08/07/2009 - 23:48h Discurso de Lula recebendo o Prêmio da Unesco

08/07/2009 - 15:59h Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde

Ricardo Kotscho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).

Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”.

Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.

Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.

Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.

Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, “o senhor assume novas responsabilidades na história”.

Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.

Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. “Ambientalistas protestam durante premiação de Lula”, foi o título da página A7 do Estadão.

O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e “reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório”.

“O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amaz}ônia tem que ser realmente preservada”, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.

“Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro”, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.

A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.

É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.

Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.

Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.

Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.

“O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.

Valeu, Lula. Parabéns!

14/05/2009 - 20:07h Prêmio da Paz da Unesco vai para Lula

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Lula, nombrado premio de la Paz de la Unesco

La organización de la ONU ha querido recompensar la labor del presidente de Brasil “en pro de la paz, el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos”

EFE – París – El País

El presidente de Brasil, Lula da Silva, ha sido galardonado este miércoles con el Premio de Fomento de La Paz Félix Houphouet-Boigny, según ha informado la Unesco en un comunicado.

El acto solemne de entrega tendrá lugar el próximo mes de junio, agregó la organización de la ONU para la Educación, la Ciencia y la Cultura, sin precisar la fecha exacta. Con él han querido recompensar, explica el texto, la labor del presidente de Brasil “en pro de la paz, el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos”.

El jurado quiso celebrar, igualmente, la “inestimable contribución” de Lula para a la erradicación de la pobreza y la protección de los derechos de las minorías.

La decisión del jurado de este galardón creado en 1989 fue anunciada por el ex presidente portugués Mario Soares.

El último galardonado con este premio por la Paz de la Unesco fue, en 2008, el ex presidente de Finlandia y fundador de la organización no gubernamental Crisis Management Initiative, Martti Ahtisaari, pocos meses antes de recibir el Premio Nobel de la Paz.

Entre los políticos que lo recibieron en ediciones anteriores figuran Nelson Mandela y Frederik W. De Klerk; Yitzhak Rabin, Shimon Peres y Yasser Arafat; el Rey de España, Juan Carlos I y el ex presidente estadoundense Jimmy Carter.

15/10/2007 - 10:20h Dia do professor: O que pensam e esperam os docentes

Priscilla Borges
Da equipe do Correio Braziliense

O desempenho ruim que os estudantes brasileiros têm demonstrado em avaliações nacionais e internacionais revelam a precariedade do ensino no país. A falta de investimentos adequados nas escolas não é novidade e precisa melhorar. Mas, na opinião de especialistas que se preocupam com a educação brasileira, existe um personagem nessa história que deveria ser mais analisado e valorizado: o professor. “Um dos maiores desafios educacionais do Brasil está na carreira do professor. A expansão do ensino no país não foi acompanhada pela valorização do profissional”, defende Célio da Cunha, especialista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Cultura e a Ciência (Unesco).

No último dia 5, foi comemorado o Dia Mundial do Professor. A Unesco aproveitou para pedir aos países que produzam mais estudos sobre a situação dos educadores. Com base em dados mais fidedignos, é possível estabelecer políticas públicas para melhorar a condição desses trabalhadores.

Em 2004, a entidade realizou um estudo para tentar traçar um panorama sobre os professores brasileiros. O documento “O perfil dos professores brasileiros: o que fazem, o que pensam, o que almejam…” trazem dados interessantes sobre os docentes, que mostram que eles vêm de famílias com pouca escolaridade; estudaram, em sua maioria, na rede pública de ensino e possuem renda familiar baixa. A pesquisa mostra ainda que nem todos possuem curso superior. Os dados obtidos com esse estudo se assemelham bastante com o de outra pesquisa, Identidade expropriada, retrato do educador brasileiro da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

A presidente da CNTE, Juçara Dutra comemora a aprovação da lei que cria um piso de salários nacional para a categoria, de R$ 950. “A medida irá alavancar os salários. Mas precisamos lutar por mais”, diz.

Na educação superior, os professores também enfrentam problemas. A estrutura precária das instituições públicas, por exemplo, a falta de incentivo à pesquisa e a escassez de docentes para atender aos universtários prejudicam o trabalho. Além disso, os salários mostram o pouco valor da profissão. Hoje, segundo o Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), o máximo que um professor titular com doutorado e totalmente dedicado à instituição ganha é de R$ 7,3 mil.

Hoje, Dia do Professor, o Gabarito faz uma homenagem aos que enfrentam tudo isso sem perder a fé de que a educação é a alternativa de mudança e desenvolvimento mais eficaz. Nas páginas seguintes, o leitor vai conferir algumas histórias de educadores comprometidos com seu trabalho, queridos pelos alunos e reconhecidos por colegas. Eles representam todos os que possuem uma missão tão importante e não desistem de colocá-la em prática, apesar das diversidades. Parabéns!