15/08/2009 - 11:59h A Europa volta a rugir

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Carter Dougherty* – O Estado SP

A economia europeia apresentou no segundo trimestre uma recuperação mais forte do que a esperada, sustentando esperanças de que a recessão mundial esteja próxima do fim.

A grande melhoria em relação ao primeiro trimestre sublinhou o quanto a Europa e a própria economia mundial se recuperaram desde a queda livre do fim de 2008. O bom resultado foi puxado por França e Alemanha, economias que apresentaram pequeno crescimento no segundo trimestre.

Apesar de muito dependente dos gastos governamentais, a Ásia apresentou recentemente grandes melhorias. Alguns dos principais analistas esperam para este ano um crescimento de até 9% na China, e de mais de 10% no ano que vem. Enquanto isso, a brutal contração no início do ano nos Estados Unidos amainou, e há sinais indicando pequeno crescimento para o segundo semestre.

A economia da União Europeia, formada por 27 países, encolheu 0,3% no trimestre encerrado em 30 de junho, chegando a uma taxa anual de aproximadamente 1,2%. Os 16 países que usam o euro como moeda tiveram declínio de 0,1% no segundo trimestre, equivalente a uma taxa anual de 0,4%.

Apesar de negativos, os dados europeus transmitiram uma impressão muito melhor do que os do primeiro trimestre deste ano, quando se registrou, tanto na União Europeia quanto na zona do euro, uma contração de 2,5% em relação aos três últimos meses de 2008.

O significativo abrandamento da recessão colocou a Europa em um nível semelhante ao dos Estados Unidos, onde a economia se contraiu num ritmo anual de 1% no segundo trimestre. Economistas disseram que a Europa recebeu alguma ajuda dos programas governamentais, como as bonificações pagas na troca de carros antigos por veículos novos, além da maior demanda por exportações observada na China.

Mas, acima de tudo, o desempenho representou uma virada para o choque financeiro que foi sentido nas economias do mundo todo após o colapso do Lehman Brothers, em setembro, e o subsequente caos nos mercados financeiros.

A Europa ainda enfrenta a possibilidade de ver sua recuperação desacelerar ou mesmo estagnar no início de 2010 por causa das iniciativas insuficientes para a restauração do sistema bancário e do rápido aumento do desemprego. Ainda assim, as perspectivas mais animadoras, em especial na Alemanha e na França, parecem ter dado à região um impulso rumo a uma recuperação mais precoce do que a esperada.

Por causa da sua receita bastante diversa para combater a recessão, a Europa deve apresentar em 2010 um crescimento menos veloz do que o americano, segundo economistas.

No ano que vem, a maior parte de um programa de gastos no valor de US$ 800 bilhões nos EUA começará a surtir efeito, o que fará as medidas europeias parecerem quase insignificantes, apesar de suas dimensões corresponderem ao medo dos governos europeus de se verem atolados em dívidas. Uma isenção fiscal total de aproximadamente US$ 100 bilhões deu aos EUA, nos últimos meses, um impulso rumo à recuperação.

“A verdadeira diferença nas recuperações será sentida no ano que vem”, disse Thomas Mayer, economista-chefe do Deutsche Bank para a Europa. “Isso acontecerá quando os EUA se restabelecerem mais rápido do que a Europa.” Os números animadores são sustentados pelo desempenho sólido de França e Alemanha. Mesmo assim, a economia alemã, a maior da região, ainda deve registrar contração anual de 6%, dizem os economistas.

Dentro da zona do euro, França e Alemanha estão ajudando a equilibrar os desempenhos sofríveis da Itália, eterna retardatária, e da Espanha, onde o colapso do mercado imobiliário causou aguda recessão.

Os países do Leste Europeu, em especial a Hungria e os países bálticos, continuam sofrendo grandes dificuldades. A antes poderosa economia britânica ainda enfrenta rápida alta no desemprego, apesar da possibilidade de o país também apresentar um modesto crescimento no terceiro trimestre.

Os novos números da economia alemã surpreendem após quatro trimestres consecutivos de contração na produção, sugerindo que a recessão do país – a pior desde a Segunda Guerra – tenha chegado ao fim.

A surpresa do crescimento alemão – a maioria dos economistas esperava número igual a zero ou até negativo – reflete o ganho dos exportadores com o crescimento na Ásia e com o que parece ser o fim do declínio nos EUA. A produção industrial também recebeu o incentivo de programas que conferem um bônus de 2.500 aos compradores que decidirem trocar seus carros velhos por modelos novos e menos poluentes.

“O estímulo está funcionando um pouco, mas existe também uma recuperação associada ao comércio global”, disse Erik Nielsen, economista-chefe do Goldman Sachs de Londres para a Europa.

Mas outros fatores estão influenciando as perspectivas para a Europa, criando incertezas em relação à situação econômica em 2010. Na semana passada, a notícia de que as exportações alemãs tinham dado em junho um salto de 7% em relação ao mês anterior antecipou que deve haver um crescimento no Produto Interno Bruto.

Mas isso mascarou um colapso generalizado nas encomendas do exterior; as exportações alemãs apresentaram em junho queda de 22% em relação a igual período de 2008.

E ainda é esperada para este ano uma grande alta no desemprego, conforme programas governamentais que mantinham as pessoas em folhas de pagamento particulares começarem a expirar.

O desemprego na zona do euro já está em 9,4%, o nível mais alto em 10 anos, e o crescimento anêmico dos próximos trimestres não será suficiente para frear ou compensar este aumento. Isso, por sua vez, poderia derrubar a confiança do consumidor e até provocar turbulências políticas na Europa, segundo os economistas.

O sistema financeiro é outro problema no horizonte, apesar de a sua recuperação ser mais rápida do que a esperada. O Fundo Monetário Internacional (FMI) criticou a Europa por não ter agido com suficiente agilidade para recapitalizar os bancos e limpar de ativos podres dos balanços. Mas a previsão do Banco Central Europeu (BCE) para as perdas é menor do que a do FMI e, além disso, publicou dados sugerindo que há maior fluidez nos fluxos de crédito.

“Não precisamos nos preocupar com o aperto no crédito tanto quanto pensamos que seria necessário no início do ano”, disse Julian Callow, economista-chefe do Barclays Capital.

*Carter Dougherty é jornalista

14/08/2009 - 08:58h Desemprego e fim dos pacotes de estímulo ameaçam retomada

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Gerrit Wiesmann, Financial Times, de Frankfurt – VALOR

A zona do euro poderá voltar a crescer neste trimestre, mas com que rapidez e sustentabilidade?

A mensagem trazida por dados divulgados ontem parece ser: o crescimento puxado por exportações parece estar voltando, mas será contido, por algum tempo, pelo desemprego em alta, pelos bancos ainda reticentes em emprestar e pelo fim dos pacotes de estímulo fiscal, enquanto governos buscam conter déficits orçamentários.

O crescimento na Alemanha e na França – que, reunidas, são responsáveis por quase 48% do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro – por pouco não levaram a região como um todo para o território positivo. A recuperação deixou os economistas mais confiantes do que nunca em que a forte recessão na zona do euro esteja chegando ao fim quase exatamente dois anos depois de o aperto de crédito ter deflagrado a crise financeira mundial.

Mas, apesar da quase eufórica reação às inesperadas boas notícias, a maioria dos economistas mantém uma perspectiva cautelosa. O consenso é de que o crescimento na eurozona poderá se aproximar de taxas média históricas no fim do ano que vem.

Aurelia Maccario, economista do Unicredit em Milão, disse que o forte desempenho da zona do euro sugere um retorno a taxas de crescimento positivas no terceiro trimestre, com “provavelmente uma leve aceleração no fim do ano”. O crescimento poderá atingir uma taxa anualizada de 1% no segundo semestre de 2009 devido ao efeito combinado do ressurgimento da demanda mundial e de crescimento dos gastos públicos e privados, como resultado de diversos esquemas de estímulo.

Economistas disseram que as medidas de curto prazo provavelmente desempenharam um grande papel na evidente guinada rumo ao crescimento.

“Com base no que sabemos hoje, revisamos para cima nossas previsões para o terceiro trimestre – de situação praticamente inalterada para 0,5% positivo”, disse Erik Nielsen do Goldman Sachs em Londres. Para ele, outros fatores, além do estímulo, poderão começar a mostrar seu efeito.

A melhoria nas expectativas levou diversos bancos a revisarem para melhor suas previsões anuais para o PIB na zona do euro, embora a região tem um longo caminho a percorrer até retornar a níveis anteriores à crise.

O alemão Commerzbank disse que o PIB da zona do euro deverá encolher “apenas” 3,5% neste ano, em comparação com uma previsão anterior de queda de 3,8%. O Unicredit agora prevê que a economia encolherá 4%, em vez dos 4,6% projetados anteriormente.

Segundo a Eurostat, birô estatístico da União Europeia (UE), a taxa à qual a economia da zona do euro encolheu baixou para 0,1% no segundo trimestre, de calamitosos – 2,5% no primeiro.

Nielsen falou de “grande interrogações” pairando sobre o sistema bancário europeu.

Temores de que os bancos europeus sejam forçados a depreciar ativos relacionados com inadimplência devida à crise econômica e, em consequência, reduzir novas concessões de empréstimos têm preocupado políticos e o Banco Central Europeu (BCE) nas últimas semanas.

Jean-Claude Trichet, o presidente do BCE, implorou aos banco, na semana passada, que repassem as “medidas extraordinárias” que o BCE tomou para incrementar sua liquidez.

Outra razão para tratar os dados divulgados ontem com alguma cautela é o desemprego, para o qual a expectativa generalizada é de um salto de crescimento – que deprimiria o consumo – enquanto as companhias continuam a apertar os cintos.

Trichet advertiu na semana passada que “mesmo quando a economia reaquecer, o desemprego poderá continuar crescendo”. Ele ressaltou esse risco como “um dos pontos importantes que nos impõem sermos prudentes e cautelosos” durante algum tempo.

O perigo de que as verbas de estímulo – que parecem estar dando sustentação aos gastos públicos e privados – acabem antes que a zona do euro tenha superado os prenúncios de apertos de crédito e no mercado de trabalho é a razão pela qual os economistas continuam preocupados com o crescimento.

“O problema, para a zona do euro”, disse Nielsen, “é que os fatores positivos são, no momento, em larga medida de curto prazo, ao passo que os fatores negativos poderão se constituir em problemas de mais longo prazo”.

14/08/2009 - 08:34h Alemanha e França voltam a crescer e puxam economia da zona do euro

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Bloomberg – VALOR

Alemanha e França surpreenderam, voltando a crescer no trimestre passado. O resultado dos dois quase fez com que a economia da zona do euro não sofresse contração e sugere que a recessão da região, a pior desde a Segunda Guerra Mundial, pode estar chegando ao fim.

O Produto Interno Bruto da zona do euro encolheu 0,1% em relação ao primeiro trimestre, período em que contraiu 2,5% – o qual foi o maior declínio desde que os dados relativos ao bloco começaram a ser compilados, em 1995, informou o departamento de estatística da União Europeia (UE). Economistas haviam estimado que o PIB teria encolhido 0,5% nos três meses até junho, segundo mostra a mediana de 32 projeções colhidas em pesquisa da agência Bloomberg.

Na Alemanha, a maior economia da Europa, o PIB cresceu 0,3% (dado sazonalmente corrigido) em relação ao primeiro trimestre, quando caiu 3,5%. A economia da França também cresceu 0,3% no trimestre passado.

A Itália e a Holanda foram os países que puxaram a economia da zona do euro para baixo. A economia italiana contraiu 0,5%, e a holandesa teve queda de 0,9% no segundo trimestre.

O PIB da zona do euro recuou por cinco trimestres consecutivos, a mais longa contração desde o início da série histórica, que começou há 14 anos.

A demanda pelas exportações da zona do euro está melhorando no mesmo momento em que os pacotes de resgate dos governos e os juros baixos sustentam os gastos do consumidor interno. Os dados divulgados sugerem que o Banco Central Europeu (BCE) não precisará aumentar as medidas de incentivo, mas o crescente desemprego em toda região deverá ainda conter o consumo.

“Existe uma chance mais do que razoável de que a atividade econômica da zona do euro tenha agora chegado ao ponto mais baixo e que voltará a crescer no terceiro trimestre, com muitas das outras economias seguindo o exemplo da Alemanha e da França e saindo da recessão”, disse Martin van Vliet, economista-sênior do ING Bank de Amsterdã. “Tememos, porém, que a recuperação seja relativamente lenta e demorada.”

A melhora econômica da Alemanha acontece quando a premiê conservadora Angela Merkel está em campanha pela reeleição na votação marcada para 27 de setembro. “Merkel está numa boa posição para explorar a volta precoce ao crescimento econômico, mas eu me surpreenderei se ela fizer isso com muita ênfase”, disse Laurent Bilke, economista-sênior da Nomura de Londres. “Ainda se justifica uma certa cautela enquanto o mercado de trabalho continuar a se enfraquecer.”

A economia do Reino Unido, que pertence à UE, mas não à zona do euro, contraiu 0,8% no segundo trimestre, mais do que o dobro do previsto por economistas.

Em relação ao segundo trimestre de 2008, a economia da zona do euro encolheu 4,6 entre abril e junho, depois de uma contração de 4,9% nos três primeiros meses do ano, segundo o relatório.

16/05/2009 - 13:27h PIBs de França e Alemanha caem e afundam Europa

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Economia alemã recua 3,8% no 1.º trimestre; França cai 1,2% e entra em recessão; zona do euro cai 2,5%

Jamil Chade – O Estado SP

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Europa estava arrasada, nunca o continente esteve em uma situação tão dramática como hoje, em termos econômicos. Ontem, autoridades anunciaram a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha em quase 40 anos e a entrada oficialmente da França em recessão. As notícias abalam as esperanças de que a crise está perdendo força. Mas governos acreditam que o primeiro trimestre foi o fundo do poço e que perdas dessa magnitude não serão vistas nos próximos meses.

A queda das duas maiores economias da Europa levaram o continente a um cenário negativo. A contração do PIB na zona do euro já atravessa quatro trimestres consecutivos e atinge uma taxa recorde de 2,5%. Os dados ainda mostram que a recessão é mais profunda na Europa que nos Estados Unidos, a origem da crise.

A economia alemã – a maior da Europa – teve um recuo histórico de 3,8% de janeiro a março – a maior em um trimestre desde 1970, quando o cálculo começou a ser feito. Maior economia exportadora do mundo, a Alemanha sofre com a queda da demanda mundial. No último trimestre de 2008, o PIB alemão já havia encolhido 2,2%.

A BMW, maior fabricante de carros de luxo da Europa, sabe o que essa crise significa. Teve de cortar postos de trabalho e produção. Em abril, a queda das vendas foi de 23%. Norbert Reithofer, presidente da empresa, está cético sobre uma reação no curto prazo. “Não prevemos uma recuperação antes de 2010.” A queda na demanda mundial por carros e máquinas também foi um dos motivos que levaram o PIB alemão ao tombo. Para o ano, o governo prevê que o PIB cairá 6%.

Os alemães tentam dar um sinal de que o pior já passou. “Essa queda brusca não deve mais ocorrer”, afirmou o porta-voz do governo, Thomas Steg. “Temos claras indicações de que o primeiro trimestre foi o mais difícil.” Pesquisas de opinião indicam que a confiança de empresários começa a se recuperar.

Na França, a contração do PIB foi de 1,2% no mesmo período. Por ser o segundo trimestre consecutivo de queda, o país entrou tecnicamente em recessão. O recuo foi menor do que a redução de 1,5% do trimestre anterior. A queda das vendas externas, de 7,2%, e do setor automotivo, de 12,8%, puxou a retração.

Para Christine Lagarde, ministra de Finanças da França, a previsão é de queda do PIB de 3% no ano, o dobro do que vinha sendo previsto. A recuperação viria apenas em 2010 e, mesmo assim, “gradualmente”. Em 2008, o crescimento foi de apenas 0,3%.

Críticos dizem que os governos europeus passaram meses negando que a crise chegaria e muitos ainda hesitam em gastar dinheiro para programas de recuperação.

O PIB da zona do euro caiu 2,5% no primeiro trimestre e 4,6% em um ano. A taxa é a pior em 13 anos, quando os cálculos começaram a ser apurados. Nem mesmo a redução da taxa de juros pelo Banco Central Europeu para os níveis mais baixos já vistos – de 1% – parece ter sido suficiente.

Ao contrário do que se esperava, a queda do PIB da zona do euro foi mais intensa nos três primeiros meses do ano que no fim de 2009, quando foi de 1,6%. Dos 16 países que usam o euro, apenas um não está em recessão. Nos onze países que não usam o euro, a queda foi de 2,5%.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2008, o recuo médio dos 27 países da Europa foi de 4,4%. Na Letônia e Eslováquia, a queda foi de 11,2%. Hungria e Romênia caíram 6,4%.

A Itália registrou a maior perda desde 1980. A queda foi de 2,2%, contra uma contração de 2,1% no quarto trimestre de 2008. No ano, o PIB encolheu 5,9%, o pior resultado em 29 anos.

A Espanha registrou queda de 1,8% no trimestre e 2,9% em termos anuais – a pior marca desde 1970. No Reino Unido, a queda foi de 1,9% no trimestre, contra recuo de 1,6% no trimestre anterior.

Até o setor do luxo começa a sentir. A Bulgari registrou seu primeiro prejuízo em uma década. A L?Oreal, maior empresa de cosméticos do mundo, classificou o trimestre de “duro”. O setor de cosméticos é tido como o mais resistente às crises.

Na Europa, o que todos querem saber é se esse foi ou não o fundo do poço. A Comissão Europeia admite que a queda foi maior do que a esperada. Mas aposta em melhoria e recuperação em 2010. “Existem alguns sinais, mas a volta do crescimento ainda está longe”, diz o comissário de Assuntos Econômicos da Europa, Joaquin Almunia.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, apontou ontem sinais positivos de recuperação. “Prevemos uma retomada da conjuntura mundial para o primeiro semestre de 2010. A virada da situação deve ocorrer em outubro, novembro ou dezembro de 2009″, disse. Para o governador do Banco da Inglaterra, Mervyn King, a recuperação será “lenta”.

15/05/2009 - 14:25h Euro, quo vadis?

O euro não nasceu para contestar a hegemonia americana

Giorgio Romano Schutte – VALOR

euroneda.gif (36509 bytes)A falta de uma autoridade supranacional esvazia o potencial do euro, atrasando a necessária repactuação do sistema

Para muitos a crise foi uma surpresa, em particular sua profundidade, apesar de não faltarem analistas que há muito tempo alertam para a insustentabilidade do sistema financeiro internacional organizado em torno da hegemonia incontestável do dólar americano. Paradoxalmente, por enquanto o dólar valorizou-se perante praticamente todas as demais moedas, inclusive sua alternativa potencial, o euro. Não só não houve ‘dolar crash’ como ocorreu, ao contrário, um fortalecimento do dólar. Aparentemente existe uma convicção generalizada de que os EUA continuam sendo a principal potência e, apesar de ter originado a crise, também será o país que vai liderar sua superação, portanto um ‘porto seguro’.

Essa posição do dólar como principal moeda de reserva possibilitou aos EUA atrair, ou melhor, apropriar-se da poupança dos outros países, sem precisar se preocupar com a restrição externa, durante praticamente todo o período que coincide com a liberalização financeira. E foi esse mecanismo que financiou altos padrões de consumo interno dos EUA e os gastos com a manutenção de seu aparato militar, em particular a guerra no Iraque. A confiança de que esse sistema funcionaria de forma sustentável vinha de um lado do dinamismo real da economia americana e de outro lado da sua posição político-militar, esfera na qual o mundo tornou-se unipolar no período pós-guerra fria. Países superavitários na Ásia Oriental, em particular a China e o Japão, sustentam esse mecanismo ao aplicar a maior parte da suas enormes reservas internacionais em títulos do governo dos EUA. Países exportadores de petróleo e os demais países emergentes superavitários, como o Brasil, aderiram a essa lógica. O nível de vida dos EUA depende da vontade do mundo de aceitar ativos em dólares em troca de bens e serviços reais.

O euro não nasceu para atrapalhar essa lógica ou contestar essa hegemonia. Concretizou-se, paradoxalmente, graças à onda de ataques especulativos ocorridos no início dos anos 90 e tirou de vez da especulação cambial todo o mercado interno dos países que aderiram à moeda, hoje 16 dos 27 países da União Europeia. Foi recebido com muito ceticismo pelos mercados financeiros, principalmente dos EUA, mas logo mostrou que veio para ficar do lado do dólar. Entre 2002, o ano de entrada em circulação, até pouco antes do início da atual crise financeira, em meados de 2008, o euro valorizou 77% em relação ao dólar. Como sinal dos novos tempos, no final de 2007 Gisele Bundchen manifestou seu desejo de ser paga em euro dentro do seu novo contrato com a Pantene. Na mesma época um dos mais famosos rappers dos EUA, Jay-Z, conquistou páginas de economia ao lançar um videoclipe no qual circulava em um carro luxuoso mostrando notas de euro.

Embora nunca tenha havido intenção por parte do Banco Central Europeu de ameaçar a posição do dólar, nem sob a liderança do holandês Wim Duisenberg ou na atual gestão do francês Jean-Claude Trichet, sem dúvida ele se tornaria alternativa e um potencial parceiro para a construção de um possível novo sistema monetário multilateral. Crucial neste processo seria a adesão da Inglaterra, principal praça financeira europeia, o que seria questão de tempo, apesar de parecer uma hipótese remota no curto prazo.

Analisando o caminho percorrido pelo euro desde 2002 até a crise, surpreende o fato de que a moeda não se fortaleceu perante a crise financeira. Ao contrário, passa por uma desvalorização expressiva, apesar de esta ainda ser inferior à valorização no período antecedente.

A questão não era imaginar que a crise provocaria fuga de dólares para o euro, mas uma continuação, até acelerada, da sua valorização perante o dólar como alternativa para diversificar as aplicações. Porém não foi isso que aconteceu até agora. Ocorre que o dólar mostrou-se mais convincente que o euro.

A explicação desse fato deve considerar que os países da UE também foram atingidos economicamente, apesar de a destruição da riqueza financeira ser menor, mas é principalmente uma questão política. De certa forma, a crise veio cedo demais para que o euro seja visto como uma alternativa. É como se a pancada de chuva tivesse chegado no momento em que a casa não estava ainda finalizada. E assim não apareceu como abrigo seguro o suficiente, em primeiro lugar para aumentar o interesse dos ingleses (e suecos) de se juntar. Tudo indica que o interesse na Inglaterra em considerar uma adesão ao euro não apenas não tenha aumentado, mas pode até ter diminuído.

A debilidade política do euro está no fato marcante de se tratar de uma moeda sem Estado. São vários governos, não há centralização. Em última instância, a credibilidade não vem dos bancos centrais, mas dos governos. A União Europeia trabalha com dois mecanismos de representação supranacional. A incondicional (por exemplo na política de competição) e a supervisionada (no caso da política comercial). Não há clareza sobre o caráter da autoridade comunitária para negociar a política monetária. O texto da chamada Constituição Europeia, posteriormente transformado em tratado, previa que o grupo do euro (composto pelos ministros de finanças dos países do euro), até agora um grupo informal, se transformasse em instância formal, elegendo um presidente, que seria a autoridade máxima. Uma espécie de ministro de Finanças da União Europeia, para quem Geithner poderia ligar, relembrando a máxima do euro-ceticismo de Kissinger (para quem devo ligar se eu quiser falar com a Europa?). Ao mesmo tempo, estava-se avançando rumo a uma representação unificada nas instituições financeiras internacionais. Mas o veto do povo Irlandês na véspera da crise financeira, expresso em referendo ao texto do tratado, atrasou esse avanço e, portanto, quando veio a crise, houve sim uma certa vontade política de coordenação, mas ficou evidente a falta de uma autoridade supranacional. Esse fato esvazia o potencial do euro para ocupar um papel de maior destaque do lado do dólar, atrasando desta forma a necessária repactuação do sistema monetário internacional.

Giorgio Romano Schutte é professor de Relações Internacionais do Centro Universitário Belas Artes e membro do Grupo de Análise de Conjuntura da USP (GACINT)

06/04/2009 - 08:57h A crise é dura com o Leste Europeu

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Filhos da Revolução descobrem agora a crise capitalista

Húngaros, checos e eslovacos enfrentam recessão e questionam efeitos da entrada na União Europeia

 

Jamil Chade, PRAGA – O Estado SP

 


Iva, Tomaz, Miroslava e Maria. Eles são húngaros, checos, eslovacos e não têm ideia do que seja viver em um regime comunista. Eles nasceram no ano ou logo depois das mudanças na região e a queda da União Soviética. Mas, hoje, 20 anos depois da Revolução de Veludo que derrubou o regime na ex-Checoslováquia e em plena crise mundial, a geração dos filhos da Revolução está descobrindo que a mera adesão à União Europeia não os blindou contra o desemprego, a crise e a recessão.

2009 era para ser o ano de celebrações no Leste Europeu. Além dos 20 anos da Revolução, a região comemora o quinto aniversário da expansão da UE para o Leste e ainda o ano da entrada do primeiro país da Europa Central na zona do euro, a Eslováquia. Mas a crise mudou o cenário e as sociedades começam a se questionar se a adesão à UE, ao capitalismo e mesmo à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) são fatores suficientes para garantir o bem-estar da população.Três governos na região já caíram diante da crise e outros enfrentam protestos violentos.

“Ninguém questiona se deveríamos ou não ter entrado na UE e abandonado o lado comunista. Isso é claro. Mas o capitalismo puro também não funcionou e estamos vendo isso com a crise”, afirmou Miroslava Durankova, uma universitária de 21 anos do norte da Eslováquia.

Seu argumento é resultado de um fenômeno que a região não conhecia nos anos do comunismo: a disparidade social. Hoje, o salário médio de um eslovaco é sete vezes maior que a média de 1989. Mas um estudo da Universidade de Bratislava mostrou que, na realidade, o poder de compra ainda é o mesmo de há 20 anos. Ou seja, o que uma pessoa ganha lhe dá a possibilidade de comprar exatamente o que adquiria em 1989. Agora, porém, há uma grande diferença: a liberdade de escolha, liberdade política e liberdade de movimento.

O sistema permitiu que uma parte da população enriquecesse e que uma classe média pudesse viajar. Enquanto o Leste Europeu cresceu a taxas altas, os mais pobres conseguiram empregos e também se beneficiaram. Mas, com a crise, os mais pobres correm risco de ficar sem trabalho. E, dessa vez, não contarão com os imensos subsídios do Estado.

“Há 20 anos, o governo fingia que pagava salários e a população fingia que trabalhava. Agora, a situação é outra e cada pessoa deve ganhar sua vida”, diz o diretor do Departamento de Educação da Universidade Eslovaca de Tecnologia, Miroslav Babinsky. Ele conta que, em 1989, com pouco mais de 20 anos, fugia das aulas de engenharia na Universidade de Bratislava para praticar um crime: imprimir panfletos alertando a população de que novos dias viriam. “Quando a revolução ocorreu, tínhamos a impressão de que tudo nos era permitido e que tudo seria fácil”, disse.

Neste fim de semana, ele foi votar para presidente da Eslováquia. Seu voto iria para a oposição, de direita. “Acabamos com o comunismo, mas os atores são os mesmos. Se dizem religiosos e até pró-capitalistas. Mas são os mesmo que nos oprimiram. Não podemos aceitar”, disse. “Se o sr. Hugo Chávez (presidente da Venezuela) quiser saber o que é socialismo, deveria perguntar a quem viveu aqueles anos aqui.”

Só 30% dizem viver melhor do que no comunismo

População apoia a democracia e a economia de mercado, mas o desemprego preocupa

 

Jamil Chade, PRAGA – O Estado SP

 


Um estudo do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento concluiu que apenas 30% da população do Leste Europeu afirma que vive melhor hoje que no período comunista. Só 15% da população acha que hoje a corrupção é menor. Mas o apoio à democracia e à economia de mercado são incontestáveis. Os motivos para a desilusão são econômicas: salários, desemprego, dificuldades e falta de serviços, como de saúde. “A vida ficou muito dura para a gente”, diz Miroslav Babinsky, da Universidade Eslovaca de Tecnologia.

Nos primeiros anos da transição, a produção caiu em 70% no Leste Europeu. Na última década, o crescimento voltou. A esperança era de que 2009 terminasse com uma alta de 25% na produção da região, em comparação a 1989. Mas a crise mudou o cenário. Para 2009, a diferença entre o PIB per capita no Leste Europeu e da UE será maior que a diferença em 1989. Algumas estimativas apontam que a região precisará de outros dez anos para completar as promessas dos líderes de 1989 de garantir uma melhor vida para todos.

Zuzana Matejovská tinha 9 anos na Eslováquia quando o regime soviético caiu. “Me lembro de que todos diziam que as coisas ficariam muito caras. Como eu gostava de sucrilhos, peguei todo o dinheiro que eu tinha na época das mesadas e voltei para casa no dia seguinte com três litros de leite. Eu estava muito orgulhosa de mim mesmo”, afirmou.

O que ela não imaginaria é que, 20 anos depois, trabalharia para a União Europeia e seria uma das organizadoras de cúpulas presidenciais do bloco. “Ninguém sabia o que iria ocorrer”, admitiu a jovem de 29 anos, em um inglês fluente e com um salário 15 vezes maior que o de seus pais nos anos 80.

Mas ela não esconde querer que seus filhos tenham a mesma infância que desfrutou. “Tive uma infância incrível e posso até estar dizendo algo politicamente incorreto, mas quero que meus filhos tenham uma vida como a minha durante o regime comunista. Ou seja, que saibam valorizar a liberdade que existe hoje. A geração que veio depois de mim não sabe o que era viver com tudo contado e controlado”, disse.

“Não tenho ideia do que era viver naquela época”, admitiu Iva Surchokrylova, uma estudante de 19 anos do colegial em Praga. “Minha mãe sempre me diz que eu tenho muita sorte de ter nascido após o comunismo.” Seu namorado, Tomas Palvik, lembra que está desempregado. “Eu sei que nossa vida é melhor que a de nossos pais. Mas eu não tenho trabalho.”

31/03/2009 - 15:08h A União Europeia contra a homofobia pede à Igreja não lutar contra os direitos dos homossexuais

Obispos en la manifestación contra el matrimonio gay en 2005


Bispos na manifestação contra o casamento gay em 2005 na espanha – foto Luis Magán

La UE alerta de episodios de homofobia en la escuela, el trabajo y la atención sanitaria


El informe pide a la Iglesia que no luche contra los derechos del colectivo homosexual y que los contenidos escolares enseñen sobre diversidad sexual

CARMEN MORÁN – Madrid – El País

La Agencia de Derechos Fundamentales (FRA, en sus siglas en inglés) de la Unión Europea alerta de la homofobia que se vive en todo su territorio, una discriminación por razón de orientación sexual que afecta a los escolares, al ámbito laboral y a la atención sanitaria. Los episodios de violencia, acoso y discriminación siguen ejerciéndose contra gays, lesbianas, bisexuales y transexuales en toda la comunidad europea, avisan, y se insta a los políticos a tomar medidas contra ello. El director de la agencia, Morten Kjaerum, recuerda que en algunos países se han registrado contra dichos colectivos agresiones físicas e incluso mortales que no se compadecen con los principios de igualdad de trato que la UE lleva a gala.

Algunas sedes de estos colectivos también sufren ataques, saqueos, incendios, y desfiles como los del Orgullo Gay tienen que sortear trabas en algunos países cuando no son directamente prohibidos.

El informe, publicado hoy por la agencia, denuncia la “incitación al odio” que ejercen algunos personajes públicos con sus declaraciones, “un fenómeno especialmente inquietante dado que ejerce un efecto negativo sobre la opinión pública y da pábulo a la intolerancia”. Y se detiene el informe en las actitudes de las autoridades religiosas, muy variables entre los distintos países. “En algunos países”, dice, “los representantes de la Iglesia se implican en los debates sobre los derechos de los homosexuales y a menudo se movilizan y luchan contra el acceso a estos derechos”. Esto ha ocurrido en España, cuando los obispos se manifestaron en contra del matrimonio gay o de sus derechos para tener y criar hijos. Sin embargo, el informe cita como buena práctica las marchas homosexuales en las que han participado miembros de la Iglesia.

También en el ámbito escolar, se exige a los Estados miembros que se aseguren de que los programas escolares incluyan las cuestiones de orientación sexual donde “el colectivo aparezca representado con respeto y dignidad”. Se pide además que se proteja a los alumnos contra episodios de acoso e intimidación dejando claro que esas actitudes no se tolerarán. Y se recomienda proporcionar a los jóvenes de diversas identidades sexuales la información necesaria para que no se sientan discriminados.

“Sabemos que el número de incidentes denunciados a la policía u otras autoridades es muy escaso, lo que se traduce en impunidad para los delitos, de tal forma que la justicia no resarce a las víctimas y las autoridades se abstienen de adoptar las medidas necesarias para hacer frente a estos delitos y evitar que se repitan”, ha dicho Morten Kjaerum. El director de la agencia ha exhortado a los Gobiernos a investigar estos delitos y a proporcionar formación para luchar contra ellos, a la policía.

“Además, debemos promover campañas que sensibilicen a toda la ciudadanía sobre la diversidad y la no discriminación, puesto que para presentar una denuncia es preciso que el interesado conozca previamente los derechos que jurídicamente le asisten”, ha añadido Kjaerum.

A pesar de ello y de las diferencias que se dan entre los países miembros, la agencia constata que también hay buenas prácticas en algunos territorios y se felicita de que los políticos acompañen a los que participan en las marchas del Orgullo Gay o de que se hayan incorporado medidas para poder denunciar de forma anónima en algunos países. Cita a aquellos países que han incorporado el matrimonio entre homosexuales así como el acceso a procrear y criar a sus hijos. Destaca que entre todos ellos, la discriminación se hace más evidente hacia los transexuales. Son más reticentes a reconocer los derechos de estos colectivos y evitar las discriminaciones los hombres que las mujeres, y las personas entradas en edad que los jóvenes.

Tras las conclusiones de este informe, la UE sugiere que se amplíe la legislación contra la discriminación y que se adapte la normativa europea en caso de no haberse hecho ya. España está en estos momentos trasponiendo una directiva de la UE que se convertirá en la Ley contra la Discriminación, un proyecto en el que trabaja actualmente el Ministerio de Igualdad.

Anastasia Crickley, presidenta del Consejo de Administración de la FRA, concluye: “Todos en la Unión Europea deben vivir libres de miedo y discriminación, independientemente de su orientación sexual. Insto a todos los Gobiernos de la UE a que apoyen la nuevas propuestas de legislación comunitaria contra la discriminación”.

17/03/2009 - 13:41h Europa: um continente à deriva

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Paul Krugman, The New York Times*

Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo – não existem refúgios a salvo dessa tormenta econômica global. Mas a situação da Europa preocupa-me mais do que a dos Estados Unidos.

Não vou repetir a velha queixa americana de que, na Europa, os impostos são muito altos e os benefícios muito generosos. Os enormes programas de bem-estar social não são a causa da atual crise. São um fator atenuante.

O perigo claro e presente vem de uma direção diferente: é o fracasso do continente em responder eficazmente à crise financeira. A Europa carece de uma política fiscal e monetária. Enfrenta uma crise no mínimo tão severa quanto os EUA, porém está fazendo muito menos.

No aspecto fiscal, a comparação com os EUA é assombrosa.

Para muitos economistas, eu inclusive, o plano de estímulo do governo Obama era muito tímido diante da gravidade da crise. Mas as medidas adotadas pelos EUA fazem parecer insignificante qualquer coisa que os europeus estejam fazendo.

A diferença em termos de política monetária é igualmente assombrosa. O Banco Central Europeu (BCE) tem se mostrado muito menos dinâmico do que o Federal Reserve; tem demorado para cortar as taxas de juros (elevou em julho do ano passado) e evitou adotar medidas vigorosas para desbloquear os mercados de crédito.

A única coisa que pesa em favor da Europa é exatamente aquilo pelo qual é mais criticada: o porte e a generosidade dos seus programas de bem-estar social, que atuam como amortecedor do impacto dessa retração econômica.

E isso não é pouco. O auxílio-desemprego e a assistência à saúde garantida asseguram que, pelo menos até agora, não se veja na Europa o sofrimento humano tão nítido como nos EUA. Esses programas também vão ajudar a sustentar os gastos nessa crise. Contudo, esses “estabilizadores automáticos” não são substituto de uma ação positiva.

Por que a Europa não está conseguindo enfrentar a crise? Em parte por causa de uma liderança medíocre. As autoridades dos bancos europeus, que se omitiram quanto à profundidade da crise, ainda parecem estranhamente complacentes. E para ouvir alguma coisa nos EUA que seja comparável aos ataques ignorantes do ministro das Finanças da Alemanha, você deve ouvir os republicanos.

Mas há um problema mais profundo: a integração monetária e econômica da Europa avançou muito mais do que as suas instituições políticas. As economias de muitas nações estão tão estreitamente ligadas quanto as economias de muitos Estados, nos EUA, – e a maior parte da Europa compartilha uma moeda comum. Mas, ao contrário dos EUA, a Europa não tem instituições que cubram todo o continente, necessárias para lidar com uma crise com essa envergadura.

Essa é uma importante razão da ausência de uma uma ação fiscal. Não existe nenhum governo em posição de assumir a responsabilidade pela economia europeia como um todo. Em vez disso, o que há são governos nacionais, cada um relutando em acumular enormes dívidas para financiar um plano de estímulo que poderia levar muitos, senão a maior parte, dos seus benefícios para os eleitores em outros países.

Você poderia pensar então que a política monetária é mais convincente. Afinal, apesar de não existir um governo europeu, há um BCE. Mas ele não é como o Fed, que pode se permitir correr riscos porque tem o suporte de um governo nacional unitário.

Em outras palavras, a Europa vem se revelando estruturalmente fraca num período de crise. A maior dúvida é o que vai ocorrer com aquelas economias europeias que prosperaram tanto na fase do dinheiro fácil dos últimos anos, particularmente a Espanha.

Durante grande parte da década passada, a Espanha foi a Flórida da Europa, com uma economia animada por um enorme boom especulativo imobiliário. Como na Flórida, esse boom transformou-se em um fiasco. A Espanha agora precisa encontrar novas fontes de renda e emprego.

No passado, o país teria procurado ser competitivo desvalorizando sua moeda. Mas agora a sua moeda é o Euro – e o único meio de avançar parece ser pelo doloroso processo de corte de salários. O que seria difícil nos melhores tempos, mas será incrivelmente doloroso se, como parece provável, a economia europeia como um todo entrar numa depressão e se encaminhar para uma deflação nos próximos anos.

Isso significa que a Europa errou ao se tornar tão estreitamente integrada? E, especialmente, que a criação do Euro foi um equívoco? Talvez.

Mas a Europa ainda pode mostrar para os céticos que eles estão errados, se os seus políticos começarem a mostrar mais liderança.

Mostrarão?

*Paul Krugman é articulista

17/06/2008 - 09:52h Um voto pela democracia na Europa

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GIDEON RACHMAN – “FINANCIAL TIMES” – FOLHA SP

Mais uma vez estão nos dizendo que “a Europa está em crise”. Os jornais britânicos alardeiam a idéia de que o Tratado de Lisboa está “acabado”. Assim, vale recordar o que aconteceu quando os irlandeses rejeitaram o Tratado de Nice, em 2001. Eles foram obrigados a votar novamente e deram a resposta “correta”.

O tratado que os irlandeses acabam de rejeitar é uma versão reformulada da Constituição da UE que, ela própria, foi rejeitada por franceses e holandeses em referendos realizados em 2005.

Uma declaração franco-alemã divulgada na sexta-feira afirmou em tom conciliador: “Damos à decisão democrática dos cidadãos irlandeses todo o respeito que lhe é devido”. Quanto respeito é isso? É claro que não muito. A declaração deixou claro que não se cogitava a hipótese de abandonar o tratado, que seria necessário “para tornar a Europa mais democrática e mais eficiente”.

É a junção das palavras “democracia” e “eficiência” que é suspeita. Essas duas idéias não costumam avançar juntas na UE. Se e quando o Tratado de Lisboa entrar em vigor, ele tornará a UE mais eficiente. Mas também a fará ser menos democrática.

O tratado facilitaria a aprovação de novas legislações da UE, ao aumentar o número de leis decididas pelo voto majoritário dos países-membros e dificultar a formação de minorias capazes de bloqueá-las.
Também reforçaria a presença internacional da Europa, criando um ministro do Exterior europeu e um serviço diplomático europeu. Existem temas urgentes que poderiam beneficiar-se de uma resposta européia mais unida. O problema é que esses ganhos seriam obtidos às expensas da democracia.

Os defensores do Tratado de Lisboa não concordariam com essa análise. Eles argumentam que o tratado fará a UE ser mais democrática. Apontam para o aumento dos poderes dos Legislativos nacionais e do Parlamento Europeu. Mas a concessão feita aos Parlamentos nacionais é pequena: eles não poderiam fazer emendas à legislação européia nem ganhariam novos poderes de bloquear essa legislação. São as instituições de Bruxelas que irão conquistar mais poder.

A “democracia” exercida no nível pan-europeu não tem a legitimidade e o apoio de que gozam as democracias nacionais européias. A UE precisa alcançar um ponto de equilíbrio delicado entre eficiência e prestação de contas a seus eleitores, entre democracia e tecnocracia. A lição do referendo irlandês é que a balança vem pendendo demais para o lado da tecnocracia.

17/06/2008 - 09:41h Um bloco à deriva

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Gilles Lapouge* – O Estado de São Paulo

A Europa começa a semana com um ar doentio: espantada, com olheiras e vertigens. Isso porque o tratado de Lisboa, que deveria ser a base da Constituição da União Européia composta de 27 países, foi rejeitado na sexta-feira pelos irlandeses. A UE, portanto, é um barco à deriva, sem itinerário nem direção.

No mapa da Europa, alguns países se agitam- principalmente, a França e a Alemanha, os dois motores da UE, que juntos inventaram esse catastrófico e natimorto Tratado de Lisboa. Em seguida, a Grã-Bretanha, que fervilha de eurocéticos. O primeiro-ministro Gordon Brown tenta, sem muita paixão, convencê-los de que o tratado deve ser ratificado.

Em Praga, capital da República Checa – outro ninho de eurocéticos -, o feroz presidente antieuropeu Vaclav Klaus entusiasmou-se, dizendo que ”o Tratado de Lisboa acabou”. Ora, se a República Checa, depois da Irlanda, rejeitar o texto, então poderemos dizer, realmente, que o Tratado de Lisboa acabou.

Felizmente, existe um homem de boa vontade que se apega muito a esse tratado. Trata-se, claro, do presidente Nicolas Sarkozy, que deve exatamente ir a Praga para empregar seu charme, sedução, inteligência, verve, talento e genialidade para convencer os deputados checos a aprovarem o tratado.

Conseguirá? E, sobretudo, a Europa vai aprender alguma coisa com esses desastres que se repetem? Saberá fazer um diagnóstico corajoso? Esse diagnóstico é simples: para a ratificação do Tratado de Lisboa, cada país podia escolher a via parlamentar ou o referendo. E 26 países optaram pela ratificação por seus Parlamentos. No geral, os parlamentos ratificaram o documento, exceto, talvez (vamos saber em alguns dias), na República Checa, Dinamarca, Suécia e Holanda. Entre os 27 países, apenas um escolheu a via do referendo: a Irlanda.

A conclusão é lógica: em todos os países a classe política é favorável à Europa, embora sem muito ardor. Em compensação, as populações são claramente hostis à essa integração. É uma verdade cruel, depois de 50 anos de Europa. Mas é preciso ter coragem política para afrontá-la e, em conseqüência, para remodelar a União Européia. Fazer dela um produto atraente e não uma mecânica grosseira, complicada, abstrata, distante, intrincada, sem alma nem alegria.

Como a Europa era bela sem os sonhos dos europeus de 1960, depois dos horrores da guerra! Era bem cuidada, repleta de rios comunitários, caminhos compartilhados, homens e mulheres que queriam dançar juntos. Mesmo o azul do céu era comum a todos os países.

Com o decorrer dos anos, o sonho sucumbiu ao elefante branco monstruoso de Bruxelas. O sonho transformou-se em milhões de documentos insípidos, diretivas, textos redigidos por milhares de funcionários burocráticos, trancados nos palácios de vidro de Bruxelas, que regulamentam o futuro da cevada ou do milho europeu sem ter jamais visto um pé de milho ou um feixe de trigo. A União Européia é o triunfo da abstração, da racionalidade, das matemáticas e da tecnocracia. E esse triunfo é a derrota da Europa.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

14/06/2008 - 16:07h A Irlanda diz “Não” ao Tratado de Lisboa

Com o ”não” irlandês, restam à UE duas opções

Bloco pode isentar a Irlanda do Tratado de Lisboa, esperando que o país o ratifique no futuro, ou discutir um novo texto constitucional

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Associated Press, Reuters e The Guardian – O Estado de São Paulo


A rejeição do Tratado de Lisboa pelos irlandeses lançou a União Européia (UE) em uma nova crise institucional, semelhante à de 2005, quando França e Holanda disseram “não” ao referendo constitucional.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, que disse algumas vezes que a Europa não tem um plano B para o tratado, lembrou ontem que o bloco já passou por crises semelhantes. “Só espero que desta vez também encontremos uma solução”, disse.

Agora, de acordo com as palavras do premiê irlandês, Brian Cowen, tanto Irlanda quanto UE estão navegando em “águas não mapeadas”. Com a rejeição do tratado pelos irlandeses, restam ao bloco europeu apenas duas opções.

A primeira seria conceder à Irlanda uma isenção temporária do tratado e permitir que ela o ratifique num futuro próximo em novo referendo – a mesma coisa que foi feita com o Tratado de Nice. A segunda seria fazer com que todos os 27 países da UE voltem à mesa de negociação e reescrevam outro texto constitucional.

PERDEDORES

Para os analistas, o “não” irlandês foi uma derrota para alguns dos principais líderes do continente. Um dos que saíram mais arranhados foi o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. O Partido Trabalhista, de Brown, tinha como promessa de campanha em 2005 realizar um referendo sobre a proposta de Constituição da UE, que acabou sendo sintetizada no Tratado de Lisboa.

A idéia foi engavetada por causa da ameaça de que os britânicos rejeitassem o texto. Assim, o governo da Grã-Bretanha, então chefiado por Tony Blair, preferiu um caminho mais curto e seguro: ele decidiu submeter o tratado não à população, mas ao Parlamento. Ontem, Brown disse que o projeto continuará tramitando e prometeu que até outubro será ratificado.

A nova crise também atingiu os ambiciosos planos que Nicolas Sarkozy tinha para a presidência francesa da UE, a partir de julho. Sarkozy havia prometido dedicar sua presidência do bloco a projetos em várias áreas (como defesa, energia e aquecimento global), à união de nações do Mediterrâneo e a um pacto sobre imigração.

Especialistas dizem que a França terá agora de agir rápido para tirar o bloco do impasse. Sarkozy terá de acelerar suas iniciativas, já que a presidência francesa termina no início de 2009. Sua maior missão será convencer a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a mudar de idéia e discutir um novo acordo institucional.

Recentemente, Merkel descartou a possibilidade de voltar a negociar uma Constituição para a Europa. Ontem, ela pediu paciência aos membros do bloco. “É claro que esperávamos um resultado diferente”, disse a chanceler. “Mas, como bons europeus, temos de encarar a realidade e encontrar uma saída.”

20/05/2008 - 08:50h União Européia já investe mais no Brasil do que na China

Os 27 países do bloco investiram 7,1 bi no País em 2007, ante 1,8 bi no mercado chinês

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Jamil Chade – O Estado de São Paulo

A União Européia (UE) investiu mais no Brasil do que na China em 2007. Segundo dados oficiais de Bruxelas, os 27 países do bloco investiram 7,1 bilhões no País em 2007, ante 1,8 bilhão no mercado chinês. Somente se somados os investimentos em Hong Kong é que a China praticamente empata com o Brasil em destino dos investimentos europeus.

O estoque de investimentos da Europa na China é ainda bem superior ao que existe no Brasil, diante do fluxo acumulado nos últimos anos no mercado asiático. Mas o mercado brasileiro volta a chamar a atenção dos europeus, principalmente com o retorno do crescimento e estabilidade da economia.

Em 2006, por exemplo, os chineses atraíram 6 bilhões, além de outros 3 bilhões em Hong Kong. Para o Brasil, o total de investimentos foi de 5,6 bilhões. Já no ano passado, o Brasil reverteu a tendência. Só da Espanha os investimentos somaram 2,5 bilhões.

Na Europa, o Brasil se tornou nas últimas semanas o foco das atenções da imprensa econômica. Para jornais ingleses, espanhóis e franceses, a economia brasileira é uma das mais atrativas, principalmente depois do grau de investimento. Apesar disso, o presidente da Associação de Bancos da Suíça, Pierre Mirabaud, alerta que o novo status não deve ser visto como “panacéia para resolver todos os problemas”.

O Brasil ainda perde para a Índia, que viu os investimentos serem multiplicados por dez entre 2006 e 2007, atingindo 10,9 bilhões. Já os russos receberam investimentos de 17 bilhões. Entre os Brics (bloco constituído por Brasil, Rússia, Índia e China), portanto, o País é o terceiro mercado preferido dos europeus. Entre os Brics (bloco constituído por Brasil, Rússia, Índia e China), portanto, o País é o terceiro mercado preferido dos europeus.

NOVA GEOGRAFIA

Os dados da UE também revelam uma nova geografia no fluxo de investimentos. Os Brics mais que dobraram os investimentos na Europa entre 2006 e 2007. Não por acaso, governos de vários países europeus acostumados a apenas comprar empresas estrangeiras reagiram surpresos com a nova tendência. Alguns dos setores chegaram a clamar pela “soberania” da produção européia.

Juntos, os países que formam o Bric investiram mais de 13 bilhões no mercado europeu. Só o Brasil investiu quase 2 bilhões, ante 9,5 bilhões da Índia. China e Rússia investiram outros 2 bilhões. Em 2006, o volume investido não chegava a 5 bilhões, dos quais 1,2 bilhão vinha do Brasil.

No geral, os investimentos para a Europa aumentaram 90% em 2007, em comparação com 2006, chegando a 319 bilhões. Os investimentos europeus no mundo aumentaram em 50%, passando de 275 bilhões em 2006 para 420 bilhões em 2007.

Apesar de o Brasil superar a China, o volume de recursos que chega no País é ainda menos de 10% do que vai para o mercado americano. No ano passado, os europeus investiram 113 bilhões nos EUA e outros 58 bilhões no Canadá.

Entre os europeus, os maiores investidores são os ingleses, com um terço do que a UE destina ao mundo. Já a Alemanha é o segundo lugar, com 12%, seguida pela França. Os americanos investiram 145 bilhões no bloco de 27 países em 2007, ante 74 bilhões em 2006.

07/04/2008 - 13:27h Terrorismo à européia

 O FILTRO – Thomas Trauman – Época

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Está em curso uma fortíssima campanha contra os biocombustíveis que, ao final, vai atingir o Brasil. Na semana passada, a revista americana Time e o jornal britânico The Guardian lideraram essa campanha com textos que disseminavam confusão, desinformação e má-fé para concluir que os biocombustíveis são a nova ameaça ao futuro da humanidade. O alvo central parece ser o etanol à base de milho produzido nos Estados Unidos, mas em poucos parágrafos a imprensa gringa conclui que a cana-de-açúcar está empurrando a soja para a Amazônia e destruindo a floresta. É uma bobagem sem tamanho (a ameaça real sobre a Amazônia é do gado e da madeira, o resto é conversa), mas os interesses por trás dessa campanha são reais. Na semana passada, a Alemanha voltou atrás na decisão de dobrar para 10% a mistura de etanol à gasolina. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, acusou o Brasil e os EUA de dumping de biocombustíveis. Em março, o Reino Unido retirou o financiamento a um programa de etanol, relata o Valor. Uma preocupação emergencial dos europeus com o futuro da humanidade? Infelizmente, não. A Europa – Alemanha à frente – lidera a produção mundial de biodiesel e teme que o fim das tarifas de proteção abrirá as comportas para a produção tanto do Brasil quanto dos EUA. Com essa gritaria toda, podem, por exemplo, também convencer o Japão a adiar seus planos de aumentar o uso de etanol. É a mesma tática usada pelo lobby dos fazendeiros britânicos contra a carne brasileira. Diziam defender a saúde dos consumidores, obtinham espaço na imprensa para falar sobre as péssimas condições sanitárias brasileiras, para, na realidade, conseguir monopólio do mercado. Esse é o jogo do ecoterrorismo europeu.

Por Thomas Traumann

09/08/2007 - 15:23h El BCE inyecta una suma récord al flujo monetario debido a la crisis hipotecaria en EE UU

La operación asciende a 94.800 millones, muy por encima de los 69.300 que inyectó tras el 11-S

EL PAIS.com – Madrid -

El Banco Central Europeo (BCE) ha inyectado hoy una suma récord de 94.800 millones de euros al flujo monetario de la zona euro para aliviar las tensiones sobre el mercado monetario ligadas a la crisis del crédito hipotecario de riesgo, según ha indicado una portavoz.

Este importe es el mayor inyectado por el BCE al flujo monetario desde los ataques del 11 de septiembre de 2001 en Estados Unidos. En aquella ocasión, la entidad inyectó 69.300 millones de euros.

El organismo presidido por Jean Claude Trichet había señalado en su boletín mensual que vigilaría cualquier señal de turbulencia en los mercados, en una velada referencia a los problemas que atraviesa el sector de créditos hipotecarios de riesgo en Estados Unidos (subprime).

El BCE también ha abierto hoy la puerta a una nueva subida de tipos en septiembre al manifestar que es necesaria una “extrema vigilancia” para evitar que se materialicen los riesgos al alza para la estabilidad de precios. “Dado el favorable entorno económico de la zona del euro, la orientación de la política monetaria del BCE es aún acomodaticia”, ha apuntado el banco en su boletín mensual.

El consenso del mercado espera que el BCE aplique una subida de tipos en septiembre, hasta el 4,25%, tras haberlos mantenido la pasada semana en el 4% actual.

El BCE ha subrayado que la subida reciente de los precios del petróleo “constituye un recordatorio oportuno de los posibles riesgos para la estabilidad de precios que se derivan del comportamiento de los precios de las materias primas”, aunque no obstante, estos riesgos obedecen principalmente a “factores internos”.

La institución ha señalado como uno de estos riesgos a un aumento de los costes salariales derivado al sólido crecimiento del empleo y a “la intensidad de la utilización de los recursos de la zona euro”.

07/08/2007 - 19:03h España, donde más subieron los precios en restaurantes y cafés con la introducción del euro

Entre 1998 y 2006, los precios aumentaron un 40%, más de diez puntos por encima del conjunto de la Eurozona

El País (España)

España sufrió durante los preparativos y la introducción del euro la mayor subida de los precios en restaurantes y cafés entre los países que se sumaron a la moneda única en 2002.

La subida fue de más del 40% entre finales de 1998 y 2006, según un estudio publicado en el último número de la publicación de la Dirección de Asuntos Económicos y Financieros de la Comisión Europea, bajo el título “What drives inflation perceptions?”.

El informe insiste en su inicio en la valoración habitual de los organismos europeos en el sentido de que el euro tuvo un impacto global apenas apreciable en los precios, estimado por Eurostat entre un 0,12% y un 0,29% a lo largo de 2002.

Sin embargo, y tras constatar que un Eurobarómetro de otoño de 2006 mostraba que un 90% de los europeos seguían pensando que la moneda común había encarecido sus vidas, el estudio procede a indagar los motivos de esa percepción.

La investigación admite que en una serie de países fue “claramente visible” un “salto” en los precios en restaurantes y cafés en enero de 2002. Ese impacto inflacionista resultó efímero en países como Holanda o Alemania, pero en otros, como España, Italia, Francia y Bélgica, “un rápido ritmo de incrementos de precios en el sector de restaurantes y cafés se ha mantenido después de 2002″.

De hecho, en España se venía produciendo ya una subida más acelerada en los años previos a la introducción física de los billetes y monedas de euro, pero fue con ésta cuando la brecha con los demás países se ensanchó.

En todo el periodo analizado (de finales de 1998 a 2006), los restaurantes y cafés subieron sus precios más de un 40% en España y menos del 30% en el conjunto de la Eurozona. En Alemania, la subida no llegó al 15%, en Bélgica y Francia no superó el 25%, y en Italia quedó por debajo de la barrera del 30%.

En el informe se señala, incluso, que la percepción de los ciudadanos es que los precios han subido todavía más de lo que indican las cifras.

09/06/2007 - 12:15h Le textile chinois prêt à déferler de nouveau sur l’UE

L’Union européenne présente une série de propositions au sujet des textiles chinois bloqués dans les douanes européennes.

Le Monde

Deux ans après la réintroduction des quotas sur le textile chinois, instauré le 10 juin 2005 par l’Union européenne (UE), les exportations vers les vingt-sept Etats membres ont connu un sérieux coup de frein. Elles avaient augmenté de 47 % en 2005, dans le secteur de l’habillement. Elles ont “seulement” progressé de 11 % en 2006.

Ces contingents, qui portent sur dix articles précis (robes, pantalons, tee-shirts…) – leurs volumes exportés ne peuvent excéder de 8 % à 12 % ceux atteints au cours des douze mois précédents – ont donc pleinement joué leur rôle : contenir l’invasion de produits chinois après un premier démantèlement des quotas qui était survenu le 1er janvier 2005. A cette époque, les industriels du textile et de l’habillement, et plusieurs pays, dont la France et l’Italie, avaient réclamé la réinstauration temporaire de quotas face à cette déferlante.

Cet accord signé entre Peter Mandelson, le commissaire européen au commerce, et son homologue chinois Bo Xilai a conduit donneurs d’ordres et distributeurs à se fournir dans d’autres pays d’Asie. Ils n’ont plus mis leurs oeufs dans le même panier”, résume François-Marie Grau, délégué adjoint de l’Union française des industries de l’habillement (UFIH).

Les donneurs d’ordres ont en effet ouvert des usines dans différents pays afin d’éviter de dépendre d’un seul Etat qui serait confronté à une crise politique, voire à une épidémie. Et cette stratégie de diversification du “sourcing” leur a permis, aussi, de mieux valoriser les savoir-faire des différents pays.

Du coup, si les exportations asiatiques vers l’UE continuent de progresser au même rythme (+ 17 % en 2005, + 16 % en 2006), elles se ventilent de façon différente à l’intérieur de la zone. Les grands gagnants des importations françaises en 2006 ont donc été le Vietnam (+ 58 %) ou encore Hongkong (+ 47 %, contre – 13 % en 2005). Certains donneurs d’ordres ont même effectué “un détournement de quotas” en continuant à produire en Chine continentale, mais en se servant d’Hongkong comme base d’exportation, la ville n’étant pas concernée par les contingents.

“Finalement, la baisse des exportations chinoises a été largement compensée par les autres pays d’Asie”, commente Gildas Minvielle, responsable de l’Observatoire économique à l’Institut français de la mode (IFM), qui parle de “système de vase communicant”. Suite…

25/05/2007 - 23:10h French are more positive on immigrants, poll shows

By Meg Bortin
Published: May 24, 2007PARIS: France has the most immigrant-friendly population of the major European powers, with more than half of those polled in a new international survey viewing the number of immigrants in their country as “about right.”

The six-nation poll, carried out this month before and after Nicolas Sarkozy, a hard-liner on immigration, was elected president of France, found that the French were also more likely than Britons, Germans, Italians, Spaniards and Americans to have invited a member of an ethnic minority home for dinner.

The British emerged as the population least-welcoming of immigrants, according to the poll, which was conducted online for the International Herald Tribune and the French television station France 24 by Harris Interactive, and surveyed 6,585 adults in the six countries from May 2 to May 14. The election was held on May 6.

In France, 52 percent of the respondents viewed the number of immigrants residing in the country as “about right,” the poll found. In Britain, Germany, Italy and Spain, far fewer respondents held that view, with most saying there were “too many” immigrants. Two-thirds of Britons felt this way, as did 55 percent of Germans and Italians. In Spain, 45 percent said there were too many immigrants, while 28 percent said the number was about right.

In the United States, a country where many families still remember their immigrant roots, 43 percent said the number of immigrants now was about right, while 35 percent said there were too many foreign-born residents. Leia mais aqui no International Herald Tribune

14/05/2007 - 13:52h Durante a presidência portuguesa da UE, Portugal vai organizar conferência entre Brasil e União Europeia

O Governo português vai organizar uma cimeira entre a União Europeia e o Brasil no início de Julho, quando Portugal assumir a presidência dos 27, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros em Bruxelas.

Lisboa gostaria de “colocar o Brasil no plano das relações com a UE ao nível do que são hoje as relações com importantes parceiros internacionais”, disse Luís Amado à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

Segundo uma fonte diplomática citada pela Lusa, a reunião de alto nível com o Brasil deverá realizar-se a 4 de Julho, em Lisboa, estando também previsto que o Presidente Lula da Silva se desloque a Bruxelas um dia depois para participar numa conferência internacional sobre biocombustíveis.

O Governo português pretende institucionalizar o relacionamento com o Brasil com reuniões periódicas entre as duas partes, à semelhança do que já acontece com outros parceiros internacionais dos europeus, como os Estados Unidos, a Rússia, a China e a Índia.

Este tipo de reuniões têm lugar uma vez por ano, uma vez no país detentor da presidência dos 27 e outra no Estado em causa. A UE é representada nestas reuniões de alto nível pela sua “troika”, o chefe de governo do país que assume a presidência dos 27 (José Sócrates, durante o segundo semestre do ano), o presidente da Comissão Europeia (Durão Barroso) e o alto representante para a Política Externa (Javier Solana).

do Jornal O Público de Lisboa