22/08/2008 - 23:41h No ar, o Dr. Alckmin

Eleição em São Paulo

Blog de Noblat

No capítulo eleitoral da tarde de hoje em São Paulo, o zen Geraldo Alckmin (PSDB) fez o que muita gente implorava que fizesse na campanha presidencial: assumiu o seu lado médico de ser. E ao finalmente sair de Pinda para retomar sua especialidade profissional, aproveitou para tentar aplicar anestesia-geral no medalha de bronze Gilberto Kassab (DEM).

Do alto do seu jaleco, após fazer um diagnóstico sombrio da saúde na cidade administrada por Kassab, o dr Alckmin deu solução para tudo - de integração dos serviços à construção de hospitais, policlínicas e o escambau. Tudo com sigla, tudo com número, tudo com fotografia. E tudo perto de casa, prometeu.

O golpe de Alckmin foi de tiro longo, para alcancar também, lá no outro lado do mundo em que se encontra desde a véspera da estréia da campanha na TV, o governador José Serra. Não precisa explicar mas não custa lembrar: Saúde é a grande marca de Serra desde o Ministério. Tanto é que um dos motivos da derrota da candidata Marta Suplicy (PT) para ele nas últimas eleições é atribuído ao fato dela ter agendado este tema na campanha. Com força na Educação por causa dos CEUs, ela focou na proposta de um CEU da Saúde. Entrou na seara do adversário e deu no que deu.

Agora é diferente. Alckmin abandonou a medicina pela política, mas não pode se dizer que não seja médico. Quanto a Kassab, não foi ministro nem médico, é engenheiro, portanto não tem credenciais para essa disputa. De outro lado, Kassab é o fiel depositário da marca do padrinho político e antecessor, especialmente de sua menina dos olhos, as AMAs.

É, o candidato do DEM vai ter que largar rapidinho a pilha de papéis e o paletó que carrega na mão nos seus comerciais na TV, pois vai precisar usar os dois braços, quem sabe até um pé, nessa briga em que se meteu com seu parceiro histórico, o PSDB.

A jornalista Cila Schulman é estrategista e coordenadora de comunicação de campanhas eleitorais desde 1988. Estudou na “Graduate School of Political Management” da “George Washington University” e é membro e palestrante de entidades internacionais como IAPC – Associação Internacional de Consultores Políticos -, EAPC – Associação Européia de Consultores Políticos e Alacop – Associação Latino Americana de Consultores Políticos.

22/08/2008 - 23:01h Programa de Marta dá um banho nos outros

Opinião de Ricardo Noblat

Descobri que pela tv paga posso assistir aqui em Brasília aos programas dos candidatos a prefeito de São Paulo. Vi os desta noite.

A tarefa de comentá-los é da Cila Shulman, especialista no assunto (veja post mais abaixo). Mas não resisto a fazer uma rápida observação: o programa da Marta Suplicy me parece disparado o melhor. Em tudo: beleza, ritmo, senso de oportunidade, dinamismo, posicionamento.

Em segundo lugar vem o de Gilberto Kassab. Em terceiro o de Geraldo Alckmin.

18/08/2008 - 08:42h “Internet terá mais impacto na formação de opinião”

Leia a integra da entrevista do publicitário Washington Olivetto na Folha de São Paulo

(…)

FOLHA - Nestas eleições no Brasil, a internet terá algum eco ou estamos muito distantes do que está havendo na disputa norte-americana?
OLIVETTO - No caso do Obama, o público jovem está sendo atingido por novas mídias. Isso, na realidade americana é maior, mas aqui está acontecendo. As pessoas se encantam com falibilidade, alguém mais coloquial, menos perfeito. Possivelmente, há a percepção de “isso parece mais verdade”. Essa é a grande mudança na comunicação. A relação, que antes era monólogo, agora é diálogo. Quem antes era receptor agora é discutidor e até produtor de mensagem. No Brasil, isso terá algum eco, apesar de que sempre achei nossos políticos muito antigos, defasados. Especialmente em uma eleição municipal, não sei se os candidatos são tão aparelhados a ponto de se modernizar no discurso. Mas algumas manifestações deverão acontecer, apesar de que a internet, nesta eleição, ainda terá mais impacto na formação de opinião do que no voto.

FOLHA - Apesar disso, os candidatos principais estão tentando investir nessa área. Por quê?
OLIVETTO - Se você não investir nisso, demonstra uma anticontemporaneidade, que contamina todo o resto da sua proposta. Como você será um dirigente no mundo moderno se não está atrelado ao mundo moderno? É uma questão de atitude, mais do que o resultado palpável que possa ter com isso em votos.

FOLHA - O que o sr. achou da decisão do TSE de buscar um controle do conteúdo eleitoral na internet?
OLIVETTO - Eles podem até se propor a fazer isso, mas conseguir é praticamente inviável.

(…)

Leia a integra da entrevista na Folha de São Paulo 

12/08/2008 - 20:25h “Hoy cualquier imbécil en la tele puede llegar a millones de personas ¿y un libro a cuántos?”, pregunta el escritor italiano Antonio Tabucchi

 

 

adncultura*com

SAN LORENZO DE EL ESCORIAL (Madrid) (EFE).– El escritor italiano Antonio Tabucchi considera que la voz crítica de los intelectuales queda apagada en la actualidad “por el inmenso poder de los medios de comunicación”.

La obra de Tabucchi es objeto esta semana de análisis en un curso de la Universidad Complutense en El Escorial y, en una entrevista concedida a EFE, se confesó “escéptico” respecto a la capacidad de intervención de la literatura o de los intelectuales en la sociedad contemporánea, frente a la influencia de los medios.

“Estadísticamente hablando es imposible luchar contra las cuatro o cinco horas que, por ejemplo, pasan los italianos frente al televisor. Hoy cualquier imbécil en la tele puede llegar a millones de personas ¿y un libro a cuántos?”, se pregunta el escritor.

Autor de una docena de títulos, entre ellos “Sostiene Pereira”, “Requiem” y “La cabeza perdida de Damasceno Monteiro”, Tabucchi (Pisa, 1943) se ha caracterizado siempre por su conciencia crítica al firmar todo aquello que reivindique derechos y libertades y por reflexionar acerca de la literatura.

El curso que le dedica la Complutense sirve para recordar a Tabucchi su condición de literato: “La verdad es que estos actos me obligan a pensar que soy escritor, y que tengo que decir cosas inteligentes porque se deben de pensar que lo soy - comenta entre risas-, pero quiero decir que aunque esto me es muy grato yo reivindico constantemente la vida”.

“Si hoy no escribes una hoja no pasa nada, la puedes escribir mañana; sin embargo, lo que hoy no vivas ya no lo podrás vivir mañana, eso seguro, y el mundo está lleno de vida, de complicaciones. Hay que experimentarlas y luego, eso sí, si puedes contarlas”.

Tabucchi habló hoy en este seminario de sus libros y su relación con la historia, y reivindicó la necesidad de la memoria.

“La memoria se mantiene contando las cosas”, y para ello es muy importante la voz. La voz es vida, el silencio nada, y la escritura es el mineral que después queda”.

Este amante de los relatos más que de las novelas, cree que una de las características que debe tener el escritor es la paciencia: “Primero se pone la semilla y luego va saliendo la flor pero hay que tener paciencia”, aconseja.

Amante de Portugal, Tabucchi dice que empezó a escribir por un poema de Fernando Pessoa, de quien es un gran experto y traducto; está además preparando una edición de sus obras completas.

Tabucchi Vive a caballo entre Lisboa y París porque en Italia ya no tiene familia, pero aún así está muy atento a todo lo que pase en su país de origen.

“En Italia son más necesarias las leyes que los intelectuales, porque son las leyes las que tienen que decir al señor (primer ministro Silvio) Berlusconi que no se puede ser presidente de un país, ser el dueño de tres televisiones y también tener el control absoluto de la televisión nacional, pero el Parlamento es así. Él ganó democráticamente”, dice.

Cuando el viernes acabe este seminario, Tabuchhi volverá a la búsqueda de su soledad para seguir escribiendo un libro de relatos que tiene entre manos, con el concepto del tiempo como protagonista, y seguir tomando el pulso a la salud del mundo.

Carmen Sigüenza

20/06/2008 - 13:08h Nova atitude PT na TV

17/06/2008 - 15:53h Mais um comercial do PT na TV

09/06/2008 - 08:47h Uma volta ao globo em oito notas

Toda Mídia

NELSON DE SÁ - nelsondesa@folhasp.com.br

Brics e a crise do Ocidente Jim O’Neill falou novamente. Dias atrás, à Folha, deu o Brasil como seu Bric favorito. Ontem, em fórum na Rússia, o criador do acrônimo declarou às agências que a crise financeira “definitivamente permite aos Brics se desenvolverem mais rápido“. Afinal, “esta é uma crise do Ocidente”, que ele entende apenas por EUA e Europa, “e a maior parte dos seis bilhões de pessoas do mundo não será afetada por ela”.
Sobre o clube Bric que Brasil, Rússia, Índia e China lançaram dias atrás, em encontro na mesma Rússia, opinou o economista do Goldman Sachs: “Espero que os líderes do Ocidente tenham prestado atenção àquele encontro e comecem a acelerar sua inclusão no G8 e no FMI… Penso que a falta de avanço do G8 e dos líderes ocidentais na mudança é realmente ruim e um dos maiores problemas no mundo, hoje”.

O FUNDO, AFINAL
O “Financial Times” publica hoje e já destacava ontem, no alto da home, entrevista em que Guido Mantega anuncia o fundo soberano do país, a ser enviado ao Congresso. Deve “começar pequeno”, mas crescer rapidamente para “US$ 200 bilhões ou US$ 300 bilhões em três a cinco anos” conforme “o petróleo começar a entrar”, referência a Tupi e os outros campos.
Sexta, no dia de recorde do petróleo, o Market Watch voltou a se aprofundar na “série de descobertas do Brasil”.

ADMIRADORES ETC.
De um lado, o “FT” adiantou ontem e publica hoje uma longa reportagem sobre como “o novo status do Brasil”, com o grau de investimento, “ganha admiradores”. Entrevista nos EUA uma série de fundos institucionais para retratar tais admiradores e as apostas de aplicação por aqui.
De outro, o site do mesmo “FT” posta nota de outro correspondente, dizendo que “um consultor de São Paulo” não identificado aposta que a valorização da moeda do país já teria atingido seu pico.

AGORA, A ESTRADA
Jornais britânicos ecoaram no fim de semana a multa que o Ibama aplicou em Johan Eliasch, o sueco “consultor de Gordon Brown” e dono de terras na Amazônia. Uma “fonte próxima” sem identificação disse à AFP que as provas do Ibama são “falsas, politicamente motivadas”.
Enquanto isso, um artigo ontem no “New York Times” abriu outra frente, apelando às fotos da tribo “isolada” do Acre para questionar “uma nova estrada” no Estado.

UM MÊS DEPOIS

jornalnacional.globo.com
 

William Bonner, ao noticiar o caso Alstom

Por qualquer razão, o “Jornal Nacional” deu o caso Alstom na sexta, exatamente um mês depois de sair em manchete no “Wall Street Journal”. Citou por fonte “a bancada do PT”. E nada de mencionar PSDB ou o governo paulista, só o Metrô, “sob suspeita” por um “contrato de 1994″. Não entrou na escalada de manchetes.
Sábado, mais Metrô. Fora da escalada e sem citar governo, o “JN” deu que o IPT culpa “sucessão de erros” pelas mortes na Linha Amarela.

“YEDA, DO PSDB”
Também o escândalo no Rio Grande do Sul chegou ao “JN”, enfim, no sábado. No caso, com escalada e menção a “Yeda, do PSDB” e seu vice “do Democratas”. Mas nada do PPS do chefe da Casa Civil, flagrado no áudio falando do financiamento de legendas via estatais gaúchas.

RS URGENTE
Nada, também, da oferta de “uma coisa concreta” ao vice, feita na mesma gravação. Para tanto, era preciso acompanhar o blog gaúcho RS Urgente, de Marco Aurélio Weissheimer, que dá o escândalo desde seus primeiros passos, ainda no ano passado. Está lá a oferta, em podcast.

APARÊNCIAS
O blog de José Dirceu, dado por todo lado como próximo das duas fontes das denúncias contra Dilma Rousseff, os petistas José Aparecido e Denise Abreu, citou pela primeira vez o caso Varig. Postou que “a Casa Civil” não perdoou a dívida da empresa, como noticiado, pois “não havia sucessão das dívidas”. Na aparência, defendeu Dilma.

28/05/2008 - 16:53h Observando a mídia

A notícia instantânea, que desmancha sem bater

Carlos Brickmann, para o Observatório da Imprensa

Circo da Notícia - Coluna de 27 de maio

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No último dia 20, uma falsa notícia, divulgada por um importante canal de TV, mostrou como anda a imprensa no país: ninguém checou nada e todo mundo pôs no ar. A emissora de TV responsável pela barriga teve a cara-dura de afirmar que, enquanto divulgava as imagens de um incêndio, que teria sido causado pelo choque de um avião de passageiros com um prédio, ia checando a notícia.

Em resumo: divulgar antes, checar depois. E as concorrentes agiram ainda pior: copiaram primeiro, e algumas nem se deram ao trabalho de checar. Foram responsáveis não apenas pelos momentos de terror vividos pela família e pelos amigos dos passageiros daquela companhia, mas também por prejuízos reais à imagem da empresa aérea cujo nome foi citado. E foram responsáveis por atrasos e contratempos sem fim, já que a área mencionada como palco do choque do avião com o prédio é uma das mais movimentadas de São Paulo.

De onde surgiu a história? Ninguém sabe. O que ocorreu de fato foi um incêndio numa loja de móveis e colchões, com muita fumaça preta, muito susto e nenhuma vítima. Quem inventou que havia ali um avião de passageiros? Ninguém sabe, e a emissora que criou a barriga nada informou.

A fonte, cadê a fonte?

O fato é que a Internet, que pôs a informação ao alcance de muito mais gente em muito menos tempo, tem desprezado a boa apuração, em troca da velocidade. E, já que não é mesmo para apurar, por que gastar em bons jornalistas, em editores, em equipes de tamanho suficiente, em qualidade? Este colunista conhece alguns online operados exclusivamente por estagiários, sem ninguém que os treine, que os ensine, que se responsabilize por eles. Outros online, ligados a empresas que levaram anos construindo uma boa reputação, publicam qualquer coisa, e quando a informação é contestada dão uma resposta-padrão: “Nós recebemos da Agência X”. E daí? Se a Agência X informasse que os Estados Unidos, invadidos por tropas bolivarianas do presidente Hugo Chávez, com apoio logístico da Marinha de Guerra de Evo Morales, tinham concordado em se transformar em província boliviana, o jornalista divulgaria?

Há alguns anos, quando este colunista começou a trabalhar, notícia era mercadoria rara e cara. Hoje é abundante e barata. Mas é preciso evitar que, em nome da velocidade na transmissão de informações, a notícia perca sua principal característica: a semelhança com os fatos que pretende descrever.

A manipulação da notícia

A defesa de um policial acusado de corrupção, em Mogi das Cruzes, abre definitivamente a caixa-preta do relacionamento entre alguns jornalistas e alguns promotores: em troca de notícias exclusivas, jornalistas aceitam ser instrumentalizados pelos acusadores e publicam a informação como lhes é exigido.

O caso que explodiu agora é o de um e-mail enviado por um promotor a uma jornalista, denunciando a corrupção de 13 policiais. No e-mail, além da notícia, o promotor instrui a jornalista sobre como divulgar a denúncia (não deveria, por exemplo, abrir a denúncia completa, nem usar transcrições literais da acusação, para não colocar em risco a legitimidade da Promotoria diante do Poder Judiciário). Uma frase textual: “Queremos evitar que se diga que os promotores estão querendo aparecer”.

Como não havia segredo de Justiça nem o promotor lhe pedira sigilo, a jornalista passou cópia do e-mail a alguns dos policiais acusados, para que dessem sua versão dos fatos. O advogado de um policial juntou o e-mail ao processo e acusou o promotor de tentar dirigir o trabalho da imprensa. E o promotor passou a recusar-se a atender à jornalista que não o obedeceu, acusando-a de estar do lado da defesa – como se isso fosse crime.

Parece que o promotor ficou bravo ao descobrir que a jornalista estava ao lado do consumidor de informações, que merece receber a versão de todos os envolvidos. Talvez tenha razão para se irritar: nos últimos tempos, a imprensa, que nos tempos da ditadura se manteve sempre no apoio à defesa, mudou de posição e passou a aceitar, quase incondicionalmente, os argumentos da acusação.

Nunca se deve esquecer o promotor Luís Francisco, aquele de Brasília, que por sinal anda sumido: é preciso usar a imprensa para que os juízes não possam negar as prisões pedidas pelo promotor. O que cabe à imprensa é não se deixar usar nem pela defesa, nem pela acusação – e manter-se crítica até com os juízes.
(…)

carlos@brickmann.com.br

12/05/2008 - 16:14h Voyeurismo na sala de psicoterapia

A nova série Em Terapia (In Treatment), na HBO, derruba um dos últimos segredos que escapavam à curiosidade da sociedade atual

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Márlio Vilela Nunes - O Estado de São Paulo

A série Em Terapia (in Treatment, no título original em inglês), estréia hoje, às 20h30, no canal HBO, trazendo o ator Gabriel Byrne no papel do angustiado psicoterapeuta Paul Weston. A cada dia, de hoje a quinta, poderemos acompanhar uma sessão de terapia conduzida por ele. Seus pacientes, nesta primeira fase da série, são, respectivamente, uma mulher apaixonada por ele, um ex-combatente que voltou traumatizado do Iraque, uma ginasta acidentada e um casal em crise. Na sexta, veremos o terapeuta ocupando a posição inversa em sua própria terapia: é o dia em que ele discutirá seus problemas com sua analista, vivida pela atriz Diane Wiest. A série tem 43 episódios que serão exibidos ao longo de nove semanas, de hoje até metade de julho.

Em um formato ousado para os padrões de uma série televisiva, toda a ação de Em Terapia se passa dentro do consultório: a atenção é mantida apenas pelos diálogos precisos entre pacientes e terapeuta. Ao apresentar personagens com perfis psicológicos bem definidos, a série mostra-se fidedigna ao que imaginamos encontrar em um ambiente de psicoterapia na vida real. Byrne se esforça na gesticulação, nos silêncios e no controle emocional que associamos a um profissional dessa área. Os dramas, as dúvidas e as culpas dos pacientes são bem próximos aos vivenciados no dia-a-dia dos consultórios, mesmo que não tenhamos como desencadeante uma experiência traumática na Guerra do Iraque. O tratamento oferecido pelo psiquiatra da série, que se limita basicamente em associar um problema atual com um trauma inconsciente, é o padrão psicanalítico incorporado pela imensa maioria dos profissionais. Esta correspondência imaginária pode ser sinal de competência e de uma rigorosa pesquisa na construção da série, mas é, também, a sua principal limitação.

O que se passava no interior de um consultório de psicoterapia era um dos últimos segredos que ainda escapavam ao voyeurismo da sociedade atual. No mundo big brother, buscamos desesperadamente saber o que existe por trás das aparências da vida social, enxergar a verdade que cada um esconde em sua vida particular. Só que, a cada edição do Big Brother, descobrimos que as pessoas ‘reais’ que participam do programa não são muito diferentes dos personagens das novelas. Seus romances, suas intrigas e traições são os mesmos. Atrás da aparência, só encontramos uma outra aparência.

Ainda que seja uma ficção, Em Terapia nos oferece um duplo voyeurismo. Em primeiro lugar, temos a oportunidade de vislumbrar o que ocorre dentro de uma sessão de psicoterapia e, depois, o que se esconde no inconsciente dos personagens. Mas o que encontramos, assim como em todas as edições do Big Brother, é o que já imaginávamos. Não existe surpresa ou engano. A série confirma nossa convicção e entretém (e talvez nem pudesse ser diferente), mas não traz um novo olhar sobre os outros ou sobre nós. Portanto, ela não nos modifica, não nos trata, apesar de percebermos as semelhanças entre as dificuldades e angústias que vivemos e as relatadas pelos personagens. O que não compreendemos, ao assistir ao programa, é a razão pela qual o tratamento ocorre. Provavelmente um paciente real não alteraria seu comportamento se fosse submetido ao tratamento oferecido por Weston. Na prática clínica, sabemos que localizar um sentido inconsciente para um problema não é suficiente para modificar uma pessoa. Em uma análise, o que trata, o que permite a mudança está além da cena (consciente ou inconsciente), além do que o olhar televisivo pode mostrar. É algo que se descobre apenas pela experiência pessoal em ser analisado.

Em Terapia é mais um ótimo programa de televisão. Mas seu voyeurismo nada nos esclarece sobre o enigma que é uma análise.

Márlio Vilela Nunes é psiquiatra e autor do blog Psicanálise Presente (www.psicanalisepresente.blogspot.com)

05/03/2008 - 09:30h Classe C brasileira avança na internet

Participação este ano deve chegar a 40% dos internautas, segundo a IAB

Renato Cruz - O Estado de São Paulo

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“É um mito que a internet é elitizada, que só fala para as classes A e B”, disse o presidente do Interactive Advertising Bureau Brasil (IAB) e diretor-geral do portal Terra, Paulo Castro. De acordo com o IAB Brasil, 37% dos internautas brasileiros no ano passado eram da classe C. Cinqüenta por cento eram da classes A e B e 13% da D e E. Este ano, a expectativa é que a fatia da classe C chegue a 40%. “Devemos fechar o ano com 18 milhões de usuários na classe C.”

“Outro mito que queremos eliminar é que não existe massa crítica na internet no Brasil”, afirmou Castro. “Já estamos entre o sexto e o sétimo mercado do mundo, à frente da França, da Itália e da Espanha. Somos o segundo meio de comunicação mais abrangente do Brasil.” Em primeiro lugar, está a TV.

No ano passado, o total de internautas no Brasil avançou 21%, chegando a 40 milhões. O crescimento foi incentivado pelas vendas de computadores, que somaram 10,5 milhões e ultrapassaram, pela primeira vez, o total de aparelhos de televisão vendidos no País. Para 2008, a expectativa de crescimento do número de internautas é de 15%, chegando a 45 milhões. “Os dois primeiros meses do ano mostraram números bem saudáveis de vendas de computadores”, destacou o presidente do IAB Brasil.

A publicidade na internet aumentou 45%, chegando a R$ 527 milhões em 2007. O número não inclui a maior parte dos links patrocinados, pequenos anúncios de texto que aparecem ao lado de resultados de busca e em páginas de conteúdo, principal fonte de receita do Google. Segundo Castro, existe um esforço da subsidiária brasileira do Google para que esses números possam ser agregados ao indicador. Hoje, a matriz da empresa não autoriza a sua divulgação para a entidade.

A internet foi a mídia que mais cresceu no ano passado. Para 2008, a IAB Brasil projeta uma expansão de 35%, chegando a R$ 712 milhões. Apesar do aumento acelerado, a internet ainda tem uma participação muito pequena no bolo publicitário, de 2,8% (sem os links patrocinados). “Temos de trabalhar com formação e informação”, disse Castro. “Existem anunciantes que ainda acham mais fácil trabalhar com o que já está perpetuado. A TV paga, que alcança entre 13 milhões e 15 milhões de pessoas, tem hoje uma participação um pouco acima da internet, com 3,4%. Uma explicação é que a forma de lidar com ela é parecida com a TV aberta. Oitenta por cento do poder de consumo brasileiro já estão na internet.”

23/02/2008 - 13:29h Tucanos em “guerra suja”, agora querem atingir Marta

por José Américo*

americo.jpgA disputa interna no PSDB, entre o governador Serra apoiando Kassab e os alckimistas entrou em nova fase. Para se ter uma idéia do clima deste confronto basta ler esta notinha na coluna de Moreno na página 3 do jornal O Globo:

“Boca louca
Gente, o que Serra anda falando do Alckmin nem eu teria a coragem de dizer sobre o Ricardo Noblat. Não garanto o vice-versa.
Um ministro de Lula ficou chocado com os “elogios” do governador ao antecessor.” (O Globo)

Hoje, os jornais também repercutem a carta dos vereadores do PSDB, alinhados com Serra, defendendo uma posição clara da sigla sobre o acordo com o DEM.

Serra, Kassab e o DEM dão mostras inequívocas do caráter irrevogável da candidatura do atual prefeito e de querer acuar a candidatura Alckmin. Ao mesmo tempo, utilizando suas estreitas relações com alguns meios de comunicação, a dupla Serra-Andrea Matarazzo tenta montar novamente uma campanha de calúnias contra Marta Suplicy, retomando os dossiês e a campanha que foi realizada no começo de 2005.

A serie de decisões judiciais dando ganho de causa a Marta Suplicy, ante a campanha de acusações sem fundamento dos tucanos, está entre os motivos desta nova tentativa. Mas a razão principal é tentar melhorar os resultados de Kassab nas próximas pesquisas em detrimento do nome da Marta, que por enquanto nem é candidata . A idéia por traz desta movimentação, ressuscitando ataques, insinuações, acusações, processos etc., é tentar se contrapor ao argumento dos alckimistas de que só o ex-governador pode impedir uma vitória do PT no pleito municipal. O objetivo é criar condições para que Kassab possa estar no mesmo patamar de Alckmin.

Os primeiros elementos da retomada da ofensiva Serra-Matarazzo-Kassab contra Marta aparecem claramente na recusa de quase toda a mídia (salvo a Folha que deu 3 linhas no Painel) a noticiar a decisão do STF de declarar inobjetáveis juridicamente as decisões do TCM e da Câmara de vereadores de São Paulo em relação as contas de Marta na prefeitura. O STF considerou que Marta Suplicy, nos seus quatro anos a frente da Prefeitura, cumpriu com a Lei de Responsabilidade Fiscal e não deixou dívidas sem que houvesse valor correspondente em caixa para a quitação das mesmas. Ou seja, uma condenação clara da campanha de calúnias e ataques de Serra e do PSDB, com amplo respaldo na mídia em 2005. Nem uma palavra sobre esta decisão do STF no Estadão, no Globo, na TV, no JT, e 3 linhas na Folha de São Paulo.

A conspiração do silêncio sobre esta decisão do STF foi seguida pela publicação, esta sim em todos os jornais, da existência de um velho inquérito sobre o sistema de comunicação 156 que passou do âmbito do MP Estadual ao STF, por conta do fato de que tanto Serra como Marta só podem ser julgados nessa instância, por se tratar de governador e ministra, respectivamente. Nos próximo dias veremos seguramente pipocar esta ofensiva que tem por objetivo, volto a repetir, tentar ganhar alguns pontos para Kassab na disputa com Alckmin.

* José Américo é vereador e presidente municipal do PT (SP)

07/12/2007 - 09:49h Internet é mais popular que TV na Europa, diz pesquisa


BBC

A internet ultrapassou a televisão na lista dos meios de comunicação preferidos pelos europeus, segundo uma pesquisa de preferências de mídia realizado pela Associação Européia de Publicidade Interativa. Esta é a primeira vez que a televisão fica relegada ao segundo lugar no estudo, realizado anualmente desde 2003. A pesquisa, conduzida com mais de sete mil pessoas em dez países europeus, mostra que os jovens entre 16 e 24 anos agora passam 10% a mais do seu tempo conectados à internet do que em frente à televisão. O levantamento ainda mostrou que 96% dos entrevistados disseram ter reduzido a utilização de outros meios de comunicação por causa da internet. A televisão foi a mais prejudicada: 40% dos europeus assistem menos à televisão e 28% lêem menos jornais.

07/12/2007 - 09:46h Internet é mais popular que TV na Europa, diz pesquisa

BBC

A internet ultrapassou a televisão na lista dos meios de comunicação preferidos pelos europeus, segundo uma pesquisa de preferências de mídia realizado pela Associação Européia de Publicidade Interativa. Esta é a primeira vez que a televisão fica relegada ao segundo lugar no estudo, realizado anualmente desde 2003. A pesquisa, conduzida com mais de sete mil pessoas em dez países europeus, mostra que os jovens entre 16 e 24 anos agora passam 10% a mais do seu tempo conectados à internet do que em frente à televisão. O levantamento ainda mostrou que 96% dos entrevistados disseram ter reduzido a utilização de outros meios de comunicação por causa da internet. A televisão foi a mais prejudicada: 40% dos europeus assistem menos à televisão e 28% lêem menos jornais.

30/10/2007 - 18:38h Is This the End of News?

Even a guy burned by one failed Internet start-up can’t resist the idea that this latest technology—like Linotype, TV, and cable before it—could remake the news. So here goes Newser.com, the author’s attempt to rescue a common narrative of public life.

by Michael Wolff - Vanity Fair - October 2007

In every newsperson, not just Rupert Murdoch, there’s the dream of owning a newspaper—my paper. This retro dream is why, for the past six months, every Wednesday morning, I’ve been on a conference call about the subject of software design and digital engineering as it relates to the news. Although the discussion is specifically about how to make the news exciting (come on, guys, if it bleeds it ledes), it is often as tedious an hour as any I remember from high-school math. I’ve been able, however, using the mute button, to shower during these calls.

Illustration by Barry Blitt.

The call gathers its participants from Chicago, Boston, Silicon Valley, and New York. On the one side are the newspeople—including, along with me, former New York–magazine editor Caroline Miller, former managing editor of the St. Paul Pioneer Press Ken Doctor, and various writers and reporters I’ve dragooned—and on the other side, the software engineers and their marketing counterparts from a technology company called Highbeam Research, which owns one of the largest news databases in the world (50 million articles). Highbeam has kindly agreed to put up the seed money to let us start our news … what? Not paper, not show, not screen, not portal (nobody says that anymore)—a news something in digital form. More…

21/10/2007 - 02:34h Entrevista do Deputado Federal Jilmar Tatto


O Estado de São Paulo (a integra da matéria no jornal para assinantes)

Por que o sr. decidiu ser candidato à presidência do PT?

Pela necessidade de renovar. O PT tem 27 anos e o núcleo que dirige o partido, o antigo Campo Majoritário, se esgotou.

O relacionamento entre a cúpula do PT e o presidente Lula está cada vez mais distante. O partido tem sido preterido no governo de coalizão?

Não é que esteja distante. O que se coloca é que o PT é o principal partido do País e não está sendo valorizado. Não queremos nem mais nem menos: nem privilégios nem sermos preteridos. Não somos filhos do Lula. A relação, hoje, não é política. É tumultuada e confusa. Não faz bem para a democracia nem para o governo e nem para o PT.

O que é preciso mudar?

É preciso uma agenda comum entre o partido e o governo para que possamos colocar de forma transparente as nossas idéias. A gente percebe que isso não está sendo valorizado pelo governo porque o PT se apequenou. Não podemos, ao término de oito anos de mandato, fazer um balanço de que o governo Lula foi conservador. Não queremos ideologizar a relação, mas quem tem de dar a linha política é o PT.

O Congresso já discute a sucessão do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros. Se ele renunciar, o PT brigará pelo cargo?

O PT tem de dialogar com os aliados e escolher um nome de comum acordo. Se tiver consenso em relação ao Tião Viana (vice-presidente do Senado e filiado ao PT), tudo bem. O importante é que haja um candidato da base e pode ser do PMDB. Não é questão de princípio: é de governabilidade.

O presidente Lula pediu aos petistas que saíssem em defesa do articulador político do governo, Walfrido Mares Guia, mas o sr. foi um dos primeiros a ir contra essa orientação. Acha que ele deve entregar o cargo?

Mares Guia é um problema do governo e do PTB. A responsabilidade política por quem compõe o governo é do presidente da República, não é do PT. Eu tenho mandato parlamentar, não sou um auxiliar do presidente. Cada partido cuida dos seus pares.

Aliados dizem que o PT nunca se conformou em ter perdido a articulação política do governo, que tem enorme apetite por cargos e ciúme de outros partidos da coalizão…

Essa é uma área estratégica e, do ponto de vista político, consideramos que deveria ficar com o PT. Se você for verificar, em toda a coordenação política do governo o PT não está em nenhum lugar: nem no Ministério das Relações Institucionais, nem na liderança do governo na Câmara, nem no Senado, nem no Congresso. Só que nos momentos difíceis da vida do governo quem sai em defesa é justamente o PT.

Um momento difícil seria agora, com a tentativa de prorrogação da CPMF?

É. Muitas vezes eles (os líderes) não defendem o governo de forma enfática. Defender o governo quando tudo está bem é a coisa mais fácil do mundo…

O PT não tem candidato natural à sucessão de Lula, em 2010. É possível o partido abrir mão da candidatura à Presidência para apoiar um concorrente da base aliada?

Não existe essa possibilidade. O PT vai apresentar um nome para a base aliada. Temos vários quadros: Marta Suplicy, Jaques Wagner, Dilma Rousseff, Tarso Genro, Patrus Ananias…

Mas o presidente quer um candidato único da base. A resolução do 3º Congresso do PT, fazendo aceno à coalizão, foi jogo de cena?

Não. Lula está certo e não poderia se movimentar de forma diferente. Nós vamos apresentar um nome à coalizão.

Vão apresentar para discussão e só aceitam desde que o candidato seja do PT. É isso?

Veja, política é um processo de negociação. Se eles (os aliados) conseguirem nos convencer que o candidato apresentado é viável e melhor que o nosso, aí é outra história.

O deputado Ciro Gomes (PSB) chegou a dizer, em entrevista ao Estado, que não aceita ser vetado…

Não há veto, absolutamente. Nós somos parceiros.

Depois do escândalo do mensalão, PT e governo adotaram o discurso de que as mazelas do sistema político decorrem da falta de financiamento público de campanha. Então, por que a reforma política não foi tratada como prioridade?

Tentamos, mas a maioria não quis. Foi um erro do governo não ter entrado no debate. Isso favoreceu os que são contrários ao financiamento público.

O sr. acha que esse discurso da falta de financiamento público justifica o mensalão?

Nada justifica. Mas a relação do financiamento privado para eleger presidentes, governadores, prefeitos e vereadores não ajuda a democracia. O eleito acaba ficando refém de quem o financia. Temos de acabar com isso.

O sr. é favorável à revisão das concessões de TVs?

Não à revisão. Eu acho que as concessões têm de se dar em outro parâmetro. É preciso democratizá-las, definir novos critérios. Hoje, poucos grupos dominam essa área.

O sr. não teme que o PT fique com o carimbo de chavista ao pregar novos critérios para as concessões?

Absolutamente. Nós não somos chavistas. Esse fantasma de que nós queremos fechar TVs não existe.

Democratizar as comunicações, para o sr., é o quê?

É ter uma relação mais transparente no processo de concessões, criar um marco regulatório e envolver a sociedade na questão do conteúdo do que é passado. Temos de nos preocupar com o que queremos para o País, qual o papel dos meios de comunicação do ponto de vista do desenvolvimento cultural, que tipo de programação queremos, como fica a questão regional…

Mas isso não é uma interferência muito grande?

É uma concessão pública. Essas concessionárias têm de retribuir para a sociedade, no seu conteúdo, programações que tratem da questão cultural, do povo brasileiro, do nosso País. Não se trata de interferir na programação, no jornalismo.

Quando o sr. fala em retribuir já dá idéia de uma coisa chapa branca…

Mas retribuir para a sociedade, não para o governo. O que nós queremos é democratizar para que (a concessão) saia do controle de poucas famílias e todos possam participar. Hoje, as renovações de concessões são feitas de forma automática. Não tem critério nenhum. É um absurdo o que está acontecendo. O PT só corre o risco de ser chapa branca se perder o contato com o movimento social. Isso, sim, seria a morte do PT.