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	<title>Blog do Favre &#187; vacina</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Se espirrar, saúde</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 18:24:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cientistas correm para desenvolver uma vacina universal contra a gripe, mas esbarram na &#8220;criatividade&#8221; do vírus
Kirill Sirotyuk &#8211; 13.mai.09/France Presse

Funcionária de laboratório segura amostra de vírus de gripe suína para produção de vacina em São Petersburgo, Rússia
&#160;
ANDREW POLLACK DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP
Duas injeções de vacina contra sarampo durante a infância protegem uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Cientistas correm para desenvolver uma vacina universal contra a gripe, mas esbarram na &#8220;criatividade&#8221; do vírus</strong></p>
<p align="center"><font size="1"><em>Kirill Sirotyuk &#8211; 13.mai.09/France Presse<br />
<a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/05/se-espirrar-saude/11448/" rel="attachment wp-att-11448" title="virus_gripe.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/05/virus_gripe.jpg" alt="virus_gripe.jpg" /></a><br />
Funcionária de laboratório segura amostra de vírus de gripe suína para produção de vacina em São Petersburgo, Rússia</em></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99">ANDREW POLLACK DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221; &#8211; FOLHA SP</p>
<p>Duas injeções de vacina contra sarampo durante a infância protegem uma pessoa pela vida toda. Quatro doses de vacina contra poliomielite também. Mas vacinas contra a gripe precisam ser tomadas todos os anos. E, mesmo assim, fornecem proteção incompleta.<br />
A razão é que o vírus influenza sofre mutações muito mais rapidamente do que outros vírus. Uma pessoa que desenvolve imunidade a uma linhagem do vírus não está protegida de uma linhagem diferente.<br />
Isso promete ser um dos principais problemas à medida que o mundo se prepara para uma possível pandemia de gripe suína no segundo semestre. É impossível saber quantas pessoas podem morrer antes de uma vacina adequada a essa linhagem ser manufaturada.<br />
Mas cientistas e fabricantes de vacina estão trabalhando duro em uma vacina &#8220;universal&#8221; contra a gripe, que poderia proteger contra todas as linhagens da doença.<br />
&#8220;A &#8220;universal&#8221; mudaria complemente a maneira com que a vacinação contra a gripe seria feita&#8221;, diz Sarah Gilbert, especialista em vacinas da Universidade de Oxford (Reino Unido). &#8220;Quanto mais cedo tivermos uma vacina universal, melhor, porque poderemos parar de nos preocupar sobre quando será a próxima pandemia.&#8221;<br />
Uma vacina assim acabaria com os chutes que ocorrem hoje todo início de ano quando cientistas decidem quais linhagens devem ser incluídas na vacina sazonal para o inverno seguinte. Se o chute está errado, a vacina é menos eficaz.<br />
E isso também tornaria a imunização viável em países que hoje não têm como bancar programas anuais. A gripe sazonal contribui para a morte 500 mil pessoas todos os anos.<br />
Infelizmente, a vacina universal não estará pronta a tempo de combater a pandemia da nova gripe suína. As vacinas mais avançadas passaram apenas por pequenos testes.<br />
Na verdade, as vacinas universais desenvolvidas até agora não previnem as infecções totalmente. Elas só limitam a gravidade e a dispersão da doença. Alguns especialistas dizem que isso basta, mas outros têm dúvidas.<br />
&#8220;Isso não vai substituir a vacina sazonal de gripe&#8221;, disse Robert Belshe, do centro de desenvolvimento de vacinas da Universidade de Saint Louis.<br />
Alguns pesquisadores dizem que reforço da vacina ainda seria necessário a cada dez anos. Também não está claro se ela seria capaz de proporcionar proteção contra todas as cepas, incluindo as de origem animal.<br />
Quando alguém é vacinado ou infectado, o sistema imunológico cria anticorpos que atacam principalmente uma proteína na superfície do vírus chamada hemaglutinina. Mas essa proteína é a parte que muda mais rápido no vírus, então os anticorpos de uma cepa podem não reconhecer outra.<br />
Uma vacina universal teria de estimular um ataque do sistema imunológico a uma parte do vírus influenza que não varia de cepa para cepa.<br />
<strong><br />
Escondidas</strong><br />
O problema é que a maioria das proteínas que não variam muito estão no interior do vírus, fora do alcance de anticorpos. Mas há uma proteína interna, chamada M2, que desponta um pouco. Esse pedaço externo não é um grande alvo para anticorpos, mas é o foco da pesquisa de vacina universal.<br />
&#8220;O truque é que você precisa ter um sistema que produzirá uma resposta imunológica robusta contra esse nadinha de proteína&#8221;, disse Alan Shaw, presidente da VaxInnate, empresa que tenta desenvolver uma vacina universal que combine a parte externa da M2 com uma proteína bacteriana que estimule o sistema imune.<br />
A VaxInnate, a Merck e a Acambis, de propriedade da Sanofi-Aventis, fizeram cada uma delas um pequeno teste das suas vacinas de M2 em voluntários saudáveis. As pessoas vacinadas produzem anticorpos contra a M2. Mas estes não evitam totalmente a infecção. Será preciso fazer testes muito mais amplos para ver se essas vacinas realmente amenizam a doença durante uma temporada de gripe real.<br />
Outra questão é que a proteína M2 dos vírus animais pode ser um pouco diferente da dos vírus humanos. Isso levanta questões sobre o quão bem uma vacina de M2 funcionaria contra a nova gripe suína.<br />
Neste ano, duas equipes de pesquisadores relataram ao mesmo tempo que poderia haver uma outra região não-variante do vírus. Ela está no &#8220;palito&#8221; da proteína hemaglutinina, que tem forma de pirulito.<br />
Um dos grupos mostrou que anticorpos isolados a partir de sangue humano que se ligaram a essa parte da proteína protegiam camundongos contra muitas cepas de gripe, incluindo a gripe espanhola de 1918.<br />
Mas especialistas dizem que será muito difícil isolar essa parte da proteína para fabricar uma vacina, ou fabricá-la por meio de engenharia genética.<br />
Uma alternativa poderia ser a utilização dos próprios anticorpos como medicamento, apesar de anticorpos serem caros para fazer e consumirem muito tempo para serem administrados aos pacientes.<br />
As nucleoproteínas do vírus podem ser um alvo potencial para futuras vacinas. Porém, anticorpos não podem chegar até essa proteína para evitar a infecção. Então, a ideia é estimular outros soldados do sistema imunológico, as células T, para que eles rapidamente matem as células infectadas antes que elas façam novos vírus.<br />
Finalmente, os melhores resultados poderão surgir da combinação de técnicas. A Dynavax, empresa de biotecnologia da Califórnia, espera iniciar um teste em 2010 com uma vacina desenhada para estimular anticorpos contra M2 e células T contra nucleoproteínas.</p>
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		<title>Antídoto ao amor pode prevenir paixão cega</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Feb 2009 17:59:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
John Tierney &#8211; The New York Times &#8211; FOLHA SP
Ensaio
Numa edição recente da revista “Nature”, o neurocientista Larry Young propõe uma grande teoria unificada do amor. Depois de analisar a química cerebral da formação de vínculos entre casais de mamíferos, Young prevê que em breve um pretendente inescrupuloso poderá colocar uma poção de amor farmacêutica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.icronos.org/films/photos/Bacio.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.icronos.org/films/photos/Bacio.jpg" width="555" height="445" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">John Tierney &#8211; The New York Times &#8211; FOLHA SP</p>
<p><strong>Ensaio</strong></p>
<p>Numa edição recente da revista “Nature”, o neurocientista Larry Young propõe uma grande teoria unificada do amor. Depois de analisar a química cerebral da formação de vínculos entre casais de mamíferos, Young prevê que em breve um pretendente inescrupuloso poderá colocar uma poção de amor farmacêutica no drinque da pessoa cortejada.</p>
<p>Mas também pode ser que surja um antídoto ao amor —uma vacina que impeça você de ficar cego de paixão e agir como idiota.</p>
<p>É o que os humanos procuram desde que Ulisses mandou os tripulantes de seu navio amarrarem-no ao mastro quando o barco passou pelas sereias da mitologia grega. Estava claro que o amor era uma doença perigosa.</p>
<p>Larry Young fez pesquisas com ratos-calunga na Universidade Emory, em Atlanta. Esses bichinhos semelhantes a camundongos fazem parte de uma pequena minoria dos mamíferos —menos de 5%— que compartilham a propensão humana pela monogamia. Quando o cérebro de uma rata-calunga recebe uma infusão artificial de oxitocina (hormônio que produz algumas das mesmas recompensas neurais que a nicotina e a cocaína), ela rapidamente forma vínculos com o primeiro macho que estiver por perto. Um hormônio relacionado, a vasopressina, quando injetado em ratos-calunga machos (ou quando ativado naturalmente pela atividade sexual), cria desejos de formação de vínculos e ninhos.</p>
<p>Depois de Young ter descoberto que os ratos-calunga machos com reação geneticamente limitada à vasopressina tinham menos probabilidade de encontrar parceiras, pesquisadores suecos relataram que homens dotados de tendência genética semelhante têm menos tendência a se casar. Young especula que o amor humano pode ser desencadeado por uma “cadeia de eventos bioquímicos” que evoluiu de vínculos entre mãe e filho, formação essa estimulada nos mamíferos pela liberação de oxitocina durante o trabalho de parto e a amamentação.</p>
<p>Young observou que as preliminares e as relações sexuais estimulam as mesmas regiões do corpo das mulheres que as envolvidas no dar à luz e na amamentação. Essa hipótese hormonal ajudaria a explicar algumas diferenças entre os humanos e os mamíferos menos monógamos: o desejo feminino de fazer sexo mesmo quando fora de seu período fértil e o fascínio erótico masculino com os seios. Sexo mais frequente e mais atenção aos seios, disse Young, ajudariam a construir vínculos de longo prazo.</p>
<p>Pesquisadores obtiveram resultados semelhantes borrifando oxitocina nas narinas de pessoas, que parece intensificar sentimentos de confiança e empatia. Young disse que pode haver drogas que aumentem o desejo das pessoas de se apaixonarem.</p>
<p>Mas uma vacina que possa impedir as pessoas de ficarem cegas de paixão parece mais simples. “Um bloqueador de oxitocina faz com que as ratas-calunga passem a agir como 95% dos mamíferos: não formam vínculos. Elas acasalam e, se outro macho aparece, a fila anda. Se o amor tem base bioquímica semelhante, então, teoricamente, devemos ser capazes de suprimi-lo de modo semelhante”, disse Young.</p>
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		<title>Programa de aids começa a estagnar</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 11:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na opinião de especialistas, epidemia tem novas características que exigem mudança, principalmente na prevenção
Lígia Formenti, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
Após sucessivos elogios recebidos no cenário internacional, o Programa Nacional de DST-Aids começa a dar sinais de estagnação. Indicadores importantes, como número de casos novos e taxa de mortalidade, praticamente não mudaram nos últimos cinco anos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Na opinião de especialistas, epidemia tem novas características que exigem mudança, principalmente na prevenção</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Lígia Formenti, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</p>
<p>Após sucessivos elogios recebidos no cenário internacional, o Programa Nacional de DST-Aids começa a dar sinais de estagnação. Indicadores importantes, como número de casos novos e taxa de mortalidade, praticamente não mudaram nos últimos cinco anos. Os índices de transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez caíram, mas não como era esperado pelo próprio governo.</p>
<p>Além disso, com o aumento de casos no Norte e Nordeste entre homossexuais jovens e pessoas com mais de 50 anos, a epidemia adquiriu novas características, o que exige mudança na forma de atuação, principalmente na área de prevenção.</p>
<p>&#8220;O quadro é bastante preocupante, mas o que vemos é apenas comemoração&#8221;, afirma Mário Scheffer, da organização não-governamental Pela Vidda. Todos os dias , 97 pessoas se contaminam com o HIV, vírus da aids, e outras 30 morrem por causa da doença. &#8220;É como se um ônibus caísse do despenhadeiro diariamente e ninguém se importasse.&#8221;</p>
<p>Para Scheffer, os números estampam a necessidade de o programa fazer uma autocrítica, perceber o que não está dando certo e, nessas áreas, mudar a estratégia. &#8220;Mas o que vemos é o oposto. Há uma percepção coletiva de que tudo está maravilhoso, que temos o maior programa do mundo. Estamos vivendo de sofismas, não da realidade.&#8221;</p>
<p>O pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro diz que os dados divulgados no último boletim, em novembro, estampam uma lista de desafios que precisam ser enfrentados. Grangeiro, que já foi coordenador do programa nacional, observa que o País hoje apresenta não uma, mas várias epidemias de aids. Nas Regiões Sudeste, Sul e na faixa litorânea, há uma epidemia mais antiga e estabilizada, com queda do número de soropositivos usuários de drogas e um aumento dos casos entre gays jovens. No Norte e Nordeste, existe uma epidemia bem mais recente, formada principalmente por transmissão heterossexual. &#8220;Isso exige a adoção de estratégias diferenciadas na prevenção e na melhoria da qualidade do atendimento.&#8221;</p>
<p>O que preocupa nos Estados do Norte é a combinação de alguns fatores &#8211; menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV. Todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Talvez por isso a Região Norte apresente uma tendência de aumento nos índices de mortalidade. &#8220;Com a interiorização da aids, o País enfrenta outro problema, que é a desigualdade na qualidade dos serviços, a dificuldade no acesso ao tratamento. Isso precisa ser solucionado&#8221;, avalia a coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta.</p>
<p>Grangeiro aponta ainda outros dois pontos que precisam ser melhorados: quantidade de pessoas testadas para o HIV e o acesso a tratamento para gestantes contaminadas. &#8220;Muito se fala que a aids somente será controlada com a vacina. No caso das gestantes, o tratamento existente é uma forma de vacina, algo que previne a infecção do feto em quase 98% dos casos. Mesmo assim, o País continua registrando, todos os anos, uma triste marca de contaminações em bebês.&#8221;</p>
<p>O pesquisador da USP acredita que os maiores desafios estão em áreas que dependem de ações governamentais gerais. &#8220;Sem infraestrutura adequada nos serviços, não há como garantir diagnóstico precoce. Sem pré-natal de qualidade, não há como se certificar de que a gestante não é portadora do vírus, não há como ofertar tratamento adequado antiaids para o bebê. A qualidade das ações acaba esbarrando nos problemas gerais.&#8221;</p>
<p><strong>PREVENÇÃO</strong></p>
<p>A estimativa é de que 46% dos pacientes cheguem aos serviços em estágio adiantado da doença. Com isso, o efeito dos remédios antiaids será limitado. &#8220;Há muito o que melhorar nesta área&#8221;, diz Grangeiro. O infectologista Caio Rosenthal tem avaliação semelhante. &#8220;O programa melhorou muito, há avanços inegáveis. Mas em alguns pontos é possível avançar mais, como no diagnóstico precoce.&#8221; O infectologista Celso Ramos concorda: &#8220;É preciso mudar a cultura, tornar o teste mais disponível em toda a rede. &#8220;</p>
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		<title>Vacina contra câncer de mama mostra eficácia</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 20:11:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Aguardando o progresso da ciência, campanhas de prevenção, diagnostico e tratamento
&#160;
Pesquisa em animais apresentou um bom resultado em tumor agressivo e resistente
O Globo 
WASHINGTON. Cientistas da Wayne State University, nos EUA, testaram com sucesso em camundongos a vacina contra um câncer de mama que responde por 20% a 30% dos casos.
Ele é causado pelo excesso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/vacina-contra-cancer-de-mama-mostra-eficacia/7403/" rel="attachment wp-att-7403" title="cancerdemama.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/09/vacina-contra-cancer-de-mama-mostra-eficacia/7403/" rel="attachment wp-att-7403" title="cancerdemama.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/09/cancerdemama.jpg" alt="cancerdemama.jpg" width="551" height="398" /></a></div>
<p align="center"><font size="2"><em>Aguardando o progresso da ciência, campanhas de prevenção, diagnostico e tratamento</em></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><strong>Pesquisa em animais apresentou um bom resultado em tumor agressivo e resistente</strong></p>
<p><strong><span style="background-color: #ffff99">O Globo </span></strong></p>
<p>WASHINGTON. Cientistas da Wayne State University, nos EUA, testaram com sucesso em camundongos a vacina contra um câncer de mama que responde por 20% a 30% dos casos.<br />
Ele é causado pelo excesso da proteína HER2, o receptor para fator humano de crescimento epidérmico. O estudo, publicada na “Cancer Research”, revela que a substância é eficaz também na prevenção.<br />
Os receptores HER2 estimulam o crescimento normal de células e se encontram em baixas quantidades. Porém, elas podem ter muito mais receptores, gerando um tumor agressivo. A vacina contêm genes que produzem o receptor HER2 e um composto que ativa o sistema imune.<br />
A equipe aplicou pulsos elétricos para injetar a vacina em músculos das patas. A droga produziu grande quantidade de receptores HER2, que levaram à reação no sistema imune contra o sinal de câncer.<br />
Em condições normais, em baixas quantidades, esta proteína passa despercebida no sistema imunológico. Para aumentar a reação natural do animal contra o tumor, pesquisadores usaram um agente supressor de atividade das células T reguladoras.<br />
Elas impedem que a defesa responda em excesso. Na ausência dessas células, houve melhor resposta à vacina.<br />
Quando os cientistas introduziram o HER2 nos tumores dos animais, o câncer foi erradicado, sem efeito adverso. Há drogas para tratar este tipo de câncer, mas pacientes desenvolvem resistência.</p>
<p>— A vacina é produzida nas próprias células — disse WeiZen Wei, que dirigiu o estudo.<br />
O câncer de mama é a principal causa de morte por tumores entre as mulheres. No Brasil, estima-se em 49.400 o número de casos novos este ano, segundo o INCa.</p>
<p>— É um dado pré-clínico encorajador.<br />
Porém, quando se lida com vacinas, boa parte do que funciona em animal não tem efeito em humanos. Temos que aguardar — disse Carlos Gil, chefe da Pesquisa Clínica do INCa.</p>
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		<title>Brasil busca supervacina dos trópicos</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/06/brasil-busca-supervacina-dos-tropicos/</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Jun 2008 23:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ País desenvolve imunizante inédito contra malária e febre amarela

Roberta Jansen &#8211; O Globo
Se tudo correr conforme o previsto, dentro de alguns anos o Brasil poderá conseguir vencer um dos maiores desafios mundiais na área da imunologia: o desenvolvimento de uma supervacina tropical contra a febre amarela e a malária, uma das doenças que mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> País desenvolve imunizante inédito contra malária e febre amarela</strong></p>
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<p style="background-color: #ffff99"><strong>Roberta Jansen &#8211; O Globo</strong></p>
<p>Se tudo correr conforme o previsto, dentro de alguns anos o Brasil poderá conseguir vencer um dos maiores desafios mundiais na área da imunologia: o desenvolvimento de uma supervacina tropical contra a febre amarela e a malária, uma das doenças que mais matam no mundo e contra a qual nunca se conseguiu obter um imunizante eficaz.</p>
<p>Uma pesquisa inédita conduzida no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) conseguiu produzir vírus recombinantes de febre amarela que seriam capazes de imunizar também contra a malária.</p>
<p>Uma vacina capaz de proteger ao mesmo tempo contra duas graves doenças que ocorrem em zonas geográficas semelhantes seria um avanço dos mais significativos em termos de saúde pública alcançados no mundo nas últimas décadas. E a idéia de reunir as duas num único produto partiu justamente da constatação de a vacina contra a febre amarela ser uma das mais bem-sucedidas do mundo há décadas enquanto que todas as tentativas de se criar um imunizante para a malária não vão adiante.<br />
<strong><br />
Gene do parasita se une ao vírus</strong></p>
<p>Feita a partir de vírus atenuado, a vacina contra a febre amarela é usada com sucesso no Brasil há 80 anos. Foi com ela que o país conseguiu erradicar a doença dos centros urbanos e controlá-la na maior parte do território nacional.</p>
<p>— Atualmente essa é uma das vacinas mais exploradas pelo pessoal que trabalha na área da imunologia — conta a pesquisadora Myrna Cristina Bonaldo, do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, responsável pela linha de pesquisa. — Por ser tão eficaz, com um percentual de proteção muito alto, as pessoas tendem a estudá-la para entender de que forma um bom imunizante induz uma resposta protetora. Então a nossa idéia é justamente usar uma vacina que tem boa performance para imunizar contra um doença cujos imunizantes até agora não conseguiram proteção.</p>
<p>O desenvolvimento de uma vacina contra a malária representa um grande desafio para os cientistas porque o parasita causador da enfermidade adota diversas formas ao longo do ciclo da doença no organismo humano e apresenta vários mecanismos de escape às defesas produzidas. Além disso, o uso do próprio parasita atenuado como vacina (técnica mais comum na produção de imunizantes) mostrou-se inviável. Os cientistas partiram então para a identificação de moléculas de proteínas do parasita capazes de induzir uma resposta imunológica.</p>
<p>O grupo de Myrna conseguiu inserir no vírus da febre amarela genes do Plasmodium falciparum. Com isso, o vírus recombinante passou a fabricar proteínas do parasita, além das proteínas virais que já produzia. A idéia é que, a exemplo do que ocorre com a vacina simples da febre amarela, uma vez exposto às proteínas do parasita, o organismo tenha capacidade de montar uma resposta imunológica mais eficaz no caso de uma infecção.</p>
<p>— Agora estamos fazendo testes pré-clínicos, vendo como o vírus prolifera e se é eficaz — afirmou Myrna. — Em estudos iniciais com camundongos queremos ver se os animais apresentam uma resposta contra a febre amarela e a malária, se há a formação de anticorpos.</p>
<p>Dependendo dos resultados que obtivermos, começaremos a expandir os testes, inclusive em macacos.</p>
<p>Entre os próximos passos está a obtenção de um vírus recombinante também para o Plasmodium vivax.</p>
<p>O grupo trabalha também, numa linha de pesquisa paralela, com a criação de um outro vírus recombinante, dessa vez para atuar contra febre amarela e dengue. Embora nesse caso os resultados sejam ainda mais incipientes, fica a esperança de, no futuro, se conseguir uma vacina contra as três doenças.</p>
<p>— Potencialmente é possível, mas ainda é muito cedo para falarmos disso — afirmou a pesquisadora.<br />
<strong><br />
Mais de um milhão de mortes</strong></p>
<p>A malária é hoje a doença tropical que mais causa problemas sociais e econômicos no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela atinge as áreas mais pobres do planeta, sobretudo na África, produzindo mais de um milhão de mortes por ano — um número que só é inferior ao de óbitos causados pela Aids.</p>
<p>Além de não haver uma vacina contra a doença, os tratamentos disponíveis se encontram muito ultrapassados.</p>
<p>Por se tratar de uma doença que atinge majoritariamente áreas pobres do planeta, os investimentos em pesquisa de drogas e imunizantes são poucos. No Brasil são registrados cerca de 500 mil casos por ano, sobretudo na região amazônica, mas a letalidade é baixa no país, não chega a 0,1% do total.</p>
<p>A malária é uma doença infecciosa que ataca os glóbulos vermelhos do sangue, provocando anemia. Em casos mais graves, bloqueia a circulação, levando à morte.</p>
<p>A doença é causada por protozoários do gênero Plasmodium, introduzidos no homem através da picada do mosquito anófeles.</p>
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		<title>Doença que não dá IBOPE faz vítimas, mas fica fora do radar da mídia</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 13:39:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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AGNER, A MÃE NILCÉA E A IRMÃ LILIAN
por Conceição Lemes &#8211; Blog de Azenha
Há décadas 8 de maio é o Dia Mundial da Talassemia. A proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que este 8 de maio, quinta-feira, seja o Dia Mundial das Hemoglobinopatias, englobando a anemia falciforme.  São doenças decorrentes de alterações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.viomundo.com.br/img/anemia2.jpg" alt="anemia2.jpg" height="300" width="400" /><font size="1"><br />
AGNER, A MÃE NILCÉA E A IRMÃ LILIAN</font></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>por Conceição Lemes &#8211; Blog de Azenha</strong></p>
<p>Há décadas 8 de maio é o Dia Mundial da Talassemia. A proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que este 8 de maio, quinta-feira, seja o Dia Mundial das Hemoglobinopatias, englobando a anemia falciforme.  São doenças decorrentes de alterações genéticas da hemoglobina, a proteína que, dentro dos glóbulos vermelhos do sangue, “carrega” o oxigênio para todo o organismo. Definitivamente, a OMS incluiu a anemia falciforme em suas prioridades.</p>
<p>Nos dias 9 e 10, o diretor do Programa de Genética Humana da OMS, Victor Bulygin, se reunirá, em Campinas, interior de São Paulo, com organizações governamentais e não-governamentais para discutir uma proposta de diretrizes para os próximos cinco anos. A grande preocupação é o acesso dos portadores de hemoglobinopatias à medicina de qualidade, para prevenir as complicações e o melhor controle dos distúrbios. A anemia falciforme é a doença hereditária mais prevalente no mundo, inclusive no Brasil. É um problema de saúde pública, ainda não tem cura e pode afetar quase todos os órgãos. Atinge principalmente afro-descendentes.</p>
<p>É o caso de Agner Eduardo Gomes da Silva. “Aos 2 anos de idade, percebi que não acompanhava a irmã nas brincadeiras. Vivia cansado, febril e olhos lacrimejantes. Certa vez, a mãozinha inchou. O médico achou que um bicho havia mordido e engessou o bracinho dele”, relembra a mãe Nilcéa Gomes da Silva, 54. “Na segunda vez, prescreveu pomada e antitérmico. Acabei indo num médico particular, que suspeitou de anemia falciforme. O teste confirmou.”</p>
<p>Até os 18 anos, Agner foi tratado no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. De lá para cá, no Ambulatório de Hemoglobinopatias do Serviço da Hematologia e Hemoterapia da mesma instituição. “Nas aulas de educação física, sempre joguei bola menos tempo do que meus colegas. Aos 11, fiz cirurgia para retirar cálculo renal”, recorda-se. “Aos 18, comecei a ter crises de priapismo [ereção prolongada, dolorosa], que, agora, com medicação, cessaram. De vez em quando, sinto bastante cansaço, dores fortes de cabeça e nas costas.”</p>
<p>Agner tem 29 anos, cursa o último ano da faculdade de Direito e estagia em uma operadora de planos de saúde. Cristelene, sua noiva, já fez avaliação genética. O exame deu negativo. A realidade brasileira, porém, é outra.</p>
<p><span id="more-5011"></span></p>
<p><strong>DIAGNÓSTICO TARDIO, TRATAMENTO PRECÁRIO</strong></p>
<p>“Apesar dos avanços nos últimos anos, o diagnóstico é muitas vezes tardio no Brasil”, afirma a médica Sílvia Brandalise, responsável pelo Serviço de Hematologia e Oncologia Pediátrica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Grupo de Trabalho de Políticas de Atenção e Controle das Hemoglobinopatias da OMS. A detecção deve ser logo ao nascimento, por meio do teste do “pezinho”. Porém, é comum acontecer aos 5, 6 anos, quando a doença está avançada. A criança sente dores fortes por todo o corpo, pode ter uma infecção atrás da outra, às vezes o baço já não funciona mais, entre outras complicações.</p>
<p>“O diagnóstico tardio impede o uso de penicilina profilática e de vacinas específicas, que reduzem – e muito! &#8212; a mortalidade nos primeiros cinco anos de vida”, alerta a médica Sandra Gualandro, professora da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do ambulatório de Hemoglobinopatias do Hospital das Clínicas. “Faz também com que às vezes, na mesma família, existam três, quatro filhos, com a doença, por falta de aconselhamento genético.”</p>
<p>Em geral, o tratamento adequado também é precário, embora existam vários centros de excelência no país. “Isso contribui para as complicações e o agravamento de várias condições”, lamenta Sandra.</p>
<p>Ainda prevalece a postura “bandaid”. Quando a criança tem osteomielite, por exemplo, trata-se essa doença infecciosa grave que atinge geralmente os ossos longos, como fêmur, tíbia e úmero.  Na hora em que outro problema aparece, coloca-se outro “esparadrapo”. E assim vai. “É uma visão inadequada”, observa Sílvia. Na raiz, o próprio ensino da doença nas escolas médicas. Ainda é como 20 ou 30 anos atrás.</p>
<p>“Os alunos saem treinados para lidar com as crises, ou seja, com as situações de emergência da anemia falciforme. Porém, sem preparo para prevenir as suas complicações”, confirma a médica Maria do Patrocínio Tenório Nunes. “Nesse sentido, não estamos formando bons médicos. Afinal, a medicina atual visa a prevenção e a promoção de saúde.”</p>
<p>Maria do Patrocínio fala como professora da Faculdade de Medicina da USP, coordenadora do núcleo de Residência Médica da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) e conselheira do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Sem rodeios, ela vai fundo: “Será que se tivéssemos nas faculdades de Medicina uma quantidade razoável de professores e alunos negros e portadores da anemia falciforme isso não seria diferente?”</p>
<p>Sílvia põe o dedo na ferida: “Se fosse uma doença de brancos, a mobilização social pela assistência de melhor qualidade seria mais forte; como atinge mais negros e pobres, é relegada ao segundo plano”.</p>
<p>“Nem o movimento negro se preocupa muito com a questão”, diz Nilcéa, mãe do Agner e presidente da Associação Pró-Falcêmicos (Aprofe). “A mídia também não liga; o assunto não dá ibope.”</p>
<p>Resultado desse desinteresse quase geral: os portadores brasileiros de anemia falciforme vivem, em média, bem menos que os franceses e os ingleses. Segundo dados de um levantamento feito pelo Ministério da Saúde, de 1979 a 1995, 25% morrem até os 5 anos de idade; cerca de 70% até os 29 anos. É o único disponível no país. Números atuais não estão publicados.</p>
<p>“As mães são outras vítimas”, denuncia Nilcéa. “A maioria é abandonada pelo companheiro, que, equivocadamente, acha que o ‘problema’ não é da parte dele. Sobra então tudo para a mulher. Além de maltratada pelo filho que a culpa pela doença, às vezes perde o emprego para cuidar dele. Uma covardia.”</p>
<p><strong>PAI E MÃE PRECISAM TER A ALTERAÇÃO GENÉTICA</strong></p>
<p>A anemia falciforme, como já dissemos, é um defeito genético da hemoglobina. Trata-se de uma proteína, que, por sua vez, é composta por aminoácidos. São como “tijolinhos” de uma casa. Têm que ser assentados numa ordem correta. Quando isso não acontece, a pessoa nasce com alteração genética. No caso da anemia falciforme, a troca de posição de um dos “tijolinhos” faz com que a pessoa não produza a hemoglobina A, que é a normal. Em vez disso, fabrica uma hemoglobina chamada S.</p>
<p>“Para uma pessoa ter anemia falciforme, é preciso herdar o gene da hemoglobina S do pai e da mãe”, ensina a doutora Sandra. “É o chamado SS.”</p>
<p>Quando herda apenas um gene alterado – do pai ou da mãe – a pessoa é AS. Ela tem, o que os médicos denominam, traço da doença, mas não a desenvolve. Porém, se tiver filho com um portador do traço da anemia falciforme (AS), o casal tem 25% de probabilidade de gerar um bebê SS; 50%, de ele ser AS; e 25%, de ser normal (AA).</p>
<p>É exatamente o que aconteceu com Nilcea e o ex-marido. Ambos são AS.  Agner nasceu SS. A irmã Lilian é AA, normal, assim como a noiva. Logo, os futuros filhos de Agner e Cristelene serão AS (traço-falciforme), mas não terão a doença. No país, segundo estimativas do Ministério da Saúde, existem 30 mil portadores de anemia falciforme e 7 milhões de traço-falciforme.</p>
<p>“Aqui, devido à grande miscigenação, não dá para dizer que o indivíduo tem ou não anemia falciforme pela cor da pele”, adverte a doutora Sandra. É só ficar uma tarde no seu ambulatório no Hospital das Clínicas para ter certeza: há brancos, amarelos, pardos, ou mulatos, e negros. “No fundo do baú, quase todo brasileiro tem um pouco de sangue negro”, brinca Nilcéa. “É como dizia Darcy Ribeiro [antropólogo e educador, 1922-1997]. No nosso genoma, metade é índia, metade é negra”, concorda a doutora Sílvia Brandalise.</p>
<p><strong>DOENTE PARA A VIDA TODA COMO O DIABÉTICO</strong></p>
<p>O fato é que a anemia falciforme é uma doença que provoca deficiência progressiva de todo o corpo humano. Faz com que em condições adversas, como baixas ou altas temperaturas, atividade física exagerada, grandes altitudes, dificuldades emocionais, o portador tenha crise. O glóbulo vermelho, em vez do formato de disco, assume o de uma foice ou de uma meia-lua. Perde também a maleabilidade, tornando-se mais rígido.</p>
<p>Conseqüentemente, o glóbulo vermelho passa com mais dificuldade pelos vasos sangüíneos, inflamando a parede interna deles, que, aos poucos, aumenta de espessura. É como se um cano de água fosse ficando enferrujado por dentro. O interior dos vasos sangüíneos vai diminuindo. Com o tempo, devido a essas obstruções, a passagem do sangue é diminuída ou interrompida. São as isquemias, que podem ocorrer em todo o organismo.</p>
<p>“Por isso, aos 7, 8, 9 anos, as crianças com anemia falciforme podem ter acidente vascular cerebral”, expõe Sílvia. É o AVC, mais conhecido como derrame cerebral. Entre 10 e 15 anos, ocorre atrofia do baço, podendo ocorrer áreas de infarto no coração e nos rins. A isquemia que acomete os ossos causa muitas dores, principalmente nas costas, nas pernas e nos quadris. Com o avançar dos anos, os problemas tendem a se agravar e a se acumular.</p>
<p>“O grau de gravidade varia de caso para caso”, explica Sandra. “Alguns falcêmicos têm poucas complicações, como o Agner; outros vivem internados.” Uma coisa, porém, é comum a todos: a anemia falciforme é doença para a vida toda, como o diabetes. Aliás, o grande desafio é tratar a anemia falciforme como já se faz com o diabetes, prevenindo as complicações.</p>
<p>“É óbvio que os afro-descendentes estão conquistando seus direitos no Brasil. Mas, como médica, não dá para aguardar que a transformação social ocorra e a anemia falciforme receba a atenção devida”, argumenta a médica Maria do Patrocínio.  “Temos que começar – já! &#8212; a modificar a assistência ao falcêmico, a partir da melhor formação dos profissionais de saúde e da orientação adequada aos familiares de portadores.”</p>
<p><strong>TESTE DO “PEZINHO”, VACINAS E  ACONSELHAMENTO</strong></p>
<p>O ponto de partida é o diagnóstico neonatal. É o teste do “pezinho”, feito no recém-nascido na maternidade. Ele é obrigatório em todo o país para fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito (podem causar déficit mental), mas não para anemia falciforme, que é muito mais freqüente. É lei apenas em todo o estado de Minas Gerais e em algumas capitais.</p>
<p>“É impossível olhar um recém-nascido e saber se ele é falcêmico ou não; até o quarto ou sexto mês, não tem sintoma algum”, justifica Sílvia. “Logo, tem que se garantir por lei federal a inclusão da anemia falciforme no teste do “pezinho” para todos os bebês, uma vez que há afro-descendentes no país inteiro.”</p>
<p>Dando positivo, automaticamente, submete-se a criança a novo teste, mesmo que seja traço-falciforme (AS). Confirmado, é indispensável o estudo genético do pai e da mãe, para verificar se o casal tem risco ou não de ter um filho SS, portanto com anemia falciforme mesmo. “Neste momento, é fundamental o aconselhamento genético”, frisa a doutora Sílvia. “É lógico que a decisão de ter ou não um filho é do casal, mas ele tem que estar devidamente informado do risco que corre.”</p>
<p>Nos casos em que o recém-nascido é SS, é preciso começar, imediatamente, a orientar a mãe sobre vários cuidados especiais, entre os quais:</p>
<p>* Ao notar que a criança está febril, buscar rapidamente o serviço de saúde.</p>
<p>* Vacinar o bebê contra as bactérias pneumococo e haemophilus, além das vacinas convencionais.</p>
<p>* Iniciar, aos dois meses, a penicilina profilática. Pode ser por injeção (semanal) ou via oral (diária). Ela reduz drasticamente as infecções por pneumococo e meningococo, bactérias que causam meningites, amidalites, otites.</p>
<p>“Como o baço da criança falcêmica não funciona direito, ela tem 300 vezes mais risco de infecções por pneumococo e meningococo do que a população em geral”, adverte a doutora Sílvia. “Essas bactérias são os grandes exterminadores das crianças que não fazem a penicilina profilática.”</p>
<p>Ou seja, não basta fazer o diagnóstico. O acompanhamento clínico e o tratamento têm que estar acoplados aos centros de diagnóstico. No Brasil, se prioriza  os hemocentros como local de atendimento.</p>
<p>Sílvia Brandalise discorda: “Banco de sangue e pronto-socorro não são lugares para se tratar de portadores de anemia falciforme. A criança e o adolescente têm que se tratados em serviços de pediatria que funcionam 24 horas e equipe multiprofissional: pediatra, psicólogo, enfermeiro, assistente social, fisioterapeuta. Assim como o adulto deve ser acompanhado por serviço clínico, não necessariamente hematologista. O desejável é que o diagnóstico neonatal seja amarrado no serviço público ou filantrópico, para atender todos esses doentes. É o único jeito de garantir a continuidade do tratamento e o seu sucesso. Problema de saúde pública se resolve com parceiros públicos”.</p>
<p><strong>CAMPINAS REDUZIU A MORTALIDADE PARA 1,8%</strong></p>
<p>Em Campinas, isso é realidade. Em 1992, uma lei municipal garantiu o acesso ao diagnóstico neonatal de anemia falciforme para todos os recém-nascidos da cidade. É um exemplo para todo o Brasil.</p>
<p>Atualmente, o diagnóstico neonatal e o aconselhamento genético são feitos no Centro Abrangente de Atenção Integrada ao Doente Falcêmico, criado na Unicamp, em 1988, pela própria Sílvia. Dando positivo, o bebê passa a ser atendido imediatamente no Centro Boldrini, um hospital filantrópico conveniado com a Unicamp. Além dos problemas típicos da infância, cuida de todos os decorrentes da anemia falciforme. Mais tarde, se encarrega de fazer a transição da adolescência para a idade adulta. A entrega é da mão do pediatra para a do clínico geral. Afinal, o doente não pode se perder nesse percurso, como habitualmente acontece.</p>
<p>“Em Campinas, a mortalidade que era de 25% até os cinco anos, como no restante do Brasil, caiu para 1,8% nos últimos 15 anos”, revela a professora Sílvia. “Se terá impacto na vida adulta deles, não sabemos. A esperança é que contribua para aumentar expectativa de vida a níveis semelhantes aos da França e Inglaterra ou mesmo dos Estados Unidos.”</p>
<p>Será esse o caminho? Terceirizar o teste do recém-nascido para Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais é o mais indicado, considerando que o foco da Apae são a deficiências mentais e não a anemia falciforme? Como assegurar o acesso universal à medicina de qualidade, à reabilitação e a inserção social desses pacientes? Como educá-los bem como os familiares sobre a doença? Como capacitar e treinar os médicos dos postos de saúde e do Programa Saúde da Família para atendê-los?</p>
<p>Tudo isso será discutido nos dias 9 e 10, em Campinas. “Temos que redirecionar as conquistas já alcançadas”, afirma Sílvia Brandalise. “No Brasil, o SUS [Sistema Único de Saúde] tem tudo para dar certo na assistência ao portador de anemia falciforme, desde que se redefinam os níveis de competência e responsabilidade dos prestadores dos serviços de saúde e dos gestores através do monitoramento dos indicadores de qualidade da saúde.”</p>
<p><strong>AOS MÉDICOS, PACIENTES, FAMILIARES E ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS</strong></p>
<p>Independentemente dos resultados da reunião em Campinas, as doutoras Maria do Patrocínio e Sandra Gualandro mandam vários recados.</p>
<p>Os de Maria do Patrocínio são para os colegas. Temos que:</p>
<p>1º) parar de olhar para anemia falciforme como uma doença exótica, folclórica, e tratar os portadores como pessoas. Se olharmos eles como pessoas, muita coisa já muda;</p>
<p>2º) nos apropriar do saber sobre a anemia falciforme, para formar equipes multidisciplinares, capacitadas a informar as pessoas, sejam elas portadoras ou não da doença. Quando os pacientes detêm o conhecimento, eles transformam a ação dos profissionais de saúde que encontram.  Isso já acontece na asma e no diabetes;</p>
<p>3º) ser mais propositivos em relação a essa questão e levá-la a debate nas instituições de ensino, nas entidades médicas, nas escolas e outros conselhos de profissionais de saúde;</p>
<p>4º) nos informar mais sobre a dor que acomete o falcêmico. Nas emergências, muitas vezes rejeitamos, por preconceito, a prescrição da morfina. Achamos que essas pessoas querem-na, porque já se “viciaram”. Acontece que se nós não as tratarmos corretamente, elas vão ter mais crises, vão precisar de mais morfina, e aí, sim, podem se tornar dependentes. Julgar a intensidade da dor de um doente não é direito do profissional de saúde. A dor é do outro, e ela tem que ser tratada adequadamente. É nosso dever.</p>
<p>“De fato, o principal motivo para a busca das emergências são as crises de dor – é lancinante”, alerta a doutora Sandra. “Como são recorrentes, muitas vezes os falcêmicos até pedem a medicação específica. Colegas, acreditem neles! Encarem essa dor como se fosse a de um paciente terminal ou de um politraumatizado. A morfina é o medicamento mais seguro para tratar a crise dolorosa intensa. Nessa hora, se eles se sentirem apoiados,  não vão exagerar na dor para conseguir o medicamento.”</p>
<p>Sandra tem outros dois recados:</p>
<p>1º) Para as instituições governamentais. É preciso disponibilizar urgentemente o Doppler transcraniano para todas as crianças com anemia falciforme. Esse exame, um tipo de ultra-som, detecta o aumento de fluxo de sangue na artéria cerebral, podendo prevenir o AVC.</p>
<p>2º) Para os portadores de anemia falciforme e familiares.  É importante que se organizem, como os pacientes com talassemias (doença genética que afeta os povos mediterrâneos, principalmente italianos), HIV/aids e diabetes, e partam para ações positivas. Por exemplo, pedir às câmaras municipais que incluam a anemia falciforme na categoria de transporte gratuito. As idas freqüentes ao hospital pesam muito no orçamento já reduzido por causa da doença. Acreditem: ninguém tem mais poder de pressão que vocês!</p>
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		<title>Os resultados da febrilidade da mídia começam a aparecer</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/01/os-resultados-da-febrilidade-da-midia-comecam-a-aparecer/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Jan 2008 11:25:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Crescem casos de reação à vacina
O Estado de São Paulo

Em uma semana, suspeitas passaram de 31 para 43
Fabiane Leite
  Em uma semana, subiu de 31 para 43 o número de pessoas que possivelmente tiveram reação adversa à vacina contra a febre amarela. Como tem afirmado o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="post-title"> <a href="http://leituras-favre.blogspot.com/2008/01/os-resultados-da-febrilidade-da-mdia.html"><br />
</a></h3>
<p><a href="http://bp3.blogger.com/_zOAxGMzhbJ4/R58MqgdgI7I/AAAAAAAACDU/SMaQBjvshn4/s1600-h/Vacina.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img src="http://bp3.blogger.com/_zOAxGMzhbJ4/R58MqgdgI7I/AAAAAAAACDU/SMaQBjvshn4/s400/Vacina.jpeg" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160857622397592498" border="0" /></a><br />
<span style="font-weight: bold; font-size: 130%" class="tit"><!-- ### inicio_titulo --><span style="font-size: 180%">Crescem casos de reação à vacina</span></p>
<p>O Estado de São Paulo<br />
<!-- ### fim_titulo --></span></p>
<p style="font-weight: bold"><span class="sinopse"><!-- ### inicio_olho -->Em uma semana, suspeitas passaram de 31 para 43<!-- ### fim_olho --></span></p>
<p><span class="credito"><em><!-- ### inicio_assinatura -->Fabiane Leite<!-- ### fim_assinatura --></em></span></p>
<p><span class="not"> <!-- ### inicio_texto --> Em uma semana, subiu de 31 para 43 o número de pessoas que possivelmente tiveram reação adversa à vacina contra a febre amarela. Como tem afirmado o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o total de casos em que a imunização pode ter sido prejudicial já é maior do que o de confirmações de febre amarela silvestre no País: foram 19 desde dezembro, com 10 mortes , segundo o último boletim. (&#8230;)</p>
<p>Leia mais no jornal O Estado de São Paulo</span></p>
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		<title>País vive &#8216;revolta da vacina&#8217; às avessas</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jan 2008 14:15:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Há cem anos, pessoas fugiam da vacinação no Rio; agora, febre amarela leva até quem já foi vacinado a postosLígia Formenti &#8211;  O Estado de São Paulo
  A recente corrida da população pela vacina contra febre amarela já é comparada por alguns sanitaristas com um movimento que ocorreu em 1904 no Rio, [...]]]></description>
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</a></h3>
<p style="text-align: center">
<p id="photo"><img src="http://d.yimg.com/br.yimg.com/pi/news/080117/ydownload_agestado/i/ca-832e6589a31775ee606d0f5685afec1a.jpeg?x=380&amp;y=325&amp;sig=GBEVu9PVVyqBu9Tkzah8_Q--" alt="Fila para vacinação contra a febre amarela no Centro de Atendimento Integrado de Saúde (Cais) do setor Garavelo, em Goiânia (GO), nesta quarta-feira (15).  " title="Fila para vacinação contra a febre amarela no Centro de Atendimento Integrado de Saúde (Cais) do setor Garavelo, em Goiânia (GO), nesta quarta-feira (15).  " border="0" height="325" width="380" /></p>
<p><span style="font-weight: bold" class="sinopse"><br />
Há cem anos, pessoas fugiam da vacinação no Rio; agora, febre amarela leva até quem já foi vacinado a postos<!-- ### fim_olho --></span><span class="credito"><em><!-- ### inicio_assinatura -->Lígia Formenti &#8211;  O Estado de São Paulo<!-- ### fim_assinatura --></em></span></p>
<p><span class="not"> <!-- ### inicio_texto --> A recente corrida da população pela vacina contra febre amarela já é comparada por alguns sanitaristas com um movimento que ocorreu em 1904 no Rio, conhecido como &#8216;revolta da vacina&#8217;. Porém, ao contrário. No século passado, a movimentação era para evitar a vacinação. Embora o governo garantisse, na época, que a imunização era segura, ninguém a aceitava. Agora, ocorre o inverso. Embora desde o início das mortes de macacos o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assegure que não há risco de surto, pessoas de todos os locais do País &#8211; mesmo em áreas consideradas livres do problema &#8211; insistem em ser imunizadas. E, em casos extremos, mais de uma vez.<br />
</span><span id="more-3067"></span><br />
<span class="not"><img src="http://www.estadao.com.br/ext/selos/icone-bullet.gif" alt="link" border="0" />  <a href="http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid113447,0.htm" target="_blank"><u>Veja especial</u></a> sobre febre amarela e a Revolta da Vacina</p>
<p>&#8216;É uma revolta da vacina ao avesso&#8217;, resume Rui de Paiva, da Gerência de Atenção Básica de Especialidades da Secretaria Municipal de Guarujá. Um dia depois do pronunciamento de Temporão em rede nacional sobre febre amarela, a cidade litorânea paulista viveu uma onda de procura pela vacinação.</p>
<p>Depois de seis casos de meningite meningocócica registrados, a secretaria decidiu fazer uma vacinação de bloqueio numa favela Chaparra. No entanto, a população de bairros vizinhos exigia que a vacina fosse estendida para crianças de outras áreas. Um tumulto se instalou, profissionais de saúde precisaram de escolta policial.</p>
<p>&#8216;No caso da febre amarela, é a mesma coisa. As pessoas parecem não acreditar nos critérios técnicos, adotados no mundo inteiro, não só no Brasil&#8217;, completa. Para ele, o comportamento acaba levando a uma contradição: &#8216;Há mais pessoas com efeitos colaterais por uso da vacina do que pessoas com suspeitas de febre amarela.&#8217; Na sexta-feira, o governo anunciou que havia 31 pessoas internadas com reações por causa de superdosagem da vacina.</p>
<p>O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Celso Granato faz igual avaliação. &#8216;Esse fenômeno é um misto de desinformação e descrédito das autoridades&#8217;, observa. &#8216;Talvez por causa de discursos passados, a tendência é as pessoas tentarem resolver seus problemas por conta própria, não pensar em autoridades.&#8217;</p>
<p>Ontem, Temporão afirmou que a corrida pela vacina começa a diminuir. &#8216;As pessoas já estão entendendo que não há surto, não há risco de epidemia nas cidades.&#8217; O ministro, porém, afirmou que não há, no momento, perspectivas de retomar a exportação da vacina. A distribuição para mais de 30 países foi suspensa no fim do ano passado, depois das notícias de mortes de macacos em regiões de risco para febre amarela. &#8216;Somente vamos retomar a exportação quando estoques reguladores do País estiverem normalizados&#8217;, disse Temporão.</p>
<p>Ele afirmou ontem à tarde que não há aumento do número de casos da doença. &#8216;Foi um aumento concentrado. Agora a situação começa a se normalizar&#8217;, completou. Para ele, a corrida pela vacina foi provocada, sobretudo, pela &#8216;informação incorreta&#8217;, transmitida para a população. &#8216;E isso não foi feito pelo ministério.&#8217; O ministro disse serem fundamentais, porém, os esforços das Secretarias de Saúde dos Estados para tentar reduzir ao máximo a vacinação desnecessária de parte da população.</p>
<p>O Ministério da Saúde confirmou neste ano 12 casos de febre amarela no País, somando 8 mortes de pessoas que passaram ou moravam no Estado de Goiás.</p>
<p>A Prefeitura de São Paulo reduziu de 407 para 73 o número de postos de saúde que oferecem a vacina contra a febre amarela. A lista dos locais pode ser consultada no site http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/saude ou pelo telefone 156.<br />
<strong>COLABORARAM RUBENS SANTOS E FABIANE LEITE</strong></p>
<p><strong>A DOENÇA</p>
<p>O que é:</strong> Doença infecciosa febril aguda, de duração máxima de 10 dias. Pode matar</p>
<p><strong>Transmissão:</strong> Ocorre pela picada de mosquitos infectados. Não há transmissão de humano para humano. O tipo silvestre é transmitido pela fêmea dos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. O tipo urbano é transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo da dengue</p>
<p><strong>A vacina:</strong> É gratuita e está disponível nos postos de saúde. É administrada em dose única a partir dos 9 meses e vale por 10 anos. É dispensável para quem não vai viajar ou não mora em áreas de risco.</p>
<p><strong>Sintomas:</strong> febre, dor de cabeça e no corpo, náuseas, icterícia e hemorragias. O tratamento apenas controla os sintomas</span></p>
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		<title>Qual mosquito picou a mídia?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jan 2008 11:50:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Uma luz nas motivações febris da imprensa
As questões levantadas sobre o pânico provocado pelo boato sobre &#8220;epidemia&#8221; de febre amarela são esclarecedoras sobre a maneira e os motivos pelo qual, uma boa parte da mídia, incentivou a &#8220;corrida&#8221; pela vacina.
Hoje o jornal O Estado de São Paulo entrevista o historiador José Murilo de Carvalho, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="post-title"> <a href="http://leituras-favre.blogspot.com/2008/01/qual-mosquito-picou-mdia.html"><br />
</a></h3>
<p><a href="http://bp2.blogger.com/_zOAxGMzhbJ4/R5codQdgIVI/AAAAAAAAB-o/MGwsoTJJ3mg/s1600-h/mosquito.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img src="http://bp2.blogger.com/_zOAxGMzhbJ4/R5codQdgIVI/AAAAAAAAB-o/MGwsoTJJ3mg/s400/mosquito.jpg" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158636381276217682" border="0" height="329" width="485" /></a><br />
<span style="text-decoration: underline"><span style="font-size: 130%"><span style="font-weight: bold">Uma luz nas motivações febris da imprensa</span></span></span></p>
<p>As questões levantadas sobre o pânico provocado pelo boato sobre &#8220;epidemia&#8221; de febre amarela são esclarecedoras sobre a maneira e os motivos pelo qual, uma boa parte da mídia, incentivou a &#8220;corrida&#8221; pela vacina.</p>
<p>Hoje o jornal <span style="font-weight: bold; font-style: italic">O Estado de São Paulo</span> entrevista o historiador José Murilo de Carvalho, tentando desvendar o motivo da população ter considerado que devia correr aos postos de vacinação. A resposta é &#8221; desconfiança na palavra do governo&#8221;. O jornal limita-se a perguntar, com objetividade e as reflexões são do entrevistado.</p>
<p>Em 15 de janeiro, depois do pronunciamento em cadeia nacional do Ministro da Saúde sobre a questão, o editorial do <span style="font-weight: bold">Estadão</span> concluía:</p>
<p><span style="font-weight: bold; font-style: italic">&#8220;Hoje, com a revolução da tecnologia, as informações de todo tipo, inclusive as científicas e as que dizem respeito à saúde e à higiene estão ao alcance até dos analfabetos. Mas, até por ter fácil acesso às informações de todos os dias que desmoralizam governos ao exporem a facilidade com que costumam enganar o povo, é perfeitamente compreensível a desconfiança da população, quanto a desmentidos oficiais de problemas. E isso vale tanto para desmentidos de risco de apagões como de risco de epidemias. Resta esperar que a população seja capaz de se convencer da ausência de risco com o conhecimento das notícias sobre o número ínfimo de casos confirmados de febre amarela.&#8221;</span></p>
<p>Um aberto chamado a desconfiar da informação e verdadeiro incentivo ao corre, corre.</p>
<p>Durante os primeiros dias de janeiro cada intervenção do Ministro da Saúde para transmitir informação clara e segura sobre o tema levava quase sempre o termo epidemia na manchete. &#8220;Ministro nega epidemia&#8230; após novos casos e mortes&#8230;&#8221;. A articulista Eliane Cantanhêde, da Folha, gritava com todas suas forças:</p>
<p><span style="font-style: italic"><span style="font-weight: bold">&#8220;Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem&#8230; Vacine-se logo! &#8221; </span></span></p>
<p>Hoje o <span style="font-weight: bold">Estadão</span> nos informa que <span style="font-weight: bold">&#8220;País vive &#8220;revolta da vacina&#8221;às avessas&#8221;</span> e que <span style="font-weight: bold">&#8220;há mais gente com efeito colateral das doses do que com suspeita da febre&#8221;</span>.</p>
<p>E a culpa seria do governo?</p>
<p>A &#8220;epidemia&#8221; de febre amarela e o &#8220;apagão&#8221; da eletricidade foram os grandes temas da mídia deste começo de 2008. Cada negação do governo era posta na conta de querer esconder a incompetência, negando a evidência. Tínhamos epidemia e não tínhamos luz esse era o mantra.</p>
<p>Agora já não temos epidemia, mas para alguns jornais ainda não temos luz, mesmo assim podemos pelo menos ler e saber como somos (des) informados.</p>
<p>Luis Favre</p>
<p><span style="font-weight: bold; font-size: 130%" class="tit">&#8216;A população evoluiu nessa questão, o governo, não&#8217;<!-- ### fim_titulo --></span></p>
<p><span class="sinopse"><!-- ### inicio_olho -->O Estado de São Paulo<br />
</span></p>
<p><span class="sinopse">Entrevista<br />
José Murilo de Carvalho: historiador<br />
Estudioso acredita que pessoas compreenderam a importância da vacina, mas ainda não confiam no discurso das autoridades<!-- ### fim_olho --></span></p>
<p><span id="more-3066"></span></p>
<p><span class="credito"><em>Lígia Formenti, Brasília<!-- ### fim_assinatura --></em></span></p>
<p><span class="not"> <!-- ### inicio_texto --> Para o historiador José Murilo de Carvalho, a recente corrida da população pela vacina contra a febre amarela reflete um grande avanço da sociedade brasileira. O mesmo não se pode dizer, porém, do governo. “A população evoluiu, o governo não.” Murilo de Carvalho, que estudou o conflito no Rio em 1904 conhecido como “revolta da vacina”, observa que, nos dois momentos, a população demonstrou uma profunda desconfiança diante do discurso feito pelas autoridades. Tal descrédito é fruto da própria atitude do governo. A seguir, principais trechos da entrevista concedida ao Estado.</span></p>
<p><strong>Vivemos o inverso da “revolta da vacina”?</strong></p>
<p>O movimento de agora reflete uma grande mudança da postura popular em relação à vacina. No começo do século passado, havia uma decisão tomada legalmente pelo Congresso para vacinar pessoas, visitar casa por casa. Uma prática com a qual o povo não estava acostumado, que provocava grande desconfiança e descontentamento. Ninguém queria que o governo entrasse em sua casa. Além disso, havia um medo grande em torno das reações que a vacina poderia provocar.</p>
<p><strong>E hoje, o que ocorre?</strong></p>
<p>A desconfiança com relação à vacina obviamente acabou. Isso é um enorme progresso da opinião pública. As pessoas sabem que a vacina é um instrumento importante, que ela é segura. Mas a desconfiança de antes se mantém. Agora, o governo diz que não há epidemia, que não é preciso que todos se vacinem, mas o povo não acredita. Avalio que a opinião pública progrediu. Hoje as pessoas pedem, entendem o poder da vacina e cobram do governo. Mas se mantém uma percepção de que políticos não são confiáveis.</p>
<p><strong>A que atribui essa desconfiança?</strong></p>
<p>Uma longa tradição do governo, confirmada pela história recente. E isso vale para todos os poderes. No Executivo, por exemplo. Antes se garantiu que não ocorreria caos aéreo. E o caos aéreo se instalou. Depois se garantiu que não haveria aumento dos impostos. O governo diz e logo depois se desmente. O que mostra haver uma enorme distância entre poder público e povo.</p>
<p><strong>Como se dá essa distância no caso da febre amarela?</strong></p>
<p>Ela existe mesmo num governo eleito democraticamente. E as pessoas têm essa percepção, demonstram claramente que a desconfiança é enorme. Para resumir: é uma fraqueza da nossa democracia.</p>
<p><strong>E como isso pode ser revertido?</strong></p>
<p>É um processo lento. Nossa democracia é muito jovem. Outros países demoraram séculos para alcançar esse estágio. É preciso eleger grupos, ver que eles não estão funcionando, não reelegê-los. A expressão do descontentamento na hora do voto.</p>
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		<title>Ombudsman da Folha: Alarmismo do jornalismo sobre a febre amarela</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jan 2008 18:59:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem





MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br
Quem sabe sabe
O artigo de Adib Jatene na seção Tendências/Debates reforça a impressão de que houve exagero e alarmismo no jornalismo brasileiro na cobertura sobre febre amarela.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="post-title"> <a href="http://leituras-favre.blogspot.com/2008/01/ombudsman-da-folha-alarmismo-do.html"><br />
</a></h3>
<p><img src="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/images/ombudsman-290x40.gif" alt="L'image “http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/images/ombudsman-290x40.gif” ne peut être affichée car elle contient des erreurs." /></p>
<table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" width="230">
<tr align="right">
<td><span style="font-size: 78%">Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem</span></td>
</tr>
<tr>
<td><img src="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/images/mario_magalhaes-230x310.jpg" alt="O ombudsman Mário Magalhães" height="310" width="230" /></td>
</tr>
</table>
<p><strong>MÁRIO MAGALHÃES</strong><br />
<a href="mailto:ombudsman@uol.com.br">ombudsman@uol.com.br</a></p>
<p><span style="font-size: 130%"><strong>Quem sabe sabe</strong></span></p>
<p>O artigo de Adib Jatene na seção Tendências/Debates reforça a impressão de que houve exagero e alarmismo no jornalismo brasileiro na cobertura sobre febre amarela.</p>
]]></content:encoded>
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