22/08/2008 - 22:41h Uma primeira e importante vitória

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Eram contra Lula e contra Marta, eram contra o CEU e contra o Bilhete Unico.

Foram contra a Ponte Estaiada e eram contra os uniformes e o material escolar.

Também foram contra as policlínicas de especialidade e falavam em Bolsa-esmola.

Os primeiros programas na TV já configuram uma primeira vitória moral sobre os adversários.

Ver na TV Alckmin fazer aplaudir pela sua platéia o nome de Lula, ver Kassab falar dos CEU’s e mostrar o “cartão-postal” da ponte da Marta.

Ver o Alckmin propor o CEU Saúde e todos defender o que atacaram, difamaram e combateram é uma indiscutível vitória da persistência, da coragem e do espírito dos desbravadores.

Dos homens e mulheres que abrem caminhos e mostram a via para o progresso e a superação dos problemas da nação.

Dos que estão identificados com os interesses dos humildes e da imensa maioria do seu povo.

Sinto orgulho do PT e de vocês, Lula e Marta. Os adversários estão obrigados a reconhecer que o caminho de vocês era o caminho certo.

Nada como um dia depois de outro.

A caminhada prossegue com muita mais força perante a inconsistência dos que se proclamavam seus censores.

Luis Favre

07/08/2008 - 16:45h Kassab entra em escola como prefeito e dentro faz campanha eleitoral como candidato

UOL - Ultimas Notícias - 14h11

Petistas comemoram inclusão de Kassab em lista da AMB

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), esqueceu da vistoria que deveria fazer em uma escola municipal nesta quinta-feira e acabou encarnando o candidato à reeleição no ato que deveria ser oficial. Acompanhado por sua equipe de campanha, ele entrou em salas de aulas para parabenizar o desempenho da escola e falar sobre suas “realizações” como prefeito a alunos e professores.

Quando o prefeito-candidato chegou à escola, sua equipe de campanha já o aguardava com máquinas fotográficas e câmeras de vídeo para utilizar as imagens em seu programa eleitoral gratuito. Ele não se ateve por muito tempo na vistoria do prédio, que ganhou telhado novo e teve as paredes pintadas. Depois de conversar com a diretora da escola por alguns minutos, ele decidiu fazer campanha.

Acompanhado pelo secretário Alexandre Schneider (Educação) e de toda parafernália de campanha, Kassab interrompeu as aulas de seis classes. Ele dedicou mais tempo na primeira sala, onde alunos da oitava série aprendiam geografia. Ele começou elogiando o desempenho da escola, mas logo mudou de assunto. “Vocês devem ter percebido que o uniforme de vocês é 40% mais barato”, disse aos alunos, que fizeram cara de interrogação. “Também melhoramos a remuneração dos professores.” Não satisfeito, decidiu interrogar o representante da turma, Felipe Pacheco, 14. Kassab pediu que ele enumerasse as “melhorias na qualidade do ensino” nos últimos tempos naquela unidade. Sem uma resposta satisfatória, perguntou sobre o fim do terceiro turno. “Muito bom”, respondeu o aluno. “E a merenda aqui, melhorou?”, perguntou o prefeito. Diante do silêncio do estudante, a diretora socorreu: “Nós não servimos merenda”.

Ao retomar a palavra, o candidato falou das 218 escolas e 25 CEUS (Centros Educacionais Unificados) que ele diz ter construído. Na verdade a prefeitura só entregou 13 CEUs –e promete entregar outros 12 até o fim do ano. Antes de deixar a sala, ele perguntou o que estavam achando da escola. Como a maioria disse que aprovava, ele afirmou, sorrindo: “É bom que seus pais também achem”.

Ao deixar outra sala, Kassab esbarrou no vereador e cantor Agnaldo Timóteo (PR), que tenta se reeleger. Depois de um breve cumprimento entre os dois, Agnaldo colocou metade do corpo para dentro da sala e disse para alunos da oitava série: “Kassab representa sinônimo de lealdade política”.

Sua última parada foi em um estúdio de áudio da escola, onde ele entrou para ser entrevistado pelo aluno da sétima série Yuri Cerpa Varella, 13, que leu uma pergunta formulada por sua professora. “O senhor poderia falar um pouco das suas prioridades para a área da educação no próximo mandato?”

Prefeito x candidato

Questionado sobre o constrangimento de fazer campanha para alunos, Kassab disse que não estava ali como candidato. “Eu não fiz campanha com alunos. Eu estou aqui como prefeito cumprimentando diretor e professores. Semanalmente eu visito algumas escolas”, disse. “Não tenho nenhum constrangimento. Essa foi a segunda vez este ano que eu venho à esta escola.”

Kassab seguiu de lá para a zona sul, onde foi vistoriar obras na avenida Ricardo Jafef. Sempre acompanhado por sua equipe de campanha, ele teve o cuidado de cumprimentar os operários que trabalham na obra e até perguntar onde cada um mora. Fonte UOL

24/06/2008 - 15:58h Os medos do Estadão

A imagem “http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080624/img/capadodia.jpg” contém erros e não pode ser exibida.O Editorial do Estadão de hoje é uma peça de ficção. Um exercício de wishful thinking, de “criação ilusória de fatos que se desejaria fossem realidade”, na tradução precisa do dicionário Michaelis.

O editorial do jornal O Estado de São Paulo lança hoje um sonoro ufa, de alívio prematuro, pela escolha de Alckmin como candidato do PSDB e pelo suposto apoio de Serra a esta escolha.

“o PSDB de São Paulo chegou à melhor solução possível. E isso, especialmente, porque o governador Serra soube enfatizar a possibilidade real de restabelecer a aliança PSDB-DEM no muito provável segundo turno entre um deles e a candidata do PT. “Se a aliança não se traduziu agora numa candidatura única, tem que se traduzir, sim, numa unidade no segundo turno” - disse o governador em seu pronunciamento na Convenção.”

O editorial finge ignorar que os serristas opostos a candidatura Alckmin eram uma minoria e não tinham nenhuma possibilidade de impedir o PSDB de lançar Alckmin candidato, mesmo que quisessem.

O editorial desestima também que essa candidatura nasce marcada pela divisão tucana e sem o consenso dos caciques, consenso que sempre pautou as decisões tucanas. Pior, ela concorre diretamente com Kassab, o candidato de José Serra, da maioria dos vereadores do PSDB e dos quadros que exercem funções no aparelho municipal e estadual. Todos eles continuarão fazendo campanha por Kassab, mesmo se a formalidade da propaganda eleitoral obrigatória falará outra coisa. Mais ainda, é Kassab que ficou com os apoios do PMDB, do PR e demais aliados de Serra e dos serristas.

Vale lembrar, o que o editorial não faz, que quando Ulysses Guimarães foi candidato contra o desejo do então poderoso Quercia, o PMDB mostrou-se unido de fachada, crucificando o candidato.

Os movimentos de Serra não deixam nenhuma dúvida sobre o objetivo dele. Liquidar o perigo que Alckmin representa para suas ambições, tentando salvar na medida do possivel a face. O editorial participa desta tentativa de “limpar” a cara de Serra e faz de conta que a mão de gato não é a dele.

Segundo o Editorial : “Da forma como conduziu as facções divergentes do PSDB paulistano no complicado impasse, o “presidenciável” paulista de 2010 sem dúvida tem tudo para consolidar o apoio geral de seu partido, a começar pelo de um agradecido Geraldo Alckmin, que fez questão de repetir em seu discurso: “Sempre estive com ele (Serra) em todas as campanhas e estarei nas futuras.” Os próprios líderes da dissidência tucana kassabista poderão não se transformar em batalhadores entusiasmados da campanha de Alckmin, mas mostraram-se convencidos da necessidade de ceder posição em favor de um “objetivo maior”, qual seja, o da candidatura de Serra à Presidência, daqui a dois anos. “

É o que se denomina confundir os desejos do Estadão, com a realidade. Nem os autores acreditam no que escrevem.

Como constata o editorial da Folha, também de hoje: (O PSDB) “Sempre preferiu ostentar um consenso que já não possui e no qual não crêem nem sequer os tucanos mais ingênuos, hoje atarantados em meio a tantas rivalidades.”

A bem da verdade, é o Alckmin que precisa vender a idéia que não está sendo crucificado e que o racha acabou. O bom senso fez todos se reconciliarem e ele já se vê aspergindo de água bendita o rebanho rejuntado, incluso das ovelhas negras. Para isso serve o editorial do Estadão.

Vã ilusão!

O próximo passo será tentar transformar a candidata do PT na encarnação do mal absoluto. Para preservar a continuidade que “os paulistanos podem esperar(…) (e que) em muitos aspectos tem sido eficiente e inovador.” (dixit editorial do Estadão)

Estranha acusação para incentivar o maniqueismo. Quem asseguraria melhor a continuidade dos CEU’s por exemplo: Marta, Alckmin ou Kassab? Os três hoje são a favor do que Marta soube criar, implantar e que o PSDB com apoio de uma parte da mídia, o Estadão especialmente, atacou e prometeu parar. Hoje existe consenso em favor deles. Como também ninguém questiona agora os uniformes, o material escolar, a merenda de qualidade, a criação de vagas em creches e escolas, a revalorização dos professores e o Vai e Volta.

Mas como atribuir ao PT os resultados péssimos na educação, se a própria Secretária de Educação de Serra, do PSDB, diz que jogaram fora R$ 2 bilhões de reais (segundo o Estadão é o equivalente de todo o dinheiro da educação básica do Brasil, um ano do orçamento do FUNDEB) e que os resultados após 14 anos de tucanato no Estado são esse desastre monumental?

Como acusar a candidata do PT se o caos no trânsito, outro problema crucial, está diretamente ligado ao pouco investimento do Estado no metrô, que avançou a passos de tartaruga, segundo o próprio Estadão em concordância com idêntica avaliação de Serra. Ou o quase nulo investimento de Kassab nos corredores para os ônibus é culpa do PT que criou o Bilhete-Único, construiu terminais e mais de 110 Km de corredores?

Seria “solução de continuidade” (ainda o editorial do Estadão) o plano apresentado por Marta e o governo federal para dar um salto na implantação do metrô en vistas da copa de 2014? Neste caso até que seria bem vinda essa “solução de continuidade” perante o pouco que o governo do PSDB avançou no transporte público. O Estadão ousaria estar contra um choque de investimento no metrô como propõe Marta com apoio do governo federal? o governador Serra recusaria? Agora, se a preocupação do Estadão é com a continuidade do Bilhete-Único criado e implantado por Marta, pode ficar sossegado, o Bilhete-Único continuará e ampliará sua duração com ela na prefeitura. Ou alguém dúvida disto?

O Estadão estaria preocupado com a continuidade do que? da ética?

Como evitará que Geraldo Alckmin seja carimbado de “Geraldo Alstom”, vista a grossa propina recebida durante seu mandato e de Covas, para manipular as licitações no metrô em favor da empresa francesa? Como não constatar que, como os jornais tem mostrado nas últimas semanas, o tratamento de Alstom como empresa-camarada dos tucanos teve uma perfeita continuidade no Estado de São Paulo desde 1990 até agora? Ou impedir CPI para este caso público e claro de suborno é prova de ética?

Ou o Estadão está com medo de Marta parar obras, não pagar fornecedores como fiz José Serra, ela que deu continuidade a programas que o PT não apoiou, como o Fura-Fila de Pitta-Kassab, ou que criado por outros o PT defendeu e melhorou, como o Leva-leite de Paulo Maluf?

Lamentavelmente para a identificação ideológica do Estadão com o PSDB, nem na questão da carga tributária poderá atribuir a Marta uma fúria arrecadatoria da qual estariam desprovidos os tucanos. Os números são claros no que concerne o aumento da carga tributária no pais, no Estado e na cidade de São Paulo durante os governos do PSDB, de par com o endividamento gigantesco promovido por eles em todas as esferas, para pretender que o problema é uma invenção ideológica da esquerda. Sem falar que Marta reconheceu publicamente ter cometido alguns erros neste item.

Pela primeira vez existe a possibilidade que estas eleições em São Paulo, ao contrário do que gostaria o Estadão, possam escapar a um certo maniqueismo. De sorte que a polarização poderá explicitar as reais divergências sobre às questões de fundo. E não estou convencido que dependendo do tema, não apareçam convergências que uma visão maniqueista ignora. Para isso é necessário que a mídia contribua não só com isenção, mas participando do debate democrático, sem simplismo redutor e sem tomar partido.

Se isto acontecer, a divisão do PSDB terá contribuído, sem que seus dirigentes percebessem, para o progresso do debate político durante anos escamoteado no pais.

Mas alguns persistem na tentativa de exorcizar o real, para adequá-lo a sua visão ideológica. O editorial do Estadão é a prova.

Luis Favre

21/06/2008 - 16:11h “Educação é um problema crucial”

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Discurso de Marta Suplicy no seminário do PT sobre educação (versão completa)

Minhas amigas, meus amigos,

Inicialmente, gostaria de agradecer a presença do ministro Fernando Haddad e dos nossos dois debatedores: Daniel Cara e César Calegari.

Agradeço também a presença de todos vocês, parlamentares, professores, lideranças comunitárias, militantes petistas.

Vamos começar, hoje, o debate do Partido dos Trabalhadores em torno do segundo tema do seminário São Paulo, Novos Caminhos: Educação.

Um tema fundamental, no sentido pleno e preciso da palavra. “Fundamental”, no sentido do que está no início, na base, como alicerce do processo de construção do indivíduo – e do projeto de transformação da sociedade.

Educação, um problema crucial da nossa vida presente e da perspectiva de um futuro nacional mais justo e desenvolvido para o Brasil.

Problema que exige soluções urgentes. mas soluções que, por sua vez, exigem de nós consciência de sua alta complexidade. felizmente, o governo do presidente Lula colocou a educação no centro dos debates e das atenções nacionais. E isto não apenas em termos meramente retóricos ou quantitativos, como tantas vezes se fez.

O ensino começa a sentir o sabor da mudança. temos, hoje, à nossa disposição, o mais completo diagnóstico já feito sobre educação, na história recente do país. e a implantação, através do pde, de um conjunto de instrumentos para intervir, de forma simultaneamente eficaz e inovadora, no campo educacional brasileiro.

Isso sem falar no fundeb que tem um significado extraordinário na capacidade de investimento da cidade de são paulo em educação infantil.

Diagnóstico que também nos faz ver com clareza, tanto em âmbito geral quanto no detalhe, a dimensão do desafio que temos pela frente. e ele é imenso.

Em São Paulo - todos sabemos - a educação pública não vai bem.

Seguidas avaliações promovidas pelo Ministério da Educação colocam a qualidade do ensino paulista numa posição apenas mediana. o que significa que a riqueza e o desenvolvimento do estado não chegaram à escola. não entraram na sala de aula. E assim se desenha um quadro especialmente grave, quando nos lembramos de que não existe caminho mais poderoso para a inclusão social do que a educação.

o ministério da educação tem feito várias tentativas para melhorar este quadro. mas nem sempre as administrações locais se empenham na parceria. Não podemos, porém, esperar que as soluções venham todas da esfera federal. podem contar, que nós faremos a nossa parte.

Quando assumi a prefeitura de São Paulo, encontrei uma situação de calamidade pública, reflexo de administrações desastrosas para o municipio e da recessão economica que o pais enfrentava na era FHC. escolas abandonadas, sem professores, sem material didático.

E as famigeradas escolas de lata que herdamos do governo Pitta – do qual o senhor Kassab foi peça fundamental, como secretário de planejamento. escolas de lata que o então governador Geraldo Alckmin, inexplicável e injustificadamente, reproduziu em várias regiões do estado. ainda são 76 escolas de lata em todo o estado, sendo 39 aqui na capital.

Assumindo a prefeitura, iniciei, sem falsa modéstia, uma verdadeira revolução na rede municipal de ensino.

Nossa primeira atitude foi identificar os problemas que afastavam as crianças da escola.

O sujeito da educação é a criança. era preciso resolver os problemas de acesso e permanência. e suas causas eram dramáticas e ligadas à pobreza. Muitas crianças não iam à escola porque não tinham transporte, nem roupa. Não podiam estudar porque não tinham cadernos, lápis, réguas, livros. Não podiam raciocinar direito porque tinham fome. E não se sentiam atraídas pela escola, porque a maioria dos prédios era, muitas vezes, mais precária e insegura do que suas próprias casas.

Os professores estavam absolutamente desmotivados, sem apoio e sem estímulo. Era uma situação triste, desesperadora. só não estava pior por causa do esforço heróico de professores, pais e funcionários.

Com o tempo, encontramos soluções para cada um desses problemas. soluções que, depois,foram adotadas por centenas e centenas de municípios, Brasil afora. criamos o programa de distribuição de uniformes e material escolar para mais de um milhão de crianças.

O maior e melhor programa de merenda escolar da américa latina, com mais de 70 pratos diferentes e 1,4 milhão de refeições diárias. Começamos a substituir a herança Pitta - Kassab das escolas de lata por escolas novas, de alvenaria.

Reformamos e construímos dezenas de escolas. Foram ao todo 191 escolas em apenas quatro anos, mais do que fizeram juntas as duas gestões anteriores.

Criamos o programa Vai e Volta, que garantiu transporte escolar gratuito para mais de 120 mil crianças.

Na atual gestão, houve um enorme retrocesso e temos novamente crianças fora da escola por falta de transporte. Nesta última semana, estive nas zonas norte, sul e leste e em todas ouvi reclamações acaloradas sobre a diminuição da oferta de transporte escolar. ontem, na vila cosmopolita, na zona leste, ouvi o relato de mães que têm que andar mais de 6 quilômetros para levar seus filhos à escola.

Com os centros educacionais unificados estabelecemos um novo paradigma para a educação pública brasileira. os CEU’s mudaram não só o conceito de educação pública. na verdade, mudaram a vida de seus alunos, de seus pais e das comunidades situadas no seu entorno.

Numa cidade como São Paulo, cheia de regiões de pobreza, é obrigação do governo, na educação, ir muito além da matemática e do português – ele tem que dar oportunidade para que as crianças, que vivem na exclusão, tenham acesso pleno ao desenvolvimento. O CEU abre essa janela de acesso à cultura e à descoberta de novos mundos, mundos muito diferentes do que a criança convive.

É indispensável lembrar que os CEU’s foram construídos nas regiões com menor índice de desenvolvimento humano da cidade. Regiões historicamente ignoradas pelos poderes públicos. Regiões que, pela primeira vez na vida, receberam um equipamento de ponta, que poderia estar em qualquer bairro rico de qualquer cidade do mundo, mas que estava ali, como um gesto claro de justiça, na periferia esquecida de São Paulo.

O impacto do CEU, além de dar oportunidade para as crianças e famílias, agrega valor social ao bairro, pois as ruas que ficam próximas são asfaltadas, são mais iluminadas, ganham serviços como o correio, saneamento, coleta de lixo, segurança, etc. Este é um aporte e um impacto do CEU que hoje está sendo estudado por educadores da Espanha e da Itália.

O CEU está ali, oferecendo educação, inclusão digital, piscinas aquecidas, lazer, dança, música, teatro. aumentando a auto-estima de toda uma região. Um exemplo disso foi o depoimento que ouvimos de um senhor que contou o seguinte: “antes, quando me perguntavam onde eu morava, eu dizia que morava do lado daquele buraco cheio de mato. Hoje, quando me perguntam onde eu moro, eu digo que moro ao lado do CEU Rosa da China” (Vila Prudente).

É por isso que me orgulho tanto dos CEU’s.

Com eles, e os outros programas citados, conquistamos o sonho de Anísio Teixeira e Paulo Freire e levamos esperança para o povo excluido de São Paulo. Há um “antes” e um “depois”.

Agora, estamos diante de um grande desafio, que é ampliar o conceito CEU para todas as crianças que moram na cidade de São Paulo e ao mesmo tempo dar um gigantesco salto na qualidade. não é pouco o que nos propomos a fazer: vai exigir coragem, ousadia e determinação.

Temos que ter um ensino que, de fato, ensine; uma criança que saiba ler e interpretar um texto; uma educação que forme pessoas que vivam e façam a sua própria história. e onde o profissional da educação, mais que professora, seja uma agente da transformação.

A partir das conquistas em relação às condições para freqüentar a escola e aprender, o grande desafio, agora, é melhorar a qualidade do ensino. e isso só poderá ser conquistado com um grande investimento no processo de formação, acompanhamento e avaliação da escola.

Isso não é pouca coisa, estamos propondo algo tão ousado quanto foi a implantação dos CEU’s.

É para estimular esse debate que passamos a mostrar, agora, algumas sugestões. voltando a lembrar que, como no debate da semana passada, essas propostas não são um pacote pronto, fechado. queremos que sejam debatidas e aperfeiçoadas aqui, agora, e ao longo das próximas semanas.

(Esta parte foi acompanhada de exibição do powerpoint)

A primeira tarefa é retomar o modelo CEU, que foi aprovado pela população, para a cidade inteira. e temos que resgatar a idéia dele se tornar o centro irradiador de cultura e de métodos inovadores. Nossa sugestão é ter mais 20 CEU’s, cada um deles atendendo cerca de 20 mil cidadãos, entre alunos e membros da comunidade - para implantar o que chamamos de Rede-CEU.

Onde não for possível construir, como em bairros centrais como o Bexiga, o conceito CEU pode ser alcançado através de parcerias com entidades que desenvolvam seus trabalhos utilizando os equipamentos públicos do bairro, incluindo visitas a museus, parques, teatros, etc.

Com isso, daremos mais um passo para a transformação de São Paulo em cidade-educadora.

Os novos CEU’s, bem como os já existentes, devem recuperar características fundamentais do projeto original, que ultimamente foram deixadas de lado. É prioridade fazer com que os CEU’s voltem a ter uma forte interface com as áreas de cultura e esportes – seja na formação musical, grupos de teatro, ou assistindo peças, shows e filmes de qualidade. Seja na natação, no skate, basquete, futebol e em outras modalidades esportivas. Seja para as famílias, como as avós e mães que faziam hidroginástica, ioga e participavam de atividades sociais, como o baile da saudade.

Anteontem, em visita ao CEU da Vila Atlântica, quando perguntei que peça estava passando e que atividades estavam ocorrendo no CEU, uma mãe falou: “olha, a primeira vez que eu fui ao teatro foi quando inaugurou o CEU - e a última vez, foi quando você saiu da prefeitura. nunca mais teve nada lá. ele só abre em datas comemorativas”.

provavelmente o show que ela se refere foi “palavra cantada”, eu me lembro da primeira apresentação nesse CEU; mas o CEU pode oferecer mais: que eles também se tornem centros de qualificação profissional. Nós temos jovens no final do curso fundamental que gostariam de uma preparação para o mundo do trabalho.

Hoje, os CEU’ s oferecem um espaço, que está ocioso, para aprendizagem de fotografia, iluminação, cenografia, comunicação.

A proposta é a estruturação desses cursos e ampliação para outras áreas. a articulação da educação básica com a capacitação profissional, servirá de estímulo ao aprendizado e a permanência do jovem na escola.

Bem, gente, é com os professores que nós vamos. Os professores são o centro da nossa proposta para a qualidade.

Primeiro, o professor precisa ter tempo para se dedicar ao aluno. Não podemos exigir que alguém que cumpre uma jornada semanal de 40 horas, em inúmeras salas de aula, sacrifique seus momentos de descanso para formação ou atividades extras. Por isso, queremos distribuir a jornada do professor em 25 horas dentro da sala de aula e 15 horas em outras atividades. A meta é criar condições para que o professor permaneça em uma escola. a nossa preocupação é com o desgaste do professor que precisa se dividir entre várias escolas. Temos que criar uma relação de proximidade e compromisso com a escola, que se reflita no plano de carreira. sem isso, uma perna que sustenta a qualidade estará quebrada.

Segundo,propomos a criação de uma escola de aperfeiçoamento dos profissionais da educação, conjugados com núcleos locais, que são as escolas. a escola é o território onde os processos de inovação devem se concretizar. Ela tem que participar da solução dos problemas, tornando visíveis as boas práticas escolares, sem esconder os problemas e sim investir nas soluções. O investimento em formação inicial e continuada é indispensável para melhorar a nossa qualidade de ensino.

Além da formação continuada, temos de oferecer curso superior a todos os professores, como fazíamos. E tão importante quanto, é a criação de um núcleo de acompanhamento e avaliação. uma avaliação que sirva, de fato, para monitorar o processo de ensino-aprendizagem, identificando problemas e auxiliando nas soluções.

Vamos agora tratar de um assunto que pra mim é fundamental: autonomia para a escola.

A escola tem que escolher seu caminho. o ensino tem falhado na sua busca pela qualidade, em parte, porque não acredita na capacidade das escolas e dos professores para enfrentar esse desafio.

Os governos acham que podem dirigir os conteúdos e a atuação dos professores. Temos que ter núcleos comuns de exigência, mas cada escola deve buscar o percurso formativo dos professores, avaliar seus resultados e propor soluções em conjunto com os alunos e com as famílias. Não há como construir uma escola de qualidade sem integrar a comunidade. Foi a conclusão do Unicef, e é também a nossa.

A família tem que participar do processo de aprendizagem. temos que buscar, pelo menos, a alfabetização dos pais. Essa é uma tarefa para o MOVA dentro das escolas. queremos também laboratórios de informática e salas de leitura abertos nos finais de semana. Pois, não achamos que basta aprender a ler e escrever, oportunidades devem ser criadas para que toda a comunidade tenha acesso a cultura.

companheiros e compaheiras,
A escola tem que conhecer a realidade dos seus alunos. Esta semana estive em Taboão da Serra onde conheci uma experiência muito rica. Lá, pude ouvir vários relatos sobre o efeito positivo no aprendizado, quando o professor visita a realidade da criança. Escutei o depoimento de uma professora sobre uma aluna, que todos os dias chegava à escola muito bem cuidada e com o uniforme em ordem, e que a professora sequer fazia idéia das dificuldades que esta menina passava. ao visitar a casa desta aluna, a professora pôde constatar que a família dela vivia num barraco em uma área invadida e sem as mínimas condições de infra-estrutura; passando fome, inclusive. A partir dessa visita, a coordenação do projeto fez todo um trabalho de amparo à família, integrando-a a vários programas sociais.

E qual será a nossa proposta para o ensino fundamental e educação infantil?

‘E tornar realidade o ensino fundamental de nove anos. Com a sua implantação, obrigatoriamente, iremos rever a atual divisão dos ciclos de quatro anos. Haverá a oferta de um espaço multicultural de apoio à recuperação do aprendizado, também implicando na ampliação da jornada do aluno. Com esse mesmo fim serão criados centros regionais com profissionais de várias áreas para auxiliar na identificação e resolução dos problemas de aprendizagem de qualquer estudante.

Em relação à educação infantil, sabemos que aí está um dos mais graves problemas que temos. Há um tremendo déficit de vagas nas creches. A atual administração municipal está tentando viabilizar uma parceria pública privada para a construção de 250 creches. torçamos para que dê certo. prometem criar 40 mil vagas. mas, como o déficit é de quase 96 mil vagas, ainda haverá muito a fazer. Por isso, defendemos um conjunto de ações, incluindo: integração cei/emei numa única escola, para atender à primeira infância; oferta de período integral para as crianças que necessitem; e ampliação do funcionamento de emeis para seis horas.

Iniciativa nova será a criação do programa pró-criança, funcionando nos mesmos moldes do prouni, com creches particulares.

Criação de parques infantis destinados às crianças, cujas mães necessitam, eventualmente, de um local onde deixar seus filhos por um período curto.

E, finalmente, a criação do programa cuidar e educar, destinado às mães, contemplando temas como higiene do lar, alimentação e saúde.

Vamos agora para um tema abandonado na atual gestão: educação de jovens e adultos.

Tão importante quanto criar mais vagas de educação infantil será combater o analfabetismo na nossa cidade. O diagnóstico que estamos realizando indica a possibilidade de reduzir pela metade a atual taxa de analfabetismo, que afeta mais de 4% da nossa população. Para isso, propomos integrar as ações de alfabetização à educação de jovens e adultos e ampliar a oferta de vagas.

Defendemos também uma participação mais efetiva do município em outro programa federal, o pró-jovem, que representa uma grande oportunidade para que milhares de jovens acelerem a sua escolaridade e, ao mesmo tempo, tenham acesso a um curso de qualificação profissional.

Sei que tudo isso parece um sonho para os pais, alunos e professores, mas nós estamos decididos a realizar esse sonho.

E a partir desta determinação, será feito o plano municipal de educação, com a participação de todos os setores da sociedade civil. é algo que está previsto em lei. mas é justamente o plano municipal de educação que – tecido no diálogo e construído consensualmente – vai permitir firmar um compromisso coletivo em busca da qualidade do ensino. para que nossas escolas cumpram sua função social, que é educar, sim, mas educar fazendo, de cada criança, uma cidadã.

Porque São Paulo quer, São Paulo pode e São Paulo precisa ser a cidade do conhecimento.

muito obrigada a todos.

Marta Suplicy

04/06/2008 - 09:43h “Daremos um choque de gestão no trânsito”, diz Marta candidata do PT a Prefeitura de São Paulo

FOLHA DE SÃO PAULO ENTREVISTA

MARTA SUPLICY

Quero reconquistar a classe média que eu perdi em 2004

Candidata à prefeitura pelo PT, Marta prega “choque de gestão” no trânsito e afirma que gestão Kassab só faz “enrolação social”

Fernando Donasci/Folha Imagem
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RENATA LO PRETE
EDITORA DO PAINEL

FERNANDO DE BARROS E SILVA
EDITOR DE BRASIL

Lançando mão de uma expressão que marcou o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006, Marta Suplicy declara que um “choque de gestão” no trânsito paulistano é sua prioridade e diz ter a intenção de “reconquistar a classe média” que ajudou a elegê-la em 2000 e foi decisiva para sua derrota em 2004.
A petista deixa hoje o Ministério do Turismo e assume oficialmente a candidatura à Prefeitura de São Paulo. A saída do governo federal será formalizada após uma conversa a sós com o presidente Lula. Na entrevista exclusiva que concedeu à Folha, anteontem à noite, na sede do PT paulista, Marta, 63, diz que a gestão Gilberto Kassab (DEM), “tímida e medíocre”, não faz inclusão, mas apenas “enrolação social”.

FOLHA - A sra. se declarou repetidas vezes muito satisfeita no Ministério do Turismo. Por que decidiu deixar o cargo e disputar novamente a prefeitura?

MARTA SUPLICY - Porque tive uma conversa política com o meu partido e com o presidente Lula. E também por uma percepção de paulistana de que a cidade precisa de uma nova atitude. Por fim, nos últimos meses, com o caos no transporte, não só achei que não tinha condição de titubear como me deu vontade. Eu sei que posso fazer. Já peguei a cidade em condição muito pior. Eu fiz muito com muito pouco. E eles fizeram muito pouco com muito.

FOLHA - Como foi a conversa com o presidente Lula?
MARTA
- Privada.

FOLHA - Ele a estimulou?
MARTA
- O presidente é sempre muito respeitoso com o sentir do outro. Mas é a cidade politicamente mais importante do Brasil, e a conversa seguiu para a conclusão de que eu seria a candidata ideal para o partido.

FOLHA - Se eleita, que garantia está disposta a dar de que não deixará o cargo em 2010 para disputar o governo de São Paulo ou a Presidência?
MARTA
- Assinar papel eu acho que ficou completamente desmoralizado depois da última eleição… O que posso dizer é que pretendo, tendo o privilégio de ser eleita, fazer um bom governo e ficar oito anos.

FOLHA - Serra errou ao sair em 2006 para disputar o governo?
MARTA
- É a consciência dele que tem de responder. Mas fiquei triste. No dia da transmissão do cargo, eu olhava e dizia: “Ele não vai ficar. Vai ficar essa pessoa que ninguém conhece”.

FOLHA - Em 2004, muitos apontaram falta de apoio do PT federal e de Lula em sua campanha à reeleição. Acha que ele vai se engajar agora?
MARTA
- Acho que a partir de nossa conversa ele já se engajou. Sinto bastante apoio dele.

FOLHA - Como explica o fato de o PT, aliado a tantos partidos no plano federal, estar em São Paulo diante da hipótese de marchar sozinho?
MARTA
- Fiquei decepcionada de o PMDB não ter vindo, porque o PT fez um esforço grande para trazê-lo, mas o esforço feito pelo governador José Serra foi mais convincente.

FOLHA - Como assim?
MARTA
- Houve empenho do prefeito Kassab e do governador Serra para atrair o PMDB. O PT tem conversado com o PC do B, o PDT, o PSB… Acredito que nós vamos ter parceiros.

FOLHA - Uma aliança com o PDT do deputado Paulinho, alvo de investigação da PF, seria constrangedora?
MARTA
- Que eu saiba, o Paulinho era da base do FHC. Na eleição que eu disputei contra o Serra, ele apoiou o Serra. Até recentemente, estava na administração Kassab. Hoje existe uma acusação. Mas noto que, enquanto ele era da base do governador, do atual prefeito, não se falava tanto do Paulinho.

FOLHA - Alguns petistas se movimentaram para dar o posto de vice em sua chapa à ex-prefeita Luiza Erundina (PSB). Como vê essa possibilidade?
MARTA
- É uma pessoa pela qual tenho apreço e que honraria qualquer chapa.

FOLHA - E a sugestão do presidente de que seu vice seja um empresário?
MARTA
- Acho uma idéia interessante, e cabe ao partido buscar um vice adequado.

FOLHA - A maioria dos analistas aposta que a sra. estará no segundo turno. Nesse caso, aceitaria o apoio do DEM, se Kassab ficar de fora da etapa final, ou do PSDB, se o eliminado for Geraldo Alckmin?
MARTA
- Será que eles vão brigar a ponto de isso acontecer?

FOLHA - A sra. aceitaria?
MARTA
- Não sei se poderia acontecer. Me deixaria em situação difícil. Eu falaria coisas tão horríveis deles, e já está tão feio o que está acontecendo…

FOLHA - A sra. se refere à divisão entre tucanos pró-Alckmin e pró-Kassab?
MARTA
- Essa briga é deles. Eu não vou entrar.

FOLHA - Na campanha de 2004, a sra. disse em entrevista à Folha que Alckmin era, “de longe, o melhor quadro do PSDB”. E agora?
MARTA
- Em 2006 eu disse que ele era de plástico. Mas não me compete dar opiniões sobre adversários. É uma situação muito feia. E acho que o eleitor, na medida em que acompanhar, vai formar sua opinião.

FOLHA - Que avaliação faz da gestão Serra/Kassab?
MARTA
- Tímida e medíocre. O que continuaram, antes tentaram interromper, como os CEUs, a ponte estaiada [Octavio Frias de Oliveira]. Disseram que era faustosa. No fim, custou o dobro do que consideravam faustoso. No trânsito, não construíram corredores. Não é um governo de inclusão social, mas de enrolação social.

FOLHA - Por que enrolação social?
MARTA
- O Bilhete Único perdeu a possibilidade de fazer o que se fazia em duas horas por causa da piora no trânsito. Isso eu achei muito perverso, por tirar a possibilidade de renovar o Bilhete Único na catraca, e obrigar a pessoa a encher o bilhete lá fora. Se você me contar um gesto social, eu agradeceria. É só enrolação social.

FOLHA - A atual gestão afirma ter poupado R$ 350 milhões barateando contratos de sua época. Argumenta que fez mais CEUs a custo mais baixo.
MARTA
- As medidas dos CEUs não são as mesmas, a infra-estrutura não é a mesma. A Folha tem que ir lá ver o que é um CEU feito na nossa gestão e o que é um CEU feito por eles. Provavelmente eles estão fazendo uniforme mais barato. Só que as mães vão à Câmara levar uniformes que depois de três meses estão rasgados.

FOLHA - Seus aliados dizem que o recém-inaugurado hospital de M’Boi Mirim, na zona sul, foi iniciado pela sra., mas a atual gestão sustenta que lá havia uma fábrica.
MARTA
- Se nós não tivéssemos enfrentado a disputa judicial para desapropriar o terreno, e depois não tivéssemos arrumado o dinheiro, eu queria saber em quanto tempo eles conseguiriam fazer o hospital. As escolas de lata. Foram feitas na gestão Pitta. O secretário do Planejamento se chamava Kassab. Herdamos 66. Substituímos 13. Deixamos 33 em construção e 11 licitadas, que ele acabou recentemente. Desconheço qualquer iniciativa importante deste governo.

FOLHA - E a Lei Cidade Limpa?
MARTA
- Acho um desenrolar interessante do Belezura, do projeto de cidade limpa que começamos com outro nome. Ele teve o mérito de levar adiante.

FOLHA - Mudaria a Cidade Limpa?
MARTA
- Não, foi positivo. Mas deixe eu voltar à ponte estaiada. Nós licitamos, fizemos a fundação e as pilastras. Eles disseram que a ponte era faustosa, e agora dizem que é a maior obra do governo deles. Fiz um modelo novo no transporte, com o Bilhete Único. Na educação, com o CEU. Na inclusão, com o Renda Mínima. O que eles fizeram de novo?

FOLHA - A sra. não considera que o atendimento de saúde melhorou com o modelo das AMAs?
MARTA
- As filas continuam, e as especialidades não foram colocadas. Elas atendem uma parcela da população que busca, muita aflita, uma solução rápida. Atendem, mas não resolvem efetivamente o problema.

FOLHA - O PT tem defendido mais investimento municipal em metrô. A atual gestão alega, porém, que a sra. não fez isso quando prefeita.
MARTA
- Nos primeiros dois anos e meio, a condição financeira da cidade não permitia. No final de 2003, tínhamos juntado o dinheiro da operação urbana na Faria Lima. Ou eu usava para fazer os túneis, ou para o metrô. Fomos conversar com o governador Alckmin. A gente queria fazer a estação no largo da Batata, junto ao corredor Rebouças. Mas eles não tinham projeto executivo, então não havia como pôr o dinheiro. Aí era manter o dinheiro guardado ou fazer os túneis.
Eu sabia que a obra poderia incomodar muitas pessoas. O que eu não imaginava eram ONGs que teriam como razão de vida o combate ao corredor da Rebouças e aos túneis. E que depois essas pessoas iriam todas trabalhar no governo eleito.

FOLHA - Se eleita, qual será a prioridade de sua nova gestão?
MARTA
- Transporte. Neste momento, não dá para pensar em outra. O paulistano não tem mais condição de viver no caos.

FOLHA - Qual é a sua proposta?
MARTA
- Será um esforço de guerra. No longo prazo, vamos unir esforços para superar 20 anos de atraso no metrô. Apresentei ao presidente a proposta de unir município, Estado e União num investimento de R$ 12 bilhões em seis anos para mais do que dobrar a atual rede. No médio prazo, faremos 200 km de corredores -no nosso primeiro governo fizemos 100 km. Paralelamente, faremos obras viárias para melhorar a fluidez do trânsito. No curto prazo, revitalizaremos os corredores existentes para retomar a velocidade que possuíam quando implantados. Daremos um choque de gestão no trânsito. Precisamos investir pesado em tecnologia, informatizando todos os corredores e ampliando significativamente os semáforos inteligentes, colocando mais marronzinhos na rua para garantir fluidez e cumprimento da lei, restringindo o estacionamento nas principais vias. Diferentemente do que ocorreu no meu primeiro governo, a prefeitura hoje tem dinheiro, graças à situação econômica do país.

FOLHA - A sra. ampliaria o rodízio?
MARTA
- Rodízio é medida de quem não tem plano.

FOLHA - A taxa do lixo, que tanto desgaste lhe trouxe, foi extinta. Não consta que a prefeitura esteja com problema de arrecadação. Foi um erro criá-la?
MARTA
- Não faria novamente. Foi um erro. Na época não conseguimos dimensionar o impacto para a classe média. Nada como um dia depois do outro para poder reconhecer.

FOLHA - Em 2004, embora tenha perdido a eleição, a sra. foi a mais votada no cinturão periférico da cidade. Durante a campanha, disse que preferia vencer com o voto da periferia. Qual será sua estratégia desta vez?
MARTA
- Acho que posso ampliar a votação na periferia, mas tenho o firme propósito de reconquistar os eleitores da classe média que me elegeram em 2000 e que perdi em 2004. Acho que isso também tem a ver com minha identificação com o governo Lula. Agora a avaliação do governo Lula é outra, e isso pode me ajudar.

FOLHA - A sra. faz algum mea-culpa sobre o “relaxa e goza” dito na crise aérea de 2007? O que pretende fazer se seus adversários usarem a frase para atacá-la na campanha?
MARTA
- A frase foi uma tristeza, uma infelicidade. Tirada do contexto, ficou mais infeliz ainda. Eu pedi desculpas, acho que uma parcela da população entendeu e me perdoou. Se for utilizada na campanha, acredito que a maior parte da população vai sentir como algo fora do lugar. Não acho também que vão pegar uma pessoa com 20 anos de vida pública e destruir por causa de uma frase infeliz.

FOLHA - O PT deve ter candidato à sucessão do presidente Lula?
MARTA
- Deve.

FOLHA - A ministra Dilma Rousseff, que hoje é a mais lembrada, tem sido contestada por setores do partido. Mal comparando, a sra. também já foi vítima de rejeição no PT.
MARTA
- A ministra Dilma tem uma trajetória de vida totalmente comprometida com os ideais do PT. O trabalho conduzido por ela no governo a credencia para representar o PT em qualquer cargo. Digo com a autoridade de quem participou da fundação do PT desde o colégio Sion. Mas o preconceito com relação a mim era diferente, por ser de família rica.

FOLHA - A sra. se vê em condições de ter uma boa parceria de trabalho com o governador Serra?
MARTA
- Mais condições do que o Alckmin. Tenho relação muito boa com o Serra. E melhor ainda com o presidente Lula.

24/04/2008 - 22:26h Marta mais perto de assumir candidatura

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O encontro das bancadas de senadores, deputados federais, estaduais e de vereadores do PT de São Paulo com a ministra do Turismo Marta Suplicy, ocorrido na manhã de hoje em Brasília, deve influenciar de forma positiva a decisão da ex-prefeita de anunciar sua candidatura nas eleições deste ano.
O anúncio da entrada dela na disputa está mais perto, uma vez que seu nome é favorecido por uma ampla unidade partidária. Prova disso foi a lista de participantes do encontro com a ministra: senadores Aloízio Mercadante e Eduardo Suplicy, deputados federais Cândido Vaccarezza, José Genoíno, Paulo Teixeira, Devanir Ribeiro, José Mentor e Carlos Zarattini, deputados estaduais Roberto Felício, Simão Pedro, Rui Falcão, Antônio Mentor, Sebastião Almeida, Carlinhos Almeida, José Zico, Adriano Diogo e Ângela Perugini, além dos doze vereadores que compõem a bancada petista na Câmara Municipal de São Paulo - João Antonio, José Américo, Senival Moura, Paulo Fiorilo, Antônio Donato, Claudete Alves, Francisco Chagas, Carlos Neder, Chico Macena, José Ferreira (Zelão), Arselino Tatto e Beto Custódio.
ARGUMENTOS - Na reunião, Marta ouviu dos parlamentares que as marcas do seu governo à frente da Prefeitura de São Paulo estão “gravadas” na memória recente do povo paulistano, tais como a criação do Bilhete Único, a construção dos corredores exclusivos de ônibus, a reestruturação do transporte público, os investimentos em programas sociais e na construção dos CEUs, a distribuição do uniforme escolar, da merenda e do material escolar, bem como a criação das subprefeituras, da lei do zoneamento e do novo Plano Diretor.
Tudo isso foi feito mesmo depois de uma administração desastrosa que a antecedeu, com as finanças municipais seriamente comprometidas. A ex-prefeita melhorou as finanças e entregou a cidade com o dobro da arrecadação anterior - pulando de R$ 8 bilhões em 2001 para R$ 16 bilhões no final de 2004.
Comentário - Senti que a ministra ficou sensibilizada com a nossa visita e acho que agora aumentam as chances dela anunciar sua candidatura nos próximos dias.

Vereador João Antonio

11/03/2008 - 12:10h Prefeitura de São Paulo: com DEM - PSDB os uniformes atrasam… sempre!

São Paulo - As aulas começaram há um mês na rede municipal de ensino de São Paulo, mas os uniformes escolares da Prefeitura só chegaram em apenas 1 das 100 escolas municipais do Campo Limpo, zona sul. Em Guaianases, zona leste, a situação não é diferente: das 63 unidades, só 2 receberam as roupas. Das 994 escolas municipais da capital, em 665 o uniforme ainda não foi entregue. Veja os detalhes na reportagem do JT. Mas foi assim ao longo dos quatro anos do governo DEM-PSDB em São Paulo como você poderá relembrar olhando a segunda reportagem, no Diário de São Paulo, do inverno passado

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12/09/2007 - 11:08h Diário de São Paulo denuncia administração Kassab

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12/06/2007 - 14:01h Diário de São Paulo denuncia

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31/05/2007 - 12:34h Jornal da Tarde denuncia

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