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	<title>Blog do Favre &#187; USA</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Brasil se torna 4º maior credor dos EUA</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 13:47:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Brasil se torna 4º maior credor dos EUA 
Investimento brasileiro em títulos americanos alcançou em setembro US$ 145 bilhões, o seu maior nível em 12 meses
Aumento das reservas e  busca por aplicações mais  seguras incentivam compra;  China, Japão e Reino Unido  são maiores credores dos EUA
 

 EDUARDO CUCOLO &#8211; FOLHA [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: large;"><strong>Brasil se torna 4º maior credor dos EUA </strong></span></p>
<p><strong>Investimento brasileiro em títulos americanos alcançou em setembro US$ 145 bilhões, o seu maior nível em 12 meses</p>
<p>Aumento das reservas e  busca por aplicações mais  seguras incentivam compra;  China, Japão e Reino Unido  são maiores credores dos EUA</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong><img class="aligncenter" src="http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20090409/fotoavulsa_08042009200003.jpg" alt="http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20090409/fotoavulsa_08042009200003.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><strong> <span style="background-color: #ffff99;">EDUARDO CUCOLO &#8211; FOLHA SP</span></strong></h2>
<p><strong></strong><br />
<span> DA SUCURSAL DE BRASÍLIA </span></p>
<p>O aumento no fluxo de dólares para o Brasil tem ajudado o  país a reforçar a sua posição como um dos maiores credores  do governo norte-americano.<br />
De acordo com o Tesouro dos  EUA, o investimento do governo brasileiro em títulos do país  alcançou em setembro o maior  nível em 12 meses. São US$ 145  bilhões que estão hoje financiando a dívida do país, o equivalente a quase dois terços das  reservas internacionais. Esse  valor coloca o Brasil como o  quarto maior credor dos EUA,  atrás apenas de China, Japão e  Reino Unido.<br />
No final do ano passado, o governo brasileiro havia reduzido  a aplicação nesses títulos, que  ficaram muito valorizados durante a fase mais aguda da crise,  quando investidores buscaram  proteção naquele que é considerado o investimento mais seguro do mundo.<br />
Ao vender esses papéis, e embolsar algum lucro, o país migrou para outras aplicações,  também consideradas seguras,  mas que pagavam juros maiores. É o caso de papéis de organismos multilaterais, como o  KfW (o BNDES alemão) e o BIS  (o BC dos bancos centrais).<br />
Apesar do aumento em termos absolutos, percentualmente, o país ainda está distante do recorde alcançado em junho de 2008. Na época, o Brasil aplicava 80% das suas reservas em títulos dos EUA. O governo buscava, naquele momento, tirar o dinheiro dos bancos internacionais, que já enfrentavam problemas de solvência.<br />
Uma das explicações para esse aumento nas compras é o  crescimento das reservas internacionais, que estão hoje no patamar recorde de US$ 235 bilhões. As reservas funcionam  como uma garantia para o país  em momentos de crise. Graças  a esse dinheiro, o Brasil deixou  de ser um devedor e é hoje credor em moeda estrangeira.<br />
Além dos papéis dos EUA, o  BC -que administra as reservas internacionais- mantém  esse dinheiro aplicado em bancos estrangeiros e em ativos como o ouro. Há ainda os recursos que estão no FMI -hoje o  país é credor do Fundo em mais  de US$ 5 bilhões.<br />
Ao contrário do Brasil, outros grandes credores mantiveram, e até aumentaram, essas  aplicações em papéis dos EUA  no momento mais agudo da crise. O Reino Unido, por exemplo, mais que dobrou sua participação nos últimos 12 meses.  Ultrapassou a posição brasileira em março deste ano, quando  o Brasil chegou a ficar atrás da  Rússia também. O Japão também aumenta gradativamente  suas aplicações.<br />
A China, maior credor dos  EUA, tem mantido o seu nível  de investimento estável nos últimos meses. O país asiático  possui hoje cerca de US$ 800  bilhões nos papéis, o que representa quase 25% da dívida americana em títulos nas mãos de  países estrangeiros.</p>
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		<title>EUA e China adiam para 2010 a possibilidade de acordo climático</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 14:17:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[CoP-15: Posição assumida por Obama e Hu Jintao deve levar a prolongamento de negociações

Edward Luce, Kevin Brown, Fiona Harvey e Joshua Chaffin, Financial Times &#8211; VALOR
O presidente dos EUA, Barack Obama, admitiu ontem que a cúpula de Copenhague, no mês que vem, não vai produzir um tratado com força de lei para combater o aquecimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>CoP-15: Posição assumida por Obama e Hu Jintao deve levar a prolongamento de negociações</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0904/obama_hu_0401.jpg" alt="http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0904/obama_hu_0401.jpg" width="518" height="291" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Edward Luce, Kevin Brown, Fiona Harvey e Joshua Chaffin, Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>O presidente dos EUA, Barack Obama, admitiu ontem que a cúpula de Copenhague, no mês que vem, não vai produzir um tratado com força de lei para combater o aquecimento global, mas manteve a porta aberta para uma negociação substantiva de um novo quadro sobre mudanças climáticas.</p>
<p>Ao dizer que &#8220;não devemos transformar o &#8216;perfeito&#8217; em inimigo do &#8216;bom&#8217; &#8220;, o presidente americano selou o crescente consenso internacional de que o melhor a ser esperado do encontro no mês que vem é um forte comprometimento político.</p>
<p>A posição de Obama, assumida durante o encontro do Fórum de Cooperação Econômica Ásia Pacífico (Apec, na sigla em inglês), foi apoiada por todos os 21 países presentes, inclusive a China.</p>
<p>Analistas dizem que isso reflete um entendimento entre americanos e chineses de que não há a possibilidade ainda de os dois maiores poluidores do planeta de entrar num acordo mais amplo sobre mudanças climáticas.</p>
<p>Autoridades americanas disseram que os membros da Apec, responsáveis por dois terços das emissões mundiais, chegaram a um consenso sobre a fórmula de &#8220;um acordo, dois passo&#8221;, elaborada pelo premiê dinamarquês, Lars Rasmussen. Por essa abordagem, Copenhague produziria um acordo em questões substantivas, incluindo cortes significativos nas emissões dos países desenvolvidos até 2020, além de medidas dos países em desenvolvimento para segurarem os crescimentos de emissões.</p>
<p>Os países podem assinar um acordo sem força de lei, mas de &#8220;comprometimento político&#8221;.</p>
<p>Advogados poderiam então produzir um tratado articulado pronto para ser assinado na conferência da ONU em Bonn, em junho, ou no próximo encontro sobre mudanças climáticas, no México, em dezembro de 2010.</p>
<p>Michael Froman, conselheiro-sênior de Obama, disse: &#8220;Essa abordagem de dois passos significa que houve uma avaliação dos líderes de que não seria realístico esperar um acordo internacional com força de lei a ser negociado entre agora e o início da cúpula de Copenhague, em 22 dias&#8221;.</p>
<p>Autoridades europeias disseram não terem ficado surpresas com os comentários de Obama, mas pediram aos governos que tentassem fazer progressos reais no mês que vem.</p>
<p>Entretanto mesmo chegar a acordos políticos será difícil.</p>
<p>Obama ainda encontra muita dificuldade em adotar dois dos principais objetivos de Copenhague: chegar a um comprometimento dos EUA de cortar suas emissões até 2020 e definir o financiamento por parte dos EUA e dos outros países ricos para ajudar os países pobres a cortar suas emissões. E os EUA não podem adotar esses compromissos até que a legislação de clima e energia que está sendo analisada no Senado seja votada.</p>
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		<title>Novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 11:34:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Americanos e europeus estudam regulação mais dura com base em problemas climáticos, trabalhistas e de segurança
Raquel Landim &#8211; O Estado SP
Estão surgindo novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo, Estados Unidos e União Europeia. Três grupos de barreiras preocupam: ambientais, trabalhistas e de segurança. Deputados americanos e europeus debatem novas legislações sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Americanos e europeus estudam regulação mais dura com base em problemas climáticos, trabalhistas e de segurança</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Raquel Landim &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Estão surgindo novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo, Estados Unidos e União Europeia. Três grupos de barreiras preocupam: ambientais, trabalhistas e de segurança. Deputados americanos e europeus debatem novas legislações sobre esses temas, que são foco da agenda comercial.</p>
<p>Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que por ano 15,4% das exportações brasileiras para os EUA &#8211; o equivalente a US$ 5 bilhões &#8211; estão na mira da nova legislação americana de mudanças climáticas. A lei pode atingir as vendas brasileiras de aço, celulose, papel e alumínio.</p>
<p>O aquecimento global tornou o tema ambiental urgente. O presidente Barack Obama deu sinais de que está disposto a assumir compromissos na reunião de Copenhague. Preocupadas em ficar em desvantagem com outros países, as empresas americanas exigem compensações.</p>
<p>Existem dois projetos sobre o tema no Congresso americano. O mais provável é que sejam aprovadas medidas que obriguem os importadores a comprar licenças para emissão de carbono. &#8220;Isso joga o ônus da adaptação nos países em desenvolvimento&#8221;, disse o diretor de relações internacionais da Fiesp, Mário Marconini.</p>
<p>A União Europeia também estuda a adoção de uma &#8220;taxa de carbono&#8221; contra produtos importados, caso os países emergentes não se disponham a assumir compromissos equiparáveis aos ricos de redução de emissões em Copenhague.</p>
<p>Segundo a consultora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sandra Rios, essas tarifas distorcem a negociação climática, que reconhece que os países ricos e em desenvolvimento têm responsabilidades diferentes pelo aquecimento global. &#8220;O problema é que essas tarifas vão equiparar os esforços. As nações emergentes têm de manter seu crescimento.&#8221;</p>
<p>Nas discussões trabalhistas, os sindicatos ganharam força para defender regras rígidas em acordos comerciais, depois do desemprego causado pela crise e do apoio decisivo a Obama. A maior preocupação é com o trabalho escravo e infantil.</p>
<p>Tramita no Congresso dos EUA um projeto para reformar a lei de aduanas. Segundo o diretor executivo da Coalização das Indústrias Brasileiras, com sede em Washington, Diego Bonomo, pode entrar em vigor uma nova lista de produtos feitos com trabalho escravo e infantil, que ficariam impedidos de entrar no país. A lista inclui 13 itens brasileiros, como algodão, calçados e tabaco.</p>
<p>A segurança também ganhou relevância desde os ataques de 11 de setembro de 2001. O Congresso concedeu um mandato para o Executivo americano escanear 100% dos contêineres que chegam ao país. Existe um projeto-piloto, mas a administração federal argumenta que não há condições de colocar a lei em prática.</p>
<h3><span style="font-size: xx-large;">Barreira ambiental vai afetar mais os setores intensivos de energia</span></h3>
<p>Estudo da Fiesp mostra que maiores prejuízos recairão na venda de ferro e aço, celulose, argila, papel e alumínio</p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Raquel Landim &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p><img class="alignleft" src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091116/img/4.5.imagem_cana2.jpg" alt="" /><br />
As exportações brasileiras dos setores intensivos em energia serão as mais afetadas pelas novas barreiras ambientais dos Estados Unidos. Os prejuízos podem ser maiores nas vendas de ferro e aço, celulose, argila, papel e alumínio, conforme estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).</p>
<p>A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou no mês de junho a Lei Waxman-Markey, que estabelece metas de redução de emissões para os Estados Unidos pela primeira vez. Segundo cálculos do Departamento Governamental de Contabilidade americano, os setores que terão mais gastos para se adaptar às novas regras serão metais primários, metais não-metálicos e químicos.</p>
<p>Ainda não foi definido pelo Congresso, mas crescem as chances de que, para compensar os fabricantes locais e evitar a fuga de empresas para países com padrões ambientais menos rígidos, os americanos estabeleçam medidas de fronteira, como exigir que os importadores comprem licenças de emissões de carbono.</p>
<p>No caso do Brasil, o setor siderúrgico deve ser o mais prejudicado, já que quase 27% das exportações de ferro e aço são destinadas ao mercado americano, o que significou US$ 3,4 bilhões em 2008.</p>
<p>&#8220;A Conferência de Copenhague é essencialmente econômica. Não podemos ter a ingenuidade de chegar a essa discussão como se fosse apenas ambiental&#8221;, argumenta o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.</p>
<p>&#8220;Se a indústria siderúrgica americana vai fazer investimentos, é legítimo que queiram compensações. O problema é que, depois da crise, o mercado está sobre ofertado. As questões ambientais podem ser um pretexto para o protecionismo&#8221;, observa. Ele afirma que existe um excedente de aço de 600 milhões de toneladas no mundo.</p>
<p>A indústria siderúrgica brasileira defende que as metas de redução de emissões sejam diferentes para países com consumo per capita inferior e superior a 300 quilos de aço por habitante por ano. Na avaliação do setor, o consumo de aço é um indicador de crescimento econômico e as metas ambientais não podem brecar o desenvolvimento. O Brasil consome 100 quilos por habitante/ano, enquanto a China chega a 340.</p>
<p>Para o presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Adjarma Azevedo, &#8220;as barreiras ambientais são inevitáveis&#8221;. O executivo afirma que o Brasil tem de se empenhar para influenciar na implementação dessas leis. Ele diz que, dependendo dos critérios, pode ser um benefício para o Brasil, cuja matriz energética é 47% de energia renovável.</p>
<p>Azevedo acredita que as medidas de fronteira dos Estados Unidos vão acabar levando em consideração o conteúdo de emissão de carbono de cada país. Segundo ele, a indústria brasileira de alumínio contribui com 0,2% das emissões do País, que, por sua vez, representa apenas 4% das emissões globais.</p>
<p>Já a fabricação mundial de alumínio equivale a 1% das emissões do planeta.</p>
<p><strong>QUÍMICO</strong></p>
<p>A maior preocupação do setor químico hoje não está nos Estados Unidos, mas na Europa. A União Europeia implementou no ano passado um novo registro para as substâncias químicas que entram no bloco, conhecido pela sigla Reach. O objetivo é garantir a qualidade dos produtos químicos para não afetar a saúde da população e o meio ambiente.</p>
<p>Por enquanto, a regulamentação ainda não está sendo rigidamente implementada. &#8220;Mas pode ser utilizado como uma barreira se os europeus quiserem, porque impõe uma série de dificuldades para as empresas&#8221;, explica o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Nelson Pereira dos Reis.</p>
<p><strong>OUTRO LADO DA MOEDA</strong></p>
<p>Para alguns setores, novas barreiras comerciais podem se transformar em oportunidades. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, disse que é &#8220;absolutamente favorável&#8221; a cláusulas sociais no comércio internacional. &#8220;É uma evolução natural da globalização.&#8221;</p>
<p>Para o setor têxtil brasileiro, que já opera com uma legislação trabalhista forte, novas regras são vantajosas, porque prejudicariam seu principal concorrente, a China.</p>
<p>Os novos temas do comércio internacional, como meio ambiente e trabalho, são causas defensáveis e não chegam a ir diretamente contra a Organização Mundial de Comércio (OMC), que prevê que os países abram exceções para proteger os recursos naturais ou para fins sociais.</p>
<p>A questão, alertam os especialistas, é que esses temas podem ser utilizados como barreiras protecionistas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="../wp-content/uploads/2008/05/biocombustivel2.jpg" alt="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/biocombustivel2.jpg" /></p>
<p><strong> <span style="font-size: xx-large;">Discussão sobre o etanol ganha novas proporções</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Raquel Landim &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Símbolo do sucesso brasileiro em energia renovável, o etanol também pode ser alvo de barreiras ambientais. O setor enfrenta um momento crítico nos próximos meses, que é a regulamentação dos combustíveis de baixo carbono.</p>
<p>&#8220;É a nossa maior preocupação&#8221;, disse o presidente da União da Indústria Canavieira de São Paulo (Unica), Marcos Jank. O assunto está sendo debatido nos Estados Unidos e na União Europeia. Nos Estados Unidos, a discussão não é apenas federal, mas também estadual.</p>
<p>Não existem dúvidas de que o etanol polui menos que a gasolina. Também está claro que o etanol brasileiro, produzido com cana-de-açúcar, é menos poluente que produto americano, feito a partir do milho. A questão é qual é o tamanho da vantagem.</p>
<p>Segundo Jank, as discussões nos Estados Unidos e na União Europeia consideram o uso indireto da terra. Ou seja, o efeito que a expansão da produção de cana tem no desmatamento da Amazônia. A área de cana cresce no Centro-Sul, mas, teoricamente, empurra outras culturas em direção à floresta.</p>
<p>&#8220;São cálculos muito difíceis de fazer. E estão sendo utilizadas premissas erradas, porque há desconhecimento do álcool de cana&#8221;, disse o presidente da Unica. Jank ressalta que apenas 1% da expansão da cana-de-açúcar ocorre por meio de desmatamento, enquanto 60% é feito em áreas de pastagens.</p>
<p>Para as usinas, a discussão sobre o padrão do combustível se tornou mais importante que a queda da tarifa cobrada pelos Estados Unidos para a importação de etanol, de US$ 0,54 por galão, que vence em 2010.</p>
<p>Segundo Jank, a indústria vai fazer um forte lobby para o Congresso Nacional não renovar a tarifa. &#8220;Mas se garantirmos uma boa qualificação para o etanol brasileiro como combustível avançado ganharemos aliados nessa briga.&#8221;</p>
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		<title>Sobre Ruins of the Gilded Age</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 20:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Arte Photographica
Sem título, da série Ruins of the Gilded Age, 2008, Bakersfield
© Edgar Martins


Depois de ter recebido o Prémio BES Photo, em Abril, Edgar Martins publicou um portfólio sobre a crise no sector imobiliário nos EUA encomendado pela New York Times Magazine. A publicação dessas imagens, na edição impressa e no site do jornal, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;"><a href="http://artephotographica.blogspot.com/2009/11/sobre-ruins-of-gilded-age.html">Arte Photographica</a></span></h2>
<div style="text-align: center;"><a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/Sv6gA_FqdmI/AAAAAAAAEHk/vFNA75DP7MQ/s1600-h/Bakersfield+Sunset.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403932541686806114" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 317px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/Sv6gA_FqdmI/AAAAAAAAEHk/vFNA75DP7MQ/s400/Bakersfield+Sunset.jpg" border="0" alt="" /></a><span style="font-size: 78%;">Sem título, da série <span style="font-style: italic;">Ruins of the Gilded Age</span>, 2008, Bakersfield<br />
<span style="font-size: 78%;">© </span>Edgar Martins</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 78%;"><br />
</span></div>
<p>Depois de ter recebido o Prémio BES Photo, em Abril, <span style="font-weight: bold;">Edgar Martins</span> publicou um portfólio sobre a crise no sector imobiliário nos EUA encomendado pela <span style="font-weight: bold;"><span style="font-style: italic;">New York Times Magazine</span>.</span> A publicação dessas imagens, na edição impressa e no site do jornal, em Julho, ficou marcada pela polémica, depois de um leitor ter apontado manipulação digital em muitas delas. O <span style="font-style: italic;">Times</span> retirou as imagens do site e, pouco depois, o artista divulgou um texto a explicar a sua abordagem estética ao trabalho. O caso intensificou a velha discussão acerca dos limites da manipulação fotográfica no jornalismo e sobre os desencontros entre um artista conceptual e uma publicação jornalística. O filósofo <span style="font-weight: bold;">Peter D. Osborne</span>, professor do London College of Communication, com obra publicada em fotografia e cultura visual, escreveu um ensaio sobre <span style="font-style: italic;">Ruins of The Gilded Age</span> (que pode ser visto na Galeria Graça Brandão, em Lisboa, até <span style="font-weight: bold;">5</span> de Dezembro).</p>
<p>Eis a versão curta desse texto<span style="color: #990000; font-weight: bold;">:</span></p>
<p><span style="font-size: 130%;"><span style="font-weight: bold; font-style: italic;">Isto não é uma casa</span></span><br />
Algumas reflexões a propósito de <span style="font-style: italic;">Ruins of Gilded Age</span>, de Edgar Martins</p>
<p><span style="color: #ff0000; font-size: 130%;"><span style="font-weight: bold;">1.</span></span> A palavra grega <span style="font-style: italic;">Oikonomos</span> (economia) deriva parcialmente de <span style="font-style: italic;">Oikos</span>, que significa “casa”. Mesmo no grego contemporâneo, que usa <span style="font-style: italic;">spiti</span> para “casa”, existem termos associados, como <span style="font-style: italic;">oika</span>, <span style="font-style: italic;">katoika</span>, <span style="font-style: italic;">oikiakos</span>, entre outros.</p>
<p><span style="font-size: 130%;"><span style="font-weight: bold; color: #ff0000;">2.</span></span> As ruínas recordam-nos da materialidade muda do mundo, as coisas que em nada se importam dos nossos projectos fúteis, que em nenhum aspecto reconhecem a ordem que as nossas arquitecturas tentam impor no mundo. Todavia, na sua esmagadora maioria, as ruínas são um dos cenários feitos da história, e a partir deles muitos significados e representações foram edificados. Pense-se na fotografia de ruínas americanas: os edifícios queimados em Atlanta em 1864, os panoramas de Arnold Genthe de São Francisco depois do terramoto na viragem do século XX, os barracões abandonados dos agricultores foreiros nas fotografias do projecto da Farm Secutiry Administration, as mansões desertas e decrépitas das plantações do Mississípi fotografadas por Clarence John Laughlin nos anos 1940, as fotografias de imprensa dos blocos de apartamentos incendiados de Newark e noutros lugares onde os negros norte-americanos se sublevaram na década de 60, cidades-fantasma e motéis destituídos e invadidos pelas ervas daninhas, os projectos de Lewis Baltz sobre desertos de ar provisório, a casa de sonhos de Joel Sternfeld destruída pelo deslizamento de terras, e, claro está, o “Ground Zero” de Nova Iorque. Os desastres norte-americanos tendem a tornar-se icónicos. São necessários para alimentar a epopeia perene que são os Estados Unidos – ou deveríamos antes dizer “foram”? –, uma epopeia de desastres superados, certamente, mas ao mesmo tempo uma epopeia assombrada pelo sentimento da sua própria precariedade, a sua própria brevidade, a sua própria incerteza face ao local a que pertence, se é que pertence. Neste sentido, a loja da Best em Houston projectada por James Wines, construída como se já tivesse sofrido graves tremores de terra, pode ser entendida ora como um desafio face ao fatal destino ora como uma defesa contra ele. A América é uma nação de colonos. A casa, o abrigo, tem uma ressonância muito especial aqui. Qualquer desastre que implique o abrigo, a colónia, torna-se rapidamente uma metáfora de todo um processo histórico.<br />
É este o contexto no qual surge a série de Edgar Martins, <span style="font-style: italic;">Ruins of the Gilded Age</span>, as ruínas da economia caseira.</p>
<div style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/Sv6gBI64B7I/AAAAAAAAEHs/Wdr97Ojvl2c/s1600-h/46---Phoenix-Outskirts-Unfi.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403932544325912498" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 316px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/Sv6gBI64B7I/AAAAAAAAEHs/Wdr97Ojvl2c/s400/46---Phoenix-Outskirts-Unfi.jpg" border="0" alt="" /></a><span style="font-size: 78%;">Sem título, da série <span style="font-style: italic;">Ruins of the Gilded Age</span>, 2008, Phoenix</span><br />
<span style="font-size: 78%;"> <span style="font-size: 78%;">© </span>Edgar Martins</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: 78%;"><br />
</span></div>
<p><span style="font-size: 130%;"><span style="font-weight: bold; color: #ff0000;">3.</span></span> Supor que a elegância, a abstracção, e a cuidada tradução dos valores formais e a manipulação necessária existentes em muito do trabalho de Edgar Martins são de alguma forma qualidades inconvenientes para aplicar aos temas do seu trabalho actual seria um erro. É verdade que a crise social e que a infelicidade humana implícitas em muitas destas imagens são reais o suficiente, e impõem a qualquer fotógrafo um qualquer grau de responsabilidade ética. Porém, Martins nunca foi um fotógrafo humanista nem tampouco um documentalista social. No entanto, é precisamente a ausência da figura humana que, nesta série, acentua uma paisagem profundamente humana, o humano como um princípio que se tivesse ausentado, e que deixa um silêncio visual. É na transmutação de espaços habitados em estruturas quase abstractas que as abstracções mais amplas dos mercados financeiros se revelam, e tornados reais e presentes nas desconstruções que eles mesmos desencadearam. O abandono da figura humana destes espaços é mais do que uma opção estética. Considerando-as nos termos do que Jacques Rancière apelida “a linguagem silenciosa das coisas”<span style="font-size: 85%;">(1)</span>, estas imagens retratam mais do que uma realidade imediata. Elas representam uma <span style="font-style: italic;">condição</span> que é social e empírica mas também metafísica, e que exige uma estética que jamais se poderá fundamentar somente na observação imediata, e escolhe assim abster-se da melancolia distópica comum em muita da arte de espaços vazios. Citando Rancière mais uma vez: “o real tem de ser ficcionalizado para que possa ser pensado” <span style="font-size: 85%;">(2)</span>. A palavra <span style="font-style: italic;">ficção</span> tem conotações de um movimento falso empregue para a produção de efeitos reais (uma <span style="font-style: italic;">finta</span>) e, ao mesmo tempo, a de uma coisa feita (as palavras “facto” e “fábrica” partilham a mesma raiz), algo real apesar de manufacturado. Martins tenta, nesta série, fazer evoluir uma “forma de visibilidade”, na qual a grandeza das imagens e das imagens que as acompanham – as de construções num equilíbrio precário, construídas pelo fotógrafo a partir dos detritos deixados no interior de edifícios vazios – fazem com que traga para primeiro plano a “qualidade de factura” do seu trabalho, a sua fictividade, e, nesse sentido, o fabrico das suas intervenções. Mas faz mais do que isso. Como se afirmou acima, estes espaços desabitados ou incompletos começam por aparecer como formas puras, sem qualquer conteúdo, tal como as abstracções económicas que as levaram a este estado. A ficção que é a <span style="font-style: italic;">factura</span> revela a ficção que é o <span style="font-style: italic;">movimento falso</span>, a finta, de Wall Street. Apercebemo-nos deste modo que a economia sobre a qual estas casas e interiores se construíram é tão ilusória quanto os interiores de uma fotografia de Thomas Demand. <span style="font-style: italic;">Ruins of a Gilded Age</span> não produz uma verdade mas antes um processo de uma verdadeira “recomplicação da realidade” <span style="font-size: 85%;">(3)</span>, baseada na prova da sua própria beleza, na documentação da sua própria estética.</p>
<p><span style="font-size: 130%;"><span style="font-weight: bold; color: #ff0000;">4.</span></span> Ficámos a saber que aqueles que haviam encomendado este trabalho se sentiram incomodados com a manipulação digital circunscrita que o fotógrafo aplicou sobre algumas das imagens. Bom, é verdade que o trabalho interfere sobre o real, mas um real que já havia sofrido uma interferência substancial. E eu concordaria com o filósofo Peter Osborne quando este diz suspeitar que muito do pânico sobre a perda do real implicada pelas imagens digitais não é mais do que a expressão de uma angústia mais fundamental e deslocada sobre a perda do capitalismo da sua “economia real”.</p>
<p><span style="font-size: 85%;"><span style="font-weight: bold;">1.</span> Jacques Rancière, (2006) <span style="font-style: italic;">The Aesthetics of Politics</span> [v. orig. <span style="font-style: italic;">Le Partage du sensible: Esthetique et politique</span>, 2000], London/NY: Continuum; pg. 36.<br />
<span style="font-weight: bold;">2.</span> Rancière, op. cit.; pg. 38.<br />
<span style="font-weight: bold;">3.</span> Uma frase empregue por Don Delillo para descrever a função do romance.<br />
</span><br />
A versão completa deste ensaio pode ser lida (em inglês) na página de Edgar Martins <a href="http://www.blogger.com/pdf/09_11_EN_A_EVIDENCE_OF_BEAUTY_FULL_TEXT_A_%28FINAL%29Oct09.pdf"><span style="font-weight: bold;">aqui</span></a></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/Sv6gBaHPjrI/AAAAAAAAEH0/90WTYRt0sGw/s1600-h/6+-+Atlanta+House+shot+at+night-dusk+with+multiple+flashes+D.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403932548941188786" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 160px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/Sv6gBaHPjrI/AAAAAAAAEH0/90WTYRt0sGw/s400/6+-+Atlanta+House+shot+at+night-dusk+with+multiple+flashes+D.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/Sv6gBaHPjrI/AAAAAAAAEH0/90WTYRt0sGw/s1600-h/6+-+Atlanta+House+shot+at+night-dusk+with+multiple+flashes+D.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"></a><span style="font-size: 78%;">Sem título, da série <span style="font-style: italic;">Ruins of the Gilded Age</span>, 2008, Atlanta</span><br />
<span style="font-size: 78%;"> <span style="font-size: 78%;">© </span>Edgar Martins</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Livre para perder</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 12:38:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paul Krugman* &#8211; O Estado SP
Considerem, por um momento, uma história de dois países. Ambos sofreram severa recessão e perderam empregos &#8211; não na mesma escala. No país A, o emprego caiu mais de 5% e a taxa de desemprego mais que dobrou. No país B, o emprego caiu apenas 0,5% e o desemprego é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><img class="size-full wp-image-16156 alignleft" title="Krugman_paul" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Krugman_paul.jpg" alt="Krugman_paul" width="190" height="201" /><span style="background-color: #ffff99;">Paul Krugman* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Considerem, por um momento, uma história de dois países. Ambos sofreram severa recessão e perderam empregos &#8211; não na mesma escala. No país A, o emprego caiu mais de 5% e a taxa de desemprego mais que dobrou. No país B, o emprego caiu apenas 0,5% e o desemprego é apenas ligeiramente mais alto que antes da crise.</p>
<p>Vocês não acham que o país A poderia ter algo a aprender com o B? Essa história não é hipotética. O país A são os Estados Unidos, onde os preços das ações estão em alta, o PIB está crescendo, mas a situação terrível do desemprego continua se agravando. O país B é a Alemanha, que sofreu um grande golpe no PIB, quando o comércio mundial desmoronou, mas tem sido extremamente bem-sucedido em evitar perdas de emprego em massa.</p>
<p>O milagre dos empregos na Alemanha não recebeu muita atenção nos EUA, mas ele é real e suscita questões sérias sobre se o governo americano está fazendo as coisas certas para combater o desemprego.</p>
<p>Nos EUA, a filosofia por trás da política de emprego pode ser resumida em &#8220;se crescermos, eles virão&#8221;. Isto é, nós não temos uma efetiva política de emprego, temos uma política de PIB. A teoria é que, ao estimular o consumo em geral, podemos fazer o PIB crescer mais depressa, e isso induzirá as companhias a deixar de demitir e retomar as contratações.</p>
<p>A alternativa seriam políticas que enfrentem a questão do emprego. Poderíamos, por exemplo, ter programas de frentes de trabalho, no estilo do New Deal, do governo do presidente Roosevelt, na época da Depressão. Uma coisa dessas talvez seja impossível agora, mas deveríamos anotar, para registro, que em seu auge esses programas empregaram milhões de americanos a custo relativamente baixo para o orçamento.</p>
<p>Alternativamente, ou além disso, poderíamos ter políticas que apoiem o emprego no setor privado. Essas políticas poderia variar de regras trabalhistas que desestimulem demissões a incentivos financeiros a companhias que contratem trabalhadores ou reduzam as horas trabalhadas.</p>
<p>E foi isso que os alemães fizeram. A Alemanha entrou na Grande Recessão com uma forte legislação de proteção ao emprego. Essa foi suplementada por um &#8220;esquema de trabalho de curto prazo&#8221; que fornece subsídios a empregadores que reduzem as jornadas dos trabalhadores em vez de dispensá-los. Essas medidas não impediram uma perversa recessão, mas a Alemanha atravessou a recessão com perdas de empregos notavelmente baixas.</p>
<p>Os EUA deveriam fazer algo nessa linha? Numa entrevista recente, Lawrence Summers, o economista de maior peso no governo Obama, desdenhou: &#8220;Pode ser desejável ter uma dada quantidade de trabalho dividida entre mais pessoas. Mas isso não é tão desejável quanto expandir a quantidade total de trabalho&#8221;. É fato. Mas a verdade é que nós não estamos expandindo a quantidade total de trabalho &#8211; e o Congresso não parece estar disposto a gastar o suficiente em estímulo para mudar esse fato lamentável.</p>
<p>A objeção usual a políticas de emprego ao estilo europeu é que elas são ruins para o crescimento no longo prazo &#8211; que proteger empregos e encorajar a partilha do trabalho torna as companhias de setores em expansão menos propensas a contratar e reduz os incentivos para trabalhadores se transferirem para ocupações mais produtivas. E, em tempos normais, há algo a se defender nos mercados de trabalho &#8220;livres para perder&#8221; no estilo americano, em que os empregadores podem demitir à vontade mas também enfrentam poucas barreiras para contratar.</p>
<p>Mas estes não são tempos normais. Neste momento, os trabalhadores que perdem empregos não estão se transferindo para os empregos do futuro; estão entrando nas filas dos desempregados e ficando nelas. O desemprego prolongado já está nos níveis mais altos desde os anos 1930, e continua crescendo.</p>
<p>E o desemprego prolongado inflige danos prolongados. Os trabalhadores que estão fora de um emprego por muito tempo encontram dificuldade para voltar ao mercado de trabalho mesmo quando as condições melhoram. E existem custos ocultos também &#8211; não menos para as crianças, que sofrem física e emocionalmente quando seus pais passam meses ou anos desempregados.</p>
<p>Então, já é hora de tentar algo diferente.<br />
<strong><br />
* Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia </strong></p>
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		<title>EUA decaem, mas China ainda não é páreo</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 16:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana


John Plender, Financial Times &#8211; VALOR
Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG" alt="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG" width="555" height="443" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">John Plender, Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a realidade é mais complexa. Em meio aos escombros da crise financeira, a posição dos EUA de superpotência e líder da economia mundial parece cada vez mais ameaçada.</p>
<p>Em especial, quando ele chegar a Pequim, no domingo, nada conseguirá disfarçar o fato de que Obama estará fazendo uma visita ao maior credor de seu país.</p>
<p>Aqueles que ficam satisfeitos com o desconforto dos EUA observam que esse colosso econômico global carrega o maior endividamento internacional do mundo e vem sendo abalado por uma moeda em desvalorização. É consenso geral que a China é a principal beneficiária de uma débâcle financeira e uma séria desafiante à hegemonia dos EUA.</p>
<p>Como o poder econômico frequentemente anda de mãos dadas com o poderio militar, essa mudança no poder econômico, juntamente com a fraqueza recente do dólar, vem sendo proclamada como um prenúncio do declínio americano. Esse clima é descrito de maneira primorosa por Fareed Zakaria em seu mais recente livro de sucesso, &#8220;The Post-American World And The Rise Of The Rest&#8221; (&#8221;O Mundo Pós-Americano&#8221;, Companhia das Letras). Assim veio a referência de Obama, em seu discurso de posse, de &#8220;um enfraquecimento da confiança em nosso país; um temor incômodo de que o declínio da América é inevitável, de que a próxima geração terá que reduzir suas esperanças&#8221;.</p>
<p>Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e conselheiro do presidente, declarou em uma entrevista recente à PBS, a rede de televisão pública dos EUA, que a ascensão dos mercados emergentes é &#8220;simbólica da menor posição dominante relativa dos EUA, não só na economia, mas também na liderança intelectual e de outras formas&#8221;.</p>
<p>Os bancos centrais dos países em desenvolvimento estão esfregando sal nas feridas do gigante enfermo. O Reserve Bank da Índia juntou-se, na semana passada, aos bancos centrais de China, Rússia, México e Filipinas na decisão de aumentar suas reservas em ouro, em detrimento dos títulos denominados em dólar. Um verdadeiro coro de formuladores de políticas de países que estão com superávit em conta corrente declarou que a posição do dólar como moeda de reserva é insustentável.</p>
<p>A essa altura, é importante lembrar que já estivemos aí antes. No fim da década de 80, Paul Kennedy, da Yale University, chocou o mundo com sua afirmação, em &#8220;The Rise And Fall Of The Great Powers&#8221; (&#8221;Ascensão e Queda das Grandes Potências&#8221;, Ed. Campus), de que &#8220;a única resposta à questão cada vez mais discutida da capacidade dos EUA de preservar ou não sua atual posição é &#8216;não&#8217;&#8221;.</p>
<p>Esse veredito pessimista surgiu na época do crash do mercado de ações, em 1987, quando houve uma preocupação contínua com os déficits gêmeos dos EUA e os déficits em conta corrente. O país havia se tornado um devedor internacional pela primeira vez e dependia crescentemente da entrada de capital europeu e japonês. Um Japão extremamente confiante estava em ascensão. O sentimento de decadência chegou perto da histeria nos EUA quando empresas japonesas compraram o Rockefeller Center, em Nova York, a Columbia Pictures, em Hollywood, e o campo de golfe de Pebble Beach, na Califórnia. &#8220;Quem é o dono da América?&#8221;, exigiu saber a ABC News.</p>
<p>De certa forma, a tese do professor Kennedy estava certa. Com a China, a Índia e os outros mercados emergentes alcançando o mundo desenvolvido, os EUA deverão sofrer um declínio econômico relativo, na forma de uma parcela menor do PIB mundial, mesmo com o país crescendo mais do que a maioria das grandes economias desenvolvidas e ainda sendo a maior economia do mundo em termos absolutos.</p>
<p>A globalização e a liberalização doméstica estão dando a esses países em desenvolvimento a chance de obter uma participação no PIB mundial proporcional ao seu tamanho na história. O desempenho econômico da China antes de 1978 era, afinal de contas, uma aberração vista a partir de uma perspectiva de séculos.</p>
<p>Em um estudo sobre as maiores economias, Angus Maddison, da Universidade de Groningen, calcula que a a participação da China no PIB mundial em 1820, antes de a Revolução Industrial na Europa ganhar força, era de mais de 30%, o que é bem mais do que a participação atual dos EUA. Assim, um retorno a algo mais normal pode estar a caminho.</p>
<p>Mas a tese de Kennedy parecia errada ao sugerir que os EUA talvez tivessem ampliado demais o seu império, ao ponto de não conseguirem mais administrá-lo, como aconteceu com a Espanha no século XVII e o Reino Unido no século XX. O caso mais óbvio de incapacidade de administração da década de 80 foi na verdade a União Soviética, que entrou em colapso, enquanto os EUA foram bem-sucedidos logo depois no restabelecimento de seu equilíbrio orçamentário, durante o governo Clinton, sem um recuo integral em seus compromissos internacionais.</p>
<p>Enquanto isso, o desafio econômico japonês perdeu o passo com o estouro das bolhas imobiliária e acionária, e o país se viu ameaçado pela deflação. O pânico da mídia americana com a invasão japonesa se mostrou um indicador perfeito, ainda que involuntário, de um ponto de virada.</p>
<p>A questão agora é se a tese da incapacidade de administração do império estava errada ou era simplesmente prematura. Mesmo assim, prever os períodos de ascensão e queda de nações e economias é uma coisa notoriamente difícil. Charles Kindleberger, o falecido historiador econômico, foi um dos muitos que acreditavam que a vitalidade nacional se movimentava em um ciclo de vida. Entre as causas internas do declínio identificadas por ele, estavam o aumento do consumo, a queda da poupança, a resistência à tributação, a desigualdade, a corrupção, grandes endividamentos e as finanças se tornarem mais dominantes na economia do que a indústria.</p>
<p>Mesmo que isso bata com as atuais circunstâncias, é preciso observar que muitas dessas coisas também estavam presentes nos EUA em 1929, quando a crise financeira coincidiu com a longa transição da hegemonia econômica do Reino Unido para os EUA. Quando Kindleberger escreveu &#8220;World Economic Primacy 1500-1990&#8243;, em 1996, ele acreditava que os EUA estavam decaindo. Mas ele não tinha ideia de qual país provavelmente surgiria como a próxima potência econômica mundial, e tinha a China apenas como &#8220;azarão&#8221; para o posto.</p>
<p>O argumento mais poderoso de apoio à hipótese da decadência envolve o que o professor Kennedy chamava de &#8220;tarefa antiga de relacionar as intenções nacionais às finalidades nacionais&#8221;. Como há uma correlação significativa de longo prazo entre a capacidade produtiva e a capacidade de aumentar as receitas, e o poderio militar, muita coisa depende da sustentabilidade da política fiscal. Aqui, os prognósticos não são bons para os EUA.</p>
<p>Sob as pressões gêmeas da crise financeira e do problema de longo prazo do envelhecimento dos &#8220;baby boomers&#8221;, as projeções oficiais apontam para déficits orçamentários numa escala sem precedentes. O Peterson Institute for International Economics, de Washington, estima que, depois de chegar perto de US$ 1,5 trilhão no ano fiscal corrente &#8211; mais de três vezes o recorde anterior -, o déficit provavelmente ficará perto de US$ 1 trilhão ao ano até 2020 ou além.</p>
<p>Da perspectiva do fluxo de recursos que entra na economia, a contrapartida desses déficits será em grande parte encontrada na conta corrente do balanço de pagamentos. Aqui, o instituto calcula que o déficit em conta corrente poderá subir de um recorde anterior de 6% do PIB para surpreendentes 15% ou mais até 2030, o equivalente a mais de US$ 5 trilhões por ano. Ele avalia que a dívida externa subirá dos atuais US$ 3,5 trilhões para até US$ 50 trilhões, ou 140% do PIB, no mesmo período.</p>
<p>Esses números representam um desafio assustador para o governo Obama e uma ameaça evidente ao dólar, uma vez que há um volume muito grande de reservas em dólares em mãos estrangeiras. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, do fim de 2000 até metade de 2009, as reservas internacionais subiram de US$ 1,9 trilhão para US$ 6,8 trilhões, dos quais US$ 2,3 trilhões estão sendo mantidos pela China. Mais de 60% dessas reservas estão em dólares.</p>
<p>A retórica chinesa recente, que inclui um pedido para a substituição do dólar como principal moeda de reserva do mundo por direitos especiais de saque (uma unidade contábil usada pelo FMI no trato com seus membros), sugere uma perda preocupante de confiança nas políticas monetária e fiscal dos EUA. Ao mesmo tempo, Fred Bergsten, diretor do Peterson Institute, afirma que agora é interesse dos EUA reduzir o papel do dólar e encorajar um fluxo maior de reservas para o euro, o yuan e os direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês).</p>
<p>Mesmo assim, a ameaça ao dólar pode estar sendo exagerada. A China está sacudindo as barras da gaiola que ela mesma fez, uma vez que as reservas são uma consequência da intervenção colossal para impedir a valorização de sua moeda. Na verdade, ela está presa ao equivalente econômico da aniquilação mútua descrita pelos teóricos da guerra nuclear durante Guerra Fria. Com as exportações chegando a dois quintos do PIB, convém à China ter os EUA como tomador e gastador de último instância na economia mundial. E ela não pode abandonar o dólar sem reduzir o valor de suas próprias reservas em dólar.</p>
<p>Quanto ao potencial da moeda chinesa de desafiar o papel do dólar de moeda de reserva, isso poderá existir no longuíssimo prazo, mas na ausência de mercados financeiros desenvolvidos e um compromisso muito mais forte de internacionalização do yuan, isso continua sendo muito remoto.</p>
<p>Na verdade, o elemento mais fraco do ponto de vista do declínio dos EUA pode ser as atuais estimativas elevadas da força do desafio chinês. Elas foram elegantemente apontados em um ensaio recente sobre assuntos externos de Josef Joffe, editor adjunto do jornal alemão &#8220;Die Zeit&#8221;. A China, diz ele, é um lugar onde o resto do mundo essencialmente aluga trabalhadores e espaço de trabalho a preços muito baixos e taxas de câmbio distorcidas. Sua dependência das exportações, além de ser um calcanhar-de-aquiles econômico, tem consequências políticas. Estas incluem 70 mil casos de distúrbio social todos os anos, que não são computados nas previsões lineares de crescimento de que os banqueiros de investimento tanto gostam.</p>
<p>A demografia da China não ajuda: Joffe afirma que a população vai crescer antes de começar a enriquecer. Pelos números do Goldman Sachs, a China terá em 2050 superado os EUA, com um PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos EUA. A idade média nos EUA será, então, a menor entre todas as grandes potências mundiais com exceção da Índia. Na verdade, a população economicamente ativa dos EUA terá crescido cerca de 30%, enquanto que na China haverá queda de 3%.</p>
<p>Junto com a dependência das exportações, isso representa um grande desafio para as autoridades chinesas, num país que é muito pobre. Enquanto isso, os EUA ainda possuem um sistema de ensino superior e de pesquisas sem paralelos. E, em 2008, seu orçamento militar foi de US$ 607 bilhões, representando quase metade dos gastos militares totais no mundo. O orçamento militar da China, frequentemente alardeada como a próxima superpotência, é de menos de um sétimo disso.</p>
<p>Ninguém pode negar as conquistas extraordinárias da China na mais acelerada revolução industrial da história humana. Estamos claramente nos movimentando para um mundo multipolar e um sistema de reserva multimoedas, no qual o poder dos EUA será mais restrito. Mesmo assim, os EUA continuam sendo de longe a mais flexível das grandes economias. A história não se move sobre trilhos &#8211; exceto para os marxistas. Se as autoridades dos EUA se mostrarem à altura do desafio fiscal e se os americanos passarem e poupar mais, há todas as chances do país escapar de um declínio significativo e continuar sendo a principal economia e potência militar do mundo por muito tempo ainda.</p>
<p>Isso é um &#8220;se&#8221; enorme. Mas, para o prazer de muitos, a próxima geração de americanos não vai reduzir suas esperanças e ambições no curto prazo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.danielsansao.com.br/motocontinuo/arquivos/images/xian.jpg" alt="http://www.danielsansao.com.br/motocontinuo/arquivos/images/xian.jpg" /></p>
<p><strong><em>Retranca</em></strong><br />
<span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
China já viveu uma decadência como império</strong></span></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>A teoria da expansão excessiva dos impérios, lançada por Paul Kennedy em &#8220;The Rise And Fall of The Great Powers&#8221;, afirma que, se uma proporção grande demais dos recursos do Estado é desviada da criação de riqueza para os gastos militares, o poder nacional vai se enfraquecer no longo prazo. A questão é se um determinado Estado pode conseguir um equilíbrio razoável entre as necessidades básicas de defesa e os recursos econômicos.</p>
<p>A tarefa fica ainda mais difícil quando uma nação está sofrendo um declínio econômico relativo. O professor Kennedy afirmava também que os EUA não conseguiriam preservar sua posição relativa porque &#8220;simplesmente a nenhuma sociedade é conferido o direito de continuar permanentemente à frente das outras, uma vez que isso implicaria num congelamento dos padrões diferenciados das taxas de crescimento, dos desenvolvimentos tecnológico e militar, que existem desde tempos imemoriais&#8221;.</p>
<p>Ele concluiu que era dever dos estadistas americanos reconhecer essa ampla tendência e administrar o país, de modo que a corrosão relativa da supremacia ocorresse lentamente e tranquilamente, em vez de implementar políticas vantajosas no curto prazo, mas que seriam prejudiciais no longo prazo.</p>
<p>Isso carrega um reflexo notável da observação feita por Robert Temple Armstrong, o ilustre servidor público britânico, que disse na década de 70 que &#8220;o negócio do serviço civil é a administração ordeira do declínio&#8221;.</p>
<p>A China, embora vista por muitos como a principal beneficiária da potencial exaustão dos EUA, já passou por uma experiência própria de declínio. Até a meta de milênio anterior, ela era tecnologicamente mais avançada que a Europa, com uma agricultura mais eficiente, e a classe dos mandarins não tinha rivais em seu profissionalismo. Mesmo depois que o Ocidente a superou, economica e tecnologicamente, entre os séculos XVI e XVIII, a economia da China ainda era a maior do mundo quando a revolução industrial começou.</p>
<p>No entanto, entre 1820 e 1952, quando a Europa experimentou taxas de crescimento econômico sem precedentes na história, a produtividade per capita da China caiu, enquanto sua participação no PIB mundial despencou de um terço para um vigésimo. A renda per capital caiu de um nível igual ao mundial, para um quarto de média mundial no período*.</p>
<p>Esse desempenho terrível tem sido atribuído a várias causas, incluindo a intervenção colonial estrangeira, distúrbios internos e a inflexibilidade da burocracia diante dos desafios apresentados pelo renascimento do Ocidente.</p>
<p><strong>Todos os números foram extraídos de &#8220;Chinese Economic Performance In The Long Run&#8221;, de Angus Maddison </strong></p>
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		<title>La negociación secreta de un acuerdo mundial sobre el &#8216;copyright&#8217; alarma a los internautas</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 19:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Grupos civiles envían una carta a Obama protestando por el secretismo de las reuniones.- El texto autorizaría a los propietarios de derechos a exigir a los proveedores de Internet actuaciones contra los clientes que intercambien obras protegidas


TOMÀS DELCLÓS - Barcelona &#8211; 09/11/2009 &#8211; El País

  

  La negociación secreta de un acuerdo comercial [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Grupos civiles envían una carta a Obama protestando por el secretismo de las reuniones.- El texto autorizaría a los propietarios de derechos a exigir a los proveedores de Internet actuaciones contra los clientes que intercambien obras protegidas</h3>
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<div>
<h2><span style="background-color: #ffff99;"><strong>TOMÀS DELCLÓS</strong> <em>- Barcelona &#8211; </em>09/11/2009 &#8211; El País</span></h2>
</div>
<p><!-- ***** Contenido noticia ***** --> <!-- ***** Estructura_2col_1zq ***** --> <!-- ***** Votos y comentarios ***** --></p>
<div></div>
<p><!-- ***** Fin Votos y comentarios ***** --> <!-- ***** Entradilla ***** --> <!-- google_ad_section_start() -->La negociación secreta de un acuerdo comercial mundial que autorizaría a las empresas y propietarios de derechos a exigir a los proveedores de acceso a Internet la vigilancia sobre el tráfico de sus clientes ha desatado la alarma de los internautas. De las negociaciones para redactar el Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA) se tienen noticias desde el año pasado, pero la semana pasada trascendió un documento de la Unión Europea en la que explicaba a sus estados miembros la posición de Estados Unidos, que se ha reservado la redacción del capítulo dedicado a Internet.</p>
<p><!-- google_ad_section_end() --> <!-- ***** Fin de Entradilla ***** --> <!-- ***** Info complementaria ***** --></p>
<div><!-- ***** Despiece ***** --> <!-- ***** Despiece ***** --> <!-- ***** Hermanas ***** --> <!-- ***** Fin Hermanas ***** --> <!-- ***** Agrupa gris ***** --></p>
<div><!-- ***** Imagenes, audios y video  peso 8, 7 y 6 **** --> <!-- Inicio Mod grafico --></p>
<div>
<div><a href="http://www.elpais.com/elpaismedia/ultimahora/media/200911/09/tecnologia/20091109elpeputec_1_Pes_PDF.pdf"><img src="http://www.elpais.com/im/ico_80_descarga.gif" alt="Foto" /></a></div>
<div>
<h3><a href="http://www.elpais.com/elpaismedia/ultimahora/media/200911/09/tecnologia/20091109elpeputec_1_Pes_PDF.pdf">Carta a Obama reclamando un debate público</a></h3>
<h4>DOCUMENTO (PDF &#8211; 42,77Kb) &#8211; 09-11-2009</h4>
<p>Grupos civiles critican el secretismo de la administración sobre ACTA</p></div>
</div>
<p><!-- Fin Mod grafico --> <!-- Inicio Mod grafico --></p>
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<div><a href="http://www.elpais.com/elpaismedia/ultimahora/media/200911/09/tecnologia/20091109elpeputec_2_Pes_PDF.pdf"><img src="http://www.elpais.com/im/ico_80_descarga.gif" alt="Foto" /></a></div>
<div>
<h3><a href="http://www.elpais.com/elpaismedia/ultimahora/media/200911/09/tecnologia/20091109elpeputec_2_Pes_PDF.pdf">Documento filtrado de la UE sobre ACTA</a></h3>
<h4>DOCUMENTO (PDF &#8211; 107,15Kb) &#8211; 09-11-2009</h4>
<p>El texto informa de la posición de Estados Unidos sobre el acuerdo comercial contra el intercambio de archivos en Internet.</p></div>
</div>
<p><!-- Fin Mod grafico --></div>
<p><!-- ***** Agrupa gris ***** --> <!-- ***** Otros webs ***** --></p>
<div></div>
<p><!-- ***** Otros webs ***** --></div>
<p><!-- ***** Fin Info Complementaria ***** --> <!-- ***** Cuerpo ***** --> <!-- google_ad_section_start() --> <!-- Info complementaria --></p>
<div><!-- ************* Tabla **************** --> <!-- ************* Fin Tabla **************** --> <!-- ************* Destacados **************** --> <!-- ************* Fin Destacados **************** --> <!-- ************* El dato **************** --> <!-- ************* Fin El dato **************** --> <!-- ************* La cifra **************** --> <!-- ************* Fin La cifra **************** --> <!-- ************* La frase **************** --> <!-- ************* Fin La frase **************** --> <!-- ************* Las claves **************** --> <!-- ************* Fin Las claves **************** --></div>
<p>Aunque formalmente se trata de un acuerdo mundial para combatir la falsificación, el texto incluye una propuesta sobre Internet. Grupos civiles han remitido una carta al presidente norteamericano en el que critican el secretismo sobre estas negociaciones, que contradice la política de transparencia anunciada por Obama.</p>
<p>El acuerdo, en cuya negociación intervienen unos 40 países desde Estados Unidos a la Unión Europea pasando por importantes países asiáticos, como Japón y Corea, empezó a trabajarse en secreto bajo el mandato de Bush y prosigue ahora. La semana pasada hubo una nueva reunión en Seúl y en enero se celebrará otra en México. El documento propone perseguir a quienes elaboren o distribuyan programas que desactiven DRM (sistemas anticopia) y obliga a los proveedores de acceso a Internet a controlar el tráfico de sus clientes para evitar el intercambio o distribución de material protegido por <em>copyright.</em> Actualmente, en muchos países, los proveedores de acceso no son responsables de la conducta telemática de sus clientes salvo que tengan noticia, documentada por la administración o un juez, de que infringen la ley.</p>
<p>En la citada carta se reclama que ACTA, como un instrumento que afecta a las leyes y políticas de múltiples naciones, &#8220;debería ser negociado públicamente&#8221;, a la vista de todos. &#8220;Sin el necesario balance entre intereses&#8221; se puede dañar la economía y el bienestar cívico, añaden. Estados Unidos ha comentado el documento a empresas y distintos grupos pero bajo la obligación de confidencialidad lo que les impide participar en un debate público o dar detalles sobre el proyecto. La propia UE, al informar de la propuesta de Estados Unidos, habla de que ha recibido información oral sobre el mismo.</p>
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		<title>Quanto maior a bolha atual, maior será o inevitável estouro</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 13:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Para o economista Nouriel Roubini, juros negativos nos EUA e dólar fraco geram &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; e bolha global cujo estouro é inevitável
NOURIEL ROUBINI DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
Desde março vem ocorrendo um aumento maciço em ativos de alto risco de todo tipo -participações, preços do petróleo, energia e commodities-, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Para o economista Nouriel Roubini, juros negativos nos EUA e dólar fraco geram &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; e bolha global cujo estouro é inevitável</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">NOURIEL ROUBINI DO &#8220;FINANCIAL TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>Desde março vem ocorrendo um aumento maciço em ativos de alto risco de todo tipo -participações, preços do petróleo, energia e commodities-, um estreitamento dos &#8220;spreads&#8221; de alta rentabilidade e alta classificação e um aumento maior ainda nas classes de ativos de mercados emergentes (suas ações, obrigações e moedas).<br />
Ao mesmo tempo, o dólar caiu muito, enquanto a rentabilidade dos títulos governamentais tem aumentado ligeiramente, mas se mantido baixa e estável.<br />
Essa recuperação dos ativos de alto risco é movida em parte por melhores condições econômicas fundamentais. Evitamos uma quase depressão e um derretimento do setor financeiro com um estímulo monetário e fiscal maciço e pacotes de socorro aos bancos. Quer a recuperação tenha formato de V, conforme a visão consensual, ou tenha formato de U e seja anêmica, como eu argumento, os preços dos ativos deveriam estar subindo gradualmente.<br />
Contudo, ao mesmo tempo em que as economias americana e global iniciaram uma recuperação modesta, desde março os preços dos ativos vêm subindo vertiginosamente, numa alta grande e sincronizada. Em 2008, quando o dólar subia, os preços dos ativos estavam em queda forte, mas, desde março, eles têm recuperação acentuada, enquanto o dólar cai. Os preços dos ativos de alto risco vêm subindo demais, cedo demais e rápido demais em comparação com os fundamentos.<br />
O que está por trás dessa alta maciça? Com certeza, foi ajudada pela onda de liquidez advinda de juros a quase zero e flexibilização quantitativa das condições monetárias. Mas um fator mais importante que alimenta a bolha de ativos é a fraqueza do dólar americano, movida pela &#8220;mãe&#8221; de todos os &#8220;carry trades&#8221; [operação em que o investidor pega empréstimos com juros muito baixos, como os dos EUA hoje, e aplica em outros ativos]. O dólar virou a principal moeda a financiar os &#8220;carry trades&#8221;, na medida em que o Fed [BC dos EUA] vem segurando os juros. Os investidores que estão vendendo o dólar a descoberto para comprar ativos de rentabilidade maior e outros ativos globais em base altamente alavancada não estão só contraindo empréstimos a juros zero em termos do dólar -estão contraindo empréstimos a juros muito negativos, que podem chegar a 10% ou 20% negativos ao ano-, na medida em que a queda do dólar leva a ganhos maciços de capital sobre posições do dólar.<br />
Resumindo: negociantes estão contraindo empréstimos a juros negativos de 20% para investir em base altamente alavancada em uma massa de ativos globais de alto risco que estão subindo devido ao excesso de liquidez e a um &#8220;carry trade&#8221; maciço. Cada investidor que joga esse jogo de alto risco fica parecendo um gênio -mesmo que só navegue numa bolha imensa-, já que os retornos totais têm estado na faixa entre 50% e 70% desde março.<br />
A consciência que as pessoas têm do valor em risco de seus portfólios deveria ter aumentado devido à correlação crescente dos riscos entre classes diferentes de ativos, todos movidos por essa política monetária comum e pelo &#8220;carry trade&#8221;. Na prática, virou uma grande negociação comum -você compra o dólar para adquirir qualquer ativo de alto risco.<br />
Ao mesmo tempo, porém, o risco percebido das classes individuais de ativos vem declinando, na medida em que a volatilidade diminuiu graças à política do Fed de comprar tudo que está à vista. Assim, o efeito conjunto da política de taxa zero sobre fundos do próprio Fed, flexibilização quantitativa das condições monetárias e aquisição maciça de instrumentos de dívida de longo prazo está aparentemente fazendo o mundo ser seguro -por enquanto- para o maior de todos os &#8220;carry trades&#8221; e a maior de todas as bolhas de ativos globais altamente alavancados.<br />
Ao mesmo tempo em que essa política alimenta a bolha global, também alimenta uma nova bolha de ativos americanos. Dinheiro fácil, facilitação do crédito e fluxo maciço de capitais para os EUA por meio de um acúmulo de reservas em divisas estrangeiras em outros países tornam os deficit fiscais dos EUA mais fáceis de financiar e alimentam a bolha americana de participações e crédito.<br />
Finalmente, um dólar fraco é bom para as participações acionárias americanas, já que pode gerar crescimento maior e elevar os lucros de multinacionais.<br />
A política americana insensata que alimenta esses &#8220;carry trades&#8221; obriga outros países a adotar a mesma política monetária. Políticas de juros a quase zero e flexibilização quantitativa já eram seguidas no Reino Unido, na zona do euro, no Japão, na Suécia e em outras economias avançadas, mas a debilidade do dólar vem agravando essa flexibilização monetária global. Ásia e América Latina, preocupadas com a fraqueza do dólar, estão intervindo agressivamente para impedir a valorização excessiva de suas moedas. Isso segura os juros de curto prazo em níveis inferiores aos desejáveis. É possível que os BCs também sejam forçados a reduzir os juros.<br />
Preocupados com o dinheiro quente que vem inflando suas moedas, algumas autoridades, como as do Brasil, vêm impondo controles aos fluxos de capital entrantes. Mas a bolha do &#8220;carry trade&#8221; vai se agravar: se as moedas estrangeiras se valorizarem mais, o custo negativo dos empréstimos do &#8220;carry trade&#8221; ficará ainda maior. Se intervenções ou operações no mercado aberto controlarem a valorização das moedas, a flexibilização monetária doméstica decorrente alimentará a bolha nessas economias. Assim, a bolha perfeitamente correlacionada de todas as classes de ativos globais cresce diariamente.<br />
Mas essa bolha vai estourar um dia, levando ao maior estouro coordenado de ativos já visto: se fatores puderem levar o dólar a reverter sua queda e a se valorizar repentinamente -como em inversões anteriores-, o &#8220;carry trade&#8221; alavancado terá de ser encerrado de uma hora para a outra, à medida que os investidores cobrem suas transações a descoberto com dólar. Haverá um estouro da boiada, com o fechamento de posições de alto risco e alavancagem longa em todas as classes de ativos financiadas por transações em dólar a descoberto gerando colapso coordenado de todos esses ativos de alto risco -ações, commodities, ativos de emergentes e instrumentos de crédito.<br />
Por que esses &#8220;carry trades&#8221; desabarão? Para começar, o dólar não pode cair a zero, e em algum momento se estabilizará; quando isso acontecer, o custo de empréstimos em dólar repentinamente se tornará zero, em lugar de altamente negativo, e o risco de uma inversão no dólar levará muitos investidores a cobrirem suas transações a descoberto. Em segundo lugar, o Fed não poderá suprimir a volatilidade para sempre. Em terceiro, se o crescimento americano surpreender positivamente, os mercados podem começar a esperar que um arrocho do Fed chegue mais cedo, não mais tarde. Em quarto, pode haver fuga do risco movida pelo medo de um repique recessivo ou risco geopolítico, como um choque EUA/Israel-Irã.<br />
Esse processo pode não ocorrer por algum tempo, já que o dinheiro fácil e a liquidez global excessiva ainda poderão elevar os ativos por algum tempo.<br />
Mas, quanto mais se prolongarem e quanto mais crescer a bolha, maior o crash. O Fed e outros responsáveis pela política econômica parecem não ter consciência da bolha monstro que criam. Quanto mais tempo permanecerem cegos, mais dolorosa será a queda.</p>
<p><strong>NOURIEL ROUBINI é professor da Universidade de Nova York e presidente da RGE Monitor.</strong></p>
<p><em>Tradução de CLARA ALLAIN</em></p>
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		<title>Copo meio cheio</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 13:45:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[LÚCIA GUIMARÃES &#8211; NOVA YORK &#8211; O Estado SP
A última semana começou com um número que preocupou muitos jornalistas americanos. A rede CNN despencou para o quarto lugar de audiência do jornalismo na TV a cabo. E a Fox, comemorando sua condição de &#8220;perseguida&#8221; pelo governo Obama, disparou para um folgado primeiro lugar.
A CNN inventou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">LÚCIA GUIMARÃES &#8211; NOVA YORK &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>A última semana começou com um número que preocupou muitos jornalistas americanos. A rede CNN despencou para o quarto lugar de audiência do jornalismo na TV a cabo. E a Fox, comemorando sua condição de &#8220;perseguida&#8221; pelo governo Obama, disparou para um folgado primeiro lugar.</p>
<p>A CNN inventou o jornalismo de 24 horas e o fundador da Fox, Roger Aisles, inventou o comício eletrônico travestido de jornalismo.</p>
<p>Desde que uma assessora de Barack Obama fez o calculado primeiro disparo, no dia 12 de outubro, afirmando que a Fox não passa de uma ala do Partido Republicano, comentaristas de variada coloração ideológica discutem a sensatez da tática.</p>
<p>A venerada Primeira Emenda da constituição americana, que garante a liberdade de expressão, imprensa e religião, é invocada frequentemente pelos que não acreditam nela.</p>
<p>No ciclo viral de notícias, a estupidez se propaga com a velocidade da luz. Exemplo: Barack Obama foi comparado a Richard Nixon, o garoto-pôster da perseguição à imprensa. Desde quando um presidente que se indispõe com a imprensa ou setores dela é uma anomalia? E qual é a semelhança entre Nixon, notoriamente paranoico e conspirador, que grampeava e ameaçava jornalistas, e o atual presidente americano?</p>
<p>Um excelente artigo editorial no Wall Street Journal assinado por Thomas Frank, cujo espaço é um oásis de sensatez entre as tropas de choque de Rupert Murdoch, lembrou que a perseguição nas mãos das &#8220;elites&#8221; é um dos motes da rede Fox.</p>
<p>O levante conservador americano a partir da década de 90 alimentou-se desta falácia narrativa &#8211; entre Nova York e Los Angeles, a middle-America é explorada e desprezada pelas hordas de privilegiados que comem rúcula e dirigem carros híbridos.</p>
<p>Frank oxigenou o debate com dois argumentos: Obama está certo, a Fox News é um contínuo talk-show conservador. Ela foi criada pelo homem que salvou a carreira de Nixon na década de 60, reinventando o futuro presidente para a TV. Roger Ailes perde seu sono com a Primeira Emenda tanto quanto eu perco o meu com golfe.</p>
<p>Obama está errado na forma desajeitada como colocou a rede na berlinda. Frank diz que a Casa Branca &#8220;jogou gasolina numa fogueira&#8221; ao alimentar as teorias conspiratórias da rede adversária quando podia ter apelado para o humor, a ironia e o sarcasmo.</p>
<p>Um bom cursinho preparatório para enfrentar jornalista crasso é assistir a gravações não editadas das coletivas de John Kennedy, que reagia com um humor relaxado de quem está diante de um Martini e não de um microfone.</p>
<p>E assim voltamos a uma fundação que tem aparecido com frequência na imprensa americana. O Pew Research Center for the People &amp; the Press toma o pulso do público americano em sua reação à mídia. O centro se tornou uma fonte preciosa de informação neste momento de confluência de duas angústias coletivas: a crise econômica na mídia tradicional e a epidemia de jornalismo ideológico.</p>
<p>A última pesquisa do Pew Center confirma o que sabemos: o papel da ideologia no consumo de notícias é cada vez maior. E a Fox é vista como a mais ideológica das redes de cabo. Explica-se o quarto e último lugar da CNN, atrás até de sua parente, o canal HLN, um híbrido de notícias curtas e talk-shows. A rede, apesar de vista pela maioria como &#8220;liberal&#8221; (à esquerda do espectro político americano) e de abrigar figuras como Lou Dobbs, o profeta do apocalipse causado por imigrantes, não se posiciona como pró ou contra Obama. A ópera-bufa da esquerda e da direita no cabo é protagonizada pela MSNBC e a Fox.</p>
<p>Enquanto o musculoso e peripatético Anderson Cooper enxuga as lágrimas com a queda de mais de 70% da audiência de seu programa em horário nobre na CNN, vale a pena notar um número mais interessante para quem acredita que o jornalismo tem um papel em qualquer democracia.</p>
<p>O site cnn.com de notícias está muito à frente das rivais. O publisher do New York Times, Arthur &#8220;Pinch&#8221; Sulzberger, fez analogias com o Titanic, ao ser consultado, num evento público, sobre o futuro dos jornais mas não destacou outro dado: o seu notável site teve sólidos 21 milhões e 500 mil visitantes únicos em setembro.</p>
<p>Vou argumentar que o declínio do jornal impresso convive com o apetite por noticiário objetivo. Já a falta de apetite pelas aventuras de Anderson Cooper pode mostrar o que acontece quando o jornalismo fica com o ouvido no chão, tentando detectar o tropel dos cavalos.</p>
<p>A revista Time perguntou aos leitores, logo após a morte do lendário Walter Cronkite, em julho, qual o âncora em que os americanos mais confiam. Jon Stewart, o comediante com vasta audiência jovem e apresentador do falso telejornal The Daily Show, ganhou disparado, com 44% de votos. Um sinal de triunfo da ironia como embalagem da notícia?</p>
<p>Em 2008, metade dos espectadores da Fox tinha mais de 63 anos e a maioria dos espectadores dos programas mais agressivamente ideológicos da rede era formada por homens. Os números foram citados por Louis Menand, na New Yorker, que comparou a cólera da Fox a um Viagra político.</p>
<p>Estou enganada ou há uma luz demográfica no fim deste túnel?</p>
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		<title>O que aconteceria em caso de um colapso do dólar?</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 12:54:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Crise: China sofreria, e bancos expostos a risco cambial poderiam quebrar
Peter Coy, BusinessWeek &#8211; VALOR
A crise financeira nos ensinou que os mercados podem cair mais e mais rápido do que as pessoas esperam. O preço das moradias nos EUA, por exemplo, caiu por três anos seguidos a começar de 2006, embora a sabedoria convencional dissesse [...]]]></description>
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<p><strong>Crise: China sofreria, e bancos expostos a risco cambial poderiam quebrar</strong></p>
<p>Peter Coy, BusinessWeek &#8211; VALOR</p>
<p>A crise financeira nos ensinou que os mercados podem cair mais e mais rápido do que as pessoas esperam. O preço das moradias nos EUA, por exemplo, caiu por três anos seguidos a começar de 2006, embora a sabedoria convencional dissesse até então que os preços não iriam cair nem um pouco.</p>
<p>Vamos aplicar isso ao dólar, que também deveria resistir a uma crise. Após se enfraquecer gradualmente desde 2002, a moeda americana subiu com a crise financeira do ano passado. Mas acumula uma desvalorização de cerca de 15% desde março, quando os investidores passaram a mudar para moedas de maior rendimento. A sabedoria convencional diz que a esses níveis, o dólar está barato, prestes a iniciar uma recuperação. &#8220;As moedas não avançam muito mais que 20% em relação às suas médias de longo prazo em termos reais [ajustado à inflação]. Já estamos lá&#8221;, afirma Michael Dooley, economista, fundador e analista-chefe da Cabezon Capital Management, firma de investimentos de São Francisco.<br />
Foto Destaque</p>
<p>Assim, vale ao menos cogitar a possibilidade de um &#8220;colapso&#8221; do dólar. A razão de o estouro da bolha imobiliária ter tido efeitos tão devastadores foi a falta de imaginação: bancos, autoridades reguladoras, agências de avaliação de crédito e outros simplesmente não conseguiam acreditar que os preços das casas cairiam do jeito que caíram, de modo que todos foram pegos de surpresa.</p>
<p>Imaginemos que o dólar caia rapidamente mais 25% contra cada uma das grandes moedas mundiais, algo mais ou menos parecido com o declínio sem precedentes de 30% nos preços das casas. Isso significaria que seria preciso US$ 2 para comprar € 1. O lado bom é que as empresas americanas teriam mais facilidade para competir nos mercados internacionais, e o turismo teria uma explosão nos EUA. O lado ruim é que a inflação subiria nos EUA devido ao custo maior dos produtos importados. Os americanos teriam ainda mais problemas para obter empréstimos à medida que os compradores estrangeiros fossem saindo do mercado de dívida.</p>
<p>Fora, o dólar barato tornaria mais difícil exportar para os EUA, o que afetaria o crescimento do resto do mundo. A China poderia enfrentar distúrbios sociais. Guerras comerciais poderiam irromper. E haveria problemas em bancos expostos demais, aqueles que tinham certeza de que um estouro do dólar não ocorreria. Como diz o investidor Warren Buffett: &#8220;Você só descobre quem está nadando pelado quando a maré baixa&#8221;.</p>
<p>As autoridades reguladoras dos EUA estão monitorando os bancos em uma ampla variedade de riscos, incluindo a ameaça de uma quebra do dólar: &#8220;Não estamos acompanhando os riscos trimestre a trimestre, e sim minuto a minuto&#8221;, diz uma autoridade que pediu para não ser identificada.</p>
<p>Após o pico atingido no segundo trimestre, o dólar acumula queda de 11% contra o iene japonês, 16% contra o euro, 21% contra o dólar canadense e cerca de 30% contra o real e o dólar australiano, que estão se beneficiando do repique no preço das commodities. Em relação a uma cesta ampla de moedas de todos os parceiros comerciais dos EUA, ajustada à inflação, o dólar já caiu 15% desde o pico atingido no segundo trimestre.</p>
<p>Por trás da fraqueza do dólar está a taxa de juro de curto prazo dos EUA, perto de zero. Assim como fizeram antes com o iene, investidores estão tomando dólar barato emprestado para vendê-los e comprar moedas de países cujas ações e bônus prometem retornos melhores. O Federal Reserve (Fed) está mantendo o juro básico a 0,25% para estimular a economia americana e ajudar os bancos, mas um efeito colateral é que o dólar tornou-se o combustível preferido da aposta especulativa internacional, que o está sobrecarregando.</p>
<p>Uma outra força ajuda a derrubar o dólar: os contínuos déficits comerciais dos EUA, um custo que os EUA estão pagando por tomar emprestado do resto do mundo. Alguns economistas acreditam que, em algum momento, os EUA serão forçados a desvalorizar sua própria moeda para tornar seu endividamento mundial mais suportável. Embora o rombo comercial tenha caído para menos de 3% do PIB no segundo trimestre, contra o pico de 6% em 2006, ele ainda é alto pelos padrões históricos.</p>
<p>Alguns dos bancos centrais que sustentaram o dólar parecem estar com medo. Em vez de comprar só dólares para suas reservas internacionais, estão diversificando para outras moedas. Os países que revelam a composição de suas reservas colocaram 63% delas em euros e iene no segundo trimestre, segundo análise do Barclays Capital. Steven Englander, principal estrategista de câmbio do Barclays, diz: &#8220;O incentivo desses países é tentar uma diversificação discreta, e não &#8217;sair fora a todo preço&#8217;&#8221;. A China não revela a composição de suas reservas, que superam US$ 2 trilhões.</p>
<p>Membros do governo Obama não parecem perturbados pela queda do dólar até agora. O dólar mais fraco ajuda a diminuir o déficit comercial ao tornar os produtos americanos mais competitivos.</p>
<p>Mas essa calmaria pode desaparecer da noite para o dia se os mercados financeiros sentirem que a queda do dólar vai se tornar uma bola de neve sem controle. Nesse ponto, o &#8220;campo de força&#8221; invisível que protege o dólar vai sumir, afirma Martin Weiss, presidente do Weiss Group, firma de análises de dados financeiros de Júpiter, Flórida. Weiss diz: &#8220;Nos tornaríamos mortais comuns, mais vulneráveis a ataques contra a nossa moeda&#8221;.</p>
<p>Nesse cenário pessimista, o declínio ganha vida própria. As vendas geram mais vendas. Bancos centrais mundiais interviriam para estimular o câmbio, mas os especuladores, tendo já experimentado o gosto da vitória, não recuariam. Paul Krugman, economista da Universidade Princeton, certa vez chamou isso de cenário coiote, numa referência ao personagem do desenho animado Papa-Léguas, que perde o chão no alto de um despenhadeiro, mas só começa a cair quando olha para baixo e vê que não há nada sob seus pés.</p>
<p>As especulações de que o dólar poderá sofrer um colapso podem se tornar autorrealizáveis se os operadores se apressarem a deixar a moeda. Ashraf Laidi, principal estrategista de câmbio da CMC Markets, uma corretora de Londres, diz que &#8220;agora há cerca de 30% a 40% de chances de vermos o dólar cair ao ponto de configurar uma crise&#8221;.</p>
<p>Os otimistas com o dólar apontam que a moeda recuperou-se ultimamente. Mas Laidi não vê nisso uma demonstração de apoio ao dólar ou à economia dos EUA. Ele diz que os investidores apenas recuaram de todos os tipos de risco e colocaram seu dinheiro no instrumento de curto prazo de maior liquidez &#8211; justamente os títulos do Tesouro americano. Englander, do Barclays, concorda: &#8220;Não se trata de uma aposta de longo prazo na economia dos EUA&#8221;.</p>
<p>Os operadores de câmbio não dão muito crédito às declarações de apoio ao dólar forte feitas por autoridades americanas. Observam que secretários do Tesouro desde o governo Clinton vêm dizendo que apoiam o dólar forte. Mas os EUA não vêm dando apoio à sua moeda através de compras no mercado desde 1995.</p>
<p>Se o dólar despencar, o preço das importações pode subir mais rápido que o esperado pelos economistas. Seria um desastre para a economia se o Fed tivesse que subir a taxa de juros para conter a inflação ou defender a moeda, enquanto o crescimento segue fraco.</p>
<p>O dólar mais fraco deixaria os americanos mais pobres, ao reduzir o poder de compra da moeda. E não há garantias de que isso vai estimular o setor industrial americano, diz David Mallpass, presidente da consultoria Encima Global. Para ele, a queda do dólar no fim dos anos 80 mais atrapalhou que ajudou Detroit, ao dar ao Japão poder de compra para fortalecer suas montadoras. &#8220;Podemos ficar pobres a ponto de não podermos importar muita coisa e equilibraremos a balança comercial. Mas isso seria bom para os EUA?&#8221;</p>
<p>No curto prazo, o maior risco seria a falência de quem fez apostas altamente alavancadas e que está vulnerável a uma queda do dólar. Isso afetaria não só os negócios de câmbio, mas também os de derivativos de juros e os swaps de defaults de crédito. Cinco grandes bancos responderam por 88% da exposição de risco de crédito a derivativos em todo o sistema bancário dos EUA no segundo trimestre.</p>
<p>Ninguém sabe se o dólar caminha para um desastre. Mas acreditar no melhor é arriscado.</p>
<p><em>(Copyright © 2009 The McGraw-Hill Companies Inc.)</em></p>
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