05/11/2009 - 11:34h Brasileiros de baixa renda viajam mais

Nos últimos dois anos, o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem aumentou 83%, segundo levantamento do governo

Renato Andrade, BRASÍLIA – O Estado SP

O aumento da renda dos brasileiros contribuiu para a expansão do número de turistas dentro do País, de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo governo. Segundo o levantamento, o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em relação ao verificado em 2007. Para o ministro do Turismo, Luiz Barretto, os dados mostram que o turismo começa a fazer parte da lista de consumo dos brasileiros de menor renda, o que significa um novo desafio para as empresas do setor. “Temos que ter produtos para essa nova classe média”, disse.

De acordo com o levantamento, 58,8% dos 2.514 entrevistados pelo Instituto Vox Populi fizeram pelo menos uma viagem no Brasil entre 2007 e 2009. Na pesquisa anterior, esse porcentual era de 32%. O número de pessoas que não viajou e nem pretende viajar nos próximos dois anos caiu para 7,6%, ante 32% na pesquisa de 2007. Neste caso, a falta de dinheiro continua sendo o principal entrave. As entrevistas foram feitas em 11 capitais, entre 17 de junho e 7 de julho.

De acordo com a pesquisa, 15,8% das pessoas que recebem de um a três salários mínimos fizeram uma viagem nos últimos dois anos. Na faixa entre 3 a 5 salários mínimos, esse fatia sobe para 19,7%. “Esse número é expressivo”, disse Barretto. “O turismo era muito concentrado nas classes A e B, e a classe C tem entrado e contribuído para o alargamento da base”, acrescentou.

A pesquisa mostra ainda que a internet tem ganhado mais espaço como instrumento de pesquisa para definir roteiros de viagens. A rede mundial de computadores foi citada por 39% dos entrevistados como a principal fonte de informação, praticamente empatada com a tradicional consulta a amigos e familiares, ainda a melhor alternativa para 41% dos entrevistados.

O planejamento das viagens por conta própria também é outra característica do turista brasileiro revelada pela pesquisa. Da parcela de entrevistados que fizeram alguma viagem desde 2007, mais de 78% não utilizaram os serviços oferecidos pelas agências de viagem. Para Barretto, as empresas do setor devem buscar mais especialização e diversificação, para tentar atender aos diferentes perfis de turistas do País.

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Classe C viaja mais e turbina turismo no país, diz estudo

Pesquisa traça o perfil do turista; NE é destino preferido


JOHANNA NUBLAT – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O brasileiro viajou mais a turismo pelo país nos últimos dois anos, segundo indica pesquisa divulgada ontem pelo Ministério do Turismo. O percentual dos que fizeram pelo menos uma viagem interna passou de 32,4%, entre 2005 e 2007, para 58,8% nos últimos dois anos (variação de 83,7%).
O estudo mostra ainda que caiu de 32,5% para 7,6% o percentual de brasileiros que não viajaram nos dois anos anteriores e não pretendiam viajar nos dois seguintes.
O gasto médio total dos que viajaram, por outro lado, teve uma queda de 9% no período. Essa diminuição pode ser explicada em parte pela ampliação da base dos consumidores, trazendo para o consumo pessoas com renda menor, diz Márcio Nascimento, diretor do Departamento de Promoção e Marketing Nacional da ministério. Outra justificativa, segundo a pasta, é o barateamento de parte dos serviços.
A presença maior das pessoas de renda mais baixa deve fazer a “indústria do turismo repensar o hábito do mercado”, afirma o ministro da pasta, Luiz Barretto. “Há uma nova classe média com quem dialogar. Mais de 60% de quem viajou ganha até dez salários mínimos. A chamada classe C tem um peso também no turismo.”
Além desse fator, outros colaboraram para o aumento do turismo nacional, como a crise econômica e a gripe A (que diminuíram viagens para países vizinhos), diz o governo.
A pesquisa foi feita pelo Instituto Vox Populi, com 2.322 entrevistas entre junho e julho deste ano em 11 capitais. Foram ouvidos maiores de 18 anos, de todas as classes econômicas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O perfil traçado do viajante brasileiro mostra que ele viaja principalmente com a família, para destinos no Nordeste e por um curto período de tempo (54,6% por até uma semana).
A grande maioria (80,3%) se desloca nas férias e um número expressivo viajou nos feriados e finais de semana prolongados (66,8%) nos últimos dois anos -a pesquisa anterior mostrava um percentual menor, de 41%.
O brasileiro também recorre mais a dicas de conhecidos e à internet para planejar sua viagem, buscando agências especializadas em viagens apenas em 5,6% dos casos.
As estradas são usadas pela maioria das pessoas: 41,8% usam normalmente o carro, e 23,8%, o ônibus. O avião é usado por 33,5% dos viajantes.
Apesar de pensarem o deslocamento com certa antecedência, 19,9% dos viajantes pagam a viagem em até sete dias da partida. O pagamento é feito à vista em 63,2% dos casos.
Esses dados se referem ao chamado cliente atual, ou seja, o que viajou pelo menos uma vez nos últimos dois anos. A pesquisa mostra ainda as expectativas do cliente potencial: o que demonstra interesse de procurar destinos nacionais nos próximos dois anos.
Há diferenças entre esses dois públicos, como a renda. Enquanto 35,5% dos que viajaram têm renda familiar de até cinco salários mínimos, 58,5% dos que pretendem viajar nos próximos anos pertencem a essa faixa salarial.
Trabalhar esse “turismo social”, oferecendo produtos às classes C e D, é um dos principais pontos da pesquisa que podem levar ao desenvolvimento de políticas públicas e privadas, explica Elisangela Machado, do CET (Centro de Excelência em Turismo) da UnB. Outro é a referência ao maior uso de hotéis. “Se eu tenho mais brasileiros viajando e vou ter um incremento ainda com a Copa, como vou atender meu público interno e externo?”

14/03/2009 - 09:32h Brasil quer mais turistas sul-americanos

Governo aposta em sul-americanos para evitar “recessão” do turismo

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Portal O Globo e Valor Online

SÃO PAULO – O governo brasileiro vai concentrar seus esforços no mercado doméstico e sul-americano para manter aquecida a indústria do turismo, que responde por cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A informação é do ministro do Turismo, Luiz Barretto, que já trabalha com um cenário de queda nas visitas de americanos e europeus ao Brasil neste ano, em razão da crise internacional.

Apesar do provável desaquecimento, o Brasil está bem posicionado no contexto mundial. Segundo relatório divulgado na quinta-feria, em Berlim, pelo Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC, na sigla em inglês), o mercado brasileiro sofrerá em 2009 uma retração de 0,4% em relação ao ano passado, contra uma queda global média projetada em 3,5%.

” Para nós será praticamente uma estabilidade”, comemorou o ministro, em entrevista ao Valor Online.

Para compensar a ausência de americanos e europeus, a pasta irá focar o turismo interno e de menores distâncias para incentivar os brasileiros a viajar mais em 2009.

” Também vamos trabalhar com os turistas sul-americanos, como chilenos e argentinos, que estão com câmbio favorável para virem para cá ” , completou Barretto, que lembrou ainda que 2009 reserva um bom número de feriados prolongados.

Apesar da animação, o ministro prefere não revelar suas próprias projeções.

“Não é possível fazer neste momento ” , disse ele.

De concreto, se sabe apenas que em janeiro deste ano os turistas estrangeiros deixaram US$ 492 milhões no Brasil, o que representa uma queda de 17,3% em relação ao mesmo mês de 2008, quando a cifra foi de US$ 595 milhões, a maior arrecadação mensal de todos os tempos, segundo o ministério.

Leia também: OMT estima crescimento nulo no turismo para 2009

Brasil sobe quatro posições em ranking do turismo

02/03/2009 - 20:56h Faturamento do turismo no Brasil cresce 20% no primeiro bimestre de 2009

Em alta

 

Eduardo Rodrigues* – O GLOBO

Ministro do Turismo, Luiz Barretto

BRASÍLIA – Apesar da crise financeira internacional, o Rio de Janeiro recebeu 2,55 milhões de visitantes na temporada de verão, 50 mil a mais que no ano passado. No carnaval, ponto alto da estação, a ocupação da rede hoteleira carioca alcançou 95%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). De acordo com estimativa do Ministério do Turismo, o faturamento do setor no Brasil cresceu 20% nos primeiros dois meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2008. Apesar da queda nos gastos de turistas estrangeiros nos país, o mercado se manteve aquecido principalmente pelas viagens de brasileiros a destinos nacionais.

- Este resultado é muito importante. Ter um resultado tão positivo em um momento de crise significa que nem todos os setores foram atingidos da mesma forma – disse o ministro do Turismo, Luiz Barretto.

A desvalorização cambial do fim do ano passado deixou o produto ‘Brasil’ mais competitivo (L. Barretto)


O ministro Barretto atribuiu o crescimento do setor ao fato de muitos brasileiros terem preferido viajar pelo Brasil nessa temporada de férias:

- A desvalorização cambial do fim do ano passado, quando o real desvalorizou cerca de 30% ante o dólar, deixou o produto ‘Brasil’ mais competitivo. O dólar no patamar entre US$ 2,25 e US$ 3 deixa [o país] mais competitivo para o brasileiro e para o estrangeiro – explicou.

Ele disse ainda que os turistas estrangeiros também contribuíram para o crescimento do setor, principalmente argentinos e chilenos.

- Hoje está mais barato, por exemplo, para o argentino, para o chileno, freqüentar o Brasil – disse Barretto.

Segundo o ministro, outro fator que facilita a entrada dos sul-americanos no Brasil é a ligação terrestre que há entre os países do continente.

O ministério ainda não tem o total dos gastos de turistas estrangeiros no Brasil nos dois primeiros meses deste ano, mas informou que apenas em janeiro eles deixaram no país US$ 492 milhões. No mesmo período do ano passado foram gastos USS 595 milhões.

Em relação ao verão passado, a ocupação nos hotéis brasileiros cresceu 23%. Em Pernambuco, por onde passaram 800 mil turistas apenas no carnaval, a lotação dos quartos chegou a 100%.

A ocupação dos hotéis na Bahia cresceu 5% e no Ceará chegou a 86%, quatro pontos percentuais acima do Carnaval passado. Santa Catarina manteve os 85% registrados no mesmo período do ano anterior.

Os hotéis de São Paulo, que normalmente sofrem queda durante o período de férias, apresentaram uma alta de 5% no período.

Apesar de ter sido castigada pelas enchentes no final de 2008, Santa Catarina manteve o índice de hospedagens em 85% da capacidade e ainda registrou alta de 7% na entrada de turistas estrangeiros.

A estimativa de crescimento de 20% no bimestre para o setor, feita pelo ministério, leva em consideração os resultados de várias atividades que compõem as receitas do turismo no país. Em janeiro e fevereiro de 2009, as operadoras de turismo venderam 15% mais pacotes que no início do ano passado, ao passo que os voos domésticos aumentaram 10% no mesmo período. A locação de veículos apresentou aumento ainda maior, de 40%, chegando a dobrar em capitais como Salvador e Fortaleza.

Neste verão, as festas populares consolidaram o Rio como o principal destino turístico do Brasil. No réveillon a cidade recebeu 612 mil turistas, enquanto outras 719 mil pessoas viajaram para aproveitar o carnaval carioca. Segundo o ministério, o turismo no país emprega 2,225 milhões de empregos formais, mas se considerados os empregos indiretos e o setor de bares e restaurante esse número pode chegar a 6,3 milhões.

- Hoje o Brasil não tem uma única porta de entrada no turismo. Além do circuito de sol e praia, o ecoturismo e o turismo de culta e negócios também fazem parte da diversificação do setor – afirmou Barretto.

* Com informações da Agência Brasil