12/05/2008 - 15:11h Morre Irena Sendlerowa, polonesa que salvou milhares no Gueto de Varsóvia

VARSÓVIA - A polonesa Irena Sendler, que salvou milhares de crianças judias durante a Segunda Guerra Mundial ao retirá-las do Gueto de Varsóvia, morreu na segunda-feira aos 98 anos, após uma prolongada doença, segundo o site do jornal Gazeta Wyborcza.

Ela estava internada no hospital Rua Plocka, que não quis comentar o fato, de ampla repercussão na imprensa local.

Como assistente social, Sendler fazia visitas regulares ao gueto, o que lhe permitiu retirar 2.500 crianças escondidas em caixas, malas ou carrinhos.

As crianças eram então entregues a famílias polonesas fora do gueto, criado em 1940 pela Alemanha nazista para reunir os cerca de 500 mil judeus de Varsóvia. Fora dali, as crianças recebiam novas identidades.

Sendler chegou a dirigir o departamento infantil da organização Zegota, que ajudava judeus durante a guerra. Mas em 1943 ela foi presa e torturada pela Gestapo.

Só escapou da execução porque a Zegota conseguiu subornar autoridades nazistas, que a deixaram inconsciente e com braços e pernas quebradas numa mata.

Em 1965, Sendler recebeu uma condecoração do governo de Israel, e posteriormente foi declarada cidadã honorária do Estado judeu. No ano passado, foi indicada ao Nobel da Paz. Apesar da sua bravura, rejeitava o rótulo de heroína.

Fonte Agencia Estado

12/05/2008 - 08:41h Maio 68: Um ano que continua a resistir a qualquer teoria ou interpretação

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No campo da memória, cada pessoa colore os eventos de Maio de 68 com os próprios pincéis

Gilles Lapouge - O Estado de São Paulo

Estamos em maio, esse belo mês, com sua suave luminosidade, os lírios do campo, o verde, as rosas e, como acontece a cada dez anos, as comemorações do Maio de 68, as amplas revoltas estudantis que não conseguiram demolir o governo francês mais poderoso e mais respeitável do século, o governo do general De Gaulle.

Nenhuma cerimônia de aniversário, mas muitas reuniões, artigos, livros, um “espírito da época”. Por que tantos discursos? Em primeiro lugar, porque 40 anos se passaram. Um lapso de tempo que dá àqueles eventos um “ar histórico”.

Além disso, o presidente Nicolas Sarkozy, quando ainda era um homem “glorioso” e não um “ineficaz” (ou seja, há um ano), definiu-se como “o homem que ia liquidar Maio de 68”. Bravo Nicolas! (alguns meses depois, Sarkozy casou-se com uma espécie de ressurreição dos estudantes de Maio de 68, a bela Carla Bruni, “queridinha” da “esquerda festiva”, superlativamente).

E, de novo, percebe-se que Maio de 68 continua rebelde a todas as interpretações, teorias e recuperações. Cada um colore Maio de 68 com os próprios pincéis, com cores que, segundo o caso, são ou anarquistas, ou festivas, utópicas, tirânicas, sexuais, dirigistas, individualistas, comunitárias, etc.

mai68.jpgMaio de 68 é um episódio incompreensível sobre o qual todos os modelos apenas resvalam. Mesmo com 40 anos de distância, ninguém sabe realmente o que foi exatamente. É um “objeto histórico não identificado”, não identificável; não se parece com nada. E nada do que se faz ou do que se pensa hoje poderia se dizer que é um eco, um reflexo, mesmo deformado, de Maio de 68.

Por exemplo, hoje, nesta primavera de 2008, as ruas de Paris ferveram, com alunos, estudantes, professores, gritando. Imediatamente, os jornais evocaram uma espécie de “prolongamento” ou um obscuro “retorno” de Maio de 68. Ora, basta ouvir os slogans gritados hoje para compreender que são antípodas daqueles de 68.

Em Maio de 68, os estudantes se manifestaram contra a disciplina, contra os mestres que impunham uma ordem austera, contra as faculdades onde os professores, os “mandarins”, davam seus cursos em toga e arminho. Maio de 68 queria, ao contrário, que as obrigações e as lições desaparecessem, que os exames fossem abolidos, que os professores se recolhessem no seu canto, que as idéias se fizessem sozinhas, por partenogênese, por qualquer um e por todo o mundo.

Em 2008, os netos dos magníficos doidivanas de 68 são sérios como cardeais. Invadem a rua para reclamar o contrário da liberdade cara a seus “jovens avós” de 1968: eles querem mais professores, mais lições para “decorar”, mais disciplina, mais exames, mais seriedade.

Os manifestantes de 68 eram alegres como as borboletas, os loucos, os malabaristas. Os de 2008 são circunspectos, angustiados. Têm medo de seus estudos, da profissão que não vão encontrar, da sociedade macilenta que os aguarda.

Salvo alguns casos um pouco patológicos, os estudantes de 2008 não falam em revolução, mas de ordem, regulamentos. Empreendem um combate corporativista, sem jamais questionar as estruturas da sociedade presente. Querem apenas melhorar as engrenagens e, sobretudo, que os mestres os façam trabalhar, que os preparem para a sua futura inserção, sem dramas, na sociedade liberal.

Em Maio de 68, o termo “revolução” estava em todas as bocas. E cada grupo desse “conjunto em fusão”, como disse Sartre, produzia o próprio modelo de revolução. Cada um tentava trazer novamente à tona uma antiga revolução fracassada ou subvertida.

Era a “tomada da Bastilha” em 1789, Lenin dançando na neve de Moscou em 1905 durante a revolução bolchevique (fracassada), ou a Comuna de Paris (anarquista) em 1871, a revolução literária do surrealismo em 1920, ou mesmo a revolução de Mao Tsé-tung.

Por isso, houve tantas barricadas nas ruas de Paris: como os estudantes souberam que, em julho de 1848, e na primavera de 1871, os insurgentes erigiram barricadas com paralelepípedos, resolveram fazer a mesma coisa, numa imitação um tanto supersticiosa e nostálgica, atirando-os contra os pobres policiais.

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Mas, mesmo quando invocavam esta ou aquela antiga revolução, torciam o seu sentido. Era uma referência mais “literária” do que “política”. Maio de 68 não pretendia tanto repensar a sociedade, mas mudar a visão do mundo, inventar uma nova filosofia. Os estudantes apostavam que, após a sua revolução, uma outra sociedade, como nunca houve até então na história, aliás bastante imprecisa, seria construída com base naquela nova visão do homem.

Por isso, a herança mais concreta de 1968 se inscreve menos no âmbito da política e mais no campo dos costumes, quase da filosofia. A primeira centelha de Maio de 68 não foi uma reivindicação financeira ou de uma alternativa à sociedade capitalista: foi um pedido apresentado pelos estudantes para se permitir que os rapazes fossem ao quarto das meninas no campus da universidade de Nanterre.

E o mesmo para convidar os professores das faculdades a sacudirem a poeira na qual dormitavam há dois séculos, a virem se juntar à “modernidade”. Pouco tempo depois de Maio de 68, assistimos a um espetáculo extraordinário: um professor chegou à sala de aula em “jeans” (da marca Lévi Strauss 501, aliás impecável), na faculdade revolucionária de Vincennes. Era o grande lingüista americano Noam Chomsky.

Inútil dizer que as mudanças desencadeadas por Maio de 68 em relação aos costumes, no cotidiano, na “visão do mundo”, são uma das maiores heranças desse mês extraordinário: a permissão de as mulheres usarem calças compridas, a fraternidade, a simplicidade, a liberação sexual, o direito ao aborto, o reconhecimento dos casais homossexuais, tudo isso foi efeito direto, às vezes tardio, de 68.

Com os dias passando, esse movimento lúdico constatou com espanto que aquela agitação se comunicava por si só: de amigo para amigo, ela foi para outras universidades e depois passou para a França inteira e foi além. Os estudantes viram que, sem que fosse aquele o objetivo, tinham adquirido um enorme contrapoder que fez vacilar o majestoso e brilhante general De Gaulle.

A palavra até então acorrentada se soltou, como louca, meio embriagada. Todo mundo falava com todo mundo. As barreiras sociais, cívicas, educacionais, geracionais, os códigos glaciais de comportamento, tudo desmoronou… Paris falava, falava, como um ébrio. Falava-se qualquer coisa, uma profusão de besteiras e algumas idéias inspiradas.

Com o passar do tempo, conceitos mais nitidamente políticos se insinuaram, tanto mais que o movimento se ampliou de tal maneira que contagiou outras classes, além da estudantil: operários, patrões, médicos, cineastas, todo o mundo. O movimento, ao crescer, se politizou.

E desse segundo capítulo, mais político, o que restou? Aparentemente nada. A sociedade se reconstituiu com seus altos edifícios, suas cidadelas, seus softwares. Ela se desenvolveu ao contrário das esperanças de 68, com Reagan, Thatcher, a ordem moral, etc…

Mas, na realidade, assim mesmo Maio de 68 se inscreveu na “política”. Para mim, um dos momentos mais bizarros dessas jornadas bizarras foi o grande desfile organizado no coração de Paris, em torno da praça Denfert-Rochereau.

Era um início de tarde. Nessa praça há uma estátua de um grande leão de bronze. Os manifestantes afluem de todas as partes, em grupos distintos: libertários, poetas, comunistas, vândalos, maoístas, arruaceiros, anarquistas, tipos divertidos.

Um jovem escala a estátua do leão. É um ruivo. Chama-se Daniel Cohn-Bendit. Parece um duende. É ele quem vai organizar o imenso cortejo. Com um megafone, chama os diferentes grupos: libertários, “fourieristas”, trotskistas, etc. E termina, gritando: “… e a crápula stalinista, no fim do cortejo!” Nesse dia, alguma coisa se passou no fundo das consciências. Maio de 68 permitia à juventude, pela primeira vez e solenemente, ser ao mesmo tempo “de esquerda” (pois Maio de 68 foi um movimento de esquerda) e, no entanto, ferozmente anti-stalinista, anticomunista, anti-soviética.

Não vamos dizer que Maio de 68 prefigurou os tremores de terra que se verificaram 20 anos depois e que derrubaram a fortaleza soviética. Pelo menos, precisamos reconhecer que, nessa ocasião, esses revoltosos, um pouco loucos e um pouco infantis, de Maio de 68, alguns dias antes de serem rechaçados ao seu silêncio pelo retorno triunfal de De Gaulle, pressentiram os enormes abalos que se seguiram, do arquipélago de Gulag às pregações do papa João Paulo II, da glasnost de Gorbachev às revoltas, também corajosas e grandiosas, das populações de Varsóvia ou de Berlim Oriental, cujo resultado seria a morte do comunismo, nos anos 90.

29/04/2008 - 19:51h Brasileiros vão registrar em livro e documentário marcha para lembrar Holocausto

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Auschwitz

Luisa Guedes, O Globo Online

RIO - A partir desta terça-feira, cerca de 10 mil pessoas vão repetir uma manifestação realizada há 20 anos para lembrar o Holocausto, cruzando a Polônia e seguindo para Israel na chamada Marcha da Vida. Dessa vez, a reconstituição da trilha de muitos judeus - na morte ou na terra prometida - será registrada em livro pelo publicitário Márcio Pitliuk e o fotógrafo Márcio Scavone, dois dos 400 brasileiros que embarcaram para a viagem por antigos campos de concentração e locais sagrados para o povo judeu. Parte do trabalho que será publicado no fim do ano poderá ser acompanhada no GLOBO ONLINE durante os oito dias de marcha.

O percurso da “morte à vida” também será registrado em documentário dirigido por Jéssica Sanders, indicada ao Oscar e vencedora do Sundance Festival. Idealizador do projeto, orçado em R$ 3 milhões, e único judeu na equipe de 20 pessoas que embarcou para a Polônia, Márcio Pitliuk, que será responsável pelos textos do livro, conta que ficou impressionado com a reação da equipe durante a preparação para o trabalho.

” Auschwitz é uma fábrica da morte. É um pesadelo que não tem tamanho. Achei que não ia conseguir voltar lá, mas vou ter que encarar agora “

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- Quando eu levei (à Polônia) o pessoal da equipe que não é judeu e não tem tanta vivência com o Holocausto, vi o choque deles ao descobrir o tamanho da coisa. A gente fala em três milhões de pessoas, mas parece um número qualquer. Quando chega num campo como o de Treblinka, onde 800 mil pessoas foram mortas em 10 meses, a pessoa se dá conta de que 800 mil pessoas é uma cidade grande - contou Pitliuk, ainda em São Paulo, onde vive, antes de enfrentar de novo o terror dos campos de concentração. - Auschwitz é uma fábrica da morte. É um pesadelo que não tem tamanho. Achei que não ia conseguir voltar lá, mas vou ter que encarar agora - acrescentou.

A excursão ao passado começa em Cracóvia, onde será realizada uma cerimônia que relembra o fim do Holocausto. Em seguida, os participantes refazem a caminhada de três quilômetros entre o campo de concentração de Auschwitz e Birkenau, campo de extermínio. A marcha passará ainda pelos campos de Treblinka e de Majdanek e pelo Gueto de Varsóvia. Da Polônia, o grupo segue para Israel.

A manifestação foi criada em 1988 por Abraham Hirshson, um sobrevivente do Holocausto. Seu objetivo era, principalmente, fazer com que jovens estudantes pudessem conhecer os locais do “shoah”, como é chamado em hebraico o assassinato de milhões de judeus pelo regime nazista. A marcha, que acontece todos os anos desde a primeira edição, é aberta a todos. Agora, a organização fica a cargo da ONG internacional March of the Living .

Estima-se que 20% dos participantes não sejam judeus. Entre os brasileiros, 200 são estudantes de escolas judaicas que receberam subsídios para a viagem. Os outros 200 são adultos que arcaram com os custos por conta própria.

06/12/2007 - 19:04h Canções de luta e esperança

Musicas do Gueto de Varsóvia