02/08/2010 - 11:34h Praça em Sergipe recebe título de Patrimônio Mundial da Unesco


Praça São Francisco é eleita patrimônio da Humanidade

Brasil tem agora 18 sítios na lista de bens culturais e naturais da Humanidade

Regina Alvarez – O GLOBO

BRASÍLIA. A Praça de São Francisco, na cidade de São Cristóvão (Sergipe), recebeu ontem o título de Patrimônio Mundial.

Com isso, o Brasil tem 18 sítios inscritos na lista da Unesco. A praça reúne o principal conjunto arquitetônico de São Cristóvão, pequena cidade sergipana que já foi capital do estado e é a quarta mais antiga do país.

O órgão estava reunido em Brasília desde segunda-feira para decidir que bens entram e saem da lista de patrimônio de bens culturais e naturais da Humanidade.

A lista definitiva não estava concluída, ontem, até as 20h.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, destacou o trabalho articulado feito pelo seu ministério, o Itamaraty e o Ministério do Meio Ambiente para a vitória da candidatura brasileira.

— A inclusão da Praça é uma vitória da população de São Cristóvão pela proteção e preservação de nosso patrimônio, e representa um reconhecimento à singularidade da formação do acervo cultural brasileiro — disse Ferreira, que preside o Comitê do Patrimônio Mundial.

A praça foi construída no período da União Ibérica (1.580 à 1.640). O traçado das ruas e o conjunto de edifícios fazem de São Cristóvão a única cidade do país com características da arquitetura urbana espanhola.

O presidente do Iphan, Luiz Fernando Almeida, informou que prepara as candidaturas do Rio, na categoria paisagem urbana, e Paraty (RJ), como patrimônio cultural e natural.

02/01/2010 - 15:37h ”Línguas são pontes que aproximam as pessoas”

Quando um idioma some, diz ele, perde-se parte da civilização; cerca de 200 línguas são faladas por menos de dez pessoas

Simone Iwasso – O Estado SP

Entrevista
Brian Fox: diretor de Interpretação da Comissão Europeia

De acordo com o Atlas das Línguas do Mundo em Perigo de Desaparecer, atualizado todos os anos pela Unesco, mais de um terço das 190 línguas faladas no Brasil estão em situação crítica de perigo de extinção. No mundo, a situação não é melhor: das mais de 6,5 mil línguas existentes, metade deve ser extinta nos próximos anos – cerca de 200 delas, por exemplo, são faladas hoje por menos de dez pessoas. Nesse cenário, a educação tem papel essencial na difusão e propagação de línguas em vias de extinção, ajudando famílias de etnias minoritárias a entender a importância de ensinar sua língua materna aos filhos, avalia Brian Fox, diretor de Interpretação da Comissão Europeia, órgão da União Europeia responsável por implementar decisões, propor legislação e manter os tratados firmados entre os países.

Presidente do grupo de Treinamento do IAMLADP (International Annual Meeting on Language Arrangements, Documentation and Publications) e do Conselho Avaliativo do projeto Molan, dedicado a incentivar o aprendizado de línguas na Europa, Box esteve no Brasil em dezembro para participar de um debate sobre idiomas e diversidade cultural no Museu da Língua Portuguesa, promovido pela Fundação Roberto Marinho.

O que o mundo perde a cada vez que uma língua desaparece?

Línguas são um componente essencial da humanidade e da vida como a conhecemos. O surgimento das línguas permitiu ao homem desenvolver as sociedades nas quais vivemos hoje. É graças à linguagem que discutimos o presente, olhamos para o passado e projetamos o futuro, lidando com coisas não tangíveis. E cada língua faz isso de uma maneira. Então, quando uma língua desaparece, desaparece também uma pequena parte de nossa diversidade cultural, de nossa civilização.

Como está a situação das línguas faladas por minorias étnicas no mundo?

Das 6.500 línguas faladas no planeta, estima-se que uma desapareça a cada duas semanas. Especialistas calculam que, até o fim deste século, metade das línguas do mundo terá desaparecido. Muitas delas são faladas por pequenas comunidades isoladas, com pouco contato com o resto da sociedade. O Brasil tem dezenas de idiomas indígenas nessa situação. Em alguns, apenas cinco ou dez pessoas ainda falam o idioma.

O que pode ser feito para preservar a diversidade linguística?

Autoridades podem ajudar reconhecendo o valor único de cada idioma, tratando-o com respeito. A Unesco está desenvolvendo um trabalho nesse campo, ajudando e orientando governos locais, incluindo o Brasil. Se você entende a importância da biodiversidade, entenderá que a diversidade de línguas é seu equivalente na área cultural. O Brasil é um País que impressiona por sua diversidade musical, por exemplo. Na União Europeia, temos 23 línguas oficiais. É um direito básico respeitarmos a cultura e a identidade de cada país membro. E uma das maneiras de se fazer isso é pelo multilinguismo.

Qual é o papel da educação formal na preservação dos idiomas? Escolas e professores podem ajudar?

A educação nos ajuda a ver o mundo de maneira mais clara e, consequentemente, a contribuir para melhorá-lo. Acredito que escolas e professores podem ajudar fazendo a ponte entre os idiomas, o cotidiano e a cultura das crianças e jovens. Cada geração injeta uma vida nova nos idiomas. Quando uma criança envia uma mensagem de texto pelo celular a um amigo, ele inventa uma série de novos termos e palavras. É uma boa contribuição. Os idiomas precisam viver.

Então, escolas e professores têm um papel essencial na disseminação dos idiomas, inclusive ajudando famílias a transmitirem suas línguas maternas a seus filhos. Muitos deles, quando mudam de país ou se inserem em uma nova cultura, deixam de ensinar sua língua para o filho, por considerar que ela não terá utilidade. Muitos pensam a língua como barreira. Mas elas são, na verdade, pontes. Línguas aproximam as pessoas.

08/07/2009 - 23:48h Discurso de Lula recebendo o Prêmio da Unesco

08/07/2009 - 15:59h Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde

Ricardo Kotscho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).

Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”.

Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.

Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.

Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.

Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, “o senhor assume novas responsabilidades na história”.

Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.

Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. “Ambientalistas protestam durante premiação de Lula”, foi o título da página A7 do Estadão.

O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e “reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório”.

“O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amaz}ônia tem que ser realmente preservada”, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.

“Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro”, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.

A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.

É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.

Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.

Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.

Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.

“O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.

Valeu, Lula. Parabéns!

14/05/2009 - 20:07h Prêmio da Paz da Unesco vai para Lula

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Lula, nombrado premio de la Paz de la Unesco

La organización de la ONU ha querido recompensar la labor del presidente de Brasil “en pro de la paz, el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos”

EFE – París – El País

El presidente de Brasil, Lula da Silva, ha sido galardonado este miércoles con el Premio de Fomento de La Paz Félix Houphouet-Boigny, según ha informado la Unesco en un comunicado.

El acto solemne de entrega tendrá lugar el próximo mes de junio, agregó la organización de la ONU para la Educación, la Ciencia y la Cultura, sin precisar la fecha exacta. Con él han querido recompensar, explica el texto, la labor del presidente de Brasil “en pro de la paz, el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos”.

El jurado quiso celebrar, igualmente, la “inestimable contribución” de Lula para a la erradicación de la pobreza y la protección de los derechos de las minorías.

La decisión del jurado de este galardón creado en 1989 fue anunciada por el ex presidente portugués Mario Soares.

El último galardonado con este premio por la Paz de la Unesco fue, en 2008, el ex presidente de Finlandia y fundador de la organización no gubernamental Crisis Management Initiative, Martti Ahtisaari, pocos meses antes de recibir el Premio Nobel de la Paz.

Entre los políticos que lo recibieron en ediciones anteriores figuran Nelson Mandela y Frederik W. De Klerk; Yitzhak Rabin, Shimon Peres y Yasser Arafat; el Rey de España, Juan Carlos I y el ex presidente estadoundense Jimmy Carter.

15/10/2007 - 10:20h Dia do professor: O que pensam e esperam os docentes

Priscilla Borges
Da equipe do Correio Braziliense

O desempenho ruim que os estudantes brasileiros têm demonstrado em avaliações nacionais e internacionais revelam a precariedade do ensino no país. A falta de investimentos adequados nas escolas não é novidade e precisa melhorar. Mas, na opinião de especialistas que se preocupam com a educação brasileira, existe um personagem nessa história que deveria ser mais analisado e valorizado: o professor. “Um dos maiores desafios educacionais do Brasil está na carreira do professor. A expansão do ensino no país não foi acompanhada pela valorização do profissional”, defende Célio da Cunha, especialista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Cultura e a Ciência (Unesco).

No último dia 5, foi comemorado o Dia Mundial do Professor. A Unesco aproveitou para pedir aos países que produzam mais estudos sobre a situação dos educadores. Com base em dados mais fidedignos, é possível estabelecer políticas públicas para melhorar a condição desses trabalhadores.

Em 2004, a entidade realizou um estudo para tentar traçar um panorama sobre os professores brasileiros. O documento “O perfil dos professores brasileiros: o que fazem, o que pensam, o que almejam…” trazem dados interessantes sobre os docentes, que mostram que eles vêm de famílias com pouca escolaridade; estudaram, em sua maioria, na rede pública de ensino e possuem renda familiar baixa. A pesquisa mostra ainda que nem todos possuem curso superior. Os dados obtidos com esse estudo se assemelham bastante com o de outra pesquisa, Identidade expropriada, retrato do educador brasileiro da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

A presidente da CNTE, Juçara Dutra comemora a aprovação da lei que cria um piso de salários nacional para a categoria, de R$ 950. “A medida irá alavancar os salários. Mas precisamos lutar por mais”, diz.

Na educação superior, os professores também enfrentam problemas. A estrutura precária das instituições públicas, por exemplo, a falta de incentivo à pesquisa e a escassez de docentes para atender aos universtários prejudicam o trabalho. Além disso, os salários mostram o pouco valor da profissão. Hoje, segundo o Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), o máximo que um professor titular com doutorado e totalmente dedicado à instituição ganha é de R$ 7,3 mil.

Hoje, Dia do Professor, o Gabarito faz uma homenagem aos que enfrentam tudo isso sem perder a fé de que a educação é a alternativa de mudança e desenvolvimento mais eficaz. Nas páginas seguintes, o leitor vai conferir algumas histórias de educadores comprometidos com seu trabalho, queridos pelos alunos e reconhecidos por colegas. Eles representam todos os que possuem uma missão tão importante e não desistem de colocá-la em prática, apesar das diversidades. Parabéns!