ficou em 6,5%).
Os objetivos foram determinados pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Plano Plurianual 2004-2007.
O plano, uma obrigação legal, determina as prioridades do governo para o período e fixa indicadores para o acompanhamento da eficácia das políticas.
A vigência do plano se estendeu até o primeiro ano da gestão José Serra (PSDB).
Pesquisas nacionais e internacionais ligam a reprovação à piora na aprendizagem e ao aumento do abandono.
A situação dos países com bons rendimentos nos testes educacionais apontam para a mesma direção. Finlândia e Chile têm baixas taxas de reprovação, de 1% e 2%, respectivamente, no antigo primário.
Apesar de a rede estadual contar com a progressão continuada, os alunos podem ser retidos na 4ª e na 8ª séries da educação fundamental ou em qualquer ano do ensino médio.
Os indicadores finais do plano, referentes a 2007, foram encaminhados pelo governo ao Tribunal de Contas do Estado, dentro da prestação de contas de 2007 (de todas as áreas da administração) -que foram aprovadas, com recomendações, no dia 25 do mês passado.

Explicações
Ao tribunal de contas, o governo José Serra citou “a falta de parâmetros curriculares estaduais” como um dos principais motivos para não ter atingido as metas, em uma crítica indireta aos governos anteriores, do próprio PSDB (leia mais nesta página).
Pesquisadores ouvidos pela reportagem apresentaram análises diferentes. “Por falta de condições de trabalho e de diálogo com o governo, os professores ficam desestimulados. Os alunos sentem isso e também se desestimulam”, afirma José Marcelino Rezende, docente da USP de Ribeirão Preto.
“Sem currículo, cada um fazia o que queria, era uma bagunça. O atual governo procura mudar isso e está no caminho certo”, diz a diretora-executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy.
Já a coordenadora da ONG Ação Educativa, Vera Masagão, afirma que “o problema é que as medidas são impostas, sem negociação com os educadores, e mudanças até positivas, como o currículo, podem se perder”.
A Apeoesp (sindicato dos docentes) e Udemo (sindicato dos diretores de escola) apontaram os baixos salários e as longas jornadas como causas para o baixo desempenho da rede.

15/07/2008 - 22:30h “Ajuste fino” no ninho tucano: infiéis serão expulsos

PSDB ameaça expulsar infiéis pró-campanha de Kassab

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REUTERS - Agencia Estado

SÃO PAULO - No dia seguinte à manifestação de amplo apoio à candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) pelos secretários municipais tucanos, o PSDB enviou carta aos filiados ameaçando com processo de expulsão aqueles que aderirem a nomes de outras siglas.

O partido evoca a lei da fidelidade partidária, que prevê adesão obrigatória de filiados às determinações dos partidos.

“Os filiados que não atenderem a este princípio (apoiar candidatos da sigla), ou seja, que apoiarem publicamente nossos concorrentes, deverão ser encaminhados ao conselho de ética e fidelidade partidária”, diz trecho da carta enviada a cerca de 8 mil filiados no Estado.

Na eleição da capital paulista, o PSDB se definiu pelo ex-governador Geraldo Alckmin, mas um grande número de tucanos atua na administração de Kassab, herdada do governador José Serra (PSDB). Na segunda-feira, Kassab convocou seus secretários tucanos a defenderem sua gestão na campanha eleitoral e recebeu a anuência da equipe.

“Candidatos a vereador e a prefeito do partido querem que os filiados subam no palanque deles e não no do adversário”, disse à Reuters o secretário-geral do PSDB estadual, César Gontijo.

O dirigente disse que a carta já vinha sendo gestada em reuniões do partido e foi aprovada pela executiva estadual na segunda-feira. Para ele, 2008 é importante por ser uma etapa para o PSDB retomar a Presidência da República.

“Temos que fazer um ajuste fino em São Paulo. Nosso enfrentamento é com o PT e nosso candidato é o Geraldo, que vai dar as condições para eleger Serra presidente da República em 2010″, afirmou.

Entre os secretários tucanos da administração paulista, os mais engajados na campanha de Kassab são o deputado federal Walter Feldman (Esportes) e Clóvis Carvalho (Governo).

Kassab tem dito que o PSDB tem uma “peculiaridade”, por ter dois candidatos a prefeito em SP. Gontijo devolve: “Como ele é do PFL (atual DEM), é difícil para ele falar sobre o PSDB.”

O processo no conselho de ética leva cerca de um mês. O filiado pode ser advertido, suspenso de 3 a 12 meses, destituído de função em órgão partidário ou expulsão. Se for parlamentar, poderá perder o mandato.

Na segunda-feira, o deputado Edson Aparecido, coordenador-geral da campanha de Alckmin, havia dito que o encontro do prefeito com auxiliares era “absolutamente irrelevante”. (Reportagem de Carmen Munari)

15/07/2008 - 14:33h Consumada cisão do PSDB em São Paulo

Serra e Kassab querem deixar Alckmin numa sinuca de bico
http://www.estadao.com.br/fotos/serra-kassab292.jpgA imagem “http://www.estadao.com.br/fotos/GERALDO_pequena.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Os partidários de José Serra na prefeitura de São Paulo foram reunidos ontem pelo candidato do DEM, Gilberto Kassab, para organizar a ação eleitoral a seu favor. O objetivo proclamado é defender a ação de Kassab e sua vontade de reeleição. Os tucanos com cargos na máquina municipal decidiram participar da campanha eleitoral apoiando outro candidato e não o escolhido pelo próprio PSDB. A decisão de se engajar na campanha do Kassab significa que a minoria do PSDB agirá em ruptura com as decisões da convenção partidária. A máquina pública será usada em favor de Kassab, com a participação ativa dos tucanos serristas.

Kassab pretende com está cisão provocada no PSDB se apresentar aos eleitores como se fosse candidato tucano, disputando com Alckmin pela apelação. Os serristas darão assim aval a operação de travestimento do candidato peefelista, visando confundir e dividir a base tucana na cidade para angariar dividendos eleitorais. Os limites da operação estão dados pela lei eleitoral que impede que Kassab apareça com filiados do PSDB, com o qual não esta coligado, nos programas e comerciais da TV. Mas nada impede que a cada aparição do candidato do DEM, ele apareça rodeado de bandeiras demo e tucanas. Como nada impedirá “populares” aparecerem com afirmações do tipo “voto Kassab porque estou com Serra” ou “sou tucano, votei no Serra e agora voto Kassab”.

Para a base do PSDB distinguir ambos candidatos demo-tucanos terá como complicador a vontade afirmada por Alckmin de fazer uma cruzada anti-PT, limitando assim as reais divergências que o separam de Kassab. Assim agindo, Alckmin abre espaço para que a operação de Kassab tenha um certo êxito podendo melhorar a situação do preposto de Serra nas pesquisas, com a chegada do horário eleitoral gratuito.

Por outro lado a postura pouco diferenciada de Alckmin e a operação de “apropriação” de Kassab, facilita a identificação de ambos como sendo a mesma moeda, deixando Marta Suplicy como única candidata da mudança.

E São Paulo quer mudanças, como mostra a última pesquisa Datafolha com o crescimento da reprovação ao governo demo-tucano e os índices de “Ruim e Pessimo” na saúde, no trânsito, no transporte, na educação etc.

A seguir o artigo da Folha de São Paulo de hoje que retrata com muita informação a operação serrista pro-Kassab. LF

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

Kassab instrui equipe a usar gestão para ganhar voto

Subprefeitos e secretários terão encontros com a população fora de seus expedientes

Clóvis Carvalho disse que não pode haver “excesso de cautela” para dar seqüência às obras; não haverá “imposição”, disse Kassab

FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

O prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) reuniu ontem sua equipe de campanha, subprefeitos e secretários da Prefeitura de São Paulo, a maioria tucanos. A orientação é que será preciso mostrar à população as “conquistas” da gestão e que a atuação deve ocorrer apenas fora do expediente, em encontros com a comunidade.
Segundo Clóvis Carvalho, secretário de Governo, não pode haver “excesso de cautela”, pois é preciso continuar os trabalhos da prefeitura e não se pode “inibir aquilo que achamos que temos e devemos fazer”.
Secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo pediu cautela e disse que fora de expediente é possível “levar à sociedade nosso programa”.
No almoço, em um hotel na zona norte, o advogado Ricardo Penteado, assessor jurídico da campanha, se colocou à disposição para esclarecer dúvidas de conduta dos servidores.
Kassab disse que “nenhum companheiro de prefeitura terá qualquer imposição para participar de campanha”.
Já o coordenador do programa de governo, Guilherme Afif, orientou como “movimentar” a campanha até o início da propaganda na TV, em agosto. Segundo ele, o objetivo é ter “o direito de continuar fazendo direito”. Afif disse que, nos horários possíveis, subprefeitos e secretários devem convidar a população para debates.
“Cada subprefeito convidando a comunidade para o grande debate das linhas e diretrizes gerais do futuro governo e a oportunidade de falar daquilo que está sendo feito”, disse. “Cada secretário vai promover reunião no próprio comitê.”
O único aplaudido foi o tucano Walter Feldman, secretário de Esportes. “Nós do PSDB temos orgulho de fazer parte do seu governo”, disse a Kassab.
Hoje, 21 dos 31 subprefeitos são da cota do PSDB e 11 dos 22 secretários são tucanos. O candidato do partido é o ex-governador Geraldo Alckmin.
“Esse fato é irrelevante e inócuo. Estamos preocupados em dialogar com o eleitor. O adversário nesta eleição é o PT”, disse Alckmin ontem.
Kassab chamou o marqueteiro Luiz Gonzalez de “nosso comandante”. Responsável pela comunicação, Gonzalez pediu uma “muralha da China” entre prefeitura e campanha.
Já seu sócio Woile Guimarães cobrou a manutenção e até a melhora na qualidade dos serviços públicos da cidade.
Após o evento, Manuelito Pereira, secretário de Planejamento, disse não acreditar na saída de tucanos agora.
Foram ao almoço 28 dos 31 subprefeitos e 18 dos 21 secretários. O secretário Rodrigo Garcia (Desburocratização) estava viajando. Walter Aluisio (Finanças) e Carlos Calil (Cultura) enviaram os adjuntos.
Segundo a assessoria de Kassab, os subprefeitos Alexandre Modonezi (Vila Mariana) e Milton Persoli (Freguesia do Ó) estão de férias, e Geraldo Montovani (Santo Amaro), doente.

15/07/2008 - 12:16h Cidade suja de corrupção requer CPI

AGORA

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O prefeito Kassab ganharia a apoiar a instalação da CPI exigida pelo sindicato dos ambulantes. Isto por um motivo simples: Como revela o jornal AGORA o subprefeito do Brás tinha sido alertado desde o 29 de fevereiro sobre a atuação da máfia dos fiscais dirigida pelo seu assessor político, filiado ao DEM. O subprefeito tucano sabía, disse o jornal AGORA e mesmo assim declarou aos jornais que não tinha a menor suspeita que o sistema estivesse agindo na suas barbas.

Se o prefeito Kassab insistir em não permitir a constituição da CPI para investigar no só a Máfia dos Fiscais no Brás, mas a acusação que o sistema funciona em outras subprefeituras, deveria pelo menos demitir o subprefeito por negligência. É o mínimo considerar que sua atuação foi negligente ao ignorar uma grave acusação formulada numa reunião, dando lugar a incidentes graves e não ter tomado qualquer providência, nem sindicância.

Um subprefeito do PSDB, suspeito de proteger um assessor político do DEM, que arrecadava R$1 milhão por mês, sem que isto provoque nenhuma atitude de Kassab, fora mobilizar a Guarda Cívil Metropolitana para fiscalizar, é uma passividade inadmissível com a Máfia. LF

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Jornal da Tarde

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O Estado de São Paulo

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Agora

14/07/2008 - 18:04h O demo Kassab se proclama candidato do PSDB

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Secretários tucanos declaram apoio a Kassab em reunião eleitoral

REUTERS - Agencia Estado

SÃO PAULO - Em reunião nesta segunda-feira com o secretariado para marcar os limites de participação da equipe na campanha, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) recebeu manifestação de apoio dos secretários tucanos à sua eleição.

Mais enfático secretário municipal do PSDB, o deputado federal Walter Feldman (Esportes) chegou a falar que foi ultrapassado um período extremamente difícil, citando indiretamente a disputa dentro do partido, que acabou escolhendo o ex-governador Geraldo Alckmin como candidato e deixando os integrantes da sigla na equipe de Kassab em situação delicada.

“Nós do PSDB temos muito orgulho de participar deste governo, seja na fase inicial, sob o comando de (José) Serra, seja na continuidade com o Kassab. Nenhum milímetro foi alterado e temos compromisso com este governo até 31 de dezembro”, disse Feldman.

Das 22 secretarias municipais, nove são ocupadas por tucanos e dos 31 subprefeitos, cerca de 20 são do PSDB. Em um encontro que poderia ser interpretado como pressão sobre o engajamento tucano, Kassab procurou afastar a atitude.

“Em nenhum momento nenhum companheiro de prefeitura terá de nossa parte qualquer imposição para participar de campanha”, disse o prefeito, para em seguida classificar de “peculiar” o fato de o PSDB ter dois candidatos em disputa pela prefeitura de São Paulo.

Outros secretários tucanos presentes ao encontro, que teve a presença de subprefeitos, também deixaram claro sua adesão a Kassab, como Clóvis Carvalho (Governo) e Andrea Matarazzo (Subprefeituras).

Coube ao jornalista Luiz Gonzalez, “comandante” da comunicação da campanha, como definiu Kassab, dar o recado sobre a atuação de secretários e subprefeitos na eleição.

“Um dos desafios é estabelecer uma ‘muralha da China’ entre a administração e a campanha”, disse Gonzalez, ex-marqueteiro de Alckmin por três campanhas, entre elas a presidencial de 2006.

Além de Gonzalez, também vai atuar na campanha de Kassab o jornalista Roger Ferreira, que trabalhou com Alckmin no governo paulista.

A equipe terá de dividir sua atuação, como o prefeito já vem fazendo, deixando os horários do almoço, da noite e pela manhã bem cedo para atividades de campanha e analisando se suas decisões no dia-a-dia não se chocam com a lei eleitoral. (Reportagem de Carmen Munari)

10/07/2008 - 12:32h Kassab: Depenando tucanos para se fantasiar como eles

Demo fantasiado de tucano
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Kassab, o demo, patrão do PFL em São Paulo e ex-secretario de planejamento de Pitta, realiza uma operação inteligente de apropriação “ilicita” do PSDB, graças ao apoio de José Serra.

O objetivo visa permitir a Kassab se apresentar aos eleitores travestido com a “fantasia” de tucano .

Mas não é sem razão que ele apresenta sua candidatura como sendo do PSDB e desse jeito tirar eleitores do tucano Alckmin. Ele foi vice-tucano e é preposto de Serra. Governa com o PSDB, com a política do PSDB e com a maquiagem do PSDB. Por isso considera injusto não ser o candidato dos tucanos.

Os ataques cada vez mais freqüentes de Alckmin ao governo Kassab tentam neutralizar esta operação dos kassabo-serristas.

Mas uma coisa parece difícil para ambos: esconder o balanço dos seus respectivos governos e o que eles tem em comum: o descaso com a população e a defesa do serviço mínimo, (ops) quero dizer Estado mínimo.

Confirmando o que temos reiterado aqui no blog, os serristas continuarão manifestando seu apoio a Kassab e a agir contra Alckmin. A determinação de José Serra em destruir seu concorrente no próprio ninho é uma questão de sobrevivência e de ambição. LF

Kassab reunirá tucanos para cobrar apoio

CATIA SEABRA - FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL

Em novo capítulo da crise do PSDB, tucanos do primeiro escalão da Prefeitura de São Paulo deverão descer do muro na segunda-feira, em almoço com o prefeito Gilberto Kassab (DEM).
Secretários e subprefeitos filiados ao partido foram convidados para o almoço pelo secretário municipal de Governo, Clóvis Carvalho. Nos e-mails, ele pede que não usem carros oficiais, deixando claro que o cardápio é político. A expectativa é que sejam cobrados a defender com mais ênfase o governo Kassab, sob o argumento de que é o trabalho de todo o grupo que está em xeque.
Ontem, após homenagem aos heróis da Revolução Constitucionalista de 1932, Kassab disse que considera natural o apoio de tucanos a seu governo.
“É o governo deles. Não estão contrariando a ética aqueles que estiverem me apoiando. Muito pelo contrário”, disse. “O PSDB participará de meu plano de governo, meus secretários participarão do meu plano de governo. Não tem sentido [para] um governo que será de continuidade os secretários não participarem”, justificou.

08/07/2008 - 12:23h Depenando tucanos

Kassab anuncia mais um tucano em sua campanha

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VALOR

O início da campanha eleitoral em São Paulo indica que o PSDB continua desunido em torno da candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura. Além dos vereadores tucanos que apóiam a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM), está aumentando o número de secretários municipais, assessores e funcionários do governo municipal que preferem apoiar o prefeito ao ex-governador. Ontem, Kassab confirmou mais um tucano na coordenação de seu programa de governo, o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider.

Segundo Kassab, o secretário não se licenciará. “Formulei o convite e ele aceitou”, afirmou Kassab ontem. Schneider foi chefe de gabinete das secretarias de Transporte e de Segurança Pública na gestão do tucano Mário Covas e secretário adjunto de governo quando José Serra foi prefeito.

Na semana passada, os tucanos Clóvis Carvalho, secretário de Governo, Manuelito Pereira Magalhães, secretário de Planejamento, e Felipe Sotello, do Centro de Estudos e Pesquisas Municipal anunciaram o apoio ao prefeito.

O grupo que acompanhava Alckmin ontem no corpo-a-corpo pelo bairro de Campo Limpo, na zona sul, também ajuda a mostrar a dificuldade do tucano em aproximar-se de alas do partido. O ex-governador iniciou a caminhada sem ter ao seu lado vereadores ou o grupo que defendeu a candidatura Kassab. Após a convenção partidária, em junho, ele disse acreditar que teria todo o PSDB ao seu lado assim que a campanha começasse.

Após percorrer alguns quarteirões, apenas o vereador José Rolim (PSDB) engrossou a fileira de correligionários que o acompanhavam. “Vereador tem que fazer a sua campanha, andar comigo não ganha voto”, disse Alckmin.

Otimista com a participação de tucanos em sua campanha, Kassab intercalou a campanha com atividades da prefeitura. Na hora do almoço, foi ao Mercado da Lapa, na zona oeste, onde foi abordado por uma senhora que o comparou ao ex-prefeito Jânio Quadros. “O senhor é o segundo Jânio Quadros. Continue sempre assim, limpando a cidade”, disse a aposentada Iracema Gomes, de 79 anos, em referência ao projeto Cidade Limpa, que proibiu outdoors na cidade. O prefeito gostou: “Ela o via como referência de homem público, e disse que via em mim as mesmas características.” Kassab deixou a dieta de lado e comeu queijo, doces, bolinho de bacalhau e tomou café.

Já a ex-prefeita Marta Suplicy, do PT, participou da comemoração da independência americana em uma escola de idiomas na zona sul, e foi à inauguração da sede da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, no centro. Hoje Marta participa de debate sobre habitação, junto com a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB). (Com agências noticiosas)

06/07/2008 - 09:13h “Propina podia chegar a 30% do valor total”

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Documento mostra 3º nome no caso Alstom

Correspondência de diretor da empresa cita o nome “Neves”, que, para promotoria suíça, indicaria alguém ligado ao governo de SP nos anos 90

Eduardo Reina - O Estado de São Paulo

Surge um terceiro personagem que teria intermediado negociações entre a Alstom e o governo de São Paulo no final da década de 90. Trata-se de uma pessoa identificada como “Neves”, que consta em comunicado apreendido pela promotoria suíça. Os investigadores suspeitam que seja um pseudônimo de alguém ligado ao governador de São Paulo na época, Mario Covas. Mas não está descartada a hipótese de que seja o sobrenome de alguém que tenha trabalhado na administração estadual ou mesmo de algum intermediário.

Neves aparece em comunicado enviado por Andre Botto, diretor da Cegelec - empresa da área de energia que foi integrada pelo grupo Alstom em 1997 - na França, para uma pessoa de nome M. Chamussy. Foi escrito em 23 de setembro de 1997. O manuscrito trata da extensão por 12 meses de contrato com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE) - o aditivo 10 ao contrato Gisel - para fornecimento de equipamentos às subestações Aclimação e Miguel Reale, no Cambuci.

Ao lado do nome Neves aparece “8,5%”, que os investigadores acreditam ser o porcentual que essa pessoa teria recebido para fazer a intermediação. Ao lado do número há também a palavra “fait”, feito em português. Logo abaixo está o nome Splendor, com 1% e a rubrica “fait”; e depois C.M. com 7%, sem rubrica de feito.

Esse primeiro comunicado entre os diretores da Cegelec discute o porcentual que C.M. teria de receber. A sigla é revelada mais adiante como Cláudio Mendes, que deveria receber 7% de “remuneração”. No corpo do texto é explicado pelo autor que C.M. trata-se de um intermediário com o governo de São Paulo.

Há até um questionamento sobre o pagamento. “Eu não posso dar “ok” para uma pessoa que eu não conheço e da qual eu jamais ouvi falar”, revela outro trecho do bilhete, possivelmente uma resposta escrita por Chamussy.

A Splendor foi identificada pelo Ministério Público suíço como Splendor y Associados Desenvolvimento Econômico, com escritório em São Paulo e que tinha conta em um banco em Genebra, Suíça. O escritório na capital paulista não existe. E tampouco há registro da empresa na Junta Comercial de São Paulo. Ela recebeu repasses da Alstom que somam R$ 1,2 milhão (3,3 milhões de francos franceses à época). As offshores Janus Holding e a Compania de Asesores de Energia S.A. foram intermediárias nesses depósitos.

A soma dos porcentuais pagos a Neves, Splendor e Cláudio Mendes chega a 16,5% do valor total do aditivo em questão, algo em torno de R$ 100 milhões. E, num segundo bilhete, de 21 de outubro de 1997, entre Andre Botto e Bernard Metz, outro executivo da Cegelec, discute-se a remuneração que seria destinada às finanças do partido no poder na época, o PSDB, ao Tribunal de Contas do Estado e também à Secretaria de Estado de Energia.

Pelo documento, a remuneração foi objeto de “acordo no patamar de 7,5 (%)”. “Se trata da remuneração para o governo local. Ela está sendo negociada via um ex-secretário do governador (RM)”, mostra o comunicado apreendido. Há suspeita dos investigadores de que R.M. seja Robson Marinho, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Marinho foi coordenador da campanha eleitoral de Mário Covas em 1994 e chefe da Casa Civil do governo do Estado de 1995 a abril de 1997.

O conselheiro nega que tenha negociado ou intermediado qualquer contrato com a Alstom e o governo paulista. Marinho também nega conhecer as pessoas envolvidas nas investigações do caso e diz que tem sido “vítima de repetidas publicações inverídicas e difamatórias, a começar pela insistência em relacionar seu nome com supostas atividades ilícitas”. Ele assume apenas que no governo de Mário Covas era o único R.M. existente e que viajou à França, em 1998, para assistir às finais da Copa do Mundo com despesas pagas por uma empresa que tinha integrado o grupo Alstom.

Cláudio Mendes, identificado pelos promotores como Claudio Luiz Petrechen Mendes, também negou intermediação nos contratos entre a multinacional francesa e o governo do Estado. Assim como o secretário de Energia na época da suposta propina, David Zylbersztajn, ex-genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Um ex-funcionário do setor de finanças da Alstom no Brasil disse ao Estado que a “remuneração” a consultores e intermediários nos contratos podia chegar a 30% do valor total. Essa pessoa - que não quis se identificar - disse que o suborno era repassado pelas empresas subcontratadas.

Em visita ao Brasil, na semana passada, o presidente mundial da Alstom, Patrick Kron, negou as denúncias contra a empresa e disse que o grupo “não corrompe agentes públicos”.

06/07/2008 - 00:23h Marta na liderança no primeiro turno e empatada com Alckmin no segundo

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05/07/2008 - 20:34h Datafolha: Marta tem 38% das intenções de voto; Alckmin, 31%

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Kassab obteve 13% da preferência, seguido de Maluf, com 8%.


Pesquisa foi feita entre os dias 3 e 4 de julho e ouviu 1.085 moradores.

Do G1, em São Paulo

Pesquisa Datafolha publicada no jornal “Folha de S.Paulo” revela que a ex-ministra Marta Suplicy (PT) está com 38% das intenções de voto em São Paulo, seguida pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 31%.


Leia também: Datafolha aponta Crivella com 26% e Jandira, com 17%

Em terceiro lugar vem o prefeito Gilberto Kassab (DEM), com 13% da preferência. O quarto lugar é ocupado pelo ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que obteve 8% das intenções de voto.

Soninha (PPS) obteve 1% das intenções de voto; Levy Fidelix (PRTB), Ciro Moura (PTC), Renato Reichman (PMN) e Ivan Valente, 0%. Votos em branco, nulos e nenhum tiveram índice de 5%; não sabe, 3%.

A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa, a primeira realizada após a oficialização das candidaturas, foi feita entre os dias 3 e 4 de julho e ouviu 1.085 moradores de São Paulo. O número de registro no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) é 01000108-SPPE.

Com a costura da aliança do bloco PC do B, PSB e PDT com o PT não é possível comparar a pesquisa atual com as anteriores, pois os três partidos apresentavam candidaturas na época.

No dia 15 de maio, pesquisa Datafolha registrava um empate técnico entre Marta e Alckmin. A petista tinha 32% e o tucano, 28%.


Renda e região

Marta apresenta seu melhor desempenho (44%) entre os que têm renda mensal de até dois salários mínimos. No mesmo segmento, Alckmin e Kassab têm, respectivamente, 27% e 11%.

O tucano tem melhor desempenho (34%) entre os que têm renda de dois a cinco salários mínimos. Já entre os que ganham mais de dez salários mínimos, o índice é de 33%. Já Kassab e Marta têm, respectivamente, 24% e 23%.

Marta tem o melhor desempenho na Zona Sul de São Paulo (44%) e o pior no Centro (23%). Alckmin se destaca no Centro e Zona Norte (42%) e é mais fraco na Zona Sul (27%). Já Kassab se destaca nas Zonas Leste e Oeste (15%) e tem pior desempenho na Zona Norte (10%).


Segundo turno

Marta e Alckmin estariam tecnicamente empatados num eventual segundo turno. Segundo a pesquisa, caiu de dez para cinco pontos a vantagem de Alckmin sobre Marta em relação ao levantamento anterior.

Alckmin obteria 50%, contra 45% de Marta. Na pesquisa anterior, o tucano tinha 52% contra 42% da petista. Segundo o Datafolha, o ex-governador herdaria 78% dos eleitores de Kassab e Marta, 19%. Alckmin contaria com 60% dos eleitores de Maluf e Marta, 30%.

Em uma eventual disputa com Kassab, Alckmin venceria com 34 pontos de vantagem: 59% a 25%.

Se Marta disputasse o segundo com a Kassab, ela derrotaria o prefeito por 55% a 36%.

Em comparação com a pesquisa anterior, a vantagem da ex-ministra subiu de dez para 19 pontos. No cenário, Kassab herdaria 56% dos eleitores de Alckmin e Marta, 33%.

Rejeição

Marta tem 30% de rejeição – maior parcela entre quem tem nível de escolaridade superior e renda familiar superior a dez salários mínimos. Kassab tem 30%, Alckmin, 18%, e Maluf, 55%.