04/11/2009 - 13:51h Sondagem da FGV mostra que o crescimento da produção no fim do ano será o maior dos últimos dez anos

Produção superaquecida para o Natal


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Márcia De Chiara – O Estado SP

A produção industrial prevista para o último trimestre deste ano está superaquecida, o que sinaliza um Natal forte e um início de 2010 acelerado nas fábricas. Metade das 1.065 empresas consultadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) planeja crescimento da produção entre outubro e dezembro e apenas 4,3% delas programam redução. É o menor índice de indústrias que vão cortar a produção no último trimestre do ano desde 1980, o início da série.

Dos 14 gêneros industriais pesquisados pela sondagem em outubro, todos estavam com a produção prevista para o último trimestre do ano acima da média de dez anos para esse período, um resultado inédito. “A produção de outubro costuma ser menor que a de setembro”, observa o coordenador técnico da pesquisa, Jorge Ferreira Braga. Mas, neste ano, os resultados contrariaram a regra.

Segundo o economista, dois fatores explicam a mudança no padrão. O primeiro deles é atraso na produção da indústria, que primeiro tratou de se livrar dos estoques excessivos para depois acelerar a produção. O segundo fator é a própria sinalização de crescimento vigoroso do Produto Interno Bruto (PIB) para 2010, na casa de 5%, puxado pela demanda interna.

De setembro para outubro, o indicador de produção prevista para três meses, apurado pela FGV, descontadas as influências sazonais, cresceu 4,5%. O indicador leva em conta o saldo entre os porcentuais de empresas que apostam no aumento e na queda de produção.

Dos 14 gêneros pesquisados, 7 puxaram de forma acentuada o crescimento da produção prevista para o trimestre: minerais não metálicos, metalurgia, mecânica, material elétrico e de comunicações, material de transporte, têxtil e alimentos. Três desses gêneros atingiram o maior nível de produção prevista para três meses apurado pela FGV num mês de outubro.

Segundo a pesquisa, 57,4% das indústrias de minerais não metálicos, itens usados principalmente pela construção civil, acreditam que a demanda será maior até dezembro e só 3,2% delas, menor. A Eternit, por exemplo, fabricante de telhas e caixas d”água, trabalha com mais de 90% de uso da capacidade nas 5 fábricas. “Estamos praticamente sem estoques nas fábricas”, afirma o presidente da companhia, Elio A. Martins.

O empresário explica que o que o que está puxando atualmente a demanda por seus produtos é o consumo “formiga”. “É a autoconstrução, a reforma”, exemplifica. A população de baixa renda responde por 80% desse consumo. Segundo Martins, o quadro de abastecimento deve ficar mais apertado no ano que vem quando entrar em operação o programa habitacional do governo. Por isso, ele já estuda investimentos em aumento de produtividade.

A indústria mecânica, que inclui dos bens de capital que começam a reagir à linha branca (geladeiras e máquinas de lavar, por exemplo), é outro setor que está super otimista, com 58,1% das empresas planejando alta da produção no trimestre.

Beneficiadas pela prorrogação do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos, os fabricantes da linha branca vão acelerar o ritmo das fábricas. A Mabe, dona das marcas GE e Dako, por exemplo, vai ampliar em 25% a produção no último trimestre deste ano em relação a 2008. “Com certeza, será o maior trimestre de vendas da companhia no Brasil”, afirma o presidente da companhia para o Mercosul, Patricio Mendizabal. Ele observa que “os estoques da empresa estão abaixo do adequado para encarar a temporada”.

Na concorrente Whirlpool, donas das marcas Brastemp e Consul, o otimismo se repete. O diretor de Relações Institucionais, Armando Ennes do Valle Júnior, diz que o crescimento da produção no último trimestre deste ano deve oscilar entre 13% 15% em relação a 2008, que foi uma base baixa por causa da crise. Na comparação com igual período de 2007, o acréscimo varia entre 8% e 9%. “Teremos um começo de ano aquecido”, prevê o executivo, lembrando a recuperação da renda, do emprego e da oferta de crédito.

Até o setor têxtil, tido como “patinho feio” da indústria por perder mercado para os importados, deu a volta por cima. A sondagem revela que 31,5% das empresas do setor planejam aumentar a produção no último trimestre deste ano. A Stenville Têxtil, por exemplo, trabalha hoje usando 100% da capacidade de produção da fábrica de Jundiaí (SP). “A reação da economia foi muito rápida”, afirma o sócio diretor, George Tomic. O motor da reação é a reposição de estoques no varejo e as boas perspectivas para 2010.

30/09/2009 - 17:59h Vendas de carros sobem 18,4% em setembro ante agosto, diz fonte

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ALBERTO ALERIGI JR. – REUTERS – Portal Estado

SÃO PAULO – As vendas de automóveis e comerciais leves em setembro até o dia 29, no último mês com desconto cheio do IPI de carros, cresceram 18,4 por cento ante igual intervalo de agosto, afirmou uma fonte do mercado nesta quarta-feira.

No acumulado do mês até a terça-feira, as vendas totalizaram 271.145 unidades, disse a fonte à Reuters. Na comparação com setembro de 2008, exceto o último dia daquele mês, o número representa avanço de 13,8 por cento.

O volume indica uma média diária de vendas de 13.557 veículos, que se for mantida nesta quarta-feira fará setembro ultrapassar julho como segundo maior mês em vendas da história do setor no país, quando o total das vendas ficou em 273.581 veículos e comerciais leves.

O recorde ocorreu em junho, com 289.780 unidades vendidas, quando consumidores anteciparam as compras de automóveis diante da expectativa de que a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) terminasse no fim daquele mês.

O governo acabou por prorrogar pela segunda vez o desconto do IPI sobre automóveis em junho, em uma medida que foi adotada inicialmente em dezembro para ajudar o setor combalido pela crise econômica global.

“A alta (das vendas em setembro) era esperada justamente pelo mesmo fenômeno de junho, quando ficou aquela dúvida nos consumidores se o governo iria ou não prorrogar a medida de incentivo do IPI”, afirmou analista de setor automotivo Mariana Oliveira, da Tendências Consultoria.

“Para os próximos três meses, estamos esperando um recuo das vendas para um patamar próximo de julho e agosto, em torno de uma média mensal de 260 mil unidades”, acrescentou a analista, considerando o movimento de setembro como “atípico”.

De janeiro a setembro, com base nos números até o dia 29 deste mês, as vendas de automóveis e comerciais leves somam cerca de 2,18 milhões de unidades, um crescimento ao redor de 4 por cento sobre igual período de 2008.

A Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias, divulgará na quinta-feira as vendas de automóveis no país em setembro.

No próximo dia 7 é a vez da Anfavea, que representa as montadoras e também revelará os números referentes à produção.

PRODUÇÃO EM BAIXA

Apesar da alta nas vendas, a produção em setembro pode ter arrefecido devido às greves e paralisações neste mês que envolveram milhares de trabalhadores em fábricas de empresas como Volkswagen, General Motors, Renault e Ford durante negociações salariais.

Só na unidade da Volkswagen no Paraná, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, 14 mil veículos deixaram de ser produzidos em 17 dias de greve por reajuste salarial.

“A greve não foi tão extensa e nem tão intensa quanto se esperava, mas acho que deve ter afetado a produção na comparação com agosto”, afirmou professor de Economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios.

Os dados de setembro até o dia 29 apontam a Fiat na liderança, com vendas de 64.382 automóveis e comerciais leves no mês, informou a fonte. Em seguida aparece a Volkswagen, com 60.014 unidades.

13/08/2009 - 10:51h Para a Riachuelo, junho foi um mês “fantástico”

Varejo

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Claudia Facchini, de São Paulo – VALOR

Na Riachuelo, uma das três maiores redes de vestuário do país, as vendas foram “fantásticas” em junho, afastando as nuvens negras que surgiram em abril e maio, segundo afirmou ontem o e gerente de relações com investidores da companhia, Tulio Queiroz, em teleconferência com analistas de investimento.

Como o consumo manteve-se forte em julho, a varejista enxerga um cenário mais otimista no segundo semestre e já planeja acelerar a expansão em 2010. Para este ano, estão previstas seis inaugurações. No ano que vem, a rede pretende abrir dez ou mais lojas.

Embora a queda das temperaturas nos dois últimos meses tenha favorecido a demanda, a Riachuelo atribui a retomada à uma mudança de atitude dos clientes. “Em junho e julho, houve uma grande recuperação do nível de confiança dos consumidores”, disse Queiroz, acrescentando que esses foram os melhores meses do ano para a varejista. Segundo ele, maio havia sido um mês “difícil”, sem nenhum dia com baixas temperaturas.

A varejista também passou a ser mais flexível na política de crédito, o que impulsionou as vendas. Os planos com juros (em oito parcelas sem entrada) responderam por 24,2% das vendas pagas com o cartão Riachuelo no segundo trimestre, percentual superior aos 18,8% registrados no primeiro trimestre. Em fevereiro, a varejista baixou os juros de 6,9% para 5,9%.

A concessão de crédito, contudo, ainda não voltou as patamares do primeiro semestre de 2008, quando o planos com juros responderam por 35,3% das vendas feitas com o cartão Riachuelo.

A receita líquida consolidada do grupo, que inclui a rede Riachuelo e a confecção Guararapes, totalizou R$ 527 milhões no segundo trimestre de 2009, cifra 10,2% maior que a registrada em igual período de 2008. As vendas da Riachuelo cresceram 3,4%, totalizando R$ 445,8 milhões. Pelo critério “mesmas lojas”, as vendas da varejistas foram 0,3% maiores que no segundo trimestre de 2008.

27/06/2009 - 10:00h Venda de carros atinge melhor nível da história

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Junho pode superar a marca de 288 mil carros vendidos em julho de 2008

Cleide Silva – O Estado SP

As montadoras estão prestes a fechar o melhor mês da história do setor. Até quinta-feira, foram vendidos no País 241,4 mil veículos novos. As empresas acreditam que, até o dia 30, conseguirão ultrapassar o recorde de 288,1 mil unidades comercializadas em julho do ano passado, incluindo caminhões e ônibus.

O resultado será obtido, em parte, por causa de antecipação de compra de consumidores que temiam o fim do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis. Na segunda-feira o governo federal vai anunciar nova prorrogação da medida, em vigor desde meados de dezembro.

Neste fim de semana, quase todas as marcas estão realizando feirões ou ações nas próprias concessionárias ainda com o mote de último fim de semana de IPI reduzido. A medida possibilitou a redução de 5% a 7% nos preços dos carros com motores 1.0 a 2.0. Somado ao imposto menor, fábricas e revendedores ampliaram os descontos e os automóveis estão, em média, 9% mais baratos em relação aos preços sugeridos na tabela de dezembro.

Há casos em que os descontos são maiores. No primeiro feirão que a francesa Peugeot realiza este ano, no estacionamento do Shopping Center Norte, na capital paulista, o compacto 206 1.4 flex é oferecido por R$ 24.990, 19% abaixo do preço de tabela anterior à redução do IPI. O modelo sedã 207 Passion 1.4 flex tem desconto de R$ 2,5 mil e é vendido por R$ 36.990.

A Renault realiza feirão no terreno ao lado do Playcenter, também na zona norte de São Paulo, enquanto Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford optaram por ações nas concessionárias. Somente no segmento de automóveis e comerciais leves, as vendas até o dia 25 somam 232,8 mil unidades, cerca de 15% a mais que em maio.

Com caminhões e ônibus, os negócios chegam a 241,4 mil unidades, enquanto em todo o mês de maio foram vendidos 247 mil veículos. Há vários modelos de carros em falta, com espera de até 40 dias.

O melhor desempenho deste ano foi em março, com 271,4 mil veículos vendidos. Inicialmente, o corte do IPI estava previsto para três meses e deveria acabar no dia 30 daquele mês, quando houve corrida às lojas. O governo federal decidiu manter a desoneração por mais três meses, prazo que venceria na quarta-feira.

Na segunda-feira, em encontro em Brasília com representantes das montadoras e das centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vão anunciar oficialmente a manutenção do corte de imposto para os automóveis e também para os setores da linha branca e materiais de construção, além de incluir máquinas e equipamentos no pacote.

No setor automotivo, um dos entraves está no segmento de caminhões, que também teve o IPI de 5% suspenso no período. Ao contrário do que ocorreu com os automóveis e comerciais leves, com vendas praticamente empatadas com as de igual período de 2008, os negócios com veículos pesados caíram quase 20% neste ano.

Há empresas do segmento de caminhões e ônibus estudando corte de trabalhadores, por isso não querem se comprometer com o governo em manter empregos caso essa contrapartida seja sugerida novamente.

“Não vamos abrir mão de manutenção de empregos”, disse ontem o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. A medida só entrou em pauta quando houve a prorrogação do corte do IPI. Ainda assim, foram fechados este ano 6,4 mil postos de trabalho referentes a contratos temporários vencidos e programas de demissão voluntária.

INADIMPLÊNCIA

Outra preocupação é o constante aumento da inadimplência nos financiamentos de automóveis. Segundo o Banco Central, 5,4% dos contratos estavam com atrasos acima de 90 dias em maio, ante 5,2% em abril. É o maior nível desde 2000.

Pesquisa informal feita em agências de cobrança de São Paulo pela MSantos, especializada no varejo de carros, mostra 20% dos contratos com atrasos de até 30 dias, 12% de 60 a 90 dias e 5,4% acima desse período, o que pode sinalizar para um aumento do calote nos próximos meses.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ainda não vê o índice de atraso acima de três meses como preocupante. Antes de 2008, contudo, a média estava na casa dos 3,5%.

16/06/2009 - 17:55h Alta do comércio e crescimento das receitas do setor mostra a força do mercado interno e das medidas de desoneração do governo federal

Com a Folha acontece uma coisa curiosa, ora ela destaca nos dados econômicos, a comparação com o ano anterior, ora com o mês precedente.

Em ambos os casos o destaque vai para o que for negativo.

Agora na Folha Online lemos no corpo da notícia, com os dados do IBGE:

“Em relação a abril de 2008, houve alta de 6,9%. No acumulado do primeiro quadrimestre, o comércio tem crescimento de 4,5% na comparação com o mesmo período um ano antes. No acumulado dos últimos 12 meses até abril, as vendas cresceram 7,1%.

Ao mesmo tempo, a receita nominal de vendas no comércio cresceu 0,2% em abril, na comparação com março. Em relação a abril de 2008, a receita teve expansão de 13%, com destaque para o setor de hiper e supermercados, cuja alta foi de 22%.”

Porem o título da nota é queda do comércio,

Vendas do comércio caem 0,2% em abril, informa IBGE

. O que não deixa de ser verdade. Como também é verdadeira a afirmação do IBGE, citada na nota da Folha: “Segundo o IBGE, o resultado de abril indica estabilidade nas vendas no comércio varejista”.

No blog de Miriam Leitão, “O economista-chefe da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, acrescentou, no entanto, que os resultados incorporam parcialmente os efeitos da redução do IPI sobre os produtos de linha branca (geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos). O imposto sobre esses artigos foi reduzido em 17 de abril deste ano.- Houve queda porque a redução do IPI ocorreu em meados de abril, ou seja, não pegou o mês cheio. O crédito também estava mais caro e curto no mês, o que melhorou a partir de maio.”

Qual é o significado dos dados de abril, mais ainda com as informações fornecidas pela Miriam Leitão? Vendas do comércio consolidadas que traduzem a força do consumo e das medidas de incentivo adotadas pelo governo federal. Confirmação do que foi a capa do jornal O Globo hoje:

“A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos da linha branca empurrou fortemente as vendas do setor, em especial de geladeiras e lavadoras de roupas. As vendas subiram 20% em relação a maio de 2008 e, em algumas redes, o crescimento chegou a 52%. Com isso, mostra reportagem do Globo nesta terça-feira, as redes de varejo já encontram dificuldades para repor seus estoques.”

A vitalidade do comércio é um dos elementos que mostram que o Brasil está recuperando bem mais rápido que os países ricos, da crise global.

É simples assim LF

03/06/2009 - 08:29h Venda de material de construção cresce até 10% com IPI menor

da Folha Online

As vendas no varejo do setor de material de construção cresceram 4,5% no mês de maio, na comparação com maio de 2008, segundo dados da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção). Os itens que tiveram redução de IPI ((Imposto sobre Produtos Industrializados), no entanto, apresentaram aumento de 10% nas vendas.

De janeiro a maio as vendas empataram com o resultado do mesmo período de 2008. “No acumulado do ano, na comparação com o mesmo período de 2008, o crescimento foi de 0%. Mantivemos os mesmos índices, mas consideramos este dado muito positivo, visto que no ano passado tivemos recorde de faturamento, correspondente a R$ 43,23 bilhões, 9,5% a mais que em 2007″, afirmou o presidente da Anamaco, Cláudio Conz.

Segundo a entidade, nos meses de abril e maio, com a redução do IPI incidente sobre 30 itens do setor, produtos como o cimento, tinta e cerâmica tiveram uma redução média nos preços de 8,5%. “Foi necessário vender mais (em quantidade) para alcançarmos este faturamento”, explica Conz.

“Estes números são muito importantes para o setor, se levarmos em conta que iniciamos o ano com queda de 12% nas vendas em janeiro e fevereiro. Em março, abril e maio tivemos crescimento constante e isto nos permite ter segurança em afirmar que poderemos fechar 2009 com crescimento total de 5% sobre 2008″, completa.

Conz ressaltou que algumas matérias-primas tiveram forte queda em seus preços, caso do fio de cobre usado em iluminação e energia, cujo preço, somente neste ano, teve queda de 35%. “Somado a isso, as desonerações em produtos que tem peso expressivo no faturamento do comércio devem manter as vendas em ascensão. O mês de junho, em tese, será o último mês em que a redução de IPI estará valendo para esses materiais e haverá um movimento natural de consumidores às lojas. A nossa expectativa é de crescer até 8% em junho na comparação com junho de 2008″, afirma.

27/05/2009 - 13:35h Para a indústria automotiva, sem a redução do IPI, o setor teria deixado de vender 200 mil automóveis e demissões em toda a cadeia

Veículos: Acumulado do ano, até 25 de maio, mostra avanço de 1,06%
Mercado mantém vigor a um mês do fim do IPI menor

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Marli Olmos, de São Paulo – VALOR

O mercado de veículos continua tão aquecido quanto nos cinco primeiros meses do ano passado. O acumulado das vendas de janeiro até a segunda-feira passada ficou em 1,086 milhão de veículos, incluindo os carros de passeio e comerciais. Trata-se de um volume 1,06% maior do que o total de 1,075 milhão de unidades registrado em igual período de 2008.

O resultado das vendas até o dia 25 mostra que maio atendeu às expectativas dos fabricantes de veículos, que esperavam alcançar o volume de 230 mil unidades no mês. O total de licenciamentos até segunda-feira somou 183.883.

Se a média diária de 11.492 unidades até aqui, for mantida nos quatro últimos dias do mês, maio terminará com a venda de 230 mil veículos. Mas, como lembram os vendedores, o movimento nos últimos dias costuma ser mais intenso, o que indica a possibilidade de um volume ainda maior.

O ritmo das vendas indica que maio será para a indústria automobilística muito semelhante a abril, quando foram licenciados 234,4 mil veículos em todo o país.

Numa comparação de dias úteis acumulados no mês – 16 até segunda-feira – com igual quantidade do mês passado, registrou-se em maio um crescimento de 3%. Nos primeiros 16 dias úteis de abril foram emplacados 178,3 mil veículos.

Junho deverá ser ainda mais aquecido, segundo os revendedores, pois trata-se do último mês de incentivo fiscal. Até o dia 30 de junho está valendo o IPI com alíquota zero para carros com motor 1.0 e 50% menor para os modelos com motor entre 1.0 e 2.0.

Oficialmente, os representantes da indústria automobilística dizem trabalhar com a perspectiva do fim do incentivo tributário. Mas representantes das montadoras demonstram interesse em defender a extensão do benefício. Alguns já levantaram a hipótese de o governo concordar com um aumento gradativo da alíquota do imposto.

O principal argumento da indústria é que a redução do IPI foi um instrumento sem o qual o setor teria deixado de vender 200 mil automóveis, o que teria evitado demissões em toda a cadeia.

Na virada do ano, poucos dias depois de o governo reduzir o IPI para automóveis, a indústria tinha mais de 300 mil veículos estocados nas fábricas e nas concessionárias, volume suficiente para dois meses de vendas.

Com o incentivo fiscal pelo menos na primeira metade do ano, os fabricantes estimam vendas totais de 2,7 milhões de veículos em 2009. Isso representará uma queda de 4% na comparação com o mercado de 2008. Mas alguns dirigentes das montadoras dizem que o volume pode ser menor se o incentivo fiscal for retirado em junho.

07/05/2009 - 10:20h Vendas de material de construção crescem 25%

Corte de IPI de 30 produtos melhorou desempenho do setor, que vai pedir a prorrogação da desoneração

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Renée Pereira – O Estado SP

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) elevou em 25% a venda dos materiais de construção incluídos no pacote de ajuda do governo federal, em vigor desde 1º de abril. O desempenho só não foi melhor por que o mês teve apenas 17 dias úteis, observou o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz. Com base nos números, o executivo disse que vai lutar pela prorrogação da desoneração fiscal, a exemplo do que ocorreu no setor automobilístico.

Nos primeiros dois meses do ano, com a deterioração do ambiente doméstico, as vendas de material de construção despencaram 12% em comparação com igual período do ano passado. Em março, antes do anúncio de desoneração fiscal, o setor conseguiu uma ligeira recuperação de 1,5% comparado a março de 2008, destaca o presidente da Anamaco, associação que representa 138 mil lojas de material de construção em todo País.

Em abril, o crescimento de 25% dos produtos desonerados incrementou as vendas reais do setor em 4,5%. No total, 30 itens tiveram a redução ou isenção total do IPI.

Apesar da reação no mês passado, o setor ainda não conseguiu recuperar todas as perdas do primeiro bimestre. “Mesmo assim, diria que o primeiro quadrimestre foi um sucesso, levando em conta o cenário conturbado por causa da crise internacional. O desempenho mostrou uma importante tendência positiva para os próximos meses”, diz Conz.

FERIADOS

A expectativa do executivo é de um crescimento de 8% nas vendas de maio, já que o mês não será influenciado pela redução do número de dias úteis como ocorreu em abril por causa dos feriados. Ele lembra que o setor fechou 2008 com avanço de 9% nas vendas comparado ao período anterior.

Nas projeções da entidade, o comércio de material de construção deverá manter o ritmo de crescimento na casa de 8% até novembro, o que significará aumento médio de 5,5% no ano. Além da desoneração fiscal, Conz destaca também a forte queda no preço de matérias-primas, como o fio de cobre usado em iluminação de energia, que despencou 35% neste ano.

PRORROGAÇÃO

O otimismo do executivo, porém, está ancorado na expectativa de prorrogação do corte do IPI dos materiais de construção, que vai expirar em 30 de junho. Ele argumenta que o programa federal Minha Casa Minha Vida, lançado em meados de abril, começará a ter reflexos dentro de 90 dias. Por isso, seria interessante que a desoneração dos 30 itens de material de construção continuasse por mais um tempo, até a recuperação consistente da economia nacional, avalia o executivo.

Integrante do Grupo de Acompanhamento da Crise (Gac), criado pelo governo federal no início do ano para verificar os reflexos da crise internacional nos diversos setores da economia brasileira, Conz também defende a desoneração fiscal de investimentos.

“Hoje esse é um dos temas que mais preocupa o setor produtivo”, diz o presidente da Anamaco. A produção do setor de bens de capital recuou 6,3% em relação ao mês anterior e despencou 23% na comparação com março de 2008. O assunto deve entrar na pauta de discussões do grupo, previsto para o dia 13.

27/04/2009 - 09:43h Consumo deve crescer no Brasil, apesar da crise

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Pesquisa mostra que aumento será pequeno, de 1,6%, mas significativo diante de cenário negativo no mundo

Paula Pacheco – O Estado SP


Crise, desemprego, falta de investimento privado, excesso de endividamento, aumento da inadimplência. Esse cenário não será suficiente para derrubar o consumo dos brasileiros ao longo deste ano. É o que constata o instituto de pesquisas Target Marketing, segundo dados do IPC-Target do Brasil em Foco 2009, antecipado pelo Estado.

De acordo com o estudo da Target, o consumo dos brasileiros chegará a R$ 1,863 trilhão neste ano. O aumento de 1,6% será pequeno em relação a 2008, mas não deixa de ser uma boa notícia diante de um cenário econômico tão incomum como o que se viu nos últimos seis meses.

As despesas das famílias, aponta a pesquisa, crescerá mais do que o Produto Interno Bruto (PIB), que segundo o Banco Central (BC) tem previsão de aumento de 1,2% neste ano.

De acordo com Marcos Pazzini, diretor da Target, nos últimos anos o consumo vinha caminhando para um crescimento mais acentuado da classe B.

“Em 2009, a classe B2, apesar de concentrar a maior parcela do potencial de consumo brasileiro, perdeu participação no total nacional e a classe C foi a que teve o crescimento mais significativo”, explica Pazzini.

As classes D e E também vão aumentar sua participação no bolo do consumo. Ainda segundo Pazzini, a classe A1 foi quem perdeu o maior potencial de consumo – 4,1% em 2009 ante 4,6% em 2008.

Como o consumo na área rural (não só espaço agricultável, mas sem infraestrutura de água, esgoto e energia elétrica) deve se manter estável neste ano, o crescimento se concentrará nas cidades.

RENDA MAIOR

Entre os fatores que vão contribuir para o consumo, cita Fábio Romão, economista da LCA Consultores, estão o aumento da renda e o crescimento vegetativo da população. A menor pressão inflacionária também ajuda a compor o cenário mostrado pela Target, porque corrói menos os ganhos dos brasileiros.

Outro fator que vai influenciar, diz Romão, é a antecipação do aumento do salário mínimo em um mês em relação ao ano passado.

A estimativa da LCA é que, ainda que a macroeconomia abale o ritmo de crescimento das vendas do comércio e de geração de empregos que se via até o terceiro trimestre de 2008, é pouco provável que daqui até o fim do ano ocorra algo que mude a previsão de expansão do consumo.

Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, também acredita que haverá mais consumo, mesmo com a crise.

“Houve muito movimento do governo neste sentido, como a redução de impostos dos automóveis, dos materiais de construção e da linha branca. Além disso, foi anunciado o programa habitacional. Tudo tem algum tipo de influência positiva”, lembra Leite.

O especialista acredita que só a inflação ascendente poderá estragar os planos dos consumidores brasileiros. “Se os preços subirem, o Banco Central vai parar de baixar a taxa básica de juros (Selic) e haverá um impacto nos financiamentos. Consequentemente, as vendas podem cair”, argumenta Leite.

NÚMEROS

R$ 1,863 trilhão
é o valor que será destinado ao consumo este ano

1,6%
é o crescimento do consumo em relação a 2008

1,2%
é a previsão de crescimento para o PIB

24/04/2009 - 11:14h Para analistas, redução de IPI ajuda varejo a vender mais

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Jacqueline Farid – O Estado SP

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para geladeiras, fogões e lavadoras ajudará a reverter, pelo menos a curto prazo, a queda nas vendas de móveis e eletrodomésticos, na avaliação de analistas. Em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas desse segmento recuaram 2,1% ante o mesmo mês de 2008, a primeira queda sobre ano anterior em quase seis anos. A expectativa é que o desempenho melhore a partir de abril e, sobretudo, de maio.

O presidente da rede Ricardo Eletro, Ricardo Nunes, disse que somente na segunda e terça-feira desta semana as vendas de eletrodomésticos em suas lojas cresceram 30%, com destaque para geladeiras e lavadoras. Ele admite que a validade da medida, de três meses, poderá limitar seus efeitos.

Para o economista Braulio Borges, da LCA Consultoria, o impacto da redução do IPI da linha branca somente aparecerá nos dados da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE de maio e junho e poderá ter efeitos ainda muito restritos em abril. Alexandre Andrade, da Tendências Consultoria, também prevê uma antecipação de consumo de eletrodomésticos nos próximos meses. Porém, essa perspectiva ainda não levará a uma revisão nas projeções de alta de 3% nas vendas de móveis e eletrodomésticos em 2009.

O chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, está cético. Ele acredita que a redução do IPI não será suficiente para reverter a queda nas vendas de móveis e eletrodomésticos, exceto em maio, quando deve incentivar as compras para o Dia das Mães. Segundo ele, o crédito ainda está restrito e, sem alongamento nos prazos de pagamento e recuo nos juros, não haverá aquecimento significativo no consumo dos produtos.

23/04/2009 - 10:33h Mercado nordestino cresce 19% e acirra disputa de supermercados

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=320647

Redes locais crescem mesmo após chegada de multinacionais como Wal-Mart e Carrefour

Márcia De Chiara – O Estado SP

O mercado consumidor do Nordeste registrou no ano passado a maior taxa crescimento de vendas entre os supermercados brasileiros e virou alvo de disputa tanto de redes locais como de grandes varejistas internacionais. Enquanto o faturamento nacional dos supermercados cresceu 10,6%no ano passado e atingiu R$ 159,1 bilhões, uma cifra recorde, a receita das redes nordestinas aumentou quase o dobro, 19,7%, descontada a inflação do período, revela o 38º Relatório Anual da Revista Supermercado Moderno. O estudo, de âmbito nacional, envolveu 460 empresas do varejo de autosserviço, que somam 3,8 mil lojas e respondem por 63,5% do faturamento do setor.

Ganhos de renda, benefícios sociais como o Bolsa-Família e a própria agressividade das redes locais após a chegada de grandes multinacionais à região são apontadas por Maurício Pacheco, diretor da revista e responsável pela pesquisa, como fatores que impulsionaram o forte crescimento de vendas no Nordeste.

O Bonanza Supermercados, com sede em Caruaru (PE), por exemplo, foi uma das empresas que se destacaram no ano passado. O faturamento de R$ 205,9 milhões atingido em 2008, com 15 lojas, cresceu 18,7% na comparação com 2007, descontada a inflação do período. “Conseguimos esse desempenho porque a renda na nossa região cresceu e fizemos boas negociações com fornecedores para ampliar as vendas”, diz o presidente da empresa, Djalma Faria Cintra. Ele conta que importou, por conta própria, bacalhau da Noruega e fígado bovino da Argentina. Além disso, ofereceu arroz e frango a preços reduzidos.

Cintra conta também que, no último ano, o mix de produtos de suas lojas foi ampliado de 5 mil para 9 mil itens. “O nordestino mudou seu padrão de consumo: passou a comprar, com maior frequência, chocolates e biscoitos recheados.” Líder do setor em Pernambuco, com a maioria das lojas no interior do Estado, a rede vai investir R$ 10 milhões em três novas unidades este ano. A primeira foi inaugurada em janeiro. No ano passado, não houve abertura de lojas.

O Wal-Mart, maior varejista do mundo, que faturou no ano R$ 16,9 bilhões no Brasil e expandiu em 13% sua receita, confirma o interesse e o bom desempenho das lojas localizadas no Nordeste. “As vendas do Nordeste cresceram dois dígitos e puxaram para cima o desempenho da companhia”, afirma o vice-presidente de operações para a região, José Rafael Vasquez.

Mais da metade do R$ 1,2 bilhão investido pela companhia no País em 2008 foi para inaugurar ou reformar lojas no Nordeste. Das 34 lojas abertas no ano passado, 18 estão localizadas na região, que reúne atualmente 140 das 350 lojas da rede. “A redistribuição de renda está dando maior visibilidade para a região”, diz Vasquez. Ele observa, que mesmo com a mudança de cenário econômico, não houve retração nas vendas ou migração para marcas mais baratas.

O Carrefour, líder do setor, com vendas de R$ 17,7 bilhões em 2008 e crescimento de 26,3%, segundo a pesquisa, praticamente abriu uma loja por mês no ano passado no Nordeste e no Centro-Oeste, destaca Sheila Hissa, editora da publicação. Hoje, por exemplo, a empresa inaugura seu segundo hipermercado em João Pessoa (PB). A loja recebeu investimentos de R$ 31 milhões.

20/04/2009 - 11:55h Queda do IPI dá desconto de até R$ 300

Primeiro fim de semana de desconto de imposto animou consumidores nas principais lojas da capital

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CAROLINA DALL’OLIO, Agencia Estado

carolina.dallolio@grupoestado.com.br

Com a redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos eletrodomésticos, o consumidor já consegue economizar até R$ 300 na compra. Na rede Extra, por exemplo, o preço de uma lava-roupas GE de 10,2kg passou de R$1.299 para R$ 999 após o corte do tributo (veja ao lado).

O governo anunciou na semana passada a diminuição da alíquota do IPI para os eletrodomésticos da linha branca. No caso das geladeiras, o imposto caiu de 15% para 5% sobre o valor do produto; para os fogões, de 5% para zero; nas máquinas de lavar, de 20% para 10%; e para os tanquinhos baixou de 10% para zero.

Assim, mesmo os eletrodomésticos que já haviam sido comprados pelas lojas com IPI mais alto tiveram queda de preço – em quatro redes varejistas visitadas pelo JT (Casas Bahia, Extra, Magazine Luiza e Wal-Mart), novos valores já estampavam as etiquetas. Tudo para trazer o consumidor de volta à seção de eletrodomésticos.

Parece ter funcionado. Ontem, em pleno domingo, esses departamentos estavam cheios de consumidores que, como a farmacêutica Camila Rogonha Enciso, de 27 anos, só esperavam uma queda de preços para resolver comprar. Camila havia lido nos jornais que o governo estudava reduzir o imposto dos eletrodomésticos. Por isso, decidiu adiar a troca da geladeira de sua casa até que as promoções viessem. “Agora que está mais barato já posso comprar.”

A aposentada Vera Maura Cabral, de 74 anos, e sua filha, a consultora Viviane Cabral, de 34 anos, também aproveitaram o anúncio do corte do IPI para ir às compras. “É o mesmo produto de antes com um preço bem menor”, observa Viviane. Ela pesquisa preços de fogão há mais de dois meses e agora, com o corte do IPI, diz ter encontrado o modelo que queria por um preço quase três vezes menor. “Vou sair com mais dinheiro no bolso e o mesmo fogão na caixa.”

AS OFERTAS DEPOIS DO CORTE DO TRIBUTO

EXTRA

Lava-roupa GE 10,2kg
De: R$ 1.299
Por: R$ 999
Desconto: R$ 300

WAL-MART
Tanquinho Sedna
De: R$ 178
Por: R$ 158
Desconto: R$ 20

Refrigerador Electrolux
modelo 402l
De: R$ 2.198
Por: R$ 1.968
Desconto: R$ 230

CASAS BAHIA

Lavadora tanquinho Colormaq
De: R$ 374
Por: R$ 279
Desconto: R$ 95

MAGAZINE LUIZA

Lava-roupa Consul 6kg
De: R$ 799
Por: R$ 699
Desconto: R$ 100

Refrigerador Electrolux duplex 251l
De: R$ 1.099
Por: R$ 999
Desconto: R$ 100

07/04/2009 - 09:13h Varejo pede socorro ao governo

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Flávio Rocha, do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV)

Claudia Facchini, de São Paulo – VALOR

A exemplo das montadoras, que conseguiram sensibilizar o governo e receberam incentivos para estimular as vendas de veículos, as grandes cadeias varejistas do país bateram às portas de Miguel Jorge, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e de Guido Mantega, no Ministério da Fazenda, em busca de socorro. O grande gargalo do comércio é a falta de crédito para financiar o capital de giro e as vendas ao consumidor.

O Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), do qual participam 30 grandes redes de diversos setores, está em negociações com os representantes do governo para a criação de um “pacote de crédito”, o que daria novo fôlego financeiro às varejistas e permitiria que o setor melhorasse as condições oferecidas aos consumidores.

A partir de outubro, muitas redes tiveram de encolher os planos de pagamento, reduzindo o número de prestações de cinco ou seis parcelas para duas ou três.

Uma das medidas que já foi proposta pelas varejistas e que está sendo analisada pelo governo é a constituição de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) bancados por recursos públicos. Por meio desses fundos, os bancos compram os recebíveis das varejistas – ou as prestações que serão pagas pelos consumidores no futuro.

Com isso, o varejo poderia levantar recursos e teria capital de giro para comprar mais mercadorias e pagar os fornecedores, que costumam receber em prazos mais curtos, em 40, 60 ou 90 dias. Por ser uma operação financeira bastante conhecida, a proposta dos FDICs é considerada uma saída viável para socorrer as varejistas e reativar o consumo.

Segundo o Flávio Rocha, membro do conselho do IDV, a maior preocupação do setor é fazer com que os recursos do governo cheguem de maneira veloz e a um custo razoável ao varejo, a tempo de estimular o consumo.

“Nós queremos criar uma via rápida de acesso”, diz o executivo, que é acionista do grupo Guararapes, holding que controla a Riachuelo, uma das três maiores cadeias de vestuário do país.

Os varejistas tentam convencer as autoridades a abrir um canal direto para concessão de crédito ao varejo, sem a intermediação de bancos. Há o temor de que bancos cobrem um spread elevado para repassar as linhas do governo, ou simplesmente não ampliem a oferta de crédito ao setor.

O aumento da inadimplência é o maior obstáculo para as as operações com recebíveis, como os FIDCs, que precisam ser classificados por agências de risco de crédito. Com a piora dos indicadores econômicos, os atrasos no pagamento se acentuaram e as varejistas tiveram de elevar suas provisões para créditos duvidosos. No entanto, diz Rocha, são as varejistas que assumem o risco nas operações com recebíveis e não os investidores.

Ao longo desta década, os sistemas de concessão de crédito adotados pelo varejo foram aperfeiçoados, o que torna toda a cadeia mais segura do que era nos anos 90, acrescenta. “Muitas varejistas estão associadas a bancos atualmente ou possuem suas próprias instituições financeiras, como as montadoras”, diz Rocha.

Segundo Marcos Gouvea de Souza, da GS&MD, firma de consultoria especializada em varejo, é imprescindível que os recursos “cheguem ao varejo na velocidade e na extensão que o momento requer”. O varejo, acrescenta, emprega atualmente mais do que a indústria e as medidas de estímulo ao setor poderiam ter uma repercussão em grande escala. Os membros do IDV, que é presidido por Luiza Helena Trajano, controladora do Magazine Luiza, reuniram-se na última sexta-feira, em São Paulo, com o ministro Miguel Jorge.

Em uma carta entregue ao ministro, o setor reivindica a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados para produtos populares e questiona a restrição dos financiamentos do BNDES para empresas com participação de capital estrangeiro. Muitas varejistas são multinacionais, como Wal-Mart, Carrefour, Leroy Merlin, ou possuem sócios estrangeiros, como o Magazine Luiza, que tem entre os seus acionistas o fundo americano Capital Group, a Renner, cujo capital é pulverizado na bolsa, e o Pão de Açúcar, do qual o grupo francês Casino é co-controlador.

02/04/2009 - 08:59h Montadoras têm melhor trimestre da história

Com o corte do IPI, as vendas chegaram a 668 mil veículos, alta de 3,14% em relação ao ano passado

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Cleide Silva – O Estado SP

Março foi o segundo melhor mês da história da indústria automobilística brasileira, com vendas de 271,4 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus. Em relação ao mesmo mês de 2008, foi registrado crescimento de 16,9%. Na comparação com fevereiro deste ano, o aumento foi de 36,1%. O melhor mês até agora é julho passado, com 288,1 mil carros vendidos.

Empresários do setor admitem que parte do desempenho se deve a antecipação de compras de consumidores que não confiavam na renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que venceria em 31 de março e foi estendido até 30 de junho, conforme anúncio do governo federal feito na segunda-feira. A medida permite preços entre 5% a 7% mais baixos para modelos com motor 1.0 até 2.0.

De janeiro a março, as vendas somaram 668,3 mil veículos, um aumento de 3,14% ante os mesmos meses do ano passado e o melhor resultado já obtido para esse período. Os dados, na visão de executivos, comprovam as previsões de que o Brasil sofreria menos com a crise internacional. Nos Estados Unidos, as vendas de carros despencaram 40% na comparação com março de 2008.

A ajuda recebida do governo, que além do benefício tributário incluiu a liberação de crédito para financiamento, também foi fundamental para o desempenho. “O impacto da redução do IPI, no entanto,vai começar a se diluir nos próximos meses”, diz o presidente da General Motors, Jaime Ardila. Para ele, as vendas nesse trimestre devem ficar na casa das 230 mil unidades ao mês.

Segundo Luiz Carlos Andrade, vice-presidente da Toyota, entre 20% a 30% das vendas em março foram antecipação de compra. “Abril será um mês morno, maio será mais quente e em junho vamos retomar (as vendas nos níveis do mês passado)”, prevê o executivo. Ele não quis fazer projeções para o ano. Ardila aposta em vendas de 2,4 milhões a 2,5 milhões de veículos, entre 11% a 15% menor que em 2008 por levar em conta um segundo semestre mais fraco que o anterior.

Só em automóveis e comerciais leves foram vendidos em março 261 mil unidades, 36,4% acima do volume de fevereiro e 11,6% maior que o de igual mês de 2008. No trimestre, as vendas cresceram 3,9% ante o ano passado, para 642,4 mil unidades. Fiat e Volkswagen travam disputa acirrada pela liderança no mercado, com 152,7 mil unidades vendidas pela primeira e 151,7 mil pela segunda. Depois vem a GM, com 123,3 mil veículos.

14/03/2009 - 10:34h Comércio reage e cresce 1,4% em janeiro

Liquidações ajudam, mas é cedo para falar em recuperação, diz IBGE

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Jacqueline Farid – O Estado SP

O desempenho do comércio varejista surpreendeu em janeiro e trouxe um pouco de alívio ao fim de uma semana de notícias ruins na economia. As vendas do setor cresceram 1,4% ante dezembro, contrariando previsões de queda. Em relação a janeiro do ano passado, houve alta de 6%. Hiper e supermercados e móveis e eletrodomésticos garantiram os resultados.

Os analistas de mercado financeiro esperavam, em média, recuo 0,1% nas vendas em relação ao mês anterior. O técnico da coordenação de comércio e serviços do IBGE, Reinaldo Pereira, atribuiu a boa surpresa às promoções de início de ano para esvaziar estoques, mas citou também a continuidade de aumento da massa salarial e as iniciativas governamentais para incentivar o consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e a nova tabela do Imposto de Renda.

Segundo Pereira, a crise elevou a quantidade de mercadoria armazenada nas lojas no último trimestre, o que levou a liquidações mais agressivas em janeiro. Até as vendas de bens duráveis como móveis e eletrodomésticos, que vinham registrando queda por causa da restrição de crédito, subiram 7,1% em janeiro em comparação a dezembro.

Apesar do desempenho positivo, Pereira ressaltou que houve perda de ritmo na expansão do varejo, revelada na comparação anual. Segundo ele, a alta de 6% ante janeiro de 2008 representou a menor expansão, para o primeiro mês do ano, desde janeiro de 2004. Em igual mês, o setor cresceu 11,8%, o melhor resultado da série iniciada em 2001. Ele disse que essa base de comparação elevada influenciou a desaceleração do crescimento em janeiro de 2009, mas houve também influência da crise. “Sem a crise, a perda de ritmo não seria tão forte.”

O chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, também credita os bons resultados de janeiro às promoções. “Os estoques estavam altos, ainda é cedo para dizer que a tendência de desaceleração vai mudar.”

A analista da Tendências Consultoria, Mariana Oliveira, também alerta que seria precipitado comemorar qualquer blindagem do varejo à crise. Ela considera que os dados de janeiro mostram que o comércio teve “fôlego surpreendente”, mas “seria prematuro afirmar que o comércio voltou a uma trajetória consistente de crescimento elevado”. Ela não descarta recuos nos próximos meses.

Segundo Mariana, os resultados de janeiro levaram a Tendências a colocar um viés positivo na projeção de aumento de 3,1% nas vendas do varejo este ano. Em 2008, as vendas cresceram 9,1%.

11/03/2009 - 09:35h AL vê esvair cenário de recuperação rápida

México puxa a fila das vítimas na AL

Cerca de 80% das vendas externas são para os EUA e a queda no petróleo derrubou a receita de exportação

Marcos de Moura e Souza e Rodrigo Uchoa, de São Paulo – VALOR

A América Latina sentiu o golpe e as previsões de recuperação em relação à crise mundial já se alongaram para depois de 2010.

As economias mais abertas da região estão registrando contração acima da esperada, com forte queda da produção industrial e das exportações. Mesmo os países considerados mais preparados para enfrentar a crise, como o Chile, já veem evaporar as previsões de recuperação rápida.

Segundo a Cepal, órgão da ONU para América Latina e Caribe, a retomada do crescimento na região, antes prevista para o segundo semestre de 2009, não pode ser esperada agora “nem para o segundo semestre de 2010″.

No caso do Chile, a pesquisa mensal feita pelo BC do país com economistas, acadêmicos, consultores e executivos mostra que a expectativa deles em relação ao crescimento vem piorando paulatinamente. E, para o primeiro trimestre deste ano, eles esperam uma contração de 1,1%. Tomás Flores, um dos consultados, diz que todo este ano será bem negativo.

Em janeiro, os analistas consultados pelo BC esperavam que o Chile fechasse 2009 com crescimento de 5%. Agora, a mediana das estimativas é de crescimento de 1,2% – e há um número significativo de economistas que espera contração ou crescimento nulo.

O impacto na produção industrial tem sido maior do que esperado, dizem os analistas chilenos.

O México é outro que mostra fragilidade, principalmente porque cerca de 80% de suas vendas externas são para o EUA e porque a queda dos preços do petróleo derrubou a receitas com exportação.

“Das principais economias da região, o México é a que terá mais dificuldades de conseguir registrar crescimento este ano”, disse Jurgen Weller, especialista em Assuntos Econômicos da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal. A maioria dos países menores da América Central e Caribe – dada a forte dependência em relação aos EUA – também vai pelo caminho de desaceleração ou retração, a exemplo do México, diz ele.

No quarto trimestre, a segunda maior latino-americana encolheu 2,7% em relação ao terceiro trimestre. Foi uma retração menor do que a do Brasil, mas, por ter uma economia mais aberta que a brasileira, o panorama mexicano é mais sombrio, dizem os analistas. As exportações representam cerca de 30% do PIB do México, assim como no Chile, diz Alberto Ramos, economista da Goldman Sachs para a América Latina. “No Brasil, a economia mais fechada da região, o peso das exportações no PIB é de cerca de 12%.” Num momento de crise global isso pode ser uma virtude, mas num momento de recuperação geral, o país tende a demorar para voltar a crescer.

Ramos, que também vê o México como a economia da região mais exposta à crise, coloca Venezuela, Equador e, em menor grau, a Argentina na posição de países que têm adotado políticas heteredoxas, pouco atraentes aos investidores ou que não souberam aproveitar o boom das commodities para encher o caixa para momentos de desaceleração.

Na visão do analista da Goldman Sachs, Chile, Peru e Colômbia ainda são os países que mostram maior capacidade de enfrentar o cenário adverso. Os três são países que com manejo macroeconômico mais sólido que os vizinhos, diz Ramos. “O Brasil está mais perto desse grupo, embora pudesse ter feito mais para deter o crescimento sucessivo dos gastos correntes nos últimos quatro anos.”

Ramos lembra que o governo da presidente chilena, Michelle Bachelet, poupou o equivalente a 22% do PIB nos últimos três anos. O país registrou superávit fiscal de 5,2% do PIB em 2008 deverá ter neste ano um déficit de 4%. “O governo conseguirá financiar esse déficit com a economia que fez.”

Entretanto, segundo Rodrigo De Faro, economista da Universidade do Chile, o impacto nas exportações tem sido muito maior do que esperado. “Se a recuperação mundial não vier em 2010, não haverá como driblar a crise.”

As exportações do Chile caíram 41,7% nesses dois primeiros meses do ano, sendo que a baixa nas importações foi de 29%.

06/03/2009 - 09:49h Indústria tem recuperação localizada

 

Silvia Costanti / Valor

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit: “Os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição”

Sergio Lamucci, Sergio Bueno e Vanessa Jurgenfeld, de São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis – VALOR

Os impactos da crise financeira sobre a atividade industrial foram díspares em fevereiro. Segmentos cuja demanda está ligada à renda da população, como calçadistas e têxteis, já sentiram claramente uma recuperação de encomendas e consideram que a pior fase da crise passou. Para empresas e setores cuja produção é alimentada por crédito ou investimento, as realidades são distintas. Ao mesmo tempo em que grandes usinas siderúrgicas desligam alto-fornos, fabricantes de máquinas e equipamentos, como Randon e Marcopolo, já sentiram uma melhora nas encomendas em fevereiro e março. Mesmo as empresas e setores que relatam uma recuperação em fevereiro e neste começo de março, contudo, indicam queda de produção em relação ao mesmo período do ano passado.

Hoje o IBGE divulga o resultado da produção industrial de janeiro. Os analistas esperam forte crescimento em relação a dezembro de 2008, feito o ajuste sazonal. A LCA Consultores projeta alta de 9,2%. Na comparação com janeiro do ano passado, contudo, a estimativa é de recuo de 10,2%. O Santander aposta em crescimento de 11% sobre dezembro e queda de 9,5% em relação janeiro de 2008.

Entre os indicadores já conhecidos, venda de automóveis e consumo de energia indicam que fevereiro voltou a crescer sobre janeiro. O licenciamento de automóveis e comerciais leves atingiu a média diária de 10,9 mil unidades, mais que os 10,1 mil de janeiro deste ano e os 10,4 mil de fevereiro do ano passado, na série com ajuste sazonal calculada pela LCA. O resultado é efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), destacam analistas e empresários do setor. O consumo diário de energia elétrica, por sua vez, atingiu a média de 50,2 MW em fevereiro, 2,7% a mais do que no mês anterior, também na série livre de influências sazonais. Em relação ao mesmo mês de 2008, houve queda de 0,59%.

O setor têxtil brasileiro acredita que o pior da crise já passou e vê sinais de melhora das encomendas nos últimos dias, após um primeiro bimestre fraco. “O varejo retomou os pedidos, está conseguindo girar seus estoques. Ainda vai levar algum tempo para que esse movimento ganhe velocidade, mas há bons indicativos para março”, diz Zeno Fischer, diretor de controladoria e planejamento da Lepper, de Joinville (SC). Indústria de cama, mesa e banho, a Lepper fechou o primeiro bimestre com queda de 10% nas vendas em relação ao igual período de 2008. Em fevereiro, até registrou uma melhora de vendas em relação a janeiro deste ano em torno de 20%, mas as vendas ficaram 10% abaixo do mesmo mês do ano passado. Segundo Fischer, apesar de um começo de ano de vendas em queda, a Lepper projeta crescimento de 10% no faturamento do ano, para R$ 145 milhões em 2009.

Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, há sinais melhores no setor, mas fevereiro foi um período de vendas menores do que igual mês do ano passado. “Mas há um clima de retomada da atividade, os estoques já acabaram no varejo e é hora da reposição. Nossa expectativa é que o pior (da crise) tenha passado”, diz. Na sua avaliação, as empresas do setor não farão mais paradas de ajuste de estoques, e embora exista um crédito ainda caro e restrito, as têxteis poderão ter um desempenho no ano melhor do que outros setores porque as compras de vestuário dependem pouco de crédito.

Na Indústria São Roberto, que atua no segmento de papelão ondulado, as vendas em fevereiro caíram 10% em relação ao mesmo mês do ano passado, uma queda ligeiramente inferior aos 12% registrados em janeiro na comparação com janeiro de 2008. A expectativa do presidente da empresa, Roberto Nicolau Jeha, é de que em março haja uma queda de 5% sobre o mesmo mês de 2008. “Março começou um pouco melhor do que fevereiro”, diz ele, acrescentando que só acredita numa melhora mais consistente no segundo semestre. Jeha diz que a demanda por papelão ondulado caiu menos por parte de empresas de alimentos e produtos de limpeza. No caso das companhias que dependem mais do crédito, como fabricantes de televisores e eletrodomésticos, o tombo foi maior.

O presidente da distribuidora de aço Rio Negro, Carlos Loureiro, diz que houve uma melhora na demanda por parte da indústria automobilística, beneficiada pela redução do IPI para veículos. Segundo ele, montadoras e empresas de autopeças voltaram a comprar com mais força, o que ajudou um pouco nas vendas de fevereiro e continua a auxiliar nas de março. “Mas não houve melhora nos outros segmentos”, diz ele, dizendo que continua fraca a procura por parte de empresas de máquinas agrícolas, rodoviárias e equipamentos para infraestrutura.

A indústria calçadista iniciou o ano com cenários distintos no mercado interno e nas exportações. As vendas domésticas arrancaram bem, turbinadas em alguns casos por descontos e aumentos de prazos de pagamento. Os fabricantes aguardam a reposição dos estoques dos lojistas, em maio, para confirmar a tendência. As exportações recuaram 23,9% no primeiro bimestre em comparação com igual período de 2008, para
US$ 280,6 milhões, mas o setor espera algum crescimento em 2009, impulsionado pela desvalorização do real, após a queda em volume e faturamento no ano passado.

Segundo o diretor comercial da gaúcha Piccadilly, Marlon Martins, em janeiro e fevereiro a empresa aumentou prazos de pagamento em 30 dias e concedeu descontos de 5% a 15% em algumas linhas para estimular os negócios no mercado interno. O resultado foi um aumento de três vezes no volume de vendas em fevereiro na comparação com janeiro, para mais de 600 mil pares. Em relação ao mesmo período de 2008, a alta foi de 2,5 vezes, informa o executivo.

No mercado externo, o recuo das vendas apontado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no bimestre deveu-se à demora na reposição dos estoques dos importadores em função da desaceleração econômica na América do Norte e Europa, avalia o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Ricardo Wirth. “Não esperávamos uma queda tão alta, mas não chegou a ser surpreendente.” Em fevereiro, as exportações renderam US$ 138 milhões, 3,3% a menos do que em janeiro e 29,3% abaixo do mesmo mês de 2008. Para o empresário, março ainda será um mês de “transição” entre as encomendas das coleções de verão e de inverno para o hemisfério norte.

Alguns setores e empresas ainda não sentiram recuperação da atividade, como a Usiminas e a CSN. A primeira anunciou que vai paralisar, a partir de segunda-feira e por tempo indeterminado, o alto-forno n 1 da usina de Cubatão na Baixada Santista. A CSN, que também produz aços planos, vai paralisar por 40 dias o alto-forno n 2, que responde por 40% da produção da usina de Volta Redonda (RJ). O presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, justificou a decisão pela falta de sinais mais consistentes de demanda para o segundo trimestre.

Por outro lado, a Marcopolo, maior fabricante brasileira de carrocerias para ônibus, após fechar o primeiro bimestre com vendas 10% menores, sentiu recuperação em março. A Randon, que produz implementos agrícolas, também espera retomada das vendas.

04/03/2009 - 11:00h Atividade industrial em SP e vendas nos supermercados crescem em janeiro

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Vanessa Dezem, Valor Online, de São Paulo

Dois indicadores de atividade revelaram um resultado positivo em janeiro. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) registrou alta de 6,2% no Índice do Nível de Atividade (INA) na comparação com dezembro de 2008, na série com ajuste sazonal. As vendas do setor supermercadista, também em janeiro, cresceram 6,54%, em relação ao mesmo mês de 2008, de acordo com o Índice Nacional de Vendas, divulgado mensalmente pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em comparação com dezembro de 2008, porém, houve queda de 22,96%, uma vez que o período, por conta das festas de fim de ano, impulsiona o faturamento.

A Fiesp não comemorou o resultado de janeiro porque a melhora se deu na comparação com o último trimestre de 2008, quando a produção diminuiu 20%. “Em um curtíssimo espaço de praticamente dois meses, a indústria paulista devolveu tudo o que ganhou nos últimos dois anos”, ponderou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. No confronto com janeiro de 2008, o dado é negativo – queda de 15,7% frente ao mesmo mês do ano passado.

“Os dados mostram que voltamos ao patamar de atividade apresentado no segundo semestre de 2006″, completou Francini. Segundo ele, se a indústria paulista quiser empatar os resultados de 2009 com os de 2008, ela precisa crescer a uma média de 2,1% em todos os meses do ano, nos dados dessazonalizados. “Para somente empatarmos com o ano passado, nossa indústria terá uma tarefa muito árdua pela frente”, afirmou o diretor.

Para o setor de supermercados, contudo, o resultado foi considerado bom. “A queda nas vendas em relação a dezembro é normal, pois o último mês do ano é o período de maior venda dos supermercados. Além disso, janeiro é um mês propício para ofertas e liquidações. A boa notícia é que mantivemos o crescimento em relação a janeiro de 2008. Isso porque o rendimento médio do trabalhador manteve a trajetória de alta. Os reflexos da crise ainda não chegaram à mesa dos brasileiros”, avaliou o presidente da Abras, Sussumu Honda.

Na análise setorial da Fiesp, metalurgia básica foi o setor de pior desempenho no primeiro mês do ano. O INA desse segmento, sem ajuste sazonal, marcou recuo de 38,7% frente a janeiro de 2008. Com relação a dezembro do ano passado, a queda foi de 8,1%, sem ajuste, e de 6,2%, considerando as variações sazonais. “Há setores que estão apanhando mais agora, mas a verdade é que a crise vai bater em todos, mais cedo ou mais tarde”, afirmou Francini.

Ele explicou que, diante desse cenário de retração, a sensação é que os efeitos da crise não cessaram e devem piorar. O Sensor Fiesp, indicador que mostra a percepção dos agentes da indústria sobre o período corrente, registrou 42,3 pontos na segunda quinzena de fevereiro frente à primeira, o que significa que as expectativas permanecem negativas.

04/03/2009 - 09:17h Fiat lucra R$ 1,87 bi, seu melhor resultado no País

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Cleide Silva – O Estado SP

 


A Fiat Automóveis obteve, em 2008, o maior lucro líquido de sua história no País. A líder em vendas de veículos registrou ganho de R$ 1,87 bilhão, ultrapassando em 11,3% o recorde anterior de 2007, quando teve resultado positivo de R$ 1,68 bilhão.

O montante equivale a quase 40% dos ganhos divulgados em janeiro pela matriz na Itália, de 1,61 bilhão (R$ 4,87 bilhões), valor 17% menor do que o obtido em 2007. O faturamento com vendas da filial brasileira atingiu R$ 18,4 bilhões, 7% a mais do que no ano anterior.

Em nota distribuída ao mercado ontem, a Fiat afirma que “apesar da redução na atividade durante o último trimestre, 2008 foi o melhor ano para a indústria automotiva no Brasil”. As vendas totais de automóveis e comerciais leves somaram 2,67 milhões de unidades, 14,1% a mais que em 2007. A Fiat cresceu 8,2%, com 657,7 mil carros.

O balanço foi o quarto seguido da subsidiária com resultados positivos. A Fiat é a única montadora que divulga balanço individual no País. Em 2005, a unidade de automóveis teve lucro de R$ 511,2 milhões e, em 2006, de R$ 803,7 milhões. A Fiat é a única montadora que divulga balanço no País.

RECALL

A Fiat inicia hoje a convocação de 52.986 modelos Punto para averiguação e, se necessário, troca do fecho do cinto de segurança do banco central traseiro. O recall envolve todos as unidades produzidas entre junho de 2007 e novembro de 2008, com motores 1.4 e 1.8.

Segundo Nilson Bretz, gerente de qualidade da Fiat, o problema foi detectado pela equipe da montadora e não há ocorrências de problema envolvendo consumidores. “É uma ação preventiva”, diz. A montadora constatou que se o passageiro do banco traseiro esquerdo, por engano, encaixar o cinto no fecho do assento central terá a falsa sensação de encaixe, mas a peça pode soltar-se. O recall é para substituir o fecho que não deveria aceitar a peça do cinto lateral.

04/03/2009 - 08:57h Resumo

Capa do jornal O Estado de São Paulo: um resumo significativo sobre o impacto da crise econômica
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090304/img/capadodia.jpgcarros_eua_brasil_estado.jpg

No Brasil, vendas reagem e fábricas adotam hora extra

Queda de 4,5% no número de unidades vendidas foi menor do que analistas e empresas esperavam

Ao contrário de mercados internacionais, as vendas de veículos no Brasil apresentaram pequena recuperação em fevereiro e, no bimestre, a queda é de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado, com 396,8 mil unidades vendidas. Diante de resultados menos pessimistas do que os previstos, as montadoras estão tendo de recorrer a horas extras e suspensão de dispensas temporárias para dar conta da demanda.

A Volkswagen convocou 7 mil funcionários – quase a totalidade do quadro da produção – para jornada extra neste sábado na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Na Fiat em Betim (MG), 12 mil funcionários vão trabalhar nos próximos três sábados para repor feriados. Cerca de 440 funcionários da Renault em São José dos Pinhais (PR)voltarão ao trabalho dia 23. Eles fazem parte do grupo de 844 pessoas com contratos suspensos até maio.

Com a necessidade de produzir mais, até para evitar filas de espera de alguns modelos, a ação das montadoras puxa a das autopeças. Nos últimos meses, várias fabricantes fizeram acordos de redução de jornada e agora estão voltando atrás.

Na região do ABC paulista, a Fiamm, fabricante de buzinas, cancelou a semana reduzida de trabalho três meses antes do previsto. Os 168 trabalhadores retomaram a jornada normal de cinco dias na segunda-feira. A medida visa a normalizar a produção, segundo informou a empresa ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Os 160 trabalhadores da Polistampo, que faz peças para portas, voltaram uma semana antes do previsto à jornada normal de trabalho.

A Volkswagen não comentou a razão das horas extras. A Fiat informou que pretende ampliar a produção diária de 2,6 mil para 3 mil veículos.

Marcelo Cioffi, da consultoria PricewaterhouseCoopers, avalia que o mercado brasileiro “não está tão ruim quanto se esperava”. Mas acha também que pode ser um movimento por parte das montadoras de garantir estoques para as vendas de março, último mês de redução do IPI. É provável que haja uma correria às lojas, “uma antecipação de compras”. As empresas, nos bastidores, tentam convencer o governo a manter o benefício.


NÚMEROS

396,8 mil
unidades foram vendidas em janeiro e fevereiro

7 mil
funcionários da Volkswagen foram convocados para trabalhar sábado. Na Fiat, 12 mil vão trabalhar nos próximos 3 sábados

Venda de carros cai até 53% nos EUA, o nível mais baixo em 30 anos

Especialistas falam em ‘depressão automotiva’ nos EUA; na Europa, a GM diz que pode ficar sem caixa em abril

Agências internacionais, NOVA YORK


A venda de automóveis das principais montadoras nos Estados Unidos em fevereiro caiu mais de 40% na comparação com igual período do ano passado. Apesar de oferecerem descontos bastante agressivos, o desempenho das montadoras registraram o nível mais baixo em quase 30 anos.

Na General Motors, que vem sobrevivendo graças a uma ajuda governamental de US$ 13,4 bilhões, a queda nas vendas foi de 52,9%. A Ford teve redução de 48% e a Chrysler, que também ganhou uma sobrevida com uma ajuda de US$ 4 bilhões em dezembro, viu suas vendas caírem 44%.

Maior montadora do mundo em vendas, a japonesa Toyota vendeu 37,3% a menos. Honda e Nissan anunciaram queda de 38% e 37%, respectivamente, enquanto a alemã BMW informou uma redução de 34,7%.

“Estamos vivendo uma depressão automotiva”, afirmou o analista da Standard & Poor?s Efraim Levy. “Consumidores temerosos de perder o emprego e assistindo a uma queda no valor de suas casas e de seus ativos em bolsa estão muito receosos de fazer compras grandes e não essenciais.”

Na Europa, o cenário também não é animador. Na Espanha, o número de registros de veículos caiu 48,8%, o pior desempenho para um mês de fevereiro na história do país. Na França – um dos países que havia resistido melhor à crise do setor em 2008 -, o recuo foi de 13,1%.

A retração da demanda na Europa já ameaça as subsidiárias da GM, que empregam 300 mil pessoas. “A GM Europa poderá ficar sem caixa lá para abril ou maio. Só uma ajuda governamental poderia evitar a perda de 300 mil postos de trabalho”, alertou o vice-presidente mundial de operações da GM, Fritz Henderson. O executivo pleiteia uma ajuda de US$ 4,2 bilhões, que seria usada para financiar a separação das subsidiárias Opel e Vauxhall.

No entanto, o apelo não parece sensibilizar os líderes europeus. Depois de uma reunião com o presidente executivo da GM Europa, Carl-Peter Forster, o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, declarou que ainda não está convencido de que a Opel tenha pela frente um “futuro sustentável”. Os governos da Suécia e da Grã-Bretanha, sede das subsidiárias Saab e Vauxhall, estão igualmente relutantes.

Os números negativos divulgados ontem alimentam os temores de que as montadoras não conseguirão obter a recuperação esperada para o segundo semestre deste ano nos EUA, com a qual as companhias vinham contando para desacelerar sua erosão financeira.

Para se qualificarem a receber mais US$ 21,6 bilhões do governo, além dos US$ 17,4 bilhões que já receberam, GM e Chrysler têm até o fim deste mês para demonstrar que estão tendo sucesso nos planos de reestruturação. Caso elas não sejam convincentes, não apenas não receberão mais recursos do governo como terão de devolver aquilo que receberam.

As duas montadoras insistem que terão condições de recuperar a lucratividade e, a partir de 2012, poderão começar a pagar os empréstimos recebidos. Entretanto, para isso, precisam aumentar consideravelmente as vendas este ano.

As empresas também tentam estabilizar suas operações com a queda da produção. A GM e a Ford, que ainda não precisou de ajuda financeira, já declararam que a produção no segundo trimestre deve ser reduzida em mais de 30%, ante o mesmo período de 2008.

“Diante de um cenário econômico frágil, temos de ficar atentos para perceber os indícios de que as condições estão se deteriorando”, afirmou a economista sênior da Ford nos EUA, Emily Kolinski Morris. “Isso quer dizer que não atingimos ainda o fundo do poço. Pode ser que o fundo tenha sido atingido em fevereiro, mas não há nenhuma âncora no horizonte econômico que nos permita ser conclusivos em relação a isso.”

Nem mesmo descontos de mais de US$ 5 mil, que se tornaram comuns nas últimas semanas, estão atraindo os consumidores americanos. E os poucos que ainda estão em busca de um carro novo esbarram na falta de crédito. Pensando nesse tipo de cliente, a Toyota pediu ontem em Tóquio um empréstimo emergencial de US$ 2 bilhões do governo japonês para financiar a compra de carros nos EUA.

03/03/2009 - 09:50h Aumento das exportações em fevereiro e queda das importações: balança comercial tem superávit

http://www.transaex.com.br/img_noticias/20090202122915_noticias.jpg

Importação cai e balança fecha mês com superávit

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

A forte queda nas importações levou a balança comercial a um superávit de US$ 1,76 bilhão em fevereiro. De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o mês passado foi marcado pelo aumento das médias diárias das exportações em relação a janeiro, queda acentuada das importações e tendência de maior participação dos países em desenvolvimento – principalmente da Ásia, que saiu de 15,5% (fevereiro de 2008) para 21,5% – nos destinos das exportações brasileiras.

Para Barral, depois de um janeiro muito ruim para a balança comercial, fevereiro foi melhor, apesar do cenário de crise e do menor número de dias úteis. O saldo de US$ 1,76 bilhão é resultado de vendas de US$ 9,58 bilhões e compras de US$ 7,82 bilhões. A comparação com fevereiro de 2008, por meio das médias diárias, revela quedas de 20,9% nas exportações e 30,9% nas importações. Levando em conta os dois primeiros meses do ano, as diminuições são de 21,9% (exportação) e 21,6% (importação).

A desvalorização do real e o menor ritmo de crescimento da economia reduziram as importações. Por outro lado, a crise mundial diminui a demanda por produtos brasileiros. Segundo o governo, a queda das importações em fevereiro também foi marcada pela retração dos preços do petróleo e derivados. Esse movimento foi responsável por uma redução de US$ 461 milhões nas compras do mês em relação a fevereiro de 2008.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirma que os números da balança em fevereiro mostram uma velocidade maior dos impactos da crise. Ele explica que o ritmo de queda das importações (30,9%) era esperado para março. “Atualmente, isso é mais provocado pelo câmbio que pela demanda, mas esses dois efeitos tendem a ter pesos iguais”, diz.

No lado das importações, as médias diárias de fevereiro mostram que todas as categorias de produtos tiveram reduções em relação a fevereiro de 2008. As maiores foram de petróleo (44%), matérias-primas e intermediários (34,3%), bens de capital (16,7%), bens de consumo duráveis (9,9%), automóveis (8,8%) e não duráveis (5,4%).

Na análise da quantidade importada, a queda foi de 42,9% em relação a fevereiro de 2008. A categoria mais afetada foi a de matérias-primas e intermediárias (47,7%). A maior redução, 85,4%, foi no segmento de matérias-primas para agricultura. Combustíveis perderam 40% em quantidade. As demais quedas ocorreram em maquinaria industrial (0,3%), bens de consumo duráveis (7,6%), não duráveis (12,9%), produtos alimentícios primários (41,7%) e produtos minerais (41,2%).

A perspectiva da balança comercial é “turbulenta”, segundo o dirigente da AEB. Para ele, as exportações continuam fracas e os países emergentes vão reduzir importações por falta de divisas. Quanto aos principais parceiros comerciais do Brasil, o cenário previsto por Castro também é desanimador. Em 2009, ele acredita que vai haver déficit com os EUA, pela primeira vez desde 1999, o que revela “a fraqueza da pauta de exportações com o maior mercado do mundo”. O saldo negativo com a China vai permanecer e o superávit com a Argentina vai diminuir.

Barral detalhou os números do comércio com China e EUA em fevereiro. Nas importações, o comércio com os EUA teve, na comparação com o mesmo mês de 2008, aumentos de 3,4% no valor e 6,2% nos preços, mas queda média de 7,1% nas quantidades. As maiores diminuições de quantidade foram em químicos orgânicos (53,4%), plásticos (40%), químicos diversos (32,1%), eletroeletrônicos (14,5%), máquinas e equipamentos (7,2%) e instrumentos óticos (2,2%).

Com relação às importações da China, fevereiro teve, em média, quedas de 12,4% no valor e 37,9% na quantidade, mas aumento de 34,3% nos preços. Os maiores aumentos de quantidade foram para têxteis (80,6%), ferro fundido (11,6%), calçados (9,6%) e químicos orgânicos (4%). As maiores quedas foram para combustíveis minerais (40,5%), máquinas/equipamentos (38,4%), siderúrgicos (28,3%), instrumentos óticos (22,5%), eletroeletrônicos (20%) e automóveis (12,4%).

02/03/2009 - 19:15h Venda de automóveis tem 3ª alta em fevereiro e supera 2008

KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

A venda de automóveis e comerciais leves registrou a terceira alta consecutiva em fevereiro deste ano, segundo dados antecipados pela Folha Online. Puxado pela redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e pelas promoções das montadoras, o desempenho superou 2008. No resultado por marca, a Volkswagen lidera o mercado.

Foram vendidos 191.360 automóveis e comerciais leves no mês de fevereiro (sem contar caminhões, ônibus e motos), alta de 0,14% sobre fevereiro de 2008 (191.089) e de 0,86% sobre janeiro deste ano (189.731 em resultado ajustado).

Embora a expansão tenha ficado abaixo de 1%, o número é representativo para o setor porque o mês de fevereiro deste ano teve menos dias úteis que janeiro e que fevereiro de 2008.

Ranking

A Volkswagen foi a montadora com maior participação de mercado em fevereiro (24,4%), considerando apenas automóveis e comerciais leves, à frente da Fiat (23,5%), General Motors (18,7%) e Ford (11,7%).

O carro mais vendido no período foi o Gol (VW), com 21.073 unidades. Em segundo aparece o Palio (Fiat), com 12.755 unidades, e, depois, o Uno (Fiat), com 11.055 veículos vendidos.

As medidas tomadas pelo governo –liberação de linha de crédito e redução do IPI– tiveram efeito em janeiro e em fevereiro, mas os benefícios fiscais terminam no final deste mês.

Veja os 10 veículos mais vendidos em fevereiro:

Gol (VW) — 21.073
Palio (Fiat) — 12.755
Uno (Fiat) — 11.055
Celta (GM) — 9.307
Fox/CrossFox (VW) — 8.422
Corsa sedan (GM) — 6.558
Ka (Ford) — 5.652
Fiesta (Ford) — 5.153
Voyage (VW) — 5.024
Siena (Fiat) — 4.828

18/02/2009 - 11:22h Consumidor enfrenta fila para comprar carro usado

Espera para levar um modelo popular pode passar de 30 dias em revendas em SP

Falta de carros para pronta entrega também atingiu o setor de veículos novos, devido à queda na produção e ao aumento da demanda

http://jornale.com.br/mirian/wp-content/uploads/2008/12/carros-usados.jpg

DO “AGORA” e FOLHA SP

A fila de espera para comprar um carro popular chegou ao setor de usados na capital e pode passar de 30 dias para os consumidores à procura dos modelos mais disputados. Os modelos flex 1.0 fabricados entre os anos 2005 e 2008 são os que mais faltam nos estoques das concessionárias. Os quatro portas também são disputados.
Em cinco concessionárias consultadas ontem, os usados em falta são Celta, Ford Ka, Palio, Fiesta, Corsa Sedan, Gol e Fox. Clientes que têm exigências quanto a cor, modelo e quilometragem podem esperar mais de um mês.
Nas 45 lojas da Chevrolet na Grande SP, os usados mais procurados são Celta, Ford Ka e o Fiat Palio 1.0.
A espera média de 25 dias para diversos populares novos reduziu a oferta de usados, já que quem vai trocar de carro espera pelo novo para deixar o usado na loja. Além disso, a queda dos preços também fez com que muitos consumidores desistissem da venda do carro.
Para o gerente regional de vendas da GM, Rodrigo Rumi, a desvalorização dos usados acompanhou os preços dos novos, que, desde dezembro, têm redução e isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Segundo gerentes de concessionárias, só neste mês os donos de veículos estão voltando a negociar a venda dos usados. “Passado o impacto da desvalorização, os clientes perceberam que há uma nova realidade de preços”, diz Cesar A. Del Negro, supervisor de vendas da Anhembi, da Chevrolet.
Segundo a Anauto-SP (associação dos auto-shoppings), as vendas em fevereiro estão em recuperação.
Segundo a GM, os novos se desvalorizaram em até R$ 2.000, e os usados, em até R$ 4.000. Na Ford Highway, da Vila Prudente (zona leste), o Ka 2007 caiu de R$ 21 mil para R$ 18.500. Segundo o gerente da Fiat Amazonas Sumaré, em Perdizes, o estoque de usados caiu de 230 carros em fevereiro de 2008 para 80 neste mês. Para a Fenabrave (federação de veículos), a falta será normalizada com a regularização da entrega dos novos.

Carros novos

Por conta da queda na produção e do aumento nas vendas no começo deste ano, as concessionárias sentiram também a falta de carros novos para pronta entrega.
O problema afetou especialmente modelos populares, como o Fiat Uno, o Fiat Palio e o Ford Ka, os três na lista dos dez mais vendidos.
A falta de modelos foi consequência do corte de 54% na produção das montadoras em dezembro passado em relação ao mesmo mês de 2007. Por outro lado, a demanda por veículos ganhou fôlego na passagem de 2007 para 2008 com a queda no IPI e a oferta de crédito.

12/02/2009 - 08:48h Produção industrial paulista sobe 5,7%

Resultado apontado pela FGV é o primeiro positivo após 3 negativos

http://www.joaopaulo.org.br/images/industria2750_080602131551.jpg

Alessandra Saraiva e Francisco Carlos de Assis – O Estado SP

Após três recuos mensais consecutivos, a produção da indústria paulista deve subir 5,7% em janeiro, na comparação com o mês anterior. É o que mostra o Sinalizador da Produção Industrial (SPI) de São Paulo, divulgado ontem pela FGV. Em dezembro, o sinalizador teve queda de 13,5% em comparação com novembro, na série com ajuste sazonal, enquanto a produção de São Paulo apresentou recuo de 14,9%, de acordo com dados regionais oficiais do IBGE.

Na comparação com janeiro de 2008, o sinalizador recuou 14,9%, variação muito próxima à de dezembro, quando o indicador caiu 14,5% em relação a igual período de 2007.

Segundo o coordenador do indicador, que é fruto de parceria da FGV com a AES, Paulo Picchetti, a retomada da produção pela indústria para recompor os estoques está entre os fatores que levaram ao dado positivo em janeiro, depois da queda acentuada do mês anterior. Ele classifica o e movimento, porém, como algo marginal. “Não podemos nos enganar com este crescimento de 5,7% para depois não sofrer uma rasteira da produção industrial.”

Picchetti reconhece que a indústria, especialmente a do setor de automóveis, interrompeu a produção em dezembro quando se viu às voltas com um nível de estoques indesejável. Agora, o setor opera para se recuperar, mas dentro de um cenário envolto por muitas incertezas.

“É verdade que a indústria, em especial a automotiva, voltou a produzir. Mas temos de deixar claro que o setor como um todo perdeu a referência de qual será daqui para frente o patamar de produção. A indústria está tateando o mercado para tentar encontrar qual será o novo nível de produção e estoque”, diz Picchetti, cauteloso.

As vendas de automóveis que levaram à redução dos estoques nos pátios das montadoras, segundo o coordenador do SPI, foram estimuladas pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ocorre que a vigência do benefício termina em março. Esse prazo, afirma o economista da FGV, é mais um fator que sustenta as incertezas da indústria quanto ao real nível de produção numa economia afetada pela crise econômica mundial.

“Esta melhora do SPI em janeiro é quase nada porque leva o índice da produção da indústria paulista ao mesmo patamar de 2006, quando o setor iniciou a trajetória de crescimento. Só para se ter uma ideia, no acumulado de 12 meses encerrados em dezembro, o SPI acumulava um crescimento de 5,30%. Em janeiro, esta taxa caiu para 3,10%”, diz Picchetti. Ele lembra que uma desaceleração da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) paulista nesta magnitude só se viu em 1996 e 1998, nas crises econômicas da Ásia e da Rússia.

NÚMEROS
14,9 % foi o recuo do Sinalizador da Produção Industrial de SP em janeiro deste ano, em comparação com janeiro de 2008

13,5 % foi a queda do índice em dezembro, em relação a novembro de 2008

07/02/2009 - 11:33h Caixa atende a pedidos de Lula e volta a cortar juros

Banco alega critérios técnicos e diminui taxa em 20 linhas de crédito para pessoas físicas e empresas

Fernando Nakagawa – O Estado SP

Pela terceira vez em pouco mais de um mês, a Caixa Econômica Federal anunciou ontem a redução dos juros. A instituição explica a decisão por critérios técnicos, como o corte de 1 ponto porcentual da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em janeiro. O vice-presidente de finanças da instituição, Márcio Percival, admite, contudo, que a ação está alinhada com a política econômica e com o controlador da Caixa, o governo federal. Bancos públicos têm sido pressionados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir os juros e ajudar a aquecer a economia.

Ao todo, a Caixa diminuiu a taxa de 20 linhas de crédito. Nas operações para as pessoas físicas, houve redução nas linhas mais usadas, como o cheque especial, consignado, financiamento de veículos e compra de material de construção. No cheque, por exemplo, o juro máximo mensal caiu de 7,35% para 6,89%. Apesar da redução, a taxa continua alta: equivale a mais de três vezes o juro do consignado, cuja taxa caiu de 2,35% para 2,07%.

A medida também beneficia empresas. Proporcionalmente, as maiores quedas para as pessoas jurídicas ocorreram nos empréstimos para capital de giro e antecipação de recebíveis como cartões de crédito e cheques pré-datados.

O terceiro corte do juro desde o fim de dezembro segue a linha indicada pelo presidente Lula, que incitou os bancos públicos a reduzir as taxas e induzir movimento semelhante nos concorrentes privados. “Na Caixa, o controlador é o governo federal. Por isso, é sempre muito importante o que o presidente da República fala”, disse o vice-presidente de finanças.

Apesar disso, Percival explica que a redução de ontem é uma medida tomada com base em critérios técnicos e é a conjuntura que permite a diminuição das taxas. “Estamos alinhados com a política econômica e com o nosso controlador, mas é a análise técnica que justifica esse movimento dos juros.” Entre os argumentos para o corte, estão a queda da Selic, a diminuição dos juros futuros, a redução do custo médio de captação e a queda da inadimplência.

Com juros mais baixos, o vice-presidente acredita que o banco deve continuar a ganhar mercado. A Caixa espera terminar o ano com 7% do mercado de crédito, ante 6,5% no fim de 2008. Em 2007, tinha 7%. “Devemos ter esses bons resultados sem prejudicar a qualidade do crédito”, acrescenta.

Em tempos de crise, o banco espera crescer principalmente entre clientes de instituições privadas com dificuldade de obter crédito nos bancos de origem. Entre os critérios avaliados, estão, além das características da operação, o nível de renda, emprego, produção industrial e vendas no comércio.