19/05/2008 - 11:22h Internautas atenção, sua privacidade pode acabar

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Redes sociais ensaiam sair do ‘casulo’

Em meio a polêmicas e dúvidas, Google, MySpace e Facebook lançam ferramentas de interconexão com sites e blogs

Rodrigo Martins - O Estado de São Paulo

Você toparia que suas informações do MySpace, por exemplo, fossem parar em um site de leilões? Que os dados de seu perfil no Facebook, com suas preferências pessoais, fossem passados para uma loja virtual? E que o seu cadastro no Orkut lhe desse direito a participar de micro-redes sociais em blogs e sites, mas com a navegação monitorada pelo ‘Grande Irmão’ Google?

No início da semana passada, sob críticas, desconfiança e dúvidas, de uma tacada só, três gigantes dos sites de relacionamento fizeram barulho e causaram polêmica. Google, MySpace e Facebook anunciaram para ‘algumas semanas’ uma nova tendência: o seu login, cadastro e amigos da rede social não servirão mais só para acessar grupos de discussão e trocar scraps. Agora, você pode carregar tudo isso para outros serviços, como Twitter, eBay, blogs e até outras redes sociais.

Como? Tudo começou na quinta, dia 8. O MySpace chamou a mídia mundial para anunciar uma novidade que iria ‘tornar a experiência da web 2.0 mais fácil’, segundo um dos criadores do site, Chris DeWolfe. Na prática, a empresa anunciou o Data Availability, uma parceria com meia dúzia de sites, entre eles Twitter e eBay, e afirmou que em breve todos estarão interligados. Ou seja, todas as informações pessoais que você atualizar em seu MySpace, como nome e foto do perfil, também serão atualizadas automaticamente nos outros sites do consórcio.

No dia seguinte, na sexta, foi a vez do Facebook lançar uma ferramenta semelhante. Mas nada de pompa. Apenas um post no blog do site apresentava o Facebook Connect. ‘(O intuito é) conectar a identidade, amigos e privacidade do Facebook a qualquer site.’ E em quais sites vai funcionar? Nenhuma dica. ‘Não iremos adiantar nenhum detalhe’, contou o diretor de plataforma, Ben Ling, ao site CNET na data. ‘Teremos parceiros pequenos e grandes’, limitou-se a dizer.

E, enfim, na segunda o Google entrou na fila e fez o anúncio do Friend Connect (notou a semelhança?). Mas nesse caso a intenção não é parceria com grandes sites. A idéia é que pequenos blogs possam criar mini-redes sociais. ‘A web melhora à medida em que fica mais social’, repetiu o chavão atual do Google o diretor de engenharia da empresa, David Glazer, em coletiva nos EUA. O engraçado é que, além de cruzar informações de Orkut e Google Talk, a novidade coloca na roda dados de concorrentes como Facebook (?) e Yahoo!

Onde isso vai parar? Milhares de blogs e sites fizeram o questionamento. ‘A tendência que essas redes estão tentando passar é a de que os sites de relacionamento estão se interligando. Tanto entre si como com outros serviços para deixar a web mais social mesmo’, diz a pesquisadora da Universidade Católica de Pelotas Raquel Recuero. ‘Não se sabe se a tecnologia irá permitir, mas, pelo que se delineia, seria possível no futuro, por exemplo, acessar o Orkut no MySpace ou os recados do Facebook em sites como o eBay.’

Parece que isso corre mesmo o risco de acontecer. No final do ano passado, sem muita publicidade, foi lançada nos EUA uma associação (clã?) de gigantes da internet, o Data Portability Project, liderado por Microsoft, Google, Facebook e MySpace. O intuito? ‘Desenvolvermos o compartilhamento de dados entre os sites. O usuário terá um login único. Quando atualizar um cadastro, a ação será replicada para todos os outros sites. Em quatro anos, esse conceito deve se disseminar’, disse ao Link o co-fundador do projeto, Chris Saad (veja entrevista na pág. 3).

Para o diretor geral do MySpace Brasil, Emerson Calegaretti, o futuro é a interconexão entre redes sociais, com a possibilidade de acessar mensagens e fotos em qualquer lugar da web. ‘Em seis meses já deve ser possível, por exemplo, acessar fotos e mensagens do MySpace no Twitter e vice-versa’, diz. ‘No futuro, tanto Google, Facebook como MySpace terão de definir um padrão comum para uma rede conversar com a outra. É inevitável.’

O analista de internet do Ibope/NetRatings, José Calazans, concorda. ‘Aos poucos, o e-mail e o messenger são substituídos pelas redes sociais. O problema é que não dá para enviar um recado do MySpace para o Orkut, por exemplo. Essa mudança seria muito importante.’

Para o estudante Alan Cerqueira, de 20 anos, seria uma mão na roda. Ele tem perfis no Orkut, MySpace e Facebook e gasta muito tempo para acessar os três sites. Ele até arranjou um quebra-galho. O Facebook tem hoje aplicativos que permitem estabelecer, de forma limitada, conexão com o MySpace e o Orkut. ‘Mas só dá para acessar mensagens, fotos e perfis. Se quiser ouvir música ou postar em comunidades, não dá. Essa integração seria ótima.’

Mas nem tudo são flores. MySpace e Facebook anunciaram na última semana ferramentas semelhantes. Ou seja, integração de dados pessoais e acesso de mensagens e fotos em sites parceiros. Já o Google não distribui informações para terceiros. ‘A idéia é que, em um blog, o usuário encontre os comentários e conteúdos postados por amigos’, diz o diretor de Comunicação do Google Brasil, Félix Ximenes.

De qualquer forma, todos trazem polêmicas com relação à privacidade. No MySpace, por exemplo, será possível escolher se o usuário quer compartilhar com outros sites seus dados cadastrais. ‘Não vejo com bons olhos essa tendência de as redes sociais - no caso MySpace e Facebook - lucrarem com a venda de dados dos usuários. Os internautas se afastam disso.’

Segundo ele, embora as redes digam que esse compartilhamento de dados é para ‘evitar que o usuário gaste tempo para preencher um formulário a cada site que se cadastra’, o intuito maior é mesmo o lucro. ‘A maioria das redes não consegue se manter com anúncios. E o cadastro dos usuários é muito valioso.’ Calegaretti, do MySpace Brasil, confirma que são feitas negociações econômicas para ceder os dados a cada parceiro. ‘Mas temos lucro com anúncios, sim.’

Já para o pesquisador Willian Reader, especialista em redes sociais da universidade britânica Sheffield Hallan, a questão mais sensível é que, cada vez mais, os usuários se sentirão vigiados. ‘No caso do Friend Connect, do Google, por exemplo, se a cada blog que entrar o internauta for identificado pelo login, isso causa desconforto. E o Google, que já tem os dados de busca, de e-mail, de documentos, etc., terá mais um rastro do usuário.’

Quanto ao Data Availability, do MySpace, e ao Facebook Connect, Reader é mais incisivo. ‘Quanto mais sites participarem, mais dados terão sobre você. Além de seus dados pessoais, poderão saber o que você comprou, o número de seu cartão de crédito… Isso é pior. Fica-se mais vulnerável. Como as informações estão centralizadas e presentes em todos os lugares, se antes alguém precisava correr a web para vasculhar sua vida, agora basta ir a um lugar só.’

E se daqui a quatro anos os gigantes da web estiverem todos interligados, com os dados centralizados? O pesquisador ri. ‘Aí é um Big Brother. Não vale pagar um preço tão alto para usar os serviços da internet.’

31/03/2008 - 14:44h Internet, avantages et inconvénients, par Sylvie Kauffmann

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Dimanche 23 mars, en pleine crise du Tibet, une information a commencé à circuler sur le réseau de messagerie instantanée Twitter : le site d’information de la BBC en anglais était soudain accessible depuis la Chine. A Londres, Steve Herrmann, son rédacteur en chef, a attendu quarante-huit heures pour s’assurer que ce changement n’était pas accidentel, puis, mardi, l’a annoncé sur le site. Pas de doute : au lieu du message d’erreur, rituel depuis près de dix ans, la page d’accueil de BBC News, ses photos de moines tibétains et ses reportages, en Chine ou dans le reste du monde, s’affichaient miraculeusement sur les écrans des internautes chinois comme s’ils étaient à Liverpool ou à Hongkong. Ce jour-là, le nombre de visiteurs à partir d’ordinateurs situés en Chine est passé d’une centaine à 20 000. Beaucoup y sont allés de leur petit commentaire, déposé à la fin des pages lues. Une semaine a passé, et le miracle continue.

Pourquoi ? Mystère. “Pour être honnêtes, nous n’en savons rien”, avoue Steve Herrmann. La BBC fait partie des médias dont la couverture des émeutes au Tibet a été critiquée publiquement par le pouvoir chinois. Pourquoi donc lui faire cette fleur, alors que tant d’autres sites occidentaux et asiatiques - dont celui de la BBC en mandarin - sont bloqués ? Dans l’empire du Milieu, la censure a ses raisons que la raison ne connaît pas. Elle les connaît d’autant moins que, comme disent les communicants, Pékin ne communique pas sur sa politique de contrôle de l’Internet.

Peut-être est-ce une façon de tenir un minimum d’engagements sur l’accès à l’information à l’approche des Jeux olympiques. Peut-être est-ce un moyen de montrer aux Chinois anglophones certes, mais néanmoins chinois, de quoi ces médias occidentaux sans foi ni loi sont capables sur le Tibet. A en juger par les réactions réprobatrices de lecteurs chinois sur le site de la BBC, si tel était l’objectif, il est atteint. Ou peut-être est-ce une façon de reconnaître qu’aucune muraille, aussi haute, aussi étanche soit-elle, ne peut totalement contenir la déferlante Internet.

Dans l’empire soviétique, un poste de radio à ondes courtes était le sésame de l’information libre, sur lequel on pouvait écouter Radio Free Europe, RFI, la BBC… quand elles n’étaient pas brouillées, bien sûr. Des dissidents se seraient damnés pour une photocopieuse. Aujourd’hui, l’Internet est à la photocopieuse ce que le satellite est à l’Aéropostale.

Un dirigeant asiatique vient de s’en apercevoir à ses dépens : Abdullah Badawi, premier ministre de Malaisie, qui a subi le 8 mars la mère de toutes les humiliations électorales. “Ma plus grosse erreur, vient-il de découvrir, a été de négliger l’Internet.” Le parti de M. Badawi s’était concentré sur les grands médias, télévision et presse écrite, propriétés soit de l’Etat soit d’amis du pouvoir. Ces grands médias s’étaient eux-mêmes concentrés sur la coalition au pouvoir au point d’ignorer l’opposition. Exclus des grands médias, les candidats de l’opposition se sont réfugiés sur Internet - où les électeurs les ont suivis. Pour les meetings, les SMS ont relayé l’Internet dans les campagnes, sous-équipées en ordinateurs. Les sites d’information indépendants, comme Malaysia-Today ou le très professionnel Malaysiakini, ont vu leur diffusion exploser. Jeff Ooi, célèbre blogueur pourchassé par la justice, a été élu député.

La Chine a aujourd’hui, selon les estimations d’un de ses propres instituts, dépassé les Etats-Unis en nombre d’Internautes : 228 millions en Chine, contre 217 aux Etats-Unis (ce qui ne fait jamais qu’un taux de pénétration de 16 % contre 69 % !). Comme le montre la crise du Tibet, le pouvoir chinois, grâce à une police de l’Internet forte de quelque 40 000 techniciens et la coopération d’entreprises occidentales comme Yahoo! et Google, est passé maître dans l’art de contrôler le cyberespace. Rien à voir avec l’amateurisme des dirigeants de Malaisie. Mais Pékin ne peut pas non plus faire comme les généraux birmans et couper l’Internet, purement et simplement : le rôle d’Internet dans la vie financière et économique du pays est désormais trop important. Aussi colossale soit-elle, la grande muraille de Chine ne peut être à toute épreuve.

De là à établir que l’Internet est l’arme fatale qui introduira la démocratie en Chine, il y a un pas que Zhou Yongming, chercheur à l’université de Wisconsin-Madison, se refuse à franchir. Il dresse un parallèle intéressant entre l’impact du télégraphe sur la participation politique sous la dynastie Qing à la fin du XIXe siècle et celui de l’Internet aujourd’hui. Les réformateurs, qui s’étaient appuyés sur le télégraphe, échouèrent. “La Chine, rappelle-t-il, a 5 000 ans d’histoire, 1,3 milliard d’habitants et un immense territoire. Fonder ses espoirs sur une seule et unique technologie est trop optimiste.” Morale de l’histoire, telle que la résume le professeur Zhou avec un sourire désarmant : la démocratisation en Chine ne se fera qu’à travers un changement fondamental du processus politique. “L’Internet peut faciliter cela, mais pas le dicter.” Désolé.

Post-scriptum.
Le Vietnam et la Thaïlande vont autoriser les Philippines à puiser dans leurs réserves d’urgence de riz. L’Inde et le Vietnam augmentent les prix du riz à l’exportation, pour protéger leur consommation intérieure. Partout en Asie, hausse des cours du riz et baisse des stocks : on redoute des pénuries et l’agitation sociale qui en résulterait..

Courriel : lettredasie@lemonde.fr.

Sylvie Kauffmann