16/11/2009 - 09:34h Novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo

Americanos e europeus estudam regulação mais dura com base em problemas climáticos, trabalhistas e de segurança

Raquel Landim – O Estado SP

Estão surgindo novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo, Estados Unidos e União Europeia. Três grupos de barreiras preocupam: ambientais, trabalhistas e de segurança. Deputados americanos e europeus debatem novas legislações sobre esses temas, que são foco da agenda comercial.

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que por ano 15,4% das exportações brasileiras para os EUA – o equivalente a US$ 5 bilhões – estão na mira da nova legislação americana de mudanças climáticas. A lei pode atingir as vendas brasileiras de aço, celulose, papel e alumínio.

O aquecimento global tornou o tema ambiental urgente. O presidente Barack Obama deu sinais de que está disposto a assumir compromissos na reunião de Copenhague. Preocupadas em ficar em desvantagem com outros países, as empresas americanas exigem compensações.

Existem dois projetos sobre o tema no Congresso americano. O mais provável é que sejam aprovadas medidas que obriguem os importadores a comprar licenças para emissão de carbono. “Isso joga o ônus da adaptação nos países em desenvolvimento”, disse o diretor de relações internacionais da Fiesp, Mário Marconini.

A União Europeia também estuda a adoção de uma “taxa de carbono” contra produtos importados, caso os países emergentes não se disponham a assumir compromissos equiparáveis aos ricos de redução de emissões em Copenhague.

Segundo a consultora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sandra Rios, essas tarifas distorcem a negociação climática, que reconhece que os países ricos e em desenvolvimento têm responsabilidades diferentes pelo aquecimento global. “O problema é que essas tarifas vão equiparar os esforços. As nações emergentes têm de manter seu crescimento.”

Nas discussões trabalhistas, os sindicatos ganharam força para defender regras rígidas em acordos comerciais, depois do desemprego causado pela crise e do apoio decisivo a Obama. A maior preocupação é com o trabalho escravo e infantil.

Tramita no Congresso dos EUA um projeto para reformar a lei de aduanas. Segundo o diretor executivo da Coalização das Indústrias Brasileiras, com sede em Washington, Diego Bonomo, pode entrar em vigor uma nova lista de produtos feitos com trabalho escravo e infantil, que ficariam impedidos de entrar no país. A lista inclui 13 itens brasileiros, como algodão, calçados e tabaco.

A segurança também ganhou relevância desde os ataques de 11 de setembro de 2001. O Congresso concedeu um mandato para o Executivo americano escanear 100% dos contêineres que chegam ao país. Existe um projeto-piloto, mas a administração federal argumenta que não há condições de colocar a lei em prática.

Barreira ambiental vai afetar mais os setores intensivos de energia

Estudo da Fiesp mostra que maiores prejuízos recairão na venda de ferro e aço, celulose, argila, papel e alumínio

Raquel Landim – O Estado SP


As exportações brasileiras dos setores intensivos em energia serão as mais afetadas pelas novas barreiras ambientais dos Estados Unidos. Os prejuízos podem ser maiores nas vendas de ferro e aço, celulose, argila, papel e alumínio, conforme estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou no mês de junho a Lei Waxman-Markey, que estabelece metas de redução de emissões para os Estados Unidos pela primeira vez. Segundo cálculos do Departamento Governamental de Contabilidade americano, os setores que terão mais gastos para se adaptar às novas regras serão metais primários, metais não-metálicos e químicos.

Ainda não foi definido pelo Congresso, mas crescem as chances de que, para compensar os fabricantes locais e evitar a fuga de empresas para países com padrões ambientais menos rígidos, os americanos estabeleçam medidas de fronteira, como exigir que os importadores comprem licenças de emissões de carbono.

No caso do Brasil, o setor siderúrgico deve ser o mais prejudicado, já que quase 27% das exportações de ferro e aço são destinadas ao mercado americano, o que significou US$ 3,4 bilhões em 2008.

“A Conferência de Copenhague é essencialmente econômica. Não podemos ter a ingenuidade de chegar a essa discussão como se fosse apenas ambiental”, argumenta o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

“Se a indústria siderúrgica americana vai fazer investimentos, é legítimo que queiram compensações. O problema é que, depois da crise, o mercado está sobre ofertado. As questões ambientais podem ser um pretexto para o protecionismo”, observa. Ele afirma que existe um excedente de aço de 600 milhões de toneladas no mundo.

A indústria siderúrgica brasileira defende que as metas de redução de emissões sejam diferentes para países com consumo per capita inferior e superior a 300 quilos de aço por habitante por ano. Na avaliação do setor, o consumo de aço é um indicador de crescimento econômico e as metas ambientais não podem brecar o desenvolvimento. O Brasil consome 100 quilos por habitante/ano, enquanto a China chega a 340.

Para o presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Adjarma Azevedo, “as barreiras ambientais são inevitáveis”. O executivo afirma que o Brasil tem de se empenhar para influenciar na implementação dessas leis. Ele diz que, dependendo dos critérios, pode ser um benefício para o Brasil, cuja matriz energética é 47% de energia renovável.

Azevedo acredita que as medidas de fronteira dos Estados Unidos vão acabar levando em consideração o conteúdo de emissão de carbono de cada país. Segundo ele, a indústria brasileira de alumínio contribui com 0,2% das emissões do País, que, por sua vez, representa apenas 4% das emissões globais.

Já a fabricação mundial de alumínio equivale a 1% das emissões do planeta.

QUÍMICO

A maior preocupação do setor químico hoje não está nos Estados Unidos, mas na Europa. A União Europeia implementou no ano passado um novo registro para as substâncias químicas que entram no bloco, conhecido pela sigla Reach. O objetivo é garantir a qualidade dos produtos químicos para não afetar a saúde da população e o meio ambiente.

Por enquanto, a regulamentação ainda não está sendo rigidamente implementada. “Mas pode ser utilizado como uma barreira se os europeus quiserem, porque impõe uma série de dificuldades para as empresas”, explica o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Nelson Pereira dos Reis.

OUTRO LADO DA MOEDA

Para alguns setores, novas barreiras comerciais podem se transformar em oportunidades. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, disse que é “absolutamente favorável” a cláusulas sociais no comércio internacional. “É uma evolução natural da globalização.”

Para o setor têxtil brasileiro, que já opera com uma legislação trabalhista forte, novas regras são vantajosas, porque prejudicariam seu principal concorrente, a China.

Os novos temas do comércio internacional, como meio ambiente e trabalho, são causas defensáveis e não chegam a ir diretamente contra a Organização Mundial de Comércio (OMC), que prevê que os países abram exceções para proteger os recursos naturais ou para fins sociais.

A questão, alertam os especialistas, é que esses temas podem ser utilizados como barreiras protecionistas.

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Discussão sobre o etanol ganha novas proporções

Raquel Landim – O Estado SP

Símbolo do sucesso brasileiro em energia renovável, o etanol também pode ser alvo de barreiras ambientais. O setor enfrenta um momento crítico nos próximos meses, que é a regulamentação dos combustíveis de baixo carbono.

“É a nossa maior preocupação”, disse o presidente da União da Indústria Canavieira de São Paulo (Unica), Marcos Jank. O assunto está sendo debatido nos Estados Unidos e na União Europeia. Nos Estados Unidos, a discussão não é apenas federal, mas também estadual.

Não existem dúvidas de que o etanol polui menos que a gasolina. Também está claro que o etanol brasileiro, produzido com cana-de-açúcar, é menos poluente que produto americano, feito a partir do milho. A questão é qual é o tamanho da vantagem.

Segundo Jank, as discussões nos Estados Unidos e na União Europeia consideram o uso indireto da terra. Ou seja, o efeito que a expansão da produção de cana tem no desmatamento da Amazônia. A área de cana cresce no Centro-Sul, mas, teoricamente, empurra outras culturas em direção à floresta.

“São cálculos muito difíceis de fazer. E estão sendo utilizadas premissas erradas, porque há desconhecimento do álcool de cana”, disse o presidente da Unica. Jank ressalta que apenas 1% da expansão da cana-de-açúcar ocorre por meio de desmatamento, enquanto 60% é feito em áreas de pastagens.

Para as usinas, a discussão sobre o padrão do combustível se tornou mais importante que a queda da tarifa cobrada pelos Estados Unidos para a importação de etanol, de US$ 0,54 por galão, que vence em 2010.

Segundo Jank, a indústria vai fazer um forte lobby para o Congresso Nacional não renovar a tarifa. “Mas se garantirmos uma boa qualificação para o etanol brasileiro como combustível avançado ganharemos aliados nessa briga.”

09/11/2009 - 17:28h La negociación secreta de un acuerdo mundial sobre el ‘copyright’ alarma a los internautas

Grupos civiles envían una carta a Obama protestando por el secretismo de las reuniones.- El texto autorizaría a los propietarios de derechos a exigir a los proveedores de Internet actuaciones contra los clientes que intercambien obras protegidas

TOMÀS DELCLÓS - Barcelona – 09/11/2009 – El País

La negociación secreta de un acuerdo comercial mundial que autorizaría a las empresas y propietarios de derechos a exigir a los proveedores de acceso a Internet la vigilancia sobre el tráfico de sus clientes ha desatado la alarma de los internautas. De las negociaciones para redactar el Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA) se tienen noticias desde el año pasado, pero la semana pasada trascendió un documento de la Unión Europea en la que explicaba a sus estados miembros la posición de Estados Unidos, que se ha reservado la redacción del capítulo dedicado a Internet.

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Carta a Obama reclamando un debate público

DOCUMENTO (PDF – 42,77Kb) – 09-11-2009

Grupos civiles critican el secretismo de la administración sobre ACTA

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Documento filtrado de la UE sobre ACTA

DOCUMENTO (PDF – 107,15Kb) – 09-11-2009

El texto informa de la posición de Estados Unidos sobre el acuerdo comercial contra el intercambio de archivos en Internet.

Aunque formalmente se trata de un acuerdo mundial para combatir la falsificación, el texto incluye una propuesta sobre Internet. Grupos civiles han remitido una carta al presidente norteamericano en el que critican el secretismo sobre estas negociaciones, que contradice la política de transparencia anunciada por Obama.

El acuerdo, en cuya negociación intervienen unos 40 países desde Estados Unidos a la Unión Europea pasando por importantes países asiáticos, como Japón y Corea, empezó a trabajarse en secreto bajo el mandato de Bush y prosigue ahora. La semana pasada hubo una nueva reunión en Seúl y en enero se celebrará otra en México. El documento propone perseguir a quienes elaboren o distribuyan programas que desactiven DRM (sistemas anticopia) y obliga a los proveedores de acceso a Internet a controlar el tráfico de sus clientes para evitar el intercambio o distribución de material protegido por copyright. Actualmente, en muchos países, los proveedores de acceso no son responsables de la conducta telemática de sus clientes salvo que tengan noticia, documentada por la administración o un juez, de que infringen la ley.

En la citada carta se reclama que ACTA, como un instrumento que afecta a las leyes y políticas de múltiples naciones, “debería ser negociado públicamente”, a la vista de todos. “Sin el necesario balance entre intereses” se puede dañar la economía y el bienestar cívico, añaden. Estados Unidos ha comentado el documento a empresas y distintos grupos pero bajo la obligación de confidencialidad lo que les impide participar en un debate público o dar detalles sobre el proyecto. La propia UE, al informar de la propuesta de Estados Unidos, habla de que ha recibido información oral sobre el mismo.

26/08/2009 - 13:25h Gastos públicos tiram a Alemanha da recessão

Autoridades alertam, porém, para o excesso de otimismo

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado SP

 

 

Gastos públicos tiram a Alemanha de sua pior recessão desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ontem, as autoridades alemãs confirmaram que a recessão foi superada, mas admitem que o buraco nas contas públicas explodiu. Já o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, alertou contra o otimismo e disse que a Europa ainda não está pisando em terra firme.

Segundo os dados da maior economia da Europa, o crescimento no segundo trimestre foi de 0,3% em comparação aos primeiros três meses do ano. No primeiro trimestre, a queda havia sido de 3,5%. Em relação aos 12 meses precedentes, a queda do PIB ainda é profunda, de 5,9%. Mas pelo menos é inferior à queda de 6,7% no primeiro trimestre de 2009, em comparação com o mesmo período de 2008.

AUMENTO DE GASTOS

O governo aumentou os gastos em 0,4% e os investimentos em construção foram elevados em 1,4%. O consumo privado aumentou em 0,7% graças aos subsídios estatais. Esses foram os primeiros dados positivos em 12 meses e confirmam as informações preliminares divulgadas há 10 dias.

Desde a eclosão da crise, a chanceler Angela Merkel injetou US$ 121 bilhões na economia, incluindo subsídios para a compra de carros.

Esse mecanismo não apenas serviu como um balão de oxigênio para a indústria automotiva, como puxou o aumento do consumo privado no trimestre.

ELEIÇÕES

O que todos se perguntam, porém, é até que ponto a Alemanha terá de manter a ajuda estatal. A exportação, que foi o motor de crescimento da Alemanha na última década, ainda não foi retomada com força. No trimestre, a queda foi de 1,2% e não há expectativa que se recupere rapidamente. Merkel deve ser beneficiada pelos dados publicados ontem nas eleições gerais que ocorrem no fim do próximo mês.

Carsten Brzeski, analista do banco ING, afirma que o crescimento ocorre graças aos gastos públicos. “Os números são resultado do plano de resgate do governo”, disse, em uma nota.

“A economia alemã ainda está recebendo infusões. As próximas semanas e meses podem ser positivos, mas algumas dúvidas persistem se a economia já pode se manter de pé sozinha”, disse Alex Weber, presidente do Banco Central alemão. “A recessão acabou, mas nem tudo que brilha é ouro”, completou.

CAUTELA

Merkel também adotou um tom de cautela. Segundo ela, o pior já passou. Mas o caminho nos próximos meses ainda será turbulento.

Barroso fez um alerta contra um otimismo exagerado. Na zona do euro, a contração da economia foi de 0,1% no segundo trimestre, taxa comemorada pelo mercado. A França também já saiu da recessão.

Mas um dos desafios será ainda a expansão do desemprego nos próximos meses, o que deve afetar o consumo e fazer com que a recuperação patine por alguns meses. Na Alemanha, a taxa de desemprego deve subir de 8,3% neste ano para 10,5%, segundo os dados oficiais.

Para alguns países, como no Báltico, a queda do PIB é de mais de 20%. Barroso garante que a UE vai ajudá-los. “O impacto da crise ainda é tangível na Europa e temos muito a caminhar ainda”, disse.

15/08/2009 - 11:59h A Europa volta a rugir

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Carter Dougherty* – O Estado SP

A economia europeia apresentou no segundo trimestre uma recuperação mais forte do que a esperada, sustentando esperanças de que a recessão mundial esteja próxima do fim.

A grande melhoria em relação ao primeiro trimestre sublinhou o quanto a Europa e a própria economia mundial se recuperaram desde a queda livre do fim de 2008. O bom resultado foi puxado por França e Alemanha, economias que apresentaram pequeno crescimento no segundo trimestre.

Apesar de muito dependente dos gastos governamentais, a Ásia apresentou recentemente grandes melhorias. Alguns dos principais analistas esperam para este ano um crescimento de até 9% na China, e de mais de 10% no ano que vem. Enquanto isso, a brutal contração no início do ano nos Estados Unidos amainou, e há sinais indicando pequeno crescimento para o segundo semestre.

A economia da União Europeia, formada por 27 países, encolheu 0,3% no trimestre encerrado em 30 de junho, chegando a uma taxa anual de aproximadamente 1,2%. Os 16 países que usam o euro como moeda tiveram declínio de 0,1% no segundo trimestre, equivalente a uma taxa anual de 0,4%.

Apesar de negativos, os dados europeus transmitiram uma impressão muito melhor do que os do primeiro trimestre deste ano, quando se registrou, tanto na União Europeia quanto na zona do euro, uma contração de 2,5% em relação aos três últimos meses de 2008.

O significativo abrandamento da recessão colocou a Europa em um nível semelhante ao dos Estados Unidos, onde a economia se contraiu num ritmo anual de 1% no segundo trimestre. Economistas disseram que a Europa recebeu alguma ajuda dos programas governamentais, como as bonificações pagas na troca de carros antigos por veículos novos, além da maior demanda por exportações observada na China.

Mas, acima de tudo, o desempenho representou uma virada para o choque financeiro que foi sentido nas economias do mundo todo após o colapso do Lehman Brothers, em setembro, e o subsequente caos nos mercados financeiros.

A Europa ainda enfrenta a possibilidade de ver sua recuperação desacelerar ou mesmo estagnar no início de 2010 por causa das iniciativas insuficientes para a restauração do sistema bancário e do rápido aumento do desemprego. Ainda assim, as perspectivas mais animadoras, em especial na Alemanha e na França, parecem ter dado à região um impulso rumo a uma recuperação mais precoce do que a esperada.

Por causa da sua receita bastante diversa para combater a recessão, a Europa deve apresentar em 2010 um crescimento menos veloz do que o americano, segundo economistas.

No ano que vem, a maior parte de um programa de gastos no valor de US$ 800 bilhões nos EUA começará a surtir efeito, o que fará as medidas europeias parecerem quase insignificantes, apesar de suas dimensões corresponderem ao medo dos governos europeus de se verem atolados em dívidas. Uma isenção fiscal total de aproximadamente US$ 100 bilhões deu aos EUA, nos últimos meses, um impulso rumo à recuperação.

“A verdadeira diferença nas recuperações será sentida no ano que vem”, disse Thomas Mayer, economista-chefe do Deutsche Bank para a Europa. “Isso acontecerá quando os EUA se restabelecerem mais rápido do que a Europa.” Os números animadores são sustentados pelo desempenho sólido de França e Alemanha. Mesmo assim, a economia alemã, a maior da região, ainda deve registrar contração anual de 6%, dizem os economistas.

Dentro da zona do euro, França e Alemanha estão ajudando a equilibrar os desempenhos sofríveis da Itália, eterna retardatária, e da Espanha, onde o colapso do mercado imobiliário causou aguda recessão.

Os países do Leste Europeu, em especial a Hungria e os países bálticos, continuam sofrendo grandes dificuldades. A antes poderosa economia britânica ainda enfrenta rápida alta no desemprego, apesar da possibilidade de o país também apresentar um modesto crescimento no terceiro trimestre.

Os novos números da economia alemã surpreendem após quatro trimestres consecutivos de contração na produção, sugerindo que a recessão do país – a pior desde a Segunda Guerra – tenha chegado ao fim.

A surpresa do crescimento alemão – a maioria dos economistas esperava número igual a zero ou até negativo – reflete o ganho dos exportadores com o crescimento na Ásia e com o que parece ser o fim do declínio nos EUA. A produção industrial também recebeu o incentivo de programas que conferem um bônus de 2.500 aos compradores que decidirem trocar seus carros velhos por modelos novos e menos poluentes.

“O estímulo está funcionando um pouco, mas existe também uma recuperação associada ao comércio global”, disse Erik Nielsen, economista-chefe do Goldman Sachs de Londres para a Europa.

Mas outros fatores estão influenciando as perspectivas para a Europa, criando incertezas em relação à situação econômica em 2010. Na semana passada, a notícia de que as exportações alemãs tinham dado em junho um salto de 7% em relação ao mês anterior antecipou que deve haver um crescimento no Produto Interno Bruto.

Mas isso mascarou um colapso generalizado nas encomendas do exterior; as exportações alemãs apresentaram em junho queda de 22% em relação a igual período de 2008.

E ainda é esperada para este ano uma grande alta no desemprego, conforme programas governamentais que mantinham as pessoas em folhas de pagamento particulares começarem a expirar.

O desemprego na zona do euro já está em 9,4%, o nível mais alto em 10 anos, e o crescimento anêmico dos próximos trimestres não será suficiente para frear ou compensar este aumento. Isso, por sua vez, poderia derrubar a confiança do consumidor e até provocar turbulências políticas na Europa, segundo os economistas.

O sistema financeiro é outro problema no horizonte, apesar de a sua recuperação ser mais rápida do que a esperada. O Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou a Europa por não ter agido com suficiente agilidade para recapitalizar os bancos e limpar de ativos podres dos balanços. Mas a previsão do Banco Central Europeu (BCE) para as perdas é menor do que a do FMI e, além disso, publicou dados sugerindo que há maior fluidez nos fluxos de crédito.

“Não precisamos nos preocupar com o aperto no crédito tanto quanto pensamos que seria necessário no início do ano”, disse Julian Callow, economista-chefe do Barclays Capital.

*Carter Dougherty é jornalista

14/08/2009 - 08:58h Desemprego e fim dos pacotes de estímulo ameaçam retomada

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Gerrit Wiesmann, Financial Times, de Frankfurt – VALOR

A zona do euro poderá voltar a crescer neste trimestre, mas com que rapidez e sustentabilidade?

A mensagem trazida por dados divulgados ontem parece ser: o crescimento puxado por exportações parece estar voltando, mas será contido, por algum tempo, pelo desemprego em alta, pelos bancos ainda reticentes em emprestar e pelo fim dos pacotes de estímulo fiscal, enquanto governos buscam conter déficits orçamentários.

O crescimento na Alemanha e na França – que, reunidas, são responsáveis por quase 48% do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro – por pouco não levaram a região como um todo para o território positivo. A recuperação deixou os economistas mais confiantes do que nunca em que a forte recessão na zona do euro esteja chegando ao fim quase exatamente dois anos depois de o aperto de crédito ter deflagrado a crise financeira mundial.

Mas, apesar da quase eufórica reação às inesperadas boas notícias, a maioria dos economistas mantém uma perspectiva cautelosa. O consenso é de que o crescimento na eurozona poderá se aproximar de taxas média históricas no fim do ano que vem.

Aurelia Maccario, economista do Unicredit em Milão, disse que o forte desempenho da zona do euro sugere um retorno a taxas de crescimento positivas no terceiro trimestre, com “provavelmente uma leve aceleração no fim do ano”. O crescimento poderá atingir uma taxa anualizada de 1% no segundo semestre de 2009 devido ao efeito combinado do ressurgimento da demanda mundial e de crescimento dos gastos públicos e privados, como resultado de diversos esquemas de estímulo.

Economistas disseram que as medidas de curto prazo provavelmente desempenharam um grande papel na evidente guinada rumo ao crescimento.

“Com base no que sabemos hoje, revisamos para cima nossas previsões para o terceiro trimestre – de situação praticamente inalterada para 0,5% positivo”, disse Erik Nielsen do Goldman Sachs em Londres. Para ele, outros fatores, além do estímulo, poderão começar a mostrar seu efeito.

A melhoria nas expectativas levou diversos bancos a revisarem para melhor suas previsões anuais para o PIB na zona do euro, embora a região tem um longo caminho a percorrer até retornar a níveis anteriores à crise.

O alemão Commerzbank disse que o PIB da zona do euro deverá encolher “apenas” 3,5% neste ano, em comparação com uma previsão anterior de queda de 3,8%. O Unicredit agora prevê que a economia encolherá 4%, em vez dos 4,6% projetados anteriormente.

Segundo a Eurostat, birô estatístico da União Europeia (UE), a taxa à qual a economia da zona do euro encolheu baixou para 0,1% no segundo trimestre, de calamitosos – 2,5% no primeiro.

Nielsen falou de “grande interrogações” pairando sobre o sistema bancário europeu.

Temores de que os bancos europeus sejam forçados a depreciar ativos relacionados com inadimplência devida à crise econômica e, em consequência, reduzir novas concessões de empréstimos têm preocupado políticos e o Banco Central Europeu (BCE) nas últimas semanas.

Jean-Claude Trichet, o presidente do BCE, implorou aos banco, na semana passada, que repassem as “medidas extraordinárias” que o BCE tomou para incrementar sua liquidez.

Outra razão para tratar os dados divulgados ontem com alguma cautela é o desemprego, para o qual a expectativa generalizada é de um salto de crescimento – que deprimiria o consumo – enquanto as companhias continuam a apertar os cintos.

Trichet advertiu na semana passada que “mesmo quando a economia reaquecer, o desemprego poderá continuar crescendo”. Ele ressaltou esse risco como “um dos pontos importantes que nos impõem sermos prudentes e cautelosos” durante algum tempo.

O perigo de que as verbas de estímulo – que parecem estar dando sustentação aos gastos públicos e privados – acabem antes que a zona do euro tenha superado os prenúncios de apertos de crédito e no mercado de trabalho é a razão pela qual os economistas continuam preocupados com o crescimento.

“O problema, para a zona do euro”, disse Nielsen, “é que os fatores positivos são, no momento, em larga medida de curto prazo, ao passo que os fatores negativos poderão se constituir em problemas de mais longo prazo”.

14/08/2009 - 08:34h Alemanha e França voltam a crescer e puxam economia da zona do euro

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Bloomberg – VALOR

Alemanha e França surpreenderam, voltando a crescer no trimestre passado. O resultado dos dois quase fez com que a economia da zona do euro não sofresse contração e sugere que a recessão da região, a pior desde a Segunda Guerra Mundial, pode estar chegando ao fim.

O Produto Interno Bruto da zona do euro encolheu 0,1% em relação ao primeiro trimestre, período em que contraiu 2,5% – o qual foi o maior declínio desde que os dados relativos ao bloco começaram a ser compilados, em 1995, informou o departamento de estatística da União Europeia (UE). Economistas haviam estimado que o PIB teria encolhido 0,5% nos três meses até junho, segundo mostra a mediana de 32 projeções colhidas em pesquisa da agência Bloomberg.

Na Alemanha, a maior economia da Europa, o PIB cresceu 0,3% (dado sazonalmente corrigido) em relação ao primeiro trimestre, quando caiu 3,5%. A economia da França também cresceu 0,3% no trimestre passado.

A Itália e a Holanda foram os países que puxaram a economia da zona do euro para baixo. A economia italiana contraiu 0,5%, e a holandesa teve queda de 0,9% no segundo trimestre.

O PIB da zona do euro recuou por cinco trimestres consecutivos, a mais longa contração desde o início da série histórica, que começou há 14 anos.

A demanda pelas exportações da zona do euro está melhorando no mesmo momento em que os pacotes de resgate dos governos e os juros baixos sustentam os gastos do consumidor interno. Os dados divulgados sugerem que o Banco Central Europeu (BCE) não precisará aumentar as medidas de incentivo, mas o crescente desemprego em toda região deverá ainda conter o consumo.

“Existe uma chance mais do que razoável de que a atividade econômica da zona do euro tenha agora chegado ao ponto mais baixo e que voltará a crescer no terceiro trimestre, com muitas das outras economias seguindo o exemplo da Alemanha e da França e saindo da recessão”, disse Martin van Vliet, economista-sênior do ING Bank de Amsterdã. “Tememos, porém, que a recuperação seja relativamente lenta e demorada.”

A melhora econômica da Alemanha acontece quando a premiê conservadora Angela Merkel está em campanha pela reeleição na votação marcada para 27 de setembro. “Merkel está numa boa posição para explorar a volta precoce ao crescimento econômico, mas eu me surpreenderei se ela fizer isso com muita ênfase”, disse Laurent Bilke, economista-sênior da Nomura de Londres. “Ainda se justifica uma certa cautela enquanto o mercado de trabalho continuar a se enfraquecer.”

A economia do Reino Unido, que pertence à UE, mas não à zona do euro, contraiu 0,8% no segundo trimestre, mais do que o dobro do previsto por economistas.

Em relação ao segundo trimestre de 2008, a economia da zona do euro encolheu 4,6 entre abril e junho, depois de uma contração de 4,9% nos três primeiros meses do ano, segundo o relatório.

09/06/2009 - 11:22h Um cénario inquietante para Europa

Vitória do populismo, radicalismo e eurocéticos

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Gilles Lapouge* – O Estado SP

Nenhuma surpresa. Os conservadores triunfaram nestas eleições europeias em quase todos os 27 países-membros. Mas esse resultado é paradoxal.

A crise financeira, que teve origem nos bancos americanos, não levou à condenação do liberalismo econômico pregado pela direita, de Ronald Reagan e Margaret Thatcher a Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. Isso porque, há seis meses, os governos de direita reagem com inteligência e brio. Sacudidos pela crise, aplicaram remédios dignos de intervencionistas de esquerda. Hoje, não se sabe mais em que partido se oculta o “liberalismo” econômico.

O resultado nos ensina que a fé na Europa vacila, o que é mostrado por dois índices. O primeiro é o nível sem precedente de abstenção: 60% dos cidadãos europeus não se preocuparam em sair de casa para votar.

O segundo é o avanço da extrema direita e eurocéticos (os que não acreditam no bloco ou querem destruí-lo). O caso mais espantoso é o da Grã-Bretanha, onde o Partido Trabalhista só reuniu 15,3% dos votos. Uma derrota tão amarga que a pergunta é se o premiê Gordon Brown conseguirá sobreviver.

Quem se beneficiou da queda trabalhista foi a direita e os eurocéticos. O Partido Conservador, adversário tradicional dos trabalhistas, ficou em primeiro ao arrebanhar 28,6% dos votos. Mas o partido de Brown não conseguiu nem o segundo lugar; foi derrotado pelo Partido da Independência Britânico (UKIP), que obteve 17,4% dos votos. O UKIP exige simplesmente a saída do país da União Europeia (UE).

Outro caso inquietante é o da Holanda, onde o Partido para a Liberdade (PVV), liderado por Geet Wilders, seduziu 17% dos cidadãos, ficando próximo do governista Partido Democrata-Cristão. O líder do PVV, um tribuno da direita mais primitiva, urra contra os imigrantes e contra a UE, a quem culpa por abrir as portas da Europa para as hordas do Terceiro Mundo.

Wilders seduziu com um discurso rudimentar. Afirmou que o Alcorão é um “livro fascista” e foi processado por incitação ao ódio. Mas isso não o perturbou. Para ele, “as pessoas estão fartas da Europa como se apresenta hoje, uma imensa Europa, com a possível entrada da Turquia, para a qual os holandeses já contribuíram com bilhões”.

Mais do que um grande sucesso dos conservadores e um recuo geral dos socialistas, as eleições nos mostram cenários muito inquietantes: o avanço do populismo, a consolidação da direita radical e, sobretudo, o florescimento tumultuoso das formações antieuropeias.

* Gilles Lapouge é correspondente em Paris

07/06/2009 - 16:42h França: recorde de abstenção no escrutino europeu. O partido de Sarkozy obtêm um bom resultado e o PS um forte recuo

AU QG d'Europe Ecologie, on célèbre la troisième place au scrutin européen, dimanche 7 juin.
REUTERS/PHILIPPE WOJAZER – AU QG d’Europe Ecologie, on célèbre la troisième place au scrutin européen, dimanche 7 juin.

Européennes : l’UMP en tête, le PS en fort recul

Première confirmation : la France se dirige vers un nouveau record d’abstention aux élections européennes. Selon les premières estimations, environ 60 % des Français auraient boudé le scrutin.

Les listes UMP arrivent en tête au plan national (28,3 % des voix), devançant largement celles du Parti socialiste, qui ne franchit pas la barre symbolique des 20 % des voix (17,5 %), les listes d’Europe Ecologie (14,8 %) complétant ce trio de tête, selon une estimation TNS Sofres-Logica réalisée pour Le Monde, Le Point, France 2, France 3 et France Inter.

L’UMP réussit son pari. Les leaders de la majorité s’étaient fixé un double objectif : rester le premier parti de France et atteindre la barre des 25 % de suffrages. Avec ses 28,3 %, l’UMP est même au-dessus des estimations les plus favorables. Rachida Dati, élue en Ile-de-France, évoque “un succès pour le président de la République”. Dans la région Sud-Est, l’UMP totalise 29,7 % des voix.

Le PS est deuxième. Mais sans la manière. Martine Aubry espérait un score supérieur à 20 %. Au niveau national, on serait donc à 17,5 %. Le PS n’avait pas vraiment réussi dans la dernière ligne droite de la campagne à faire entendre sa différence avec d’autres listes à gauche qui se définissaient comme les dépositaires d’un “vote sanction”. Comme un symbole de l’effondrement socialiste, dans le Sud-Est, la liste PS, conduite par Vincent Peillon, totalise seulement 15,5 % des voix. Elle est devancée par la liste Europe Ecologie.

Pour François Bayrou, l’échec est encore plus cuisant. Le MoDem serait en dessous de 9 %, loin des 18,57 % obtenus par son leader au premier tour de la présidentielle de 2007. Surtout, la formation centriste ne parvient pas à s’imposer comme le troisième parti de France, une place abandonnée aux écologistes.

Les listes Europe Ecologie emmenées par Daniel Cohn-Bendit, Eva Joly et José Bové réaliseraient près de 15 %. La performance des écologistes en Ile-de-France sera scrutée avec attention : vu le bon score obtenu dans l’Hexagone, il n’est pas impossible que les écologistes franciliens dépassent les socialistes.

Les listes du Front de gauche totalisent 6,3 % des voix. L’association avec le Parti de gauche de Jean-Luc Mélenchon a redonné des couleurs au Parti communiste. Il y a deux ans, Marie-George Buffet totalisait 1,93 % des voix à l’élection présidentielle. Derrière arrivent les listes du Nouveau parti anticapitaliste (NPA) d’Olivier Besancenot, qui, avec 5 %, atteint l’objectif qu’il s’était fixé. Les listes de Lutte ouvrière ferment la marche avec 1,3 %.

A l’extrême droite, le Front national recueille 6,5 % des voix, alors que Libertas (le MPF de Philippe de Villiers et les chasseurs du CPNT) totalise 5 % des voix. Dans la région Sud-Est, Jean-Marie Le Pen, qui conduisait la liste FN, recueille 8,5 % des voix.
Le Monde.fr

07/06/2009 - 16:02h Eleições ao parlamento europeu: à direita é vitoriosa em vários paises

La droite l’emporte dans nombre de pays européens

LEMONDE.FR avec AFP et Reuters

Le Parlement européen à Strasbourg.
AFP/FREDERICK FLORIN Le Parlement européen à Strasbourg.

Les premières estimations donnent les partis de droite vainqueurs dans plusieurs pays européens, dimanche 7 juin. Le Parti populaire européen (PPE) semble bien parti pour rester la force politique dominante du futur Parlement européen et garantir ainsi la reconduction de José Manuel Barroso comme président de la Commission européenne.

Allemagne. Les conservateurs de la chancelière allemande Angela Merkel étaient largement en tête avec 38 % des voix, malgré un recul par rapport à 2004, selon les premières estimations des télévisions publiques. Selon les estimations, les sociaux-démocrates (SPD) enregistrent leur plus mauvais résultat avec 21,2 % à 21,5 % des voix.

Les Verts recueillent 11,5 à 12 % des voix, contre 11,9 % en 2004. Les libéraux du FDP réalisent une performance, en remontant de 6,1 % des voix en 2004 à 10,5-10,8 %. La gauche radicale (Die Linke) rassemble 7 à 7,5 % des voix, en léger progrès par rapport aux 6,1 % des dernières élections européennes.

Pays-Bas. Le parti d’extrême droite islamophobe et antieuropéen du député Geert Wilders aurait remporté 16,4 % des voix, soit la deuxième place derrière les chrétiens-démocrates du Premier ministre Jan Peter Balkenende, à 20 %.

Autriche. Le parti conservateur, avec 29,7 % des voix, est en tête devant les sociaux-démocrates (23,9 %), qui subissent une déroute historique, selon des estimations diffusées par la télévision publique ORF. Viennent ensuite le surprenant eurosceptique Hans-Peter Martin, soutenu activement par le plus grand quotidien du pays, avec une percée à 17,8 %, et une extrême droite en hausse par rapport à son score en 2004.

Hongrie. La plus grande formation de l’opposition de droite, le parti Fidesz, arrive en tête avec 67 % des voix, s’assurant une avance écrasante sur les socialistes du MSZP (19 %) au pouvoir, alors que l’extrême droite fait une perçée, avec 8 % des suffrages.

Bulgarie. Le parti de droite du maire de Sofia a remporté les élections devant les socialistes du Premier ministre Sergueï Stanichev, selon les sondages à la sortie des bureaux de vote de quatre instituts. Le GERB, dont les membres rejoindront les rangs du groupe parlementaire conservateur du Parti populaire européen (PPE), a recueilli entre 25,5 % et 26,5 % des voix et les socialistes entre 19,5 % et 20 %.

Slovénie. Le parti démocrate SDS (opposition de centre droit) a remporté les élections devant le parti social-démocrate SD du Premier ministre Borut Pahor, selon des estimations données par la télévision nationale. Le SDS a recueilli 26,46 % des suffrages et obtient 2 des 7 sièges d’eurodéputés alloués à la petite république d’ex-Yougoslavie. Derrière lui, le SD est crédité de 18,22 % des voix (2 sièges).

Roumanie La gauche sociale-démocrate et la droite démocrate-libérale, qui forment la coalition au pouvoir en Roumanie, sont à égalité, avec entre 30 % et 31 % des voix. Ils sont suivis par les libéraux (opposition), avec environ 16 % des suffrages, et l’Union démocratique des Magyars (opposition), entre 9 % et 10 %.

Seule exception, en Grèce, l’opposition socialiste est arrivée largement en tête, devant le parti conservateur de la Nouvelle Démocratie (ND) du Premier ministre Costas Caramanlis, selon les sondages de sortie des urnes des principales télévisions. Les scores du Pasok, socialiste, varient de 36 à 39,5 % selon les chiffres de ces chaînes, avec un écart de l’ordre de 6 points au détriment de la ND, créditée de 30 % à 33 % des voix.

04/06/2009 - 19:31h Extrema-direita holandesa fica em segundo lugar em eleição para o Parlamento Europeu

Geert Wilders http://i436.photobucket.com/albums/qq84/Bv-id/GeertWilders.jpg

colaboração para a Folha Online

O partido de extrema-direita do polêmico deputado Geert Wilders (PVV – Partido pela Liberdade) conquistou a segunda maior bancada do país no Parlamento Europeu nas eleições realizadas nesta quinta-feira, com 14,8% dos votos, segundo uma pesquisa divulgada pela televisão pública após o fechamento dos locais de votação. Holanda e Reino Unido foram os primeiros dos 27 países da União Europeia a ir às urnas para escolher os representantes no legislativo supranacional. Os demais países escolherão os eurodeputados até o próximo domingo.

O partido de Wilders, que concorreu pela primeira vez às eleições para o Parlamento Europeu, superou o Partido Trabalhista (Pvda) e só tem pela frente os democratas-cristãos CDA, do primeiro-ministro, Jan Peter Balkenende, que se mantêm como a principal legenda, com 20,3%.

Em número de cadeiras, o PVV obteria 4 das 25 que cabem à Holanda, frente ás 5 do CDA (Apelo Cristão-Democrático), 4 do Pvda, 3 dos liberais do VVD (Popular por Liberdade e Democracia/Liberal da Holanda) e da esquerda do D66 (Democratas 66) e 2 de Groen Links (Esquerda Verde), os socialistas e os cristãos do CU (União Cristã).

A jornada eleitoral se fechou com uma participação de 40%, ligeiramente superior à de cinco anos atrás, que foi de 39,1%.

A projeção da televisão pública informou que o grande derrotado foi o Pvda, membro da coalizão governamental, que cai de 23,6% das eleições anteriores até 13,4%. O partido é liderado pelo ministro das Finanças, Wouter Bos.

O outro grande partido do governo, o conservador CDA, também teve um retrocesso, ao passar de 24,4% a 20,3%, enquanto a terceira legenda da coalizão que governa o país, a calvinista CU -que participou das eleições em aliança com o nanico SGP- sobe ligeiramente, de 5,9% a 6,5%.

Também cresceu a esquerda liberal do D66, que passa de 4,2% a cerca de 10%, com um aumento de 1 para 3 cadeiras.

O grande vencedor, o PVV de Wilders –um homem ameaçado pelo islamismo radical após as duras críticas contra o islã–, representa as ideias mais antieuropeias no panorama político holandês.

Em uma celebração nesta quarta-feira, ele disse que o resultado conseguido por seu partido era uma resposta a uma União Europeia cara e em expansão, e uma reação contra o governo holandês.

“As pessoas já tiveram o suficiente da Europa como ela está agora –uma Europa grande, com a Turquia possivelmente ingressando– em que nós gastamos bilhões a cada ano”, disse ele. “Eu acho que as pessoas já tiveram o suficiente de Balkenende e do gabinete de Bos”

Em março do ano passado, ele disponibilizou na internet um vídeo em que denunciava o suposto caráter “fascista” do Alcorão. Por causa da produção, a Holanda recebeu ameaças de grupos islâmicos.

Várias vezes, o governo holandês tentou convencer Wilders a renunciar a seu projeto, temendo uma reação similar à ocorrida após a publicação de charges do profeta Maomé na imprensa dinamarquesa.

Wilders vive sob proteção policial, após o assassinato, em novembro de 2004, do cineasta holandês Theo van Gogh, cometido por um radical islâmico por causa de outro filme, no qual denunciava a condição da mulher no islã.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Mohammad Ali Hosseini, divulgou na época um comunicado em que condenou o filme, classificado por ele de uma “vingança” por parte de alguns cidadãos ocidentais contra o islã e os muçulmanos.

Depois dos holandeses e dos britânicos, que também votaram em eleições locais nesta quinta-feira, entre sexta e sábado votarão para o Parlamento Europeu os irlandeses, tchecos, letões, eslovacos, malteses e cipriotas.

Dezenove dos 27 países da EU — entre eles Alemanha, França, Espanha, Itália e Polônia– vão às urnas no domingo.

Com Efe, Associated Press e France Presse

26/05/2009 - 11:00h Europa pode atrasar recuperação global

http://notasaocafe.files.wordpress.com/2008/10/pismestrovic_07102008_1.jpg

Anthony Faiola, The Washington Post*

A crise financeira nos Estados Unidos pode ter levado o mundo para uma recessão global, mas o maior entrave a uma recuperação em grande escala pode agora estar do outro lado do Atlântico: na Europa.

Na sexta-feira, a Grã-Bretanha reportou o mais forte declínio trimestral da sua economia nos últimos 30 anos. A produção de veículos caiu 55% ante o ano anterior. Na sexta-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s, numa medida extraordinária, anunciou estar revisando para negativa a perspectiva de crédito da Grã-Bretanha, o que aumenta o espectro de um rebaixamento da classificação máxima AAA dos títulos do governo. E alguns países europeus, incluindo Alemanha e Itália, estão enfrentando a pior desaceleração econômica da sua história.

Nove meses após o pior desaquecimento econômico que se tem conhecimento desde a Grande Depressão, a queda livre que se verificou nos Estados Unidos parece que está dando lugar a um declínio mais moderado. Mas os economistas não estão conseguindo ver um pulso firme nos países europeus e em outros industrializados, como o Japão, que também colabora para atrasar uma recuperação global. A recessão nesses países deverá ser mais profunda e longa que nos Estados Unidos, onde o ritmo de demissões diminuiu e há alguns sinais de vida nos mercados financeiros.

Existem alguns sinais de estabilização no Velho Mundo. Na Alemanha, a confiança do investidor está em alta, em meio a notícias de que as encomendas à indústria começam a voltar à normalidade, depois de meses de quedas acentuadas. Mas, para muitos economistas, a Europa vai sair da recessão depois dos Estados Unidos, num prazo de pelo menos três a seis meses.

Segundo os críticos, isso, em parte, se deve ao fato de a Europa estar demorando muito para lançar programas de estímulo governamentais e endireitar seu sistema financeiro. Alguns países, como a Irlanda, estão com tanto problema de caixa que elevaram os impostos em meio a uma profunda recessão, piorando ainda mais a situação. Além disso, só recentemente é que os líderes europeus se dispuseram a fazer testes de estresse amplos e sistemáticos nos bancos, similares aos realizados nos Estados Unidos.

E tudo indica que os bancos europeus precisam ser submetidos a esses testes, e rápido. Enquanto os bancos dos EUA já deram baixas contábeis de metade do valor estimado de US$ 1,1 trilhão em empréstimos problemáticos e ativos tóxicos, as instituições europeias só deram baixa em menos de 25% do US$ 1,4 trilhão de ativos podres, segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). Muitos bancos da Europa Ocidental também investiram pesado na Europa do Leste, onde o risco de nova onda de insolvências, tanto de consumidores como de empresas, é considerável.

“A recuperação aqui depende da recuperação fora”, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, ao Comitê de Apropriações da Câmara. “Nossos esforços para se conseguir uma reforma financeira nos Estados Unidos precisam ser acompanhados de esforços similares em todas os lugares para terem êxito”. E, diante da posição crítica do Congresso em relação à Europa, Geithner defendeu as ações adotadas pelos seus governos até agora, dizendo que foram “melhores do que os senhores pensam”.

Contudo, as dificuldades da Europa são uma má notícia para a recuperação global. A União Europeia, que congrega 27 países, representa quase um quarto da atividade econômica global e uma saída demorada da crise vai retardar também a recuperação do comercio mundial e dos investimentos estrangeiros.

Um quinto de todas as exportações dos EUA, incluindo artigos de grande valor, como reatores nucleares e aviões, vão para a UE, com empresas americanas, como McDonald´s e Google, contabilizando parte cada vez maior de suas receitas na região. Os países em desenvolvimento da Europa do Leste e da África também dependem dos investimentos europeus, que evaporaram nos últimos meses.

Apesar de investidores privados já terem começado a injetar dinheiro em mercados emergentes, muitos países ainda estão prevendo mais saídas de investimento estrangeiro em 2009, pela primeira vez em anos.

Alguns, como China e Índia, continuam a crescer, mas em ritmo mais lento, e os especialistas duvidam que será suficiente para compensar a desaceleração econômica na Europa.

“O resultado é que a Europa não será um motor numa recuperação global, mas, na verdade, o oposto disso”, disse Eswar Prasad, membro da Brookings Institution e professor de polícia comercial da Cornell University. “A Europa vai entravar a economia mundial nos próximos dois anos”.

*Anthony Faiola é repórter

16/05/2009 - 13:27h PIBs de França e Alemanha caem e afundam Europa

http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080625_european-union.jpg

Economia alemã recua 3,8% no 1.º trimestre; França cai 1,2% e entra em recessão; zona do euro cai 2,5%

Jamil Chade – O Estado SP

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Europa estava arrasada, nunca o continente esteve em uma situação tão dramática como hoje, em termos econômicos. Ontem, autoridades anunciaram a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha em quase 40 anos e a entrada oficialmente da França em recessão. As notícias abalam as esperanças de que a crise está perdendo força. Mas governos acreditam que o primeiro trimestre foi o fundo do poço e que perdas dessa magnitude não serão vistas nos próximos meses.

A queda das duas maiores economias da Europa levaram o continente a um cenário negativo. A contração do PIB na zona do euro já atravessa quatro trimestres consecutivos e atinge uma taxa recorde de 2,5%. Os dados ainda mostram que a recessão é mais profunda na Europa que nos Estados Unidos, a origem da crise.

A economia alemã – a maior da Europa – teve um recuo histórico de 3,8% de janeiro a março – a maior em um trimestre desde 1970, quando o cálculo começou a ser feito. Maior economia exportadora do mundo, a Alemanha sofre com a queda da demanda mundial. No último trimestre de 2008, o PIB alemão já havia encolhido 2,2%.

A BMW, maior fabricante de carros de luxo da Europa, sabe o que essa crise significa. Teve de cortar postos de trabalho e produção. Em abril, a queda das vendas foi de 23%. Norbert Reithofer, presidente da empresa, está cético sobre uma reação no curto prazo. “Não prevemos uma recuperação antes de 2010.” A queda na demanda mundial por carros e máquinas também foi um dos motivos que levaram o PIB alemão ao tombo. Para o ano, o governo prevê que o PIB cairá 6%.

Os alemães tentam dar um sinal de que o pior já passou. “Essa queda brusca não deve mais ocorrer”, afirmou o porta-voz do governo, Thomas Steg. “Temos claras indicações de que o primeiro trimestre foi o mais difícil.” Pesquisas de opinião indicam que a confiança de empresários começa a se recuperar.

Na França, a contração do PIB foi de 1,2% no mesmo período. Por ser o segundo trimestre consecutivo de queda, o país entrou tecnicamente em recessão. O recuo foi menor do que a redução de 1,5% do trimestre anterior. A queda das vendas externas, de 7,2%, e do setor automotivo, de 12,8%, puxou a retração.

Para Christine Lagarde, ministra de Finanças da França, a previsão é de queda do PIB de 3% no ano, o dobro do que vinha sendo previsto. A recuperação viria apenas em 2010 e, mesmo assim, “gradualmente”. Em 2008, o crescimento foi de apenas 0,3%.

Críticos dizem que os governos europeus passaram meses negando que a crise chegaria e muitos ainda hesitam em gastar dinheiro para programas de recuperação.

O PIB da zona do euro caiu 2,5% no primeiro trimestre e 4,6% em um ano. A taxa é a pior em 13 anos, quando os cálculos começaram a ser apurados. Nem mesmo a redução da taxa de juros pelo Banco Central Europeu para os níveis mais baixos já vistos – de 1% – parece ter sido suficiente.

Ao contrário do que se esperava, a queda do PIB da zona do euro foi mais intensa nos três primeiros meses do ano que no fim de 2009, quando foi de 1,6%. Dos 16 países que usam o euro, apenas um não está em recessão. Nos onze países que não usam o euro, a queda foi de 2,5%.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2008, o recuo médio dos 27 países da Europa foi de 4,4%. Na Letônia e Eslováquia, a queda foi de 11,2%. Hungria e Romênia caíram 6,4%.

A Itália registrou a maior perda desde 1980. A queda foi de 2,2%, contra uma contração de 2,1% no quarto trimestre de 2008. No ano, o PIB encolheu 5,9%, o pior resultado em 29 anos.

A Espanha registrou queda de 1,8% no trimestre e 2,9% em termos anuais – a pior marca desde 1970. No Reino Unido, a queda foi de 1,9% no trimestre, contra recuo de 1,6% no trimestre anterior.

Até o setor do luxo começa a sentir. A Bulgari registrou seu primeiro prejuízo em uma década. A L?Oreal, maior empresa de cosméticos do mundo, classificou o trimestre de “duro”. O setor de cosméticos é tido como o mais resistente às crises.

Na Europa, o que todos querem saber é se esse foi ou não o fundo do poço. A Comissão Europeia admite que a queda foi maior do que a esperada. Mas aposta em melhoria e recuperação em 2010. “Existem alguns sinais, mas a volta do crescimento ainda está longe”, diz o comissário de Assuntos Econômicos da Europa, Joaquin Almunia.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, apontou ontem sinais positivos de recuperação. “Prevemos uma retomada da conjuntura mundial para o primeiro semestre de 2010. A virada da situação deve ocorrer em outubro, novembro ou dezembro de 2009″, disse. Para o governador do Banco da Inglaterra, Mervyn King, a recuperação será “lenta”.

15/05/2009 - 14:25h Euro, quo vadis?

O euro não nasceu para contestar a hegemonia americana

Giorgio Romano Schutte – VALOR

euroneda.gif (36509 bytes)A falta de uma autoridade supranacional esvazia o potencial do euro, atrasando a necessária repactuação do sistema

Para muitos a crise foi uma surpresa, em particular sua profundidade, apesar de não faltarem analistas que há muito tempo alertam para a insustentabilidade do sistema financeiro internacional organizado em torno da hegemonia incontestável do dólar americano. Paradoxalmente, por enquanto o dólar valorizou-se perante praticamente todas as demais moedas, inclusive sua alternativa potencial, o euro. Não só não houve ‘dolar crash’ como ocorreu, ao contrário, um fortalecimento do dólar. Aparentemente existe uma convicção generalizada de que os EUA continuam sendo a principal potência e, apesar de ter originado a crise, também será o país que vai liderar sua superação, portanto um ‘porto seguro’.

Essa posição do dólar como principal moeda de reserva possibilitou aos EUA atrair, ou melhor, apropriar-se da poupança dos outros países, sem precisar se preocupar com a restrição externa, durante praticamente todo o período que coincide com a liberalização financeira. E foi esse mecanismo que financiou altos padrões de consumo interno dos EUA e os gastos com a manutenção de seu aparato militar, em particular a guerra no Iraque. A confiança de que esse sistema funcionaria de forma sustentável vinha de um lado do dinamismo real da economia americana e de outro lado da sua posição político-militar, esfera na qual o mundo tornou-se unipolar no período pós-guerra fria. Países superavitários na Ásia Oriental, em particular a China e o Japão, sustentam esse mecanismo ao aplicar a maior parte da suas enormes reservas internacionais em títulos do governo dos EUA. Países exportadores de petróleo e os demais países emergentes superavitários, como o Brasil, aderiram a essa lógica. O nível de vida dos EUA depende da vontade do mundo de aceitar ativos em dólares em troca de bens e serviços reais.

O euro não nasceu para atrapalhar essa lógica ou contestar essa hegemonia. Concretizou-se, paradoxalmente, graças à onda de ataques especulativos ocorridos no início dos anos 90 e tirou de vez da especulação cambial todo o mercado interno dos países que aderiram à moeda, hoje 16 dos 27 países da União Europeia. Foi recebido com muito ceticismo pelos mercados financeiros, principalmente dos EUA, mas logo mostrou que veio para ficar do lado do dólar. Entre 2002, o ano de entrada em circulação, até pouco antes do início da atual crise financeira, em meados de 2008, o euro valorizou 77% em relação ao dólar. Como sinal dos novos tempos, no final de 2007 Gisele Bundchen manifestou seu desejo de ser paga em euro dentro do seu novo contrato com a Pantene. Na mesma época um dos mais famosos rappers dos EUA, Jay-Z, conquistou páginas de economia ao lançar um videoclipe no qual circulava em um carro luxuoso mostrando notas de euro.

Embora nunca tenha havido intenção por parte do Banco Central Europeu de ameaçar a posição do dólar, nem sob a liderança do holandês Wim Duisenberg ou na atual gestão do francês Jean-Claude Trichet, sem dúvida ele se tornaria alternativa e um potencial parceiro para a construção de um possível novo sistema monetário multilateral. Crucial neste processo seria a adesão da Inglaterra, principal praça financeira europeia, o que seria questão de tempo, apesar de parecer uma hipótese remota no curto prazo.

Analisando o caminho percorrido pelo euro desde 2002 até a crise, surpreende o fato de que a moeda não se fortaleceu perante a crise financeira. Ao contrário, passa por uma desvalorização expressiva, apesar de esta ainda ser inferior à valorização no período antecedente.

A questão não era imaginar que a crise provocaria fuga de dólares para o euro, mas uma continuação, até acelerada, da sua valorização perante o dólar como alternativa para diversificar as aplicações. Porém não foi isso que aconteceu até agora. Ocorre que o dólar mostrou-se mais convincente que o euro.

A explicação desse fato deve considerar que os países da UE também foram atingidos economicamente, apesar de a destruição da riqueza financeira ser menor, mas é principalmente uma questão política. De certa forma, a crise veio cedo demais para que o euro seja visto como uma alternativa. É como se a pancada de chuva tivesse chegado no momento em que a casa não estava ainda finalizada. E assim não apareceu como abrigo seguro o suficiente, em primeiro lugar para aumentar o interesse dos ingleses (e suecos) de se juntar. Tudo indica que o interesse na Inglaterra em considerar uma adesão ao euro não apenas não tenha aumentado, mas pode até ter diminuído.

A debilidade política do euro está no fato marcante de se tratar de uma moeda sem Estado. São vários governos, não há centralização. Em última instância, a credibilidade não vem dos bancos centrais, mas dos governos. A União Europeia trabalha com dois mecanismos de representação supranacional. A incondicional (por exemplo na política de competição) e a supervisionada (no caso da política comercial). Não há clareza sobre o caráter da autoridade comunitária para negociar a política monetária. O texto da chamada Constituição Europeia, posteriormente transformado em tratado, previa que o grupo do euro (composto pelos ministros de finanças dos países do euro), até agora um grupo informal, se transformasse em instância formal, elegendo um presidente, que seria a autoridade máxima. Uma espécie de ministro de Finanças da União Europeia, para quem Geithner poderia ligar, relembrando a máxima do euro-ceticismo de Kissinger (para quem devo ligar se eu quiser falar com a Europa?). Ao mesmo tempo, estava-se avançando rumo a uma representação unificada nas instituições financeiras internacionais. Mas o veto do povo Irlandês na véspera da crise financeira, expresso em referendo ao texto do tratado, atrasou esse avanço e, portanto, quando veio a crise, houve sim uma certa vontade política de coordenação, mas ficou evidente a falta de uma autoridade supranacional. Esse fato esvazia o potencial do euro para ocupar um papel de maior destaque do lado do dólar, atrasando desta forma a necessária repactuação do sistema monetário internacional.

Giorgio Romano Schutte é professor de Relações Internacionais do Centro Universitário Belas Artes e membro do Grupo de Análise de Conjuntura da USP (GACINT)

06/04/2009 - 08:57h A crise é dura com o Leste Europeu

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Filhos da Revolução descobrem agora a crise capitalista

Húngaros, checos e eslovacos enfrentam recessão e questionam efeitos da entrada na União Europeia

 

Jamil Chade, PRAGA – O Estado SP

 


Iva, Tomaz, Miroslava e Maria. Eles são húngaros, checos, eslovacos e não têm ideia do que seja viver em um regime comunista. Eles nasceram no ano ou logo depois das mudanças na região e a queda da União Soviética. Mas, hoje, 20 anos depois da Revolução de Veludo que derrubou o regime na ex-Checoslováquia e em plena crise mundial, a geração dos filhos da Revolução está descobrindo que a mera adesão à União Europeia não os blindou contra o desemprego, a crise e a recessão.

2009 era para ser o ano de celebrações no Leste Europeu. Além dos 20 anos da Revolução, a região comemora o quinto aniversário da expansão da UE para o Leste e ainda o ano da entrada do primeiro país da Europa Central na zona do euro, a Eslováquia. Mas a crise mudou o cenário e as sociedades começam a se questionar se a adesão à UE, ao capitalismo e mesmo à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) são fatores suficientes para garantir o bem-estar da população.Três governos na região já caíram diante da crise e outros enfrentam protestos violentos.

“Ninguém questiona se deveríamos ou não ter entrado na UE e abandonado o lado comunista. Isso é claro. Mas o capitalismo puro também não funcionou e estamos vendo isso com a crise”, afirmou Miroslava Durankova, uma universitária de 21 anos do norte da Eslováquia.

Seu argumento é resultado de um fenômeno que a região não conhecia nos anos do comunismo: a disparidade social. Hoje, o salário médio de um eslovaco é sete vezes maior que a média de 1989. Mas um estudo da Universidade de Bratislava mostrou que, na realidade, o poder de compra ainda é o mesmo de há 20 anos. Ou seja, o que uma pessoa ganha lhe dá a possibilidade de comprar exatamente o que adquiria em 1989. Agora, porém, há uma grande diferença: a liberdade de escolha, liberdade política e liberdade de movimento.

O sistema permitiu que uma parte da população enriquecesse e que uma classe média pudesse viajar. Enquanto o Leste Europeu cresceu a taxas altas, os mais pobres conseguiram empregos e também se beneficiaram. Mas, com a crise, os mais pobres correm risco de ficar sem trabalho. E, dessa vez, não contarão com os imensos subsídios do Estado.

“Há 20 anos, o governo fingia que pagava salários e a população fingia que trabalhava. Agora, a situação é outra e cada pessoa deve ganhar sua vida”, diz o diretor do Departamento de Educação da Universidade Eslovaca de Tecnologia, Miroslav Babinsky. Ele conta que, em 1989, com pouco mais de 20 anos, fugia das aulas de engenharia na Universidade de Bratislava para praticar um crime: imprimir panfletos alertando a população de que novos dias viriam. “Quando a revolução ocorreu, tínhamos a impressão de que tudo nos era permitido e que tudo seria fácil”, disse.

Neste fim de semana, ele foi votar para presidente da Eslováquia. Seu voto iria para a oposição, de direita. “Acabamos com o comunismo, mas os atores são os mesmos. Se dizem religiosos e até pró-capitalistas. Mas são os mesmo que nos oprimiram. Não podemos aceitar”, disse. “Se o sr. Hugo Chávez (presidente da Venezuela) quiser saber o que é socialismo, deveria perguntar a quem viveu aqueles anos aqui.”

Só 30% dizem viver melhor do que no comunismo

População apoia a democracia e a economia de mercado, mas o desemprego preocupa

 

Jamil Chade, PRAGA – O Estado SP

 


Um estudo do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento concluiu que apenas 30% da população do Leste Europeu afirma que vive melhor hoje que no período comunista. Só 15% da população acha que hoje a corrupção é menor. Mas o apoio à democracia e à economia de mercado são incontestáveis. Os motivos para a desilusão são econômicas: salários, desemprego, dificuldades e falta de serviços, como de saúde. “A vida ficou muito dura para a gente”, diz Miroslav Babinsky, da Universidade Eslovaca de Tecnologia.

Nos primeiros anos da transição, a produção caiu em 70% no Leste Europeu. Na última década, o crescimento voltou. A esperança era de que 2009 terminasse com uma alta de 25% na produção da região, em comparação a 1989. Mas a crise mudou o cenário. Para 2009, a diferença entre o PIB per capita no Leste Europeu e da UE será maior que a diferença em 1989. Algumas estimativas apontam que a região precisará de outros dez anos para completar as promessas dos líderes de 1989 de garantir uma melhor vida para todos.

Zuzana Matejovská tinha 9 anos na Eslováquia quando o regime soviético caiu. “Me lembro de que todos diziam que as coisas ficariam muito caras. Como eu gostava de sucrilhos, peguei todo o dinheiro que eu tinha na época das mesadas e voltei para casa no dia seguinte com três litros de leite. Eu estava muito orgulhosa de mim mesmo”, afirmou.

O que ela não imaginaria é que, 20 anos depois, trabalharia para a União Europeia e seria uma das organizadoras de cúpulas presidenciais do bloco. “Ninguém sabia o que iria ocorrer”, admitiu a jovem de 29 anos, em um inglês fluente e com um salário 15 vezes maior que o de seus pais nos anos 80.

Mas ela não esconde querer que seus filhos tenham a mesma infância que desfrutou. “Tive uma infância incrível e posso até estar dizendo algo politicamente incorreto, mas quero que meus filhos tenham uma vida como a minha durante o regime comunista. Ou seja, que saibam valorizar a liberdade que existe hoje. A geração que veio depois de mim não sabe o que era viver com tudo contado e controlado”, disse.

“Não tenho ideia do que era viver naquela época”, admitiu Iva Surchokrylova, uma estudante de 19 anos do colegial em Praga. “Minha mãe sempre me diz que eu tenho muita sorte de ter nascido após o comunismo.” Seu namorado, Tomas Palvik, lembra que está desempregado. “Eu sei que nossa vida é melhor que a de nossos pais. Mas eu não tenho trabalho.”

31/03/2009 - 15:08h A União Europeia contra a homofobia pede à Igreja não lutar contra os direitos dos homossexuais

Obispos en la manifestación contra el matrimonio gay en 2005


Bispos na manifestação contra o casamento gay em 2005 na espanha – foto Luis Magán

La UE alerta de episodios de homofobia en la escuela, el trabajo y la atención sanitaria


El informe pide a la Iglesia que no luche contra los derechos del colectivo homosexual y que los contenidos escolares enseñen sobre diversidad sexual

CARMEN MORÁN – Madrid – El País

La Agencia de Derechos Fundamentales (FRA, en sus siglas en inglés) de la Unión Europea alerta de la homofobia que se vive en todo su territorio, una discriminación por razón de orientación sexual que afecta a los escolares, al ámbito laboral y a la atención sanitaria. Los episodios de violencia, acoso y discriminación siguen ejerciéndose contra gays, lesbianas, bisexuales y transexuales en toda la comunidad europea, avisan, y se insta a los políticos a tomar medidas contra ello. El director de la agencia, Morten Kjaerum, recuerda que en algunos países se han registrado contra dichos colectivos agresiones físicas e incluso mortales que no se compadecen con los principios de igualdad de trato que la UE lleva a gala.

Algunas sedes de estos colectivos también sufren ataques, saqueos, incendios, y desfiles como los del Orgullo Gay tienen que sortear trabas en algunos países cuando no son directamente prohibidos.

El informe, publicado hoy por la agencia, denuncia la “incitación al odio” que ejercen algunos personajes públicos con sus declaraciones, “un fenómeno especialmente inquietante dado que ejerce un efecto negativo sobre la opinión pública y da pábulo a la intolerancia”. Y se detiene el informe en las actitudes de las autoridades religiosas, muy variables entre los distintos países. “En algunos países”, dice, “los representantes de la Iglesia se implican en los debates sobre los derechos de los homosexuales y a menudo se movilizan y luchan contra el acceso a estos derechos”. Esto ha ocurrido en España, cuando los obispos se manifestaron en contra del matrimonio gay o de sus derechos para tener y criar hijos. Sin embargo, el informe cita como buena práctica las marchas homosexuales en las que han participado miembros de la Iglesia.

También en el ámbito escolar, se exige a los Estados miembros que se aseguren de que los programas escolares incluyan las cuestiones de orientación sexual donde “el colectivo aparezca representado con respeto y dignidad”. Se pide además que se proteja a los alumnos contra episodios de acoso e intimidación dejando claro que esas actitudes no se tolerarán. Y se recomienda proporcionar a los jóvenes de diversas identidades sexuales la información necesaria para que no se sientan discriminados.

“Sabemos que el número de incidentes denunciados a la policía u otras autoridades es muy escaso, lo que se traduce en impunidad para los delitos, de tal forma que la justicia no resarce a las víctimas y las autoridades se abstienen de adoptar las medidas necesarias para hacer frente a estos delitos y evitar que se repitan”, ha dicho Morten Kjaerum. El director de la agencia ha exhortado a los Gobiernos a investigar estos delitos y a proporcionar formación para luchar contra ellos, a la policía.

“Además, debemos promover campañas que sensibilicen a toda la ciudadanía sobre la diversidad y la no discriminación, puesto que para presentar una denuncia es preciso que el interesado conozca previamente los derechos que jurídicamente le asisten”, ha añadido Kjaerum.

A pesar de ello y de las diferencias que se dan entre los países miembros, la agencia constata que también hay buenas prácticas en algunos territorios y se felicita de que los políticos acompañen a los que participan en las marchas del Orgullo Gay o de que se hayan incorporado medidas para poder denunciar de forma anónima en algunos países. Cita a aquellos países que han incorporado el matrimonio entre homosexuales así como el acceso a procrear y criar a sus hijos. Destaca que entre todos ellos, la discriminación se hace más evidente hacia los transexuales. Son más reticentes a reconocer los derechos de estos colectivos y evitar las discriminaciones los hombres que las mujeres, y las personas entradas en edad que los jóvenes.

Tras las conclusiones de este informe, la UE sugiere que se amplíe la legislación contra la discriminación y que se adapte la normativa europea en caso de no haberse hecho ya. España está en estos momentos trasponiendo una directiva de la UE que se convertirá en la Ley contra la Discriminación, un proyecto en el que trabaja actualmente el Ministerio de Igualdad.

Anastasia Crickley, presidenta del Consejo de Administración de la FRA, concluye: “Todos en la Unión Europea deben vivir libres de miedo y discriminación, independientemente de su orientación sexual. Insto a todos los Gobiernos de la UE a que apoyen la nuevas propuestas de legislación comunitaria contra la discriminación”.

22/03/2009 - 11:30h Europeus têm rede de proteção contra crise

Mesmo com desemprego, exemplos mostram que sistema atenua tombo

 

http://patrickalexanian.typepad.fr/.a/6a00e552188d1188330105367a2dda970b-800wi

Andrei Netto e Jamil Chade, PARIS e GENEBRA – O Estado SP

 


A recusa da Europa em redobrar esforços em programas de resgate da economia, como defende a administração de Barack Obama nos Estados Unidos, se deve à confiança dos governos da União Europeia no capitalismo de bem-estar social, que age de forma automática em tempos de crise. Exemplos concretos demonstram que, embora a turbulência global tenha efeitos duros na atividade econômica, a qualidade de vida da maioria dos desempregados pela crise foi preservada.

O francês Patrick Barbe sintetiza bem o momento econômico da Europa. Em 2006, um ano antes da eclosão da crise do subprime – os créditos imobiliários de alto risco negociados nos Estados Unidos -, o pequeno empresário, hoje com 51 anos, aventurou-se na criação de uma empreiteira. A intenção era explorar o potencial imobiliário de pequenos apartamentos para famílias sem filhos, vendidos por cerca de 60 mil. De acordo com suas estimativas, o negócio deveria movimentar 5 milhões.

Depois de investir 600 mil no negócio e empregar sete funcionários, Barbe viu a bolha imobiliária estourar. O crédito secou e seus planos começaram a afundar. “No Natal passado, eu não tinha mais clientes”, lamenta. Em 25 de fevereiro, menos de três anos depois de criá-la, sua empresa foi liquidada pela Justiça. Os sete funcionários foram demitidos. Ele próprio se enquadrará nos programas de auxílio social da França, se desejar.

“De um dia para o outro, o Estado passou a arcar com os custos do desemprego. Eu preferia ver meus funcionários recebendo salários da minha empresa”, diz Barbe. “Esta crise está destruindo tudo. Ela nos castiga duplamente, porque a iniciativa privada perde força, e o Estado assume a conta.”

Segundo cálculos da Comissão Europeia, os pacotes de estímulo após a falência do banco Lehman Brothers, em setembro, somam 200 milhões. Mas a este valor, argumentam líderes políticos como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, precisam ser adicionados os gastos dos Estados com programas sociais.

Na prática, entre seguros-desemprego, auxílios-moradia – para pagamento de aluguel -, custeio integral dos transportes, programas de renda mínima, bolsas para estímulo à natalidade, saúde e educação gratuitas, o valor investido em meio à atual crise salta para algo entre 3,3% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB) da região, de 400 milhões a 485 milhões. É essa injeção de recursos na sociedade que garante qualidade de vida em tempos difíceis.

Raphael Espinoza, PhD em Economia pela Universidade de Oxford e economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), vê impacto positivo nos chamados “estabilizadores automáticos” – a designação técnica dos programas sociais. Segundo ele, os planos de auxílio amortizam entre 35% e 40% do impacto da crise na renda das famílias – renda, diga-se, já elevada. Para o todo da economia de um país como a França, segundo a Comissão Europeia, os estabilizadores atenuam 10% da queda do consumo no primeiro ano e 20% no segundo.

O efeito sobre o mercado de trabalho também é significativo, segundo Espinoza. “A cada 1% de PIB perdido pela economia do país, os estabilizadores salvam o equivalente a 20 mil empregos”, explica, ressalvando: “Mas as ferramentas que atenuam a crise também reduzem a capacidade de crescimento em épocas de ciclos econômicos positivos.”

EFEITO COLATERAL

Outro efeito colateral dessas políticas é o desequilíbrio nas contas públicas. Na França, por exemplo, a perspectiva para 2009 aponta déficit de 5,6% do PIB. Mesmo na Alemanha, onde a austeridade é palavra de ordem, o buraco aberto deve chegar a 4%. Isso ocorre porque na Europa o orçamento age como regulador da vida econômica. Quando a atividade se desacelera, o volume de recursos arrecadados com impostos – indexados ao lucro e à renda – cai.

Na prática, a iniciativa privada é poupada, passa a pagar menos taxas e preserva parte da saúde financeira para a retomada econômica. Em contrapartida, o Estado paga a fatura. Os governos abrem mão do equilíbrio fiscal, deixando o déficit público crescer para injetar mais recursos diretamente nas contas bancárias das famílias.

Poucos desempregados do mundo têm o privilégio de contar com um sistema tão generoso quanto o da Suíça. É o que Antonio de Souza, 34 anos, filho de portugueses, acabou de descobrir. Há duas semanas, ele perdeu o emprego numa pequena fábrica de peças para a indústria de relógios. Mas já foi avisado de que receberá 80% do seu salário pelos próximos 11 meses. “A renda não cairá tanto. O problema é mais emocional, por ter sido rejeitado.”

Caso nenhuma oportunidade de trabalho surja nos próximos meses, Souza cairá no sistema de ajuda social. Terá o aluguel coberto pelo governo, além de atendimento em saúde. Para completar, receberá US$ 1 mil por mês em dinheiro e uma bolsa para alimentação.

Segundo o vice-secretário-geral do Departamento de Empregos de Genebra, Bernard Favre, a ideia do sistema suíço é evitar que uma demissão contamine a economia. “Se alguém perde sua renda, vai comprar menos, o que pode gerar mais desemprego.” Para Clemente de Lucia, economista do banco BNP Paribas, o desempregado europeu está em melhor condição do que nos Estados Unidos porque as políticas de bem-estar social amortecem o impacto em tempos de turbulência.

17/03/2009 - 14:21h Crise convulsiona classe média no bloco europeu

Segmento social é a principal vítima da recessão econômica em quase todos os países

Inquietação política pode se agravar, caso programas de estímulo não sejam vistos como favoráveis ao cidadão comum, diz diretor da OIT

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JOHN THORNHILL – “FINANCIAL TIMES” – FOLHA SP

A economia está causando convulsões políticas na Europa. Na Islândia e na Letônia, os governos caíram; greves ou protestos irromperam na Grécia, na Irlanda, na França, na Alemanha, no Reino Unido, na Ucrânia e na Bulgária. Os tumultos financeiros abalaram até mesmo os baluartes mais distantes do continente: a ilha francesa de Guadalupe, no Caribe, sofreu greves violentas, enquanto a Rússia teve de enviar policiais de avião para a distante e gélida Vladivostok, a fim de conter protestos de rua.
O surto de inquietação não era esperado no continente. Muitos europeus imaginavam que seriam poupados dos piores efeitos de um desastre gerado nos subúrbios dos EUA.
Mas a crise se espalhou. Na semana passada, os ministros das Finanças da União Europeia revisaram para baixo projeções já desanimadoras para o PIB do bloco e estimaram que a recessão vá perdurar até 2010.
À medida que os governos fazem ações muitas vezes impopulares para salvar suas economias, cresce a raiva, como resultado do desemprego cada vez mais alto, das restrições aos aumentos de salários, dos resgates aos bancos devastados e das quedas nos valores das residências e dos fundos de pensão.
Juan Somavia, diretor-geral da OIT (Organização Internacional do Trabalho), diz que a inquietação social pode se agravar caso os planos de estímulo não sejam vistos como benéficos aos cidadãos comuns, alegando que “há uma sensação de que banqueiros recebem bilhões, e o povo, trocados”.
Por enquanto, é impossível prever os efeitos políticos do terremoto econômico em curso.
A esquerda deveria ser a beneficiária natural. Porém, líderes sindicais recordam, em tom pressago, que foi a extrema direita, e não a esquerda moderada, que ganhou o poder em boa parte da Europa nos anos 30, na última catástrofe capitalista.
Observadores como o sociólogo francês Emmanuel Todd preveem o fim da democracia, ou ao menos sua erosão significativa, com os líderes da direita populista, como o premiê italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, tornando-se mais demagógicos e autoritários. Outros preveem uma reversão ao nacionalismo e ao protecionismo.

Maior vítima
Países diferentes estão respondendo de formas diferentes à crise. Mas um traço comum a quase todos é que a classe média é a principal vítima da recessão. Mesmo antes da crise, sociólogos falavam sobre o surgimento de “sociedades-ampulheta” na Europa -a globalização afastando mais e mais vencedores de perdedores.
“A classe média está encolhendo agora, ao menos na Alemanha. Essa é uma situação completamente nova para o país”, afirma Stefan Hradil, sociólogo alemão. A análise também vale para o Reino Unido, onde a mídia destacou os problemas da “classe calada”, formada por profissionais antes seguros de si que agora enfrentam dificuldades financeiras.
O momento político mais explosivo talvez surja quando os europeus tiverem de pagar a conta pelos pacotes de resgate atuais. Os governos só conseguirão reequilibrar as finanças públicas caso cortem os gastos e aumentem os impostos sobre a classe média já sufocada.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

17/03/2009 - 13:41h Europa: um continente à deriva

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Paul Krugman, The New York Times*

Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo – não existem refúgios a salvo dessa tormenta econômica global. Mas a situação da Europa preocupa-me mais do que a dos Estados Unidos.

Não vou repetir a velha queixa americana de que, na Europa, os impostos são muito altos e os benefícios muito generosos. Os enormes programas de bem-estar social não são a causa da atual crise. São um fator atenuante.

O perigo claro e presente vem de uma direção diferente: é o fracasso do continente em responder eficazmente à crise financeira. A Europa carece de uma política fiscal e monetária. Enfrenta uma crise no mínimo tão severa quanto os EUA, porém está fazendo muito menos.

No aspecto fiscal, a comparação com os EUA é assombrosa.

Para muitos economistas, eu inclusive, o plano de estímulo do governo Obama era muito tímido diante da gravidade da crise. Mas as medidas adotadas pelos EUA fazem parecer insignificante qualquer coisa que os europeus estejam fazendo.

A diferença em termos de política monetária é igualmente assombrosa. O Banco Central Europeu (BCE) tem se mostrado muito menos dinâmico do que o Federal Reserve; tem demorado para cortar as taxas de juros (elevou em julho do ano passado) e evitou adotar medidas vigorosas para desbloquear os mercados de crédito.

A única coisa que pesa em favor da Europa é exatamente aquilo pelo qual é mais criticada: o porte e a generosidade dos seus programas de bem-estar social, que atuam como amortecedor do impacto dessa retração econômica.

E isso não é pouco. O auxílio-desemprego e a assistência à saúde garantida asseguram que, pelo menos até agora, não se veja na Europa o sofrimento humano tão nítido como nos EUA. Esses programas também vão ajudar a sustentar os gastos nessa crise. Contudo, esses “estabilizadores automáticos” não são substituto de uma ação positiva.

Por que a Europa não está conseguindo enfrentar a crise? Em parte por causa de uma liderança medíocre. As autoridades dos bancos europeus, que se omitiram quanto à profundidade da crise, ainda parecem estranhamente complacentes. E para ouvir alguma coisa nos EUA que seja comparável aos ataques ignorantes do ministro das Finanças da Alemanha, você deve ouvir os republicanos.

Mas há um problema mais profundo: a integração monetária e econômica da Europa avançou muito mais do que as suas instituições políticas. As economias de muitas nações estão tão estreitamente ligadas quanto as economias de muitos Estados, nos EUA, – e a maior parte da Europa compartilha uma moeda comum. Mas, ao contrário dos EUA, a Europa não tem instituições que cubram todo o continente, necessárias para lidar com uma crise com essa envergadura.

Essa é uma importante razão da ausência de uma uma ação fiscal. Não existe nenhum governo em posição de assumir a responsabilidade pela economia europeia como um todo. Em vez disso, o que há são governos nacionais, cada um relutando em acumular enormes dívidas para financiar um plano de estímulo que poderia levar muitos, senão a maior parte, dos seus benefícios para os eleitores em outros países.

Você poderia pensar então que a política monetária é mais convincente. Afinal, apesar de não existir um governo europeu, há um BCE. Mas ele não é como o Fed, que pode se permitir correr riscos porque tem o suporte de um governo nacional unitário.

Em outras palavras, a Europa vem se revelando estruturalmente fraca num período de crise. A maior dúvida é o que vai ocorrer com aquelas economias europeias que prosperaram tanto na fase do dinheiro fácil dos últimos anos, particularmente a Espanha.

Durante grande parte da década passada, a Espanha foi a Flórida da Europa, com uma economia animada por um enorme boom especulativo imobiliário. Como na Flórida, esse boom transformou-se em um fiasco. A Espanha agora precisa encontrar novas fontes de renda e emprego.

No passado, o país teria procurado ser competitivo desvalorizando sua moeda. Mas agora a sua moeda é o Euro – e o único meio de avançar parece ser pelo doloroso processo de corte de salários. O que seria difícil nos melhores tempos, mas será incrivelmente doloroso se, como parece provável, a economia europeia como um todo entrar numa depressão e se encaminhar para uma deflação nos próximos anos.

Isso significa que a Europa errou ao se tornar tão estreitamente integrada? E, especialmente, que a criação do Euro foi um equívoco? Talvez.

Mas a Europa ainda pode mostrar para os céticos que eles estão errados, se os seus políticos começarem a mostrar mais liderança.

Mostrarão?

*Paul Krugman é articulista

05/03/2009 - 10:28h UE impõe tarifa à importação de biodiesel dos EUA, diz ‘FT’

Comitê de comércio da Comissão Europeia determinou tarifas entre 29 e 41 euros por 100 quilos do combustível

Deise Vieira – Agência Estado

SÃO PAULO – A União Europeia anunciou tarifas temporárias antidumping e anti-subsídios sobre a importação de biodiesel norte-americano, informa nesta quinta-feira, 5, o jornal ‘Financial Times’.

O comitê de comércio da Comissão Europeia determinou tarifas entre 29 e 41 euros por 100 quilos por um período inicial de seis meses, de acordo com o jornal.

A comissão deve publicar no dia 12 de março uma decisão formal sobre as tarifas, que devem entrar em vigor no dia seguinte. Segundo o Financial Times, após um período inicial, as tarifas podem ser ampliadas para até cinco anos. As informações são da Dow Jones.

04/12/2008 - 18:59h La homofobia divide a la ONU

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La UE quiere que 60 países apoyen el fin de las condenas por orientación sexual – El Vaticano se une al islamismo integrista contra una declaración no vinculante

S. POZZI / E. DE BENITO – Nueva York / Madrid – El País

La declaración para despenalizar la homosexualidad se cuece a fuego lento en las Naciones Unidas. Pero como indican fuentes diplomáticas metidas en la negociación de este controvertido texto en Nueva York, el tiempo apremia, y aunque se producen avances, encontrar una zona de consenso no es fácil.

El objetivo es tenerla lista para el próximo 18 de diciembre, un día antes del receso de la Asamblea General. La iniciativa surgió de Francia, como presidente de la Unión Europea. Pero ahora es asumida por sus 27 miembros. Además, es apoyada por otros tantos países latinoamericanos, asiáticos y africanos.

Las declaraciones de la Asamblea General no son jurídicamente vinculantes. Su valor es más bien político. Por eso, el propósito de la UE es conseguir el mayor número de países firmantes, para darle peso. “Lo ideal sería llegar a las 60 firmas” de 192 miembros, indican los negociadores europeos, que reconocen que ir más allá en este momento complicado. Con ello se superarían los 54 apoyos que consiguió una propuesta llevada por Noruega el año pasado en la que se instaba a la Comisión de Derechos Humanos a que se “otorgue la debida atención” a las discriminaciones por orientación sexual.

El texto que está sobre la mesa consta de 13 párrafos, con los que pretenden “reafirmar los derechos de estas personas, dentro de mecanismos internacionales existentes”. “Se trata de lanzar así un movimiento global contra una práctica intolerable”, según explican los relatores de la iniciativa, que reiteran que “la idea no es crear nuevos derechos, sino hacer la despenalización posible”.

El corazón de la iniciativa es su párrafo 11, y está redactado para meter bajo el mismo paraguas a gays, lesbianas, bisexuales y transexuales. Para ello se pide a los países que tomen “las medidas necesarias, administrativas y legislativas, para garantizar que la orientación sexual y la identidad de género no sean bajo ninguna circunstancia causa de sanción penal, en particular ejecución, arresto o detención”. La mención a la pena capital no es casual, ya que, según el último estudio de la Asociación Internacional de Gays y Lesbianas (ILGA, en inglés), hay ocho países en los que los actos homosexuales están castigados con la muerte: Arabia Saudí, Emiratos Árabes, Irán, Mauritania, Sudán,Yemen y algunos Estados del norte de Nigeria.

El asunto salta periódicamente a los medios de comunicación, sobre todo cuando algún gay de uno de estos países intenta conseguir asilo en la UE. El último ha sido el iraní Abbas Bagherian Noveiri, a quien Chipre acaba de admitir, después de tres años de residencia ilegal. Bagherian afirma que desde los 15 años ha sido detenido al menos cinco veces por sus relaciones con otros hombres. Durante su estancia en la cárcel fue golpeado, según recoge la ONG IRQR, dedicada a prestar amparo a los gays iraníes.

La declaración se completa con otro párrafo en el que se hace mención a la no discriminación de los países por orientación sexual o identidad de género, por considerar que violan claramente los Derechos del Hombre. En casi 90 países hay legislaciones que castigan las relaciones homosexuales, por lo que no es de presumir que den su apoyo a la propuesta. Además, está la cuestión de los grupos que actúan al margen de la ley, como los paramilitares colombianos, un país donde el debate de una ley de parejas de hecho intensificó los ataques contra los activistas homosexuales. Uno de ellos, Manuel Antonio Velandia, tuvo que huir en 2007 a España, después de que su casa fuera atacada con granadas y de recibir amenazas tanto él como su familia. “Si hubiera sido yo sólo no me importaría, pero me convertí en un peligro para mis hermanos”, declaró ayer Velandia.

Los negociadores no quieren entrar a polemizar sobre la posición que están adoptando países concretos u organizaciones religiosas. Pero en los pasillos de Naciones Unidas en Nueva York advierten de que el Vaticano se encuentra en una situación complicada, porque los países musulmanes más extremos están utilizando a la Santa Sede como escudo.

El Vaticano se opone a esta declaración porque acaba añadiendo “una nueva categoría” a los protegidos contra la discriminación, y porque además teme que se cree una reacción en cadena a favor de las uniones entre personas del mismo sexo y revertir la discriminación contra el matrimonio tradicional entre heterosexuales. Éste es uno de los motivos por el que Estados Unidos no ha ofrecido su apoyo, ya que se trata de un asunto que divide al país. En el mundo sólo es aceptado por cinco países: España, Holanda, Bélgica, Canadá y Suráfrica.

Pero, al mismo tiempo, en la Santa Sede no quieren que los miembros de este colectivo sean castigados con la pena de muerte, encarcelados o multados. El Vaticano pretende así tomar distancia de la posición de los países islámicos más radicales, haciendo visible su posición. Pero en el recuerdo está la alianza que forjaron en 1994 en El Cairo para tumbar una propuesta reconociendo el derecho al aborto.

20/11/2008 - 19:22h Sarkozy plan for another economic conference annoys some diplomats

President Nicolas Sarkozy of France on Wednesday in Paris. (Pool photo by Eric Feferberg)

By Mark Landler – Herald Tribune

Published: November 20, 2008

French officials said the gathering Jan. 8 and 9, for which the former British prime minister, Tony Blair, was to be co-host, would be merely a conference, designed to bring together political leaders and prominent thinkers to discuss issues like globalization and the values of capitalism.

The surfeit of high-level meetings reflects what has become a tense trans-Atlantic contest over the global economy. Much of this is posturing by ambitious leaders, but it also reflects a genuine philosophical debate about how best to fix the fractured global markets.

On one side is Sarkozy, the supercharged French leader, determined to keep the initiative on what many in Europe regard as a long-overdue discussion of the excesses of American-style capitalism.

On the other is Bush, playing out his final weeks in office but unwilling to allow Europeans, especially the French, to dominate the debate on how to overhaul international financial regulations.

Certainly, the two leaders had sharply different interpretations of what happened in Washington. Sarkozy portrayed it as a shift in power, saying, “Europe for the first time expressed its clear determination.” Americans had “never, ever” been willing to negotiate these kinds of regulatory changes, he said.

Bush agreed that the meeting had been productive. But he noted that the leaders had reaffirmed the value of free markets, free trade and the primacy of national regulation – all hallmarks of American capitalism.

The timing of Sarkozy’s January meeting has ruffled feathers, even more than its agenda has, because the Group of 20 industrialized and emerging nations set out a detailed process for tackling regulatory reform. It assigned working groups to develop proposals on 47 issues, to be taken up later by the leaders, possibly in London.

At that meeting, the U.S. president-elect, Barack Obama will have a seat at the table. Obama will not, however, be in office during the Paris meeting, ensuring that the participants discuss the future of capitalism when the world’s leading practitioner of it is still in a transition.

Though the Élysée Palace, Sarkozy’s office, announced the meeting as an international summit meeting, his aides emphasized that it would be an informal gathering not connected to the G-20.

Among those planning to attend are two Nobel Prize-winning economists, Joseph Stiglitz and Amartya Sen. Blair is making contact with world leaders, aides said, adding that it was too soon to say which ones would attend.

“It’s a joint idea of Tony Blair and Nicolas Sarkozy; they have had it on their minds for a while,” said a French official, who, like other officials, spoke on condition of anonymity because he was not authorized to speak publicly.
WASHINGTON: President Nicolas Sarkozy of France left the summit meeting on the financial crisis here last weekend in a triumphal mood, declaring that it had tamed the animal spirits of American capitalism.

Then he went home and announced that he would hold his own summit meeting in a few weeks in Paris – on the same topic.

That has raised hackles in diplomatic circles, not just because the meeting appears to compete with a planned gathering of 20 world leaders next April. Sarkozy’s aggressive statements have put U.S. officials on edge, with some saying that he seems determined to turn the global crisis into a referendum on the ills of untrammeled capitalism.

“Sarkozy claimed he put a bell on the American cat,” said Simon Johnson, a former chief economist of the International Monetary Fund. “He said the U.S. had agreed to a whole range of negotiations on regulations. But he didn’t actually come in and negotiate any of these things.”

Making matters worse, Sarkozy said nothing about his plans to convene a meeting to President George W. Bush or the 18 other leaders while he was in Washington. A senior European diplomat said he found the French proposal “amazing,” while an American official said that would be a charitable description of it.

Sarkozy has had many ideas. He proposed the meeting last weekend, though Bush rejected his idea of holding the talks in New York. American officials said it was Bush’s idea to expand the guest list to 20 countries, rather than the usual gathering of seven or eight.

The common ground between Europe and the United States is greater than these public statements suggest. The United States has shown a willingness to accept regulation of a wide range of institutions and markets, including credit default swaps – a form of bond insurance – and possibly private equity firms and hedge funds, that are not now regulated.

“People may have been surprised by the U.S. willingness to cooperate on issues,” said David McCormick, undersecretary of the Treasury for international affairs.

Although the French favor a strong state role in the economy and are partial to regulatory agencies with cross-border authority, they did not propose such measures at the talks in Washington. That was mainly because Britain and Germany had earlier resisted a supranational regulator.

Katrin Bennhold contributing reporting from Paris.

12/11/2008 - 10:01h Indicadores confirmam recessão na Europa

Desemprego britânico é recorde e indústria européia desacelera

Dados aumentam o temor de uma recessão global profunda; produção industrial na zona do euro despenca

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Nathália Ferreira e Cynthia Decloedt, da Agência Estado

LONDRES – Dados sobre a economia européia divulgados nesta quarta-feira, 12, reforçaram o temor de uma grave recessão mundial. No Reino Unido, o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou 36.500 em outubro, na maior alta desde dezembro de 1992 e o nono mês consecutivo de avanço, mostraram dados do Escritório de Estatísticas Nacionais. Já a produção industrial nos 15 países da zona do euro despencou em setembro, com a variação anual mostrando o maior recuo em mais de cinco anos e meio.

O dado britânico ficou levemente abaixo do esperado por economistas, que previam aumento de 40 mil pedidos. Por outro lado, o número de setembro foi revisado para alta de 36.300, ante 31.800 divulgada anteriormente. A taxa de desemprego subiu para 3% em outubro, de 2,9% no mês anterior, atingindo o maior nível desde março de 2001. O aumento ficou em linha com o esperado.

Na zona do euro, a produção industrial caiu 1,6% em setembro ante agosto e cedeu 2,4% em comparação a setembro do ano passado, segundo dados divulgados pela agência de estatísticas da União Européia. A queda de 2,4% é a maior desde fevereiro de 2002, quando recuou 3,2%.

A retração mensal foi um pouco menor do que o esperado, mas a variação anual superou o previsto. Economistas ouvidos pela Dow Jones previam queda mensal de 1,8% na produção e anual de 1,3%. As informações são da agência Dow Jones.


Reino Unido continuará em recessão até o 1º semestre de 2009

A estimativa é do Banco da Inglaterra, que prevê ainda risco de deflação, caso a taxa de juro não seja alterada

Nathália Ferreira, da Agência Estado

LONDRES – A economia do Reino Unido se contraiu 0,5% no terceiro trimestre e entrou em uma recessão no segundo semestre deste ano, afirmou o Banco da Inglaterra (BoE) em seu relatório de inflação trimestral. Segundo o documento, a economia britânica continuará em contração no primeiro semestre de 2009 e deverá começar a se recuperar no segundo semestre do próximo ano.

O BoE disse que há uma série de visões sobre a direção da economia no Comitê de Política Monetária, com a principal incerteza sendo a fraqueza da libra esterlina. Contudo, o BoE disse que, no geral, os riscos ao crescimento e à inflação estão “amplamente balanceados”.

Segundo o banco, a taxa de inflação no Reino Unido irá cair “bem abaixo” da meta de 2,0% no médio prazo, se a taxa básica de juro permanecer em 3,0%. De acordo com o BoE, há algum risco de deflação a partir do final de 2009 caso o juro não seja alterado. Contudo, a autoridade monetária disse que o risco de um período de queda de preços é relativamente pequeno.

“Na projeção central, a inflação desacelera fortemente no curto prazo, conforme as contribuições dos preços de energia e alimentos caem. Mais adiante, a inflação cai bem abaixo da meta de 2%, refletindo uma margem mais larga de capacidade ociosa e o menor impacto dos preços de importação”, afirmou o BoE.

O banco central acrescentou que as perspectivas para o crescimento econômico e a inflação são “extraordinariamente incertas”. Para o crescimento, o BoE projeta que a economia irá se contrair a uma taxa anual de cerca de 2% até o segundo semestre de 2009, se os juros se moverem em linha com as expectativas do mercado, que seria de uma taxa básica de 2,75% no segundo semestre do próximo ano.

No entanto, dentro da projeção central, o crescimento irá se recuperar no segundo semestre de 2009 e irá “crescer de certa forma acima da taxa média histórica” até 2011. As informações são da Dow Jones.


Desemprego na Grã-Bretanha atinge nível mais alto desde 1997

REUTERS

LONDRES – O desemprego na Grã-Bretanha subiu para seu nível mais alto em mais de uma década no terceiro trimestre, à medida que a economia caminha rumo à recessão, mostraram dados oficiais nesta quarta-feira.

A Agência de Estatísticas Nacionais informou que o número de pessoas sem emprego subiu para 1,825 milhão em três meses até setembro, o nível mais alto desde o último trimestre de 1997.

Isso fez com que a taxa de desemprego da medida internacional ILO subisse para 5,8 por cento, a mais alta desde o período entre janeiro e março de 2000.

O número de pessoas utilizando benefício de auxílio-desemprego subiu em 36.500, o maior aumento desde dezembro de 1992, quando a Grã-Bretanha passou por uma severa recessão.

04/11/2008 - 12:53h UE vê zona do euro em recessão, com EUA e Japão

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Jamil Chade – O Estado SP

A economia da zona do euro já está em recessão e ficará estagnada em 2009. Esse também é o destino dos demais países ricos. A constatação é da Comissão Européia, que pressiona os governos não apenas para que salvem seus bancos, mas para que deixem as divergências de lado e elaborem planos de retomada de crescimento.

Na sexta-feira, o bloco se reúne para preparar a participação da UE na cúpula em Washington, no dia 15, que tentará estabelecer um plano financeiro. Até 2010, o bloco terá mais 2,7 milhões de desempregados.

Segundo o levantamento oficial de Bruxelas, Japão e Estados Unidos também entrarão em recessão. A economia americana vai recuar 1,5% em 2008 e 0,5% em 2009. Uma recuperação somente começará no fim do próximo ano. Até o déficit fiscal vai chegar a 9% do PIB em 2010. Já no segundo trimestre, o PIB dos 15 países da zona do euro recuou 0,2%. No terceiro trimestre, a queda foi de 0,1%.

Tecnicamente, a recessão ocorre quando existe recuo no crescimento por dois trimestres seguidos. Ontem, o índice de atividade industrial da zona do euro atingiu o nível mais baixo em 11 anos.

Segundo os dados da UE, a zona do euro crescerá apenas 0,1% em 2009, a pior taxa desde 1993. O bloco também refez a projeção para 2008. Com a crise, a economia européia não crescerá 1,5%, mas 1,2%. Em 2007, o crescimento havia sido de 2,7%.

A crise continuará em 2010, quando a economia européia crescerá apenas 0,9%. Em 2009, Irlanda, Espanha e Reino Unido vão continuar sofrendo retração do PIB. Já a economia da Alemanha, a maior da Europa, já está em recessão e vai se estagnar em 2009, o mesmo ocorrendo com França e Itália.

Os 27 países da UE também entrarão em recessão este ano, com quedas de 0,1% do PIB no terceiro e quarto trimestres. Em 2009, esses países vão crescer apenas 0,2%. Em 2010, 1,1%.

01/11/2008 - 11:52h La economía española encara la recesión

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El Banco de España calcula que el PIB cayó un 0,2% en el tercer trimestre – El retroceso pone fin al periodo de crecimiento más largo de la democracia

ALEJANDRO BOLAÑOS – Madrid – El País

El Banco de España confirmó ayer que la economía se desliza hacia la recesión, empujada por la crisis financiera internacional. El organismo supervisor estima que el producto interior bruto (PIB) cayó un 0,2% en el tercer trimestre. Y que las probabilidades de que esta contracción vuelva a repetirse son muy elevadas.

Porque, como recalca el boletín de octubre del Banco de España, la evolución económica en el tercer trimestre es negativa pero aún no recoge la oleada más destructora de la crisis internacional. “El deterioro de la situación financiera a partir de la segunda mitad de septiembre, tras más de un año de persistente inestabilidad, desembocó en una grave crisis de confianza”, subrayan los técnicos del banco central.

La crisis se extiende ahora a los países emergentes y lleva a “un nuevo y sustancial empeoramiento de las perspectivas de crecimiento de los países industrializados”. En síntesis, estos recientes acontecimientos hacen que “los próximos trimestres se afronten en un entorno de máxima incertidumbre y que se agudicen los riesgos de que la fase bajista del ciclo sea pronunciada y duradera”. En el enrevesado lenguaje de los bancos centrales, es una nítida advertencia de que lo peor está por llegar.

Lo que parecía imposible hace apenas año, ahora es casi una certeza. El PIB avanzaba entonces a una tasa anual del 3,6% y el debate se centraba en la intensidad de la desaceleración. Pero la crisis financiera pisó el freno de la economía española hasta dejarla parada. Y, lastrada por un drástico ajuste en el mercado de la vivienda y niveles de endeudamiento históricos, empieza a retroceder.

Respecto al tercer trimestre de 2007 (es decir, en tasa anual), el PIB aún avanzó un 0,9%, según el Banco de España. Pero respecto al segundo trimestre de este año (en tasa intertrimestral), el valor generado por la economía española desciende y pone fin al periodo de crecimiento más largo de la democracia. No se vivía una caída desde la primavera de 1993, en el final de la última recesión de la economía española.

Esta estimación tiene que ser confirmada aún por el Instituto Nacional de Estadística (INE) dentro de dos semanas. Pero como subrayó el secretario de Estado de Economía, David Vegara, los cálculos del Banco de España “suelen ser bastante acertados” y apenas difieren de lo que luego publica el INE.

Para confirmar que la economía española ha entrado en recesión (según la definición más habitual, hay que enlazar dos trimestres con caída en el valor del PIB) habrá que esperar algo más, hasta los datos del cuarto trimestre. El Gobierno sostiene que sólo es una posibilidad, pero las cifras avalan que es más que probable.

Como refleja el Banco de España, “las condiciones de financiación a familias y empresas volvieron a endurecerse”, aún antes de que la peor réplica del terremoto financiero ahogara el mercado de crédito interbancario y disparara la diferencia entre el Euríbor (referencia para los préstamos) y los tipos de interés oficiales.

El deterioro de la evolución económica se concentró en la demanda interna. Sobre todo, en el consumo privado (la mayor partida de gasto, con un peso cercano al 55% del PIB) y en la inversión residencial (el componente más dinámico hasta 2007).

Según la estimación del Banco de España, el gasto de las familias acusó un nuevo frenazo, con la tasa de variación anual del consumo “por debajo del 1%”. Una circunstancia que relaciona con la debilidad de los indicadores de confianza, “en mínimos históricos” y las consecuencias del repunte de la inflación y del paro (se destruyó empleo por primera vez desde la recesión de 1993) en su renta disponible. Estos factores negativos apenas se vieron amortiguados, en opinión del banco central, por la deducción de 400 euros en el impuesto de la renta impulsada por el Gobierno. Y, el incremento de los salarios, que el Banco de España sitúa en el 4,5% y vuelve a considerar excesivo, apenas opuso resistencia.

En el caso de la inversión en viviendas, el Banco de España refleja que la disminución de la actividad “se va haciendo más pronunciada a medida que avanza el año”, con caídas cercanas al 40% en las casas iniciadas. Pero el retroceso ya no sólo afecta a la construcción, sino que se extendería también a la industria. Sólo el sector servicios seguiría generando empleo y crecimiento aunque a ritmos cada vez más atenuados.

Por el contrario, el sector exterior dobla su aportación al crecimiento (de 0,3 a 0,6 puntos porcentuales), aunque se deba sobre todo al desplome de las importaciones, que reflejan así el parón en el consumo.

El Banco de España pone sordina a las previsiones del Gobierno (1,6% en 2008, 1% en 2009). Y centra su preocupación en el objetivo de déficit público (1,5% del PIB este año). “Estas estimaciones oficiales presentan importantes riesgos derivados de la incertidumbre que rodea al escenario macroeconómico”.

29/10/2008 - 15:50h Prioridade é evitar um colapso global

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Martin Wolf – Financial Times – VALOR

É preciso dar crédito a quem de direito: Nouriel Roubini, da Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova York, estava certo. Em 20 de fevereiro de 2008, escrevi uma coluna intitulada “Apocalipse Now” (Valor de 20/02), baseada na sua análise dos 12 passos até o desastre. Infelizmente, os EUA não só deram esses passos, como também – com a ajuda de outros, incluindo o Reino Unido – arrastaram o mundo atrás de si.

Em nota mais recente, o professor Roubini prevê uma combinação de estagnação e deflação (The Coming Global Stag-Deflation [A vinda da estag-deflação global], 25 de outubro de 2008, www.rgemonitor.com). Ao fazê-lo, ele aponta, com certo júbilo, para a mais recente análise do panorama global do JPMorgan Chase, que já esteve entre os analistas mais otimistas. Agora, sob a rubrica – “Péssima semana no inferno”, o JPMorgan afirma que: “Mais uma vez, cortamos as projeções de crescimento de curto prazo para o mundo desenvolvido e provavelmente prosseguiremos com revisões adicionais para baixo para as economias emergentes nas próximas semanas. Agora mesmo, as nossas projeções indicam que o Produto Interno Bruto global se contrairá a uma taxa anual de 1% no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009″.

O JPMorgan estima o encolhimento neste trimestre a uma taxa anualizada de 4% nos EUA, 3% no Reino Unido e 2% na zona do euro. Ele está projetando crescimento global de 0,4% em 2009, com as economias avançadas encolhendo 0,5% e as emergentes, em 4,2%.

Dada a quase desintegração do sistema bancário ocidental, a fuga rumo a ativos seguros, o aperto do crédito para a economia real, o colapso nos preços das ações, turbulência nos mercados cambiais, contínuas quedas acentuadas nos preços das moradias, o veloz saque de recursos dos fundos de hedge e o colapso em andamento do chamado “sistema bancário paralelo”, essas projeções até parecem ser bem otimistas. O resultado no próximo ano poderá ser muito pior.

Se os governos ocidentais não tivessem feito intervenções para garantir e recapitalizar os sistemas bancários, a situação certamente teria sido pior. Apesar disso, mesmo isto não parou a confusão. Consideremos apenas duas estatísticas: a capitalização dos mercados acionários mundiais caiu à metade; além disso, segundo o mais recente “Relatório sobre a Estabilidade Financeira” do Banco da Inglaterra, as perdas a marcação de preços de mercado em instrumentos de dívida vulneráveis agora equivalem a imponentes US$ 2,8 trilhões (www.bankofengland.co.uk).

Então, o que deve ser feito? Alguns dirão: absolutamente nada. Existe uma opinião muito generalizada, especialmente nos EUA, de que o mundo precisa fazer uma grande purificação dos excessos do passado. As recessões, por essa linha de pensamento, são benéficas. As pessoas que detêm esta opinião também sustentam que os governos causaram todos os erros. Os mercados, eles insistem, seriam incapazes de cometer os erros que testemunhamos. Para eles, a confissão de Alan Greenspan na semana passada, de que “eu cometi um erro ao supor que o interesse próprio das organizações, especificamente de bancos e outros, era de tal ordem que eles seriam os mais capazes de proteger os seus próprios acionistas” foi tão bem-vinda quanto foi o punhal de Brutus para Cesar.

Curiosamente, o “Relatório sobre a Estabilidade Financeira” do Banco oferece algum respaldo a essa opinião: nos idos de 1900, os bancos dos EUA possuíam quatro vezes mais capital, relativo a ativos, do que detêm hoje. Igualmente, a liquidez dos ativos detidos pelos bancos do Reino Unido desmoronou ao longo do meio século que passou. Garantias implícitas e explícitas de governos realmente tornaram o sistema mais perigoso do que antes. A combinação dessas garantias com desregulamentação comprovou ser letal. O risco moral está longe de ser insignificante.

Apesar disso, a noção de que uma recessão rápida purificaria o mundo dos excessos passados é ridícula. O perigo é, ao contrário, o de ocorrer um colapso, à medida que uma montanha de dívida privada – nos EUA, igual a três vezes o PIB – desaba e se transforma em falência em massa. A espiral descendente começaria com uma deterioração adicional dos sistemas financeiros e continuaria através da desconfiança generalizada, desaparecimento do crédito, fechamento de grande número de empresas, desemprego ascendente, preços de commodities despencando, quedas progressivas nos preços das ações e despejos em alta. A globalização semearia a catástrofe por todos os lugares.

Grande parte das vítimas seria inocente dos excessos passados, ao passo que os mais culpados reteriam os seus ganhos obtidos de forma ilícita. Esta seria a receita, não para um ressurgimento to “laissez-faire” do século XIX, mas para xenofobia, nacionalismo e revolução. Nessas circunstâncias, estas conseqüências são concebíveis. Optar por arriscar um desfecho assim seria como decidir deixar uma cidade arder para punir alguém que tenha fumado na cama. Arriscar enormes prejuízos agora na esperança de diminuir o risco moral mais tarde é insano.

Todo o possível deve ser feito para evitar que a inescapável recessão se transforme em algo pior. Um grande número destas ações necessárias foi apresentado na coluna de Jeffrey Sachs, da Universidade de Colúmbia, anteontem (Valor, Finanças, 26 de outubro de 2008). Eu destacaria cinco pontos.

Primeiro, como argumenta John Muellbauer da Universidade de Oxford, a deflação é um perigo real (”The folly of the central banks of Europe” [a insensatez dos bancos centrais da Europa], 27 de outubro de 2008, www.voxeu.org). A deflação, porém, é letal para as economias endividadas. Hoje, as taxas de juros de curto prazo parecem demasiado elevadas na zona do euro e no Reino Unido. Os bancos centrais precisam reexaminar as suas economias e reduzir taxas em pelo menos um e, idealmente, em dois pontos percentuais.

Segundo, a única forma de deixar o setor privado se desalavancar, sem falências em massa e enormes quedas nos gastos, é substituindo o ativo que todos querem: dívida do governo. Ao contrário do professor Sachs, acredito que cortes de impostos são de fato parte da solução.

Terceiro, é crucial que a concessão de empréstimos seja mantida tanto dentro como entre economias. Depois de terem passado por tantos problemas para recapitalizar os bancos, os governos deveriam insistir que seus recursos sejam usados para suprir linhas de crédito aos mais propensos a permanecer solventes. Se os bancos se recusarem a fazer isso, os bancos centrais deverão substituí-los, como o Federal Reserve está fazendo agora.

Quarto, está no vital interesse próprio dos países de alta renda afetados manter as duramente castigadas economias emergentes solventes durante a crise.

Por fim, é igualmente evidente que o mundo não voltará ao equilíbrio se países em sólidas posições financeiras não ampliarem a demanda interna. O dia das bolhas habitacionais e de enormes déficits em conta corrente nos gastadores países de alta renda acabou. Aqueles que dependem de superávits em conta corrente para sustentar a demanda precisam pensar de novo.

Decisões tomadas ao longo dos próximos meses provavelmente moldarão o mundo por uma geração. A legitimidade da própria economia de livre mercado pode estar em risco. Aqueles que consideram a liquidação dos excessos passados como a solução não compreendem os riscos. O mesmo se aplica aos que sonham com novas ordens mundiais. Atravessemos primeiro essa crise. O perigo continua imenso e o tempo é curto.